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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pelo campus da UEMG em BH


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Por uma universidade pública e gratuita. Já passou da hora da terra prometida chegar aos seus fieis. A Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) merece o seu campus. Em Belo Horizonte, as discussões se arrastam há anos. É hora de dar um basta e no mínimo negociar o início, o desenvolvimento e a data da entrega de um campus que vai favorecer há milhares de alunos, funcionário e professores. Alunos vocacionados à música, ao cuidado da infância – como é o caso do curso de pedagogia, à administração pública e às artes. A proximidade das eleições e o momento de “novo choque de gestão” é a hora perfeita para um compromisso político e ético. Mais que isso, é a hora do governo em tela – no caso o PSDB – mostrar a que veio. Que deixem o campus da UEMG nascer. Que ele venha forte como uma criança bem cuidada e cresça sedento de conhecimento e saúde como é o processo do adolescer e da juventude. E que no fim, cultive para sempre na memória a sempre sabedoria, própria da envelhescência daqueles que sabem repousar o conhecimento nosso de cada dia.
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Lúcio Alves de Barros (professor da faculdade de Educação da FAE / UEMG / BH)

sábado, 22 de setembro de 2012

Escolas da violência

                                Mancehte do Jornal Super Notícias de 22 de setembro de 2012
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Por Lúcio Alves de Barros*
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É chegar o final do ano e do segundo semestre escolar que se inicia o ciclo da violência contra os professores. O problema é sério e nada é feito nos campos pedagógico e administrativo. A Constituição de 1988 tratou de deixar clara a importância da gestão democrática. O mesmo fez a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) de 1996. Essa democracia de tolos, entretanto, continua uma falácia, pois na maioria das escolas inexiste um Plano Pedagógico de respeito, conselhos de classe, participação e muito menos a observância da comunidade que, sejamos francos, não está nem aí para os rumos da educação.
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Os casos de violência, um fenômeno nada novo e que na verdade já foi banalizado, tem o que revelar neste contexto. Já não existe o escândalo e a vergonha social em relação aos professores que estão levando socos e chutes pelo corpo a fora. Parece aceitável alunos e alunas sabotando professores em sala de aula, em corredores, na rua ou em redes sociais. O mesmo podendo-se dizer de telefonemas anônimos, vinganças e ameaças. Na escola, e nela a educação para a violência nada é latente. Tornou-se manifesto estudantes colocando em xeque a autoridade e a disciplina escolar. Professores já estão lutando contra o medo via o uso de ansiolíticos e da possibilidade de vitimização. Diante do poderoso estudante uma das saídas tem sido o lugar escuro do da covardia. Sem forças físicas e emocionais, os docentes deixam as coisas como estão. Esperam que o aluno passe para outra série ou que mude de escola. O medo é um poderoso mecanismo de paralização das atividades físicas e mentais. Não há economia psíquica que resista.
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Estou para ver conselhos, comunidades, pais e professores discutindo a violência dos estudantes e entre os estudantes em sala de aula. A ideia de uma gestão democrática, normativamente delineada na Constituição e na LDB é uma mentira de mal gosto. E vamos à veracidade dos fatos. Poucos são os pais preocupados com os filhos, principalmente nas escolas públicas que se tornaram creches para marmanjos e locais de “educação integral” para evitar que a criança e o adolescente fiquem em casa ou na rua em contato com possíveis marginais. Outrora a escola era para formar gente que pensa e a palavra do professor era lei. Contava-se com o apoio dos responsáveis em relação a determinados limites e atitudes que fazem parte do adolescer e da juventude repleta de hormônios. Atualmente, os pais são - no mínimo - coniventes com a conjuntura hodierna. Em relação à comunidade e a denominada “comunidade escolar”, a verdade também é clara. Ela não participa das decisões e da solução dos problemas da escola. Na realidade nem se sabe o que é uma comunidade. As famílias estão preocupadas é com o famigerado consumo, o que vale é a roupa da moda, o último computador, a banda larga, o celular que serve para tudo e qual será a novidade que o mercado vai soltar no mês que se aproxima. A educação já não faz parte das noites tranquilas da primavera e do verão. O livro virou peça de museu e a sociabilidade do lar é pouca ou chata para o mundo tirânico da juventude hedonista e sem freios.
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Longe dos limites da família, distantes e recalcitrantes dos limites na escola é claro que pode-se esperar conflito e violência de toda ordem. E esta violência não é gratuita, ela é uma linguagem, não nasce do nada, ela quer dizer alguma coisa. Ainda não sabemos o que, mas é certo que a ideia de uma escola democrática não caminha de mãos atadas com a violência. Para a democracia é inquestionável a negociação. Relações violentas são paradoxais em gestões democráticas. Logo, ela inexiste sem o professor e o apoio dos pais. Escolas são sagradas, são lugares de conhecimento e de relações sociais seguras. Os casos de agressões em fim de semestre, entretanto, revelam o contrário. A educação tornou-se campo minado e conflituoso. Ele se transformou em um acerto tácito de contas que se alimenta de uma pedagogia para a violência e, tal como a polícia, docentes, alunos e pais procuram um inimigo. Um inimigo que está encarcerado em salas lotadas e distante da tal “comunidade”. Soma-se a esta conjuntura as péssimas condições de trabalho, a precariedade da profissão docente, o despreparo dos alunos no que toca aos requisitos mínimos de civilização, os baixos e vergonhosos salários e o desrespeito governamental em relação ao trabalho docente e ao local onde se desenvolve este trabalho. É impossível acreditar em mudanças significativas em curto ou médio prazo, até lá, resta aos professores a “cultura escolar do medo”, da suspeição e da incerteza diária de relações que, devido a uma péssima nota, podem sair do controle.
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* Professor na FAE (Faculdade de Educação) / campus BH / da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais). 

