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quinta-feira, 28 de março de 2013

PF apura denúncia de discriminação racial contra índios em escola do Mato Grosso do Sul

O Ministério Público Federal (MPF) de Mato Grosso do Sul solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar crimes de racismo e injúria racial praticados contra Alunos indígenas de uma Escola estadual em Antonio João, na fronteira com o Paraguai. A PF vai começar a ouvir Alunos, funcionários e o diretor da Escola na próxima semana. De acordo com a denúncia, índios guaranis-caiovás da Escola Pantaleão Coelho Xavier teriam sido retirados da sala de aula sob a alegação de que seriam "fedidos, sujos e pouco higiênicos".
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 Segundo Marciano Duarte, capitão da aldeia Campestre, os cerca de seis Alunos, sendo quatro meninas, teriam sido xingados por colegas brancos de sala de aula e por isso teriam sido retirados da sala pelo diretor.
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 - Eles falaram que os Alunos brancos os chamaram de fedidos, sujos e que tinham chulé, e por isso foram retirados da sala pelo diretor para estudar lá fora da sala de aula. O Professor dava aula para os índios lá fora e ao mesmo tempo para os brancos, que ficaram na sala -afirmou Duarte.
O diretor da Escola, Elimar Brum, nega que tenha ocorrido discriminação étnica contra os Alunos índios.
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- Ninguém foi expulso da sala de aula dia 27, nem outro dia, por ninguém e muito menos por mim, pois me encontrava em Campo Grande - afirmou o diretor.
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O caso também foi denunciado ontem na Câmara dos Deputados pelo deputado Amauri Teixeira (PT-BA). De acordo com ele, os estudantes foram expulsos da sala de aula pelo diretor, atendendo a pedidos de Professores e Alunos.
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O diretor da Escola, no entanto, nega a discriminação. Brum disse que naquele dia todos os Alunos estudaram na área externa da Escola, onde existe estrutura para atividades como xadrez. Ele também nega que tenha conversado com uma das lideranças da Aldeia Campestre, de onde são os Alunos que teriam sido discriminados, e que teria confirmado que expulsou os jovens da sala.
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-Jamais falei com o Joel Aquino em lugar algum - disse Brum, referindo-se a informações divulgadas pelas entidades ligadas à questão indígena de que um dos líderes da tribo, Joel Aquino, teria afirmado ter ouvido do próprio diretor que ele retirou os guaranis-caiovás da sala. Brum diz que nunca teve problemas com os índios.
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Os índios guaranis-caiovás têm suas terras constantemente ameaçadas por fazendeiros e posseiros da região. Em novembro de 2011, posseiros mataram o indígena Nisio Gomes, líder da tribo, mas até hoje o corpo não foi encontrado. Para protestar contra a violência, índios dessa tribo chegaram a dizer em documento que corriam risco de morte, com entidades de defesa de direitos humanos interpretando que eles poderiam cometer suicídio coletivo, desmentido depois pelos indígenas. Os guaranis-caiovás têm histórico de suicídios cometidos por índios acuados por ameaças às suas terras.
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 Fonte: O Globo (RJ)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Escolas rejeitam matrículas de estudantes com deficiência





