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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A academia tropical

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O campo científico da Administração cresceu vigorosamente nas duas últimas décadas. Há hoje, no Brasil, 78 programas de pós-graduação para formação de mestres e doutores. Esses programas contam com cerca de 1,2 mil professores e produzem por ano quase 1,4 mil dissertações de mestrado e mais de 200 teses de doutorado. Anualmente, mais de 4 mil trabalhos são apresentados em duas dúzias de eventos acadêmicos, geralmente em aprazíveis cidades litorâneas e bucólicas estâncias nas montanhas. O campo conta cerca de 80 periódicos científicos, os quais somados publicam, aproximadamente, 2 mil artigos por ano. Informação relevante: parte considerável do sistema é bancada por recursos públicos.
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Dado que a Administração é uma ciência aplicada, supõe-se que o dinheiro investido seja utilizado de forma honesta e eficiente para ajudar o País a superar sua vexatória incompetência gerencial. Mas a qualidade e o impacto social da produção acadêmica da área são decepcionantes. As reflexões revelam fraquezas metodológicas, baixa capacidade de construção de teorias e afastamento da realidade brasileira.
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Em uma tese de doutorado defendida em junho na FGV-Eaesp, sob a orientação do colega Rafael Alcadipani, Paulo Marcelo Ferraresi Pegino analisou com lupa crítica nosso estranho modo de produzir ciência. O pesquisador aferiu a produção de 168 pesquisadores, bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), supostamente a nata da área de Administração. Os resultados são preocupantes.
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Primeiro, sobra quantidade e falta qualidade. No período analisado por Pegino, cada pesquisador publicou em média um artigo por trimestre. O mais produtivo atingiu a impressionante marca de dois por mês. Por outro lado, os pesquisadores levam em média dez anos para publicar em periódico de alta qualidade.
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Segundo, emergiu da pesquisa de campo uma prática heterodoxa de divisão do trabalho: os mais jovens (alunos de mestrados e doutorados) pesquisam e escrevem e os mais velhos (professores doutores), assinam. No período analisado, dois terços da produção científica dos pesquisadores foram gerados por orientados. Os orientadores aparecem como primeiros autores apenas em 16% dos trabalhos. Em suma, os textos científicos são produto de uma linha de montagem voltada para a geração em massa de artigos de baixo impacto e qualidade duvidosa.
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As entrevistas realizadas por Pegino com pesquisadores e alunos de doutorados revelam o funcionamento da máquina. As diretrizes de produção vêm de Brasília e são desdobradas em cada unidade industrial. Nas fábricas, os capatazes põem seus servos a trabalhar. Trechos das entrevistas revelam uma dura realidade: a pressão permanente por produção e a reação de professores e estudantes. O mercado é muito competitivo e pouco seletivo, mais importa a quantidade que a qualidade. Os mais velhos respondem como podem ao sistema, frequentemente empregando artifícios criativos para atender às metas de produção. Os mais jovens se submetem. Quem não produz é condenado ao desterro. Alguns pesquisadores se esmeram na adaptação, tirando o máximo rendimento de suas fábricas e de seus servos. Outros, sabe-se bem, se refugiam na nostalgia de tempos passados e empregam sofisticada retórica para defender sua zona de conforto. Aqui e acolá, surgem casos exóticos: alunos que parecem fazer trabalho de ghost-writer e doutorandos que orientam mestrandos.
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A tentativa de transformar a lerda e improdutiva academia tropical em máquina do conhecimento parece ter gerado uma linha de montagem cara e anacrônica, comandada (segundo palavras dos entrevistados de Pegino) por pseudopesquisadores, orientadores fantasmas, picaretas, primas-donas e cafetões acadêmicos. Um dos pesquisadores ouvidos criticou a fixação dos colegas com o acúmulo quantitativo de publicações e a dificuldade para veicular artigos em periódicos de alta qualidade: “(É) igual ao carnaval de Salvador: o cara está muito mais preocupado em quantas ele esteve [...] do que com a qualidade da mulherada que ele pegou, entendeu? [...] só que é o seguinte, meu amigo, pra pegar baranga é um minuto de conversa, pra pegar gata tem de conversar, tem de levar”. Bonito, não? Sem comentários.
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* - Administrador, professor e colunista da revista Carta Capital

terça-feira, 23 de abril de 2013

Só 7% dos alunos de escola pública entraram na USP

Apenas 7,7% dos candidatos de Escola pública que fizeram o vestibular da Fuvest conseguiram entrar na Universidade de São Paulo (USP) em 2013, o que representa uma queda em relação ao ano anterior, quando 8,36% desse grupo foi aprovado. No total, os oriundos da rede pública representam neste ano "28,5% do total de ingressantes. O porcentual mostra pouco avanço sobre o ano anterior - em 2012, o índice era de 28%.
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Após os resultados, a USP estuda alterar sua política de bonificação. O retrato dos ingressantes está longe de refletir a realidade da Educação do País, que tem 85% dos estudantes de Ensino médio em Escolas públicas.
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"Foi um bom resultado, mas não estou satisfeita. Esperava que (o porcentual) aumentasse", disse a pró-reitora de Graduação. Telma Zorn. A USP ofereceu 10.982 vagas em 2013.
O resultado surge enquanto se debate a implementação de cotas nas universidades estaduais de São Paulo. Entre outras coisas, o plano do governo prevê 50% de matrículas de Alunos de Escola pública até 2016.
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Se mantido esse ritmo, a USP vai levar 115 anos para ter 50% de Alunos de Escolas públicas - sem levar em conta cursos como Medicina e Engenharia, em que a proporção desses Alunos é menor. A USP não divulgou os porcentuais por curso. Além de ampliar o bônus (o limite hoje é de 15%), Telma mencionou possível bonificação para certas carreiras e para quem participa de olimpíadas estudantis. Apesar de indicar mudanças, nada foi anunciado.
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Segundo Telma, a USP precisa verificar por que os resultados não progrediram como esperado. "É uma situação multifatorial, até o ProUni não pode ser desvinculado". Para ela, o aumento das bolsas federais em faculdades privadas afastaria o estudante de Escola pública do vestibular da Fuvest. Para tentar reverter isso, a universidade tem investido em um programa em que estudantes da USP vão a Escolas. Em 2012, houve 3,3 mil visitas.
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O problema é que o número de inscritos da rede pública subiu quase 5% entre 2012 e 2013, mas o salto no ingresso foi mais tímido, menos de 2%. Debate. Segundo o Educador Jorge Werthein, do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, fazer com que os Alunos acreditem que é possível entrar na universidade é essencial. "A USP tem de mostrar que realmente busca a inclusão".
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Presidente do cursinho Henfil, Matheu Prado diz que a bonificação não mudará o retrato social da universidade. "Se a USP quer incluir, precisa radicalizar, precisa ter cotas." Para a estudante Thaís Cortez, de 18 anos, que está pelo segundo ano no cursinho da Poli, "quem estudou em Escola pública não consegue entrar se correr sozinho" Ela quer uma vaga em Administração na Fuvest.
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Fonte: O Estado de São Paulo (SP)

