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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Pequenos príncipes

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Por Tory Oliveira.
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Eles são agressivos, mimados e mandões. Tudo precisa ser feito para eles e na hora que eles demandam. Tal comportamento, cada vez mais presente em casa ou na escola, faz dessas crianças déspotas mirins, pequenos sem limites que acreditam ser o centro do mundo.  Essa é a visão da psicanalista e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da USP Marcia Neder, autora do livro Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias, publicado pela Editora Zagodoni.
 
Na obra, a psicanalista defende que, com a perda de poder do pai na família, quem ganhou espaço foi a criança. “É no século XX, a partir da despatriarcalização familiar, que a criança passa a ocupar cada vez mais o papel de organizador”, afirma Marcia, que estuda o assunto desde 2006, quando escolheu o tema para sua tese de pós-doutorado.
 
Para ela, os pequenos tiranos são frutos não só da educação dada pelos pais hoje, mas também de um contexto social que coloca a criança como centro do mundo na família. A virada teria começado a partir do século XVIII, quando a mulher passou a representar um novo papel como mãe. O processo, que nasceu como uma campanha pela amamentação dos filhos pela progenitora (e não por uma ama de leite, como era comum), evoluiu para a exigência do cuidado e da dedicação aos filhos em tempo integral. “O século XIX é conhecido pelos historiadores como o ‘século da mãe’, quando se instituiu a imagem da ‘boa mãe’, que deixa a vida mundana para se dedicar aos filhos”, explica.
 
A partir daí, diz ela, a sociedade passou a ter um adulto, a mãe, designado para orbitar em torno da criança. “Isso é uma das grandes sementes do despotismo infantil”, analisa. Além disso, se antes os pais exigiam respeito e obediência, hoje preferem ser amados e aprovados pelas crianças – o que também contribui, ela diz, para a instituição da “pedocracia”.
 
As consequências dessa mudança vão além das birras. Na escola, o déspota mirim desafia os professores e recusa-se a seguir as regras da instituição. A situação é especialmente delicada em instituições particulares, apesar de Marcia defender que o conflito é comum em todas as classes sociais. “O aluno se tornou cliente na escola. Tudo isso desfavorece o professor, que seria o representante do adulto que educa na escola. Se os pais não têm poder dentro de casa, a criança buscará a mesma soberania na escola.
 
Professora de Artes na Educação Infantil em uma escola particular na região do ABC Paulista, Paula Aviles, 31 anos, conta que os conflitos com as crianças mandonas são comuns e começam cada vez mais cedo. “O que a gente percebe é que os pais têm pouco tempo para os filhos e compensam deixando a criança fazer o que quer”, opina. A professora conta o caso de um aluno de 2 anos de idade, agressivo, que destruiu o trabalho feito por outra docente durante um evento na escola com os pais. “A mãe disse que ele não poderia ser contrariado”, lembra. Já outro aluno, de 14 anos, recusava-se a assistir às aulas e ficava de costas para a professora. A justificativa era que ele “não gostava” da disciplina.
 
Os desmandos das crianças refletem-se até mesmo nos presentes que ganham dos pais. “A criança se sente com poder de decisão. Não é o pai que compra o presente, é ela quem decide o que quer. Elas não enxergam os pais como alguém que comanda ou orienta. Ela se vê como igual”, analisa a professora. Para a autora do livro, os efeitos acabam atingindo a própria criança. Em alguns casos, o mandão acaba discriminado no ambiente escolar. Em situações mais extremas, a própria saúde da criança pode estar em perigo. “Eu já vi crianças que precisavam fazer dieta por problemas de saúde e os pais não conseguiam restringir sua alimentação”, relata Marcia.
 
Para a orientadora educacional dos anos iniciais do Ensino Fundamental da Escola Stance Dual, Luciana Lapa, colocar limites e lidar com as frustrações invariavelmente sofridas pelas crianças ao longo da vida escolar têm sido grandes questões para os pais.  O problema se agrava, afirma, quando a criança sai da família, uma instituição privada, e vai para a escola. Ali, passa a fazer parte de um grupo e precisa lidar com a noção de direitos e deveres. “Muitas vezes a criança tem dificuldade de lidar com esses aspectos”, explica.
 
Mas por que é tão difícil colocar limites? Para Luciana, existe um desgaste das relações autoritárias entre pais e filhos, que estão sendo substituídas por modelos mais democráticos de relacionamento. Muitas vezes, porém, os pais passam a acreditar que impor limites significa ser autoritário, e abandonam o papel de estabelecer para a criança o que pode e o que não pode fazer. “A criança precisa de um norte, de saber até onde ela pode ir. Não ter isso pode gerar até insegurança”, afirma Luciana.
 
“A escola convive com os mesmos desafios postos na sociedade”, concorda Giselle Magnossão, diretora pedagógica do Colégio Albert Sabin. Na visão da educadora, vivemos uma crise de autoridade, de regras e de relações com o outro na sociedade, que acaba resvalando na escola. “Temos uma geração de pais que saiu do seu lugar. Não é mais preciso ser opressor para educar para o limite e para o respeito. Esse é o desafio de hoje.
 
As educadoras são unânimes ao apontar que escola e família precisam trabalhar juntas – e no longo prazo – para destronar o pequeno déspota. “Muitas vezes, a criança não tem consciência do que está fazendo. Para ela, aquilo não é errado, é como ela está acostumada a agir”, pondera Luciana Lapa.
Também é importante mostrar quem é o adulto da relação e deixar claro que ele não pode ser desrespeitado. “É importante trazer a família para a discussão”, sugere Giselle, que defende trabalhar a questão dos limites a partir da percepção do outro, em vez de optar por medidas restritivas ou punitivas. “O limite deve ser trabalhado a partir da perspectiva do respeito e da empatia”, conta.
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terça-feira, 29 de julho de 2014

