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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

No ano passado, 554 mil crianças de 5 a 13 anos estavam trabalhando, diz IBGE

 
O País registrou um aumento no trabalho infantil em 2014, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2014), divulgada nesta sexta-feira, pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas de 5 a 17 anos ocupadas cresceu 4,5%, o equivalente a 143,5 mil crianças e adolescentes a mais nessa condição. No ano passado, 554 mil crianças de 5 a 13 anos estavam trabalhando.
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Houve aumento no nível de ocupação em todas as faixas etárias e em todas as regiões do País. Na faixa etária de 5 a 9 anos de idade, o total de crianças ocupadas teve um salto de 15,5%, nove mil indivíduos a mais. Em 2014, o País já tinha 70 mil crianças dessa idade trabalhando. Entre 10 e 13 anos de idade, o total de crianças trabalhando aumentou 8,5%, para 484 mil pessoas, 38 mil crianças a mais nessa condição.
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"Os pequenininhos são muito ocupados em atividades com rendimentos menores", disse Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad no IBGE.
Saiba mais
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A atividade agrícola concentrou 62,1% da população ocupada com idade entre 5 e 13 anos, mesma proporção registrada em 2013. IBGE não soube dizer por que houve aumento do número de crianças trabalhando. A gerente do instituto afirma que quem puxou a alta no trabalho infantil foi a faixa etária de 16 a 17 anos, que recebe rendimento maior e, em geral, vive em domicílios com rendimento mais alto. Na faixa etária de 16 e 17 anos, o total de ocupados aumentou 2 7%, o equivalente a 51 mil pessoas a mais, totalizando 1,926 milhão de pessoas. Dos 14 aos 15 anos, o número de ocupados cresceu 5,6%, para 852 mil trabalhadores, 45 mil indivíduos a mais.

O Sul registrou o mais alto nível da ocupação das pessoas de 5 a 17 anos (10,2%), seguido por Norte (9,2%), Nordeste (8,7%), Centro-Oeste (8,2%) e Sudeste (6,6%).
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Fonte: Estado de Minas (MG)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Ao mestre com carinho

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A maior parte dos Professores brasileiros acredita que a profissão é desvalorizada no país. Mais precisamente, 90% deles confirmaram isso em respostas à Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que ouviu 100 mil Professores e diretores Escolares em 34 países.
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Mesmo com essa porcentagem atingindo um índice tão alto, foi quase unânime a resposta dos profissionais da Educação no país, no tocante à realização profissional. Uma coisa não exclui a outra. Embora reconheçam a desvalorização da profissão, 87% deles disseram se sentir realizados no magistério, o que aproxima da média global que é de 91%.
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Ainda sobre a questão da valorização, apenas 12% dos Professores brasileiros, disseram se sentir valorizados. O resultado também apontou que nos países em que os Professores se sentem valorizados, os resultados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) tendem a ser melhores. Revelou também um dado preocupante em relação aos Docentes brasileiros. Eles se sentem profissionalmente sós. Os entrevistados elencaram a falta de apoio tanto no período de formação acadêmica quanto depois, no mercado de trabalho como fator preponderante para que o resultado final na sala de aula não seja melhor.
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Vale dizer, que nossos mestres estão entre os Professores que mais trabalham no mundo. Ficam atrás dos profissionais da província de Alberta, no Canadá com 26,4 horas por semana e do Chile com 26, 7 horas. Os brasileiros trabalham em média 25 horas por semana.
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E o que pensar sobre a constatação que mesmo trabalhando mais que a média dos profissionais que participaram da pesquisa, desperdiçam 20% desse tempo, com a indisciplina dos Alunos, quando a média mundial é de 13%?.
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Com todas as dificuldades inerentes à profissão e mais as de ordem estrutural que se agravam à medida que se enxerga as condições educacionais do interior do país, especialmente das zonas rurais, os entrevistados disseram que não trocariam a profissão por outra. Como se chama isso? Amor ao que se faz!
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Os desafios que a categoria enfrenta são muitos, são clássicos, e em termos de história, pouco se tem avançado para uma melhora significativa. Os Professores não querem só bons salários, querem se qualificar, querem crescer, evoluir, fazer a diferença para aqueles os quais estão sob a sua tutela educacional. Mas para isso é preciso que verdadeiramente hajam políticas públicas eficazes e eficientes. As eleições batem à porta. A hora é de apagar da lousa tudo aquilo que não faz mais sentido existir e escrever uma nova história.
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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Professor brasileiro é um dos que mais trabalha, afirma relatório da OCDE

Os professores brasileiros de escolas de ensino fundamental, gastam, em média, 25 horas por semana só com as aulas. O número é superior à média de aproximadamente 30 países, como a Finlândia, Coreia, Estados Unidos, México e Cingapura. Lá, os professores gastam, em média, 19 horas por semana ensinando em sala de aula, ou seja, um porcentual 24% menor. O posição brasileira é inferior apenas à do Chile, onde os professores gastam quase 27 horas em aulas.
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O docente brasileiro, contudo, usa até 22% mais de tempo que a média dos demais países em outras atividades da profissão, como correção de "tarefas de casa", aconselhamento e orientação de alunos. Todos os dados são da mais recente Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) divulgada nesta quarta-feira (25) na França.
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Junto com o Brasil, não foram apenas países ricos e integrantes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - coordenadora da pesquisa - que participaram do estudo. Outras nações emergentes e também países menos desenvolvidos fizeram parte da pesquisa. Polônia, Bulgária, Croácia, Malásia e Romênia fazem parte do conjunto de nações integrantes da edição 2013 da Talis. Os dados foram obtidos junto a mais de 14 mil professores brasileiros e cerca de 1 mil diretores de 1070 escolas públicas e privadas de todos os estados do País. Os docentes e dirigentes responderam aos questionários da pesquisa, de forma sigilosa, entre os meses de setembro a novembro de 2012. Cada questionário tinha cerca de 40 perguntas.
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Em âmbito nacional, o estudo foi coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC). Em 2007, o Brasil também participou da primeira rodada da pesquisa, a Talis 2008, que foi publicada no ano seguinte.
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Objetivo: A pesquisa tem como principal objetivo analisar as condições de trabalho que as escolas oferecem para os professores e o ambiente de aprendizagem nas salas de aula. De acordo com o Inep, "a comparação e análise de dados internacionais permite que os países participantes identifiquem desafios e aprendam a partir de políticas públicas adotadas fora de suas fronteiras".
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Diferente do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que prioriza a avaliação dos alunos, do seu contexto e da escola, no Talis, o foco está mais centrado nos docentes. "O programa Talis é um programa de pesquisas que visa preencher lacunas de informação importantes para a comparação internacional dos sistemas de ensino", afirma estudo da Universidade Federal do Paraná liderado pela pesquisadora Rose Meri Trojan.
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"Desperdício"
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A pesquisa também quis saber do professor quanto tempo de aula é voltado, efetivamente, para a aprendizagem. E o número é pouco animador para o Brasil. Mesmo com uma carga de 25 horas de aulas por semana, mais de 30% do tempo desses encontros regulares é "desperdiçado" em tarefas de manutenção da ordem dentro da sala e em questões burocráticas, como o preenchimento de chamadas e outras atividades administrativas. Só o tempo gasto para por "ordem na bagunça" dos estudantes representa 20% do tempo total da aula. Com serviços administrativos, são gastos 12%. De aula mesmo, ou seja, atividades de aprendizagem, o professor dispõe apenas de 67% do tempo. É a pior situação entre todos os países avaliados. Na média dos países pesquisados, quase 80% do tempo é voltado, exclusivamente, para a aprendizagem.
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"Precisamos otimizar mais o tempo em sala de aula. O Brasil ainda tem como foco o ensino, mas é preciso se voltar para a aprendizagem. Não podemos desperdiçar tanto tempo com outras questões", afirma Ocimar Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, um dos principais fatores de dispersão do aluno é a própria defasagem que ele tem em termos de conhecimento por uma série de fatores, inclusive os socioeconômicos. "Os alunos que chegam no fundamental veem com baixa proficiência ou possuem uma diferença muito grande em relação aos demais estudantes. Isso é um dos fatores que faz com que ele não fique atento às aulas e o professor precise gastar mais tempo organizando a dispersão", fala Alavarse.
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Deslocamento - Além de usar mais horas por semana ensinando, parte dos professores brasileiros ainda sofre com o desgaste em descolamentos. Isso porque, muitos deles trabalham em mais de um estabelecimento.
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"Ainda temos que enfrentar o desafio da reorganização do corpo de professores nas escolas públicas. O ideal era que ele estivesse vinculado a apenas uma escola. No entanto, é comum docentes, especialmente dos anos finais do ensino fundamental, ensinarem em mais de um estabelecimento, já que certas matérias que eles lecionam têm uma carga horária e número de turmas limitado", afirma Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
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No Brasil, cerca de 40% dos mais de 2 milhões de professores da educação básica dão aulas em cinco ou mais turmas. E aproximadamente 20% deles ensinam em pelo menos dois estabelecimentos. Já em São Paulo, 26% dos professores dão aulas em duas escolas. Os dados são do Censo Escolar 2013 divulgado no início deste ano pelo MEC.
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Perfil - Além dos dados sobre condições de trabalho e ambiente de aprendizagem, a pesquisa da OCDE também traçou o perfil do docente brasileiro. Confira os números da pesquisa aqui.
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'Educação não é mercadoria: setor privado precisa de uma regulamentação urgente'
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Depois da participação na aprovação, pelo Congresso, do Plano Nacional de Educação (PNE) - uma das principais bandeiras de reivindicação da União Nacional dos Estudantes (UNE) -, a entidade vai focar sua atuação, a partir de agora, na regulamentação mais efetiva do ensino superior privado do País. Essa supervisão mais eficiente das 2.112 faculdades, centros universitários e universidades particulares (87% do total de instituições de ensino superior do Brasil) será possível com a aprovação do projeto de lei que cria o Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (Insaes). Isso é o que afirma a presidente da UNE, Virgínia Barros, de 28 anos.
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"Quem se posiciona de forma contrária ao projeto fala que é mais um instituto que vem para inchar o Estado brasileiro e aumentar a burocracia. Eu não concordo com essa avaliação. Acho que o Insaes vem para aumentar a eficiência do próprio Estado no processo de fiscalização", afirma Vic, como é mais conhecida.
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Confira, no vídeo, a posição da UNE sobre a regulamentação do ensino privado, o balanço da gestão no primeiro ano de mandato encerrado agora em junho, além de outros temas envolvendo políticas públicas, movimento estudantil, eleições e Copa. Aqui.
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Superinstituto - O novo 'superinstituto' do Ministério da Educação (MEC) prevê a criação de mais de 500 cargos públicos ao custo que ultrapassa os R$ 40 milhões. O Insaes passaria a assumir algumas atividades da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), ambos responsáveis pela regulação do setor.
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Hoje, tanto o Inep quanto a Seres sofrem com falta de pessoal e infraestrutura, o que compromete a fiscalização da qualidade do ensino ofertado pelas instituições privadas. Contudo, o projeto - que foi apresentado pelo executivo federal em 2012 -, ainda está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. O Ministério da Educação (MEC) esperava que ele fosse apreciado ano passado para que passasse a valer a partir deste ano.
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O setor privado, em geral, critica a criação e a formatação do instituto. Atualmente, o total de estudantes matriculados em faculdades e universidades de ensino superior no País ultrapassou a marca de 7 milhões em 2012. Mais de 70% desses alunos estudam em instituições privadas.
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60% dos professores no Brasil são obrigados a trabalhar em mais de uma escola, diz estudo