sábado, 6 de abril de 2013

Pior escola de São Paulo tem brigas e falta de professores

Alunos reclamam de furtos e agressões dentro da escola. Faltam professores. Nenhum formando do ensino fundamental tem conhecimento adequado em matemática. O cenário é da escola Professora Flávia Vizibeli Pirro, no Jabaquara (zona sul de São Paulo), que teve a pior nota do ano passado entre as 3.500 unidades da rede estadual do ensino médio e uma das piores no ensino fundamental.
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A avaliação foi feita pelo próprio governo do Estado.
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A Folha esteve na última sexta-feira (5) no colégio e ouviu relatos de furto dentro da escola e agressões a alunos e a professores. A reportagem presenciou um grupo de meninos jogando pedras nos alunos que estavam dentro da escola. A doméstica Elisabeth Santos, 57, conta que dois de seus netos, de 12 e 13 anos, estudam no colégio e não sabem ler. "A escola é fraca mesmo."
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A unidade também é a que mais precisa de professores em sua diretoria de ensino. A Secretaria da Educação afirma que a escola acompanha os alunos e que professores cobrem eventuais ausências no quadro.
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MELHOR NOTA
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Com os dados divulgados nesta semana pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB), foi possível verificar o desempenho de cada escola da rede.
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O indicador utilizado é o Idesp, que vai de 0 a 10 e considera provas de português e matemática e a proporção de alunos aprovados. Na pior escola do médio, a nota foi 0,3. O indicador é usado como base para pagamento de bônus aos professores. Na outra ponta da rede estadual está a escola Pedro Mascari, em Itápolis (360 km de São Paulo). Ela teve as melhores médias no 9º ano do fundamental e no médio.
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A diretora Márcia Cândido Senchetti afirma que favorece a pequena quantidade de alunos por sala (cerca de 15). Uma das inovações da escola levou os estudantes à cozinha, onde aprenderam química com esfirras e frações com brigadeiros. Apesar de elogiar a unidade, a diretora afirma que sua filha estuda em escola privada. Assim, diz, ela pode comparar o ensino e levar à rede pública novas experiências.
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Editoria de arte/Folhapress


Fonte: Folha de São Paulo (SP)

sábado, 23 de março de 2013

Alunos da rede estadual tomam ruas do Centro

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Estudantes de oito colégios da rede estadual tomaram as ruas do Centro em protesto na manhã desta sexta-feira (22). Entre os participantes do movimento unificado pela melhoria nas condições de ensino estavam alunos das escolas estaduais Batista de Oliveira, Delfim Moreira (Grupo Central), Duarte de Abreu, Duque de Caxias, Estevão de Oliveira, Fernando Lobo, Instituto Estadual de Educação (Escola Normal) e Juscelino Kubitschek (JK). O ato também contou com apoio de movimentos estudantis e sindicais, além de alguns pais e professores, provocando retenções nas principais vias da região central. Quem se deparou com o trajeto da passeata se surpreendeu com a quantidade de gente e precisou aguardar para prosseguir. "Acho muito bom fazerem isso, porque é um absurdo vermos a degradação desses prédios históricos das escolas estaduais. Estudei no Grupo Central e tenho muito amor por este espaço", disse uma aposentada que passava na hora do protesto. Já alguns motoristas ficaram impacientes com as interrupções no tráfego e preferiram cortar caminho, desviando do ato.
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Depois de se concentrarem em frente à Escola Normal, na esquina da Rua Espírito Santo com a Avenida Getúlio Vargas, os manifestantes tomaram a pista de subida da Avenida Itamar Franco até o cruzamento com a Avenida Rio Branco. Na via, eles realizaram paradas em frente à Superintendência Regional de Ensino (SRE) e ao colégio Delfim Moreira. O movimento provocou retenções no trânsito da região central, devido à aglomeração de manifestantes. Conforme estimativa de policiais lotados no Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PPTran), cerca de 200 pessoas participaram do protesto. Já o grupo de estudantes que liderou a ação acredita que pelo menos 300 estudantes acompanharam a passeata. Policiais militares seguiram o percurso para garantir a segurança e para que o fluxo de veículos não fosse totalmente interrompido. Já no final da manhã, na dispersão do ato iniciado às 7h, agentes de trânsito também atuaram nos principais cruzamentos.
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Os manifestantes ainda tomaram por alguns minutos as escadarias da Câmara Municipal, no Parque Halfeld, mas depois saíram novamente caminhando pelas ruas do Centro até chegarem à esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Espírito Santo, onde se localiza a sede da SRE, no edifício Alber Ganimi. Os alunos chegaram a montar uma comissão com integrantes de todas as escolas, com a intenção de se reunirem com representantes da superintendência. No entanto, desistiram de aguardar em frente ao prédio e seguiram novamente em protesto até o Conservatório Estadual de Música, localizado na Rua Batista de Oliveira.
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Conforme o presidente do grêmio estudantil do Instituto Estadual de Educação, Juliano Rezende, 17 anos, o movimento foi organizado pelos próprios alunos e tem a intenção de cobrar do Governo de Minas e da SRE medidas urgentes para melhorar o ensino na rede pública do estado. No início do mês, outros protestos foram realizados questionando a falta de professores e a demora em solucionar falhas na infraestrutura de algumas instituições de ensino, o que foi denunciado em uma série de reportagens da Tribuna. "Esses meninos se mobilizaram para lutar por uma educação de qualidade e contra o sucateamento das escolas. Eles não querem que se repita nos próximos anos a demora na contratação de professores, já que, até agora, temos quadros incompletos", disse a professora de história Ângela de Paula. Pai de uma aluna da escola Duque de Caxias, Francisco Martins, 56, acompanhou o protesto. "Vivemos em um país onde há liberdade para manifestar, mas faltam movimentos como este, para denunciar os problemas e cobrar a aplicação do dinheiro público."
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Vereadores se mobilizam para acompanhar a situação
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Depois de os alunos tomarem a escadaria da Câmara Municipal no protesto da manhã de sexta, o assunto foi alvo de comentários dos vereadores na reunião que ocorreu em seguida no plenário. Depois da pauta, a Comissão de Educação da Casa, integrada pelos vereadores Roberto Cupolillo (Betão-PT), Ana Rossignoli (PDT) e Jucélio Maria (PSB), informou que pretende realizar encontro com os representantes da Superintendência Regional de Ensino (SRE) e da Secretaria de Educação municipal no próximo dia 8 de abril. Uma audiência pública também foi solicitada por Luiz Otávio Coelho (Pardal - PTC) para discutir o tema no dia 17. Ana Rossignoli (PDT) disse ainda que vai entregar representação a ser encaminhada para SRE, Secretaria de Estado de Educação e Governo de Minas cobrando solução para a questão, que envolve falhas na infraestrutura, atraso na contratação de docentes, falta de mobiliário e turmas que estariam com mais alunos do que a capacidade física das salas.
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A assessoria de imprensa da Secretaria Estado de Educação (SEE) informa que a superintendente Belkis Furtado recebeu um grupo de alunos na manhã desta sexta, para ouvir as demandas. À tarde, foi realizada reunião com os diretores das escolas para repassar os questionamentos, que serão apurados. Caso as denúncias tenham procedência, a pasta diz que tomará as providências cabíveis. Em relação à falta de professores, a assessoria informou que um problema ocorrido no início do período letivo no sistema de contratação atrasou algumas designações, tendo sido corrigido rapidamente, mas defende que as nomeações de concurso público realizado foram iniciadas e que, até julho, 150 vagas serão preenchidas na cidade, solucionando este problema.
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Quanto às falhas estruturais nas escolas Delfim Moreira e Duarte de Abreu, que envolvem desde portas e janelas quebradas, infiltrações, goteiras, falta de mobiliário e falhas no assoalho (que cedeu na Delfim Moreira, provocando acidentes com aluno e professor), a SEE disse que, como medida emergencial, autorizou o aluguel de um imóvel para transferência dos alunos da Delfim Moreira até que as obras sejam realizadas no prédio atual, que é tombado pelo Município. O projeto de restauro e reforma orçado em R$ 200 mil está em fase de elaboração, e um espaço para alugar já estaria em análise. Já na Duarte de Abreu, a secretaria afirma que, desde o ano passado, recursos da ordem de R$170 mil foram empregados na reforma do telhado e do banheiro dos alunos. Além disso, no fim de 2012, outros R$ 160 mil teriam sido liberados para obras gerais, que estão em fase de licitação. As escolas Batista de Oliveira, Duque de Caxias, Normal e JK também serão contempladas com reforma. No caso da Normal, cerca de R$ 300 mil já foram liberados para realização do projeto.
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Sobre as denúncias de salas com mais alunos do que a capacidade física, a SEE diz que os diretores não confirmam a situação, já que o espaço é analisado e há lei que restringe o número máximo por etapa educacional. No caso da Escola Normal, foi verificada a possibilidade de redistribuir as turmas do terceiro ano do ensino médio, e houve ampliação para sete classes, sendo que, nas salas menores, foram colocados cerca de 30 alunos, e as maiores estão com 38.
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Fonte: Tribuna de Minas (JF- MG)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sem bons professores não há futuro

