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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Baixa procura e evasão acendem alerta em licenciaturas na UFMG

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Por Luiza Muzzi
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Reduções de quase 90% na procura por cursos de licenciatura da UFMG revelam um cenário nada promissor: mantida a atual tendência, não haverá, nos próximos cinco anos, candidatos a se formarem professores em uma das maiores universidades do país. Quando se avalia quem ingressou na última década em licenciaturas, a situação também preocupa. Enquanto o número de formandos diminui ano a ano, os abandonos crescem, com índices que ultrapassam 50% em alguns cursos.
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Segundo especialistas, a queda na concorrência é indício do crescente desinteresse pela docência. Para agravar a situação, entre os que se formam, são poucos os que realmente desejam a sala de aula como destino profissional. Seja apenas para obter um diploma de nível superior, seja para acessar outras ocupações, estudantes de licenciatura têm se interessado cada vez menos por dar aulas.
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Salários abaixo da média e condições de trabalho muitas vezes precárias parecem repelir da universidade quem teoricamente seria o primeiro interessado: o professor. “A explicação está no baixo valor do diploma. Quanto mais baixo esse valor, menor a atratividade que o curso exerce nas novas gerações”, explica o professor de sociologia da educação da UFMG João Valdir Alves de Souza. “O que acontece é que, no caso da docência na educação básica, há a combinação de baixo valor econômico, traduzido em salário, e baixo valor simbólico, que diz respeito ao prestígio”.
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Souza ressalta que a UFMG forma hoje metade dos professores que formava há dez anos. “É difícil prever, mas eu diria que, continuando da forma como está, a realidade aponta para o apagão de professores”, completa o professor Juarez Dayrell, da Faculdade de Educação.
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Pró-reitor de Graduação da UFMG, o professor Ricardo Takahashi reconhece o índice de sucesso menor que o desejável nas licenciaturas e explica que a década de 90 vivenciou um cenário de desemprego em que a opção de se formar licenciado garantia acesso a empregos em uma época em que não existiam oportunidades de outra natureza. No entanto, a partir do momento em que a economia se aqueceu, passaram a existir alternativas de formação que garantiam empregos melhores. “Isso parece ter levado as pessoas a migrarem para outras profissões, o que fragiliza o Brasil, porque a educação é o mecanismo pelo qual a gente forma as futuras gerações. É claro que desejamos ter pessoas com as mais diversas formações, mas não podemos esquecer que um requisito para isso é formar o professor. Esse é um gargalo estrutural do Brasil hoje e algo que põe em risco o futuro”.
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Se a crise na licenciatura já perdura há décadas, ela se agrava à medida que a profissão é desvalorizada, desestimulando ainda mais os candidatos à docência. Cursos que há 15 anos tinham demanda de 20 candidatos por vaga, hoje não passam de cinco. Em 2000, entre os dez cursos mais procurados da UFMG, quatro eram de formação de professores – e hoje nenhum deles aparece no ranking.
 
Coordenador do curso de história, que teve queda de quase 80% na procura entre 2000 e 2013, o professor André Miatello conta que por vezes os próprios pais e professores da rede básica desestimulam alunos em relação à carreira. “A educação perdeu seu status, mas não sua responsabilidade. O Estado exige que o professor seja o salvador da pátria, mas não oferece contrapartidas”.
 
Outro indicador diz respeito à idade média dos professores da educação básica, em torno de 35 a 40 anos, revelando que as novas gerações não são atraídas para a sala de aula. “Talvez a dificuldade para convencer os alunos esteja na diferença de oportunidades e de padrão de vida. Há oferta de emprego, mas normalmente implica remuneração abaixo da obtida em outras carreiras”, explica o pró-reitor Ricardo Takahashi. 
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Sisu. A adoção do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) pela UFMG em 2014 gerou um novo fenômeno de mobilidade dos estudantes. Se antes a evasão ocorria entre o quarto e o quinto semestres, com o Sisu percebe-se o processo de migração de alunos entre os cursos ainda no primeiro período.
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Licenciaturas. Nesse contexto, as licenciaturas foram afetadas, registrando altos índices de saída de alunos. O curso de matemá- tica diurno, por exemplo, te- ve 43 matrículas no primeiro semestre de 2014 e chegou ao segundo com apenas 35.
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Fonte: Jornal O TEMPO (MG)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Aluna é espancada em calourada no campus da UFMG

