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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Escolas estaduais de MG recebem placas com notas recebidas no Ideb

As escolas estaduais de Minas Gerais começaram a receber placas com as notas recebidas no último Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. A placa chamou atenção. Ela traz o índice que é apurado a cada dois anos, em todo o ensino fundamental das escolas públicas do país. Nas provas do ano passado, Valter diz que não se saiu bem. “Achei muito difícil”, diz.
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A avaliação considera conhecimentos de matemática e português, além de dados sobre aprovação escolar. Em uma escola em Belo Horizonte, o índice do nono ano do ensino fundamental foi de 3,9, menos que a média de Minas, que é de 4,4.
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“Os nossos resultados não são os piores, mas podem ser melhorados muito. Muito mesmo”, avalia a diretora da escola, Maria Carmem Barbosa. Nas escolas onde forem instaladas, as placas vão ficar em local de muito movimento, bem à vista dos alunos, dos pais de alunos e dos professores para que possam se lembrar, a todo momento, da nota que tiraram no Ideb.
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“Você precisa dar aos pais os instrumentos para que eles saibam qual é a real qualidade da escola do filho, para que então eles possam se engajar e participar, e a escola brasileira precisa desesperadamente da participação e do auxílio dos pais”, opina o especialista em educação Gustavo Ioschpe.
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Mas a iniciativa gerou polêmica. O professor da UFMG, pós-doutor em educação, considera que o índice médio é pouco para informar sobre a qualidade do ensino. “A comunidade saber é essencial, agora a forma de comunicar a comunidade precisa mudar. Ela precisa mudar dando uma visão de quantos estão no nível insuficiente, quantos estão no nível básico, quantos estão no nível avançado, e fazer de uma forma que seja informativa”, diz José Francisco Soares, do Conselho Consultivo do Inep.
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A dona de casa Vitória Vieira acha que o índice já é um avanço. “Aí vai poder haver cobrança das duas partes: dos filhos da gente e dos professores”. Mas ela espera que o Ideb ajude a reduzir diferenças. Em Belo Horizonte, uma escola pública tradicional ficou acima da média. Outra, em uma comunidade, onde Gabriela Ferreira estuda, ficou abaixo. “Pelo menos a gente tentou, conseguiu. Vai melhorar, tomara.”
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Fonte: Jornal Nacional

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Na pior escola de São Paulo segundo o Ideb, pais se revezam na segurança

THIAGO AZANHA (COLABORAÇÃO PARA A FOLHA)
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A pior escola de São Paulo sofre com falta de segurança e funcionários para monitorar os alunos e até com fezes de pombos. O colégio estadual Jardim Esperança, com Ideb 2,1 no nono ano, está na última colocação no Estado.
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Fazendo divisa de muro com a Jardim Esperança, situa-se a escola estadual Maria Peccioli Giannasi. Ela tem o dobro da numeração no Ideb: 4,2. Segundo relatos dos pais, os alunos com mau desempenho na Peccioli são transferidos para a escola vizinha.
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"A direção não deu nenhuma explicação quando fez a transferência do meu filho", diz Claudia Besto, mãe de menino que estuda no sexto ano do Esperança.
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Devido à falta de profissionais fazendo a segurança na entrada e saída dos alunos, os próprios pais se revezam na tarefa de monitorar e evitar possíveis brigas. "Os pais de alunos se juntaram e fizeram um grupo para dar mais segurança, mas tenho medo", diz Maria Inês Monteiro.
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De acordo com a Secretaria da Educação, a escola possui equipe terceirizada de limpeza e haverá averiguação das condições de higiene no local.
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Informou também que não procede a alegação de que alunos com baixo rendimento são transferidos para lá e que a Ronda Escolar desenvolve ações preventivas no local.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O IDEB

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Fonte Tribuna de Minas (MG)

