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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Faculdade que aprovou aluno sem conhecimento do professor fraudou sistema, diz docente

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A Faculdade de Tecnologia do Comércio, que não existe mais e era mantida pela Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), fraudou o sistema de lançamento de notas para aprovar um aluno sem a validação do professor. É o que denunciou, nesta quarta-feira (14), o docente, que conseguiu, em uma decisão inédita da Justiça do Trabalho de Minas Gerais, indenização de R$ 10 mil por danos morais, como divulgado em matéria de O TEMPO dessa terça-feira (13). Ainda segundo o profissional, em outras ocasiões, pelo menos dois colegas sofreram a mesma pressão na instituição e acabaram aprovando alunos sem nota suficiente.
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Além de ser pressionado por coordenadores nos corredores da instituição, o professor, que tem 27 anos de experiência, foi demitido após se recusar a mentir dizendo que tinha aprovado o aluno. “O pessoal da coordenação me pediu descaradamente que aprovasse o aluno. Eu disse que, se não houvesse um meio legal de fazer isso, não faria. Depois, chegou às minhas mãos um e-mail – que foi copiado para mim por engano – em que o coordenador dizia que o correto seria que o professor fizesse o lançamento (da nota). Mas que, se tivessem dificuldades com o professor, a coordenação poderia validar ou assinar. Uma pessoa, que possivelmente foi uma coordenadora pedagógica, entrou no sistema e lançou, no meu lugar, a nota de aprovação do aluno”, contou o professor, que pediu para não ter o nome divulgado.
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O fato ocorreu no primeiro semestre de 2010 na disciplina gestão fiscal e tributária, do curso tecnólogo em gestão financeira. O aluno não realizou as atividades que eram pré-requisito para aprovação. Posteriormente, o docente precisou assinar um documento em que constava que o estudante havia sido aprovado. Entretanto, ele inseriu uma observação informando que a nota não havia sido dada por ele. “Não procurei a Justiça por dinheiro, isso foi um desaforo. Eu fui chamado por outra turma para ser homenageado na formatura e a instituição sequer me comunicou do convite”, relata revoltado. Ainda conforme o professor, o aluno não teve culpa. “Nunca tive problemas com o estudante. Ele é uma pessoa madura e acho que teve problemas de natureza pessoal. Eu teria aplicado novos exames, mas ele nunca me procurou, e o semestre letivo já havia terminado”.
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A CDL-BH, mantenedora da faculdade, preferiu não se pronunciar sobre o assunto.
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Mercantilização da educação
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 A advogada do Sindicado dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sindprol-MG), Luciana Azevedo Moreira, que defendeu o professor, avalia como positiva a decisão da Justiça. “É uma vitória porque a educação está sendo tratada como mercadoria, e o professor está desvalorizado”, relata. Para a defensora, a autonomia do professor precisa ser respeitada. A ação foi protocolada na Justiça em julho de 2012 e a decisão final foi divulgada no último mês. “Não cabe mais recurso. No primeiro momento, pedimos uma indenização de R$ 50 mil. A Justiça concedeu, porém a instituição entrou com recurso. A indenização foi fixada em R$10 mil, mas o teor da decisão não mudou”, explica a advogada.
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O presidente do Sindprol-MG, Gilson Reis, relata que essa decisão inaugura um novo tempo de “enfrentamento do desrespeito”. “Espero que seja a primeira de dezenas ou centenas de decisões. O que acontece atualmente é que o aluno, que é o cliente da instituição, é tratado como superior ao processo de conhecimento, e isso tem provocado a queda da qualidade do ensino”, afirma.
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 Conforme Reis, o profissional precisa se valorizar, mesmo que isso signifique colocar seu emprego em jogo. “Os docentes não podem aceitar essas situações e precisam também denunciar e entrar na Justiça. Sabemos que essa prática acontece, mas não podemos ser coniventes com essas práticas”, analisa.
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Fonte: O Tempo (MG)

sábado, 22 de setembro de 2012

Violência nas escolas de Belo Horizonte: dia sim, dia não

Júlia de Andrade - Além dos baixos salários e da falta de condições para trabalhar, professores da rede pública, em Belo Horizonte, convivem com a violência. A cada dois dias, há um registro de agressão nas escolas. Segundo dados da Secretaria de Estado de Defesa Social, no ano passado, houve 174 ocorrências do tipo na capital.
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O número, 30% inferior ao de 2010 (com 250 registros), não minimiza a sensação de insegurança. Na quinta-feira, um professor de física levou um soco, no rosto, de um aluno de 17 anos do 3º do ensino médio. A confusão aconteceu na Escola Estadual Santos Dumont, em Venda Nova, durante a entrega das notas de uma prova.
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O professor, de 37 anos, revidou às agressões. Uma aluna que tentou apartar a briga também se feriu em um dos braços, e o caso foi parar na delegacia. As aulas foram interrompidas.
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Tráfico e agressão
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Criado no ano passado, o disque-denúncia do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinpro) recebeu 131 ligações, 43,5% delas referentes à rede particular. De acordo com o Sinpro, 20% dos docentes pesquisados já presenciaram tráfico de drogas na escola e mais da metade (62%) disse ter visto agressão verbal. Outros 24% presenciaram agressão física.
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O diretor do Sinpro Minas, Aerton Silva, acredita que a violência nas escolas acontece com mais frequência que o registrado. “Muitos professores não denunciam por medo de retaliações e de perder o emprego”. Um professor de português, que não quis se identificar, sofreu ameaças. “Após uma prova, um aluno mencionou que eu poderia ficar em uma cadeira de rodas caso aplicasse avaliações difíceis”.
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Campanhas - Segundo a Secretaria de Estado da Educação, ações são tomadas para prevenir a violência. “Estamos tentando desfazer as barreiras entre alunos e professores por meio de campanhas de humanização”, afirma a secretária-adjunta Maria Sueli Pires.
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Fonte: Hoje em Dia (MG)

