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domingo, 10 de novembro de 2013

Como milhares de alunos, professores enfrentam dura rotina entre a casa e a escola

Uma hora e 15 minutos é o tempo que a professora Darlene Aparecida Bispo de Moura Pimenta, de 50 anos, gasta para chegar a uma das escolas em que leciona em Ribeirão das Neves, na Grande BH. Com sacrifício, mas muita dedicação, ela enfrenta 88 quilômetros de viagem de ida e volta diariamente, entre o Bairro Tupi, Norte da capital, onde mora, e as duas instituições.
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No domingo passado, o Estado de Minas mostrou as dificuldades e os riscos enfrentados por estudantes na zona rural e nas estradas para chegar à escola. E hoje conta como professores, a maioria mulheres, enfrentam drama às vezes maior, que implica duas jornadas. São lições de sacrifício e esperança por um futuro melhor para educadores e alunos.
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“Acordo às 4h25 para preparar o café da manhã do meu filho, tomo banho e me arrumo. Tenho de sair de casa no máximo às 5h15 para não perder o ônibus. O próximo só passa às 5h35 mais lotado ainda”, conta a professora. Na madrugada fria e chuvosa, ela anda dois quarteirões por ruas desertas, pega o primeiro ônibus às 5h20 e desembarca às 5h45 na esquina das ruas Guaicurus e Rio Janeiro, no Centro. Percorre mais dois quarteirões a pé e toma outro ônibus, mais vazio do que o anterior, às 5h50, na Avenida Oiapoque. Às 6h10, o coletivo chega à BR-040 com o dia já claro."
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As viagens diárias costumam ser tranquilas quando não ocorrem acidente ou manifestação fechando a BR-040. Ela consegue chegar ao Bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, às 6h27. Desembarca na rodovia, atravessa uma passarela, anda mais um pouco e chega às 6h30 à Escola Estadual João de Almeida, onde prepara o material didático durante uma hora e vai para a sala de aula às 7h30.
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A segunda jornada de trabalho de Darlene começa às 11h45, quando ela embarca no ônibus na 040 e vai para a Escola Estadual Henrique Sapori, no Bairro Veneza. Chega às 12h10 e sai às 17h35. “Desço do ônibus em BH por volta das 18h30, no Bairro Coração Eucarístico, e pego outro ônibus para o meu bairro, onde chego às 19h40”, conta.
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Darlene e milhares de outras professoras mineiras se desdobram em até três empregos para garantir renda melhor. Além do estresse da profissão, elas sofrem com o desgaste dos deslocamentos. Professora há 21 anos na escola do Veneza, ela diz que já se acostumou com a viagem. O ônibus para o Centro de BH sempre chega lotado. Dificilmente, ela consegue um lugar para sentar, mas na sexta-feira teve sorte. O motorista, entretanto, passou apressado pelo quebra-molas e o ônibus jogou os passageiros para cima, despertando quem estava no cochilo. A professora diz que já passou por situações mais difíceis. Quando se separou do marido, em 1995, a filha Dandara tinha 7 anos e o filho Marco, 5. “Uma moça ia do Bairro Veneza tomar conta deles lá em casa. Quando ela faltava, eu deixava uma criança tomando conta da outra. Muitas vezes, a mais velha telefonava dizendo que o irmão estava passando mal e eu não podia fazer nada. Eu ficava na escola, mas com a cabeça em casa, preocupada. Só chegava às 7 da noite”, lembra. Quando chega à 040, Darlene pede proteção a Deus, mais ainda quando chove. Ela diz ter visto diversos acidentes graves da janela dos ônibus. Uma vez, o próprio coletivo em que estava bateu num carro e começou a pegar fogo. “Tivemos que descer às pressas e pegar outro ônibus”, contou. A professora também reclama da falta de tempo para a família. “Em casa, sou a primeira a sair e a última a chegar”, diz, orgulhosa de Dandara, hoje com 25, que na noite anterior se formou em gestão pública e já trabalha na UFMG. “O caçula tem 22, estuda para concurso público e é sócio do primo numa empresa de tele-entrega de sanduíche”, comenta.
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Hipertensa, Darlene mostra a lista de medicamentos que toma: “Na escola, todo mundo usa remédio controlado”. Caprichosa, ela mostra seus cadernos com planos de aula, um para cada escola, trabalho que normalmente faz à noite, quando chega em casa, e também nas folgas de fim de semana.
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Três horas no trânsito
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Em BH, a rotina das professoras é similar à de outras cidades, segundo a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (Sind-Rede/BH), Andréa Carla Ferreira, de 42. Ela é professora de história no Bairro Dom Silvério, na Região Nordeste, e de geografia em uma escola estadual de Vespasiano, na Grande BH. Como os educadores da rede de ensino estadual, ela enfrenta dura jornada no dia a dia. São mais de três horas diárias no trânsito, quando não há engarrafamento na MG-010 e na Avenida Cristiano Machado. “Tenho medo de acidentes na estrada, principalmente quando chove e a pista fica escorregadia”, disse.
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Andréa sai às 6h15 do Bairro Cachoeirinha, na Região Nordeste, e vai de ônibus para o Dom Silvério. Depois das aulas, pega carona até a Cristiano Machado, onde embarca em um ônibus para Vespasiano. “Gasto duas horas só para ir e voltar de Vespasiano. Para o professor, não é vantagem usar o carro, pois ocorre o desgaste do veículo, manutenção e combustível. É muito caro”, disse. A professora também reclama dos gastos com o transporte. “Em BH, recebo o cartão BHBus. Mas, para Vespasiano, arco com as despesas.”
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Durante a semana, Andréa fica por conta do trabalho e retorna tarde para casa. “Dependendo do dia, ainda trabalho à noite em Vespasiano, mas normalmente saio às 18h.
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Proposta de reajuste está em tramitação.
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A Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou que em 25 de outubro apresentou projeto de lei à Assembleia Legislativa com proposta de reajuste salarial de 5% para os servidores da educação. A progressão na carreira, que estava prevista para janeiro de 2016, será antecipada em dois anos, com 2,5%. O remanejamento de professores é definido no edital dos concursos e o candidato já escolhe previamente a cidade para onde quer ir. A transferência é regida por lei específica, segundo a secretaria, que define prazo para solicitação de remanejamento, disponibilidade de vaga na escola visada e outros critérios.
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Entre a família e a sala de aula

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Professora da Faculdade de Educação da UFMG e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Inês Teixeira diz que os educadores enfrentam muito mais dificuldades na zona rural. “Ou o professor mora perto da escola, fica lá de segunda a sexta-feira, longe da família, muitas vezes em condições muito precárias, ou ele sai de casa todos os dias para ir à escola de várias formas, como kombi, motocicleta e bicicleta”, diz.
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Em sua pesquisa sobre a rotina de professores, Maria Inês afirma ter encontrado profissionais que iam trabalhar a cavalo. “Em época de chuva tem barro. Em época de sol, poeira”, afirma a professora., que também é coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Condição e Informação Docente (Prodoc), que reúne pesquisadores da educação superior, profissionais de várias instituições universitárias e redes de educação básica.
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Há duas situações que levam o educador a se sacrificar tanto, segundo Inês. Uma é a busca por renda maior, o que leva a pessoa a seguir de uma escola para outra. “No ensino rural ele dobra. Fica ali de manhã e de tarde. No caso das escolas das cidades, eles saem de uma escola para outra, mas pelo menos têm transporte público. Já encontrei professor que comia marmita no ônibus quando ia de uma escola para outra”, conta.
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A grande maioria dos professores é de mulheres, muitas com tripla jornada de trabalho, disse a pesquisadora. “Elas chegam cansadas em casa e têm que preparar marmita para o dia seguinte. Algumas podem almoçar na escola ou comer a merenda dos meninos”, disse. Quando têm filhos, as professoras arrumam alguém para tomar conta deles e levá-los à escola, segundo Inês.
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A pesquisadora também lembra o trabalho extraclasse que a profissional leva para casa. “Por tudo isso, o índice de adoecimento dos professores é um dos mais altos entre as categorias profissionais”, informou. O professor convive com outros desgastes em sala de aula. Segundo Inês Teixeira, os alunos têm muitas dificuldades e chegam à escola com problemas familiares e sociais, o que aumenta a exigência sobre o trabalho docente. “É uma profissão com alto índice de envolvimento humano e emocional. Inclusive, o corpo do professor fica completamente exposto. Ele fica com 45 meninos aqui, mais 35 acolá, e vai pulando de turma em turma e isso aumenta o estresse. Uma hora, está com uma turma com um perfil e depois está com outra com perfil totalmente diferente”, disse.
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“O professor vira um aconselhador do pai do aluno, um assistente social, e tudo vai cair na mão dele. Sala de aula é como um espelho da sociedade. O menino não está atento porque às vezes é um problema na família. Inclusive, os alunos já chegam à escola com muita experiência de violência que aprenderam no mundo lá fora”, conclui Inês Teixeira. No primeiro semestre, segundo ela, foram 125 mil atendimentos periciais e 934 licenças médicas de professores por motivo de saúde, muitos agravados pelo estresse.
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quinta-feira, 13 de junho de 2013

