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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

NOTÍCIAS...

Aluno pego com crack em escola

Joarle Magalhães e Guilherme Arêas, repórteres- Tribuna de Minas

Na semana em que o Tribunal de Justiça percorre instituições públicas de ensino de Juiz de Fora para divulgar o projeto “Justiça na escola”, com o objetivo de discutir temas, como violência, drogas, evasão escolar, cidadania e bullying, um fato preocupante é registrado pela Polícia Militar na cidade. Na tarde de ontem, um adolescente de 13 anos foi flagrado pelos colegas com quatro pedras de crack, em uma escola municipal da Cidade Alta. O material foi encontrado após a diretora da entidade receber denúncias dos próprios estudantes de que um aluno do sétimo ano estaria com a droga na mochila. Na hora do recreio, o adolescente foi chamado à sala da direção, onde mostrou as pedras e confessou a posse do entorpecente.

Ao constatar o fato, a diretora informou a situação aos pais do aluno e fez contato com a Secretaria de Educação, que acionou a polícia. Duas viaturas foram encaminhadas ao local. A polícia se dirigiu, depois, ao endereço do aluno, onde encontrou a mãe dele, de 37 anos. Ela, o garoto e a diretora da instituição foram encaminhados à 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Santa Terezinha, para prestar esclarecimentos. Em depoimento, a diretora informou ter achado a droga após realizar uma “busca na presença de funcionários”. Ela relatou que já teve “problemas” com o adolescente, mas que ele “não era violento e era respeitador”. Segundo a diretora, o estudante informou que venderia cada pedra de crack por R$ 10, mas não chegou a comercializar o entorpecente.

A versão foi confirmada pelo garoto, durante seus esclarecimentos ao delegado. Ele alegou que venderia a droga a pedido do irmão, também menor de idade, mas a comercialização não aconteceria dentro da escola, mas no bairro onde moram, na Cidade Alta. O estudante negou ser usuário, mas garantiu já ter vendido drogas anteriormente. Após ser ouvido, foi entregue aos responsáveis e liberado. De acordo com a Secretaria de Educação, uma reunião com o adolescente e seus pais será realizada na próxima terça-feira, com o objetivo de discutir maneiras de resolver a questão. O estudante poderá ser encaminhado para atividades extracurriculares e programas da Secretaria de Assistência Social ou até mesmo para um tratamento junto à Secretaria de Saúde, caso seja detectado vício em crack.

Apesar da gravidade do caso, o delegado de plantão, Marcelo Faria, acredita que situação semelhante já tenha ocorrido em outras instituições da cidade sem que os responsáveis pelo estabelecimento tenham acionado a polícia. “Muitas vezes, eles tentam resolver o problema internamente.” Coordenador de um programa social que discute a relação dos jovens com substâncias entorpecentes, o professor Valdir de Carvalho afirma que a falta de autoridade nas instituições educacionais e a negligência do Poder Público em realizar políticas de combate ao tráfico podem ser considerados fatores responsáveis pela presença do crack entre os estudantes. O especialista diz que o próprio contexto social em que o aluno está envolvido contribui para a situação de risco. “Para o adolescente, isso está se tornando mais uma brincadeira que uma coisa séria. Ele vê o tráfico sem malícia, como uma forma alternativa de sustento. Sei de casos em que a própria família empurra o filho para o tráfico.”

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O NÓ DA EDUCAÇÃO

A Educação não é uma tarefa apenas do governo, tem de envolver, fortemente, as comunidades, os professores, os alunos, os pais

José Zinder, educador

A Educação não é uma tarefa apenas do governo, tem de envolver, fortemente, as comunidades, os professores, os alunos, os pais e só pode se solidificar se a sociedade, como um todo, tomar consciência de que, sem boas Escolas, todos sairão perdendo. Essa nova consciência, felizmente, parece estar se espalhando.Falta, agora, transformá-la em vontade de todos, em atos que tornem possível começar a construção de um ensino eficiente. A prática pedagógica nada mais é do que o cotidiano do professor na preparação e execução de seu ensino. A motivação dos alunos, por sua vez, é o que dá sentido a essa prática.

É possível proporcionar às pessoas ferramentas adequadas para que se transformem em um tipo diferente de profissional. Há a necessidade de despertar nos professores o interesse pelo envolvimento na profissão, como um valor, pois o aprender deve ser encarado como uma consequência natural da vida. O grande nó da Educação, hoje, é a motivação dos professores, auxiliares de sala e corpo administrativo. Entendemos que esses profissionais da Escola tenham que estar capacitados para exercer suas funções num ambiente alegre e que os motive a ter vontade de permanecer com prazer no local de trabalho. Não podemos aceitar profissionais como um simples “quebra-galho” num setor tão importante a nossas vidas como é a Educação. Não há mais espaço para amadorismo.

Outro nó é atender de forma apropriada a enorme demanda de crianças de zero a seis anos. Todo empenho no sentido de oferecer mais vagas não será perdido. A Educação infantil deve ser vista como um direito da criança, assim como é o ensino fundamental. Para isso, deve-se enfocar a qualidade desse atendimento. A proclamação desse direito nos remete à conscientização de uma concepção de criança, de desenvolvimento infantil, de atividades, de tempo, de espaço que definam objetivos e funções que garantam o maior e mais verdadeiro papel da Educação infantil, que é educar e cuidar.

Fonte: Diário Catarinense (SC), 10 out. 2010