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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Mapa do Encarceramento

Quem ainda tem dúvida acerca da seletividade penal no Brasil, veja o Estado assumindo sua co-culpabilidade. O Mapa - muito bem feito - revela que:
 
1 - A população prisional no Brasil cresceu 74% entre 2005 e 2012.

2 - No ano de 2005 o número de presos no país era 296.919.

3 - Sete anos depois passou para 515.482 presos. ...


4 - A população prisional masculina cresceu 70%

5 - A população feminina aumentou 146% no mesmo período.

6 - Em 2012 um terço dos presos estava encarcerado em São Paulo
 
7 - 38% dos presos estão sem julgamento. 

8 - 61% deles foram condenados e 1% cumpre medida de segurança. 

9 - Entre os condenados, 69% estão no regime fechado, 24% no regime semiaberto e 7% no regime aberto.

10 - “Quase metade (48%) dos presos brasileiros recebeu pena de até oito anos. Num sistema superlotado, 18,7% não precisariam estar presos, pois estão no perfil para o qual o Código de Processo Penal prevê cumprimento de penas alternativas”
 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Novo índice mostra vulnerabilidade de jovens à violência no Brasil

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Os jovens negros são as principais vítimas e estão em situação de maior vulnerabilidade à violência no Brasil, aponta o relatório Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014. O levantamento mostra que, em todos os estados brasileiros, à exceção do Paraná, os negros com idade de 12 a 29 anos correm mais risco de exposição à violência que os brancos na mesma faixa etária. No caso específico dos homicídios, o risco de uma pessoa negra ser assassinada no Brasil é, em média, 2,5 vezes maior que uma pessoa branca. Um indicador inédito, o chamado Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) – Violência e Desigualdade Racial, mostra que a cor da pele dos jovens está diretamente relacionada ao risco de exposição à violência a que estão submetidos. O novo índice foi calculado com base em cinco categorias: mortalidade por homicídios, mortalidade por acidentes de trânsito, frequência à escola e situação de emprego, pobreza no município e desigualdade. Os dados são de 2012.
 

O relatório é resultado de parceria entre a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) da Presidência da República, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Ministério da Justiça e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil. O IVJ – Violência e Desigualdade Racial será utilizado pelo Plano Juventude Viva, da Secretaria Nacional de Juventude, para orientar políticas públicas de redução da violência contra jovens no país.
 
Alagoas é o estado com maior IVJ – Violência e Desigualdade Racial: 0,608, na escala de 0 a 1. Isso significa que Alagoas é o estado onde os jovens negros de 12 a 29 anos estão mais vulneráveis à violência. No extremo oposto, São Paulo é o estado em melhor situação, isto é, com o menor índice entre as 27 unidades da federação: 0,200. O relatório considera que quatro estados brasileiros estão na categoria de vulnerabilidade muito alta, com índices acima de 0,500: Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Ceará. Outras cinco unidades da federação apresentam baixa vulnerabilidade, com índices abaixo de 0,300: São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal.
 
Ao analisar especificamente as taxas de homicídios de brancos e negros, o levantamento mostra que a Paraíba é o estado com maior risco relativo por raça/cor. Assim, um jovem negro corre risco 13,4 vezes maior que um jovem branco de ser assassinado na Paraíba.  Pernambuco tem a segunda maior taxa de risco relativo de homicídios de jovens negros em relação a jovens brancos (11,57), seguido por Alagoas (8,75). Embora esteja na faixa de baixa vulnerabilidade do IVJ – Violência e Desigualdade Racial, o Distrito Federal é a unidade da federação com o quarto maior índice de risco, no que diz respeito a homicídios de jovens negros. No DF, o risco de um jovem negro ser assassinado é 6,5 vezes maior que um branco. Já o Paraná é a única unidade da federação onde um jovem branco corre mais risco de ser assassinado que um jovem negro. 
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Os dados de homicídios foram obtidos no Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Segundo o levantamento, o Nordeste é a região com maior distância entre a taxa de homicídios de jovens negros e brancos. Em 2012, foram assassinados 87 jovens negros para cada grupo de 100 mil jovens negros na região, ante 17,4 jovens brancos para cada grupo de 100 mil jovens brancos. Em outras palavras, o risco de um jovem negro nordestino ser assassinado era quase quatro vezes maior que um jovem branco nordestino.
 
O estudo fez uma simulação, excluindo a desigualdade racial no cálculo das taxas de assassinatos de jovens no Brasil. O objetivo foi aferir o impacto da desigualdade racial na vulnerabilidade juvenil à violência. Assim, na hipótese de que a taxa de homicídios de jovens negros igualasse a de jovens brancos, o IVJ – Violência e Desigualdade Racial diminuiria até 9,8%, como ficou demonstrado na simulação realizada no Distrito Federal. Em Alagoas, o impacto seria uma redução de 9,2% do índice.
 
O estudo calculou ainda o IVJ – Violência e Desigualdade Racial referente ao ano de 2007, o que permitiu comparar a realidade de 2007 com a de 2012. O Piauí foi o estado em que o índice mais cresceu, isto é, onde houve uma piora de 25,9% no tocante à maior vulnerabilidade de negros. O índice piauiense passou de 0,379 (em 2007) para 0,477 (em 2012). Realidade bem diferente viveu o Rio de Janeiro, cujo índice teve a maior queda do país: - 43,3% (de 0,545, em 2007, para 0,309, em 2012).
 
O levantamento apresenta também um outro conjunto de dados referentes ao Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJ – Violência). Criado em 2008, esse indicador foi agora atualizado com dados de 2012. O IVJ – Violência cobre a mesma faixa etária do IVJ – Violência e Desigualdade Racial (população dos 12 aos 29 anos) e foi calculado apenas para 288 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Quase todas as dimensões analisadas no IVJ – Violência e Desigualdade Racial estão presentes no IVJ – Violência. A única de fora é a raça/cor das vítimas de homicídios.
 
No tocante ao IVJ – Violência, o estudo classificou 37 municípios na categoria de muito alta vulnerabilidade, sendo Cabo de Santo Agostinho (PE) a cidade onde a juventude estava mais vulnerável à violência, com índice de 0,651, na escala até 1. O município em melhor situação era São Caetano do Sul (SP), com índice 0,174, o mais baixo verificado nas 288 cidades analisadas.
 
Sobre a pesquisa

O Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial foram desenvolvidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com a UNESCO, a pedido da Secretaria-Geral da Presidência da República. Os índices utilizam dados socioeconômicos e demográficos produzidos por diferentes fontes (IBGE, SIM/DATASUS) e resumem, em um único indicador de vulnerabilidade juvenil à violência, o efeito de múltiplas variáveis que interagem para compor as condições de vida da população jovem do país. Os anos-base dos índices dizem respeito aos anos disponíveis nas fontes originais de pesquisa dos dados quando da realização dos estudos.
 
Sobre o Juventude Viva
 
O Plano Juventude Viva reúne ações de prevenção para reduzir a vulnerabilidade de jovens negros a situações de violência física e simbólica, a partir da criação de oportunidades de inclusão social e autonomia para os jovens entre 15 e 29 anos. O plano prioriza 142 municípios brasileiros, distribuídos em 26 estados e no Distrito Federal, que em 2010 concentravam 70% dos homicídios contra jovens negros. A relação inclui as capitais de todos os estados brasileiros. São 11 ministérios envolvidos. Juntos, eles articulam ações de 44 programas em 96 municípios. Todos atuando com diferentes ações e serviços em vários territórios brasileiros com alto índice de vulnerabilidade. A Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) é responsável pelo Plano Juventude Viva, em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).
 