'Foi revolta', diz professora que virou ícone da redução de salário no CE

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O choro da orientadora educacional Antônia Lucimeire Oliveira, 41, na última quinta-feira (6), foi o retrato fiel da indignação dos professores e servidores da rede municipal de Juazeiro do Norte (a 548 km de Fortaleza), que terão seus vencimentos reduzidos em até 40%.
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Na tarde da última quinta-feira, a orientadora da escola municipal Izabel da Luz foi até a Câmara de Vereadores para pressionar os parlamentares a não aprovarem o projeto da prefeitura que previa mudanças no PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração). Mas não segurou o choro antes mesmo da votação. Ela considera que o choro é um desabafo da 'revolta' dos professores.
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"Na verdade, aquele choro veio depois de um grito e foi antes da votação. Foi uma forma de desabafar o que estava sentido e via naquele momento. Estávamos passando uma pressão muto grande. A polícia já tinha soltado spray de pimenta, e eu tinha de desabafar de algum jeito. Nunca tinha participado de algo daquele tipo, só via na televisão. Não havia necessidade de haver policiais armados com pistolas, fuzis", comentou, em entrevista nesta quarta-feira (12) ao UOL.
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Nessa terça-feira (11), os servidores entraram em greve para protestar contra a aprovação do projeto.
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Choro antes e depois
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Oliveira disse que apesar de só ser fotografada antes da sessão, após a aprovação, chorou novamente. "A indignação foi a mesma. O caráter de revolta foi o mesmo. Chorei por tudo: pela humilhação, pela decepção. Fiquei muito mal. Passei dois dias aérea. Toda vez que a gente lembra, sofre de novo ", disse.
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A orientadora disse, que no momento em que foi anunciada a aprovação, se sentiu "péssima." "Foi como se a gente, como se a voz do povo, de uma sociedade organizada em grupo, não tivesse valor algum. Aquela sessão não tinha condições de aprovar nada, até por conta do que houve, do barulho. Ninguém conseguia se expressar para o outro. Creio que foi um desmando, uma desconsideração com a nossa classe, já tão sofrida", contou.
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A professora lembra que a conquista do PCCR veio após longa luta da categoria no ano passado. "Quando a gente pensa que está tranquilo, depois de tanta luta, vê que não está. A gente não sabe nem como chamar isso. É um absurdo, principalmente a forma como feito. Vimos que aqueles representantes do povo, não são: são representantes deles próprios. Isso foi muito ruim para a população, para nós, professores. É incrível como eles não ligam em ter uma imagem de uma Câmara tão negativa"
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Histórico e foto
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Oliveira começou como professora da educação infantil em 1993. Aprovada em concurso público como orientadora educacional em 1997, foi contratada pela prefeitura de Juazeiro do Norte em 2001, onde está desde aquela época. A orientadora diz que não sabe quanto vai perder de rendimento com a decisão da Câmara. "Não tenho ideia, uma amiga ficou de ver isso", afirmou, sem citar o salário.
A orientadora disse que, desde a quinta-feira, por conta da repercussão da foto, ficou mais reservada. Ela não esconde, porém, que a imagem do seu choro é um retrato fiel de um sentimento que tomou conta da categoria. "Aquela foto expressou a revolta da gente. Não só pela aprovação, mas principalmente pela violência. Estou procurando me manter mais afastada, minha imagem já rodou demais. Se a foto está para ajudar a nossa causa, os professores, ótimo! Mas não vou permitir charge", disse Oliveira, citando que já foi alvo de dois desenhos que foram colocados nas redes sociais e pediu para que fossem excluído.
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Oliveira ainda disse que tem esperança de que a aprovação da Câmara seja revertida. "Tenho esperança que eles caiam em si, que isso não é bom para população. Há outros meios para resolver a situação. A gente espera que a lei não seja sancionada, que Deus toque o coração deles", finalizou.
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A redução
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Em nota oficial, a prefeitura de Juazeiro informou que a reformulação do PCCR teve de ser feita para que as contas municipais pudessem fechar sem débitos e que atualmente para manter o pagamento dos professores como está "extrapola o limite de 60% dos recursos do Fundeb e deixa apenas 13% para investimentos no setor ao invés dos 40% definidos em lei". O prefeito Raimundo Macedo (PMDB) disse, em nota, que sua preocupação é pagar os salários dos servidores em dia e afirma que a gestão anterior deixou um débito de R$ 5 milhões para serem arcados pela sua administração.
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A nota destaca ainda que a reforma do PCCR "em nada alteram a condição dos professores de Juazeiro em continuarem recebendo um dos maiores salários do magistério em nível de Ceará e desafia comparações. Nenhum professor terá seu salário reduzido, conforme garantia dada pelo próprio município." A procuradoria do município afirmou que "na realidade o que aconteceu foi a incorporação de 10% da gratificação ao salário base." 
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terça-feira, 16 de abril de 2013