sábado, 20 de agosto de 2011

Professora demitida é reintegrada, e escola, condenada por danos morais

Sinpro em Movimento
 
O Colégio Marista Dom Silvério foi obrigado pela Justiça do Trabalho a reintegrar a professora Jacqueline Cavaca Soares Pontes, demitida em 1o. de abril deste ano, após participar da greve da categoria.

A juíza Maria Irene Silva de Castro Coelho, da 2ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, julgou procedente a ação movida pelo Sinpro Minas a favor da professora. A sentença, publicada em 12 de agosto, determinou a reintegração em 48 horas, o que foi cumprida pela instituição de ensino na manhã desta terça-feira (16/8), quando a docente retornou à sala de aula.

A escola também foi condenada a pagar à docente uma indenização de R$ 50 mil por danos morais pela dispensa em decorrência da greve da categoria, além de valores relativos às diferenças salariais e demais direitos trabalhistas. A instituição de ensino ainda pode recorrer da decisão.
Na época da demissão, o Sinpro Minas, juntamente com pais e alunos do Colégio Marista, participou de protesto na porta da escola e divulgou uma nota de repúdio às demissões, que tiveram o objetivo de intimidar futuras adesões ao movimento grevista, afrontando o direito de livre organização dos trabalhadores.

Para o sindicato, a decisão é mais uma vitória dos professores na campanha reivindicatória deste ano. “Isso demonstra que as escolas têm de respeitar o direito legítimo de organização e greve dos trabalhadores, e continuaremos atentos e não mediremos esforços para preservar os direitos e conquistas da categoria”, destaca Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas.   O sindicato também encaminhou denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que convocou a direção do Marista para prestar esclarecimentos. O processo da professora Márcia Cristina Braga, também demitida pela instituição de ensino após a greve e assediada moralmente pela direção do Colégio, tramita em segredo de Justiça.

quarta-feira, 30 de março de 2011

SINPRO EM MOVIMENTO

Foto do site do Sinpro/MG

Professores suspendem greve e comemoram vitória
29 mar. 2011

Em assembleia nesta terça-feira (29/3), na Faculdade de Medicina da UFMG, os professores da rede privada de Belo Horizonte decidiram suspender a greve, iniciada em 22 de março. A assembleia terminou em clima de emoção e comemoração. Os professores aprovaram a proposta mediada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em audiência na manhã desta sexta, que prevê reajuste salarial de 8%, renovação da atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com retroatividade a 1o de fevereiro, e criação de uma comissão intersindical para, num prazo de 90 dias, tratar dos temas: equiparação dos pisos da educação infantil, regulamentação da educação a distância, seguro de vida, mudança da data-base e vigência da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

Na reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT), o sindicato patronal assumiu o compromisso de, caso a comissão não chegue a um consenso durante os 90 dias, aceitar que o órgão assuma o papel de mediador. Também foi mantida a garantia de salários por 120 dias a cada semestre – com exceção dos demitidos entre 1o e 15 de fevereiro. “A categoria respondeu de forma efetiva, deu uma aula de cidadania e está de parabéns. Houve um ganho incalculável em termos de aumento da capacidade de mobilização, de resistência e de organização. Inúmeros professores também se conscientizaram da necessidade de se unirem e lutarem por seus direitos. Estamos diante de um cenário de crescente conscientização e, em função de tudo isso, estaremos muito mais fortes nas próximas negociações em torno de conquistas dos professores e de uma educação de qualidade para todos”, afirmou Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas. Ele destacou que a mobilização, com greve e manifestações, fez com que o patronal "repensasse a relação com a categoria". "Com nossa força, mostramos que exigimos respeito e temos dignidade”.

Durante a assembleia, os docentes agradeceram as mensagens de apoio de pais e alunos, enviadas ao sindicato. Estudantes do 3º ano do ensino médio do Colégio Marista Dom Silvério chegaram a encaminhar uma carta à direção da escola, reivindicando a valorização dos professores.

