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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Julia Gabrielle

Por Paula Pimenta*
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Adoro olhar os trending topics do Twitter. Gosto de saber quais são os assuntos mais comentados do momento e ouso dizer que é lá que a fofoca chega primeiro. Foi através dos trending topics que fiquei sabendo da morte da Hebe, do incêndio da boate em Santa Maria, da renúncia do Papa, dos vencedores das provas de resistência no BBB… Sérios ou irônicos, graves ou engraçados, os trending topics sempre nos mostram o que está na boca do povo.
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Julia Gabrielle
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Por isso mesmo, costumo sempre dar uma pesquisada quando vejo que estão falando sobre algo que eu não tenha conhecimento. E foi assim que, na semana passada, me deparei com Julia Gabrielle e, pensando se tratar de alguma artista recém-lançada ao estrelato que eu ainda não conhecia, cliquei para saber de quem se tratava. Qual foi minha surpresa ao ver que de estrela a garota não tinha nada? Ela era uma menina comum, como tantas outras de 11 anos. Que vai à escola, que tem pais que trabalham, que costuma interagir com as amigas nesse mundo virtual onde atualmente passamos boa parte das nossas vidas… E que também compartilhava suas fotos porque “gostava” do que via no espelho. Só que de repente, alguém que não tinha a mesma opinião que ela, achou que era engraçado roubar uma dessas fotos e mostrar para todo mundo o defeito que ele via. E a partir daí a menina ficou famosa, infelizmente por algo que eu imagino que renderá um trauma: sua sobrancelha.
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Lembro que quando eu tinha 11 anos, eu não estava nem aí para a minha aparência… Eu era baixinha e gordinha… mas muito feliz! Tinha uma família amorosa, muitas amigas, e era isso que importava. Só uns três anos depois é que a vaidade bateu à minha porta e eu comecei a prestar atenção no cabelo, no peso, na pele, nas unhas, nas roupas… e nunca mais parei. A preocupação com o visual é tão inerente à vida feminina que fazemos isso sem sentir. Faz parte de ser mulher. Mas a Julia Gabrielle ainda era uma menininha. Mas teve que crescer à força da noite para o dia, para enfrentar o cyberbullyng violento que a acometeu.
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Malu Mader
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Muito já foi dito desse caso e não é isso que quero enfatizar. Não me interessa se os pais dela estão errados por que deixaram que ela colocasse fotos na internet e não a incentivaram a pinçar a sobrancelha ou se os culpados são as pessoas que não respeitam a opinião/aparência/privacidade das outras. Mas ao ver a foto da Julia, não tive como não pensar que se ela tivesse crescido nos anos 80, tudo seria diferente. Quando eu era adolescente, a moda era exatamente ter sobrancelhas bem grossas! Eu queria a todo custo imitar a Ana Paula Arósio, a Brooke Shields e a Malu Mader, e por isso penteava minhas sobrancelhas para cima. Além disso, cabelos encaracolados é que eram bonitos, e todo mundo amassava o cabelo para que ele parecesse um pouco menos escorrido. Quem tinha sobrancelha fina e cabelos lisos é que era considerado sem graça, fora de moda, sem atitude… Só vários anos depois é que a ditadura da chapinha começou.
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Além da moda variar de acordo com a época, beleza é algo relativo. O que é bonito para mim pode não ser para você. E que bom que é assim, senão o mundo seria um lugar extremamente sem graça. No livro Feios, de Scott Westerfeld, por exemplo, ao fazer 16 anos todas as pessoas são submetidas a uma cirurgia para ficarem “perfeitas”. E com isso, ficam todas iguais. Nenhuma imperfeição, nenhuma característica única, nenhuma peculiaridade. Mas não é exatamente nos defeitos que está a graça? Quando eu tinha 16 anos, era apaixonada por um menino que tinha um nariz um pouco grande. Mas ele era tão fofo que eu nem ligava. Era o charme dele. Eu não queria o garoto mais lindo da escola, que parecia um modelo. Eu queria aquele que aos meus olhos era o mais interessante. Aquele que era o mais lindo para mim.
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Lily Collins
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Em minha opinião, as pessoas que mais se destacam são exatamente essas, que têm algo incomum, que não se rendem aos modismos, que gostam do que têm. Inclusive temos ainda hoje atrizes lindas que se orgulham de suas sobrancelhas grossas. Alguém tem coragem de dizer que a Lily Collins é feia? E a Demi Lovato? Inclusive, essa última, adora variar, cada dia aparece com a sobrancelha de um jeito. Mais uma vantagem para quem tem uns pelinhos a mais, pode variar de acordo com a estação.
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Demi Lovato
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Acho que quem fica julgando e divulgando defeitos deve ter uma vida tão chata, mas tão chata, que tem tempo de sobra para ficar observando e invejando a dos outros. Se essas pessoas fossem tão perfeitas e especiais, garanto que não estariam escondidas atrás de um computador, se preocupando com as “supostas” imperfeições dos outros. E agora um recado para Julia Gabrielle: Julia, você é linda! Daqui a uns anos, sei que vai dar boas risadas desse caso, mas agora, desencane e divirta-se! Aproveite que você está famosa e mande um beijo para esses bobos que te colocaram em evidência! Será que algum deles já esteve nos trending topics? É claro que não. Isso não é para qualquer um. Continue sendo você mesma, garota! E não se esqueça de sempre sorrir!
Até a próxima!
Paula
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* escritora de livros juvenis.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Polícia rastreia autor de ameaça a estudante do blog 'Diário de Classe'