sábado, 27 de agosto de 2011

Vestibular UEMG inicia inscrições em setembro



VESTIBULAR

A Universidade do Estado de Minas Gerais promove, de 19 de setembro a 7 de outubro, as inscrições on-line para seu vestibular. São sete municípios com 30 cursos em oferta.Já o resultado dos candidatos que se inscreveram ao Programa Socioeconômico de Reserva de Vagas, o PROCAN, deverá ser anunciado até o próximo dia 31.

A seleção para o vestibular constará de provas gerais - composta de questões de disciplinas do Ensino Médio e uma questão de redação - no dia 27 de novembro. Para os cursos da área de Música e Artes Plásticas existe também uma etapa preliminar com provas de habilidade específica, cujas especificações poderão ser verificadas no Manual do Candidato, que será lançado em breve em nosso site.

Os candidatos habilitados pelo Procan devem se inscrever normalmente, informando sua condição de habilitado no ato da inscrição.

A Comissão Permanente de Processo Seletivo (Copeps) liberou antecipadamente para consulta o
programa de provas específicas para os cursos da área de Música. O Manual do Candidato será divulgado, na íntegra, até o início de setembro.

Cronograma

- Inscrições - 19 de setembro a 7 de outubro
- Provas de Habilidades Específicas (Somente para os cursos oferecidos pela Escola de Música e Escola Guignard)

29 e 30 de outubro - 1ª fase de provas específicas Escola de Música
5 e 6 de novembro - 2ª fase de provas específicas Escola de Música e provas específicas da Escola Guignard
11 de novembro - Divulgação dos resultados das provas de habilidade específica na internet

- Provas Gerais (Todos os cursos) - 27 de novembro

Resultado Final - 20 de dezembro

Fonte: Enviado por Prof Santuza Abras

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pesquisa: Educação, escola e paradoxos no campo da violência



Educação, escola e paradoxos no campo da violência

Por:  Lúcio Alves de Barros, Débora Luiza Chagas de Freitas, Ursula Mansur
RESUMO

A pesquisa analisa as relações sociais produzidas em uma escola estadual de Belo Horizonte. Tais relações tinham como latente a sociabilidade fundamenta nas relações de violência. Partimos da ideia que a violência é um conceito polissêmico e recebe roupagens de acordo com os interesses dos agentes envolvidos, bem como da localidade da instituição escolar e da posição ou papel social que o agente incorpora.  Na realidade, estudantes e professores estão encarcerados em relações paradoxais. No caso dos alunos e alunas, tais relações - consideradas violentas - não são claras e carregam as incongruências, os conflitos e os entendimentos tácitos e manifestos sobre o que os agentes entendem por violência. Distante do senso comum, os atores não navegam - conforme acreditam alguns - num campo no qual a violência é aberta e perceptível.  Por outro lado, tornou-se impossível fechar os olhos aos fatos que, aparentemente, se tornaram normais e corriqueiros. Neste sentido, pelo menos na representação coletiva dos estudantes da escola estadual em pesquisa, o mundo paradoxal da educação e da violência revelam alunos e alunas à deriva, sem lugar, sem "sonhos" e sentidos. São crianças, adolescentes e jovens marginalizados, e esquecidos pelas políticas públicas e distantes de bons projetos pedagógicos.
Para ter acesso ao relatório final clique no link abaixo:

http://www.bibliotecapolicial.com.br/destaques/default.asp?NOT_SEQ=736

domingo, 8 de maio de 2011

ALUNO ENTREVISTA*

Iniciando uma nova coluna ‒ Aluno entrevista ‒ o Pedagogia Informa abrirá espaço para que um estudante do curso de Pedagogia entreviste um professor.
Para inaugurar a coluna, a aluna Iara Ferreira, do NF IVA, escolheu o profo Lúcio Alves de Barros para ser o primeiro. Confira a entrevista a seguir.