Sobre o FBSP
 
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi constituído em março de 2006, como uma organização não-governamental, apartidária e sem fins lucrativos, cujo objetivo é construir um ambiente de referência e cooperação técnica na área de atividade policial e na gestão de segurança pública em todo o País. O foco do FBSP é o aprimoramento técnico da atividade policial e da gestão de segurança pública. Por isso, avalia o planejamento e as políticas para o setor; a gestão da informação; os sistemas de comunicação e tecnologia; as práticas e procedimentos de ação; as políticas locais de prevenção; e os meios de controle interno e externo, dentre outras; sempre adotando como princípio o respeito à democracia, à legalidade e aos direitos humanos.
 
Mais informações:
 
Assessoria de Comunicação da Secretaria Nacional de Juventude
Contato: Paulo Motoryn, (61) 3411-3929, Paulo.motoryn(at)presidencia.gov.br
Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)
Contato: Raphael Ferrari (Letra Certa Comunicação), (11) 3812-6956
Unidade de Comunicação, Informação Pública e Publicações da UNESCO no Brasil (UCIP)
Contatos:
- Ana Lúcia Guimarães, (61) 2106-3536, (61) 9966-3287, a.guimaraes(at)unesco.org
- Demétrio Weber, (61) 2106-3538, d.weber(at)unesco.org
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segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Papa da esperança

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Por: Lúcio Alves de Barros*
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“O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo!” (Papa Francisco)
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A visita do Papa Francisco no Brasil é mais do que um momento histórico. O sorridente e simpático chefe de Estado trouxe boas novas à Jornada Mundial da Juventude. Juventude meio desatenta, entregue ao hedonismo, ao consumo desenfreado e ao egoísmo próprio da “modernidade recente”. O líder da igreja católica não poderia neste sentido - dentre tantas outras - se furtar de três importantes mensagens.
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A primeira mensagem proveniente de um discurso não improvisado apelou para a esperança, a capacidade de se surpreender com Deus e em Deus, e a manutenção da alegria. A esperança é uma velha virtude que acompanha os religiosos. Esperar é ter expectativas, pensamento positivo em torno de coisas e acontecimentos melhores. A esperança inspira mudança, regozijo, novos ares e possibilidades. Não há dúvida que é uma boa pedida. No entanto é uma sempre e necessária crença, principalmente acompanhada da chama do Espírito Santo. Pode ser que o pontífice acredite - nesse mundo de hipocrisia -, que poucos têm essa virtude e que não mais acreditem em mudanças significativas. Se são poucos ou não, o fato é que é difícil esperar em um mundo repleto de corrupção, ganância, falsidade, deslealdade e podridão. No Brasil, esperar não tem adiantado muito, mas o recado foi dado e a fé com alegria, já existente entre nós, é o combustível perfeito para atender ao pedido do pontífice.
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Uma segunda mensagem foi direcionada ao espírito rebelde, revolucionário e atento dos jovens. Para o Papa, são eles os atores privilegiados e que possuem a capacidade de modificar uma igreja “caduca” que venera e alimenta a mentalidade de “príncipes”. Neste caminho o recado coube não somente aos cardeais, bispos e padres, mas às lideranças católicas que há tempos se enclausuraram em suas igrejas transformando-as em micro poderes repletos de “santidades”. O pontífice apontou para a obrigatória modernização da igreja e defendeu o abandono de determinadas tradições e a venda de “falsas esperanças”. A mensagem não é jovem para muitos que fazem parte da igreja desde os anos de 1970. A ideia lançada aos católicos e à "jovem igreja" do século 21 é a de novamente seguir o caminho de Jesus Cristo optando pelos excluídos e pelos que tem fome e sede de Paz. É preciso levantar o oprimido, deixá-lo falar e se colocar ao seu lado. A igreja católica neste caminho, apesar das críticas do pontífice, lembra o ideário da Teologia da Libertação. Não obstante a crítica que teceu não a colocou como protagonista no cenário, preferindo afirmar que “Toda a projeção utópica (para o futuro) ou restauracionista (para o passado) não é do espírito bom. Deus é real e se manifesta no hoje. O ‘hoje’ é o que mais se parece com a eternidade; mais ainda: o ‘hoje’ é uma centelha de eternidade. No ‘hoje’, se joga a vida eterna".
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A última mensagem proposta é a manutenção de um Estado laico. Esta proposta vai de encontro a todo fundamentalismo – inclusive o cristão – intolerância e diferença. Ela se baseia na possibilidade do multiculturalismo, da igualdade e da fraternidade entre os seres humanos. Um estado laico abre espaço para muitos, fecha as portas aos privilégios e impede abusos de poder em nome de um deus ou de uma casta. A fala de um Papa, um chefe de Estado e talvez uma das pessoas mais influentes neste século é de suma importância nesta atual conjuntura. Primeiro, porque preserva no campo político a democracia como arena de relações de poder e, em segundo, porque admite a responsabilização daqueles que no poder devem prestar contas. A mensagem em defesa de um estado laico não impede, entretanto, a imbricação da religião com a política. O velho lema "ver-julgar-agir" é totalmente político e cabe à toda liderança religiosa vigiar o seu rebanho, guiá-lo em tempos difíceis, apontar o erro, denunciar os males, proteger os desprivilegiados e sustentar o amor, a paciência e a luz presente no coração dos seres humanos. Em outras palavras, cumpre “sustentar os passos de Deus em seu povo”.
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O Papa Francisco deixou o solo brasileiro no dia 28 de julho por volta das 20 horas. Disse que já sentia saudades. Em um país carente de tudo foi oportuna sua visita. Prometeu retornar em 2017. Quem sabe até lá, e vamos torcer para isso, muitos levem suas palavras a sério. Ouvir é diferente de escutar. Não é por acaso que a igreja católica perdeu e continua perdendo espaço no mercado da fé. A puxada de orelhas com carinho e respeito do pontífice foi muito séria. Já que ele pede, não custa rezar por ele e pedir para que nossas orelhas não se arrebentem e que em sua volta possamos pelo menos olhar de outra forma para o Papa que beijou crianças, tomou chimarrão, ganhou muitos presentes, andou em carro aberto e no mínimo mostrou que se pode ter e exercer o poder com certa humildade e pouca ostentação.
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*é professor na FAE (Faculdade de Educação) da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Juventude desperdiçada