Professores cobram direito de comer merenda dos alunos no País

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Às quartas-feiras, a professora Júlia Costa começa o dia às 6h20 para lecionar na Escola Estadual Professora Maria Amélia Guimarães, em Belo Horizonte (MG), onde também trabalha à tarde. Depois, ela segue para outra instituição, em que dá aulas à noite. Finalmente, volta para casa por volta das 23h30. Nessa rotina, a docente tenta encontrar tempo para preparar o almoço que levará para a escola durante a semana, uma vez que não é permitido que professores consumam a merenda escolar.
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"Cumpro 32 horas de aulas presenciais por semana e oito fora da sala de aula. Às vezes a jornada fica corrida, não dá tempo de parar para almoçar", conta Júlia. Ela explica, ainda, que muitos professores trabalham nos três turnos, comumente em escolas diferentes e, por perderem tempo no deslocamento de um local a outro, não conseguem reservar tempo para comer.
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Na lei nº 11.947, que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica, fala-se que a merenda é direcionada ao estudante, e o docente não é mencionado. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pelo programa, explica que o valor direcionado pelo governo é exclusivo para alimentação dos alunos, e que cada localidade deve fazer a gestão da alimentação dos professores e servidores dos colégios da rede pública.
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Para reverter o quadro, está em tramitação na Câmara dos Deputados um projeto de lei para assegurar o direito à alimentação escolar aos professores da rede pública de ensino básico. O PL 4427/12, do deputado Jilmar Tatto (PT-SP), altera a lei nº 11.947. Outro projeto, da deputada Sandra Rosado (PSB-RN), já previa a concessão do alimento excedente da merenda aos profissionais da educação. O PL 4427/12 foi apensado (agregado) ao 3114/12, que será analisado de forma conclusiva pelas comissões de Educação e Cultura e Constituição e Justiça e de Cidadania, conforme informações da Agência Câmara de Notícias.
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Professores ficam com as sobras
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A professora Júlia afirma que desde 2008 a alimentação dos docentes é uma incógnita em algumas escolas. Na época, apesar de haver a proibição de que os professores comessem a merenda dos alunos, muitas instituições faziam vistas grossas, como ainda hoje acontece. Segundo a professora, em meados do ano passado, a escola onde trabalha foi informada de que a situação não seria mais permitida, mas que os professores poderiam comer, caso sobrasse merenda após o lanche dos estudantes.
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"A questão é que, muitas vezes, não sobra. Nessas situações, nós temos que fazer uma vaquinha para almoçar", relata. Hoje prepara a comida em casa para levar para o trabalho, algo que, segundo ela, tornou-se comum entre os colegas.
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A professora Idalina Franco de Oliveira, do Conselho de Alimentação Escolar de Minas Gerais, explica que a situação não é padrão - há instituições que permitem que os professores se alimentem da mesma comida dos alunos, outras não. Ela destaca que, como ocorre na escola em que Júlia leciona, nos colégios que liberam a merenda, essa é oferecida depois que os estudantes comem.
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Idalina aponta ainda que a exigência da categoria se dá, principalmente, no sentido de que haja um investimento por parte do Estado na alimentação dos professores nas escolas. "Reivindicamos que haja uma contrapartida do governo estadual. Não queremos sequer questionar se é permitido ou não comer as sobras dos alunos", destaca.
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Em fevereiro de 2012, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais encaminhou às superintendências regionais de ensino um documento com orientações sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), para "reforçar a orientação do Ministério da Educação para a correta utilização da merenda escolar", conforme nota divulgada no site da pasta em março. A secretaria diz que a proibição de que os professores comam a merenda dos estudantes é uma orientação federal. A pasta esclarece ainda, por meio da assessoria de imprensa, que "todas as reivindicações dos professores são discutidas quando apresentadas em fórum apropriado, como em reuniões realizadas entre representantes do governo de Minas e os representantes da categoria".
.Greve
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Em fevereiro, a notícia de que não poderiam mais se alimentar da merenda dos alunos foi o estopim para que os professores de Sapucaia do Sul (RS), na região metropolitana de Porto Alegre, declarassem greve, uma vez que a categoria não ganha vale-refeição. Uma professora de uma escola da rede municipal da cidade, que não quis se identificar, explica que os docentes tinham como costume comer junto às crianças e nunca haviam sido informados da proibição até então. O hábito foi vedado após uma denúncia na Justiça. O impasse foi resolvido por meio de uma lei aprovada na Câmara Municipal que autorizou o fornecimento de alimentação a professores e servidores da educação. No decreto, consta a ressalva de que "as despesas decorrentes desta Lei correrão por conta das dotações orçamentárias da Secretaria Municipal de Educação".
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Christianne de Carvalho Stroppa, professora de direito administrativo da PUC-SP, explica que, em termos de regra jurídica, é correto que a merenda escolar seja direcionada ao aluno e não inclua o docente. "Contudo, o professor como servidor público tem direito a ticket de alimentação ou a receber o benefício por outro meio, e isso deve ser concedido pelo ente público, não precisa ser compreendido na legislação da merenda", esclarece, explicando que o governo deve assumir os gastos com seus funcionários. 
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Fonte: Terra (on line)

sábado, 23 de março de 2013

Alunos da rede estadual tomam ruas do Centro

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Estudantes de oito colégios da rede estadual tomaram as ruas do Centro em protesto na manhã desta sexta-feira (22). Entre os participantes do movimento unificado pela melhoria nas condições de ensino estavam alunos das escolas estaduais Batista de Oliveira, Delfim Moreira (Grupo Central), Duarte de Abreu, Duque de Caxias, Estevão de Oliveira, Fernando Lobo, Instituto Estadual de Educação (Escola Normal) e Juscelino Kubitschek (JK). O ato também contou com apoio de movimentos estudantis e sindicais, além de alguns pais e professores, provocando retenções nas principais vias da região central. Quem se deparou com o trajeto da passeata se surpreendeu com a quantidade de gente e precisou aguardar para prosseguir. "Acho muito bom fazerem isso, porque é um absurdo vermos a degradação desses prédios históricos das escolas estaduais. Estudei no Grupo Central e tenho muito amor por este espaço", disse uma aposentada que passava na hora do protesto. Já alguns motoristas ficaram impacientes com as interrupções no tráfego e preferiram cortar caminho, desviando do ato.
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Depois de se concentrarem em frente à Escola Normal, na esquina da Rua Espírito Santo com a Avenida Getúlio Vargas, os manifestantes tomaram a pista de subida da Avenida Itamar Franco até o cruzamento com a Avenida Rio Branco. Na via, eles realizaram paradas em frente à Superintendência Regional de Ensino (SRE) e ao colégio Delfim Moreira. O movimento provocou retenções no trânsito da região central, devido à aglomeração de manifestantes. Conforme estimativa de policiais lotados no Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PPTran), cerca de 200 pessoas participaram do protesto. Já o grupo de estudantes que liderou a ação acredita que pelo menos 300 estudantes acompanharam a passeata. Policiais militares seguiram o percurso para garantir a segurança e para que o fluxo de veículos não fosse totalmente interrompido. Já no final da manhã, na dispersão do ato iniciado às 7h, agentes de trânsito também atuaram nos principais cruzamentos.
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Os manifestantes ainda tomaram por alguns minutos as escadarias da Câmara Municipal, no Parque Halfeld, mas depois saíram novamente caminhando pelas ruas do Centro até chegarem à esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Espírito Santo, onde se localiza a sede da SRE, no edifício Alber Ganimi. Os alunos chegaram a montar uma comissão com integrantes de todas as escolas, com a intenção de se reunirem com representantes da superintendência. No entanto, desistiram de aguardar em frente ao prédio e seguiram novamente em protesto até o Conservatório Estadual de Música, localizado na Rua Batista de Oliveira.
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Conforme o presidente do grêmio estudantil do Instituto Estadual de Educação, Juliano Rezende, 17 anos, o movimento foi organizado pelos próprios alunos e tem a intenção de cobrar do Governo de Minas e da SRE medidas urgentes para melhorar o ensino na rede pública do estado. No início do mês, outros protestos foram realizados questionando a falta de professores e a demora em solucionar falhas na infraestrutura de algumas instituições de ensino, o que foi denunciado em uma série de reportagens da Tribuna. "Esses meninos se mobilizaram para lutar por uma educação de qualidade e contra o sucateamento das escolas. Eles não querem que se repita nos próximos anos a demora na contratação de professores, já que, até agora, temos quadros incompletos", disse a professora de história Ângela de Paula. Pai de uma aluna da escola Duque de Caxias, Francisco Martins, 56, acompanhou o protesto. "Vivemos em um país onde há liberdade para manifestar, mas faltam movimentos como este, para denunciar os problemas e cobrar a aplicação do dinheiro público."
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Vereadores se mobilizam para acompanhar a situação
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Depois de os alunos tomarem a escadaria da Câmara Municipal no protesto da manhã de sexta, o assunto foi alvo de comentários dos vereadores na reunião que ocorreu em seguida no plenário. Depois da pauta, a Comissão de Educação da Casa, integrada pelos vereadores Roberto Cupolillo (Betão-PT), Ana Rossignoli (PDT) e Jucélio Maria (PSB), informou que pretende realizar encontro com os representantes da Superintendência Regional de Ensino (SRE) e da Secretaria de Educação municipal no próximo dia 8 de abril. Uma audiência pública também foi solicitada por Luiz Otávio Coelho (Pardal - PTC) para discutir o tema no dia 17. Ana Rossignoli (PDT) disse ainda que vai entregar representação a ser encaminhada para SRE, Secretaria de Estado de Educação e Governo de Minas cobrando solução para a questão, que envolve falhas na infraestrutura, atraso na contratação de docentes, falta de mobiliário e turmas que estariam com mais alunos do que a capacidade física das salas.
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A assessoria de imprensa da Secretaria Estado de Educação (SEE) informa que a superintendente Belkis Furtado recebeu um grupo de alunos na manhã desta sexta, para ouvir as demandas. À tarde, foi realizada reunião com os diretores das escolas para repassar os questionamentos, que serão apurados. Caso as denúncias tenham procedência, a pasta diz que tomará as providências cabíveis. Em relação à falta de professores, a assessoria informou que um problema ocorrido no início do período letivo no sistema de contratação atrasou algumas designações, tendo sido corrigido rapidamente, mas defende que as nomeações de concurso público realizado foram iniciadas e que, até julho, 150 vagas serão preenchidas na cidade, solucionando este problema.
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Quanto às falhas estruturais nas escolas Delfim Moreira e Duarte de Abreu, que envolvem desde portas e janelas quebradas, infiltrações, goteiras, falta de mobiliário e falhas no assoalho (que cedeu na Delfim Moreira, provocando acidentes com aluno e professor), a SEE disse que, como medida emergencial, autorizou o aluguel de um imóvel para transferência dos alunos da Delfim Moreira até que as obras sejam realizadas no prédio atual, que é tombado pelo Município. O projeto de restauro e reforma orçado em R$ 200 mil está em fase de elaboração, e um espaço para alugar já estaria em análise. Já na Duarte de Abreu, a secretaria afirma que, desde o ano passado, recursos da ordem de R$170 mil foram empregados na reforma do telhado e do banheiro dos alunos. Além disso, no fim de 2012, outros R$ 160 mil teriam sido liberados para obras gerais, que estão em fase de licitação. As escolas Batista de Oliveira, Duque de Caxias, Normal e JK também serão contempladas com reforma. No caso da Normal, cerca de R$ 300 mil já foram liberados para realização do projeto.
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Sobre as denúncias de salas com mais alunos do que a capacidade física, a SEE diz que os diretores não confirmam a situação, já que o espaço é analisado e há lei que restringe o número máximo por etapa educacional. No caso da Escola Normal, foi verificada a possibilidade de redistribuir as turmas do terceiro ano do ensino médio, e houve ampliação para sete classes, sendo que, nas salas menores, foram colocados cerca de 30 alunos, e as maiores estão com 38.
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Fonte: Tribuna de Minas (JF- MG)