Iara: De início, apresente-se à comunidade acadêmica da FaE, falando de sua formação profissional e de sua atuação acadêmica.
Prof Lúcio: Não tenho muito o que dizer: segui o que foi possível. Minha graduação foi em Ciências Sociais na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), na qual também andei fazendo muitas disciplinas de Filosofia. Lá pesquisei o movimento sindical, educação e trabalho com um grande Professor, Luiz Flávio Rainho. Por sorte, passei no mestrado em sociologia na UFMG e tive a orientação de outro grande professor, Vinicius Caldeira Brant. O doutorado foi em Ciências Humanas: sociologia e política na UFMG. Na graduação e no mestrado pesquisei as relações de trabalho enfocando as questões da educação com a qualificação e o que hoje os acadêmicos chamam de competência. Publiquei um livrinho e depois fui estudar a Polícia Militar e resolvi, com trabalhos etnográficos, ver o problema da violência e da educação. Recentemente eu e a Débora, aluna da FAE, terminamos um relatório e entregamos ao Centro de Pesquisa. Também andei publicando alguns livros de foram organizados por mim como "Mulher Política e sociedade", "Polícia em Movimento" e um de poesias. Dessas experiências, seguramente, o melhor foi conhecer e conviver com certas pessoas. O resto foram acontecimentos da vida.

Iara: O blog Educação Encarcerada (http://nepfhe-educacaoeviolencia.blogspot.com/), desenvolvido por integrantes do NEPFHE (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Filosofia e História da Educação) e vinculado à pesquisa "O MEDO NOSSO DE CADA DIA: da violência entre professores e alunos às escolas fortificadas e desiguais", realizou uma enquete intitulada: O sucesso na segurança pública depende da educação? O resultado foi o seguinte: 93 votos - sim, 16 - não e 6 - não sabe. Em sua opinião, o sucesso na segurança pública depende da educação, por quê?
Prof Lúcio: Eu ainda acredito que a educação, tanto a formal quanto a informal é a saída para todos os infortúnios. Também acho que é a única relação verdadeira que nos divide dos animais e dos "meios humanos" que estão por aí. Os estudiosos do campo da violência gostam de falar que existe uma supervalorização da educação, porque, mesmo com mais escolaridade, assistimos ao aumento da criminalidade. Uma besteira: o problema é que não entendo a educação como algo normativo entre alunos e professores. Educação é postura, é um processo, é condição de caráter. Não sei se me fiz entender, mas educação é mais do que pensam as autoridades e os técnicos do MEC. Quanto à enquete, ela não supreendeu. E devemos olhar com cuidado, porque a meu ver são poucas as respostas. De qualquer forma, entendo que estaríamos melhores se construíssemos mais escolas do que penitenciárias.

Iara: Embora com 93 votos positivos, houve um significativo número de respostas negativas (16). Qual é o seu comentário sobre este resultado?
Prof Lúcio: A questão é simples. Ainda temos pessoas que não acreditam na educação e também aqueles que não acreditam que as duas esferas podem estar relacionadas. O que acho importante nesta questão é ressaltar o papel do agente educador. No campo da segurança pública, ainda mais nos dias de hoje, não vejo como importante o delegado, o promotor, o juiz ou o policial. Ainda vamos sofrer e muito para ver que o ator mais importante dessa história toda é o professor. E aproveito a oportunidade para mencionar que não é possível um professor ter o salário menor do que o de um juiz, um promotor, um delegado ou oficial da polícia. Ou nos colocamos como atores importantes na sociedade ou vamos continuar minimizando o nosso papel e perdendo alunos e alunas para outras esferas de sociabilidade.

Iara: A mídia, em especial os impressos populares e os jornais televisivos, exibe a cada dia um número maior de reportagens tidas como "sangrentas". Em sua opinião, até que ponto essas reportangens podem influenciar a sociedade, sobretudo as crianças, causando o medo e até incitando à própria violência?
Prof Lúcio: Eu não tenho dúvida quanto à interferência da mídia nos mecanismos da criminalidade e da violência. De todo modo, é importante não esquecer que não existe a violência, mas violências, com "s" no final. A mídia trabalha com qualquer coisa. O que é hoje o jornalismo: um bando de gente escondendo a verdade, vendendo o sensacionalismo, o espetáculo e fazendo conchavos com os "donos do poder". Nada mais. A ideia de uma comunicação social, voltada para a democracia, o bem estar da população, como mecanismo de controle e informação, já virou sonho e um monte de dissertação de mestrado e doutorado.

