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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Combater droga em escolas é desafio

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A presença das drogas no espaço das escolas é uma realidade crescente. Levantamento feito pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) a respeito do uso de entorpecentes entre estudantes dos ensinos fundamental e médio nas capitais brasileiras mostra que cerca de 60% dos alunos de escolas públicas e mais de 65% das privadas já fizeram uso de substâncias tóxicas. A pesquisa revela também que cerca de metade dos estudantes faz uso recreativo ou ocasional. Em Juiz de Fora, a situação não é diferente. A Tribuna esteve nas proximidades de duas escolas, uma pública e outra privada, ambas na região central, e ouviu estudantes e vizinhos que confirmam: as drogas - desde o álcool até a cocaína - fazem parte da rotina das instituições de ensino e tomam também as imediações das escolas.
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"Infelizmente droga dentro da escola é o que mais tem. O pessoal usa geralmente no banheiro, em sala vazia, onde der para usar, usam", relatou um adolescente, 16 anos, estudante de uma escola estadual do Centro de Juiz de Fora. "Tem gente fumando cigarro, bebendo no banheiro, e ninguém fala nada", conta outra estudante, 15. "É fácil entrar com droga, pois ninguém olha mochila, nada, até arma entra no colégio, já é rotina", 15. Um funcionário da própria instituição confirma: "Tem sim, muita coisa entrando, mas não podemos revistar. O que achamos geralmente são vestígios. Quando pegamos algum aluno, levamos para a direção. Mas fora da escola, a situação já fugiu ao controle. Às vezes, ficam na calçada ou vão para a pracinha próxima. Só sentimos o cheiro. À tarde ainda é pior, pois são os estudantes mais velhos. Mas não tem distinção, é menino, menina usando", relata um auxiliar de serviços gerais, 50.
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Além dos abusos de alunos, há escolas que são alvos de vândalos e usuários de drogas nos fins de semana. Isso foi o que ocorreu em uma unidade pública no Bairro Cerâmica, Zona Norte, que foi invadida, danificada e usada por dependentes de droga. Docentes que voltaram nesta segunda-feira (18) ao trabalho depois do feriadão encontraram uma latinha para o consumo de crack, indicando que os invasores utilizaram as dependências do colégio para o vício, além de vários cômodos revirados, porta arrombada e janelas quebradas. Para especialistas, uma das alternativas para frear a disseminação de drogas no ambiente escolar é a prevenção. Neste sentido, Juiz de Fora foi escolhida para ser referência nacional em capacitação de educadores. A previsão é de que dez mil profissionais passem pelo curso que será oferecido pelo Centro de Educação a Distância (Cead) da UFJF, com início em janeiro de 2014.
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Nas proximidades - Nos arredores das escolas, as cenas de estudantes uniformizados fazendo uso de entorpecentes incomodam. "Um dia tinha um adolescente fumando maconha, com um menino que parecia ser irmão mais novo do lado. A gente fica muito assustada", comentou uma manicure, 38 anos. Uma aposentada, 60, moradora da Rua Fernando Lobo, também relatou cenas semelhantes. "Costumam sentar nas escadas, usando droga debaixo da nossa janela. É muito desconfortável assistir a isso."
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Em outubro, três adolescentes de 17 anos e um jovem de 20 foram apreendidos na Rua Fernando Lobo com maconha. O grupo foi flagrado pela Polícia Militar comercializando drogas para estudantes uniformizados, no Parque Halfeld, mas fugiu para a via. Estudantes de instituições particulares da região também são vistos usando droga à luz do dia pelos vizinhos. "Formam grupinhos e sobem e descem a rua fumando maconha tranquilamente", relatou um contador, 54, que trabalha na Rua Oswaldo Cruz.
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Orientação - Especialistas e polícias defendem que a orientação seja feita não só na família, mas na escola. "Um dia desses, um amigo levou maconha, a professora viu e não falou nada", contou uma adolescente, 15. Outro colega, 14, completou: "Os professores hoje não estão dando conta nem do ensino, quanto mais cuidar de aluno." Uma outra estudante, entretanto, diz que há orientação de alguns educadores. "Alguns falam sempre com a gente para ter cuidado, mas outros não", 14.
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Telmo Ronzani, coordenador do Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Outras Drogas (Crepeia) da UFJF, diz que a educação é estratégica para a prevenção. "Só vamos conseguir mudar os indicadores com trabalhos preventivos mais efetivos, e as escolas são locais fundamentais", defende Ronzani, que está coordenando o curso de Prevenção de uso de drogas para educadores de escolas públicas, que será realizado pela primeira vez em Juiz de Fora. Em sua oitava edição, o curso é resultado de parceria entre a Universidade de Brasília (UnB), a Senad e o Ministério da Educação (MEC). Todas as outras edições da capacitação foram realizadas pela UnB.
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Professores não são os únicos responsáveis
