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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Política X Economia

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Por Lúcio Alves de Barros*
 
Início de governo deve ser um inferno para as autoridades que através do voto conquistaram o poder. Inferno também é para aqueles que os colocaram por lá. Digo isto devido ao clima de ansiedade e insegurança social que tomou as pessoas desde as recentes mudanças governamentais. Na “calada da noite” a senhora presidente Dilma levou a efeito as propostas do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o qual - como tecnocrata que é – observa somente os números e não as pessoas.

As propostas governamentais, não discutidas nas eleições, buscam a famigerada austeridade fiscal. Esta nada mais é do que a ação de cortar gastos no intuito de evitar o déficit público. Assim, em uma tacada só o governo decidiu por lotar os bolsos e propôs - dentre outras medidas - o retorno da contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) sobre os combustíveis, o aumento de impostos sobre as operações financeiras (IOF), o aumento do PIS/Cofins sobre produtos importados, mudanças  no abono salarial, seguro-desemprego, auxílio doença e pensão de morte. As mudanças para uns são necessárias e para outros deve o Estado continuar da forma que está, dado que toda política de austeridade tem como pano de fundo o corte de benefícios e de direitos daqueles que tem menos. Contudo, a questão não é somente econômica e deve muito à política. Três pontos merecem destaque neste contexto:

Em primeiro lugar, é notório que a atual presidente se rendeu aos ditames liberais. Não o liberalismo político, mas o econômico baseado no capital, na meritocracia e na guarda daqueles que tem mais. Logo, a presidente mentiu em plena campanha eleitoral. De fato, ela manteve (até o momento) os programas sociais, mas eles contam muito pouco no PIB e logo se preocupou muito mais com os ventos internacionais do que as nossas fronteiras. Na trincheira de Brasília, a presidente jogou o pacote em nossas costas, explicou pouco, repetiu velhas receitas e agradou empresários locais e o mercado internacional.

Em segundo lugar, é claro que a presidente tinha que seguir este caminho. Depois de quatro anos sem controle nos gastos e com a corrupção à solta, não haveria outra forma senão a de apertar os cintos, seguir as regras do FMI e resguardar o apoio político. Não por acaso ela manteve os 39 ministérios e rifou todo o governo dentre os partidos aliados. Contraditória iniciativa, dado que muitos ministérios demandam mais dinheiro, sem falar da disputa entre eles e do vazio político que se forja diante da compra das lideranças.

Em terceiro e último lugar, é sempre bom tomar cuidado com o hiper-poder do executivo. Deputados e senadores no Brasil sempre esperam o executivo opinar. Somente depois ambas as casas tentam fazer algo que não seja uma CPI que termina arquivada. O fato é que o legislativo é omisso, covarde e longe da representatividade nacional. Podendo se locomover na máquina pública sem constrangimentos o executivo nada de braçada em um lago onde inexiste o tubarão da oposição. Sem controle externo, inclusive do judiciário, o novo e “velho” governo vende a ideia de credibilidade e honestidade tapando o sol com a peneira e tentando não afundar o barco.

O Brasil é isto: um lugar da insegurança generalizada. Entre e sai governo a sensação de que “alguma coisa vai acontecer agora” para tirar o sossego é certa. Os mais velhos passam a sofrer taquicardias, uma espécie de transtorno pós-traumático devido o transtorno Sarney, a síndrome Collor e o vírus FHC. Os jovens, uma geração morta e que vai para rua sem saber para onde ir, andam perdendo tempo, esperando acontecimentos, repetindo os erros dos pais e se entregando ao hedonismo sem medida. Mas está tudo bem, a política é para poucos e a ralé brasileira - apesar de “forte” - sabe que vai sobreviver, apesar dos custos da insegurança social, da saúde em frangalhos e da educação incapaz de conscientizar e auxiliar na emancipação humana.
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* Professor da UEMG / FAE/ campus BH e Doutor em Ciências Humanas pela UFMG.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Economia verde versus Economia solidária

