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terça-feira, 13 de novembro de 2012

A imprensa como protagonista na crise da segurança pública

Por Carlos Castilho
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A imprensa brasileira, e em especial a paulista, está perdendo uma oportunidade de ouro para criar uma nova relação com seus leitores, ouvintes e espectadores ao não entrar de cabeça na investigação do que está por trás da guerra entre crime organizado e polícia.
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Este talvez possa ser considerado o principal problema político do momento porque está afetando as bases da convivência social em metrópoles brasileiras, muito mais do que o próprio mensalão.
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A omissão dos governantes e encarregados da segurança pública deixou a população órfã e abre para a imprensa a possibilidade de oferecer informações capazes de dar à sociedade elementos para buscar soluções para a crise, com ou sem participação dos poderes estabelecidos.
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Foi justamente a falta de informações que gerou o ambiente favorável ao desenvolvimento das chamadas milícias e esquadrões da morte dentro dos órgãos de segurança. O silêncio e a tolerância das autoridades sobre as ilegalidades cometidas pela policia acabaram contagiando a própria imprensa, que também cedeu ao medo de desafiar um esquema sinistro montado em nome da lei.
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Até agora havia um consenso entre imprensa e governo de que o avanço da violência urbana era apenas uma questão de repressão ao crime organizado. Hoje está mais do que claro que a policia faz parte deste contexto e que ela precisa ser depurada como condição prévia para que o combate à delinquência seja efetivo.
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O tema é muito delicado e os riscos são muitos, até mesmo para a segurança pessoal de governantes e jornalistas. Mas não temos mais escolhas. O problema é que os governos, o judiciário e o legislativo tendem a se enredar em questões processuais, conveniências políticas e egos, fatores que acabam retardando qualquer decisão ou iniciativa muito além dos prazos que a realidade da matança diária está impondo.
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A imprensa tem mais agilidade e capacidade de mobilização da opinião pública. O problema é que ela se especializou em cobrar soluções dos poderes estabelecidos, transferindo responsabilidades para não meter as mãos na pocilga da segurança publica. Agora ela pode, sim, fazer algo propositivo. Basta usar a sua experiência investigativa para identificar responsáveis, levantar dados, localizar conflitos de interesses e, principalmente, mostrar como a população pode participar da busca de soluções.
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Com informação, a sociedade tem meios para agir. A mobilização dos grupos sociais deixa de ser apenas uma questão política para ser um problema vital, em se tratando de um problema em que a sobrevivência física das pessoas está ameaçada por uma guerra declarada entre bandidos uniformizados e não uniformizados.
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A imprensa não precisa de autorização oficial para investigar o submundo da segurança pública, em São Paulo e noutros estados onde o problema existe mas ainda não é tão grave. Há toda uma área de jornalismo investigativo que poderia ganhar uma real relevância social num momento em que os moradores de São Paulo estão assustados e desorientados.
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As grandes metrópoles e capitais brasileiras convivem há pelos menos 40 anos com o aumento da violência criminal. Em todo esse tempo a única estratégia usada era a da repressão, quando qualquer estudioso da segurança pública sabe que a principal arma da polícia contra o crime organizado é a informação. Na força bruta ela tende a perder sempre porque não pode estar em todos os lugares e, consequentemente, atrai críticas da população.
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Na hora em que a polícia perdeu o rumo por falta de orientação clara, com exceção talvez do Rio de Janeiro, os soldados e agentes não tiveram outra alternativa senão partir para o olho por olho — já não mais pensando na sociedade, mas na própria pele. Descobriram também que o poder de intimidação poderia ser usado em benefício próprio, de forma muito superior ao soldo recebido da corporação.
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Infelizmente chegamos ao ponto onde as últimas esperanças da população acabam sendo depositadas na imprensa. Ela não vai resolver diretamente o problema das matanças em cidades como São Paulo, mas pode fornecer dados para que a população saia do estado de choque provocado pela ausência de informações e tome iniciativas para, pelo menos, atenuar a crise da segurança pública no país.
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Fonte: Observatório da imprensa

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Latrocínios aumentam 458% em um ano

