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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Décadas de dilema na escola pública

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Por: Daniela ASrbex
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Na sala de visitas, todos falavam ao mesmo tempo. Parecia reunião de turma da escola. E era. A diferença estava na idade dos participantes. Formandos de 1977, os ex-alunos do ginásio da Escola Estadual Marechal Mascarenhas de Moraes, o Polivalente de Teixeiras, não têm mais 15 anos. Estão na casa dos 50, tornaram-se pais, alguns até avós. O que os une, no entanto, é a profunda ligação com o colégio que os transformou. Por isso, há quase quatro décadas, eles têm encontro marcado para enganar a saudade. Não só os antigos estudantes participam, mas professores da época, diretora, merendeira e outros funcionários. Hoje o grupo de antigos estudantes é composto por procurador federal, oficial da Marinha, empresários, enfermeiros, professores universitários. Juntos, eles são o retrato de uma escola pública que deu certo, cujo projeto pedagógico conseguiu contagiar meninos e meninas por uma vida inteira. A experiência da turma de 77 é provocadora. Trinta e seis anos depois, o Polivalente mudou de cara. É hoje uma das escolas estaduais com o maior número de ocorrências policiais da cidade. É mais que isso. É a imagem do que se transformou a escola pública brasileira. O que os especialistas tentam explicar é em que momento o ensino público perdeu a sua importância na sociedade. O que a sociedade quer saber é como resgatar um modelo escolar recente de sucesso.
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Construído em 1974, o Polivalente mudou o cenário do Teixeiras, na Zona Sul. Era a primeira vez que um bairro pobre receberia uma escola grandiosa no tamanho e na proposta pedagógica, a ponto de fazer muitos alunos do Centro, que já estudavam em colégios particulares, migrarem para lá. Rapidamente, o Marechal Mascarenhas de Moraes conquistou espaço na vida da comunidade e fincou raiz no coração dos alunos da sexta, sétima e oitava séries do antigo primeiro grau, hoje ensino fundamental. Inovador, ofereceu bem mais do que o quadro e o giz. Além das matérias tradicionais, o Polivalente tinha coral, teatro, dança e esporte, dispondo, ainda, de quatro práticas no currículo: industrial, comercial, agrícola e educação para o lar. "Nas práticas comerciais, por exemplo, cada um tinha a sua mesa. Havia balcão, mimeógrafo, nós aprendíamos todo o processo de venda, questões de almoxarifado, estoque, emissão de nota fiscal. Na prática agrícola, contávamos com trator. Criávamos coelho, e a horta produzia tanto que os alunos carentes levavam parte da produção para casa. Na educação para o lar, aprendemos como sentar a mesa, a comer de garfo e faca, a fazer pratos básicos, a dar bainha em uma calça e tivemos até aulas de puericultura e educação sexual. Nas artes industriais, havia uma gráfica. Fomos nós que fizemos o convite de formatura", lembra Geraldo Aquino, 50 anos. Ex-presidente do Centro Cívico, o empresário mantém o espírito de liderança da juventude, sendo o grande responsável por manter a união da turma. "Devo muito ao Polivalente. Os valores que carrego até hoje, aprendi nessa escola", explica Geraldo, que hoje reside em Goiás.
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Evandro Mendonça Fortuna, 51 anos, do Centro Regional de Inovação e Transferência Tecnológica (Critt) da UFJF, divide com o amigo da escola a gratidão pelo que recebeu. "Não aprendemos só matemática e português. Aprendemos a ser gente. Quando saí de lá, fui morar sozinho no Rio. Sabia costurar e cozinhar", lembra. A bióloga Vera Lúcia Teixeira, 52, residente em Barra Mansa (RJ), conta que teve o interesse pela biologia despertado nas aulas de ciências. "O professor Jarbas levava a gente a campo. Também plantávamos e aprendíamos a valorizar o meio ambiente de forma prática. Todo mundo adorava ir para a escola. Não ficávamos numa sala só, estagnados. Ao invés de o professor trocar de sala, os alunos é que trocavam a cada disciplina. Era como se a gente fosse em busca do conhecimento", revela a vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. A diretora da época, Cesarina de Lima, 65, destaca que uma das funções da escola era justamente o despertar de talentos. "A educação é a base de tudo, haja vista os profissionais competentes que nossos alunos se tornaram. A amizade construída entre estudantes, professores e direção perdura até hoje. A gente era uma família polivalente."
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Aluna da turma de 1977, a enfermeira Regina Muniz, 50, não consegue esquecer as revolucionárias aulas no laboratório de ciências, com o professor Jarbas. "Um dos dias mais marcantes para nós se deve à sensibilidade do Jarbas, que permitiu que observássemos os espermatozoides pela lente de um microscópio. Só vim ter uma aula como essa de novo na faculdade", comenta, antes de dar uma gargalhada. "A gente está procurando até hoje o doador desse material. De vez em quando, um assume a autoria", diverte-se Gilson Farani, 50, que atualmente trabalha em um escritório de advocacia.
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'Os professores acreditavam naquela proposta'
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Olhar para trás pode ajudar a dar uma nova direção ao presente da educação. Embora não existam fórmulas prontas para ganhar o interesse do aluno, a experiência do Polivalente de Teixeiras mostra que é possível fazer a diferença e criar um ambiente propício ao aprendizado. Depende de muitas coisas, mas também do comprometimento da equipe pedagógica com a comunidade escolar. "Um dos diferenciais era o interesse dos professores por nós. Sentíamos essa proximidade, e isso foi importante na nossa formação como indivíduos. Por isso, além da nossa, outras turmas tiveram uma história de sucesso", comenta o engenheiro Wesley Braga, 50.
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Toninho Dutra, superintendente da Funalfa, é mais um exemplo. Um ano mais novo do que a turma de 1977, ele teve o interesse pela cultura despertado na escola. "Iniciei teatro lá. Havia humanidade presente em todas as disciplinas, e o projeto pedagógico passava pela questão dos valores. A escola era um lugar de prazer, no qual os professores se aproximavam dos alunos."
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A enfermeira Regina concorda: "Os professores acreditaram naquela proposta e deram muito de si. Isso acabou nos contagiando. Havia uma magia que permaneceu nas nossas vidas." Para a procuradora da Fazenda Nacional Maria Aparecida da Silva, 50, havia acolhimento. "O papel transformador dessa escola na minha vida foi fundamental. Além da proposta da formação intelectual, havia calor humano. O Polivalente reunia gente de vários níveis, e eu estava no da indigência social. Mesmo nessa condição, a escola me mostrou que era possível mudar."
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O depoimento da procuradora é carregado de emoção. Filha de mãe lavadeira e pai servente de pedreiro, ambos analfabetos, ela lembra que não tinha sapato para estudar e que precisava encontrar com a irmã no caminho da escola, a fim de trocar com ela o seu chinelo por um kichute. Como na sua casa haviam dez bocas para comer, muitas vezes, Aparecida chegava com fome no Polivalente e era socorrida pela cantineira Thereza Maria Carnot, hoje com 80 anos. "Ela era um dos corações da escola naquela cantina. Dona Thereza tinha a consciência que primeiro era necessário forrar o estômago para a criança aprender. Ninguém nunca percebeu, mas ela me dava almoço antes do início das aulas. A pedagogia do amor funciona muito. O Polivalente me educou, mas também mostrou que estaria ao meu lado. Tive mobilidade social por conta dessa orientação pedagógica."
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A ex-cantineira do colégio sustenta que tinha consciência da sua missão, mas que não imaginava o alcance das suas ações na vida desses ex-alunos. "Nunca me passou pela cabeça que eu fui tão importante para aquelas crianças. Hoje agradeço a Deus por não ter passado pela vida em vão. Na minha comida, o ingrediente a mais era o carinho."
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Perda de recursos e falta de projetos
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Apesar de ser um ideal democrático, a educação para todos impôs dilemas desconhecidos pelas escolas até a década de 1990, como a massificação do ensino, provocada pela urbanização acelerada. Antes disso, a escola pública ensinava para minorias. Quase metade da população até o início da década de 1980 não frequentava os bancos escolares. Segundo o doutor em sociologia Rudá Ricci, ao universalizar o ensino fundamental, colocando nas escolas quase 100% das crianças de 7 a 14 anos, o Poder Público deu um passo importante em favor da infância e adolescência brasileira, porém não se preparou para isso. O fato é que, nesse período, alunos das classes média e alta trocaram a rede pública pela privada, migração provocada pelo fim do financiamento externo da educação no país. A perda de recursos levou a um quadro de desorganização dos projetos educacionais, culminando na perda de qualidade do ensino e no desmonte de escolas, como as polivalentes. Os salários dos educadores, que na década de 1970 chegavam a 12 mínimos, também foram achatados.
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Fragilizada na sua importância, as escolas públicas tornaram-se endereço dos filhos das classes trabalhadoras, cujos pais e avós, muitas vezes, jamais sentaram num banco escolar. O fato é que muitos filhos da rua conquistaram um passaporte para o mundo letrado, mas o choque de cultura foi inevitável. Para piorar, os professores, que estavam acostumados a dar aula para estudantes ideais, até hoje não conseguiram se adaptar à realidade do novo público. "O professor se acostumou a culpar o aluno pelo não aprendizado. Mas ele precisa entender que, para muitos estudantes, a escola é o único espaço de aprendizagem. Por isso, não pode desistir desse jovem, porque, muitas vezes, a família já desistiu. É preciso apostar que o aluno é capaz", analisa a atual diretora do Polivalente de Teixeiras, Lilian Maria Custódio Toledo, cujo colégio conta com 853 alunos.
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Perfil dos docentes
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O pró-reitor de Graduação da UFJF, Eduardo Magrone, analisou, em sua tese de doutorado, o perfil dos docentes em momentos distintos da história e diz que hoje falta identidade simbólica entre mestre e aluno. "Hoje o professor se veste e fala como aluno e, muitas vezes, tem que vender coisas no intervalo para a mãe do aluno ou assumir outras ocupações nos finais de semana. Já nos anos 1950, tinha formação muito superior à oferecida hoje pelos cursos de pedagogia. Se tornar professora era um bem disputadíssimo para as filhas das camadas média e alta. Com uma formação diferenciada, elas entravam na sala de aula como alguém que simbolicamente não estava na mesma posição do aluno e tinha a sua autoridade reconhecida por sua competência. Hoje, no entanto, o professor, muitas vezes, tem que apelar para recursos constrangedores, e o aluno perde o pouco respeito que tem."
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Além disso, Magrone cita a falta de identificação do professorado com as escolas da rede pública e com o próprio alunado. "O mesmo professor, muitas vezes, tem posturas profissionais diferentes na escola pública e privada, cuja divisão espúria está cristalizada. No fundo, há uma divisão classista. É como se voltássemos ao tempo da escravatura, da casa grande e da senzala. Essa divisão é uma máquina de produzir desigualdades. Na escola de massa, o aluno é um número. Ele não tem identificação com a escola e o professor também não. O professor da rede privada, quando perguntado, diz o nome da escola em que trabalha. Agora se perguntar para o professor da escola pública, ele vai dizer que é na rede municipal ou estadual. Ele não diz o local. Hoje não há mais o sentimento de missão e nem uma forte identidade com a escola e com os alunos."
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Para a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Victória Mello, a perda da importância do papel da escola na vida das comunidades afetou a valorização e a identidade dos educadores. Segundo ela, a educação passou a ser tratada como mercadoria, produto que está a venda. "A desvalorização da escola acompanha o papel secundário reservado aos trabalhadores brasileiros no mercado de trabalho mundial. Os trabalhos mais complexos são para uma minoria do setor privado e a melhor formação escolar também. Na escola pública, a formação é aligeirada, não sendo necessário tempo de permanência na escola, nem um currículo que compreenda as complexidades do mundo do trabalho atual e nem professores com boa formação. No decorrer desse processo, o professor foi perdendo o encantamento. Tornou-se mero transmissor de conhecimento empacotado de um currículo escolar que vem sendo construído em função de avaliações externas. Com isso, seu papel foi sendo reduzido, resultando na perda da identidade como educador. Isso gera desânimo e adoecimento", destaca Victória.
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Educação só é prioridade no discurso
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"O futuro da escola pública é o passado", afirma o doutor em sociologia, Rudá Ricci. Para o especialista, o compromisso com o indivíduo, presente nas escolas de ontem, precisa ser resgatado. "Isso não é só uma questão de melhoria do salário do professor, mas de um projeto de educação das escolas. Que tipo de pessoas queremos formar? Aquelas preparadas para o vestibular ou as que se constroem, que fazem para si e o país?"
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O pró-reitor de Graduação da UFJF, Eduardo Magrone, faz coro: "A elite brasileira não sabe o que quer e não tem um projeto estratégico de país. Desta forma, a educação fica como sendo a eterna prioridade só no discurso." Para se ter compromisso com o indivíduo, não só com a prestação do serviço, Rudá defende a contratação de professores em tempo integral, para que ele tenha condição de manter seu foco nos estudantes e na formação a longo prazo. "Recursos nós temos, o que não temos é um projeto dos governos para a educação."
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Magrone defende que o projeto para a educação passe pela reformulação dos currículos e pela própria formação oferecida pelos cursos de graduação. "O primeiro choque do aluno de pedagogia e licenciatura é o estágio. As universidades preparam muito mal o professor, porque não preparam para essa escola que está aí. Nas diretrizes curriculares dos cursos de pedagogia, a palavra ensino aparece poucas vezes." O pró-reitor confirma que, apesar da inadequação do currículo, há muita resistência em modificá-lo.
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A solução seria a retomada do modelo do passado ou a construção de um novo modelo baseado nos valores do passado? "Aquela sociedade já não existe mais. Temos que aprofundar o atual modelo no que ele tem de positivo, pois foi esse modelo que colocou para dentro da escola quase 100% das crianças de 7 a 14 anos, que universalizou o ensino fundamental. Então ele tem as suas virtudes. Os principais problemas são de gestão e principalmente o professor. É preciso pensar em como formar o professor para que ele veja esses alunos com um novo olhar e não como alguém que está selado ao fracasso."
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Fonte: Tribuna de Minas (JF-MG)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Descoberto tráfico no entorno de escola

