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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Polícia cerca manifestantes na Consolação durante ato contra reorganização escolar

 
Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Em meio ao ato que pedia a revogação definitiva do projeto de reorganização escolar anunciado pelo governador Geraldo Alckmin, a PM (Polícia Militar) cercou os manifestantes na avenida Consolação na noite desta quarta-feira (9).
 
Bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo foram usadas para conter o grupo em meio aos carros que passavam pela via, uma das mais movimentadas da cidade. A reportagem do R7 viu uma das bombas atiradas pelos policiais atingir a parede de um prédio.
 
Uma frente de PMs vinha por trás dos manifestantes, pela avenida Consolação, enquanto outra se posicionou na esquina seguinte, não deixando nenhuma saída em meio à chuva de explosões e gás lacrimogênio. 
 
A confusão começou cerca de três horas após o início da manifestação na avenida Paulista. Por volta das 21h, o ato passava em frente à Secretaria Estadual da Educação, quando iniciou-se um confronto entre mascarados, que lançaram rojões contra a Tropa de Choque e alguns manifestantes, que revidaram as bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral com rojões. Durante o tumulto que se espalhou pela região, pelo menos 13 pessoas ficaram feridas — entre elas, oito PMs — e dez foram detidas. Três estudantes em fuga buscaram abrigo dentro de um teatro, que foi invadido pela PM.
 
Barricadas com lixo e fogo foram erguidas na tentativa de pedir o avanço dos policiais — a maioria, nas avenidas Ipiranga e São Luís. 
 
Na avenida São Luís, testemunhas relataram que um PM teria sacado um arma de fogo e disparado três vezes para cima. Entre os 10 presos, nove foram capturados na rua Itacolomi, próximo da rua da Consolação.
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A reportagem do R7 flagrou policiais militares disparando bombas em um grupo de cinco manifestantes que tentavam se esconder na entrada de um estacionamento na rua Peixoto Gomide, que dá acesso à avenida Paulista. Uma criança, de cerca de seis anos de idade, e duas senhoras moradoras da região reclamaram do ardor nos olhos e da dificuldade de respirar por conta do gás lacrimogênio lançado pela polícia.
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Diversos manifestantes utilizaram vinagre para tentar amenizar a ação das bombas de efeito moral.
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A Secretaria da Segurança Pública classificou como "absolutamente necessária a intervenção da PM" no ato, e chamou a "atitude de grupos de manifestantes" como "política e criminosa".
 
Pacífica
 
A manifestação começou pacífica no vão livre do Masp. Na avenida Paulista, o grupo decidiu manter as invasões dos colégios — segundo a pasta, 136 unidades estavam tomadas por alunos ontem; o movimento chegou a ocupar 196 escolas no Estado. O movimento seguiu da avenida Paulista para a 9 de Julho, passando pelas praças 14 Bis e da Bandeira, viadutos Maria Paula e do Chá, até chegar à praça da República.
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Ao longo do ato, grupos de black blocks atuaram formando cordões para auxiliar na organização do protesto, com o objetivo de impedir que os manifestantes seguissem por ruas que não faziam parte do trajeto. No percurso, o clima foi de protesto contra a política educacional de Alckmin — o governador pretendia fechar no próximo ano 93 escolas, transformar 754 em ciclos únicos e transferir 311 mil alunos, mas suspendeu a reorganização até janeiro para "dialogar" com pais e alunos. 
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Violência escolar e possibilidades de prevenção

 
Por Lúcio Alves de Barros*
 
A violência escolar, devido à sua peculiar invisibilidade em determinados tempos, poderia com poucas ou reduzidas ações chegar ao seu fim ou mesmo ao seu equilíbrio. Apesar de toda discussão em torno da democratização das instituições escolares – o que é até matéria constitucional e está presente na LDB –, fato é que estamos patinando em terreno movediço simplesmente por ignorarmos possibilidades que definitivamente ajudariam na solução do problema.
 
Uma das possibilidades que poderia fazer parte do cotidiano escolar é a designação de uma potente esfera de negociação de conflitos. Colocar os pares frente a frente ou mesmo professores e alunos para conversar sobre a temática é de crucial importância. A ação é barata: uma sala, uma pessoa que tenha autoridade simbólica em meio às partes e mesas redondas com cadeiras no intuito de fomentar o debate não em relação à ação de X, Y ou Z, mas sim sobre a conjuntura que levou à configuração da violência ou da incivilidade, como querem os estudiosos do assunto.
 
Outra boa possibilidade é a predição. Evitar o problema antes que ele aconteça não faz parte de nossa cultura. Os brasileiros são recalcitrantes às demandas de evitar o pior. Não por acaso, caem viadutos, encostas, telhados, temos enchentes e crises como a hídrica. Nas escolas não é diferente: salas desleixadas, quadros destruídos, áreas sujas e emporcalhadas, banheiros vergonhosos, muros pichados são amostras de ambientes que inegavelmente interferem na ecologia da violência. Quanto aos alunos, é possível a percepção no dia a dia do seu estresse, dos problemas domésticos que chegam à escola ou da necessidade de auxílio que, por natureza e em algum momento (crianças, adolescentes ou jovens), demandam. O mesmo pode-se dizer dos professores que, adoecidos e estressados, também andam necessitando de ajuda, sempre bem-vinda, seja da direção, seja das famílias dos estudantes.
 
A violência poderia ser diminuída ou exterminada também com a efetiva e verdadeira participação da família no cotidiano da escola. Especialmente em instituições públicas, as crianças e adolescentes raramente não são esquecidos pelos pais ou responsáveis que justificadamente – em sua grande maioria – precisam trabalhar. Todavia, o trabalho não pode e não deve impedir que os pais deem atenção aos filhos durante o cotidiano de suas tarefas escolares. Mais que isso; é imprescindível que saibam da realidade do filho em toda a sua condição como discente da instituição escolar. Geralmente os pais somente verificam notas e se apresentam quando as relações já estão mais do que tensas e fora dos limites aceitáveis da civilização. O engano reside nessa questão, pois pais avisados e armados vencem a guerra contra a violência com mais tranquilidade e assertividade. Além disso, distribuem a responsabilidade com os professores e ajudam a direção a tomar novas frentes em casos nos quais a escola e as famílias podem caminhar de mãos bem unidas.
 
Por último, vale frisar uma possibilidade que não é boa: “ligar para o 190”. Criminalizar e judicializar ações violentas de crianças e adolescentes em escolas constituem um retrocesso imenso. Primeiro porque a polícia não está – dentre várias ações – preparada para isso; segundo que a obrigação da solução de um problema na escola é dos atores que vivem o cotidiano escolar e que têm a consciência de como é o modus operandi institucional. Chamar a polícia tornou-se um golpe caro e sério nas organizações escolares, a ponto de escolas ficarem rotuladas de violentas e perigosas. Todos perdem o crédito: a escola, os professores, a direção e os estudantes. De tudo isso, nada como velhas falas e fórmulas em contextos minados, “menos polícia e mais negociação: bom para o aluno, ótimo para a escola”.
 
* Professor na Faculdade de Educação da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais)
 
Publicado em
 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Os desafios do PNE para 2015

