Mostrando postagens com marcador Enem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Enem. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de outubro de 2015

‘Há resistência de admitir a violência específica contra a mulher’,

Paulo Saldanã
 
26 outubro de 2015 
.     
As redes sociais fervilharam assim que o tema da redação do Enem foi revelado na tarde de domingo, 25. Os estudantes tiveram que escrever um texto sobre “a persistência da violência contra a mulher no Brasil”, o que causou uma enxurrada de elogios à pertinência do texto, mas também inspirou críticas ao que seria um “doutrinação”.
 
Para a antropóloga Michele Escoura, assessora da área de Educação para Jovens e Adultos (EJA) da Ação Educativa, a escolha do tema não deixa de ser um ato de militância. “Boa parte das reações contrárias, inclusive dos adolescente, é de desmerecimento da questão”, diz ela “Ainda existe muita resistência de admitir uma violência específica contra a mulher, uma violência específica de gênero”.
 
Pesquisadora das questões de gênero na USP e Unicamp, Michele pontua que essa não é uma pauta “de esquerda ou de direita”. “A reivindicação dos direitos das mulheres ultrapassa qualquer posicionamento politico e econômico.” Leia abaixo a entrevista exclusiva ao blog:
 
Michele Escoura / REPRODUÇÃO
Michele Escoura / REPRODUÇÃO
 
O que achou do tema da redação?
 
Eu fiquei muito feliz. No início do ano, a presença dos termos de gênero nos planos municipais e estaduais de Educação transformou o tema em uma grande polêmica e as menções foram retiradas. Menções a essa preocupação já existiam há muito tempo em orientações curriculares, sem que houvesse polêmica. Mesmo assim, nenhuma política havia sido colocada de maneira forte nesse sentido. As políticas nunca deram muita importância para isso. Mas como, hoje em dia quem de fato pauta a currículo é o Enem, é uma transformação. Por mais que haja as diretrizes curriculares, as escolas se pautam muito mais pelo Enem, os professores direcionam as aulas partindo dos pressupostos do que vai cair na prova.
 
Após o tema ser conhecido, algumas pessoas acusaram o MEC de usar a prova para fazer militância ou doutrinação ideológica. Por que um tema como esse, de violência contra a mulher, causa toda essa polêmica?
 
De alguma forma, falar sobre isso ainda é considerado uma militância mesmo. Porque boa parte das reações contrárias, inclusive dos adolescente, é de desmerecimento da questão. O que mais se ouve é que o “homem também morre”. Quando houve a aprovação da Lei Maria da Penha, falavam em tom de brincadeira que faltava uma “Lei João da Penha”. O problema é que existe uma hierarquia de gêneros muita naturalizada na sociedade. Ainda existe muita resistência de admitir uma violência específica contra a mulher, uma violência específica de gênero. Muitas pessoas ainda não entenderam a situação, não conseguiram desnaturalizar que existe uma desigualdade. Temos de reconhecer que há desigualdade.
 
Como entender isso?
 
Um exercício simples para isso é olhar para um caso clássico de violência contra a mulher e inverter os papeis. O caso Eloá (Cristina, jovem que foi morta pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, em 2008), por exemplo, em que uma menina de 18 anos termina o namoro, o rapaz a mantém em cárcere privado e depois assassina a menina. Agora pense em um jovem homem que termina o namoro e uma menina faz isso. A gente ouve noticias desse tipo? Não ouve, uma informação como essa causa estranhamento. Quando a gente inverte os papéis e isso provoca esse estranhamento é por que se trata de um caso típico de violência de gênero. Todos os dados que o Enem colocou como subsídio para que o candidato escrevesse a redação estão para comprovar que existe uma questão por trás. Falar sobre isso ainda requer algumas posturas políticas, que não necessariamente passa pela esquerda. Muitos debates femininas vêm de liberais dos Estados Unidos.
 
Por que se mistura a discussão de gênero com posicionamentos ideológicos, partidários, como se esse fosse um tema esquerda? Há uma confusão?
 
Nos Estado Unidos, o movimento feminista sempre esteva acima de qualquer posição política e econômica. Você encontra discussões de liberais e socialistas sobre o mesmo tema. Já na França, o feminismo esteve sim mais associado ao socialismo. A própria Simone de Beauvoir era uma militante socialista. Mas, no contexto desta semana, com o Enem, a discussão acabou se confundindo com a instabilidade do governo federal por causa da institucionalidade que tem o Enem, exame realizado pelo Ministério da Educação. De alguma forma, acabou-se entrando na dança das polaridades da política brasileira. O que, no final das contas, é uma grande falsidade. A reivindicação dos direitos das mulheres ultrapassa qualquer posicionamento politico e econômico.
 