Abismo separa melhores e piores resultados do Brasil

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RIO - Nas melhores e piores escolas ou redes do país, é fácil perceber o que leva ao caminho do bom aprendizado e o que condena os alunos a um mau desempenho. Nas melhores, há foco nos alunos e participação dos pais. Nas piores, a infraestrutura é precária e ninguém assume a responsabilidade pelos maus resultados.
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Com cerca de 200 alunos, a Escola Municipal Santa Rita de Cássia, em Foz do Iguaçu (PR), recebeu nota 8,6 no Ideb 2011 e empatou com a Escola Municipal Carmélia Dramis Malaguti, de Itaú de Minas (MG), no topo do ranking das melhores escolas públicas para os anos iniciais do ensino fundamental. A diretora Shirlei de Oliveira, que comanda há cinco anos uma equipe de dez professores, uma supervisora e uma secretária — todos com curso superior e pós-graduação —, atribui o sucesso ao trabalho que faz junto aos pais e ao reforço escolar que oferece para todos os alunos. Os que têm boas notas assistem a aulas extras três vezes por semana. Os que têm notas baixas, todos os dias.
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As professoras Maria Isabel Gomes Vieira e Leda Márcia Dal Gin vêem ainda mais um ingrediente na receita do sucesso: dividiram as turmas conforme a afinidade que têm com as disciplinas. Uma ensina português e ciências. A outra, matemática, história e geografia. Um terceiro professor completa o currículo com jogos matemáticos, literatura, dicionário e informática. Na Escola Municipal Carmélia Dramis Malaguti, que fica a 360km de Belo Horizonte e divide o posto de melhor com a Santa Rita de Cássia, o enfoque no aluno também é o que explica o bom resultado.
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— Nossa prioridade é descobrir o que está por trás das dificuldades do aluno. Por isso, a relação olho no olho entre professor e aluno é fundamental — destaca a diretora da escola, Maria Flávia Oliveira.
Se não há receita, há um conjunto de fatores que tem funcionado. A escola subiu 2,6 pontos no Ideb desde 2007. No mesmo período, a prefeitura de Itaú de Minas fez um programa de capacitação de professores que não exige participação, mas valoriza o profissional presente com uma gratificação no fim do ano.
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Outra característica em comum entre as duas melhores escolas do país é a boa relação com os pais. A diretora Carmélia Malaguti diz se orgulhar de telefonar à família no caso de três faltas seguidas. Também costuma encaminhar, para fonoaudiólogos e psicólogos, alunos com dificuldades. Os tratamentos são todos custeados pela prefeitura. Nos anos finais do ensino fundamental, o melhor resultado por escola foi encontrado em Pernambuco, no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco. O 8,1 do Ideb coroa um espaço que praticamente não tem evasão — só houve uma desistência no ano passado — e exibe percentuais de aprovação que chegam a 98%.
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Além do alto grau de especialização dos profissionais, o CAp estimula os estudantes a monitorar não só o desempenho de suas turmas, como também o dos professores. A iniciativa dá chance aos alunos de reconhecerem suas deficiências e ajuda os professores a descobrir novos caminhos em sala de aula.
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— O que tentamos fazer é criar um ambiente para o aluno aprender junto com o professor, e o professor, junto com ele — diz o diretor do CAp, Alfredo Matos.
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No pior município, precaridade é total
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Do outro lado do espectro, está a cidade de Monteirópolis, situada a 194km de Maceió (AL). É dela a pior rede municipal de educação de todo o país no que diz respeito aos anos iniciais do ensino fundamental. Segundo o Ideb, as cinco escolas da cidade tiveram média 2,3.
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— A estrutura das escolas é precária, a merenda tem problemas. No cardápio de hoje, era arroz com frango, mas só tem bolacha com suco. Nem manteiga ou margarina — conta a professora Rose Braga.
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Segundo ela, além do problema com a merenda, os alunos sofrem também com o cheiro das fezes dos pardais que se acumulam no telhado. Apesar da seca que afetou a cidade neste ano, os alunos não comemoram quando chove:
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— As escolas viram uma cachoeira. Imagine a cena: alunos com fome, mau cheiro de pardais e goteiras.
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Na escola de Rose Braga, a direção prefere não falar sobre o assunto. Na Secretaria municipal de Educação, ninguém atende os telefonemas. O pior resultado entre as redes estaduais de ensino médio também ficou com Alagoas, com nota 3,8 (0,2 a menos do que na pesquisa anterior). O secretário estadual de Educação, Adriano Soares da Costa, promete agir em cinco frentes para reverter a situação. Até outubro, realizará provas para contratar 2.500 professores e mil monitores. Até meados de 2013, reformará as 334 escolas que comanda e, em 60 delas, instalará uma espécie de ponto eletrônico para reduzir a evasão de alunos.
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No caso de escolas, a pior pública dos anos iniciais do ensino fundamental é o Grupo Escolar Dr. Antônio Carlos Magalhães, que fica no município de Cairu, a 83km de Salvador. O 0,9 registrado pela pesquisa causou estranhamento à Secretaria municipal de Educação já que, nas duas últimas edições da pesquisa, o município teve média 3,8. O prefeito Hildécio Meireles acredita que houve um problema isolado, mas já pediu o levantamento dos dados da escola.
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A pior escola pública para os anos finais do ensino fundamental também é baiana: o Colégio Estadual 29 de Março, em Salvador. A Secretaria estadual de Educação do Estado afirmou que houve um erro no preenchimento de dados que fez com que as taxas de aprovação, em vez de serem de 50%, fossem registradas como 3%.