Iara: Ainda sobre a violência, os casos são alarmantes e aumentam cada vez mais dentro do espaço escolar. Como ilustração, temos o filme A onda, uma das indicações do blog, que retrata um professor delegado a dar aulas de autocracia. Para prender a atenção dos alunos, ele propõe um experimento disciplinar prático que os levaria a se sentir dentro de um regime fascista. O experimento toma proporções exageradas a ponto de fugir ao controle do professor. Até onde deve ir a ousadia de um professor para não exagerar na relação com o aluno e acabar promovendo a violência?
Prof Lúcio: Eu entendo aquele filme como uma aula de didática. Infelizmente, é impossível para um professor saber o que passa na cabeça de muitos alunos. Não encontro culpados naquela narrativa. Encontro pessoas com personalidades autoritárias. O filme supervaloriza o papel do professor e não revela, ou pelo menos não deixa clara a relação, que os alunos ainda estão em outras esferas de relações sociais como a família, amigos ‒ por sinal envolvidos em drogas e gangues ‒, esportes e neste mundo virtual no qual as pessoas passam por seres potentes e oniscientes. Mas o importante é frisar que o professor não pode abrir mão do seu poder discricionário. Abrir mão de sua autoridade e dos méritos que conseguiu. Hoje assistimos tudo pelo avesso. Professores apanhando, com medo de sala de aula, sendo processados, frequentando as delegacias, doentes e cansados. Um bom experimento seria aumentar o salário e melhorar as condições de trabalho.

Iara: Mudando um pouco de assunto e, para finalizar a entrevista, na perspectiva dos alunos, a universidade é um espaço de alta rotatividade, ou seja, estudantes entram, estudantes saem. O que fica, ou o que eles deixam?
Prof Lúcio: Eu creio que nossas universidades, principalmente as federais, são da elite. O que fica é a percepção que no aluno privilegiado está materializado a eterna concentração de renda. Os mesmos dos mesmos. A continuidade e o uso de relações pessoais para a manutenção de uma espécie de "feudo do saber". Neste caso, os que ficam e os que partem fazem parte de um jogo sádico e silencioso, no qual todos já sabemos quem será o vencedor. Posso estar sendo pessimista, mas é o que sinto neste momento e, mesmo assim, acho que isso é próprio da cultura brasileira. Logo, estudantes e nós professores ‒ que também somos estudantes ‒ deixamos sempre um pouco de saudade. No entanto, uma saudade que vai perdendo o romantismo quando você se depara com amigos cansados, arrebentados pela vida, maltratados no trabalho e digo amigos porque já tenho muitos ex-alunos que hoje são companheiros de trabalho e os vejo passar pelos mesmos problemas. E quais são esses problemas? Os mesmos de sempre: péssimas condições de trabalho, salários não condizentes para a efetuação de um bom trabalho, salas abarrotadas, notadamente nas faculdades particulares e escolas do estado, pouco tempo para estudar (porque a maioria hoje se desdobra em mais de um local de trabalho), doenças a chegar, reconhecimento a desejar e o eterno sonho de que um dia vamos realmente ‒ com segurança e otimismo ‒ ensinar.



(*) Publicado em: "Pedagogia Informa" ‒ informativo interno da Faculdade de Educação do Campus de Belo Horizonte da UEMG, Belo Horizonte, ano XXVI, n. 215/216, p. 8, abr./maio 2011.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MUNDO INFANTIL: reflexões sobre a mídia e sexualidade


por Carla Brittes, Cássia Rocha, Luís Augusto, Paloma Toche, Raquel Barbosa, Simone Moura, Tamires Godoy*

Cada vez mais tem-se observado o excessivo número de comerciais de TV, programas infantis, desenhos animados e jogos eletrônicos carregados de apelos eróticos, de violência e atitudes antiéticas. De acordo com Marcos Nisti (2010), coordenador da campanha “Semana do desligue a TV”, 98% dos lares brasileiros tem televisão.

Conforme artigo publicado pelo site Socialtec, “Erotismo infantil nos programas de TV” de Márcio Ruiz Schiavo professor especialista em marketing social, das 150 crianças entrevistadas por ele, 47,3% manifestaram assistir TV mais de 4 horas diárias e 18,6% assistem mais de 3 horas diárias. Este dado é bastante preocupante. Além dos programas ditos infantis as crianças assistem novelas, programas de humor, séries, entre outras atrações que não são apropriados para determinadas idades.

Nessa atmosfera de desinformação, há algum tempo, surgiu a tendência de se confundir sexualidade com ato sexual e, até mesmo, com o coito. Dessa forma, a discussão sobre sexualidade é alijada do seu verdadeiro percurso, tomando rumos que vão desde o tom da brincadeira à libertinagem. Além disso, para maximizar a confusão no entendimento do assunto, o termo amor, que define um sublime sentimento, é utilizado como sinônimo de ato sexual.