Como isso tudo chega na escola?
 
As escolas não estão separadas do que a sociedade pensa. O muro da escola é alto, mas não bloqueia tudo. A escola não é um espaço imparcial, acima da sociedade. Muito pelo contrário, são as mesmas pessoas da sociedade que circulam na escola. Se você não faz um tipo de ação de política pública para combater a desigualdade, é certo de que todos os estereótipos da sociedade vão estar na escola. Principalmente porque você tem uma questão séria na formação de professores. Eles saem da universidade sem discutir as questões de gênero e os reflexos desse tema. E quando não tem politica pública intencional, é lógico que vai acabar se perpetuando dentro da escola as visões e estereótipos da sociedade.
 
Nesse sentido, a retirada das menções de igualdade nos planos dificulta o trabalho na escola?
 
Pensando na conjuntura dos planos municipais e estaduais, em que se retirou as questões de gênero, o Estado brasileiro está se desresponsabilizando de fazer qualquer ação de igualdade de gênero dentro das escolas. Outra coisa é que os jovens alunos têm cada vez mais acesso a informações que não necessariamente estão na escola. E a partir do momento em que ele acessa algo na internet, ele leva para a escola. Apesar de os planos terem retirado a palavra gênero, cada vez mais os estudantes reivindicam esse debate na escola. Eles estão levando de maneira autônoma, estão levantando os debates, já há uma discussão da própria noção do que é violência. A gente  recebe cada vez mais casos de assédio contra meninas, que é um tipo específico de violência contra a mulher. Antigamente, havia os  casos de assédio e elas ficavam quietas, achavam que era culpa delas. Agora elas se posicionam. Em uma situação como essa, quem fica em posição de maior vulnerabilidade são, com certeza, são os professores. Os alunos trazem as denúncias contra as meninas, de assédio, mas como o Estado não oferece formação para enfrentar esse tema, os professores ficam reféns dessa situação. As ações ficam à mercê da disposição individual de professores e escolas. Algumas escolas vão procurar que o precisa, outras vão colocar debaixo do tapete. O mínimo que o Estado deveria dar é formação, como um material específico. Quando se vetou o kit anti-homofobia (material educativo cuja distribuição foi vetada pelo MEC em 2011 após pressão da bancada evangélica), a maior perda foi para os professores, que ficaram sem acesso de informação. Dessa forma, é mais provável que as escolas particulares vão conseguir mais autonomia para incluir de maneira mais institucionalizada esse tema do que as públicas. Uma pena, porque mais uma vez você coloca as escolas particulares com condições melhores do que as públicas.
 
O MEC e lideranças dentro pasta, como próprio ministro Aloizio Mercadante, reforçam a necessidade de trabalhar com gêneros, o papel laico da escola. Assim como a maioria esmagadora dos especialistas de educação. Mas neste ano, vários planos municipais e estaduais de Educação tiveram a retirada de menções ao combate à desigualdade de gênero. Um comitê do MEC também teve de voltar atrás de usar o termo gênero. Há uma derrota nesse sentido?
 
Tenho a impressão de que existe grupos que têm misturado questões morais com política, religião com política. E são grupos muito diversos. Muitos grupos religiosos tentam normatizar a moral, por meio do poder legislativo, partindo do pressuposto da própria moral. É uma tentativa de universalizar suas próprias concepções, como a de família, por exemplo. Esses grupos têm ganhando força, mas, no limite, existe uma briga entre Legislativo e Executivo. O executivo tem ficado cada vez mais refém do Legislativo nessas questões, que acabaram se tornando moeda de troca pela governabilidade.  É uma coisa que destoa dos fundamentos da democracia.  
 
E qual prejuízo para os alunos?
 
Quando se pensa no fundamento da democracia, na educação como Direito fundamental do cidadão, é dever do Estado que os estudantes acessem a escola e se mantenham.  E essa desigualdade de gênero também afasta os alunos da escola. Quando falamos de gênero, não falamos só de mulher, mas também falamos sobre os grupos LGBT e também dos meninos. A maior parte dos adolescentes que hoje saem da escola são de meninos negros, principalmente nas periferias das grandes cidades. Porque nesses lugares se estabelece a ideia de que a masculinidade tem a ver com insubordinação, e o menino assume para si uma identidade. Esse grupo de alunos são os que mais são expulsos. Precisamos entender que estamos falando deles também quando falamos de gênero. Estamos falando de muitos grupos. É importante que a gente continue de alguma forma a reivindicar as discussões, ainda que de maneira paralela ao Estado, uma vez que o Estado tem colocado de lado essa discussão.
 

