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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Com mãos na cabeça, alunos no DF são revistados por PMs durante aula

Por Luciana Amaral
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Policiais militares revistaram alunos dentro de salas de aula de uma escola pública de Brasília nesta quinta-feira (21) durante o período letivo. Fotos feitas por um estudante que não quis se identificar mostram alunos com as mãos na cabeça enquanto têm bolsas e mochilas revistadas. Essas revistas foram feitas a pedido dos pais e da direção para preservar os alunos. A de hoje [quinta] já estava programada entre a gente. A maioria quer estudar, mas tem um grupinho que causa tudo isso. Tem gente que está pedindo para sair daqui com medo da violência".
 
O caso ocorreu no Centro de Ensino Fundamental 05 no Paranoá. A revista foi pedida pela direção da escola, para tentar coibir a entrada de armas e drogas na instituição. Nada foi encontrado durante a ação da polícia. A direção diz que a instituição “vive uma disputa territorial” de gangues rivais.
 
A Secretaria de Educação afirmou ao G1 que apoia as decisões dos diretores da escola e possui uma parceria com o Batalhão Escolar com rondas até as 18h30 e visitas educativas às escolas. Esta foi a oitava vez em um mês que policias fizeram revista na escola. Na quarta-feira (20), um aluno de 17 anos que se recusou a ser revistado foi detido por desacato. De acordo com a Polícia Civil, ele foi levado para a Delegacia da Criança e do Adolescente e liberado após o responsável assinar um termo de comparecimento à Justiça.
 
Um estudante de 15 anos que passou pela revista nesta quinta disse que três policiais entraram nas classes durante as aulas acompanhados pela diretora da escola. Eles olharam mochilas, bolsos e roupas dos alunos. Ele disse que parte dos estudantes não aprovou a iniciativa.
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"Teve muita gente indignada. Eu mesmo me senti invadido, porque fizeram isso sem permissão. A direção já comentava que ia pedir uma ronda surpresa por causa do cheiro forte de maconha que fica [na escola]", afirmou.
 
O vice-diretor do colégio, Eric de Sales, disse que os “grandes problemas” da instituição são o tráfico e as gangues. “Essas revistas foram feitas a pedido dos pais e da direção para preservar os alunos. A de hoje [quinta] já estava programada entre a gente. A maioria quer estudar, mas tem um grupinho que causa tudo isso. Tem gente que está pedindo para sair daqui com medo da violência."
 
Segundo ele, nas revistas anteriores feitas na escola, um estudante foi pego com drogas e encaminhado para a Delegacia da Criança e do Adolescente. "Fui com ele e conversei bastante com a família. Não abandonamos ninguém."
 
PMs revistam bolsas de alunos durante horário de aula no CEF 05 (Foto: Reprodução)
PMs revistam bolsas de alunos durante horário de aula no CEF 05 (Foto: Reprodução)
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O comandante do Batalhão Escolar do DF, tenente-coronel Júlio César de Oliveira, disse que a medida é comum nas escolas públicas da capital, mas realizada somente em “situações mais extremas” e em parceria com a comunidade.

“Sempre fazemos isso com a aprovação do diretor. O ambiente lá está complicado. A comunidade escolar não está mais aguentando. O cheiro de drogas é insuportável. Temos três linhas de ação: a preventiva, comunitária e repressiva, a última a ser adotada. Ela só é usada quando temos questões mais sérias, como a desta quinta. Para a prevenção temos o Proerd [Programa Educacional de Resistência às Drogas]", declarou.
 
O comandante disse que os alunos tiveram de pôr as mãos na cabeça "por questão de segurança". "Tem vezes que eles já colocam e, outras, a gente pede para garantir que ninguém armado vai pegar um revólver e atirar, por exemplo. O problema é que a escola em questão é improvisada e juntou gangues rivais em um ambiente."
 
"Se não for flagrante, eles não têm esse direito. A princípio, a revista é violadora do ECA, pois ela leva à mesma tática de repressão usada nas ruas das cidades para dentro da escola. Têm de proteger do lado de fora. Às vezes o sentido é deturpado e categoriza os adolescentes. É uma resposta simplista para uma situação complexa" - Maria Cláudia de Oliveira, professora de psicologia escolar e do desenvolvimento da Universidade de Brasília
 
Opiniões divididas

O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro) informou ao G1 não aprovar a ação policial dentro da escola. "Está errado. Falamos que se precisa de mais policiamento, mas não é isso que apoiamos. A ação da PM deve ser somente preventiva. Temos professores que não permitem essa atitude nas salas deles. Os policiais só entram com mandado judicial contra alguém específico", disse o diretor do Sinpro, Cláudio Antunes.
 
Para o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa), Luís Cláudio Megiorin, o caso tem de ser visto com cautela. "É um jogo complicado e às vezes a revista é extremamente necessária quando o professor está em uma vulnerabilidade tão grande. Esperamos que os pais entendam. É a segurança dos nossos filhos. Confiamos no tato do diretor e do Batalhão Escolar. Às vezes o remédio é amargo."

A promotora de Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público do DF, Márcia da Rocha, disse não ver a revista como uma invasão à privacidade individual e afirmou que a parceria entre a polícia, a direção das escolas e os pais é fundamental para a segurança.
 
Pichações de gangues em paredes da escola servem para demarcar o território de cada uma (Foto: Reprodução)Pichações na escola; segundo a instituição, inscrições 'demarcam territórios' de gangues
(Foto: Reprodução)
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"Se vamos construir algo aprimorado, temos de abrir mão de algumas coisas. O sentimento de cada um é uma coisa, mas a forma como a abordagem foi feita é outra, desde que com respeito e dignidade. O Ministério [Público] não é contra, tem que ter a ajuda uns dos outros. Temos, inclusive, diálogos com muitos diretores", declarou Márcia da Rocha, promotora de Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público.
 
Sobre o fato de os alunos colocarem as mãos na cabeça durante a revista, a promotora disse que já teve casos em que eles fizeram isso sem ordens de policiais. "Só do DF já ter um Batalhão Escolar é um diferencial, porque eles recebem um treinamento especial."
 
A professora de psicologia escolar e do desenvolvimento da Universidade de Brasília (UnB), Maria Cláudia de Oliveira, criticou a ação. “O Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA] estabelece a meta de proteção. A escola enquanto instituição social deve ser protegida, e as pessoas, acolhidas. Os estudantes não devem ser representados como perigo. A escola é, ao mesmo tempo, uma política de Estado e um Estado privado na condição de que tem regras próprias e porque você não está no meio da rua."
 
Ela comparou a ação do Batalhão Escolar com a entrada de policiais em uma casa sem mandado judicial. "Se não for flagrante, eles não têm esse direito. A princípio, a revista é violadora do ECA, pois ela leva à mesma tática de repressão usada nas ruas das cidades para dentro da escola. Têm de proteger do lado de fora. Às vezes o sentido é deturpado e categoriza os adolescentes. É uma resposta simplista para uma situação complexa", afirmou.
 
Estatísticas

 De acordo com a Polícia Militar, foram registradas neste ano 156 ocorrências criminais em escolas do Distrito Federal até o dia 20 de maio. Os casos foram por uso e porte de entorpecentes (56), ameaça (20), ato infracional (20), roubo (19), agressões físicas (16), porte de arma de fogo (5), tráfico de entorpecentes (4), e apreensão de arma de fogo (2).
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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Menina é estuprada por colegas em escola pública de SP

Escola Estadual Leonor Quadros, onde menina de 12 anos sofreu estupro em São PauloEscola Estadual Leonor Quadros, onde menina de 12 anos sofreu estupro em São Paulo(Reprodução/VEJA)
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A Polícia Civil e a Secretaria Estadual de Educação apuram uma denúncia de estupro de uma menina de 12 anos na rede de ensino de São Paulo. A estudante disse ter sido estuprada dentro de um dos banheiros da Escola Estadual Leonor Quadros, no Jardim Miriam, na Zona Sul da capital paulista. O abuso sexual aconteceu durante a manhã do último dia 12 de maio, de acordo com a polícia.
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Segundo a Secretaria Estadual de Educação, a aluna relatou ter sido atacada por três estudantes. Após o fato, ela buscou ajuda na direção da escola, que acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A garota foi levada ao Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya e, em seguida, ao Hospital Pérola Byington.
 
A Secretaria de Educação explicou que ela relatou o estupro apenas quando já estava no hospital. A mãe da menina foi orientada a registrar um boletim de ocorrência na polícia. A garota passou por exames para comprovar a violência sexual - os resultados são aguardados pela polícia.
 
