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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Aluno barrado por usar guias de candomblé muda de escola

Por Athos Moura e Vania Cunha
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Rio - Um aluno da Rede Municipal de Ensino teve que trocar de escola depois de ter sido, segundo sua família, impedido de frequentar as aulas por usar guias de candomblé sob o uniforme. X., de 12 anos, adotou a religião há cerca de dois meses. Como parte de sua iniciação, tinha que usar as guias durante três meses. Mas, segundo sua família, a diretora teria proibido o menino de entrar na unidade.
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X. já não ia à Escola Municipal Francisco Campos, no Grajaú, há mais de um mês. Isto ocorria, segundo afirma a mãe dele, Rita de Cássia, porque a diretora havia avisado que não permitiria a presença dele usando guias ou quaisquer outros trajes característicos do candomblé.
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No dia 25 de agosto, o menino tentou voltar a frequentar as aulas, mas teria sido impedido, segundo a família. Com as guias por baixo da camisa do uniforme, além de bermuda e boné brancos, ele teria sido proibido de entrar na escola pela diretora. A alegação dela, segundo a família, foi de que X. estava usando roupas fora do padrão adequado.
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O estudante, de 12 anos, tem que usar a guia de candomblé como parte de sua iniciação religiosa. Ele teve que deixar de ir às aulas durante um mês, segundo contou sua mãe.
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Foto: José Pedro Monteiro / Agência O Dia
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A mãe do estudante disse que tinha conhecimento apenas de que o uso da camisa com o logotipo da prefeitura seria obrigatório. Segundo Rita de Cássia, outros alunos usavam boné, bermudas e calças de outras cores, além de tênis coloridos no dia em que o filho foi barrado: “A diretora colocou a mão no peito do meu filho e disse que ele não entraria com as guias, que estavam por baixo da camisa”. A diretora foi procurada pela reportagem, mas na escola informaram que o contato teria que ser feito com a Secretaria Municipal de Educação. A pasta limitou-se a explicar que a diretora, cujo nome não foi informado, alegou que houve um “mal entendido”.
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Para o cientista social Paulo Jorge Ribeiro, da Uerj, a atitude seria válida se símbolos de outras religiões também fossem proibidos. “A grande questão não é se a escola permite ou não o uso de guias de candomblé, mas como a sociedade vai criar mecanismos para que todos os símbolos religiosos sejam expressos de forma igualitária”, disse o professor.
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Para o pastor Marcos Gladstone, fundador da Igreja Cristã Contemporânea, a proibição pode ter sido motivada por regras da escola, como as que restringem o uso de acessórios: “Se for assim não vejo problema. Mas se foi por motivo religiosos, acredito que a escola deve ser laica e respeitar o credo de cada um”. O Padre Lincoln Gonçalves, da Igreja de São Cosme e São Damião, no Andaraí, diz que o Estado laico tem a missão de preservar a fé. “A atitude que se vê nesse caso é muito mais de um Estado intolerante e ateu, que quer coibir os símbolos da fé. A Constituição determina que o Estado seja laico, e não ateu”.
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Choro e constrangimento
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Na tarde desta segunda-feira, o menino começou a frequentar outra escola municipal no Grajaú, sem ser incomodado por causa de suas guias e bermuda branca. A mãe dele afirma que X. ficou envergonhado e não quis mais estudar na antiga escola: ele se sentiu “julgado” pelos colegas e responsáveis que estavam no portão da escola quando foi proibido de entrar. Segundo a mãe, X. chegou a ficar três dias com febre e chorou copiosamente. O pai de santo Rafael Aguiar contou que após ser iniciado no candomblé, a pessoa, além de não poder pegar sol, precisa usar roupas claras, tapar a cabeça e usar as guias por um período de três meses: “A religião tem o seu simbolismo e suas ações, que precisam ser respeitadas”.
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Burca e véu são proibidos em escolas da França por vários motivos
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Proibições polêmicas pelo mundo
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Na França, véus e burcas causam polêmica desde que uma lei — decretada em 2010 mas que só entrou em vigor em abril de 2011 — vetou o uso dessas peças em espaços públicos e na rua. Em caso de desobediência, a pessoa pode ser multada em até 150 euros. Muita gente foi contra, considerando que o decreto estigmatizava as pessoas. Para defender a lei, o governo alegou a preservação da liberdade e do direito da mulher, a manutenção do Estado Laico e medida de segurança, para evitar que terroristas usem as vestimentas para não serem identificados. Em julho, a Corte Europeia de Direitos Humanos decidiu que o decreto francês é válido. Antes da decisão francesa, as vestimentas foram motivo de divergências no mundo. Em 2004, a jovem muçulmana Cennet Doganay, à época com 15 anos, raspou a cabeça em sinal de protesto por ter sido impedida de frequentar as aulas na França de véu. Ela tirou a peça, mas cortou os cabelos. Já no Brasil, outra jovem muçulmana teve problemas para renovar a carteira de motorista porque compareceu à prova teórica usando o véu. Ela registrou o caso na delegacia.
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Colaboraram Gustavo Ribeiro e Maria Luísa Barros
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Programa busca romper com bullying a crianças com diabetes

São Paulo. A educadora Lisandra Paes, 41, já perdeu as contas das vezes que teve a matrícula da filha de 17 anos e portadora de diabetes recusada em escolas públicas e privadas de São Paulo. Episódios de preconceito, bullying e falta de conhecimento de profissionais e alunos, associados ao crescente aumento dos casos da doença em todo o país, fizeram com que o Brasil fosse, ao lado da Índia, um dos escolhidos para receber o programa KiDS (abreviação de Crianças e o Diabetes nas Escolas, em inglês). Entre os dez países com o maior índice da doença, o país asiático está em segundo lugar, e o Brasil, em quarto.
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O programa piloto foi lançado nesta terça, em São Paulo, com o objetivo de selecionar, até o fim do ano, 15 escolas públicas e privadas brasileiras (13 em São Paulo e duas no Ceará) para ser capacitadas a lidar com crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos portadores da doença. “O diabetes pode ser controlado, porém, devido à falta de conhecimento, com frequência, as crianças diabéticas acabam sofrendo com algum estigma, isolamento. Precisamos fazer alguma coisa para prevenir a discriminação que vem associada a um quadro de saúde”, explica o especialista em educação da Federação Internacional de Diabetes (IDF), David Chaney.
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“Muitas mães de amigas proibiam as meninas de falar comigo ou elas mesmas faziam essa escolha porque achavam que o diabetes ia ser contagioso, ia pegar por toque ou tosse”, lembra a estudante Stella Sadocco, 17. Segundo a mãe da garota, as dificuldades são as mesmas nas escolas públicas e privadas. “Eles não falam que não querem sua filha, mas impõem uma série de exigências”, lembra Lisandra.
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Projeto. O programa KiDS conta com um pacote educativo com quatro módulos, um para cada tipo de público: escola, alunos, familiares e familiares de alunos com diabetes. Para serem escolhidas, as escolas devem obedecer a alguns critérios, como a quantidade de alunos. Em seguida, são realizados encontros para sensibilização e orientação, a distribuição do dossiê e, por fim, os treinamentos. No fim do programa algumas instituições serão reavaliadas. “São palestras interativas, quiz de perguntas e respostas, prática de atividade física e treinamento”, explica Denise franco, diretora da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ Brasil).
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Lisandra também é coordenadora pedagógica na escola municipal de ensino fundamental e médio Derville Allegretti, em São Paulo, e, após a implantação do projeto, já percebeu os resultados. “No dia seguinte um dos professores conseguiu identificar uma aluna que não tinha relatado a doença porque tinha medo do preconceito. A educação traz resultados imediatos”.
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Online. Como o programa não conseguirá atender a todas as 200 mil escolas e 52 milhões de alunos no país, o kit ficará disponível para download .
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Iniciativa
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Parceiros. O programa é uma parceria entre a Sanofi, a IDF, a ADJ Brasil e conta com o apoio do Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Diabetes e da Sociedade Brasileira de Pediatria.
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Diferenças
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Diabetes tipo 1 (10% dos casos): doença autoimune caracterizada pela falta de produção de insulina (hormônio que regula o açúcar no sangue) pelo pâncreas. Mais comum em crianças e adultos jovens até 40 anos.
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Diabetes tipo 2: ocorre a produção insuficiente de insulina. Mais comum em adultos, além de crianças e adolescentes, devido ao aumento da obesidade, por exemplo.
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Fonte: O Tempo (MG) - http://www.otempo.com.br/interessa/programa-busca-romper-com-bullying-a-crian%C3%A7as-com-diabetes-1.895124