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Menos da metade dos professores de ensino fundamental no Brasil pode se dar ao luxo de laborar num único colégio. O dado, revelado pela Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizado (Talis, na sigla em inglês) da OCDE, o clube dos países mais desenvolvidos, joga luz sobre um problema que, de acordo com especialistas, afeta diretamente a qualidade da educação.
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Segundo o levantamento, que a OCDE realizou junto a cem mil professores em 34 países e cujos resultados apresenta hoje em Paris, apenas 40% dos docentes brasileiros que atuam nos primeiros anos do ensino têm dedicação exclusiva, contra 82% na média das nações pesquisadas. De acordo com a gerente da área técnica do movimento Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, por trás dessa realidade estão os salários insuficientes e o baixo número de professores em determinadas áreas.
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— Os profissionais de exatas, por exemplo, encontram oportunidades mais atraentes que a sala de aula quando se formam. Isso gera um déficit que acaba sendo tratado com o deslocamento de profissionais — observa. — A consequência é um prejuízo no envolvimento do professor com o projeto pedagógico das escolas.
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A vida em mais de uma escola é o caso de Marcelle Aguiar, professora de inglês de 33 anos. Para alcançar renda mensal de R$ 3.500, ela precisou assumir 19 turmas em quatro escolas. Marcelle trabalha para a rede municipal do Rio, onde atua num colégio na Pavuna e outro em Acari, e também para a rede municipal de Magé, na qual dá aulas em mais dois colégios.
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— Seria infinitamente melhor se pudesse receber um bom salário para atuar em apenas uma escola. Teria mais tempo para planejar atividades e vínculos ainda mais fortes com os alunos — pondera.
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Além da rotina pesada, a professora também já precisou enfrentar escolas inseridas em contextos de violência, como comunidades marcadas pelo tráfico de drogas. Segundo ela, muitas vezes esse peso recai diretamente sobre o professor:
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— Em alguns casos, os alunos liberam toda a sua agressividade na escola. Os colégios cada vez mais têm que estar preparados para agir como agentes transformadores. Mas, para isso, é preciso apoio de psicólogos e assistentes sociais, já que determinados aspectos fogem ao nosso alcance.
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O cenário descrito por Marcelle também aparece na pesquisa da OCDE, que pediu a professores e diretores (15 mil deles apenas no Brasil) que respondessem a questionários com perguntas sobre liderança escolar, ambiente de trabalho, satisfação e eficiência, práticas pedagógicas e expectativas, avaliação, aprendizado e desenvolvimento de oportunidades. Dos 34 países, somente em Brasil, Malásia e México mais de 10% dos diretores relataram que experimentam episódios de vandalismo ou roubo em uma base semanal. Para a organização, “não surpreende que, tanto no Brasil quanto em outras nações, gestores escolares tenham relatado níveis mais elevados de inadimplência em suas escolas, além de níveis mais baixos de satisfação no trabalho.”
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Nosso país também aparece ao lado do México, da Suécia e da Bélgica no quesito respeito ao professor: quase um terço dos professores trabalham em escolas onde houve relatos de intimidação ou abuso verbal por parte dos alunos. O Brasil é um dos únicos também onde mais de 10% dos diretores disseram ter presenciado agressões verbais a seus professores toda semana.
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MULHERES SÃO ESMAGADORA MAIORIA
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O estudo também comprova uma realidade que qualquer um que já entrou numa escola de ensino fundamental percebeu: as mulheres são a esmagadora maioria dos professores. Mais especificamente, 71% deles (na média de todos os países pesquisados, são 68%). Embora 96% dos docentes por aqui tenham diploma de graduação, somente 76% completaram cursos de licenciatura. Esse índice fica abaixo da média mundial, de 90%. Mesmo assim, os profissionais de educação básica daqui acumulam uma experiência profissional de 14 anos, só dois a menos que a média.
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Também na direção das escolas, só 25% são homens, contra 51% na média da OCDE. As gestoras têm formação mais elevada que seus empregados professores: 96% delas completaram graduação com licenciatura, e 88% fizeram algum tipo de treinamento para assumir o posto administrativo. No entanto, se os diretores nos 34 países da pesquisa somam tempo médio de experiência profissional de 30 anos, por aqui o número cai para 21. Outro ponto bastante enfatizado pela TALIS é a questão da avaliação de professores e de como ela impacta o dia a dia na sala de aula. Por aqui, 80% dos docentes disseram ter implementado melhores práticas letivas depois de receber bons retornos de seus superiores, contra só 62% na média da OCDE.
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A atual coordenadora da pré-escola na Escola Americana, Isabela Baltazar também já foi professora da instituição e defende que, em ambas posições, o retorno sobre o trabalho em sala de aula é fundamental para o bom rendimento:
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— Dando este tipo de suporte, temos professores mais confiantes. Isso passa mais segurança ao aluno.
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SOBRE A TALIS
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Esta é a segunda edição da Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizado, sendo a primeira realizada em 2008 com pouco mais de 20 países. Para o Talis 2013, foram ouvidos cerca de 100 mil professores e diretores de escolas em 34 países. No Brasil, cerca de 15 mil docentes e mil gestores de escolas atenderam aos questionários enviados pela OCDE.
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A organização os pediu que respondessem questões que versavam sobre liderança escolar, ambiente de trabalho, satisfação no trabalho e eficiência, práticas pedagógicas e expectativas, avaliação e feedback, aprendizado e desenvolvimento de oportunidades.
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Fonte: O Globo on line e Todos pela Educação