A escola afirmou ter acionado a Vara da Infância e da Juventude, além do Conselho Tutelar, logo após ficar sabendo do crime. A instituição também chamou os pais dos alunos suspeitos da agressão. Seguindo orientações do Conselho Tutelar, a direção escolar registrou um novo boletim de ocorrência. A direção afirmou que está prestando "todo apoio" à jovem e a sua família e diz ter se colocado à disposição da polícia para colaborar com as investigações. "É importante destacar que a adolescente está recebendo acompanhamento médico", ressaltou a pasta.
 
A mãe da vítima disse ao portal UOL que a filha não quer mais passar perto da escola e que ela vai estudar em casa nos próximos meses. Outras alunas da Escola Estadual Leonor Quadros também relataram estar com medo de frequentar as dependências da instituição. A mãe da jovem afirmou ao portal que teme que os suspeitos fujam - até a noite desta segunda-feira, eles não haviam sido apreendidos. A Secretaria de Educação confirmou que eles foram transferidos para outra unidade de ensino.
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Fonte: Veja on line

sexta-feira, 15 de maio de 2015

VIOLÊNCIA NA ESCOLA, NÃO SE CALE. DENUNCIE!

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Diante dos debates, relatos e denúncias sobre a violência contra as(os) Trabalhadoras(es) em Educação da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte (RME/BH), reforçados tanto nas Plenárias de Representantes de Escola e UMEI quanto nas Assembleias da Educação, a Diretoria Colegiada do Sind-REDE/BH criou este espaço com o objetivo de reunir dados que possam orientar as nossas ações políticas e exigir do poder público em Belo Horizonte a constituição de um protocolo de enfrentamento e de combate à violência escolar, bem como exigir da Prefeitura de Belo Horizonte a implementação de uma política pública de proteção e acompanhamento psicossocial das(os) Trabalhadoras(es) vítimas de violência.

Esta situação merece uma atenção especial, visto que recentemente o Brasil foi considerado o país com o maior número de casos de violência contra professores, de acordo com a pesquisa divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Não se cale, pois este não é um problema seu, é um problema nosso!
Somos parte de uma REDE que não se rompe e nem se deixa abater!

Para enviar a denúncia preencha o formulário abaixo. Ou pode enviá-la para o e-mail: sindredefaleconosco@gmail.com «com nome, e-mail, escola, regional e relato da situação».

Manteremos em sigilo absoluto a sua identidade e os seus dados.

Diretoria Colegiada do Sind-REDE/BH
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Educação sem humor


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Alunos promovem quebra-quebra em escola de Goiás

RIO - Um grupo de alunos da escola Caic Tancredo de Almeida Neves, em Goiás, realizou um quebra-quebra no colégio, na última sexta-feira. A ação dos jovens foi filmada e divulgada na internet. De acordo com a secretaria municipal de Valparaíso de Goiás, os estudantes que participaram do motim já estão sendo identificados e “representam uma minoria entre os quase 600 alunos de 6º ao 9º ano que estudam no período vespertino”.
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Durante a ação, o grupo revirou carteiras escolares e quebrou janelas e portas. A secretaria informou que todos os objetos danificados já começaram a ser substituídos. Segundo relatos, o motivo da ira dos alunos seria a postura mais rígida da nova direção.
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O governo local admitiu que a escola enfrenta “historicamente” problemas de indisciplina e garantiu que a questão vem sendo tratada com “projetos que envolvem o fortalecimento do conceito de cidadania e maior participação dos pais e da sociedade no ambiente escolar”.
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A secretaria de educação informou ainda que irá estender o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), desenvolvido pela Polícia Militar, aos estudantes do 6º ao 9º anos. Atualmente, o projeto, que é visto pelo órgão como uma das ações de fortalecimento da cidadania, é feito apenas com os alunos de 1º a 5º ano.
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Fonte: O Globo (29/04/2015)

sábado, 23 de agosto de 2014

Inclusão de alunos com deficiência cai no Ensino Médio

Todos Pela Educação*
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Apesar das crescentes taxas de inclusão dos alunos com deficiência nas escolas públicas e privadas do Brasil, muitos deles não chegam ao Ensino Médio. E dos que conseguem alcançar a etapa final da Educação Básica, boa parcela não a conclui.
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Entre 2007 e 2013, a porcentagem de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação matriculados em salas de aula regulares cresceu de 46,8% para 76,9%. Em consequência, o número de crianças e jovens em escolas de Educação Especial decresce anualmente – no ano passado, dado mais recente, 843.342 frequentavam exclusivamente esse tipo de instituição..
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Os dados fazem parte de um levantamento do Todos Pela Educação para o Observatório do PNE (leia mais abaixo) e utilizam como fonte o Censo da Educação Básica, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
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A meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE) determina que, até 2024, toda a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação tenha acesso à Educação Básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados. Durante a tramitação do plano, a meta 4 foi alvo de intenso debate no Congresso Nacional, travando o avanço da matéria (relembre aqui).
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Para a gerente da área técnica do movimento Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, os dados revelam que o esforço enorme que é feito para a inclusão nos anos iniciais do Fundamental se enfraquece nos anos finais dessa mesma etapa. "O sistema vem perdendo alunos. A falta de estrutura das escolas, aliada ao vínculo mais distante que eles têm com os professores no Fundamental II, podem ser apontados como hipóteses para explicar essa queda",
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Fonte: Todos pelka Educação

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Programa busca romper com bullying a crianças com diabetes

São Paulo. A educadora Lisandra Paes, 41, já perdeu as contas das vezes que teve a matrícula da filha de 17 anos e portadora de diabetes recusada em escolas públicas e privadas de São Paulo. Episódios de preconceito, bullying e falta de conhecimento de profissionais e alunos, associados ao crescente aumento dos casos da doença em todo o país, fizeram com que o Brasil fosse, ao lado da Índia, um dos escolhidos para receber o programa KiDS (abreviação de Crianças e o Diabetes nas Escolas, em inglês). Entre os dez países com o maior índice da doença, o país asiático está em segundo lugar, e o Brasil, em quarto.
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O programa piloto foi lançado nesta terça, em São Paulo, com o objetivo de selecionar, até o fim do ano, 15 escolas públicas e privadas brasileiras (13 em São Paulo e duas no Ceará) para ser capacitadas a lidar com crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos portadores da doença. “O diabetes pode ser controlado, porém, devido à falta de conhecimento, com frequência, as crianças diabéticas acabam sofrendo com algum estigma, isolamento. Precisamos fazer alguma coisa para prevenir a discriminação que vem associada a um quadro de saúde”, explica o especialista em educação da Federação Internacional de Diabetes (IDF), David Chaney.
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“Muitas mães de amigas proibiam as meninas de falar comigo ou elas mesmas faziam essa escolha porque achavam que o diabetes ia ser contagioso, ia pegar por toque ou tosse”, lembra a estudante Stella Sadocco, 17. Segundo a mãe da garota, as dificuldades são as mesmas nas escolas públicas e privadas. “Eles não falam que não querem sua filha, mas impõem uma série de exigências”, lembra Lisandra.
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Projeto. O programa KiDS conta com um pacote educativo com quatro módulos, um para cada tipo de público: escola, alunos, familiares e familiares de alunos com diabetes. Para serem escolhidas, as escolas devem obedecer a alguns critérios, como a quantidade de alunos. Em seguida, são realizados encontros para sensibilização e orientação, a distribuição do dossiê e, por fim, os treinamentos. No fim do programa algumas instituições serão reavaliadas. “São palestras interativas, quiz de perguntas e respostas, prática de atividade física e treinamento”, explica Denise franco, diretora da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ Brasil).
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Lisandra também é coordenadora pedagógica na escola municipal de ensino fundamental e médio Derville Allegretti, em São Paulo, e, após a implantação do projeto, já percebeu os resultados. “No dia seguinte um dos professores conseguiu identificar uma aluna que não tinha relatado a doença porque tinha medo do preconceito. A educação traz resultados imediatos”.
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Online. Como o programa não conseguirá atender a todas as 200 mil escolas e 52 milhões de alunos no país, o kit ficará disponível para download .
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Iniciativa
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Parceiros. O programa é uma parceria entre a Sanofi, a IDF, a ADJ Brasil e conta com o apoio do Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Diabetes e da Sociedade Brasileira de Pediatria.
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Diferenças
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Diabetes tipo 1 (10% dos casos): doença autoimune caracterizada pela falta de produção de insulina (hormônio que regula o açúcar no sangue) pelo pâncreas. Mais comum em crianças e adultos jovens até 40 anos.
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Diabetes tipo 2: ocorre a produção insuficiente de insulina. Mais comum em adultos, além de crianças e adolescentes, devido ao aumento da obesidade, por exemplo.
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Fonte: O Tempo (MG) - http://www.otempo.com.br/interessa/programa-busca-romper-com-bullying-a-crian%C3%A7as-com-diabetes-1.895124