terça-feira, 29 de julho de 2014

Campanha de combate ao bullying nas escolas

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A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados pretende obrigar as Escolas brasileiras a realizar campanhas contra o bullying.
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A proposta, aprovada na última quarta-feira pela Comissão, é que sejam realizadas ações anuais, com duração de uma semana em todos os estabelecimentos do Ensino fundamental e Médio do País. Se aprovada nos trâmites seguintes — como a Comissão de Constituição e Justiça —, a campanha começaria na primeira quinzena de abril de 2015. De acordo com a proposta, caracteriza-se como bullying qualquer prática de violência física ou psicológica, intencional e repetitiva, que ocorra sem motivação evidente, praticada por um indivíduo ou grupo de indivíduos, contra uma ou mais pessoas.
A prática deve ainda ter como objetivo intimidar, agredir fisicamente, isolar, humilhar, ou ambos, causando dano emocional ou físico à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. "O termo bullying designa os atos de violência física ou psicológica, intencionais e praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa incapaz de se defender", esclareceu o Professor e psicólogo Breno Rosostolato.
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Pela proposta, a campanha será feita por meio do esclarecimento dos aspectos legais, sociais, psicológicos e éticos que envolvem a prática e o desenvolvimento de atividades educacionais e informativas, para conscientização de suas causas e consequências. Para o Professor, o papel da Escola também é fundamental, pois é necessário, além de identificar os autores, intervir imediatamente se houver esse tipo de agressão gratuita. "Quanto mais cedo for identificado, mais eficazes serão os métodos de intervenção contra o ciclo conflituoso. A Escola deve ainda convocar uma reunião com os pais dos Alunos envolvidos", orienta Breno.
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O Professor alerta ainda que o combate ao bullying não depende apenas das Escolas. Para ele, a atenção dos pais é essencial para identificar se o filho está sofrendo bullying na Escola. Para se caracterizar o bullying, as agressões devem ser frequentes, a criança passa por situações que causam dor ou sofrimento todos os dias. "Desculpas para não ir à Escola, choro, ansiedade e agitação são os sinais mais evidentes de que a criança está passando por dificuldades", afirma ele.
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sábado, 11 de maio de 2013

Educação aprova medidas para combater o bullying

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A Comissão de Educação aprovou ontem (8) proposta que obriga escolas, clubes, agremiações esportivas e estabelecimentos similares a adotar políticas de combate ao bullying. Além de definir essa prática, o texto enumera as ações destinadas a diagnosticar e solucionar o problema.
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O texto aprovado é o substitutivo do relator, deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), ao Projeto de Lei 1785/11, do Senado. Wyllys adotou como base o texto da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, que já havia incorporado sugestões dos 12 projetos apensados à proposta original na Câmara. A primeira proposta apenas obriga as escolas a promover um ambiente escolar seguro, adotando estratégias antibullying.
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Conceito de bullying
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Em seu projeto, Jean Wyllys altera o conceito de bullying. Para ser caracterizada como tal a agressão deve ser intencional, praticada entre pares, em relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.
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De acordo com o deputado, esses são os elementos necessários à definição da prática aceita em trabalhos acadêmicos. Para o relator, essa definição clara é importante “para evitar a banalização do conceito, que ocorre atualmente”. Além de apresentar essas características, o bullying ainda é definido como prática de violência física ou psicológica praticada por indivíduo ou grupo contra uma ou mais pessoas com o objetivo de intimidar, agredir fisicamente, isolar, humilhar causando dano moral ou físico à vítima.
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Trote
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O texto aprovado na Comissão de Segurança Pública inclui o trote entre as práticas consideradas bullying. Jean Wyllys, no entanto, determina que se inclua na prática somente a agressão constante, mesmo após o rito de iniciação, contra uma vítima específica. A alteração também visa adaptar o conceito à definição acadêmica vigente.
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Na versão do relator, as providências contra o bullying deverão ser adotadas pelo sistema de ensino. Para o deputado, “parece invasivo obrigar cada instituição a ter uma equipe multidisciplinar para tratar da questão”, como prevê a versão da Comissão de Segurança.
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Ações
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Para combater o bullying, a proposta determina que as instituições previstas criem grupos de apoio para estudar o fenômeno e atender às vítimas. As instituições também devem evitar punir os agressores, mas adotar práticas de reintegração das duas partes. Pela proposta, os estabelecimentos ficam obrigados a adotar medidas como: criar programas de capacitação dos funcionários para a prevenção e solução de casos de bullying, além de incluir em seu projeto pedagógico medidas de conscientização, prevenção e combate à prática.
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As entidades ainda serão obrigadas a comunicar os casos de agressões previstos aos conselhos tutelares. Caberá às secretarias de educação fiscalizar o cumprimento da lei.
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Tramitação
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Em regime de prioridade, a proposta segue para análise conclusiva das comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. 
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Fonte: Agência Câmara / Todos pela Educação (on line) - 09 de maio de 2013

sábado, 13 de abril de 2013

Cartilha contra o bullying

Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais distribui 185 mil cartilhas sobre violência entre os alunos.

Da redação com assessorias Publicação:09/04/2013
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 (SXC)
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Com o objetivo de diminuir a incidência do chamado "bullying" nas escolas, ou seja, as típicas cenas de violência entre alunos, incluindo as verbais, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG) distribui, no início de abril, uma cartilha sobre esse tema nas instituições privadas do Estado.
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A previsão de é de entregar 185 mil exemplares do material para as 670 escolas associadas, que vão da educação infantil à universidade. Na cartilha, o Sinep orienta diretores e equipe pedagógica das instituições particulares sobre o que é o bullying e o cyberbullying (principalmente através de redes sociais), como identificar, enfrentar o problema e lançar estratégias psicopedagógicas de educação para a paz.
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Segundo o presidente do Sinep, Emiro Barbini, a crise ou ausência de valores humanos tem conduzido o homem ao caminho da intolerância, do preconceito, do desrespeito e da violência. “A escola tem um papel fundamental na conscientização e redução dos índices de violência entre os alunos. A educação para a paz tem emergido como sentido da humanidade e da finalidade da educação”.
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Pesquisa do IBGE divulgada em 2010 apontou Belo Horizonte como a segunda capital com maior índice de bullying dentro das instituições de ensino:  35,3% dos estudantes disseram sofrer agressões dentro do ambiente escolar. As escolas que não receberem a cartilha por correio podem solicitar o material gratuitamente através do email sinepe@sinepe-mg.org.br.
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Conheça e leia a cartilha:
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terça-feira, 23 de outubro de 2012

A vitória contra o bullying nas escolas

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Erika de Souza Bueno*
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O bullying não é coisa da idade. É coisa de crianças, adolescentes e jovens muito malpreparados para a vida. São nossos alunos e, mesmo que tentemos negar, podem também ser um de nossos filhos. Estão na “flor da idade”, têm a força e a vitalidade próprias da juventude. Contudo, são pessoas que não sabem empregar tais características para o bem, envolvendo-se em atividades para “aproveitar melhor a vida”.
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Mal sabem elas que existem formas mais eficazes de se viver, por mais que os meios de comunicação, inúmeras vezes, enalteçam o mal, o erro e a consequente violência. Agindo violentamente sem nenhuma resposta satisfatória, acreditam mesmo que podem assim viver sem maiores consequências. Afinal, aprenderam que a violência seria o meio mais rápido de conseguir o que querem. Só não aprenderam ainda que tudo o que vem fácil vai embora tão repentinamente como a nuvem da manhã que parece não encontrar mais espaço para ela.
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Os vilões dessa história já tiveram sua consciência vitimada por conceitos impróprios a uma vida em sociedade. Eles escolhem a vítima entre aqueles que deveriam estar sob nossa proteção, talvez porque, ao desafiar nossos filhos e alunos, estão, na realidade, desafiando também a nós. Não adianta negar, a verdade pode ser facilmente comprovada por qualquer pessoa que assim tiver algum interesse. Eles agem contra os princípios, contra a moral, contra qualquer intenção de se estabelecer a ordem. É ingenuidade pensar que o bullying é simplesmente um ataque pessoal a alguma pessoa, pois as razões para que ele aconteça vão muito além disso.
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O bullying é um ataque contra todas as pessoas que estabelecem princípios e que pensam a ordem de algum lugar de convivência comum. É por isso que qualquer tentativa isolada de vencê-lo em nossas escolas pode estar fadada ao fracasso e à frustração. Ora, se a luta do praticante do bullying é contra o sistema e as leis e princípios de algum lugar (nossa casa, escola ou sociedade), o combate tem que contar com mais agentes dispostos a vencer por meio do bem. Sozinha, a família pode ver-se tão intimidada quanto a própria vítima do bullying. Unida à escola, que, por sua vez, precisa ser amparada por outras pessoas que querem a paz dentro de seus muros, a família ganha força, apoio e esperança de vencer esse terrível mal.
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Muito além da união, encontramos a unidade. Esta é evidenciada por atitudes em consonância com pensamentos e objetivos que almejam, de igual modo, a paz. Somente essas características podem ser capazes de, enfim, vencer a luta contra o mal conhecido como bullying. Por mais dura que seja a batalha contra essa prática (não simplesmente contra o praticante), os benefícios da vitória são compensadores.
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A vitória, certamente, permitirá que nossas crianças, adolescentes e jovens passem a valorizar o bem, entendendo-o, de fato, como o melhor caminho a ser seguido.
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* Erika de Souza Bueno, coordenadora pedagógica do Planeta Educação e Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br), é professora e consultora de Língua Portuguesa.
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Fonte: Jornal do Brasil