Fonte: Gazeta do Povo (PR)
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Ao mesmo tempo em que atinge níveis historicamente baixos de desemprego e sofre com a escassez de mão de obra qualificada em alguns setores, o Brasil “desperdiça” um de cada cinco jovens adultos. Pouco mais de 5,3 milhões de pessoas com idade entre 18 e 25 anos, o equivalente a 19,5% dos brasileiros dessa faixa etária, não estão estudando nem trabalhando e tampouco procurando emprego, segundo dados do Censo 2010. São pessoas que mal entraram na idade produtiva e já são enquadradas como “não economicamente ativas”.
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Era de se esperar que, com o crescimento do mercado de trabalho e alguns avanços na Educação, o quadro tivesse melhorado desde o censo anterior, de 2000. Mas ocorreu o oposto. O contingente de jovens que não estudam nem trabalham até aumentou: em 2000 eles eram 4,8 milhões, ou 18,2% do total, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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“Estamos desperdiçando parte de uma geração, que vai demorar muito a encontrar um lugar ‘virtuoso’ no mercado de trabalho”, diz Adalberto Cardoso, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj). “Mais adiante alguns vão voltar a estudar e tentar tirar o atraso, mas então encontrarão novas gerações mais escolarizadas e qualificadas, dificultando sua competição.”
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A chamada “geração nem-nem” tem crescido na Europa assolada pela crise. Mas por que existem tantas pessoas nessa situação no Brasil? Há as que estão à toa por que querem, acomodadas com alguma fonte segura e não muito exigente de sustento – os pais, por exemplo. Mas trata-se de uma minoria. Na maior parte dos casos, diz Cardoso, os brasileiros “nem-nem” são pobres e têm baixa escolaridade. E, no caso das mulheres, filhos para cuidar.
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“Dois terços desses jovens são mulheres, e metade delas tem filho vivo, nem sempre fruto de casamento. Dos homens, uma pequena parte, perto de 10%, tem deficiência física ou mental grave. Cerca de 70% dessas pessoas vivem em famílias que estão entre as 40% mais pobres, e 50% dos homens e 40% das mulheres não completaram nem o Ensino Fundamental”, enumera o pesquisador.
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Aprendizado deficiente:  Para Priscila Cruz, diretora-executiva da organização Todos Pela Educação, os problemas começam pelo baixo nível de aprendizado dos estudantes. Avaliações mostram que, em português e matemática, menos de 35% aprendem o mínimo esperado. “O jovem não aprende, repete de ano, e a repetência é o primeiro indício de que ele pode abandonar a escola. E, depois que abandona, tem dificuldade para se inserir no mercado”, explica.
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Visto como distante da realidade dos alunos, o currículo do Ensino Básico é outro desestímulo. Há disciplinas em excesso, várias delas abstratas demais para quem mal consegue interpretar um texto, e pouco úteis para quem precisa arrumar logo um emprego. “É preciso oferecer uma opção de Ensino Médio profissionalizante, que deixe o jovem apto a algum serviço já aos 18 ou 19 anos. Nem todos podem esperar pela faculdade”, diz Priscila.
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Quem deixa a escola e não arruma trabalho pode acabar recorrendo a bicos ou algo pior, avalia Amilton Moretto, do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp. “Se não criarmos condições para que o jovem tenha a expectativa de conseguir um emprego, uma perspectiva de futuro, corremos o risco de perdê-lo para a marginalidade.”
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País não aproveita “bônus demográfico”: O Brasil atravessa desde a década de 1960 um período que estudiosos chamam de “bônus demográfico”, em que a população com idade entre 15 e 64 anos aumenta em relação à população total – ou seja, a quantidade de pessoas em idade produtiva cresce mais rápido que o número de crianças, adolescentes e idosos. Assim, há uma certa abundância de mão de obra e, com mais pessoas produzindo, também pode haver mais geração de riqueza.
No entanto, o elevado número de jovens desempregados e fora da escola ou da faculdade mostra que o país não está aproveitando bem esse bônus. E não terá muito tempo para isso: com a queda na taxa de natalidade e o envelhecimento da população, o bônus demográfico deve acabar por volta de 2020, segundo cálculos dos pesquisadores João Basílio Pereima, Fernando Motta Corrêa e Alexandre Porsse, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
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Por um lado, isso será bom. A oferta de jovens trabalhadores vai diminuir, o que deve elevar os salários e melhorar a distribuição de renda. Aliás, há quem desconfie que a persistência de baixas taxas de desemprego e o aumento dos rendimentos em plena estagnação econômica já seja reflexo de uma estabilização ou mesmo queda na entrada de novos profissionais.
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Por outro lado, se não houver um aumento da inovação tecnológica e da produtividade, os custos das empresas tendem a aumentar quando o bônus demográfico acabar – o que pode resultar em coisas como inflação e recessão. Portanto, sem jovens criativos e bem formados, o crescimento econômico do país estará ameaçado.
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Políticas
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“Se um país aproveita seu bônus demográfico com políticas adequadas, pode emergir ao fim do processo com enormes avanços econômicos e sociais”, afirmam os pesquisadores da UFPR, em artigo publicado no mês passado. O problema, dizem, é que o Brasil tem sido relapso: “As políticas educacionais não estão dando conta de formar pessoas qualificadas na velocidade e quantidade necessárias no nível técnico. E o quadro é mais grave ainda no nível universitário e de pós-graduação.”
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Ocupação
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Curso de qualificação ajuda jovem a encontrar trabalho
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Durou pouco tempo a “folga” de Douglas Maicon Ferla, 19 anos. Dois meses depois de deixar o emprego no almoxarifado de uma fábrica de autopeças, onde o pó vinha agravando sua rinite, ele está de volta ao trabalho e às aulas. Passa o dia todo ocupado: estuda pela manhã e trabalha até à noite.
Enquanto esteve desempregado, ele fez um curso de manipulação de alimentos no Senai. No fim de setembro, conseguiu uma vaga de auxiliar de produção na fábrica de chocolates da Kraft, quase ao mesmo tempo em que começou a frequentar um curso gratuito de mecânica na ONG Rede Esperança. “Estou fazendo o curso por vontade própria”, conta Douglas, que tem Ensino Médio completo. “No futuro quero trabalhar com mecânica industrial, na própria Kraft ou em outra empresa.”
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A coordenadora de intermediação de mão de obra da Secretaria Estadual do Trabalho, Angela Carstens, conta que a maioria dos programas públicos voltados ao emprego juvenil contempla a questão da Educação. “O Jovem Aprendiz, por exemplo, passou a exigir que o jovem faça 80 horas de curso técnico para poder ser encaminhado à empresa. Dá mais resultado que encaminhá-lo sem qualificação”, diz. (FJ)Índice piorou no Norte, Nordeste e Sudeste. O crescimento da proporção de jovens brasileiros fora da escola e do mercado de trabalho entre 2000 e 2010 foi puxado pelas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país. No Sul e no Centro-Oeste, o índice “nem-nem” diminuiu entre os dois censos. No Paraná, o número de jovens nessa situação caiu de 235 mil (16,5% da população com 18 a 25 anos) em 2000 para 208 mil (14,5% do total) em 2010. O índice paranaense é o quarto mais baixo do país, mas ainda é o pior da Região Sul – no Rio Grande do Sul a taxa caiu de 13,8% para 13,3% e em Santa Catarina, de 13,9% para 10,7%.
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Pobreza
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 De forma geral, quanto mais pobre é o estado, maior tende a ser a população “nem-nem”. Alagoas e Maranhão, que segundo dados de 2009 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) figuram entre os três estados com a maior proporção de famílias pobres (47,7% e 41,6%, respectivamente), também têm os piores índices “nem-nem” do país (28% e 29,2%). No outro extremo da tabela, Santa Catarina ostenta o mais baixo índice de pobreza (6,4%) e a menor proporção de jovens que não estudam nem trabalham.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A violência contra jovens negros no Brasil