sexta-feira, 22 de março de 2013

Alunos da rede estadual tomam ruas do centro em protesto

A Manifestação dos estudantes busca melhorias nas condições de ensino

 

 

 

 

 

Estudantes busca melhorias nas condições de ensino

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Estudantes de oito colégios tomaram as ruas do Centro da cidade na manhã desta sexta (22) em manifestação unificada pela melhoria nas condições de ensino. Entre os participantes estavam alunos das escolas estaduais Batista de Oliveira, Delfim Moreira (Grupo Central), Duarte de Abreu, Duque de Caxias, Estevão de Oliveira, Fernando Lobo, Instituto Estadual de Educação (Escola Normal) e Juscelino Kubitschek (JK). O ato também contou com apoio de movimentos estudantis e sindicais, além de alguns pais e professores. Policiais militares acompanharam a passeata para garantir a segurança dos integrantes do movimento e que o fluxo de veículos não fosse totalmente interrompido. Já no final da manhã, na dispersão do ato iniciado às 7h, agentes de trânsito também atuaram nos principais cruzamentos.
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Depois de se concentrarem em frente à Escola Normal, na esquina da Rua Espírito Santo com a Avenida Getúlio Vargas, os manifestantes tomaram a pista de subida da Avenida Independência até o cruzamento com a Avenida Rio Branco, onde realizaram paradas em frente a Superintendência Regional de Ensino (SRE) e ao colégio Delfim Moreira. O movimento provocou retenções no trânsito da região Central, devido à grande aglomeração de manifestantes. Conforme estimativa de policias lotados no Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PPTran), cerca de 200 pessoas participaram do movimento. Já o grupo de estudantes que liderou o ato acredita que pelo menos 300 estudantes acompanharam a passeata.
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Os manifestantes ainda tomaram por alguns minutos as escadarias da Câmara Municipal, no Parque Halfeld, mas depois saíram novamente caminhando pelas ruas do Centro até chegarem à esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Espírito Santo, onde se localiza a sede da SRE, no edifício Alber Ganimi. Os alunos chegaram a montar uma comissão com integrantes de todas as escolas, com a intenção de se reunirem com representantes da superintendência. No entanto, desistiram de aguardar em frente ao prédio e seguiram novamente em protesto até o Conservatório Estadual de Música, localizado na Rua Batista de Oliveira.
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Conforme o presidente de grêmio estudantil do Instituto Estadual de Educação, Juliano Rezende, 17 anos, o movimento foi organizado pelos próprios alunos e tem a intenção de cobrar do Governo estadual e da SRE medidas urgentes para melhorar o ensino na rede pública do estado. No início do mês, outros protestos foram realizados questionando a falta de professores e a demora em solucionar falhas na infraestrutura de algumas instituições de ensino, o que foi denunciado em uma série de reportagens da Tribuna. Em relação à falta de professores, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou na ocasião que um problema ocorrido no sistema de contratação, no início do período letivo, teria atrasado algumas designações, mas esclareceu que as nomeações de concurso público realizado foram iniciadas e que, até julho, 11.700 docentes serão nomeados em todo o estado de Minas Gerais.
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Em relação aos problemas estruturais ocorridos nas escolas Delfim Moreira e Duarte de Abreu, que envolvem desde portas e janelas quebradas, infiltrações, falta de mobiliário e falhas no assoalho (que chegou a ceder na Delfim Moreira, provocando acidentes com aluno e professor), a SEE disse que autorizou o aluguel de um imóvel para que haja transferência dos alunos da Delfim Moreira até que as obras sejam realizadas no imóvel, que é tombado pelo Município. Já na Duarte de Abreu, a secretaria afirma que, desde o ano passado, recursos da ordem de R$170 mil foram empregados na reforma do telhado e do banheiro dos alunos. Além disso, no fim de 2012, outros R$160 mil teriam sido liberados para obras gerais, que estão em fase licitação. A pasta afirma que a SRE fez levantamento do mobiliário necessário e o processo de entrega já teria ocorrido.
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Fonte: Tribuna de Minas

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Alunos estudam há três anos em escola improvisada no ES

Alunos da escola de São Paulinho, em Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo, estão há três anos estudando em um local improvisado. Alguns nunca entraram em uma sala de aula. Tudo porque o município não consegue terminar a reforma de uma unidade escolar localizada no bairro. A Secretaria Municipal de Obras informou que, em 60 dias, a unidade deve ser entregue.
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As aulas acontecem no Ginásio Poliesportivo Jayme Navarro de Carvalho. Crianças com idades entre quatro e 12 anos são obrigadas a estudar no calor e sem o mínimo de conforto. "O lugar é muito quente e as crianças são obrigadas a estudar no calor. Isso é um desrespeito com os funcionários e com os alunos, por isso reivindicamos a entrega da escola à comunidade", pede a dona de casa Cynara Cristina.
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Michely Machado também tem um filho que estuda no local e denuncia que as crianças chegam a passar mal por causa da falta de estrutura do lugar. "Pela manhã é até tranquilo, mas à tarde, o calor é insuportável. As crianças chegam em casa com tonteira e vomitando, tem mãe que não manda o filho para a escola há uma semana por causa disso. Prejudica o ensino, porque se passa um carro o barulho é tão grande que ninguém consegue ouvir nada", reclama.
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O secretário de Obras de Presidente Kennedy, Miguel Lima, admitiu falhas no projeto de reforma da escola e garantiu que a conclusão da obra está próxima. "São problemas técnicos que envolvem de acertos nas planilhas de engenharia, mas esses acertos já estão sendo providenciados Acredito dentro de 60 dias a unidade deve ser entregue à população", promete.
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Fonte: G1 - on line