MEC planeja mudanças no currículo do ensino médio

Brasília. O governo federal pretende mudar a grade curricular do ensino médio público e diminuir o número de disciplinas na grade das escolas. O plano de mudança foi desenhado pelo Ministério da Educação após a divulgação dos resultados do Índice Básico de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede o desempenho da educação básica nacional.
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Segundo os dados referentes ao ano passado divulgados anteontem, o ensino médio estagnou no país. A nota, que vai de zero a dez, considera o desempenho em português e matemática e também a taxa de aprovação dos estudantes (quantos passaram de ano). Divulgado a cada dois anos, o índice estagnou em 3,4 no ensino médio público, o mesmo indicador de 2009, dentro da meta de 2011, mas muito abaixo dos dez pontos, a nota máxima.
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Na rede privada, por exemplo, a nota média nessa etapa de ensino foi de 5,7. A meta estipulada é de 5,8.
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O Ideb mostra também que o desempenho de estudantes do ensino médio público em português e matemática foi inferior ao atingido por alunos do último ano do fundamental particular. Em matemática, a nota foi 265 pontos na rede pública contra 298 na particular, por exemplo. Durante a divulgação do Ideb, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reclamou que é grande o número de matérias obrigatórias no ensino médio - atualmente são 13.
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"É uma sobrecarga muito grande. Não contribui para formar melhor o aluno", afirmou. A proposta de redução do currículo nessa etapa do ensino público será apreciada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).
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"O ensino médio atingiu a meta, mas não superou. Esse é o grande desafio do sistema educacional brasileiro. É um problema que temos de enfrentar com prioridade", afirmou o ministro.
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Docentes. Para Mercadante, além dos currículos, as redes responsáveis pela oferta do ensino médio precisam avaliar as dificuldades do ensino noturno (que possui muitos alunos dessa fase, segundo ele) e a falta de investimento na formação continuada dos professores. "Ainda temos muitos docentes que não têm formação das disciplinas que lecionam. Temos de investir na educação integral e no Pronatec (programa que dá cursos técnicos a jovens)", ponderou.
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Análise - Ideb revela crise do modelo atual
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Brasília. O desempenho das escolas de ensino médio no Ideb foi classificado pelo movimento Todos pela Educação como "uma verdadeira crise do modelo de ensino atual". "Temos uma crise por duas razões: primeiro, porque essa etapa acaba recebendo o acúmulo das deficiências das etapas anteriores, ou seja, o aluno chega com muitas lacunas de aprendizagem. Em segundo lugar, ocorre um problema de estrutura. Temos um ensino médio com 13 disciplinas obrigatórias, não se consegue aprofundar em tema nenhum, a fragmentação é enorme", afirmou a diretora-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.
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Segundo ela, somam-se a esses fatores o desinteresse de boa parte dos estudantes nessa etapa e a falta de professores para todas as disciplinas. "Sabemos das dificuldades, mas termos um retrocesso em nove Estados é simplesmente inadmissível", disse. Fonte: O Tempo (MG)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Nordeste investe pouco no aluno, diz pesquisa

Embora os dados do MEC apontem para crescimento do investimento na Educação, a Paraíba e outros cinco Estados da região Nordeste têm os mais baixos investimentos por aluno no País. O investimento anual por aluno na Educação pública da Paraíba deverá ficar em R$ 1.722,05 para as séries iniciais do ensino fundamental (1ª a 4ª série ou 5º ano) e em R$ 2.238 para o aluno do ensino médio.

Segundo o Ministério da Educação, os recursos serão provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) que irá aplicar mais de R$ 1,6 bilhão no Estado em 2011. O custo aluno deste ano representa um aumento de 21% em relação ao ano passado quando o valor ficou em R$ 1.414 e R$ 1.697, respectivamente.

Embora os dados do MEC apontem para crescimento do investimento na Educação, a Paraíba e outros cinco Estados da região Nordeste têm os mais baixos investimentos por aluno no país nas séries iniciais do ensino fundamental e finais segundo números do Fundeb. Em paralelo, eles também apresentam os piores desempenhos na Educação pública, de acordo com os dados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) 2009.