Há que se esclarecer que sexualidade não pode, e nem deve, ser confundida e definida como ato sexual e/ou coito. Sexualidade é o termo que se refere ao conjunto de fenômenos da vida sexual de um ser humano. Ela é um dos aspectos centrais de nossa personalidade e, por meio da qual nos relacionamos com o outro. O ato sexual pode ser definido como qualquer ato que envolva a sexualidade, tais como um toque, um afeto, carícia, olhar, variantes sexuais e até mesmo a penetração. Já o coito é o termo correto para se definir a penetração propriamente dita, a qual muitos confundem como sexo ou ato sexual único (CHAUÍ, 1984).

Muito mais do que o simples debate sobre educação sexual, utilizado muitas vezes apenas para afirmar a diferença dos gêneros, a discussão sobre sexualidade deve ser tratada de forma séria, necessária e sem preconceitos dentro e fora da escola.

A erotização precoce, estimulada de diversas formas, exige do educador atenção redobrada. É urgente a percepção em relação aos desenhos, jogos eletrônicos, filmes e revistas que trazem ora disfarçados, ora explícitos, personagens sensuais que atuam subliminarmente no inconsciente infantil.

Expostos constantemente durante a programação da TV, propagandas, cartazes, etc., a estes estímulos que relacionam amor/sexo, adultos e crianças naturalizam esta relação e legitimam comportamentos sexuais precoces, acreditando-os como manifestação da sensibilidade. Atentando para este fato, observamos como os “marqueteiros” e os profissionais da mídia se utilizam desta associação para despertar o interesse de consumo em seus espectadores e promover produtos. Sendo agentes passivos na relação mercado versus consumidor, as crianças passam a ser alvo fácil para se atingir os interesses comerciais escusos de certas empresas que, se aproveitando de personagens “inocentes”, estimulam o consumo associado à satisfação de necessidades sentimentais.

A televisão é um dos meios de comunicação de maior acesso e por isso é também o principal veículo de estímulo ao processo de erotização na infância. A grade de programação dos canais vem sempre recheada de sexo, mulheres bem aparentadas e produtos para comprar. A mídia, nos dias atuais, parece se resumir a isso e, não raro, três coisas estão interligadas cabendo ainda dizer que tais temas não estão manifestos apenas em programas adultos, mas também nos infantis.

Como a primeira aprendizagem da criança é através da imitação, ela internaliza todos os conceitos passados e, se não houver um acompanhamento pedagógico, é claro, ocorrerá uma reprodução desses valores. Marta Kohl (1999) deixa claro como a criança, ao brincar (brincadeira de faz-de-conta), imita o adulto e se comporta de forma avançada a sua idade. Sendo assim, a criança tem o adulto como o seu modelo.

Pode-se observar também que os estímulos eróticos e as referências de gênero com cunho machista são recorrentes nos programas infantis, os quais têm suas atrações apresentadas por mulheres bem apresentadas, maquiadas e com pouca roupa reforçando o mito que o papel feminino na sociedade é o de educar e entreter. As apresentadoras impõem um padrão de beleza que influencia no modo de como a criança quer vestir e ser. Beleza, charme e sensualidade: requisitos básicos para se dar bem na vida. Nota-se que conhecimento intelectual não está na lista.

As meninas vêem seu corpo não apenas como fonte de prazer, mas também de consumo e status social. É muito simples perceber por que isso ocorre, uma vez que o corpo feminino há muito faz parte da exposição banalizada, considerada natural e bela pela mídia. Os meninos absorvem isso com a ideia de que a mulher também é um produto a ser consumido e, caso este tenha algum problema, basta trocar a marca.

A sexualidade é vista somente pelo lado sensual, erótico e excitante, enquanto deveria ser canalizada para a construção de emoções, relações pessoais e afetividade. O brincar, que é típico dessa fase, já não existe, o importante é parecer adulto e adotar os valores da idade decadente. As crianças são “anãzinhas” e daqui a pouco, num retrocesso histórico, o termo “infância” caíra por terra. Tais valores são recorrentes nas programações, visto que a maior parte do dia, a criança fica com a “babá eletrônica”, pois, os pais, cada dia mais atarefados, com menos tempo para se dedicar a seus filhos, muitas vezes desconhecem o conteúdo da programação televisiva ou não refletem sobre o assunto. Assim, sem a intervenção deles ou de outro adulto consciente, as crianças nem sempre capazes de escolher algo adequado, acabam por ficarem horas expostas a uma quantidade absurda de estímulos eróticos, como por exemplo, apresentação de dançarinos de axé, cenas de orgia em clipes musicais, corpos turbinados e flexíveis, criminalidade e violência. Além disso, ainda tem os jogos eletrônicos, os quais apresentam cenas de sexo, de assassinato e assaltos à mão armada.

