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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Formação de docentes é ineficiente, conclui pesquisa

Cerca de 70% das ações de municípios, Estados e do governo federal voltadas a atividades de qualificação de Docentes no exercício da rede pública brasileira no exercício têm baixa eficácia. Essa é a principal conclusão do estudo "Formação Continuada de Professores no Brasil", produzido pelo Instituto Ayrton Senna (IAS) e Boston Consulting Group (BCG), que ouviu cerca de 3 mil Professores, diretores de Escolas, gestores de secretarias de Educação e acadêmicos.
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A principal mensagem do documento sugere que avançar na formação continuada dos 2 milhões de Professores em atuação nas redes municipais e estaduais é a opção "mais acionável", um atalho, para melhorar a qualidade da Educação brasileira. Nas entrevistas, os Docentes elencaram seis problemas nas políticas atuais de formação continuada: falta de incentivos formais (ajuda de custo), falta de tempo, problemas de conteúdo, falta de prioridade, desalinhamento das ações de formação com plano de carreira, e alta rotatividade.
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Dos pontos levantados pelos Professores, Daniela Arai, analista de projetos de Educação e desenvolvimento do IAS, diz que o mais preocupante é a "desconexão" entre as atuais práticas de formação e a realidade do cotidiano dos Professores na sala de aula. "Não há ações customizadas e práticas, relacionadas com o dia a dia da sala de aula, resultando em ações de baixa eficácia. Mentorias foram relatadas por menos de 2% dos profissionais brasileiros, mas são consideradas as mais eficazes em redes de Ensino nacional e estrangeiras consideradas referência", avalia Daniela.
Diante do diagnóstico apresentado pelo estudo do IAS e do BCG, o ministro da Educação, José Henrique Paim, reconheceu que a formação continuada e inicial de Professores no Brasil é o maior gargalo do setor atualmente. "É preciso priorizar políticas que aproximem as necessidades do Professor no trabalho e de sua formação ao longo da carreira", comentou Paim.
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O ministro também disse que sua gestão prioriza a formação Docente e que o MEC está reorganizando o financiamento público dessa área. "Boa parte dos recursos do ministério vai para formação inicial [bolsas de estudo para Alunos de pedagogia e licenciaturas]. Os recursos que temos no MEC sofreram ao longo dos anos vários processos de reorientação", acrescentou o titular do MEC.
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Paim citou o exemplo do [Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), lançado em 2012], que tem como eixo a formação continuada de Professores para atingir o objetivo alfabetizar plenamente crianças até o fim do terceiro ano do Ensino fundamental. "O estudo do IAS não contemplou o Pnaic, que trabalha justamente com o foco na formação continuada para a Alfabetização. Estamos no meio de um processo, a organização do sistema de formação é resultado de um diagnóstico que está sendo feito, esse estudo ajuda", completou Paim.
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Douglas Woods, executivo do BCG, diz que o Brasil precisa de atividades mais eficazes de treinamento. "As iniciativas de formação têm que ser mais práticas e menos teóricas, acontecer de fato dentro da sala de aula."
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Fonte: Valor Econômico e Todos pela Educação