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Danos à saúde dos alunos, dificuldade de relacionamento e aumento de violência, baixos índices de rendimento e evasão escolar. Esses são alguns dos problemas associados ao uso de drogas entre estudantes. Para a diretora da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora, Belkis Cavalheiro Furtado, a droga é hoje um dos grandes desafios. "Não é o principal, mas principalmente nas escolas do sexto ao nono ano do ensino fundamental, a questão é mais delicada pela idade dos alunos. Já do primeiro ao quinto ano, a dificuldade está na forma de abordagem. É difícil articular com uma criança de 6, 7 anos sobre droga. É preciso preparo." A diretora destacou que, neste semestre, as 53 escolas estaduais da cidade estão desenvolvendo trabalhos relacionados à prevenção do uso de drogas. "Dentro do Fórum Permanente de Promoção da Paz Escolar, no primeiro semestre, trabalhamos o bulling e, agora, estamos tratando do crack e outras drogas, desenvolvendo atividades, palestras, teatros e outros estudos em parceria com Polícia Militar e Conselho Tutelar. O objetivo é a sensibilização e a união de esforços para reduzir o uso."
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Já a Secretaria de Educação do município informa que desenvolve, em conjunto com a Guarda Municipal, o programa "Guardas no apoio e prevenção nas escolas" (Gape), que aborda, de forma educativa, o tema dos entorpecentes e suas consequências para o organismo, interferência na família e sua relação com a violência em 30 instituições. Ambas as secretarias ressaltam a parceria com a Polícia Militar no Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e Jovens construindo a cidadania (JCC), que tem o objetivo de prevenir o uso de tóxicos e combater a violência entre os adolescentes. O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe/Sudeste) foi procurado, mas não enviou respostas.
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Para o coordenador do Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Outras Drogas (Crepeia) da UFJF, Telmo Ronzani, que também coordena o curso de prevenção que será ministrado pelo Cead, a temática da drogadição na educação continuada de educadores justifica-se, uma vez que pesquisas recentes revelam que tem crescido o consumo de drogas entre crianças e adolescentes, sendo cada vez mais precoce a idade da primeira experimentação entre estudantes. Entretanto, o especialista faz um alerta: "Só a capacitação isolada gera frustração. A educação continuada, a qualificação é importante, mas paralelamente são necessárias ações governamentais para que a prevenção surta efeito." Ronzani ainda lembra que os professores não podem ser eleitos como os únicos responsáveis por solucionar o problema."Não podemos eleger um ator social somente. Os educadores têm suas limitações. É preciso parceria, envolver setores, como família e restante da comunidade."
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O curso que será ministrado pelo Cead da UFJF está previsto para ter início em janeiro. A expectativa é de capacitação de dez mil profissionais de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
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Escola é alvo de vandalismo
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A Escola Estadual Maria Elba Braga, no Bairro Cerâmica, Zona Norte, foi invadida e alvo de vandalismo. Apesar de terem quebrado vidraças, fechaduras e pichado as instalações, nada foi roubado. Mas os invasores teriam usado droga dentro da instituição já que no local foi encontrada uma latinha com indícios do uso de crack. A ação causou transtornos a professores e parte dos 480 alunos da instituição, já que várias salas de aula precisaram ser isoladas até a chegada da perícia da Polícia Civil. Em algumas delas, fechaduras foram danificadas e carteiras pichadas. Em uma das paredes, os vândalos ainda escreveram palavrões e siglas de facções criminosas. Em alguns casos, os vidros foram quebrados a pedradas. Trabalhos infantis afixados na área externa foram arrancados, e um armário, revirado.
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De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, no andar térreo, foram arrombadas as fechaduras de duas salas de aula, além dos danos causados na janela da cozinha, supostamente quebrada para abertura de um freezer. A vidraça do cômodo onde ficam computadores também foi estilhaçada. Já no piso superior, os criminosos entraram em três salas, quebraram vidros e retiraram duas lâmpadas do corredor. Conforme a PM, os locais arrombados não possuíam alarme, mas a escola conta com o dispositivo em outras partes. Nenhum suspeito foi identificado. O caso foi encaminhado para investigação na Polícia Civil. A assessoria da Secretaria de Estado da Educação disse que foi informada da invasão, mas não confirma o uso de drogas.
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A diretora da Superintendência Regional de Ensino (SRE), Belkis Cavalheiro Furtado, diz que os muros não impedem as invasões, mas afirma que episódios como este têm sido registrados apenas em algumas regiões da cidade.
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Fonte: Tribuna de Minas (MG)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Vandalismo e Black Blocs