Uma aluna de pedagogia afirma ter sido espancada nessa quarta-feira (14), dentro do campus Pampulha na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na capital. Segundo a vítima, Miriam Gomes Alves, 26, o agressor cursa Restauração e Conservação na escola e é ex-namorado dela. A jovem contou que o ato de violência ocorreu durante discussão entre os dois. “Ele me jogou no chão, me arrastou pelos cabelos, me enforcou e sentou na minha cabeça. Infelizmente a gente vê esse tipo de machismo dentro de uma universidade”, relatou Miriam.
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O namoro durou um ano, e eles estavam separados desde fevereiro deste ano, segundo a jovem, que preferiu não expor o motivo da briga. A agressão teria ocorrido durante a festa de alunos da faculdade de Belas Artes, para recepcionar o calouros. Segundo a vítima, eles estavam em um local escuro e ninguém presenciou a agressão. A reportagem não obteve o contato do suposto agressor.
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Miriam conta que pediu socorro para o estudante de letras Franz Galvão Costa Piragibe, 26, por telefone. O jovem levou a vítima à 9ª Delegacia Distrital de Venda Nova para prestar queixa anteontem. “Ela estava machucada na cabeça, na perna e nas mãos. O pior é que a UFMG não pune esses agressores”, reclamou Piragibe.
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Queixas
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A falta de segurança no campus é alvo constante de reclamações de estudantes. Segundo eles, agressões como a dessa quarta (14) não são coibidas, e os autores não são punidos, diferentemente do que informou a UFMG. A assessoria de imprensa da instituição afirmou que os casos são apurados por processos administrativos e os responsáveis, punidos.
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A UFMG ainda informou que a vítima precisa prestar queixa à instituição – o que ainda não foi feito – para que um processo administrativo seja aberto. Entretanto, segundo a assessoria, o caso deve ser apurado após a publicação da reportagem de O TEMPO. O agressor pode receber advertência, suspensão e expulsão. A UFMG disse que, diante de agressão, os alunos devem procurar os seguranças do campus e que há uma guarita próxima ao prédio onde Miriam foi agredida.
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Denúncia. Nesta quinta (15), a jovem fez exame de corpo e delito no Instituto Médico Legal e prestou queixa na Divisão Especializada de Atendimento da Mulher, do Idoso e do Portador de Deficiência, que vai investigar o caso. Uma outra aluna da Universidade Federal de Minas Gerais teria sido agredida também por um estudante na última segunda-feira (12), durante uma festa também no campus Pampulha. Segundo o relato da estudante de ciências sociais Silvia Regina de Jesus Galvão, 35, uma estudante foi agredida e quebrou o dente.
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A reportagem de O TEMPO não conseguiu fazer contato com a vítima.
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“Estamos cada vez mais ouvindo esses relatos de agressão, que não são coibidas”, afirma a estudante. A UFMG disse que realiza palestras e debates repudiando qualquer tipo de agressão dos alunos.
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Entrevista
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Miriam Gomes Alves (estudante agredida)
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Como ocorreu a agressão?
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Primeiro, ele me agrediu verbalmente me chamando de louca e imbecil, depois apertou meu braço com força, me jogou no chão e começou a me bater. Ele chegou a me arrastar pelos cabelos, me enforcou e sentou na minha cabeça.
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Alguém te ajudou?
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Não. Nós estávamos em um lugar escuro e onde não tinha quase ninguém. Eu cheguei a ver duas pessoas uniformizadas passando, que eu acho que eram seguranças do campus, mas eles não fizeram nada. Eu liguei para um amigo que veio me buscar e me levou à delegacia.
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A senhora já ouviu relato de outras agressões a mulheres no campus?
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Sim. Essas agressões são recorrentes. Na última segunda-feira mesmo soubemos de uma aluna que quebrou um dente depois de ser agredida por outro aluno.
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Fonte: O Tempo (MG)

