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quarta-feira, 10 de junho de 2015

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Pichações homofóbicas nos banheiros da Universidade Federal de Viçosa (UFV), na Zona da Mata, e agressões verbais a homossexuais dentro do campus preocupam a comunidade acadêmica sobre a possível formação de um grupo de perseguição a gays composto por alunos e frequentadores da instituição. Diante da suspeita, a reitoria da universidade aprovou uma moção de repúdio às pichações e às agressões e instaurou uma sindicância interna para tentar identificar os responsáveis.

As mensagens com incitação à violência contra gays e ameaças de “exterminá-los” do campus começaram a aparecer há cerca de um mês. A maioria das frases tem menções religiosas para justificar o preconceito contra a comunidade LGBT. Algumas são, inclusive, assinadas pelo autodenominado Movimento contra os Homossexuais (MCH). “Participe da campanha: agrida um gay e vá para o céu”, dizia uma das pichações encontradas dentro de um dos banheiros masculinos próximo ao Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Clima. O aluno do curso de ciências sociais e membro da atual gestão do DCE Everton Ferreira, 30, afirma que os estudantes ficaram apreensivos com as pichações, principalmente com a possibilidade da criação de um suposto grupo antigay na universidade. “A gente teme que haja essa suposta organização de movimentos que podem motivar atos homofóbicos no campus. As pichações não parecem ter sido feitas apenas por uma pessoa. Por isso, aprovamos uma moção de repúdio contra as pichações e cobramos um posicionamento do Conselho Universitário para coibir esse movimento”, afirmou.

A universidade também aprovou uma moção de repúdio e prometeu enfrentar de forma rigorosa os casos de homofobia no campus. Foi aberta uma sindicância que vai tentar identificar os pichadores. “Nós não podemos minimizar atitudes que envolvam violência e desrespeito aos direitos humanos de qualquer natureza. Vamos tratar esse e qualquer outro acontecimento que envolva tais práticas de forma exemplar, buscando a expulsão dos responsáveis do meio acadêmico”, explicou a pró-reitora de Assuntos Comunitários da UFV, Sylvia Franceschini.
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Investigação
 
Oficial. A Polícia Civil e o Ministério Público Federal (MPF) informaram não ter registros de violência contra gays na UFV. A Polícia Federal foi questionada, mas não deu retorno.
 
Ataques semelhantes foram feitos em banheiros da cidade

Além das pichações, também há relatos de agressões verbais contra gays dentro dos banheiros da universidade. A denúncia chegou até a Câmara Municipal de Viçosa.

“Recebemos a visita de um estudante que relatou que, além das pichações, estariam ocorrendo xingamentos e intimidações contra homossexuais dentro da universidade. Levamos o caso ao conhecimento da Comissão de Direitos da Assembleia Legislativa”, contou o vereador Marcos Nunes (PT). Ele ainda não teve retorno da Casa. Segundo o parlamentar, banheiros públicos da cidade teriam apresentado pichações com mensagens de ataques a gays parecidas com as que foram encontradas nos sanitários da universidade. Ele promete apurar e discutir o problema.
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Fonte: O Tempo (MG)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Após morte de estudante, Unicamp abre portas à PM

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Por Luciana Felix
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A reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) informou nesta quinta-feira (26) que vai aceitar a proposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de colocar a Polícia Militar (PM) para atuar na segurança do campus. A oferta foi feita quarta-feira (25) durante uma visita de Alckmin a Araras. Atualmente, a universidade possui 250 seguranças particulares terceirizados, além de circuito de monitoramento por câmeras. Nos próximos dias a Unicamp vai traçar um planejamento estratégico junto à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) e a PM para saber qual será a atuação dos policiais.
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A preocupação com a segurança da instituição ficou exposta após o assassinato do estudante Denis Papa Casagrande, de 21 anos, no último sábado (21). Ele foi espancado e esfaqueado em uma festa clandestina que acontecia no Ciclo Básico, no interior da universidade. Maria Teresa Peregrino, de 20 anos, confessou ser autora do golpe fatal no peito do universitário. Ela alega legítima defesa.
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Testemunhas.
Nesta quinta-feira, mais cinco testemunhas do caso foram ouvidas pela polícia, entre elas o namorado de Maria, Anderson Marcelino Ferreira Mamede, que revelou ter feito os ferimentos com uma faca na própria perna por medo de retaliação. A polícia ainda investiga se ele tem co-autoria no homicídio e se a versão contada pela suspeita é verdadeira. A polícia marcou uma entrevista coletiva às 15h e deve apontar um desfecho para o caso. Ao oferecer ajuda da PM à Unicamp, o governador usou como exemplo a Universidade de São Paulo (USP), que passou a ter o patrulhamento da polícia, mesmo após manifestações contrárias de estudantes.
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“A USP em São Paulo concordou, teve até uma grande polêmica, de ter ação policial dentro do campus da universidade. Hoje, dentro da USP tem presença da polícia, porque a cidade universitária é muito grande, e a universidade também tem segurança própria. Nós vamos conversar com a Unicamp e iremos nos colocar à inteira disposição”, afirmou o governador.
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Reação.
A presença da PM no campus da Unicamp já foi motivo de protesto da comunidade acadêmica. Em 2010, quando as festas na universidade foram proibidas e a PM passou a fazer ronda para evitar que elas acontecessem, os estudantes se mobilizaram contra a ação. Ainda nesta quinta-feira, representantes de entidades acadêmicas já se mostraram contrários à decisão.
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A coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Carolina Figueiredo Filho, afirmou que aceitar a proposta do governo sem um debate com a comunidade local é uma falta de respeito e de democracia.
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“Essa decisão vai trazer impasses na vivência do campus. Não concordamos com a entrada da PM aqui”, disse. Para o DCE, o policiamento vai criar um clima de ameaça à comunidade. “A polícia tem uma postura para lidar em tom agressivo e que às vezes acaba estimulando mais a violência. O tom é sempre repressor”, afirmou.
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Para o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), Antonio Alves Neto, o governo está generalizando.
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“Oferecer segurança onde os índices criminais não são relevantes é errado. Não vai adiantar nada ter PM aqui. Defendemos que a universidade deveria ter seguranças contratados e treinados por ela. E, não terceirizados como é o caso”. Neto afirmou que a Unicamp deveria voltar atrás e passar a permitir festas e não fingir que elas não acontecem. “Eles sabem que toda semana têm (festas). Deveriam permitir e pedir apoio da PM quando elas ocorrem. Está na hora da universidade assumir isso. A PM no campus não é a melhor decisão. Imagina quando houver manifestação de estudantes como é comum acontecer. Com certeza a PM vai intervir e vai dar problema.”
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Medida.
O Estado deve fazer um convênio com a universidade para que a PM passe a fazer rondas e prevenção.
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“Hoje a PM atua no campus quando é chamada. Atuamos na prevenção no lado externo. Mas, conforme for iremos fazer avaliações para ver qual a demanda do campus e assim escolher a atuação da PM. Se terá sede, se será com patrulhamento com viatura. Mas isso tem que ser fechado”, afirmou o major da PM Euclides Vieira.
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Fonte: Folha de São Paulo

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Aluna é espancada em calourada no campus da UFMG