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sem bons professores não há futuro

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Editorial
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Países como Coreia do Sul, Finlândia, Cingapura, Canadá e Japão, que estão no topo da Educação mundial, têm pelo menos uma coisa em comum: ser Professor nesses países é objeto de desejo. Os jovens se sentem atraídos pela carreira do magistério. No Brasil, eles têm fugido da carreira. País sem bons Professores não tem futuro. Não é à toa que a qualidade de nosso Ensino médio está estagnada há mais de 10 anos.
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Muitos jovens não conseguem terminar essa etapa, ficando pelo meio do caminho, e a grande maioria dos que o concluem sai com baixo nível de aprendizagem. Por exemplo, em matemática, 89% dos concluintes não aprenderam o que seria esperado ao término da última etapa da Educação básica. Por isso, a oferta de um Ensino médio de qualidade, capaz de motivar nossa juventude, é o grande desafio da Educação brasileira.
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Para que isso aconteça, um pré-requisito essencial é ter bons Professores — em quantidade suficiente para atender à atual demanda. Por exemplo, dos que ensinam física, 61% não tiveram formação na disciplina ou em outra da mesma área de conhecimento; em química, o percentual é de 44%. Soma-se a isso um currículo pouco atraente numa Escola de tempo parcial. Como gostar do Ensino médio nessas circunstâncias?
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Estudo da Professora Bernadete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, mostrou que tanto a formação inicial dos nossos Professores quanto a continuada estão longe das atuais necessidades da Escola pública. Não dialogam com a sala de aula. A formação é muito teórica. Não há propriamente projeto ou plano de estágio, nem sinalizações sobre o campo de prática ou a atividade de supervisão.
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Raras instituições especificam em que consistem os estágios e sob que forma de orientação são realizados, ou se há convênio com Escolas das redes. A Escola, como instituição social e de Ensino, é elemento quase sempre ausente nas ementas, o que leva a pensar numa formação pouco integrada com a ação profissional do Professor.
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Na maior parte dos ementários analisados, não foi observada articulação entre as disciplinas de formação específica (conteúdos da área disciplinar) e as de formação pedagógica (conteúdos da docência). Na prática, o que se observa é que a licenciatura não tem identidade própria, é um híbrido mal-estruturado entre o bacharelado e disciplinas do campo pedagógico.
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Sem bons Professores não teremos um bom e atraente Ensino médio. Aqui é preciso um pacto entre governos – nas esferas estadual e federal – e instituições formadoras. Aí voltamos ao primeiro trecho deste artigo: por que nos países citados os jovens são atraídos pela carreira do magistério? Essencialmente quatro fatores respondem à questão: salário inicial atraente, plano de carreira motivador, pautado no desempenho em sala de aula e na formação continuada, formação inicial sólida com foco na prática Docente e Escolas bem-estruturadas e organizadas.
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Isso é a parte que cabe ao futuro empregador: o governo estadual em colaboração com o governo federal. Há um movimento interessante em prol de criar uma carreira federal para os estados, com certificação Docente. Às instituições formadoras, por sua vez, cabem mudanças profundas na formação Docente. E aqui proponho algumas iniciativas.
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Primeiro, é preciso dar identidade às licenciaturas, integrá-las por área de conhecimento, com Professores dedicados em tempo integral à Educação básica com foco no Ensino médio. A esses se juntariam os que poderíamos chamar de “Professores-pontes”, Professores do Ensino médio que teriam parte do tempo dedicado a esse espaço próprio de formação de Professores. Eles trariam o “cheiro de Escola”. Um terceiro grupo seria o dos Professores visitantes, que oxigenariam o sistema com novas práticas Docentes. Além do grupo dos respectivos bacharelados, que seriam colaboradores no processo de formação.
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Como os Alunos das licenciaturas em geral chegam do Ensino médio com formação muito precária, seria dada a eles atenção especial já nessa etapa da Educação básica – ou seja, os futuros Alunos que quisessem ingressar nos cursos de licenciatura deveriam estudar preferencialmente em Escolas de tempo integral, e, motivados por nova carreira, teriam atenção especial das instituições formadoras já no Ensino médio. Os Alunos de licenciatura, nessa nova roupagem de formação, teriam todos bolsa de iniciação à docência, com plano de trabalho bem definido.
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Por fim, o currículo da nova licenciatura teria como características o foco na prática Docente e na formação interdisciplinar, a forte inclusão das novas tecnologias e de espaços de aprendizagem e a residência Docente em Escolas de tempo integral. Quanto custa isso? Certamente menos do que se gasta para recuperar os jovens que estão nas ruas, afastados das Escolas e sem perspectivas futuras. Como disse Derek Bok, ex-reitor de Harvard, se você acha a Educação cara, experimente a ignorância.
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Fonte: Correio Braziliense (DF)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Governo limita número de alunos em turmas

por JOHNATAN CASTRO
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Um projeto de lei aprovado pelo Senado ontem determina que as turmas de pré-escola e dos 1º e 2º anos do ensino fundamental da rede pública deverão ter o máximo de 25 alunos. As classes dos anos seguintes do ensino fundamental e do ensino médio devem ter até 35 estudantes, segundo o projeto. A medida, que será encaminhada à Câmara dos Deputados, joga luz na realidade de muitas escolas da capital, como afirma o presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação Minas Gerais (Sind-Ute/MG), Paulo Henrique Fonseca. "Belo Horizonte ainda possui muitas escolas com superlotação. Acho que os limites do projeto poderiam ser mais rígidos", disse.
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Apesar de Minas já possuir uma lei que estipula o limite de 25 alunos para os anos iniciais do ensino fundamental, 35 estudantes para as séries seguintes e 40 para o ensino médio, o presidente da Federação das Associações de Pais e Alunos de Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg), Mário de Assis, também ressalta o excesso de alunos. "Quase todas as escolas reclamam. Em salas mais vazias, o professor pode dar uma atenção mais individualizada, e a qualidade do ensino aumenta".
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Lotação. Sem saber informar a média de alunos por salas de aula, as assessorias das secretarias de Estado e municipal de Educação afirmaram que todas as escolas das redes obedecem aos limites impostos pelo governo do Estado e pela Lei Orgânica do Município. O representante do Sind-Ute/MG questionou. "Sabemos que não é bem assim. O problema é geral". Para a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, Maria das Graças de Oliveira, a lei irá além da melhora na qualidade de ensino e nas condições de trabalho no setor. "A novidade vai abrir muito mais vagas para professores", acredita a professora e autora de uma dissertação de mestrado sobre o tema.
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Escolas
Salas chegam a ter até 52 alunos
Para a professora de ciências Idalina de Oliveira, que trabalha na Escola Estadual Professora Maria Amélia Guimarães, no bairro Pirajá, na região Nordeste de Belo Horizonte, a superlotação tem sido uma realidade. De acordo com ela, como o Estado não libera a criação de novas turmas no início de cada ano letivo, a escola é obrigada a montar salas com grandes quantidades de alunos. "Só lá para o mês de abril, quando as turmas estão com até 52 alunos, é que eles liberam o remanejamento", contou.
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Apesar de haver essas mudanças a partir dos meses de abril e maio, os números continuam altos para a professora Idalina. Enquanto o novo projeto de lei determina até 35 estudantes para o ensino fundamental, ela enfrenta classes mais cheias. "Eu tenho turmas de 36, 38, 42 e até 44 alunos. Imagina um professor ministrar um conteúdo para essa quantidade de alunos? É muito difícil. Acho que não deveria passar de 30 estudantes", disse, ressaltando conhecer outras instituições de ensino que enfrentam o mesmo problema. (JHC).
Fonte: O Tempo (MG)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Resposta de uma professora à Revista Veja. - Enorme, mas vale a pena!.