A escolha da escola

por Mariana Cruz
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A proporção que o trânsito da cidade do Rio de Janeiro tomou fez com que muitos pais passassem a ver a “proximidade de casa” como pré-requisito na hora da escolher a creche para os filhos. Cabe, nessa primeira experiência escolar dos pequenos, a sentença "escola boa e escola próxima". Claro que a localização, vista isoladamente, não deve ser o único fator, senão bastava acionar o GPS e pronto: já se sabia em qual lugar matricular o pequeno! É razoável que se faça uma pesquisa nas escolas na região para então optar pela que melhor corresponde às demandas da família.
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Quando chega a hora de sair da Educação Infantil e iniciar o Ensino Fundamental, outros motivos vão ganhando força e até mesmo suplantando o item proximidade no pacote de demandas. Dentre eles podemos considerar o preço (se a opção for o ensino privado, obviamente); qualidade de ensino; tamanho da escola; linha pedagógica; formação dos profissionais e outras tantas razões mais subjetivas. Conheço pais que decidiram colocar o filho em determinado colégio porque os primos estudavam lá; porque a instituição dava desconto para filho de professor; porque tem horário integral ou mesmo porque a escola é bonita e espaçosa. No bairro onde moro, por exemplo, há escolas para diversos gostos e bolsos: há um colégio alternativo que valoriza o trabalho com as artes; há uma escola voltada para o público classe A (pelo preço da mensalidade só pode ser); uma construtivista e três escolas públicas, uma delas de altíssima qualidade. Assim, com um pouco de disposição é bem possível tirar um dia para fazer um tour pelas escolas e ver com os próprios olhos aquela que tem mais a ver com o perfil da família.
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Outro assunto polêmico na hora de decidir o lugar que irá educar seus filhos é conciliar o ponto de vista dos responsáveis. O que fazer se um é favorável a uma educação mais liberal, que prioriza a criatividade do aluno, enquanto o outro valoriza uma educação calcada na disciplina e nos bons resultados nas provas? Muitas vezes optar por um desses extremos pode virar um cavalo de batalha entre os pais, pois qualquer problema que surja na escola – e eles provavelmente surgirão, independente da corrente pedagógica – será pontuado com um "eu não disse!" por parte daquele que teve sua vontade relevada. Assim, uma solução seria achar uma instituição que representasse o meio termo, que satisfizesse, mesmo que em parte, a todos.
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Quando o filho sai da pré-escola, a escolha da nova escola, grande parte das vezes, é feita com o intuito de que ele termine seus estudos lá. Mas se depois de algum tempo os pais acharem que não foi a escolha certa, vale a pena procurar outros estabelecimentos de ensino. Isso não significa que no primeiro obstáculo se deva mudar a criança de colégio, para que depois ela fique pulando de galho em galho atrás de "escola ideal" (até porque, dependendo da personalidade do aluno e das expectativas dos pais, tal lugar pode nem mesmo existir). É inegável que a escola tem grande influência na formação do indivíduo (por escola entendamos a linha pedagógica, a comunidade escolar, corpos docente e discente, espaço físico, quantidade de alunos e tantos outros fatores); daí são diversas as dúvidas que surgem na hora da escolha: o que fazer se o estudante não se adaptar? E no caso de irmãos com personalidades e interesses muito diferentes, vale a pena matriculá-los na mesma escola por uma questão de praticidade ou deve-se colocá-los em escolas distintas? É bom saber que o fato de o aluno estudar em uma instituição que tem grande número de aprovados do Enem não significa que ele será um deles.
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Alguns não se adaptam à rotina pesada de estudos, a um regime muito rígido; acabam se desestimulando, tirando notas baixas, repetindo o ano e até sendo convidados a se retirar. Muitas vezes, se tais alunos estudassem em uma instituição menos rígida, mais afim com seus interesses talvez se adaptassem melhor, obteriam bons resultados nos exames sem a necessidade de ter vivido parte de sua vida estudantil sob tanta pressão. Por outro lado há aqueles que se adaptam à rotina pesada de estudo, gostam de desafios, de cumprir e superar as metas, veem isso como um grande estímulo. Para esses talvez não tenha o menor problema frequentar uma escola bem puxada.
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Entre tantas correntes pedagógicas, como a Waldorf, a montessoriana, a tradicional, a construtivista/estruturalista, a piagetiana e a pragmatista, saber qual a melhor para seu filho não deve ser tarefa muito fácil. E no caso das escolas públicas, como saber a qualidade de ensino daquelas que têm vagas? Em todos esses casos, a dica é informar-se na própria escola, com alunos que estudam e estudaram nela e conhecer o seu projeto político-pedagógico.
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É um tempo que pode ser determinante na vida de seu filho.
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Publicado em 29 de junho de 2014 - In: Revista Educação Pública: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/prosaepoesia/0387.html

domingo, 18 de agosto de 2013

Responsabilidade é dos pais

Foto (O Tempo - MG).
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Por Litza Mattos e Raquel Sodré
Nestes tempos desafiadores em que vivemos, em que o mercado de trabalho exige cada vez mais dedicação de homens e mulheres, é comum a educação dos filhos ser dividida com outras pessoas, como uma babá, os professores da creche ou escola, ou uma avó, por exemplo. O problema é quando, em vez de dividida, a educação é totalmente delegada a terceiros.
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Um dos riscos dessa atitude é de a criança estabelecer vínculos mais fortes com o cuidador do que com os pais, o que pode gerar insegurança e perda da referência de autoridade. “Essas pessoas, muitas vezes, alimentam o medo e o temor das crianças para fazê-las obedecer”, ressalta o professor Francisco Liberato, diretor do Colégio Logosófico em Belo Horizonte.
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O remédio para isso, no entanto, é a participação ativa dos pais na vida dos filhos. “A segurança dependerá de como os pais se relacionam com esses filhos. O que importa não é a quantidade, mas a qualidade do tempo que se passa junto deles”, esclarece a psicopedagoga Ana Cássia Maturano, especialista em problemas de aprendizagem.  Greiciane Cristina Costa, 32, é técnica em enfermagem, trabalha como babá há dez anos e reconhece que muitas profissionais têm, sim, grande influência na vida das crianças. “Como as crianças acabam passando mais tempo com as babás e as enfermeiras elas acabam nos chamando de mamãe, mas sempre corrigimos. Uma boa profissional sabe seu lugar e que pode, inclusive, complementar a educação passada pelos pais”, afirma.
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Em sua experiência, a babá relata que cerca de 80% dos pais não se preocupam muito com os filhos, mas para evitar que qualquer informação importante seja deixada de lado, ela faz um relatório diário da criança. “Nesse caderninho anoto tudo o que a criança comeu e como se comportou”, diz. E, quando combinado com os patrões, as babás também podem dar bronca e ensinar o dever de casa. “A autonomia ou não da babá é combinada no momento da entrevista, porém, sempre podemos corrigir as crianças maiores de 2 anos, colocando na cadeirinha do pensamento”, conta a técnica em enfermagem.
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Parceria. Babás e escolas têm a função de ajudar os pais na criação dos filhos, mas não de agir no lugar deles. Fernanda Senna, 41, preferiu colocar o filho em uma escola quando percebeu a divergência dos valores passados pela babá. “Meu filho estava aprendendo a falar coisas que não era do nosso vocabulário”, diz.
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Segundo Ana Cássia, mesmo com as atribuições do dia a dia, é possível ser participativo. “Aquela uma hora que você tem com a criança à noite pode servir para brincar, mas também para olhar a agenda, por exemplo”, recomenda. Já o professor Liberato acredita que “há necessidade de uma parceria entre a escola e a família. A escola não pode e nem deve substituir os pais”, comenta.
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Fonte: O Tempo (MG)

