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sexta-feira, 4 de maio de 2012

O homem precisa de cuidados, mas quem cuida do cuidador?

Arte de Jia Lu  (in Fada do Mar)
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Por Leonardo Boff (Teólogo e escritor).
As primeiras cuidadoras são nossas mães e avós que, desde o início da humanidade, cuidaram de sua prole.
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Verdadeiros arquétipos do cuidador foram o médico suíço Albert Schweitzer (1875-1965) e a enfermeira inglesa Florence Nightingale (1820-1910).
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Schweitzer foi um dos maiores concertistas de Bach de seu tempo. Aos 30 anos, já com fama em toda a Europa, largou tudo, estudou medicina para cuidar dos mais pobres dos pobres, os hansenianos, em Lambarene, no Gabão. Numa de suas cartas confessa: "o que precisamos não é de missionários que queiram converter os africanos, mas de pessoas dispostas a fazer aos pobres o que deve ser feito, se é que o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuem algum valor ".
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Foi dos primeiros a ganhar o prêmio Nobel da Paz. Formulou assim seu lema: "a ética é a responsabilidade ilimitada por tudo o que existe e vive".
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Humanista e profundamente religiosa, Nightingale decidiu melhorar os padrões da enfermagem em seu país. Em 1854, com outras 28 companheiras, se deslocou para o campo de guerra da Crimeia, na Turquia, onde se empregavam bombas de fragmentação que produziam muitos feridos. Em seis meses, reduziu de 42% para 2% o número de mortos. Esse sucesso granjeou-lhe notoriedade universal. De volta a seu país e, depois, nos Estados Unidos, criou uma rede hospitalar que aplicava o cuidado como eixo norteador da enfermagem e como sua ética natural. Florence Nightingale é uma referência inspiradora. O operador da saúde é, por essência, um curador. Cuida dos outros como missão e como opção de vida. Mas quem cuida do cuidador, título de um belo livro do médico Eugênio Paes Campos (Vozes, 2005)?
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O ser humano é, por sua natureza e essência, um ser de cuidado. Sente a predisposição de cuidar e a necessidade de ser ele também cuidado. Cuidar e ser cuidado são existenciais (estruturas permanentes) e indissociáveis.
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O cuidar é muito exigente e pode levar o cuidador ao estresse. Especialmente se o cuidado constitui, como deve ser, uma atitude permanente e consciente. Somos limitados, sujeitos ao cansaço e à vivência de pequenos fracassos e decepções. Sentimo-nos sós. Precisamos ser cuidados, caso contrário, nossa vontade de cuidar se enfraquece. Que fazer então?
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Logicamente, cada pessoa precisa enfrentar com sentido de resiliência (saber dar a volta por cima) essa situação dolorosa. Mas esse esforço não substitui o desejo de ser cuidado. É então que a comunidade do cuidado deve entrar em ação.
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O enfermeiro ou a enfermeira, o médico e a médica sentem necessidade de serem também cuidados. Precisam se sentir acolhidos e revitalizados, exatamente, como as mães fazem com seus filhos e filhas. Outras vezes sentem necessidade do cuidado como suporte, sustentação e proteção, coisa que o pai proporciona a seus filhos e filhas.
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Cria-se então o que o pediatra R. Winnicott chamava de "holding", quer dizer, aquele conjunto de cuidados e fatores de animação que reforçam o estímulo para continuarem no cuidado para com os pacientes.
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Quando esse espírito de cuidado reina, surgem relações horizontais de confiança e de mútua cooperação, e se superam os constrangimentos, nascidos da necessidade de ser cuidado.
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Feliz é o hospital e mais felizes são, ainda, aqueles pacientes que podem contar com um grupo de cuidadores. A boa energia que se irradia do cuidado corrobora na cura.
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Fonte: O Tempo (MG)               


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O papel da educação na celebração da vida e do planeta Terra



Por Leonardo Boff*

Dada a crise generalizada que vivemos, toda e qualquer educação deve incluir o cuidado para com tudo o que existe e vive. Sem isso, não garantiremos uma sustentabilidade que permita ao planeta manter sua vitalidade, os ecossistemas, seu equilíbrio e a nossa civilização, seu futuro. Somos educados para o pensamento crítico e criativo, visando a uma profissão e um bom nível de vida, mas nos olvidamos de educar para a responsabilidade e o cuidado para com o futuro comum da Terra e da humanidade.

Os analistas mais sérios da pegada ecológica da Terra nos advertem que, se não cuidarmos, podemos conhecer catástrofes piores do que as vividas em 2011, no Brasil e no Japão. Para se garantir, a Terra poderá, talvez, ter que reduzir sua biosfera, eliminando espécies e milhões de seres humanos.

Quando contemplamos a Terra, a partir do espaço exterior, surge em nós um sentimento de reverência diante de nossa única casa comum. Somos inseparáveis da Terra, formamos um todo com ela. Sentimos que devemos amá-la e cuidar dela para que nos possa oferecer tudo que precisamos para continuar a viver.