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Editorial
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Países como Coreia do Sul, Finlândia, Cingapura, Canadá e Japão, que estão no topo da Educação mundial, têm pelo menos uma coisa em comum: ser Professor nesses países é objeto de desejo. Os jovens se sentem atraídos pela carreira do magistério. No Brasil, eles têm fugido da carreira. País sem bons Professores não tem futuro. Não é à toa que a qualidade de nosso Ensino médio está estagnada há mais de 10 anos.
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Muitos jovens não conseguem terminar essa etapa, ficando pelo meio do caminho, e a grande maioria dos que o concluem sai com baixo nível de aprendizagem. Por exemplo, em matemática, 89% dos concluintes não aprenderam o que seria esperado ao término da última etapa da Educação básica. Por isso, a oferta de um Ensino médio de qualidade, capaz de motivar nossa juventude, é o grande desafio da Educação brasileira.
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Para que isso aconteça, um pré-requisito essencial é ter bons Professores — em quantidade suficiente para atender à atual demanda. Por exemplo, dos que ensinam física, 61% não tiveram formação na disciplina ou em outra da mesma área de conhecimento; em química, o percentual é de 44%. Soma-se a isso um currículo pouco atraente numa Escola de tempo parcial. Como gostar do Ensino médio nessas circunstâncias?
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Estudo da Professora Bernadete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, mostrou que tanto a formação inicial dos nossos Professores quanto a continuada estão longe das atuais necessidades da Escola pública. Não dialogam com a sala de aula. A formação é muito teórica. Não há propriamente projeto ou plano de estágio, nem sinalizações sobre o campo de prática ou a atividade de supervisão.
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Raras instituições especificam em que consistem os estágios e sob que forma de orientação são realizados, ou se há convênio com Escolas das redes. A Escola, como instituição social e de Ensino, é elemento quase sempre ausente nas ementas, o que leva a pensar numa formação pouco integrada com a ação profissional do Professor.
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Na maior parte dos ementários analisados, não foi observada articulação entre as disciplinas de formação específica (conteúdos da área disciplinar) e as de formação pedagógica (conteúdos da docência). Na prática, o que se observa é que a licenciatura não tem identidade própria, é um híbrido mal-estruturado entre o bacharelado e disciplinas do campo pedagógico.
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Sem bons Professores não teremos um bom e atraente Ensino médio. Aqui é preciso um pacto entre governos – nas esferas estadual e federal – e instituições formadoras. Aí voltamos ao primeiro trecho deste artigo: por que nos países citados os jovens são atraídos pela carreira do magistério? Essencialmente quatro fatores respondem à questão: salário inicial atraente, plano de carreira motivador, pautado no desempenho em sala de aula e na formação continuada, formação inicial sólida com foco na prática Docente e Escolas bem-estruturadas e organizadas.
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Isso é a parte que cabe ao futuro empregador: o governo estadual em colaboração com o governo federal. Há um movimento interessante em prol de criar uma carreira federal para os estados, com certificação Docente. Às instituições formadoras, por sua vez, cabem mudanças profundas na formação Docente. E aqui proponho algumas iniciativas.
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Primeiro, é preciso dar identidade às licenciaturas, integrá-las por área de conhecimento, com Professores dedicados em tempo integral à Educação básica com foco no Ensino médio. A esses se juntariam os que poderíamos chamar de “Professores-pontes”, Professores do Ensino médio que teriam parte do tempo dedicado a esse espaço próprio de formação de Professores. Eles trariam o “cheiro de Escola”. Um terceiro grupo seria o dos Professores visitantes, que oxigenariam o sistema com novas práticas Docentes. Além do grupo dos respectivos bacharelados, que seriam colaboradores no processo de formação.
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Como os Alunos das licenciaturas em geral chegam do Ensino médio com formação muito precária, seria dada a eles atenção especial já nessa etapa da Educação básica – ou seja, os futuros Alunos que quisessem ingressar nos cursos de licenciatura deveriam estudar preferencialmente em Escolas de tempo integral, e, motivados por nova carreira, teriam atenção especial das instituições formadoras já no Ensino médio. Os Alunos de licenciatura, nessa nova roupagem de formação, teriam todos bolsa de iniciação à docência, com plano de trabalho bem definido.
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Por fim, o currículo da nova licenciatura teria como características o foco na prática Docente e na formação interdisciplinar, a forte inclusão das novas tecnologias e de espaços de aprendizagem e a residência Docente em Escolas de tempo integral. Quanto custa isso? Certamente menos do que se gasta para recuperar os jovens que estão nas ruas, afastados das Escolas e sem perspectivas futuras. Como disse Derek Bok, ex-reitor de Harvard, se você acha a Educação cara, experimente a ignorância.
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Fonte: Correio Braziliense (DF)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