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João Batista Damasceno*
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A palavra ‘vandalismo’ é uma das poucas que sabemos onde e quem a usou pela primeira vez. Padre Grégoire, deputado influente na Constituinte francesa e membro da Convenção, período da Revolução que antecedeu o Diretório e a ascensão de Napoleão Bonaparte, a escreveu em 1794. Nos relatórios, Grégoire estigmatizou “o vandalismo e a violência revolucionária do populacho que destrói patrimônio”. O termo foi usado correntemente depois da decapitação de Robespierre, a quem a alta burguesia dizia ser “vandalista que se infiltrou entre nós”. A comissão especial instituída para investigação dos atos de vandalismo, nominada de ‘Comissão dos Monumentos’ ou ‘Comissão de Instrução Pública’, tinha o objetivo de apurar e denunciar a “barbárie” e os “vândalos” como forças hostis. Além de apontar a violência dos revolucionários como nociva, inventariou “os prejuízos resultantes da venda de bens nacionais” pela aristocracia.
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Ninguém se propõe a fazer apologia de destruições, mas foram os comportamentos radicais, patrióticos e cívicos dos ‘sans-culottes’, trabalhadores pobres e considerados “classe perigosa” pela grande burguesia francesa, que ensejaram as transformações políticas das quais o mundo hoje se orgulha.
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O poder constituído, na defesa dos interesses que não os do povo, criminaliza os movimentos sociais. Em ‘Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio’, Maquiavel escreveu que “Os que criticam as contínuas dissensões entre os aristocratas e o povo parecem desaprovar justamente as causas que asseguraram fosse conservada a liberdade de Roma, prestando mais atenção aos gritos e rumores provocados por tais dissensões do que aos seus efeitos salutares. Não querem perceber que há em todos os governos duas fontes de oposição: os interesses do povo e os da classe dominante. Todas as leis para proteger a liberdade nascem da sua desunião”.
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Criminalizar os movimentos sociais é o primeiro recurso da elite dominante. Quando a ordem jurídica não o admite, o Estado o faz ilegalmente.
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* é Doutor em Ciência Política pela UFF e juiz de Direito. Membro da Associação Juízes para a Democracia.
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Fonte: O DIA

sábado, 14 de abril de 2012

Violência e vandalismo de estudantes impõe terror generalizado

Em 48 horas, escolas de Minas registram tentativas de assassinato, abusos sexuais, quebra-quebra e agressões.
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Danilo Emerich - Do Hoje em Dia - 14/04/2012
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C.S./DIVULGAÇÃO
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Carteiras quebradas e o quadro-negro arrancado na sala de aula da E.E Silviano Brandão

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Uma série de atos bárbaros cometidos por estudantes, incluindo ações de vandalismo, abusos sexuais e até tentativas de homicídio, foi registrada em um intervalo de 48 horas em Minas. No ano passado, a Polícia Militar registrou 174 crimes contra a pessoa, como agressões e ameaças, e 201 ocorrências contra o patrimônio (vandalismo e furto) em escolas públicas e privadas de Belo Horizonte. Em 2010, foram 250 e 246 registros, respectivamente.
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O quadro levou a Polícia Militar a lançar o Programa de Proteção Escolar (PPE), em janeiro deste ano. O objetivo é prevenir as ocorrências e fazer um diagnóstico da situação nas escolas públicas, que são os principais alvos da violência. Também tem como meta reforçar a Patrulha Escolar e o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). No entanto, novos casos continuam acontecendo. Na manhã desta sexta-feira (13), pais de alunos participaram de um protesto por mais segurança na Escola Estadual Silviano Brandão, no bairro Lagoinha, região noroeste de BH.
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O colégio ficou fechado durante o período para que fossem levantados os estragos feitos por jovens matriculados na própria instituição. Durante um “ataque de fúria” na última quinta-feira, eles quebraram carteiras de praticamente todas as salas e ainda avançaram contra quadros-negros, janelas, espelhos e outros objetos. Nem os banheiros foram poupados. A estudante Izabela Cristiane Mendes, de 14 anos, diz que o problema se arrasta desde o início do ano e acusa a direção da escola de não tomar providências para garantir a segurança dos alunos e dos profissionais. Segundo ela, há muitas brigas entre os estudantes e até uso de drogas dentro do colégio.
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Pai de um aluno, o vendedor Carlos Antônio dos Santos, de 43 anos, garante que cobrou explicações da direção da escola, mas afirma que não teria tido resposta. Segundo alunos e pais, a insatisfação que terminou em quebra-quebra começou após a troca da diretoria. “Acabaram com vários projetos antigos, como dança, percussão e aulas de reforço”, acusa Carlos.
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A direção da escola, por meio da Secretaria de Estado da Educação, alegou desconhecer os motivos que levaram ao vandalismo e quem seriam os alunos responsáveis pela destruição. Não foi informado o que foi perdido ou quando o material será reposto. De acordo com a secretaria, a partir de segunda-feira, todos os pais e estudantes serão convocados a participar de reuniões para discutir a situação. As aulas já foram retomadas.
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Na quinta-feira, um guarda municipal sofreu um ferimento no joelho e teve a farda rasgada por um estudante de 16 anos, no bairro União (Nordeste). O jovem foi flagrado fumando maconha e se exaltou ao ter a mochila revistada. Ele cumpre medida socioeducativa por envolvimento com o tráfico de drogas. Para o professor de psicologia social da Universidade Federal de Minas Gerais, Walter Ude, a criminalidade nas escolas é um reflexo da sociedade.
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Ele diz que um conjunto de fatores, como a banalização da violência e da sexualidade, a falta de investimentos do governo, a desestruturação familiar, a desigualdade social e a espetacularização feita pela mídia levam a esse quadro. “A escola, sozinha, não dá conta de resolver o problema. É preciso repensar o ensino e abrir diálogo com os jovens e as comunidades. A violência ocorre quando não há conversa”, afirma.
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Fonte: Hoje em Dia (MG)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Garotos provocam destruição em escola