 
por Paulo Ramos
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A cada nova divulgação dos dados sobre homicídios no Brasil a mesma informação é dada: morrem por homicídio, proporcionalmente, mais jovens negros do que jovens brancos no país. Além disso, vem se confirmando que a tendência é um crescimento desta desigualdade nas mortes por homicídios.
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Foto: Luliexperiment/Flickr
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O diagnóstico produzido pelo Governo Federal apresentado ao Conselho Nacional de Juventude – CONJUVE mostra vetores importantes desta realidade, para além dos socioeconômicos: a condição geracional e a condição racial dos vitimizados.Em 2010, morreram no Brasil 49.932 pessoas vítimas de homicídio, ou seja, 26,2 a cada 100 mil habitantes. 70,6% das vítimas eram negras. Em 2010, 26.854 jovens entre 15 e 29 foram vítimas de homicídio, ou seja, 53,5% do total; 74,6% dos jovens assassinados eram negros e 91,3% das vítimas de homicídio eram do sexo masculino. Já as vítimas jovens (ente 15 e 29 anos) correspondem a 53% do total e a diferença entre jovens brancos e negros salta de 4.807 para 12.190 homicídios, entre 2000 e 2009. Os dados foram recolhidos do DataSUS/Ministério da Saúde e do Mapa da Violência 2011.
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Podemos dizer que este tema entrou na cena pública, quando, em 2007, o Fórum Nacional da Juventude Negra – FONAJUNE lançou a campanha nacional “Contra o Genocídio da Juventude Negra”. Em 2008, foi realizada a 1ª. Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude, e das 22 prioridades eleitas nesta CNPPJ, a proposta mais votada foi a indicada pela juventude negra que tematizava justamente os homicídios de jovens negros.
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Depois de passar CONJUVE, o tema foiabsorvido pelo Executivo, no final de 2010, através da Secretaria de Políticas de Igualdade Racial – SEPPIR, com a realização de uma oficina chamada “Combate à mortalidade da juventude negra”.Com a sucessão presidencial, a pauta – deixada de lado pela SEPPIR, em 2011 – foi reincorporada pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), ligada à Secretaria Geral da Presidência da República-SG/PR, em meados de 2011. A SNJ sugeriu que o Fórum Direitos e Cidadania (coordenado pela SG/PR), que reúne os principais ministérios ligados ao tema, tomasse para si a questão. Foi o que aconteceu, a partir da criação de uma Sala de Situação da Juventude Negra dentro do Fórum. A partir daí desencadeou-se uma agenda nos moldes participativos para o desenvolvimento de propostas que agissem pela redução da violência contra a juventude negra.
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Problema velho, soluções inovadoras
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Esta pauta, de início, podemos sugerir que possui um caráter especialmente participativo. Pois inicia-se com uma Conferência de participação social e passa a ser discutido pelo Conjuve. Depois, quando chega ao executivo, mantém este formato de discussão. O problema a ser enfrentado é bem complexo. Até hoje algumas iniciativas que dialogam com este público de juventude negra. Entretanto, existe uma dissonância entre elementos fundamentais para o êxito de uma ação que vise combater os homicídios de jovens negros. Para estas políticas, quando há orçamento, não há reconhecimento de diferenças; quando o projeto aborda a juventude negra, não há recursos. E quando há reconhecimento com recursos, não existe foco nos jovens mais vulneráveis.
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Assim, esta agenda deve ser trabalhada pelo poder público a partir de duas concepções distintas de políticas públicas e a partir de uma noção convergente de direitos, pois o direito à vida de certa juventude (a juventude negra) e elaborada a partir do reconhecimento de diferenças. Mas que o Estado Brasileiro através de seus quadros burocráticos, muitas vezes reluta em fazê-lo.
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Uma delas a chamada transversalidade, que defende que as políticas públicas devem ser caracterizadas pelas dimensões que se pretendem reconhecer (racialmente, por gênero etc.). A outra maneira pela qual as políticas setoriais vêm sendo tratadas é pela ação afirmativa. Esta defende que é preciso criar políticas emergenciais, combinas às estruturantes para públicos específicos (negros, jovens, mulheres).
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As políticas chamadas transversais carregam consigo um dilema sobre a sua autoria. Se elas devem estar em todos os campos da ação pública, quem tem o dever de realizá-las? De quem é a responsabilidade de resolver o problema dos homicídios dos jovens negros no interior de um governo? A Secretaria Nacional de Juventude, A Secretaria de Políticas de Igualdade Racial? A Secretaria de Segurança Pública?
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Mas o outro lado deste assunto é que ele mostra que ações relacionadas a este tema podem partir de outros atores que não apenas o Ministério da Justiça e que o tema dos homicídios é apropriado por outros setores da sociedade e do Estado que não são os tradicionalmente ligados ao tema.
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Entretanto, antes que um ou outro ministério assuma esta tarefa, é necessário ultrapassar uma barreira que muito se vê Brasil a fora: deve-se fincar as ações de promoção de direitos e tratar o seu público “alvo” desta vez como sujeito de direitos e não como “jovens problemas”. Isso é uma tendência que os setores organizados da sociedade civil vêm defendendo, há anos, e que agora devem chegar às políticas que ligam juventude à violência. Do que decorrerá outro ponto inovador: os jovens são tratados com vítimas e não mais como os vitimizadores.
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Acredito ser este um bom exemplo de como a participação social e a abertura do processo de elaboração política para diversos setores da sociedade apontam para a criação de políticas que atendam ao reconhecimento e promoção de novos direitos, com o surgimento de novos arranjos institucionais. Ainda que os problemas sejam tão antigos.
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Paulo Ramos, 31, é especialista em análise política pela UnB e mestrando em sociologia pela Universidade Federal de São Carlos. Foi consultor da UNESCO e da Fundação Perseu Abramo para o tema das relações raciais e de juventude.
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sábado, 26 de novembro de 2011

Socorro! Estou com medo de ficar jovem.