MEC altera cálculo de nota de curso superior

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por FÁBIO TAKAHASHI - DE SÃO PAULO.
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O Ministério da Educação decidiu alterar o cálculo da nota dos cursos de ensino superior. O quesito professor com doutorado perdeu peso, enquanto aumentou o valor para o docente com mestrado e com dedicação integral.
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Chamada de CPC (Conceito Preliminar de Cursos), a nota é usada para fiscalizar os cursos superiores. Os que ficam com nota 1 ou 2 (numa escala até 5) são inspecionados e podem até fechar.
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A diminuição do peso para doutores era um pedido das instituições privadas, que afirmam ser difícil contratar professores tão qualificados em algumas áreas do conhecimento ou regiões do país. Profissionais com doutorado tendem também a ganhar mais e serem mais qualificados por fazerem pesquisas.
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Para educadores, houve afrouxamento nas exigências de qualidade. O MEC diz que o momento é o de induzir melhorias em outros aspectos.
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Com a nova fórmula, a proporção de professores com doutorado cairá de 20% para 15% da nota. Os cinco pontos serão distribuídos entre os quesitos docentes mestres e com dedicação integral.
Também haverá aumento no peso para a existência de projeto pedagógico e a qualidade da infraestrutura.
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INGRESSANTES
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Essa elevação virá do quesito nota dos ingressantes no Enade (exame de universitários), que deixará de ser contabilizada, pois os calouros não fazem mais a prova. "Já estamos em um bom patamar em alguns pontos e precisamos induzir a melhoria de outros", disse o presidente do Inep (responsável pela avaliação), Luiz Cláudio Costa, sobre a redução do peso para doutores no CPC. "A redução não foi tão alta."
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Nos últimos cinco anos, a proporção de doutores nas instituições subiu de 22% para 29%. Já a dedicação integral subiu de 36% para 47%.
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"Uma alteração dessa faz com que as instituições segurem a contratação de doutores, o que traz prejuízos à qualidade", afirmou o pesquisador da área de educação José Rothen, da Ufscar.
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Diretor do Semesp (sindicato das universidades privadas), Rodrigo Capelato diz que a alteração corrige "em parte" distorções. "O peso para doutor era grande. Melhorou, mas segue alto."
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Fonte: Folha de São Paulo on line

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Opinião: Educação de qualidade no Brasil

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Luiz Carlos Amorim, escritor.
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A TV mostrou incansavelmente o "discurso" da nossa presidente sobre a Educação no Brasil. Entre outras tantas coisas, ela disse, na 9 Conferência Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, que "uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz pelas suas crianças e seus adolescentes". Pergunto: quando o Brasil será uma grande nação? E ela continua: "O país precisa garantir Ensino de qualidade para todos, Ensino de padrão de Primeiro Mundo. Não é o Produto Interno Bruto que importa, é a capacidade do país, do governo, de proteger o presente e o futuro de nossas crianças e adolescentes". Se ela sabe de tudo isso, por que não faz acontecer?
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Ela não devia estar falando do Brasil, evidentemente, pois nossas Escolas públicas estão defasadas, abandonadas, muitas delas caindo aos pedaços, sem os equipamentos necessários, com os Professores ganhando menos do que deveriam para formar os nossos adultos de amanhã, que regerão os destinos do país. A Educação brasileira está jogada às traças, cada vez mais sucateada. O sistema de Ensino foi mudado para pior. A julgar pelo que a presidente disse, o que se pode dizer do Brasil, pelo que ele faz pelas suas crianças? Gostaria que a presidente respondesse.
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Uma coisa boa, no tal discurso, foi ela prometer que vai "aumentar o número de Escolas em tempo integral no país", dobrar o número de colégios de Ensino fundamental e do Ensino médio desse tipo, que hoje é de 33 mil estabelecimentos. "Nenhum país desenvolvido tem Escolas de período único." Eu não conheço nenhum colégio de Ensino integral, mas torço para que já exista o número que ela citou. Será que podemos acreditar numa promessa dessa em ano eleitoral? Aliás, não precisava ser ano eleitoral, a dúvida existiria.
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Seria muito bom se fosse verdade. Quero que ela me mostre que a minha descrença não tinha fundamento e implante todas as Escolas que prometeu, que as faça funcionar, com Professores qualificados, bem pagos, e que as Escolas sejam bem equipadas, funcionais. Mas e as Escolas públicas que estão aí, sem reformas há dezenas de anos, sendo desativadas, obrigando as que sobram a aumentar os turnos, diminuindo a carga horária dos estudantes? Ou então colocando em risco a vida de Alunos e Professores em salas com o teto quase caindo, com instalação elétrica oferecendo perigo, com a instalação hidráulica não funcionando, etc., etc? Se as "novas Escolas" apenas substituirão as que aí estão, não haverá aumento de Escolas.
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A presidente falou em disputar "economia do conhecimento", afirmou e reafirmou que o Brasil só vai ser um país desenvolvido quando todas as crianças e jovens tiverem acesso à Educação de qualidade". Ótimo, todos achamos isso. E onde está a Educação de qualidade? Por que o Brasil não providencia Ensino de qualidade para suas crianças e para seus jovens? Por que não recupera e investe na Educação para que ela volte a ter qualidade? Por que não há mais respeito pela Educação por parte dos donos do poder?
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Fonte: Correio do Povo (RS)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Cuidado no momento da escolha de sua faculdade