 
Por Joana Suarez
Os casos de latrocínio - roubos seguidos de mortes - em Minas Gerais tiveram um crescimento de 458% em 2011, em relação ao ano anterior. O número de ocorrências passou de 16 para 90. No país, Minas foi o Estado que teve o maior aumento. Os dados foram divulgados ontem no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido com base em informações do Ministério da Justiça.
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Entre as 27 unidades da federação, dez tiveram aumento em suas taxas de homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Minas Gerais e Santa Catarina foram os Estados que registraram maiores crescimentos. Neste último, a taxa de assassinatos a cada 100 mil pessoas subiu 44,8%: de 8,1, para 11,7. No território mineiro, a taxa passou de 14,7 para 18,4, um aumento de 25,3%.
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Para o sociólogo Robson Sávio, especialista em segurança pública, os números refletem a desordem na política de segurança no ano passado. "Tivemos problemas com maquiagem de dados e pouco investimento em prevenção a crimes", diz. Segundo ele, dados da Seds mostram que, em 2011, os gastos com integração das polícias e prevenção à criminalidade representaram menos de 1% do orçamento, com R$ 58,6 milhões.
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DIFERENÇA. Quanto à qualidade das informações enviadas, Minas pode fornecer bons dados, mas não o faz. "O Estado tem instrumentos e tecnologia para produção de dados, mas não alimenta o sistema", destaca Thandara Santos, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em resposta, o secretário de Defesa Social de Minas, Rômulo Ferraz, afirma que houve um equívoco do Ministério da Justiça porque todos os dados foram enviados. O Estado não teria revelado informações sobre ocorrências envolvendo policiais. "Não temos porque omitir informações. No ano passado, cinco militares morreram em combate e nenhum policial civil morreu". (Fonte O Tempo)
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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Homicídios praticados por adolescentes crescem 13%


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Por Luciene Câmara
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Atrair a vítima para uma emboscada, surpreendê-la com uma facada no pescoço e só terminar a agressão após ter o coração do inimigo nas mãos. A crueldade foi praticada há quase um mês por duas adolescentes de 13 anos, assassinas confessas da amiga Fabíola Santos Correa, 12, no bairro Primavera, em São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Elas se tornaram o exemplo mais evidente de uma geração cada vez mais marcada pela prática de crimes violentos.
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Só em 2011, 36 homicídios foram praticados por menores de 18 anos na capital e na região metropolitana, o que representa um aumento de 13% em comparação com 2010, quando foram registradas 32 ocorrências. A maioria dos infratores (75,9%) tem entre 15 e 17 anos. As tentativas de homicídio também tiveram um salto de 25% no período, passando de 24 em 2010 para 30 no ano passado, de acordo com dados do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional de Belo Horizonte (CIA-BH). O que também chama a atenção é a premeditação e os requintes de crueldade. Em dezembro passado, Carolina (nome fictício), 14, foi encontrada em um terreno baldio de Betim, na região metropolitana, com metade do corpo queimado e 44 perfurações de faca. O atentado foi praticado por quatro vizinhas da vítima, sendo três adolescentes e uma jovem de 20 anos. Carolina sobreviveu, mas até hoje tenta apagar as marcas da violência.
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Causas. A juíza da Vara Infracional da Infância e Juventude de Belo Horizonte, Valéria da Silva Rodrigues, acredita que os valores e as normas morais e sociais não estão sendo repassados aos jovens como deveria ser, o que resulta em violência. "Há uma total ausência desses ensinamentos". Para a magistrada, que lida diariamente com os infratores, a causa maior da criminalidade entre adolescentes é a desestruturação familiar, associada ao próprio caráter do indivíduo. "Tudo depende da família, da formação que a pessoa recebe desde pequena e da própria índole dela", argumenta.
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Outro fator é a associação de jovens com o tráfico de drogas, campeão no ranking de crimes mais praticados por adolescentes. Só em 2011, foram 1.978 ocorrências, um aumento de 5,9% em relação a 2009, quando ocorreram 1.868 casos. O uso de drogas também é frequente, com 1.300 registros no ano passado. "Quase todos os atos infracionais praticados por adolescentes têm as drogas como fator desencadeador", completa.
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É o caso do crime praticado em São Joaquim de Bicas. As meninas confessaram para a polícia terem matado a amiga para evitar que ela delatasse seus namorados, que são traficantes na região, para facções inimigas. As três estavam sendo ameaçadas de morte por líderes do tráfico. A psicóloga e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andréa Guerra, acredita que os adolescentes, por estarem em uma fase de novidades e conflitos internos, correm mais riscos e resolvem, muitas vezes com atos violentos, o que poderia ser resolvido apenas com palavras. "Nada é mais humano do que o crime, e o adolescente está mais vulnerável", explica a especialista.
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Carolina - Fuga. Carolina nunca mais voltou para casa, em Betim, depois de ser violentamente espancada por amigas. A família dela se mudou para outra cidade mineira e mantém o destino em sigilo por medo.
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Doença ou distúrbio? - "Crueldade está inserida no cotidiano dos jovens"
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Não é doença nem distúrbio. Para especialistas, a violência com requintes de crueldade empregada por adolescentes não é exclusiva dos crimes praticados por eles. "Trata-se de um sintoma social, que está presente na família, na escola, no trabalho", explica Pedro Castilho, psicólogo e psicanalista da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).
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O agravante, segundo ele, é que a proximidade da criança e do adolescente com esse fenômeno pode ter efeitos drásticos. "Esse público está passando por um momento de construção de personalidade e de caráter, e ele pode se identificar com a violência". Castilho acredita ainda que há um certo glamour nas ligações que envolvem o adolescente. "As relações na família, na escola, na igreja e no Estado estão cada vez mais frouxas. O que importa é o direito à transgressão", completou.
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A psicóloga da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Andréa Guerra também defende que a violência não é motivada por uma tendência inata ou genética. "O que interfere são as marcas da história de cada um". Ela explica que é na juventude que a pessoa decide quem será na vida. "É comum os jovens aderirem a grupos e fortalecerem os comportamentos um do outro". (LC)
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Jovens demonstram frieza após cometerem crimes.
Antes do crime, adolescentes aparentemente normais, alegres e habituados a ficar horas na rua, entre amigos. Depois do fato consumado, tranquilidade e nenhum arrependimento. É assim que se revela o comportamento de jovens que cometem crimes violentos. De acordo com a juíza da Vara Infracional da Infância e da Juventude de Belo Horizonte Valéria da Silva Rodrigues, os infratores, de um modo geral, não demonstram sentimento de tristeza. "Eles não têm noção da gravidade e das consequências do ato, eles têm outra percepção da realidade", afirma.
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Foi o que aparentou a dupla de São Joaquim de Bicas. "As duas contaram detalhes do crime sem nenhum pudor e ainda brincavam entre si", disse o delegado Enrique Solla. (LC)
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FOTO: João Miranda