Por Fernanda Viegas.
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Mesmo obrigadas por lei, instituições de ensino dificultam e até recusam matrículas de crianças e adolescentes com necessidades especiais, como síndrome de down, autismo e cegueira. Há relatos de pais que já passaram, sem sucesso, por 12 escolas em busca de um lugar para o filho. E, quando aceitam o estudante, as instituições pedem aos responsáveis que custeiem a contratação de pessoal especializado.
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O sindicato das escolas particulares nega que haja recusa de alunos, mas confirma a cobrança de adicionais. O Estado e a Prefeitura de Belo Horizonte garantem que não recusam matrículas. "Elas (escolas) não negam matrícula, mas dificultam o máximo possível, dizendo que não têm condições de receber, que as salas estão cheias ou que o percentual de crianças com deficiência está completo. Há muitas leis, faltam ser colocadas em prática", denunciou a coordenadora do Fórum de Inclusão Escolar de Belo Horizonte, a psicopedagoga e psicanalista infantil Cristina Silveira. Resta aos pais uma peregrinação em busca de escolas. Essa é a realidade atual da empresária Katia Maia, 47, que tem um filho de 7 anos com síndrome de down. "Eu já estive em 12 escolas particulares e ainda não consegui matricular o meu filho para o ano que vai começar."
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Katia conta que está sendo obrigada a trocar o filho de escola porque a instituição em que ele estudava o teria aprovado para o ensino fundamental, mesmo sem preparo. "Eles não o deixaram ficar no jardim. Mas ele não fala e não lê, como vai poder estar com crianças que já leem e escrevem?". Situação parecida vivenciou a funcionária pública Ruth Mara de Oliveira Gomes, 48, ao tentar matricular o filho de 13 anos, que tem síndrome de Asperger (autismo leve, que não afeta o desenvolvimento intelectual) no sexto ano do ensino fundamental, no ano passado. Segundo Ruth, o filho fez uma prova de seleção e tirou nota suficiente para passar, mas, por causa da síndrome, a instituição informou que não tinha vaga para ele - eles disseram que as duas matrículas por turma reservadas a alunos especiais já estavam preenchidas.
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A família ameaçou entrar na Justiça, e a escola resolveu aceitar o aluno na condição de os pais assinarem um documento, declarando que arcariam com o custo da contratação de um profissional especializado, caso a escola percebesse essa necessidade. "Assinamos porque sabíamos que nosso menino não ia precisar disso, mas ele sofreu muito bullying", contou.
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O outro lado. Para o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), é legal os colégios cobrarem adicionais para contratar profissional ou adquirir equipamentos para alunos especiais. "Se for provado que o aluno tem tratamento especial, é justo que a escola cobre mais pior isso", confirmou o advogado constitucionalista Alexander Barroso. As secretarias municipal e estadual de Educação informaram que todas as escolas públicas estão aptas a receber estudantes com necessidades especiais.



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Convivência é benéfica para todos os lados
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A convivência entre alunos com e sem deficiências é benéfica para todos, segundo especialistas. Além de ser essencial para os estudantes aprenderem a conviver em sociedade, o contato com o "diferente" é importante para seu desenvolvimento. "Para aqueles que têm necessidades especiais, é preciso tirá-los do confinamento. O convívio com os colegas é um degrau para seu desenvolvimento. Já os outros estudantes precisam aprender a aceitar a todos", explica a vice-diretora do centro pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Selma Moura.
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Por outro lado, a consultora em educação inclusiva Priscila Lima chama a atenção para a necessidade de capacitação de profissionais. "O Estado e a prefeitura têm oferecido cursos de capacitação, mas não podem ser esporádicos porque uma criança com síndrome de down há dez anos é muito diferente de uma de hoje". (FV)
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Fonte: O Tempo (MG)

