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terça-feira, 29 de maio de 2012

Educação e emprego numa sociedade em turbulência

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Célia Corrêa *
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As noticias que comparam a aceleração da economia brasileira e a crise dos países europeus deve ser considerada com cautela por aqueles que pensam que estamos numa situação privilegiada. Na verdade, numa economia globalizada não há o que comemorar. A ordem econômica é sistêmica e contingencial. Temos que agir com respeito e cuidado para não sofremos, muito em breve, os efeitos diretos daquilo que afeta os vizinhos. Nosso telhado é de vidro.
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O perigo começa quando consideramos a baixa qualificação profissional da grande maioria da mão de obra brasileira, ao contrário de muitos estrangeiros que pensam em novas oportunidades de trabalho no Brasil. Quem não se lembra das ondas de gringos que vieram ocupar fazendas de café e de cana de açúcar, por exemplo? Vieram e se afirmaram nos dando lições de dedicação, determinação e trabalho. Hoje, a mão de obra europeia desempregada é de jovens qualificados que podem ocupar postos de trabalho nas áreas de tecnologia da informação, comércio e gestão de negócios, dentre outros campos.
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Na encruzilhada dos caminhos que temos para seguir, infelizmente, deparamo-nos com o obstáculo na educação. Ao longo dos anos, tratada como produto de menor importância, deixa-nos fragilizados no momento em que poderíamos mostrar forças e competências para maior e melhor competitividade. Mas, ao contrário, ainda estamos engatinhando na construção de uma educação que possa despertar cérebros e habilitá-los para posições estratégicas para a indústria fina e de ponta. Nada disso! Os modelos educacionais vigentes, na grande maioria, ainda estão na fase do preparo de mão de obra para atividades operacionais, isto é, facilmente substituíveis. Lamentável!
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Comemoramos o incentivo do governo para que nossos jovens possam estudar em universidades estrangeiras. Há muito tempo exportamos estudiosos, cientistas, professores, pesquisadores, artistas e outros que não voltaram. Quando, então, poderemos representar a referência na educação como atrativo para a formação de mentes nacionais e estrangeiras? Estamos longe dessa possibilidade. Temos alguns programas de intercâmbio, mas ainda não somos cobiçados no campo da excelência. Somos poucas as instituições de renome internacional, a USP é uma delas.
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Algumas instituições se destacam em número de alunos matriculados, mas não, ainda, em qualidade. Essa diferença pode significar muito numa disputa de competitividade e de oportunidades de trabalho. Nossa vacina de prevenção contra problemas futuros se concentra em investimento sério, profundo e contínuo em educação. O discurso e os esforços devem, necessariamente, ser compatibilizados e firmados por princípios e propósitos que integrem as aspirações dos alunos, dos professores, da administração escolar e da sociedade com vistas no melhor para o país. Por enquanto, a dicotomia é profunda.
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Célia Maria Corrêa Pereira – Professora – Administradora  – Mestre em Eng de produção

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

EDUCAÇÃO OU NEGÓCIO?

Por Nival Nunes de Almeida e Lincoln Tavares Silva, 04 nov. 2010

O novo titular na Secretaria estadual de Educação assumiu influenciado pelos resultados educacionais aqui obtidos. Repete-se a fórmula em busca da solução: mudar o gestor, mudar o discurso, acenar para a sociedade a substituição do velho pelo novo.

Gerir a complexidade do sistema de ensino não é tarefa de responsabilidade de um único dirigente. Em duas décadas, vimos mais de quinze novos secretários. E as políticas públicas para a Educação, mudaram? Espera-se dos gestores o entendimento de que qualidade e excelência requerem planejamento a curto, médio e longo prazo, além de ações transformadoras para as comunidades a que servem. Os índices não dependem simplesmente das técnicas de gestão, mas fundamentalmente das políticas.

Diferem os discursos de posse dos dirigentes educacionais e o cotidiano vivenciado ao fim de seus exercícios. Quando conseguem constituir uma boa equipe, notam que anos de sucateamento não são debelados somente com "novas" ideias e uma boa equipe. A descontinuidade de gestores piora os problemas. Propor melhor Educação requer vontade política que explicite qual Educação se deseja oferecer a população. Exige investimentos superiores aos atuais: salários, carreiras e dedicação exclusiva dignos, com formação (inicial e continuada) e ambientes nos quais as condições de trabalho e estudo resgatem sua importância social. Nas instâncias da rede é preciso, além do novo ânimo, acreditar e investir nas possibilidades de mudança, e isso não pode ser esperado de quem ouve novos discursos a cada ano.

No Brasil, presenciamos tentativas de transformar os sistemas e as instituições escolares em organizações-empresas. Este "caminho do sucesso" prolifera por meio de consultorias privadas e propostas de reformas gerenciais das redes. Visa à eficiência e à produtividade no setor. Associa-se à Educação por evidências, priorizando testes, avaliações e mecanismos meritórios. Não amplia a cidadania, a sociabilidade e o entendimento contextualizado dos conhecimentos sistematizados, emperrando aspectos fundamentais ao desenvolvimento dos estudantes da escola básica. Reduz a formação das pessoas à competição e ao alcance de índices. Sua lógica de execução-produto debilita a democracia. O professor vira mero executor de tarefas e cumpridor de metas gerenciais. Os beneficiários viram elementos do fluxo. Felizmente, sua incompatibilidade, inclusive em países centrais do capitalismo, já é questionada por muitos.

Sem que se definam os insumos necessários à qualidade do ensino é estranho avaliar sua eficiência. Há que se delinear o custo-aluno-qualidade como parâmetro de financiamento e estabelecer seus moldes em cada etapa e modalidade da Educação. Aqulio que produz, pela ação pública, impactos sociais positivos é o que a população reconhece como tendo qualidade efetiva. A imposição da eficiência (otimizando recursos) e da eficácia (restrita aos objetivos organizacionais) pode causar a redução da efetividade.

No país, almejamos o investimento educacional de 10% do PIB até 2014. No Rio de Janeiro, há leis que tratam do Plano Estadual de Educação e da Reponsabilidade Educacional. Seus objetivos e metas representam uma discussão a ser ampliada, garantindo a Educação como direito. Para efetivá-la necessitamos de financiamentos que viabilizem oportunidades de pluralidade e inclusão educacional para todas as comunidades, como escolas de tempo integral, com projetos político-pedagógicos respeitados pelos gestores.

Nada surtirá efeito sem a valorização dos profissionais da Educação. Isso já ocorre para os profissionais de outras carreiras equivalentes. Os que têm implantado as reformas centradas em aspectos gerenciais costumam ser altamente valorizados (financeira e profissionalmente). Suas condições de trabalho dão inveja aos educadores que efetivamente atuam na sala de aula.

Mudemos o cenário, se vamos dar importância à Educação. Não será diferenciando escolas, profissionais e comunidades escolares com sistemas de avaliação por premiação/punição que propiciaremos o desenvolvimento com liberdade e a qualidade social na Educação. Atenção para não seguirmos caminhos imprecisos ou equivocados que outros países vêm abandonando!

* - Nival Nunes de Almeida d Lincoln Tavares Silva são membros do Conselho Estadual de Cultura do Rio.

Fonte: O Globo (RJ)