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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Universidades virtuais

George Bernard Shaw fuzilou: “Desde pequeno tive de interromper minha educação para ir à escola”. Albert Einstein não ficou atrás: “É um milagre que a curiosidade sobreviva à educação formal”.
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Nossa sociedade celebra a educação, mas não perde oportunidade para criticar as escolas. E não faltam motivos. O Brasil tem um sistema peculiar. Nossa antiga classe média frequenta colégios privados e universidades públicas, nas quais entra sem objetivos, frequenta sem inibições e sai sem aspirações. Durante quatro ou cinco anos, convive com mestres de imponentes insígnias e pouco apreço à educação.
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Nossa nova classe média frequenta colégios públicos e universidades privadas, nas quais entra com algumas ambições, frequenta como pode e sai por sorte. Durante quatro ou cinco anos, convive com mestres que são verdadeiros operários do ensino, com muitas contas a pagar e pouco tempo para se dedicar.
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Agora, dizem os sabidos e novidadeiros, a grande novidade é a universidade virtual. Mais uma vez, profetizam, as novas tecnologias vão operar o milagre de transformar água em vinho, pedra em pão. Será?
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O Coursera é um start-up norte-americano criado pelos professores de Ciência da Computação Daphne Koller e Andrew Ng, da Universidade de Stanford, matriz maior de empresas do Vale do Silício. A empresa foi criada com a missão de oferecer, gratuitamente, por meio da internet, a qualquer indivíduo, a melhor educação do mundo, leia-se, aquela oferecida pelas melhores universidades. Por enquanto, a empresa sobrevive graças a investidores.
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O fato relevante foi o anúncio recente de que mais uma seleta lista de universidades concordou em fornecer conteúdo para o Coursera disponibilizar na rede. As parceiras da empresa agora incluem as universidades de Princeton, Duke, Stanford, Pensilvânia, Michigan, Toronto e Edimburgo, entre outras. Uma delas já declarou que reconhecerá créditos realizados no Coursera, outras duas informaram que colocarão mais 3,7 milhões de dólares na empresa, elevando os investimentos a 22 milhões de dólares. No próximo período letivo, o Coursera pretende oferecer mais de cem cursos online, visando atingir 100 mil alunos. Não é pouco!
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A educação superior tornou-se uma grande questão e, ao mesmo tempo, um grande negócio, atraindo empreendedores e investidores. O Coursera não está sozinho. Seus concorrentes incluem o projeto edX, da Universidade Harvard e do MIT, a Udacity e a Minerva. No Brasil, há iniciativas similares, tais como o Veduca, da iniciativa privada, e a Univesp, do governo do Estado de São Paulo.
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Pensada como negócio, a educação superior é extremamente ineficiente: é cara, atende apenas uma pequena parcela da população e desperdiça recursos, à medida que cada professor (um recurso escasso e caro) cria o próprio conteúdo e o repete semestre a semestre para pequenas plateias, nem sempre muito interessadas. Segundo Koller, do Coursera, as aulas tradicionais surgiram há centenas de anos quando havia apenas uma cópia do livro, a do professor. Portanto, a única maneira de transmitir o conteúdo era o professor sentar na frente da classe e ler o livro. Hoje, com o uso das tecnologias de informação e comunicação, há maneiras mais eficientes de transmitir conteúdo, sugeriu a empreendedora em entrevista para a revista The Atlantic.
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Naturalmente, as investidas da lógica de mercado sobre a educação superior causam arrepios. Entretanto, iniciativas como as do Coursera não devem ser temidas. Aulas ao vivo, para grandes plateias, como ocorre com frequência nos ciclos básicos dos cursos superiores, estão se tornando anacrônicas. Alguns professores tentam agir como animadores de auditório, usam anedotas e recursos performáticos para manter a atenção das hordas de apedeutas. A vítima é o aprendizado.
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Um sistema de estudo dirigido, com apoio de recursos online e que respeite o ritmo do aprendiz pode, eventualmente, ajudar. Afinal, o valor de frequentar uma instituição de ensino superior não está nas aulas básicas, mas no contato com professores e colegas, na criação de redes de relacionamento e, principalmente, no trabalho conjunto e na realização de projetos de interesse comum.
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Iniciativas como as do Coursera e de seus pares estão ainda em sua infância. Os conteúdos são fragmentados e muitos registros foram feitos simplesmente colocando-se uma câmera no fundo de uma sala de aula. A estética é pobre, e o material divulgado não é atraente. A grande promessa pode se transformar em grande decepção. Não terá sido a primeira vez. Não será a última. Talvez, o que precisamos é mais Jean Piaget e menos Bill Gates; mais Paulo Freire, menos Steve Jobs.
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Fonte: Carta Capital

quarta-feira, 19 de maio de 2010

NOTÍCIAS...

Rede de faculdades reduz custos para comprar grupo Iuni

Após herdar dívida de R$ 150 milhões de empresa matogrossense, grupo que controla Pitágoras adota ensino híbrido

Raquel Massote - Repórter - 18/05/2010 - 20:39

Estudantes da Unidade da Rio de Janeiro fizeram manifestação em frente à faculdade

Depois de adquirir o grupo matogrossense Iuni, em março deste ano, a Kroton Educacional desenvolveu para 2010 uma agenda focada no lema “low cost, high performance”. Entre os principais pontos desta agenda estão a redução da carga horária ao mínimo estipulado por lei.

Além disso, a empresa pretende obter ganhos de produtividade com maior número de alunos em sala de aula e empreender um rigoroso controle de despesas e investimentos. A Kroton atua no ensino superior com 24 faculdades próprias, com a marca Pitágoras e incorporou mais 16 faculdades, com a marca Iuni.

A partir da consolidação do investimento, a redução dos custos administrativos deverá atingir um patamar de R$ 20 milhões por ano. Ao ser procurada nesta terça-feira (18), a empresa não quis detalhar o planejamento. No entanto, uma das estratégias que deverão ser adotadas é intercalar aulas presenciais e virtuais, que geram menos gastos. Este novo modelo acadêmico foi denominado ensino híbrido.

A aquisição do Iuni levou aproximadamente seis meses para ser concluída e envolveu um total R$ 422 milhões, sendo que R$ 192 milhões pagos em dinheiro, além de uma participação de 6,31% do capital da Kroton transferidas ao fundador do Iuni, Altamiro Galindo. Além disso, a instituição de ensino mineira assumiu uma dívida de R$ 150 milhões contraída pelo empresa.

Durante a apresentação dos resultados referentes ao primeiro trimestre deste ano, realizada na semana passada, o grupo informou que grande parte das sinergias a serem capturadas pelo grupo, a partir da aquisição, deverá ocorrer a partir de 2011.

Entre estes pontos estão a unificação de uma série de estruturas. Entre os objetivos estão a adoção de um modelo pedagógico único no segundo semestre de 2010.

Para o analista em educação da Planner Corretora, Rafael Burquim, a operação trouxe um impacto sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre, principalmente no que diz respeito às margens. “O valor pago foi considerado alto pelo mercado e trouxe um choque sobre as margens da companhia”, disse o analista. De acordo com ele, os desafios das empresas educacionais que são listadas em bolsa é diminuir custos, sem que isto implique em perda de qualidade no ensino. “Este é um ponto delicado, principalmente no setor de educação”.

O lucro líquido do grupo caiu 20,4% no primeiro trimestre de 2010, sobre o mesmo intervalo do ano passado, para R$ 19,8 milhões. O resultado foi, em grande parte, afetado pelo aumento das despesas operacionais, que subiram 80,7%, na comparação entre os dois intervalos e atingiram R$ 35,6 milhões. No que se refere à Receita Líquida houve um incremento de 37,3%, para R$ 144,4 milhões. A margem Lajida ajustada, ou a relação entre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) ajustado e a receita líquida caiu de 31,8% para 21,1%. “Este ano o grande desafio do grupo é elevar estas margens”.

A Kroton é atualmente controlada pelo fundo americano Advent, que em junho do ano passado adquiriu 50% do capital da Pitágoras Administração e Participação (PAP), holding que detém 55% da empresa. A outra metade da PAP continua nas mãos dos fundadores da empresa, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e os empresários Evandro Neiva e Julio Cabizuca.

Após a aquisição do Iuni, o Kroton praticamente dobrou de tamanho e passou a contar com 86 mil alunos matriculados no ensino superior. O grupo atende ainda 265 mil estudantes do ensino básico que adotam o sistema de ensino (apostilas) Pitágoras, por meio de 720 escolas associadas.

Atualmente o grupo está presente em 28 cidades e 10 estados brasileiros. A incorporação não envolveu a sobreposição de faculdades. A Kroton tem 24 unidades nas regiões Sul e Sudeste e o Iuni conta com 16 faculdades no Centro-Oeste, Norte e Nordeste.