sábado, 21 de julho de 2012

Pelo menos 70% dos casos de racismo acontecem nas escolas


Por Joana Soarez
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Casos de preconceito racial como o que aconteceu com a pequena D., de 4 anos, que foi ofendida pela avó de um garoto branco por ser negra, em uma escola particular de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, é mais comum no ambiente escolar do que se possa imaginar. Levantamento da Organização Não Governamental (ONG) SOS Racismo, de Belo Horizonte, apontou que 70% das denúncias que chegaram ao conhecimento da entidade aconteceram em escolas públicas ou privadas.
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A ONG, no entanto, reconhece que por trás das 112 notificações recebidas ao longo de seus 12 anos de existência, existem muitos casos que nem chegam a ser apurados por falta de denúncias das vítimas e também pela dificuldade que muitas pessoas têm de provar que foram alvo de preconceito. Pelo menos 30% dos casos de discriminação racial ocorrem nos ambientes de trabalho, aponta a SOS Racismo. Outro dado que preocupa é o baixíssimo índice de punição dos agressores. Em apenas 20% dos casos, os responsáveis receberam algum tipo de condenação. "O mais difícil é provar o racismo e encontrar alguém que aceite testemunhar porque as pessoas se sentem pressionadas ou intimidadas", explicou José Antônio Carlos Pimenta, presidente da ONG.
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Nas unidades policiais do Estado, segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), até junho deste ano, foram registrados 129 casos de preconceito por raça ou cor. O número de ocorrências já é maior que igual período do ano passado, quando 118 pessoas registraram queixas de racismo. A Coordenadoria Estadual de Políticas Pró-Igualdade Racial (Cepir) não tem levantamento específico sobre casos de racismo em escolas do Estado.
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No caso mais recente, ocorrido no último dia 10, a menina teria sido chamada de "preta horrorosa", na frente dos colegas, pela avó de um aluno. A agressora não teria concordado com o fato de o neto ter formado par com uma garota negra na festa junina da escola. A denúncia foi feita pela professora Denise Cristina Aragão, 34, que pediu demissão do emprego por não concordar com a postura da direção do colégio, que teria se omitido em relação ao episódio. Os pais da menina registraram ocorrência. O delegado Juarez Gomes informou que todos os envolvidos foram intimados e irão começar a prestar depoimento a partir de segunda-feira. O inquérito deve ser concluído no fim da semana que vem. Ontem, a mãe de D., Fátima Adriana de Souza, 41, passou mal e foi levada a um hospital. "Ela ainda está muito abalada com tudo isso e ansiosa para que se faça justiça com a nossa filha", disse o pai da menina, Aílton César de Souza, 38. A SOS Racismo atende vítimas de qualquer tipo de discriminação e presta assistências jurídica e psicológica às vítimas através de um convênio com a PUC Minas.
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Lei
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Igualdade racial é conteúdo escolar
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De acordo com a Lei 10.639/03, o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira deve ser incluído no currículo escolar na educação básica. Porém, segundo o coordenador estadual de Políticas Pró-Igualdade Racial (Cepir), Clever Machado, o conteúdo ainda é pouco aplicado. Para ele, a valorização da diversidade deve ser trabalhada na escola desde a infância. Machado confirmou serem comuns os casos de racismo no ambiente escolar. "Estamos capacitando os professores da rede pública de ensino para abordar o tema. Não temos conhecimento das unidades privadas, mas precisamos que elas se envolvam nessa temática". O coordenador afirmou que será marcada uma reunião com as secretarias municipais e estadual de Educação para avaliar o episódio e discutir uma forma de exigir a aplicação do conteúdo no projeto pedagógico de colégios particulares. A Secretaria Municipal de Educação (SMED) criou em 2004 o Núcleo de Relações Étnico-Raciais e de Gênero que atua na formação de professores. (JS)
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Fonte: O Tempo (MG)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Colégio Cristão rejeita matrícula de cadeirante de 11 anos.

O Estado de Minas – 21 de janeiro de 2011

Na contramão do que propõe a legislação brasileira, escolas privadas têm se negado a incluir alunos portadores de necessidades especiais em salas comuns. Em tempos de matrículas para a volta às aulas, pais de filhos deficientes ainda encontram portas fechadas quando o assunto é inclusão social.

Belo Horizonte não foge à regra. Apesar de a rede pública de ensino apontar que, em 10 anos, o acesso de portadores de deficiência às escolas municipais passou de 781, em 2001, para 2.771, no ano passado, uma escola da rede particular na cidade nada contra esta corrente. Nos últimos dias, o Colégio Cristão, da Igreja Batista da Lagoinha, negou a entrada de um garoto cadeirante, de 11 anos, sob a alegação de que não há estrutura para ele na instituição. “É um absurdo e não é incomum, principalmente, nesta época do ano. A grande arma contra isso é a denúncia”, alerta Nelson Garcia, superintendente de Políticas para Pessoas com Deficiência, da Secretaria de Estado de Defesa Social (Sedese).

Depois de visitar 18 escolas que não tinham acessibilidade para seu filho cadeirante, a universitária Fabiana Carvalho decidiu procurar o Colégio Cristão, na Região Noroeste da capital, que cobra mensalidade de R$ 510 para o 6º ano do ensino fundamental. “Como é uma instituição evangélica, que conta com poucos alunos dentro de sala, achei que seria ideal para meu filho. Mas, desde dezembro, espero uma resposta e, somente esta semana, mandaram um e-mail informando que não poderiam recebê-lo por causa de suas limitações”, conta, indignada, Fabiana. Ela diz que os diretores da instituição de ensino sequer conheceram o menino. “Eles, que propagam tanto o amor a Deus e ao próximo, negaram ao meu filho o direito de estudar ali”, lamenta.