Célia Corrêa*
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novembro de 2011
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Você não entendeu errado, estou com medo de ficar jovem. Tive um pesadelo daqueles de fazer suar forte. Sonhei, que todos os idosos estavam obrigados a tomar o elixir da juventude; um medicamento que recuperaria, em poucos instantes, a juventude perdida.
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Que horror! Tentei fugir das mãos do aplicador, mas não consegui.
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Não estou confusa, nem deveria dizer o contrário. É isto mesmo que quero falar!
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Chegar aos sessenta anos com vontade de continuar trabalhando, com ânimo, determinação, coragem e muita crença na vida parece-me ser algo distante da condição de uma grande parte dos jovens de hoje. Que lástima!
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Como leciono e pretendo continuar nesse mister por muito tempo, não é raro o dia em que me deparo com um grande número de jovens (16 a 25 anos) cansados, morrendo de sono, de fome, de frio, de desânimo, com dor aqui e dor ali.
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Muitos justificam as faltas às aulas ou o não cumprimento das atividades porque estavam doentes. Levam atestados e, tão logo entram em sala de aula, debruçam-se sobre a mochila na carteira e lamentam por tudo. Levam um bom tempo para uma mudança de lugar, para ligar o chip da atenção, para formar grupos de trabalho e para abrir o pesado arsenal que carregam. Os rostos expressam dor, frieza e preguiça. Quando questionados, apontam para as dores de cabeça, cólicas, tonturas e ou outros males.
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Quase sempre se assustam quando cobrados para a apresentação de um trabalho e se justificam com a famosa frase "Eu não sabia".
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Converso com eles, com freqüência, sobre essa condição e quase sempre ouço as suas explicações de que o cansaço é grande. Mesmo que sejam gentis e estejam informados da importância dos estudos para o desenvolvimento pessoal e profissional, não dão conta das obrigações. Subir escadas então, nem pensar!
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Há dias, vi uma estudante dando um "chilique", porque seria obrigada a subir três andares de escada, uma vez que o elevador estava quebrado. Alegou "n" motivos para ficar nervosa, inclusive o direito de uso do elevador porque paga a faculdade, isto é," está pagando!". Nervosismo, outro mal da juventude. Quando será que a serenidade fará parte da sua vida?
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Coitada! Mostrei-lhe a escada que subo e desço todos os dias sem reclamar. O que ouvi? Um claro "você é você e eu sou eu. Não dou conta, porque trabalho o dia todo" .
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Coitada! Eu também trabalho o dia todo. Passo, no mínimo, oito horas por dia em pé nas salas de aula. Saio de uma escola onde leciono durante toda a tarde para, logo em seguida, seguir para mais uma jornada na faculdade .
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Faltar, atrasar ou se esquecer não podem fazer parte do vocabulário de uma professora. Ah, ainda tenho que ouvir aquela jocosa fala: "- mas, você também trabalha ou só dá aula?"
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Meu Deus! Ainda bem que acordei e constatei que estou firme e pronta para mais um dia de estudo, pesquisa, preparo de aulas, correção de provas e trabalhos, lançamentos de registros burocráticos, consultoria, palestra, compras, arrumação da casa, abastecimento do carro, leitura e respostas de e-mails (grande parte originada deles, os alunos) telefonemas, família, participar de algum evento social e, com o sorriso no rosto, partir para mais uma carga de aula com o coração pleno de esperança e felicidade.
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Acordei e corri para o espelho. Constatei, que o branco dos cabelos e as rugas no rosto estão mais evidentes. Graças a Deus estou viva, mais velha e não preciso fugir do elixir!
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Enquanto isto, não desisto de continuar incentivando os jovens para que acreditem na possibilidade de uma velhice mais dinâmica e frutífera. Vou continuar esperando por eles, até que me digam "_ pode descansar, professora, porque agora estamos prontos para fazer um mundo melhor, porque nós podemos!".
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Falei de uma boa parte dos jovens, porque a outra pequena parte está voando para o futuro e desvendando novas tecnologias e mais possibilidades. Um paradoxo?!!!!!!
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Tenho que parar por aqui para conversar com um amigo septuagenário que tem duas aposentadorias, mas continua trabalhando para manter seus jovens filhos, genros, noras e netos. Ele ainda não teve tempo para ficar cansado ou desanimado. Pensa e acredita no futuro dele e de todos. Hoje, vamos discutir os livros de filosofia que estamos lendo e nos deliciando com os temas. Vamos viajar no tempo para renovar as energias.
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*Célia Maria Corrêa Pereira. Professora. Administradora. Mestre em Engenharia de Produção.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Juiz decreta prisão preventiva de PMs que atiraram em adolescente em Manaus

Foi decretada nesta quinta (24), a prisão preventida dos policiais militares flagrados por uma câmera de segurança agredindo e atirando em um adolescente de 14 anos, em Manaus (AM). Eles já estavam presos administrativamente desde ontem. Em agosto do ano passado, o grupo de policiais agrediu e baleou o jovem na porta de casa. As imagens, gravadas por uma câmera de segurança, foram divulgadas na última terça-feira (22). O adolescente, que levou três tiros, sobreviveu. No boletim de ocorrência, os policiais relataram que foram recebidos a tiros no bairro e, por isso, atiraram no adolescente.

Nesta quinta, a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) condenou a violência. De acordo com a nota da SDH, as imagens demonstram uma grave violação dos direitos humanos. “É inaceitável que, em um Estado Democrático de Direito, agentes públicos protagonizem cenas bárbaras como as referidas”. A secretaria destaca ainda, que além da violência, houve má-fé no documento de registro da ocorrência dos fatos, que apresentou condições muito diferentes do que as imagens indicaram. “Os atos de violência cometidos pelos policiais contra o adolescente são também uma afronta ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Estado e seus agentes, portanto, devem ser os primeiros a dar o exemplo para a sociedade”, diz a nota.

O Artigo 5º do ECA e o Artigo 227 da Constituição Federal resguardam que as crianças e adolescentes não serão objeto de qualquer forma de violência, crueldade e opressão. Para a SDH, os responsáveis pela agressão ao adolescente devem ser rigorosamente punidos, assim como seus superiores hierárquicos que foram omissos diante da apuração do fato.

* Com informações da Agência Brasil

Fonte: Correio Braziliense


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Presos seis dos sete PMs acusados de agredir e atirar em garoto de 14 anos em Manaus

Publicada em 25/03/2011

MANAUS, SÃO PAULO - Estão presos seis dos sete policiais militares acusados de agredir e atirar em um garoto de 14 anos em Manaus. O sétimo acusado, um cabo que havia se apresentado voluntariamente, está em férias e ainda não foi localizado. Eles podem ser expulsos da Polícia Militar do Amazonas e responder à Justiça comum por tentativa de homicídio. O governo federal condenou o abuso aos direitos humanos e o ministro José Eduardo Cardoso afirmou que casos como estes devem ter punição exemplar.

O caso aconteceu em outubro do ano passado e chegou à Procuradoria no fim de fevereiro. De acordo com os procuradores, cinco tiros foram disparados contra o garoto, que não tem antecedentes criminais. No boletim de ocorrência, os policiais disseram que atiraram no garoto porque foram recebidos a tiros ao chegar ao local. O garoto teve o pulmão perfurado e já recebeu alta do hospital. Ele e a família foram colocados no Programa de Proteção a Testemunhas.

Nesta quinta-feira, o secretário de Segurança Pública, Zulmar Pimentel, negou que a cúpula se segurança do estado tivesse conhecimento do crime. Segundo o comandante da Polícia Militar, Dan Câmara, o documento de fevereiro passado só foi protocolado no último dia 10 e havia sido pedida urgência na tramitação. A Polícia Militar e o Ministério Público do Amazonas informaram que vão trabalhar juntos na investigação do caso, que será sigilosa.

- Queremos esclarecer também que não houve interesse da PM em atrasar a investigação - afirmou o comandante.

O processo será encaminhado ao juiz da auditoria militar Aucides Carvalho Vieira Filho.

As cenas gravadas mostram o adolescente cercado por homens da Força Tática. Pouco depois, ele aparece sozinho com um policial. O menino está desarmado e não tem para onde fugir. Quando ele abaixa a cabeça, é alvo da covardia. O adolescente só não foi morto porque um dos policiais interveio. Em nota, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República condenou a agressão policial contra o menor e pede punição aos agressores.