terça-feira, 29 de julho de 2014

Campanha de combate ao bullying nas escolas

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A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados pretende obrigar as Escolas brasileiras a realizar campanhas contra o bullying.
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A proposta, aprovada na última quarta-feira pela Comissão, é que sejam realizadas ações anuais, com duração de uma semana em todos os estabelecimentos do Ensino fundamental e Médio do País. Se aprovada nos trâmites seguintes — como a Comissão de Constituição e Justiça —, a campanha começaria na primeira quinzena de abril de 2015. De acordo com a proposta, caracteriza-se como bullying qualquer prática de violência física ou psicológica, intencional e repetitiva, que ocorra sem motivação evidente, praticada por um indivíduo ou grupo de indivíduos, contra uma ou mais pessoas.
A prática deve ainda ter como objetivo intimidar, agredir fisicamente, isolar, humilhar, ou ambos, causando dano emocional ou físico à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. "O termo bullying designa os atos de violência física ou psicológica, intencionais e praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa incapaz de se defender", esclareceu o Professor e psicólogo Breno Rosostolato.
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Pela proposta, a campanha será feita por meio do esclarecimento dos aspectos legais, sociais, psicológicos e éticos que envolvem a prática e o desenvolvimento de atividades educacionais e informativas, para conscientização de suas causas e consequências. Para o Professor, o papel da Escola também é fundamental, pois é necessário, além de identificar os autores, intervir imediatamente se houver esse tipo de agressão gratuita. "Quanto mais cedo for identificado, mais eficazes serão os métodos de intervenção contra o ciclo conflituoso. A Escola deve ainda convocar uma reunião com os pais dos Alunos envolvidos", orienta Breno.
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O Professor alerta ainda que o combate ao bullying não depende apenas das Escolas. Para ele, a atenção dos pais é essencial para identificar se o filho está sofrendo bullying na Escola. Para se caracterizar o bullying, as agressões devem ser frequentes, a criança passa por situações que causam dor ou sofrimento todos os dias. "Desculpas para não ir à Escola, choro, ansiedade e agitação são os sinais mais evidentes de que a criança está passando por dificuldades", afirma ele.
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A escolha da escola

por Mariana Cruz
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A proporção que o trânsito da cidade do Rio de Janeiro tomou fez com que muitos pais passassem a ver a “proximidade de casa” como pré-requisito na hora da escolher a creche para os filhos. Cabe, nessa primeira experiência escolar dos pequenos, a sentença "escola boa e escola próxima". Claro que a localização, vista isoladamente, não deve ser o único fator, senão bastava acionar o GPS e pronto: já se sabia em qual lugar matricular o pequeno! É razoável que se faça uma pesquisa nas escolas na região para então optar pela que melhor corresponde às demandas da família.
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Quando chega a hora de sair da Educação Infantil e iniciar o Ensino Fundamental, outros motivos vão ganhando força e até mesmo suplantando o item proximidade no pacote de demandas. Dentre eles podemos considerar o preço (se a opção for o ensino privado, obviamente); qualidade de ensino; tamanho da escola; linha pedagógica; formação dos profissionais e outras tantas razões mais subjetivas. Conheço pais que decidiram colocar o filho em determinado colégio porque os primos estudavam lá; porque a instituição dava desconto para filho de professor; porque tem horário integral ou mesmo porque a escola é bonita e espaçosa. No bairro onde moro, por exemplo, há escolas para diversos gostos e bolsos: há um colégio alternativo que valoriza o trabalho com as artes; há uma escola voltada para o público classe A (pelo preço da mensalidade só pode ser); uma construtivista e três escolas públicas, uma delas de altíssima qualidade. Assim, com um pouco de disposição é bem possível tirar um dia para fazer um tour pelas escolas e ver com os próprios olhos aquela que tem mais a ver com o perfil da família.
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Outro assunto polêmico na hora de decidir o lugar que irá educar seus filhos é conciliar o ponto de vista dos responsáveis. O que fazer se um é favorável a uma educação mais liberal, que prioriza a criatividade do aluno, enquanto o outro valoriza uma educação calcada na disciplina e nos bons resultados nas provas? Muitas vezes optar por um desses extremos pode virar um cavalo de batalha entre os pais, pois qualquer problema que surja na escola – e eles provavelmente surgirão, independente da corrente pedagógica – será pontuado com um "eu não disse!" por parte daquele que teve sua vontade relevada. Assim, uma solução seria achar uma instituição que representasse o meio termo, que satisfizesse, mesmo que em parte, a todos.
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Quando o filho sai da pré-escola, a escolha da nova escola, grande parte das vezes, é feita com o intuito de que ele termine seus estudos lá. Mas se depois de algum tempo os pais acharem que não foi a escolha certa, vale a pena procurar outros estabelecimentos de ensino. Isso não significa que no primeiro obstáculo se deva mudar a criança de colégio, para que depois ela fique pulando de galho em galho atrás de "escola ideal" (até porque, dependendo da personalidade do aluno e das expectativas dos pais, tal lugar pode nem mesmo existir). É inegável que a escola tem grande influência na formação do indivíduo (por escola entendamos a linha pedagógica, a comunidade escolar, corpos docente e discente, espaço físico, quantidade de alunos e tantos outros fatores); daí são diversas as dúvidas que surgem na hora da escolha: o que fazer se o estudante não se adaptar? E no caso de irmãos com personalidades e interesses muito diferentes, vale a pena matriculá-los na mesma escola por uma questão de praticidade ou deve-se colocá-los em escolas distintas? É bom saber que o fato de o aluno estudar em uma instituição que tem grande número de aprovados do Enem não significa que ele será um deles.
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Alguns não se adaptam à rotina pesada de estudos, a um regime muito rígido; acabam se desestimulando, tirando notas baixas, repetindo o ano e até sendo convidados a se retirar. Muitas vezes, se tais alunos estudassem em uma instituição menos rígida, mais afim com seus interesses talvez se adaptassem melhor, obteriam bons resultados nos exames sem a necessidade de ter vivido parte de sua vida estudantil sob tanta pressão. Por outro lado há aqueles que se adaptam à rotina pesada de estudo, gostam de desafios, de cumprir e superar as metas, veem isso como um grande estímulo. Para esses talvez não tenha o menor problema frequentar uma escola bem puxada.
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Entre tantas correntes pedagógicas, como a Waldorf, a montessoriana, a tradicional, a construtivista/estruturalista, a piagetiana e a pragmatista, saber qual a melhor para seu filho não deve ser tarefa muito fácil. E no caso das escolas públicas, como saber a qualidade de ensino daquelas que têm vagas? Em todos esses casos, a dica é informar-se na própria escola, com alunos que estudam e estudaram nela e conhecer o seu projeto político-pedagógico.
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É um tempo que pode ser determinante na vida de seu filho.
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Publicado em 29 de junho de 2014 - In: Revista Educação Pública: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/prosaepoesia/0387.html

