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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Com mãos na cabeça, alunos no DF são revistados por PMs durante aula

Por Luciana Amaral
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Policiais militares revistaram alunos dentro de salas de aula de uma escola pública de Brasília nesta quinta-feira (21) durante o período letivo. Fotos feitas por um estudante que não quis se identificar mostram alunos com as mãos na cabeça enquanto têm bolsas e mochilas revistadas. Essas revistas foram feitas a pedido dos pais e da direção para preservar os alunos. A de hoje [quinta] já estava programada entre a gente. A maioria quer estudar, mas tem um grupinho que causa tudo isso. Tem gente que está pedindo para sair daqui com medo da violência".
 
O caso ocorreu no Centro de Ensino Fundamental 05 no Paranoá. A revista foi pedida pela direção da escola, para tentar coibir a entrada de armas e drogas na instituição. Nada foi encontrado durante a ação da polícia. A direção diz que a instituição “vive uma disputa territorial” de gangues rivais.
 
A Secretaria de Educação afirmou ao G1 que apoia as decisões dos diretores da escola e possui uma parceria com o Batalhão Escolar com rondas até as 18h30 e visitas educativas às escolas. Esta foi a oitava vez em um mês que policias fizeram revista na escola. Na quarta-feira (20), um aluno de 17 anos que se recusou a ser revistado foi detido por desacato. De acordo com a Polícia Civil, ele foi levado para a Delegacia da Criança e do Adolescente e liberado após o responsável assinar um termo de comparecimento à Justiça.
 
Um estudante de 15 anos que passou pela revista nesta quinta disse que três policiais entraram nas classes durante as aulas acompanhados pela diretora da escola. Eles olharam mochilas, bolsos e roupas dos alunos. Ele disse que parte dos estudantes não aprovou a iniciativa.
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"Teve muita gente indignada. Eu mesmo me senti invadido, porque fizeram isso sem permissão. A direção já comentava que ia pedir uma ronda surpresa por causa do cheiro forte de maconha que fica [na escola]", afirmou.
 
O vice-diretor do colégio, Eric de Sales, disse que os “grandes problemas” da instituição são o tráfico e as gangues. “Essas revistas foram feitas a pedido dos pais e da direção para preservar os alunos. A de hoje [quinta] já estava programada entre a gente. A maioria quer estudar, mas tem um grupinho que causa tudo isso. Tem gente que está pedindo para sair daqui com medo da violência."
 
Segundo ele, nas revistas anteriores feitas na escola, um estudante foi pego com drogas e encaminhado para a Delegacia da Criança e do Adolescente. "Fui com ele e conversei bastante com a família. Não abandonamos ninguém."
 
PMs revistam bolsas de alunos durante horário de aula no CEF 05 (Foto: Reprodução)
PMs revistam bolsas de alunos durante horário de aula no CEF 05 (Foto: Reprodução)
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O comandante do Batalhão Escolar do DF, tenente-coronel Júlio César de Oliveira, disse que a medida é comum nas escolas públicas da capital, mas realizada somente em “situações mais extremas” e em parceria com a comunidade.

“Sempre fazemos isso com a aprovação do diretor. O ambiente lá está complicado. A comunidade escolar não está mais aguentando. O cheiro de drogas é insuportável. Temos três linhas de ação: a preventiva, comunitária e repressiva, a última a ser adotada. Ela só é usada quando temos questões mais sérias, como a desta quinta. Para a prevenção temos o Proerd [Programa Educacional de Resistência às Drogas]", declarou.
 
O comandante disse que os alunos tiveram de pôr as mãos na cabeça "por questão de segurança". "Tem vezes que eles já colocam e, outras, a gente pede para garantir que ninguém armado vai pegar um revólver e atirar, por exemplo. O problema é que a escola em questão é improvisada e juntou gangues rivais em um ambiente."
 
"Se não for flagrante, eles não têm esse direito. A princípio, a revista é violadora do ECA, pois ela leva à mesma tática de repressão usada nas ruas das cidades para dentro da escola. Têm de proteger do lado de fora. Às vezes o sentido é deturpado e categoriza os adolescentes. É uma resposta simplista para uma situação complexa" - Maria Cláudia de Oliveira, professora de psicologia escolar e do desenvolvimento da Universidade de Brasília
 
Opiniões divididas

O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro) informou ao G1 não aprovar a ação policial dentro da escola. "Está errado. Falamos que se precisa de mais policiamento, mas não é isso que apoiamos. A ação da PM deve ser somente preventiva. Temos professores que não permitem essa atitude nas salas deles. Os policiais só entram com mandado judicial contra alguém específico", disse o diretor do Sinpro, Cláudio Antunes.
 
Para o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa), Luís Cláudio Megiorin, o caso tem de ser visto com cautela. "É um jogo complicado e às vezes a revista é extremamente necessária quando o professor está em uma vulnerabilidade tão grande. Esperamos que os pais entendam. É a segurança dos nossos filhos. Confiamos no tato do diretor e do Batalhão Escolar. Às vezes o remédio é amargo."

A promotora de Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público do DF, Márcia da Rocha, disse não ver a revista como uma invasão à privacidade individual e afirmou que a parceria entre a polícia, a direção das escolas e os pais é fundamental para a segurança.
 
Pichações de gangues em paredes da escola servem para demarcar o território de cada uma (Foto: Reprodução)Pichações na escola; segundo a instituição, inscrições 'demarcam territórios' de gangues
(Foto: Reprodução)
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"Se vamos construir algo aprimorado, temos de abrir mão de algumas coisas. O sentimento de cada um é uma coisa, mas a forma como a abordagem foi feita é outra, desde que com respeito e dignidade. O Ministério [Público] não é contra, tem que ter a ajuda uns dos outros. Temos, inclusive, diálogos com muitos diretores", declarou Márcia da Rocha, promotora de Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público.
 
Sobre o fato de os alunos colocarem as mãos na cabeça durante a revista, a promotora disse que já teve casos em que eles fizeram isso sem ordens de policiais. "Só do DF já ter um Batalhão Escolar é um diferencial, porque eles recebem um treinamento especial."
 
A professora de psicologia escolar e do desenvolvimento da Universidade de Brasília (UnB), Maria Cláudia de Oliveira, criticou a ação. “O Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA] estabelece a meta de proteção. A escola enquanto instituição social deve ser protegida, e as pessoas, acolhidas. Os estudantes não devem ser representados como perigo. A escola é, ao mesmo tempo, uma política de Estado e um Estado privado na condição de que tem regras próprias e porque você não está no meio da rua."
 
Ela comparou a ação do Batalhão Escolar com a entrada de policiais em uma casa sem mandado judicial. "Se não for flagrante, eles não têm esse direito. A princípio, a revista é violadora do ECA, pois ela leva à mesma tática de repressão usada nas ruas das cidades para dentro da escola. Têm de proteger do lado de fora. Às vezes o sentido é deturpado e categoriza os adolescentes. É uma resposta simplista para uma situação complexa", afirmou.
 
Estatísticas

 De acordo com a Polícia Militar, foram registradas neste ano 156 ocorrências criminais em escolas do Distrito Federal até o dia 20 de maio. Os casos foram por uso e porte de entorpecentes (56), ameaça (20), ato infracional (20), roubo (19), agressões físicas (16), porte de arma de fogo (5), tráfico de entorpecentes (4), e apreensão de arma de fogo (2).
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Tráfico próximo a escolas é maior no DF

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A incidência do tráfico de drogas nas redondezas de Escolas do Distrito Federal é a maior do país, conforme levantamento feito com base nos últimos questionários da Prova Brasil e do Censo Escolar, elaborados em 2011 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Essa conclusão foi obtida a partir do trabalho das organizações sem fins lucrativos Meritt e Fundação Lemann, que cruzaram os dados dos dois formulários. Na capital do país, 53,2% das direções dos 88 estabelecimentos de Ensino da rede pública informaram casos de venda e compra de substâncias ilícitas nas proximidades das unidades. O percentual do DF é 18,2% acima da média nacional.
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No mais recente estudo da Secretaria de Segurança Pública local, os números mostram que, entre janeiro e julho de 2012, foram registrados 146 casos de tráfico de drogas e 407 de uso e porte de entorpecentes em um perímetro de 100 metros das Escolas públicas. Nesse período, Ceilândia, Taguatinga, Gama e Planaltina foram as quatro regiões que lideraram os índices de venda dessas substâncias no DF. No quesito uso e porte de entorpecentes, Ceilândia e Gama continuaram no topo no ranking. Os dados mostram a realidade enfrentada por Professores, pais e Alunos, que acabam convivendo com pontos de drogas nas proximidades. Em algumas situações, não é preciso sequer sair das instituições de Ensino para encontrar Alunos usando entorpecentes. Há cinco anos, era comum os Professores recolherem drogas em mochilas de estudantes do Centro Educacional nº 7 de Ceilândia. “Em 2008, apreendemos mais de 20 tabletes de maconhas e duas trouxas de cocaína dentro das salas de aula. Nos últimos dois anos, não flagramos nenhuma droga”, avaliou o diretor do estabelecimento, Firmino Neto.
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Acompanhamento
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A redução das apreensões de drogas na Escola — situada na QNN 13, uma das regiões com maior incidência de criminalidade em Ceilândia — é resultado de um trabalho do corpo Docente do colégio. Desde 2009, o centro educacional elabora relatórios com dados dos 3 mil Alunos matriculados na unidade. A partir disso, os Professores passaram a conhecer não só o desenvolvimento Escolar dos estudantes, como também a vida deles fora do ambiente de Ensino. “Construímos paradigmas. Começamos a mapear o que se passava com os Alunos na rua e em casa para saber quem eles eram realmente. Começamos a acompanhá-los ainda mais de perto e fizemos questionamentos aos pais. Chegamos a assumir responsabilidades fora da Escola que nem deveriam ser nossas”, contou Firmino Neto.
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Segundo a diretora de imprensa do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Rosilene Correa, a tendência dos Alunos que se envolvem com o mundo das drogas é abandonarem os estudos. “Isso contribui para a evasão Escolar, pois as drogas tiram o interesse dos jovens de estudar.” Ela acredita que somente políticas públicas voltadas para a juventude serão capazes de mudar o rumo dos estudantes envolvidos com entorpecentes. Para o coordenador de Educação em Direitos Humanos da Secretaria de Educação do DF, Mauro Gleisson Evangelista, a falta de preparo dos Professores para lidar com o enfrentamento das drogas é preocupante. “Eles não estão preparados e estão cientes dessa carência. Mas eles têm nos demandado essa formação, tanto que estão se inscrevendo em cursos voltados para isso”, disse Mauro.
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Do lado de fora dos muros dos estabelecimentos de Ensino do DF, a responsabilidade da movimentação e utilização de drogas é da Secretaria de Segurança local. O Batalhão Escolar da Polícia Militar afirma que a corporação vem intensificando o trabalho de repressão ao tráfico em todo o DF. “Temos 550 policiais que trabalham em viaturas, motocicletas e com a ajuda de cães farejadores. Quando nos é pedido, fazemos varreduras dentro das Escolas. Além disso, damos palestras sobre drogas. O efetivo é suficiente para o trabalho”, esclarece o subcomandante do batalhão, major Valtênio Antônio de Oliveira.
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Fonte: Correio Brasiliense (DF)
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"Tráfico próximo às escolas é mais comum do que se imagina", diz professor do DF
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Após saber que, no DF, mais da metade dos estabelecimentos (53,2%), a maior proporção do País, registram a ocorrência de venda e compra de drogas nas redondezas, o coordenador intermediário de Direitos Humanos e Diversidade na Regional de Ensino do Recanto das Emas (região administrativa do DF), o Professor Celso Leitão Freitas, diz que o tráfico próximo às Escolas é mais comum do que se imagina.
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— As ocorrências são diárias. Pensamos que é um problema só do Aluno, mas, quando se vai atrás, a família toda está envolvida com drogas e ele traz esse hábito de dentro de casa. Freitas é prova de que o tráfico está associado à violência, tanto entre pessoas, quanto a que chamou de estrutural: a falta de serviços básicos.
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— Aqui presenciamos a falta de moradia, de Educação, a falta de benefícios econômicos como um todo.
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Os programas para combater o uso de drogas são vários, tanto governamentais quanto iniciativas privadas, e é consenso que para mudar a realidade nas proximidades da Escola é preciso modificar a realidade da comunidade, por meio de assistência social e acesso a políticas públicas e a itens básicos como saúde, saneamento, alimentação, além de uma Educação de qualidade. Para combater o tráfico e ajudar os Alunos, ainda enquanto era Professor, Freitas resolveu tomar uma iniciativa ele mesmo: criou o projeto Estudar em Paz, para resgatar o interesse pelos estudos.
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— A comunidade perdeu o encanto pela Escola, precisamos resgatar isso. Ao mesmo tempo, as ruas estão cada vez mais encantadoras , cada vez mais estamos perdendo nossos Alunos para o trafico.
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O estudante Natanael Neves, de 18 anos, fez parte do grupo Estudar em Paz. Dos tempos de Escola, ele conta que não tinha a menor paciência, bastava “não ir com a cara” da pessoa para já começar a bater. E a violência estava lado a lado com o tráfico. Apesar de não ter feito o uso de drogas, ele viu colegas consumirem tanto nas ruas, quando dentro da Escola, em São Sebastião (região administrativa do DF).
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— O local tinha policiamento, mas os guardas ficam com medo. O pessoal sabe e [usar drogas] já é algo quase normal.
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A agressividade foi algo que herdou de casa. Ele diz que queria chamar a atenção dos pais. A vida pessoal acabava chegando às salas de aula:
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— Na Escola você só aperfeiçoa o que aprende em casa.
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 Hoje, Natanael se diz uma nova pessoa, foi aprovado para o curso de gestão pública pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e pretende voltar ao ambiente Escolar depois de formado para mudar a realidade. Ele diz que perdeu as contas dos amigos que deixaram as salas de aula por problemas com tráfico e violência.
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A pesquisa
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 A pesquisa se baseou nas respostas dos questionários socioeconômicos da Prova Brasil 2011, aplicada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), divulgada em agosto do ano passado. A questão sobre o tráfico nas proximidades das Escolas foi respondida por 54,5 mil diretores das Escolas públicas. Deles, 18,9 mil apontaram a existência da atividade. A situação, de acordo com especialistas, é preocupante e está associada diretamente à violência e à precariedade que cercam muitos centros de Ensino do país, além de contribuir para que os Alunos deixem de estudar.
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O responsável pelo estudo, o coordenador de Projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins, diz que não dá para isolar Escola no contexto em que está inserida.
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— Ela faz parte de um todo maior, se há violência fora, poderá chegar também aos centros de Ensino. Basta observar que o Distrito Federal [53,2%] e São Paulo [47,1%], [regiões] com altos índices de violência, são [as áreas] com o maior percentual.
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Distrito Federal tem a maior incidência de tráfico de drogas próximo às escolas públicas
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 Pouco mais de um terço (35%) das Escolas públicas brasileiras tem tráfico de drogas nas proximidades. Separados os estados e o Distrito Federal, a proporção sobe. No DF, mais da metade dos estabelecimentos (53,2%), a maior proporção do País, registram a ocorrência de venda e compra de drogas nas redondezas. Nenhum estado está livre. A menor ocorrência é no Piauí, com 15,3% das Escolas. Os dados foram levantados pelo QEdu: Aprendizado em Foco, uma parceria entre a Meritt e a Fundação Lemann., organização sem fins lucrativos voltada para Educação. A pesquisa se baseou nas respostas dos questionários socioeconômicos da Prova Brasil 2011, aplicada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), divulgada em agosto do ano passado. A questão sobre o tráfico nas proximidades das Escolas foi respondida por 54,5 mil diretores das Escolas públicas. Deles, 18,9 mil apontaram a existência da atividade. A situação, de acordo com especialistas, é preocupante e está associada diretamente à violência e à precariedade que cercam muitos centros de Ensino do país, além de contribuir para que os Alunos deixem de estudar.
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O responsável pelo estudo, o coordenador de Projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins, diz que não dá para isolar Escola no contexto em que está inserida.
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— Ela faz parte de um todo maior, se há violência fora, poderá chegar também aos centros de Ensino. Basta observar que o Distrito Federal [53,2%] e São Paulo [47,1%], [regiões] com altos índices de violência, são [as áreas] com o maior percentual.
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Evasão Escolar
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 Outro problema que advém da situação é a evasão Escolar. Para a diretora executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, a evasão deve ser uma das grandes preocupações dos governos.
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— Muitos jovens acabam deixando os estudos pela proximidade com as drogas. Isso gera um problema ainda maior que não pode ser ignorado.
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A porcentagem (de 35%) constatada pelo estudo, segundo ela, seria alta mesmo que fossem 10% ou menos. Para ela, a Escola deve ser um local de cuidado e aprendizado.
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Fonte: R& (on line)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Escola pública do Distrito Federal testa chip para monitorar alunos

Brasília - Por meio de um chip fixado no uniforme, uma turma de 42 estudantes do primeiro ano do ensino médio tem suas entradas e saídas monitoradas no Centro de Ensino Médio (CEM) 414 de Samambaia, cidade do Distrito Federal (DF) localizada a cerca de 40 quilômetros da área central de Brasília. O projeto piloto, que começou a funcionar no dia 22 de outubro, manda mensagem por celular aos pais ou responsáveis pelos alunos, informando o horário de entrada e saída da escola.
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A diretora do CEM 414, Remísia Tavares, disse à Agência Brasil que entrou em contato com uma empresa que implanta os chips nos uniformes depois de saber que o sistema funcionava em uma escola em Vitória da Conquista, na Bahia. Segundo ela, a medida foi tomada para aumentar a permanência dos alunos nas salas de aula. "Os professores dos últimos horários reclamam que muitos alunos costumam sair antes do término das aulas. Por mais que a escola tente manter o controle, eles dão um jeito de sair da escola".
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De acordo com a diretora, o monitoramento foi bem recebido pelos pais, aproximando-os da vida escolar de seus filhos. "Fizemos reuniões para saber a opinião dos pais a respeito do chip, e eles gostaram da ideia. Os pais se sentem mais tranquilos, sabendo exatamente a hora em que seus filhos entram e deixam a escola", disse Remísia. O representante da empresa que implantou os chips nos uniformes, Bruno Castro da Costa, explicou que o sistema funciona por meio de um sensor instalado na portaria principal do colégio, que lê as informações contidas no chip cadastrado.
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"O sistema não altera a rotina dos estudantes. Eles entram normalmente na escola, os dados são passados para o computador e, 30 segundos depois, os pais são notificados. Uma mensagem é enviada quando o aluno entra na escola e outra no momento da saída. Apesar de ficar registrado também na direção do colégio, o sistema não substitui a chamada de presença em aula. Também estão sendo registradas as entregas de boletins ou outros eventos, e a direção pode utilizar o programa para encaminhar o recado ao celular cadastrado", acrescentou Costa.
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Charles de Oliveira, também representante da empresa responsável, disse que o sistema poderá futuramente otimizar o tempo de estudo nas salas de aulas. "Os professores perdem cerca de 20 minutos para realizar as chamadas durante as aulas. Futuramente, isso pode acabar, pois será registrada a presença automaticamente. Além disso, estamos estudando formas para que o sistema contribua também com os programas do governo, acelerando a divulgação de dados".
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Os estudantes Bárbara Coelho, 16 anos, e Jefferson Alves, 15 anos, não se incomodam com o monitoramento pelo chip. "Eu acho que é uma boa maneira de os nossos pais ficarem mais tranquilos e até confiar mais, sabendo que estamos na escola. Eu não me sinto inibida, pois sempre frequentei as aulas", disse Bárbara. "Só quem tem costume de matar aula vai se incomodar, já que agora os pais vão ficar sabendo", completou Jefferson.
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No dia 13 de novembro, um relatório será enviado ao Conselho de Educação da escola e à Secretaria de Educação do Distrito Federal com os resultados da experiência. Caso o sistema seja aprovado, a fixação dos chips no CEM 414 deverá ser ampliada para os 1,8 mil alunos da instituição no próximo ano.
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terça-feira, 9 de outubro de 2012

A geração do atraso

07 de outubro de 2012 - Correio Braziliense (DF)
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Editorial: A geração do atraso
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A incompetência da mão de obra tem assombrado o setor produtivo no Brasil. Sem condições de educar a população, o país obriga as empresas a absorver brasileiros despreparados, um público que tem sido um peso para a competitividade da economia. A Escola, além de não formar gente qualificada, deixou crescer a evasão dos jovens entre 15 e 17 anos — justamente a idade em que se desperta o cérebro para o mercado. Até 2011, 1,6 milhão de brasileiros nessa faixa etária estava longe das salas de aula. Comparado a 2009, houve um avanço de 11,72%. Esse grupo também se distanciou do trabalho: entre 2001 e 2011, a ocupação nessa idade caiu 25,72%. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e levantam a dúvida: para onde vão os jovens brasileiros? Fora das salas de aula e do mercado de trabalho, as opções se mostram escassas e estão associadas à violência, ociosidade, mercado informal e pobreza.
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O Correio, durante uma semana, percorreu Escolas e locais que reúnem meninos nessa faixa etária. Conversou com gente matriculada e com quem abandonou os estudos. O encontro com essas pessoas, em diferentes regiões do Distrito Federal, revelou um desinteresse crônico pela Escola e o avanço das drogas sobre a população estudantil.
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Esse cenário, segundo especialistas, faz do Brasil um dos piores no ranking da Educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): a bandeira verde e amarela aparece em 53ª lugar. No estudo de competitividade elaborado pela Escola de administração suíça IMD, ficamos em 46ª — isso, depois de perder duas posições entre 2010 e 2011 —, um quadro que poderia ser mudado, na visão de Educadores, se houvesse um projeto consistente de Ensino. “O Brasil está jogando nossos meninos e meninas no limbo ao abrir mão de 1,6 milhão de jovens como capital e força de trabalho”, observa Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Itaú Unibanco. “Não é possível que nossa sociedade não entenda o que está em jogo, que ache razoável 16% de seus jovens, no auge da formação, fora da Escola”, afirma.
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Aula desperdiçada
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 Para muitos dos meninos, o Ensino atual é desinteressante. As estatísticas reforçam essa queixa. A Escola não consegue prender a atenção do Aluno e o Professor perde muito tempo com atividades não acadêmicas. No Brasil, apenas 60% do tempo de aula é dedicado unicamente ao aprendizado. Na média dos países da OCDE, esse índice sobe para 85%. Cerca de 30% do dia de aula no país é desperdiçado com a organização da sala e outros 10% com atividades não relacionadas com a disciplina. Nas melhores Escolas, apenas 2h13 são aproveitadas do dia. Nas piores, somente 1h17. “O Brasil tem mania de separar Educação formal da profissional. Ninguém consegue ter boa Educação profissional sem uma boa formal. Enquanto não aprendermos isso, não teremos mão de obra decente do ponto de vista de Educação”, critica José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Investimentos.
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Dados da Unesco, a instituição da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada para a Educação, a ciência e a cultura, reforçam essa percepção. Dos 41 países que formam a América Latina e o Caribe, o Brasil registra a maior taxa de repetência: quase 19%. Ou seja, a cada turma de 45 Alunos, pelo menos nove vão reprovar. Em algumas Escolas do país, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o indicador pode superar os 60%.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Conflito e violência na escola

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Em primeiro lugar, é importante destacar que o conflito é fenômeno inerente às próprias relações interpessoais. Basta uma relação entre duas pessoas para que surjam ocasiões em que desejos e interesses se contrapõem, desencadeando situação de conflito. Eles não devem e não podem ser evitados, podendo ser resolvidos de forma construtiva por meio do diálogo ou negativa quando se usam as diferentes formas de violência. Imaginemos, agora, o potencial de conflitos existentes em uma comunidade Escolar, que reúne diferentes atores — Alunos e seus responsáveis, Professores, profissionais de apoio, equipes de direção — e lida diretamente com outros grupos de interesse, como a comunidade do entorno, representantes dos órgãos centrais da Educação, além da própria opinião pública. Cada um deles com seus interesses e sua cultura, que, além de diferenciados, podem ser extremamente antagônicos. Nessa conjuntura, não dá para varrer as divergências para baixo do tapete. É fundamental que se desenvolvam estratégias para lidar com o conflito.
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Também nesse campo, o importante é prevenir, identificando-se os possíveis fatores geradores. Talvez os mais importantes sejam os valores dominantes em nossa sociedade. Vivemos em um mundo pautado pelo individualismo, pela falta de ética, pelo desrespeito aos outros e às regras, e pela impunidade. A Escola precisa assumir seu papel na formação das novas gerações, desenvolvendo estratégias pedagógicas intencionalmente voltadas para a construção de valores pautados na ética.
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Processo que se inicia em atos de cortesia (bom-dia, obrigado, por favor), prossegue na capacidade de se colocar no lugar do outro (empatia) e desemboca no sentimento de solidariedade. A consolidação da ideia de igualdade é fundamental para o desenvolvimento de valores como respeito, confiança e solidariedade, considerados como componentes básicos do capital social. Baixos níveis de capital social estão associados a grupos cujas relações são pautadas na violência, perdendo a capacidade de gerar resultados.
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A ênfase na intencionalidade desse processo baseia-se no fato de que, sem a clara determinação de realizar esse trabalho e o desenho de caminhos educacionais mais efetivos para realizá-lo, não será possível reverter a ideia, fortemente hegemônica, de que os seres humanos são melhores ou piores, dependendo da origem socioeconômica, do gênero, da raça, da idade, do peso, da aparência ou da opção sexual. Nessa lógica, caso não seja homem, branco, jovem, magro, bonito, heterossexual e rico, você poderá ser considerado necessariamente inferior, merecendo ser discriminado, marginalizado, violentado psicológica ou fisicamente, ou, no limite, exterminado. Assim, num momento de choque de interesses, aqueles que se enquadram em um dos padrões socialmente valorizados, podem se sentir no direito de impor sua vontade por meio da violência, assim como o discriminado, de se sentir obrigado a utilizá-la para se fazer respeitar.
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O uso da violência numa situação de conflito pode também estar ligado à incapacidade de resolvê-lo por meio do diálogo. É através do diálogo e da argumentação que se consegue mediar conflitos e encaminhá-los para uma resolução satisfatória para todos. Assim é que o mais importante antídoto contra o uso da violência, em situações de conflito, parece ser um trabalho efetivo das Escolas no desenvolvimento de habilidades dialogais. Uma sociedade democrática prescinde da prática argumentativa. Enfrentar as duas questões seria agir na raiz do problema, mas, como toda mudança cultural, com resultados a mais longo prazo. A Escola precisa, entretanto, preparar-se, a curto prazo, para os complexos conflitos que vem enfrentando, cada vez mais resolvidos por meio da violência. O primeiro passo seria a institucionalização das normas de funcionamento, mediante um estatuto, construído de forma participativa, divulgado amplamente e cumprido de forma justa. Pior do que não ter um estatuto, é tê-lo desconhecido, na gaveta ou usado de forma arbitrária. Começa assim, para as novas gerações, a prática da ausência de normas ou do respeito às normas, aliada ao sentimento de impunidade ou injustiça.
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É claro que a Escola não é uma ilha, estando sujeita à violência que a circunda e muitas vezes a invade, mas, como formadora de sujeitos sociais, ela também é responsável pela reprodução do seu uso nas situações de conflito. Ter a intenção e desenvolver as melhores estratégia para a formação de sujeitos éticos; estabelecer relações, entre os diferentes atores da comunidade Escolar, baseadas no respeito, na confiança e na solidariedade; estruturar-se como instituição baseada em normas claras, consubstanciadas em um estatuto conhecido e aprovado por todos e aplicado com justiça; podem ser os primeiros passos para que as novas gerações aprendam a resolver seus conflitos por meio do diálogo, não da violência.
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Fonte: Correio Braziliense (DF) - Editorial

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Reforço no combate às drogas


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Levantamento da Secretaria de Educação aponta que 30% dos professores e 23% dos alunos sabem da presença de tráfico nas unidades de ensino
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Fonte: Jornal de Brasília (DF)
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A proximidade das drogas nas escolas é uma realidade. Levantamento da Secretaria de Educação aponta que 30% dos professores e 23% dos alunos sabem da presença de tráfico nas unidades de ensino. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por sua vez, mostram que, em 2009, 9,8% dos estudantes do 9º ano no Distrito Federal admitiram ter feito uso de entorpecentes ao menos uma vez. Para tentar mudar este quadro, um novo passo foi dado com a assinatura do termo de adesão do Sindicato dos Estabelecimentos das Escolas Particulares de Ensino no Distrito Federal (Sinepe-DF) à campanha Viva a Vida Sem Drogas.
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A iniciativa permitirá que aproximadamente 85 mil alunos sejam atendidos com medidas de conscientização e prevenção por meio de palestras e teatro, promovidos pela Secretaria de Justiça. No ano passado, 40 mil estudantes da rede pública foram beneficiados. A Sejus mira agora também nas crianças de três a sete anos, visando atingi-las desde mais cedo.
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Nas proximidades das escolas, não é difícil flagrar jovens consumindo entorpecentes ou álcool. Por volta das 15h de ontem, em plena luz do dia, um grupo de pelo menos dez estudantes se reuniu em um gramado nas imediações de uma Escola de ensino médio, na Asa Sul, para mais uma tarde de “fumaça”, como afirmam.
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Ouço muita coisa, mas nem sempre a gente leva a sério. Tem muita gente matando a torto e a direito, bebendo, usando uma droga que é legalizada, mas eu nem bebo e muitas vezes sou taxado como criminoso”, diz o estudante M. (nome fictício), de 16 anos. Nas brincadeiras, alguns deles, porém, revelam conhecer os riscos do uso de drogas.
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O adolescente A., de 15 anos, se ofende quando um amigo afirma que ele já teria até mesmo fumado crack. “É doido, é?”, questiona o colega. “Nem chego perto daquela desgraça. Já até usei outras drogas, mas não com a mesma frequência que a maconha”, disse.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Faltam medidas de controle

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Apesar de ser uma prática constante na sociedade, somente nos últimos anos o bullying começou a ser discutido nas comunidades Escolares. Geralmente, os atos não são considerados criminosos, e sim problemas disciplinares a serem resolvidos no âmbito Escolar. Porém, como o tema tomou repercussão nacional depois da tragédia em Realengo, vários estados brasileiros já aprovaram novas determinações no combate ao bullying.
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Contudo, o Distrito Federal ainda não apresenta uma lei voltada especificamente sobre o tema. Costuma ficar a critério das instituições de ensino do DF determinarem as providências para coibir a prática. Normalmente, medidas paliativas são tomadas pelas Escolas para sanar a situação, o que ainda não inibe a repetição do problema. No final, a sensação de impunidade contra os praticantes é o sentimento principal das vítimas de bullying e de suas famílias.
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Especialistas no tema e autoridades policiais confirmam que o registro de ocorrências que começaram apenas como bullying nas Escolas tem aumentado durante os anos. Enquete realizada pelo portal ClicaBrasília, do Jornal de Brasília, revelou a opinião dos brasilienses sobre o assunto: 85,71% dos participantes acreditam que a pessoa que pratica bullying deve ser punida, enquanto apenas 14,29% são contra. O levantamento revelou também que a situação costuma ser mais comum nas Escolas (54,17%), seguido do trabalho (20,83%), família (17,71%) e na quadra onde mora (7,29%).
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AUTONOMIA
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Segundo a coordenadora de Educação em Direitos Humanos da Subsecretaria de Educação Básica, Verinez Carlota, a preocupação maior é dar autonomia às Escolas para resolver o problema e desenvolver projetos específicos contra o bullying. Não é apenas punir os praticantes, mas trabalhar um plano de convivência Escolar, para que cada unidade de ensino desenvolva normas de acordo com a sua realidade. Por isso, a participação dos orientadores e professores é fundamental no sentido de prevenir esses casos , explicou Carlota. Para o diretor do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB), Afonso Galvão, faltam no Distrito Federal medidas direcionadas ao atendimento do bullying nas Escolas. As instituições não aplicam o necessário para coibir o problema nas Escolas, sejam as ações tão duras como for. O bullying costuma ser uma forma de aprendizagem para violências piores ainda, e a pessoa que a pratica ainda é protegida pela Escola. Esse é um mal que precisa ser cortado pela raiz tão logo se manifeste , apontou Galvão.
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De acordo com a chefe da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), Mônica Ferreira, o bullying também costuma ser uma ameaça quando sai do âmbito Escolar. Mui - tos dos casos que começam apenas com esse problema progridem para ameaças e até para as vias de fato. Os pais até ameaçam registrar na DCA quando ainda é qualificado só como injúria, mas a direção das Escolas normalmente não quer levar a conhecimento geral. Muitas vezes, acham que vai passar e acaba ficando por isso mesmo. Agora com o retorno das atividades Escolares, só tendem a aumentar mais as ocorrências nesse sentido , disse Ferreira.
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VÍTIMAS SENTEM VERGONHA
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O estudante D.P.S., 16 anos, assim como milhares de adolescentes, já foi vítima de bullying. Vergonha, humilhação, constrangimento. A gente sente tudo isso , desabafou. Mas, diferentemente da maioria dos alunos, D.P.S. decidiu não aceitar mais aquela condição, chamando a direção da Escola para resolver seu problema. No meu caso não fui mais incomodado, mas sei que sou exceção. Muitos continuam sofrendo calados , observou. Para a aluna J.A.C., 17 anos, que já presenciou casos de bullying na sua sala, o principal motivo dos estudantes se tratarem assim são as diferenças entre eles. Cada um tem seu jeito de viver, e os que não aceitam isso acabam agindo dessa forma , disse.
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A estudante A.F., 16 anos, conta que seis alunos da sua classe pediram transferência por causa de bullying. Apesar de a Escola em que estuda apresentar palestras sobre o tema, a aluna afirma que não atingem o seu público alvo. Na minha opinião, falta punição para quem faz essas coisas. Tem gente que não sabe até que ponto uma brincadeira pode magoar, e ainda assim, não acontece nada com eles , apontou a estudante. É preciso agir de forma preventiva, incentivando a Educação moral e os valores, para aceitarem as diferenças. Mas também se faz necessária uma medida repressiva contra o bullying. Punir, suspendê-lo na forma da lei ou do Estatuto da Criança e do Adolescente são ações válidas, mas que não são sempre tomadas, comentou Afonso Galvão, da Universidade de Brasília.
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Uma reunião entre os coordenadores das regionais de ensino do DF foi organizada ontem pela Coordenação de Educação em Direitos Humanos para discutir um plano distrital que possa atender toda a rede de ensino. O objetivo é organizar projetos, ações e medidas socioeducativas a serem adotadas na Semana de Educação para a Vida, comemorada em maio. Um grupo de trabalho será formado por representantes Escolares para organizar as próximas atividades em cada uma das unidades de ensino. Desde palestras, a cursos práticos e ações extra-curriculares serão estudados e apresentados em maio. A reunião vai ser o primeiro passo para fomentar a discussão. A intenção é fazermos uma ação conjunta, para atender a rede como um todo em maio. Queremos construir um conceito do que é a convivência Escolar. Acreditamos que isso poderá minimizar a manifestação de casos como o bullying , informou Verinez Carlota.
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Projeto de lei em análise Apesar de o Distrito Federal não apresentar nenhuma lei que aponte ações mais pontuais contra o bullying nas Escolas, essa realidade pode mudar. Foi aprovado no ano passado, na Comissão de Educação e Saúde da Câmara Legislativa do DF, o Projeto de Lei 156/2011, de autoria do então deputado Cristiano Araújo, hoje secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação. A expectativa de Cristiano é de o projeto ser aprovado em todas as comissões ainda nesse semestre. O bullying é um problema mundial, e Brasília mostrou, por meio de pesquisas, ser uma das capitais que mais apresenta a situação. Por isso, criar uma política pública realmente efetiva, trabalhada pela Secretaria de Educação, é necessário , declarou Araújo.
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O secretário explica que o projeto pretende atuar em três frentes: qualificando os professores e funcionários das Escolas a trabalhar contra o bullying; informar às famílias dos estudantes envolvidos no problema; e conscientizar as crianças sobre o assunto, com ações socioeducativas. Mas para a promotora de Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público, Márcia Pereira, o emaranhado de normas e leis que já existem são suficientes para garantir a proteção das crianças e adolescentes vítimas de bullying. Antes de lutar por uma legislação melhor, é preciso lutar por uma política institucional mais abrangente. Precisamos de um olhar melhor sobre as leis que já existem. Se as cumprirmos da forma que foram programadas, seria excelente , afirmou Pereira. Fazer a prevenção está muito mais ligado à melhoria do âmbito interdisciplinar do que com a lei , acrescentou.
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Fonte: Jornal de Brasília (DF)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

PM de plantão nos colégios

Com o objetivo de reduzir a violência nas unidades da rede pública, 40 escolas passam a contar com a presença de policiais nos três turnos

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Desde ontem, 40 Escolas da rede pública de ensino contam com a presença de policiais militares em tempo integral. Os PMs estarão dentro dos colégios e farão rodas internas e nos arredores nos três turnos de atividades. A iniciativa faz parte de um programa que pretende combater a violência e o tráfico de drogas nas instituições. Além do policiamento, palestras e atividades lúdicas que visam combater o bullying e a dependência química serão organizadas pela Secretaria de Educação, com o intuito de conscientizar alunos e também as comunidades que receberam o projeto. De acordo com o secretário de Segurança, Sandro Avelar, o governo tem a intenção de aplicar nas Escolas a filosofia de policiamento comunitário para aproximar alunos, professores, diretores, pais e moradores das cidades.

O lançamento do programa Muita Calma Nesta Escola ocorreu na manhã de ontem no Centro de ensino médio 4 (CED 4) do Guará, que, em abril deste ano, foi palco de uma briga entre professores, alunos e policiais (Leia memória). Segundo Avelar, a escolha foi simbólica e representa uma mudança nas políticas de segurança pública.

“As equipes vão estabelecer uma relação de confiança com a comunidade e estão preparadas para o desafio. Um policial trabalhará de manhã, outro à tarde e mais dois durante a noite”, afirmou.

O comandante do Batalhão Escolar da Polícia Militar, Eduardo Leite Souza, explicou que esse programa também vai resgatar um trabalho desenvolvido anteriormente pela corporação. Segundo Souza, o grupamento conta atualmente com 516 militares e a extensão da iniciativa está relacionada ao aumento do efetivo.

“Quando o Batalhão Escolar foi criado, em 1989, havia policiais fixos nas Escolas. Agora, vamos retomar esse trabalho. Com o aumento do número de soldados, mais Escolas serão contempladas. As outras unidades de Educação que não integram as 40 escolas escolhidas inicialmente também receberão reforço nas rondas móveis e com policiais a pé”, acrescentou.  Na avaliação do governador do DF, Agnelo Queiroz, esse trabalho visa criar uma cultura de paz para garantir a segurança da comunidade Escolar.

“Os alunos, pais, diretores eprofessores querem segurança nas salas de aula para desenvolver a atividade educativa. Também pretendemos levar isso para as Escolas privadas”, pontuou.

Para o diretor do CED 4, Antônio José Rodrigues, as drogas são responsáveis por criar os principais problemas nos colégios do DF. Segundo Rodrigues, o acesso aos entorpecentes está cada vez mais fácil e as dificuldades se multiplicam quando os pais dos alunos não acreditam que os filhos são usuários de drogas.

“Com a presença da polícia vamos diminuir os casos relacionados a droga e teremos um colaborador diário no combate a qualquer ilegalidade”, comentou.

Fonte:Correio Brasileinse (DF) - Todos pela educação

terça-feira, 12 de abril de 2011

Entre as 2.558 armas apreendidas em 2010 no DF, 11 foram encontradas dentro de estabelecimentos escolares

Dentro das escolas

Entre as 2.558 armas apreendidas no ano passado, 11 foram encontradas dentro de estabelecimentos escolares. Este ano já foram apreendias outras três. A falta de segurança em boa parte das 650 Escolas da rede pública do Distrito Federal levanta a questão sobre os riscos de uma tragédia como a que ocorreu no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, na última semana. As operações de segurança, realizadas em conjunto pelas polícias Civil e Militar, continuam a ocorrer nas cidades que registram altos índices de criminalidade, de acordo com informações da Secretaria de Segurança. No entanto, a segurança das escolas fica a cargo do Batalhão Escolar.


De acordo com o professor Felipe Dantas, a questão da violência e a presença de armas não é diferente nas escolas. É lá que passam boa parte do tempo aqueles que compõem atualmente o maior grupo de risco para o crime e violência indivíduos jovens e do sexo masculino alguns deles, inclusive, já cooptados pela chamada subcultura da violência, jeito de viver em que estão ausentes os pré-requisitos para a resolução pacífica de conflitos, mas muito presentes a posse e uso de armas de fogo, analisou.


O educador lembrou do caso em que a falta de segurança e a presença constante de armas de fogo no cotidiano dos jovens provocaram a morte do professor Carlos Ramos, ex-diretor do Centro de ensino fundamental nº 4, do Lago Oeste, morto em 20 de junho de 2008, por um ex-aluno envolvido com o tráfico de drogas na região onde ficava a Escola. Dantas ainda comentou que o Brasil encabeça o terceiro grupo de países que mais exportam armas de fogo. A maior parte dos homicídios no País é por armas de fogo. Essas mortes são motivadas por causas banais: brigas de bares e de trânsito ou desavenças entre casais. São desentendimentos fúteis que, por se ter uma arma na mão, se tornam fatais, afirmou o professor. Fonte:


Jornal de Brasília (DF)

quinta-feira, 31 de março de 2011

OPINIÃO: capital do saber

"Além de erradicar o analfabetismo, é preciso que todas as fases de desenvolvimento da criança e do adolescente tenham atenção especial desde o ensino infantil até a universidade", diz Osvaldo Russo

Osvaldo Russo*

O Distrito Federal é a Unidade da Federação com a maior renda per-capita do País, mas também é a que possui a maior desigualdade, existindo bolsões de pobreza e vulnerabilidade social, principalmente nas regiões administrativas mais carentes.

Assim como o governo federal vem fazendo, o novo caminho do Distrito Federal prioriza a abolição da miséria e a redução das desigualdades e da pobreza, com geração de empregos, distribuição de renda e oferta de serviços e benefícios sociais. Promover a cultura, o esporte e o lazer e recuperar os espaços públicos, incentivando os profissionais e artistas locais.

Da mesma forma, investir mais intensamente na geração de conhecimento e tecnologia, com ênfase na qualidade da Educação e no acesso à informação, criando as premissas para o desenvolvimento humano sustentável e melhores oportunidades e condições de vida para a população brasiliense. Todo mundo sabe que uma Educação de qualidade é o primeiro passo para um jovem garantir o seu futuro.

No Distrito Federal, 83% das crianças de 0 a 3 anos não possuem cobertura de creche e 5,2% da população de 10 anos ou mais não sabem ler escrever. Isso demonstra que ainda há muito a fazer. Além de erradicar o analfabetismo, é preciso que todas as fases de desenvolvimento da criança e do adolescente tenham atenção especial desde o ensino infantil até a universidade.

É preciso garantir que os jovens saiam qualificados do ensino médio, construindo também uma Escola técnica profissionalizante em cada região administrativa, além de levar o Ensino Superior para fora do Plano Piloto, beneficiando alunos mais carentes. Valorizar os professores da Educação básica e priorizar a Educação integral e a formação técnica profissional para garantir um futuro melhor para nossas crianças e mais oportunidades para nossos jovens. Brasília poderá, assim, transformar-se num centro de excelência em recursos humanos e em moderna capital do saber.


* Estatístico, diretor da Companhia de Planejamento do Distrito Federal, Codeplan

Fonte: Jornal de Brasília (DF)