Diante desta realidade é urgente que educadores percebam como esta naturalização da lascívia vem adentrando o contexto escolar a partir das manifestações culturais. Crianças em danças com excesso de sensualidade, músicas com conteúdo ofensivo, roupas que estimulam o desejo sexual, são coisas aceitas em nome de uma “abertura cultural” às vezes mal interpretada.

Talvez a resistência às investidas da TV seja muito dura e o modismo tente nos engolir. Contudo, no dia adia da sala de aula, ao conhecer cada criança com a qual se lida, que o educador possa descobrir o ponto chave para se atingir realmente a sensibilidade daquele ser que busca, nas interações com seus semelhantes, o desenvolvimento por completo.


Referências

CHAUÍ, Marilena. Repressão sexual: essa nossa (des)conhecida. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1984.

NISTI, Marcos. A TV não é o único meio que liga as pessoas ao mundo. Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos - Acesso em: 12 jun. 2010.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. 4. ed. São Paulo: Ed. Scipione, 1999.


* - Este artigo tem por objetivo despertar no leitor uma visão crítica relacionada à forma como a sexualidade é tratada atualmente no contexto escolar. Foi elaborado pelos estudantes a partir de discussões realizadas no III Núcleo Formativo do curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação (FAE) da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), quando foram debatidos temas relacionados a “Criança na idade da mídia”. O artigo foi recentemente publicado na Revista "Elas por Elas", do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

CONSUMIR É PRECISO. VIVER NÃO É PRECISO



Amanda Ribeiro Barbosa*

O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser livre. `Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda`(Jorge Furtado em Ilha das Flores, 1989).

Um tema frequentemente em pauta nas discussões de âmbito mundial é o modo de como a sociedade lida com o que é imposto pelo modelo econômico vigente, o capitalismo ou a famigerada economia de mercado. O modo como ele interfere na cultura reflete nos valores e no comportamento das pessoas, fazendo com que muitas delas abdiquem da única coisa que é sua de direito: sua identidade. Mais do que um modelo econômico, o capitalismo se tornou um modelo de vida, um “way of life” ocidental difundido pelo mundo no qual poucos povos estão imunes.

No modelo de produção baseado no mercado, no qual homens e mulheres alienados vendem a força de trabalho, o Homo Sapiens (trabalhador e saudável) passa a viver em função do ganho, do lucro e da luta para economizar e acumular bens que julga serem fundamentais para se sentir um ser humano. No entanto, quanto mais ele vive em busca de um sentido para sua existência, mais ele se distancia disso; deixa de existir, dando lugar a uma máquina. Talvez, em sua visão, ele possa estar satisfeito por ter conseguido o que queria, apesar da ilusão e da miragem dessa conquista.

O termo “indústria cultural” representa com acuidade a estreita relação entre o que chamamos de cultura e o que é produzido em massa. A “cultura industrializada” massifica, banaliza e destrói a cultura produzida por relações sociais. Diante da comunicação (também de massa), a qual “mastiga” as informações para facilitar a percepção e o entendimento do consumidor – de uma forma que a mercadoria possa ser consumida rapidamente – o homem se torna um reprodutor de sua própria mediocridade. A mídia utiliza vários métodos de sedução e persuasão para levar o consumidor a crer que tal produto é indispensável, quando na maioria das vezes é supérfluo.

O grande paradoxo desse processo de industrialização da cultura é que, ao mesmo tempo em que o avanço tecnológico permite que as distâncias sejam encurtadas e o intercâmbio cultural seja maior, há o crescimento da exclusão e da discriminação para com aqueles que não têm acesso a tais tecnologias – que não são poucos. Essa condição leva a uma uniformização, estandardização dos homens, contribuindo para o aparecimento da “unidade psíquica das massas”, e, simultaneamente, à marginalização dos que não podem – ou dos ainda resistem a – fazer parte do jogo.

Paulatinamente, aqui e ali, lá e acolá, são perceptíveis seres humanos se transformando em potentes máquinas, programados para “cumprir ordens” e aceitar estereótipos impostos, alienados a críticas e resistentes a mudanças. O ser humano perde (ou mesmo abre mão de) sua cultura em função do luxo, do lucro, da representatividade, aceitando como verdadeiro tudo o que a cultura dominante lhe apresenta como realidade. Conforme lido em algum lugar, "quanto mais dura e complicada é a vida moderna, mais as pessoas se sentem tentadas a agarrar-se a clichês que parecem conferir uma certa ordem ao seu mundo privado (inconsciente) e público". Neste sentido, a individualidade passa a ser banalizada, descartada, pois ninguém quer seguir o fluxo contrário do rio.