terça-feira, 1 de julho de 2014

Educação: um caso a se pensar, em uma cidade do interior de Minas

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Lúcio Alves de Barros*
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Em recente pesquisa feita com apoio da Fapemig e da Faculdade ASA na cidade de Brumadinho (MG) em uma escola estadual, foram de capital importância alguns achados acerca das experiências no trabalho e nas violências vivenciadas pelos docentes. Mas antes de descrever alguns aspectos é necessário dizer que não é por ser uma cidade de interior de pequeno porte, ou talvez esquecida pelos desavisados e críticos de plantão, que ela não seja um bom objeto passível de pesquisa e contribuição ao campo acadêmico. Pelo contrário.
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Em primeiro lugar, cumpre mencionar a inexistência de uma “violência dura”, de grande clamor público, e de uma “criminalidade violenta” ou casos nos quais a polícia tem que atuar a todo momento. Os professores entrevistados afirmaram a inexistência dessas práticas dentro e fora da escola – que, por sinal, é muito organizada, limpa e cuidada. As violências encontradas são de pequeno porte, como incivilidades, maus-tratos e indisciplina.
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Em segundo lugar, é curioso e digno de admiração o respeito dos professores em relação aos estudantes. Os docentes, com larga experiência e formação, alguns tendo até mestrado, demonstraram uma “força sem igual”. Acreditam categoricamente na educação como prática libertadora e que estão auxiliando e “formando pessoas” para melhores dias. Muitos deles asseveraram inclusive que já conseguiram recuperar as esperanças de muitos adolescentes e jovens que andavam descrentes com a vida. A ação dos professores nesse sentido é de “gestor de emoções”, o que vem auxiliando na formação dos alunos e nas relações cotidianas.
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Em terceiro lugar, é bom deixar claro que lecionar em uma escola pública do interior parece agradável e bom para os docentes pesquisados. As estratégias de defesa dos professores nessas escolas não passam de ações cotidianas construídas na base da solidariedade e na sociabilidade com os responsáveis. Em uma cidade de interior, as pessoas se conhecem, ainda trocam informações e têm acesso umas às outras em vários espaços de relações sociais. Não por acaso professores entram em contato com os pais – alguns antigos amigos de infância – e descrevem a situação e o que anda ocorrendo com o filho/estudante naquele espaço. Mais que isso, professores chegam a fazer valer sua autoridade, “chamando a atenção” e recebendo respeito e admiração de pais e alunos.
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Finalmente, a escola estadual (pública e gratuita) em Brumadinho, a despeito dos problemas encontrados no campo da falta de recursos e de professores devido ao jogo de designações do estado, anda firme e com as próprias pernas. Possui professores engajados e estudantes que possuem excelentes trajetórias no interior da instituição escolar. Muitos – o que não deixa de ser um orgulho para os docentes – passaram para universidades e estão inseridos no mercado de trabalho. É digno de nota o papel da direção da escola, que oferece a discricionariedade, a autoridade, o apoio, a liberdade e a defesa incondicional dos professores em casos de conflitos e negociação. É nesse ambiente que encontramos a escola estadual em pesquisa. É neste ambiente que acreditamos que as escolas do interior, públicas e de qualidade, são possíveis e talvez ofereçam um ambiente (de paz, tranquilidade e segurança) muito mais aconchegante para os alunos estudarem.
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Agradeço à Gabriela Rasuck, que auxiliou na pesquisa. Sem ela, o trabalho por certo não existiria.
Publicado em 01 de julho de 2014.
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Professor na Faculdade de Educação - UEMG / FAE / BH
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Fonte: Revista Educação Pública - http://www.educacaopublica.rj.gov.br/suavoz/0161.html

quarta-feira, 25 de junho de 2014

60% dos professores no Brasil são obrigados a trabalhar em mais de uma escola, diz estudo

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Menos da metade dos professores de ensino fundamental no Brasil pode se dar ao luxo de laborar num único colégio. O dado, revelado pela Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizado (Talis, na sigla em inglês) da OCDE, o clube dos países mais desenvolvidos, joga luz sobre um problema que, de acordo com especialistas, afeta diretamente a qualidade da educação.
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Segundo o levantamento, que a OCDE realizou junto a cem mil professores em 34 países e cujos resultados apresenta hoje em Paris, apenas 40% dos docentes brasileiros que atuam nos primeiros anos do ensino têm dedicação exclusiva, contra 82% na média das nações pesquisadas. De acordo com a gerente da área técnica do movimento Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, por trás dessa realidade estão os salários insuficientes e o baixo número de professores em determinadas áreas.
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— Os profissionais de exatas, por exemplo, encontram oportunidades mais atraentes que a sala de aula quando se formam. Isso gera um déficit que acaba sendo tratado com o deslocamento de profissionais — observa. — A consequência é um prejuízo no envolvimento do professor com o projeto pedagógico das escolas.
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A vida em mais de uma escola é o caso de Marcelle Aguiar, professora de inglês de 33 anos. Para alcançar renda mensal de R$ 3.500, ela precisou assumir 19 turmas em quatro escolas. Marcelle trabalha para a rede municipal do Rio, onde atua num colégio na Pavuna e outro em Acari, e também para a rede municipal de Magé, na qual dá aulas em mais dois colégios.
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— Seria infinitamente melhor se pudesse receber um bom salário para atuar em apenas uma escola. Teria mais tempo para planejar atividades e vínculos ainda mais fortes com os alunos — pondera.
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Além da rotina pesada, a professora também já precisou enfrentar escolas inseridas em contextos de violência, como comunidades marcadas pelo tráfico de drogas. Segundo ela, muitas vezes esse peso recai diretamente sobre o professor:
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— Em alguns casos, os alunos liberam toda a sua agressividade na escola. Os colégios cada vez mais têm que estar preparados para agir como agentes transformadores. Mas, para isso, é preciso apoio de psicólogos e assistentes sociais, já que determinados aspectos fogem ao nosso alcance.
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O cenário descrito por Marcelle também aparece na pesquisa da OCDE, que pediu a professores e diretores (15 mil deles apenas no Brasil) que respondessem a questionários com perguntas sobre liderança escolar, ambiente de trabalho, satisfação e eficiência, práticas pedagógicas e expectativas, avaliação, aprendizado e desenvolvimento de oportunidades. Dos 34 países, somente em Brasil, Malásia e México mais de 10% dos diretores relataram que experimentam episódios de vandalismo ou roubo em uma base semanal. Para a organização, “não surpreende que, tanto no Brasil quanto em outras nações, gestores escolares tenham relatado níveis mais elevados de inadimplência em suas escolas, além de níveis mais baixos de satisfação no trabalho.”
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Nosso país também aparece ao lado do México, da Suécia e da Bélgica no quesito respeito ao professor: quase um terço dos professores trabalham em escolas onde houve relatos de intimidação ou abuso verbal por parte dos alunos. O Brasil é um dos únicos também onde mais de 10% dos diretores disseram ter presenciado agressões verbais a seus professores toda semana.
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MULHERES SÃO ESMAGADORA MAIORIA
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O estudo também comprova uma realidade que qualquer um que já entrou numa escola de ensino fundamental percebeu: as mulheres são a esmagadora maioria dos professores. Mais especificamente, 71% deles (na média de todos os países pesquisados, são 68%). Embora 96% dos docentes por aqui tenham diploma de graduação, somente 76% completaram cursos de licenciatura. Esse índice fica abaixo da média mundial, de 90%. Mesmo assim, os profissionais de educação básica daqui acumulam uma experiência profissional de 14 anos, só dois a menos que a média.
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Também na direção das escolas, só 25% são homens, contra 51% na média da OCDE. As gestoras têm formação mais elevada que seus empregados professores: 96% delas completaram graduação com licenciatura, e 88% fizeram algum tipo de treinamento para assumir o posto administrativo. No entanto, se os diretores nos 34 países da pesquisa somam tempo médio de experiência profissional de 30 anos, por aqui o número cai para 21. Outro ponto bastante enfatizado pela TALIS é a questão da avaliação de professores e de como ela impacta o dia a dia na sala de aula. Por aqui, 80% dos docentes disseram ter implementado melhores práticas letivas depois de receber bons retornos de seus superiores, contra só 62% na média da OCDE.
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A atual coordenadora da pré-escola na Escola Americana, Isabela Baltazar também já foi professora da instituição e defende que, em ambas posições, o retorno sobre o trabalho em sala de aula é fundamental para o bom rendimento:
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— Dando este tipo de suporte, temos professores mais confiantes. Isso passa mais segurança ao aluno.
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SOBRE A TALIS
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Esta é a segunda edição da Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizado, sendo a primeira realizada em 2008 com pouco mais de 20 países. Para o Talis 2013, foram ouvidos cerca de 100 mil professores e diretores de escolas em 34 países. No Brasil, cerca de 15 mil docentes e mil gestores de escolas atenderam aos questionários enviados pela OCDE.
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A organização os pediu que respondessem questões que versavam sobre liderança escolar, ambiente de trabalho, satisfação no trabalho e eficiência, práticas pedagógicas e expectativas, avaliação e feedback, aprendizado e desenvolvimento de oportunidades.
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Fonte: O Globo on line e Todos pela Educação

domingo, 11 de maio de 2014

'Viramos uma família', diz mãe sobre memorial por Realengo

A véspera do Dia das Mães vai ser de homenagem aos filhos para as famílias de 11 estudantes que foram vítimas do massacre na escola Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio, em 7 de abril de 2011. Três anos após a tragédia que pôs fim ao convívio nos corredores e salas do colégio, eles voltarão a ficar juntos: neste sábado, os restos mortais de 11 dos 12 jovens serão depositados lado a lado num memorial no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Os adolescentes foram mortos por Wellington Menezes, ex-aluno da escola, que entrou no local e matou os jovens e feriu mais 12.
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Massacre de Realengo completou três anos no dia 7 de abril
Massacre de Realengo completou três anos no dia 7 de abril.
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"Lembro da alegria da minha filha, que sempre foi uma menina muito carinhosa, alegre. Na minha cabeça, o que ficou dela foi o sorriso", disse Adriana Maria da Silveira, mãe de uma das vítimas, Luiza Paula da Silveira Machado, que tinha 14 anos. O pedido para que os corpos das vítimas fiquem no mesmo local partiu dela, presidente da Associação Anjos do Realengo.
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Das 12 vítimas, o corpo de uma foi cremado e os das demais estavam enterrados entre três cemitérios do Rio. Os familiares vão aproveitar que os restos mortais teriam que ser exumados após o prazo legal de três anos, para já fazer com que eles fiquem juntos. "Não tem razão de elas ficarem separadas. Viramos uma grande família, vivemos sempre juntos. Vamos viver tudo no mesmo dia", disse Adriana. Segundo ela, os corpos que estão nos cemitérios do Murundu, em Realengo, e no de Ricardo Albuquerque, devem ser levados para o Jardim da Saudade escoltados por carros da Guarda Municipal. A banda da corporação também deve tocar na cerimônia, que será celebrada pelo cardeal do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, e pelo padre Omar Raposo, reitor do Santuário do Cristo Redentor, às 12h30.
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Às vésperas do Dia das Mães, Adriana acredita que ficará com os nervos à flor da pele e sabe que vai reviver toda a dor da perda da filha. "Até acontecer essa tragédia, no Dia das Mães, eu tinha o café da manhã. Agora falta um pedaço de mim como mãe", disse Adriana, que ainda é mãe de Carlos, 20 anos.
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sábado, 11 de janeiro de 2014