sábado, 13 de abril de 2013

Pai vai processar professora que expôs aluna na web

JOSÉ MARIA TOMAZELA - Agência Estado
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A professora de história de uma escola particular de Atibaia, a 67 km de São Paulo, postou em sua página na rede social Facebook a prova de uma aluna de 12 anos com correções e comentários. Nas respostas erradas, grafadas com um grande "x", a professora escreveu: "Para de copiar as perguntas como se fosse resposta! Eu escrevi isso, você não vai me convencer!" Apontando respostas erradas também de outros alunos, a educadora fez comentários como "daí a professora é implicante" e "eles que me aguardem na próxima aula". O nome da aluna não foi mostrado, mas colegas da menina reconheceram sua letra. O pai, o empresário Alex Bueno, decidiu processar a professora.
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A prova da estudante com as correções e comentários da professora foi postada na quarta-feira, antes mesmo de ter sido entregue aos alunos. No dia seguinte, diante dos comentários na escola, a professora modificou a página, mas os pais já tinham tido acesso ao conteúdo. Nesta sexta-feira, 12, o empresário registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia da cidade denunciando a professora por suposta infração ao artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Bueno pretende mover uma ação judicial contra a docente. À polícia, ele disse que a filha ficou muito constrangida com uma exposição que o pai considerou desnecessária e inadequada. Segundo o empresário, os assuntos da escola devem ser resolvidos com a própria aluna ou com seus pais.
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De acordo com o empresário, ele optou por uma escola particular para a filha para que ela tivesse um estudo diferenciado. Segundo o pai, o desempenho escolar da garota está dentro do esperado e ela não havia tido, anteriormente, qualquer tipo de problema na escola. A Polícia Civil vai ouvir a professora. O artigo do ECA prevê pena de seis meses a dois anos de detenção a quem "submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou constrangimento". A docente, identificada pela Polícia Civil como Beatriz Cristina Albertini, não atendeu a reportagem.
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O autor da denúncia informou que a escola tomou providências em relação à professora determinando que se retratasse publicamente na rede social. Após tirar a publicação da página, a professora afirmou que não teve a intenção de constranger a aluna, até porque não identificou a autoria da prova. Ela disse que a publicação de "pérolas" - erros grosseiros - dos alunos é comum até mesmo em sites oficiais e servem para avaliar o nível de ensino. De acordo com a polícia, Beatriz será ouvida e só após seu depoimento será decidido se haverá abertura de inquérito.
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Fonte: O Estadão (SP)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Professora acusa escola de omissão em crime de racismo

Por Joana Soars
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Uma criança que sempre teve convicção de que é igual a todos os colegas de sala, de repente, é surpreendida por alguém que fala que ela é diferente dos outros por causa da cor da pele. A pequena D., de apenas 4 anos, agora questiona a mãe se ser negra é "feio". Isso porque a avó de um colega de escola teria reclamado, na frente da menina e de outras crianças da turma, que não gostou de o neto dela ter se apresentado na festa junina junto com uma "preta horrorosa".

O fato, que teria ocorrido no último dia 10, em uma escola particular de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, veio à tona a partir da denúncia de uma professora. A profissional pediu desligamento do colégio e acusa a escola de se omitir em relação à atitude racista. "Como educadora, não poderia aceitar essa situação e me senti obrigada a contar para a mãe da minha aluna e sair da escola", contou a professora Denise Cristina Aragão, 34. A diretora da unidade de ensino foi procurada por dois dias. Ela negou o fato, mas se recusou a dar entrevista.

Os pais da criança alvo do preconceito registraram a ocorrência e decidiram retirar a menina do colégio. "Não posso admitir que insultem minha filha de uma forma tão agressiva. Já sofri muito preconceito por ser negra, mas jamais imaginei que fariam isso com uma criança indefesa", disse a mãe de D., Fátima Adriana Souza, 41, que foi comunicada do ocorrido pela professora. Fátima avisou que irá acionar a autora do preconceito na Justiça. Ela não procurou a escola. Fátima Souza disse que foi orientada por um advogado a não ir ao colégio.

O fato. A garota foi escolhida pela professora para ser a noiva na quadrilha da escola, no último dia 7. O colega, cuja a avó teria feito a declaração racista, formou par com ela na festa.

Segundo a professora Denise Cristina, dois dias após a festa junina, a avó do menino foi ao colégio para reclamar da escolha do par. A professora contou que as crianças estavam assistindo a um filme em uma das salas, quando a senhora chegou gritando: "Você não devia ter colocado aquela negra horrorosa para dançar com meu neto. Tenho certeza de que ninguém quis dançar com ela. Minha vontade era acabar com a festa na hora", teria dito a mulher, segundo a versão da professora.

Ainda de acordo com Denise Aragão, várias crianças presenciaram a discussão e perceberam que a mulher estava se referindo a D. Uma outra funcionária da escola confirmou a história, mas ela preferiu não se identificar por medo de retaliações.


Trauma - Garota fará tratamento psicológico em agosto
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A menina passará por tratamento psicológico em agosto. A mãe dela, Fátima Souza, procurou a ONG SOS Racismo, que vai ajudar a família com assistências jurídica e psicológica. Fátima conta que, logo após o episódio, D. teve crises de vômito e passou a não dormir direito. Segundo a mãe, a menina tem chorado com frequência.
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"A criança não consegue racionalizar a situação, mas apresenta sintomas físicos como o vômito", explicou a terapeuta infantil Simone Lacerda.
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Para evitar o trauma, disse a especialista, qualquer criança nessa situação precisa de apoio familiar para entender que ser negra não é algo que a diferencia dos outros. "D. recebeu de forma violenta o olhar de um adulto preconceituoso".  Segundo a psicóloga, a escola teria um papel fundamental para desfazer a situação. "Seria a hora de educar e esclarecer as crianças sobre o preconceito e deixar claro que houve uma atitude errada". (JS)
.Delegacia - Inquérito. A ocorrência foi registrada na 4ª Delegacia de Contagem. Será aberto um inquérito para apurar as circunstâncias do fato e as partes serão chamadas a depor no próximo dia 8 de agosto.
Minientrevista. "Minha filha tem que ter orgulho da cor dela"
Fátima Souza - mãe da criança ofendida
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Como a senhora soube do que aconteceu?

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A direção da escola não me falou nada. No dia seguinte ao ocorrido, levei minha filha para a aula normalmente e ela vomitou muito na escola. Só depois a professora me procurou e contou que tinha pedido demissão porque a minha filha tinha sido insultada e a escola não tomou nenhuma atitude.
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Como a sua filha reagiu a tudo isso?
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Ela entendeu tudo. Chegou em casa muito inquieta e não conseguia dormir. Quando perguntei se tinha acontecido algo, ela me falou que não queria falar sobre a avó do coleguinha que a xingou. Agora, ela não gosta quando a chamo de ‘nega preta’ porque ela acha que é feio. D. não quer nem pensar em voltar para a escola.
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O que a senhora pretende fazer?
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Fui à polícia e vou entrar com ação na Justiça. Não posso deixar que façam isso com minha filha, que é uma criança linda e feliz. Ela foi exposta diante das outras crianças e só ela é negra. É um absurdo a escola, que tem o papel de educar, se omitir. Minha filha tem que ter orgulho da cor dela. (JS)
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Fonte: O Tempo (MG)

