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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Escolas particulares ignoram MEC e superlotam as salas

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Salas superlotadas, alunos desconfortáveis e sem a atenção necessária, pais insatisfeitos e professores sobrecarregados. O cenário, muitas vezes associado às instituições públicas, também é uma realidade na rede particular de Belo Horizonte. Em algumas escolas, 55 estudantes dividem o mesmo espaço, quando a recomendação do Ministério da Educação (MEC) é de 35. Para especialistas, o problema reflete a mercantilização da educação e prejudica o aprendizado.
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Segundo o MEC, o número de alunos em sala no ensino fundamental não deve ser maior que 30. No ensino médio, o limite é de 35 adolescentes. Mas a estudante Cláudia*, 17, que faz o terceiro ano do ensino médio no colégio Educare Pitágoras, divide a sala com outros 54 colegas. Ela acredita que, se o número fosse reduzido, teria mais atenção dos professores. A mãe da garota, Márcia*, 47, reclama que o valor pago de mensalidade, R$ 1.163, não condiz com o serviço. "No último ano antes do vestibular, as salas deveriam ser reduzidas para dar mais atenção à dificuldade e à ansiedade de cada um. Sou professora e sei que não conseguiria manter a mesma qualidade nesse cenário", diz. A doutora em educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carmem Eiterer explica que a preocupação dos pais é pertinente. "Eles não terão atenção individual. O ruído na sala aumenta, os meninos ficam mais dispersos, e, certamente, o aprendizado é comprometido. A escola prioriza o lucro em detrimento da qualidade."
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Fabiana* diz que se surpreendeu ao saber que a sala do filho de 12 anos, na sétima série do colégio Magnum, tem 43 crianças. Segundo ela, na série anterior eram três turmas, mas, nesta, a escola optou por condensar todos os alunos em apenas duas. A mensalidade é de R$ 887. "Pelo valor, o atendimento que recebemos deveria ser diferenciado. Mas, com tantos alunos, acho difícil que a escola cumpra esse papel", afirma.
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Cristiane* conta que a filha de 10 anos está em uma sala com 41 colegas, na terceira série do ensino fundamental, no colégio Santo Antônio. "O professor não poderá ser tão cuidadoso quanto deveria tendo que dividir a atenção com tantos meninos", lamenta.
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Contraponto. O diretor da unidade Venda Nova do Magnum, Eldo Pena Couto, garante que o excesso de alunos na sala de aula não compromete a qualidade do ensino. "Se eu tenho um bom profissional, ele atenderá a todos. Basta ver que as escolas tradicionais têm mais de 40 alunos, mas mantêm bons índices de aprovação no vestibular e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)", afirmou.

A diretora da rede Pitágoras, Andréa Brasil, diz que a sala citada comporta até 70 alunos com conforto, e que o número não compromete o ensino. O Colégio Santo Antônio não se pronunciou.
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Professores / Sindicato diz que lucro de instituições é abusivo

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O valor pago por seis alunos é o suficiente para arcar com o salário de um professor do ensino fundamental. A informação é do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro). Na avaliação do diretor da entidade Marco Eliel Santos de Carvalho, a superlotação não se justifica.
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Carvalho afirma que as crianças e os jovens estão cada dia mais hiperativos e demandando atenção. "Sem mencionar a saúde do professor. Ele terá que se esforçar fisicamente mais em sala e em casa, nas correções de provas e trabalhos, sem ganhar mais. As escolas têm que entender que educação não é uma mercadoria qualquer", disse.
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O Ministério da Educação (MEC) recomenda que os pais fiquem atentos e cobrem das escolas.

Público. A coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, disse que a superlotação é frequente na rede estadual. "Eles não podem recusar matrículas e lotam as salas". A Secretaria de Estado informou que nenhuma escola tem mais que 40 alunos, como manda a Lei 16.056/2006.
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(Fonte: O Tempo - MG)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Governo limita número de alunos em turmas