Capital. Fachada do centro de reeducação no bairro Horto, na região Leste; ele só recebe meninas
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Deficiências - Unidades têm déficit de vagas
Número de jovens internados é 6,3% superior ao de vagas existentes

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Luciene Câmara
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Assim como o sistema prisional mineiro, que vivencia o caos da falta de estrutura e de segurança para abrigar os presos maiores de 18 anos, os centros de reabilitação social para adolescentes infratores do Estado também convivem com a precariedade. O número de jovens que precisam cumprir medidas socioeducativas de internação e semiliberdade é 6,3% superior à capacidade – há 1.334 internos para 1.255 vagas, um excedente de 79 pessoas. A carência pode fazer com que o atendimento de reeducação social dos adolescentes fique comprometido.
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Filósofo e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Robson Sávio acredita que, com a lotação, os centros de reabilitação não conseguem oferecer atendimento individualizado aos infratores. "Há poucos funcionários para muitos internos e eles acabam apenas monitorando os adolescentes, pois não conseguem desenvolver ações educativas", explica Sávio. Este cenário, para Sávio, é reflexo do modelo de punição que ainda prevalece no sistema de reabilitação. "A mentalidade é prender o jovem e não recuperá-lo. Sem o atendimento adequado, os internos voltam para a rua piores do que antes e caem no sistema prisional quando adultos", alerta.
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A juíza da Vara Infracional da Infância e da Juventude de Belo Horizonte, Valéria da Silva Rodrigues, explica que, embora as medidas socioeducativas de internação e semiliberdade acabem por representar uma punição para os jovens, que ficam privados de sua total liberdade, a execução dessas práticas só é permitida se houver o caráter educativo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Todas as medidas têm como princípio básico a educação para possibilitar a reintegração do jovem infrator na família e na sociedade", declara a magistrada.
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O outro lado. A subsecretária de Atendimento às Medidas Socioeducativas do Estado, Camila Nicácio, foi procurada diversas vezes pela reportagem para comentar o assunto, mas não deu retorno. A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informou, por meio da assessoria de imprensa, que a meta do governo é criar 260 novas vagas para adolescentes infratores no sistema de reabilitação social até 2014. Para isso, serão construídos três centros de internação, em Unaí, na região Noroeste, em Santana do Paraíso, no Vale do Aço, e em Lavras, no Sul de Minas. O primeiro a ficar pronto será o de Unaí, que deve ser entregue até junho de 2013. A unidade será também a primeira da região Noroeste, até então desassistida de centros. O investimento do governo nas obras é de R$ 11 milhões.
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A Seds informou ainda que os centros de internação contam com ensino regular, cursos profissionalizantes, oficinas de arte e de cultura, além de práticas esportivas. Anualmente, são realizadas olimpíadas esportivas com os adolescentes. Há também, segundo o órgão, atendimentos com terapeutas ocupacionais, pedagogos, psicólogos, advogados, assistentes sociais, médicos e dentistas.
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Promessa
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Futuro. A Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase) informou que
está avaliando prédios já existentes na região metropolitana, Campo das Vertentes e Sul do Estado para propor a criação de novas unidades socioeducativas.
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Brasil e mundo
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Lei. A maioridade penal, fixada em 18 anos, é definida pelo artigo 228 da Constituição. Em países como EUA e Inglaterra não existe idade mínima para a aplicação de penas. Em Portugal e na Argentina, a maioridade penal ocorre aos 16 anos.
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Congresso - Redução da idade penal está na pauta
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Sempre que um crime violento envolvendo adolescentes vem a público, a discussão sobre a redução da maioridade penal volta a causar polêmica no Brasil. Hoje, tramitam no Congresso Nacional dois projetos que foram unificados propondo um plebiscito nas eleições deste ano. A ideia é que a população decida se o país deve ou não criminalizar jovens a partir dos 16 anos – e não aos 18, como funciona atualmente. Um dos projetos é de 2003, do então deputado Robson Tuma. O outro foi protocolado, em outubro, por André Moura (PSC-SE). Ambos aguardam votação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), que já teve parecer favorável do relator do projeto, o deputado Efraim Filho (DEM-PB). "A maioridade penal pode sim ser passível de redução, se essa for a vontade expressa na consulta popular", avaliou Filho. O projeto também será apreciado pelo plenário, mas ainda não há data definida. (LC)
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Sem saída - Reincidência é de 31% entre os adolescentes
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A reincidência de adolescentes no crime mostra que a violência na vida deles não é apenas ocasional, mas, sim, algo que permanece inserido em seu meio de convivência. Só em 2011, dos 8.842 infratores menores de 18 anos que sofreram medidas socioeducativas, 2.803 foram parar mais de uma vez na Justiça por prática de crimes ainda na adolescência. O número exclui os 267 jovens que tiveram o processo arquivado, o que soma um total de 9.109 entradas de adolescentes do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional de Belo Horizonte (CIA-BH).
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O resultado é uma reincidência de 31,7% em 2011, segundo dados do CIA-BH. Entre os reincidentes, 55,58% deles deram entrada duas vezes na polícia por conta de infrações, um total de 1.558 jovens. Outros 698 foram parar três vezes no CIA-BH só em 2011 e 300 repetiram atos infracionais pelo menos quatro vezes. Houve até um adolescente que reincidiu 13 vezes no ano, o recorde registrado no período, de acordo com os dados do centro de atendimento. Para a juíza da Vara Infracional da Infância e da Juventude, Valéria da Silva Rodrigues, a repetição do infrator no crime não pode ser atribuída à ineficácia da medida aplicada e, sim, a outros problemas que envolvem a realidade do adolescente e ainda o que o poder público não consegue resolver. "A saída para a diminuição do envolvimento dos jovens na criminalidade é o investimento do Estado na prevenção da violência", finaliza a juíza. (LC)
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Fonte: O Tempo (MG)