terça-feira, 17 de julho de 2012

Escola fecha turma e deixa crianças sem ter onde estudar


 
Por Natália Oliveira
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Nove alunos do primeiro ano de uma escola estadual de Belo Horizonte correm o risco de perder o ano, já que a turma em que estão matriculados será extinta por ter menos de 25 alunos. A direção da Escola Estadual Desembargador Mário Mattos, no bairro Padre Eustáquio, na região Noroeste da capital, convocou os pais para uma reunião na última sexta-feira e orientou a todos a procurarem outra escola para as crianças, de 6 e 7 anos. Inconformados, eles recorreram à Secretaria de Estado de Educação, que promete entrar hoje no caso. Durante a reunião, os pais receberam uma lista com três sugestões de colégios. As escolas estudais sugeridas pelos funcionários são a Padre Eustáquio, a Pedro Dutra e a Francisco das Chagas Souza de Albuquerque. As duas primeiras ficam no bairro Padre Eustáquio, e a terceira, no bairro Gameleira, na região Oeste da capital. Embora tenha indicado as instituições, a escola não garantiu a vaga dos alunos. Os pais reclamam de que as turmas já estão cheias e que elas ficam longe da atual escola.
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"Não posso levar meu neto para uma escola longe da minha casa e não posso pagar ensino particular. Se a turma fechar, ele vai ficar sem estudar", disse o aposentado Carlos Mota, 78. "Eles nos pediram para buscar o histórico dos nossos filhos e procurar outras três escolas para matricular as crianças, mas não estamos conseguindo vagas", contou a enfermeira Patrícia Vaz, 40.
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Reunião. Com o anúncio da necessidade de desligamento das crianças, os pais se reuniram e foram ontem ao colégio conversar com a diretora, identificada apenas como Rita. Eles foram também até a Superintendência Regional de Ensino Metropolitana B, responsável pela escola.
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Depois da manifestação, a assessoria da Secretaria de Estado de Educação informou que a decisão da direção de fechar a turma sem garantir vaga para as crianças foi equivocada. A assessoria disse ainda que irá impor a adoção de turmas multisseriadas, com a união das crianças do primeiro ano com as do segundo ou do terceiro ano. Nenhum representante da escola quis se manifestar. À espera de uma solução por parte do governo, os pais prometem agir. "Vamos conversar com pais que têm os filhos em outras escolas e tentar trazê-los para a Mário Mattos. Não queremos tirar nossos filhos de uma escola que é boa nem juntá-los aos mais velhos", disse a administradora Damaris Aquino, 40.
Saída - .Especialistas condenam uso de aulas unificadas
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A proposta do Estado para evitar a saída dos estudantes da Escola Estadual Desembargador Mário Gonçalves Mattos é a criação de turmas multisseriadas. Os meninos do primeiro ano, no início do processo de alfabetização, poderão então dividir o mesmo espaço e o mesmo professor com crianças do segundo e do terceiro ano, ambos em estágios avançados. A possibilidade é vista com maus olhos por especialistas.
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"Os alunos do primeiro ano estão iniciando o processo de aprendizagem. Quando são misturados com crianças de séries mais avançadas, uma parte desse processo se perde", disse o professor de pedagogia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Antônio Carlos Gama.
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A coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE-MG), Beatriz Cerqueira, concorda. "Os estudantes já viram conteúdos diferentes e fica muito difícil para os professores conciliarem essas informações", afirmou. (NO)

Fonte: O Tempo (MG)

terça-feira, 26 de junho de 2012

Professora sugere que pais usem cinta e vara para educar aluno

Do G1
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Os pais de um menino de 12 anos acusam uma professora de português de uma escola municipal de Sumaré (SP) de sugerir o uso de 'cintadas' e 'varadas' como forma de educar o filho. Em um bilhete em papel timbrado da Escola Municipal José de Anchieta, a educadora solicita que os pais conversem com o aluno porque o garoto estaria tendo comportamento inadequadro na sala de aula. Em observação escrita à mão, a professora diz que, caso a conversa não resolvesse, a alternativa seria partir para a agressão. "Quer conversar com o seu filho? Se a conversa não resolver. Acho que umas cintada vai resolver (sic)", escreve a professora.
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O texto tem erros de concordância verbal e termina com outra sugestão. "Esqueça tudo o que esses psicólogos fajutos dizem e parta para as 'varadas'", completa o bilhete. A denúncia e a cópia do documento foram enviadas para o VC no G1. De acordo com os pais, o menino, que está na 5ª série do ensino fundamental, tem dificuldade de aprendizado, diagnosticada há cerca de dois anos.
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O estudante iniciou tratamento com psiquiatras e psicólogos para ajudá-lo nos estudos, o que, de acordo com o garoto, virou motivo de perseguição da professora na sala de aula. "Ela fala que eu preciso tomar remédio, que eu tinha problemas mentais e que nunca vou ser nada na vida", relata o garoto. "Eu achei o bilhete um absurdo. Ela mandou meus pais me agredirem e isso não é adequado para uma professora", completa. Depois de receberam o bilhete no começo deste mês, os pais decidiram fazer uma reclamação formal à diretoria, mas a escola não se posicionou a respeito até sexta-feira (22), de acordo com o pai do estudante. "Chegou em um ponto absurdo. Ela (a professora) tem conturbado ainda mais o andamento escolar dele, que já tem dificuldade de aprendizado. A gente sempre soube que ele tinha dificuldade, mas ele sempre esteve lá, estudando", diz o comerciante André Luis Ferreira Lima.
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Os pais dizem que o filho é vítima de bullying. "Coisas que ela deveria falar em um ambiente particular, ela fala em frente aos alunos. A classe toda pega no pé dele, porque a própria professora fica o ofendendo. Não é porque o aluno tem dificuldade que a professora pode rebaixar alguém na sala de aula", conta André Lima. A mãe do garoto, Lucineide Ferreira Lima, conta que o filho pediu para trocar de escola por causa da postura da professora. "Se ele precisa de ajuda, não é com 'varadas' e 'cintadas' que eu vou fazer isso. A ajuda dos psicólogos e psiquiatras tem sido boa, ele tem melhorado e se sentido bem. E é assim que vamos educá-lo", defende a mãe.
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Em nota, a supervisão da Secretaria Municipal de Educação de Sumaré diz que a direção está tomando as providências administrativas sobre o fato. De acordo com a direção da escola, "a professora enviou o bilhete sem o conhecimento do grupo gestor da escola. A regra diz que todo bilhete deve passar antes pela orientação ou coordenação". Ainda em nota, a secretaria afirma que uma psicóloga conversou com todos os professores da 5ª série, inclusive com a professora que enviou o bilhete, mas alega que desde quinta-feira (21), a mãe do aluno não retorna as ligações da escola. Os pais dizem que passaram todos os números de telefones da família, que foram disponibilizados para o contato. O aluno está frequentando as aulas normalmente. A professora também continua lecionando e ainda não foi afastada da função.
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O G1 tentou conversar com a educadora, mas ela não foi encontrada para falar sobre o assunto.
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sexta-feira, 23 de março de 2012

Uniforme inteligente entrega aluno que cabula aula na Bahia

Pore Natália Cancian (22 de março de 2012)
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Desde o início da semana, alunos da rede municipal de Vitória da Conquista, na Bahia, não vão mais poder cabular aulas. Um "uniforme inteligente" vai contar aos pais se os alunos chegaram à escola --ou "dedurar" se eles não passaram do portão.
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O sistema, baseado em rádio-frequência, funciona por meio de um minichip instalado na camiseta do novo uniforme, que começou a ser distribuído para 20 mil estudantes na segunda-feira. Funciona assim: no momento em que os alunos entram na escola, um sensor instalado na portaria detecta o chip e envia um SMS aos pais avisando sobre a entrada na instituição.
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Se, em 20 minutos após o início da aula, o aluno não passar por lá, o aviso muda de tom e os pais recebem a frase: "Seu filho ainda não chegou na escola".