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Autofagia e trabalho docente no campo da educação

Por: Lúcio Alves de Barros*
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A massificação, a proletarização, o assalariamento predatório, a diminuição da autoridade e o avanço das relações de mercado no campo da educação têm produzido conturbadas relações sociais entre os professores. Apavorados, desanimados, magoados, cansados e colocados em xeque, a categoria tem compartilhado o sofrimento, as doenças, o desemprego, a ansiedade e o medo. Mas não é para menos: nos últimos anos, uma espécie de “segure-se quem puder” invadiu de vez as escolas, as faculdades e as universidades. Em terra de leão, é claro que são poucas as ovelhas que sairão impunes de relações perversas que colocam em questão a subjetividade do ser que trabalha – por natureza – com a interação. Explico do que se trata.
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Em primeiro, já são notórias as relações de falsidade, deslealdade, maldade e crueldade em meio aos docentes. É certo que na maioria das relações de trabalho tais fenômenos também se fazem presentes, mas no caso dos professores eles vêm tomando efeitos dramáticos, principalmente porque a categoria há anos vem sendo desmotivada pelas más condições de trabalho, pelo aumento da carga laboral e pela perda da autoridade em sala de aula e fora dela. Vulnerável, a categoria se rende ao sadismo/masoquismo próprios da cultura da violência e da exclusão. O caminho é claro: o “segure-se quem puder” não é para todos, e logo são excluídos os “mais sensíveis” – que vão caindo em meio às batalhas emocionais com os “mais fortes”.
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Em segundo, é preciso apontar para a “seleção social” produzida no mercado laboral dos docentes. A lógica do mercado educacional nos últimos tempos tem se baseado no número de publicações, artigos, textos, livros, orientações e apresentações em congressos, seminários e outros eventos. Nessa esfera, o corporativismo ganha vida, pequenos e grandes núcleos se formam, se reproduzem, se protegem e se distribuem em “pesquisas” recheadas de bolsas e investimentos públicos. Tais pesquisas, em geral, se transformam em artigos escritos por muitas mãos, as quais não deixam de labutar no intuito de conchavos para o credenciamento em órgãos governamentais. E, diga-se de passagem, não se procura mais qualquer revista: o operariado do saber quer um “B1”, um “B2” e, se possível, para tirar onda no ar, um “A”. O curioso é que a luta acaba sendo por um artigo lido pelos próprios pares e citado pelos próprios companheiros e que raramente chega a um público maior e talvez interessado. Na verdade, tudo é produzido para a reprodução do “homo academicus”, de Bourdieu, que goza ao ver o nome estampado na internet ou no último evento de cartaz colado na parede. E tudo funciona para que o famoso Curriculum Lattes se transforme em capital simbólico, que, na maioria das instituições, aparece como garantia de credenciamento como “instituição de respeito”. Aos docentes que não conseguem se enquadrar restam a dura realidade da fofoca e dos apelidos maldosos que rondam as salas e os cargos menos significantes de direção.
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Acrescentam-se às condições colocadas o esvaziamento dos sindicatos e das associações especialmente no quesito mobilização coletiva. É bem verdade que em todo o país assistimos ao desenrolar de algumas greves, principalmente em relação à questão salarial e ao piso dificilmente legitimado pelas autoridades que gerenciam muitos estados da Federação. Todavia, os trabalhadores da educação não parecem animados, tampouco disponíveis para participar de ações coletivas. O “segure-se quem puder” e a seleção social no interior da categoria garantiu lugar privilegiado para aqueles que conseguiram entrar e fazer parte da onda de privilégios, bolsas e grupos que podem possuir mais ou menos condições de conseguir determinados direitos nos sindicatos da categoria. Na realidade, os trabalhadores da educação sofrem com a desvalorização e o reduzido valor-trabalho, a ponto de o individualismo fazer parte da vida pública e da vida privada, próprias da natureza das sociedades do mercado e do espetáculo.
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Oprimidos e calados pelo tempo, é preocupante a autofagia docente. Obviamente, na lida diária os mais fracos e vulneráveis à temperatura institucional dos ambientes escolares vão se queimando aos poucos. Os mais fortes viram celebridades, chegando mesmo a alimentar a mídia e as notícias da organização. As relações tornam-se mais complexas e tensas quando os docentes não estão mais entre iguais ou não compartilham o mesmo corpo. Adoentado, o corpo docente vai se alimentando de sua própria carne. Rapidamente a autofagia ganha espaço e alguns ficam no caminho: aposentados são mal vistos, especialistas são denegridos, mestres precisam estudar e o doutor deve publicar para elevar o nome da instituição. É a destruição perfeita das pessoas por meio do “conhecimento”, da informação, dos títulos e da famigerada objetividade. O processo autofágico é violento e os órgãos não têm a ciência dele, até o momento em que começam a ser devorados pelos próprios pares.
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* - Professor da Faculdade de Educação da UEMG
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Publicado em 1º de outubro de 2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

Por dia, quase três professores pedem demissão da rede estadual de ensino

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Por Maria Luisa de Melo
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Pagando salários menores do que os da Prefeitura do Rio de Janeiro, e de pelo menos cinco municípios da Baixada Fluminense, a rede pública estadual do Rio assiste a uma debandada de professores no início deste ano. Só nestes cinco primeiros meses, 308 mestres concursados pediram exonerações. Outros 504 se aposentaram. Ou seja, 812 mestres estão fora da rede. O déficit de profissionais, segundo a Secretaria estadual de Educação, no entanto, é de cerca de 800. 
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A principal causa apontada para os pedidos de demissão trata dos baixos salários - R$ 1001 de salário inicial bruto, por 16 horas de trabalho. De acordo com dados do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe), a média de pedidos de demissão na rede é de 2,5 por dia. Levando-se em conta o número de profissionais que se aposentam, a média aumenta para 6,76.
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O problema, segundo os dados, não é exclusividade da rede estadual. No caso da Secretaria Municipal de Educação, o número de mestres que pediram desligamento de janeiro a maio é ainda maior: 514. No segundo semestre do ano passado, o município se viu às voltas com 1.270 pedidos deste tipo. 
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Concursado do governo do estado em 2010, o professor de Biologia Eduardo Moraes, 28 anos, decidiu abandonar a rede estadual e passar a trabalhar em Mesquita, na Baixada Fluminense. A intenção era aumentar seus rendimentos em R$ 520. "Em 2010, no Rio, eu ganhava R$ 880. Na Prefeitura de Mesquita, passei a ganhar R$ 1400. Como eu moro em Benfica, na Zona Norte, a mudança me exigiu um certo esforço de deslocamento, mas está valendo a pena". Eduardo ardo é um dos milhares de mestres que acumula mais de uma matrícula. Ou seja, trabalha para a Prefeitura de Mesquita e também para a Prefeitura do Rio de Janeiro. "O vale-transporte que o governo do estado me pagava não cobria as minhas despesas de deslocamento para o trabalho. Isso acontece principalmente com aqueles professores que trabalham em mais de uma escola. Este foi mais um dos motivos pelos quais decidi abandonar a rede estadual. É muito trabalho para pouco dinheiro", destaca. 
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O biólogo aponta ainda outras vantagens de se trabalhar fora da capital: "Na rede municipal de educação da Baixada, as turmas tem limite de 30 alunos. Já na rede estadual, o limite oficial é de 60. Isso significa que as turmas na Baixada são menos cheias e é possível trabalhar melhor", aponta. 
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Professora do Ciep Pablo Neruda, no Jardim Catarina, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, Maria Beatriz Lugão Rios diz que o fato de os novos professores concursados serem chamados apenas em meados do ano piora ainda mais a situação da classe. 
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"Os concursados, chamados pelo governo no meio do ano, tem que se encaixar nas turmas já formadas. Ou seja, um professor de Filosofia que é contratado para 12 horas por semana tem que lecionar em 12 turmas distintas já que cada turma tem direito a um tempo de aula desta disciplina. Assim, é comum um professor com apenas uma matrícula acumular aulas em mais de uma escola. O grande problema é que o vale-transporte é para apenas um colégio, né? Assim, o professor desembolsa parte de sua despesa com transporte", critica.
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Contratações não acompanham saída
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Enquanto a saída de profissionais da rede só neste início de ano foi de 812 mestres, as contratações são exatamente a metade: só 406 professores foram chamados este ano para trabalhar na rede estadual.
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Gratificações para diminuir déficit
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Para suprir o déficit de professores, a Secretaria estadual de Educação lançou mão de uma gratificação que praticamente dobra os rendimentos dos mestres. Para isso, os professores também tem carga horária dobrada. Com a chamada "gratificação por lotação prioritária", houve diminuição da carência por professores na rede. Segundo a Secretaria estadual de Educação, a carência de profissionais veio reduzindo desde 2010, quando chegava a 12 mil
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Adolescentes não tem Riocard há três meses
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No Colégio Estadual Vilma Atanásio, em Campo Grande, na Zona Oeste da cidade, as dificuldades vão além da falta de professores da rede estadual de ensino. Muitos estudantes - cerca de 50 - ainda não possuem o cartão Riocard, que dá acesso livre aos estudantes da rede pública. Alguns deixaram a escola, enquanto outros contam com a boa vontade dos motoristas para entrar pela por traseira. 
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Fonte: Jornal do Brasil (on line)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Esforço nas aulas faz professora ser afastada por problemas na voz