As discussões acerca do consumo exacerbado não se limitam a textos acadêmicos e jornalísticos. Carlos Drummond de Andrade, em seu poema Eu, etiqueta, critica a “coisificação” do homem – ou personificação das coisas – quando descreve um homem que se enxerga como um objeto, imerso em etiquetas com nomes de grifes da cabeça aos pés. “Em minha calça está grudado um nome / Que não é meu de batismo ou de cartório / Um nome... estranho (...) / Peço que meu nome retifiquem. / Já não me convém o título de homem. / Meu nome novo é Coisa. / Eu sou a Coisa, coisamente”. Partindo de uma visão semelhante, em 3ª do plural, música dos "Engenheiros do Hawaii", cabeça serve “para usar boné e professar a fé de quem patrocina”.

Jorge Furtado, no premiado curta metragem Ilha das Flores, baseia-se na ironia para enfatizar seu tom de denúncia contra a sociedade de consumo. O homem é um ser evoluído – no sentido de melhoria – por ter “um telencéfalo altamente desenvolvido e um polegar opositor”. No entanto, este sentido de evolução é desmistificado quando se percebe que o homem não sabe utilizar de maneira sábia e sadia suas vantagens inatas. Quando nos deparamos com o triste e assombroso fato de um homem estar atrás de um porco numa lista de prioridades feita por outro homem, nos perguntamos até que ponto a liberdade é algo inerente a todos. Quem tem direito a escolhas? Na sociedade do consumo a escolha é privilégio para os donos do capital, o que também não significa ter liberdade.

A grande questão é: se vivemos em função dos comandos de uma indústria cultural, se é esta quem dita as regras e os costumes, não somos livres. Enquanto seguirmos os padrões impostos como doutrinas, não podemos falar nessa maravilhosa palavra, liberdade. O ser humano será digno de SER HUMANO e de usufruir de sua liberdade quando pensar por si e para o outro.


* Aluna do terceiro período do Curso de Pedagogia da Faculdade de Educação (FAE) da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais). Trabalho apresentado à disciplina Antropologia Cultural. 05 de outubro de 2010.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CULTURA: singular e plural

Salomão Ferreira de Souza - Belo Horizonte, 14 set. 2010

É como pássaro pequeno tentando sair do ninho para o primeiro vôo, que busco analisar o conceito de cultura. Entendo que uma planta crescida difere significativamente da semente que lhe deu origem. Dessa forma penso que as expressões simbólicas, míticas e religiosas de um povo, grupo ou sujeito são insuficientes para definir os objetivos práticos que, como semente, enraizou, criou um tronco e se projetou com seus galhos, folhas e frutos inumeráveis. Comparativamente, a cultura é como essa árvore imaginária que foi semente atirada ao solo e não só regada e cuidada mas, também, judiada pelas intempéries, açoitada pelos ventos, balançada pelos temporais e castigada pela seca e rigor de invernos. Nesse processo, umas galhas se quebram e morrem, folhas secam e caem, flores vingam se transformando em fruto e outras nem tanto. Nessa floresta imaginária, embora a matriz seja bastante homogênea, as árvores que dela resultam são bem diversas, mesmo quando descendem de uma gema comum. Assim sendo, tentarei transportar essa figura de linguagem para o campo conceitual, visando entender os ingredientes históricos, os mitos e religiões bem como as crenças, gostos, regras e costumes que perpassam a formação individual e grupal desse bípede chamado homem, cujos hábitos coletivos denominamos cultura.

Embora tendo estruturado o pensamento evolucionista, os estudos de Edmund B. Taylor podem ser questionados por considerar a "cultura" ou "civilização" como um processo linear onde os níveis são distintamente mais ou menos avançados. Vale lembrar que a semente deve ser vista com o olhar de quem percebe nela a essência da planta e a semente que dela retornará ao solo. Talvez devamos ter como sensatas as considerações de Bronislaw Malinowski quando propõe ao etnógrafo que saia do escritório ou laboratório e parta para o campo buscando entender que uma folha vermelha no chão pode significar não só a presença de uma determinada espécie de árvore, mas uma estação, um lugar geográfico, a humidade do ar e que, dessa mesma forma, um viajante ou um camelo podem revelar uma cultura que escapa até mesmo ao mais prescrutador olhar antropológico.