Divulgação/Prefeitura de Vitória da Conquista
Aluna com novo uniforme de escola municipal em Vitória da Conquista (BA), que avisa pais sobre frequência
Aluna com novo uniforme de escola municipal em Vitória da Conquista (BA),
que avisa pais sobre frequência
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Segundo o secretário municipal de Educação, Coriolano Moraes, a ideia é manter os pais informados sobre a frequência dos alunos.
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"Percebemos que muitos pais deixavam os alunos na escola, mas logo saíam correndo para o trabalho e não viam se eles entravam", afirma. "Depois, quando chamávamos para uma reunião, eles ficavam surpresos com o número de faltas dos filhos."
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Agora, a cada três faltas, os pais vão ser chamados à escola para justificar a ausência. Caso eles não compareçam, a instituição pode avisar o Conselho Tutelar e o Ministério Público. Em uma parte dos uniformes, o equipamento fica escondido no brasão da escola. Em outra, fica na manga, camuflado no meio da frase de Paulo Freire: "A educação não transforma o mundo. A educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo".
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A distribuição, segundo Moraes, tem o objetivo de evitar que os alunos descubram um jeito de burlar o sistema --o que, diz ele, é praticamente "impossível" devido a um sistema de segurança do chip.
Ele também diz que a tecnologia é resistente. "Pode lavar, passar e dobrar", diz.
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Ao todo, o valor investido foi de R$ 1,2 milhão. A estimativa é que o sistema funcione para os primeiros 20 mil alunos em até 15 dias. A metade restante deve ser contemplada até 2013.
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Fonte: Folha de Sâo Paulo

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

UFMG avalia bullying com pais e alunos


A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai criar uma comissão para avaliar casos de bullying no Centro Pedagógico da Escola de Educação Básica e Profissional, que funciona no câmpus da Pampulha, em Belo Horizonte. A informação foi divulgada ontem pela vice-reitora Rocksane Norton, que anunciou um seminário, dentro de duas semanas, para explicar os fatos e discutir o tema com os pais dos 630 alunos do colégio.

A vice-reitora se reuniu ontem com representantes de setores da universidade, incluindo dirigentes do Centro Pedagógico e da Escola de Educação Básica e Profissional, para preparar resposta ao Ministério Público Federal (MPF), que fez uma série de recomendações para coibir o bullying no colégio. Em setembro, a prática foi denunciada ao MPF pelo pai de um adolescente que teria sido vítima de agressões, enquanto teria havido omissão da direção. Segundo a diretora do Centro Pedagógico, Tânia Margarida Lima Costa, todas as recomendações já são cumpridas sistematicamente pela unidade de ensino, que atende público de 6 a 15 anos, em nove anos de Escolarização.

O Centro Pedagógico tem prazo de 10 dias, a partir de notificação recebida terça-feira, para entregar o documento ao MPF. As recomendações incluem a realização de reuniões, investigação interna, incentivo à mediação de conflitos, apoio às vítimas de bullying e recuperação psicológica dos agressores e de alunos que assistiram às agressões, incorporação do tema às disciplinas e avaliação dos casos.

“Fazemos tudo isso desde sempre”, disse Tânia Margarida, acompanhada da equipe de pedagogos, psicólogos, coordenadores de cursos e outros especialistas. Desde que começaram os problemas com o adolescente, o diretor de Assuntos Estudantis da universidade, Luiz Guilherme Knauer, se reuniu com os pais do jovem por oito vezes, informou a vice-reitora.

REUNIÕES -  A partir de maio, quando teria surgido um primeiro problema com o jovem, a direção do Centro Pedagógico começou a dar atenção diferenciada ao estudante, embora nenhum professor tivesse conhecimento da prática de bullying nesse caso específico.

“Na primeira reunião pedagógica, os professores foram informados e começaram a ficar atentos”, disse Tânia Margarida. Na sequência, o corpo docente fez um relatório sobre o desempenho do garoto e o documento foi encaminhado ao diretor de Assuntos Estudantis da universidade, Luiz Guilherme Knauer.

“Foram feitas reuniões com os familiares, mas o diálogo foi rompido. Temos um ótimo relacionamento com o conselho tutelar e dois projetos para maior proximidade com as famílias, que são o Dialogando com os pais e Interação”, disse a diretora do Centro Pedagógico, lembrando que o bullying é tratado como tema transversal na Escola, além de haver a disciplina Tópicos Especiais de Práticas Educativas, que aborda a questão.

No pedido de providências, a procuradora regional de Direitos Humanos, Silmara Goulart, destacou que “o fenômeno bullying se caracteriza como uma forma de violência que envolve crianças, jovens e educadores, cabendo à instituição de ensino prevenir, coibir e erradicar tais práticas, sob pena de responderem por sua omissão”.

Ainda de acordo com a instituição, além da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbem qualquer forma de negligência, violência, crueldade e opressão contra crianças e adolescentes, o Brasil também é signatário da Convenção das Nações Unidades sobre os Direitos da Criança, que obriga o país a adotar todas as medidas necessárias para assegurar que a disciplina Escolar seja ministrada de maneira compatível com a dignidade humana.

Fonte: Estado de Minas (MG)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Escola tem segurança, garante polícia

10 de novembro de 2011
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Fonte: Gazeta do Povo (PR)
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A direção da Escola Municipal Cândido Portinari, o Núcleo Regional de Educação (NRE) da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e a Polícia Militar garantiram ontem segurança para os alunos voltarem às aulas, apesar das mortes na Vila Sabará na semana passada. Segundo o comandante do Policiamento da Capital, coronel Ademar Cunha, não há razão para os estudantes não retornarem à Escola.

Pais de estudantes sugeriram antecipar o fim do ano letivo após o assassinato de um aluno a uma quadra da Escola. Loredo Messias da Silva, 16 anos, aluno da 8.ª série, foi morto a tiros no dia 1.º.

No dia seguinte, Maicon Wilian de Lima Patrício, 18, também foi assassinado. Os pais ainda pensam em encaminhar à direção um pedido para terminar o ano letivo. A PM rebate. “Não há necessidade”, afirma Cunha. Ontem, guardas municipais e viaturas da PM circulavam na rua do colégio. Para o diretor do NRE da CIC, Antonio Ulisses Carvalho, já há ações na região e os assassinatos não têm relação com falta de segurança na Escola.

Dois guardas municipais acompanham a entrada e saída dos alunos. A PM também tem deslocado a patrulha em diferentes horários. O coronel prometeu ainda enviar um policiamento de cavalaria para a região.