Os jovens têm a maior vulnerabilidade, a partir do momento em que você nega uma situação. Você negar que o estudante tenha acesso a esse tipo de conhecimento produzido internacionalmente, que é discussão teórica há mais de 30 anos, que está presente em todas as universidade renomadas no mundo, é negar que a escola seja o canal de divulgação do conhecimento científico. É o Estado brasileiro negando um dos papéis fundamentais, que está na Constituição, de divulgação dos conhecimentos independentemente das posições. As questões de gênero são reconhecidas pelas Nações Unidas, pelas academia. A esses estudantes isso tem sido negado. E a partir deste ano, a negação foi maior ainda.
 
E como dialogar com os adultos?
 
A grande dificuldade de conscientizar e educar a população adulta é que eles não estão mais institucionalizados, como é o caso dos jovens que estão na escola. Com os adultos a comunicação é mais dispersa. Às vezes, quem acaba fazendo esse papel de é a TV, as novelas. Quando houve uma discussão do beijo gay na novela, teve uma boa parte da população que repensou seus próprios valores. Vira tema das conversas em casa.
.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Enem dá salto na área de Humanas

 
Por Rudá Rícci (Professor e cientista político)
 
Não dá para deixar de elogiar o Enem deste ano ao incluir Weber, Simone de Beauvoir, Hobbes e Nietzsche. Os cursinhos preparatórios devem ter pirado o cabeção.
 
Bem que o MEC poderia pegar carona e desenvolver um projeto mais ambicioso (incluindo criação de ONGs Jovens, melhorando a bobagem de Empresa Jovem para desenvolver esta concepção empresarial de empreendedorismo) para o Ensino Médio.
 
Vejam algumas questões:
 
Questão 26. A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar. HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
 
Questão 34. A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: Tudo é um. NIETZSCHE, F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 1999.
 
Questão 40. A crescente intelectualização e racionalização não indicam um conhecimento maior e geral das condições sob as quais vivemos. Significa a crença em que se quiséssemos, poderíamos ter esse conhecimento a qualquer momento. Não há forças misteriosas incalculáveis; podemos dominar todas as coisas pelo cálculo. WEBER, M. A ciência como vocação. In: GERTH, H.; MILLS, W. (org). Max Weber: ensaios da sociologia. Rio de Janeiro, Zahar, 1979 (adaptado).
 
Questão 42. Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino. BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ENEM


Para professores, Enem está cada vez mais ‘conteudista’, e não tão intuitivo quanto antes

RIO - Ano após ano, o Enem vem se aprofundando no conteúdo das disciplinas que compõem o último segmento da educação básica. Desde 2010, quando foi reformulada, a prova passou a cobrar temas e tópicos específicos de cada matéria, com questões consideradas “conteudistas”, e não mais tão intuitivas e interpretativas quanto antes. Nesta edição, os candidatos tinham de conhecer temas como genética, leis de Newton, Guerra do Paraguai e o estilo literário dos pré-modernistas.
 
Para especialistas, o exame mudou e se assemelhou aos antigos vestibulares a fim de recepcionar as universidades federais. De acordo com Márcio Branco, professor de História do curso on-line QG do Enem, a parte de Ciências Humanas atingiu um “ponto ótimo” entre “conteudismo” e interpretação:
 
— Eu acreditava que viria mais difícil, mas o Enem é uma prova nacional. Então o Inep (órgão organizador do exame) optou por não aprofundar mais
.
INTERPRETAÇÃO AINDA PREVALECE NO TESTE DE LINGUAGENS
.
O equilíbrio descrito por ele variou conforme as disciplinas. Em Ciências da Natureza, que engloba Química, Física e Biologia, ficou a percepção de que as questões vieram sem a mesma contextualização, valorizando conteúdos específicos.
 
— Este ano foram 20 perguntas só de Química, um número bem maior do que o das provas anteriores. Em Química o aluno não pode ser muito intuitivo ou resolver a questão apenas com interpretação. Se não estudou, não vai saber fazer — afirmou Jonas Stanley, professor de Química, Física e Matemática do Curso Pensi.
 
