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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

No ano passado, 554 mil crianças de 5 a 13 anos estavam trabalhando, diz IBGE

 
O País registrou um aumento no trabalho infantil em 2014, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2014), divulgada nesta sexta-feira, pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas de 5 a 17 anos ocupadas cresceu 4,5%, o equivalente a 143,5 mil crianças e adolescentes a mais nessa condição. No ano passado, 554 mil crianças de 5 a 13 anos estavam trabalhando.
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Houve aumento no nível de ocupação em todas as faixas etárias e em todas as regiões do País. Na faixa etária de 5 a 9 anos de idade, o total de crianças ocupadas teve um salto de 15,5%, nove mil indivíduos a mais. Em 2014, o País já tinha 70 mil crianças dessa idade trabalhando. Entre 10 e 13 anos de idade, o total de crianças trabalhando aumentou 8,5%, para 484 mil pessoas, 38 mil crianças a mais nessa condição.
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"Os pequenininhos são muito ocupados em atividades com rendimentos menores", disse Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad no IBGE.
Saiba mais
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A atividade agrícola concentrou 62,1% da população ocupada com idade entre 5 e 13 anos, mesma proporção registrada em 2013. IBGE não soube dizer por que houve aumento do número de crianças trabalhando. A gerente do instituto afirma que quem puxou a alta no trabalho infantil foi a faixa etária de 16 a 17 anos, que recebe rendimento maior e, em geral, vive em domicílios com rendimento mais alto. Na faixa etária de 16 e 17 anos, o total de ocupados aumentou 2 7%, o equivalente a 51 mil pessoas a mais, totalizando 1,926 milhão de pessoas. Dos 14 aos 15 anos, o número de ocupados cresceu 5,6%, para 852 mil trabalhadores, 45 mil indivíduos a mais.

O Sul registrou o mais alto nível da ocupação das pessoas de 5 a 17 anos (10,2%), seguido por Norte (9,2%), Nordeste (8,7%), Centro-Oeste (8,2%) e Sudeste (6,6%).
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Fonte: Estado de Minas (MG)

Pnad 2014: país ainda tem 13 milhões de analfabetos

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RIO - Mais 42 mil crianças entraram mais cedo na escola, enquanto 13,2 milhões de brasileiros ainda continuam sem saber ler nem escrever. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2014, divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE, aponta uma expansão da educação infantil no Brasil: a faixa etária em que mais cresceu o número de pessoas frequentando a escola no país, entre 2013 e o ano passado, foi a de 4 a 5 anos de idade, na qual as crianças estão na pré-escola. Apesar desse avanço, a Pnad também mostra deficiências que se perpetuaram no setor no mesmo período: com menos cem mil analfabetos, o Brasil ainda tem 8,3% de cidadãos que não leem nem escrevem — o que faz com que não tenha atingido meta da ONU que estabelecia que o país chegasse a 2015 com 93,5% da população alfabetizada, ou 6,5% de pessoas iletradas, segundo pesquisadores da área.
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Mesmo o avanço na educação infantil está ameaçado pela crise econômica atual, já que, dentro do corte no orçamento do Ministério da Educação em 2015, a maior redução, afirmam pesquisadores, foi no ProInfância (Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil), programa federal que enfoca justamente a construção de creches e pré-escolas. Ao analisar a Educação no país, um dos destaques da Pnad de 2014 foi a taxa de escolarização, que é o percentual de pessoas dentro de uma faixa etária que está frequentando a escola. O maior aumento de taxa de escolarização foi na faixa de 4 a 5 anos: 82,7% das crianças nessa faixa (4,556 milhões de crianças) estavam frequentando a pré-escola em 2014, contra 81,4% (4,514 milhões) em 2013.
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— Essa melhora na educação infantil foi, em grande parte, causada pela Emenda Constitucional 59, aprovada em 2009 e que determinou a obrigatoriedade, a partir de 2016, da educação básica para todos que tenham de 4 a 17 anos de idade. Até aqui, a obrigatoriedade não incluía a educação infantil. Os governos, as prefeituras passaram a se organizar para começar a atender a Emenda 59 a partir do ano que vem, abrindo mais vagas e contratando mais professores para esse nível de ensino — analisa Priscila Cruz, diretora-executiva do Movimento Todos Pela Educação. — Apesar disso, ainda é grande o déficit de vagas na rede pública na educação infantil, que abrange as creches (para crianças até 3 anos) e pré-escolas (de 4 a 6 anos).
 