Mas a escola se defende e diz que fechou as portas para o garoto porque temia por ele. “O caso era delicado. O garoto, segundo nos relatou a própria mãe, tem uma fragilidade nos ossos, o que o deixava na cadeira de rodas. Como vou colocá-lo numa sala de aula com 40 alunos? Poderia ser um risco para a saúde dele. Não somos obrigados a aceitar”, diz a diretora pedagógica do Colégio Cristão, Sara Teixeira.

A argumentação é contestada por Nelson Garcia. Segundo ele, a legislação internacional das Organizações das Nações Unidas (ONU), que foi implantada no Brasil, diz que a falta de acessibilidade pode ser considerada discriminação. “E nesse caso, a escola não é quem decide se o menino corre, ou não, um risco, e sim, um médico que deve avaliar as condições. A educação é a porta de entrada para a quebra de preconceitos para as futuras gerações”, ressalta, lembrando que um dos pré-requisitos de cadastro de uma escola no Ministério da Educação (MEC) é a acessibilidade. “Temos avançado muito, mas é importante denunciar essas portas fechadas para o Ministério Público ou o MEC, para que o lugar seja fiscalizado”, avisa.

Fabiana voltou com o filho para a escola Instituto Presbiteriano de Ensino de Minas Gerais (Ipemig), no qual em salas comuns o menino é bem cuidado e recebe atenção. “Infelizmente, o Ipemig só oferece até o 7º ano. Assim, em 2012, terei que buscar uma nova escola para ele”, diz ela, informando que avalia a possibilidade de acionar a Justiça contra o Colégio Cristão.

Rede Pública

Na rede municipal de Belo Horizonte, das 186 escolas, 80% têm adaptações para a acessibilidade, segundo dados da Secretaria Municipal de Educação. “Temos um trabalho constante de acompanhamento desses alunos e, em nenhuma delas é permitido negar vaga a um estudante portador de necessidades”, garante Elaine da Costa, da equipe de Inclusão Escolar da Pessoa com Deficiência da secretaria. Segundo ela, as que ainda não são adaptadas já estão em processo para se adequar.

Jornal Estado de Minas - 21/01/2011

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

OPINIÃO


Caras (os) Colegas:

O recente episódio envolvendo a obra de Monteiro Lobato deixa patente a lógica de funcionamento da liberdade de imprensa em nosso país. Conforme vocês poderão avaliar a partir da leitura do texto do parecer emitido pelo Conselho Nacional de Educação; em momento algum faz-se menção à censura ou veto ao texto do escritor. A imprensa - leia-se Rede Globo - foi quem interpretou o parecer a partir de seus interesses mais imeditos e difundiu aos quatro cantos que o parecer propõe a censura à obra literária, alardeando que até mesmo haveria o recolhimento da obra das bibliotecas escolares.

A proposta do parecer alerta para a necessidade de recontextualização da obra e enfatiza a necessidade de se trabalhar a formação de professores para que a obra não seja vista como mais um veículo de reprodução e reforço de estereótipos que posicionam as pessoas negras na condição de subalternidade no complexo processo de desenvolvimento das relações raciais em nosso país. O que se sutenta no texto é que, da mesma forma que há na versão da obra analisada pelo Conselho Nacional de Educação alusões quanto à necessidade de preservar a "onça pintada" do extermínio, dado o avanço de nossa consciência ambiental, há que se fazer referência aos avanços trilhados pela sociedade, desde a Constituição até a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, alterada pelas leis 10.639/03 e 11.645/08, no sentido de condenar a prática do racismo.

Percebe-se que esse exercício da "liberdade de imprensa", ao contrário do que se apregoa, atenta contra a consolidação de valores democráticos e é sintomático que essa interpretação midiática venha a tona justamente no mês em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, mobilizando a sociedade em torno de um fato que, a rigor, resulta de uma ficção cuja intenção está muito distante de reconhecer o valor positivo da diversidade étnico-racial brasileira.

José Eustáquio de Brito - Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Educação e Relações Étnico-Raciais da FaE/UEMG.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

NOTÍCIAS...