Uma aluna de pedagogia afirma ter sido espancada nessa quarta-feira (14), dentro do campus Pampulha na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na capital. Segundo a vítima, Miriam Gomes Alves, 26, o agressor cursa Restauração e Conservação na escola e é ex-namorado dela. A jovem contou que o ato de violência ocorreu durante discussão entre os dois. “Ele me jogou no chão, me arrastou pelos cabelos, me enforcou e sentou na minha cabeça. Infelizmente a gente vê esse tipo de machismo dentro de uma universidade”, relatou Miriam.
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O namoro durou um ano, e eles estavam separados desde fevereiro deste ano, segundo a jovem, que preferiu não expor o motivo da briga. A agressão teria ocorrido durante a festa de alunos da faculdade de Belas Artes, para recepcionar o calouros. Segundo a vítima, eles estavam em um local escuro e ninguém presenciou a agressão. A reportagem não obteve o contato do suposto agressor.
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Miriam conta que pediu socorro para o estudante de letras Franz Galvão Costa Piragibe, 26, por telefone. O jovem levou a vítima à 9ª Delegacia Distrital de Venda Nova para prestar queixa anteontem. “Ela estava machucada na cabeça, na perna e nas mãos. O pior é que a UFMG não pune esses agressores”, reclamou Piragibe.
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Queixas
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A falta de segurança no campus é alvo constante de reclamações de estudantes. Segundo eles, agressões como a dessa quarta (14) não são coibidas, e os autores não são punidos, diferentemente do que informou a UFMG. A assessoria de imprensa da instituição afirmou que os casos são apurados por processos administrativos e os responsáveis, punidos.
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A UFMG ainda informou que a vítima precisa prestar queixa à instituição – o que ainda não foi feito – para que um processo administrativo seja aberto. Entretanto, segundo a assessoria, o caso deve ser apurado após a publicação da reportagem de O TEMPO. O agressor pode receber advertência, suspensão e expulsão. A UFMG disse que, diante de agressão, os alunos devem procurar os seguranças do campus e que há uma guarita próxima ao prédio onde Miriam foi agredida.
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Denúncia. Nesta quinta (15), a jovem fez exame de corpo e delito no Instituto Médico Legal e prestou queixa na Divisão Especializada de Atendimento da Mulher, do Idoso e do Portador de Deficiência, que vai investigar o caso. Uma outra aluna da Universidade Federal de Minas Gerais teria sido agredida também por um estudante na última segunda-feira (12), durante uma festa também no campus Pampulha. Segundo o relato da estudante de ciências sociais Silvia Regina de Jesus Galvão, 35, uma estudante foi agredida e quebrou o dente.
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A reportagem de O TEMPO não conseguiu fazer contato com a vítima.
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“Estamos cada vez mais ouvindo esses relatos de agressão, que não são coibidas”, afirma a estudante. A UFMG disse que realiza palestras e debates repudiando qualquer tipo de agressão dos alunos.
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Entrevista
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Miriam Gomes Alves (estudante agredida)
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Como ocorreu a agressão?
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Primeiro, ele me agrediu verbalmente me chamando de louca e imbecil, depois apertou meu braço com força, me jogou no chão e começou a me bater. Ele chegou a me arrastar pelos cabelos, me enforcou e sentou na minha cabeça.
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Alguém te ajudou?
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Não. Nós estávamos em um lugar escuro e onde não tinha quase ninguém. Eu cheguei a ver duas pessoas uniformizadas passando, que eu acho que eram seguranças do campus, mas eles não fizeram nada. Eu liguei para um amigo que veio me buscar e me levou à delegacia.
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A senhora já ouviu relato de outras agressões a mulheres no campus?
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Sim. Essas agressões são recorrentes. Na última segunda-feira mesmo soubemos de uma aluna que quebrou um dente depois de ser agredida por outro aluno.
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Fonte: O Tempo (MG)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Só 7% dos alunos de escola pública entraram na USP

Apenas 7,7% dos candidatos de Escola pública que fizeram o vestibular da Fuvest conseguiram entrar na Universidade de São Paulo (USP) em 2013, o que representa uma queda em relação ao ano anterior, quando 8,36% desse grupo foi aprovado. No total, os oriundos da rede pública representam neste ano "28,5% do total de ingressantes. O porcentual mostra pouco avanço sobre o ano anterior - em 2012, o índice era de 28%.
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Após os resultados, a USP estuda alterar sua política de bonificação. O retrato dos ingressantes está longe de refletir a realidade da Educação do País, que tem 85% dos estudantes de Ensino médio em Escolas públicas.
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"Foi um bom resultado, mas não estou satisfeita. Esperava que (o porcentual) aumentasse", disse a pró-reitora de Graduação. Telma Zorn. A USP ofereceu 10.982 vagas em 2013.
O resultado surge enquanto se debate a implementação de cotas nas universidades estaduais de São Paulo. Entre outras coisas, o plano do governo prevê 50% de matrículas de Alunos de Escola pública até 2016.
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Se mantido esse ritmo, a USP vai levar 115 anos para ter 50% de Alunos de Escolas públicas - sem levar em conta cursos como Medicina e Engenharia, em que a proporção desses Alunos é menor. A USP não divulgou os porcentuais por curso. Além de ampliar o bônus (o limite hoje é de 15%), Telma mencionou possível bonificação para certas carreiras e para quem participa de olimpíadas estudantis. Apesar de indicar mudanças, nada foi anunciado.
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Segundo Telma, a USP precisa verificar por que os resultados não progrediram como esperado. "É uma situação multifatorial, até o ProUni não pode ser desvinculado". Para ela, o aumento das bolsas federais em faculdades privadas afastaria o estudante de Escola pública do vestibular da Fuvest. Para tentar reverter isso, a universidade tem investido em um programa em que estudantes da USP vão a Escolas. Em 2012, houve 3,3 mil visitas.
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O problema é que o número de inscritos da rede pública subiu quase 5% entre 2012 e 2013, mas o salto no ingresso foi mais tímido, menos de 2%. Debate. Segundo o Educador Jorge Werthein, do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, fazer com que os Alunos acreditem que é possível entrar na universidade é essencial. "A USP tem de mostrar que realmente busca a inclusão".
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Presidente do cursinho Henfil, Matheu Prado diz que a bonificação não mudará o retrato social da universidade. "Se a USP quer incluir, precisa radicalizar, precisa ter cotas." Para a estudante Thaís Cortez, de 18 anos, que está pelo segundo ano no cursinho da Poli, "quem estudou em Escola pública não consegue entrar se correr sozinho" Ela quer uma vaga em Administração na Fuvest.
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Fonte: O Estado de São Paulo (SP)

sábado, 14 de julho de 2012

Faculdade, o melhor negócio

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PAULO GHIRALDELLI JR.
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As universidades federais vão mal. O seu aparato físico está deteriorado. Salas de aulas, laboratórios, bibliotecas e até mesmo internet estão na lista de coisas que as universidades federais não possuem em condições nem mesmo razoáveis.
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Em um artigo anterior aqui na Folha, perguntei se não estamos caminhando para um lugar que ninguém deseja individualmente, mas no qual vamos acabar aportando se a presidente Dilma, pessoalmente, não criar um novo rumo: as universidades federais irão cumprir a função de "alfabetização hipertardia", transformando-se em "colegiões" substitutos do ensino médio público atual, abandonado pelo governo.
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Volto a dizer isso, pois o que eu temia ganhou mais força: em meio à greve dos professores de todas as universidades federais, e tendo o ministro Mantega afirmado que os funcionários públicos irão "quebrar o Estado" (!), o Senado aprovou no dia 27 de junho um enorme repasse de verbas para cerca de 500 instituições particulares de ensino, uma parte delas de duvidosa qualidade. Ora, por que elas foram premiadas? Simples: elas não pagaram seus impostos e, então, o Senado achou por bem incentivar a sonegação.
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Eis a lógica ilógica: "Não pagou? Ah, sem problema, ofereça aí umas bolsas (sem fiscalização) para o famoso ProUni, e liberamos aqui os R$ 15 bilhões para vocês". O ProUni nunca foi boa coisa. Pode-se gostar dele por ingenuidade. Mas, em termos de política educacional, trata-se de um tiro pela culatra. O MEC não o fiscaliza corretamente. Mesmo que fizesse isso, não teria o que comemorar.
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Colocando na ponta do lápis os gastos e os ganhos, veríamos que ele não é vantajoso para a população ou para o governo. Ele só é bom para o empresário incompetente ou desonesto. Aliás, a própria política do governo Lula para o ensino superior prova isso. Por um lado, ela teve o ProUni. Por outro, o Reuni, um programa de expansão das vagas no ensino superior público. Bastaria o governo não ficar perdoando quem não paga imposto e, arrecadando corretamente, usar o dinheiro para levar adiante o Reuni de uma maneira mais responsável. Não estaríamos vivendo tão medrosos a respeito do futuro da universidade pública brasileira, como ocorre agora.
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Por qualquer matemática sadia, o ProUni anula os benefícios do Reuni. Se a presidente Dilma seguir o caminho apontado pelo Senado --pela brecha do ProUni--, teremos em política educacional um Brasil de ponta cabeça.
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Qual dono de faculdade irá, daqui para frente, pagar impostos, se ele sabe que, deixando a dívida crescer, pode dobrar facilmente o Legislativo e, então, pressionar o Executivo para continuar irresponsável?
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O ProUni se tornou, como não poderia deixar de ser, uma forma de avisar a todos que o melhor negócio, no Brasil, talvez não seja montar uma igreja, como comumente se diz, mas abrir uma faculdade.
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A diferença é que a igreja, para dar certo, tem de dar certo, e a faculdade, para dar certo, tem de dar errado. Dando errado, o ProUni a salva e dá condições ao empresário de araque para ampliar o negócio.
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PAULO GHIRALDELLI JR., 54, é filósofo, professor da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e autor de "As Lições de Paulo Freire" (Manole)

sábado, 5 de novembro de 2011

Agressão contra aluna expõe insegurança em faculdades

                                                                   Fonte: O Tempo (MG)
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Por Karina Alves