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Leonardo Boff *
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O Documento Zero da ONU para a Rio+20 é ainda refém do velho paradigma da dominação da natureza para extrair dela os maiores benefícios possíveis para os negócios e para o mercado. Através dele e nele o ser humano deve buscar os meios de sua vida e subsistência. A economia verde radicaliza esta tendência, pois como escreveu o diplomata e ecologista boliviano Pablo Solón “ela busca não apenas mercantilizar a madeira das florestas mas, também, sua capacidade de absorção de dióxido de carbono”. Tudo isso pode se transformar em bônus negociáveis pelo mercado e pelos bancos. Destarte o texto se revela definitivamente antropocêntrico como se tudo se destinasse ao uso exclusivo dos humanos e a Terra tivesse criado somente a eles e não a outros seres vivos que exigem também sustentabilidade das condições ecológicas para a sua permanência neste planeta.
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Resumidamente: O futuro que queremos, lema central do documento da ONU, não é outra coisa que o prolongamento do presente. Este se apresenta ameaçador e nega um futuro de esperança. Num contexto destes, não avançar é retroceder e fechar as portas para o novo.
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Há outrossim um agravante: todo o texto gira ao redor da economia. Por mais que a pintemos de marron ou de verde, ela guarda sempre sua lógica interna que se formula nesta pergunta: quanto posso ganhar no tempo mais curto, com o investimento menor possível, mantendo forte a concorrência? Não sejamos ingênuos: o negócio da economia vigente é o negócio. Ela não propõe uma nova relação para com a natureza, sentindo-se parte dela e responsável por sua vitalidade e integridade. Antes, move-lhe uma guerra total, como denuncia o filósofo da ecologia Michel Serres. Nesta guerra não possuímos nenhuma chance de vitória. Ela ignora nossos intentos. Segue seu curso, mesmo sem a nossa presença. Tarefa da inteligência é decifrar o que ela nos quer dizer (pelos eventos extremos, pelos tsunâmis etc), defender-nos de efeitos maléficos e colocar suas energias a nosso favor. Ela nos oferece informações mas não nos dita comportamentos. Estes devem ser inventados por nós mesmos. Eles somente serão bons caso estiverem em conformidade com seus ritmos e ciclos.
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Como alternativa a esta economia de devastação, precisamos, se queremos ter futuro, opor-lhe outro paradigma de economia de preservação, conservação e sustentação de toda a vida. Precisamos produzir, sim, mas a partir dos bens e serviços que a natureza nos oferece gratuitamente, respeitando o alcance e os limites de cada biorregião, destribuindo com equidade os frutos alcançados, pensando nos direitos das gerações futuras e nos demais seres da comunidade de vida. Ela ganha corpo hoje através da economia biocentrada, solidária, agroecológica, familiar e orgânica. Nela cada comunidade busca garantir sua soberania alimentar. Produz o que consome, articulando produtores e consumodres numa verdadeira democracia alimentar.
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A Rio+92 consagrou o conceito antropocêntrico e reducionista de desenvolvimento sustentável, elaborado pelo relatório Brundland de 1987 da ONU. Ele se transformou num dogma professado pelos documentos oficiais, pelos Estados e empresas sem nunca ser submetido a uma crítica séria. Ele sequestrou a sustentabilidade só para seu campo, e assim distorceu as relações para com a natureza. Os desastres que causava nela eram vistos como externalidades que não cabia considerar. Ocorre que estas se tornaram ameaçadoras, capazes de destruir as bases físico-químicas que sustentam a vida humana e grande parte da biosfera. Isso não é superado pela ecocomia verde. Ela configura uma armadilha dos países ricos, especialmente da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que produziu o texto teórico do Pnuma, Iniciativa da economa verde. Com isso, astutamente descartam a discussão sobre a sustentabilidade, a injustiça social e ecológica, o aquecimento global, o modelo econômico falido e a mudança de olhar sobre o planeta que possa projetar um real futuro para a Humanidade e para a Terra.
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Junto com a Rio+20 seria um ganho resgatar também a Estocolmo+40. Nesta primeira conferência mundial da ONU de 5-15 de julho de1972, em Estocolmo, na Suécia, sobre o Ambiente humano, o foco central não era o desenvolvimento mas o cuidado e a responsabilidade coletiva por tudo o que nos cerca e que está em acelerado processo de degradação, afetando a todos e especialmente aos países pobres. Era uma perspectiva humanística e generosa. Ela se perdeu com a cartilha fechada do desenvolvimento sustentável e agora com a economia verde.
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* Leonardo Boff, teólogo e filósofo, é autor de 'Sustentabilidade: O que é e o que não é' (Vozes, 2012) e membro da Comissão Iniciativa da Carta da Terra. - lboff@leonardoboff.com
Fonte: Jornal do Brasil