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A Polícia de Florianópolis (SC) vai pedir à Justiça autorização para ter acesso ao número de IP (Internet Protocol) do computador a partir do qual foi publicada no último sábado uma ameaça contra Isadora Faber, de 13 anos, que mantém no Facebook a página Diário de Classe — em que a estudante denuncia problemas da escola pública que frequenta. De acordo com o delegado Ricardo Guedes, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente e Mulher da capital catarinense, o inquérito sobre a investigação do caso deve ficar pronto em um prazo de até 30 dias. Caso o responsável pela mensagem seja identificado, poderá responder por crime contra a honra e ameaça.
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Segundo Isadora, o comentário publicado no sábado dizia que a estudante "está com os dias contados". O autor do texto afirmava ainda que iria "meter bala bem na testa da mãe e do pai (sic)" da adolescente e a aconselhou a ficar "de olhos bem abertos quando sair de casa e da escola".
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Diante da ameaça, no domingo, os pais de Isadora registraram um boletim de ocorrência no 8º Distrito Policial. Por envolver uma vítima com menos de 18 anos de idade, o caso foi encaminhado à Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente e Mulher.
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"Ela já recebeu muitas críticas, mas ameaça de morte foi a primeira vez", lamentou Mel Faber, mãe da estudante. Apesar do incidente, Mel diz que a filha não vai interromper as postagens. "Fico muito preocupada. Já cogitei até trocá-la de escola, mas ela insiste em continuar, afirmando que ainda tem muito o que fazer pela instituição."
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Na página "Diário de Classe" Isadora registra problemas enfrentados pela Escola Municipal Maria Tomázia. As críticas, no entanto, têm incomodado alguns professores e funcionários da instituição, além de colegas de sala da garota. Não é a primeira vez que a família de Isadora recorre à Polícia em razão da repercussão causada pelas denúncias da menina na web.
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Em novembro, a adolescente contou pela rede social que teve a casa apedrejada e que sua avó, de 65 anos, foi atingida na testa por uma das pedras. No mesmo mês, uma pessoa cuja identidade é mantida em segredo procurou o Ministério Público para denunciar que a estudante estaria correndo perigo dentro de sua própria escola. Desde então, o MP fez recomendações à instituição para proteger Isadora.
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Fonte: Veja on line.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Isadora Faber: 'Só porque é escola pública tem que ser ruim?'