A falta de sintonia entre Polícia Militar e faculdades particulares abre espaço para crimes no ambiente acadêmico. Anteontem, uma ocorrência envolvendo a estudante de marketing Camila Rodrigues Araújo, 28, mostrou que algo precisa ser feito. A jovem foi atacada por um colega de instituição no banheiro feminino de um dos prédios da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec), no Cruzeiro, região Centro-Sul da capital.


O agressor, Leonardo de Castro Alvares Nogueira, 20, estudante do curso de administração, foi solto depois de se defender da acusação de tentativa de estupro. A soltura foi amparada na falta de provas da acusação. Camila exige providências da instituição e promete acionar a faculdade na Justiça caso o agressor não seja expulso.


Ontem, por meio de nota, a assessoria de imprensa da Fumec informou que não cogita anular a matrícula do aluno até que seja concluída a investigação. A faculdade forneceu à Polícia Civil imagens do circuito de segurança do corredor onde fica o local da agressão e colocou um advogado à disposição da estudante.


Para o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Emiro Barbini, falta aproximação entre as faculdades e a Polícia Militar para garantir que a segurança no ambiente acadêmico melhore. "Nos últimos anos estamos lidando com situações inéditas. Existe um esforço de prevenção com câmeras, detectores de metais e equipes de segurança para evitar, ao máximo, esse tipo de situação, mas pode haver uma aproximação maior entre reitores e a Polícia Militar para coibir a violência".


O tenente-coronel Alberto Luiz Alves, chefe da assessoria de imprensa da PM, explicou, no entanto, que a corporação só pode intervir no espaço privado se for acionada ou caso seja estabelecido algum tipo de convênio. Sem iniciativa da instituição privada, disse ele, a corporação não tem como agir de forma preventiva. "Atualmente, temos convênio com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nossas viaturas fazem patrulhamento na faculdade e podem registrar ocorrências para depois encaminhar à Polícia Federal. Em instituições privadas, há alguns anos tínhamos uma relação mais estreita num trabalho preventivo. Isso é possível, mas depende de ambas as partes".


Em dezembro do ano passado, um aluno do Instituto Metodista Izabela Hendrix, também na capital, matou um professor a facadas dentro da instituição. Dois anos antes, um homem invadiu o campus do Uni BH Estoril, na região Oeste, e atirou contra a ex-namorada.


Na agressão de anteontem à noite na Fumec, segundo a delegada de Mulheres, Elizabeth Freitas, a acusação de estupro não se confirmou. "Ela (Camila) alegou que ele (Leonardo) não chegou a tirar as roupas dela e nenhuma pessoa testemunhou formalmente. Ficou a palavra dela contra a dele".
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Minientrevista
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"Quero que ele seja expulso e a segurança reforçada"
Camila Rodrigues Araújo / 28, estudante de Marketing

O que aconteceu com você?
Fui ao banheiro e percebi que alguém, que já estava lá, entrou correndo em uma das cabines e trancou a porta. Pensei que fosse uma mulher e usei o banheiro normalmente. Quando fui lavar as mãos, ele (Leonardo) saiu da cabine e me agarrou pelos cabelos e me jogou no chão. Com uma mão ele prendeu meu cabelo e com a outra tampou minha boca. Consegui me soltar e gritei. Ele não chegou a tirar a minha roupa. Umas dez pessoas vieram me socorrer e ele ficou sem reação.



Você conhece esse rapaz? Não, nunca o vi antes. O pessoal da minha sala também não o conhece. Soube que ele cursa administração em outro prédio.


Como é o local onde aconteceu a agressão?A minha sala e esse banheiro ficam no subsolo. O corredor é vazio e sem seguranças. Já reclamamos várias vezes desde que mudamos para lá, neste semestre.


O que você vai fazer?Vou manter a queixa de tentativa de estupro e espero uma providência da faculdade. Caso contrário, vou processar a instituição. Afinal, pago mensalidade e a faculdade é responsável pela minha segurança.


O que você espera da universidade?Que o Leonardo seja expulso e a segurança reforçada. (Karina Alves)
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Outro lado - Universitário viaja e não fala sobre acusação
O estudante de administração Leonardo de Castro Alvares Nogueira, 20, mora em um prédio de luxo no mesmo bairro da faculdade. Ontem, ele foi procurado pela reportagem para falar sobre as acusações, mas a pessoa que atendeu o interfone do apartamento informou que o rapaz tinha ido viajar com a família. Nenhum advogado foi indicado para falar sobre o ocorrido em nome dele.


O estudante deve responder pelo crime de lesão corporal. A Delegacia de Mulheres irá investigar se existem elementos para que ele responda por tentativa de estupro, conforme a acusação da colega de instituição Camila Araújo. Em depoimento, ele afirmou que entrou no banheiro feminino por engano. "Vamos verificar o local onde tudo aconteceu e levantar testemunhas sobre o caso", disse a delegada Elizabeth Freitas.


Com a agressão, a universitária ficou machucada no olho e na cabeça. Ela passou por exames. (KA)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Aluno que matou professor é considerado esquizofrênico

Em dezembro do ano passado, Amilton Loyola esfaqueou o professor após discordar de uma nota

Por Eugenio Moraes


Laudo apontou que Amilton Loyola sofre de esquizofrenia

O estudante universitário Amilton Loyola Caires, 23 anos, réu confesso da morte a facadas do professor de Educação Física, Kássio Vinícius Castro Gomes, 39 anos, deverá ser internado em um manicômio judicial. Nesta semana, um laudo psiquiátrico atestou que o estudante sofre de esquizofrenia e, dessa forma, é inimputável e não pode ser levado a júri popular. O crime aconteceu no dia 7 de dezembro do ano passado, no Centro Universitário Izabela Hendrix, no Bairro Lourdes, na capital mineira. Desde então, Amilton está no Presídio Inspetor Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves.

O promotor do 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, Francisco de Assis Santiago, que denunciou o réu, confirmou nesta quarta-feira (18) que já avaliou o laudo e repassou suas considerações para o juiz sumariante do 2º Tribunal do Júri, Maurício Torres. Ainda conforme Santiago, ele recomendou que o réu seja internado em um manicômio judicial com privação de liberdade. O magistrado agora vai avaliar o laudo e recomendação do MP e deverá proferir sua decisão nos próximos dias.

O crime provocou uma onda de medo e revolta na rede de ensino da capital mineira, com reflexos em todo país. Inconformado com uma má avaliação por parte do professor, o estudante esfaqueou a vítima na região do tórax. Kássio Vinícius morreu no local. Câmeras de segurança da instituição gravaram toda a ação.

Fonte: Jornal Hoje em Dia (BH)

Faculdade de Economia da USP suspende aulas após morte de aluno

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) suspendeu as aulas nesta quinta-feira (19), após a morte de um aluno na noite dessa quarta-feira. O estudante de Ciências Atuariais Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, foi assassinado no estacionamento da faculdade por volta das 21h30.

Nesta manhã, os alunos da FEA entregaram à reitoria da universidade uma carta pedindo providências contra a violência no campus. A carta, do Centro Acadêmico Visconde de Cairu, diz que os casos de violência se tornaram uma constante na USP. Os estudantes pedem uma solução imediata para o problema. Querem melhorias na iluminação da universidade e a ampliação do serviço de vigilância no campus.