Apesar do temor dos pais, a frequência dos alunos já está normalizada na Cândido Portinari. Na semana passada, o colégio, que tem 2,2 mil alunos, chegou a ter apenas 700 presentes.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Garoto de 11 anos é agredido por 15 colegas em escola de Betim




Por TABATA MARTINS/KARINA ALVES - 16/06/2011



Um menino de 11 anos foi agredido dentro da escola que estuda em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. A agressão ocorreu nessa quarta-feira (15) no bairro Niterói. De acordo com Maria Félix de Araújo, diretora da Escola Municipal Edméia Braga, durante o recreio, cerca de 15 alunos e a vítima brincaram de “passou levou”, que é uma espécie de corredor em que o participante passa e recebe tapas e socos com o consentimento de todos os envolvidos. No entanto, em dado momento, os 15 alunos empurraram o menino para um canto do pátio, onde ele foi atingido por um chute.

Após a agressão, o garoto não conseguiu levantar e foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Alterosa. Depois de receber os primeiros socorros, o menino foi transferido para o Hospital Regional de Betim, onde foi constatado que ela havia sofrido uma lesão superficial. Segundo a diretora da instituição de ensino, os pais da vítima e dos envolvidos na agressão foram chamados para uma reunião nesta quinta-feira (16).

Os pais do garoto registraram um boletim de ocorrência sobre o caso, que foi encaminhado ao Conselho Tutelar. A agressão também será investigada pelo Ministério Público. Ainda de acordo com Maria Félix de Araújo, outras violências contra alunos já foram registradas na escola que, atualmente, tem trabalhos ligados ao combate dessas práticas que podem ser consideradas bullying.

Fonte: O Tempo (BH).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mãe de aluna de 5 anos agride professora com socos em escola

02 de junho de 2011

TATIANA SANTIAGO - DO "AGORA"

A professora Sônia Maria Mendes, 48, teve o maxilar e o nariz quebrados após ter sido agredida pela mãe de uma aluna de cinco anos em Salto do Pirapora (124 km de SP), na segunda-feira. A agressão foi no estacionamento da escola. "Fui agredida por uma mãe sem saber o motivo. Ela me puxou pelos cabelos, me derrubou no chão e deu vários socos e pontapés", conta a vítima.

A mãe da criança confirmou a agressão e disse que faria tudo de novo. Ela disse que a filha foi empurrada pela professora na última semana. "Ela falou que minha filha não tomava banho", afirmou.

A professora teve de passar por uma cirurgia no nariz e na mandíbula. Funcionários e professores suspenderam as aulas na terça à tarde em protesto. Foram colados cartazes na escola com pedidos de paz. Segunda a professora, que leciona para a aluna desde fevereiro, a criança tem problemas de aprendizado e de entrosamento com alguns alunos da escola.

O delegado Mauricio Orfali ouviu a agressora ontem e disse que deve indiciá-la por lesão corporal grave. A pena varia de um a cinco anos de prisão.

Fonte: Folha de São Paulo (SP)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mãe denuncia alunos fumando narguilé dentro de sala de aula de escola da Unicamp, em SP

Da redação - 27/01/2011

SÃO PAULO - Indignada com a situação, a mãe de um aluno denunciou que estudantes se reúnem para fumar cigarros e narguilé em uma sala de aula do Colégio Técnico administrado pela Unicamp. O caso aconteceu em Limeira, cidade a 147 quilômetros de São Paulo. A mãe decidiu divulgar as imagens dos alunos fumando na sala de aula depois de ter encontrado as gravações no computador do filho.

Fumar em ambiente fechado já é uma infração da Lei Antifumo Estadual, mas o Ministério Público também abriu um procedimento para apurar o caso e vai convocar os responsáveis pela escola para prestar esclarecimentos.

“- A gente não acredita que isso vá acontecer com um filho. A gente procura dar uma boa educação, e dentro da escola você imagina que o seu filho esteja protegido - diz a mãe. "

Segundo ela, com exceção de um homem de cabelos grisalhos e óculos escuros, todos que aparecem nas imagens são menores de idade, inclusive o filho dela, que tem 15 anos.

- Meu filho disse que foram os alunos que combinaram com o professor, mas não sei quem autorizou isso. Meu filho diz que o fumo do narguilé é de frutas, mas a gente não sabe - diz a mãe.

A Unicamp, que abriu sindicância para apurar o caso, ainda não se pronunciou sobre a identificação dos integrantes do grupo. A universidade investiga se o adulto é um dos professores do colégio, que dá aulas de ensino médico e técnico em período integral.

O promotor Nelson Peixoto disse que as atitudes mostradas no vídeo mostram violação do Estatuto da Criança e do Adolescente, já que os menores consomem substâncias prejudiciais à saúde e que podem causar dependência sem conhecimento e consentimento dos pais.

- É uma permissividade que usem substância que causa dependência dentro de um estabelecimento de ensino. Não é o que os pais esperam - diz o promotor.
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Fonte: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/01/27/mae-denuncia-alunos-fumando-narguile-dentro-de-sala-de-aula-de-escola-da-unicamp-em-sp-923615556.asp

sábado, 8 de janeiro de 2011

Diretora nega denúncias de pais

Jornal OTEMPO - 08/01/2011

SAMUEL AGUIAR

Um grande mal-entendido. Foi assim que a diretora da Escola Estadual Francisco Tibúrcio de Oliveira, em Santa Luzia, justificou as denúncias de que estaria recusando rematricular alunos repetentes e indisciplinados. Jussara Barbosa Vieira Silva negou as informações do Conselho Tutelar, que teria registrado 20 denúncias de pais de alunos da instituição de ensino. "A matrícula ainda não foi feita no caso de alunos que não conseguiram aprovação dentro do ano letivo. Eles irão fazer novo exame em fevereiro. Só posso matriculá-los após essa prova. Só, então, poderei saber em qual série vou encaixar cada um deles", disse a docente.

Porém, no início da tarde de ontem, a diretora esteve com o pai de uma aluna que teve a matrícula recusada. Segundo Sirlei Francisco de Souza, ele recebeu a lista de material escolar da filha antes de a jovem fazer a prova de reavaliação. "A diretora voltou atrás. Na última quarta-feira, havia dito que seria bom minha filha ficar em casa um ano sem estudar", contou. Sirlei, no entanto, não recebeu nenhum comprovante de matrícula.

Questionada, a diretora negou que exista na escola grande incidência de alunos indisciplinados e/ou repetentes. Ao solicitar números de alunos que já tomaram bomba, a reportagem foi informada de que, dos 1.600 alunos matriculados no colégio, 10% já repetiram alguma série. O alto número de repetentes causou estranheza a Maria Jósima Dias Azevedo, assessora da Superintendência Regional de Ensino Metropolitano C, órgão ligado à Secretaria de Estado de Educação (SEE). "É mais difícil tomar bomba do que passar de ano. Estou decepcionada", desabafou.

Desconhecimento. A diretora disse que, no ano passado, precisou acionar o Conselho Tutelar apenas algumas vezes, em casos de agressão ocorridos dentro da escola. A pasta do governo responsável pela educação, porém, não sabia de nenhuma das ocorrências. Em 2010, a superintendência recebeu formalmente, da Escola Estadual Francisco Tibúrcio de Oliveira, sete comunicados. Nenhum deles relatava violência na instituição ou entre os alunos e professores.