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Dia 16 de abril de 2013
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Por Sandra Zanella, Eduardo Valente e Marcos Araújo
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No mesmo dia em que a Tribuna mostrou a preocupação de professores e funcionários devido à escalada da violência dentro do ambiente escolar, um adolescente de 16 anos foi apreendido suspeito de realizar tráfico de drogas nas imediações da Escola Municipal Santa Cândida, em bairro homônimo, Zona Sudeste. Outros dois jovens que seriam olheiros do tráfico foram presos horas depois. O caso descoberto nesta terça-feira (16) pela Polícia Civil é pelo menos o quinto com características semelhantes ocorrido na cidade este ano. Levantamento da Tribuna feito a partir de boletins de ocorrência da Polícia Militar aponta que outros quatro foram registrados este ano envolvendo comercialização de entorpecentes em áreas próximas às instituições de ensino. Em todos eles, os infratores tinham entre 15 e 19 anos.
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A ação realizada nesta terça pela 6ª Delegacia de Polícia Civil ocorreu após a equipe fazer campana no local e conseguir deter o jovem em flagrante, na Rua Jorge Raimundo, com cinco pedras de crack . Em um matagal ao lado do colégio, ainda foi encontrada uma sacola plástica com aproximadamente 80 porções do entorpecente prontas para a venda, uma pedra maior da substância e uma bucha de maconha.
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Na mesma rua, a 70ª Companhia de Polícia Militar havia apreendido, no dia 8 de abril, 13kg de maconha com dois adolescentes, sendo um deles já detido oito vezes por tráfico e outro recolhido em três ocasiões pelo mesmo crime e também por roubo. O flagrante desta terça da Polícia Civil aconteceu duas semanas depois de a própria direção da escola encaminhar ofícios à Secretaria de Educação e à Polícia Militar pedindo providências para coibir o tráfico de drogas e até disparos de armas de fogo feitos próximo ao portão da instituição. A situação tem levado medo a moradores e colocado em risco a vida de funcionários e alunos. "Muitos pais têm nos procurado cobrando atitude, pois temem a segurança de seus filhos. Hoje (dia 4), por volta das 11h, houve troca de tiros em frente à escola", informou o colégio no documento encaminhado à PM, solicitando ações para amenizar a presença de usuários e traficantes de entorpecentes nas proximidades e dar mais segurança a estudantes e professores, com reforço no policiamento, principalmente nos horários de entrada e saída dos três turnos.
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Área de lazer
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Conforme a direção e o corpo docente, uma das saídas para o quadro de violência que tem se instalado no entorno seria a construção de uma quadra de esportes no terreno baldio no espaço onde foi encontrada a sacola com drogas. "Pedimos uma área de lazer, porque a escola não possui quadra, e esse terreno, que é da Prefeitura, está sendo ocupado por usuários de drogas. Os tiros também não têm hora para acontecer", disse um funcionário, que preferiu não se identificar. "Já fazemos um trabalho para não perder esses alunos para o tráfico, com aulas de capoeira, dança e grafite fora dos horários de aula, para mantê-los por mais tempo no colégio. Mas estamos pedindo ajuda com ações concretas", completou. Ainda de acordo com os funcionários da Santa Cândida, a violência começou a se instalar de forma mais incisiva no ano passado e tem levado pais a quererem transferir seus filhos. Professores também estariam cogitando mudanças de local de trabalho, pois o simples fato de estacionar o carro na rua já estaria sendo arriscado, na visão deles.
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Em nota, a assessoria de comunicação da Polícia Militar confirmou ter recebido a solicitação de monitoramento na área da escola e providenciado o empenho das viaturas, nos horários solicitados de entrada e saída dos turnos da manhã, tarde e noite, com a utilização das patrulhas de Prevenção Ativa, Comunitária e unidades do Tático Móvel. A Secretaria de Educação, por meio de sua assessoria, também confirmou ter recebido o memorando e reforçado o pedido da instituição à PM. Sobre o terreno vago que poderia ser utilizado como área de lazer, a secretaria informou que não é possível a construção de uma quadra de esportes no local devido ao grande declive do terreno. Além disso, segundo a assessoria, a área não pertence à escola.
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Polícia quer identificar quem está 'cooptando garotos'
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O adolescente apreendido nesta terça supostamente traficando drogas no entorno da instituição seria morador do Jóquei Clube, Zona Norte. De acordo com o delegado à frente do caso, Carlos Eduardo Rodrigues, será levantado quem estaria por trás dele fornecendo os entorpecentes para a venda. Durante a operação, dois homens, 21 e 22 anos, que estariam atuando como olheiros, para observar a chegada de policiais, e como indicadores do local para aquisição de entorpecentes também foram presos, no período da tarde, por policiais da 6ª Delegacia de Polícia Civil. Com a dupla, foram apreendidas cerca de 20g de haxixe. "Estamos unindo esforços para identificar quem está pagando e cooptando esses garotos", destacou o delegado. Segundo ele, o suspeito de ser o responsável pelas drogas seria um morador do Santa Cândida já conhecido por envolvimento com o tráfico. Carlos Eduardo lembrou que, além de responder pelo crime, o homem também poderá ser enquadrado em corrupção de menores. "Quando não conseguimos prender em flagrante, podemos solicitar à Justiça prisões preventivas e indiciar essas pessoas, conforme cada caso."
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Depois de prestar declarações na delegacia, o adolescente foi liberado para os pais e teve procedimento encaminhado para a Vara da Infância e Juventude. Os dois homens presos posteriormente foram autuados por associação para o tráfico de drogas e corrupção de menores, sendo encaminhados ao Ceresp. Como prevê a Lei de Drogas, no artigo 40, as penas pela infração cometida nas dependências ou imediações de estabelecimento de ensino são aumentadas de um sexto a dois terços.
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Ação da PM
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Segundo o assessor de comunicação da 4ª Região de Polícia Militar, major Paulo Alex Moreira, a corporação realiza diversas atividades, dentro e fora das instituições, para coibir o tráfico e uso de drogas. Sobre o comércio em áreas próximas das instituições de ensino, ele informou que as patrulhas escolares de cada companhia são designadas a atuar, principalmente, nos horários de entrada e saída dos estudantes. "É importante que a direção das escolas faça contato com as companhias. Orientamos que algum funcionário faça contato visual nas ruas antes de liberar os estudantes. Caso haja alguma atitude suspeita, a polícia deve ser acionada imediatamente."
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Fonte: Tribuna de Minas (MG)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Descoberto tráfico no entorno de escola