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por: Débora Oliveira, quarta, 21 de Setembro de 2011
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Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador.
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Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.
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Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.
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Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
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Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”.
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Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida.
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Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
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Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria.
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Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?
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E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria... Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.
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Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.
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E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;
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Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h. semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.
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Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”. Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”, “puta”, “gordos”, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave.
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Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares. Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite.
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E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber por que devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.
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Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se. Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade.
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Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
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Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.
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Fonte: Http://www.facebook.com/lucio.alves.71?sk=approve&highlight=312891598785095#!/notes/d%C3%A9bora-oliveira/resposta-de-uma-professora-%C3%A0-revista-veja-enorme-mas-vale-a-pena/234078726641093

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Professores de seis estados estão em greve no país

Docentes cruzaram os braços no AP, MT, MG, RN, RJ e SC


Por: Maria Angélica Oliveira, Rosanne D'Agostino e Vanessa Fajardo

Professores de seis estados entraram em greve nos últimos dias pedindo melhorias nos salários. Os estados afetados pelas paralisações das redes estaduais são Amapá, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. Docentes deSergipe, que estavam em greve, encerraram o movimento nesta quinta-feira (16). Segundo a lei do piso do magistério eentendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), um professor com nível médio deve ter remuneração de R$ 1.187 para uma jornada semanal de até 40 horas. Os valores pagos aos demais níveis - professores com licenciatura plena, pós-graduação, mestrado e doutorado - dependem dos planos de carreira de cada governo.

No Maranhão e no Espírito Santo, os sindicatos declararam "estado de greve". Os professores do Amazonas e de Goiás não descartam fazer paralisação.

Mato Grosso


Em Mato Grosso, os professores da rede estadual estão em greve desde o último dia 6. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), a principal reivindicação da categoria é a aplicação imediata do piso, que eles entendem ser no valor de R$ 1.312,00. O salário-base atualmente é de R$ 1.248,68 para professores de nível médio com jornada de 30 horas semanais.

De acordo com o Sintep, a rede estadual tem cerca de 200 mil profissionais em 715 escolas. O sindicato afirma ainda que a rede possui atualmente 176 professores com formação de nível médio. Os professores também querem a contratação de concursados e alegam que mais de 50% dos docentes da rede têm contrato temporário. Em nota, o governo afirmou que apresentou três propostas aos professores. “A última é pagar o percentual de 5,07% que está faltando para atingir o piso da categoria (professores, apoio e técnico) no mês de setembro e não mais em dezembro.” De acordo com o governo do Estado, um último balanço mostrou que 40% das escolas estão paralisadas.

Minas Gerais


Em Minas Gerais, a greve abrange os trabalhadores da educação e começou no dia 8 de junho. Eles pedem o fim do sistema de subsídios implantado pelo governo em janeiro deste ano e a adoção de um piso salarial (salário-base) de R$ 1.597,87 para a categoria. Esse valor é calculado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE). O sindicato calcula que 50% da categoria tenha aderido à greve e afirma que, até o momento, não houve acordo com o governo. Já a assessoria de imprensa do governo afirmou que os canais de negociação sempre estiveram abertos, mas que não houve procura do sindicato. O governo estima que cerca de 3% das escolas estejam totalmente paradas e que outras 16,33% tenham aderido parcialmente ao movimento grevista.

O subsídio é uma forma de pagamento que incorpora todas as gratificações, vantagens, abonos e adicionais recebidos pelos servidores numa parcela única. Em janeiro, todos os profissionais foram levados para o subsídio. Quem quiser voltar ao sistema anterior tem até agosto para solicitar a transferência. O governo não soube informar quantos servidores já pediram para deixar o sistema de subsídio. No sistema anterior, a remuneração é composta de: salário-base (ou piso) e gratificações, abonos, adicionais etc. O salário-base de um professor com formação de nível médio em início de carreira é salário-base R$ 369,89 para uma jornada de 24 horas semanais. Com adicionais, o valor chega a R$ 935, segundo o sindicato. Se esse professor quiser permanecer no subsídio, ganhará R$ 1.122, sem outros adicionais. O sindicato quer que o aumento do piso para R$ 1.597,87 seja concedido em cima do salário-base atual, de R$ 369,89. O argumento é que, fora desse sistema, ou seja, com o subsídio, não há mais reajustes progressivos como biênios e qüinqüênios e “perspectiva de futuro”. Assim, na visão do sindicato, profissionais qualificados e com diferentes tempos de carreira ganhariam o mesmo valor. O governo, no entanto, diz que há sistemas de progressão e promoção na carreira por tempo de serviço e escolaridade.

Já um professor em início de carreira com nível de licenciatura plena tem salário-base de R$ 550,54 para uma jornada de 24 horas, segundo o sindicato. Com adicionais e gratificações, o valor vai para R$ 935. No sistema de subsídio, esse mesmo professor recebia R$ 1.320, segundo o sindicato. O governo acrescenta ainda que, desde 2007, quando foi realizado o último concurso público para as carreiras da educação, o nível mínimo exigido para ingresso no magistério em Minas Gerais é a licenciatura plena. Ou seja, não há mais ingresso na carreira de professores com formação equivalente ao ensino médio.

Rio Grande do Norte


A greve no Rio Grande do Norte começou no dia 2 de maio e tem adesão de 90%, segundo o sindicato. O governo calcula que a adesão das escolas esteja em torno de 47%. Os profissionais querem o cumprimento do piso nacional e a revisão do plano de carreira. No estado, os professores com nível médio recebem R$ 664,33 por uma jornada de 30 horas semanais, segundo dados do governo. Diante da greve da categoria , o governo propôs equiparar o salário do professor com nível médio ao piso nacional a partir de junho e dar aumento para os outros níveis a partir de setembro, mas de forma dividida até dezembro. A cada mês haveria aumento de 7,6% até chegar a 34%, segundo a secretária adjunta do estado, Adriana Diniz. De acordo com José Teixeira da Silva, um dos coordenadores gerais do sindicato, os professores não aceitam essa proposta e defendem que a secretaria conceda aumento a todos os profissionais pelo menos a partir de julho.

Rio de Janeiro


No Rio de Janeiro, os professores e funcionários administrativos da rede estadual entraram em greve no dia 7 de junho com três reivindicações principais. A primeira é de aumento de 26%. Segundo Sérgio Paulo Aurnheimer Filho, um dos coordenadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), o percentual corresponde ao crescimento de arrecadação do estado nos últimos três anos.

“A gente acha que é muito possível, do ponto de vista legal, esse aumento. O estado do Rio de Janeiro é o que menos gasta com funcionário. Não tem outro estado que a gente tenha conhecimento, pelos dados do Dieese, que tenha percentual menor de gasto com funcionalismo”, afirma.

As outras reivindicações são a incorporação de gratificações ainda este ano e a regulamentação do plano de carreira dos funcionários administrativos. O sindicato estima que 60% dos profissionais tenham aderido à greve. Segundo Aurnheimer, já houve uma audiência com a secretaria de Educação, mas não houve acordo. O próximo passo, afirma, será buscar o apoio dos deputados estaduais nas negociações.

Santa Catarina


Os professores da rede estadual entraram em greve no dia 18 de maio em Santa Catarina. Eles pedem a aplicação do piso, a realização de concurso público e a regularização da situação dos ACTs, que são professores admitidos em caráter temporário. Também pedem investimentos em infraestrutura nas escolas. No estado, o salário-base é de R$ 609,46 para um professor de nível médio e de R$ 993,12 para professores de nível superior, segundo dados informados pela Secretaria de Educação. Nos dois casos, a jornada é de 40 horas semanais. O governo calcula que 65% das escolas tenham aderido à greve e que 70% dos alunos tenham sido atingidos. Ainda segundo o governo, as aulas serão repostas. Já o sindicato que representa os professores afirma que 92% das escolas estão paralisadas.