A reitoria da USP ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

Ao comentar o assassinato do estudante, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que a segurança é assunto que preocupa “cada vez mais” os reitores.

“O campus universitário é um espaço reservado em que o tratamento dado a essa questão é diferenciado em relação ao restante da cidade. Pela dimensão, os campi são verdadeiras cidades e o acesso às vezes é muito irrestrito até pelo desejo da população em aproveitar aquele espaço”, afirmou o ministro.

Segundo Haddad, no caso das universidades federais - a USP é administrada pelo estado de São Paulo – a segurança tem sido reforçada e os investimentos cresceram nos últimos anos.

AGÊNCIA BRASIL

quarta-feira, 30 de março de 2011

NOTÍCIAS...

Policiais suspeitos de agressão a estudante negro são indiciados no Rio Grande do Sul

por Cleide Carvalho (O Globo) - 30 mar. 2011

SÃO PAULO - Quatro policiais de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, foram indiciados por lesão corporal, abuso de autoridade e injúria por suspeita de agressão contra o estudante Helder Santos, aluno de História da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Segundo o corregedor geral interino da Brigada Militar, João Gilberto Fritz, o caso foi encaminhado à Justiça Militar e foi aberto procedimento interno para investigar a ação dos policiais.

O universitário deixou a Unipampa. De acordo com o estudante, a abordagem foi truculenta e racista. "Logo em seguida, eu tomei as providências cabíveis, entrei com um processo judicial na Corregedoria da Polícia Civil. Então, comecei a receber as ameaças, recebi a primeira carta dizendo que eles pretendiam me pegar no carnaval para prática de tortura, com formas racistas. Eles se referiam a mim na carta como 'nego sujo', 'nego bocudo'. Disseram que iam forjar um flagrante para me colocar na cadeia com meus outros amigos crioulos. Eu já recebi outra carta ainda mais agressiva. No mesmo dia, a diretora da nossa universidade também recebeu uma carta com ameaça de morte - relatou o estudante.

Segundo o corregedor, o estudante e outros três amigos foram abordados na madrugada do dia 6 de fevereiro, um domingo, depois de um baile de carnaval em Jaguarão, no clube Ferrujão. De acordo com Fritz, a abordagem ocorreu em decorrência de suspeitas dos policiais em relação ao grupo. - Para acontecer a abordagem não precisa acontecer nada. Basta que a guarnição tenha algum tipo de suspeita. É preciso que se diga que, ficou apurado, houve resistência na abordagem por parte do Helder - afirmou o corregedor. Fritz afirmou que, junto com o estudante, estavam pessoas que já tinham infrações penais, por furto ou porte de entorpecentes.

O corregedor disse que o estudante ofendeu os policiais. Ele não quis citar as palavras usadas pelo universitário. Depois da abordagem, o estudante registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. No boletim, Helder Santos relatou que os policiais o chamaram de "negão" e bateram nele com cacetete. Fritz afirmou que Helder Santos recebeu duas cartas anônimas após o registro do boletim de ocorrência, mas apenas uma delas continua ofensas e mandava que ele saísse da cidade de Jaguarão. O autor sugeria que poderia ser criado um flagrante para que ele fosse preso por tráfico de drogas.

De acordo com o corregedor, a carta é anônima e não é possível atribuir aos policiais envolvidos no episódio. Para a promotora Cláudia Pegoraro, da 2º Promotoria de Justiça de Jaguarão, o estudante usou o abordagem dos policiais para, ao se dizer vítima de racismo, obter transferência para a Universidade Federal do Reconcâvo Baiano. De acordo com Claudia, Helder dos Santos foi abordado pelos policiais porque estava fazendo arruaça. - Como é da obrigação, os brigadistas pararam e abordaram eles. No momento da abordagem, segundo o boletim de ocorrência que este estudante registrou, um policial teria dito "Vira para a parede, negão", quando estava revistando. Ele disse que apanhou com cacetete. Os policiais dizem que ele desacatou os PMs - diz a promotora.

Segundo ela, a população de Jaguarão está revoltada com a repercussão do caso. - Existem casos de abuso na Brigada Militar, sempre tem alguém que perde a cabeça e apronta alguma. Virem me falar de racismo? Está cheio de policiais negros que fazem o trabalho muito melhor que os brancos. Não temos casos de racismo na Brigada, mas de abuso de autoridade. Eles perdem a cabeça e dão com o cacetete. Está errado, o policial tem de ser treinado para aguentar. Mas milícia? Viadagem e homofobia, dizem que policial é contra. Mas eu não tenho processo por policial ter agido contra gays ou por racismo - afirmou. Perguntada sobre se chamar o universitário de "negão" não é racismo, a promotora explicou que trata-se injúria racial. - É injúria racial. O policial que disse isso deve ser denunciado por injúria - afirmou. A promotora afirmou que não há problemas de homofobia ou racismo dentro da Brigada Militar. As supostas cartas com ameaças, segundo ela, podem ter partido de policiais que querem sujar a imagem da corporação.

Fonte: O Globo.com

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Professor da UnB processa alunos que criticaram ensino

ANDREZA MATAIS - 10/02/2011 - 20h49

DE BRASÍLIA

Um professor de arquitetura da UnB (Universidade de Brasília) entrou na Justiça contra três alunos que criticaram seu método de ensino. Ele pede indenização por danos morais de R$ 20 mil, valor que compensaria sua "dor íntima", conforme registrou na ação.

No início da semana, uma outra professora, Mônica Valero, do Departamento de Ciências Farmacêuticas, ganhou indenização de R$ 8.500 numa ação que moveu contra 17 ex-alunos que, em 2005, divulgaram um documento em que a acusavam de não dominar a disciplina que lecionava.

As críticas ao professor de arquitetura foram registradas em duas cartas sem ofensas pessoais assinadas pelo centro acadêmico e encaminhadas à diretoria da faculdade de arquitetura em julho do ano passado. O professor Neander Furtado, que ministra a disciplina de Projetos, só ingressou com a ação em janeiro deste ano, seis meses depois do ocorrido.

"Eu estava usando métodos modernos, mas muitos preferiam continuar fazendo projetos com lápis e papel", disse ao portal da UnB na internet. Ele não foi localizado pela Folha. Um dos problemas apontados pelos alunos é que o professor do segundo semestre não utilizava o ateliê, para que pudessem aprender na prática, por exemplo, como fazer uma maquete.

O professor também não gostou do protesto dos alunos que amontoaram carteiras e colaram cartazes nas paredes com letras de músicas de Chico Buarque e Tom Zé após o conselho da faculdade avalizar o método do professor. A UnB informou ontem que diante do impasse foi criada uma comissão para avaliar todo plano de ensino da faculdade. Apesar de ter sido assinada pelo centro acadêmico, a ação foi movida contra três alunos que integravam o colegiado. Mariana Roberti Bomtempo, Luiz Eduardo Araujo e Lívia Silva Brandão serão defendidos por Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado de políticos e empresários.

Kakay disse que vai entrar com ação contra o professor por ele estar usando o Judiciário para intimidar os alunos. O filho dele é estudante de arquitetura. "Ninguém ofendeu o professor. Esperamos justiça", disse Bomtempo.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Professor cria disque-denúncia contra violência nas escolas

Denunciante ficará anônimo; ação visa diminuir agressões na rede particular
Publicado no Jornal O TEMPO - 02/02/2011
Por: TÂMARA TEIXEIRA

Reação. Professores e alunos protestaram por medidas após a morte do professor Kássio Gomes, em dezembro de 2010
De um lado, um aluno sem limites que não mede suas palavras e chega a agredir o professor. Do outro, instituições particulares que não estariam dando suporte para que o profissional se sinta seguro. Foi nesse contexto que o Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-Minas) criou um disque-denúncia para atender as reclamações de agressões verbais e físicas dos profissionais da educação. O denunciante não precisa se identificar. Com a nova ferramenta, a expectativa é que muitos casos de violência, que hoje se perdem no silêncio, sejam apurados. Uma pesquisa do sindicato realizada em 2009 mostrou que 62% dos entrevistados já presenciaram uma agressão verbal; 39% relataram ter visto situações de intimidação; e 35%, de ameaça.