Escolas também terão vacinação contra o HPV

Prevista para ser iniciada em março, a vacinação gratuita de meninas entre 11 e 13 anos contra o vírus HPV, que protege contra o câncer de colo de útero, deverá ser feita prioritariamente em escolas, disse nesta sexta-feira, 10, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O anúncio foi feito durante evento no Instituto Butantan, em São Paulo, no qual o laboratório responsável pela produção do item entregou o primeiro lote de vacinas, com 4 milhões de doses.
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 “Cada município vai poder ter uma estratégia específica de vacinação. Alguns vão utilizar um espaço dentro da escola, outros vão concentrar nos postos de saúde. Nós daremos as duas opções, mas vamos reforçar nos municípios que as ações na escola devem ser priorizadas”, disse Padilha. A vacina só será aplicada com autorização dos pais ou responsáveis.
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A expectativa do ministério é imunizar 5 milhões de meninas ainda neste ano, o que equivale a 80% da população dessa faixa etária. Para isso, o governo federal comprou 15 milhões de doses, já que cada jovem deve receber três delas para estar imunizada. Após a aplicação da primeira, a segunda é ministrada em dois meses e a terceira, em seis.
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Segundo o Ministério da Saúde, foram investidos R$ 465 milhões na compra desses lotes. Uma parceria entre o laboratório Merck Sharp & Dohme (MSD) e o Instituto Butantan vai permitir que, em cinco anos, a fabricação do produto seja 100% nacional. Até agora, a vacina estava disponível apenas na rede particular, ao custo de R$ 1 mil as três doses.
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Ampliação. Segundo o Ministério, a partir do ano que vem, a oferta da vacina será ampliada para meninas a partir dos 9 anos. “É muito importante que as doses da vacina sejam dadas antes de qualquer atividade sexual realizada”, disse Padilha.
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O câncer de colo de útero é o segundo tipo de tumor mais comum entre as brasileiras. Mais de 5 mil mulheres morreram em decorrência da doença em 2011, último dado disponível.
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A vacina que será distribuída na rede pública protege a mulher contra quatro tipos de vírus HPV. Dois deles (16 e 18) são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero.
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Fonte: O Estadão

domingo, 15 de dezembro de 2013

Por quem os sinos calam

Mark Joseph Ster - Slate*
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Ontem, em todas as igrejas de Connecticut os sinos deram 26 badaladas, a pedido do governador: uma para cada vítima da tragédia de Sandy Hook. No entanto, no massacre morreram 28 pessoas: 20 estudantes, 6 professoras, a mãe do autor dos disparos e o próprio. Por que os sinos não tocaram para todos?
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A questão angustiante e complexa de se prestar uma homenagem ao perpetrador de uma atrocidade juntamente com suas vítimas por muito tempo perturbou essas cerimônias fúnebres. As 15 cruzes erguidas para lembrar as vítimas de Columbine - inclusive 2 para os atiradores - foram rapidamente reduzidas a 13, e então a zero. Depois da tragédia de Virginia Tech, os estudantes empilharam 33 pedras como uma espécie de memorial, mas a pedra que representava o atirador mais tarde foi retirada. No sábado, os sinos não deixaram de tocar apenas por Adam Lanza, mas também por sua mãe, que morreu pelas mãos do filho e postumamente foi considerada em parte culpada pelo massacre.
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É fácil compreender o motivo pelo qual um assassino deve ser excluído. Depois de uma tragédia, o atirador torna-se o vilão. E os membros de sua família, cúmplices. As famílias das vítimas de Columbine processaram as famílias dos autores do massacre, afirmando que elas deveriam ter previsto o desenlace, e ganharam um acordo. Em Newtown, afinal, foi a mãe de Adam quem comprou as armas que ele usou. Mas ela não somente forneceu os instrumentos para o filho mentalmente perturbado como foi sua primeira vítima, morta com um tiro em sua cama. Seria desonesto e perigoso simplificar o luto privando-a de uma homenagem adequada.
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Qualquer que seja a culpa que as pessoas atribuam a Nancy Lanza, Adam Lanza foi quem fez os disparos: primeiramente contra a mãe, depois na escola, e então contra si mesmo. Seu ato, pela voz corrente, foi uma retaliação insana, maldade, covardia. Adam jamais mereceria viver e, portanto, evidentemente, mereceu morrer. Agora que está morto, afirmam, sua memória não deve ser homenageada, mas amaldiçoada.
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A ideia tem um apelo óbvio. Qualquer um que concorde com ela tem todo o direito de fazê-lo. Mas, por mais atraente que possa ser o retrato em branco e preto do vilão em relação às vítimas, ele subestima o valor de nossa humanidade. Embora seja doloroso reconhecê-lo, Adam e a mãe eram seres humanos, tanto quanto suas vítimas. A tragédia de Newtown - e do mundo - é exatamente esta: a humanidade daquelas lindas crianças e de suas devotadas professoras lhes foi tão cedo roubada. Mas não é útil para ninguém fingir que o jovem torturado, de 20 anos, do outro lado do fuzil - e também sua mãe, morta naquele mesmo dia - não era, num sentido fundamental, absolutamente humano.
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Segundo a argumentação típica, se Adam era humano, era um ser humano profundamente mau, um flagelo execrável que não merece indulgência. Mas tampouco isso é certo. Olhando para as imagens das 20 crianças, pensando nas indescritíveis atrocidades que ocorreram no interior daquele edifício, não vejo nisso um ato de maldade. Vejo apenas o caos, um horror psicótico desencadeado contra seres que menos tinham condições de se defender. É tentador chamá-lo mal - mas "mal" implica algum raciocínio por trás da ação, algum motivo, alguma compreensão da dor medonha infligida a inocentes.
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Não há o que compreender sobre o que aconteceu em Sandy Hook. Não há nenhum sentido, nenhuma lógica num massacre. As normas usuais de comportamento humano simplesmente não se aplicam. Não há razão para aqueles cinco minutos de brutalidade. Há apenas a escuridão total de uma mente que perdeu a razão. Vemos as fotografias, lemos as inscrições, estudamos os sinais de advertência e debatemos as respostas, mas não há compreensão do que aconteceu em Newtown um ano atrás. Foi um ato inumano cometido por um ser humano.
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Esse é o paradoxo das duas badaladas emudecidas, das duas cruzes excluídas, da pedra ausente. É o cerne da luta entre ira e clemência. Cabe a nós, após todo esse sofrimento sem sentido, afirmar nossa própria humanidade, rejeitar o fascínio horrendo do niilismo, levantar-nos acima do caos. Enquanto lamentamos as vidas destruídas sem nenhum sentido em Newtown, devemos ter em mente a humanidade comum que nos obriga a lamentar por aqueles que não conhecemos e jamais conheceremos. Em certo momento, Adam compartilhou dessa humanidade. O fato de que a tenha perdido é uma tragédia para todos nós.
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TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA
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Fonte: Estadão