Em Matemática, uma das partes mais temidas, professores perceberam que a prova perdeu um pouco a característica de contextualização, preferindo cobrar conceitos “crus” como cálculo de volume, porcentagem ou probabilidade. As questões que buscaram conciliar conteúdo com a realidade do aluno foram elogiadas:
 
— Destaco a questão do cone de trânsito e do corrimão que faz o movimento em espiral. Foram modos de trabalhar a matemática de um jeito bem mais factível — ressaltou Márcio Cohen, do QG do Enem.
.
Se existe uma área onde o Enem mantém a tradição é a prova de Linguagens. Nela, sempre se cobrou mais a interpretação do que tópicos gramaticais frios e distantes, dizem professores.
 
Na prova de redação, os candidatos foram instados a discorrer sobre publicidade para crianças. O assunto, em alta no noticiário devido à publicação, em abril, de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) considerando abusivo esse tipo de propaganda, ganhou elogio do coordenador de Português e Redação do Colégio e Curso pH, Felipe Couto:
 
— O Enem tem esta característica de cobrar uma reflexão de ordem político-social. E esse tema é um aspecto muito importante da contemporaneidade.
.
MÚSICA VOLTA A APARECER COM FORÇA
.
Nos últimos anos o Enem tem mostrado apreço especial pela música. Este ano não foi diferente. O folk do cantor e compositor americano Bob Dylan apareceu na prova de inglês, com a música “Master of war”. O candidato tinha que identificar quais eram as críticas feitas pela letra, que questiona os interesses por trás de uma guerra.
 
Já a canção “Óia eu aqui de de novo”, do compositor e cantor Antônio Barros, foi utilizada para discutir o repertório linguístico e cultural brasileiro. Dentre versos como “Diz que eu tou aqui com alegria” e “Vou mostrar pr'esses cabras”, o candidato tinha que apontar qual deles singularizava uma forma característica do falar popular regional.
 
Outro item trazia um texto do maestro Henrique Cazes que discutia como grande parte da música popular desenvolvida nos países colonizados por Portugal compartilham um instrumental marcado por cavaquinho e violão. Os candidatos deveriam, então, mostrar quais exemplos da música popular brasileira utilizam esses instrumentos.
 
As origens do funk e do hip hop brasileiro também foram abordadas. O tópico citava os famosos bailes black, que reuniram legiões de jovens nas periferias dos grandes centros urbanos embalados pela black music americana, e pedia ao estudante que identificasse as características da cultura hip-hop no Brasil.
Outro tópico trazia um texto que enumerava as preferências musicais do brasileiro, destacando como o sertanejo caiu no gosto popular, segundo pesquisas.