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Por Célia Correia*
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A participação num processo seletivo para o sonhado ingresso no ensino superior é complexo e cheio de dúvidas para os jovens estudantes que sofrem, inicialmente, com a indecisão sobre a escolha de uma área que poderá conduzi-los para a concretude de planos, para uma carreira profissional promissora e uma vida melhor.
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Entretanto, essa indagação inicial, mesmo quando bem orientada e já definida, não é um fator isolado. Ao seu lado, outros significativos elementos podem afetar, direta ou indiretamente, o alcance dos objetivos e, até mesmo, resultar em grande frustração que poderá implicar na evasão escolar, na formação de baixa qualidade e no adeus aos sonhos.
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Que fatores são esses? Muitos, a partir do preparo e condições próprias do estudante, entram em cena outros elementos que escapam à sua capacidade de administração, dentre eles podem ser apontados: a qualidade e legalidade da escola e do curso no que tange à estrutura para o seu regular funcionamento; a capacidade do quadro de professores e do quadro administrativo; perfil dos egressos e dos atuais alunos, a localização (importante fator que traduz facilidade de acesso, barulho, segurança e outros elementos que interferem no equilíbrio emocional, no cansaço físico e na facilidade de movimentação do estudante e dos professores); nome (reconhecimento) da instituição na sociedade; projeto pedagógico e tantos outros que somados a esses são objeto de propagandas (algumas enganosas) no período de captação de candidatos.
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Entretanto, há um fator importante e muito pouco apontado no cenário da educação particular como capaz de afetar a qualidade dos cursos: o cumprimento das obrigações trabalhistas da instituição. Fato, quase sempre restrito ao ambiente interno, mormente, nas salas dos professores e nas negociações com os sindicatos. Não estou apontando a ocorrência de greves. Aponto para a ocorrência de atrasos de pagamentos, descumprimento de exigências legais, exploração do trabalho de professores e colaboradores administrativos fora dos valores morais e éticos descritos na legislação em vigor, nas cartas de princípios, nos regimentos, manuais e outros documentos que servem para responder às avaliações institucionais.
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Pode ser que, a relação desses últimos fatores com o comprometimento da qualidade dos cursos passe despercebida por muitos, mas os bons observadores conseguirão enxergar os seus efeitos no clima interno e nos aspectos motivacionais que acometem os quadros docente e administrativo.
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Embora professores tentem não deixar transparecer e, muito menos transferir, suas angústias e decepções para os seus alunos, impossível negar que, como vítimas de um sistema castrador e desrespeitoso, torna-se inevitável a convivência com alta rotatividade de pessoal, absenteísmo, produção de baixa qualidade, doenças do trabalho e conflitos internos. Por conseguinte, salas de aula que formarão futuros profissionais com baixa qualificação para o mercado e, frustração profissional e pessoal.
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Portanto, não basta ao estudante se deixar influenciar pelas campanhas publicitárias construídas com peças de Marketing (já tão desgastadas), mas visíveis em todos os cantos da cidade nos momentos de divulgação dos processos seletivos com indicações de "boa infraestrutura, bons preços e quadros de professores com mestrado e doutorado". É preciso que o estudante investigue, mais a fundo, a ética da instituição.

É preciso que se verifique junto aos professores e funcionários administrativos, sindicatos, justiça e órgãos de defesa do consumidor, a ficha de reclamações e de causas trabalhistas das instituições que criam armadilhas de puro comércio da educação.
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É recomendável, ao estudante, investigar motivos de desligamentos e esvaziamento do quadro de professores da escola para a qual ele pretende ir, principalmente, a perda de renomados profissionais nos últimos anos. É bom ficar atento e confirmar a idoneidade da instituição antes de colocar em risco o sonho de fazer uma faculdade.
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Ignorar fatores motivacionais no exercício do magistério e, de um modo geral na sala de aula, é o mesmo que negá-los no desempenho, na produtividade e na qualidade em qualquer campo de produção de bens ou serviços. É o mesmo que desconhecer princípios, teorias e boas práticas de gestão.
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Não honrar contratos de trabalho e/ou não cumprir com as obrigações legais para a garantia de harmonia, sinergia e segurança junto ao quadro de pessoal de qualquer organização (inclusive escolar) é uma forma de violação que pode resultar em consequencias desastrosas para as partes. No caso em questão o maior perdedor, sem dúvida, será o aluno.
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* Célia Maria Corrêa Pereira. Professora. Administradora. Mestre em Engenharia de Produção

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Frequência mínima escolar, questão de qualidade



Por Adriana de Bortoli Gentil*

O debate em torno da frequência mínima do aluno em sala de aula, em nosso país, tem sido polêmica. Nas últimas décadas, tem assumido um aspecto assistencialista em função de medidas governamentais, mas que não deixam de alimentar um debate constante sobre a qualidade da educação nacional. É extremamente importante esse diálogo, já que perseguimos a melhoria da qualidade dos serviços educacionais. A aprovação pela Comissão de Educação do Senado, no dia 4 de maio, da frequência mínima do aluno em sala de aula - que passará dos atuais 75% para 80% de exigência – vem, de certa forma, ao encontro das metas do novo Plano Nacional de Educação, que se encontra em tramitação no Congresso. Ele determina, em sua meta número 6: oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.

Observa-se que há uma tentativa gradual de aproximar-se da meta proposta, já que o debate sobre o aumento da frequência na sala de aula caminha paralelamente ao projeto de ampliação da carga horária mínima anual. Atualmente, a carga horária é de 800 horas por ano e, de acordo com o projeto aprovado, passará para 960 horas. Essa proposta de alteração significa, na prática, aumentar a permanência do aluno na escola, que poderá ser revertida em aumento diário do tempo na escola ou expansão dos dias letivos previstos anualmente. Mesmo sabendo que o Brasil, em comparação com outras nações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), possui uma carga horária reduzida, existem divergências entre os especialistas quanto ao tema. Provavelmente, isso é devido à questão estrutural e sistêmica da educação nacional, como infraestrutura, política de financiamento, gestão e valorização dos profissionais da educação, entre outros.

É importante destacar que qualquer proposta de alteração na forma de atendimento da escola deve passar por uma ampla análise da conjuntura escolar, desde a infraestrutura do colégio, o currículo, a gestão, a formação e a qualificação de todos os profissionais da educação que atuam no espaço escolar. Não podemos tratar da qualidade do ensino somente na perspectiva de aumento do tempo de permanência dos alunos na escola, mas enfrentar antigos dilemas da educação nacional. Muitos especialistas advertem que o tempo de permanência do aluno na escola não necessariamente contribui para o seu aprimoramento, que há necessidade de utilizar esse “novo tempo” de forma criteriosa, definindo diretrizes escolares por meio de um currículo que contemple essa nova realidade e o contexto social de cada comunidade escolar.

As propostas apresentadas pela Comissão de Educação do Senado não são uma novidade: há muitas décadas, especialistas, docentes, órgãos de representação de classe, conselhos municipais de educação e representantes do poder público debatem o assunto. Mas, quem sabe, chegou a hora de nos debruçar sobre essa questão, de relevância para as nossas crianças e jovens, inclusive considerando-se as metas do novo Plano Nacional de Educação a ser aprovado. Do outro lado da moeda, a ampliação do tempo de permanência do aluno na escola pode denunciar uma preocupação do governo com seu programa de transferência de renda, no que se refere ao excesso de absenteísmo nas escolas. Dados de 2009 demonstram que o estado de São Paulo concentra mais da metade dos municípios do país onde há maior descumprimento da exigência para recebimento do benefício. No Paraná, mais de 13 mil beneficiários podem ter o pagamento do Bolsa Família suspenso pela falta de frequência escolar ou desatualização dos dados cadastrais do programa. Pela exigência do programa, os estudantes com idade entre 6 e 15 anos precisam cumprir o mínimo de 85% da carga horária mensal.

De qualquer forma, os projetos apresentados pela Comissão de Educação do Senado são pertinentes porque abrem espaço para o debate e podem se revelar grandes aliados na tarefa de todos nós: garantir, de forma efetiva, um amplo debate nacional sobre a qualidade da educação nacional.