quinta-feira, 21 de março de 2013

Movimento estudantil convoca manifestação após trote polêmico na UFMG

por Tiago de Holanda (Publicação: 21/03/2013)
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Assembleia na Faculdade de Direito repercute trote: alunos prometem se mobilizar novamente hoje, Dia de Combate ao Racismo (Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Assembleia na Faculdade de Direito repercute trote: alunos prometem se mobilizar novamente hoje, Dia de Combate ao Racismo
Em repúdio ao trote ocorrido sexta-feira no prédio da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), organizações do movimento estudantil deve realizar um protesto hoje, data que a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu como Dia Internacional de Combate ao Racismo. A concentração dos manifestantes está prevista para as 8h, na Praça Afonso Arinos, no Centro de Belo Horizonte. Por volta das 9h, o grupo segue para um pátio no terceiro andar do edifício, onde uma encenação coletiva pretende criticar piadas e “brincadeiras” de conotação preconceituosa.
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O ato, que inclui a distribuição de panfletos e cartazes, tem a participação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG, da Assembleia Nacional de Estudantes Livre (Anel), da União Estadual dos Estudantes (UEE), do Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino (Sindifes) e da União de Negros pela Igualdade (Unegro). “A ideia é dialogar com o fato de algumas pessoas acharem que o que aconteceu no trote foi uma brincadeira”, explica a estudante de psicologia Andressa de Araújo Moreira, da Anel.
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O que parte dos alunos da faculdade tem considerado uma “brincadeira de mau gosto” são as cenas mostradas em fotos divulgadas na internet. Em uma delas, uma jovem, com o corpo tingido de preto, tem uma placa em que se lê “caloura Chica da Silva” e as mãos atadas por uma corrente segurada por um veterano. Em outra foto, ao lado de um calouro amarrado a uma pilastra, três veteranos fazem saudação semelhante à dos nazistas, um deles com um bigode pintado parecido com o do ditador Adolf Hitler.
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Em assembleia ocorrida no fim da tarde de terça-feira no câmpus Pampulha, os estudantes decidiram pedir que a direção da Faculdade de Direito inclua representantes dos alunos na comissão montada para investigar o trote, composta por três professores.  Decidiram também encaminhar manifesto ao reitor da universidade, Clélio Campolina, cobrando providências. “Queremos que aqueles que fizeram o trote sejam punidos e façam uma retratação pública”, afirma Andressa. As entidades autoras do manifesto divergem com relação à punição. “O que temos que cobrar é conscientização, que a cada semestre se faça uma campanha contra o racismo e outras formas de preconceito. As faculdades também devem ficar mais atentas, deve haver uma fiscalização mais eficaz por parte dos colegiados e coordenações de cursos”, opina o presidente da UEE, o estudante de história Rafael Leal.
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Presidente da seção mineira da Unegro, o estudante de ciências do Estado Alexandre Braga acredita que os alunos não devam ser expulsos. “Eles e outros que tenham feito trotes ofensivos têm que pegar uma suspensão de três meses. Isso ajudaria a evitar que esses casos se repetissem”, sugere. Ele acusa de omissão a direção da faculdade e o Centro Acadêmico Afonso Pena (Caap), que não teriam feito nada para evitar o trote. No início da noite de ontem, a diretoria do Caap divulgou nota de repúdio ao trote em que “se compromete a continuar agindo contra práticas discriminatórias e, de hoje em diante, posicionar-se contra trotes universitários tradicionalmente ocorridos nesta e em outras faculdades.”
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Chafurdando na lama.Três vídeos disponíveis no YouTube mostram que os trotes violentos na Faculdade de Direito da UFMG não são novidade. O primeiro, que mereceu uma reportagem do SBT em 2010, exibe cenas dos calouros sendo chamados de burros, recebendo ovos na cabeça e sendo obrigados a mergulhar em lama espalhada no Espaço Livre José Carlos da Matta Machado, administrado pelo Centro Acadêmico Afonso Pena (Caap). O segundo, feito em 5 de outubro do ano passado, foi postado por um estudante que critica o estado do pátio da faculdade, cheio de legumes e verduras misturados a lama. No áudio, o narrador denuncia que os calouros foram obrigados a rastejar no barro e diz que isso ocorre no início de todo semestre. O terceiro, de 2011, exibe uma “maratona” constrangedora: calouros de ambos os sexos, vestindo fraldas geriátricas, são obrigados a disputar uma corrida na Praça Afonso Arinos, durante o dia e no meio do trânsito.
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Nova denúncia de racismo na UFMG
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Em meio à comoção provocada pelo trote de conotação racista e nazista promovido há menos de uma semana na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, outra acusação de preconceito no ambiente da UFMG vem à tona. A escola de educação básica e profissional da instituição, o Centro Pedagógico, abriu ontem processo administrativo para apurar a denúncia de que um professor teria chamado de “macaco” um aluno do 8° ano, de 15 anos. A comissão criada para averiguar o caso tem 60 dias para apresentar suas conclusões.
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Segundo a diretora da escola, Tânia Lima Costa, o caso ocorreu na segunda-feira. O professor de português saiu da sala de aula, depois de deixar os alunos assistindo ao filme À procura da felicidade. “Quando ele voltou, os meninos estavam eufóricos”, relata. Foi quando o homem chamou o garoto de “macaco”, segundo ele mesmo admitiu à diretora, embora tenha alegado que não o fez de forma racista. “Ele disse que foi porque os meninos estavam fazendo um barulho parecido com o animal, que estavam fazendo macaquices. Mesmo assim, nada justifica o xingamento”, afirma.
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Tânia soube do ocorrido por meio de outro professor. “Pedi ao aluno que me acompanhasse, para conversar com minha equipe pedagógica. Quando cheguei à sala da direção, os pais já estavam lá e me contaram o que tinha acontecido. Depois, falamos com o professor denunciado, a monitora que estava na sala, o aluno ofendido e os demais estudantes”, conta. A diretora diz que nunca havia tido notícia de conduta reprovável por parte do educador, funcionário do colégio há cerca de 20 anos. Caso fique configurada a ofensa racista, o acusado pode ser advertido ou receber punições mais severas, como suspensão ou demissão. “Repudiamos qualquer atitude preconceituosa. A escola é pública e democrática. Um fato como esse mancha nossa história”, ressalta a dirigente. O professor não foi encontrado para comentar o caso.
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A mãe do estudante, que não quis se identificar, disse a uma emissora de TV que pretendia registrar um boletim de ocorrência na Polícia Militar. “O professor passou um filme e saiu da sala. Quando ele retornou, todos estavam falando alto e rindo. O meu filho riu um pouco mais alto. O professor pediu que todos saíssem. Aí ele disse para o meu filho: 'Você vai ficar. Agora quero ver você rir, macaco. Ri, macaco’”, afirmou. “Meu filho está muito chateado.”
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terça-feira, 19 de março de 2013