terça-feira, 13 de março de 2012

Polícia, democracia e informações



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Lúcio Alves de Barros*
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Um novo espectro ronda a região metropolitana de Belo Horizonte. O espectro da mentira. Um fenômeno perigoso, contraditório, complexo e leviano. A coisa já não é nova e finalmente parece ter chegado às páginas de determinados jornais e nesse mundo da internet de ninguém. O fantasma que ora aparece aqui e ali diz respeito à manipulação de informações referentes à segurança pública e, por ressonância, à segurança privada, ou, como quer a polícia, “a sensação de segurança objetiva e subjetiva”. A população manipulada e alienada como é, obviamente não tem a mínima noção da seriedade do fenômeno - provavelmente político - que ainda está em pleno desenvolvimento. Neste caso, dentre tantas coisas, destaco três.
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Em primeiro, é intolerável, inadmissível e vergonhoso o caminho que vem percorrendo o governo na indefinição, incongruência e falsificação das informações acerca da segurança que, em pouco tempo levou Minas Gerais a ser “a menina dos olhos do governo” com secretaria e tudo mais. É claro que lidar com a segurança pública não é o mesmo que trabalhar com sabonetes, carros, roupas e outras mercadorias tangíveis. Pelo contrário, no campo da segurança pública estamos lidando com vidas e com patrimônios construídos por tempos. Mais que isso, desde o suspiro liberal tentamos a manutenção da paz , da ordem, da liberdade e quem sabe um dia, da igualdade. Tudo, nos dias atuais, amparados no que entendemos por democracia e estado de direito. Democracia esta sem lugar e bêbada, pois apesar de mantida por nossos impostos as instituições coercitivas do estado que tem por função a manutenção desta democracia anda pensando em aumento salarial – o que é legítimo – e em maquiagem de dados - o que é ilegítimo e criminoso. Dito de outra forma, a política de segurança pública em Minas Gerais, colocada como “modelo” no país, caiu de quatro, virou piada e mostrou uma face feia e medonha, pois finge e se mantém no que pregou nos últimos mais ou menos sete anos. A denúncia de maquiagem dos dados levada ao público corajosamente pelo Jornal “O Tempo” revela que o Estado e os agentes dele não sabem sequer de quem é a responsabilidade e quais são as consequências do que foi feito em relação à maquiagem das informações a respeito da segurança pública em Minas.
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O desconhecimento do público e a irresponsabilidade governamental nos leva para o segundo ponto. É imperdoável o acontecimento. As informações sobre segurança por definição devem ser públicas e transparentes, haja vista que mais do que nunca se acredita que a população deve e pode ajudar no desenvolvimento andamento de políticas de segurança pública, a não ser que a polícia comunitária seja outra maquiagem. Com efeito, torna-se imperioso nesse sentido uma auditoria séria nos dados divulgados pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). As manipulações de estatísticas e de informações produzidas em tempo real, ou depois nas salas com ar condicionado, indicam que interesses pessoais e corporativos dos integrantes tanto da Polícia Militar como da Polícia Civil falaram mais alto. As polícias, certamente atreladas, apertadas, cobradas e submissas ao famoso “acordo de resultados” mostram o que os administradores da secretaria querem ver. Em outras palavras, as instituições coercitivas do estado nada mais fizeram do que levar a efeito um verdadeiro teatro no intuito de no final atender - e é claro - receber palmas do governo que não deixou de premiar, investir, promover todos aqueles que alcançaram as famigeradas metas. Como toda recompensa anda de mãos dadas com a punição, aos que não alcançavam as metas sobraram as transferências, o assédio moral e as aposentarias que provavelmente jogaram para as piranhas a turma do contra ou aqueles que se esforçaram por nadar contra a maré. A questão tornou-se agora um verdadeiro “caso de polícia” e cumpre ao Ministério Público ou mesmo à população que anda em Conselhos Comunitários de Segurança Pública a cobrança da verdade e com ela as informações verdadeiras sobre a segurança, porque 30 homicídios por cada 1000 mil habitantes é inaceitável em qualquer sociedade que se diz civilizada.