O secretário-adjunto da Secretaria de Educação de Santa Catarina, Eduardo Deschamps, disse que a defasagem foi corrigida com uma medida provisória enviada à Assembleia Legislativa no dia 23 de maio. Segundo ele, os professores com formação de nível médio vão passar a receber salário-base de R$ 1.187 e que os de nível superior receberão entre R$ 1.380 até R$ 2.317, dependendo da titulação, sem contar abonos e adicionais de regência.

O secretário diz que haverá uma folha de pagamento suplementar para cobrir as diferenças do reajuste e que o próximo salário referente ao mês de junho já terá o novo valor. A expectativa da secretaria é que os professores retomem as atividades ainda nesta semana. O sindicato, no entanto, afirma que ainda pretende discutir a tabela de salários.

Amapá


No Amapá, os profissionais estão em greve há 28 dias pela aplicação do piso nacional. Representantes do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Amapá (Sinsepeap) foram recebidos pelo governador Camilo Capiberibe nesta quinta-feira. Os rumos do movimento devem ser decididos em assembleia na manhã desta sexta-feira (17). O professor de nível médio tem salário-base de R$ 1.053,83 por uma jornada de 40 horas semanais, segundo dados fornecidos pelo governo. Por e-mail, o governo afirmou que "tem interesse de acabar com a greve, afinal os alunos não podem ser prejudicados, porém assumimos o estado cheio de dívidas, e o Governo do Estado não pode se comprometer com algo que no momento não pode cumprir. Um dos pontos fortes dessa gestão é a valorização do servidor e isso passa pelo pagamento do piso também.”



'Estado de greve' e paralisações em outros estados



No Espírito Santo, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública afirma que a rede estadual está em “estado de greve” pela aplicação do piso nacional e de um plano de carreira. Para o sindicato, o estado não deveria ter incorporado gratificações para compor o salário-base e a remuneração por vencimento teria de sofrer uma complementação de 44,76% para alcançar o piso nacional.

No estado, a Secretaria de Educação criou um sistema de subsídio em dezembro de 2007. Segundo o governo, o sistema é uma modalidade de remuneração em parcela única, sobre a qual não incidem gratificações. A adesão é voluntária.

No Maranhão, os professores estão em "estado de greve", segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública. Houve uma paralisação de 78 dias que terminou no último dia 4, sem acordo. Os professores querem a adequação ao piso nacional, plano de carreira e repasses do Fundo Nacional da Educação Básica (Fundeb). Além disso, a categoria critica o governo por incorporar as gratificações ao salário-base.

No Amazonas, a possibilidade de greve não está descartada, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública. A entidade informou que o piso estadual foi atualizado em 2011, mas disse que os valores novos incorporaram gratificações irregularmente.

Em Goiás, o Sindicato dos Trabalhadores de Educação informou que há indicativo para que uma paralisação aconteça no segundo semestre, reivindicando o piso nacional.

No Piauí, o Sindicato dos Trabalhadores na Educação fez greve por 18 dias entre março e abril. Com a paralisação, houve a implantação do piso salarial nacional, segundo o sindicato. Os professores agora negociam o reajuste das gratificações. “O governo deu para todos os servidores, menos para os professores”, disse o diretor de assuntos educacionais do sindicato, João Correa da Silva.

(*colaboraram Alex Araújo, Fernanda Nogueira, Marcy Monteiro e Tatiane Queiroz )

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Educação e política



''Todos sabem como é a rotina de um professor''

Sucesso no YouTube com vídeo em que fala sobre situação do ensino no país, professora critica política para o setor. Amanda Gurgel de Freitas, a professora de 26 anos que chamou a atenção do país para os problemas da Educação no Brasil, com um depoimento que ficou entre os mais vistos no Youtube, diz que hoje o professor no Brasil sofre de crise de identidade e também está doente.

Militante do PSTU, ela recebe salário básico de R$930 como professora da rede municipal e de R$1.217 no estado. Tem especialização em Educação para adultos, mas não está em sala de aula.

Amanda pediu troca de função depois de uma depressão e agora trabalha na biblioteca do Colégio Estadual Miriam Coeli e no setor de informática numa Escola municipal de Natal. No estado, os professores estão em greve por melhores salários.

* Pauío Francisco, de Natal

O GLOBO: A senhora esperava toda essa repercussão, no YouTube, com seu depoimento sobre a situação da Educação?

AMANDA GURGEL DE FRElTAS: Nunca. Eu jamais imaginei que uma situação, que para mim é tão corriqueira e tão óbvia para todo mundo, pudesse ter uma abrangência tão grande. Não tem quem não veja como é a rotina de um professor.

O que a senhora acha que está faltando para mudar a situação do professor?

AMANDA: Posso falar sinceramente: vergonha. Esse caos que existe na Educação não é um caos desorganizado, entre aspas, é um caos preparado, existe uma intenção para que a Educação funcione desse jeito, para que os filhos da classe trabalhadora jamais atinjam altos níveis de cultura, para que no máximo eles aprendam um oficio.

A senhora hoje tem dois em pregos, acorda às 5h da manhã e passa o dia todo trabalhando. Como é a vida de um professor sem condições até de se qualificar, de ler? Como faz para se atualizar?

AMANDA: Olha. é muito difícil. Para qualquer professor, isso é muito difícil. Então, na nossa categoria, até é importante tocar nesse ponto, nós vivemos uma certa crise de "Os professores são submetidos a uma jornada de trabalho que é extenuante, sem candições dignas" identidade, porque enquanto a nossa atividade sempre foi considerada intelectual, e ainda hoje leva esse nome de uma atividade intelectual, de formadores de opinião, a verdade é que nós estamos passando por um processo de proletarização, que está se acentuando a cada dia.

E a nossa atividade é principalmente manter o aluno em sala de aula, independente de qualquer coisa. Por isso que muitas vezes as pessoas coillulldeni os responsáveis pelo caos e acham que a greve atrapalha os alunos.

Na verdade, a greve não atrapalha, justamente por isso, se nós não estivessemos greve não teríamos a oportunidade de falar sobre a educação nesse momento, porque estariam todos os alunos dentro da sala de aula controlados pelos professores, que não estariam em condições de ter uma atividade digna, de exercer a atividade docente decentemente, porque as salas são superlotadas, porque as salas são quentes aqui na nossa cidade, porque os professores não têm condições de se atualizarem. Infelizmente, não é dada essa oportunidade para os professores.

A senhora disse que o professor sofre muito de doenças psicossomáticas. A senhora já teve depressão. Como é a saúde dos professores?

AMANDA: Os professores são submetidos a uma jornada de trabalho que é exteiluallte, sem ter condições de trabalho dignas. frequentemente desenvolvem doenças relacionadas a atividade profissional e, em troca, recebem por parte dos governos mais uma forma de opressão, que é impedi-los de darem entrada em licenças médicas ou em readaptação de função.

Recentemente, em um consultório. um médico disse que não poderia fornecer um laudo para encaminhar um paciente a uma junta médica porque hoje em dia professor e policial são todos assim, querem ganhar dinheiro sem trabalhar. Dentro do consultório médico ele defendeu a política do governo do estado, dizendo que o governo está muito certo mesmo. independente do seu estado de saúde, o professor tem mais é que estar em sala de aula. Isso só reforça essa ideia que para o governo Educação de qualidade é aluno controlado dentro de sala de aula, independente da condição dessa aula e das condições de saúde do trabalhador.

Depois do sucesso na internet, a senhora pretende se candidatar a algum cargo político?

AMANDA: Nunca pensei sobre isso, não pretendo no momento. Talvez as pessoas possam achar que eu fiz isso por interesse. Mas minha militância é pelas demandas da nossa categoria e não gostaria que fosse in confundidas com as do partido. Não te ilho pretensão política governamental, mas faço politica no meu dia a dia. As pessoas que me conhecem sabem de minha atuação. Talvez em outros momentos a conjuntura possa me levar para outros rumos.