Centro Acadêmico se reúne com alunos da UFMG hoje para discutir trote racista

 
 (FACEBOOK /REPRODUCAO/ARQUIVO PESSOAL )
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Um ano depois de a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) prometer tolerância zero à prática do trote, um novo episódio volta a chocar a comunidade estudantil. A “brincadeira” desta vez, feita na sexta-feira à tarde no terceiro andar do prédio da Faculdade de Direito, no Centro de Belo Horizonte, teve conotações racistas e referência ao nazismo. Duas fotos postadas em perfis do Facebook provocaram revolta nas redes sociais e na própria faculdade. Uma das imagens mostra um calouro amarrado com fita numa pilastra e, ao lado dele, três alunos fazendo saudação nazista – um deles pintou um bigode semelhante ao do ditador Adolf Hitler. Na outra, uma estudante com o corpo tingido de preto tem uma corrente amarrada às mãos, puxada por um veterano, e uma placa onde se lê “caloura Chica da Silva”, em referência à escrava mais famosa de Minas.
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Saiba mais...
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Até o início da noite de ontem, havia 74 comentários sobre o episódio no perfil do Centro Acadêmico Afonso Pena (Caap), que participou da organização do trote, segundo estudantes. Embora parte dos alunos tenha considerado a ação apenas brincadeira de mau gosto, uma estudante que pediu para não ser identificada conta que muitos universitários e professores estão chocados. “É algo absurdo e reflete a humilhação de alunos, em especial das mulheres. Estudamos as formas de autoritarismo e fazemos críticas severas a isso. Achei incabível”, opinou. Ela diz que o trote é comum há anos. Um estudante do 5º período que também preferiu anonimato diz que o clima está pesado na faculdade. Ele acredita na possibilidade de os envolvidos não terem tido noção da dimensão que os fatos poderiam tomar. “O problema vai além de como duas pessoas se sentiram. É como a sociedade, a faculdade e estudantes de direito lidam com questões históricas, como preconceito e nazismo. São futuros juristas que estão fazendo essa barbaridade”, considera.
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Pega de surpresa pela divulgação das fotos, a UFMG informou que já abriu investigação sobre o caso. No ano passado, a instituição havia prometido punição severa para quem organizasse trotes. A decisão de aplicar com rigor maior o regimento da universidade ocorreu em março de 2012, depois que alunas do curso de turismo foram submetidas a trote com conotações sexuais. “Estamos surpresos pelo teor preconceituoso desse trote, fato que repudiamos na UFMG”, afirmou a vice-reitora da universidade, Rocksane de Carvalho Norton. O regimento da instituição prevê até expulsão em casos relacionados a trotes, mas a punição mais extrema foi descartada inicialmente pela vice-reitora. Segunda ela, a punição para os envolvidos, dependendo dos rumos da investigação que será feita pela direção da Faculdade de Direito, deve ser, no mínimo, de suspensão por 30 dias.
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Embora a UFMG reitere que o trote é proibido, alunos do direito confirmam que, todos os semestres, uma lista é passada para ser assinada tanto por quem vai aplicar o trote, se responsabilizando por qualquer excesso, quanto por quem vai recebê-lo. A vice-reitora da universidade reiterou que todo semestre são feitas campanhas, com o apoio do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e dos centros e diretórios acadêmicos, para relembrar os alunos da proibição dos trotes. A própria instituição organiza recepções aos novatos. Este ano, a mobilização com o tema “Trote não é legal” foi postada nas redes sociais e enviada aos alunos por e-mail.
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Comissões