quarta-feira, 27 de julho de 2011

POR UM COLETIVO DA EDUCAÇÃO INFANTIL DA REGIÃO METROPOLITANA DE BH



No dia 20 de junho aconteceu uma reunião na UMEI Alaíde Lisboa que contou com a presença de 230 pessoas indignadas com a fala desrespeitosa da secretaria de educação em relação à educação infantil. Na ocasião foram elaboradas propostas de encaminhamentos para a luta em defesa da educação infantil e pela unificação da carreira docente de BH.
No dia 29 de junho aconteceram no SindREDE/BH reuniões de representantes de UMEIS e escolas de/ com turmas de educação infantil que definiram por um dia de greve: 05 de julho. Posteriormente, esse dia foi ampliado para o conjunto da categoria a fim de cobrar da PBH o envio do projeto de reajuste para a Câmara Municipal. A greve contou com 90% de paralisação da educação infantil. A porta da PBH e a Praça Sete foram ocupadas por adultos e algumas crianças para exigir do prefeito respeito às professoras da educação infantil e o pagamento do reajuste proposto no início do ano. Ao final do ato uma comissão de professoras da educação foi até a SMED entregar pessoalmente à Sra. Macaé os projetos pedagógicos elaborados e desenvolvidos nas UMEIS e escolas de/ com turmas de educação infantil.
Avaliamos que a mobilização da educação infantil foi fundamental para expor a política de desvalorização das professoras desta etapa da educação básica. Diversas cartas redigidas por pais, mães, sindicatos e academias, estão circulando pela cidade e internet em apoio ao trabalho realizado na educação infantil de Belo Horizonte, manifestando a indignação da cidade diante da discriminação das professoras. A mobilização, da educação infantil e outros segmentos da educação, pressionou o prefeito a enviar o projeto de reajuste salarial para a Câmara Municipal, encaminhado no dia 07 de julho. E é com esta mesma mobilização que esperamos continuar lutando pelo reconhecimento salarial, político e pedagógico do trabalho desenvolvido diariamente nas UMEIs e escolas de/ com turmas de educação infantil. Para garantirmos uma articulação política mais ampla, acreditamos ser necessária a constituição de um espaço coletivo permanente de elaboração política, para garantir propostas concretas de intervenção nos rumos da política da educação infantil para a cidade em termos da unificação da carreira do educador infantil ao do professor e garantia à educação das crianças pequenas da cidade. Esse espaço não é uma instância sindical, que permanece sendo essencial na luta. O sindicato, locus de organização da categoria, através das reuniões de representantes de escolas, UMEIs, assembléias e congressos, é um dos agentes na luta pela educação infantil. Mas, há também pulverizado pela cidade outros espaços já institucionalizados: luta das mulheres (Marcha Mundial de Mulheres, Movimento de Luta pró-creche); Conselho Municipal de Educação e de Direitos da Criança e do Adolescente; Conselhos Tutelares; Defensoria Pública; Fórum Mineiro de Educação Infantil; Partidos Políticos; Câmara Municipal e Assembléia Legislativa; entre outros. Reunir e discutir com todas as pessoas que tem acumulo na área da educação infantil é neste momento importantíssimo na nossa luta.
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Pretendemos constituir um espaço de elaboração política para intervirmos, diretamente, nos debates da educação infantil na cidade, dialogando com o setor público da região metropolitana e o setor privado do sistema municipal de educação de BH, assim como com as universidades (UEMG, UFMG), os sindicatos (SindREDE/BH, SINPRO, SindUTE/MG), os movimentos sociais, em especial as mulheres que lutam por creches.
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Por isso, no dia 11 de julho fizemos um primeiro encontro organizativo e definimos por chamar uma reunião para o dia 04 de agosto, a partir das 18 horas, na UMEI São Gabriel, para ampliarmos essa discussão. Nesta reunião vamos conversar sobre o funcionamento deste Coletivo da Educação Infantil, nossa política, ações e a agenda de intervenções do período. Precisamos divulgar encaminhamentos já realizados neste mês de julho e propor ações para o próximo período:
1) Ações Políticas
a) Seminário sobre Regimento Escolar - agosto/setembro;
b) Ação na Ciranda da Infância - 02/09;
c) Ação na Audiência do Conselho Municipal de Educação - 06/10;
d) Criar um link nos blogs "Cartas para a Macaé" para divulgarmos todas as cartas que chegam às escolas de apoio a nossa luta
2) Ações Formativas
a) Curso de Formação sobre Plano de Carreira (estamos aguardando o retorno do Núcleo de Educação Infantil da UFMG)
b) Curso Arte na Educação Infantil (Cristina Borges esta em contato com a professa Rosvita da UEMG)
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Nossos desafios são muitos e precisamos de todas na luta. Venham participar do Coletivo da Educação Infantil da Região Metropolitana de BH.
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Esperamos vocês no dia 04 de agosto, quinta-feira, às 18 horas, na UMEI São Gabriel.
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Para chegar é fácil:
a) metrô São Gabriel, pegar integração 810 ou 811, descer na Praça do Epa; na região da Pampulha pegar S53, descer na Praça do Epa;
b) na região do Barreiro tem o 8350 (passa pela BR), pode descer na PUC, primeiro ponto, e seguir a pé ou descer na Estação São Gabriel e pegar o 810 ou 811 e descer na Praça do Epa;
c) da UMEI Carlos Prates, pegar 3503 (descer na Praça do Epa) ou 3502 (pedir para descer perto da E. M. Osvaldo França Junior).
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Assinam:
Antonieta - UMEI Carlos Prates
Cristiane - UMEI São Gabriel / EMOFJ
Cristina Borges - UMEI Ouro Minas
Consolação - EMCRT e FaE/UEMG
Daniela - UMEI Alaide Lisboa
Jacinta - UMEI Carlos Prates
Thais - UMEI São Gabriel
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Enviado por Consolação