sábado, 14 de dezembro de 2013

Jovem de 18 anos é identificado como autor de tiroteio em escola dos EUA

Denver (EUA) - O jovem Karl Halverson, de 18 anos, foi identificado como o autor do tiroteio ocorrido nesta sexta-feira na escola da cidade de Centennial (Colorado), nos Estados Unidos, e as autoridades informaram que apenas um estudante ficou ferido, e não dois, conforme foi divulgado anteriormente.
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Autor dos disparos, identificado como Karl Halverson, de 18 anos, se matou
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O xerife Grayson Robinson, do condado de Arapahoe, identificou Halverson como o autor do ataque na escola secundária Arapahoe de Centennial, ao sul de Denver. Halverson estava aparentemente à procura de um professor e, após ferir um estudante, se matou. Anteriormente, acreditava-se que outro estudante também tinha sido ferido por disparos, mas depois se descobriu que o sangue que ele tinha no corpo era da outra vítima, explicou Robinson à imprensa.
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O estudante que foi atingido está hospitalizado em situação crítica e, provavelmente, entrou em enfrentamento com Halverson. As autoridades acreditam que Halverson pretendia se vingar do professor que estava procurando e com quem, aparentemente, teve um confronto ou uma desavença.
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Também foram encontrados na escola dois coquetéis molotov, que foram supostamente deixados lá por Halverson. O incidente aconteceu a apenas 25 quilômetros do local do massacre de 2012 no cinema de Aurora, que deixou 14 mortos, e a 20 quilômetros da escola de Columbine, onde 15 pessoas morreram em outro massacre em 1999.
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Além disso, ocorreu um dia antes do primeiro aniversário do massacre na escola de Newtown (Connecticut) em dezembro do ano passado, quando 20 crianças e 7 adultos morreram, entre eles Adam Lanza, o responsável pela tragédia.
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Fonte: O Estadão

Ex-marido invade escola e atira em professora durante cantata de Natal

Cerca de 250 pessoas, a maioria sendo crianças de 6 a 11 anos, foram surpreendidas por uma tentativa de homicídio em uma escola estadual no momento de uma apresentação dos alunos durante uma confraternização de Natal, na tarde dessa quinta-feira (13), em Ladainha, no Vale do Jequitinhonha. O ex-marido de uma das professoras invadiu a instituição, atirou três vezes contra a cabeça dela e se matou, em seguida, na frente do público.
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"Foi uma confusão, as crianças ficaram muito assustadas, todo mundo saiu correndo", disse o sargento Ailton Pinheiro, do 19º Batalhão da Polícia Militar. Segundo ele, o casal estava separado há dois meses porque o homem, José Geraldo Rodrigues, de 25 anos, estaria abusando da babá da família, que tem apenas 14 anos, segundo o policial.
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Renata Gomes de Almeida, de 27 anos, tem um filho de 2 anos com Geraldo. Inconformado com o fim do relacionamento ele passou a ameaçar Renata constantemente. Na Polícia Militar, há dois boletins de ocorrência que a vítima fez por causa das ameaças do homem. O resultado de um deles foi a apreensão de uma espingarda na casa de Geraldo, que já tem passagens pela prisão por porte ilegal de armas.
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Na quarta-feira (11), uma ordem judicial foi expedida proibindo que Geraldo chegasse perto da vítima. Revoltado com a decisão, ele invadiu a Escola Estadual Nossa Senhora da Conceição por volta de 15h30. A diretora da instituição, que não será identificada, contou que viu a aproximação.
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"A gente não sabia dessa ordem judicial, ainda víamos ele como o marido dela, e pensamos que eles estavam passando por uma fase ruim, apenas. Ele chegou perto da Renata, que estava na porta da sala dela, perto do pátio onde acontecia a festa, e conversou com ela. Depois disso ele saiu, e voltou momentos depois, falou mais alguma com ela e atirou", disse.
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Segundo a diretora da escola, Renata havia passado em um concurso público para atuar na instituição e tomou posse em agosto deste ano. De acordo com a polícia, após a separação, Geraldo estava morando há 36 quilômetros do município e Renata continuou na cidade.
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Após o crime, Geraldo deu um tiro na própria cabeça. Ele e a mulher foram socorridos e levados para o Hospital Santa Rosália em Teófilo Otoni, onde Geraldo acabou morrendo na manhã desta sexta (13). Já Renata passou por uma cirurgia também na manhã desta sexta e não tem previsão de alta.
"Aparentemente, ela está bem. Já conversou com a família e lembra como tudo aconteceu", explicou o irmão da vítima, que pediu para não ter o nome divulgado. Era na casa dele que a professora estava hospedada desde o começo da semana. O homem, que presta serviço de motorista para a prefeitura da cidade, estava viajando quando o crime aconteceu.
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"Estava em Guanhães a trabalho quando uma outra professora ligou e contou o que tinha acontecido. Foi um susto. Não esperávamos uma reação dessa do Geraldo", disse. Segundo ele, a irmã nunca reclamou do ex-marido. "Eles tinham uma relação normal. Não éramos de frequentar a casa um do outro, mas ela nunca disse que tinha sido ameaçada durante o casamento", explicou o motorista.
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No entanto, Geraldo parou de conversar com o cunhado após saber que ele recusou ajudar na reconciliação do casal. O motorista confirmou que o atirador abusava da babá, mas achava que era uma coisa normal. O caso, segundo ele, chegou ao conhecimento do Conselho Tutelar do município, mas o suspeito não foi preso.
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"A Renata sabe que o ex-marido morreu e não demonstrou nenhuma reação. Agora, ela quer se recuperar e seguir a vida com o filho, sem mais problemas", finalizou o irmão.
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Atualizada às 18h16.
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Fonte: O Tempo (MG)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Décadas de dilema na escola pública