De acordo com o presidente do Sinpro-Minas, Gilson Reis, os números revelam que a violência é uma constante no cotidiano dos professores. "Ao mesmo tempo em que os números da pesquisa são expressivos, as denúncias não aparecem. Só podemos deduzir que há uma violência que se mantém velada. O objetivo do disque-denúncia é criar o caminho para que esses casos não passem desapercebidos. Essas histórias precisam atravessar os muros das escolas", disse Reis.

O presidente do Sinpro explica que todas as denúncias serão apuradas e, caso uma escola seja alvo de um número elevado de queixas, o sindicato irá recorrer ao Ministério Público do Trabalho. "Dependendo da gravidade, podemos conversar com a instituição ou até acionar a polícia. O ministério pode propor a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) à escola". Reis acredita que muitos profissionais da rede particular sofrem pressão das instituições, que não têm interesse em que o caso de violência venha a público.

Resposta. A criação do disque-denúncia surgiu como uma promessa do sindicato depois do assassinato do mestre em educação física Kássio Vinícius de Castro Gomes, 39, morto com uma facada pelo aluno Amilton Loyola Caires, 23. O crime aconteceu em 7 de dezembro, dentro do Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte.
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Para denucniar: 0800-770-3035

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

PESQUISA [Notícias]

Estudo mostra que 24% dos professores já sofreram ou presenciaram agressões física

Do dia 09 dez. 2010 - "Estado de Minas"

Enquanto o Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix qualifica a morte brutal do professor Kássio Vinícius Castro Gomes, de 39 anos, como um "episódio isolado", entidades de classe e até mesmo o Congresso Nacional batem na tecla de que casos pontuais como esse têm virado rotina no ambiente escolar. Especialistas ainda alertam que, ao tratar as agressões na sala de aula como situações esporádicas e fora de um contexto maior, as escolas mascaram o problema e criam terreno fértil para a violência e a ação de alunos inconsequentes, como Amilton Loyola Caires, de 23, assassino confesso de Kássio Vinícius. Na tentativa de pôr limites na selvageria que invade as instituições de ensino, dois projetos de lei tramitam no Senado, para incentivar a cultura de paz nas escolas e estabelecer punições severas aos agressores.

A barbárie que põe em lados opostos alunos e educadores também foi recentemente tema de matéria especial publicada, no dia 28, no Estado de Minas. Dados da Secretaria de Estado de Defesa Social mostram que os episódios de agressão em ambiente escolar dobraram desde o ano passado em unidades da capital. No centro do debate estava a violência sofrida pela professora Antônia Alexandre Nogueira, do município de Cláudio, no Centro-Oeste do estado. Ela teve uma costela trincada ao ser agredida por um estudante de 15 anos.

O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG), representante dos profissionais de escolas particulares, articula ação de protesto pelo assassinato de Kássio Vinícius, que será definida hoje. Mas o diretor da entidade, José Carlos Arêas, adianta que o episódio faz parte de cenário de terror denunciado pelo Sinpro em pesquisa divulgada em 2009. O estudo aponta que 62% dos 686 entrevistados presenciaram ou sofreram agressão verbal e 24% deles, violência física. “Esse é um reflexo da sociedade que também aparece dentro da escola. Mas, no caso da rede privada, esses casos ficam abafados pelos interesses econômicos. Além disso, o aluno de escola particular se vê, muitas vezes, como um segundo patrão do professor. Muitos profissionais não denunciam porque temem perder o emprego.”

A coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, chama atenção para o risco de encarar o problema de forma isolada. "Todo lugar tem violência na escola e, se isso é tratado pontualmente, passa a ser caso apenas de polícia. Estamos vivendo uma crise da menos valia do professor. A primeira condição para que sejam tomadas medidas protetivas é que as escolas reconheçam o problema", critica.

Legislação

A violência nas escolas acende o sinal de alerta também no Congresso Nacional. Dois projetos de lei em tramitação no Parlamento, ambos de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), propõem mudanças na legislação brasileira em defesa da criação de uma cultura de paz nas salas de aula e de regras mais rígidas para alunos agressores. Com relação ao cruel assassinato do professor Kássio Vinícius numa faculdade de Belo Horizonte, o senador é categórico ao afirmar que não se trata de um caso isolado. “A violência é geral em todos os estados, onde a juventude se acha acima do bem e do mal e, muitas vezes, age com a conivência dos pais, acostumados a passar a mão na cabeça dos filhos. Espero que as autoridades tomem providências reais, aprovando leis e aplicando a Justiça para que episódios tristes como esse da capital mineira não se transformem apenas em mais uma manchete de jornal”, diz Paim.

O Projeto de Lei 178/2009 propõe alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para inserir o tema da superação da violência na grade curricular das escolas, além de incorporar ao quadro de educadores pessoas com formação técnica e pedagógica em segurança escolar e atribuir aos profissionais da educação o dever de interagir com a comunidade externa à escola. O texto já foi aprovado pelo Senado e está em tramitação na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

Já o Projeto 191/2009 prevê amparo da Justiça e medidas de proteção para os casos de violência contra professores. Entre as propostas estão a fixação de prazo máximo de 48 horas para que juízes decidam sobre ações protetivas em caso de agressão, previsão de afastamento do agressor da instituição de ensino, imposição de advertência e multa de até 100 salários mínimos para a solução de conflitos e encaminhamento imediato dos casos ao Ministério Público. O projeto, aprovado na Comissão de Educação do Senado, aguarda apreciação da Comissão de Direitos Humanos da Casa para ser remetido à Comissão de Constituição e Justiça.

Enviado por um leitor (dia 15/12/2010)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

NOTÍCIAS...

Família quer que faculdade responda judicialmente

Foto de Nélson Batista

Empresário diz que Izabela Hendrix não deveria ter aceitado aluno expulso de instituição por mau comportamento

DOUGLAS COUTO - Super Notícia em 10 dez. 2010

No enterro de professor ontem em Betim, amigos entregaram um manifesto que pede punições para casos de violência.

A família do professor universitário Kássio Vinícius de Castro Gomes, de 39 anos, assassinado na última terça-feira, em um corredor do Instituto Metodista Izabela Hendrix, na região Centro-Sul da capital, informou ontem que decidiu contratar um advogado para cobrar da faculdade que responda judicialmente pelo crime.

Para o irmão do professor, o empresário Luy Castro Gomes, de 42 anos, a universidade tem parcela de culpa no crime por ter aceitado o ingresso de um aluno expulso de outra universidade por problema de comportamento. "Não vamos querer nada mais do que for de direito, mas é preciso que a faculdade entenda que ele (Kássio) foi morto em pleno trabalho e deixou mulher e filhos", disse.

O estudante Amilton Loyola Caires, de 23 anos, que confessou ter matado o professor, já teria se envolvido em várias ocorrências policiais. De acordo com a Polícia Civil, em 2006, o rapaz foi detido por direção perigosa na Savassi. Dois anos depois, ele foi denunciado por ameaçar funcionários da faculdade Universo onde estudava. No mesmo ano, teria roubado R$ 600 do irmão e o agredido. Ele também já teria discutido em um bar por causa de troco. Ontem, no enterro do corpo do professor, amigos entregaram um manifesto que pede punições para casos de violência. "Nossas leis são muito brandas, principalmente se o assassino for de família abastada", diz um trecho.

Através da assessoria de comunicação, o Izabela Hendrix informou que não tinha conhecimento do histórico violento de Caires. Segundo a assessoria, por lei, o Ministério da Educação exige apenas o histórico escolar, o que foi feito no caso do aluno suspeito.

Medidas previstas

O Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG), que representa os docentes de escolas particulares do Estado, anuncia hoje um pacote de ações para conter a violência em salas de aula. Entre as medidas que deverão ser divulgadas pelo setor jurídico da entidade está um pedido de parceria com o Ministério Público Estadual (MPE) e o Conselho Estadual de Educação para criação de "tribunais" ou conselhos que julguem os casos de violência de alunos contra professores. A medida é uma reação ao assassinato do professor universitário Kássio Vinícius de Castro Gomes. (DC e RR)

Fonte: http://www.otempo.com.br/supernoticia/noticias/?IdNoticia=51133,SUP

OPINIÃO

Caros colegas,

Atualmente acompanho na rede municipal de BH o adoecimento de professores e não imaginava que a violência contra docentes alcançasse toda a nossa categoria, independente da rede particular ou pública e do nível de ensino, da educação infantil a graduação.