por JOHNATAN CASTRO
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Um projeto de lei aprovado pelo Senado ontem determina que as turmas de pré-escola e dos 1º e 2º anos do ensino fundamental da rede pública deverão ter o máximo de 25 alunos. As classes dos anos seguintes do ensino fundamental e do ensino médio devem ter até 35 estudantes, segundo o projeto. A medida, que será encaminhada à Câmara dos Deputados, joga luz na realidade de muitas escolas da capital, como afirma o presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação Minas Gerais (Sind-Ute/MG), Paulo Henrique Fonseca. "Belo Horizonte ainda possui muitas escolas com superlotação. Acho que os limites do projeto poderiam ser mais rígidos", disse.
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Apesar de Minas já possuir uma lei que estipula o limite de 25 alunos para os anos iniciais do ensino fundamental, 35 estudantes para as séries seguintes e 40 para o ensino médio, o presidente da Federação das Associações de Pais e Alunos de Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg), Mário de Assis, também ressalta o excesso de alunos. "Quase todas as escolas reclamam. Em salas mais vazias, o professor pode dar uma atenção mais individualizada, e a qualidade do ensino aumenta".
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Lotação. Sem saber informar a média de alunos por salas de aula, as assessorias das secretarias de Estado e municipal de Educação afirmaram que todas as escolas das redes obedecem aos limites impostos pelo governo do Estado e pela Lei Orgânica do Município. O representante do Sind-Ute/MG questionou. "Sabemos que não é bem assim. O problema é geral". Para a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, Maria das Graças de Oliveira, a lei irá além da melhora na qualidade de ensino e nas condições de trabalho no setor. "A novidade vai abrir muito mais vagas para professores", acredita a professora e autora de uma dissertação de mestrado sobre o tema.
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Escolas
Salas chegam a ter até 52 alunos
Para a professora de ciências Idalina de Oliveira, que trabalha na Escola Estadual Professora Maria Amélia Guimarães, no bairro Pirajá, na região Nordeste de Belo Horizonte, a superlotação tem sido uma realidade. De acordo com ela, como o Estado não libera a criação de novas turmas no início de cada ano letivo, a escola é obrigada a montar salas com grandes quantidades de alunos. "Só lá para o mês de abril, quando as turmas estão com até 52 alunos, é que eles liberam o remanejamento", contou.
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Apesar de haver essas mudanças a partir dos meses de abril e maio, os números continuam altos para a professora Idalina. Enquanto o novo projeto de lei determina até 35 estudantes para o ensino fundamental, ela enfrenta classes mais cheias. "Eu tenho turmas de 36, 38, 42 e até 44 alunos. Imagina um professor ministrar um conteúdo para essa quantidade de alunos? É muito difícil. Acho que não deveria passar de 30 estudantes", disse, ressaltando conhecer outras instituições de ensino que enfrentam o mesmo problema. (JHC).
Fonte: O Tempo (MG)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

CONSTRUÇÃO DA ESCOLA INFLUENCIA APRENDIZADO

Planejamento dos espaços deve levar em conta as características da comunidade

A correlação é imediata: quando se pensa em sala de aula, logo vem à mente um cômodo retangular, com carteiras dispostas em filas e a mesa do professor à frente. Exceto por uma ou outra experiência "alternativa", o modelo com séculos de uso é o que impera, tanto em escolas públicas como nas salas de aula da rede privada.

"Essa disposição facilita ao professor manter a ordem e o silêncio, mas não é o melhor para o aprendizado, não estimula a criatividade. Se você passa o tempo todo olhando para a nuca de seu colega, já não o valoriza", diz a arquiteta Doris Kowaltowski.

Professora da Universidade de Campinas (Unicamp), Doris acaba de lançar o livro Arquitetura escolar: o projeto do ambiente de ensino, com o objetivo de mostrar que a formação do aluno depende não apenas do professor e do material didático, mas também do espaço que frequenta. A lista de locais transcende os metros quadrados da sala de aula. Um projeto arquitetônico escolar deve levar em conta do projeto paisagístico à altura do mobiliário adequada para cada faixa etária.

Em uma pesquisa realizada com estudantes em fase de alfabetização de escolas públicas de Campinas, a autora pediu que as crianças desenhassem o que gostariam que houvesse no lugar em que estudam. O resultado mostrou que a maior parte das meninas gostaria que a escola tivesse parquinho e os meninos, campo de futebol. Foram raros os desenhos que mostraram um globo ou uma estante de livros.