A partir do ano que vem, prefeituras de cidades nas quais a educação não esteja universalizada a partir dos 4 anos de idade podem passar a sofrer ações do Ministério Público, segundo Priscila Cruz.
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Coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara alerta, entretanto, que esse avanço na educação infantil pode ser prejudicado pelo corte de cerca de R$ 3,4 bilhões no ProInfância em 2015. Pesquisador da área de educação infantil e assessor legislativo da Rede Nacional Primeira Infância, Vital Didonet também afirma que esse corte de verba para construção de creches e pré-escolas nos municípios preocupa:
 
— Há o risco de descobrirem os pés para cobrirem a cabeça. Como a pré-escola vai passar a ser obrigatória, prefeituras com pouca verba, principalmente no momento de crise que vivemos, podem passar a transformar vagas de creche em vagas de pré-escola. Só que os dois serviços são direitos da criança, e os dois têm função social importante de ajudar a mãe que trabalha — observa Vital Didonet. — Ou, então, prefeituras podem passar a transformar vagas de tempo integral em tempo parcial, porque aí uma vaga passa a contar como duas. Mas, da mesma forma, isso prejudica a mãe que trabalha, porque ela precisa da creche e da pré-escola em tempo integral.
 
ENSINO MÉDIO E SUPERIOR
 
Segundo a Pnad, a faixa etária com o maior percentual de pessoas frequentando a escola em 2014 foi a de 6 a 14 anos (taxa de escolarização de 98,5%), que corresponde ao ensino fundamental. O que chama a atenção, porém, é o fato de que, entre 2013 e o ano passado, não se alterou o percentual de jovens que frequentavam a escola nem na faixa de 15 a 17 anos (84,3% dos jovens nessa faixa), nem na de 18 a 24 anos (30%), as faixas que equivalem ao ensino médio e ao nível superior, respectivamente.
 
— Como o ensino médio brasileiro sofre com problemas graves como evasão e defasagem idade-série alta, era para ter crescido esse percentual de frequência à escola na faixa dos 15 aos 17 anos se tivesse havido melhora significativa do fluxo educacional no país. O mesmo vale para a taxa de escolarização na faixa dos 18 aos 24 anos: apesar de ter crescido o número de pessoas ingressando nas universidades, não foi suficiente para aumentar o percentual de frequência à escola nessa faixa etária — afirma o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara.
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Esse quadro de problemas para universalização do ensino médio e para ampliação significativa do nível superior se reflete em outro ponto da Pnad: os níveis de instrução predominantes na população brasileira de 25 anos ou mais continuam sendo o ensino fundamental incompleto (32% da população) e o ensino médio completo (25,5%). O IBGE destaca, porém, que caiu o percentual de pessoas sem instrução ou com menos de 1 ano de estudo, de 12,3% para 11,7%, ao mesmo tempo em que aumentou a proporção daqueles com nível superior completo, de 12,6% para 13,1%. ambém a média de anos de estudo da população brasileira pouco mudou de 2013 para 2014: subiu de 7,6 anos para 7,7 — o que significa que o país desrespeita a Constituição, já que ela fala em ensino fundamental universalizado no país.
 