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Professora cria remédio contra bullying em escola da periferia

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Foto de: Marcelo Camargo/ABr
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SÃO PAULO – Quando adolescente, a professora Deyse da Silva Sobrino media 1,72 metro e pesava 45 quilos. A garota alta e magra sofria quando era chamada pelos colegas de “pau de catar balão” e “vareta de bilhar”. Na época, o termo bullying ainda não existia, mas a prática de criar apelidos maldosos e agredir de forma física ou verbal já fazia parte do cotidiano das escolas.
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Atualmente, Deyse tem 60 anos e três formações: biologia, pedagogia e direito. Ela dá aulas há 42 anos e tenta passar aos seus alunos ensinamentos que vão além da informática que ministra na Escola Municipal de Ensino Fundamental José Bonifácio, localizada na zona leste, periferia da capital paulista. “Isso [o bullying] nunca me afetou. Eu estava bem comigo mesma. É isso que tento passar ao aluno, que se sinta bem com ele mesmo”.
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Andresson Silva, 13 anos, estudante do 8º ano, seguiu o conselho da professora Deyse. O menino tem um grau de deficiência visual e, por usar óculos, recebia apelidos maldosos dos outros meninos. “Era muito ruim. Todo dia chegavam com uma brincadeira de maldade. Eles me pegavam, jogavam no chão, empurravam, me batiam, xingavam. Pegavam meus óculos e jogavam no chão. Eu não suportava a pressão”. Ele conta que tem poucos amigos e sofreu bullying desde os 5 anos de idade. Por medo, Andresson evitava o assunto com os pais, mas encontrou apoio na professora que já viveu o mesmo problema.
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“O aluno vêm me contar seus segredos e não conto a ninguém. Se ele confiou em mim, por que vou contar para os outros? Esse relacionamento de professor e aluno é a base. Se não tiver isso, não há diálogo, não existe amizade”, disse a professora.
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Mas a grande mudança para Andresson e os outros alunos, que têm entre 5 e 17 anos, veio em 2010, quando Deyse decidiu tomar uma atitude contra o bullying em toda a escola. Ela distribuiu um questionário anônimo para uma parte dos estudantes (309 alunos) contendo perguntas como: você já sofreu bullying? Já praticou? Já viu alguém praticando?
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O resultado surpreendeu a professora, que leciona na José Bonifácio há 15 anos: 70% dos alunos já presenciaram a prática, 44,5% já foram vítimas, 38,5% admitiram ter praticado bullying alguma vez na vida e 9,7% praticam constantemente. Os ambientes escolares onde o bullying esteve mais presente foram o pátio e a sala de aula.  Para reverter essa situação, a professora criou um medicamento fictício com a ajuda dos alunos, chamado Sitocol. Sob o slogan “Tomou o Sitocol hoje?”, o remédio tem uma bula, escrita de forma coletiva entre os alunos. “Ele age no organismo produzindo consciência, modificando a maneira de agir das pessoas, o sentimento. Se usado em excesso, o Sitocol vai fazer rir muito e ter muita felicidade”, destacou a professora.
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Com a campanha, a redução da prática do bullying na escola foi considerável. Em média, 700 alunos têm recebido, por ano, as orientações da professora Deyse, distribuídas por 21 turmas. Ela planeja reaplicar o questionário entre os alunos no próximo ano, mas relata que a melhora na atitude deles pode ser vista pelos corredores da instituição. “Antes, quando a gente subia a escadaria eu via os alunos grandes pegando os pequenos pelos braços e arrastando pelo corredor, com ar de poderosos. O outro esperneava de vergonha. E eu mandava soltar. Mas isso era frequente”. A professora presenciava também outras situações humilhantes vividas por vítimas de bullying. Certa vez, um aluno jogou o conteúdo da mochila de um colega no pátio da escola. Os alunos que passavam naquele momento ajudavam a chutar os pertences, que se espalharam pelo chão. Deyse ajudou a vítima a recolher todo o material. “Eu não me conformava com essas coisas. Resolvi fazer esse trabalho tendo em vista essas ocorrências, que me deixavam desesperada”.
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A aluna Pamela da Silva Bonfim, 11 anos, do 6º ano, que antes ouvia xingamentos e até apanhava, conta que agora vive de outra forma. “Antes, eu ia para a minha cama, começava a chorar. Agora esses apelidos não influenciam em nada. Eles me chamavam de baixinha e tenho esse apelido até hoje, mas não me importo”. Ao ser apelidada de sem dente, a estudante Ana Paula Prazeres de Ornelas, 11 anos, do 6º ano, mostrou confiança ao enfrentar situação parecida. “Desde o ano passado, começaram a me chamar de sem dente. Eu falo para as pessoas que me xingam que isso não me incomoda, que não vou ficar sofrendo por causa delas. Eles dizem que fazem isso por diversão, mas não acho que seja divertido fazer as outras pessoas sofrerem”.
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Fonte: Fernanda Cruz - Agência Brasil / Hoje em Dia (MG)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Banda ajuda a combater bullying e drogas nas escolas de SP

Músicos já conversaram com mais de 160 mil estudantes de todo o estado. Ideia do show é mostrar que rock combina com Educação e respeito
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A banda de rock Ex4 ajuda a combater o bullying e as drogas em escolas estaduais e municipais há quatro anos. Os músicos já conversaram com mais de 160 mil estudantes de todo o estado de São Paulo.
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Apesar do rock ser considerado rebelde e transgressor, a ideia do show é mostrar que o rock também combina com educação e respeito. Entre uma música e outra, há uma parada para falar de ao bullying, drogas e preconceito. Os integrantes fizeram um treinamento com a Polícia Militar para abordar esses assuntos, como mostrou a reportagem do Bom Dia São Paulo desta terça-feira (18).
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“Nós acabamos usando a nossa música, a nossa arte, como uma ferramenta de socialização. Estamos plantando uma semente para que esse jovem possa refletir e mudar o país dele como a gente sonha”, disse o guitarrista e vocalista Max Bennett.
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Os alunos se divertem durante as apresentações, que conquistam ainda a simpatia de professores e diretores de escola. “Acho que é um método diferente de passar a mensagem. É uma maneira divertida de conscientizar”, afirma a diretora de escola Elizabeth Maria da Silva Di Santis. Para conhecer mais sobre a iniciativa, visite o site da banda.
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Fonte: G1