Por Vanessa Fajardo - Do G1, em São Paulo
 
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A professora Solange Aparecida de Oliveira, de 49 anos, está há três anos afastada da sala de aula e trabalha no setor administrativo da Escola Municipal de Educação Infantil Cecília Meireles, em São Matheus, na Zona Leste de São Paulo. Há pelo menos oito anos sentiu os primeiros problemas na voz, resultado de mais de duas décadas dando aulas na educação infantil. Ficava rouca, com a voz áspera, muitas vezes, totalmente afônica. Chegou a dar aulas fazendo mímica.
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“É mais difícil lidar com criança pequena, elas exigem, há uma rotina a ser cumprida: roda de leitura, de conversa, aula de música, parque, jogos, atividades externas. Perdia a voz com muita frequência, sentia dores na garganta, minha diretora falava: você não pode ficar assim. Perder a voz mexe com o emocional da gente”, afirma.
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Solange simboliza uma pequena amostra de um cenário bem mais complexo que atinge a categoria dos docentes. Estudo feito pelo Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro SP), mostra que 63% dos professores entrevistados (1651 docentes da rede básica de ensino) já tiveram problema na voz, sendo que 11% apresentava alguma alteração no momento da pesquisa. Entre 14 sintomas listados que denotam problemas como rouquidão, pigarro, garganta seca, entre outros, cada pessoa respondeu que tinha, em média, 3,7 sintomas.
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DICAS PARA O PROFESSOR NÃO PERDER A VOZ
- Beba água regularmente
- Fique atento ao volume de voz. Perceba em quais momentos você pode falar mais baixo
- Articule bem as palavras
- Evite pigarrear em excesso
-Mantenha uma alimentação regular e saudável
- Após um período de uso excessivo da voz, tente descansá-la
- Ao dar uma informação longa aos alunos, fique de frente para a classe olhando para os alunos
- Evite falar muito tempo virado para a lousa
- Com orientação fonoaudiológica, faça exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal
- Ao perceber sintomas como rouquidão, dor na garganta, cansaço vocal, falhas na voz, excesso de pigarro, desconforto ao falar, procure um médico otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo
Fonte: Fabiana Zambon – Sinpro SP
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A fonoaudióloga especialista em voz do Sinpro SP, Fabiana Zambon, diz que o grande problema é que o professor não tem na formação conhecimento para cuidar e prevenir a voz. "Quando percebe que está com problema é porque já precisa de tratamento. O professor usa a voz de forma diferente das outras pessoas, concorre com ruído de fora, da classe, tem de falar mais forte porque tem um número de alunos para atingir. Mesmo os que não apresentam problema, teriam de passar por uma avaliação."
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Foi assim com Solange. Quando ela buscou ajuda médica há oito anos, recebeu o diagnóstico de nódulo e fendas nas cordas vocais, e a indicação para se afastar da sala de aula. Demorou mais cinco anos para que seguisse a recomendação médica e fosse readaptada para outras funções. "Tinha um receio grande, porque a readaptação é mal vista. Morria de medo desse tabu, mas aos poucos, fui vendo que não tinha mais condições."
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Para Solange, a lotação das salas, e ter de lecionar, muitas vezes, paralelamente às reformas que ocorrem nas escolas, sem a acústica adequada, são fatores que contribuem para o desgaste da voz. “A reforma é uma questão que precisa ser pensada. Poeira, ruído e tinta causam alergia. Os professores estão adoecendo.”
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Alunos em sala de aula (Foto: TV Globo/Reprodução)
Professor deve evitar falar virado para a lousa
(Foto: TV Globo/Reprodução)
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Projetar a voz ou gritar?
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Outro fator que pode comprometer a voz do professor é se ele grita muito durante a aula. Segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, existe uma grande diferença entre "projetar a voz" e "falar alto" em classe. "Projetar é falar alto com controle de qualidade da voz, sem sobrecarregar as cordas vocais; já falar alto pode ser sinônimo de gritar, com esforço excessivo, que pode ser prejudicial", define a entidade em um manual sobre problemas de voz. "O grito faz com que ocorra um forte atrito entre as pregas vocais e, se usado constantemente, pode prejudicar a saúde vocal e contribuir para o aparecimento de lesões na laringe como os calos nas cordas vocais."
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Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o departamento de saúde oferece um programa voltado à saúde vocal, com caráter preventivo, aos professores da rede de ensino, além de oficinas nas escolas resultado de uma parceria feita com a PUC-SP. Sobre o número de alunos em sala de aula, a Prefeitura diz que respeita o que prevê a legislação municipal e atende, no máximo, 30 crianças por sala na educação infantil.
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Solange deve encerrar a carreira no setor administrativo. No ano que vem ela completa 50 anos de vida, 30 deles como funcionária da Prefeitura de São Paulo e vai se aposentar. Apesar do problema adquirido, vai guardar boas lembranças da docência.  "A sala de aula é o lugar onde eu me encontrei profissionalmente, foi uma escolha ser professora, ninguém me mandou ser, sempre gostei muito do que eu fiz. Valeu a pena a carreira longa, fui feliz enquanto estive lá."
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Cisto na prega vocal e cirurgia
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O problema vocal da professora Eulina Fernandes Pereira Caldin, de 49 anos, terminou em cirurgia. Ela dá aulas há 23 para o ensino fundamental em uma escola da rede particular de São Paulo. Logo no início da carreira perdia a voz, foi buscar orientação médica, “mas achou uma bobagem, não levou a sério e abandonou o tratamento.” A atitude não passou ilesa: Eulina adquiriu um cisto do lado esquerdo da prega vocal, e teve de operar. Nos últimos cinco anos, não tinha nenhum período com a voz boa, nem mesmo nas férias.
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“Ficava rouca, não sentia nenhuma dor, mas a voz sumia, faltava volume. Quando procurei ajuda médica, já era um caso cirúrgico. Minha vontade era parar de trabalhar dando aula, não tinha mais qualidade dos anos anteriores e comecei a me cobrar.”
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A professora afirma que o cisto adquirido na corda vocal era como uma 'bexiguinha que poderia se romper.' "Após a cirurgia, o som da voz era péssimo, parecia uma senhora de 80 anos, vinha em duplicidade. Passei três dias incomunicável, só escrevia, mas a recuperação foi simples, não tive dor, com um mês de fono minha voz já estava boa."
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Eulina se arrepende de não ter dado atenção ao problema vocal antes de ele se agravar. Hoje a professora aprendeu a respirar corretamente, usar o diafragma e fazer exercícios para aquecer e desaquecer a voz. Ela diz que o microfone na sala poderia ser um grande aliado, mas admite que nunca precisou se afastar porque conta com ajuda de professor auxiliar na sala de aula, e nos momentos de crise, tinha o apoio desse profissional. 
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"Hoje me sinto ótima, minhas aulas são de maior qualidade. Alunos aprendem, são motivados. A voz é fundamental para a emoção da aula. Eu já tive outras profissões, mas escolhi porque educação está no sangue, parece que você nasce com isso. Adoro o que eu faço, faço com amor."
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Fonte: G1 (on line)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A doce vida da empregada doméstica