* Mestre em educação, pedagoga, historiadora e Suporte Pedagógico da Divisão de Sistemas de Ensino da Editora Saraiva

Fonte: http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2011/05/25/frequencia-minima-escolar-questao-de-qualidade/

terça-feira, 17 de maio de 2011

Para especialistas, muro colorido não garante Educação

Por Ocimara Balmant


Os pais precisam tomar cuidado para não se iludirem com a fantasia de que toda escola particular é melhor que a pública, dizem os especialistas. "Muitas dessas novas escolas se travestem. Elas pintam a parede, colocam bichinhos, brinquedos coloridos e um funcionário com uniforme bonito na entrada", explica Silvia Colello, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "A mãe fica com a sensação de que está colocando o filho na escola dos deuses."

Além disso, alerta Silvia, é comum a família associar um bom cuidado a uma boa educação, o que não é correto. "O pai operário fica mais sossegado porque acha que a criança está bem atendida. Mas escola não existe só para trocar fralda e dar comidinha. Sala pequena não resolve, mandar bilhetinho personalizado também não." O importante, segundo a educadora, é que a família fique atenta ao projeto pedagógico e à formação do corpo docente. "Apesar de tudo, o professor da escola pública passou por um concurso público. E os dessas particulares, que pagam apenas o piso salarial?"

Para o professor Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), o ideal é que seja criado um sistema de avaliação para as escolas particulares de ensino fundamental. "O crescimento da procura revela claramente que as famílias estão insatisfeitas com a escola pública. Por isso, é importante ter um critério de avaliação. Só assim a família vai poder comparar e conhecer a qualidade dessa escola."

O temor da professora Neide Noffs, da Faculdade de Educação da PUC, é que ocorra com o ensino fundamental o mesmo que aconteceu com o ensino superior privado. "Começaram a surgir faculdades baratas, sem plano de carreira para os docentes e sem estimular a produção científica. Deu acesso, mas não qualificou o estudante. Ele se forma e não consegue emprego. Será que não vai ocorrer o mesmo? O aluno termina o fundamental e não sabe o que deveria saber?"

Para o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro da Silva, é preciso colocar o tema da qualidade em perspectiva. "Não dá para vender um VW e entregar uma Mercedes. Mas o prometido precisa ser cumprido. Bom currículo e bons professores é o mínimo."

Escola barata


NEIDE NOFFS, PROF. DA FAC. DE EDUCAÇÃO DA PUC: "É complexo fazer boa educação cobrando pouco. Os professores precisam ser bem formados."

PRESTE ATENÇÃO

1.Ensino: Peça para conhecer o projeto pedagógico do colégio. Esse é um direito dos pais, o de saber a qual conteúdo curricular o seu filho terá acesso durante todo o ano letivo.

2. Professores: Verifique se o corpo docente é qualificado e participa de cursos de atualização. Lembre-se de que o seu filho não está ali só para ser cuidado. Ele precisa aprender.

3. Legalização: Confira se a escola está regularizada com a diretoria de ensino. Escolas irregulares são impedidas de expedir Diploma.

4. Bolso: Cheque qual é o preço do material didático. Há casos em que as apostilas custam quase o preço da mensalidade. E ainda é preciso comprar uniforme. Não feche negócio sem saber o impacto dos gastos complementares.

5. Acompanhe: Não basta só pagar a escola, é preciso acompanhar se o colégio está oferecendo o pacote de produtos e serviços que ofereceu.

6. Denuncie: Se a escola não estiver cumprindo os deveres contratuais, não hesite em acionar a delegacia de ensino da região.

Fonte: O Estado de São Paulo (SP)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Ao menos 160 mil alunos fazem curso tecnológico ruim


Entre 2003 e 2009, as matrículas em cursos tecnológicos no Brasil cresceram 324%

Agencia Estado - 22/02/2011 - 08:40

Entre 2003 e 2009, as matrículas em cursos tecnológicos no Brasil cresceram 324%. A qualidade desses cursos, no entanto, só começou a ser avaliada nos últimos três anos. O retrato levantado não é bom: cerca de 160 mil estudantes estão hoje em um curso superior de qualidade ruim. Mais que isso: até agora, apenas 38% deles passaram por algum tipo de avaliação do Ministério da Educação (MEC).

O avanço dos cursos tecnológicos no Brasil foi vertiginoso. Em 2000 havia apenas 364 cursos registrados. Em 2009, o Censo da Educação Superior registrava 4.449 cursos, um crescimento de 1.122%. De todos esses cursos, no entanto, apenas 1.723 já passaram por uma avaliação do MEC. Só 1.216 receberam conceitos. Os demais não tiveram graduandos suficientes para fazer o Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade).

Nos poucos cursos que já foram avaliados, a situação não é boa. Na média dos três anos de Enade, 33% tiveram conceitos de curso inferiores a 1,95 pontos e terão de passar por um processo de supervisão. Em 2008 e 2007, o resultado da avaliação foi ainda pior: mais de 40% dos cursos tiveram os piores conceitos. Em 2009, esse porcentual caiu para 27%. Mas 2009 também foi o ano em que mais cursos ficaram sem avaliação completa, porque eles não ainda possuíam turmas de formandos.

Nos mesmos três anos de avaliação, outros 40% ficaram com conceitos entre 1,95 e 2,95 pontos - o que significa que têm nota 3 para o MEC e são considerados "regulares", mas não que sejam realmente cursos de qualidade. Vinte e nove cursos ficaram com notas abaixo de 1. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: O Estado de São paulo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A decência e a docência

03 de fevereiro de 2011

''É imprescindível que medidas palpáveis sejam estabelecidas a curto e médio prazo, a fim de tomarmos a carreira docente um pouco mais atraente'', diz editorial do Jornal de Brasília.

Os objetivos da Educação para a A próxima década (2011-2020). O texto traz várias metas que pretendem alterar a realidade das Escolas no sentido de qualificar o atendimento, principalmente no ensino básico. Todas as metas poderão ser atingidas desde que haja políticas públicas consistentes, continuidade dessas políticas e investimento na formação e valorização do quadro de professores.

O objetivo de assegurar a todas as crianças e jovens o ensino básico e permitir que cada um conclua o processo de Escolarização básica pode continuar sacrificando a qualidade em função da quantidade. Todavia, sabemos que a realidade da Escola poderá ser mudada se, sobretudo, as metas propostas estiverem apoiadas na confiança, na ação e no empenho dos professores.

Isso significa que, se os professores não acreditarem na força e na seriedade das políticas educacionais e não as efetivarem no contexto das Escolas, o Plano Nacional de Educação será apenas mais um plano bem intencionado, porém ineficaz. Deve existir um projeto social e político que aponte, por meio de ações concretas, o desejo de se transformarem significativamente as metodologias e os conceitos que hoje determina os fazeres Escolares. Ninguém ignora que é a intervenção pedagógica adequada dos educadores que faz quase toda a diferença na Escola.

Todos defendem que a atividade docente está cada vez mais complexa e exigente; no entanto, também é consensual a idéia de que a carreira docente com ruim estatuto social decadente, formação fragilizada e remuneração baixa não atraem à profissão os estudantes mais qualificados nem anima os melhores profissionais a manter-se nas Escolas públicas.

Em um tempo em que nós, a sociedade como um todo, e as autoridades educacionais buscamos uma Escola que atenda mais e melhor à população que dela faz uso, é imprescindível que medidas palpáveis sejam estabelecidas a curto e médio prazo, a fim de tomarmos a carreira docente um pouco mais atraente. É preciso que os jovens sejam motivados a serem professores e encontrem incentivos e sentido no magistério. Uma profissão que não atrai as boas com certeza será ocupada por aqueles que, do ponto de vista profissional, não tiveram opções melhores.

Assim sendo, estaremos encaminhando pessoas desmotivadas à carreira docente, sem empenho e, sobretudo, que não acreditam que podem. Por isso mesmo, elas provavelmente não farão a diferença, posto que não escolheram , mas foram social e economicamente escolhidas para serem professores.

Para inverter o desprestigio da carreira de professor é imperativo que se efetivem medidas claras de formação continuada dos docentes e, ao mesmo tempo, se definam com clareza novas condições para o exercício da profissão. O PNE 2011-2020 aparece em hora propícia e deseja o desenho de um novo projeto social para a Escola pública. Todavia, o primeiro e mais importante passo para tal empreitada é devolver a decência à docência.

Fonte: Jornal de Brasília (DF)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Como lidar com o fracasso da escola

Elias Januário*
14 de janeiro de 2011

Hoje vamos refletir sobre alguns pontos da exitosa proposta que o educador norte americano Gary Wilson tem para que uma Escola problemática e fadada ao fracasso, possa retomar o rumo e se transformar num estabelecimento de ensino de sucesso. Para uma Escola onde impera a desordem e o caos generalizado, nos setores pedagógico, administrativo e organizacional, o caminho para a retomada segundo Wilson, é a Escola ser acolhida pela comunidade em seu aspecto amplo, incluindo aí igrejas, estabelecimentos comerciais, sindicatos, famílias, órgãos não governamentais, entre outros.

O princípio de toda a estratégia de recuperação do espaço Escolar corroído pela impunidade, medo, violência, ausência de políticas públicas, passa pela dedicação de um pequeno tempo que seja das pessoas da sociedade para levar até estas Escolas e seusalunos, um pouco de esperança, solidariedade, fé e amor. Para o educador norte americano, o primeiro procedimento a ser adotado quando nos deparamos com uma Escola impregnada de situações difíceis para serem solucionadas, devemos ouvir a opinião de toda a comunidade Escolar, ou seja, de professores, funcionários, alunos e pais acerca dos fatos que levaram a Escola a chegar a essa situação de insucesso Escolar.

Paralelo a isso, deve-se fazer um levantamento quantitativo e qualitativo da frequência dosalunos, quais os motivos das faltas, em que conteúdos têm maiores dificuldades, quais as necessidades básicas dos professores, qual a frequência dos pais na Escola, qual a presença e ação do poder público, entre outros. Com esses dados tabulados e analisados, partimos em busca de ajuda com maior propriedade e não apenas com suposições.

A participação da comunidade é o elemento estruturante de uma ação como essa. E também a parte mais difícil, pois quando uma Escola chega a níveis assustares de insatisfação, a comunidade é a primeira a não confiar mais em nada que se propõe. Por isso não se resolve o problema trocando de diretor ou diretora, a questão é mais profunda, necessita que a comunidade Escolar encampe o desafio de mudar o quadro que está posto.

Para conseguir o apoio da comunidade é preciso contar com o apoio dos meios de comunicação, na divulgação dos avanços positivos que estão ocorrendo, fazendo com que os pais acreditem e endossem essa ação social. Só assim ela terá sucesso.

Outro ponto importante nesse processo de reestruturação de Escolas pública fracassadas é a participação dos empresários, ou seja, as empresas de grande porte têm programas de doações para Escolas. Elas podem proporcionar recursos financeiros e tecnológicos, material pedagógico e de formação. É preciso ter um diagnóstico da Escola e um projeto de revitalização e ir até essas empresas buscar ajuda. Assim Funciona nos países do primeiro mundo.

A administração da recuperação de uma Escola em situação de risco não deve ficar só a cargo do diretor, dever ser atribuição de toda a comunidade Escolar, acompanhado pelo Conselho Escolar. Só assim o sucesso será garantido. Nunca se deve desistir de uma Escola, independente do estágio de fracasso Escolar em que se encontre. Os estudantes estão lá e precisando de uma formação adequada e de qualidade. É preciso fazer com que os alunos acreditem nos professores e na Escola em que estudam, só assim teremos êxito em nossa empreitada.
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* Elias Januário é doutor em Educação, professor de Antropologia da Unemat e escreve às sextas-feiras em A Gazeta. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br

Fonte: A Gazeta (MT)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Educação de qualidade: desafio para Dilma

CLEOMAR MANHAS - 05 de janeiro de 2011

A situação da Educação no Brasil ainda está na UTI, apesar de ter saído de estado gravíssimo para estado grave. A Conferência Nacional de Educação votou pelo aumento do investimento no setor para 7% do PIB até 2011 e 10% até 2014. Por isso é preocupante a declaração recente do ministro da Educação à imprensa, propondo a ampliação do financiamento anual para apenas 7% até 2015. Dizem que a falta de recursos não é o único problema da Educação. É sabido que não.

No entanto, também é sabido que os recursos atuais, 4,7% do PIB, são insuficientes para o desenvolvimento de uma Educação de qualidade. E que seria necessário um investimento grande, de cerca de 10% do PIB, ao menos por um tempo, até que se atingissem patamares satisfatórios. Foi assim o que fizeram países como a Coreia do Sul para mudar o cenário da Educação e, consequentemente, a possibilidade de se ampliar os índices de desenvolvimento sustentável.

A imprensa repercutiu duas pesquisas. A primeira, a do Programa Internacional de Avaliação de alunos Pisa), elaborada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), tem por finalidade a produção de indicadores de efetividade dos sistemas educacionais, avaliando o desempenho de alunos na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da Escolaridade básica obrigatória na maioria dos países avaliados.

No caso do Brasil, é a faixa em que estão concluindo o ensino fundamental e iniciando o ensino médio. A segunda, a análise elaborada Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acerca dos dados coletados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2009) sobre a evolução do analfabetismo convencional e do analfabetismo funcional.

Entendendo poranalfabetismo convencional as pessoas com mais de 15 anos que não conseguem escrever e ler um bilhete simples e por analfabetismo funcional as pessoas com mais de 15 anos que possuem menos de quatro anos de Escolaridade. O Pisa mostrou que o Brasil, de 2003 a 2009, conseguiu sair dos 383 pontos para 401 pontos, ou seja, avançou 18 pontos, o que por um lado é uma boa notícia, mas, por outro, demonstra que o país ainda é o 53° de uma lista de 65 países e seus níveis de proficiência são considerados moderados.