08 de outubro de 2012
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Adolescente que virou notícia ao denunciar no Facebook os problemas do colégio dá entrevista
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“Olha, a Isadora escreve bem, é articulada na internet, mas é muito, muito tímida para dar entrevistas”, adverte a mãe da jovem Isadora Faber, de 13 anos, antes de passar o computador conectado ao Skype para a filha. A produtora Mel Faber não tentava apenas protegê-la do assédio da imprensa. Depois que a jovem, inspirada numa blogueira escocesa de 9 anos, criou uma página no Facebook em agosto para denunciar as condições precárias da escola pública que frequenta, em Florianópolis, forçando a prefeitura a providenciar melhorias, a mãe também a prepara para enfrentar as consequências do seu ato. O que significa, no mínimo, encarar muitas entrevistas.
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Em pouco mais de dois meses, a página de Isadora já recebeu 322 mil curtidas. Sua iniciativa repercutiu em todo o país, levando outros estudantes a criarem páginas semelhantes. Até o jornal francês “Le Monde” elogiou a disposição da pequena Lisa Simpson catarinense. Mas este foi o lado bom da história. Isadora enfrentou críticas de muitos colegas de classe, pais e professores, que não aprovaram tanta exposição. Acusada de calúnia por uma professora, teve de prestar depoimento numa delegacia, acompanhada de seu pai. Tímida, sim, mas nada acuada, Isadora diz que ainda há muito o que fazer.
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O Globo: Depois de fazer a página no Facebook sozinha, conseguir que os reparos fossem feitos (maçanetas foram colocadas no banheiro, fiações recuperadas, bebedouros trocados e professores contratados), você ainda foi parar numa delegacia para se defender. Isso te desanima a continuar?
Tem muita gente que me apoia, diz que o que estou fazendo está certo, então vou seguir fazendo. O que mais quero é que outros alunos de escolas públicas também façam o mesmo para arrumarem suas escolas. Só porque é escola pública tem que ser ruim?
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Como é na sala de aula? Seus colegas ficam com medo de você escrever tudo o que acontece na página?
Na minha sala, pelo menos, meus colegas me apoiam. É mais chato no recreio. Eu percebo que os alunos mais velhos ficam comentando...
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O que ainda falta resolver na sua escola?
Eu acho que ainda dá para melhorar muito. Essa situação dos professores que faltam, principalmente.
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Pensa em mudar de escola?
Não, quero continuar aqui.
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A página “Diário de classe” mudou sua rotina como estudante?
Não. Sigo indo normal. Gosto mais das aulas de História, Geografia e Educação Física, menos das de Matemática. Continua tudo normal.
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O que você faz nas horas vagas?
Eu tô sempre com alguns amigos, a gente sai pra passear com meu cachorrinho... Só tenho que separar um tempinho no dia para dar uma olhada na página (Isadora tenta responder a cada uma das centenas de mensagens que recebe por dia).
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O que você vai ser quando crescer?
Eu gosto de denunciar os problemas, para tentar arrumar as coisas. Eu quero muito ser jornalista.
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O que te deixa mais feliz com essa história toda?
Saber que as pessoas gostam do meu trabalho, receber o apoio delas.
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E o que te deixa mais triste?
Os meus colegas da escola que não me apoiam. O fato de acharem que o que estou fazendo é contra a escola, não a favor.
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Muitos jovens fizeram páginas parecidas em outras cidades do Brasil. Você acha que isso pode ser o início de uma revolução?
Espero que sim. Eu até criei um grupo de discussão para ajudar quem quer fazer uma página parecida. Eles perguntam como começar, e eu dou dicas, digo para sempre fotografar e explicar o problema, por exemplo, e evitar fazer acusações pessoais.
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Fonte: O Globo (RJ)

quinta-feira, 17 de março de 2011

NOTÍCIAS...

Pais terão de indenizar ex-diretora de escola

17 mar. 2011

Alunos criaram uma comunidade no Orkut com ofensas à educadora, que processou as famílias

Um grupo de pais de alunos e ex-alunos do Colégio da Providência, em Laranjeiras, foi condenado pelo Tribunal de Justiça a indenizar a educadora Maria Margarete Gomes por danos morais no valor de R$18 mil. Conhecida como Irmã Margarete, a vítima era diretora da instituição quando um grupo de alunos criou uma comunidade no Orkut chamada "Eu odeio a irmã Margarete".