ONG paga plástica polêmica a menina vítima de bullying

ONG paga plástica polêmica a menina vítima de bullying
 
Do Portal HD

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Reprodução
Nadia Ilse

 
A estudante Nadia Ilse, de 14 anos, começou uma nova vida em Cumming, no Estado americano da Geórgia. A mudança foi graças a uma ação polêmica da ONG Little Baby Face Foundation, que custeou cirurgia facial da adolescente. A história começou quando Ilse se tornou alvo dos colegas de sala, devido, principalmente, à sua aparência, quando era chamada de ''Dumbo'' por suas orelhas de abano. O bullying era tão nocivo à autoestima da menina que ela chorava dia e noite, chegou até mesmo a pensar em suicídio.
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"Eu me sentia horrível e suja (...) Muitas vezes inventava desculpas para faltar as aulas, como dor de estômago", contou a jovem à imprensa americana. A estudante sofria calada, pois não queria afetar a mãe, que tinha sido demitida havia pouco tempo e que precisava cuidar do irmão, Joshua, de nove anos, que sofre de paralisia cerebral.
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Entretanto, a mãe da garota soube da luta diária da filha e decidiu procurar a Face Foundation, que faz cirurgias gratuitas em crianças que possuem deformações faciais. Atendida por Thomas Romo III, presidente da entidade e chefe do setor de cirurgia plástica facial do hospital Lenox Hill, em Nova York, Nadia foi operada em junho passado.
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A cirurgia, que custou o equivalente a US$ 40 mil (R$ 80 mil), foi feita de graça. Críticas "Quando Nadia chegou aqui, ela tinha deformações faciais graves, como orelhas de abano, além de desnivelamentos no queixo e no nariz", explicou Romo à BBC Brasil. "Eu decidi operá-la não porque ela sofria bullying, mas porque ela apresentava tais deformações", acrescentou.
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"No fim das contas, eu só soube que ela sofria tal tipo de chacota ao conversar com a mãe dela, depois que elas deram entrada no pedido da operação. O bullying, assim, ficou em segundo plano, porque a Nadia tinha problemas que necessitavam de procedimento cirúrgico", afirmou. "Fui criticado porque muitas pessoas desconheciam o processo seletivo e acreditaram que eu havia operado Nadia exclusivamente por causa do bullying", disse.
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O caso de Nadia, que foi apresentado ao público americano através de uma reportagem na rede de TV CNN, lançou um debate no país sobre a melhor resposta a casos de bullying e se, no caso dela, a operação plástica foi mesmo necessária. Vários especialistas argumentam que jovens vítimas de bullying, em vez de recorrer à plástica, deveriam ser ajudados para aprender a lidar com as provocações ou chacotas alheias. Seja como for, segundo Romo, pelo que ouviu recentemente, Nadia está "muito confiante de sua imagem". A menina voltou a usar os cabelos presos, algo que não fazia há muito tempo, por exemplo. Romo destacou que a Little Baby Face Foundation recebe inscrições de crianças com deformidades faciais de todo o mundo. Além de pagar pela cirurgia, a entidade, segundo ele, financia a viagem e os custos relativos à internação dos pacientes selecionados.
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Fonte: Hoje em Dia (MG) 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Professora sugere que pais usem cinta e vara para educar aluno

Do G1
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Os pais de um menino de 12 anos acusam uma professora de português de uma escola municipal de Sumaré (SP) de sugerir o uso de 'cintadas' e 'varadas' como forma de educar o filho. Em um bilhete em papel timbrado da Escola Municipal José de Anchieta, a educadora solicita que os pais conversem com o aluno porque o garoto estaria tendo comportamento inadequadro na sala de aula. Em observação escrita à mão, a professora diz que, caso a conversa não resolvesse, a alternativa seria partir para a agressão. "Quer conversar com o seu filho? Se a conversa não resolver. Acho que umas cintada vai resolver (sic)", escreve a professora.
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O texto tem erros de concordância verbal e termina com outra sugestão. "Esqueça tudo o que esses psicólogos fajutos dizem e parta para as 'varadas'", completa o bilhete. A denúncia e a cópia do documento foram enviadas para o VC no G1. De acordo com os pais, o menino, que está na 5ª série do ensino fundamental, tem dificuldade de aprendizado, diagnosticada há cerca de dois anos.
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O estudante iniciou tratamento com psiquiatras e psicólogos para ajudá-lo nos estudos, o que, de acordo com o garoto, virou motivo de perseguição da professora na sala de aula. "Ela fala que eu preciso tomar remédio, que eu tinha problemas mentais e que nunca vou ser nada na vida", relata o garoto. "Eu achei o bilhete um absurdo. Ela mandou meus pais me agredirem e isso não é adequado para uma professora", completa. Depois de receberam o bilhete no começo deste mês, os pais decidiram fazer uma reclamação formal à diretoria, mas a escola não se posicionou a respeito até sexta-feira (22), de acordo com o pai do estudante. "Chegou em um ponto absurdo. Ela (a professora) tem conturbado ainda mais o andamento escolar dele, que já tem dificuldade de aprendizado. A gente sempre soube que ele tinha dificuldade, mas ele sempre esteve lá, estudando", diz o comerciante André Luis Ferreira Lima.
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Os pais dizem que o filho é vítima de bullying. "Coisas que ela deveria falar em um ambiente particular, ela fala em frente aos alunos. A classe toda pega no pé dele, porque a própria professora fica o ofendendo. Não é porque o aluno tem dificuldade que a professora pode rebaixar alguém na sala de aula", conta André Lima. A mãe do garoto, Lucineide Ferreira Lima, conta que o filho pediu para trocar de escola por causa da postura da professora. "Se ele precisa de ajuda, não é com 'varadas' e 'cintadas' que eu vou fazer isso. A ajuda dos psicólogos e psiquiatras tem sido boa, ele tem melhorado e se sentido bem. E é assim que vamos educá-lo", defende a mãe.
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Em nota, a supervisão da Secretaria Municipal de Educação de Sumaré diz que a direção está tomando as providências administrativas sobre o fato. De acordo com a direção da escola, "a professora enviou o bilhete sem o conhecimento do grupo gestor da escola. A regra diz que todo bilhete deve passar antes pela orientação ou coordenação". Ainda em nota, a secretaria afirma que uma psicóloga conversou com todos os professores da 5ª série, inclusive com a professora que enviou o bilhete, mas alega que desde quinta-feira (21), a mãe do aluno não retorna as ligações da escola. Os pais dizem que passaram todos os números de telefones da família, que foram disponibilizados para o contato. O aluno está frequentando as aulas normalmente. A professora também continua lecionando e ainda não foi afastada da função.
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O G1 tentou conversar com a educadora, mas ela não foi encontrada para falar sobre o assunto.
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terça-feira, 5 de junho de 2012

Vítima de bullying, aluna obrigada a abandonar a escola


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por JHONNY CAZETTA
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O assédio dos colegas e a conduta adotada pela direção de uma escola estadual impedem, há quase quatro meses, que uma adolescente de 15 anos frequente as aulas. Humilhada com as brincadeiras dos colegas diante das crises frequentes de desmaios que passou a ter desde o fim do ano passado, K.P. parou de ir à escola. A gota d’água, segundo a mãe da garota, a lavadeira Nair Pereira Martins, 43, aconteceu em fevereiro último, quando, depois de mais uma crise, ela teria sido orientada pela direção do colégio a não levar mais a adolescente à escola. O caso virou notícia em Capitão Enéas, cidade de pouco mais de 15 mil habitantes no Norte de Minas. A direção da Escola Estadual Norte Mineira nega a acusação e diz desconhecer o bullying.
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Atualmente, a garota tenta acompanhar o conteúdo escolar com a ajuda da única amiga que lhe restou. "Ela (colega) vem aqui. Eu tenho os livros e ela me fala um pouco do conteúdo. Foi a única pessoa que não se afastou de mim. Ela tenta me ajudar, mas não vou conseguir avançar sem o auxílio de professores", diz K.P., chorando. Vinda de uma família simples, a estudante foi ao colégio pela última vez no dia 28 de fevereiro, quando, em mais uma crise, desmaiou na frente dos colegas, no intervalo das aulas. Os médicos ainda não descobriram as causas dos desmaios. K.P está afastada do colégio por orientação médica. "Pedi ao médico um atestado para que ela saísse de lá por um tempo. Fiz isso porque a direção me disse que o problema era meu, e não deles. O problema é que alguns alunos passam em frente a nossa casa e continuam a ofendê-la".
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A menina conta que, desde que passou a sofrer com o problema, tem, em média, duas crises por semana. Em vez do apoio dos colegas, diz, virou alvo de chacotas. "Eles a chamam de louca, de drogada e alguns dizem que o que ela tem é contagioso. Minha filha ficou isolada e seus desmaios só aumentaram com isso", diz a mãe. "O que sabíamos é que ela está com um problema de saúde e tem atestado para isso", disse o vice-diretor do colégio, Renerson Ricardo. Na última crise, apenas uma colega teria ficado ao lado de K.P e não havia professor na sala. "Ela estava caída no chão e com uma amiga do seu lado, sem professor. Os outros alunos a chamavam de bela adormecida e alguns até diziam que iriam dar um beijo nela para ver se ela acordava", contou a costureira Carla Souza, 27, amiga da família.
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Revoltada com a situação, a mãe da menor procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência, na qual relatou a discriminação. "Não consigo acreditar até hoje como pessoas podem zombar desse jeito. Minha filha está com um problema de saúde, mas é uma menina estudiosa e que trata todos com respeito".
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Acompanhamento
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Crise não impede menor de estudar, diz médico
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Mesmo sem causa definida, os desmaios da adolescente não interferem em sua vida escolar, desde que ela seja acompanhada no colégio. "Ela não está saudável, mas com o apoio da escola pode assistir às aulas. É preciso muito apoio nessa hora. Ela não pode ficar isolada", afirmou o médico que acompanha a adolescente, o neurologista Ronaldo Urias Mendonça.
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Ele explicou ainda que é preciso realizar novos exames para identificar a causa das crises. "Na minha opinião, pode ser uma epilepsia por contração tônica, em que o paciente perde a força e cai. É preciso analisar mais, com cuidado e ouvir outros médicos para ter certeza". Ao contrário do que colegas dela teriam dito, o neurologista explicou que a doença não é transmissível. "Ela não pode ficar abandonada. Não se pode zombar de uma doença séria".
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As causas para esse tipo de crise, segundo a presidente da Sociedade Mineira de Neurologia, Rosamaria Peixoto Guimarães, são várias e cada caso tem que ser avaliado individualmente. "O desmaio pode significar uma infinidade de sintomas e cada um deles tem uma série de desdobramentos". (JC)
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Superintendência de ensino vai investigar o caso
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A Secretaria de Estado da Educação (SEE) informou, por meio de sua assessoria, que não tinha tomado conhecimento do caso até ontem e que caberá à Superintendência Regional de Ensino (SRE) investigar a denúncia feita pela mãe da aluna.
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A SEE esclareceu ainda que é contra qualquer forma de agressão, seja verbal ou física. Para a secretaria, "bullying é uma das mais dolorosas formas de discriminação que uma criança ou adolescente pode ter". Segundo a SEE, a orientação repassada para os diretores é que em qualquer denúncia de bullying haja investigação e uma campanha de conscientização com os alunos. A Polícia Civil informou que está investigando o caso e que todos os envolvidos serão ouvidos na delegacia da vizinha Francisco Sá. (JC)