Aluno da USP é vítima de homofobia em festa promovida pela ECA

por Mônica Bergamo - 26 out. 2010

A agressão a um aluno da USP que é homossexual numa festa promovida pela ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP) virou assunto de polícia. A informação é da coluna Mônica Bergamo publicada na edição desta terça-feira da Folha. De acordo com o texto, Henrique Peres Andrade, 21, estudante de biologia, foi à balada, na sexta-feira, num casarão, com o namorado e oito amigos do IB (Instituto de Biociências). Ele diz que os dois "descansavam abraçados" quando três rapazes xingaram, atiraram copos de bebida e desferiram chutes e socos no casal. A segurança, de acordo com Henrique, demorou a agir.

"Estou chocado, foi uma situação horrível!", escreveu Henrique a um professor, buscando orientação. Ele hoje registrará ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. O centro acadêmico do IB fez circular moção de apoio na universidade.

A Defensoria Pública foi acionada. "Só quero mostrar que estamos em um país onde a homofobia existe e está mais próxima do que imaginamos", diz Henrique. Os agressores ainda não foram identificados.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

HOMOFOBIA: tema é ignorado no ambiente escolar

21 set. 2010

Pesquisa em 11 capitais brasileiras revela que o conceito homofobia ainda é pouco conhecido entre professores e alunos e que falta uma política oficial mais eficiente para para tratar o tema nas escolas

A decisão não foi nada fácil, mas Abraão Ferreira da Silva, de 18 anos, encarou o papel. Vestiu-se de drag queen na feira de ciências da Escola estadual onde cursa o terceiro ano do ensino médio. Tratava-se de uma encenação com um objetivo nobre: ensinar, entre outras coisas, o respeito às diferenças. Aquelas que estão postas todos os dias ao nosso lado, seja nas bancas da Escola, no trabalho, ao longo da vida. Abraão é homossexual e por isso conta que sofre diversas agressões verbais na Escola. Nada que o faça desistir de concluir o ensino médio. Nada que o impeça de tentar o curso de medicina.

A criatividade de Abraão posta em prática em plena feira de ciências infelizmente ainda é uma ação isolada nas unidades de ensino da capital pernambucana. A pesquisa Estudo qualitativo sobre a homofobia no ambiente Escolar em 11 capitais brasileiras revela que, na realidade, o conceito homofobia ainda é pouco conhecido entre professores e alunos recifenses e que falta uma política oficial mais eficiente para tratar o tema nas Escolas. Abraão Ferreira fez papel de drag queen na feira de ciências e diz sofrer agressões verbais na Escola por ser homossexual. Foto: Cecília de Sá Pereira/DP/D.A PressQuatro Escolas públicas do Recife foram visitadas pelos pesquisadores da ONG Reprolatina, de São Paulo, sendo três estaduais e uma municipal. Em todas elas, disseram os pesquisadores, era como se os professores e alunos estivessem ouvindo falar sobre o tema pela primeira vez. "Um estudante até confundiu homofobia com claustrofobia. Outro comparou com uma espécie de travesseiro. Apesar disso, quase todas as pessoas entrevistadas reconheceram que os homossexuais sofrem discriminação e violência, embora não soubessem que isso é homofobia", disse o pesquisador Juan Diaz. Foram 109 entrevistados, entre professores,alunos e funcionários das Escolas Apolônio Sales, José Maria, Governador Barbosa Lima e Nadir Colaço.

A falta de uma política oficial mais eficiente de Educação sexual nas Escolas termina levando alguns professores, principalmente os de ciências, a tratar o assunto de forma independente, mas limitada, na opinião dos pesquisadores. Isso porque a questão muitas vezes é vista somente sobo ponto de vista biológico e reprodutivo. Outro problema apontado pelos entrevistados é o pequeno número de educadores capacitados pelos programas existentes e a baixa qualidade dos livros didáticos, que abordam o assunto de forma superficial. Além disso, faltam outros materiais educativos apropriados. Diante das agressões verbais ou físicas, os homossexuais terminam tomando o caminho contrário ao de Abraão e abandonam a Escola. "Embora professores ou estudantes não expressem que os homossexuais têm mais chances de abandonar a Escola por serem discriminados, na discussão dos grupos focais apareceram exemplos de meninos e meninas que abandonaram os estudos por causa dos maus tratos", disse Juan Diaz.