quarta-feira, 7 de julho de 2010

ENTRE A LEI E A ORDEM: por uma polícia pedagógica

Lúcio Alves de Barros*

O debate sobre a emenda à Constituição que torna obrigatório o título de bacharel em direito para oficiais de carreira da Polícia Militar de Minas Gerais tem esquentado os meios policial e político. Há tempos já se sabe que as polícias de alguns estados da federação exigem tal diploma, o que na verdade, não se sabe é se adiantou alguma coisa. O curso de bacharel em direito para oficiais, entretanto, não passa de falácia, de uma guinada em favor de melhores salários ou ganho de campo no jogo contra a Polícia Civil que tem seus delegados formados neste curso.

Não vou discutir a eficácia da medida, tampouco porque ela em si, provavelmente, não vai mudar nada. Neste sentido, minha análise é somente para tatear esse campo repleto de interesses difusos e que, por vezes, é melhor olhar de longe, pois tal como se diz na polícia, “a corda arrebenta sempre para o lado mais fraco”, “muxiba não deve se meter a ser bola de futebol” e “rio com piranha, jacaré nada de costa”.

Em tempos de “jabulani”, vale tecer pelo menos alguns comentários. Em primeiro, não é possível que depois de tantos avanços na política de segurança pública apareça uma proposta tão sem lugar como esta. A polícia por definição é a força legítima do Estado que atua na discricionariedade. Talvez seja esta uma das mais interessantes artes da polícia. Atuar no “improviso”, na “moral”, no “espírito do momento”, na liberdade de agenda, na “hora” e no “depois”. Trata-se de um poder não mensurável, de um saber técnico que tem por sustentáculo a experiência e a legitimidade estatal. Aprende-se a ser polícia na prática e não na teoria. Logo, é um retrocesso achar que os policiais formados em direito, mesmo os oficiais, vão utilizar o Código Penal, a Constituição, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) ou mesmo o Estatuto do Idoso para resolver algum problema. Até porque, já e de conhecimento público que dificilmente vamos ver um coronel dentro de uma viatura em momentos de ação.

Em segundo, a PEC 59/2010 (em pauta para votação em primeiro turno na Assembleia Legislativa) peca em outro sentido. Nada contra o curso de direito, até porque há anos frequento as salas de aula de graduação e pós-graduação e tenho a ciência de como os estudantes são formados, mas seria bom a instituição e as autoridades, por exemplo, sugerirem o curso superior em pedagogia, em psicologia ou mesmo em antropologia. Mais de uma vez já disse que a maioria das ações que a polícia faz é de cunho social, um trabalho terapêutico que tenta cuidar de um consciente e inconsciente coletivo, por ver vezes, em anomia. Certa feita, um policial experiente afirmou que “a polícia trabalha como um curativo, haja vista que o Estado não sabe lidar com a vacina”. Estou longe de erro em salientar que já temos uma organização com muitas dificuldades em atuar como tal e, formados ou não em curso de direito, ainda vamos lidar com curativos esperando a vacina do Estado o qual não se preocupa com a causa das doenças e sim com os sintomas e consequências. Acrescenta-se neste tópico a questão do controle dos sintomas, pois se eles ainda não mataram o corpo social é porque ele se mantém vivo independentemente dos remédios oferecidos pelo campo jurídico. Os indivíduos optam pela ordem e não pela constante sensação de perigo, desconfiança e custo. Logo, apostar em um curso que, por definição, se apega ao campo normativo, ainda mais em tempos de “técnica jurídica” em detrimento da jurisprudência, é perigoso. Teríamos, no limite, oficiais em busca de delitos que, guardadas às devidas proporções, não são produtores de desordem, tampouco contrários à justiça que, no Brasil, é privilégio dos estamentos mais abastados e atrelados ao Estado.