sexta-feira, 22 de março de 2013

ENEM e o deboche do aluno


Brincadeira nota zero

.
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Cláudio Costa, defendeu ontem que o Exame Nacional do Ensino médio (Enem) passe a dar nota zero para redações que contenham as chamadas inserções indevidas, como foi o caso de textos do Enem de 2012 revelados pelo GLOBO que citavam trechos de receita para Miojo ou do hino do Palmeiras. Ele afirmou que vai propor a mudança já para o Enem de 2013, mas ressalvou que será preciso verificar se é possível fazer isso sem prejudicar os Alunos "sérios", dado o grau de subjetividade envolvido nesse tipo de avaliação.
.
- Quero separar o joio do trigo. E como é que eu separo? Tenho segurança de que não vou estar prejudicando o bom estudante? Se eu tiver essa segurança, nós vamos fazer, não tenha dúvida - disse o presidente do Inep, em sua primeira manifestação pública sobre o tema.
.
Costa afirmou que também irá consultar uma comissão de especialistas que assessoram o Inep sobre outro ponto revelado pelo GLOBO: a atribuição da nota máxima de 1.000 pontos a redações com erros graves de ortografia. Textos em que os candidatos escreveram palavras como enxergar com "ch" ("enchergar") e trouxe com "ss" ("trousse") receberam a nota máxima no Enem de 2012.
.
Sem receita, nota alcançaria 800
.
Em relação a esse ponto, Costa disse que há diferentes correntes de pensamento entre os especialistas brasileiros. Segundo ele, as redações receberam 1.000 pontos porque revelavam domínio da norma culta, apesar dos erros de ortografia. O presidente do Inep destacou que o edital do Enem tolera alguns "desvios", como são chamados os erros, em textos considerados de excelente qualidade nas cinco competências avaliadas.
.
- O Inep, o MEC, o Estado brasileiro valorizam a norma culta. O estudante tem que ter domínio da norma culta. Agora o debate que está aí é o seguinte: o estudante faz uma produção textual excelente, mostra conhecimento de verbos, faz associações fantásticas, tem um bom vocabulário e, num determinado momento, comete um erro que pode ser até grave. Essa redação merece 1.000 ou não? É um bom debate - disse Costa.
.
Segundo o "Guia do participante: a redação no Enem 2012", produzido pelo Inep, "desvios mais graves, como a ausência de concordância verbal, excluem a redação da pontuação mais alta". Em uma das redações analisadas pelo GLOBO, aparecem problemas desse tipo, como nos trechos "Essas providências, no entanto, não deve (sic) ser expulsão" e "Os movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI é (sic)".
.
Para o presidente do Inep, a situação é diferente no caso das inserções indevidas, já que, nesses casos, os candidatos teriam agido com deboche. Costa defendeu a atuação dos corretores, argumentando que o edital do Enem 2012 previa a penalização de quem desviasse do tema. No caso da redação em que o candidato dedicou um parágrafo a ensinar como se deve preparar um bom Miojo, ele disse que esse texto mereceria pelo menos 800 pontos, não fosse a brincadeira.
.
300 inserções indevidas no enem 2012
.
A anulação da prova, como Costa quer que ocorra daqui para a frente, só era prevista nos casos de total fuga ao tema. Segundo ele, tanto o texto do hino quanto o do Miojo apenas se desviaram do tema, sem fugir completamente. O Inep identificou 300 redações com inserções indevidas, num universo de 4,1 milhões de textos corrigidos. A nota máxima foi concedida a cerca de 2 mil redações.
.
- Tem um custo público para alguém fazer um exame. O Estado brasileiro está subsidiando esse exame para pessoas que, de fato, queiram fazer com seriedade. Por respeito aos demais participantes e ao Estado brasileiro, eu estou convencido disso (de que inserções indevidas devem receber nota zero).
.
Educadores defendem maior rigor no Enem
.
As declarações do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Cláudio Costa, sobre os problemas apontados na correção das redações dividiram as opiniões de Educadores. Professores de alguns dos principais colégios e cursinhos pré-vestibulares, porém, concordaram com maior rigor nas avaliações.
.
O coordenador de Língua Portuguesa e Redação do colégio e curso pH, Filipe Couto, entendeu as palavras do presidente do Inep como um "reconhecimento de erro" ao comentar que deboches mereceriam nota zero. O coordenador disse, porém, que Costa contradiz as regras do Enem, já que "desvios graves", como erro de concordância, não podem receber nota máxima, segundo o Guia do .
Participante distribuído pelo MEC, manual que contém as regras da prova.
.
- Erros de concordância são desvios graves pelo guia, e não podem receber nota 200 (máxima na competência). Já desvios leves como erro de ortografia podem receber no máximo nota 160. Ou o presidente do Inep não leu direito o edital que ele fez, ou milhões de Alunos não leram - disse Couto.
A Professora de redação do cursinho pré-vestibular CPV, de São Paulo, Daniela Aizenstbin, acredita que o exame deveria seguir à risca o que propõe em seu edital. No caso das redações com deboches, ela concordou que elas precisam ser zeradas.
.
- Eu não vejo prejuízo para o Aluno que estuda. Uma medida como esse torna a prova mais séria. Deixa claro que não tem espaço para isso. O Aluno que é sério não se arrisca a fazer esse tipo de coisa - apontou Daniela.
.
Ela lembrou que esse problema não é uma exclusividade do Enem. Todos os anos a Fuvest, maior vestibular do país e que seleciona os Alunos que da Universidade de São Paulo, apresenta as 30 melhores redações da prova e algumas também mostram erros de português. Para ela, ao tornar a avaliação mais rigorosa, o MEC tem a oportunidade de fazer um exemplo para o país.
.
- Acho que o Enem pode servir como exemplo nesse sentido. Esses processos seletivos condicionam o Aluno a estudar. Quando o exame é muito rigoroso, o Aluno busca superar uma série de lacunas que ele traz - explicou.
.
Professor defende tese do conjunto
.
Por outro lado, Walter Maldonado, Professor do Colégio e Curso Energia, de Florianópolis, defende que as avaliações sejam ponderadas e que o conjunto seja levado em conta na hora da avaliação da norma culta.
.
- Se o sujeito escreveu ideia com acento, por exemplo, e repetiu ela mais duas vezes sem acento, isso mostra que ele vacilou e não que ele não domina a norma. Agora, é preciso saber se ele domina a linguagem. A avaliação tem que ser como um todo.
.
Já para o diretor-presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, o MEC precisa fazer uma reflexão desde a necessidade da existência da redação no exame até propósitos da prova. Para o Educador, existem outras maneiras de se fazer a mesma avaliação.
.
- Se você olhar ao longo do tempo: o que mudou no fato de ter a redação? Mudou a forma de ensinar o processo de pensar e estruturar a redação? Quando você avalia a intenção e o resultado da política, o custo beneficio é negativo - disse Oliveira.
.
De acordo com ele, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), por exemplo, não possui redação e mesmo assim consegue fazer uma avaliação consistente dos Alunos. Por isso, ele questiona o propósito do MEC ao fazer o exame:
.
- Essa prova é para avaliar o Ensino médio ou para o Aluno ter uma chance de entrar no Ensino superior? Há erros de concepção da prova. Isso precisa ser enfrentado. Quando você faz uma prova para uma multidão, tem um problema de adequação e essas coisas são pensadas de forma atabalhoada.  
.
Fonte: O Globo