Por Mariana Nicodemus e Sandra Zanella
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Salas foram reviradas, e armários, jogados ao chão
Salas foram reviradas, e armários, jogados ao chão
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Dois adolescentes de 12 e 14 anos são suspeitos de depredarem a Escola Municipal Ipiranga, no bairro homônimo, Zona Sul. A dupla foi surpreendida pela Polícia Militar no colégio, na última quinta-feira, início do feriado prolongado da Semana Santa. Depois de vizinhos denunciarem que duas pessoas estariam danificando várias portas no local, os policiais pularam o muro da instituição, que estava em recesso, e flagraram a dupla promovendo quebradeiras. Conforme o boletim de ocorrência, foram arrombadas seis salas e destruídos vários materiais escolares, como livros e papéis. Armários de ferro foram jogados no chão, e filtros de água, quebrados. Extintores de incêndio teriam sido usados para forçar a entrada nos cômodos, e um buraco foi aberto em uma das portas de madeira. Devido aos atos de vandalismo, a instituição de educação infantil suspendeu as atividades ontem e hoje, deixando 400 alunos, com idades entre 3 e 8 anos, sem aulas.
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Os garotos são moradores do mesmo bairro e foram entregues aos responsáveis, sendo o caso encaminhado à Vara da Infância e Juventude. Na manhã de ontem, a Tribuna esteve na escola, que fica na Rua Afonso Gomes, e constatou o cenário de destruição. "Está tudo nesse estado crítico desde quinta-feira. Teve muita polícia e até helicóptero. Parece até que passou um terremoto e sacudiu tudo aqui. Minha neta viu a sala em que estuda e ficou desconsolada", disse a avó de uma estudante, Lourdes dos Reis, 47 anos. "Dá até vontade de chorar. Como a mãe que não tem condições vai repor o material do filho? A maioria dos pais compra tudo com muita dificuldade", completou.
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Segundo a diretora da unidade, Fabiana Gonçalves, foi a terceira vez que o estabelecimento foi invadido este ano. "Na primeira, furtaram várias coisas, como computador e projetor. A segunda vez também foi na semana passada, quando vandalizaram uma sala de aula. Dois dias depois, aconteceu de novo. O alarme foi acionado, mas destruíram os sensores. A PM foi chamada e conseguiu deter os dois garotos." De acordo com ela, não há suspeita de envolvimento de outras pessoas. "Parece que os meninos tinham a intenção de furtar alguns objetos, que já estavam separados em um sacola, do lado de fora da grade. Mas foi tudo recuperado." Ainda conforme a diretora, 400 crianças, da creche ao segundo ano do ensino fundamental, estudam em dois turnos. "Foi preciso suspender as aulas para podermos reorganizar a escola", lamentou. Chocada com a situação, a presidente da Sociedade Pró-Melhoramentos do Ipiranga, Cíntia Cássia Moreira, falou que toda a região precisa de mais policiamento, já que existem três instituições públicas próximas. "Os colégios estão sofrendo com a falta de segurança. A Prefeitura devia providenciar um vigia, principalmente nos finais de semana e feriados, quando acontecem os arrombamentos." Para ela, outra preocupação é com os materiais dos estudantes, que foram destruídos. "Pedimos que tudo seja reposto e consertado, já que vários armários e portas foram danificados."
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De acordo com o assessor de comunicação do 27° Batalhão da PM, tenente Flávio Campos, a policia já atua junto aos colégios do bairro durante a semana, por meio do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), mas ações de extensão do policiamento nos finais de semana e feriados já estão sendo estudadas. "Marcaremos uma reunião com a direção da escola invadida para levantarmos as providências que podem ser tomadas pela PM e orientar a direção quanto às medidas de segurança a serem adotadas pela unidade a fim de evitar situações desse tipo."
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Falha na relação da sociedade com seus jovens
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Para o professor da UFJF Wedencley Alves, que pesquisa as relações entre juventude e violência no Grupo Epos, do Instituto de Medicina Social da Uerj, a utilização de ações extremas, como delitos e crimes, como forma de expressão por adolescentes demonstra falha na relação da sociedade com seus jovens. "Ninguém depreda porque nasce com essa vontade, mas porque não encontra outras alternativas legítimas para se expressar. A sociedade não está sabendo escutar a sua juventude. Esses eventos são consequência disso, e, não, causa. O jovem, de maneira geral, não reconhece mais a escola como lugar de autoridade, poder e saber, e não é a primeira vez que o colégio vira espaço de revolta e depredação." O pesquisador afirma, ainda, que percebe uma progressão do problema. "Juiz de Fora, uma cidade pacífica em relação aos grandes centros, está assistindo a um aumento dramático da violência dentro da escola. Algo está fracassando, e isso é um problema que transcende os limites da cidade e até do país."
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O psicólogo e professor da UFJF Lélio Lourenço ressalta que atos de depredação e que denotam prejuízo ao outro sem a obtenção de qualquer vantagem aparente para o transgressor têm se tornado cada vez mais presentes em Juiz de Fora. "O jovem que tem esse tipo de conduta pode estar sob a influência de diversos fatores, tanto individuais como sociais, como a necessidade de ganhar status entre os colegas e subir na hierarquia social, por exemplo, ou o desapego à instituição", pondera. "Fatos como esse são preocupantes porque podem representar o começo de rivalidades, o que está virando moda entre os adolescentes de classe média e baixa na cidade, e dar início a comportamentos mais perigosos.".
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Fonte: Tribuna de |Minas (MG)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Muro de escola municipal é pichado com frase racista