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No mesmo dia em que a Tribuna mostrou a preocupação de professores e funcionários devido à escalada da violência dentro do ambiente escolar, um adolescente de 16 anos foi apreendido suspeito de realizar tráfico de drogas nas imediações da Escola Municipal Santa Cândida, em bairro homônimo, Zona Sudeste. Outros dois jovens que seriam olheiros do tráfico foram presos horas depois. O caso descoberto nesta terça-feira (16) pela Polícia Civil é pelo menos o quinto com características semelhantes ocorrido na cidade este ano. Levantamento da Tribuna feito a partir de boletins de ocorrência da Polícia Militar aponta que outros quatro foram registrados este ano envolvendo comercialização de entorpecentes em áreas próximas às instituições de ensino. Em todos eles, os infratores tinham entre 15 e 19 anos.
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A ação realizada nesta terça pela 6ª Delegacia de Polícia Civil ocorreu após a equipe fazer campana no local e conseguir deter o jovem em flagrante, na Rua Jorge Raimundo, com cinco pedras de crack . Em um matagal ao lado do colégio, ainda foi encontrada uma sacola plástica com aproximadamente 80 porções do entorpecente prontas para a venda, uma pedra maior da substância e uma bucha de maconha. 
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Na mesma rua, a 70ª Companhia de Polícia Militar havia apreendido, no dia 8 de abril, 13kg de maconha com dois adolescentes, sendo um deles já detido oito vezes por tráfico e outro recolhido em três ocasiões pelo mesmo crime e também por roubo. O flagrante desta terça da Polícia Civil aconteceu duas semanas depois de a própria direção da escola encaminhar ofícios à Secretaria de Educação e à Polícia Militar pedindo providências para coibir o tráfico de drogas e até disparos de armas de fogo feitos próximo ao portão da instituição. A situação tem levado medo a moradores e colocado em risco a vida de funcionários e alunos. "Muitos pais têm nos procurado cobrando atitude, pois temem a segurança de seus filhos. Hoje (dia 4), por volta das 11h, houve troca de tiros em frente à escola", informou o colégio no documento encaminhado à PM, solicitando ações para amenizar a presença de usuários e traficantes de entorpecentes nas proximidades e dar mais segurança a estudantes e professores, com reforço no policiamento, principalmente nos horários de entrada e saída dos três turnos. 
Área de lazer  
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Conforme a direção e o corpo docente, uma das saídas para o quadro de violência que tem se instalado no entorno seria a construção de uma quadra de esportes no terreno baldio no espaço onde foi encontrada a sacola com drogas. "Pedimos uma área de lazer, porque a escola não possui quadra, e esse terreno, que é da Prefeitura, está sendo ocupado por usuários de drogas. Os tiros também não têm hora para acontecer", disse um funcionário, que preferiu não se identificar. "Já fazemos um trabalho para não perder esses alunos para o tráfico, com aulas de capoeira, dança e grafite fora dos horários de aula, para mantê-los por mais tempo no colégio. Mas estamos pedindo ajuda com ações concretas", completou. Ainda de acordo com os funcionários da Santa Cândida, a violência começou a se instalar de forma mais incisiva no ano passado e tem levado pais a quererem transferir seus filhos. Professores também estariam cogitando mudanças de local de trabalho, pois o simples fato de estacionar o carro na rua já estaria sendo arriscado, na visão deles.
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Em nota, a assessoria de comunicação da Polícia Militar confirmou ter recebido a solicitação de monitoramento na área da escola e providenciado o empenho das viaturas, nos horários solicitados de entrada e saída dos turnos da manhã, tarde e noite, com a utilização das patrulhas de Prevenção Ativa, Comunitária e unidades do Tático Móvel. A Secretaria de Educação, por meio de sua assessoria, também confirmou ter recebido o memorando e reforçado o pedido da instituição à PM. Sobre o terreno vago que poderia ser utilizado como área de lazer, a secretaria informou que não é possível a construção de uma quadra de esportes no local devido ao grande declive do terreno. Além disso, segundo a assessoria, a área não pertence à escola. 
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Polícia quer identificar quem está 'cooptando garotos'
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O adolescente apreendido nesta terça supostamente traficando drogas no entorno da instituição seria morador do Jóquei Clube, Zona Norte. De acordo com o delegado à frente do caso, Carlos Eduardo Rodrigues, será levantado quem estaria por trás dele fornecendo os entorpecentes para a venda. Durante a operação, dois homens, 21 e 22 anos, que estariam atuando como olheiros, para observar a chegada de policiais, e como indicadores do local para aquisição de entorpecentes também foram presos, no período da tarde, por policiais da 6ª Delegacia de Polícia Civil. Com a dupla, foram apreendidas cerca de 20g de haxixe. "Estamos unindo esforços para identificar quem está pagando e cooptando esses garotos", destacou o delegado. Segundo ele, o suspeito de ser o responsável pelas drogas seria um morador do Santa Cândida já conhecido por envolvimento com o tráfico. Carlos Eduardo lembrou que, além de responder pelo crime, o homem também poderá ser enquadrado em corrupção de menores. "Quando não conseguimos prender em flagrante, podemos solicitar à Justiça prisões preventivas e indiciar essas pessoas, conforme cada caso." 
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Depois de prestar declarações na delegacia, o adolescente foi liberado para os pais e teve procedimento encaminhado para a Vara da Infância e Juventude. Os dois homens presos posteriormente foram autuados por associação para o tráfico de drogas e corrupção de menores, sendo encaminhados ao Ceresp. Como prevê a Lei de Drogas, no artigo 40, as penas pela infração cometida nas dependências ou imediações de estabelecimento de ensino são aumentadas de um sexto a dois terços. 
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Ação da PM
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Segundo o assessor de comunicação da 4ª Região de Polícia Militar, major Paulo Alex Moreira, a corporação realiza diversas atividades, dentro e fora das instituições, para coibir o tráfico e uso de drogas. Sobre o comércio em áreas próximas das  instituições de ensino, ele informou que as patrulhas escolares de cada companhia são designadas a atuar, principalmente, nos horários de entrada e saída dos estudantes. "É importante que a direção das escolas faça contato com as companhias. Orientamos que algum funcionário faça contato visual nas ruas antes de liberar os estudantes. Caso haja alguma atitude suspeita, a polícia deve ser acionada imediatamente."
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Fonte: Tribuna de Minas (MG) 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Aluno acende cigarro de maconha em sala de aula