"Chama da utopia"

A categoria prestou uma homenagem a todos os que aderiram ao movimento, aplaudindo-os de pé. Foram oito dias de greve e um de paralisação, em 16 de março. “Foi uma caminhada com muitos obstáculos no caminho, mas vitoriosa”, avaliou Celina Arêas, diretora do Sinpro Minas. A paralisação atingiu parcial ou integralmente mais de 60% das principais escolas de Belo Horizonte e região, como Marista Dom Silvério, Colégio Arnaldo, Frei Orlando, Padre Eustáquio, Efigênia Vidigal, Colégio Batista, Imaculada, Libertas, Magnum (Nova Floresta), Pitágoras (Raja Gabáglia), Nossa Senhora das Dores, Pio XII, Sagrado Coração de Maria, Izabela Hendrix, São José Operário, Escola da Serra, Padre Machado, Santa Dorotéia, Uni-BH, Fumec, Newton Paiva, Universo, Rubens Romanelli, Unifem (Sete Lagoas), Curso Alfa (Divinópolis), São Francisco de Assis, entre outras.

“Vamos manter acesa a chama da utopia”, convocou um docente. “Conseguimos, nesta campanha, deixar claro que quem estava sendo intransigente o tempo todo eram os donos de escolas. Estávamos dispostos a negociar, mas eles se recusaram a entender as nossas necessidades de valorização”, afirmou um professor, após a assembleia, que lotou o auditório da Faculdade de Medicina da UFMG. A diretoria do Sinpro Minas voltou a repudiar a pressão e as ameaças feitas aos professores e falou da necessidade de mobilização diante da emenda 45, que leva a Justiça do Trabalho a não julgar os dissídios coletivos quando não há acordo entre as partes. Com isso, muitas categorias profissionais ficam sem direitos previstos em Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs).

O diretor do sindicato Aerton Silva ressaltou que a campanha reivindicatória deste ano ainda não terminou, já que a comissão intersindical precisa decidir sobre os cinco pontos pendentes. "Na verdade, estamos apenas começando mais uma caminhada, que é longa, em torno da educação de qualidade, da valorização dos professores e contra a mercantilização da educação”, destacou. A assembleia também aprovou a criação de uma comissão para verificar as denúncias de assédio moral e substituição de professores durante a greve. Conforme o acordo com o Sinep/MG, as faltas serão abonadas e o calendário de reposição será estabelecido diretamente entre os professores e as escolas.

terça-feira, 29 de março de 2011

NOTÍCIAS...

Greve de professor da rede particular deve acabar na terça


Rogério Wagner Mendes, repórter - 28 mar. 2011

Sindicato realizou assembleia onde foi aprovado reajuste de 8%, bem próximo da proposta da SRT Representantes dos professores e das escolas particulares fazem nesta terça-feira (29) nova tentativa de acordo no Ministério Público do Trabalho (SRT), o que pode acabar com a greve parcial que começou no último dia 22. A audiência está marcada para as 10 horas, em Belo Horizonte. As duas partes avaliaram na segunda-feira que o entendimento está próximo e deve sair ainda na terça.

O presidente do Sindicato dos Professores (Sinpro), Gilson Reis, disse esperar que as escolas aceitem a proposta da Superintendência Regional do Trabalho (SRT), que prevê reajuste de 8,13%, com equiparação dos pisos da educação infantil a partir de fevereiro de 2012, renovação da atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) retroativa a 1º de fevereiro, com vigência de dois anos (à exceção das cláusulas econômicas), reposição das aulas paralisadas, garantia de pagamento dos dias parados e de que não haverá demissões dos docentes que participaram do movimento. O Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe) realizou na tarde de segunda-feira assembleia, onde foi aprovado reajuste de 8%, bem próximo da proposta da SRT. O presidente do Sinepe, Emiro Barbini, disse estar otimista do entendimento. “Tenho certeza de que estamos saindo do impasse. Atendemos algumas reivindicações e esperamos que os professores abram mão de outras”. afirmou. O Sinepe alega que alguns estabelecimentos operam com inadimplência de até 30%.

Fonte: Hoje em Dia

segunda-feira, 28 de março de 2011

NOTÍCIAS...

Professores da rede particular fazem nova assembleia

O pedido inicial de 12% de aumento com equiparação dos pisos da educação infantil estão mantido
por Amanda Paixão, repórter

Professores da rede particular realizam na manhã desta segunda-feira (28) uma manifestação no Barro Preto, na Região Centro-Sul de BH. O protesto que simulou uma aula com o tema “Educação não é mercadoria” foi na porta do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Segundo o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG), cerca de 40 pessoas com a ajuda de um carro de som se reuniram para o ato simbólico. A paralisação foi iniciada no último dia 22 e uma nova assembleia marcada para esta tarde, às 15 horas, na Faculdade de Medicina da UFMG, para decidir sobre a continuidade da greve. O pedido inicial de 12% de aumento com equiparação dos pisos da educação infantil estão mantido. A proposta dos profissionais ainda conta com regulamentação do ensino à distância e a mudança da data-base de negociações com o sindicato para abril. Porém se o Sinep concordar a proposta de conciliação feita pelo STR, os profissionais estariam aptos a aceitar.


quinta-feira, 24 de março de 2011

Categoria entra em greve por tempo indeterminado

Sinpro em movimento

Professores ressaltam necessidade de mobilização para garantir conquistas

Em assembleia lotada, nesta terça-feira (22/3), os professores da educação privada (área de abrangência do Sinep/MG) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado.