Em terceiro, é preciso apontar para a necessidade de quem irá vigiar os futuros “doutores” fardados. A Polícia Civil, de uma forma ou de outra, ainda serve como um poder regulador da Polícia Militar. Até hoje sabemos que elas não falam a mesma língua e não é problema caminhar institucionalmente na diferença. Falar diferentes línguas é saudável para relações de tolerância, respeito e diversidade. No meio jurídico é conhecido os conchavos, os corporativismos e o tecido relacional (para lembrar Roberto DaMatta e Roberto Kant de Lima) que atuam em defesa de recursos, privilégios e distinções. A cultura brasileira, em micro-relações nas subculturas organizacionais se reveste de novo perfil e o resultado pode ser dramático e complicado. Por outro lado, seria interessante delegados e oficiais discutindo os imperativos da lei em um mundo sedento por justiça e paz.

Em quarto, é forçoso argumentar que não é preciso ser bacharel em direito para ser polícia, principalmente uma polícia ostensiva que tem por função a manutenção da ordem e da paz. O poder de justiça está no judiciário e a Polícia Militar, como força armada do executivo não tem porque misturar atribuições. Na verdade, isso nem é preciso, pois a Polícia Militar está mais aparelhada que a Polícia Civil. Ela tem um maior contingente, faz dobradinha com os bombeiros e está avançada no uso de tecnologias e mobilização social. O que falta à Polícia Militar é justamente um curso superior de pedagogia ou de serviço social. Imaginem policiais pedagogos, responsáveis por levar “segurança social” e não somente a famosa segurança objetiva e subjetiva à sociedade. Imaginem policiais críticos e capazes de educar as crianças, os adolescentes e jovens. Pensemos policiais treinados em lidar com adultos recalcitrantes e mulheres apavoradas pelo marido violento e espancador. Certamente teríamos policiais educadores, generosos, com compaixão, sede de justiça, capacitados em defender os oprimidos e capazes de defender o cidadão não somente das forças hostis dos que estão longe da lei, mas da ação penal e dura do Estado de Direito, forjado na hierarquia, colonização, machismo e autoritarismo. Em democracias a função da polícia, inclusive da “polícia comunitária”, é pedagógica e não jurídica ou militar. Os estados que levaram este projeto a contento (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Piauí e Distrito Federal), não aparecem como exemplo. Se existe o interesse em agregar valor à profissão seria adequado à polícia mineira exigir cursos superiores capazes de lidar com a negociação, com a proximidade, com a educação, crítica e “segurança social” dos cidadãos. Obviamente, tais atributos não de uso exclusivo do curso de direito (o qual, historicamente, carrega certas distinções neste país) e estão presentes na psicologia, geografia, história, sociologia, pedagogia, economia, comunicação...

Finalmente, é impossível deixar de mencionar a perigosa armadura jurídica que pode estar crescendo na instituição. À deriva e longe de debates com a sociedade ela me parece refém ou cúmplice de um estado penal. Refiro-me à busca incansável do Estado pelos já conhecidos suspeitos, os quais andam de lá para cá no mundo das drogas ou nas zonas quentes de criminalidade. O movimento institucional me lembra a ideologia “Lei & Ordem” que criou fama na política criminal dos Estados Unidos da América. Sob a roupagem da igualdade e da liberdade a política em apreço tratou de limpar a cidade com a justificativa ideológica da punição da mendicância, da prostituição e da juventude transviada. Neste caminho, estamos a um passo para marcar - novamente - a ferro e fogo a população pobre, negra e sem direitos que vegeta historicamente nesse país. Apostar na política da lei e na judicialização da polícia que tampouco deveria ser militar é alimentar uma ideologia que, por lógica, é punitiva e segregadora. Mais que isso, é justificar no imperativo da lei o que já se percebe no dia a dia e talvez criminalizar, punir e prender aqueles que, por ingenuidade, desconhecimento, azar, ignorância e diferença estiveram sempre distantes dos órgãos da justiça.

* é professor da Faculdade de Educação da UEMG. Autor do livro, Fordismo: origens e metamorfoses. Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP, 2005 e organizador das obras, Polícia em Movimento. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006 e Mulher, política e sociedade. Belo Horizonte / Brumadinho: Ed. ASA, 2009.