Segundo o TJ, no site eram proferidas ofensas verbais e palavras de baixo calão à educadora, fazendo-a se sentir humilhada e exposta a situação vexatória. Segundo os pais, a ex-diretora causava constrangimentos aos alunos, motivo que os teria levado a criar a "comunidade", para desabafar. Eles defenderam seus filhos, alegando que estes não possuíam experiência de vida suficiente, e que apenas queriam "estar na moda".

Para o desembargador Cléber Ghelfenstein, da 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, a internet é um espaço de liberdade, o que não significa que seja um território sem lei, sendo cada pessoa responsabilizada pelo que publicar. Além disso, segundo ele, o episódio deixa claro a culpa dos alunos e ex-alunos nas agressões à irmã, não importando se só criaram a "comunidade" ou proferiram xingamentos, pois a intenção foi denegrir a imagem da mesma.

"A situação retrata a fútil mentalidade de alguns jovens de nossa sociedade, desprovidos de uma EDUCAÇÃO baseada no respeito ao próximo", concluiu o magistrado.

Fonte: O Globo (RJ)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

NOTÍCIAS...

Orkut tem comunidades como 'Quero bater no professor" e 'Bruno, Mata minha professora?'

Letícia Casado e Rafael Sampaio - 15 out. 2010

Professores de escolas públicas e particulares sofrem com agressões feitas via internet. A popularização do Orkut, Twitter e outros sites de relacionamento fez com que também aumentassem os ataques virtuais aos docentes. Protegidos por uma tela e um teclado, estudantes do ensino médio e fundamental sentem-se “livres” para escrever o que querem – incluindo xingamentos e histórias caluniosas, muitas vezes provocadas pela raiva de uma nota baixa na prova ou por uma bronca em meio aos colegas na sala de aula.

Não há dados que comprovem o aumento do cyberbullying em relação aos professores, mas os docentes ouvidos pelo R7disseram sentir na pele as marcas dessa história. Em um dos casos, Ricardo Meca, que dá aulas de física do cursinho Oficina do Estudante, em Campinas, se viu obrigado a apagar o seu perfil na internet devido a mensagens anônimas escritas por alguns de seus pupilos.

- Algumas vezes os alunos fazem esse tipo de violência virtual dos próprios computadores da escola. Pode haver bloqueio ao MSN e eles burlam o bloqueio. Eu já tive Orkut e apaguei por conta de mensagens incômodas que recebi. Eles mandam textos anônimos, se protegem no anonimato. Mas isso não aconteceu com meu atual colégio ou cursinhos que dou aula, que fique claro.

Uma simples ronda no Orkut dá uma ideia de como se comportam essas crianças. É incontável o número de comunidades com ataques, com nomes que vão desde “Minha professora é uma vaca” a até “Bruno, mata a minha professora?”. Esta última, com quase 72 mil participantes, é uma referência ao ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, acusado de esquartejar a amante Eliza Samudio.

Para a psicoterapeuta e orientadora vocacional Celi Piernikarz, brincadeiras como essa do goleiro Bruno passam do limite sobre o que é saudável, mesmo em se tratando de adolescentes. Ela diz que a estrutura familiar é o mais importante na criação do jovem, e que isso interfere em como ele vai lidar com as autoridades.

- Hoje vejo que falta a questão dos valores. Os valores não estão muito presentes na vida dos adolescentes, respeito, valor do professor, profissão dele. O adolescente que faz esse tipo de coisa muitas vezes não tem referência do pai ou da mãe. Quando existe [apoio familiar], dificilmente ele vai tomar esse tipo de atitude [cyberbulling]. Ele vai pensar, refletir e separar o certo do errado.

O professor de Campinas conta o caso de uma professora que abriu um processo na Justiça contra um estudante que divulgou imagens e mensagens ofensivas via Orkut. Ela trabalha em uma escola particular de classe média no Estado de São Paulo.