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O DCE também repudiou os atos ocorridos na Faculdade de Direito. Coordenadora-geral do diretório central, Nathália Ferreira Guimarães diz que comissões estão sendo criadas em conjunto com a universidade para que as recepções sejam sinônimo de interação e não de violência. “Isso não é brincadeira. Qualquer tipo de opressão deve ser combatida o ano todo nas universidades”, defende. O presidente do Centro Acadêmico Afonso Pena, Felipe Galo, informou que o Caap está ciente dos fatos e que o assunto será tratado com os alunos em reunião hoje, às 11h30, para saber quais medidas serão adotadas. Para uma parte dos estudantes, há exagero na reação ao trote. Uma aluna que estava na faculdade na sexta-feira disse não ter presenciado nada ofensivo. “A parte que vi não é nada que não tenha ocorrido em anos anteriores”, afirma. “Foi uma infelicidade dos meninos. Eu os conheço, sei que não são preconceituosos e que a foto não retrata o que pensam. Eles estão muito abalados”, completa.
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Para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG), no entanto, a punição pode não se restringir à esfera acadêmica. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, William Santos, considera que todos os participantes podem responder por racismo e apologia ao nazismo, definidos na Lei 7.716/89. “Não é preciso que alguém faça uma representação. A ofendida é toda a sociedade”, avaliou. Santos classificou como “um negócio vergonhoso” as fotos. “Foi um trote absurdo, sobretudo em se tratando de estudantes de direito . Não merecem estar naquela faculdade”, opina. Ele defende que os estudantes sejam rigorosamente punidos. O crime de racismo tem prisão prevista de até 5 anos e multa. A pena para apologia ao nazismo é de 2 a 5 anos de prisão e multa.
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Escola tem 120 anos de história
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A Faculdade de Direito da UFMG, uma das mais tradicionais e concorridas do estado, completou 120 anos no fim de 2012. Ela abriu as porta na cidade de Ouro Preto, três anos depois da Proclamação da República, com o nome de Escola Livre de Direito. Entre os fundadores, estavam jovens e idealistas advogados, entre eles Afonso Augusto Moreira Pena, primeiro diretor e depois presidente do Brasil, Francisco Luiz da Veiga (vice-diretor), Afonso Arinos de Mello Franco, Antônio Augusto de Lima, Levindo Ferreira Lopes e Francisco Silviano de Almeida Brandão. A faculdade se transferiu para BH no ano seguinte à inauguração da capital e passou por dois endereços, antes de se instalar definitivamente na Praça Afonso Arinos, no Centro. O direito é um dos poucos cursos da UFMG que não funcionam no câmpus Pampulha.
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'Brincadeira' com conotação sexual
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Em março do ano passado, a UFMG decretou o fim das brincadeiras promovidas por veteranos a calouros na universidade depois de um trote com conotação sexual aplicado a um grupo de 20 alunas do curso de turismo, no prédio do Instituto de Geociências (IGC). Sujas de lama e tinta, elas teriam sido subjugadas por dois rapazes fantasiados de policiais que exibiam um cabo de vassoura com preservativo na ponta. Amarradas com cordas, as estudantes teriam sido obrigadas a introduzir o objeto na boca. Na ocasião, foi anunciado que o aluno que promovesse trotes poderia levar desde advertência, passando por suspensão das aulas, de três dias a seis meses, e chegando até a expulsão da universidade, em casos mais extremos.
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Fonte: Estado de Minas (MG)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Com licenciatura desvalorizada, pode faltar professor em Minas