São acusados de participação no crime os policiais Janderson Bezerra Magalhães, André Castilho, Wilson Henrique Ribeiro da Cunha, Rozivaldo de Souza Ferreira, Marcos Teixeira de Lima, Wesley Souza dos Santos, Alexandre Souza dos Santos.

Fonte: O Globo

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O PERFIL DO TRÁFICO "MENOR"

OBS.: Clique na figura para vê-la maior

Fonte: O Estado de Minas

Envolvimento de menores no tráfico explode nos últimos cinco anos, diz estudo

Por Ernesto Braga - Publicação: 13/02/2011
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Menor é apreendido por envolvimento com traficantes
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Aos 17 anos, H., desde pequeno criado pela avó numa casa humilde do Bairro Serra Verde, na Região de Venda Nova, acumula duas passagens pelo Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional de Belo Horizonte (CIA-BH). Em 2009, foi surpreendido pela Polícia Militar fumando maconha. Na semana passada, foi apreendido novamente, desta vez vendendo crack, com um traficante de 22 anos. “Entrei na pilha dos amigos, achando que ia conseguir ganhar dinheiro fácil para comprar roupa, chinelo, essas coisas. Tentei dispensar as pedras quando a polícia chegou, mas não teve jeito. Acabei caindo”, diz o menor, que nunca trabalhou e não conseguiu passar da 8ª série do ensino fundamental. Ele tem o perfil da maioria dos atendidos no CIA-BH, que há seis anos acompanha a tendência de migração dos menores dos crimes violentos, como homicídios e estupros, para o tráfico e uso de drogas. Estatísticas do Setor de Pesquisa Infracional (Sepi) da Vara de Atos Infracionais da Infância e da Juventude de BH mostram que, em 2005, 485 adolescentes foram apreendidos na capital por tráfico e 347 por uso de entorpecentes, totalizando 832 casos. Em 2009, as apreensões por uso saltaram para 1.908 e por tráfico, para 1.868, somando 3.776 ocorrências – aumento de 350%.

O CIA-BH não concluiu a tabulação dos dados de 2010, mas números parciais, de janeiro a setembro, mostram que 1.741 adolescentes foram apreendidos por tráfico e 1.107 por uso de drogas, total de 2.848 registros. A média do ano passado é de 10,4 apreensões por dia, superando a de 2009, de 10,3. Já o envolvimento dos menores na criminalidade violenta vem diminuindo. Em 2005, eles foram apontados como autores de 145 assassinatos na capital. Em 2009 responderam por 43 homicídios, queda de 70,3%. Embora bem menos expressiva, também houve redução nos roubos, de 984 para 846 (14%).

Saiba mais...
Jovens entram na venda de drogas para susentar vício À frente da Vara de Atos Infracionais de BH desde 2005, a juíza Valéria da Silva Rodrigues afirma que a migração dos menores dos crimes violentos para o tráfico de drogas se deve a vários fatores. O principal, ressalta, foi a integração entre as forças policiais, o Judiciário e o Ministério Público, que nos últimos anos resultou na prisão de muitos traficantes. Com isso, segundo a magistrada, os menores tiveram que substituí-los no comando dos pontos de venda de drogas da capital, embora continuem recebendo ordens dos chefes. “A mentalidade do adolescente é completamente diferente. Tanto que eles começaram a brigar e a subdividir as gangues por ruas. Os traficantes, mesmo presos, estão determinando que haja trégua, para evitar que os homicídios e disputas prejudiquem o comércio das drogas”, afirma
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Fonte: ht
tp://www.em.com.br

PESQUISA [Notícias]

Jovens têm rotina de agressões nos namoros


Marcelo Remígio, 12 fev. 2011

RIO - Agressão virou sinônimo de domínio nas relações amorosas de jovens do Recife. Para marcar território, casais com idades entre 15 e 19 anos recorrem à violência como forma de controle de parceiros e parceiras. Em muitos relacionamentos, a violência sexual faz parte do namoro e, na maioria dos casos, a vítima também passa a exercer o papel de agressora. Levantamento realizado pela Fiocruz Pernambuco e pela escola Nacional de Saúde Pública, com 290 estudantes de 11 escolas da rede pública da capital mostra que 67,3% dos casais admitiram já ter ocorrido violência sexual por parte de ambos os parceiros.

O estudo mostra ainda que em 23,7% dos namoros a violência sexual é praticada somente pelos rapazes e em 9% pelas moças. Considerada como um ato de grau grave, a relação sexual forçada sob ameaça - de agressão física, de chantagem e até da colocação de fotos íntimas em sites de relacionamento na internet - é mais comum quando o agressor é um adolescentes do sexo masculino: 73,7%, contra 15,98% do feminino.

Para pesquisador, há uma crise de valores

De acordo com o pesquisador da Fiocruz e biomédico Eduardo Bezerra, o comportamento identificado nos jovens levará à formação de adultos cada vez mais agressivos, ao aumento da criminalidade e à concretização da banalização da violência. Bezerra ressalta que jovens que sofreram alguma ação de violência no local onde vivem, como assaltos ou brigas, têm o dobro de chances de as agressões influenciarem em suas relações.

- São adolescentes que enfrentam cada vez mais cedo a violência em diversos graus. Os jovens começam a achar isso tudo muito normal. Acreditam que, para ter domínio da relação e do companheiro, é preciso usar de violência. Esse comportamento também oferece respaldo para a permanência em seus grupos sociais. Controlar a namorada ou o namorado pode ainda representar independência para quem tem 12 ou 13 anos. Enfrentamos uma crise de valores - explica Bezerra, que promoveu a pesquisa.

A análise do comportamento dos jovens também possibilitou identificar o risco de as agressões se repetirem, criando uma rotina de violência. Quem perdeu o controle e bateu no companheiro tem 2,5 vezes mais chances de partir para a briga novamente. Quem mantém relações sexuais com seus parceiros aumenta em três vezes o risco de ser vítima de violência ou se transformar em agressor. A probabilidade de problemas no relacionamento também é alta quando o casal não tem religião.

- Até então, os controles religioso e moral nas relações afetivas eram maiores. Agredir era um ato fora do normal. Atualmente, o controle é menos intenso. O curioso é que existia a figura do agressor e da vítima. Hoje, elas se misturam, com os namorados desempenhando os dois papéis. Alguns jovens acreditam que quando uma menina é paquerada por um outro rapaz e seu namorado não reage de forma violenta batendo nela, por exemplo, ele estaria concordando com a situação. Acontece até quando, usando a linguagem deles, ela não "dá mole" - diz Bezerra.

Violência começa com beijo forçado e vai aumentando

Para o pesquisador, hoje a violência demonstrada pelos jovens começa com um ato de grau leve, como um beijo forçado, e vai aumentando gradativamente podendo chegar a estupros e brigas com agressões físicas e verbais. Segundo Bezerra, os jovens vão "testando os limites da violência" em suas relações.