Estou pensando que sociedade é essa que estamos construindo no Brasil com níveis de educação muito baixos, profissionais infelizes e adoecidos e crianças e jovens violentos e sem limites. Será possível construir um país sem valores morais? Sem princípios? Onde a vida humana vale tão pouco que um aluno pode matar um professor no corredor de uma faculdade?

Que país é esse que não consegue formar pessoas capazes de respeitar seus mestres? É mesmo urgente reagirmos a tanta violencia e buscar alternativas, soluções, mudanças para construir uma sociedade onde não prevaleça a barbarie, mas a humanidade. Quanto ainda teremos que sofrer para construir uma nova sociedade que se oriente por valores morais e não por valores econômicos ou do capital? Como professora, e professora de educação física, lamento toda essa tragédia. Como vamos dizer BASTA?

Silvia

OPINIÃO

Caro professor e amigo Lúcio.

Veja abaixo a manifestação de uma amiga professora, pedagoga que, mesmo aposentada, não deixa de refletir sobre a educação. Abraços para ambos.

Enviada por Célia Correa

É isso,amiga. Professores sendo assassinados, outros apanhando na frente de todos,etc....o que fazer???? Qual a atitude a ser tomada? Será que só prender o assassino é o caminho? A Educação está dando seus últimos suspiros!!!!!!!!! Com muita tristeza e dor na alma assisto o agonizar da Educação, quiçá da sociedade... o barco está à deriva, seu casco furado, a água o invadindo ... e o que fazer? Os idealistas tentam retirar a água com latinhas,acreditando que será possível salva-lo... acredito no salvamento, claro, tbém sou idealista, mas o socorro precisa vir rápido, rapidíssimo, posto que, a coisa tem só piorado,piorado e piorado... um movimento se faz urgente,não só indignação, mas atitudes, partindo de todos, senão as mortes continuaram acontecendo, as surras, o caos.

UM ESCRITO INDIGNADO

ROSILENE MARTINS DE LIMA*

Realmente o que aconteceu com o Professor Kássio é fruto disto tudo que você coloca. Kássio era esposo de uma colega que trabalhou na Escola que atuo.

Considero que estas tantas ofensas, humilhações, descasos e tudo mais que vimos sofrendo e que infelizmente para este jovem pai foi ainda mais cruel, é fruto do total descaso com a Educação e completo desrespeito com seus profissionais. Só se fala em ampliação, qualidade nem se pensa, dedicando-se ou não todos têm que ser APROVADOS, assim o querem, tudo para cima do professor. Não acho que temos que nos fazermos de vítimas, nem mesmo generalizar a baixa qualidade dos alunos e a violência, acredito, aliás tenho certeza, que a a a maior parte dos alunos são bem intencionados e muitos até dedicados, mas até estes têm também pagado o preço deste descaso e sofrem as consequências. Penso eu que nós professores, alunos e pais temos que ser parceiros. Assisti também na terça-feira, noite do assassinato do Kássio, o programa profissão repórter, que mostra o vandalismo que se tornou a educação e a angústia e descrença dos docentes. Temo que ao persistirem tais condições não teremos mais em breve professores. Mas também não acho que ´podemos nos calar, amanhã pode ser um de nós. O CAOS NÃO É SÓ NAS FAULDADES E NÃO SÃO OCASIONAIS, É GERAL. Sou professora que atuo no ensino fundamental e me disponho a engrossar esta fileira , peço sugestões do que podemos fazer juntos, NA MINHA ESCOLA, NOS SINDICATOS, NAS ASSOCIAÇÕES e me poponho a estar junto a você, bravo e corajoso lutador por esta causa. Quero começar logo, antes que os ecos das compras e farras natalinas, apaguem o que aconteceu e Kássio não seja só mais um na lista das vitímas da VIOLÊNCIA.

*- ROSILENE MARTINS DE LIMA - PEDAGOGA E PROFESSORA DO ENSINO FUNDAMENTAL DA ESCOLA MUNICIPAL SALGADO FILHO.

OPINIÃO

Cristina Silva*

Olá pessoal! Apesar de não conhecer o professor já recebi na educação básica estagiários da faculdade Isabela Hendrix. Plagiando Anísio Teixeira temos que reconhecer que se educação nunca foi privilegio ser professor tem sido um risco eminente. Trabalhar na rede privada tem sido insuportável. Alunos acham que podem nos comprar como se fossemos uma mercadoria em uma banca de feira. Este tipo de pensamento é resultado de uma política irresponsável do MEC ao autorizar instituições a qualquer custo a ampliar seus cursos e estas por sua vez vendem um ensino de péssima qualidade, com condições de trabalho degradante. Pressões de toda natureza sobre os professores onde alunos são clientes onde devemos sempre agrada-los sobre pena de sermos advertidos. Uma infinidade de faculdade se enquadra neste perfil sem critério, sem regra e professores se sujeitando a condições de trabalho que não são dignas e salários irrisórios.

* Cristina Silva - Professora na FAE (Faculdade de Educação) da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais).

NOTÍCIAS...

Professores fazem protesto contra assassinato de colega

Foto - jornal O Tempo

Renata Galdino, Editora-adjunta - 9 dez. 2010
LUIZ COSTA (Jornal Hoje em Dia)

Professores de escolas particulares e públicas de Belo Horizonte se reuniram, nesta quinta-feira (9), na Praça Sete, Centro, às 18 horas, em um ato de repúdio ao assassinato do professor de Educação Física Kássio Vinícius Castro Gomes, 39 anos, morto na terça-feira (7), no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, na Região Centro-Sul. O corpo do professor foi sepultado às 14 horas, no Cemitério Parque da Cachoeira, em Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Kássio foi esfaqueado no tórax por Amilton Loyola Caires, 23 anos, aluno do 5º período da faculdade. O universitário foi preso na madrugada de quarta-feira (8), quando chegava em um táxi no prédio onde mora com a família, no Bairro União, Região Nordeste da capital. Ele confessou o crime. Nesta quinta (9), a polícia deve analisar as imagens do circuito interno de TV da faculdade. Por meio da gravação, o delegado Breno Pardini, da Homicídios Sul, espera esclarecer a dinâmica do ataque ao professor, que era casado e tinha dois filhos, de 5 e 6 anos. Em depoimento que durou cerca de três horas, no Departamento de Investigações (DI), Amilton alegou que era perseguido pela vítima. “Disse que o ato de fúria foi em decorrência de atritos anteriores e se diz arrependido”, contou o delegado.

No interrogatório, o universitário afirmou que não tinha a intenção de matar Kássio e que só levou a faca para a faculdade para intimidar o professor, que lecionava Esporte de Aventura para a sua turma. “Mas não confirmou que tinha problemas com as notas que teriam sido dadas pela vítima”, disse Pardini. A defesa deve alegar que Amilton tem transtorno bipolar e é esquizofrênico. Segundo uma fonte policial, o estudante teria dito ainda que estaria sendo vigiado pelo professor por meio de câmeras de segurança. Amigo da família, o advogado Nelson Rogério Figueiredo Leão conversou com o jovem na delegacia. “Ele tem problemas psiquiátricos e será fácil conseguir um laudo apontando isso”, ressaltou. O defensor do estudante, no entanto, não tinha sido definido até o final da tarde de quarta-feira (8).

Universitário era acompanhado por psiquiatra

Ao sair da delegacia, o irmão mais velho de Amilton, que não se identificou, disse que o universitário fazia acompanhamento com um psiquiatra e tomava remédios controlados. Já a mãe dele não quis comentar sobre as supostas doenças do filho. Depois do depoimento, o assassino confesso de Kássio foi levado para o Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) do Bairro São Cristóvão, Região Noroeste de BH.

Enquanto isso, o clima era de revolta na casa dos familiares de Kássio Vinícius. Esta é a segunda tragédia na família em menos de um ano. No dia 11 de janeiro, o pai do professor, Maurílio Ferreira Gomes, 72 anos, foi morto também a facadas depois que um assaltante invadiu a casa onde ele passava férias, no Sul da Bahia. Na época, a mãe de Kássio, a dona de casa Maria dos Anjos Castro Gomes, também foi atingida pelo agressor. “Perdi meu marido e agora o meu filho do mesmo jeito. Meu filho reunia a família todos os finais de semana na minha casa ou no sítio dele. Agora, não sei se vou aguentar”, desabafou.