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Por Alejandra Meraz Velasco, coordenadora-geral do movimento Todos Pela Educação - Correio Braziliense em 13/02/2015
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O Plano Nacional de Educação, sancionado pela Presidência da República, em junho de 2014, tem vigência de 10 anos, o que pode parecer prazo razoável para colocar em prática medidas que permitam alcançar as metas. Porém, há muito a fazer desde já, pois existem metas e estratégias que têm como prazo 2015.
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Para começar, estados e municípios devem elaborar ou adequar os planos de Educação locais à luz de diretrizes, metas e estratégias previstas no PNE até junho, um ano após a sanção do plano. A formulação dos planos municipais e estaduais deve envolver não apenas o Poder Executivo, mas também a comunidade Escolar de forma mais ampla, em um processo participativo, que culmina na aprovação pelo Legislativo e a volta para sanção pelo Executivo.
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A meta que trata do Analfabetismo prevê que a taxa de Alfabetização da população com 15 anos ou mais atinja 93,5% neste ano. Isso significa aumentar a taxa de jovens e adultos alfabetizados em dois pontos percentuais, retomando o crescimento do indicador, praticamente estagnado desde 2011. Neste ano, será preciso também garantir a política nacional de formação dos profissionais da Educação, em regime de colaboração entre a União, os estados e os municípios, que assegure que todos os Professores da Educação básica tenham curso superior, e os Docentes dos anos finais dos Ensinos fundamental e médio tenham licenciatura na área de conhecimento em que atuam. Em 2013, o percentual de Professores da Educação básica com curso superior era de 75%, sendo que com licenciatura na área em que atuam apenas 33% dos Professores dos últimos anos do Ensino fundamental e 48% dos Docentes do Ensino médio. 
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É papel do Ministério da Educação (MEC), também neste ano, constituir fórum permanente para acompanhamento do valor do piso salarial nacional para os profissionais do magistério público da Educação básica. Até junho de 2016, será preciso garantir plano de carreira para os profissionais da Educação pública de todos os sistemas de Ensino e passar a realizar o censo anual dos profissionais da Educação básica, e não apenas os do magistério.
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No prazo de um ano após o PNE entrar em vigor — ou seja, até junho de 2015—, também deve ser aprovada a Lei de Responsabilidade Educacional — ferramenta fundamental na construção da governança da Educação e por meio da qual deverá ficar claro que não são admissíveis retrocessos nos indicadores educacionais.
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A universalização da Pré-Escola deverá ser realidade nos municípios em 2016, conforme estipulado na primeira meta do PNE, em consonância com a Emenda Constitucional n° 59, de 2009. Para tanto, as condições de infraestrutura e recursos humanos deverão estar dadas já em 2015. Os gestores que não iniciaram ainda os processos necessários dificilmente conseguirão cumprir o prazo, que vale também para a implementação da avaliação da Educação infantil que siga parâmetros nacionais, exigindo, portanto, enorme esforço de articulação dos entes da Federação e demais partes interessadas por parte do MEC.
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Todos os jovens de 15 a 17 anos também devem, obrigatoriamente, estar na Escola a partir de 2016. Até 2013, no entanto, 1,6 milhão desses jovens estavam fora da Escola sem concluir o Ensino médio. E mesmo aqueles que estão estudando têm dificuldades para chegar a essa etapa: cerca de 2 milhões ainda estão retidos no Ensino fundamental. Se não forem pensadas e implementadas políticas que garantam que os jovens avancem no sistema educacional com aprendizagem adequada e na idade certa, dificilmente conseguiremos mantê-los na Escola.
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Para apoiar a questão da aprendizagem adequada, é muito importante que os direitos de aprendizagem para o Ensino fundamental também sejam encaminhados pelo MEC ao Conselho Nacional de Educação (CNE), precedidos de consulta pública, até o final do segundo ano de vigência do plano, ou seja, até junho do próximo ano.
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Também nesse prazo deve ser definida uma política de avaliação e supervisão das instituições públicas e privadas que prestam atendimento a Alunos com deficiência; devem ser asseguradas as condições para a efetivação da gestão democrática da Educação; deve ser definido o Custo Aluno Qualidade Inicial (Caqi), e regulamentado o Sistema Nacional de Educação. Além dos prazos à vista para o cumprimento das metas intermediárias e estratégias do PNE, é imprescindível que os gestores e toda a sociedade tenham a Educação, efetivamente, como prioridade absoluta, e que sejam feitos os investimentos necessários para o cumprimento das metas estabelecidas para 2024 desse que é o plano norteador desta década, buscando convergir esforços para que a Educação brasileira avance de maneira efetiva.
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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Vídeo mostra casos de alunas que sofreram abusos

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O caso da aluna de 12 anos que foi estuprada por três colegas, em um escola pública de São Paulo, não é um caso isolado no mundo, como lembra um vídeo da Plan International, organização que luta pelos direitos da infância.
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Encenado por atrizes, mas com vozes de vítimas reais da violência contra meninas, o vídeo relata casos de estupro por professores e alunos, violência e assédio nas instituições de ensino e comentários de cunho sexual que as garotas ouvem no caminho para a escola.
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"A violência baseada no gênero limita a participação das meninas e aumenta as taxas de abandono escolar. As meninas não podem ser obrigadas a viver com medo. Elas precisam aprender e realizar seus sonhos", afirma Anette Trompeter, diretora nacional da Plan International Brasil.
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O lançamento do vídeo coincide com Semana Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. Segundo a Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH), somente nos três primeiros meses de 2015 foram registradas 21 mil denúncias de algum tipo de violência contra crianças no Disque 100, canal denúncias do setor - em 45% dos casos, as vítimas são meninas.
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Menina é estuprada por colegas em escola pública de SP

Escola Estadual Leonor Quadros, onde menina de 12 anos sofreu estupro em São PauloEscola Estadual Leonor Quadros, onde menina de 12 anos sofreu estupro em São Paulo(Reprodução/VEJA)
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A Polícia Civil e a Secretaria Estadual de Educação apuram uma denúncia de estupro de uma menina de 12 anos na rede de ensino de São Paulo. A estudante disse ter sido estuprada dentro de um dos banheiros da Escola Estadual Leonor Quadros, no Jardim Miriam, na Zona Sul da capital paulista. O abuso sexual aconteceu durante a manhã do último dia 12 de maio, de acordo com a polícia.
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Segundo a Secretaria Estadual de Educação, a aluna relatou ter sido atacada por três estudantes. Após o fato, ela buscou ajuda na direção da escola, que acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A garota foi levada ao Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya e, em seguida, ao Hospital Pérola Byington.
 
A Secretaria de Educação explicou que ela relatou o estupro apenas quando já estava no hospital. A mãe da menina foi orientada a registrar um boletim de ocorrência na polícia. A garota passou por exames para comprovar a violência sexual - os resultados são aguardados pela polícia.
 
A escola afirmou ter acionado a Vara da Infância e da Juventude, além do Conselho Tutelar, logo após ficar sabendo do crime. A instituição também chamou os pais dos alunos suspeitos da agressão. Seguindo orientações do Conselho Tutelar, a direção escolar registrou um novo boletim de ocorrência. A direção afirmou que está prestando "todo apoio" à jovem e a sua família e diz ter se colocado à disposição da polícia para colaborar com as investigações. "É importante destacar que a adolescente está recebendo acompanhamento médico", ressaltou a pasta.
 
A mãe da vítima disse ao portal UOL que a filha não quer mais passar perto da escola e que ela vai estudar em casa nos próximos meses. Outras alunas da Escola Estadual Leonor Quadros também relataram estar com medo de frequentar as dependências da instituição. A mãe da jovem afirmou ao portal que teme que os suspeitos fujam - até a noite desta segunda-feira, eles não haviam sido apreendidos. A Secretaria de Educação confirmou que eles foram transferidos para outra unidade de ensino.
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Fonte: Veja on line

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Alunos promovem quebra-quebra em escola de Goiás

RIO - Um grupo de alunos da escola Caic Tancredo de Almeida Neves, em Goiás, realizou um quebra-quebra no colégio, na última sexta-feira. A ação dos jovens foi filmada e divulgada na internet. De acordo com a secretaria municipal de Valparaíso de Goiás, os estudantes que participaram do motim já estão sendo identificados e “representam uma minoria entre os quase 600 alunos de 6º ao 9º ano que estudam no período vespertino”.
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Durante a ação, o grupo revirou carteiras escolares e quebrou janelas e portas. A secretaria informou que todos os objetos danificados já começaram a ser substituídos. Segundo relatos, o motivo da ira dos alunos seria a postura mais rígida da nova direção.
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O governo local admitiu que a escola enfrenta “historicamente” problemas de indisciplina e garantiu que a questão vem sendo tratada com “projetos que envolvem o fortalecimento do conceito de cidadania e maior participação dos pais e da sociedade no ambiente escolar”.
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A secretaria de educação informou ainda que irá estender o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), desenvolvido pela Polícia Militar, aos estudantes do 6º ao 9º anos. Atualmente, o projeto, que é visto pelo órgão como uma das ações de fortalecimento da cidadania, é feito apenas com os alunos de 1º a 5º ano.
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Fonte: O Globo (29/04/2015)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Escola está fora da rota de 172 mil jovens

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por Joana Suarez
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Com a morte do pai, Lorraine Stephanie, na época com 15 anos, precisou sair da escola para trabalhar e ajudar a mãe em casa. Luiz Eduardo Costa, 19, largou a sala de aula há dois anos para complementar a renda da família, que está reformando a casa. Com apenas 13 anos, Eduarda Stefany Gonçalves vê alguns jovens conquistando a independência financeira e planeja fazer o mesmo para juntar dinheiro para sua festa de 15 anos. Histórias diferentes mostram a mesma realidade: 27,5% dos mineiros de 15 a 17 anos não conseguem conciliar trabalho e estudo.

Ao todo, 172 mil adolescentes mineiros estão longe das salas de aula. Em todo o país, o número chega a 1,7 milhão. Eles são os “invisíveis” na demanda por uma vaga no ensino médio – e nesse universo a necessidade de trabalhar está entre as principais causas da evasão escolar. A redução das vagas no período noturno é mais uma das formas de exclusão.

“A relação com o trabalho diz respeito à sobrevivência e à possibilidade de menino viver sua juventude, porque ele quer comprar uma roupa, sair com a namorada. É a escola que tem que se adaptar à realidade dele, e não o contrário”, destaca o doutor em Educação Juarez Dayrell. 

Segundo ele, em 2008, uma grande pesquisa sobre os motivos de evasão escolar constatou a falta de interesse como fator de desistência do aluno à época. “Quando falamos isso, parece que o problema é o aluno, mas quando a gente se aproxima do cotidiano escolar, nós vemos que há um conjunto de fatores que produzem essa falta de interesse: a aula chata, o professor, a dificuldade, o cansaço do aluno que trabalha”, diz Dayrell.