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/02/12/jovens-tem-rotina-de-agressoes-nos-namoros-923790956.asp

domingo, 19 de dezembro de 2010

ATOS DE VIOLÊNCIA NÃO NASCEM DO NADA

João Batista Libânio* - 19 dez. 2010

A mídia surpreendeu-nos, em semanas passadas, com dois crimes horrendos em Belo Horizonte, cometidos às claras, de violência e estupidez inauditas. Na Faculdade Izabela Hendrix, um aluno esfaqueia mortalmente um professor. No coração da Savassi, um grupo espanca um jovem até a morte. Cena filmada e lançada na internet.

Há dois olhares. O primeiro dirige-se automaticamente sobre os criminosos. Os adjetivos se sucedem: enlouquecido, perverso moral, transtornado psiquiátrico, abrutalhado etc. Todos eles encerram certa verdade. No fundo, o cerne do ser humano - a liberdade e a responsabilidade - se esconde sob a capa da doença psíquica. Não nos toca julgar, em última instância, o nível de real culpabilidade. Cabe só a Deus e ao fundo da consciência humana, embora essa, não raro, tenha perdido muito de sua força culpabilizadora por causa da cultura presentista e de desprezo e desvalorização da vida.

O Judiciário segue trâmite próprio. Seu juízo possui, para contornos civis, caráter de última instância. Mas tudo isso se vê envolvido por questões maiores e mais graves. Aí vamos. Não esqueçamos naturalmente a dor horrível que assola tanto as famílias das vítimas como a vergonha horrorosa das dos criminosos.

Por que jovens, aparentemente sadios e de nível social bem assentado, chegam a esses extremos do crime? Talvez nos tenha chocado mais a cena do espancamento do jovem torcedor por um grupo de criminosos. Já não se consegue encontrar um perturbado individual, mas estão vários a perpetrarem o mesmo crime. Deslizamos claramente para o lado cultural.

Um ato desse não nasce do nada. Rapazes que cheguam à brutalidade "inocente" de divertir-se no crime refletem câncer social de extrema gravidade. Basta observar o significativo pormenor: os criminosos saíram para a razia de uma casa de shows onde assistiram a campeonato de luta livre e fazem parte de torcida organizada e violenta. Deixemos de lado a causa mais importante e preocupante de tal cultura bruta juvenil: a falta de cuidado, de educação de valores, de limites na família. Os pais acordam tarde quando veem os filhos já envolvidos em crimes e processos. Omitiram-se nos anos decisivos da infância ao permitirem tudo aos filhos e ao não lhes darem o verdadeiro antídoto do crime: cuidado e carinho nos primeiros anos de vida.

No caso bem concreto dos torcedores, está em jogo a crescente perversão do esporte na atual cultura. Saiu do verdadeiro lugar do lazer para transformar-se em comércio descarado por parte dos clubes e de muitos jogadores e em fanatismo inconcebível e estúpido por parte de torcedores. Estes sofrem, arriscam a vida até o crime por lutarem por um time que só se interessa pelo lado financeiro.

Há ingênua e manipulada irracionalidade ao se absolutizar afetivamente a vinculação com um time. Um mínimo de lucidez percebe a tolice de transformar um objeto de divertimento em causa de vida e morte. Voltemos ao futebol-arte. A arte alegra, humaniza, extasia. A paixão cega e degrada.


* - É articulista do Jornal O tempo (BH)


terça-feira, 6 de julho de 2010

NOTÍCIAS...

Polícia identifica seis dos jovens que agrediram aluno do Caseb

Distrito Federal - Publicação: 06 jul. 2010

A Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) espera concluir, ainda nesta terça-feira (6/7), as investigações sobre a agressão de um jovem de 15 anos em uma parada de ônibus na 710 Sul, a 300 metros do Centro Educacional Caseb, na última quinta (1º/7). A polícia já identificou seis dos oito agressores que, de acordo com o delegado-adjunto Yury Pereira Fernandes, são estudantes do colégio. Não está descartado um pedido de internação provisória dos envolvidos.

Até ontem (5/7), a mãe do adolescente, alguns agressores, uma das vítimas e a prima, que teria sido o motivo da desavença, já tinham prestado depoimento na DCA. O delegado disse que a lesão não pode ser considerada simples porque o jovem, como foi atingido na cabeça, ainda pode ter sequelas e, também, só pelo fato de ele ficar 30 dias afastados de suas atividades, o fato já é considerado grave. "A princípio, será tratado como lesão corporal de natureza grave, no entanto, vai depender do laudo final, já que uma das vítimas está hospitalizada", explica Yury Pereira.

Sobre uma possível mudança na acusação para uma tentativa de homicídio, o delegado-adjunto explica que isso não deverá acontecer. "Para considerar tentativa de homicídio é preciso ter a intenção de matar. Foi esclarecido que eles queriam agredir. A acusação só mudaria se o adolescente viesse a falecer", informa.Para a polícia, o motivo da agressão foi considerado fútil e banal, já que a briga aconteceu depois da prima dos dois jovens agredidos relatar que teria sido apelidada pelos colegas do Caseb. De acordo com o delegado Yury Fernandes, os primos, então, resolveram tirar satisfação e uma primeira desavença aconteceu ainda na escola, como foi relatado por um dos vigilantes do Caseb.

Punição
- De acordo com a investigação, os seis jovens podem responder por lesão corporal grave, ameaça e ainda bullying. A polícia não descarta um pedido de internação provisória no Caje, que pode ser de até 45 dias, dependendo da decisão da Justiça. "A polícia irá tomar todas as medidas cabíveis para resolver o mais rápido possível a situação", explica.Em relação à possível internação, para o delegado, além de ser uma forma de punição pode ser um jeito de evitar um futuro linchamento dos jovens pela sociedade. "A comunidade está muito envolvida, a internação pode ser uma forma de protegê-los também", afirma.

O delegado-adjunto da DCA disse também que, após a agressão de quinta-feira, ficou constatado que os adolescentes ainda ameaçaram as vítimas. Além disso, se ficar claro que a jovem apelidada sofreu bullying, eles podem responder por injúria. "Entretanto, eles negaram terem apelidado a adolescente", diz.Após a conclusão, o caso segue para a Vara da Infância e da Juventude (VIJ), que irá determinar a pena a ser cumprida pelos adolescente. Mas o delegado garante que, provavelmente, a Justiça deve acatar a internação, ao invés, de uma medida socioeducativa.

Outro registro - Na manhã de ontem (5/7), a mãe do jovem agredido esteve no colégio para uma reunião com pais, alunos envolvidos, diretoria, funcionários da instituição e um representante do Conselho Tutelar. O objetivo era pedir a transferência do aluno e, ainda, saber quais medidas seriam tomadas pelo Caseb.A mãe relatou que havia sido ameaçada por um dos agressores, que simulou, em um gesto, uma arma de fogo. A ameaça foi registrada também na DCA, que irá apurar o caso. O delegado-adjunto Yury Fernandes disse que essa situação será investigada separadamente, entretanto, isso pode complicar bastante a situação do jovem. "São fatos distintos, mas vai pesar muito no pedido de internação desse adolescente.

Dois deles, em particular, estão extrapolando e até desacreditando da autoridade da polícia", informa.EntendaO adolescente de 15 anos e o primo dele foram espancados por estudantes do Caseb na última quinta-feira (1º/7) na parada de ônibus da 710 Sul, próximo ao Colégio Caseb, na 909 Sul. Os agressores utilizaram paus e pedras para bater nas vítimas, o que resultou em um coágulo no cérebro do jovem de 15 anos. O adolescente foi encaminhado ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), onde permanece internado, mas já passa bem.

domingo, 27 de junho de 2010

NOTÍCIAS...

Primeiro porre chega cada vez mais cedo para adolescentes

Depois de uma festa regada a doses de bebidas alcoólicas, mesmo muito embriagado, ele decidiu ir embora a pé. No caminho, tentou chutar uma placa e caiu. Aos 15 anos, o garoto de Belo Horizonte voltava da festa de aniversário de uma amiga, da mesma idade. Os porres de adolescentes tornaram-se cenas comuns. E, hoje, ganharam um agravante: começam a partir dos 12 anos. Foi o que mostrou uma pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicoterápicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O levantamento comprovou que os jovens estão bebendo cada vez mais: 33% dos 5.226 estudantes entrevistados praticaram o "binge drinking". O termo caracteriza o consumo, na mesma ocasião, de 14 g de etanol - o correspondente a cinco doses de bebida.

"O álcool mostrou ser um problema maior para a saúde pública do que o crack. Porque, enquanto nos preocupamos com as drogas ilícitas, as bebidas alcoólicas são as mais consumidas", disse a coordenadora do estudo do Cebrid, Ana Regina Noto. Apesar de o levantamento ter sido feito em São Paulo, a pesquisadora explica que pode-se aplicar esses resultados em Minas Gerais. "Realizamos pesquisa nesse sentido desde a década de 80. Em 2004, fizemos um estudo que incluía as 27 capitais brasileiras e os resultados mineiros foram idênticos aos de São Paulo".

Prática. Mesmo sem pesquisa, é possível confirmar que os adolescentes mineiros estão ficando bons de copo cada vez mais cedo. "Todo mundo bebe. Mesmo quem não gosta acaba bebendo para não ficar para trás", contou um adolescente de 12 anos. Como os pais não sabem que ele se embriaga, o menino já tem algumas técnicas para evitar problemas em casa: "Eu paro de beber meia hora antes de ir embora, chupo várias balas de hortelã e pulo muito para o álcool passar o efeito", contou, como se desse dicas.

Quando algum amigo não consegue controlar e acaba dando o que eles chamam de "PT" ou "Perda Total" a palavra de ordem é solidariedade. "Em uma festa de 50 pessoas pelo menos três dão PT. Aí, a gente cuida delas para os pais não descobrirem. Damos doces e até banho se precisar", afirma outro adolescente de 13 anos. O garçom Gilmar Alves da Silva, 35, confirma as estatísticas. "Festa de 15 anos é lei: pelo menos três ou quatro meninos passam mal. A gente não serve para menores, mas amigos maiores e os próprios pais pegam a bebida e eles acabam consumindo", explica.

Repercussão. O psicanalista e professor de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais Guilherme Massara Rocha acredita que esse aumento do uso de álcool entre os jovens é reflexo da forma com que a sociedade lida com essa droga. "Como o álcool é uma droga considerada lícita, ele não é tratado como deveria pelas autoridades e educadores. Nós, profissinais da saúde mental, concordamos que a orientação que é dada ao jovem é muito deficitária, o que leva a essa disseminação de bebidas alcoólicas", afirma.

Consumo precoce traz sérios riscos. O consumo precoce de bebidas alcoólicas tem reflexos negativos na vida dos adolescentes."Quanto mais cedo exposto à bebida maior a possibilidade de se tornar alcoólatra", afirma o professor de psicologia da UFMG Orestes Diniz Neto. O membro da comissão de controle de tabagismo, alcoolismo e uso de outras drogas da Associação Médica de Minas, Valdir Ribeiro, vai além: "Eles podem criar tolerância ao álcool e buscarem outros estimulantes para trazer a sensação de bem-estar". (TL)

Alerta - É importante educar os filhos - Para combater a influência negativa que as bebidas alcoólicas têm sobre crianças e adolescentes, o ideal não é tentar vencer o álcool, mas aprender a lidar com a bebida. “A bebida é parte da sociedade, usada como forma de congregação social. É impossível evitar que os jovens tenham contato com ela. A melhor maneira de se lidar com isso é dando educação para beber”, explica o professor de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Orestes Diniz Neto.

A representante comercial Daniela Mansur, 33, utilizou essa técnica com o filho de 14 anos. “Aos 13 anos, meu filho me disse que iria em uma festa e que os amiguinhos dele iriam beber. Ele me pediu que tomasse uma cerveja com ele, porque nunca havia tido contato com bebida alcoólica. Eu disse que só toparia se ele pegasse a cerveja mais gelada que tivesse na geladeira”, conta a mãe.

Sem chance. O engenheiro Ivan Antunes age diferente com a filha de 17 anos. “Eu sou contrário a bebida para adolescente. Meu método de educação é falar com meu filho até convencê-lo. E está funcionando”. (TL)

Dados nacionais
Álcool. Estudo da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) mostrou que 80% dos menores de 18 anos entrevistados afirmaram já ter consumido bebida alcoólica.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

NOTÍCIAS...

Estudo: 49% dos universitários já usaram drogas e 86%, álcool


BRASÍLIA - De acordo com o 1º Levantamento Nacional sobre Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras, divulgado pelo governo federal nesta quarta-feira, 49% dos quase 18 mil estudantes entrevistados disseram já ter consumido alguma droga ilícita pelo menos uma vez na vida. Ainda segundo o documento, 86% disseram já ter consumido álcool, índice que baixa para 80% entre os menores de idade.

O estudo foi realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), em parceria com o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (GREAFMUSP). A análise foi feita entre os estudantes matriculados no ano letivo de 2009 de 100 instituições públicas e privadas de ensino superior. As perguntas foram feitas por meio de um questionário preenchido pelos próprios entrevistados. O levantamento pesquisou o uso das substâncias em alguma vez na vida, nos últimos 12 meses e nos últimos 30 dias.

Ainda de acordo com a pesquisa, 21% dos universitários fazem uso de produtos derivados do tabaco atualmente. Segundo os dados divulgados, 47% disseram já ter experimentado cigarro ou outros pelo menos uma vez na vida. O consumo de drogas lícitas e ilícitas entre os universitários é mais frequente que entre a população em geral, de acordo com a pesquisa. Entre os que mais consomem as drogas ilícitas, estão os universitários de instituições privadas, do Sul e Sudeste do país, da área de Humanas, que frequentam as aulas no período noturno e por aqueles com mais de 35 anos.

Segundo a pesquisa, os dados levantados no Brasil são semelhantes aos observados entre os estudantes universitários americanos em relação ao uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas. No entanto, os brasileiros preferem os inalantes, enquanto que nos EUA a droga mais usada é maconha. "O levantamento é o primeiro no país a analisar o comportamento de jovens universitários em relação ao uso de drogas", disse a secretária adjunta de Políticas sobre Drogas, Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte. Segundo ela, o Brasil possui hoje 2.252 instituições de ensino superior, totalizando mais de 5,8 milhões de estudantes universitários. De acordo com Paulina, a entrada na universidade, muitas vezes, inaugura um período de maior autonomia, possibilitando novas experiências, mas também se constitui em um momento de maior vulnerabilidade, tornando-os mais suscetíveis ao uso de drogas.