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Escola pública mantém nota baixa no Enem

***
O Ministério da Educação (MEC) divulgou ontem as notas por Escola da edição de 2011 do Exame Nacional do Ensino médio (Enem). Entre os cem melhores colégios com o melhor desempenho na prova aparecem apenas dez Escolas públicas, a maioria unidades de aplicação vinculadas a universidades federais, instituições militares e de Ensino técnico. Embora o Enem não sirva como uma avaliação de qualidade educacional, mas principalmente como uma espécie de vestibular de acesso ao Ensino superior, o resultado da edição do ano passado mostra que as Escolas particulares absorveram melhor a proposta pedagógica do exame, composta por testes de ciências da natureza e tecnologias, ciências humanas, linguagens e códigos e matemática, além da redação. Na edição de 2010, 13 Escolas públicas estavam na lista das cem melhores do Enem.
.
O MEC anunciou somente as notas de 10.076 unidades, que representam 40,6% das Escolas de Ensino médio do país. Pouco mais de 1.185 Escolas que tiveram menos de dez Alunos no exame e outras 13.581 com taxa de participação de estudantes concluintes menor de 50% do total da turma foram excluídas da divulgação. Do total geral de médias apresentadas ontem, 199 são federais, 4.968 estaduais, 111 municipais e 4.798 particulares. Na avaliação de Tufi Machado Soares, Professor e coordenador de pesquisa do Centro de Políticas Pública e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), desde que o MEC propôs reformular o conteúdo do Ensino médio em 2009, usando o Enem como base, as Escolas particulares foram as primeiras a se adaptar. "A exemplo da estrutura do Estado, as Escolas públicas são muito engessadas, têm mais dificuldade para mexer no conteúdo, dar mais dinamismo ao que é ensinado", disse Soares durante encontro em São Paulo para discutir o Enem, promovido pelo movimento educacional Todos Pela Educação.
.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ponderou que o resultado não pode ser considerado como ranking das melhores Escolas de Ensino médio do país. "O Enem não é um ranking de avaliação entre Escolas, é uma avaliação dos Alunos, dos estudantes. É insuficiente como avaliação do estabelecimento Escolar porque há Escolas com naturezas muito distintas", disse.
.
José Francisco Soares, Professor titular aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), defende o uso de dados socioeconômico para melhor avaliar as Escolas no Enem. "O que está fora da Escola impacta o que está dentro da Escola. O nível socioeconômico é essencial para se perceber isso. Quando não mostramos essa correlação, a informação que se divulga é de má qualidade."
.
O Colégio Objetivo Integrado, Escola privada de São Paulo, ficou com a melhor média geral do Enem do ano passado: 737,15, considerando as quatro disciplinas e a redação. O Colégio Elite Vale do Aço, de Ipatinga, interior de Minas Gerais, e o Colégio Bernoulli-Unidade Lourdes, de Belo Horizonte, ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente, com média 718.
.
A Escola pública mais bem classificada no Enem 2011 foi o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com média 704. O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é a segunda pública melhor colocada, na 29ª posição, com média 676, seguido pelo Instituto Federal do Espírito Santo, de Vitória, no 40º lugar e média 672.
.
As outras sete Escolas que figuram entre as cem melhores notas do Enem 2011 são: Colégio Militar de Belo Horizonte (52º), Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (60º), Colégio Militar de Porto Alegre (73º), Etec São Paulo (74º), Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais (85º), Colégio Pedro II - Unidade Niterói (90º) e Instituto Técnico da Universidade Federal de Tecnologia do Paraná (91º).
.
Fonte: Valor Econômico (SP)