.Minientrevista
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"Eles me chamam de louca, drogada e de nomes ruins." (Aluna - vítima de bullying)
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Quando essa situação começou?.
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Desde o fim do ano passado, quando comecei a desmaiar. Algumas pessoas achavam que eu estava inventando, inclusive professores também. É tudo muito ruim porque isso dura até hoje, quando me gritam aqui, em frente a minha casa.
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O que eles falam ou fazem?.
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Eles me chamam de louca, drogada e de todos os nomes ruins possíveis. É muito triste porque eu não sou nada disso. Eu só preciso tratar do meu problema.
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Como você reage a isso?.
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Fico muito nervosa, choro e até teve situações em que desmaiei. Às vezes, me pergunto que culpa eu tenho por me fazerem isso. Fui escolhida para quê! Para eles, sou uma pessoa de outro mundo.
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E o que você espera agora?.
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Que a justiça seja feita. O que mais quero é ter uma vida normal e voltar a estudar. Quero que as pessoas me tratem com pelo menos dignidade.
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Qual curso você pretende fazer? .
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Meu sonho é poder, quem sabe, estudar medicina. Assim, eu poderia entender melhor o que aconteceu comigo. (JC)
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Minientrevista
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"Ela sempre foi uma boa aluna" (Renerson Ricardo - Vice-diretor)
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A mãe da aluna diz que a estudante está sendo alvo de bullying e a escola não fez nada.
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Já começamos a conversar com os alunos sobre o caso. A gente não tinha conhecimento disso. O que sei é que ela é uma boa aluna e muito inteligente. Vamos prosseguir as conversas para ver se achamos algo de concreto.
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E a versão de que a escola orientou que a aluna só fosse ao colégio em dias de prova?.
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Desconheço. Durante o afastamento, os professores ficaram incumbidos de passar os exercícios. O que posso dizer é que iremos esclarecer tudo. (JC)
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Fonte: O Tempo (MG)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Bullying: um problema que extrapola a lei

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E ducadores, pesquisadores e advogados estão divididos sobre o alcance e a eficácia da criminalização do bullying, proposta pela comissão de juristas que discute o novo Código Penal. Há quem veja um efeito mais psicológico na medida, quem prefira tratar o bullying no âmbito pedagógico e quem acredite que a lei é benéfica, mas insuficiente. O texto, aprovado na terça-feira (29) na penúltima reunião do grupo, tipifica o crime de bullying e prevê pena de um a 4 anos para adultos que o cometerem contra menores. Agora, depende de votação no Congresso.
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Integrante da comissão de juristas, a procuradora de Justiça de São Paulo Luiza Eluf explica que a tipificação do crime de bullying parte do reconhecimento de que essa prática, classificada como intimidação vexatória, é uma conduta que vem ocorrendo com muita frequência em escolas e locais públicos e que uma medida jurídica para proteger desse tipo de agressão se faz necessária:
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— A repercussão prática esperada é que se possam evitar essas situações e que haja uma medida prevista em lei de punição para esse tipo de violência. Se não há previsão na lei, a conduta é impunível. Além disso, existe um papel da lei penal que é mais educativo, de mostrar o que é crime, e uma papel mais preventivo, de inibir essa prática. Eu vejo essa tipificação como um avanço.
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A professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Mirian Paura discorda. Ela acredita que a medida terá efeito limitado, já que a grande maioria dos casos ocorre entre crianças e adolescentes. Para ela, a questão deve ser resolvida sob o ponto de vista educacional, não criminal.
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— O bullying deve ser tratado como uma questão psicológica e pedagógica. Quem o pratica necessita de atenção, assim como as vítimas. Não vejo razões para criminalizar. O caminho para resolver esse problema passa pela conscientização dentro da escola, para que a equipe tenha ferramentas para identificar os casos e agir. As escolas precisam saber o que é o bullying e as formas que ele pode assumir. É importante também discutir os casos que acontecem no colégio com os pais, para que eles tomem conhecimento. Uma medida penal não vai resolver um problema educacional.
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A socióloga Miriam Abramovay, coordenadora de políticas públicas para juventude da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso), concorda e diz que há o risco de “judicializar” problemas que devem ser resolvidos no âmbito da escola. A pesquisadora explica que ainda há um problema semântico na proposta, pois o conceito histórico de bullying trata de violência entre crianças ou jovens da mesma idade.
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— A questão do bullying é complexa. Historicamente, o conceito trata da violência entre pares, então, se há uma diferença de idade significativa, já deixa de ser bullying. Há, portanto, uma questão semântica. É muito perigoso judicializar a educação, porque assim você tira a autoridade das figuras pedagógicas da escola, como os professores e a direção. É como se a escola fosse impotente para lidar com essa questão. É preciso haver uma política para atacar o problema da violência nos colégios como um todo, não só o bullying — afirma Miriam.
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O advogado Danilo Sahione, especialista em direito educacional e com experiência em casos do tipo, é outro que não vê muita utilidade prática para a tipificação do crime de bullying. Para ele, a questão é muito mais complexa para ser definida de uma forma que ele considera simplista.
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— Ao meu ver, essa medida não tem efeito prático nenhum, porque várias situações abrangidas em sua caracterização de bullying já estão previstas no Código Penal. Pior, ao caracterizar a questão do bullying de uma forma simplista, pode-se fazer com que o trabalho preventivo sobre a questão feito nas escolas, pelo Ministério Público e pelo Conselho Tutelar, para identificar aqueles casos que realmente são bullying, seja prejudicado.
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Já o advogado André Pedrosa, especialista em direito processual civil e com experiência em casos de bullying que foram levados à Justiça, acredita que a tipificação do crime de bullying é benéfica pelo efeito psicológico e moral que pode vir a ter, ao mostrar que essa é uma questão que pretende ser levada a sério pela legislação brasileira.
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— Essa questão a gente tem que analisar sob vários aspectos e uma delas é a própria evolução da sociedade. O que há 20 anos era considerado brincadeira, hoje é considerado bullying. Esse é um conceito que muda com o tempo e a legislação tem que acompanhar essas mudanças, ainda que acabe sendo lenta nisso. Parece-me que a intenção de uma medida dessas é mais ter um efeito psicológico e moral que, ao meu ver, acaba sendo benéfico.
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A educadora Tânia Zagury também vê com bons olhos a criminalização da prática para maiores de 18 anos, mas aponta que apenas a via judicial não é suficiente para resolver o problema. Na sua opinião, medidas de prevenção são mais eficientes.
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— Apenas criminalizar o bullying não é adequado. Como só atinge maiores de 18 anos, considero válido porque protege os menores. Mas é necessário um trabalho junto às escolas e às famílias, até porque muitas vezes a prática ultrapassa os muros do colégio e ocorre inclusive na internet. Nem tudo é possível resolver através de leis. É melhor investir na formação do cidadão. O caminho é educar, não punir criminalmente. O bullying, normalmente, é praticado em situações de superioridade física ou numérica e pode destruir a autoestima das crianças e adolescentes — explica Tânia.
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Fonte: O Globo (RJ)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Jusiça condena jovens em bullying