FOTO DE EPITÁCIO PESSOA/AGÊNCIA ESTADO/AE

Agência Estado - 18/10/2011 - 11:11

O muro da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Guia Lopes, no Limão, zona norte de São Paulo, foi pichado durante o fim de semana com a frase "vamos cuidar do futuro de nossas crianças brancas", acompanhada da suástica nazista. Para a diretora do colégio, Cibele Racy, foi uma reação às ações afirmativas pela igualdade racial desenvolvidas desde o início do ano entre os alunos.

A Emei tem 430 alunos, com faixa etária entre 4 e 6 anos, divididos em classes da educação infantil 1 e 2 (pré-escola). Durante este ano, as questões raciais têm sido discutidas com as crianças, como parte do projeto pedagógico. A festa junina, por exemplo, teve motivos afro-brasileiros. "Foi um sucesso total. Trouxemos comidas e aspectos culturais da África. Tenho vários depoimentos de pais mostrando toda a aceitação", diz Cibele.Segundo a diretora, apesar de bem recebido, o projeto pode ter despertado reações negativas por parte de alguém que sabe do trabalho desenvolvido pelo colégio. "Essa pichação teve um endereço certo. Não foi algo aleatório. Mexemos em uma ferida muito profunda e eu estava até preparada para alguma reação, mas não dessa maneira".

A diretora da Emei afirma que, em sete anos na unidade, nunca havia visto uma pichação nos muros da escola. Ela diz ter ficado surpresa com a manifestação racista. "A escola foi aberta domingo para a eleição do conselho tutelar. Quando fui embora, por volta das 19 horas, passei pelo muro lateral e vi o que estava escrito. Fiquei espantada. Pela manhã, já chamei os professores para discutir o que seria feito".

Cibele pretende registrar um boletim de ocorrência na delegacia do bairro nesta terça-feira (18), mas não só isso. No próximo dia 10, haverá uma reunião pedagógica no período noturno. Os pais de alunos serão convidados para um bate-papo com integrantes de movimentos pela diversidade racial. Além disso, os alunos serão convidados a remover do muro a frase e o símbolo de intolerância, mas de uma forma divertida.

"Vamos dizer que sujaram a escola e que precisamos dar um jeito naquilo. As crianças estarão livres para pintar o que desejarem. É uma forma de eliminar completamente essa marca lamentável. O que merece publicidade é o que tem sido feito de positivo aqui na escola".