Escola pública e o Enem














































 
***
Repete-se e amplia-se, na última edição do Exame Nacional do Ensino médio, a conclusão de que a realidade das Escolas públicas é desalentadora. O desempenho dos colégios mantidos pelos Estados piorou no ano passado em relação a 2010. Dos 50 melhores educandários do país, apenas três são públicos, e todos são federais – na edição anterior, eram seis. É uma disparidade grande demais, que não se explica apenas pelo conjunto de distorções do programa encarregado de avaliar a performance de estudantes e Escolas do Ensino médio. Entre as deficiências apontadas, denuncia-se com frequência que o Enem faz o confronto da Escola pública com instituições privadas que selecionam seus Alunos.
.
O exame seria assim um duelo desigual de estudantes de colégios muitas vezes precários – e em condições socioeconômicas inferiores – com Alunos de Escolas de elite. Há dados que comprovam algumas falhas, como o fato de que, entre as 10 melhores Escolas, em sete eram menos de cem os Alunos que estavam concluindo o Ensino médio e fizeram o teste. Essa seletividade não é suficiente, no entanto, para alterar o conjunto dos resultados e sustentar pretextos desqualificadores do exame. O Enem deve ser mantido e aperfeiçoado, com a correção de eventuais falhas. Seria um desserviço continuar a atacá-lo, como tática diversionista, para esconder as limitações da Educação pública.
.
Os números divulgados pelo MEC são incontestáveis: 92% das Escolas estaduais tiveram nota abaixo da média geral do país, que já é insatisfatória. E esse não é um problema localizado nas regiões mais pobres. Nenhum Estado conseguiu registrar mais de 20% das Escolas com notas acima da média nacional. A precariedade revelada pela amostragem exige, há muito tempo, reações do setor público. Mas a capacidade de articulação dos governos federal e estaduais tem se mostrado insuficiente para que aconteça uma virada na Educação brasileira. Como apenas 12% dos estudantes estão na rede privada, isso significa que 88% do contingente do Ensino médio continua à espera de investimentos em estrutura, em equipamentos e em pessoal.
.
Os avanços proporcionados pelo próprio Enem, que buscam a melhoria das práticas pedagógicas e procuram ampliar o acesso de egressos da rede pública ao Ensino Superior, não são suficientes para compensar os erros das políticas públicas e as omissões de comunidades e pais alheios ao que se passa nas Escolas. O descaso do Brasil com a formação básica assumiu, como têm alertado os especialistas, a conotação de desprezo com parcela da população que mais depende do suporte dos governos. Alunos de Escolas mantidas pelos Estados são, em sua maioria, de famílias de baixa renda. Privá-los de um bom Ensino é também uma forma de ampliar suas privações e negar-lhes a chance de crescer econômica e socialmente através da Educação.
.
O descaso do Brasil com a formação básica assumiu a conotação de desprezo com parcela da população que mais depende do suporte dos governos.
.
Fonte: Diário de Cuiabá (MT)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Aulão na Bahia tem até show de reggae

.
Com show de reggae nos intervalos e 400 Alunos em sala, o governo da Bahia promoveu ontem o primeiro "Aulão Enem", uma tentativa de amenizar os efeitos da greve de Professores da rede estadual, que já dura 79 dias.
.
A primeira edição da aula-show reuniu Professores que, sobre um palco, falaram sobre crise no Oriente Médio e impactos do narcotráfico no Brasil, entre outros assuntos.  Os "aulões" fazem parte do pacote de medidas do governo voltado a Alunos do terceiro ano do Ensino médio.

Fonte:  Folha de São Paulo

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

TRF mantém questões anuladas só a 639 alunos do Ceará

.
Recurso do Ministério Público Federal foi julgado na tarde desta quarta-feira (16), no Recife
.
Agência Brasil - 16/11/2011 - (Fonte: Hoje em Dia (MG))
.
Brasília – O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) manteve a decisão que anulou 14 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) apenas para os alunos do Colégio Christus, de Fortaleza (CE). Por 11 votos a favor e 1 contra, o plenário negou recurso apresentado pela Procuradoria Regional da República da 5ª Região que pedia que as questões fossem anuladas para todos os candidatos que fizeram a prova.
.
Os alunos do colégio cearense tiveram acesso antecipado a 14 questões do Enem por meio de uma apostila distribuída pela escola semanas antes da aplicação do exame. Os itens vazaram na fase de pré-testes da prova, da qual estudantes do Christus participaram em outubro do ano passado. A Polícia Federal investiga o caso. O presidente do TRF-5, desembargador Paulo Roberto Lima, havia decidido em 4 de novembro que a anulação dos itens apenas para os alunos do colégio era a melhor solução “mais razoável” para o problema. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), os alunos não serão prejudicados e o total da pontuação será dividido entre os itens considerados válidos.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Justiça anula 13 questões do exame no país


BRASÍLIA E FORTALEZA. Os mais de quatro milhões de candidatos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio foram surpreendidos, ontem à noite, com a decisão do juiz federal substituto Luiz Praxedes Vieira, da 1ª Vara do Ceará, de anular 13 questões do Enem que foram antecipadas num simulado do Colégio Christus, de Fortaleza.