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Em 2011, a Justiça recebeu seis denúncias do tipo. Em duas delas, jovens foram condenados a prestar serviços comunitários. Os outros quatro estão em andamento na Promotoria de Infância
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"Você escolheu apanhar." "Toma cuidado ao andar em 'Higi'." As frases foram escritas por jovens de 12 a 15 anos e extraídas de mensagens em celulares ou murais de redes sociais como o Twitter.
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Mas também constam de uma representação por ato infracional em andamento numa das varas de Infância e Juventude da capital, apresentada pela mãe de uma adolescente de 14 anos que diz ter sido alvo de ofensas e ameaças feitas pelas colegas.
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Casos de bullying -seja virtual como este ou os em que ataques são feitos pessoalmente- têm chegado à Justiça e resultado na condenação de adolescentes.
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Em 2011, a Justiça recebeu seis denúncias do tipo. Em duas delas, jovens foram condenados a prestar serviços comunitários. Os outros quatro estão em andamento na Promotoria de Infância.
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Fonte: Folha de S.Paulo (SP)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ciclo de palestras sobre jovens tem início em escola do Recife

Programa "Escola para Pais e Filhos" tem primeira edição na Iputinga. Serão discutidos temas como alcoolismo, drogas e bullying.
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Fonte: G1.
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A partir desta sexta-feira (23), a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer (Seel), inicia um ciclo de palestras com debates sobre prevenção do alcoolismo, outras drogas e assuntos relacionados aos jovens estudantes. A primeira discussão acontece para os pais de alunos da Escola Municipal da Iputinga, na Zona Oeste do Recife, a partir das 14h. O evento faz parte do programa “Escola para Pais e Filhos”.
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O debate vai acontecer no auditório da 3ª Vara da Infância e da Juventude, no bairro da Boa Vista, no centro da capital pernambucana, com cerca de cinquenta pessoas. Na próxima sexta-feira (30), haverá o debate com os estudantes da mesma escola, no Centro de Formação de Educadores Professor Paulo Freire, na Madalena. A Seel prevê que aconteçam pelo menos dezoito encontros como esses em 2012.
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Os temas discutidos levam em consideração o ambiente familiar e escolar e aborda questões como o alcoolismo, drogas, além de agressividade, bullying, prevenção do abuso e exploração sexual. Este será o primeiro ano em que os estudantes também irão participar das discussões. Até o ano passado, o projeto chamava-se “Escola para Pais”. Por solicitação das mães, que consideraram os temas abordados importantes também para os filhos, as palestras foram ampliadas para os jovens.
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Fonte: Todos pela Educação

quarta-feira, 21 de março de 2012

Comissão do Senado aprova projeto contra bullying nas escolas


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BRASÍLIA - A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou nesta terça-feira (14) um projeto de lei para que os estabelecimentos de ensino, públicos ou privados, adotem estratégias de prevenção e combate a práticas de intimidação e agressão recorrentes entre os integrantes da comunidade escolar, conhecidas como bullying. O texto segue agora para análise da Câmara e poderá fazer parte da Lei de Diretrizes de Bases da Educação (LDB).
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Para o autor do projeto de lei (PLS 228/10), senador Gim Argello (PTB-DF), os efeitos do bullying são deletérios, "causando enorme sofrimento às vítimas". Para ele, essa situação é ainda mais grave quando acontece nas escolas, "por afetar indivíduos de tenra idade, cuja personalidade e sociabilidade estão em desenvolvimento". Em sua justificativa, o senador pelo Distrito Federal lembra que o tema, por ser recente, ainda não está previsto na LDB. Para ele, a abordagem nas escolas é necessária, pois o bullying se manifesta de formas diversas, que incluem insultos, intimidações, apelidos pejorativos, humilhações, amedrontamentos, isolamento, assédio moral e também violência física.
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- Julgamos que essa abordagem seja mais adequada, pois evita a padronização das medidas a serem adotadas - as quais devem ser definidas de acordo com a realidade vivida em cada escola -, além de contornar o risco de tipificar condutas já tratadas no arcabouço jurídico competente, de forma mais genérica - explicou Gim Argello.
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Para o relator, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o projeto vem "em boa hora". Em seu relatório, ele sugere algumas providências a serem adotadas pelas escolas, mas pondera que, por se tratar de uma lei geral, válida para todos os sistemas de ensino, não seria adequado descer a detalhes.
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Entre as sugestões apresentadas pelo relator, estão a capacitação técnica e pedagógica de todos os profissionais da educação que trabalham nas escolas, incluindo os não docentes; interação entre educadores e pais de alunos; articulação entre gestores educacionais e os encarregados da segurança da cidade e do bairro e ainda conscientização das crianças, adolescentes e jovens sobre as consequências "nefastas desse tipo de comportamento covarde e antissocial".Segundo Ana Amélia Lemos (PP-RS), o projeto é meritório e urgente, pois o bullying é uma "prática lesiva que afeta o desenvolvimento de crianças e adolescentes na fase escolar". Marta Suplicy (PT-SP) lembrou que o bullying é um problema sério e que tem gerado crimes em vários países. Walter Pinheiro (PT-BA) ressaltou a importância de as escolas combaterem esse mal, que traz "vexame e constrangimento" às vítimas.
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Gastos com Educação: Na reunião desta terça, a CE também aprovou a realização de uma audiência pública para apresentar e debater os gastos relativos aos anos de 2009 e 2010 - da União, dos Estados e dos Municípios - com educação nas suas diversas modalidades, com ênfase na educação básica. O autor do requerimento, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), também quer discutir, no debate, a planilha de custos associado ao Plano Nacional de Educação, e a evolução do número total de alunos no sistema de ensino.
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- Queremos entender os números para sabermos se os recursos estão indo para o lugar certo - explicou Cristovam, ao defender a realização da audiência Pública.
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Estudante de 15 anos de colégio gaúcho é agredido por ser gay

A fachada da escola onde estudam o agressor e o aluno agredido (Reprodução da internet)

RIO - Um estudante homossexual de 15 anos do Colégio Estadual Onofre Pires, em Santo Ângelo (RS), está há uma semana sem ir às aulas após ser agredido por um colega de turma. O caso foi registrado como lesão corporal na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) da cidade gaúcha, na última terça-feira (13). De acordo com a Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (SERS), o aluno agressor está suspenso pela direção da escola. O adolescente agredido será transferido para a rede particular de ensino. Ambos são alunos do 1º ano do ensino médio. Na tarde desta terça-feira (20), haverá uma reunião com representantes do colégio, do Ministério Público, da Polícia Civil e do governo estadual.
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Ainda muito abalado, o adolescente agredido disse que passou a sofrer bullying depois que assumiu sua orientação sexual abertamente na Onofre Pires, onde começou a estudar este ano. As provocações verbais culminaram com as agressões físicas na última semana, que o levaram a pensar em suicídio.
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- Ele me deu uma rasteira e me derrubou no chão, começou a me chutar e a me dar socos. Peguei um lápis para me defender, pois ele ameaçou me dar uma facada. Se a diretora da escola não tivesse chegado para me socorrer, talvez isso tivesse acontecido. Tive ferimentos na perna esquerda e nos lábios. A orelha esquerda ficou um pouco deslocada e roxa. Naquela noite, fiquei muito mal e queria me matar. Tentei até cortar meus pulsos. Um dia depois, fui ameaçado de morte por outro colega na rua. Estou com muito medo - relata o estudante.
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Segundo Alejandro Jelvez, coordenador estadual dos comitês de prevenção de violência nas escolas da SERS, a reunião de hoje tem como objetivo examinar o boletim de ocorrência e definir os procedimentos a serem tomados.
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- A escola já chamou o agressor e sua família informando que ele estava suspenso até a próxima quarta-feira (21). Ele está sendo encaminhado a atividades didáticas e pedagógicas para que faça uma reflexão sobre a agressão que cometeu. Também procuramos preservar a exposição desse adolescente agressor para ações que pudessem acontecer por conta do impacto que isso provocou na cidade. Poderia haver algum tipo de tumulto na escola em repúdio à ação dele - diz Jelvez.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Faltam medidas de controle