No entanto, segundo a própria diretora, um aluno da 6ª série foi levado à delegacia após brigar com uma educadora. A mãe dele o acompanhou e teve que ser algemada por desacato. Dois policiais militares foram acionados por funcionários e outros dois policiais civis foram chamados pela docente, que é casada com um deles. No ano anterior, uma menina soltou uma bomba dentro da unidade de ensino.

As informações do Conselho Tutelar de que houve migração de alunos do colégio Francisco Tibúrcio para outras escolas da região foram confirmadas pela diretora. Segundo ela, houve aumento significativo de transferências: 40 ao todo. Mas todas as demandas, de acordo com Jussara, foram solicitadas pelos pais.

ENTREVISTA

"A escola está aberta a todos os alunos"
Diretora
É verdade que você tem se recusado a matricular alunos repetentes? É mentira, nossa escola é pública e aberta a todos, não tenho nada contra ninguém. Houve um mal-entendido.

Mas há várias ocorrências no Conselho Tutelar registrando isso. Eu desconheço esses casos. Sei de apenas três vezes em que foi necessário acionar conselheiros.

Quando é necessário acionar o Conselho Tutelar? Em casos de violência, agressão e ameaças envolvendo alunos, mas isso é raro.

Alguns pais também afirmam que você os orientou a procurar outra escola para seus filhos. É verdade? Houve muita transferência no ano passado, umas 40, mas foi demanda dos próprios pais. (RRo)
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Comentários

08/01/2011 - 10h48 - Eugênio Leite - Palmeira dos Índios - Alagoas
Prezada Diretora, você está certíssima, aluno insubordinado, mal educado, respondão, bagunceiro tem que ficar fora da sua escola mesmo... Parabéns, não aceite mesmo. Quem tem que educar é pai e mãe, escola é para aprender a ler, escrever, socializar, desenvolver; você não é obrigada a aguentar aluno "endiabrado", "encapetado", "demoniado", filho de pai ignorante e mãe burra. Tô contigo e não abro. Se precisar de mim, conte comigo. Pau neles mesmo e ponto.com e ponto.br.

Ivone - Diamantina
Já fiz meu comentário a respeito dessa reportagem, mas não resisto a expor novamente meu ponto de vista. Esta reportagem foi e continua tendenciosa. Vejam o "belo" exemplo da mãe que foi acompanhar o filho à delegacia e saiu ALGEMADA, por desacato. Imaginem o filho dessa Sra., misturado a outros tantos desse nível. Não compreendi o espanto da Sra. Maria Jósima, assistente da Superintendência, quando se diz espantada com o alto índice de reprovação. Infelizmente não é mais fácil tomar bomba do que passar de ano, mais fácil, é camuflar a realidade da educação e "empurrar" esses alunos para mostrar que "Minas avança" na educação.

Claudio n. Silveira - BHTE/MG
IVONE, PARABENS PELO COMENTARIO. MUITO BEM A CALHAR.

08/01/2011 - 10h52 – Luma - Belo Horizonte
Parabéns a diretora, não mude sua atitude em relação aos pseudoalunos, mantenha-se firme, a SEE e o ECA não conhecem a realidade das escolas, só criticam os educadores sem verificar quem são (quando tem) pais esses "seres" que apenas prejudicam a escola! Se nem os pais se respeitam, como os filhos vão respeitar alguém? Esses pais deviam se envergonhar dos filhos que colocam no mundo!

08/01/2011 - 10h04 – Alexandre (BH)
Não sei se há realmente abuso da diretora. Mas já se nota que abuso de alguns alunos e pais. Certamente nesta escola alunos pensam duas vezes antes de agredir a um professor. Lamentável é a postura "progressista" da representante da SEE. Vamos parar com esta coisa que o agressor é a vitima sempre. Cada um que faça sua parte cumprindo a lei!

08/01/2011 - 09h53 – Rogério - Belo Horizonte
Parabéns Senhora Diretora, não preciso nem ler a matéria e tenho certeza que a Sra. está com a razão.

08/01/2011 - 09h11- Virgínia – BH
Isso é direito de resposta? Cadê a democracia? A reportagem continua tendenciosa. Investiguem a vida dessa mãe que saiu algemada da escola e do filho dela .Aí sim, vou dizer que o jornal é democrático. PARABÉNS DIRETORA!

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias

domingo, 19 de dezembro de 2010

ATOS DE VIOLÊNCIA NÃO NASCEM DO NADA

João Batista Libânio* - 19 dez. 2010

A mídia surpreendeu-nos, em semanas passadas, com dois crimes horrendos em Belo Horizonte, cometidos às claras, de violência e estupidez inauditas. Na Faculdade Izabela Hendrix, um aluno esfaqueia mortalmente um professor. No coração da Savassi, um grupo espanca um jovem até a morte. Cena filmada e lançada na internet.

Há dois olhares. O primeiro dirige-se automaticamente sobre os criminosos. Os adjetivos se sucedem: enlouquecido, perverso moral, transtornado psiquiátrico, abrutalhado etc. Todos eles encerram certa verdade. No fundo, o cerne do ser humano - a liberdade e a responsabilidade - se esconde sob a capa da doença psíquica. Não nos toca julgar, em última instância, o nível de real culpabilidade. Cabe só a Deus e ao fundo da consciência humana, embora essa, não raro, tenha perdido muito de sua força culpabilizadora por causa da cultura presentista e de desprezo e desvalorização da vida.

O Judiciário segue trâmite próprio. Seu juízo possui, para contornos civis, caráter de última instância. Mas tudo isso se vê envolvido por questões maiores e mais graves. Aí vamos. Não esqueçamos naturalmente a dor horrível que assola tanto as famílias das vítimas como a vergonha horrorosa das dos criminosos.

Por que jovens, aparentemente sadios e de nível social bem assentado, chegam a esses extremos do crime? Talvez nos tenha chocado mais a cena do espancamento do jovem torcedor por um grupo de criminosos. Já não se consegue encontrar um perturbado individual, mas estão vários a perpetrarem o mesmo crime. Deslizamos claramente para o lado cultural.

Um ato desse não nasce do nada. Rapazes que cheguam à brutalidade "inocente" de divertir-se no crime refletem câncer social de extrema gravidade. Basta observar o significativo pormenor: os criminosos saíram para a razia de uma casa de shows onde assistiram a campeonato de luta livre e fazem parte de torcida organizada e violenta. Deixemos de lado a causa mais importante e preocupante de tal cultura bruta juvenil: a falta de cuidado, de educação de valores, de limites na família. Os pais acordam tarde quando veem os filhos já envolvidos em crimes e processos. Omitiram-se nos anos decisivos da infância ao permitirem tudo aos filhos e ao não lhes darem o verdadeiro antídoto do crime: cuidado e carinho nos primeiros anos de vida.

No caso bem concreto dos torcedores, está em jogo a crescente perversão do esporte na atual cultura. Saiu do verdadeiro lugar do lazer para transformar-se em comércio descarado por parte dos clubes e de muitos jogadores e em fanatismo inconcebível e estúpido por parte de torcedores. Estes sofrem, arriscam a vida até o crime por lutarem por um time que só se interessa pelo lado financeiro.

