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quinta-feira, 13 de junho de 2013

'Foi revolta', diz professora que virou ícone da redução de salário no CE

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O choro da orientadora educacional Antônia Lucimeire Oliveira, 41, na última quinta-feira (6), foi o retrato fiel da indignação dos professores e servidores da rede municipal de Juazeiro do Norte (a 548 km de Fortaleza), que terão seus vencimentos reduzidos em até 40%.
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Na tarde da última quinta-feira, a orientadora da escola municipal Izabel da Luz foi até a Câmara de Vereadores para pressionar os parlamentares a não aprovarem o projeto da prefeitura que previa mudanças no PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração). Mas não segurou o choro antes mesmo da votação. Ela considera que o choro é um desabafo da 'revolta' dos professores.
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"Na verdade, aquele choro veio depois de um grito e foi antes da votação. Foi uma forma de desabafar o que estava sentido e via naquele momento. Estávamos passando uma pressão muto grande. A polícia já tinha soltado spray de pimenta, e eu tinha de desabafar de algum jeito. Nunca tinha participado de algo daquele tipo, só via na televisão. Não havia necessidade de haver policiais armados com pistolas, fuzis", comentou, em entrevista nesta quarta-feira (12) ao UOL.
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Nessa terça-feira (11), os servidores entraram em greve para protestar contra a aprovação do projeto.
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Choro antes e depois
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Oliveira disse que apesar de só ser fotografada antes da sessão, após a aprovação, chorou novamente. "A indignação foi a mesma. O caráter de revolta foi o mesmo. Chorei por tudo: pela humilhação, pela decepção. Fiquei muito mal. Passei dois dias aérea. Toda vez que a gente lembra, sofre de novo ", disse.
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A orientadora disse, que no momento em que foi anunciada a aprovação, se sentiu "péssima." "Foi como se a gente, como se a voz do povo, de uma sociedade organizada em grupo, não tivesse valor algum. Aquela sessão não tinha condições de aprovar nada, até por conta do que houve, do barulho. Ninguém conseguia se expressar para o outro. Creio que foi um desmando, uma desconsideração com a nossa classe, já tão sofrida", contou.
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A professora lembra que a conquista do PCCR veio após longa luta da categoria no ano passado. "Quando a gente pensa que está tranquilo, depois de tanta luta, vê que não está. A gente não sabe nem como chamar isso. É um absurdo, principalmente a forma como feito. Vimos que aqueles representantes do povo, não são: são representantes deles próprios. Isso foi muito ruim para a população, para nós, professores. É incrível como eles não ligam em ter uma imagem de uma Câmara tão negativa"
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Histórico e foto
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Oliveira começou como professora da educação infantil em 1993. Aprovada em concurso público como orientadora educacional em 1997, foi contratada pela prefeitura de Juazeiro do Norte em 2001, onde está desde aquela época. A orientadora diz que não sabe quanto vai perder de rendimento com a decisão da Câmara. "Não tenho ideia, uma amiga ficou de ver isso", afirmou, sem citar o salário.
A orientadora disse que, desde a quinta-feira, por conta da repercussão da foto, ficou mais reservada. Ela não esconde, porém, que a imagem do seu choro é um retrato fiel de um sentimento que tomou conta da categoria. "Aquela foto expressou a revolta da gente. Não só pela aprovação, mas principalmente pela violência. Estou procurando me manter mais afastada, minha imagem já rodou demais. Se a foto está para ajudar a nossa causa, os professores, ótimo! Mas não vou permitir charge", disse Oliveira, citando que já foi alvo de dois desenhos que foram colocados nas redes sociais e pediu para que fossem excluído.
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Oliveira ainda disse que tem esperança de que a aprovação da Câmara seja revertida. "Tenho esperança que eles caiam em si, que isso não é bom para população. Há outros meios para resolver a situação. A gente espera que a lei não seja sancionada, que Deus toque o coração deles", finalizou.
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A redução
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Em nota oficial, a prefeitura de Juazeiro informou que a reformulação do PCCR teve de ser feita para que as contas municipais pudessem fechar sem débitos e que atualmente para manter o pagamento dos professores como está "extrapola o limite de 60% dos recursos do Fundeb e deixa apenas 13% para investimentos no setor ao invés dos 40% definidos em lei". O prefeito Raimundo Macedo (PMDB) disse, em nota, que sua preocupação é pagar os salários dos servidores em dia e afirma que a gestão anterior deixou um débito de R$ 5 milhões para serem arcados pela sua administração.
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A nota destaca ainda que a reforma do PCCR "em nada alteram a condição dos professores de Juazeiro em continuarem recebendo um dos maiores salários do magistério em nível de Ceará e desafia comparações. Nenhum professor terá seu salário reduzido, conforme garantia dada pelo próprio município." A procuradoria do município afirmou que "na realidade o que aconteceu foi a incorporação de 10% da gratificação ao salário base." 
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ceará dá aumento a 130 professores e sindicato vai manter greve