Irmã da vítima, a secretária-adjunta de Educação de Betim, Sandra Angélica Castro Gomes, afirmou não ser a morte do irmão um caso isolado, e a agressão de alunos contra professores não é novidade. “Essa violência contra os docentes é o reflexo de uma péssima educação familiar. As crianças não sabem receber um não”, frisou. Para o irmão mais velho de Kássio, Maurílio Sérgio Castro Gomes, o professor era uma pessoa tranquila e dedicada aos estudos, sendo também professor da UFMG. (Colaboraram Maira Monteiro e Rosildo Mendes)
Filhos levam flores para homenagear professor assassinado

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes, 39 anos, foi assassinado dentro do Instituto Izabela Hendrix na noite de terça-feira (7)

Celso Martins e Thiago Ricci, repórteres - 8 dez. 2010
LUCAS PRATES

Os dois filhos, de 5 e 6 anos, do professor Kássio Vinícius Castro Gomes, 39, acompanharam com flores o velório do pai na noite desta quarta-feira (8) no Ginásio Divino Braga, o Complexo Poliesportivo de Betim, na Região Metropolitana. A homenagem é uma forma encontrada pela família para as crianças compreenderem a segunda perda deste ano. Os meninos também levaram flores ao velório do avô, Maurílio Ferreira Gomes, 73 anos, assassinado a facadas em 11 de janeiro. O idoso foi vítima de um latrocínio em Nova Viçosa, na Bahia. A mulher dele e avó das crianças, Maria dos Anjos Castro Gomes, 74, ficou ferida na ocasião e também seguiu o velório do filho.

Em clima de muita comoção, cerca de 50 pessoas acompanharam a homenagem no Ginásio Divino Braga. Emocionada, a irmã do professor, Sandra Angélica Gomes, conversou com a imprensa e afastou qualquer sentimento de vingança. Secretária-adjunta de Educação de Betim, ela afirmou que apenas deseja acompanhar o processo judicial do caso. Sandra disse também não entender o assassinato do irmão. Ela classifica a atual geração sem limites. A secretária-adjunta afirmou ainda que o Instituto Izabela Hendrix, onde Kássio Gomes trabalhou por três anos e foi morto, não prestou qualquer solidariedade à família. A assessoria da faculdade não foi encontrada para falar sobre o assunto. Um grupo de alunos levado pela ex-coordenadora do curso de Educação Física do Izabela Hendrix, Raquel Borges, emocionou ainda mais o velório do professor. Eles aplaudiram o docente por cerca de dois minutos e levaram uma faixa com uma citação de Guimarães Rosa: "as pessoas não morrem, ficam encantadas". Um buquê de flores também foi entregue, fazendo companhia às outras dezenas de ramalhetes.

O sepultamento de Kássio Vinícius está marcado para as 14 horas desta quinta-feira (9) no Parque da Cachoeira, também em Betim. O professor universitário foi morto com uma facada pelo estudante do 5º período de Educação Física Amilton Loyola Caires, 23 anos, dentro do Instituto Izabela Hendrix na noite de terça-feira. O jovem foi preso na madrugada desta quarta-feira dentro de casa, no Bairro União, Região Nordeste de Belo Horizonte, e está detido no Ceresp São Cristóvão.

Professor assassinado por aluno na capital é enterrado nesta tarde
09 dez.2010

Terminou por volta das 14h40 desta quinta-feira, 9, o enterro do professor universitário Kássio Vinicius de Castro Gomes, assassinado por um aluno na noite da última terça-feira (7) dentro da faculdade Izabela Hendrix, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Centenas de pessoas participaram do sepultamento que aconteceu no Pólo esportivo Divino Braga, em Betim. Familiares, alunos e amigos acompanharam indignados a cerimônia e entregaram um manifesto em favor da vida assinado por várias entidades. O documento pede punições mais severas para casos de violência ressaltando que “nossas leis são muito brandas na punição de atos violentos, principalmente se o assassino for de família abastada”, diz um trecho do manifesto. Quem falou pela família foi o irmão do professor, Luy Castro Gomes. Ele disse que a família está muito abalada e que não entende como a vida do irmão foi tirada em um ato de violëncia gratuita. “Nós estamos em pedaçõs e não entendemos até agora a violência gratuita que fizeram com meu irmão”, disse Luy. “O Kássio era uma pessoa de diálogo e de paz, nunca foi agressivo com ninguém” completou o irmão.

O irmão do professor lembrou, ainda, a morte do pai, assassinado a facadas em janeiro. “ Serão duas datas marcantes para a família o dia 11 de janeiro e o dia 7 de dezembro” disse Luy se referindo aos dias em que o pai e o irmão foram assassinados. “Meu pai e meu irmão foram mortos da mesma forma estúpida sem possibilidade de defesa”, lamentou Luy.

O presidente do Sindicado das escolas particulares, Gilson Reis, acompanhou o enterro e prometeu anunciar nos próximos dias, um pacote de propostas do sindicato para inibir casos de violência contra professores. “Parte da educação foi assassinada com o Kássio, esperamos que uma atitude seja tomada para que novos óbitos não ocorram e esse caso não seja mais um na estatística de crimes impunes”, disse ele.

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=104037

Estudantes e professores fazem manifestação no centro da capital contra morte de professor do Izabela Hendrix

DANIEL SILVEIRA / RAPHAEL RAMOS - OTEMPO online, 09 dez. 2010

Mesmo debaixo de chuva, professores e estudantes se reuniram na tarde desta quinta-feira (9) na Praça 7, no centro de Belo Horizonte, para manifestar contra o assassinato do professor Kássio Vinicius de Castro Gomes, morto a facadas no prédio do Izabela Hendrix. Com faixas, cartazes e panfletos, eles cobram justiça providências contra a falta de segurança nas instituições de ensino.

Os manifestantes se concentraram no quarteirão fechado da Praça 7. De acordo com o Batalhão de Policiamento de Trânsito da Capital (CPTrans), cerca de 200 pessoas participaram do protesto, que ocorreu de forma pacífica. Em nenhum momento o trânsito no cruzamento das avenidas Amazonas e Afonso Pena foi interrompido pela manifestação, segundo o CPTrans.
Faixas e cartazes homenageavam Kássio e cobravam Justiça. Os manifestantes distribuíram aos transeuntes fitinhas, como aquelas do Senhor do Bonfim, com mensagens de paz. O Sindicato dos Professores de Minas Gerais também distribuiu panfletos denunciando os casos de violência praticados por alunos contra professores em escolas e faculdades. Da Praça 7 os manifestantes seguiram a pé em direção ao prédio do Izabela Hendrix, na rua da Bahia, no Lourdes, onde o professor foi assassinado. Durante o trajeto, feito em parte pela avenida João Pinheiro, pelo menos uma faixa de cada uma das vias ficou interditada, tumultuando o trânsito na região.

A manifestação também foi uma forma de demonstrar luto pela morte do professor, que tinha 39 anos, era formado em educação física e mestre em lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais. Ele foi atacado por um aluno de 23 anos no corredor da faculdade. Preso em casa horas depois, Amilton Loyola Caires Gomes confessou o crime e disse que era perseguido pelo docente. Segundo testemunhas, o motivo do crime seria o descontentamento do aluno pela nota baixa dada por Kássio a um trabalho acadêmico. Ao chegarem na porta da faculdade, os manifestantes esticaram uma lona preta em sinal de luto e cantaram em coro a música "Imagine", de John Lennon. O corpo do professor foi enterrado por volta das 14h40 no Cemitério Parque da Cachoeira em Betim, na Grande Belo Horizonte. O velório foi realizado desde o começo da noite dessa quarta-feira no Ginásio Esportivo Divino Braga, no mesmo município, e foi acompanhado por centenas de pessoas.

NOTÍCIAS...

Parentes e alunos choram a morte do professor Kássio Gomes

Jornal Alterosa - 09 dez. 2010

Familiares, amigos e alunos de Kássio Vinícius Castro Gomes velaram o corpo do professor universitário na noite desta quarta-feira, 8 de dezembro, no ginásio Divino Braga, o Complexo Poliesportivo de Betim, na Região Metropolitana de BH.