Há ingênua e manipulada irracionalidade ao se absolutizar afetivamente a vinculação com um time. Um mínimo de lucidez percebe a tolice de transformar um objeto de divertimento em causa de vida e morte. Voltemos ao futebol-arte. A arte alegra, humaniza, extasia. A paixão cega e degrada.


* - É articulista do Jornal O tempo (BH)


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

NOTÍCIAS...

Criança de 8 anos é baleada dentro de escola e morre

Tiro teria sido disparado acidentalmente por colega que levou a arma para o Colégio Adventista, em Embu das Artes

Portal R7, com Agência Record - 29 set. 2010

Uma criança de oito anos morreu, por volta das 13h30 desta quarta-feira (29), após ser baleada dentro da escola em que estudava. O caso aconteceu no Colégio Adventista, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. A vítima foi atendida por policiais militares, que a levaram ao Hospital Family. No entanto, ela não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do local. O diretor do hospital afirmou que um colega do colégio do garoto levou a arma para a escola e a disparou acidentalmente.

Em contato com a administração do colégio, às 14h45, a mantenedora disse à Agência Record que apenas o pastor Carlos Enoque poderia falar sobre o assunto. Por telefone, ele confirmou à reportagem que houve um acidente envolvendo uma das crianças do local, mas ainda não sabe dizer as circunstâncias da morte. O tio da criança, Miguel Sestário dos Santos, afirmou que os familiares da vítima estão no hospital. Ele não soube dizer se os disparos foram dados por um colega do garoto. A ocorrência será registrada no Distrito Policial Central de Embu das Artes.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/brasil/crianca-de-8-anos-e-baleada-dentro-de-escola-e-morre-1.17932

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

NOTÍCIAS...

Pais e escola trocam acusações após bullying

Carolina Stanisci - Estadão.edu, 20 set. 2010

Ter as bochechas apertadas, ser beliscado e até virar alvo de gozação de toda a turma, até certo ponto, fazem parte dos percalços da convivência escolar. Mas e se a “brincadeira” é colocar a cabeça dentro do vaso sanitário e enfiar a língua dentro d’água, como L., de 9 anos, fez a pedido de alguns colegas?

Pais e direção não souberam como agir no caso do aluno do 4.º ano do ensino fundamental da tradicional escola particular Ofélia Fonseca, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. A história de L., assediado por colegas há um ano, provocou um jogo de empurra de responsabilidade entre família e escola. Quando soube do episódio, a mãe de L., a jornalista Ana Paula Feitosa, de 38 anos, ficou muito nervosa e também incomodada com a falta de ação da escola, onde seu ex-marido havia estudado. “Fiquei sozinha nessa história. Achei um descaso”, conta ela, que diz ter procurado o colégio por várias vezes no último ano para tentar dar fim às chacotas contra o filho.

O dono do Ofélia Fonseca, Sergio Brandão, afirma que foram “tomadas as medidas” e diz estar “tristíssimo” com o caso, que culminou na transferência de L. e na expulsão de outro colega, supostamente um dos algozes. “Foi como perder um filho.” Para Brandão, a fragmentação das famílias, com pais ausentes, atrapalha o ambiente escolar. “Às vezes, as crianças chegam chateadas e têm atitudes imprevisíveis. Elas não dão problema. Os adultos, sim.”

A história de L. não é um caso isolado de bullying em escola particular. Com medo da repercussão negativa, os colégios em geral abafam os episódios. Os pais, preocupados com o estigma, escondem a situação. Ana Paula preferiu inverter a lógica do silêncio. Para se livrar da angústia que não passava, decidiu contar a história de seu filho. “Ele sempre foi fechadinho, imaturo e quietinho; é filho único. Mesmo assim, nunca achei que fosse acontecer com ele. Agora, sempre alguém vem com um caso para me contar.” Para especialistas na área, a jornalista e o pai do menino, o técnico em eletrônica Marcelo Cortelazo, de 37 anos, agiram corretamente ao dividir a experiência com outras pessoas. A psicóloga Lídia Webber, do Núcleo de Análise de Comportamento do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, diz que não é possível esconder esse tipo de situação.

A psicóloga considera saudável que o tema seja amplamente discutido pela sociedade. As escolas, tanto particulares como públicas, diz Lídia, não têm conseguido adotar estratégias eficientes para dar conta da violência entre as crianças e adolescentes – e ela tem se intensificado.

“Lá fora, o bullying é tratado na base da tolerância zero”, diz Lídia. E isso não significa que as crianças sejam punidas pelo Estado. Ao contrário, ao menor sinal de que algo anda mal, providências intensas são tomadas, envolvendo pais e direção. “O menino que faz o bullying tem de sofrer consequências, dentro da escola”, diz.

Para Miriam Abramovay, coordenadora de pesquisas da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), o acompanhamento escolar cuidadoso e constante é necessário. No caso do Ofélia Fonseca, as medidas para sanar a situação de L., como conversas entre as crianças, para que elas se conscientizassem sobre o assunto, foram tomadas. “A escola, muitas vezes, faz alguma coisa. Mas essas ações precisam de tempo para amadurecer”, diz Cléo Fante, pedagoga da ONG Plan.

Legislação. Na opinião de alguns especialistas, parte da confusão sobre o que fazer ao se deparar com um caso de bullying na escola particular ocorre porque ninguém tem muito claro como agir. Há lacunas na legislação e faltam políticas específicas. “Não existe na esfera federal uma política pública sobre isso”, diz Cléo. Projetos de lei tramitam no Congresso, tanto no sentido de prevenir a violência na escola como para criminalizar condutas. Um deles foi aprovado em julho pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e alteraria a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). A proposta tem o objetivo de acabar com a “exclusão do aluno do grupo social, a injúria, calúnia e difamação, a perseguição, discriminação e uso de sites e redes sociais para incitar violência”. No Estado de São Paulo também existe um projeto de lei. Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram aprovadas normas nesse sentido. Políticas públicas também foram adotadas pela Secretaria Estadual de Educação paulista, como o Prevenção Também se Ensina.

“Os programas têm diminuído muito os casos de bullying”, diz Jurema Reis Corrêa Panza, coordenadora do departamento de educação preventiva da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, ligada à secretaria. Nem todos, porém, apostam em políticas públicas antibullying, como Arthur Fonseca Filho, do Conselho Estadual de Educação de São Paulo. “O melhor é que cada escola resolva a situação”, afirma.

Depoimento - ANA PAULA FEITOSA (MÃE DE VÍTIMA DE BULLYING)

“Ele me ligou na quinta-feira (há duas semanas) e contou que tinha feito uma brincadeira ‘verdade ou desafio’ e teve de lamber a privada. Eu perguntei a ele por que fez isso e ele disse: ‘Mãe, você não está entendendo, eles iam me fazer dançar a dança da galinha.’ Gritei tanto ao telefone, não acreditei e chorei muito.”

Definição do termo - ‘Bullying’ é empregado para designar a agressão física ou psicológica entre colegas, que ocorre repetidas vezes, sem motivação concreta.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,pais-e-escola-trocam-acusacoes-apos-bullying,612512,0.htm