"Os alunos não pedem uma biblioteca porque é algo que não lhes parece atraente. Pelo que eles conhecem de biblioteca, não conseguem imaginar que pode ser um espaço bonito e aconchegante, com poltronas confortáveis, por exemplo." Não há, porém, uma fórmula pronta. Pelo contrário. Uma das peculiaridades de um projeto arquitetônico escolar é que ele não deve obedecer a um formato padrão. A construção precisa levar em consideração as características físicas e sociais do entorno do ambiente.

"Cada comunidade tem os seus próprios valores. Uma escola vai ser mais bem aceita e bem cuidada à medida em que a população é inserida", explica Doris. "Uma boa estratégia para facilitar esse convívio é apresentar uma maquete do projeto e ouvir o que os futuros usuários têm a dizer." Foi o que ocorreu na favela Maracanã, que tem cerca de 6 mil habitantes e fica na zona sul de São Paulo. Por lá, a construção de uma creche foi resposta a um pedido antigo, feito há 20 anos pela população.

Mas os moradores só se sentiram envolvidos após serem convidados a participar da construção. O mestre de obras era da comunidade e, no início, voluntários da região ajudaram em tarefas como construir a laje. Inaugurada neste ano, atende a 64 crianças.

Na prática, no entanto, a construção de um ambiente ideal de aprendizado extrapola a planilha do arquiteto e esbarra em obstáculos antigos e complexos.

Na dissertação de mestrado que defendeu no ano passado na Unicamp, a arquiteta Marcella Deliberador entrevistou 44 escritórios de arquitetura que prestam serviço à Fundação de Desenvolvimento da Educação, órgão da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo que é responsável pela construção e reforma dos ambientes escolares. Entre os problemas apontados pelos arquitetos, a topografia foi o pior. "Muitas vezes, o terreno da escola é o pior do loteamento."

A creche da favela Maracanã, por exemplo, fica em uma área irregular e, por isso, a construção precisou desconsiderar algumas diretrizes. "A orientação é para que as escolas sejam térreas e tenham entrada de veículos em duas ruas", explica o arquiteto Adriano Bechara, que coordenou o projeto. "Mas o terreno era pequeno demais para não construir um nível superior e, no meio da favela, não passa nem carro. Para que faríamos duas entradas de veículo?", argumenta.

Se nas escolas públicas o terreno não favorece, no caso dos colégios privados a questão é convencer o dono sobre a importância das áreas livres, diz o arquiteto Vinicius Andrade, do escritório Andrade Morettin.

"Em muitas particulares, tudo segue a lógica do lucro. Se o terreno é na área nobre, o proprietário quer aproveitar todo cantinho. Daí, capricha na estética, que fica arrojada, mas por dentro continua apertada e, pior, inacessível, com muitas escadas.

Reformar as escolas antigas para atender aos deficientes físicos é outro desafio da arquitetura. "Adequar é mais difícil que construir uma nova. Não é só fazer uma rampa aqui, outra escada ali", diz Pedro Amando de Barros, do escritório Apiacás, responsável pela reforma da escola Caetano de Campos, no bairro da Consolação.

As obras começaram no ano passado e estão em curso, obedecendo a um cronograma que tem de respeitar a rotina dos alunos. "É preciso prever as etapas e deixar para o período de férias as intervenções mais substanciais".

AS MODIFICAÇÕES ARQUITETÔNICAS

- Império: Padrão pedagógico e arquitetônico voltado para a Educação religiosa. A escola funcionava na casa do professor ou em paróquias.

- Primeira República (1890-1920): A maioria dos edifícios ficava em áreas contíguas às praças. Os prédios eram imponentes, com pé-direito alto e imensas escadarias.

- De 1921 a 1959: A semana de arte moderna e a revolução de 1930 influenciaram a arquitetura. Os edifícios deixaram de ser compactos, e as construção passaram a ser de concreto armado, com grandes corredores.

- De 1960 a 1990: A demanda escolar aumentou, e o sistema de construção foi simplificado. As salas eram distribuídas num grande corredor com paredes de alvenaria e teto de laje pré-moldada.

- De 1990 a 2010: A arquitetura é bastante padronizada. Em São Paulo, predomina a edificação de três pavimentos. Os projetos incorporam a quadra de esportes coberta, que facilita o uso do espaço nos fins de semana pela comunidade.

Fonte: O Estado de São Paulo (SP)