De primeira a quarta séries do ensino fundamental, as escolas públicas estaduais da Paraíba, Sergipe, Alagoas, Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Piauí obtiveram notas que vão de 3,7 a 3,9, numa escala até dez. No ensino médio, as notas variaram de 3,1 a 3,4. Esses Estados tinham a previsão de gastar, em 2009, ano de referência para o Ideb, R$ 1.350,09, a R$ 1.630,76 por aluno, nos primeiros anos e R$ 1.620,11 e R$ 1.779,01 nos últimos. Vale lembrar que o Ideb é a “nota” do ensino básico no país. Numa escala que vai de 0 a 10, o Mec fixou a média 6, como objetivo para o país a ser alcançado até 2021. O indicador é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar (ou seja, com informações enviadas pelas escolas e redes), e médias de desempenho nas avaliações do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o Saeb - para os Estados e o Distrito Federal, e a Prova Brasil - para os municípios.

Por sua vez o o Fundeb é um fundo especial, de natureza contábil e de âmbito estadual (um fundo por estado e Distrito Federal), formado por parcela financeira de recursos federais e por recursos provenientes dos impostos e transferências dos estados, Distrito Federal e municípios, vinculados à Educação por força do disposto no art. 212 da Constituição Federal. Independentemente da origem, todo o recurso gerado é redistribuído para aplicação exclusiva na Educação Básica.

A implantação do Fundeb começou em 1º de janeiro de 2007, sendo plenamente concluída no seu terceiro ano de existência, ou seja, 2009, quando o total de alunos matriculados na rede pública é considerado na distribuição dos recursos e o percentual de contribuição dos estados, Distrito Federal e municípios para a formação do fun o patamar de 20%. De acordo com o Mec, a expectativa de matrículas para este ano é de mais de 196 mil para as primeiras fases do ensino fundamental, sendo 61 mil apenas na rede estadual. Já no ensino médio a previsão é de cerca de 110 mil matrículas nas escolas públicas do Estado, segundo os dados do ministério.

AÇÕES ESPECÍFICAS

Para melhorar os índices do Ideb, a Secretaria Estadual de Educação vai desenvolver ações específicas voltadas para escolas e municípios que tiveram rendimento insatisfatório em 2009.

“Iremos realizar o monitoramento de escolas e municípios que tiveram resultados abaixo do esperado no Ideb 2009 e, em paralelo, oferecer oficinas para as disciplinas de língua portuguesa e de matemática para os professores da rede estadual”, informou a gerente do Programa de Avaliação da Secretaria Estadual de Educação, Iara Andrade de Lima.

Fonte: Jornal da Paraíba (PB)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sem professores, notas são ruins

21 de fevereiro de 2011

Os dados históricos do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) são ao mesmo tempo escudo e arma da Secretaria Estadual da Educação para exigir o retorno dos professores às salas de aula. Reportagem publicada ontem no POPULAR mostrou que em cada grupo de 10 professores efetivos da rede estadual, 3,4 estão fora da sala de aula. Ao todo, são 11.750 professores em outras atividades. Enquanto isso, o ranking de desempenho da Educação Básica nacional revela que o Estado de Goiás, desde 2005, não conseguiu ganhar sequer uma posição em nenhuma das fases, seja nos anos iniciais (1º ao 5º) e finais (6º ao 9º) do Ensino Fundamental e mesmo no Ensino Médio (ver quadro). O secretário Thiago Peixoto carrega estes levantamentos debaixo do braço para mostrar a quem quer que seja os motivos para exigir que os professores voltem às salas de aula.

Em alguns casos, a nota média alcançada pelos alunos até teve uma variação positiva, mas isso não foi suficiente para que o Estado conseguisse melhorar sua posição no ranking. Há uma tendência de queda e, no máximo, de manutenção da posição. Pior ainda, conforme o aluno se aproxima dos anos finais da Educação Básica, a posição no ranking vai piorando (sai do 8º lugar nos anos iniciais do Ensino Fundamental, passando pelo 15º nos anos finais até chegar ao 16º no Ensino Médio). Para a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) não há dúvida de que alguma coisa vai errada. "Os resultados mostram que o sistema está fracassando. O aluno passa 12 anos na escola e sai dela com menos de 25% do conhecimento necessário em Língua Portuguesa e com apenas 8% em Matemática. E Goiás tem caído no ranking. Isso exige mudanças que não são fáceis. E tais mudanças não virão com 30% dos professores fora das salas de aula", argumenta Thiago Peixoto.