— Se o ensino fundamental estivesse universalizado, a média de anos de estudo teria de ser de 9 anos -- sublinha o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
 
O país também vai começar 2016 com uma média de anos de estudo que é praticamente a metade dos 14 anos de estudo que a Emenda 59 vai passar a exigir a partir do ano que vem, lembra Daniel Cara — já que passará a ser obrigatória a educação para todos entre 4 e 17 anos de idade, o que dá 14 anos de estudo. Segundo a Pnad, o Nordeste é a região em pior situação, com média de 6,6 anos de estudo, a mesma que tinha em 2013. Mesmo o Sudeste, na melhor posição, tem média de apenas 8,4 anos de estudo; em 2013, tinha 8,3.
 
NORDESTE EM PIOR SITUAÇÃO
 
Ao analisar o analfabetismo, a Pnad ressalta que, enquanto em 2013 o país tinha 13,3 milhões de analfabetos de 15 anos ou mais de idade, em 2014 esse número passou para 13,2 milhões. Apesar de também ter visto uma queda no número de pessoas iletradas, o Nordeste continuou a ser a região em pior situação: em 2013 tinha 16,9%, percentual que foi para 16,6% ano passado. Na melhor posição está o Sul, que tinha 4,6% de analfabetos e passou a ter 4,4%.
 
O IBGE também analisou o analfabetismo funcional, considerando como analfabeto funcional a pessoa com 15 anos ou mais de idade que tem menos de 4 anos de estudo. Segundo essa medida, 17,6% das pessoas com 15 anos ou mais eram analfabetos funcionais em 2014; em 2013, eram 18,1%. Segundo educadores e pesquisadores da área, porém, os percentuais de analfabetismo funcional no Brasil apontados pelo IBGE estariam subestimados, pois a parcela de analfabetos funcionais — ou seja, pessoas que, mesmo alfabetizadas, não têm habilidades de interpretação de texto, leitura/escrita e cálculo básico — não estaria restrita àqueles com menos de 4 anos de estudo. O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), por exemplo, desenvolvido pelo Instituto Paulo Montenegro com a ONG Ação Educativa e que mede o nível de alfabetismo funcional da população entre 15 e 64 anos, mostrou em 2012 que 27% dessa população eram analfabetos funcionais.
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Trabalho tira jovem da escola