- O estudante tem certeza da impunidade [quando escreve na internet]. Uma vez vi um grupo de alunos criarem uma comunidade da classe e um colega entrou anonimamente, xingou todo mundo. Ninguém conseguiu descobrir quem era, ficou tudo por isso mesmo.

Excesso de intimidade

Tanto o professor Meca quanto Ricardo Parolo Junior, que dá aulas de literatura no colégio COC, afirmam que o problema está em dar excesso de liberdade para os adolescentes. Eles ressaltam que o professor deve se resguardar quando os alunos extrapolam certos limites de liberdade. Parolo Junior conta nunca ter vivido um caso de violência virtual, mas que soube de colegas que foram humilhados via internet – também nenhum de sua atual escola. Já o professor de física diz acreditar que a superproteção dos pais propicia esse tipo de comportamento em estudantes de escolas particulares.

- Na escola, se o aluno ofender o professor cara a cara, vai ser repreendido na hora, receber uma suspensão. Com a internet é possível ter uma relação mais "covarde", de se esconder em um perfil anônimo. Na minha opinião, quando vejo isso na escola particular, sinto que é efeito de uma classe média emergente, que superprotege e mima os filhos. Eles sentem que não devem responder por seus atos.

Fonte: R7

domingo, 25 de julho de 2010

PESQUISA [Notícias]

62% das crianças correm risco online

ANDRÉA CASTELLO BRANCO, Jornal OTEMPO em 25 jul. 2010

Laura Gontijo, 12, estava no MSN quando um desconhecido a chamou no bate-papo. Perguntou como ela era, onde morava e outras informações bastante pessoais. Já prevenida pela mãe, a garota chamou um tio e contou o que estava acontecendo. Bastou o adulto intervir e ameaçar chamar a polícia para que o intruso desaparecesse imediatamente. O que Laura viveu é semelhante ao que acontece com 62% das crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos, como aponta o Norton Online Family Report 2010.

O estudo foi realizado com 2.800 crianças em 14 países, incluindo o Brasil, e abordou os hábitos e riscos que crianças e adolescentes têm na vida online. Também foram ouvidos 7.066 adultos para uma avaliação sobre o comportamento dos pais, levando em conta o controle, os temores e o nível de acompanhamento dos filhos. Sobre esse aspecto, a pesquisa trouxe uma boa notícia: os pais estão mais bem informados sobre o tempo que os filhos passam diante do computador. No levantamento feito em 2008, as crianças reportaram ficar dez vezes mais tempo online do que os pais supunham. Neste ano, pais e filhos estimaram o mesmo tempo de permanência na internet - no Brasil, uma média de 18 horas por semana. Em outros países, de 11,4 horas semanais.

Apesar de ter uma melhor noção do tempo, ainda é difícil para pais e mães controlarem o conteúdo a que os filhos têm acesso e perceberem quando algo ruim está acontecendo. Cinquenta e cinco por cento dos entrevistados afirmaram não saber se as experiências que os filhos têm na web são positivas ou negativas. Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependentes da Internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP), explica que, à medida que os casos de pedofilia e bullying eletrônico são divulgados, é natural os pais ficarem mais atentos ao computador. Contudo, o limite ainda está longe do ideal. "É grande o número de pais que trabalham fora, e o computador acaba virando uma grande babá. Quando pedimos aos pais para reduzirem o tempo do filho no computador, eles respondem da mesma forma: `se eu retirar a internet, o que ele vai fazer?´. Isso ainda não conseguimos resolver".

Controlar o tempo também não basta para proteger crianças e adolescentes, diz Nabuco. Para ele, o principal problema é a desinformação sobre os riscos a que crianças e adolescentes estão expostos. "Os pais até têm consciência, mas não sabem como lidar". E aconselha: "Eles deveriam ser mais presentes e, da mesma forma que perguntam com quem o filho vai sair, quem são seus amigos na escola, se interessarem, genuinamente, em saber com quem a filha está teclando. Não com o espírito de vigiar, mas porque a maior parte das relações se estabelece primeiro no ambiente virtual. Isso diminuiria a vulnerabilidade".