Todos os anos, em novembro, o colégio faz passeata temática em via pública. A diretora diz que, no próximo mês, a igualdade racial será o tema da manifestação. Professora de Psicologia da Educação da Universidade de São Paulo (USP), Silvia Colello acredita que o projeto escolar surtiu efeito. Daí a reação. "Foi tão eficiente que as vozes contrárias não conseguiram se calar". A professora da USP elogia a solução proposta pelo colégio. "A diretora está dizendo que vai responder de forma pacífica, lutando pela igualdade. Vamos cobrir as marcas da violência com a nossa mensagem, com desenhos, com o que temos a dizer". Segundo Silvia Colello, na faixa etária dos alunos da Guia Lopes ainda não há manifestação de racismo. "A criança pequena que é branca brinca com a negra sem problemas. A discriminação é algo socialmente adquirido, que surge depois. Na adolescência, por exemplo, a intolerância já está arraigada".

Depois do registro do boletim de ocorrência, a Polícia Civil deve instaurar inquérito para investigar o caso e apurar responsabilidades. Em São Paulo, manifestações racistas são apuradas pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

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Escola é depredada e roubada em Carmo de Minas

FERNANDO COSTA - 17 nov. 2010

A Polícia Civil vai investigar o caso de um arrombamento a uma escola estadual ocorrido nessa terça-feira (16), em Carmo de Minas, no Sul de Minas Gerais. De acordo com a Polícia Militar, a corporação foi acionada depois que o diretor da instituição chegou ao local e encontrou portas e janelas arrombadas.

Apesar de portas e janelas terem sido quebradas por toda a escola, a pior situação foi registrada na cozinha, onde alimentos foram jogados no chão, ovos quebrados e atirados nas paredes. Foram levados, segundo a PM, diversos frangos e biscoitos que seriam utilizados na merenda escolar dos estudantes. Um molho de chaves das salas de aula foi encontrado jogado no pátio do estabelecimento escolar. A escola não possui monitoramento de vídeo ou vigia noturno. Não há informações sobre suspeitos.

Fonte: Jornal O Tempo, BH/MG

terça-feira, 13 de julho de 2010

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Escola amanhece arrombada e pichada em Contagem

Fernanda Penna, 13 jul. 2010

A Escola Municipal José Lucas Filho, localizada no bairro Fonte Grande, em Contagem, na Grande Belo Horizonte, foi alvo de vandalismo pela quinta vez. A instituição de ensino amanheceu com a porta da diretoria arrombada e com os corredores pichados. Os funcionários notaram a ação criminosa por volta das 6h, quando chegaram para trabalhar.

Segundo a vice-diretora, Rosangela Fernandes, três CPUs, uma máquina de xerox, uma câmera e duas mesas de som foram levadas. A vice-diretora também afirmou que a escola possui dois sistemas de segurança, mas o alarme não disparou e, além disso, as câmeras do circuito interno foram viradas pelos suspeitos, o que dificulta a identificação. A diretora afirmou também que vai estudar outras formas para reforçar a segurança da escola. A Polícia Militar (PM) informou que um dos suspeitos já foi identificado, mas ainda não foi localizado. Ele seria ex-aluno da escola. As aulas não foram suspensas.

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=87271

segunda-feira, 21 de junho de 2010

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Ação de 'despiche' dá nova cara ao Instituto de Educação


Próxima ação será no dia 26, na Região de Venda Nova


Jaqueline da Mata, 20/06/2010

Foto: Luiz Costa



Alunos, ex-alunos, professores e quem passou pela Rua Timbiras, em frente ao Instituto de Educação de Minas Gerais (Iemg), no Centro da capital, colocaram a mão na massa, ou melhor, no pincel, na manhã deste sábado (19). Foi o início das atividades do movimento “Despiche”, promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em conjunto com o Ministério Público Estadual (MPE) e as polícias Civil e Militar. O muro, bastante danificado com pichações em toda a frente e lateral do colégio, recebeu camada nova de tinta. A próxima ação vai ocorrer no dia 26, ao longo da Avenida Padre Pedro Pinto, na Região de Venda Nova.

Tombado pelo Patrimônio, o colégio, de 1906, ficou de cara nova. A diretora do Iemg, Marília Sarti, contou que o muro havia sido pintado recentemente, mas, em menos de um ano, foi pichado. “Estamos trabalhando também com os alunos para que ajudem na preservação do patrimônio”, disse a diretora. Ela calculou que, ontem, cem pessoas participaram do “despiche”, em esquema de revezamento, e pintaram os muros da escola. A estudante Izabele Zauni, 12 anos, aplaudiu a ação e, com um dos pincéis, ajudou no mutirão. “É importante preservar o lugar onde estudamos”, disse Izabele.O secretário da Regional Centro-Sul, Fernando Cabral, ressaltou que são gastos R$ 90 mil por mês com reparos de pichações e vandalismos. Junto com a Polícia Civil, a Prefeitura está traçando o perfil dos pichadores e realizando um mapeamento dos locais que são mais pichados.