Por Daniel Aderaldo

O governo do Ceará concedeu reajuste salarial para um grupo de 130 professores que ganha abaixo do piso nacional do magistério e deixou de fora aproximadamente 35 mil educadores que compõem a rede estadual, entre ativos e inativos. A categoria, em greve há 56 dias, tentou impedir a votação da matéria pela Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (29) com a realização de um protesto. Eles reivindicam que a carreira seja contemplada em todos os níveis e vão manter a paralisação.

O reajuste só contempla o nível inicial da carreira. Na prática, apenas um grupo de 130 professores que possuem apenas a formação de nível médio se encaixam nesse perfi, segundo a Secretaria de Educação do Ceará (Seduc). Eles ganham abaixo do piso nacional e passarão a receber R$ 1187.
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Os professores, contudo, reclamam que a alteração na tabela de vencimentos não tem impacto nos níveis superiores da carreira. A categoria protestou durante toda manhã tentando convencer os parlamentares a tirarem a matéria de pauta, mas os manifestantes acabaram entrando em confronto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar, dois professores ficaram feridos e a mensagem foi aprovada. Os grevistas estão contrariados com a proposta do governo que, além de não acrescer nenhum valor ao vencimento dos professores graduados, pós-graduados e com mais tempo de serviço, também compromete a progressão da carreira dos educadores. Hoje, a progressão é anual. Se a nova proposta for sancionada, passará a ser de dois em dois anos. A matéria também modifica a gratificação por regência de classe, que atualmente é 10% do salário e se tornará 10% do vencimento base de R$ 1187.
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“Os professores estão, na verdade, perdendo direitos. Mesmo os que estão ganhando esse reajuste. A lei do piso nacional não é só o valor do salário base, ela também tem consequências na carreira”, defendeu o presidente do Sindicato dos Professores do Ceará (Apeoc), Anízio Melo. O líder do governo na Assembleia, deputado Antonio Carlos (PT), argumentou que o governo tinha a intenção de enviar uma mensagem que contemplasse todos os níveis da carreira, mas diante da persistência da categoria em continuar a greve, o governador Cid Gomes (PSB) quis resolver logo a situação dos professores que ganham abaixo do piso estabelecido por lei nacionalmente. “A idéia era um plano global que envolveria todos os níveis. Esse foi o acordo do governador com a categoria, mas isso estava condicionado ao fim da greve”, disse o parlamentar.


Foto: Daniel Aderaldo/iG
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Segundo o deputado petista, na última reunião de negociação com o comando de greve, o governador propôs priorizar o nível inicial de graduados. Assim, eles teriam um reajuste de R$ 1,4 para cerca de R$ 2 mil. “Os sindicalistas reagiram. Disseram que tinha que ser para toda classe, então o governador apresentou o orçamento de 29,5% para a educação e pediu que a categoria distribuísse na carreira e construísse um plano, mas isso condicionado à suspensão da greve. Mas não houve a suspensão da greve”, ponderou.
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Segundo a direção do sindicato, a categoria irá realizar uma nova assembleia na manhã desta sexta-feira (30), em frente à Assembleia Legislativa, para decidir o destino da greve. “Com a aprovação da mensagem, temos que ampliar a mobilização e a ideia agora é que essa mensagem não seja sancionada e que o governo sinalize para uma negociação que possa ter como parâmetro uma proposta de carreira mais global”, informou Anízio Melo.

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