 
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Por Lúcio Alves de Barros*
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É vergonhoso o grande número de empregados domésticos que temos no Brasil. Em notícia recente acabei de saber que somos o país com o maior número deles. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), eles são 7,2 milhões de um total de mais ou menos 52 milhões no mundo. Estima-se que no país, 70% deles labutam na ilegalidade sem qualquer garantia trabalhista. A notícia apareceu sem grandes mobilizações. O silêncio, nestas ocasiões, faz parte de nossa cordialidade e capacidade de suportar a tudo e a todos. No entanto, não vejo razão para a festa porque esta “profissão” no país tem raízes históricas nada invejáveis e escondem características de nossa cultura ainda autoritária, hierárquica e machista.
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A empregada doméstica, talvez a mais comum dos empregados domésticos no Brasil, encontra raízes na cultura da casa-grande e da senzala, onde paulatinamente as escravas mais bonitinhas eram as mais escolhidas para trabalhar. Depois da abolição o patriarca já não fazia tantas distinções. Trabalho é trabalho e o que elas faziam além do pesado labor doméstico, não vou nem mencionar, mas sabemos que a elas eram delegadas várias atividades, muitas delas eternizadas na obra de Jean-Baptiste Debret (1768-1848).
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Nos dias atuais as profissionais domésticas lutam por direitos. Uma luta política que se arrasta por anos porque inexiste o interesse de garantir os direitos mais elementares do trabalhador como a definição da jornada de trabalho, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o seguro-desemprego, o benefício por acidente de trabalho, o adicional por trabalho noturno, a hora extra e o salário-família. Não é possível que um ser humano não possa ter a ideia de onde inicia e termina o seu serviço, também não é possível que estes seres humanos ainda não sejam tratados como tais e, não é possível nossa incapacidade em regularizar com certa civilidade suas atividades.
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O leitor pode argumentar que não passa de um trabalho como outro qualquer. Mas o fato é que a natureza do trabalho doméstico não é a do trabalho industrial, tampouco a do trabalho em serviços (comércio, segurança pública, hospitais, etc). A empregada doméstica é o sujeito que “faz de tudo dentro e fora de casa”: lava, passa, cozinha, prepara o almoço e a janta e ainda cuida dos filhos. Por vezes é obrigada a ficar além da hora, ter que brincar com os meninos e estar sempre prestativa como “o pau de toda obra”. Esse é o trabalho da empregada doméstica que fica na sombra da “dona de casa”. Condição desfavorável e vexatória, mas que no mercado - longe da pesquisa da OIT - está difícil de encontrar porque de acordo com uma amiga, "tem gente que não quer trabalhar".
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Esse discurso da elite burguesa ou pequeno-burguesa que vive e anda caçando neste país é avassalador. Ganha legitimidade nas novelas e nas reportagens de TV e jornais. Mas vamos ser francos: a verdade é que já na busca desta empregada doméstica existe o feitor pós-moderno. Em geral, busca-se no interior dos estados e nos lugares mais pobres a filha de uma família humilde que não tem grandes perspectivas de vida. Se tiver boa aparência, for religiosa e semianalfabeta melhor. Retirada do seu mundo, alienada diante das "novas" condições que lhe são apresentadas na outra casa a “empregada” logo se encanta pelo uniforme ridículo ou pelas roupas usadas que a patroa passa para ela. Quando moram no ambiente de trabalho são encaminhadas ao “quarto de despejo” ou ao quarto no qual ela vai se esconder e chorar mágoas. Uma cama, um criado mudo (às vezes uma cômoda) e um guarda-roupa - na maioria das vezes usados - são a mobília do local. A porta quase não se fecha porque “pessoas de quartinho” e que podem ser chamadas a qualquer momento não precisam de privacidade.
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Ainda no seu “novo” lar é hora de ensinar o básico. Não pode isso ou aquilo. Não se fala isso ou aquilo. E não se meta ou toque nisso ou naquilo. Também não venha reclamar e, caso reclame, só com voz e face baixas, pois respeito ao feitor é fundamental. As famílias mais cordiais tendem a dizer que se trata de “um membro da família”, mas um membro que não pode sentar-se à mesa na hora do café, do almoço e do jantar e, quando se senta é porque os patrões querem fazer média ou estão solitários. No mais cumpre neste trabalho permanecer atenta para quando for acionada. E se demorar, é óbvio que vai receber o devido “pito” porque deveria adivinhar o que acontece na casa.
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Talvez essa capacidade de naturalizar as relações torna a profissão curiosa. O “quase da família” vem acompanhado de sua invisibilidade. Este paradoxo passa a ser necessário e, por vezes, obrigatório. Cumpre a doméstica falar somente quando chamada e “ai dela” se der a opinião que pode auxiliar na educação dos filhos ou economizar na casa. Por outro lado, ela serve muito bem para colocar as fofocas do prédio e dos condomínios em dia ou para quebrar o galho da patroa que não pode ficar com os filhos devido a compromissos pessoais. Aí é hora de ela ser proibida de ver a TV por assinatura, brincar no Playstation ou de fazer uma refeição de respeito, pois nessa profissão se come antes ou depois dos patrões, mas nunca na hora certa.
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A indignação de minha amiga branca é compreensível, ela trabalha muito e quase não sobra tempo para fazer o dever de casa. Ela aponta os dedos para as “diaristas” que “não tem mais tempo para ela”. A pequena burguesa repete o canto da dona da casa e esquece que elas são - pelo menos no momento daquele “não” - iguais. Na realidade, deve ser difícil para ela suportar estas diaristas que estão revolucionando o mercado de trabalho doméstico. Esse “ser que vive do trabalho” como quer os sociólogos é algo genial. Ela vai quando se paga bem, quando quer e quando tem sua agenda livre. Agenda cheia... Danem-se os que não podem esperar ou que arrumem outra. Essa revolução é a pérola do liberalismo míope que ganhou vida no Brasil. Mais que isso, é a liberdade nas relações de trabalho e a hora de dizer adeus ao patrão e a patroa.
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Os números dos empregados domésticos no Brasil, infelizmente, não revelam a proximidade do fim desta revolução. Talvez ela nem aconteça, as matrizes culturais brasileiras foram forjadas com sangue escravo, depois com "cidadãos de segunda classe". Atualmente temos uma “ralé” que luta para ver o filho "doutor". Não sei para que, mas provavelmente para dar razões a uma elite malcriada que não tem a vergonha na cara de respeitar o descanso, o salário digno e a intenção de melhores perspectivas de vida. É essa mesma elite que anda a reclamar da falta de “empregados” (secretárias) para fazer o trabalho sujo da casa. Infelizmente, ainda são muitos os operários domésticos, pois gostaria de ver madames e patrões lambuzando a mão em privadas, se entortando na pia com gordura, se sujando na poeira e gastando tempo limpando o chão. Seria a glória vê-los em sua humanidade, sem a necessidade de submeter os outros porque são “domésticos”, inferiores, pobres e humildes. Que pena não estar vivo para ver as coisas mudarem a ponto de vê-los ganhando salário, correndo atrás de ônibus coletivo, se escondendo da polícia na noite ou sofrendo nas filas do hospital público. Sabemos que estamos longe disso e que ninguém se importa. Deixo somente o registro.
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*professor na FAE (Faculdade de Educação) na UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Trabalho tira jovem da escola