Desde que foi implantada, em 2007, a política de combate à homofobia da Secretaria Estadual de Educação promoveu três capacitações para professores da rede sobre o tema. Segundo Luciano Freitas, da gerência de Direitos Humanos da Secretaria, alunos de várias cidades, inclusive do interior, também participaram derodas de diálogo sobre saúde, prevenção e combate à homofobia. Já Rivânia Rodrigues, da Gerência da Livre Orientação Sexual (Glos), da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Cidadã, disse que trabalha o tema junto com outras secretarias do Recife e que este ano visitou cincoEscolas para tratar sobre o assunto com professores ou com alunos.

Pesquisa revela escola despreparada

Quatro unidades de Cuiabá foram analisadas, onde se percebeu que educadores não estão preparados para coibir atitudes contra gays. A adolescente Y., 15 anos, costuma policiar seu próprio comportamento mais do que a maioria dos colegas de sua idade na Escola. Por ser homossexual, embora poucos já a tenham ouvido admitir isso, ela sabe que qualquer coisa que disser ou fizer poderá ser mal interpretada ou distorcida por maldade, tornando-a objeto de chacota. Diariamente, Y. “pisa em ovos” nos corredores de um colégio cuiabano porque, em pleno século XXI, nem o ambiente das Escolas brasileiras tem conseguido ainda se livrar de condutas homofóbicas.

Esta é uma das conclusões preliminares até agora da pesquisa qualitativa nacional “Escola sem homofobia”, divulgada ontem pela Educação estadual (Seduc). Apoiada pelo governo federal e conduzida em 11 capitais por entidades como a ONG Reprolatina, a pesquisa ouviu estudantes, professores, funcionários e autoridades envolvidas com a Educaçãopromovida em quatro Escolas públicas de Cuiabá. A pesquisa tem o objetivo de fornecer ao governo federal conhecimento para implementar ações para enfrentar a homofobia e assegurar direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT).

Por enquanto, o cenário comportamental desenhado pela pesquisa na Capital mostra que asEscolas ainda não detêm métodos suficientes para tratar de orientação sexual nas salas de aula e os professores têm dificuldades para esclarecer e coibir com argumentos a homofobia. Além disso, os dados preliminares da pesquisa revelam que, para muitos que participam do ambiente Escolar, a homossexualidade ainda não é um fato esclarecido, o que leva muitas vezes à intolerância e à manutenção de um modelo “heteronormativo” que relega os homossexuais à margem da convivência. Tais constatações foram feitas com foco noensino fundamental, mas tudo reverbera no ensino médio, como declara A.M., 16 anos, amiga e colega de Escola de Y., do começo da matéria.

“Infelizmente, isso sempre vai existir, em todo lugar”, prevê A.M., pessimista. Ela diz se relacionar com meninas, mas mantém um namorado de fachada. Os pais nunca aceitaram sua orientação sexual. Tímida, ela conta que é constante a sensação de não fazer parte totalmente do grupo ou de ser vista de forma diferente no colégio. As relações ficam mais restritas, principalmente com a resistência dos meninos. A forma que ela encontrou de se preservar é parecida com a de sua amiga: manter-se na maior discrição possível.

É que, entre os cerca de mil alunos do colégio, A.M. teme se deparar às vezes com colegas intolerantes – e que insistem em argumentos contraditórios para se dizerem “contra” homossexuais. É o caso de L., 18 anos, conhecido pela polêmica que desperta em sala de aula por explicitar repúdio a quem se relaciona com pessoas do mesmo sexo. Ele argumenta que estas pessoas vão contra as leis da natureza porque não tiveram a devida Educaçãodos pais, mas não explica como isso interfere negativamente em sua própria vida para se manter contra. Embora polêmico, quando expressa suas opiniões L. costuma ser acompanhado por outros alunos, segundo professores, e são opiniões desembasadas como a dele que tornam difícil a conscientização dos demais.

Fonte: Diário de Pernambuco (PE) - In: http://todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/10554/homofobia-tema-e-ignorado-no-ambiente-escolar