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Por: Daniela ASrbex
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Na sala de visitas, todos falavam ao mesmo tempo. Parecia reunião de turma da escola. E era. A diferença estava na idade dos participantes. Formandos de 1977, os ex-alunos do ginásio da Escola Estadual Marechal Mascarenhas de Moraes, o Polivalente de Teixeiras, não têm mais 15 anos. Estão na casa dos 50, tornaram-se pais, alguns até avós. O que os une, no entanto, é a profunda ligação com o colégio que os transformou. Por isso, há quase quatro décadas, eles têm encontro marcado para enganar a saudade. Não só os antigos estudantes participam, mas professores da época, diretora, merendeira e outros funcionários. Hoje o grupo de antigos estudantes é composto por procurador federal, oficial da Marinha, empresários, enfermeiros, professores universitários. Juntos, eles são o retrato de uma escola pública que deu certo, cujo projeto pedagógico conseguiu contagiar meninos e meninas por uma vida inteira. A experiência da turma de 77 é provocadora. Trinta e seis anos depois, o Polivalente mudou de cara. É hoje uma das escolas estaduais com o maior número de ocorrências policiais da cidade. É mais que isso. É a imagem do que se transformou a escola pública brasileira. O que os especialistas tentam explicar é em que momento o ensino público perdeu a sua importância na sociedade. O que a sociedade quer saber é como resgatar um modelo escolar recente de sucesso.
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Construído em 1974, o Polivalente mudou o cenário do Teixeiras, na Zona Sul. Era a primeira vez que um bairro pobre receberia uma escola grandiosa no tamanho e na proposta pedagógica, a ponto de fazer muitos alunos do Centro, que já estudavam em colégios particulares, migrarem para lá. Rapidamente, o Marechal Mascarenhas de Moraes conquistou espaço na vida da comunidade e fincou raiz no coração dos alunos da sexta, sétima e oitava séries do antigo primeiro grau, hoje ensino fundamental. Inovador, ofereceu bem mais do que o quadro e o giz. Além das matérias tradicionais, o Polivalente tinha coral, teatro, dança e esporte, dispondo, ainda, de quatro práticas no currículo: industrial, comercial, agrícola e educação para o lar. "Nas práticas comerciais, por exemplo, cada um tinha a sua mesa. Havia balcão, mimeógrafo, nós aprendíamos todo o processo de venda, questões de almoxarifado, estoque, emissão de nota fiscal. Na prática agrícola, contávamos com trator. Criávamos coelho, e a horta produzia tanto que os alunos carentes levavam parte da produção para casa. Na educação para o lar, aprendemos como sentar a mesa, a comer de garfo e faca, a fazer pratos básicos, a dar bainha em uma calça e tivemos até aulas de puericultura e educação sexual. Nas artes industriais, havia uma gráfica. Fomos nós que fizemos o convite de formatura", lembra Geraldo Aquino, 50 anos. Ex-presidente do Centro Cívico, o empresário mantém o espírito de liderança da juventude, sendo o grande responsável por manter a união da turma. "Devo muito ao Polivalente. Os valores que carrego até hoje, aprendi nessa escola", explica Geraldo, que hoje reside em Goiás.
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Evandro Mendonça Fortuna, 51 anos, do Centro Regional de Inovação e Transferência Tecnológica (Critt) da UFJF, divide com o amigo da escola a gratidão pelo que recebeu. "Não aprendemos só matemática e português. Aprendemos a ser gente. Quando saí de lá, fui morar sozinho no Rio. Sabia costurar e cozinhar", lembra. A bióloga Vera Lúcia Teixeira, 52, residente em Barra Mansa (RJ), conta que teve o interesse pela biologia despertado nas aulas de ciências. "O professor Jarbas levava a gente a campo. Também plantávamos e aprendíamos a valorizar o meio ambiente de forma prática. Todo mundo adorava ir para a escola. Não ficávamos numa sala só, estagnados. Ao invés de o professor trocar de sala, os alunos é que trocavam a cada disciplina. Era como se a gente fosse em busca do conhecimento", revela a vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. A diretora da época, Cesarina de Lima, 65, destaca que uma das funções da escola era justamente o despertar de talentos. "A educação é a base de tudo, haja vista os profissionais competentes que nossos alunos se tornaram. A amizade construída entre estudantes, professores e direção perdura até hoje. A gente era uma família polivalente."
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Aluna da turma de 1977, a enfermeira Regina Muniz, 50, não consegue esquecer as revolucionárias aulas no laboratório de ciências, com o professor Jarbas. "Um dos dias mais marcantes para nós se deve à sensibilidade do Jarbas, que permitiu que observássemos os espermatozoides pela lente de um microscópio. Só vim ter uma aula como essa de novo na faculdade", comenta, antes de dar uma gargalhada. "A gente está procurando até hoje o doador desse material. De vez em quando, um assume a autoria", diverte-se Gilson Farani, 50, que atualmente trabalha em um escritório de advocacia.
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'Os professores acreditavam naquela proposta'
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Olhar para trás pode ajudar a dar uma nova direção ao presente da educação. Embora não existam fórmulas prontas para ganhar o interesse do aluno, a experiência do Polivalente de Teixeiras mostra que é possível fazer a diferença e criar um ambiente propício ao aprendizado. Depende de muitas coisas, mas também do comprometimento da equipe pedagógica com a comunidade escolar. "Um dos diferenciais era o interesse dos professores por nós. Sentíamos essa proximidade, e isso foi importante na nossa formação como indivíduos. Por isso, além da nossa, outras turmas tiveram uma história de sucesso", comenta o engenheiro Wesley Braga, 50.
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Toninho Dutra, superintendente da Funalfa, é mais um exemplo. Um ano mais novo do que a turma de 1977, ele teve o interesse pela cultura despertado na escola. "Iniciei teatro lá. Havia humanidade presente em todas as disciplinas, e o projeto pedagógico passava pela questão dos valores. A escola era um lugar de prazer, no qual os professores se aproximavam dos alunos."
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A enfermeira Regina concorda: "Os professores acreditaram naquela proposta e deram muito de si. Isso acabou nos contagiando. Havia uma magia que permaneceu nas nossas vidas." Para a procuradora da Fazenda Nacional Maria Aparecida da Silva, 50, havia acolhimento. "O papel transformador dessa escola na minha vida foi fundamental. Além da proposta da formação intelectual, havia calor humano. O Polivalente reunia gente de vários níveis, e eu estava no da indigência social. Mesmo nessa condição, a escola me mostrou que era possível mudar."
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O depoimento da procuradora é carregado de emoção. Filha de mãe lavadeira e pai servente de pedreiro, ambos analfabetos, ela lembra que não tinha sapato para estudar e que precisava encontrar com a irmã no caminho da escola, a fim de trocar com ela o seu chinelo por um kichute. Como na sua casa haviam dez bocas para comer, muitas vezes, Aparecida chegava com fome no Polivalente e era socorrida pela cantineira Thereza Maria Carnot, hoje com 80 anos. "Ela era um dos corações da escola naquela cantina. Dona Thereza tinha a consciência que primeiro era necessário forrar o estômago para a criança aprender. Ninguém nunca percebeu, mas ela me dava almoço antes do início das aulas. A pedagogia do amor funciona muito. O Polivalente me educou, mas também mostrou que estaria ao meu lado. Tive mobilidade social por conta dessa orientação pedagógica."
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A ex-cantineira do colégio sustenta que tinha consciência da sua missão, mas que não imaginava o alcance das suas ações na vida desses ex-alunos. "Nunca me passou pela cabeça que eu fui tão importante para aquelas crianças. Hoje agradeço a Deus por não ter passado pela vida em vão. Na minha comida, o ingrediente a mais era o carinho."
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Perda de recursos e falta de projetos
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Apesar de ser um ideal democrático, a educação para todos impôs dilemas desconhecidos pelas escolas até a década de 1990, como a massificação do ensino, provocada pela urbanização acelerada. Antes disso, a escola pública ensinava para minorias. Quase metade da população até o início da década de 1980 não frequentava os bancos escolares. Segundo o doutor em sociologia Rudá Ricci, ao universalizar o ensino fundamental, colocando nas escolas quase 100% das crianças de 7 a 14 anos, o Poder Público deu um passo importante em favor da infância e adolescência brasileira, porém não se preparou para isso. O fato é que, nesse período, alunos das classes média e alta trocaram a rede pública pela privada, migração provocada pelo fim do financiamento externo da educação no país. A perda de recursos levou a um quadro de desorganização dos projetos educacionais, culminando na perda de qualidade do ensino e no desmonte de escolas, como as polivalentes. Os salários dos educadores, que na década de 1970 chegavam a 12 mínimos, também foram achatados.
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Fragilizada na sua importância, as escolas públicas tornaram-se endereço dos filhos das classes trabalhadoras, cujos pais e avós, muitas vezes, jamais sentaram num banco escolar. O fato é que muitos filhos da rua conquistaram um passaporte para o mundo letrado, mas o choque de cultura foi inevitável. Para piorar, os professores, que estavam acostumados a dar aula para estudantes ideais, até hoje não conseguiram se adaptar à realidade do novo público. "O professor se acostumou a culpar o aluno pelo não aprendizado. Mas ele precisa entender que, para muitos estudantes, a escola é o único espaço de aprendizagem. Por isso, não pode desistir desse jovem, porque, muitas vezes, a família já desistiu. É preciso apostar que o aluno é capaz", analisa a atual diretora do Polivalente de Teixeiras, Lilian Maria Custódio Toledo, cujo colégio conta com 853 alunos.
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Perfil dos docentes
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O pró-reitor de Graduação da UFJF, Eduardo Magrone, analisou, em sua tese de doutorado, o perfil dos docentes em momentos distintos da história e diz que hoje falta identidade simbólica entre mestre e aluno. "Hoje o professor se veste e fala como aluno e, muitas vezes, tem que vender coisas no intervalo para a mãe do aluno ou assumir outras ocupações nos finais de semana. Já nos anos 1950, tinha formação muito superior à oferecida hoje pelos cursos de pedagogia. Se tornar professora era um bem disputadíssimo para as filhas das camadas média e alta. Com uma formação diferenciada, elas entravam na sala de aula como alguém que simbolicamente não estava na mesma posição do aluno e tinha a sua autoridade reconhecida por sua competência. Hoje, no entanto, o professor, muitas vezes, tem que apelar para recursos constrangedores, e o aluno perde o pouco respeito que tem."
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Além disso, Magrone cita a falta de identificação do professorado com as escolas da rede pública e com o próprio alunado. "O mesmo professor, muitas vezes, tem posturas profissionais diferentes na escola pública e privada, cuja divisão espúria está cristalizada. No fundo, há uma divisão classista. É como se voltássemos ao tempo da escravatura, da casa grande e da senzala. Essa divisão é uma máquina de produzir desigualdades. Na escola de massa, o aluno é um número. Ele não tem identificação com a escola e o professor também não. O professor da rede privada, quando perguntado, diz o nome da escola em que trabalha. Agora se perguntar para o professor da escola pública, ele vai dizer que é na rede municipal ou estadual. Ele não diz o local. Hoje não há mais o sentimento de missão e nem uma forte identidade com a escola e com os alunos."
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Para a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Victória Mello, a perda da importância do papel da escola na vida das comunidades afetou a valorização e a identidade dos educadores. Segundo ela, a educação passou a ser tratada como mercadoria, produto que está a venda. "A desvalorização da escola acompanha o papel secundário reservado aos trabalhadores brasileiros no mercado de trabalho mundial. Os trabalhos mais complexos são para uma minoria do setor privado e a melhor formação escolar também. Na escola pública, a formação é aligeirada, não sendo necessário tempo de permanência na escola, nem um currículo que compreenda as complexidades do mundo do trabalho atual e nem professores com boa formação. No decorrer desse processo, o professor foi perdendo o encantamento. Tornou-se mero transmissor de conhecimento empacotado de um currículo escolar que vem sendo construído em função de avaliações externas. Com isso, seu papel foi sendo reduzido, resultando na perda da identidade como educador. Isso gera desânimo e adoecimento", destaca Victória.
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Educação só é prioridade no discurso
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"O futuro da escola pública é o passado", afirma o doutor em sociologia, Rudá Ricci. Para o especialista, o compromisso com o indivíduo, presente nas escolas de ontem, precisa ser resgatado. "Isso não é só uma questão de melhoria do salário do professor, mas de um projeto de educação das escolas. Que tipo de pessoas queremos formar? Aquelas preparadas para o vestibular ou as que se constroem, que fazem para si e o país?"
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O pró-reitor de Graduação da UFJF, Eduardo Magrone, faz coro: "A elite brasileira não sabe o que quer e não tem um projeto estratégico de país. Desta forma, a educação fica como sendo a eterna prioridade só no discurso." Para se ter compromisso com o indivíduo, não só com a prestação do serviço, Rudá defende a contratação de professores em tempo integral, para que ele tenha condição de manter seu foco nos estudantes e na formação a longo prazo. "Recursos nós temos, o que não temos é um projeto dos governos para a educação."
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Magrone defende que o projeto para a educação passe pela reformulação dos currículos e pela própria formação oferecida pelos cursos de graduação. "O primeiro choque do aluno de pedagogia e licenciatura é o estágio. As universidades preparam muito mal o professor, porque não preparam para essa escola que está aí. Nas diretrizes curriculares dos cursos de pedagogia, a palavra ensino aparece poucas vezes." O pró-reitor confirma que, apesar da inadequação do currículo, há muita resistência em modificá-lo.
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A solução seria a retomada do modelo do passado ou a construção de um novo modelo baseado nos valores do passado? "Aquela sociedade já não existe mais. Temos que aprofundar o atual modelo no que ele tem de positivo, pois foi esse modelo que colocou para dentro da escola quase 100% das crianças de 7 a 14 anos, que universalizou o ensino fundamental. Então ele tem as suas virtudes. Os principais problemas são de gestão e principalmente o professor. É preciso pensar em como formar o professor para que ele veja esses alunos com um novo olhar e não como alguém que está selado ao fracasso."
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Fonte: Tribuna de Minas (JF-MG)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A criança e a infância