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Foi a necessidade de trabalhar para se manter e alcançar a estabilidade financeira que fez o jovem Fábio Figueiredo Almeida, de 17 anos, abandonar a sala de aula no 1º ano do Ensino médio e ocupar uma vaga na indústria da construção civil, em um canteiro de obras no Bairro Sagrada Família, Região Leste de Belo Horizonte. A troca ocorreu nos últimos seis meses. O ajudante de pedreiro pegou as malas, deixou o Norte de Minas, onde morava com o pai, e veio “vencer na vida”. “Vim em busca de emprego. Sinto falta de estudar e pretendo retomar os estudos no futuro, mas agora não tenho condições”, conta. Fábio não foi o único a tomar essa decisão. Tanto que a taxa de Escolarização em Minas caiu na faixa etária dele. Enquanto em 2009, 84,8% dos jovens com idades entre 15 e 17 anos estavam estudando, esse universo se reduziu para 82,8% em 2011.
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A queda deixou Minas nas piores colocações do país. O estado passou de 11º lugar para 18º entre as unidades da federação com mais pessoas nessa idade a ocupar uma cadeira na sala de aula. Minas está ainda abaixo da média nacional de 83,7% e distante do primeiro lugar ocupado pelo Distrito Federal (89%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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O quadro fica pior entre os que são um pouco mais velhos. Dos jovens com 18 a 24 anos, apenas 27,6% frenquentam a Escola, menos que os 29,2% registrados na Pnad de 2009. A evasão Escolar fez Minas perder posições no nível geral de Escolaridade no país. Da 20ª colocação caiu para a 23ª, ganhando apenas do Espírito Santo (26,5%), Rondônia (25,3%), Maranhão (25%) e São Paulo (24,8%). Para esse grupo, as taxas de Escolarização de Minas se apresentaram menores que as do Brasil, mesmo com queda também registrada na média nacional de 30,3% em 2009 para 28,9% em 2011. “Cada caso deve ser analisado com cuidado. Algum estado pode apresentar uma taxa mais alta porque registrou maior número de pessoas entrando mais tarde na Escola ou sendo repetente”, afirma Luciene Longo, demógrafa do IBGE.
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SOBRAM VAGAS
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O exemplo de Fábio, explica a especialista, pode ser a principal razão para as quedas na Escolaridade nas duas faixas etárias. “Essa redução mostra que a população pode estar entrando mais no mercado de trabalho. Para de trabalhar e, no futuro, retorna para a Escola.” A baixa taxa de desemprego em patamares históricos ajuda a explicar o comportamento dos jovens, principalmente na Grande BH. O índice de 4,3% de desocupados em agosto é o menor para o mês nos últimos 10 anos, segundo Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. O considerado “pleno emprego”, cenário em que praticamente toda entrada de mão de obra na População Economicamente Ativa (PEA) é absorvida pelo mercado, anima a busca pela carteira assinada. Esse fenômeno é observado especialmente na capital e redondezas, onde há vagas sobrando no comércio e setor de serviços. Para o empresariado, porém, a busca precoce dos jovens por trabalho não é animadora diante da baixa qualificação constatada pela Pnad.
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Os Alunos com idades entre 15 e 24 anos, explica Luciene, não têm incentivos para permanecer na Escola assim como as crianças beneficiadas pelos programas sociais do governo de incentivo financeiro. “Nas faixas mais baixas de idade os pais precisam manter a frequência Escolar para receber o auxílio. Os jovens não têm essas condicionantes e por isso param de estudar e entram no mercado de trabalho”, afirma.
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Essa é uma das razões para que os índices de Escolaridade em Minas nos grupos mais jovens esteja indo bem. A frequencia dos Alunos de quatro e cinco anos na Escola passou de 73,3%, em 2009, para 73,8%, em 2011, o que deixa Minas no meio da tabela entre as 27 unidades da federação, mas com o menor percentual da Região Sudeste. Entre a população de seis a 14 anos, o aumento foi de 97,9% para 98,7%, no mesmo período. Nessa faixa, os mineiros ficam na quinta colocação entre os melhores, distante do posto de 10º lugar de 2009.
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NATURALIDADE
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Ao contrário do destino traçado por Fábio Almeida, que deixou a cidade natal em busca de uma oportunidade em terras distantes, os dados do IBGE mostram que a população mineira está cada vez mais enraizada com suas origens. Conforme os números, Minas ocupa a 7ª posição entre os estados com o menor percentual de não naturais (8,1%), apesar de ter perdido uma colocação em relação a 2009 quando 7,6% dos residentes em Minas eram de fora do estado. O posto de primeiro lugar foi ocupado em 2011 pelo Rio Grande do Sul, que tem menos imigrantes (3,09%), enquanto o Distrito Federal, com o último lugar, tem metade de sua gente vinda de outras regiões. Por município, Minas mantém firme suas raízes. Com 35,7%, o estado fica com o 10º menor percentual de não naturais, índice maior do que em 2009, quando a taxa foi de 35,5%.
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MELHORIAS NECESSÁRIAS
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Com a exceção da coleta de esgoto, Minas Gerais deixa a desejar quando o assunto são os serviços básicos oferecidos a população. O mais preocupante deles é o acesso a fossa séptica – responsável pelo tratamento primário do esgoto – nas residências. O dispositivo é muito utilizado na zona rural ou em locais em que ainda não há saneamento básico público. Em 2009, Minas ocupava a penúltima colocação entre os estados que garantiam oferta extensiva do serviço. Melhorou, mas ainda está na 24ª posição e bem abaixo da média nacional, de 7,7%.
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Fonte: Estado de Minas (MG)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Jovens negras têm menos acesso a escola e a trabalho, mostra relatório da OIT

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Uma em cada quatro jovens negras brasileiras entre 15 e 24 anos não estuda ou não trabalha – o que corresponde a 25,3% dessa faixa da população. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgados hoje (19) no relatório Perfil do Trabalho Decente no Brasil: um Olhar sobre as Unidades da Federação. Entre a população jovem em geral, o percentual das pessoas que não trabalha ou não estuda chega a 18,4%, o que corresponde a 6,2 milhões de pessoas. Entre as mulheres jovens, a taxa é 23,1%. Esse fato é identificado com mais intensidade nas áreas urbanas, em que 19,7% dos jovens estão nessa situação, contra 7,9% nas áreas rurais.
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“Quando a jovem diz que não trabalha, quer dizer que não trabalha remuneradamente. Ou ela é mãe e não tem apoio das redes de proteção social; ou concilia família e trabalho; ou cuida de irmãos melhores para a mãe trabalhar”, destacou o coordenador do estudo da OIT, José Ribeiro.
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A taxa de mulheres negras negras que não trabalham ou não estudam é superior às das mulheres jovens em geral (23,1%), dos homens jovens (13,9%) e dos homens negros (18,8%).
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“O afastamento das jovens da escola e do mercado de trabalho, em um percentual bastante superior ao dos homens, é fortemente condicionado pela magnitude da dedicação delas aos afazeres domésticos e às responsabilidades relacionadas à maternidade, sobretudo quando a gestação ocorre durante a adolescência”, ressalta o relatório.
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Os estados em que há mais desemprego entre as jovens negras são Pernambuco (36,7%), o Rio Grande do Norte (36,0%), Alagoas (34,9%), o Pará (33,7%) e Roraima (33,2%).
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“As cifras de redução da pobreza e de desigualdade no Brasil, nos últimos anos, são avanços importantes e internacionalmente reconhecidos pela OIT. A pobreza e a desigualdade continuaram diminuindo no Brasil apesar da crise. O Brasil nesse sentido se destaca no cenário internacional. [Mas] a questão do jovem é claramente um desafio”, disse a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo.

 Fonte: Agência Brasil / Todos pela Educação

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Trabalho docente como interação com o outro


Por Lúcio Alves de Barros*

A greve dos professores estaduais que se arrasta por meses não deixa de nos apontar algumas características próprias da profissão docente. Em tela destaco três questões que me parecem importantes, afinal estamos lidando com uma profissão de difícil manejo e conceituação. Em primeiro, destaco a questão da ação interativa do professor, em segundo a relação com o outro e, por último as relações entre os próprios professores.

Poucas profissões são tão interativas quanto a dos professores. Por natureza os docentes lidam com alunos, homens, mulheres, crianças, adolescente, jovens ou adultos. A relação é dialética, pois a existência do estudante está condicionada à existência de quem ensina. Logo, temos uma relação interativa na qual o outro faz parte do enredo da relação social que se desenvolve geralmente numa complexa “célula”, a sala de aula. A interação é, por vezes, tranquila, cheia de graça ou sofrida e tomada por conflitos. De todo modo ela é baseada na interação porque professores lidam com seres humanos, uma "matéria prima" especial, repleta de idiossincrasias, afetos, emoções, um cosmos não passível de mensuração. Como se vê, o “objeto” de trabalho do professor está longe de qualquer objeto de trabalho oriundo do processo fabril. Não é por acaso, que os docentes merecem e devem receber melhores salários.

O segundo ponto, associado ao primeiro, é a relação com o outro. Digo de um outro que, na maioria das vezes, é estranho, complexo, diferente e condicionado por princípios morais e religiosos capazes de causar mal-estar em uma simples aula. Basta para isso que a aula seja um pouco mais arrojada, cheia de interrogações, provocações e sofrimento que fazem girar a cabeça da gente. De qualquer modo este outro, em sala de aula, toma diferentes perfis, por vezes é totalitário, arrogante e impetuoso, outras vezes é curioso, inquieto e sedento de saber. A questão do outro é um problema antropológico que, na “célula” na qual o docente não deve ter o seu poder discricionário retirado, pode parecer ainda modificado em número e conteúdo. Estou falando, por exemplo, do número de alunos em sala de aula. O docente pode se deparar com 20 alunos em sala. Um número que considero ideal, mas a sensação de “quantidade/qualidade” deste outro pode ser de 80 ou mesmo 100. O contrário, mas bem mais difícil, pode acontecer. O fato é que este outro na presença de um igual tende a potencializar forças que antes não sabia que existia e em meio a tempos difíceis a lotação das aulas por pouco não termina em violência, indisciplina e desrespeito ao docente.