O pedido de invalidação das questões ou do exame como um todo havia sido feito pelo Ministério Público Federal (MPF) do estado. O Ministério da Educação (MEC) informou que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife (PE), contra a decisão do juiz.

Para o MEC, a liminar foi "excessiva e desproporcional". Segundo a assessoria de Imprensa do ministério, "a decisão dá a impressão de que o crime compensa".  A decisão do juiz foi tomada mesmo após uma reunião, ontem de manhã, com a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), Malvina Tuttman.

Na ocasião, ela apresentou as alegações para que não houvesse o anulação das questões ou do exame para todo país. A alternativa defendida pelo MEC é que só os 639 alunos do Colégio Christus devem refazer a prova.

Pontuação será baseada nas outras 167 questões
.
 Em seu parecer, o juiz afirma que a antecipação das questões para alunos do Colégio Christus fere "o princípio constitucional da isonomia e da segurança jurídica".

Segundo a liminar, a pontuação de todos os candidatos será dada com base nas outras 167 questões não anuladas e na redação, de acordo com a Teoria da Resposta ao Item (TRI) adotada pelo certame. Foram anuladas as questões 32, 33, 34, 46, 50, 57, 74 e 87, do primeiro dia de provas, e 113, 141, 154, 173 e 180, do segundo dia. A numeração tem como base o caderno amarelo de questões.

Em entrevista coletiva realizada no Banco Central de Fortaleza, ontem à tarde, Malvina havia defendido que apenas os 639 estudantes do colégio Christus refizessem o Enem. No entanto, ela admitiu, pela primeira vez, que 320 alunos do curso pré-vestibular do colégio também poderiam ter suas provas anuladas. Isso ocorreria caso a Polícia Federal conclua que eles também tiveram acesso às questões do exame antecipadamente.

Ela informou ainda que, se fosse comprovada a intenção de copiar as questões, o colégio teria que pagar R$45 por cada estudante que refizesse as provas.  A professora que, na cidade, esteve também com os delegados da PF responsáveis pela investigação, fez questão de ressaltar que a decisão do MEC não se tratava de perseguição aos estudantes do Christus.

Ela alegou que a decisão teve embasamento técnico e pedagógico e seguiu as práticas adotadas no mundo inteiro. Foi a primeira coletiva dada pela presidente do Inep desde que os problemas vieram à tona, há uma semana.

- Não queremos punir os estudantes do Colégio Christus, pois temos certeza de que eles não tiveram nenhum envolvimento. Por isso, estamos oferecendo a eles a possibilidade de refazer a prova, sem custos. Do mesmo jeito que procedem os organizadores de exames similares em todo o mundo - disse Malvina, horas antes de saber da decisão do juiz.

No encontro com o juiz Praxedes, a professora argumentou que não há convicção de que as questões presentes nas apostilas da escola vazaram para candidatos de fora do colégio. Ela foi ao encontro acompanhada por dois procuradores da Advocacia-Geral da União (AGU) e já havia antecipado que o MEC recorreria ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife, se a decisão fosse desfavorável.

- A questão não se localiza no Enem. Não houve vazamento nas provas. A questão é sobre que valores éticos as nossas escolas estão desenvolvendo com nossos alunos.

É uma competição que não é salutar para o aluno, que não tem nenhum benefício com isso. Alguém pegou dois dos 32 cadernos do pré-teste e os utilizou em um material da escola - afirmou a professora, acrescentando que estava confiante na decisão do juiz.  Entre o fim da manhã e o início da tarde, três estudantes que participaram de uma manifestação foram recebidos pelo juiz Praxedes. Segundo, Ivone Gonçalves, de 17 anos, aluna do Colégio Ari de Sá, o magistrado pareceu tender a acatar o pedido do MPF:

- Ele também achou que não há uma garantia de que as questões tenham vazado apenas para os alunos do Colégio Christus - disse a estudante.

 Fonte: O Globo (RJ)