A segunda excelência do cuidado como atitude ética e forma de amor é o encantamento que irrompe em nós pela emergência mais espetacular e bela que jamais existiu no mundo: o milagre, melhor, o mistério da existência de cada ser individual. Os sistemas, as instituições, as ciências, as técnicas e as escolas não possuem o que cada pessoa humana possui: consciência, amorosidade, cuidado, criatividade, solidariedade, compaixão e sentimento de pertinência a um todo maior, que nos sustenta e anima. Devemos nos sentir orgulhosos de poder desempenhar essa missão para a Terra e todo o universo, mas somente o faremos se cuidarmos de nós mesmos, dos outros e de cada ser que aqui vive.

Poucos expressaram melhor esses nobres sentimentos que o exímio músico e também poeta Pablo Casals. Em discurso na ONU nos anos 80, dirigia-se à Assembleia Geral pensando nas crianças como o futuro da nova humanidade. A mensagem vale também para todos nós, adultos. Dizia ele: "A criança precisa saber que ela própria é um milagre; saber que, desde o início do mundo, jamais houve uma criança igual a ela e que, em todo o futuro, jamais aparecerá alguém como ela. Cada criança é algo único, do início ao fim dos tempos. Assim, a criança assume uma responsabilidade ao reconhecer: é verdade, sou um milagre, do mesmo modo que uma árvore é um milagre. E sendo um milagre, poderia eu fazer o mal?

Acredito que o que estou dizendo às crianças pode ajudar a fazer surgir um outro modo de pensar o mundo e a vida. O mundo de hoje é mau e é assim porque não falamos às crianças do jeito que estou falando agora e do jeito que elas precisam que lhes falemos. Então, o mundo não terá mais razões para ser mau".

Cada realidade, especialmente a humana, é única e preciosa, mas, ao mesmo tempo, vivemos num mundo conflitivo, contraditório e com aspectos terrificantes. Mesmo assim, há que se confiar na força da semente. Cada criança que nasce é semente de um mundo que pode ser melhor. Por isso, vale ter esperança.

Um paciente de um hospital psiquiátrico que visitei, escreveu, em pirografia, numa tabuleta que me deu de presente: "Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano". Nada mais é necessário dizer, pois nessas palavras se encerra todo o sentido de nossa esperança face aos males e às tragédias deste mundo.

* Leonardo Boff é filósofo, teólogo e escritor

Fonte: O Tempo (MG)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Van sem cadeirinha está na mira da BHTrans

Da Redação - 26/01/2011

Lucas Prates

Até esta quarta, metade dos 1.198 veículos escolares de BH tinha recebido autorização para circular. Na volta às aulas, a BHTrans vai fechar o cerco aos motoristas de transporte escolar que trafegam sem cadeirinhas ou assentos de elevação para crianças com até 4 anos. Regulamento da empresa de gerenciamento de transporte da capital prevê multa de R$ 50,14, além da perda de dois pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para quem descumprir a norma.

Com o início do ano letivo na semana que vem, pelo menos 470 mil veículos passam a circular somente na Região Central de BH diariamente. A cada ano, a frota, que hoje é de 1,3 milhão de automóveis, aumenta em cem mil unidades. Durante as férias, a redução da frota é de 9% e o número de viagens de ônibus cai entre 10% e 15%. Até esta, pouco mais da metade dos 1.198 veículos com permissão para transportar estudantes havia obtido a autorização para circular na cidade. Dos 734 que passaram pela vistoria, 589 foram aprovados. De acordo com a assessoria de imprensa da BHTrans, diante do menor problema mecânico, a autorização é negada. O número de permissionários do serviço é o mesmo desde 2007.

A empresa orienta aos pais de alunos que exijam dos motoristas a autorização de tráfego, válida por um ano, antes de contratar o serviço. A orientação é buscar nas próprias escolas indicações de motoristas idôneos. Denúncias devem ser encaminhadas pelo telefone 156. No caso das cadeirinhas, a BHTrans recomenda aos pais “negociar” com os motoristas que não oferecerem o acessório de segurança. Caso o permissionário alegue não poder investir no equipamento, quem contrata o serviço pode arcar com essa despesa.

No caso de veículos particulares, os pais que não fizerem o transporte adequado dos filhos estão sujeitos a uma multa de R$ 191,54 e à perda de sete pontos na carteira, além da retenção do veículo. A resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) exige a utilização do dispositivo por crianças com menos de 10 anos. Em 2010, as ações da BHTrans para o início do ano letivo foram divididas em duas etapas, que devem se repetir em 2011. A primeira começou com a implantação das faixas de pano nas escolas selecionadas, no último dia de janeiro. No dia 1º de fevereiro teve início a operação nas escolas selecionadas, que durou duas semanas.

Mais uma vez, agentes de trânsito da BHTrans e da Polícia Militar estarão operando o tráfego enquanto monitores distribuirão folhetos com dicas de educação que mostram a maneira correta de se comportar no trânsito ao levar filhos para a escola. Embora muitos adultos sigam as regras básicas de bom comportamento no trânsito, a ordem é não parar ou estacionar em locais proibidos, usar sempre o cinto de segurança, transportar as crianças de forma adequada, nunca falar ao celular enquanto estiver ao volante e dar preferência ao transporte escolar.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/van-sem-cadeirinha-esta-na-mira-da-bhtrans-1.232158