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Um adolescente acendeu um cigarro de maconha durante uma aula do quinto ano do período noturno de uma escola estadual na Zona Norte de Juiz de Fora. O fato surpreendeu a professora que, sem reação, não acionou a Polícia Militar, apesar de a instituição ter tentado adotar providências internas na semana seguinte. Nesta segunda-feira (15) a Tribuna, ao saber do ocorrido, entrou em contato com a escola para saber da direção sobre os problemas de indisciplina e violência enfrentados pelos educadores no local. A conversa, após cerca de cinco minutos, precisou ser interrompida pelo diretor: "Preciso desligar. Tem um aluno de 12 anos (6º ano) com uma barra de ferro na mão ameaçando outro." Casos como esses, que extrapolam a responsabilidade das escolas, apesar da gravidade, acabam sendo subnotificados e não aparecem nos registros policiais. Conforme os próprios professores, o receio de retaliações ou, até mesmo, a vontade de resguardar a imagem da escola e o aluno são os motivos mais prováveis para evitar a participação das autoridades policiais.
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As duas situações identificadas na escola estadual da Zona Norte, que terá o nome preservado, não são as únicas. No dia 5, por exemplo, a Tribuna noticiou o caso de um grupo de quatro adolescentes que pulou o muro de outra escola estadual, na Zona Leste, invadiu a sala de aula, ameaçou a professora e agrediu um estudante utilizando um simulacro de arma de fogo. Já na rede municipal, dados divulgados pela Secretaria de Educação mostram que a situação também é grave. Apenas entre 2009 e 2012, 645 ocorrências foram registradas pela pasta, em 101 escolas (ver quadro).
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De acordo com um diretor que terá o nome preservado, recentemente um aluno sacou uma arma de fogo dentro da sala de aula. "Como o professor vai denunciar? Ele teme contra a própria vida", disse. Para o professor da Faculdade de Comunicação da UFJF e integrante do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Wedencley Alves, o medo dos professores e funcionários em denunciar os abusos é "compreensível, já que eles irão encontrar com este possível agressor no dia seguinte. A situação deixa qualquer um temeroso".
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Conforme Alves, somente com uma ampla discussão sobre a questão será possível revertê-la. "O primeiro passo é quebrar este ciclo da cultura da violência. A sociedade quer combater a violência com mais violência. Como levar paz à escola se a cidade não tem paz? Alguma coisa tem que ser pensada já."
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Subnotificação
Muitos dos casos de violência e indisciplina no ambiente escolar não chegam ao conhecimento das autoridades competentes. Quem afirma isso são representantes das redes municipal e estadual. A presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) em Juiz de Fora, Victória Mello, afirma haver pressão política para que os conflitos na rede estadual não sejam divulgados, sendo tratados apenas no âmbito pedagógico.
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Já o secretário de Educação do município, Weverton Vilas Boas, informou que os casos de violência foram identificados pela atual administração após um mapeamento das ocorrências registradas na pasta. No entanto, ele explicou que as instituições de ensino ainda não têm a cultura de notificar os casos. "Estamos incentivando as escolas a nos informar para que possamos resguardar os profissionais. Precisamos nos aproximar cada vez mais para sermos um braço de apoio dos problemas enfrentados." Uma das ações previstas, conforme o secretário, é a realização de um seminário com os educadores para discutir os números e encontrar soluções.
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O vereador Roberto Cupolillo (Betão-PT), que também atua como coordenador do Sindicato dos Professores (Sinpro), informou que casos como esses também ocorrem na rede particular, mas não são registrados. "Às vezes, são pais de alunos que agridem fisicamente os professores."
Vereador defende lei que prevê área de proteção
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Autor da lei municipal que institui as áreas de proteção e segurança escolar (APS Escolar), o vereador Wanderson Castelar (PT) lamenta que seu conteúdo ainda não tenha sido colocado em prática. "Ela está esquecida." Caso a lei vetada pelo Executivo estivesse em funcionamento, o Município deveria adotar uma série de medidas para prevenir a violência e assegurar a tranquilidade no ambiente escolar, criando um raio de proteção em volta das instituições, coibindo venda de produtos ilícitos e acesso de crianças e adolescentes a substância inflamável ou explosiva, assim como bebidas alcoólicas e ao fumo. "Ela precisa funcionar, principalmente porque são muitos os casos de violência que chegam ao meu conhecimento e poderiam ser evitados." O parlamentar menciona casos de tráfico de drogas, ameaças e porte de armas dentro das escolas.
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Segundo a Polícia Militar, Juiz de Fora e 85 municípios da região contam com diversos projetos que visam a coibir estes delitos. Entre eles, estão o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e o Jovens Construindo a Cidadania (JCC). Em nota, a instituição informou que "as escolas são, ainda, constantemente e especificamente policiadas por meio das Patrulhas Escolares e, ainda, em casos mais extremos, com o Grupo Especializado de Atendimento a Criança e Adolescente em Situação de Risco (Geacar), com interfaces com a Vara da Infância e Adolescência, os Conselhos Tutelares, projetos educacionais e movimentos sociais".
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Para tentar reverter este quadro, a Secretaria de Estado da Educação, por meio da assessoria de imprensa, informou que vários programas são realizados atualmente com os profissionais. Atualmente o município estaria recebendo uma equipe que visita as escolas com o objetivo de orientar professores e diretores sobre como lidar com situações que envolvam violência. Além disso, na última semana, uma equipe de 40 profissionais de escolas teriam ido a Belo Horizonte participar de um curso de capacitação sobre mediações de conflitos e promoção de cultura de paz.
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Fonte: Tribuna de Minas (JF)

domingo, 9 de setembro de 2012

Arte para combater a violência

Por MARISA LOURES
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Uma passagem inusitada e que se abre para o fantástico mundo da arte literária. Ao ultrapassá-la, a criança está, de vez, entregue aos encantos de Dionísio. Feita de madeira e mandalas, a porta mágica foi construída no andar superior da Escola Municipal Jerônimo Vieira Tavares, localizada no Bairro Dias Tavares, para dar acesso a um espaço de contação de histórias e apresentações teatrais - projeto realizado por alunos do colégio, sob a coordenação da professora de português Rosana Vidal. Criada há 12 anos, a iniciativa contribui para a redução da criminalidade e favorece a formação de jovens interessados em se profissionalizar nas artes dramáticas.
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"É um trabalho rico. Quando entrei aqui, não sabia a dimensão. Foi a partir disso que resolvi me aperfeiçoar", diz o estudante Kleyton Machado, 19, que, depois de ter feito parte das ações, passou pelo Mergulhão Teatral do Centro de Estudos Teatrais Grupo Divulgação, foi membro da trupe comandada por José Luiz Ribeiro e, hoje, integra o Grupo de Pesquisa em Interpretação e Experimentação Cênica, coordenado por Renata Rodrigues e Gabriela Machado, na Funalfa.
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"Muita coisa mudou na minha vida e na de meus amigos. O pessoal que começou a fazer teatro comigo aqui na escola está todo envolvido no meio cultural. Alguns estudam letras, música e até teatro", ressalta Kleyton, acrescentando que, para o futuro, sonha realizar oficinas de jogos teatrais, com uma amiga, em escolas, baseando-se nos autores Viola Spolin e Peter Slade. "Quero passar para frente o que aprendi." O ano era 2000. Por iniciativa da professora Rosana Vidal, o Balaio de Gato e o Tearte - grupos de contação de história e de teatro, respectivamente, compostos por alunos do ensino fundamental - tomaram forma. O objetivo inicial era acabar com a violência e fazer com que as crianças se mantivessem por mais tempo na escola. "Havia uma onda de briga nos rondando. Alguns alunos se envolviam em confusões com jovens de outros bairros. Com a inserção do projeto, nosso colégio ficou mais atrativo e os estudantes passaram a vir para aula com boa vontade, não precisamos obrigá-los. Como são realizadas dinâmicas de grupo, as crianças e os adolescentes ficaram mais unidos", destaca a diretora Adriana Vallotte Balieri.
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Durante todo o ano, Rosana prepara peças teatrais e espetáculos de contação de histórias, que são apresentados, não só ao público interno do colégio, mas também à comunidade. Um trabalho que se resumia a pequenas encenações dentro da escola, devido ao boca a boca, hoje chega a outros estabelecimentos de ensino. Por meio de pequenos atores, histórias como "A bruxinha que era boa" e "Pluft, o fantasminha", de Maria Clara Machado, chegam a centenas de espectadores. O que no início era uma atividade voluntária, 12 anos depois faz parte de um projeto político e pedagógico da Prefeitura. Se antes era necessário se dividir entre as salas de aula e a coordenação do Tearte e do Balaio de Gato, hoje a professora se dedica, exclusivamente, aos grupos. De acordo com Rosana, além de formar público, o trabalho proporciona um resultado considerável no rendimento escolar da garotada."É um projeto interdisciplinar. Ajuda a melhorar a escrita, a leitura, a interpretação de texto e até o aprendizado do conteúdo de outras disciplinas como história e geografia, por exemplo." A aluna do sexto ano, Thamirys Sobreira,11, que o diga. "Ao mesmo tempo que descubro mais sobre teatro aprendo as outras matérias com mais facilidade."
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No andar superior do colégio, o terraço se transforma em um verdadeiro teatro com direito a palco montado com estruturas de madeira. Para compor o ambiente propício a um espetáculo teatral, bem ao lado do tablado, uma espaçosa sala foi construída para ser o camarim. Pendurados em araras, cabides abrigam figurinos confeccionados pelas próprias crianças ou doados pela população. Se a qualidade do que é utilizado e apresentado é modesta, a vontade de inserir os jovens estudantes no meio cultural é pretensiosa. "A escola não tem o intuito de formar atores, mas, sim, possibilitar o conhecimento da arte", observa Rosana.
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Contrariando ou indo além dos simples objetivos da professora, ao sentir as luzes da ribalta, os atores mirins não pensam em outra coisa a não ser seguir os passos de Kleyton e de tantos outros que já passaram por lá e que hoje estão desenvolvendo atividades no meio teatral."Tenho vontade de aprender cada vez mais. Aprendo histórias interessantes, quero ser professora e atriz. Quando estamos no palco, a sensação é tão boa que esquecemos de tudo. Se tivermos um problema na família, nem lembramos dele", diz Leandra Marques de Avelar, 13, aluna do 7º ano do ensino fundamental."Participando do contadores de histórias e do teatro, posso mostrar para meus colegas um pouco do meu trabalho. A escola ficou mais legal", conclui Felipe Sobreira, 11, aluno do sexto ano. Entre os dias 27 e 31 de agosto, 57 escolas da cidade participaram do Literatudo - projeto realizado com o objetivo de divulgar o trabalho desenvolvido com os estudantes da rede municipal, ao longo do ano letivo. Foi uma semana de extensa programação cultural, que incluiu apresentações teatrais, sessões de cinema, rodas de conversa, contação de histórias, artesanato e shows musicais. A interação entre os estabelecimentos de ensino se deu por meio de visitas entre os colégios. Enquanto um estava no palco, o outro ficava na plateia. Na Escola Municipal Jerônimo Vieira Tavares, por exemplo, além de o Balaio de Gato e o Tearte fazerem suas apresentações, uma das grandes atrações foi a tenda de leitura. Montada dentro da biblioteca, a barraca serviu de cenário para a promoção da leitura entre os alunos.
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Fonte: Tribuna de Minas (JF - MG)

sábado, 1 de setembro de 2012

Insegurança leva escola a suspender aulas

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Por Marcus Araújo
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Cerca de 600 alunos da Escola Estadual Deputado Olavo Costa, no Bairro Monte Castelo, na Zona Norte, foram dispensados da aula ontem em função do clima de insegurança provocado pela morte do aluno Jefferson Luiz da Silva Fernandes, 14 anos, que foi alvejado no pescoço, no último dia 26, durante tiroteio em uma festa popular na Rua Coronel Quintão. O crime teria sido motivado pela rixa entre moradores do Monte Castelo e do Esplanada. A Polícia Militar foi acionada, de forma preventiva, para guardar os portões do colégio. Apesar da ameaça, nada foi registrado. De acordo com o diretor da instituição, André Avelar, desde o assassinato do aluno havia um sentimento de medo rondando a escola, uma vez que existia a suspeita de vingança e invasões na instituição. "Cheguei a receber ligações de vários pais com receio da situação. Hoje (ontem) antes do recreio, percebi que a sensação não era boa entre professores e alunos e, para evitar um mal maior, dispensamos os estudantes, que voltam às aulas na próxima segunda", disse André, completando que, na segunda-feira, haverá uma reunião colegiada aberta à comunidade, com o objetivo de discutir medidas de enfrentamento da violência. Também na terça, como aponta o diretor, ele irá se reunir com representantes da Superintendência Regional de Ensino (SRE) para abordar a ampliação do muro da instituição.
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A Deputado Olavo Costa figurou, no início de agosto, em reportagem da Tribuna, na qual a direção da instituição denunciava diversas invasões no pátio, em função de a escola possuir muro baixo. Seriam jovens, com idades entre 18 e 20 anos, não alunos, que estariam entrando sem permissão. A suspeita era de estes invasores estariam ligados ao tráfico de drogas. Em abril, o jornal flagrou jovens em cima do muro, comprovando a facilidade que eles encontram para entrar no colégio. Constatou também a presença de jovens consumindo drogas nos arredores da escola. A mãe de um estudante chegou a contar que avisou a direção, quando, por volta das 7h30, viu dois homens em atitude suspeita, na porta do colégio, com algo suspeito nas mãos como se quisessem oferecer aos alunos que chegavam para a aula.
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Agressão - Ainda ontem, a PM registrou crime de lesão corporal na Escola Estadual Francisco Bernardino, no Manoel Honório, na Zona Leste, onde um adolescente,16, foi agredido com socos e pontapés por outro jovem, também de 16. O fato foi registrado por volta das 10h, quando os envolvidos estariam jogando bola na aula de educação física e se desentenderam. A vítima sofreu golpes de pontapé e socos, caindo no chão desacordada. Diante da situação, a direção da escola acionou o Samu, que encaminhou o garoto ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), reclamando de dores na nuca, no tórax e nas pernas. Ele ficou internado. Segundo a Secretaria de Saúde, a vítima estava estável e aguardava avaliação da neurocirurgia e do cirurgião de tórax. O adolescente suspeito da agressão foi detido e encaminhado para a delegacia, em Santa Terezinha. Conforme a assessoria de comunicação da Polícia Civil, o adolescente foi ouvido e liberado para um responsável legal.
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Ameaça - Os desentendimentos entre jovens também mobilizaram a PM no final da tarde de ontem, na Avenida Getúlio Vargas, no Centro. Havia denúncias de que um conflito entre gangues de bairros rivais pudesse acontecer em um ponto de ônibus da via. Nas últimas semanas, casos graves de tentativas de homicídio e agressões foram registrados na Getúlio. Geralmente, os crimes ocorrem às sextas-feiras.
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PM afirma que age preventivamente - De acordo com o assessor de comunicação organizacional da 4ª Região de Polícia Militar (4ª RPM), major Sebastião Justino, a PM, ao longo do ano, trabalha com ações preventivas a fim de conter conflitos no ambiente escolar, como Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), Jovens Construindo a Cidadania (JCC), Grupo Especializado no Atendimento à Criança e Adolescentes em Risco (Geacar) e Patrulha Escolar. Todos envolvem crianças e adolescentes, com o objetivo de evitar o contato deles com a criminalidade e as drogas. Ainda conforme o militar, quando não há registro de crime, a orientação é que o conflito seja resolvido pela própria comunidade escolar. Já nos casos em que há delito, a PM deve ser acionada via 190, para que possa se dirigir à instituição e prestar o serviço adequado. "A Polícia Militar realiza reuniões com as secretarias estaduais e municipais de educação a fim de promover o debate de medição de conflito, orientando funcionários, professores e alunos a resolverem as divergências sem a mediação do Estado. Claro, se não houver um fato criminoso", ressaltou o assessor, que afirma: "Este tipo de problema também é uma questão ligada à estrutura familiar. Os pais devem impor limites para que seus filhos tenham comportamento mais adequado no ambiente escolar."
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Fonte: Tribuna de Minas (JF - MG)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O tráfico ultrapassa os portões das escolas

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Por Marco Araújo
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O tráfico de drogas ronda as portas das escolas e já ultrapassa seus portões. A Tribuna acompanhou a rotina de alguns colégios e observou situações de tentativa de invasões, colhendo relatos de educadores e pais a respeito do medo da proximidade das drogas. Diversas instituições enfrentam o problema já nos primeiros dias de retomada das aulas neste segundo semestre letivo. Na última segunda-feira, uma ocorrência foi registrada próximo de uma escola no Santa Cândida. No local, um homem, 28, foi detido com nove buchas de maconha e R$ 80. Segundo a Polícia Militar, ele faria a venda do entorpecente perto do colégio.
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Este ano, oito escolas públicas solicitaram a seus órgãos competentes a ampliação e construção de muros a fim de melhorar a segurança. Na Superintendência Regional de Ensino (SRE), foram seis pedidos, enquanto na Secretaria de Educação foram dois. Quando as apurações desta reportagem tiveram início, em abril, um grupo de adolescentes foi visto debaixo de uma árvore, fumando uma substância que passava de mão em mão bem próximo do colégio Estadual Deputado Olavo Costa, no Monte Castelo, Zona Norte. A cena, que mostrava jovens, supostamente, consumindo maconha, foi observada em plena luz do dia, de dentro da instituição, uma vez que o muro do colégio, por ser baixo, não impedia a visão do grupo do lado de fora. A estrutura, que se mantém inalterada até hoje, não é obstáculo para que desconhecidos invadam o estabelecimento educacional.
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A mãe de um estudante de 13 anos da Deputado Olavo Costa avisou a direção, quando, por volta das 7h30, viu dois homens em atitude suspeita, na porta do colégio, com algo suspeito nas mãos como se quisessem oferecer aos alunos que chegavam para a aula. A dupla ainda teria entrado no estabelecimento, mesmo sem a permissão da direção. "Assim que vi, liguei para a PM. Mais tarde, por volta das 11h, quando fui buscar meu outro filho, vi que os mesmos continuavam no interior da escola. Eles transitam livremente dentro do estabelecimento, e a direção encontra problemas para contê-los", disse a dona de casa, 35. "Meu receio é que alguém ofereça alguma coisa para meu filho experimentar."
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Invasões
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O diretor da escola, André Avelar, confirma as invasões no pátio. Seriam jovens, com idades entre 18 e 20 anos, que não são alunos da instituição. "Temos informações de que eles possam estar ligados ao tráfico de drogas. Eles pulam o muro e invadem o colégio."No dia em que a Tribuna visitou o lugar, o diretor contou que precisou pedir para que alguns desses jovens deixassem a quadra, onde estavam sem permissão. "Nossa escola é muito vulnerável. Nossas condições de segurança, como o muro, não impedem que eles acessem o colégio." No mesmo dia, a reportagem flagrou jovens em cima do muro, comprovando a facilidade que encontram para entrar na instituição. O vandalismo também foi detectado, pois, no muro que fica ao lado da quadra de esportes, parte da tela de proteção foi danificada.
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Ocorrências comprovam vulnerabilidade - Não há números sobre a penetração das drogas nas escolas juiz-foranas. Entretanto, a impressão que se tem e os dados esparsos indicam que ela avança em todas as regiões do município. De todos os casos acompanhados pela reportagem, alguns merecem destaque. Como no dia 20 de março, quando 14 pedras de crack foram encontradas pela PM escondidas em um buraco feito em um muro próximo à Escola Municipal Marília de Dirceu, no Filgueiras, Zona Nordeste. A ocorrência foi registrada quando uma viatura se deparou com um homem, 23, e um adolescente, 17, em atitude suspeita em frente ao colégio, na hora da saída dos alunos. Um dos problemas enfrentados por essa escola é a aglomeração de adolescentes que não são estudantes do estabelecimento do lado de fora, na saída do período noturno. Segundo a vice-diretora, Raquel Lucindo, o colégio vem realizando ações de combate às drogas. "Procuramos orientar alunos e familiares a respeito do aliciamento de meninos mais novos por mais velhos. Também pedimos que pais sempre fiscalizem os horários de chegada dos filhos em casa, depois das aulas", afirmou Raquel, lembrando que também são feitas palestras e reuniões com o Conselho de Segurança Pública.
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Já no dia 17 de fevereiro, a Polícia Civil desmantelou um esquema de tráfico de drogas que utilizava "vapores" para vender entorpecente na porta da Escola Estadual Sebastião Patrus de Souza, no Santa Terezinha, Zona Nordeste, localizada a poucos metros da 1ª Delegacia Regional. Um homem, 37, que seria o proprietário do entorpecente, foi preso. Conforme o vice-diretor do colégio do período noturno, Rogério Villa Verde, o consumo de drogas do lado de fora vem acontecendo. "A rua é deserta e sem saída. Além disso, dois postes estão sem lâmpadas desde o início do ano, o que contribui ainda mais para a situação. Trabalho há oito anos nesta escola, e o consumo de drogas na parte exterior sempre existiu", afirmou o educador. Como forma de conscientizar os alunos, a escola já realizou reuniões com o Conselho de Segurança Pública e palestras sobre os malefícios causados pelo crack. Em 24 de abril, a Tribuna mostrou que, na Escola Estadual Professor Lindolfo Gomes, no São Benedito, Zona Leste, a quadra esportiva, localizada em uma área separada do prédio da instituição, era utilizada para o consumo de drogas e práticas sexuais. Na ocasião, a direção da escola informou que a Superintendência Regional de Ensino (SRE) teve ciência da situação, sendo solicitada urgência na construção do muro para minimizar os problemas.
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Superação depende de diversos atores sociais
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O problema é de âmbito nacional e já bateu às portas do primeiro escalão da educação pública no Brasil. Tanto que, deste mês até abril de 2013, cerca de 112 mil educadores inscritos de todo o país vão participar do Curso de Prevenção do Uso de Drogas para Educadores de Escolas Públicas, organizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). Só de Minas Gerais, são 3.899 profissionais. A iniciativa faz parte da capacitação prevista no eixo de prevenção do programa "Crack, é possível vencer", lançado em dezembro de 2011 pelo Governo federal. Além de profissionais das redes de educação, o programa treinará agentes de segurança pública, justiça, saúde e assistência social e também conselheiros e lideranças comunitárias e religiosas. Na cidade, profissionais da área também buscam ações de combate e prevenção. Para a diretora de comunicação do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Yara Aquino, a inserção das drogas no espaço escolar demonstra que é preciso haver intervenções. "Um local que era tido como santuário torna-se, a cada dia, mais vulnerável. E isso é inevitável, pois, a instituição, inserida em uma comunidade, não tem como ficar imune. A questão não é apenas de polícia, mas de toda a sociedade que precisa encontrar uma forma de superá-la".
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'Triste constatação'
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Conforme André Avelar, diretor da Escola Estadual Deputado Olavo Costa, a instituição já está tomando providências para combater as drogas. "Por meio de reuniões, queremos mostrar aos pais que eles têm papel fundamental no combate ao problema. Subir o muro hoje, para enfrentar a invasão, é importante, mas, a longo prazo, é isolar ainda mais a instituição. É fundamental a participação dos familiares em nossa rotina, pois temos relatos, inclusive, de pais envolvidos com o tráfico de drogas, assim como tios, primos e outros parentes", afirma André, ressaltando: "Na ordem do dia das escolas, atualmente, estão os muros e não a ampliação de instalações e implantação de salas multimeios. É uma triste constatação." A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Educação (SEE) informou que, das seis escolas que, este ano, solicitaram obras de ampliação e construção de muros, quatro já foram contempladas e duas aguardam autorização. A pasta também realiza parcerias com a Polícia Militar, para coibir o tráfico de drogas ao redor das escolas e já estuda ações a serem implementadas com outros agentes sociais a fim de combater essa situação.
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Ações preventivas
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A partir deste semestre, as escolas municipais terão ações voltadas para Campanha Permanente de Orientação Preventiva Contra a Inserção das Drogas nas Escolas Públicas Municipais. A iniciativa foi proposta em projeto de lei do vereador Francisco Canalli (PMDB) e sancionada no dia 25 de junho. A lei prevê que a campanha será planejada, promovida e supervisionada pela Secretaria de Educação da Prefeitura, que informou que a orientação prevista pelo projeto já é realizada nos colégios, e faz parte do currículo dos estudantes. Assim, o projeto de Canalli reforçaria o trabalho desenvolvido atualmente.
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Em relação à Polícia Militar, o assessor de comunicação organizacional, major Sebastião Justino, disse que a corporação, ao longo dos anos, tem adotado ações preventivas, como o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e Jovens Construindo a Cidadania (JCC). "Há ainda o patrulhamento escolar que orienta diretores, professores e funcionários das escolas a adotarem medidas de autoproteção", afirmou o assessor, acrescentando que operações são realizadas constantemente nos colégios com o objetivo de identificar autores de tráfico de drogas e de outros delitos, tendo sido apreendidas armas e drogas. "Ainda está em andamento, um projeto com as secretarias de Educação estadual e municipal para realização, em breve, de um curso de mediação de conflito escolar."
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A droga não escolhe classe social
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L., de 34 anos, portador do vírus HIV, está há cinco meses tratando sua dependência química na Clínica Boa Esperança. Sua vida foi atropelada pelas drogas ainda na fase escolar. Quando tinha 13 anos, ele teve o primeiro contato com a cola de sapateiro, depois a maconha, até conhecer a cocaína, quando abandonou seus estudos. "Comecei no colégio por influência de amizades malignas, que me apresentaram a droga. Fiquei viciado. Cheguei a cometer pequenos roubos e furtos para manter o vício. Comprava drogas na porta da escola. Quando não tinha dinheiro, trocava meu sapato ou meu tênis para conseguir o que queria," relatou, L., acrescentando que saiu de casa e passou a usar cocaína injetável. "Quando conheci o "canhão" (cocaína injetável), fui contaminado pelo vírus da Aids. A droga tirou a minha vida dos trilhos completamente", desabafa.
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Atualmente, L. enfrenta a dependência química, uma vez que se tornou usuário de crack. Ele já passou por nove clínicas de internação. "É uma luta, pois a recuperação é difícil. A dependência tira nosso foco, nosso juízo", afirma, completando: "Apesar de tudo, tive uma companheira, que não sabia que eu era soropositivo. Ela acabou sendo contaminada, mas, pela graça de Deus, tivemos uma filha, que hoje tem 7 anos, e não é soropositiva." O tráfico na porta da escola é uma situação que ele diz que conhece muito bem. "Não importa se a escola é pública ou privada. O fato é que as drogas estão em todo lugar. Sou de uma família de classe média em Juiz de Fora e só estudei em colégios caros. A droga não escolhe classe social. Ela pega qualquer um e estraga a vida da pessoa", alerta, avisando: "Os pais devem prestar a atenção nos filhos, saber sobre suas amizades, como é a atitude delas, pois elas influenciam a cabeça de um adolescente. Infelizmente, fui influenciado de maneira negativa."

Fonte: Tribuna de Minas (JF - MG)

sábado, 22 de outubro de 2011

Briga de alunos envolve pais e vai parar na delegacia



Da Redação

Em um ataque de fúria, o pai de uma aluna de 10 anos teria pegado um pedaço de madeira e ferido seis crianças que estudam em um colégio público de Juiz de Fora, na região da Zona da Mata. Antes, ele teria sido agredido por populares durante uma confusão generalizada.

As agressões aconteceram anteontem, por volta das 17h, após a filha do aposentado Lúcio Afonso Sagantini, 53, ter apanhado de uma colega de classe por causa de uma disputa por tinta guache. Segundo a capitã Kátia Moraes do 2º batalhão, a menina chegou em casa dizendo que tinha levado vários chutes de uma colega de 11 anos. "Ela disse que a garota roubou seu pote de tinta para colorir e que estava sendo ameaçada na escola", contou a capitã Kátia. Revoltado, o aposentado, que mora em frente ao colégio, no bairro Bonfim, foi até à instituição de ensino tirar satisfações com a menina suspeita das agressões.

Ainda de acordo com a PM, vários pais e moradores que estavam na porta do colégio disseram que o homem foi agressivo e ameaçou bater na estudante. Indignados, populares foram à casa do suspeito, onde funciona um lava-jato, e apedrejaram um carro que estava estacionado na porta. Uma das pedras chegou a acertar o braço do homem. Em seguida, Sagantini teria revidado e agredido com um pedaço de madeira seis estudantes, com idades entre 9 e 15 anos, e outras testemunhas que foram ao local para protestar. Após a confusão, oito crianças foram encaminhadas para o Hospital de Pronto-Socorro de Juiz de Fora, mas não tiveram nenhum ferimento grave e foram liberadas em seguida.

Delegacia. Outras 25 testemunhas envolvidas na confusão foram conduzidas à delegacia. Sagantini prestou depoimento à polícia e negou que tenha agredido as crianças, sendo liberado em seguida. Ainda de acordo com informações da Polícia Civil, o suspeito deverá responder por crime de lesão corporal.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Adolescente esfaqueada por colega de escola continua internada em Juiz de Fora

Mais um episódio envolvendo violência entre estudantes assusta Minas Gerais

Luana Cruz - 28/04/2011

Mais um episódio de violência envolvendo estudantes choca moradores de Juiz de Fora na Zona da Mata de Minas. Uma adolescente de 16 que foi agredida a facadas quando ia para a escola na quarta-feira, no Bairro Benfica. A jovem, A.C.F. S está internada na enfermaria feminina do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Juiz de Fora. Segundo a Polícia Militar (PM), o crime aconteceu por volta de 7h30 a poucos metros da instituição onde a vítima estuda.

Ainda de acordo com a PM, A.C.F. S se envolveu numa briga com C.C. A, de 17 anos, e R. A. S., de 16. Elas tinham desavenças e uma discussão acabou em luta corporal. A jovem de 17 anos golpeou a colega com uma facada nas costas. A.C.F. S teve o pulmão perfurado. As outras duas adolescentes foram apreendidas e encaminhadas para a delegacia da cidade. A faca usada na tentativa de homicídio foi recolhida. Segundo a PM, a arma tem um cabo de plástico e uma lâmina de 15 centímetros.

Saiba mais...



Adolescente morre depois de ser esfaqueado por colega dentro da escola Em março deste ano, um estudante de 16 anos que morreu depois de ser esfaqueado dentro de uma escola nessa mesma cidade. O adolescente foi agredido dentro da Escola Estadual Estêvão de Oliveira por um colega. Segundo a PM, a vítima teria se envolvido em uma briga com outro aluno, da mesma série do ensino médio. No horário da saída, o agressor, também menor de idade, se aproximou do colega e o atingiu com três facadas no tórax. O caso é apurado pela Secretaria de Estado de Educação de Minas.

Relembre casos de 2011:

No dia 17 de março um garoto de 14 anos levou um revólver do pai, que é militar, para a sala de aula. Depois de desentender com um colega ele sacou a arma e, num momento de descuido, aconteceu o disparo. O tiro não acertou ninguém, mas o pânico foi geral. A ocorrência foi na Escola Estadual Professora Amélia Guimarães, no Bairro Pirajá, Região Nordeste de Belo Horizonte. No dia 21 de março mais um adolescente disparou uma arma de fogo em sala de aula na capital. Desta vez a ocorrência foi no Bairro Jardim Felicidade, na Região Norte. Um garoto de 16 anos foi armado para a Escola Estadual Carlos Drumond de Andrade. Um funcionário da escola ouviu um barulho parecido com tiro e foi verificar. Ao chegar na sala de aula, viu o estudante guardando um objeto na mochila. O adolescente foi levado imediatamente à sala da diretoria para aguardar a chegada da PM. Ao revistar o adolescente, militares encontraram um revólver com cinco cartuchos intactos. O menor alegou que a arma era de um desconhecido e que o suposto dono iria pegá-la no fim da aula.


Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/04/28/interna_gerais,224184/adolescente-esfaqueada-por-colegas-de-escola-continua-internada-em-juiz-de-fora.shtml

sábado, 2 de abril de 2011

NOTÍCIAS...

Projeto cria áreas de proteção para escolas

As ocorrências de brigas dentro das instituições de ensino - que culminaram na morte de um aluno de 16 anos na Escola Estadual Estevão de Oliveira, esfaqueado no peito por um colega na semana passada -, além das notícias de agressão contra professores, continuam preocupando a Câmara. E isso principalmente depois de a Prefeitura ter vetado dois projetos da oposição que tentavam inibir a violência nas escolas: o que instituía o serviço de psicologia escolar, de autoria do vereador Roberto Cupolillo (Betão-PT), e o que propõe um mapeamento das condutas ou atos violentos dentro das instituições, elaborado por José Sóter Figueirôa (PMDB). Tanto que agora, essa semana, começou a tramitar um terceiro projeto, dessa vez assinado pelo vereador Wanderson Castelar (PT), propondo a criação de "áreas de proteção e segurança escolar" (APS Escolar).

Segundo o petista, a matéria visa a "prevenir a violência e assegurar tranquilidade ao ambiente escolar, bem como melhorar as condições de acesso, segurança e de conservação do entorno às escolas". Pela proposta, a APS Escolar seria, na verdade, um círculo com raio de cem metros e centro no portão de cada escola, cabendo ao Executivo a tarefa de afixar placas que indiquem seus limites. Dentro desse espaço, fica a cargo do Governo providenciar tanto os serviços à conservação, segurança e revitalização de todas as vias de acesso ao estabelecimento de ensino (com ênfase em iluminação pública), como também a segurança, acionando a Guarda Municipal. De acordo com o texto, será feita um "rigoroso controle sobre as atividades comerciais desenvolvidas no interior das APS Escolar, coibindo especialmente: a venda de produtos ilícitos; a realização de jogos de azar e jogos eletrônicos movidos a valores pecuniários,; e o acesso de crianças e adolescentes a substância inflamável ou explosiva, a fogos de artifício e a produtos farmacêuticos, que possam causar dependência química, assim como às bebidas alcoólicas e ao fumo".

O projeto também autoriza a Prefeitura a firmar parcerias com o Governo do estado e a União a fim de estender as ações a todas as instituições de ensino da cidade, e não apenas as municipais. "Minha proposição é parte do esforço que devemos realizar para interpretar adequadamente as necessidades da escola e dimensionar, a partir daí, as possibilidades de transformação da atual realidade, assegurando proteção e segurança como elementos indispensáveis ao bom funcionamento de nossas escolas", defende Castelar, em sua justificativa. No entanto, pelas razões dos vetos apontadas pelo Executivo para os projetos de Betão e Figueirôa, a matéria deve enfrentar uma batalha para, caso aprovada, ser sancionada pela PJF, até porque cria despesas para o Poder Público. O programa de psicologia escolar, por exemplo, foi obstruído com a alegação de que "orienta" o Executivo a instituir o serviço, embora a jurisprudência não reconheça a constitucionalidade de leis autorizativas.

O veto acabou sendo mantido pela Câmara. Por sua vez, o veto ao projeto de Figueirôa sobre o sistema de informações a respeito da violência ainda está em tramitação na Casa. Nessa caso, o Executivo argumentou que a matéria "não preenche os requisitos de oportunidade e conveniência em relação às políticas de gestão do município que estão em curso", além de imputar à PJF a necessidade de reestrurar o Conselho Municipal de Educação e a Secretaria de Educação, com " inegáveis acréscimos orçamentários, tanto de pessoal (contratação e/ou organização), quanto de material (instalação/desenvolvimento/aquisição de Sistema de Informações)".


Fonte: Tribuna de Minas (JF - MG)

domingo, 13 de março de 2011

Educação inclusiva longe da realidade em JF (MG)

Por Kelly Scoralick - Repórter

A legislação garante: a educação é um direito de todos. A educação inclusiva, por sua vez, também faz parte da política oficial do Brasil, exigindo o acesso de todos, sem discriminação. Quem descumpre a lei está cometendo crime, mas, em escolas públicas e particulares de Juiz de Fora, há uma dificuldade para se lidar com a inclusão. No caso das públicas, falta qualificação profissional e equipamentos, restritos a poucas instituições. Já na rede privada, o custo de um aluno especial pode ser mais do que o dobro da mensalidade.

E., de 8 anos, tem a síndrome de Asperger, que provoca dificuldade de aprendizagem. Desde 2009, estava matriculado em uma escola particular da cidade e, por dois anos seguidos, cursou a primeira série do ensino fundamental. Segundo os pais, ao final do segundo ano, a escola sugeriu mudanças. "A diretora nos disse que a instituição tem como finalidade a busca da excelência acadêmica. Sendo assim, nosso filho, um aluno com dificuldade de aprendizagem, não se encaixaria na proposta do colégio", escreve a mãe em carta entregue à reportagem. Em seguida, de acordo com a carta, a diretora teria sugerido que o aluno fosse matriculado em outro colégio. Inconformados, os pais recorreram a outras escolas juiz-foranas e, em muitas, esbarraram no despreparo das instituições, até daquelas que se dizem inclusivas. "Foi decepção atrás de decepção", declara a mãe de E.

Para a pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Educação e Diversidade e professora da UFJF, Luciana Pacheco, a situação é delicada porque muitas instituições trabalham mais focadas na ideia do aluno-padrão. Este comportamento dificulta o cumprimento da lei que determina que crianças e adolescentes com deficiência não fiquem segregados nas escolas especiais e precisam estudar em unidades comuns. A mesma legislação determina que, caso seja necessário, os alunos com deficiência têm o direito de serem atendidos em horário diferenciado, com o objetivo de auxiliá-los na escola comum. Esse atendimento recebe o nome de educação especial.

Luciana Pacheco acredita que a inclusão ainda está longe de acontecer na sociedade como um todo. "Quanto mais a escola, seja pública ou privada, focar no ritmo igual de aprendizado do aluno, mais difíceis ficam os processos de inclusão, já que cada pessoa tem um tempo diferenciado." A pesquisadora avalia que o trabalho na rede pública ainda é muito centralizado. "É fato que a rede pública enfrenta a dificuldade de recursos materiais e humanos. E, por conta disso, o atendimento aos alunos com deficiência ainda é complicado, já que as escolas são distantes da casa deles." A pesquisadora esclarece que a formação dos docentes ainda é calcada na visão de normalidade e que algumas disciplinas na graduação têm procurado problematizar essas questões. Ainda segundo ela, algumas qualificações específicas são necessárias, como a Libras e o braile, pela especificidade da comunicação com surdos e cegos. "Se espera nas escolas e na sociedade que o professor esteja preparado para lidar com as diferenças. Mas o que é estar 'preparado para'? Temos condições de prever quais os afetamentos que experienciaremos nas relações com as diferenças?" A pesquisadora defende que as escolas adotem estratégias pedagógicas para tempos de aprendizagens diferenciados de cada aluno e conclui: "Só assim alcançaremos a inclusão de fato."

Pais têm dificuldade de arcar com altos custos

Além do caso de E., outras denúncias chegaram à Redação da Tribuna. Entre elas, a de que as instituições particulares recebem estes alunos com deficiência desde que acompanhados de estagiárias, que devem ser pagas pelos pais ou responsáveis, em trabalho a ser desenvolvido paralelamente ao realizado pelo colégio. Uma mãe de aluno disse à Tribuna que não tem como arcar com mais o custo de uma estagiária, além do valor da mensalidade da escola particular. Na cidade, de acordo com levantamento feito pelo jornal junto a instituições que oferecem este atendimento, o serviço pode chegar a custar R$ 700 mensais, dependendo da necessidade e da intensidade da assistência. Sobre esta exigência de a escola ter o acompanhamento próprio, a diretora de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação (SEE), Ana Regina de Carvalho, informou que a matéria ainda não foi normatizada no Conselho Estadual de Educação. Portanto, a prática ainda não está estabelecida como irregular. A diretora conclui: "O ideal é que toda escola seja inclusiva. E uma escola inclusiva é aquela onde cabe todo mundo."

Recusar, suspender, adiar, cancelar ou extinguir a matrícula de um estudante por causa de sua deficiência, em qualquer curso ou nível de ensino, seja ele público ou privado, é crime, previsto na lei 7.853/89. A pena pode variar de um a quatro anos de prisão, além de multa. Os casos devem ser acompanhados pelas secretarias de educação municipal e estadual nas redes públicas. Já na particular, a responsabilidade é da secretaria estadual, que credencia e acompanha os atos de tais escolas, como também do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino da Região Sudeste de Minas Gerais (Sinepe).

Projeto na rede estadual enfrenta problemas

Na Secretaria de Estado de Educação (SEE), a informação é de que a inclusão de alunos com deficiência e transtornos do desenvolvimento está sob a responsabilidade da Diretoria de Educação Especial (Desp). Desde 2005, a rede estadual desenvolve o projeto "Incluir", que objetiva preparar e adequar as escolas para receber os estudantes, com ações de acessibilidade arquitetônica e tecnológica, capacitação de educadores e formação de redes de apoio para os alunos. De acordo com a secretaria, no início do projeto, ao menos uma escola em cada município mineiro participava do projeto. Hoje, ela garante que todas as escolas da rede estadual recebem esses estudantes da educação especial. No estado, estariam sendo capacitados cerca de 14 mil professores. Apesar dos avanços divulgados pelo Estado, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) contesta: "Eu, enquanto diretora do sindicato e professora, nunca fui convidada para nenhum curso de orientação para receber esses alunos com alguma deficiência na sala de aula. E a reclamação dos demais professores é frequente em relação a isso", informou a diretora da entidade, Victória de Fátima Mello.

Estrutura

De acordo com a SEE, entre as 49 instituições da rede estadual localizadas em Juiz de Fora, 29 recebem alunos com algum tipo de deficiência, totalizando 382 matriculados. O trabalho educacional é feito em sala de aula comum ou em sala de recursos existentes, estruturadas para receber este público estudantil, com máquinas de escrever e impressora em braile, mobiliário adaptado e fones de ouvido. Os materiais pedagógicos disponíveis na rede estadual são leitores de tela, sintetizadores de voz, programas de comando de voz para cegos ou com dificuldade de digitação, teclados e mouses especiais, entre outros.

Falta de capacitação dos profissionais

Novecentos e dois alunos com algum tipo de deficiência estão matriculados hoje nas 102 escolas da rede municipal, recebendo atendimento na própria instituição. Outros 450 estão nos três Núcleos Especializados de Atendimento à Criança Escolar (Neaces). É o que afirma a coordenadora de Atenção à Educação na Diversidade, Margareth Moreira. Com verba do Governo federal, 16 salas com recursos multifuncionais, como livros e impressoras em braile, lupas eletrônicas para alunos com baixa visão, mapa tátil, entre outros equipamentos, estão sendo utilizadas na cidade, em diferentes bairros, até mesmo na Zona Rural. Outras 20 devem ser inauguradas até agosto. "O objetivo é que toda escola venha a ter essas salas", afirma Margareth. A rede municipal de ensino trabalha com 102 estagiárias e 35 professores colaborativos, que auxiliam o docente na sala de aula. Além disso, 35 escolas utilizam a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e 12 contam com trabalho de intérpretes em sala. Um dos estudantes atendidos é Carlos Alberto Pereira, que é cego. Ele cursa o oitavo ano do ensino fundamental na Escola Municipal Cosette de Alencar, no Bairro Santa Catarina, considerada referência no atendimento aos alunos com deficiência visual. Para os estudos, Carlos tem acesso aos materiais em braile, além do mapa tátil, que permite o aprendizado das dimensões planetárias nas aulas de geografia. "Eu estou satisfeito com o ensino."

Apesar da situação descrita por Margareth, o Sindicato dos Professores (Sinpro) tem outra visão. Segundo o coordenador-geral, Flávio Bitarello, a falta de treinamento de recursos humanos é uma realidade. O sindicalista diz que a reclamação está na pauta de reivindicação constante da classe por profissionais mais capacitados para atender esses alunos. "Não somos formados na licenciatura para trabalhar com essas situações. Todos os professores se desdobram para superar essa deficiência de formação acadêmica e estrutural no município", enfatiza Bitarello. Margareth reconhece que o espaço físico, sem acessibilidade a todos, ainda é um grande problema na rede escolar e, assim, a maioria das escolas precisa passar por adaptações, como rampas, banheiros e carteiras adaptadas, para receber esses estudantes, além da necessidade de qualificação profissional.

Cadastro escolar

Para atender melhor os alunos com deficiência, Margareth ressalta a importância do cadastro escolar, que toda criança da rede municipal deve fazer no mês de agosto. "Especialmente os pais de alunos com algum tipo de deficiência devem fazer esse cadastro para que o município ofereça a escola próxima da casa da criança e para que a instituição se prepare para recebê-la." Segundo ela, a prática é para eliminar a ideia de escolas-referência em determinados tipos de deficiência. Por exemplo, ao invés de apenas a Cosette de Alencar ser referência para alunos cegos, outras escolas também se preparam para recebê-los, assim como os demais estudantes da educação especial.

Assim como nas escolas municipais, os pais de alunos matriculados nos colégios estaduais precisam estar atentos ao cadastro. O formulário permite a informação sobre a deficiência do aluno e as condições de acessibilidade necessárias ao atendimento.
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Fonte: Jornal Tribuna de Minas - JF / http://www.tribunademinas.com.br/geral/geral10.php