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Apesar de ser uma prática constante na sociedade, somente nos últimos anos o bullying começou a ser discutido nas comunidades Escolares. Geralmente, os atos não são considerados criminosos, e sim problemas disciplinares a serem resolvidos no âmbito Escolar. Porém, como o tema tomou repercussão nacional depois da tragédia em Realengo, vários estados brasileiros já aprovaram novas determinações no combate ao bullying.
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Contudo, o Distrito Federal ainda não apresenta uma lei voltada especificamente sobre o tema. Costuma ficar a critério das instituições de ensino do DF determinarem as providências para coibir a prática. Normalmente, medidas paliativas são tomadas pelas Escolas para sanar a situação, o que ainda não inibe a repetição do problema. No final, a sensação de impunidade contra os praticantes é o sentimento principal das vítimas de bullying e de suas famílias.
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Especialistas no tema e autoridades policiais confirmam que o registro de ocorrências que começaram apenas como bullying nas Escolas tem aumentado durante os anos. Enquete realizada pelo portal ClicaBrasília, do Jornal de Brasília, revelou a opinião dos brasilienses sobre o assunto: 85,71% dos participantes acreditam que a pessoa que pratica bullying deve ser punida, enquanto apenas 14,29% são contra. O levantamento revelou também que a situação costuma ser mais comum nas Escolas (54,17%), seguido do trabalho (20,83%), família (17,71%) e na quadra onde mora (7,29%).
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AUTONOMIA
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Segundo a coordenadora de Educação em Direitos Humanos da Subsecretaria de Educação Básica, Verinez Carlota, a preocupação maior é dar autonomia às Escolas para resolver o problema e desenvolver projetos específicos contra o bullying. Não é apenas punir os praticantes, mas trabalhar um plano de convivência Escolar, para que cada unidade de ensino desenvolva normas de acordo com a sua realidade. Por isso, a participação dos orientadores e professores é fundamental no sentido de prevenir esses casos , explicou Carlota. Para o diretor do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB), Afonso Galvão, faltam no Distrito Federal medidas direcionadas ao atendimento do bullying nas Escolas. As instituições não aplicam o necessário para coibir o problema nas Escolas, sejam as ações tão duras como for. O bullying costuma ser uma forma de aprendizagem para violências piores ainda, e a pessoa que a pratica ainda é protegida pela Escola. Esse é um mal que precisa ser cortado pela raiz tão logo se manifeste , apontou Galvão.
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De acordo com a chefe da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), Mônica Ferreira, o bullying também costuma ser uma ameaça quando sai do âmbito Escolar. Mui - tos dos casos que começam apenas com esse problema progridem para ameaças e até para as vias de fato. Os pais até ameaçam registrar na DCA quando ainda é qualificado só como injúria, mas a direção das Escolas normalmente não quer levar a conhecimento geral. Muitas vezes, acham que vai passar e acaba ficando por isso mesmo. Agora com o retorno das atividades Escolares, só tendem a aumentar mais as ocorrências nesse sentido , disse Ferreira.
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VÍTIMAS SENTEM VERGONHA
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O estudante D.P.S., 16 anos, assim como milhares de adolescentes, já foi vítima de bullying. Vergonha, humilhação, constrangimento. A gente sente tudo isso , desabafou. Mas, diferentemente da maioria dos alunos, D.P.S. decidiu não aceitar mais aquela condição, chamando a direção da Escola para resolver seu problema. No meu caso não fui mais incomodado, mas sei que sou exceção. Muitos continuam sofrendo calados , observou. Para a aluna J.A.C., 17 anos, que já presenciou casos de bullying na sua sala, o principal motivo dos estudantes se tratarem assim são as diferenças entre eles. Cada um tem seu jeito de viver, e os que não aceitam isso acabam agindo dessa forma , disse.
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A estudante A.F., 16 anos, conta que seis alunos da sua classe pediram transferência por causa de bullying. Apesar de a Escola em que estuda apresentar palestras sobre o tema, a aluna afirma que não atingem o seu público alvo. Na minha opinião, falta punição para quem faz essas coisas. Tem gente que não sabe até que ponto uma brincadeira pode magoar, e ainda assim, não acontece nada com eles , apontou a estudante. É preciso agir de forma preventiva, incentivando a Educação moral e os valores, para aceitarem as diferenças. Mas também se faz necessária uma medida repressiva contra o bullying. Punir, suspendê-lo na forma da lei ou do Estatuto da Criança e do Adolescente são ações válidas, mas que não são sempre tomadas, comentou Afonso Galvão, da Universidade de Brasília.
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Uma reunião entre os coordenadores das regionais de ensino do DF foi organizada ontem pela Coordenação de Educação em Direitos Humanos para discutir um plano distrital que possa atender toda a rede de ensino. O objetivo é organizar projetos, ações e medidas socioeducativas a serem adotadas na Semana de Educação para a Vida, comemorada em maio. Um grupo de trabalho será formado por representantes Escolares para organizar as próximas atividades em cada uma das unidades de ensino. Desde palestras, a cursos práticos e ações extra-curriculares serão estudados e apresentados em maio. A reunião vai ser o primeiro passo para fomentar a discussão. A intenção é fazermos uma ação conjunta, para atender a rede como um todo em maio. Queremos construir um conceito do que é a convivência Escolar. Acreditamos que isso poderá minimizar a manifestação de casos como o bullying , informou Verinez Carlota.
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Projeto de lei em análise Apesar de o Distrito Federal não apresentar nenhuma lei que aponte ações mais pontuais contra o bullying nas Escolas, essa realidade pode mudar. Foi aprovado no ano passado, na Comissão de Educação e Saúde da Câmara Legislativa do DF, o Projeto de Lei 156/2011, de autoria do então deputado Cristiano Araújo, hoje secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação. A expectativa de Cristiano é de o projeto ser aprovado em todas as comissões ainda nesse semestre. O bullying é um problema mundial, e Brasília mostrou, por meio de pesquisas, ser uma das capitais que mais apresenta a situação. Por isso, criar uma política pública realmente efetiva, trabalhada pela Secretaria de Educação, é necessário , declarou Araújo.
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O secretário explica que o projeto pretende atuar em três frentes: qualificando os professores e funcionários das Escolas a trabalhar contra o bullying; informar às famílias dos estudantes envolvidos no problema; e conscientizar as crianças sobre o assunto, com ações socioeducativas. Mas para a promotora de Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público, Márcia Pereira, o emaranhado de normas e leis que já existem são suficientes para garantir a proteção das crianças e adolescentes vítimas de bullying. Antes de lutar por uma legislação melhor, é preciso lutar por uma política institucional mais abrangente. Precisamos de um olhar melhor sobre as leis que já existem. Se as cumprirmos da forma que foram programadas, seria excelente , afirmou Pereira. Fazer a prevenção está muito mais ligado à melhoria do âmbito interdisciplinar do que com a lei , acrescentou.
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Fonte: Jornal de Brasília (DF)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Colégios contratam seguro contra o 'bullying'

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RIO - As escolas parecem ter uma nova preocupação em relação ao bullying: além de educar seus alunos para evitar esse tipo de violência física ou psicológica, as instituições de ensino agora querem se proteger de possíveis prejuízos financeiros causados por ações na Justiça movidas por famílias de vítimas. Vinte colégios já contrataram um seguro contra bullying, criado há quatro meses pela Ace Seguradora.

— O novo Código Civil entende que o colégio é responsável pela reparação civil de seus estudantes. Nosso objetivo é dar proteção ao patrimônio das instituições — explica Rodrigo Granetto, chefe de Responsabilidade Civil Profissional da Ace.
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O seguro pode ser contratado por universidades, colégios, escolas de idiomas, entre outros tipos de instituições de ensino. O dinheiro pode ser usado para garantir recursos financeiros na defesa jurídica de funcionários e também no pagamento de indenizações estabelecidas pela Justiça às vítimas em casos de bullying. A Ace não revela os nomes das escolas que fizeram o seguro.

Prêmio começa em R$ 100 mil e pode chegar a milhões

 De acordo com Granetto, o valor mínimo a ser pago ao segurado fica em torno de de R$ 100 mil, mas pode chegar a milhões de reais, dependendo do porte da escola, do perfil de seus estudantes e do valor escolhido pela instituição.

Mãe de uma vítima de bullying, Ellen Bianconi move uma ação contra o Colégio Nossa Senhora da Piedade, no Encantado. Até agora a indenização estabelecida é de R$ 100 mil, mas a escola apelou. Ela não aprova a ideia do seguro:

— Minha filha teve o cabelo cortado e foi agredida por três alunos. Eu já havia conversado com as professoras e a diretora sobre as agressões verbais, mas alegaram que não podiam fazer nada. Se fossem bem preparadas para lidar com o tema, nada disso teria acontecido. O seguro só deixa a instituição numa posição confortável, mas não vai mudar nada — opina Ellen.

A longo prazo, a Ace Seguradora quer mais do que vender apólices às instituições. O plano é criar um banco de dados sobre a ocorrência de violência nas escolas para ajudar os segurados com informações sobre os melhores procedimentos para combater o bullying.

— Com isso, vamos evitar as ações na Justiça, que podem obrigar o fechamento de escolas, que, com condenações recorrentes, ficarão com imagem arranhada — diz Granetto.

O próprio presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica do Município do Rio de Janeiro (Sinepe Rio), Victor Nótrica, reconhece que a falta de conhecimento sobre o problema é uma das maiores falhas das escolas. Para ele, o seguro pode ser útil, mas a prevenção é mais eficaz.

— Se eu fosse proprietário de uma escola, não contrataria o seguro de jeito nenhum. Acho a melhor usar o dinheiro para investir na reeducação de alunos, na capacitação de professores e na aproximação dos pais com os colégios — comenta.