Por último, é forçoso pensar na categoria destes professores que hoje sofrem o fenômeno da proletarização e por consequência, da marginalização, do desrespeito, dos baixos salários e das más condições de trabalho. O leitor pode argumentar que o debate é sempre o mesmo e posso até concordar. Até porque a educação jamais foi uma política séria e assertiva neste país. Contudo, o que cumpre frisar é a pouca ou nenhuma ação coletiva e solidariedade entre docentes. A profissão foi tomada nos últimos anos por uma espécie de “vale tudo”, a ponto de um docente regozijar com a desgraça alheia. Se um professor anda recebendo ameaças, críticas ou mesmo está em conflitos com alguns alunos, pode esperar que o outro professor aproveite dessa situação. Pode até ser inconsciente, mas o mundo da vida tem mostrado professores doentes, cansados, amargurados, deprimidos e desistindo da profissão. E não creio que a traição e jogos de interesses nas instituições de ensino não têm contribuído para isso. É um desastre. É lamentável homens e mulheres nas mesmas condições de trabalho caírem na “autofagia docente” dando vida e alimentando o mal-estar, o caos e a crise, que há tempos já vem tomando proporções inaceitáveis nesse país de miseráveis e carente de mais e mais educação.

*Professor da FAE (Faculdade de Educação- BH) da UEMG

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Projeto que proíbe o uso do giz em sala de aula é aprovado pela Câmara Municipal

 
 
Por Priscila Colen
 
O projeto de lei do vereador Elias Murad (PSDB), que propõe a substituição dos quadros escolares com o uso do giz em escolas públicas e privadas da capital mineira foi aprovado na plenária desta segunda-feira (8), realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Se for sancionado pelo prefeito Marcio Lacerda, as escolas terão que trocar os atuais "quadros-negros" por quadros brancos, nos quais são utilizados a caneta marcadora. De acordo com Murad, o objetivo da proposta é evitar problemas alérgicos e respiratórios que podem ser causados pelo giz.

O projeto foi aprovado em segundo turno na reunião que votou outros 22 projetos. Entre eles, o que obriga a divulgação da quantidade de calorias das refeições nos cardários de restaurantes, bares, hotéis e fast-foods. Há também o que propõe a divulgação do prazo de validade dos protudos em oferta, sob pena de multa para quem não cumprir a regra. E o projeto que propõe que os consumidores sejam informados sobre os preços dos produtos pré-embalados.
 
Fonte: O Tempo (MG)
 

sábado, 23 de julho de 2011

Entre professores, prostitutas e policiais



Lúcio Alves de Barros*
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Fiquei pensando sobre as profissões iniciadas com a letra “P”. O conjunto de letras a seguir, que utilizo nesta crônica, não deve ser lido por todos, principalmente pelos mais afetados ou que operam no campo da discriminação. Esta crônica é o resultado de pensamentos que invadiram minha mente na viagem em ônibus coletivo. E na retina e depois na mente apareceram as profissões iniciadas com “P”, como os professores, os policiais, padeiros, pescadores, padres, pastores, psicólogos, profissionais do sexo, etc. Percebi que eram várias e escolhi três que possuíssem muitas coisas em comum. É claro que as outras podem também partilhar de muitas das características que descreverei, mas me interesso pelos professores, as profissionais que lidam com o sexo e os policiais, notadamente, os policiais militares.

Não vou discutir, por falta de espaço e tempo, o que cada profissão faz ou anda fazendo. Creio que o importante é destacar o que as três têm em comum ou revelar o que apenas uma profissão é capaz de levar a efeito.

Em tempos de greve de professores da rede estadual e conflitos com os policiais militares cabe lembrar que tanto professores, policiais e profissionais do sexo, podem se constituir como alvos fáceis da “força armada do estado”. Explico melhor; professores, policiais e prostitutas, quando não andam na linha, são fortemente reprimidos pelos policiais. O papel do policial neste caso chega a ser embaraçoso, pois mesmo o colega de trabalho pode ser vítima da repressão tal como aconteceu em Minas Gerais nos anos de 1997 e 2004. Policiais também tem forte relação com as profissionais do sexo. Para se ter uma ideia basta perguntar a uma prostituta do que mais ela tem medo e certamente um dos receios será o policial que teima em “vigiar” e reprimir uma prática legal e que não deixa de atender ao público, tal como os professores e também os próprios policiais.

O que parece ser monopólio da polícia é o uso legítimo da violência baseado em preceitos legais. O leitor pode argumentar que a violência também é produzida por professores e pelas putas. Concordo, mas somente a polícia abre a possibilidade de ser chamada para a solução das desavenças que saem do controle civilizacional e somente ela pode e deve agir no que toca à manutenção da paz e da ordem pública. A questão é de matéria constitucional e o problema reside na legitimidade da violência, uma relação complicada e de difícil mensuração que nos tempos hodiernos tem recebido o nome de “força física comedida”.

Quanto aos professores, além da histórica relação conflituosa com o Estado em relação às condições de trabalho e a precariedade salarial, é mais do que notório o seu conteúdo interativo. Professores lidam com o outro, por definição estranho, diferente e complexo. Um outro repleto de metamorfoses, haja vista que os estudantes parecem não envelhecer e a cada ano os docentes são surpreendidos com novos outros em salas heterogêneas, lotadas, desorganizadas e - na maioria das vezes - com cabeças despreparadas e sem o mínimo de condições de estarem naquele local. Docentes, tal como as profissionais do sexo e policiais, em geral recebem mal. É óbvio que sei daqueles que possuem bons salários e estão felizes nas condições nas quais se encontram. Mas, tal como na década de 80, as greves continuam e tenho sérias dúvidas se de lá para cá a situação da educação não passou de uma crise ao caos aberto e tão banalizado que as pessoas não desejam sequer enxergar. A vida de professor, tal como as das outras duas profissões já mencionadas não é fácil. Os docentes, e digo daqueles em situação crítica, andam pulando de um lugar ao outro para aumentar os rendimentos. No passado, ou mesmo no presente, policiais fazem bicos pelo mesmo motivo e as profissionais do sexo há tempos já têm variado as posições e as possibilidades de emprego no intuito de também aumentarem a renda.

A questão é clara e estamos falando de uma profissão que carrega o serviço para casa. Chega mesmo a ter no contracheque as horas que deve deixar de viver em razão da preparação das aulas e do andamento do trabalho durante o semestre. A condição é tão interessante que a marca “professor”, tal como uma cicatriz, persegue o profissional. Os mais românticos vão entender isso como configuração de identidades. Compreendo como mais trabalho e exposição à interação porque, definitivamente, é cansativo e carregar o estigma de professor nos dias de hoje é, por mais que seja hilário, receber uma visão de “coitado”, “mendigo do ensino”, “salvador” e “sofredor”. Para ser mais polido com as palavras, dificilmente vamos encontrar outra profissão tão desvalorizada quanto a de professor. A precariedade, a proletarização, a desprofissionalização da categoria são sinais claros desse desvalor. Tal como disse um aluno: “qualquer um pode ser professor hoje”. E este aluno está certo, qualquer um pode ser um docente, mas também policial ou profissional do sexo. Sei que não é qualquer um que pode ser oficial, professor das “melhores” universidades ou profissionais de luxo no campo do prazer. Mas “o qualquer um” neste contexto traz a ideia do desencanto, da desistência, da desvalorização e do desrespeito. Curioso tais condições fazerem parte de uma profissão interativa, a qual lida com infantes, adolescentes e a juventude em formação. Desconheço seres humanos que não passaram por tais condições.