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No que toca a questão criminal talvez se faça necessário não somente a auditoria, mas toda revisão do que se entende por resultados. Até porque nada mais fizemos do que incorporar do exterior as experiências que, no Brasil, mereciam novas roupagens, seja por nossa peculiar cultura, seja por nossa estrutura política e social ser sempre conturbada e em descontrole. Não é possível bolinhas de crack transformar usuário em traficante. O mesmo acontece com os corpos com tiros na nuca ou com mais de cinco tiros que se transformam em “tentativa de homicídio” ou “suicídio”. Tais fatos, associados à questão gerencial, provavelmente forjaram mais que um “acordo de resultados explícito”, mas configurou “acordos tácitos” que andaram de mãos dadas com a política que se fossem reveladas em tempos de eleição tenho sérias dúvidas se o governo pararia em pé. De todo modo, pelo menos já sabemos que é possível no mundo das estatísticas criminais, mostrar que lambari é piranha e que golfinho é tubarão.
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O terceiro e último ponto é que, apesar de todo arcabouço jurídico ainda precisamos da mídia para denunciar tais fatos que não podem “ficar no por isso mesmo”. A mídia revelou que nossa política de segurança pública é uma falácia e o mesmo vem dizendo alguns deputados em audiências públicas na assembleia. A questão é clara: “quem vai ser responsabilizado por tais erros?” A mídia já denunciou. Ninguém apareceu. Tentaram esconder os dados e depoimentos de administradores de polícia levantaram a triste hipótese de erros, maquiagens e manipulações por mais de 06 anos. Se o fato não é sério não sei mais o que é sério nesse país. O certo é que a população foi e está sendo vergonhosamente enganada, descaradamente desprotegida e a manipulação das estatísticas , como mentirosas, não deixa de trazer mais e mais desconfiança nas polícias militar e civil. Esta é a face hipócrita do Estado Penal: mostra o que quer, revela o que pode, esconde o que deseja e pouco se importa com o outro. A contradição é clara, a população paga por um serviço enganoso e uma boa ideia seria reclamar no PROCON, pois desde a implantação da "Polícia de Resultados" a polícia lida é com clientes e não com o hoje - e inseguro - cidadão. Se a polícia e as instituições atreladas a ela maquiaram as informações cabe ao governo explicar a situação, buscar os responsáveis, solucionar os problemas e revelar caos que Minas Gerais está passando simplesmente porque decidiram nebulosamente enfeitar o boi que a sociedade anda pagando.
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Para finalizar, em estados democráticos de direito é crucial uma segurança pública com transparência. Quando as coisas estão escondidas é sinal de que algo não vai bem e é questão de tempo para que dúvida seja plantada e depois dela a ansiedade e o medo. Talvez uma auditoria seja o início, mas de nada ela vale se a segurança pública ainda ficar refém dos acordos de resultados que tem por base a recompensa e a punição, como se quarteis e delegacias funcionassem como fábricas, lojas de conveniência, postos de gasolina ou qualquer birosca de camelô. E detalhe, para que fique bem claro, sonegar informações nesse campo nos dias de hoje é no mínimo uma questão de polícia (de qual, já não sei mais). O que se pode afirmar com certeza é que tais dados não podem é cair nas mãos dos ladrões.
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*é doutor em ciências humanas: sociologia e política pela UFMG. Professor da Faculdade ASA de Brumadinho e organizador do livro “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Notícias