“Cheguei à 8ª série com 13 anos e tomei três bombas por causa das amizades na rua. Aí, desisti da escola. Eu não escutava ninguém. Quando olho para trás, penso quanto tempo perdi. Já podia ter formado há cinco anos”, desabafa Cláudio Vinicius Santos, 21, que hoje tenta concluir o ensino médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Há que frisar que a responsabilidade pela evasão não é apenas da escola. Professores em instituições inseridas em comunidades carentes e violentas perdem muitos alunos para o crime – aí incluído o tráfico de drogas – e para a prostituição. “Ele quer ter renda, mas não consegue emprego. Daí ele procura o dinheiro fácil”, conta um docente.
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Fonte: Jornal O TEMPO (MG)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Para professores, Enem está cada vez mais ‘conteudista’, e não tão intuitivo quanto antes

RIO - Ano após ano, o Enem vem se aprofundando no conteúdo das disciplinas que compõem o último segmento da educação básica. Desde 2010, quando foi reformulada, a prova passou a cobrar temas e tópicos específicos de cada matéria, com questões consideradas “conteudistas”, e não mais tão intuitivas e interpretativas quanto antes. Nesta edição, os candidatos tinham de conhecer temas como genética, leis de Newton, Guerra do Paraguai e o estilo literário dos pré-modernistas.
 
Para especialistas, o exame mudou e se assemelhou aos antigos vestibulares a fim de recepcionar as universidades federais. De acordo com Márcio Branco, professor de História do curso on-line QG do Enem, a parte de Ciências Humanas atingiu um “ponto ótimo” entre “conteudismo” e interpretação:
 
— Eu acreditava que viria mais difícil, mas o Enem é uma prova nacional. Então o Inep (órgão organizador do exame) optou por não aprofundar mais
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INTERPRETAÇÃO AINDA PREVALECE NO TESTE DE LINGUAGENS
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O equilíbrio descrito por ele variou conforme as disciplinas. Em Ciências da Natureza, que engloba Química, Física e Biologia, ficou a percepção de que as questões vieram sem a mesma contextualização, valorizando conteúdos específicos.
 
— Este ano foram 20 perguntas só de Química, um número bem maior do que o das provas anteriores. Em Química o aluno não pode ser muito intuitivo ou resolver a questão apenas com interpretação. Se não estudou, não vai saber fazer — afirmou Jonas Stanley, professor de Química, Física e Matemática do Curso Pensi.
 
Em Matemática, uma das partes mais temidas, professores perceberam que a prova perdeu um pouco a característica de contextualização, preferindo cobrar conceitos “crus” como cálculo de volume, porcentagem ou probabilidade. As questões que buscaram conciliar conteúdo com a realidade do aluno foram elogiadas:
 
— Destaco a questão do cone de trânsito e do corrimão que faz o movimento em espiral. Foram modos de trabalhar a matemática de um jeito bem mais factível — ressaltou Márcio Cohen, do QG do Enem.
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Se existe uma área onde o Enem mantém a tradição é a prova de Linguagens. Nela, sempre se cobrou mais a interpretação do que tópicos gramaticais frios e distantes, dizem professores.
 
Na prova de redação, os candidatos foram instados a discorrer sobre publicidade para crianças. O assunto, em alta no noticiário devido à publicação, em abril, de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) considerando abusivo esse tipo de propaganda, ganhou elogio do coordenador de Português e Redação do Colégio e Curso pH, Felipe Couto:
 
— O Enem tem esta característica de cobrar uma reflexão de ordem político-social. E esse tema é um aspecto muito importante da contemporaneidade.
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MÚSICA VOLTA A APARECER COM FORÇA
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Nos últimos anos o Enem tem mostrado apreço especial pela música. Este ano não foi diferente. O folk do cantor e compositor americano Bob Dylan apareceu na prova de inglês, com a música “Master of war”. O candidato tinha que identificar quais eram as críticas feitas pela letra, que questiona os interesses por trás de uma guerra.
 
Já a canção “Óia eu aqui de de novo”, do compositor e cantor Antônio Barros, foi utilizada para discutir o repertório linguístico e cultural brasileiro. Dentre versos como “Diz que eu tou aqui com alegria” e “Vou mostrar pr'esses cabras”, o candidato tinha que apontar qual deles singularizava uma forma característica do falar popular regional.
 
Outro item trazia um texto do maestro Henrique Cazes que discutia como grande parte da música popular desenvolvida nos países colonizados por Portugal compartilham um instrumental marcado por cavaquinho e violão. Os candidatos deveriam, então, mostrar quais exemplos da música popular brasileira utilizam esses instrumentos.
 
As origens do funk e do hip hop brasileiro também foram abordadas. O tópico citava os famosos bailes black, que reuniram legiões de jovens nas periferias dos grandes centros urbanos embalados pela black music americana, e pedia ao estudante que identificasse as características da cultura hip-hop no Brasil.
Outro tópico trazia um texto que enumerava as preferências musicais do brasileiro, destacando como o sertanejo caiu no gosto popular, segundo pesquisas.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

A educação e os meios de comunicação

 

Lúcio Alves de Barros*
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Não creio que exista dúvida sobre o importante papel da mídia nos dias atuais. Sabemos de sua importância no campo da socialização de informações, da ressonância em publicidade no que toca ao cenário das políticas públicas, à democratização das informações e à necessidade de liberdade de sua ação no que se refere ao fortalecimento dos pilares da democracia. Não obstante sua importância, a mídia como veículo de informação na educação vem se revestindo, nas últimas décadas, de roupagens constrangedoras, complexas e perigosas.
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Uma das roupagens da mídia se refere ao seu papel de mediadora de relações sociais em ambientes domésticos e privados. Os meios de comunicação, especialmente a TV, ao entrar logo cedo na casa cheia de filhos, funcionam como verdadeiras babás eletrônicas, fornecendo ao infante ou ao adolescente um turbilhão de informações sobre os quais dificilmente os responsáveis teriam controle. Imagens duras, “reportagens quentes”, notícias sensacionalistas, acontecimentos sexualizados e sensualizados se misturam em horários diversos com propagandas, programas e publicidades. Com muita dificuldade uma criança entenderia o como e o porquê de determinadas ações serem direcionadas de determinada forma na tela da TV. Os cortes, as imagens, a cadência de informações não são neutras, e o descontrole por parte do receptor é inviabilizado, apesar da fala de que “não quer ver, desligue a TV”, “não leia o jornal” ou “não escute o rádio”.
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Outra roupagem dos meios de comunicação é o de ser uma instituição acima dos seres humanos e até de “deus”. Não por acaso, católicos e protestantes invadiram tanto canais abertos como fechados, vendo nesse veículo uma boa forma não somente de angariar fundos como também de levar ao crente o que determinadas religiões entendem por deus. Como mecanismo de poder, os meios de comunicação também assumem papel político. Tal como o anterior, trata-se de agente sem neutralidade e que produz de acordo com o “coronelismo midiático”, que no Brasil aparece nas mãos de poucas famílias. É o cúmulo do absurdo, haja vista que os meios de comunicação, notadamente as redes de televisão, operam alicerçados em concessões públicas que, a despeito da temporalidade, tem se mantido nas mãos dos mesmos donos de sempre.
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Outra e polêmica roupagem que a mídia assume é o de educadora em tempo integral. Aparentemente, primeiro ela atuou na base do vídeo; os mais velhos devem lembrar dos antigos telecursos passados logo ao amanhecer. Tais cursos atendiam tanto ao Ensino Fundamental como ao Médio. Com os avanços da informática, os meios de comunicação alcançaram a hiper-realidade e acabaram com as barreiras de tempo e espaço. Atualmente, pela internet os alunos interessados que não estudam nem em sala de aula se esforçam por assistir em vários meios uma ou duas aulas que, ao longo do tempo são armazenadas no ciberespaço. Mas a mídia vai mais longe: ela tem a pretensão de ser uma educadora privilegiada e uma potencial formadora de opinião e de identidades. Para isso, não é preciso tanta força. Os meios de comunicação têm ao seu dispor, diferentemente da sala de aula, imagens, sons, movimento e relações em tempo real. Também oferecem “facilidades”: ajudam no armazenamento, na comparação de informações, na organização de dados e nas pesquisas. Todavia, ela também forja a preguiça, a miopia mental, a mentira, a falsidade e a ideia de que guardar e reter conhecimento é o mesmo que saber usá-lo. Daí a presença marcante das colas nas instituições de ensino e da produção de “intelectuais” que operam na simples repetição de ementas e conteúdos.
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Para finalizar, é preciso apontar que podemos ser vítimas desse “porre” de informações que tende a embebedar computadores com livros que não vão ser lidos, pesquisas, relatórios e dados que jamais serão aproveitados. O perfil da educação oferecido pela mídia não comporta a educação crítica e transformadora. Não é por acaso a presença do corte, dos programas gravados e da inexistência do contraditório. Não é possível, ao contrário das ações das instituições de ensino, colocar em xeque a mídia educacional que navega na burrice de massa, no pensamento pequeno e na falta de ética em relação aos que não possuem poder. Nesse caminho, é imperioso lembrar aqueles que estão por trás dos mass media. Eles, apesar do chamado ciberespaço, não falam por si. Atrás dos computadores, da TV, dos rádios, revistas e jornais, temos uma “educação” manipulada por poucos e que não possuem o mínimo de didática, currículo e que não chegam nem perto do que se entende por cuidado com o outro.
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* Professor da Faculdade de Educação da UEMG - Publicado em 26 de agosto de 2014 - Edição 32.
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Fonte: Revista Educação Pública: Reflexão e interação de educadores, RJ: In: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/comunicacao/0035.html

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Navegar, estudar e aprender

Beatriz Cardoso*
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Três verbos complementares entre si, que denotam atividades cognitivas diferentes, cada uma com sua especificidade. Todavia elas tendem a ser tratadas como se fossem a mesma coisa. Embora a relevância dessa afirmação pareça secundária, na prática, o fato de compreendê-las como ações equivalentes tem impactado o Ensino e a aprendizagem da leitura, bem como limitado as possibilidades de apropriação de conteúdos das diferentes áreas do conhecimento.
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No Brasil, segundo os resultados do Sistema de Avaliação da Educação básica (Saeb 2011), apenas 40% dos Alunos do 5.º ano do Ensino fundamental atingiram um nível adequado em compreensão leitora. A situação é mais grave considerando as desigualdades regionais. No Norte e no Nordeste outros 40% se encontram num nível considerado crítico na realização das mesmas atividades (Brasil, 2006, 2012).
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Tal urgência exige inovação, quase sempre atrelada à tecnologia. O envolvimento dos diferentes setores e a preocupação com o resultado da Escolaridade dos Alunos é um ótimo sinal, mas deve-se evitar o reducionismo, que pode pegar carona num panorama de crise. Com frequência, em diferentes fóruns, explicita ou implicitamente, surge o discurso que culpabiliza a Escola por tudo. Há uma expectativa geral de se "tirar a Escola da caixa", que precisa mesmo ser revista. O desafio, contudo, é separar o joio do trigo, identificar as fragilidades e encontrar caminhos para tornar o sistema ajustado aos desafios contemporâneos.
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A Escola pode cumprir papel relevante, desde que reorientada para isso. "Abandonar" esse equipamento, historicamente tão relevante, em troca da oferta direta ao Aluno, que desconsidera a mediação no aprendizado, transferindo-a para contextos virtuais e individuais com o apoio horizontal de uma rede de acesso à informação, pode incidir apenas na superfície do problema. Navegar, estudar e aprender não são sinônimos. A oportunidade de acesso à internet e o contato com conteúdos de diversas áreas do conhecimento não promovem, necessariamente, capacidade de compreensão. A sociedade atual exige o domínio de práticas de leitura e apropriação de "chaves" para a análise e compreensão dos textos, bem como a capacidade crítica para lidar com as informações acessadas.
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O desafio é aprender a decifrar, interpretar, analisar, parafrasear, reproduzir, citar, comentar e produzir textos escritos. Cada uma dessas dimensões requer aprendizagem específica, oportunidade e experiência com o objeto de conhecimento. Temos de migrar da formação de consumidores de leitura para produtores de conhecimento. Isso se faz não apenas por leitura, mas por meio da configuração de contextos intencionais em que o Aluno tenha a oportunidade de explorar essas diferentes dimensões.
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A Escola pode e deve ter protagonismo nesse sentido. Em vez de criar atalhos que corram paralelamente a ela, precisamos encontrar caminhos que potencializem seu papel na sociedade atual. Como dar um lugar inteligente e generativo para a Escola e para o Professor?
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Navegar consiste em categorizar, selecionar e identificar informação. Estudar equivale a saber estabelecer uma rede de conexões entre conhecimentos, experiência e informação. É preciso aprender a fazer isso. Mediar para construir categorias de análise, tornar observáveis determinadas dimensões de um texto, interagir e rever o conhecido, processar a experiência, pensar sobre o objeto de conhecimento, etc. Assim, estudar é aprender a trabalhar com textos escritos de maneira a construir conhecimentos, resolver problemas e desenvolver projetos.
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A inclusão de milhares de Alunos nesse outro patamar, que transitem livremente pelas práticas próprias do discurso letrado, depende de um trabalho intencional e planejado. São necessárias estratégias que os auxiliem a se relacionar de um modo epistêmico com os textos, para que aprendam com e sobre eles, e não apenas para que extraiam informações pontuais sobre um tema em questão. E, nesse contexto, o Professor, como um parceiro experiente, tem papel fundamental.
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É ao "desconstruir" os textos, estudando-os, segmentando-os, analisando-os e interpretando-os, que se avança. O segredo está em como ajudar os estudantes a entrar na camada interna dos textos, a explorar suas formas e características metalinguísticas. Estudar é, portanto, resultado de um conjunto de processos cognitivos que se manifestam por meio dessas microatividades, que se superpõem. Uma das funções da Escola é criar condições para que cada Aluno possa experimentar, isoladamente e em conjunto, cada uma delas. É, no entanto, possível passar por uma Escolaridade que não produza esse contexto de aprendizagem. E na urgência de resolver tal problema há o risco de se investir em programas e propostas que, sob as premissas da inovação, da tecnologia da informação e da atenção individualizada ao Aluno, enfraqueçam cada vez mais a atuação do Professor e, em consequência, o tipo de relação que os Alunos têm com o conhecimento.
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Quais serão as consequências individuais e coletivas dessa opção daqui a uma década?
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Nesse contexto, se quisermos atingir todos os Alunos, e não apenas uma parcela que tem acesso a oportunidades contingenciais, devemos encarar os desafios de valorizar o papel da Escola, de investir na formação dos Professores e no desenvolvimento de conhecimento aplicável e de metodologias que lhes deem suporte. E se quisermos, de fato, garantir igualdade de oportunidades para todos, é mais racional e produtivo capacitar esse quadro, em lugar de criar soluções individualizadas, que vão direto a cada Aluno, como caminho de correção de um problema sistêmico.
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*DOUTORA EM Educação PELA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP), É DIRETORA EXECUTIVA DO 'LABORATÓRIO DE Educação' E FELLOW 2013 DO HARVARD AD-VANCED LEADERSHIP INITIATIVE
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Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)

domingo, 11 de maio de 2014

'Viramos uma família', diz mãe sobre memorial por Realengo

A véspera do Dia das Mães vai ser de homenagem aos filhos para as famílias de 11 estudantes que foram vítimas do massacre na escola Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio, em 7 de abril de 2011. Três anos após a tragédia que pôs fim ao convívio nos corredores e salas do colégio, eles voltarão a ficar juntos: neste sábado, os restos mortais de 11 dos 12 jovens serão depositados lado a lado num memorial no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Os adolescentes foram mortos por Wellington Menezes, ex-aluno da escola, que entrou no local e matou os jovens e feriu mais 12.
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Massacre de Realengo completou três anos no dia 7 de abril
Massacre de Realengo completou três anos no dia 7 de abril.
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"Lembro da alegria da minha filha, que sempre foi uma menina muito carinhosa, alegre. Na minha cabeça, o que ficou dela foi o sorriso", disse Adriana Maria da Silveira, mãe de uma das vítimas, Luiza Paula da Silveira Machado, que tinha 14 anos. O pedido para que os corpos das vítimas fiquem no mesmo local partiu dela, presidente da Associação Anjos do Realengo.
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Das 12 vítimas, o corpo de uma foi cremado e os das demais estavam enterrados entre três cemitérios do Rio. Os familiares vão aproveitar que os restos mortais teriam que ser exumados após o prazo legal de três anos, para já fazer com que eles fiquem juntos. "Não tem razão de elas ficarem separadas. Viramos uma grande família, vivemos sempre juntos. Vamos viver tudo no mesmo dia", disse Adriana. Segundo ela, os corpos que estão nos cemitérios do Murundu, em Realengo, e no de Ricardo Albuquerque, devem ser levados para o Jardim da Saudade escoltados por carros da Guarda Municipal. A banda da corporação também deve tocar na cerimônia, que será celebrada pelo cardeal do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, e pelo padre Omar Raposo, reitor do Santuário do Cristo Redentor, às 12h30.
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Às vésperas do Dia das Mães, Adriana acredita que ficará com os nervos à flor da pele e sabe que vai reviver toda a dor da perda da filha. "Até acontecer essa tragédia, no Dia das Mães, eu tinha o café da manhã. Agora falta um pedaço de mim como mãe", disse Adriana, que ainda é mãe de Carlos, 20 anos.
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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Combater droga em escolas é desafio