“A cidade toda tem marcas das pichações. Quanto aos pichadores, são adolescentes e adultos com idades entre 14 e 24 anos”, disse o delegado Weligton Peres. Ele lembra que a pena para quem for pego pichando muros e edificações pode variar de três meses a um ano de prisão. A multa é de R$ 1 mil a R$ 50 mil, dobrando em caso de reincidência. O processo de “despiche”, como enfatizou o secretário Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial, Genedempsey Bicalho Cruz, é feito em três etapas. A primeira consiste num trabalho integrado entre as polícias e o Ministério Público. O segundo momento é a conscientiza-ção entre os jovens e, por fim, a pintura dos locais danificados pelas pichações.

domingo, 20 de junho de 2010

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Cerco se fecha aos pichadores

Foto de Alex de Jesus

Por Teresa Rodrigues

A Polícia Civil promete não dar trégua aos pichadores que insistem em sujar prédios públicos e particulares em Belo Horizonte. Ontem, dois dias após a prisão de 12 suspeitos envolvidos em vandalismos, a delegada da Divisão de Proteção ao Meio Ambiente, Cristiane Moreira, informou que outras pessoas suspeitas de participação em atos de pichação estão na mira da polícia. Além da investigação, câmeras de vídeo instaladas em pontos estratégicos da capital têm ajudado os investigadores a identificar os suspeitos. "A Polícia Civil continua monitorando e outros vândalos já estão sendo identificados", disse a delegada.

As prisões de pichadores em Belo Horizonte, neste ano, já superaram as ocorrências do ano passado, quando nove pessoas foram detidas. Segundo Cristiane Moreira, os mandados de prisão desta semana são resultado de uma investigação iniciada em 2009. As declarações da delegada foram dadas durante mobilização, ontem, para o despiche do muro do prédio do Instituto de Educação de Minas Gerais. A ação, promovida pela prefeitura da capital, contou com a participação de alunos e ex-alunos da instituição. O secretário municipal de Segurança Urbana e Patrimonial, Genedempsey Bicalho, também presente no evento, disse que a prefeitura, por meio do Projeto Movimento Respeito por BH, trabalha com três vertentes de ações para combater as pichações. "Além da limpeza, temos investido mais na repressão qualificada e na sensibilização. Nosso trabalho junto a jovens tem ajudado a prevenir esse crime".Conscientização. No Instituto de Educação, os voluntários colocaram a mão na massa para sensibilizar a comunidade sobre a importância de manter as fachadas dos prédios da cidade limpas. A atividade de ontem foi a quinta ação de despiche promovida pela prefeitura desde dezembro. Por duas vezes, os mirantes e ancoradouros da lagoa da Pampulha foram pintados. A praça do Cristo, no Barreiro, e a praça do Peixe, no Complexo da Lagoinha, na região Noroeste, também receberam o projeto e foram pintados por voluntários da comunidade.

Próxima ação de despiche será em Venda Nova

A pedagoga Cláudia de Mello, 42, aproveitou a manhã ensolarada de ontem para levar seus filhos gêmeos, Lucas e Mateus Mello, 8, para pintarem os muros da própria escola durante a mobilização para o despiche do Instituto de Educação de Minas Gerais . "Quero que eles se conscientizem e tenham amor pelo patrimônio. É uma boa oportunidade para aprenderem a dar valor ao que é de todo mundo", comentou.

A próxima ação de despiche promovida pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Regional Centro-Sul e da Guarda Municipal, em ação integrada com as polícias Militar e Civil, vai acontecer no dia 26, sábado, na avenida Vilarinho, na região de Venda Nova. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, não há repasse de verbas para o projeto. Indústrias de tintas fazem doações e a própria comunidade participa voluntariamente da limpeza dos locais pichados. (TR)

Fonte: Jornal O tempo em 20 de junho de 2010.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

NOTÍCIAS...

