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sexta-feira, 22 de março de 2013

Adolescente que matou colega após ofensas no Facebook é ouvido e liberado

O adolescente de 16 anos que matou um colega de mesma idade dentro da sala de aula em uma escola de Manhuaçu, na Região da Zona da Mata, por causa de calúnias feitas por meio do Facebook, foi ouvido e liberado. O promotor da Vara da Criança e do Adolescente, Carlos Samuel Borges Cunha, afirmou que pediu à Justiça a internação provisória dele. Porém, como a cidade não possui nenhum local próprio para acolher menores infratores, o garoto foi entregue aos pais.
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Mesmo que a Justiça acate o pedido da promotoria, o adolescente ainda deverá ficar um tempo nas ruas. “A representação já foi enviada para ao judiciário para ser analisada. Mesmo se for decretada a internação, temos que esperar vaga em outras cidades para levá-lo. Temos esse problema aqui. Inclusive, vários menores que cometeram crimes bárbaros já tiveram a internação decretada, mas continuam nas ruas da cidade”, lamenta o promotor.
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O adolescente, P.S.P. autor das facadas que mataram Wallacy Luíz Teixeira de Souza, confessou o crime e se mostrou tranquilo para o promotor Carlos Cunha. O agressor afirmou que Wallacy conseguiu a senha do Facebook de um terceiro garoto. Com o perfil desse estudante, a vítima começou a postar mensagens provocativas no perfil de P., insinuando que os dois garotos mantivessem um relacionamento homoafetivo. Em uma das postagem, W. cita o nome do garoto e diz “estou com saudade”.
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P. admitiu aos policiais que decidiu vingar a brincadeira se valendo de agressão física. O adolescente levou uma faca para a escola na última segunda-feira para atacar o rival, que faltou à aula naquele dia. Mas, nesta quinta-feira ambos se encontraram na instituição de ensino. P. disse aos policiais que Wallacy manteve as provocações ao longo da manhã. Na hora do intervalo, P. desferiu um golpe com a faca peixeira na barriga do adolescente, que não teve tempo de se defender. “Foi uma discussão normal de adolescente que gerou um caso mais grave do que geralmente se vê”, explica o promotor.
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A vítima chegou a ser socorrida para o hospital, onde passou por cirurgia. Porém, durante a noite de quinta-feira, não resistiu aos ferimentos. O corpo de Wallacy foi enterrado na tarde deste sexta-feira. A promotoria espera agora a conclusão do inquérito por parte da Polícia Civil, o que deve ser feito nos próximos dias. A promotoria acredita que o adolescente será indiciado por ato infracional análogo a homicídio.
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Fonte. Estado de Minas

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

NA MIRA DOS ALUNOS

Professores são alvo de estudantes que, por causa de uma nota baixa ou pura implicância, usam a internet para humilhá-los publicamente

por Telma Brito Rocha

As tecnologias da informação e comunicação, os computadores e os celulares tornaram-se meios facilitadores para publicar imagens e comentários depreciativos. Em blogs, fotologs e redes sociais, alunos ofendem e fazem chacota de seus professores ou demais funcionários da escola, com discursos de ódio que muitas vezes incidem em crimes de injúria, calúnia e difamação. Essa “nova moda” tem nome e chama-se ciberbullying, uma violência virtual que se multiplica de maneira inimaginável na internet.

Nos softwares sociais, como o Facebook, Bebo, MySpace, Linkedin, Hi5 e Orkut, esse último preferido entre crianças e adolescentes e que mantém hegemonia no País com 26,6 milhões de perfis. Comunidades são criadas para expor críticas e rejeição a um determinado professor. Assim, alunos buscam ofender e ridicularizar a figura do docente, usando imagens de animais (burro, macaco), bruxas, caveiras ou até mesmo com algum desenho pornográfico.

No Orkut, eles encontram um canal extremamente eficiente para poder extravasar suas desilusões, alegrias, frustrações e, principalmente, ódio e ressentimento com relação a uma nota baixa que tiraram em alguma avaliação da aprendizagem. Nas comunidades, fotos de professores recebem efeitos especiais negativos. Internautas, de maneira anônima ou não, os criticam sem qualquer censura, fazem votações on-line para humilhar o alvo de seus ataques.

Essas comunidades afetam os professores de forma sucessiva e sua imagem é prejudicada e exposta a vários alunos de diferentes séries da escola, que podem, inclusive, participar postando mensagens ofensivas. Lidos por uma quantidade grande de alunos, esses comentários criam e disseminam uma imagem negativa do professor.

IMAGEM DA PROFISSÃO

Os efeitos do ciberbullying podem ser ainda mais graves que os efeitos das agressões físicas, pois têm potencial muito maior de macular a imagem das vítimas e, de certa forma, é mais seguro para os agressores, por conta do suposto anonimato da internet.

Esse tipo de violência tem contribuído ainda mais para fazer aflorar a questão da insatisfação dos professores no magistério, um tema que tem sido objeto de estudos cada vez mais frequentes nos últimos anos, tanto no Brasil como em outros países. Fatores como o estresse da profissão, associado ao excesso de trabalho, baixos salários, desvalorização profissional, dificuldades materiais, indisciplina do aluno e violência na escola, entre outros, são entendidos como causadores do chamado “Mal-estar docente”.

Essas situações podem ainda levar à manifestação de uma síndrome denominada Burnout – um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, cuja causa está intimamente ligada à vida profissional. A síndrome de Burnout (do inglês to burn out, queimar por completo) foi assim denominada pelo psicanalista nova-iorquino Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 70.

É preciso atentar para a gravidade da questão. No entanto, decisões provisórias, sem o enfrentamento cuidadoso do problema, só vão continuar a manutenção do efeito negativo na saúde do professor e desenvolvimento do ensino e aprendizagem de crianças e adolescentes.

As escolas devem saber das medidas judiciais que professores podem tomar e ações pedagógicas que podem ser implementadas. Sem isso, os alunos continuarão a repetir essas atitudes porque terão certeza da impunidade. Vão continuar sentindo-se à vontade para arruinar a imagem do professor ou de qualquer outra pessoa. Dar essa permissão é comprometer a própria formação do aluno.

MEDIDAS PREVENTIVAS

As vítimas de ciberbullying têm o direito de prestar queixa e pedir sanções penais. Caso o autor das ofensas tenha menos de 16 anos, os pais serão processados por injúria, calúnia e difamação. Se tiver entre 16 e 18 anos, responderá com os pais. E se tiver mais de 18 anos, assumirá a responsabilidade pelos crimes. Para garantias legais, salve e imprima as páginas da internet onde foram divulgadas as mensagens de difamação ou ofensa sofrida e procure testemunhas. Não hesite em prestar queixa em delegacia comum ou naquela especializada em crimes virtuais, se houver uma em sua cidade. Outras dicas pedagógicas são fundamentais e podem ajudar na conscientização dos alunos: dialogue com eles sobre o ciberbullying, para que não vejam esse ato como brincadeira.

Mostre a repercussão e a responsabilidade jurídica que esses atos podem levar. Converse também com os pais, realize palestras com toda comunidade escolar. Verifique se o regimento interno da escola prevê sanções a quem pratica atos agressivos. Em caso negativo, discuta com colegas gestores a possibilidade de incluir o tema.

Participe mais das redes sociais na internet, expresse suas opiniões, combata as agressões com diálogo; é preciso assumir os espaços das redes sociais como espaço de aprendizagens, cooperação e formação. Conheça as representações que os alunos possuem sobre sua prática pedagógica e reflita sobre elas. Assim, poderemos começar a trilhar um caminho mais eficaz em relação ao combate do ciberbullying.

Fonte: Carta Capital: Edição especial (outubro de 2010).