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Foi a necessidade de trabalhar para se manter e alcançar a estabilidade financeira que fez o jovem Fábio Figueiredo Almeida, de 17 anos, abandonar a sala de aula no 1º ano do Ensino médio e ocupar uma vaga na indústria da construção civil, em um canteiro de obras no Bairro Sagrada Família, Região Leste de Belo Horizonte. A troca ocorreu nos últimos seis meses. O ajudante de pedreiro pegou as malas, deixou o Norte de Minas, onde morava com o pai, e veio “vencer na vida”. “Vim em busca de emprego. Sinto falta de estudar e pretendo retomar os estudos no futuro, mas agora não tenho condições”, conta. Fábio não foi o único a tomar essa decisão. Tanto que a taxa de Escolarização em Minas caiu na faixa etária dele. Enquanto em 2009, 84,8% dos jovens com idades entre 15 e 17 anos estavam estudando, esse universo se reduziu para 82,8% em 2011.
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A queda deixou Minas nas piores colocações do país. O estado passou de 11º lugar para 18º entre as unidades da federação com mais pessoas nessa idade a ocupar uma cadeira na sala de aula. Minas está ainda abaixo da média nacional de 83,7% e distante do primeiro lugar ocupado pelo Distrito Federal (89%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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O quadro fica pior entre os que são um pouco mais velhos. Dos jovens com 18 a 24 anos, apenas 27,6% frenquentam a Escola, menos que os 29,2% registrados na Pnad de 2009. A evasão Escolar fez Minas perder posições no nível geral de Escolaridade no país. Da 20ª colocação caiu para a 23ª, ganhando apenas do Espírito Santo (26,5%), Rondônia (25,3%), Maranhão (25%) e São Paulo (24,8%). Para esse grupo, as taxas de Escolarização de Minas se apresentaram menores que as do Brasil, mesmo com queda também registrada na média nacional de 30,3% em 2009 para 28,9% em 2011. “Cada caso deve ser analisado com cuidado. Algum estado pode apresentar uma taxa mais alta porque registrou maior número de pessoas entrando mais tarde na Escola ou sendo repetente”, afirma Luciene Longo, demógrafa do IBGE.
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SOBRAM VAGAS
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O exemplo de Fábio, explica a especialista, pode ser a principal razão para as quedas na Escolaridade nas duas faixas etárias. “Essa redução mostra que a população pode estar entrando mais no mercado de trabalho. Para de trabalhar e, no futuro, retorna para a Escola.” A baixa taxa de desemprego em patamares históricos ajuda a explicar o comportamento dos jovens, principalmente na Grande BH. O índice de 4,3% de desocupados em agosto é o menor para o mês nos últimos 10 anos, segundo Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. O considerado “pleno emprego”, cenário em que praticamente toda entrada de mão de obra na População Economicamente Ativa (PEA) é absorvida pelo mercado, anima a busca pela carteira assinada. Esse fenômeno é observado especialmente na capital e redondezas, onde há vagas sobrando no comércio e setor de serviços. Para o empresariado, porém, a busca precoce dos jovens por trabalho não é animadora diante da baixa qualificação constatada pela Pnad.
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Os Alunos com idades entre 15 e 24 anos, explica Luciene, não têm incentivos para permanecer na Escola assim como as crianças beneficiadas pelos programas sociais do governo de incentivo financeiro. “Nas faixas mais baixas de idade os pais precisam manter a frequência Escolar para receber o auxílio. Os jovens não têm essas condicionantes e por isso param de estudar e entram no mercado de trabalho”, afirma.
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Essa é uma das razões para que os índices de Escolaridade em Minas nos grupos mais jovens esteja indo bem. A frequencia dos Alunos de quatro e cinco anos na Escola passou de 73,3%, em 2009, para 73,8%, em 2011, o que deixa Minas no meio da tabela entre as 27 unidades da federação, mas com o menor percentual da Região Sudeste. Entre a população de seis a 14 anos, o aumento foi de 97,9% para 98,7%, no mesmo período. Nessa faixa, os mineiros ficam na quinta colocação entre os melhores, distante do posto de 10º lugar de 2009.
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NATURALIDADE
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Ao contrário do destino traçado por Fábio Almeida, que deixou a cidade natal em busca de uma oportunidade em terras distantes, os dados do IBGE mostram que a população mineira está cada vez mais enraizada com suas origens. Conforme os números, Minas ocupa a 7ª posição entre os estados com o menor percentual de não naturais (8,1%), apesar de ter perdido uma colocação em relação a 2009 quando 7,6% dos residentes em Minas eram de fora do estado. O posto de primeiro lugar foi ocupado em 2011 pelo Rio Grande do Sul, que tem menos imigrantes (3,09%), enquanto o Distrito Federal, com o último lugar, tem metade de sua gente vinda de outras regiões. Por município, Minas mantém firme suas raízes. Com 35,7%, o estado fica com o 10º menor percentual de não naturais, índice maior do que em 2009, quando a taxa foi de 35,5%.
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MELHORIAS NECESSÁRIAS
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Com a exceção da coleta de esgoto, Minas Gerais deixa a desejar quando o assunto são os serviços básicos oferecidos a população. O mais preocupante deles é o acesso a fossa séptica – responsável pelo tratamento primário do esgoto – nas residências. O dispositivo é muito utilizado na zona rural ou em locais em que ainda não há saneamento básico público. Em 2009, Minas ocupava a penúltima colocação entre os estados que garantiam oferta extensiva do serviço. Melhorou, mas ainda está na 24ª posição e bem abaixo da média nacional, de 7,7%.
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Fonte: Estado de Minas (MG)