Escolas públicas pagam segurança terceirizada contra pichadores

Instituto de Educação, que não conta com o serviço, passará por “despiche” neste sábado, a partir das 9 horas

Agostinho dos Santos - Repórter - 18/06/2010

Foto de Marcelo Prates

Alvo constante de pichações e todo tipo de vandalismo, os prédios públicos pedem segurança redobrada. Um dos exemplos é o Instituto de Educação (Iemg), na Região Hospitalar, cujas paredes estão tomadas por cartazes ilegais e pichações. neste sábado (19), sua fachada passará por um “despiche”, com a ajuda de alunos e populares. Na mesma região, o Grupo Escolar Pedro II tem segurança 24 horas e, depois de reformado, segue intacto. Os dois são guardados por segurança terceirizada contratada pela Secretaria de Estado da Educação. Por seu lado, a polícia faz operações para conter a ação dos vândalos.

O contraste pela dimensão dos prédios é gritante. Enquanto o grupo escolar, com área de 4.723 metros quadrados, cuja reforma demorou dois anos e foi entregue aos alunos em março deste ano, é vigiado por 16 seguranças por 24 horas, o Instituto de Educação, com 13.499 metros quadrados, tem apenas oito, com revezamento. Durante o dia apenas um trabalha para cuidar de milhares de alunos e tomar conta do prédio.

A secretaria não soube informar quantas escolas no Estado possuem segurança terceirizada, mas adiantou que só aquelas consideradas de risco e que tenham prédios tombados, contam com o serviço. Segundo informação de uma grande empresa especializada em segurança patrimonial, um vigilante custa em média R$ 2 mil mensais e que no caso do Iemg seriam necessários cerca de 25 para cobrir toda a área. Enquanto o Estado conta com segurança particular, além da Polícia Militar, que dá apoio, a prefeitura tem a Guarda Municipal para cuidar dos prédios da cidade e entre eles as escolas. São 1.850, que contam com viaturas e motos e que também trabalham em regime de 24 horas, em algumas escolas. A corporação é responsável também pela catalogação de pichadores. São mantidos em seus arquivos mais de 3 mil fotografias de rabiscos e desenhos, com a suposta identificação dos autores.

Se alguns prédios públicos não contam com segurança ideal, a saída é tentar conscientizar a população de como preservar e cuidar deles. Iniciativas como o Movimento Respeito por BH tentam recuperar áreas atacadas port vândalos. Neste sábado, a partir das 9 horas, acontece mais uma ação de “despiche”, justamente no Instituo de Educação para limpar os muros da escola, que é tombada pelo Patrimônio Público e cuja arquitetura data da época da construção de Belo Horizonte. O movimento conta com o trabalho em conjunto da Secretaria Municipal de Segurança, Guarda Municipal, Ministério Público Estadual (MPE), Polícia Militar, Polícia Civil e alguns setores da sociedade civil. Os alunos e ex-alunos prometem deixar a fachada do prédio limpo e todo o material usado, será doado pela iniciativa privada.

Na quinta-feira (17), a Delegacia de Meio Ambiente realizou, com apoio de policiais de outras delegacias, a Operação BH Limpa 2, para prender e indiciar pichadores identificados na Capital e Região Metropolita. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, com 12 conduzidos. Entre eles, sete suspeitos de terem pichado o Pirulito da Praça 7, na semana passada.

Além dos detidos, foi apreendido material utilizado nas pichações, como tinta, sprays, placas, bandeiras, pincéis, fotografias, camisas com estampas pichações, cadernos de anotações e computadores que registravam a ação dos suspeitos. Os conduzidos irão responder a inquérito por crime contra o meio ambiente e dano ao patrimônio público e privado. A pena pode ser de prestação de serviços, reparação do dano e multa que varia de R$ 1 mil a R$ 50 mil. Denúncias sobre vandalismo podem ser feitas pelo telefone 181, o Disque Denúncia.

Polícia quase prende fotógrafo

A ação quase terminou com a prisão do fotógrafo Renato Cobucci. Por volta de 8h30, na delegacia onde os rapazes prestavam depoimento, recém-inaugurada na Rua Piratininga, no Bairro Carlos Prates, Região Noroeste da capital, um dos agentes de polícia, que se identificou como Breno, deu voz de prisão ao jornalista quando, acompanhado da repórter Renata Galdino, buscava informações da ação policial. Depois de afirmar que Cristianne não falaria com a imprensa, o fotógrafo novamente pediu para que ela pudesse pelo menos explicar o motivo de não poder atender aos dois jornalistas. Bastante exaltado, irritado e gritando no interior da delegacia, o agente afirmava que o fotógrafo estava questionando a ordem da delegada e “desacatando a autoridade”. Depois de pedir a identificação, Breno dizia, esbravejando, que o funcionário do HOJE EM DIA estava detido e que somente sairia dali depois de registrado o boletim de ocorrência. O fotógrafo foi empurrado pelo agente. Breno levou Cobucci para a sala de registro de BO. Somente após uma ordem dada pela delegada Cristianne, o fotógrafo foi liberado.