Criado em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC) como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação, o Ideb é calculado com base na taxa de rendimento escolar (aprovação e evasão) e no desempenho dos alunos no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e na Prova Brasil. Quanto maior for a nota no teste e quanto menos repetências e desistências forem registradas, melhor será a classificação, numa escala de zero a dez.

O secretário da Educação de Goiás não está preocupado em mexer na estrutura da escolas para tentar melhorar o índice de aprendizado dos alunos. Além da suspensão de projetos educacionais complementares (Praec´s), a Seduc exigiu que nas escolas em que há déficit de professores em determinadas disciplinas, que os educadores dessas áreas que estão integralmente ou em parte em outras atividades (como laboratórios e bibliotecas) dediquem o seu tempo às salas de aula. No Colégio Albert Sabin, no Jardim Petrópolis, em Goiânia, por exemplo, um professor de Língua Portuguesa e Inglês está trabalhando na biblioteca.

"É claro que eu sei que o laboratório é importante, que a biblioteca é importante. Mas, mais importante do que isso, é saber ler e escrever e saber Matemática. É uma simples questão de foco e de prioridade. Nosso foco tem de ser o aluno e nossa prioridade não vai ser a horta, nem o laboratório, nossa prioridade vai ser ensinar Língua Portuguesa, Matemática e Ciências", diz o secretário.

Mas não é todo mundo que pensa como o novo secretário. As críticas mais ferrenhas vêm dos professores. O POPULAR conversou com professores e diretores de escolas estaduais da capital e do interior e ouviu deles que Thiago Peixoto não se debruçou sobre a realidade de cada escola ao impor o retorno dos professores às salas de aula, sem dar oportunidade de contra-argumentação. "O laboratório de informática, por exemplo, é uma ferramenta pedagógica extraordinária. Nesse mundo tecnológico tão avançado é preciso preparar o nosso aluno para o futuro, deixá-lo mais próximo da realidade do mercado de trabalho. O mundo mudou e a escola precisa acompanhar isso", defende uma professora de Silvânia.

"Ao adotar essas medidas, o secretário não verificou o que ocorre em cada escola. Cada situação é diferente. Os alunos precisam do laboratório de informática para fazer pesquisas para trabalhos e outras atividades relacionadas com o projeto pedagógico. De que adianta ter investido antes na melhoria dos laboratórios se agora eles ficarão subutilizados? Para mim foi um retrocesso", ressalta uma professora de uma escola do interior.

Uma das justificativas dos defensores da presença de professores em laboratórios e bibliotecas é que eles estariam preparados para as funções. "Os professores foram preparados, fizeram curso para isso. Não é qualquer pessoa que pode assumir a função sem gerar impacto para a escola e para o aluno. Os professores que atuam como dinamizadores são essenciais nas atividades", diz uma diretora de uma escola do interior.

O POPULAR verificou que muitas escolas do Estado estão driblando a determinação da Seduc e fazendo os ajustes internos para que professores continuem fora das salas de aula. Ainda não se sabe como a Seduc irá tratar esses casos, mas há a possibilidade de controle das atividades através da folha de pagamento dos professores. "É possível saber cada atividade que está sendo desempenhada e se as determinações estão sendo cumpridas", avisa o secretário.

Sintego cobra valorização profissional

Se quer exigir a volta do professor à sala de aula e valorizar a presença dele no processo de desenvolvimento do aluno, a Seduc sabe que, por outro lado, chegará o momento em que o docente exigirá a contrapartida do poder público. Afinal, não é de hoje que o assunto valorização do educador é colocada em discussão. E ela sempre acaba passando pelo fator financeiro. "Como querem exigir tanto do professor se ele não é bem remunerado para isso", indaga uma professora.

O próprio Sindicato dos Trabalhadores na Educação em Goiás (Sintego) cobra uma política real de valorização. "O professor não tem medo de trabalhar. E não vai ser apenas colocá-lo na sala de aula que vai resolver os problemas. É preciso muito mais. É preciso estrutura. É preciso valorização dos profissionais da Educação. Ele precisa estar motivado", alerta a presidente do Sintego, Ieda Leal. Secretário licenciado da Educação, Thiago Peixoto dá indícios de que tem conhecimento dessa posição e, apesar de lembrar das dificuldades financeiras do Estado, diz que pretende implantar em Goiás o piso nacional dos professores (cerca de R$ 1 mil). "A médio prazo a gente quer até mesmo passar disso", promete.