E, caso se verifique os dados desagregados, constatar-se-á que quase metade do universo pesquisado ainda possui níveis baixos de leitura, ou seja, dos seis níveis de proficiência em que se divide o Pisa, encontra-se no nível 1 ou baixo. Não estão aptos a lerem e refletirem sobre o que estão lendo. Pode-se inferir que boa parte deles não consegue se manifestar e expor suas ideias, além de fazer uma leitura mais ampla do mundo.

O Ipea fez um estudo comparativo abrangendo o período de 2004 a 2009. Com relação aoanalfabetismo convencional, houve uma redução de 1,8%, visto que se saiu do patamar de 11,5% de analfabetos para 9,7% atualmente. analfabetos funcionais eram 12,9% em 2004 e são 10,7% em 2009. Em termos de Brasil, somados analfabetos convencionais e funcionais, chega-se a 20,4% da população, ou seja, um em cada cinco brasileiros acima de 15 anos é subescolarizado. Ao acrescentar os dados do Pisa, grosso modo, pode-se dizer que mais da metade da população, de 15 anos de idade ou mais, possui dificuldades oriundas da baixa ou da falta de qualidade da Educação.

A presidente Dilma Rousseff, caso queira deixar uma marca importante no país, poderia assumir o compromisso de investir, de fato, na busca da Educação de qualidade.

E conforme registrado no documento final da Conferência Nacional de Educação, o financiamento adequado das políticas educacionais é o alicerce para a construção de um sistema nacional de Educação que garanta o acesso equitativo e universal à Educação básica de qualidade, garantindo a permanência e sucesso Escolar de crianças, adolescentes, jovens e adultos, além de assegurar que não se forme novos analfabetos funcionais. E, por fim, se comprometer com a redução drástica do analfabetismo convencional.
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Fonte: Correio Braziliense (DF) – In: http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/12662

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PESQUISA [Notícias]

Ipea: ricos no Brasil estudam quase o dobro dos pobres

por Claudia Andrade - Direto de Brasília, 18 nov. 2010

A renda continua sendo um diferencial na educação brasileira, é o que indica análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009 (Pnad). Segundo o Ipea, se dividirmos a população com 15 anos ou mais por renda em cinco partes, os mais ricos estudam, em média, 10,7 anos, contra 5,5 anos da quinta parte mais pobre da população - praticamente o dobro. A Pnad é realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Os mais ricos sempre estão em melhor situação do que os mais pobres (na educação). Apenas na área rural o indicador para os mais ricos está abaixo da escolarização prevista no texto constitucional (no mínimo 8 anos). Enquanto isso, os mais pobres não atingem o mínimo recomendado em nenhuma categoria", diz o instituto em nota.

Segundo o Ipea, há grande diferença também entre os mais ricos que vivem em área urbana e os que vivem na zona rural - os primeiros estudam, em média, 3,5 anos a mais. A diferença entre os mais pobres na cidade e no campo é menor - de 1,8 ano de estudo.

Mantidas as atuais políticas de educação, o Brasil deve levar ainda cinco anos para atingir uma média de oito anos de estudo entre a população de 15 anos de idade ou mais. E esses oito anos ainda são um patamar baixo, comparando-se com países desenvolvidos que têm uma educação básica completa de 11 anos de estudo. Um dos principais fatores que atravancam o processo de melhoria é a desigualdade de renda, segundo estudo do Ipea.

"Avançamos, mas continuamos com diferenciais fortes entre regiões, no quesito renda, raça/cor, no quesito rural/urbano", afirma o pesquisador do Ipea, Jorge Abrahão. "É importante o crescimento econômico que permite às famílias, com o aumento da renda, manter seus filhos na escola. Mas também não vamos melhorar isso tudo se não atuarmos de forma diferenciada", afirma Abrahão.

O pesquisador também aponta o analfabetismo como outro problema a ser enfrentado. Apesar da redução verificada desde o começo da década de 90, o número de analfabetos ainda gira em torno de 14 milhões de brasileiros. "A educação brasileira está avançando nos últimos 20 anos, mas anda sobrexiste muitos problemas, como o analfabetismo que ainda é muito alto no país, atingindo 9,7% da população de 15 anos ou mais. (O índice) está caindo muito devagar".

O grau de instrução da população brasileira acima de 15 anos atingiu a média de 7,5 anos de estudo no ano passado. No entanto, a melhora anual verificada entre os anos de 1992 e 2009 ficou em apenas 0,14 ano de estudo, em média. "Estamos ainda muito longe de atingir um indicador razoável para a educação básica. (...) O mínimo, o desejável para um país desenvolvido seria ser ousado e imaginar que em um espaço de tempo razoável se chegasse aos 11 anos", afirma o pesquisador.

Diferença expressivas

Segundo o Ipea, outros grupos também são desfavorecidos na educação brasileira. Os negros, por exemplo, estudam 1,7 ano a menos que os brancos. A população urbana estuda, em média, 3,9 anos a mais que a rural.


E mais...

Ipea: conclusão da educação básica ainda é desafio no Brasil

por Claudia Andrade - Direto de Brasília, 18 nov. 2010

A universalização do ensino fundamental deve estar direcionada para a conclusão dos anos escolares e não apenas para o acesso à educação. A conclusão é de um estudo sobre a situação da educação no Brasil divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009 (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O pesquisador do instituto Jorge Abrahão considera a defasagem de ensino é "um dos problemas mais sérios" da formação escolar. Em todo o País, 87,6% dos alunos concluem a quarta série do ensino fundamental, mas a taxa cai para 53,8% na conclusão da oitava série.

Mesmo no Sul do País, que tem a maior taxa de alunos no ensino fundamental até a quarta série, 95%, vê o indicador cair para cerca de 70% na oitava série. "De cada 100, 95 terminam a quarta série, mas só 70 terminam a metade; 25 ficam na metade (do caminho). Ou o estudante foi reprovado e ficou para trás ou evadiu e não volta mais (para a escola)".

No Nordeste do Brasil, a taxa de estudantes na escola até a quarta série chega a 79,4%, mas cai para apenas 38,7% quando se chega à oitava série. No Norte, o índice cai de 81% para 40,5%, no Sudeste, passa de 94,5% para 66,6%, e no Centro-Oeste, de 88,9% para 54,2%. Quando se avalia o índice de adequação, ou seja, a idade adequada ao ano de escolaridade, os percentuais apresentam queda à medida que a idade aumenta. Na faixa etária dos 9 anos, todas as regiões do Brasil apresentam um índice de adequação de pelo menos 80%. Quando se chega aos 16 anos, no entanto, a média nacional cai para 60%. No Nordeste, chega a 40%."Além de ainda haver uma porcentagem residual de crianças e jovens fora da escola, entre os matriculados há os que não aprendem ou progridem lentamente, repetem o ano e acabam abandonando os estudos", diz a pesquisa do Ipea.

Os fatores que contribuem para a dificuldade de permanência do estudante na escola estão relacionados, segundo o instituto, à qualidade do ensino, à gestão das escolas e às desigualdades sociais dos próprios alunos e de suas famílias.

Fonte: Portal Terra