Visando conhecer a essência da semente cultural propomos uma leitura da teoria biológica de Humberto Maturana e Varela. Aqueles autores mostram a afetação do organismo biológico pelo meio e a interação desses, resultando daí o processo de aprender e trazendo respostas para o enfrentamento dos medos, das necessidades de sobrevivência e da defesa pessoal e coletiva. Para esses dois biólogos a complexidade está tanto no micro como no macro, embora haja constante assimilação e readaptação que se multiplica pela autorreprodução. Podemos interpretar esses processos como movimentos de afetação do meio sobre o organismo resultando daí a compreensão individual e coletiva desses sinais e a gestação de mecanismos de equilíbrio garantidores da sobrevivência de cada um e do conjunto. Afirmam aqueles biólogos que um alce, quando quebra as regras do grupo, de alguma forma que não compreendemos, está protegendo o bando. Ele se oferece ao predador tal como o farmacós, ou seja, a vítima sacrificial que morre para salvar. Essa disposição biológica e natural é bem diferente da realidade cultural onde os códigos e as regras geram instâncias de poder que determinam quem manda e quem obedece, quem se salva e que está condenado ao sacrifício.

Uma vez colocado um princípio primeiro dos mecanismos naturais de sobrivência, é justificável a concepção de Levy-Strauss quando afirma que homens e mulheres serão sempre seres biológicos e culturais, jamais viverão em estado de natureza. O homem é cultural na medida de suas organizações sociais que resultam do trabalho transformador da natureza em benefício da coletividade. Ao agir coletivamente estabelecem regras, códigos, leis e jogos de poder que são determinantes na distribuição geográfica das comunidades e no controle que alguns indivíduos exercem sobre outros. A cultura tanto está na tribo que se isola na floresta amazônica como no milionário que se refugia em algumas coberturas de luxo, alternando entre elas, visando a proteção de sua fortuna e a integridade de seus familiares. O primeiro garante a integridade do grupo pelo controle do território de coleta e caça e o segundo se desfigurando num ambiente de coisas sobre as quais perdera definitivamente o controle. O objetivo primordial da cultura como regras e modos que determinam o “ser” é engolido pela lógica bêbada do “ter”. Assim, confundem a razão de grupos humanos por uma de interesses econômicos, o farmacós pelo ataque assassínio ao outro, a família por grupos de interesse e a sociedade como potenciais clientes interpretados como objetos de acumulação e restos ou descuidos convenientemente esquecidos na lata de lixo das periferias.

Fazendo uma leitura da "vida como ela se apresenta", podemos perceber o quanto essa cultura avança sobre o homem, confundido-o em sua identidade de sujeito social, controlador e conhecedor de suas ações no mundo e levando-o para o lugar desse outro indivíduo que perdeu o controle sobre suas ações. Esse sujeito se vê cada vez mais imobilizado pelo produto de consumo resultante de suas ações transformadoras do mundo, transformações essas que vão além do necessário pois opera na lógica da acumulação capitalista. Essa nova lógica, cultural porque humana, está longe das determinações primeiras e primárias da essência do ser natural. Seus objetivos já não ligam o biológico - razão de sobrevivência e de organização do grupo -, aos princípios básicos de conservação do meio, garantidor da sobrevivência das gerações futuras e do controle sobre as ações individuais e coletivas que justificam os códigos, os símbolos e as regras cujo sentido só se assenta na aceitação coletiva. Não existe sociedade sem essas e não se justificam regras, símbolos e códigos absolutamente individualizados.

Por fim, voltando à nossa imaginária floresta, procuraremos compreender o emaranhado de galhos e cipós, que confundem o observador, para tentar encontrar, talvez na semente, a lógica essencial do matagal. Ali poderemos perceber a diversidade das plantas e sementes da mesma forma que num passeio pela cidade, podemos encontrar culturas diversas e saber que cada uma tem, ou pelo menos deveria ter, na sua essência, as mais diversas percepções de mundo que, imbricadas, ou seja, sobrepostas, visam garantir a sobrevivência e a integridade dos grupos sociais. Como visto, os rumos tomados pela acumulação capitalista afasta alguns membros sociais dessa primordial significação do “ser”. Vale pensar que, comparativamente, estamos perdendo o controle sobre essa selva que se estende por um território sem fronteiras, cujas sementes são lançadas pela mediação da comunicação de massa.

Assim a meditez determina o ritmo de crescimento dessa selva, suas fronteiras, seu tempo real e virtual. Nela o agigantamento de uns sufoca a maioria e, ao lançar sua sombra sobre as sementes, eliminam a essência da própria floresta. Essa reflexão, uma vez colocada, pode ser considerada essencial para a compreensão da diversidade cultural humana e da importância de se perceber o essencial que existe em cada uma delas. Uma vez compreendido esse mecanismo, fica mais fácil pensar os movimentos, as implicações presentes e futuras das tendências de aculturação, principalmente na sociedade contemporânea embriagada pelo mercado de consumo, pela mediatez da informação e pela falta de sentido das sociedades de espetáculo, onde os sujeitos se assemelham a rebanho pastando trivialidades como afirma Du Bois em sua interpretação da sociedade de consumo americana.

Salomão Ferreira de Souza - é aluno do terceiro período da Faculdade de Educação da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais). Belo Horizonte, 14 de setembro de 2010.