Polícia procura dois adolescentes suspeitos de balear rapaz em escola de Agudos, SP

Globo Notícia, Bom Dia São Paulo - em 26 abr. 2011


SÃO PAULO - A polícia de Agudos, a 309 km de São Paulo, procura dois adolescentes de 17 anos suspeitos de atirar em um rapaz, de 18, durante uma discussão sobre uma partida de futebol, na noite desta segunda-feira, na saída de uma escola. A vítima, Paulo Henrique Parra, baleada na cabeça, está internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O crime foi presenciado por outros estudantes do colégio; muitos estavam abalados. Um dos agressores era aluno na mesma escola. Segundo a polícia, a briga teria começado na semana passada em um jogo de futebol. As discussões continuaram e os pais chegaram a ser chamados na escola.

- Ouvi o barulho do tiro. Estava dentro da escola e falaram que era meu amigo que foi atingido - afirmou um aluno que não quis que seu nome fosse divulgado.

O autor do disparo e o colega que o ajudou a segurar a vítima durante a briga já foram identificados. Já a vítima continua internada e, apesar do quadro de saúde estável, ainda corre risco de morrer. Em nota, a Secretaria de Estado da Educação lamentou o ocorrido na Escola Nilza Santarém Paschoal e solicitou a presença de uma equipe de supervisores na unidade escolar nesta terça de manhã para repassar as medidas socioeducativas que devem ser tomadas em relação aos alunos e à comunidade escolar. Informou também que, embora a ocorrência não retrate o cotidiano da escola, já foi solicitado reforço na segurança externa à Polícia Militar.

Fonte: globo.com

sábado, 9 de abril de 2011

Polícia apresenta acusados de intermediar a venda de revólver ao atirador por R$ 260


RIO - Os dois homens que teriam intermediado a venda do revólver calibre 32 ao atirador Wellington Menezes de Oliveira, responsável pela chacina que deixou 12 mortos na Escola Municipal Tasso da Silveira, na quinta-feira, em Realengo, foram indiciados por comércio ilegal de arma de fogo. A pena pode chegar a 8 anos, informou o delegado da Divisão de Homicídios, Felipe Ettore, neste sábado.


O chaveiro Charleston de Souza de Lucena, de 38 anos e o vigia Izaías de Souza, de 48 anos, foram presos na madrugada deste sábado. Segundo a polícia, eles disseram em depoimento que a arma foi vendida por R$ 260 e cada um teria ficado com R$ 30. A polícia procura agora um homem conhecido como Robson que teria ficado com os R$ 200. - Se eu soubesse que era para fazer isso, jamais teria feito o que eu fiz. Agora, infelizmente vou ter que pagar - disse Izaías ao site G1. - Eu acho que tenho parte da culpa, mas culpa diretamente pelo assassinato eu não tenho - disse ele, que quando viu a notícia do ataque chorou e pensou na filha e na enteada que estudam em uma escola em Sepetiba.


O chaveiro Charleston de Souza de Lucena, também arrependido, desabafou: - Fizemos sem maldade. Os peritos disseram que vão traçar o perfil psicológico de Wellington. Dispensado do serviço militar, atirador pode ter tido lições em sites TROCA DE E-MAILS: Wellington tinha interlocutor, com quem falava sobre religião e jogos eletrônicos de guerra A PM chegou aos suspeitos a partir do relato de um informante, que teria presenciado uma conversa entre o chaveiro, vizinho de Wellington em Sepetiba, e o vigia. O informante desconfiou e acionou o 21º BPM (São João de Meriti), que enviou um policial à paisana a Sepetiba, onde o atirador morava. Policiais identificaram os dois suspeitos, que a princípio negaram ter participado da venda do revólver. Em seguida, porém, eles trocaram acusações e, mais tarde, acabaram confessando o crime na DH. Segundo o G1, o chaveiro revelou à PM que Wellington era conhecido na região onde morava em Sepetiba pelo apelido de "Sheik", devido à barba longa que cultivou até dias antes do crime. "Nós descobrimos esses dois homens porque um PM à paisana ouviu o vendedor comentar ao chaveiro, tá vendo aquela arma que te vendi, tá vendo como ela tava afiadinha?, olha o estrago que ela fez", reproduziu o comandante.


De acordo com o sargento Paulo Augusto, responsável pela equipe que prendeu os dois homens, o chaveiro contou que conheceu Wellington após realizar um serviço na casa do rapaz. Segundo a declaração do chaveiro, o homem que promoveu o ataque à escola em Realengo alegou que queria uma arma para sua proteção. No início da madrugada deste sábado, o delegado titular da Divisão de Homícidos (DH), Felipe Ettore, foi até o plantão judiciário pedir a prisão preventiva de Charleston e Isaías por porte ilegal de armas. Os revólveres usados por Wellington e as 66 cápsulas disparadas, além de um cinturão e um carregador de munição, foram apresentados ontem. De acordo com o delegado Felipe Ettore, Wellington usou as duas armas - um revólver calibre 38 e outro 32 - ao mesmo tempo. O revólver 32 foi roubado em 1994 de um sítio.


Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/04/09/policia-apresenta-acusados-de-intermediar-venda-de-revolver-ao-atirador-por-260-924198489.asp

quinta-feira, 17 de março de 2011

Estudantes são flagrados com arma dentro de escola estadual no bairro Pirajá

FERNANDO COSTA - 17/03/2011

Três estudantes foram apreendidos na manhã desta quinta-feira (17) depois de levarem um revólver calibre 38 para a sala de aula e ameaçarem um outro aluno de uma escola estadual no bairro Pirajá, localizado na região Nordeste de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Militar, um dos garotos, que teria 15 anos, pegou escondido a arma do pai e levou para o colégio. Enquanto mostrava o revólver para um dos amigos durante uma aula, houve um tiro acidental, que assustou o professor e os outros alunos.

Ainda segundo a polícia, um dos jovens tentou se desfazer da arma jogando-a pela janela no pátio da instituição. Acionada pela diretora da escola, militares do 16º batalhão foram ao local e conseguiram localizar os três suspeitos. Os três rapazes, que confessaram que levaram a arma para assustar um jovem de 16 anos de outra turma, foram encaminhados junto com os responsáveis ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional (CIA-BH).

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=113553

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

NOTÍCIAS

Preso homem que vendia diplomas

Polícia Civil apresentou estelionatário que foi detido com 11 diplomas, após reportagem do SUPER NOTÍCIA
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Publicado no Super Notícia em 10/02/2011
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A reportagem de Rafael Rocha publicada no Super Notícia do dia 27 de janeiro, denunciando a venda de diplomas de ensino médio falsos no centro de Belo Horizonte, foi o pontapé inicial para que a Delegacia de Combate a Crimes Contra o Patrimônio (DCCP) iniciasse uma grande investigação para desbaratar esse esquema criminoso. Ontem, o chefe da DCCP, delegado Islande Batista, apresentou à imprensa Alberto José Macedo, de 60 anos. Ele foi preso, em flagrante, por estelionato, pela equipe da delegada Paloma Boson Kairalá. A prisão aconteceu na última sexta-feira, uma semana após a publicação da matéria.

Macedo é o homem que aparece nas imagens flagradas pelo jornal negociando a venda de um documento do ensino médio, na avenida Santos Dumont, no centro da capital, no mesmo quarteirão de uma delegacia da Polícia Civil. Segundo o delegado, o acusado estava em um bar no bairro Carlos Prates, região Noroeste de Belo Horizonte, portando 11 diplomas falsos quando foi preso. Macedo confessou que venderia os certificados de conclusão do ensino médio para 11 pessoas, que já estão sendo convocadas prestar esclarecimentos. "Com certeza as pessoas cujos nomes estão nesses diplomas pretendiam adquirir os certificados de forma fraudulenta. Se for constatado o delito, podem pegar pena de dois a seis anos de detenção", afirmou Batista.

Ainda segundo o chefe do DCCP, Macedo negou, no entanto, ser o responsável pelas falsificações. Mas a polícia apura essa informação com cuidado. "Pode ser que o próprio Macedo tenha falsificado os diplomas. Ele já responde a inquérito por ter fraudado documento particular (laudos ou declarações de próprio punho) em 2004. Já pedimos à Justiça que informe qual tipo de documento foi fraudado por Macedo", informou. Se ficar provado que Macedo também seria responsável pelas falsificações, ele será indiciado por dois crimes. "Por estelionato, cuja pena é de um a cinco anos, e por falsificar documento público, cuja pena é de dois a seis anos. Neste caso, ele pode ter a pena aumentada", explicou.

Ramificações

A Polícia Civil não descarta a possibilidade de Macedo fazer parte de uma quadrilha de estelionatários. Segundo o delegado Islande Batista, os investigadores apuram o nome de um homem apontado por Alberto José Macedo como o responsável pelas falsificações.

"Macedo disse que o falsificador ficava com R$ 150. Ele só receberia os R$5 0 restantes", informou Batista. Mas o nome desse suspeito está sendo mantido em sigilo para não prejudicar as investigações.

"Investigamos ainda uma loja que pode estar participando do esquema. A princípio, não há indícios de participação das escolas cujos diplomas foram falsificados. Mas ainda é cedo para descartarmos qualquer possibilidade", informou.

O documento adquirido pela reportagem do Super foi entregue à Polícia Civil e uma cópia foi enviada à Secretaria de Estado de Educação (SEE). Segundo a polícia, os investigadores da DCCP estão apurando pelo menos 50 casos envolvendo fraudes de diplomas.

"Quem vai me empregar?"
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De costas, com o rosto tampado pelas mãos, Alberto José Macedo mal escondia as lágrimas, ontem à tarde, ao ser apresentado à imprensa. Questionado pelos jornalistas, ele negou ter falsificado o diploma que vendeu à reportagem. Alberto falou pouco, mas contou ter ficado sabendo da reportagem que denunciou o esquema ilegal do qual ele participava. "Não quis ler". Perguntado sobre o motivo pelo qual praticava a fraude, Macedo limitou-se a dizer: "Sou um homem de 60 anos. Quem vai me empregar?"

A Delegacia de Combate a Crimes Contra o Patrimônio investiga também denúncias de falsificação de diplomas de ensino médio de candidatos a concursos das polícias Militar e Civil. De acordo com o delegado Islande Batista, os responsáveis pelos processos seletivos das corporações conferem se os candidatos realmente estudaram nas instituições que assinam os certificados. "Quando há alguma incorreção, abre-se o inquérito", afirmou. Batista aconselha desconfiar de certificados feitos em folhas sem marca d´água ou sem os fios que aparecem quando o diploma é colocado sob a luz. "Há casos de diplomas que até apresentam erros de português", disse. (MSi)
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