No que diz respeito às profissionais do sexo, um bom eufemismo para os “politicamente corretos”, é mais do que vexatórias, humilhantes e inacreditáveis as condições de trabalho. Tal como os professores e os policiais elas também carregam um complexo estigma, mas diferentemente deles, elas se escondem em “nomes de guerra”. Fato também conhecido entre policiais, mas em desuso em tempos de democracia. Na discrição, as profissionais do sexo vendem o corpo em “locais de tolerância” ou fazem uso ostensivo do telefone e de anúncios que receberam uma nova roupagem no mundo virtual. Professores buscam emprego de outra forma e policiais fazem concurso. Somente as profissionais do sexo se vendem em pelo e categoricamente por dinheiro. Basta entrar na internet ou parar em frente das bancas de jornal e telefonar para ver o preço da labuta. Professores ainda lecionam de graça pela causa e pelo sacerdócio histórico que atravessa a profissão, mas também oferecem suas habilidades em troca de dinheiro. O fato é que somente a profissional do sexo vende por dinheiro o sexo em favor do prazer sexual do outro.

Como se vê, as profissões escolhidas com “P” tem algumas coisas em comum. Talvez tenham mais diferenças. Não importa. À guisa de conclusão, cumpre apontar para duas questões: em primeiro que o poder da profissão não reside em sua história, na qualificação ou nas possibilidades abertas no mercado de trabalho. O seu poder está na capacidade de luta, mobilização de atores interessados e associação com políticas de governo. O segundo ponto, associado ao primeiro, é o valor trabalho, que segue a mesma lógica de raciocínio: quanto maior o poder, maior o salário, os direitos, os privilégios. No caso em tela, professores e profissionais do sexo saem perdendo. A educação não é uma política de governo e a prostituição ainda não recebeu a devida regulamentação. Quanto aos policiais militares, a despeito dos problemas salariais que a categoria vem enfrentando no cenário nacional, é mais do que óbvio que a luta no campo da política colocou na agenda dos donos do poder a “segurança pública” como “problema de polícia”. Neste sentido, a ideia de segurança recebeu novas roupagens e, diferentemente dos professores e das prostitutas - pelo menos em MG -, os policiais têm recebido os maiores e melhores holofotes do Estado. Com grande poder de mobilização e capilaridade territorial (professores e profissionais do sexo compartilham do mesmo fenômeno) e ainda por cima armados a categoria pode fazer valer o “manda quem pode” e o “obedece quem tem juízo”.

* é professor e sociólogo. Organizador dos livros, “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006 e “Mulher, política e sociedade”. Brumadinho, MG: Ed. ASA, 2009.

Texto pubçicado no Recanto das Letras - Código do texto: T3105885

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ao "escravisário" com carinho

Estágio como mão-de-obra regular é fraude trabalhista

Com a volta às aulas e o aumento da procura por estágios, estudantes, empresas e instituições de ensino devem estar atentos à regulamentação da atividade. Além da obrigatoriedade de benefícios como bolsa, vale-transporte, férias e carga horária reduzida, o estágio deve ter foco educativo, sob pena de caracterizar fraude à lei. O descumprimento dessas regras deve ser denunciado ao Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR), que investiga as empresas irregulares e garante o direito do estagiário.

As irregularidades mais comuns são estágios que cumprem funções incompatíveis com a formação acadêmica do estudante ou substituem mão-de-obra regular. Há casos em que a empresa possui mais estagiários que empregados ou simplesmente não os possui. No entanto, há limites para a contratação de estagiários em relação ao quadro da empresa.

Algumas características devem ser respeitadas para que o estágio cumpra seus propósitos de aprendizagem. A duração máxima da atividade é de seis horas diárias para estudantes de ensino superior, educação profissional e ensino médio e de quatro horas para ensino especial e séries finais do ensino fundamental para jovens e adultos. É obrigatória a bolsa-auxílio, vale-transporte e férias remuneradas de 30 dias. O estagiário não tem vínculo empregatício com a empresa e a duração máxima da atividade é de dois anos.

A atividade não pode prejudicar a escolarização. A prioridade deve ser a formação do aluno e não a execução do trabalho. Para isso, deve ser realizada em setores de empresas e órgãos públicos que possibilitem a complementação do ensino. Suas atividades devem ser planejadas e executadas segundo os currículos, programas e calendários escolares das instituições de ensino, que devem acompanhá-las e avaliá-las.

A descaracterização do estágio obriga as empresas a reconhecerem o vínculo empregatício da função, com direito a anotação na Carteira de Trabalho e pagamento de todas as verbas trabalhistas. Em casos de reincidência, a empresa pode ser impedida de contratar novos estagiários.

As denúncias de irregularidades podem ser feitas pessoalmente, na sede no MPT-PR (Avenida Vicente Machado, 84) e em uma das oito Procuradorias do Trabalho nos municípios (Campo Mourão, Cascavel, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Umuarama), ou pelo site: www.prt9.mpt.gov.br.

Fonte: Ministério Público do Trabalho no Paraná

Fonte: MPT - http://www.editoramagister.com/noticia_ler.php?id=49230&utm_source=PmwebCRM-AGECOMUNICACAO&utm_medium=Edi%c3%a7%c3%a3o%20n.%201311%20-%2026.jan.2011

segunda-feira, 28 de junho de 2010

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Trabalho infantil é desafio para governo e sociedade

Por Fernando Costa, 26 jun. 2010

Márcio Ferreira da Silva, o Marcinho, quer se tornar um grande astrônomo. Fascinado pelas estrelas, há poucos meses o menino de 12 anos não acreditava que poderia sonhar com a futura profissão. Ao invés de olhar para o céu e observar seus objetos de desejo, ele usava seu tempo para catar latinhas na rua e ajudar na renda de casa. Marcinho era mais um número que se somava a uma estatística que assusta: são mais de 4,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos que trabalham no Brasil. O número, apontado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforça uma necessidade de atenção maior à situação do trabalho infantil no país.

Marcinho hoje faz parte do programa Curumim, da Secretaria do Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), que leva atividades de cultura e lazer para crianças de até 15 anos que um dia estiveram em situação de trabalho e rua. “Não sinto falta nenhuma do que eu fazia. Às vezes pegava um pouco do dinheiro que conseguia para mim, mas participar das atividades daqui compensa mais”, conta Marcinho. Quem também mudou de vida depois de integrar o Curumim foi Carlos Henrique Ramos de Medeiros, também de 12 anos. O garoto, que impressiona com seus ippons nas aulas de judô da unidade do programa no bairro Cidade Industrial, em Contagem, dividia seu tempo entre a escola, o trabalho como flanelinha e a busca por latinhas nas ruas. “Eu saía de casa de manhã e só voltava à noite. Além de trabalhar, ficava sem segurança e só olhando coisas erradas na rua”, conta o jovem.

O Curumin atende, atualmente, a 3.400 crianças e adolescentes em 14 núcleos espalhados em municípios da região metropolitana de Belo Horizonte. O objetivo do programa, que começa a ser municipalizado, é crescer mais. “É um trabalho que complementa as atividades escolares das crianças. Antes ou depois das aulas elas vêm para cá e têm aulas de reforço, praticam esportes e ficam longe do que pode ser prejudicial para elas do lado de fora”, explica Ana Paula Camargos Almeida, que há 11 anos administra o Curumim no bairro Cidade Industrial.

Um levantamento da Fundação João Pinheiro (FJP) mostrou em 2008 que cerca de 300 mil crianças e adolescentes mineiras trabalhavam. De lá pra cá, de acordo com a Sedese, 20 mil delas foram levadas para programas de apoio. O estudo da FJP culminou em um plano de erradicação do trabalho infantil no Estado, que desenvolve ações e repassa investimentos aos projetos de assistência social espalhados por toda Minas Gerais.

Problema tem histórico cultural

Mais do que um complemento para a renda familiar, o trabalho infantil pode ter fortes raízes históricas e familiares que dificultam no combate à prática no país. De acordo com a superintendente da Coordenadoria Especial de Política Pró-Criança e Adolescente (Cepcad) da Secretaria do Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), a cultura que vem de gerações antigas e que diz que é melhor a criança trabalhar do que ficar “à toa” ainda impera em muitos lares do Brasil. “O pai que trabalhou quando criança acha que o filho tem que seguir o mesmo caminho, que isso vai ser bom para o futuro. Mudar essa idéia é um dos principais desafios dos nossos programas”, conta Eliana Siqueira. Em contato com pais de crianças e adolescentes do projeto Curumim, Ana Paula Camargos conta que criar nos pais a consciência de que os filhos não podem trabalhar é uma etapa complicada. “Um pai de um dos meninos atendidos pelo programa veio até aqui e disse que o filho renderia mais se levasse dinheiro para casa como flanelinha. Ameaçou tirar a criança das atividades”, conta Ana Paula.