(*Especial para O GLOBO)

Fonte: O Globo (RJ)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Alunos enfrentam barro e goteira para estudar


Publicado no Super Notícia em 17/03/2011

Por JAQUELINE ARAÚJO

Nas salas de aula, estudantes convivem com goteiras no telhado, mofo e reboco se soltando
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Alunos do distrito de Andiroba, na cidade de Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte, estão encontrando dificuldades para estudar. O primeiro problema enfrentado é conseguir chegar à Escola Estadual João Nazário, já que a estrada que dá acesso ao local é de terra e está em péssimas condições por causa do barro causado pela chuva. Já na escola, os estudantes se deparam com os problemas na infra-estrutura do imóvel.

Após uma denúncia de um pai insatisfeito com a situação, a diretora da escola, Gilk Patente, que atende alunos do ensino fundamental, recebeu a reportagem do jornal Super Notícia e mostrou os problemas enfrentados pelos alunos. A escola, construída em 1968, está precisando com urgência de uma reforma. Com o período chuvoso, os problemas se tornam mais visíveis. Duas salas de aula estão com goteiras no teto, que está com pedaços soltos, manchas de mofo e, ainda, o reboco das salas está descascando. Os alunos da 7ª série precisam assistir às aulas amontoados próximos ao quadro para não serem atingidos pelas goteiras.

A instituição, além de receber os alunos do distrito de Andiroba, também é frequentada por estudantes dos bairros vizinhos como Vale do Bom Jesus e Melo Viana. São cerca de 25 km que os estudantes precisam percorrer entre asfalto e estrada de terra. Segundo a diretora Gilk, os alunos que saem dos bairros vizinhos não estão comparecendo às aulas desde a última segunda-feira devido à incapacidade de o transporte escolar chegar até a escola por causa dos atoleiros que se formaram nas estradas.

A ex-aluna da escola Ivny Cristina França, de 16 anos, que, desde o primeiro ano estudou na escola, conta que já sofreu para estudar no período das chuvas. "O teto da sala sempre estava pingando e tínhamos que ficar afastando as carteiras por causa das goteiras, além das poças de água que se formavam na sala", conta.

O motorista do ônibus que transporta os estudantes, Márcio Rodrigues de Freitas, de 44 anos, disse que passar nos atoleiros é um risco grande. "Em outro ano, tentei passar com os alunos e derrapou muito. Tive medo de que o veículo tombasse", contou.

Obras na estrada de terra só depois do período de chuva
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A Secretaria de Estado de Educação reconhece que a Escola Estadual João Nazário tem problemas urgentes e que precisa de reforma no telhado. Ontem, um engenheiro de obras compareceu à escola. Após um laudo feito por ele, um relatório deve ser enviado, no prazo de uma semana, para o setor de obras para ser providenciada uma recuperação emergencial.

A escola já havia feito, em 2008, um pedido de reforma geral, que incluía a construção de um refeitório, e entrou na lista de espera das escolas que pedem reformas. Sobre a situação das estradas que dão acesso à escola, a Secretaria de Obras e Transportes da Prefeitura de Esmeraldas informou que está ciente da situação, mas que só pode realizar uma ação efetiva após o período chuvoso. Ontem, foi enviada uma equipe ao local, onde se constatou que há três pontos críticos. Máquinas serão enviadas para recuperar o trecho após o fim das chuvas. (JA)

Foto de Charles Silva Duarte

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A GREVE DOS PROFESSORES EM 2010

por Lúcio Alves de Barros*

Na terça-feira do dia 25 de maio deste ano, os professores em assembléia decidiram por colocar fim à greve que já ultrapassava 46 dias. O movimento, mais do que justo, previa um reajuste no piso salarial da categoria que é de R$ 850. Os professores estaduais reivindicavam R$ 1.312,85 para o período de 24 horas de trabalho. Parece até brincadeira, mas a greve terminou em torno de negociações enclausuradas diante da onda de judicialização e criminalização dos movimentos de trabalhadores.

O movimento reivindicatório, iniciado em 08 de abril, na realidade não parou todas as escolas do estado, tampouco os professores. Muitas instituições escolares continuaram funcionando e muitos docentes não optaram pelo movimento por medo ou por estarem enganados com as reais condições de trabalho. Difícil encontrar professores satisfeitos com um salário destes e, mais difícil ainda saber que no judiciário e no executivo (como é o caso da Polícia Militar) os aumentos salariais tem sido contínuos. De duas uma: (1) ou o Estado tem medo dos policiais e dos agentes do judiciário, os quais andam a apoiar o Governo do Estado ou, (2) a educação é coisa de segundo plano em tempos de choque de gestão no meio das montanhas que recebem estradas e avenidas gigantescas. A questão é problemática mesmo.

No final da década de 70 e no decênio de 80, professores apanharam da polícia e tomaram banho do então governador Newton Cardoso. De lá para cá, muitos de nossos colegas se transformaram em autoridades e políticos de prestígio. Porém, estes mesmos colegas não nutrem a mesma galhardia pela luta salarial e melhores condições de trabalho como é perceptível nas categorias mencionadas. A disparidade salarial é notória e tudo indica que os professores não conseguem ter a mesma força de outrora. Isso significa que fazer greve é estar próximo da ilegalidade. É pensar que junto aos interesses estão somente os do campo da política ou que as lideranças sofrem devido às “intrigas da oposição”. As condições de trabalho dos professores do estado (municipal e estadual) são vergonhosas chegando ao ridículo os acordos de produtividade e resultados. Se o básico ainda está a desejar o que esperar de metas mais complexas? Em tais casos lembro-me sempre das acertadas palavras de Paulo Freire no seu já conhecido, “Pedagogia da autonomia” (São Paulo: Ed. Paz e Terra, p. 96), “o respeito que devemos como professores aos educandos dificilmente se cumpre, se não somos tratados com dignidade e decência pela administração privada ou pública da Educação”. O movimento dos professores, no mínimo, aponta para uma indecência no trato com a categoria. Há tempos as escolas andam degradadas, professores adoecem aos montes e alunos e pais andam denunciando, processando e ameaçando os docentes. Tenho comentado sobre a silenciosa crise na educação, mas tais fatos parecem sintomas que não merecem atenção. Um perigo em longo prazo.

Durante o movimento dos trabalhadores da educação as lideranças enfrentaram o executivo e o judiciário. No término da greve ficou condicionado o “pedido” de suspensão da liminar judicial que determinou multa de R$ 30 mil por dia de greve. Para os professores, sem o poder da lei e da arma, talvez poucos reais fossem o suficiente para acabar com o movimento. Os docentes (por paradoxal que possa parecer), nos dias de hoje se movimentam com medo. Um medo difuso, envergonhado e doentio que lhes impedem de exercer, falar ou se vangloriar da profissão.

De todo modo, a greve terminou com a possibilidade do Governo do Estado em negociar ante a formação de uma comissão que fará um estudo para viabilizar mudanças nos vencimentos básicos do professorado. Além disso, ficou acordado - após as ameaças de demissão e contratação de substitutos - a reposição dos dias parados, a não punição (o famoso corte de salários) e a demissão dos grevistas.


* Professor da UEMG, licenciado e bacharel em Ciências Sociais pela UFJF, mestre em Sociologia, doutor em Ciências Humanas: sociologia e política pela UFMG. Autor do livro, “Fordismo: origens e metamorfoses”. Piracicaba: Ed. UNIMEP, 2004; organizador da obra “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006, co-autor do livro de poesias, “Das emoções frágeis e efêmeras”. Belo Horizonte: Ed. ASA, 2006 e organizador de “Mulher, política e sociedade”. Brumadinho, MG: Ed. ASA, 2009.