Kássio foi assassinado a facadas na noite desta terça-feira, dentro da Faculdade Isabela Hendrix, onde lecionava, por um aluno que reclamava de uma nota baixa dada pelo professor. O jovem Amilton Loyola Caíres foi ouvido pela polícia e está preso no Ceresp de Contagem. Ainda em estado de choque, a mãe e a esposa do professor ficaram ao lado do caixão durante todo o tempo. Os dois filhos de Kássio, de 5 e 6 anos, levaram flores ao velório do pai. A emoção dos alunos também era visível, e muitos aproveitaram o momento para homenagear o professor.

Fonte:
http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=9&id_noticia=45191/noticia_interna.shtml

E mais ...

Mãe do professor assassinado desabafa

Jornal da Alterosa 1ª Edição, 08 dez. 2010

A TV Alterosa mostra o depoimento emocionado da mãe do professor Kássio Vinícius Castro Gomes, 39 anos, assassinado a facadas nessa terça. Em janeiro deste ano, o pai da vítima foi assassinado depois de um assalto. A mãe do educador físico diz que o filho seria homenageado pelos alunos. Para ela, a homenagem mostra que Kássio era uma pessoa boa com todos.

Chorando, ela diz: "Está fazendo um ano que perdi meu marido na mesma situação e agora meu filho, que estava trabalhando, é assassinado. Eu não tenho palavras para falar dele. Tudo eu falar vai parecer que é por que ele morreu, mas não é".

Também...

Estudante que matou professor afirma que queria apenas "intimidar"; causas serão investigadas

FELIPE REZENDE/GABRIELA SALES - OTEMPO online, 08 dez. 2010

O estudante Amilton Loyola Caires, de 23 anos, confessou na manhã desta quarta-feira (8) ter assassinado o professor Kássio Vinícius Castro Gomes, 39, dentro da Faculdade Izabela Hendrix, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O crime ocorreu na noite dessa terça (7) e o universitário foi preso em casa por volta das 2h30. O jovem foi ouvido no Departamento de Investigações da Polícia Civil. De acordo com o delegado Breno Pardini, as causas do homicídio ainda serão investigadas. Segundo testemunhas, o aluno e o professor discutiram porque o suspeito não teria aceitado o fato de ter sido reprovado na primeira etapa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), mas a polícia também recebeu a informação de que o universitário estaria sendo perseguido pelo docente há algum tempo.

Ainda segundo Pardini, o estudante afirmou que levou a faca para a instituição apenas para "intimidar e assustar" o professor. O advogado e amigo da família do suspeito, Nelson Rogério Figueiredo Leão, disse que Amilton sofria de transtorno bipolar e fazia tratamento psiquiátrico. O irmão de Amilton, que se apresentou como Frederico Ayala, também contou que o jovem sofria de transtornos e usava medicamento controlado.

Amilton foi submetido a um exame de corpo delito e será encaminhado ao Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) São Cristóvão.

Fonte:
http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=103869

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

PEDAGOGIA DA VIOLÊNCIA: entre a vergonha e o luto

Vincent van Gogh, 1890

por Lúcio Alves de Barros*


É lamentável, triste, vergonhoso e extremamente sério o episódio que culminou no assassinato do professor Kássio Vinícius Castro Gomes, de 39 anos, formado em Educação Física e mestre em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Instituto Isabela Hendrix, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte (MG), na noite de terça-feira (07/1202010). O docente do curso de Educação Física foi morto a facadas no ambiente de trabalho por um aluno inconformado com sua reprovação.

O estudante de Educação Física Amilton Loyola Caires, de 23 anos, foi preso em sua casa, no Bairro União, Região Nordeste de Belo Horizonte. O estudante ainda é considerado "suspeito", apesar das câmeras de segurança interna do prédio terem flagrado o acontecido. É curioso como a mídia ainda tem se calado sobre o episódio. Ao contrário da aluna da Uniban, o professor não terá a oportunidade de fazer parte da "Fazenda" (Graças a Deus!) e também (talvez com muita luta dos entes que ficaram) não terá o direito à indenização. De qualquer forma, este é um acontecimento que merece uma maior veiculação por três motivos.

Em primeiro, porque não é possível que as autoridades fechem os olhos para o que anda acontecendo nos cursos de nível superior que há tempos foram invadidos pela violência, o desrespeito, o sadismo e a perversão. Professores são vítimas de brutalidade, crueldade e ameaças constantes. O caso do professor de Educação Física pode ser considerado pelo Instituto Isabela Hendrix como um fato "isolado", mas ele é ostensivo na sua invisibilidade, sutileza e formas "simbólicas" de brutalidade, crueldade e covardia. Para os menos avisados, o Sindicato dos Professores (Sinpro) tem uma boa pesquisa sobre a violência nas escolas privadas e um bom número de docentes entrevistados atua no "nível" superior.

Em segundo, a morte do docente, apesar de aparentar somente "um" motivo, permite muitas inferências que, pelo andar da carruagem vamos pagar e caro no futuro. Embora o país se gabe com o montante de alunos em curso superior, ao ponto das faculdades não terem alunos para lotarem as salas em determinados cursos, a morte de um professor e a violência ostensiva nas salas de aula revelam o estado da arte de massificação da educação superior. É bom dizer que, nos dias atuais, qualquer um pode entrar em uma faculdade para cursar qualquer curso, desde que ele tenha as mínimas e máximas condições de pagar pelo "balcão de negócios" que se tornou a educação em nível "superior". Massificação não quer dizer democratização. As massas não são identificáveis, carregam coisas sujas, tal como as enchentes das chuvas de verão que castigam nossas cidades. O acontecimento no Instituto é o início da boca de lobo, a qual só é lembrada em tempos de inundação e necessidade de rápida limpeza no intuito de impedir um outro transbordamento.

Em terceiro, é forçoso mencionar a falta de civilidade entre pares. Não é possível educação (elementar nas relações entre professor-aluno) em uma sociedade distante dos mínimos preceitos da civilização, construída a duras penas e com instituições que ainda deixam a desejar. Mais que isso, a morte do professor reforça o ambiente de barbárie e medo que se transformaram as faculdades e universidades, notadamente as particulares, nas quais a autoridade deixou o professor e caminhou rápido para o carnê da mensalidade. Alunos potentes, oniscientes, onipresentes fazem a festa na falta de um bom conjunto de normas e regras garantidoras de respeito, tolerância, disciplina e hierarquia em relação ao outro que é diferente e, por definição e mérito, agente de formação e educação.

Espera-se que o caso do assassinato do mestre não seja algo "generalizável", teríamos falta de professores em pouco tempo. Todavia, a violência nos ambientes considerados superiores se tornou algo corriqueiro, "normal" e ouso a dizer, um problema de segurança pública. As instituições de ensino não têm o direito de reduzir o problema na obrigatória e necessária relação professor-aluno. Elas têm a responsabilidade e fazem parte desse cenário sem grandes esperanças e, atualmente, repleto de insegurança e medo. Na verdade, penso que somos um pouco responsáveis pela morte do professor (desde o início do ano tenho postado várias notícias de violência ente alunos-alunos e alunos-professores neste blog), haja vista que poucos docentes não foram vítimas de indelicadezas, desrespeito, ameaças, agressões físicas, fofocas, humilhações e violências com "s" no final. O nosso calar é o início do falar do outro. Um falar corporal com duras consequências e ressonâncias sobre o corpo docente. É óbvio que nenhum educador espera alunos ideais e professores padronizados que operam tal como trabalhadores da famosa linha fordista de produção. Mas é desnecessário abrir mão da tolerância, da generosidade e da alteridade nos ambientes educacionais que há tempos vem se transformando em "clubes da luta", locais nos quais se operam no silêncio, nas fachadas e no cinismo. Infelizmente, tais relações não foram capazes de livrar Kássio Vinícius Castro Gomes, um professor casado e pai de dois filhos, um de quatro e outro de seis anos.

* - É mestre em sociologia e doutor em Ciências Humanas pela UFMG. Professor na FAE (Faculdade de Educação) da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais).