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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Justiça anula 13 questões do exame no país


BRASÍLIA E FORTALEZA. Os mais de quatro milhões de candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio foram surpreendidos, ontem à noite, com a decisão do juiz federal substituto Luiz Praxedes Vieira, da 1ª Vara do Ceará, de anular 13 questões do Enem que foram antecipadas num simulado do Colégio Christus, de Fortaleza.

O pedido de invalidação das questões ou do exame como um todo havia sido feito pelo Ministério Público Federal (MPF) do estado. O Ministério da Educação (MEC) informou que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife (PE), contra a decisão do juiz.

Para o MEC, a liminar foi "excessiva e desproporcional". Segundo a assessoria de Imprensa do ministério, "a decisão dá a impressão de que o crime compensa".  A decisão do juiz foi tomada mesmo após uma reunião, ontem de manhã, com a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), Malvina Tuttman.

Na ocasião, ela apresentou as alegações para que não houvesse o anulação das questões ou do exame para todo país. A alternativa defendida pelo MEC é que só os 639 alunos do Colégio Christus devem refazer a prova.

Pontuação será baseada nas outras 167 questões
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 Em seu parecer, o juiz afirma que a antecipação das questões para alunos do Colégio Christus fere "o princípio constitucional da isonomia e da segurança jurídica".

Segundo a liminar, a pontuação de todos os candidatos será dada com base nas outras 167 questões não anuladas e na redação, de acordo com a Teoria da Resposta ao Item (TRI) adotada pelo certame. Foram anuladas as questões 32, 33, 34, 46, 50, 57, 74 e 87, do primeiro dia de provas, e 113, 141, 154, 173 e 180, do segundo dia. A numeração tem como base o caderno amarelo de questões.

Em entrevista coletiva realizada no Banco Central de Fortaleza, ontem à tarde, Malvina havia defendido que apenas os 639 estudantes do colégio Christus refizessem o Enem. No entanto, ela admitiu, pela primeira vez, que 320 alunos do curso pré-vestibular do colégio também poderiam ter suas provas anuladas. Isso ocorreria caso a Polícia Federal conclua que eles também tiveram acesso às questões do exame antecipadamente.

Ela informou ainda que, se fosse comprovada a intenção de copiar as questões, o colégio teria que pagar R$45 por cada estudante que refizesse as provas.  A professora que, na cidade, esteve também com os delegados da PF responsáveis pela investigação, fez questão de ressaltar que a decisão do MEC não se tratava de perseguição aos estudantes do Christus.

Ela alegou que a decisão teve embasamento técnico e pedagógico e seguiu as práticas adotadas no mundo inteiro. Foi a primeira coletiva dada pela presidente do Inep desde que os problemas vieram à tona, há uma semana.

- Não queremos punir os estudantes do Colégio Christus, pois temos certeza de que eles não tiveram nenhum envolvimento. Por isso, estamos oferecendo a eles a possibilidade de refazer a prova, sem custos. Do mesmo jeito que procedem os organizadores de exames similares em todo o mundo - disse Malvina, horas antes de saber da decisão do juiz.

No encontro com o juiz Praxedes, a professora argumentou que não há convicção de que as questões presentes nas apostilas da escola vazaram para candidatos de fora do colégio. Ela foi ao encontro acompanhada por dois procuradores da Advocacia-Geral da União (AGU) e já havia antecipado que o MEC recorreria ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife, se a decisão fosse desfavorável.

- A questão não se localiza no Enem. Não houve vazamento nas provas. A questão é sobre que valores éticos as nossas escolas estão desenvolvendo com nossos alunos.

É uma competição que não é salutar para o aluno, que não tem nenhum benefício com isso. Alguém pegou dois dos 32 cadernos do pré-teste e os utilizou em um material da escola - afirmou a professora, acrescentando que estava confiante na decisão do juiz.  Entre o fim da manhã e o início da tarde, três estudantes que participaram de uma manifestação foram recebidos pelo juiz Praxedes. Segundo, Ivone Gonçalves, de 17 anos, aluna do Colégio Ari de Sá, o magistrado pareceu tender a acatar o pedido do MPF:

- Ele também achou que não há uma garantia de que as questões tenham vazado apenas para os alunos do Colégio Christus - disse a estudante.

 Fonte: O Globo (RJ)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Polêmica envolvendo questões do Enem chega a Minas Gerais


Por Júlia Correia

Mais uma polêmica envolvendo o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) veio à tona nesta sexta-feira (28) – e, desta vez, a protagonista é uma instituição mineira. Considerada uma das escolas mais conceituadas do Brasil, o Colégio e Pré-vestibular Bernoulli, de Belo Horizonte, aplicou em um simulado, em setembro, um exercício muito semelhante a uma questão do Enem. Tanto o Bernoulli, quanto o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação (MEC), negam o vazamento.

O teste do Bernoulli traz uma questão com o desenho de medidores de energia elétrica idêntico ao de um exercício da prova nacional. Mas a linha de raciocínio exigida para a solução é diferente. Em nota, o colégio garantiu que tudo não passou de uma coincidência e negou pertencer à equipe que fornece itens ao Inep. O Bernoulli afirma que a questão que aplicou é muito mais complexa que a elaborada pelo MEC. Alega também que seus alunos tiveram que interpretar o enunciado e, depois, usar conhecimentos de Física para calcular o tempo que um chuveiro poderia ficar ligado usando a energia expressa pela diferença de leituras do relógio.

“O item do Enem teve aplicação meramente matemática, de leitura numérica; já o item do Bernoulli figurou na prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, cobrando do aluno a leitura do relógio e a resolução de um problema proposto”, diz a nota do colégio.

O MEC informou que especialistas analisaram as duas questões e constataram que houve somente uma coincidência. De acordo com a assessoria do ministério, não será aberta uma investigação porque as provas seriam apenas semelhantes. Para a professora Maria Auxiliadora Monteiro, de pós-graduação em Educação da PUC Minas, o Enem traz questões muito bem elaboradas. “O teste tem a capacidade de avaliar os alunos. Mas precisamos reconhecer que virou um megaexame, o que o fez fugir do controle dos organizadores”, explica.

Maria Auxiliadora acredita que a falha será resolvida em 2012, com a aplicação de duas versões da prova. “O Enem será dado duas vezes no ano. Logo, o número de alunos vai cair pela metade em cada aplicação, o que facilitará o controle sobre o processo”. Diante das confusões, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) protocolou ontem no Ministério Público Federal um pedido de cancelamento do Enem. Também requer, por meio de liminar, que o resultado do teste não seja liberado.

O presidente do Sinep-MG, Emiro Barbini, entende que o MEC só deve divulgar as notas após decidir se vai validar a prova. “Se o resultado sair e depois for cancelado, nossos alunos, que sonham entrar para uma faculdade, ficarão frustrados”, justifica.

Fonte: Hoje em Dia (MG)

Enemmmmmmmmm de novo!

Inep tem 72 horas para explicar à justiça o vazamento das questões do Enem para escola no CE



A Justiça Federal no Ceará deu prazo de 72 horas ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para que se manifeste sobre o pedido do Ministério Público Federal no estado de anulação total ou parcial das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aplicadas no último fim de semana.

O MPF-CE propôs na quinta-feira (27) uma ação civil pública pedindo que o Enem fosse cancelado ou que as questões que vazaram na fase de pré-teste do exame por meio de apostila distribuído pelo Colégio Christus, de Fortaleza, fossem anuladas. O juiz federal Luiz Praxedes Viera da Silva só se manifestará após o prazo estipulado, que termina na manhã de segunda-feira (31). O pedido de anulação foi feito após a notícia de que estudantes do colégio cearense receberam uma apostila, semanas antes da prova do Enem, com 14 questões idênticas às do exame nacional. Os itens fizeram parte de um pré-teste do Enem, do qual alunos do Christus participaram em outubro de 2010. De acordo com o procurador, como os alunos tiveram acesso antecipado às questões, o exame deveria ser anulado porque houve violação do princípio da isonomia. O pré-teste é feito pelo Inep para avaliar se as questões em análise são válidas e qual é o grau de dificuldade de cada uma. Os cadernos de questões do pré-teste deveriam ter sido devolvidos após a aplicação e incinerados pelo Inep. A Polícia Federal investiga se houve fraude na aplicação do pré-teste. O Ministério da Educação decidiu cancelar as provas do Enem dos alunos do Christus. Eles terão uma nova chance de fazer o exame no fim de novembro.

Fonte: O tempo (MG)