Por Rosely Sayão*
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"Não basta ser criança para ter infância." Essa frase contundente está presente no documentário "A Invenção da Infância" (disponível na internet) dirigido por Liliana Sulzbach, que propõe uma reflexão sobre os estilos de vida de nossas crianças no mundo atual. É uma frase que persegue meus pensamentos, conduz o meu trabalho e que, no último sábado, me fez pensar muito.
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É que no dia 24 de agosto comemorou-se o Dia da Infância. Grandes reportagens a esse respeito nos veículos de comunicação ou mesmo pequenas notas lembrando a data, por acaso apareceram? De um modo geral, pouco vimos a esse respeito. A lembrança da existência dessa data parece ter ficado restrita aos grupos que, de maneira direta ou indireta, trabalham com e/ou para crianças. Faz sentido esse silêncio da sociedade a respeito de uma data que, aliás, não deve ser considerada comemorativa. A infância está desaparecendo e temos contribuído de modo expressivo para isso. Como temos feito isso?
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Para começar a pensar, temos de considerar que ser criança é um fato biológico, mas o modo como ela vive essa etapa da vida, que vai até a adolescência, depende de múltiplos e complexos fatores, entre eles o modo social de pensar a criança. É aí que entramos. De um modo geral, cada vez mais a criança, notadamente a que pertence à família de classe média, tem sido tratada como um ser que precisa ser preparado para o futuro. Há algumas décadas, passamos a acreditar que quanto mais precocemente a criança for engajada em situações de estudos formais, maiores as chances ela terá de êxito no futuro.
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Já temos inúmeros estudos e pesquisas que comprovam que iniciar o contato com o conhecimento sistematizado mais cedo não contribui no aprendizado que deve ocorrer a partir dos sete anos. Por isso, tudo o que conseguimos ao fazer isso é deixar de ver a criança em seu presente, ou seja, a vemos muito mais como um ser que, um dia, será alguém. Também temos deixado a criança cada vez mais tempo na escola. As três ou quatro horas iniciais se transformaram, progressivamente, em cinco, seis, oito, dez e até 12 horas de permanência no espaço escolar! Se considerarmos que ir para a escola é o trabalho da criança, elas têm trabalhado demais, à semelhança de seus pais, os adultos.
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Temos entendido que o tempo de permanência na escola é uma necessidade social já que os pais têm se dedicado muito à vida profissional. Conheço profissionais que trabalham muito além da jornada e justificam o excesso como necessário para dar conta da responsabilidade profissional. E a pessoal, com os filhos, onde temos colocado tal responsabilidade?
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Crianças têm se alimentado como adultos que se alimentam mal. E, como estes, têm enfrentado doenças por causa disso. Esse fato não ocorre por falta de informação dos responsáveis pelas crianças e sim pela falta de paciência e dos cuidados necessários que elas necessitam. Ah, mas elas pedem, exigem até, as porcarias ofertadas insistentemente e disponíveis em todos os cantos. Sim, mas por isso vamos permitir que fiquem escravas de seus impulsos e que consumam como adultos?
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Abordei dois pontos apenas de nossa contribuição direta para o fim da infância. Há muitos outros. Por isso, todo dia deveríamos fazer essa reflexão: queremos que nossas crianças tenham infância, ou já consideramos esse conceito obsoleto?
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*Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. Escreve às terças na versão impressa de "Cotidiano".

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Violência na escola

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Além das crônicas dificuldades inerentes ao ensino público brasileiro, sempre discutidas e alvo de polêmicas, mas nunca solucionadas a contento, mais um fator negativo vem se somar à fragilização da categoria dos professores. Presentemente, eles estão também ameaçados por situações de violência e de desrespeito à autoridade.
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Casos revoltantes são veiculados, com frequência, por todo o País, a respeito do quadro constrangedor, retratando desde a difícil convivência entre mestres e alunos até a perpetração de atos de agressividade por parte dos estudantes.
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Pesquisa divulgada pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) revela que quase 70% dos mestres sentem que sua autoridade, dentro e fora da sala de aula, ficou sensivelmente abalada no decorrer dos últimos anos. Está sendo solapado, dessa forma, um dos itens essenciais do sistema educacional, que se baseia na hierarquia e na cordialidade entre aqueles que ministram conhecimentos e seus discípulos.
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Dados aferidos por aquela entidade demonstram que mais de 25% dos professores da rede pública já foram ameaçados, pelos estudantes, por meio de agressões verbais, enquanto outros 7,5% chegaram a sofrer atos de violência física. Lápis e canetas, objetos que são naturalmente usados para o aprimoramento da aprendizagem e das noções de civilidade e convivência social, transformam-se por vezes em instrumentos usados para agredir.
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Em bairros de Fortaleza, são habitualmente registrados casos de rebelião e agressão, praticados por adolescentes de escolas públicas contra seus mestres. Mas, geralmente, eles são acobertados pela impunidade legal atribuída ao menor de idade ou, até mesmo, pela complacência de quem dirige os estabelecimentos de ensino. Analisando outro aspecto da questão, relacionado à insegurança na escola pública, vários assaltos são praticados à luz do dia, ao ponto de acarretar a interrupção no funcionamento de alguns estabelecimentos, durante dias seguidos ou mesmo semanas, devido à inexistência dos mínimos requisitos necessários para garantir a integridade física das vítimas. Mesmo quando entra em cena a ação policial, esta se limita geralmente ao incidente ocorrido naquele momento.
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Além dos salários concedidos aos professores, defasados frente à realidade, e da inadequação dos equipamentos e da estrutura física de grande parte das escolas públicas, torna-se inadmissível ignorar mais esse indesejável processo de cerceamento ao exercício do ensino. Em meio a tantas carências e dificuldades, milhares de professores necessitam revestir-se de uma boa dose de idealismo e sacrifício para levar a razoável termo suas atividades profissionais.
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Agravantes de tal ordem só contribuem para ressaltar o desgaste progressivo do ensino na rede pública nacional, resguardadas as louváveis exceções dos que procuram superar, ao custo de muitos esforços, dedicação e paciência, um contexto comprometedor de elementares princípios no campo da educação.
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São necessárias, mas não bastam as passeatas pacíficas de protesto, de pais e alunos, no sentido de pressionar as autoridades para reverter a situação, nem as inflamadas promessas políticas de melhorias ao calor dos debates e reivindicações. O que se faz necessário, sobretudo, com inarredável urgência, é a adoção de medidas concretas e precisas que tenham como metas tanto a educação em si como as garantias da imprescindível segurança para exercê-la.
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