Preocupação: Cristina Muradas é mãe de Daniela, 16, e Felipe, 12, e tenta acompanhar a vida online dos filhos. Para conseguir isso, definiu a sala como local para instalar o computador. "Ele fica com a tela virada para quem entra, então, todo mundo vê o que está sendo acessado", conta.

Cristina também aproveita os momentos que está por perto para conhecer os amigos virtuais e conversar sobre segurança. "Às vezes, quando entro na sala, eles mudam de página. Mas aí eu peço para eles voltarem. Quero ver. Quero saber de onde eles conhecem aquela pessoa com quem estão conversando", diz. Fabiana Gontijo é mãe de Laura, a garota do início da matéria, e diz que, mesmo antes de a filha ter tido o MSN invadido por uma pessoa que ela não adicionou como amigo, ela se preocupa com riscos inerentes ao ambiente virtual. Ela tem filtros instalados no seu computador, mas acredita mesmo é no diálogo como a melhor forma de proteger a filha de abusos virtuais. "O que vem em primeiro lugar é conversar muito. Toda vez que ela está no MSN, chego e pergunto quem é. E não é para controlar, mas porque realmente quero saber com quem ela se relaciona", diz. Sobre a reação de Laura quando um estranho tentou se aproximar, ela diz que a filha sempre foi bem orientada. "Curiosidade toda criança, todo adolescente tem, mas a Laura é uma menina comedida. Sempre orientei muito sobre os riscos e os cuidados que ela deve ter. Por isso, ela percebeu a ameaça e chamou meu irmão", diz Fabiana.

No topo - Brasileiros são os que ficam mais tempo conectados

O tempo que crianças e adolescentes passam conectados aumentou no mundo todo, 10% em comparação com os dados da mesma pesquisa realizada em 2009, chegando a um total de 11.4 horas por semana. Mas são as crianças brasileiras as que mais ficam online, passando em média 18,3 horas por semana na internet. Para se ter ideia, no Japão, os jovens gastam 5,6 horas por semana na rede. Para o psicanalista Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de viciados em internet do HC/USP, é difícil discernir quando o uso é recreativo e quando está beirando o abusivo. "Esse é o ponto complicado porque essa geração que nasceu entre 1990 e 2000 é a geração digital, são jovens que nasceram sob a realidade de estarem conectados o tempo todo. A perspectiva tecnológica dá a eles características muito distintas", diz.

Mas o especialista afirma que é preciso reduzir o número de horas porque, do ponto de vista neurológico, é importante ter experiências na vida real. "No virtual, os jovens criam uma personalidade que não coaduna com o que eles são na vida real. E nosso cérebro tem dificuldade de discernir a experiência vivida e aquela imaginada. Quando o adolescente passa cronicamente a viver a vida imaginada, temos um problema, o elemento perigoso, o grande ópio". Segundo o especialista, a criança ou adolescente nessa situação deixa de desenvolver a tolerância à frustração, a capacidade de mudar o que não está bem no entorno. "O exercício do ser social fica muito capenga porque as bases de relacionamento são inexistentes", diz Cristiano Nabuco. (ACB)

Entre os entrevistados, 68% disseram que não são adeptos do assédio e do bullying na rede.

Assédio e bullying não são comuns entre jovens usuários

Um dos dados mais positivos do Norton Online Family Report 2010 revela que a maioria das crianças tem se comportado bem no mundo online. Seis em dez entrevistados (68%) afirmam que não assediam ou perseguem outras pessoas online e evitam transmitir fotos ou posts embaraçosos de outras pessoas. Mais da metade não faria ou diria algo online que não faria ou diria off-line, isto é, na vida real. E 67% contariam aos pais se estivessem sendo intimidados. Para o psicanalista Cristiano Nabuco, o dado reflete bem o que acontece no mundo real. "As pessoas que cometem bullying na vida real serão as mesmas que vão constranger as pessoas na internet. Não acredito que a internet aumente o potencial de agressão. Claro que a rede é um espaço que permite uma liberdade muito maior, mas ela não é culpada pelos crimes virtuais cometidos ali", opina. (ACB)

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=146793,OTE