terça-feira, 29 de maio de 2012

Educação e emprego numa sociedade em turbulência

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Célia Corrêa *
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As noticias que comparam a aceleração da economia brasileira e a crise dos países europeus deve ser considerada com cautela por aqueles que pensam que estamos numa situação privilegiada. Na verdade, numa economia globalizada não há o que comemorar. A ordem econômica é sistêmica e contingencial. Temos que agir com respeito e cuidado para não sofremos, muito em breve, os efeitos diretos daquilo que afeta os vizinhos. Nosso telhado é de vidro.
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O perigo começa quando consideramos a baixa qualificação profissional da grande maioria da mão de obra brasileira, ao contrário de muitos estrangeiros que pensam em novas oportunidades de trabalho no Brasil. Quem não se lembra das ondas de gringos que vieram ocupar fazendas de café e de cana de açúcar, por exemplo? Vieram e se afirmaram nos dando lições de dedicação, determinação e trabalho. Hoje, a mão de obra europeia desempregada é de jovens qualificados que podem ocupar postos de trabalho nas áreas de tecnologia da informação, comércio e gestão de negócios, dentre outros campos.
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Na encruzilhada dos caminhos que temos para seguir, infelizmente, deparamo-nos com o obstáculo na educação. Ao longo dos anos, tratada como produto de menor importância, deixa-nos fragilizados no momento em que poderíamos mostrar forças e competências para maior e melhor competitividade. Mas, ao contrário, ainda estamos engatinhando na construção de uma educação que possa despertar cérebros e habilitá-los para posições estratégicas para a indústria fina e de ponta. Nada disso! Os modelos educacionais vigentes, na grande maioria, ainda estão na fase do preparo de mão de obra para atividades operacionais, isto é, facilmente substituíveis. Lamentável!
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Comemoramos o incentivo do governo para que nossos jovens possam estudar em universidades estrangeiras. Há muito tempo exportamos estudiosos, cientistas, professores, pesquisadores, artistas e outros que não voltaram. Quando, então, poderemos representar a referência na educação como atrativo para a formação de mentes nacionais e estrangeiras? Estamos longe dessa possibilidade. Temos alguns programas de intercâmbio, mas ainda não somos cobiçados no campo da excelência. Somos poucas as instituições de renome internacional, a USP é uma delas.
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Algumas instituições se destacam em número de alunos matriculados, mas não, ainda, em qualidade. Essa diferença pode significar muito numa disputa de competitividade e de oportunidades de trabalho. Nossa vacina de prevenção contra problemas futuros se concentra em investimento sério, profundo e contínuo em educação. O discurso e os esforços devem, necessariamente, ser compatibilizados e firmados por princípios e propósitos que integrem as aspirações dos alunos, dos professores, da administração escolar e da sociedade com vistas no melhor para o país. Por enquanto, a dicotomia é profunda.
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Célia Maria Corrêa Pereira – Professora – Administradora  – Mestre em Eng de produção

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Economista defende investimento em Educação


Para o economista Alexandre Rands, investir na Educação é a saída para diminuir a desigualdade entre as regiões brasileiras. No XVII Fórum BNB de Desenvolvimento são estudadas alternativas para diminuir as desigualdades e erradicar a pobreza na região Nordeste. Capacitar professores e melhorar o ensino são algumas das principais soluções para alcançar o equilíbrio entre as regiões brasileiras

Investir na Educação é a saída para diminuir a desigualdade entre as regiões brasileiras. Para o economista Alexandre Rands, o crescimento do Brasil é visível, mas se o Nordeste continuar no mesmo ritmo que o resto do país, nunca conseguirá diminuir a desigualdade. É preciso crescer e investir ainda mais, especialmente em Educação, para conseguir o equilíbrio entre as regiões.

Criar subsídios ou investimentos de infraestrutura “não arranha nem a casca do problema da desigualdade”, diz Alexandre. É preciso compensar na Educação, qualificando professores. Para ele, a desigualdade regional não acontece entre mercados de mão de obra, mas pela diferença de formação profissional e Educação.

Ceará: Entre os estados do nordeste, o Ceará é um dos poucos com cultura para crescimento. As classes média e alta são muito dinâmicas, assim como o mercado cearense. Resolvendo a questão da Educação e da disciplina do trabalho, o Ceará passa a ser o primeiro da região. Em seu livro lançado ontem no encontro da Associação Nacional dos Centros de Pós-graduação em Economia (Anpec) realizado em Fortaleza, “Desigualdades Regionais no Brasil: Natureza, Causas, Origens e Solução”, Alexandre explica que a origem da desigualdade não é advinda do processo de industrialização, como dizia Celso Furtado. A vinda da corte portuguesa ao Brasil consolidou um centro de pessoas qualificadas na região sul do país. E pode ser mais bem percebida depois do ciclo de ouro.

A classe média tem papel fundamental no desenvolvimento. Ela aumenta a demanda e o mercado. Além de aumentar a escala para a Educação, baixando o custo do aluno. Alexandre explica que uma sala com dez alunos tem quase o mesmo gasto de uma sala com 30. O economista diz também que “não adianta criar subsídios para a microempresa. O problema vem com as políticas demandadas pela elite do Nordeste”, em que a Educaçãonão era foco. Eliminar a desigualdade no investimento em Educação e criar um sistema para qualificar o professor são alternativas propostas pelo economista para colocar a Educação em primeiro plano. “No nordeste, um estudante recebe nem metade dos gastos que um estudante em São Paulo”, diz. Para o sistema de incentivo, Alexandre aconselha a política de promoção da eficiência, em que o professor recebe bônus ao alcançar metas estabelecidas.

ENTENDA A NOTÍCIA - O encontro nacional da Anpec faz parte do XVII Fórum BNB de Desenvolvimento. No evento, foi lançado o livro do economista Alexandre Rands sobre desigualdades regionais no Brasil, com foco no Nordeste. No livro, o autor aponta a Educação como solução para muitos dos problemas da região.

SAIBA MAIS - Desigualdades - O livro do economista Alexandre Rands, Desigualdades Regionais no Brasil: Natureza, Causas, Origens e Solução (editora Elsevier, 350 páginas) é o mais novo estudo que trata da questão regional no Brasil.

A obra traz uma análise histórica, social e atual da desigualdade regional, pontuando os vários aspetos que compõem a questão das desigualdades entre as regiões brasileiras, com foco no Nordeste. Alexandre estuda o tema há quase sete anos e o livro demorou quase dois anos para ser escrito.

Fonte: O Povo (CE)