Na sexta-feira (25/3), nova assembleia será realizada, às 9h, na Faculdade de Medicina da UFMG (Av. Alfredo Balena, 190 – Centro – BH), para decidir o rumo do movimento grevista.

“A categoria está unida. Aumentamos a mobilização, e a adesão cresce a cada dia. Os professores deram novamente o recado de que, neste ano, não abriremos mão de avanços”, destacou Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas.

Nova reunião com o sindicato patronal está agendada para esta quinta-feira (24/3), às 10h30, na Superintendência Regional do Trabalho (Rua Tamoios, 596 – Centro – BH). O sindicato convoca os professores para um ato na porta da Superintendência, enquanto acontece a reunião. A paralisação desta terça-feira atingiu parcial ou integralmente em torno de 50 instituições de ensino de Belo Horizonte, como Colégio Frei Orlando, Marista Dom Silvério, Colégio Santo Antônio, Efigênia Vidigal, Colégio Libertas, Colégio Pio XII, Instituto Padre Machado, Colégio Imaculada, Universo, Newton Paiva, Uni-BH, Sagrado Coração de Maria, Fumec, Escola da Serra, entre outras. A decisão da assembleia é válida para a capital e região metropolitana.

Intransigência patronal

Os docentes voltaram a recusar, por unanimidade, a contraproposta patronal – que prevê reajuste pelo INPC (6,53%) para quem ganha acima do piso, e de 7,5% para quem o recebe –, e reafirmaram a necessidade de avançar e de valorizar a categoria. Após quase quatro meses de negociação, o impasse permanece, pois os donos de escolas mantêm a intransigência e se recusam a apresentar uma proposta satisfatória, que atenda as reivindicações da categoria. “Mesmo com todos os indicadores econômicos positivos, o patronal não quer valorizar os professores. Em nenhum momento, nossa pauta de reivindicações foi aceita. Em função disso, a greve é a saída que a categoria encontrou neste momento para pressioná-los a negociar”, disse Gilson Reis.

Os professores reivindicam 12% de reajuste salarial, equiparação dos pisos da educação infantil, regulamentação da educação a distância, mudança da data-base para 1º de abril, eleição de delegados sindicais a cada 50 trabalhadores na instituição de ensino, seguro de vida e criação de comissão, no interior das escolas, para tratar de assuntos relacionados à violência no ambiente escolar e à saúde da categoria.

Fonte:
http://www.sinprominas.org.br/conteudos/detalhes.aspx?IdCanal=118&IdMateria=1899

Em Belo Horizonte, 11 mil alunos ficaram sem aulas

Oito escolas pararam total ou parcialmente nesta quarta-feira

Iracema Amaral - Repórter - 23/03/2011 - 19:13

O segundo dia de greve dos professores da rede particular de ensino deixou nesta quarta-feira (23) 11 mil alunos da capital sem aula, representando 5,7% do total de estudantes matriculados. O cálculo é do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep), que contabilizou a paralisação total ou parcial de oito estabelecimentos. Belo Horizonte conta com 1.296 escolas particulares.

“É um absurdo parar com as aulas, porque as mensalidades são caras”, reage a gerente comercial Jaqueline Horta Passos, mãe de Maria Eduarda, 4 anos, do Sagrado Coração de Maria. A filha precisou ficar com a avó para que Jacqueline pudesse trabalhar. “A escola não informou o motivo da paralisação e isso muda a nossa rotina”, reclama Eliane Bartolomeu, cuja filha de 4 anos precisou ficar com a babá para a mãe poder trabalhar.

O Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro) não soube informar quantos alunos foram prejudicados com a greve. O Sinpro fez o balanço apenas do número de escolas que participam do movimento, calculado em 50. A justificativa para a estimativa é que o movimento grevista está começando e os números não puderam ser checados nas escolas. A contabilidade levou em conta relatos de professores que participaram, na terça-feira, da assembleia da categoria. Amanhã, nova reunião dos professores está marcada para avaliar o movimento grevista e a contraproposta patronal para as reivindicações dos professores. A assembleia será às 9 horas, na Faculdade de Medicina da UFMG. No mesmo dia e horário está agendado encontro entre os diretores das escolas particulares, na sede do Sinep.

Professores e representantes dos donos das escolas particulares se reúnem para avaliar os resultados da reunião de conciliação, prevista para acontecer na manhã de quinta-feira (24) na Superintendência Regional do Trabalho. Nesta quarta, o presidente do Sinep, Ermiro Barbini, adiantou que vai oferecer 7,5% de reajuste para todas as faixas salariais. Anteriormente, esse percentual era apenas para quem ganhasse o piso da categoria. Os professores reivindicam 12% de aumento para toda a categoria baseada em Minas Gerais, que soma 54 mil professores. Na capital, esse número chega a 33 mil desse total no Estado. Além de outros benefícios para melhoria da qualidade do exercício da profissão.

Fonte: Jornal Hoje em Dia

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Audiência pública aponta caminhos para a paz nas escolas

16/02/2011

O Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT) pretende convocar os representantes das escolas particulares e dos sindicatos de professores e auxiliares de administração escolar para intermediar a negociação de uma Convenção Coletiva de Trabalho que estabeleça parâmetros de segurança nas escolas. Essa foi uma das principais propostas levantadas na audiência pública promovida pelo MPT nessa quarta-feira (16/02) para discutir a violência nas escolas particulares.

Participaram da audiência cerca de 100 representantes de escolas privadas de Belo Horizonte, que foram intimados pelo procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Arlélio de Carvalho Lages. Segundo o procurador, ainda serão realizadas mais 10 audiências em todo o Estado. A proposta do MPT é, a partir dos debates, produzir uma cartilha com orientações sobre o tema. Para o procurador, todos são responsáveis pela violência e a solução deve ser conjunta. “Há uma banalização da violência nos jogos e na internet. Os pais terceirizaram a educação dos filhos”, enfatizou.

Como convidados, Gilson Reis, presidente do Sindicato dos Professores (Sinpro Minas), e Rogerlan de Morais, diretora do Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar (Saae-MG), relataram casos concretos de agressões e intimidações sofridas pelos profissionais dentro das instituições de ensino.

Dupla violência

Gilson Reis citou dados da pesquisa feita pelo Sinpro Minas em parceria com a PUC Minas, segundo a qual mais da metade dos entrevistados (62%) disseram ter presenciado agressão verbal dentro da escola, e 24%, agressão física. Também leu trechos de estudos sobre o tema que retratam bem a situação dos professores. “O aluno referiu-se a minha pessoa dessa forma: ‘não faço. Meu pai paga o seu salário. Nem em casa faço e ninguém vai me obrigar”, exemplificou. “A violência contra o professor é dupla, pois além de conviver com intimidações, sofre em função do problema não ser solucionado”, afirma Gilson Reis.

A proposta do Sinpro Minas para o combate a violência no ambiente escolar engloba a elaboração de uma campanha pela paz nas escolas, com a criação do disque-denúncia, de uma câmara setorial no Conselho Estadual de Educação, para que a sociedade civil possa debater o assunto de forma permanente, e um fórum multidisciplinar, dentro das instituições, com psicólogos e assistentes sociais. O sindicato também propõe a negociação com o patronal para que seja implantada uma comissão específica sobre a violência, a exemplo das Cipas (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes).

Essa proposta foi considerada bem-vinda por Emiro Barbini, presidente do Sinep-MG (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particulares de Minas Gerais). Segundo Barbini, o Sinep-MG está discutindo o tema com as escolas, que deve envolver os alunos e familiares, para estabelecer regras claras nos regimentos escolares para que as infrações sejam punidas.

Segurança como parâmetro de avaliação

Segundo a procuradora do Trabalho Lutiana Nacur Lorentz, o Ministério Público pode tomar ações preventivas, convocando alunos e professores envolvidos em casos de ameaças, assim como encaminhar medidas punitivas. Ela também sugere que o quesito segurança docente e discente seja utilizado como parâmetro para as avaliações da Capes e do Ministério da Educação. Também participaram da mesa de debates os representantes do Conselho Estadual de Educação, José Januzzi de Souza Reis, e da Superintendência Regional do Trabalho, Alessandra Parreiras.

Fonte: http://www.sinprominas.org.br/conteudos/detalhes.aspx?IdCanal=123&IdMateria=1860

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Professor cria disque-denúncia contra violência nas escolas

Denunciante ficará anônimo; ação visa diminuir agressões na rede particular
Publicado no Jornal O TEMPO - 02/02/2011
Por: TÂMARA TEIXEIRA

Reação. Professores e alunos protestaram por medidas após a morte do professor Kássio Gomes, em dezembro de 2010
De um lado, um aluno sem limites que não mede suas palavras e chega a agredir o professor. Do outro, instituições particulares que não estariam dando suporte para que o profissional se sinta seguro. Foi nesse contexto que o Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-Minas) criou um disque-denúncia para atender as reclamações de agressões verbais e físicas dos profissionais da educação. O denunciante não precisa se identificar. Com a nova ferramenta, a expectativa é que muitos casos de violência, que hoje se perdem no silêncio, sejam apurados. Uma pesquisa do sindicato realizada em 2009 mostrou que 62% dos entrevistados já presenciaram uma agressão verbal; 39% relataram ter visto situações de intimidação; e 35%, de ameaça.

De acordo com o presidente do Sinpro-Minas, Gilson Reis, os números revelam que a violência é uma constante no cotidiano dos professores. "Ao mesmo tempo em que os números da pesquisa são expressivos, as denúncias não aparecem. Só podemos deduzir que há uma violência que se mantém velada. O objetivo do disque-denúncia é criar o caminho para que esses casos não passem desapercebidos. Essas histórias precisam atravessar os muros das escolas", disse Reis.

O presidente do Sinpro explica que todas as denúncias serão apuradas e, caso uma escola seja alvo de um número elevado de queixas, o sindicato irá recorrer ao Ministério Público do Trabalho. "Dependendo da gravidade, podemos conversar com a instituição ou até acionar a polícia. O ministério pode propor a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) à escola". Reis acredita que muitos profissionais da rede particular sofrem pressão das instituições, que não têm interesse em que o caso de violência venha a público.

Resposta. A criação do disque-denúncia surgiu como uma promessa do sindicato depois do assassinato do mestre em educação física Kássio Vinícius de Castro Gomes, 39, morto com uma facada pelo aluno Amilton Loyola Caires, 23. O crime aconteceu em 7 de dezembro, dentro do Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte.
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Para denucniar: 0800-770-3035

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Sinpro em Movimento - 14 dez. 2010

O presidente do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas), Gilson Reis, esteve no Ministério Público do Trabalho (MPT), nessa terça-feira (14/12), para uma audiência com o procurador-chefe do órgão, Arlélio de Carvalho Lage, a fim de discutir ações de combate à violência nas escolas de Minas Gerais.

Gilson Reis fez um relato sobre as pesquisas realizadas pelo Sinpro Minas e a gravidade das ocorrências de violência contra os docentes, como o caso do professor Kássio Vinícius Castro Gomes, morto no dia 7/12, dentro de uma instituição privada de Belo Horizonte.

Durante a conversa, surgiu a proposta de o Ministério Público do Trabalho realizar audiências públicas, em parceria com o Sinpro Minas, para debater o tema. Serão realizadas audiências em diversas regiões do estado. A primeira já está prevista para acontecer em Belo Horizonte, no dia 16 de fevereiro. O MPT também poderá enviar uma carta às escolas privadas com recomendações sobre formas de agir para combater a violência no ambiente escolar.

A visita ao Ministério Público do Trabalho está inserida dentro das ações que a diretoria do Sinpro Minas tem encaminhado para contribuir com a melhoria das condições de trabalho dos professores e por uma cultura de paz dentro das escolas.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

SINPRO EM MOVIMENTO

Fonte: site do Sinpro

Sindicato cria espaço para denunciar violência nas escolas
13 dez. 2010

O Sinpro Minas criou, em sua página na internet, um espaço para que os professores denunciem casos de violência no interior das escolas privadas. O objetivo é reunir as denúncias, para que, posteriormente, possam subsidiar ações pela paz nas instituições de ensino.

“Temos que fazer com que o assunto extrapole os muros das escolas privadas. A categoria não pode ficar refém da violência, e as instituições de ensino devem ser o local da sabedoria e da paz, e não do medo”, disse Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas.

O sindicato ressalta que a identidade e os dados dos professores serão mantidos em absoluto sigilo.

Para fazer a denúncia pela internet, é só preencher o formulário (clique aqui para acessá-lo). As denúncias também podem ser encaminhadas ao endereço eletrônico paznasescolas@sinprominas.org.br (com nome, email, telefone, escola e relato da situação).

Também será criado um disque-denúncia (0800), no qual os docentes poderão relatar anonimamente os casos nas instituições de ensino. O sindicato já solicitou o serviço à empresa de telefonia responsável e aguarda a implantação. Assim que estiver disponível, será divulgado na internet e pelo email da categoria.

Levantamento

A pesquisa Rede particular de ensino: vida de professor e violência na escola, realizada pelo Sinpro Minas em parceria com a Puc Minas, mostrou que mais da metade dos entrevistados (62%) disse ter presenciado a agressão verbal. O estudo aponta ainda que 39% dos professores relataram ter visto situações de intimidação, e 35%, de ameaça. O levantamento revela ainda que 91% dos professores entrevistados consideram como violência o desrespeito à sua autonomia no exercício da docência, sendo que 52% vivenciaram situações dessa natureza.

sábado, 11 de dezembro de 2010

SINPRO EM MOVIMENTO

Foto: Site do Sinpro

Sinpro Minas vai criar movimento pela paz nas escolas

Em entrevista para a imprensa, nesta sexta-feira (10/12), o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis, apresentou algumas iniciativas do sindicato com o objetivo de conter a violência nas instituições de ensino. Nessa quinta-feira (9/12), o Sinpro Minas encaminhou um ofício à Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, solicitando o agendamento, em caráter de urgência, de uma audiência pública para discutir ações de combate à violência nas escolas, entre elas a criação de uma lei estadual sobre o tema.

O sindicato também enviou ofícios, nessa quinta, ao Conselho Estadual de Educação e ao Ministério Público do Trabalho, pedindo uma reunião emergencial. Uma proposta que será discutida com o Conselho prevê a criação, pelo órgão, de uma câmara setorial específica, com a participação de representantes de pais, alunos, professores e donos de escolas. O sindicato ainda não obteve retorno sobre as datas das reuniões e da audiência pública.

A ideia é dar início a um amplo movimento para divulgar a cultura de paz nas escolas, com a participação de todas as entidades ligadas à educação.

“Não podemos tratar o episódio do professor Kássio como algo isolado. Ele é reflexo da situação de tensão que milhares de docentes vivem no cotidiano escolar, tanto na rede pública quanto privada. Esperamos, a partir dessa situação de luto, construir conjuntamente ações de combate à violência no interior das escolas. Na rede privada, não podemos deixar que o interesse econômico prevaleça e abafe as ocorrências. É papel da escola debater o assunto e apontar outros rumos para a sociedade, para que não tenhamos novamente casos como esse ”, disse o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis.

O sindicato também vai criar um disque-denúncia, pela internet e por telefone, no qual os professores poderão relatar anonimamente casos de violência nas instituições de ensino, e negociar com os sindicatos patronais a inclusão nas Convenções Coletivas de Trabalho de cláusula que trate da criação de uma comissão interna, também com a participação de pais, alunos, professores e direção da escola, a fim de discutir e implementar ações nas instituições de ensino. Uma reunião com o Sinep/MG está prevista para ocorrer na próxima semana, dentro do calendário de negociação da campanha reivindicatória 2011.

“O dia 7 de dezembro ficará marcado em nossa memória pela trágica morte do professor Kássio Vinícius. Entretanto, essa data também será marcada pelo início de um grande movimento pela paz nas escolas. Não precisamos de mártires, precisamos de respeito pelos nossos direitos e pela nossa dignidade. Precisamos também de melhores condições de trabalho e segurança para lecionarmos”, afirmou o diretor do Sinpro Minas Marco Eliel Santos de Carvalho. Durante a semana, vários emails de solidariedade ao professor Kássio Gomes também chegaram ao sindicato.

A diretoria do Sinpro Minas também publicou uma nota de solidariedade aos familiares e amigos, na qual lamentou profundamente a morte do educador. Nessa quinta-feira, uma manifestação organizada pelo sindicato, também de solidariedade e pela paz nas escolas, reuniu professores e estudantes no Centro de Belo Horizonte (clique aqui e acesse a notícia do ato).

Propostas do Sinpro Minas

Criação, no âmbito do Conselho Estadual de Educação, de uma câmara setorial específica para tratar o tema, com a participação de representantes de pais, alunos, professores e donos de escolas. (O Sinpro protocolou uma carta no dia 9/12 e aguarda retorno do órgão)

Discutir com o Ministério Público do Trabalho ações jurídicas que podem ser encaminhadas. (O Sinpro protocolou uma carta no dia 9/12 e aguarda retorno do órgão)

Promover uma audiência pública na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para discutir ações de combate à violência, entre elas a elaboração de uma lei de âmbito estadual. (O Sinpro protocolou uma carta no dia 9/12 e aguarda retorno da Comissão)

Negociar com os sindicatos patronais a inclusão nas Convenções Coletivas de Trabalho de cláusula que trate da criação de uma comissão interna, composta por professores, alunos, pais e representantes da direção da escola, com o objetivo de discutir e implementar ações de combate às agressões no interior das escolas e pela paz nas instituições de ensino.

Criar uma comissão com representantes do Sinpro Minas e dos sindicatos patronais para acompanhar todas as ações contra a violência nas escolas.

Criação, pelo Sinpro, de uma ouvidoria para que o professor possa denunciar anonimamente casos de violência na escola por meio da internet e telefone.

Apoiar e exigir a aprovação dos projetos de lei em tramitação no Congresso que preveem a criação de um juizado especial e medidas de proteção para os casos de violência contra os professores.

NOTÍCIAS...

Docente terá disque-denúncia contra violência nas escolas

Publicado no Jornal O TEMPO - 11 dez. 2010

Um disque-denúncia será a nova ferramenta dos educadores contra a violência nas escolas. A medida faz parte do pacote anunciado ontem pelo Sindicato dos Professores da Rede Privada (Sinpro-MG), em resposta ao assassinato brutal do mestre em educação física Kássio Vinícius de Castro Gomes, 39, morto com uma facada pelo aluno Amilton Loyola Caires, 23, na última terça-feira, dentro do Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte.

Entre as ações propostas está ainda a criação de uma câmara setorial, que funcionará como um "tribunal", com a participação de pais e donos de escolas, para analisar mais profundamente os casos. O presidente do Sinpro-MG, Gilson Reis, espera que o disque-denúncia traga à tona casos de agressões que são mantidos em segredo ou ficam restritos às instituições de ensino. O sindicato vai disponibilizar, já a partir da semana que vem, um número de telefone 0800 para receber relatos de casos de ataques a professores.

Com base nas ligações, será realizado um ranking das instituições mais denunciadas e dos tipos de violência mais comuns, para que o sindicato possa cobrar soluções. "É preciso que esse problema extrapole os muros das escolas. Só assim o problema será resolvido", declarou Reis. O Sinpro-MG registra, em média, de três a cinco relatos de ataques a professores por semana, entre agressões verbais, pressões e atos de violência física. "É o resultado da mercantilização da educação. Os pais e alunos acham que, porque pagam, podem exigir a aprovação. São pressões às quais os professores são expostos diariamente", critica o sindicalista.

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas (Sinep-MG), Emílio Barbine, criticou o uso do termo "mercantilização do ensino" pelo sindicato e negou que haja pressão por aprovação de alunos. "Se a escola fala em qualidade de gestão, isso é incabível e contraditório", afirmou.

Sobre as propostas do Sinpro-MG, Barbine disse que os donos de escolas estão abertos às medidas que possam contenham a violência. "Vamos resolver o problema a partir da união das forças. O professor é autoridade máxima e tem que ser respeitado. Temos que sentar para debater essa questão urgentemente", declarou o representante.

Legislação. Entre as medidas propostas, o presidente do Sinpro-MG pediu o envolvimento da Assembleia Legislativa de Minas Gerais nas discussões sobre o tema. Além disso, Gilson Reis promete ir a Brasília para se reunir com o senador Paulo Paim (PT-RS), autor do projeto de lei que classifica como violência contra o professor "qualquer ação ou omissão que lhe cause morte, lesão corporal ou dano patrimonial, praticada direta ou indiretamente por aluno, pais ou responsável".

Medidas
- Criar uma câmara setorial no Conselho Estadual de Educação.
- Envolver o Ministério Público na discussão de ações jurídicas cabíveis.
- Audiências públicas na Assembleia para envolver a sociedade no debate
- Negociar com o sindicato patronal a criação de um comitê interno nas escolas para discutir e adotar ações.
- Criar uma ouvidoria para denúncias de agressões.
- Pressionar a aprovação de projetos de lei de proteção ao professor em casos de violência.
- Criar uma campanha de conscientização contra a agressão aos professores.

E mais...

BH encabeça reação contra onda de violência nas escolas

Elemara Duarte e Thiago Lemos, repórteres - 11 dez. 2010

Com a recorrência no Brasil de casos de agressões no ambiente escolar, Belo Horizonte tenta mudar esse cenário ao encabeçar um movimento contra esse tipo de violência. O Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas) vai disponibilizar, na próxima semana, canais de comunicação, via internet e telefone, para a formalização denúncias dos docentes da rede privada.

Na rede pública municipal, a vigilância dos estudantes será reforçada. Todas as escolas e Unidades Municipais de Ensino Infantil (Umeis) serão monitoradas por câmeras de segurança até o fim de 2011. Ao todo, serão instaladas 1.380 equipamentos, nas 230 unidades de educação da capital. As medidas coincidem com o assassinato do professor universitário Kássio Vinícius Castro Gomes, morto por um aluno, na última terça-feira, dentro do Centro Universitário Izabela Hendrix.

No âmbito das escolas particulares, um link estará disponível no site do Sinpro Minas (www.sinprominas.org.br) e também um 0800, ainda com número indefinido. Os professores poderão denunciar, anonimamente, ameaças, agressões, chantagens e ofensas. O Sinpro recebe, em média, cinco denúncias de violência em escolas diariamente. Os relatos são feitos diretamente na sede da instituição, em Belo Horizonte.

Em pesquisa realizada entre 2007 e 2008, o Sinpro Minas constatou 62% dos docentes já haviam presenciado agressão verbal. Ainda conforme o estudo, 20% dos entrevistados flagraram tráfico de drogas dentro das instituições de ensino. Em São Paulo, em um estudo mais amplo, feito há dois anos, 87% dos docentes disseram ter sido alvo ou saber de algum caso de violência dentro da escola. Os alunos, de acordo com 93% dos professores, eram os maiores causadores da violência.

Para o ano que vem, o Sinpro prevê a criação de uma campanha com a participação de várias entidades de classe para a divulgação da cultura da paz. A entidade de classe vai negociar com o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), a partir da próxima quarta-feira, a criação de um comitê em cada colégio para discutir a implementação de ações contra a violência.

O Sinpro também vai sugerir ao Conselho Estadual de Educação a criação de uma câmara setorial para tratar assuntos sobre violência nas escolas. Na rede municipal de educação, serão seis câmeras de vigilância em cada uma das 186 escolas e 44 Umeis. Os equipamentos vão monitorar toda a movimentação nas unidades 24 horas por dia. As imagens captadas serão enviadas em tempo real para a central de monitoramento eletrônico da Guarda Municipal, que atualmente já monitora seis escolas, entre elas Lucas Monteiro Machado, no Bairro Vila Pinho, no Barreiro, Mestre Paranhos, no Conjunto Santa Maria (Centro-Sul) e Santos Dumont, no Santa Efigênia (Leste).

Ainda não está prevista a data de início da implantação das câmeras. Conforme o prefeito Marcio Lacerda, terão prioridade as unidades que ficam em áreas mais vulneráveis à violência. Ainda segundo o prefeito, a violência dentro das escolas municipais é inibida pelo patrulhamento da Guarda Municipal. A Secretaria Municipal de Educação não informou quando os editais de licitação serão abertos.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede BH), Vanessa Portugal, discorda dos argumentos do prefeito em relação à segurança nas unidades municipais. Ela critica a falta de uma política na secretaria para tratar do assunto. Para ela, as agressões de alunos contra professores têm sido cada vez mais comuns. “Ainda não temos um levantamento, já que muitos professores não comunicam as agressões à polícia. Sabemos que são muitos os casos e, por isso, criaremos em janeiro do ano que vem um departamento dentro do sindicato para acompanhar esse tipo de ocorrência nas escolas”, anuncia.

A coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, acredita que o problema da violência nas escolas é consequência da desvalorização do professor. A subsecretária de Desenvolvimento da Educação da Secretaria de Estado de Educação, Raquel Elizabete de Souza, discorda. Para ela, os casos de agressões entre alunos e professores refletem “uma sociedade que está ficando mais violenta”.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/bh-encabeca-reac-o-contra-onda-de-violencia-nas-escolas-1.213984