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A presença das drogas no espaço das escolas é uma realidade crescente. Levantamento feito pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) a respeito do uso de entorpecentes entre estudantes dos ensinos fundamental e médio nas capitais brasileiras mostra que cerca de 60% dos alunos de escolas públicas e mais de 65% das privadas já fizeram uso de substâncias tóxicas. A pesquisa revela também que cerca de metade dos estudantes faz uso recreativo ou ocasional. Em Juiz de Fora, a situação não é diferente. A Tribuna esteve nas proximidades de duas escolas, uma pública e outra privada, ambas na região central, e ouviu estudantes e vizinhos que confirmam: as drogas - desde o álcool até a cocaína - fazem parte da rotina das instituições de ensino e tomam também as imediações das escolas.
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"Infelizmente droga dentro da escola é o que mais tem. O pessoal usa geralmente no banheiro, em sala vazia, onde der para usar, usam", relatou um adolescente, 16 anos, estudante de uma escola estadual do Centro de Juiz de Fora. "Tem gente fumando cigarro, bebendo no banheiro, e ninguém fala nada", conta outra estudante, 15. "É fácil entrar com droga, pois ninguém olha mochila, nada, até arma entra no colégio, já é rotina", 15. Um funcionário da própria instituição confirma: "Tem sim, muita coisa entrando, mas não podemos revistar. O que achamos geralmente são vestígios. Quando pegamos algum aluno, levamos para a direção. Mas fora da escola, a situação já fugiu ao controle. Às vezes, ficam na calçada ou vão para a pracinha próxima. Só sentimos o cheiro. À tarde ainda é pior, pois são os estudantes mais velhos. Mas não tem distinção, é menino, menina usando", relata um auxiliar de serviços gerais, 50.
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Além dos abusos de alunos, há escolas que são alvos de vândalos e usuários de drogas nos fins de semana. Isso foi o que ocorreu em uma unidade pública no Bairro Cerâmica, Zona Norte, que foi invadida, danificada e usada por dependentes de droga. Docentes que voltaram nesta segunda-feira (18) ao trabalho depois do feriadão encontraram uma latinha para o consumo de crack, indicando que os invasores utilizaram as dependências do colégio para o vício, além de vários cômodos revirados, porta arrombada e janelas quebradas. Para especialistas, uma das alternativas para frear a disseminação de drogas no ambiente escolar é a prevenção. Neste sentido, Juiz de Fora foi escolhida para ser referência nacional em capacitação de educadores. A previsão é de que dez mil profissionais passem pelo curso que será oferecido pelo Centro de Educação a Distância (Cead) da UFJF, com início em janeiro de 2014.
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Nas proximidades - Nos arredores das escolas, as cenas de estudantes uniformizados fazendo uso de entorpecentes incomodam. "Um dia tinha um adolescente fumando maconha, com um menino que parecia ser irmão mais novo do lado. A gente fica muito assustada", comentou uma manicure, 38 anos. Uma aposentada, 60, moradora da Rua Fernando Lobo, também relatou cenas semelhantes. "Costumam sentar nas escadas, usando droga debaixo da nossa janela. É muito desconfortável assistir a isso."
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Em outubro, três adolescentes de 17 anos e um jovem de 20 foram apreendidos na Rua Fernando Lobo com maconha. O grupo foi flagrado pela Polícia Militar comercializando drogas para estudantes uniformizados, no Parque Halfeld, mas fugiu para a via. Estudantes de instituições particulares da região também são vistos usando droga à luz do dia pelos vizinhos. "Formam grupinhos e sobem e descem a rua fumando maconha tranquilamente", relatou um contador, 54, que trabalha na Rua Oswaldo Cruz.
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Orientação - Especialistas e polícias defendem que a orientação seja feita não só na família, mas na escola. "Um dia desses, um amigo levou maconha, a professora viu e não falou nada", contou uma adolescente, 15. Outro colega, 14, completou: "Os professores hoje não estão dando conta nem do ensino, quanto mais cuidar de aluno." Uma outra estudante, entretanto, diz que há orientação de alguns educadores. "Alguns falam sempre com a gente para ter cuidado, mas outros não", 14.
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Telmo Ronzani, coordenador do Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Outras Drogas (Crepeia) da UFJF, diz que a educação é estratégica para a prevenção. "Só vamos conseguir mudar os indicadores com trabalhos preventivos mais efetivos, e as escolas são locais fundamentais", defende Ronzani, que está coordenando o curso de Prevenção de uso de drogas para educadores de escolas públicas, que será realizado pela primeira vez em Juiz de Fora. Em sua oitava edição, o curso é resultado de parceria entre a Universidade de Brasília (UnB), a Senad e o Ministério da Educação (MEC). Todas as outras edições da capacitação foram realizadas pela UnB.
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Professores não são os únicos responsáveis
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Danos à saúde dos alunos, dificuldade de relacionamento e aumento de violência, baixos índices de rendimento e evasão escolar. Esses são alguns dos problemas associados ao uso de drogas entre estudantes. Para a diretora da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora, Belkis Cavalheiro Furtado, a droga é hoje um dos grandes desafios. "Não é o principal, mas principalmente nas escolas do sexto ao nono ano do ensino fundamental, a questão é mais delicada pela idade dos alunos. Já do primeiro ao quinto ano, a dificuldade está na forma de abordagem. É difícil articular com uma criança de 6, 7 anos sobre droga. É preciso preparo." A diretora destacou que, neste semestre, as 53 escolas estaduais da cidade estão desenvolvendo trabalhos relacionados à prevenção do uso de drogas. "Dentro do Fórum Permanente de Promoção da Paz Escolar, no primeiro semestre, trabalhamos o bulling e, agora, estamos tratando do crack e outras drogas, desenvolvendo atividades, palestras, teatros e outros estudos em parceria com Polícia Militar e Conselho Tutelar. O objetivo é a sensibilização e a união de esforços para reduzir o uso."
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Já a Secretaria de Educação do município informa que desenvolve, em conjunto com a Guarda Municipal, o programa "Guardas no apoio e prevenção nas escolas" (Gape), que aborda, de forma educativa, o tema dos entorpecentes e suas consequências para o organismo, interferência na família e sua relação com a violência em 30 instituições. Ambas as secretarias ressaltam a parceria com a Polícia Militar no Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e Jovens construindo a cidadania (JCC), que tem o objetivo de prevenir o uso de tóxicos e combater a violência entre os adolescentes. O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe/Sudeste) foi procurado, mas não enviou respostas.
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Para o coordenador do Centro de Referência em Pesquisa, Intervenção e Avaliação em Álcool e Outras Drogas (Crepeia) da UFJF, Telmo Ronzani, que também coordena o curso de prevenção que será ministrado pelo Cead, a temática da drogadição na educação continuada de educadores justifica-se, uma vez que pesquisas recentes revelam que tem crescido o consumo de drogas entre crianças e adolescentes, sendo cada vez mais precoce a idade da primeira experimentação entre estudantes. Entretanto, o especialista faz um alerta: "Só a capacitação isolada gera frustração. A educação continuada, a qualificação é importante, mas paralelamente são necessárias ações governamentais para que a prevenção surta efeito." Ronzani ainda lembra que os professores não podem ser eleitos como os únicos responsáveis por solucionar o problema."Não podemos eleger um ator social somente. Os educadores têm suas limitações. É preciso parceria, envolver setores, como família e restante da comunidade."
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O curso que será ministrado pelo Cead da UFJF está previsto para ter início em janeiro. A expectativa é de capacitação de dez mil profissionais de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
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Escola é alvo de vandalismo
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A Escola Estadual Maria Elba Braga, no Bairro Cerâmica, Zona Norte, foi invadida e alvo de vandalismo. Apesar de terem quebrado vidraças, fechaduras e pichado as instalações, nada foi roubado. Mas os invasores teriam usado droga dentro da instituição já que no local foi encontrada uma latinha com indícios do uso de crack. A ação causou transtornos a professores e parte dos 480 alunos da instituição, já que várias salas de aula precisaram ser isoladas até a chegada da perícia da Polícia Civil. Em algumas delas, fechaduras foram danificadas e carteiras pichadas. Em uma das paredes, os vândalos ainda escreveram palavrões e siglas de facções criminosas. Em alguns casos, os vidros foram quebrados a pedradas. Trabalhos infantis afixados na área externa foram arrancados, e um armário, revirado.
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De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, no andar térreo, foram arrombadas as fechaduras de duas salas de aula, além dos danos causados na janela da cozinha, supostamente quebrada para abertura de um freezer. A vidraça do cômodo onde ficam computadores também foi estilhaçada. Já no piso superior, os criminosos entraram em três salas, quebraram vidros e retiraram duas lâmpadas do corredor. Conforme a PM, os locais arrombados não possuíam alarme, mas a escola conta com o dispositivo em outras partes. Nenhum suspeito foi identificado. O caso foi encaminhado para investigação na Polícia Civil. A assessoria da Secretaria de Estado da Educação disse que foi informada da invasão, mas não confirma o uso de drogas.
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A diretora da Superintendência Regional de Ensino (SRE), Belkis Cavalheiro Furtado, diz que os muros não impedem as invasões, mas afirma que episódios como este têm sido registrados apenas em algumas regiões da cidade.
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Fonte: Tribuna de Minas (MG)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Estudantes agridem professor e guarda municipal em escolas de BH


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Falta de investimentos do Estado em políticas de educação. Essa é, para o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sindute-MG), a única explicação para os casos de violência contra professores nas escolas públicas do Estado.
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No caso mais recente, um professor da Escola Estadual Barão de Macaúbas, localizada provisoriamente no bairro Santa Tereza, na região Leste de Belo Horizonte, foi agredido com chutes e socos por um aluno de 15 anos, nessa segunda-feira (2). Segundo o professor, que preferiu não ser identificado, essa é a primeira vez que ele passa por isso. “No final da aula costumo dar um visto no caderno dos alunos. Percebi que uma garota estava com material de português na mesa. Ela falou que fazia o trabalho de dependência de outro aluno e eu recolhi o material”, contou.
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No fim da aula, ele saiu da sala com o material que pertencia ao agressor para entregar à supervisão da instituição. “Ela veio atrás pedindo para eu devolver e, de repente, surgiu o dono do trabalho, que inclusive era namorado da aluna”, contou. O adolescente tomou o material da mão do professor e, em seguida, deu um chute nas partes íntimas dele.
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“Depois do chute ele ainda me deu um soco no ombro e arranhou o meu braço. Não houve discussão, apenas agressão”, relatou o professor. Depois disso, a Polícia Militar foi acionada e conduziu o menor infrator para a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente.
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Para uma aluna do professor, de 13 anos, ele é exemplar. “Ele sempre traz ideias novas. Ele até evita de dar provas, prefere trabalhos”, disse. Já sobre o agressor, a jovem disse que ele é problemático. “Ele já empurrou uma professora, roubou um celular, e bateu no melhor amigo dele muito. O menino até saiu da escola”, contou.
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A diretoria da instituição informou que a escola, que conta com mais de 600 alunos, deu todo o suporte ao professor. Nesta terça-feira (3), os alunos foram relembrados das responsabilidades e direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
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Violência contra o professor
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Pesquisas feitas em 2009 pelo Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais dão conta que 41% dos professores disseram já ter sido agredidos ou ameaçados por alunos. Além disso, entre fevereiro de 2011 e abril de 2012, 131 denúncias de violências foram feitas ao sindicato.
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Adolescente tenta agredir guarda municipal em escola de BH
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Um estudante de 15 anos foi apreendido na manhã desta terça-feira (3), no bairro Casa Branca, região Leste da capital, depois de tentar agredir um guarda municipal que fazia ronda na Escola Municipal Wladimir de Paula Gomes. De acordo com assessoria de imprensa da Guarda Municipal, o adolescente se dirigiu ao guarda usando palavras de baixo calão e ao ser repreendido pelo ato, tentou agredi-lo fisicamente. O estudante foi contido, levado para a diretoria, e a Polícia Militar (PM) foi acionada. Ainda de acordo com a assessoria da guarda, aparentemente, não houve motivo para a agressão.
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O guarda municipal não chegou a ser agredido e o aluno foi encaminhado para o Centro Integrado de Apoio ao Adolescente Autor de Ato Infracional (Cia-BH). Os pais dele foram informados do fato e a ocorrência foi encerrada como desacato.
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Aluna é espancada em calourada no campus da UFMG

Uma aluna de pedagogia afirma ter sido espancada nessa quarta-feira (14), dentro do campus Pampulha na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na capital. Segundo a vítima, Miriam Gomes Alves, 26, o agressor cursa Restauração e Conservação na escola e é ex-namorado dela. A jovem contou que o ato de violência ocorreu durante discussão entre os dois. “Ele me jogou no chão, me arrastou pelos cabelos, me enforcou e sentou na minha cabeça. Infelizmente a gente vê esse tipo de machismo dentro de uma universidade”, relatou Miriam.
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O namoro durou um ano, e eles estavam separados desde fevereiro deste ano, segundo a jovem, que preferiu não expor o motivo da briga. A agressão teria ocorrido durante a festa de alunos da faculdade de Belas Artes, para recepcionar o calouros. Segundo a vítima, eles estavam em um local escuro e ninguém presenciou a agressão. A reportagem não obteve o contato do suposto agressor.
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Miriam conta que pediu socorro para o estudante de letras Franz Galvão Costa Piragibe, 26, por telefone. O jovem levou a vítima à 9ª Delegacia Distrital de Venda Nova para prestar queixa anteontem. “Ela estava machucada na cabeça, na perna e nas mãos. O pior é que a UFMG não pune esses agressores”, reclamou Piragibe.
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Queixas
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A falta de segurança no campus é alvo constante de reclamações de estudantes. Segundo eles, agressões como a dessa quarta (14) não são coibidas, e os autores não são punidos, diferentemente do que informou a UFMG. A assessoria de imprensa da instituição afirmou que os casos são apurados por processos administrativos e os responsáveis, punidos.
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A UFMG ainda informou que a vítima precisa prestar queixa à instituição – o que ainda não foi feito – para que um processo administrativo seja aberto. Entretanto, segundo a assessoria, o caso deve ser apurado após a publicação da reportagem de O TEMPO. O agressor pode receber advertência, suspensão e expulsão. A UFMG disse que, diante de agressão, os alunos devem procurar os seguranças do campus e que há uma guarita próxima ao prédio onde Miriam foi agredida.
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Denúncia. Nesta quinta (15), a jovem fez exame de corpo e delito no Instituto Médico Legal e prestou queixa na Divisão Especializada de Atendimento da Mulher, do Idoso e do Portador de Deficiência, que vai investigar o caso. Uma outra aluna da Universidade Federal de Minas Gerais teria sido agredida também por um estudante na última segunda-feira (12), durante uma festa também no campus Pampulha. Segundo o relato da estudante de ciências sociais Silvia Regina de Jesus Galvão, 35, uma estudante foi agredida e quebrou o dente.
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A reportagem de O TEMPO não conseguiu fazer contato com a vítima.
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“Estamos cada vez mais ouvindo esses relatos de agressão, que não são coibidas”, afirma a estudante. A UFMG disse que realiza palestras e debates repudiando qualquer tipo de agressão dos alunos.
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Entrevista
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Miriam Gomes Alves (estudante agredida)
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Como ocorreu a agressão?
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Primeiro, ele me agrediu verbalmente me chamando de louca e imbecil, depois apertou meu braço com força, me jogou no chão e começou a me bater. Ele chegou a me arrastar pelos cabelos, me enforcou e sentou na minha cabeça.
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Alguém te ajudou?
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Não. Nós estávamos em um lugar escuro e onde não tinha quase ninguém. Eu cheguei a ver duas pessoas uniformizadas passando, que eu acho que eram seguranças do campus, mas eles não fizeram nada. Eu liguei para um amigo que veio me buscar e me levou à delegacia.
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A senhora já ouviu relato de outras agressões a mulheres no campus?
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Sim. Essas agressões são recorrentes. Na última segunda-feira mesmo soubemos de uma aluna que quebrou um dente depois de ser agredida por outro aluno.
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Fonte: O Tempo (MG)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Agressões fazem parte da triste rotina do professor brasileiro

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No início de 2012, enquanto dava uma de suas aulas no Colégio Estadual Santa Gema Galgani, em Curitiba, o Professor de Matemática Francisco Gasparin Neto foi interrompido por um Aluno do Ensino médio que chegou atrasado. Como sempre faz nesse tipo de situação, Neto instruiu o Aluno a sair, pedir licença e entrar novamente. O fim desse diálogo terminou na delegacia.
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O estudante, que tinha 18 anos, se revoltou com o pedido e deu início a uma série de ofensas, feitas em alta voz e tom intimidador. O caso passou pela direção e em seguida o Professor registrou um boletim de ocorrência. Depois de uma audiência de conciliação, o estudante foi obrigado a pagar cestas básicas à comunidade local. Ele foi condenado por desacato a funcionário público no exercício da função.
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Diálogo entre as partes é a melhor solução
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 A Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Secretaria de Estado da Educação (Seed) optam pela cautela no que diz respeito às medidas que um Professor vítima de agressão deve tomar. Segundo a assessoria da SME, a orientação dada aos Docentes da rede municipal é de que toda situação de violência, seja entre estudantes ou envolvendo profissionais de Ensino, deve ser resolvida dentro da própria Escola, a partir do diálogo.
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Como a maior parte das Escolas da prefeitura atendem apenas crianças até o 5.º ano do Ensino fundamental – apenas 11 Escolas atendem Alunos do 6.º ao 9.º ano – , o volume de ocorrências de agressão contra Professores tende a ser menor. Mesmo assim, quando ocorrem, o procedimento padrão é resolver a situação com os responsáveis pela pedagogia e direção. Em alguns casos as famílias são chamadas e participam na Escola da tomada de decisão sobre como o estudante pode se retratar diante de sua atitude.
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De acordo com a Seed, as Escolas estaduais também são instruídas a resolverem os problemas internamente, e a agirem preventivamente sempre que um profissional nota o risco de violência. Tanto em caso de agressões verbais (calúnia, difamação e injúria) quanto físicas, os pais do estudante agressor são convocados e se faz o registro do ocorrido no livro ata da Escola. Quando ocorre uma agressão grave, o Batalhão da Patrulha Escolar Comunitária (BPEC) pode ser acionado.
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Nessas situações, o Conselho Tutelar recebe um ofício e comunica a autoridade policial para que se faça um boletim de ocorrência numa delegacia. No caso de Curitiba, que conta com estabelecimento específico, o boletim deve ser feito na Delegacia do Adolescente. Por fim, o caso será encaminhado à Vara da Infância e Juventude ou ao Ministério Público da região. A punição, em geral, são medidas sócioeducativas.
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A atitude do Professor Neto é uma raridade. Receber agressões verbais faz parte da rotina de muitos profissionais de Educação. No entanto, confusos diante do que podem ou não fazer, a maior parte simplesmente tolera o desrespeito, ou transfere o problema à coordenação pedagógica, função que, em tese, não deveria se responsabilizar pela distribuição de broncas. “Muita coisa seria diferente se mudássemos nossa conduta, e passássemos a usar os artifícios legais contra toda a violência e desrespeito”, afirma Neto.
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No mês de maio, uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular e pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo mostrou que a cada dez Professores daquele estado, pelo menos quatro já sofreram agressões físicas ou verbais por parte de Alunos. O mesmo relatório mostra ainda que 42% dos Docentes já viram Alunos sob efeito de drogas, e 29% testemunharam tráfico dentro da Escola.
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Segundo a APP-Sindicato, não há dados sobre a frequência das agressões feitas por Alunos contra Professores no Paraná, mas são constantes e variadas as histórias de violência compartilhadas por profissionais com seus colegas. “Seria algo muito importante se o governo promovesse uma pesquisa qualitativa e quantitativa sobre esse tipo de ocorrência”, sugere a Professora Janeslei Aparecida Albuquerque, se­cretária de formação política e sindical da APP.
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Problema histórico.

Para o doutor em Educação e Professor da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) Joe Garcia, é necessária uma análise mais ampla, que se refere à cultura de agressão nas Escolas em geral. “Em nosso país é recente a proibição da violência física contra Alunos, embora seja ainda muito presente a violência simbólica”, diz.
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Para Garcia, em geral, as agressões surgem de uma mentalidade que vê a violência como um instrumento legítimo para resolver conflitos, lidar com as diferenças, expressar discordância ou mesmo responder à violência que vem do outro. “Os estudantes estão reproduzindo uma lógica social que tem sido alimentada no mundo há séculos”, diz, lembrando que, em nome da Educação, métodos violentos foram usados para lidar com tudo aquilo que era julgado inapropriado ou intolerável.
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Fonte: GAZETA do Povo. (PR)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Estudante agride professor com tapas em sala de aula

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Um professor de geografia de 30 anos foi agredido com vários tapas no rosto e nas costas por um aluno de 15 anos, na Escola Estadual Deputado Olavo Costa, no Bairro Monte Castelo, Zona Norte. O fato foi registrado pela Polícia Militar, na noite da última terça-feira (28), por volta das 20h30. Esta foi a segunda agressão sofrida por um funcionário do colégio em menos de 15 dias. A situação deixou a comunidade escolar assustada, com relatos de professores com vontade de abandonar a carreira em função da insegurança. Conforme o boletim policial, a vítima teria narrado que, quando fazia a chamada dos alunos do 9º ano, um dos estudantes se levantou e se deslocou até sua mesa, começando a gesticular e falar de maneira ríspida.
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Nesse momento, o interruptor de luz da sala teria sido acionado por outro aluno, deixando o local de luzes apagadas por alguns instantes. Na ocasião, o adolescente infrator aproveitou para agredir a vítima. O aluno que teria apagado as luzes era de outra sala e alegou que encostou no interruptor sem querer. Aos policiais, a vítima relatou que já trabalha na escola há três anos e nunca teve problemas com os jovens. Ele contou que foi até a direção do colégio, que estava reunida com o colegiado tratando sobre quais procedimentos seriam adotados a respeito da agressão do zelador da escola no último dia 15, e comunicou o novo fato. Todos os alunos da sala foram chamados e, na frente do diretor escolar, o adolescente responsável pela agressão teria confessado seu ato. Ele ainda teria dito que tinha investido contra o professor sem motivo. A PM foi acionada e apreendeu o estudante, que foi conduzido para a delegacia de Santa Terezinha.
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Ontem o delegado Rodolfo Rolli, que vai ficar à frente do caso, explicou que a agressão promovida pelo estudante levou à abertura de um boletim de ocorrência circunstanciado, que foi encaminhado para a Vara da Infância e Juventude. "O jovem deverá responder por ato infracional por vias de fato ou lesão corporal. Nosso trabalho aqui na delegacia irá se concentrar em desvendar qual seria a motivação da agressão, a fim de que o estudante possa ser responsabilizado", afirmou Rolli, acrescentando que a direção do colégio também deveria adotar um procedimento disciplinar contra o aluno, com a finalidade de fazê-lo refletir sobre seu comportamento, que foi considerado grave pelo policial. De acordo com o diretor da Escola Estadual Deputado Olavo Costa, André Avelar, o colégio sofre com um histórico de problemas envolvendo segurança. Tanto que, em agosto de 2012, a Tribuna flagrou um grupo de adolescentes debaixo de uma árvore, fumando uma substância que passava de mão em mão bem próximo do colégio. Também foi flagrado, por meio de fotografias, adolescentes pulando o muro da escola, numa tentativa de entrar no estabelecimento. Mais recentemente, no último mês de abril, um adolescente acendeu um cigarro de maconha durante uma aula. Há duas semanas, uma aluna de 14 anos agrediu o zelador da escola verbal e fisicamente. Como apontou André Avelar, a estudante teria quebrado torneiras e uma porta no banheiro. Ao repreender o ato de vandalismo, o funcionário, que não sabia quem era o autor da quebradeira, foi agredido pela aluna.
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"Nos dois últimos casos, vamos decidir, junto com a Vara da Infância e Juventude, que tipo de providência será tomada em relação aos dois alunos. Acredito que pode ser até prestação de serviço à escola, como forma de haver um trabalho pedagógico e não deixar que haja impunidade", disse o diretor, acrescentando que, de imediato, os dois estudantes foram suspensos das aulas até que se defina a situação. A medida, conforme ele, foi adotada em caráter preventivo. "Atos de agressão são repudiados pela comunidade escolar e devem ser denunciados às autoridades", enfatizou Avelar, lembrando que, em função da agressão, o professor de geografia ficou muito abalado e pensa em abandonar a carreira. "Vários outros professores estão querendo deixar de dar aula aqui por causa do medo."
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'Eles não se portam como alunos'
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Outro professor da escola, que preferiu não se identificar, contou que a situação de insegurança entre os profissionais é grande. "Apesar de matriculados, esses estudantes não se portam como alunos da escola, são infrequentes e, quando aparecem, dão problemas. Já informamos as autoridades sobre as ocorrências, mas nada é feito", lamenta o profissional. Na próxima terça-feira, a direção da escola vai se reunir com representantes da Vara da Infância e Juventude e das polícias Civil e Militar, com o objetivo de discutir a questão e traçar metas de enfrentamento.
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André Avelar afirma que, ao longo do tempo, a Deputado Olavo Costa, que conta com 637 alunos e 44 professores, realiza campanhas educativas, como manifestação pela paz e contra o bullying, atuando de maneira preventiva. "Todas essas ações dão resultado a médio e longo prazos. Nosso grande desafio é lidar com situações emergenciais, como os dois últimos casos. Já solicitamos até mais policiamento para escola", afirmou o diretor, ressaltando que já foram encontradas facas e armas de fogo no interior do estabelecimento de ensino. "A parte física do colégio também precisa de intervenção. Vamos investir na instalação de câmeras para garantir mais segurança", apontou.
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Para o delegado titular da 3ª Delegacia de Polícia Civil, responsável pela apuração dos crimes na Zona Norte, Rodolfo Rolli, os casos de agressões contra professores crescem em todo o Brasil, e Juiz de Fora não foge à regra. "As drogas e a delinquência podem ter ligação com este tipo de ocorrência."
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quarta-feira, 22 de maio de 2013

O fim da educação: indisciplina, política e judicialização

Por Lúcio Alves de Barros*

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Professoras e professores estavam discutindo em reunião o problema da (in)disciplina em sala de aula. A coisa me pareceu tão séria que por alguns minutos passaram-me pela cabeça diversas imagens de acontecimentos – muitos deles inaceitáveis – que, aparentemente, vêm se naturalizando entre nós. Algumas delas merecem atenção.
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A primeira diz respeito a como manter a disciplina em sala de aula. Esse problema, antigo e ostensivo tanto nas escolas como nas universidades, não tem passado despercebido em pesquisas na área da educação. No entanto, o problema tem tomado novos perfis a ponto de o estudante recalcitrante ser tratado como vítima. Há tempos tornou-se normal o uso do celular, do smartphone, do tablet em sala de aula. Enquanto o docente ensina, o aluno sem nenhuma vergonha manda mensagens, curte o Facebook, tira fotos e grava suas aulas. Para isso, ele não se contenta em ficar calado; chega ao cúmulo de avisar ao colega que acabou de “curtir” sua mensagem ou que respondeu à altura. Quando ele se abre em atenção à aula, o bravo estudante ainda deseja atenção. Obviamente é praticamente impossível atendê-lo. E, como não foi atendido como quer, lá vai ele para mais uma curtida ou fala inadequada e descontextualizada do que aconteceu em tempo real na sala de aula.
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De forma alguma sou contra a entrada e o desenvolvimento das novas tecnologias de informação, que inegavelmente ajudam na didática, na rapidez nas informações, na construção do conhecimento e nas pesquisas. Mas professores e estudantes – e aqui está o segundo ponto que merece atenção – devem saber os limites ou no mínimo tratar de criar alguns. Comportamentos inaceitáveis em sala de aula são fontes de desrespeito ao corpo docente. Em geral, os discentes estão “pouco ligando” para isso. Eles desconhecem, como os diretores e a supervisão, os regulamentos internos, chegando ao cúmulo de tentar plantar a dúvida e levar o professor às vias de fato quando de um acontecimento sério ou de menos valia na sala de aula. Para isso, basta que o pavio seja aceso e a plateia, inclusive de docentes, goze diante do voyeurismo social sempre sádico e presente nestas ocasiões.
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A questão toma novos contornos quando o discente, do alto de sua sabedoria, ainda cai na onda da judicialização da educação. Esse terceiro ponto se assenta em palavras ou frases como “você tem é que estudar”, “não adianta ficar no celular e fazer a prova”, “depois o coitado sou eu, né!”, “quero ver o que vão falar os seus pais” e “cansei de vocês”, dentre outras, que se constituem verdadeiras bombas para que o discente ou o aluno, antes desatento, resolva levar o docente para a mesa do juiz. Até lá, o poder discricionário do professor em sala de aula já foi esquecido, os nervos já estão sendo colocados em prova, sua capacidade e sua carreira colocadas em xeque, a ameaça ou a denúncia parece crescer de tamanho e ostensividade, sem falar nas versões dos fatos, que, plantadas e encharcadas vão render frutos não comestíveis.
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A judicialização da educação é absurda; ela retira do professor, da coordenação e da instituição escolar toda a sua legitimidade. Por consequência, ela humilha os professores, que, encarcerados em seus poucos recursos, geralmente são esquecidos pelo sindicato e por seus pares. Mais uma vez é possível apontar para o fim da educação. O fim da política nas instituições escolares. Assistimos inertes ao começo do desmonte das entidades garantidoras do controle social e de formação de identidades. Finalmente, vemos de perto a “pá de cal” nas relações daqueles que, por natureza, deveriam estar unidos em causas nobres como a construção do conhecimento, uma sociedade mais humana e, nem que seja por sonho, com liberdade e igualdade.
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* Doutor em Ciências Humanas e professor da Faculdade de Educação da UEMG
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Fonte: Publicado em 21 de maio de 2013 na Revista "Educação Pública". http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/direito/0008.html

sábado, 11 de maio de 2013

44% dos docentes da rede estadual sofreram agressão na escola

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Entre os Professores da rede estadual de São Paulo, 44% já sofreram algum tipo de violência dentro da Escola. As agressões mais comuns são as verbais (39%) e o assédio moral (10%), enquanto a violência física foi relatada por 5% dos Docentes. Os números, divulgados ontem, são de uma pesquisa feita pelo Data Popular a pedido do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). “A violência nas Escolas estaduais está aumentando e não há uma ação efetiva do governo.Temos de mudar essa realidade”, diz a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha.
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A pesquisa foi feita entre 18 de janeiro e 5 de março com 1,4 mil Docentes da rede estadual, de 167 municípios paulistas. De acordo com o Data Popular, é alto o porcentual de Professores que já ouviram falar de algum caso de violência nas Escolas em quedão aula: 84%. Os Docentes afirmam que os Alunos são os principais autores e vítimas da violência Escolar, que se manifesta com xingamentos, provocações e até espancamentos e ameaças de morte. Uma aluna de 17 anos da Escola Estadual Luís Magalhães de Araújo, no Jardim Ângela, que não quis se identificar, conta que já presenciou diversas vezes agressões de estudantes a colegas e Professores. “Tem muito Professor que sai da sala de aula chorando, chateado com o modo dos Alunos.
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Neste ano,uma foi afastada; nos disseram que ela estava traumatizada e não conseguiria voltar a dar aula”, afirmou. As ameaças e os bens danificados pelos Alunos são tão frequentes que 39% dos Docentes acham comum vivenciar essas situações. Para eles, a falta de Educação e respeito dos Alunos (74%) é a principal causa das agressões dentro das Escolas. Para 5% dos entrevistados, porém,são funcionários, diretores e os próprios Professores os principais autores da violência Escolar. Para a Professora B.R., que não quis revelar seu nome, o trauma foi provocado por uma diretora de uma Escola estadual da zona sul de São Paulo que há dois dias a agrediu verbalmente na reunião de Docentes. “Ela disse na frente de todo mundo que meu diploma de pedagoga não valia nada e deveria virar papel higiênico, depois de uma série de humilhações.
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Estou afastada pelo médico, já procurei um advogado e não sei como voltarei a dar aula.” Prevenção. A pesquisa aponta que Escolas que têm campanha contra a violência registram taxas de agressão 10% menores do que as demais.Segundo a Secretaria de Estado de Educação, para prevenir a violência na rede foi implementado em 2009 o Sistema de Proteção Escolar, que criou a figura do Professor mediador Escolar e comunitário, responsável por mediar conflitos.
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Os 2,7 mil Docentes já treinados estão em 40% das unidades. “A ideia é atingir todas as Escolas até o fim do ano que vem”,diz a coordenadora do sistema, Beatriz Graeff.
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Professor pede dever e apanha
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Em 20 de maio de 2011, uma aluna de 18 anos agrediu um Professor de Geografia da Escola Estadual Humberto de Campos, em Sorocaba, no interior de São Paulo. Após uma discussão dentro da sala, ela usou um capacete para golpeá-lo, além de dar tapas em seu rosto. A estudante, que na época cursava o 3.º ano do Ensino médio, discutiu com o Docente porque não havia feito o dever de casa e seria punida com a perda de ponto na nota. Na ocasião, a Diretoria de Ensino de Sorocaba abriu sindicância para apurar a agressão e suspendeu a aluna preventivamente, mas ela não acatou a decisão. Amãe da estudante esteve na Escola, assumiu a defesa da filha e agrediu verbalmente o Professor. Revoltado,um grupo de Alunos se solidarizou com o Docente e se negou a entrar na classe para acompanhar as aulas, que acabaram sendo suspensas pela direção.
‘O aluno jogou uma bomba no meu pé’
“A primeira agressão aconteceu na Escola Estadual José Cândido de Souza, em Perdizes. Estava dando aula para o Ensino fundamental, virei para a lousa para escrever e um Aluno jogou uma bomba no meu pé, que explodiu. Com o susto, fiquei paralisado. Tive de ir para fora da sala, fiquei em estado de choque e acabei urinando nas calças. Tive uma síndrome do pânico muito feia, mesmo sem ter me ferido. Fui levado ao hospital, onde fui medicado, e fiquei afastado da Escola por 120 dias. Já neste ano sofri uma violência na Escola Estadual Luiz Gonzaga Righini, no bairro do Limão.Em abril, um grupo de Alunos ateou fogo na cortina da sala de aula e a Escola não tinha extintor. Apaguei o fogo a vassouradas. No dia seguinte, um grupo de Alunos atacou um Professor.Um livro de 400 páginas acertou o nariz dele. Ainda em outra ocasião, na mesma Escola, 300 Alunos encurralaram a diretora e começaram a agredi-la fisicamente, com tapas e puxões de cabelo. Frequentemente, os Alunos me xingam e ameaçam. Tenho uma sala com mais de 52 Alunos e a superlotação também causa violência entre Professores e Alunos. Já pensei em largar a profissão, mas tenho muito amor pelo que faço. Ainda há esperança.”
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Fonte: O Estado de São Paulo - 10 de maio de 2013