De qualquer forma, com piso nacional ou não, Thiago Peixoto explica que criará um sistema de avaliação do desempenho dos professores, bem ao gosto da meritocracia que vem sendo tão propagandeada pelo chefe e governador Marconi Perillo. "Vamos criar uma avaliação aqui em Goiás nos moldes da Prova Brasil, na qual verificaremos o desempenho dos alunos. Com isso veremos como está sendo o processo de aprendizagem. A escola que registrar os melhores resultados irá receber bônus por desempenho para ser distribuído aos professores", destaca o secretário licenciado.

Atividades essenciais à educação

Para o educador Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos Pela Educação, as medidas que vêm sendo adotadas pela Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc), das quais ele tem conhecimento e vem acompanhando, têm um objetivo central importante, mas necessitam de muito cuidado.

Ele fala principalmente sobre a exigência do retorno dos professores às salas de aula. "Se o professor estava em desvio de função, fora da educação, tudo bem que seja exigido o retorno imediato. No entanto, é preciso analisar que existem outras atividades, que não a docência, que também são essenciais para o processo educacional. Afinal, a Educação também exige elaboração de projetos e outras atividades semelhantes", opina o professor, que já foi reitor da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) e titular da Secretaria da Educação pernambucana nos anos 2000. Ele alerta que a Seduc goiana precisa se debruçar sobre os casos e avaliar cada um para não ter uma onda contrária de reclamações. "Cada escola tem o seu próprio projeto pedagógico. É preciso pensar nisso. É preciso separar o joio do trigo. Eu tomei medidas semelhantes às que estão sendo adotadas em Goiás quando fui secretário no Pernambuco, onde existia déficit de professores, e tive a preocupação de observar as situações existentes. No final, o resultado foi positivo", argumenta.

Sobrecarga de trabalho e queda da qualidade
Os professores estão na outra ponta da corda que é puxada de um lado pela Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc). As exigências feitas até agora para o retorno às salas de aula estão exigindo jogo de cintura e adaptações daqueles que já retornaram. E, se depender do secretário licenciado Thiago Peixoto, muitos ainda passarão pelo processo, já que o grosso dos mais de 11 mil professores ainda estão por retornar. Um dos casos para ilustrar o processo de mudança em andamento vem de Silvânia. Uma professora com mais de 25 anos na Educação e que estava há algum tempo na atividade principal de dinamizadora de laboratório, teve de retornar à docência nesse início de 2011. O processo não está sendo nada fácil.

Antes, ela dedicava todo o tempo a uma única escola, ainda que dividisse o período trabalhado entre o laboratório de informática (onde ficava mais da metade do tempo) e o complemento na sala de aula. Bióloga e professora de Ciências, Física e Química, ela agora tem de se desdobrar entre três colégios para cumprir a carga de 42 horas/aula semanais. "Foi uma modificação radical. Meus horários ficaram muito apertados. Avalio que o trabalho perde muito a qualidade. Não tenho como me dedicar e vestir a camisa de uma escola só. Isso prejudica demais a relação entre professor e aluno. A tendência é cair o rendimento dos dois lados. Eu fico até tarde e acordo de madrugada para preparar as aulas e nem assim tenho tempo suficiente", justifica.

Além desse caso, há as situações em que professores estavam morando em outras cidades e que foram convocados a retomar às atividades de docência no local em que foi lotado. E, nem sempre, o professor consegue logo de início a sua integração à cidade em que estava residindo. "É um transtorno para a gente. Não é fácil mudar a vida assim", explica uma professora que precisou mudar de cidade.

Questão ampla

O Sindicato dos Trabalhadores na Educação em Goiás (Sintego) considera que o retorno dos professores às salas de aula é uma decisão administrativa da Secretaria da Educação, mas entende que os problemas da educação são bem mais amplos do que isso. "Faltam condições de trabalho para os professores. Há uma sobrecarga de trabalho", salienta a presidente do sindicato, Ieda Leal. Ela salienta que, na verdade é preciso contratar uma quantidade maior de professores e realizar novos concursos para suprir o déficit, que ela não sabe estimar de quantos professores seria. "O que posso dizer é que há uma demanda muito grande na rede pública estadual que precisa ser suprida", completa a líder sindical.

Fonte: O Popular (GO)