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JOHNATAN CASTRO - A falta de interesse pelos cursos de licenciatura, motivada pelos baixos salários e pela desvalorização social dos profissionais, pode levar à escassez de professores nas salas de ensino básico de Minas Gerais em até dez anos. A constatação é feita por especialistas com base nos números de matrícula em cursos superiores. No caso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a maior do Estado, a procura pela carreira caiu 4% nos últimos anos. Em 2010, foram 6.815 matriculados, contra 6.510 neste ano.
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Para o professor de sociologia da educação e coordenador do Colegiado Especial de Licenciatura da UFMG, João Valdir Alves de Souza, o desinteresse pelos cursos de licenciatura - que formam professores - é preocupante e pode resultar na falta de professores em breve. "Mantida a atual tendência, em três ou cinco anos, não teremos candidatos aos cursos de licenciatura", afirmou, ressaltando que a relação candidato/vaga de cursos como letras e matemática diminuiu de cerca de 30 para apenas três nos últimos dez anos. "A UFMG está formando menos professores que no passado", constatou.
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O Censo da Educação Superior 2011, divulgado na última semana pelo Ministério da Educação (MEC), mostrou que a realidade é a mesma em todo o país. Segundo o levantamento, entre 2010 e 2011, o número de matrículas nos cursos de licenciatura ficou estagnado.
Sem estímulo. O motivo para a queda na procura é unanimidade entre os especialistas. "A carreira no magistério tem sido de baixa atratividade", afirmou Mozart Neves Ramos, conselheiro da Organização Não Governamental (ONG) Todos pela Educação. De acordo com ele, os baixos salários aparecem como o principal motivo para os jovens fugirem da profissão. "Um professor no Brasil ganha, em média, 40% menos que outros profissionais com a mesma titulação. E não é só o salário que resolve. Falta um plano de carreira", afirmou. A desvalorização social da carreira é outro problema. "Vivemos um cenário em que a figura do mestre tem sido empalidecida", afirmou Valdir Souza. Junto com isso, segundo ele, estão as condições de trabalho dos profissionais, que enfrentam falta de estrutura nas escolas e violência vinda de alunos.
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Para Mozart Ramos, entretanto, é preciso investir na profissão, de modo a resgatar o prestígio da carreira. "A gente tem que fazer esse diagnóstico, mas acho que a saída passa por um pacto social pela valorização da carreira do magistério como um todo. Em outros países, os professores ganham tanto ou mais do que um engenheiro ou um médico qualquer", concluiu.
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Carreira
Jovens não querem dar aulas
Os problemas apresentados pelos especialistas são perceptíveis também na forma como os alunos de cursos de licenciatura lidam com a carreira. A estudante do segundo período de letras Danielle Cardoso Ferreira, 22, por exemplo, não pensa em ser professora, apesar de já dar aulas particulares de português. "Esse era um curso que eu jamais pensei em fazer. Mas comecei e gostei. Só que o que quero mesmo é trabalhar com edição de livros", disse.
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Já a estudante Poliana Jardim Rodrigues, 24, entrou na faculdade de história por afinidade com a área e com o ato de ensinar. "Comecei com a intenção de partir para a rede pública, mas, depois que vi as dificuldades da profissão, resolvi ficar com pesquisa", explicou a jovem, que ressalta os baixos salários e as greves enfrentadas pela classe como os principais pontos de desânimo.
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Para Julia Lery, 21, que concilia o curso de história com uma faculdade de jornalismo, a falta de estrutura em muitas escolas e os casos de violência contribuem para esse cenário. "A maioria das pessoas que optam pela faculdade quer ser professor, mas, logo que elas entram na área, aparecem as frustrações", disse.
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A diretora do instituto de ciências humanas da PUC Minas, Carla Ferreti, credita parte dessa rejeição à forma como a sociedade tem visto a carreira de professor. "Isso acontece por essa impressão que as famílias têm de que as melhores carreiras são as que estão na moda". (Fonte: O Tempo (MG))

quinta-feira, 3 de maio de 2012

UFMG vai apurar pichação contra cotas em campus

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O Conselho Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) irá investigar um protesto em repúdio às cotas raciais em faculdades públicas. Com a frase "A UFMG vai ficar preta", a pichação foi feita nas portas de ferro de uma revendedora de motocicletas em frente ao campus da Pampulha, em Belo Horizonte.
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O ato de vandalismo foi feito na última sexta-feira e teria sido cometido como protesto à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada na última quinta-feira, que julgou ser constitucional o sistema de cotas para afrodescendentes.
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A assessoria de imprensa da UFMG informou que "repudia qualquer tipo de manifestação racista". Ontem, a instituição fez um registro fotográfico da pichação e encaminhou para a avaliação e apuração do conselho, que deverá oficializar hoje a abertura da investigação para tentar identificar os suspeitos de terem pichado o comércio. A porta de ferro foi pintada ontem. Apesar do protesto, a UFMG disse que, desde o vestibular de 2009, já adota o sistema de bônus para estudantes provenientes de escolas públicas - para conseguir o benefício, eles precisam ter estudado pelo menos sete anos em instituições públicas. Esses estudantes contam com um adicional automático de 10% sobre a nota dos concorrentes nos exames de seleção. Segundo a universidade, caso esses alunos se declarem negros ou pardos, eles ganham um acréscimo de 5% na pontuação.
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Ainda de acordo com a assessoria da UFMG, o que vale na instituição é o preparo do candidato, independentemente da raça. (GS)
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Fonte: O Tempo (MG)