Granetto rebate esse tipo de crítica explicando que o seguro não foi criado como uma solução para a violência nas escolas.

— O seguro não tem a intenção de resolver o problema. É apenas uma das medidas a serem adotadas nas instituições. Deve haver treinamento de funcionários e professores e campanhas de conscientização dos estudantes, além da criação de um ambiente favorável ao diálogo nas escolas.

Segundo a Frente Parlamentar de Combate ao Bullying da Câmara dos Deputados, os números apontam que 45% de jovens se envolvem com o problema, seja como vítima ou agressor.

No Rio, uma lei de setembro de 2010 obriga professores e funcionários de escolas a denunciar violência contra estudantes a delegacias e conselhos tutelares, caso contrário o colégio poderia ser multado. Até hoje, no entanto, nenhuma escola foi condenada a pagar de três a 20 salários mínimos por não cumprir a regra.

Vítima tem pesadelos e precisa de psiquiatra

 Para Nótrica, a solução não é punir a escola. Ele, inclusive, faz críticas ao Código Civil, que responsabiliza os colégios por esse tipo de violência:

— A escola não deve ser condenada nos casos de bullying, mas, sim, o autor. O bullying pode acontecer em todo lugar — comenta o presidente do Sinepe Rio.

Ellen Bianconi discorda. Ela conta que a filha de 15 anos ficou traumatizada com o bullying e responsabiliza a escola. A mãe criou um blog para tratar do tema: http://bullyingnaoebrincadeiradcrianca.blogspot.com.

— Até hoje minha filha é acompanhada por um psiquiatra. Ela tem pesadelos e precisa tomar medicação para dormir. Minha luta é para que outras mães não passem pelo que passei. No blog, recebo uns 20 pedidos de ajuda de pais por mês.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

UFMG avalia bullying com pais e alunos


A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai criar uma comissão para avaliar casos de bullying no Centro Pedagógico da Escola de Educação Básica e Profissional, que funciona no câmpus da Pampulha, em Belo Horizonte. A informação foi divulgada ontem pela vice-reitora Rocksane Norton, que anunciou um seminário, dentro de duas semanas, para explicar os fatos e discutir o tema com os pais dos 630 alunos do colégio.

A vice-reitora se reuniu ontem com representantes de setores da universidade, incluindo dirigentes do Centro Pedagógico e da Escola de Educação Básica e Profissional, para preparar resposta ao Ministério Público Federal (MPF), que fez uma série de recomendações para coibir o bullying no colégio. Em setembro, a prática foi denunciada ao MPF pelo pai de um adolescente que teria sido vítima de agressões, enquanto teria havido omissão da direção. Segundo a diretora do Centro Pedagógico, Tânia Margarida Lima Costa, todas as recomendações já são cumpridas sistematicamente pela unidade de ensino, que atende público de 6 a 15 anos, em nove anos de Escolarização.

O Centro Pedagógico tem prazo de 10 dias, a partir de notificação recebida terça-feira, para entregar o documento ao MPF. As recomendações incluem a realização de reuniões, investigação interna, incentivo à mediação de conflitos, apoio às vítimas de bullying e recuperação psicológica dos agressores e de alunos que assistiram às agressões, incorporação do tema às disciplinas e avaliação dos casos.

“Fazemos tudo isso desde sempre”, disse Tânia Margarida, acompanhada da equipe de pedagogos, psicólogos, coordenadores de cursos e outros especialistas. Desde que começaram os problemas com o adolescente, o diretor de Assuntos Estudantis da universidade, Luiz Guilherme Knauer, se reuniu com os pais do jovem por oito vezes, informou a vice-reitora.

REUNIÕES -  A partir de maio, quando teria surgido um primeiro problema com o jovem, a direção do Centro Pedagógico começou a dar atenção diferenciada ao estudante, embora nenhum professor tivesse conhecimento da prática de bullying nesse caso específico.

“Na primeira reunião pedagógica, os professores foram informados e começaram a ficar atentos”, disse Tânia Margarida. Na sequência, o corpo docente fez um relatório sobre o desempenho do garoto e o documento foi encaminhado ao diretor de Assuntos Estudantis da universidade, Luiz Guilherme Knauer.

“Foram feitas reuniões com os familiares, mas o diálogo foi rompido. Temos um ótimo relacionamento com o conselho tutelar e dois projetos para maior proximidade com as famílias, que são o Dialogando com os pais e Interação”, disse a diretora do Centro Pedagógico, lembrando que o bullying é tratado como tema transversal na Escola, além de haver a disciplina Tópicos Especiais de Práticas Educativas, que aborda a questão.

No pedido de providências, a procuradora regional de Direitos Humanos, Silmara Goulart, destacou que “o fenômeno bullying se caracteriza como uma forma de violência que envolve crianças, jovens e educadores, cabendo à instituição de ensino prevenir, coibir e erradicar tais práticas, sob pena de responderem por sua omissão”.

Ainda de acordo com a instituição, além da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbem qualquer forma de negligência, violência, crueldade e opressão contra crianças e adolescentes, o Brasil também é signatário da Convenção das Nações Unidades sobre os Direitos da Criança, que obriga o país a adotar todas as medidas necessárias para assegurar que a disciplina Escolar seja ministrada de maneira compatível com a dignidade humana.

Fonte: Estado de Minas (MG)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

MPF recebe novos relatos de bullying


Novos relatos de bullying indicam que as denúncias de agressões sofridas por alunos do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na quarta-feira, não foram as primeiras. No dia 11, pais de outras crianças e adolescentes protocolaram representação pedindo providências ao Ministério Público Federal (MPF) em relação a abusos promovidos por estudantes.

A última denúncia de agressão foi registrada por pais em boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial do Bairro Ouro Preto, na Pampulha, relatando que 10 meninas do 5º ano foram agredidas por um grupo de meninos do 6º ano, na quarta-feira. Segundo a Polícia Civil, o caso será comunicado ao Conselho Tutelar e a investigação será transferida para a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). Pais de estudantes sustentam que a direção do Centro Pedagógico evita informar os problemas à Reitoria da UFMG. “Eles têm esses situações como uma coisa normal entre os alunos. Só que meu filho, que tem 12 anos, é agredido verbal e fisicamente”, disse um pai, que pediu para não ser identificado, com medo de que o adolescente sofra represálias.

“Eu deveria ter feito boletim de ocorrência antes, quando ele chegou em casa com hematoma no rosto. Em várias outras vezes, ele chegou com hematomas nas pernas”, acrescenta. Em 5 de setembro, o pai conta que protocolou documento pedindo providências à Reitoria da UFMG, com cópias para dirigentes do Centro Pedagógico e da própria universidade.“Até hoje, não tive resposta.”, disse, ressaltando que também pediu ajuda ao Ministério da Educação e ao Conselho Tutelar.

Na quarta-feira, uma das vítima de agressão foi a filha de 10 anos do bancário Paulo Sérgio de Souza, de 43. “Ela ficou com hematomas devido à violência”, denunciou o bancário. Segundo ele, as agressões foram no horário do recreio, no turno da manhã. “As meninas levaram tapas no rosto, chutes e arranhões. Os pais ficaram sabendo somente à tarde, pois as vítimas foram impedidas de avisá-los. Minha filha telefonou do celular, escondida”, disse o bancário.

A dona de casa Cláudia de Fátima Lima, de 40, conta que foi a primeira vez que a filha de 10 anos foi agredida. Ela também diz que a estudante foi impedida de ligar para casa. “Conseguiu falar comigo mais tarde, na hora do almoço. Estava nervosa e chorava muito. Contou que foi jogada no chão, que bateu com a cabeça e foi chutada. Está com o joelho todo roxo. Chamei a polícia na hora, quando fiquei sabendo”, disse.

A dona de casa conta que foi hostilizada pelos funcionários da escola. “Disseram que eu não estava deixando que eles tomassem as providências”, disse, reclamando que as vítimas não receberam atendimento psicológico. “Uma colega da minha filha não quer mais voltar ao Centro Pedagógico e será transferida. Minha filha também”, afirmou.

“Meninos maiores não deixam os pequenos usar o banheiro. Minha filha está traumatizada e se recusa a voltar. Ela sempre foi muito tranquila, nunca se envolveu em confusão, mas quem apanhou não tinha nada a ver com nada”, acrescentou.  No boletim de ocorrência relativo ao episódio, registrado por policiais do 34º Batalhão da PM, consta que a filha da denunciante permaneceu no interior da escola, sob a responsabilidade da vice-diretora, que não quis receber os policiais, alegando estar em reunião com outros professores.

Fonte: EStado de Minas (MG)