terça-feira, 3 de julho de 2012

Educação nota 10

Opinião: Brasil, mais carinhoso com a Educação Infantil

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Francisca Romana Giacometti Paris*
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A partir da promulgação da Constituição Brasileira de 1988 e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de 1990, as crianças brasileiras passaram a ser respeitadas como cidadãs de direitos. Começaram a ser vistas como sujeitos históricos e produtores de cultura, porém com certas especificidades, uma vez que se encontram em pleno desenvolvimento.
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Tal propositura impulsionou algumas mudanças nas leis posteriores e na organização das políticas públicas para a infância no Brasil. A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação, cuja versão mais recente foi promulgada em 1996, indica um avanço na mentalidade estabelecida ao considerar que todas as instituições de Educação infantil devem ter suas propostas pedagó-gicas tecidas sob as intenções do cuidar e do educar.
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Outra medida que levou a uma melhoria considerável no atendimento Escolar para as crianças com idade entre zero e cinco anos foi a criação do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que atende a toda a Educação básica desde janeiro de 2007. E foi a partir de então que os municípios puderam investir as verbas do fundo na Educação infantil, antes só possível de ser feito no Ensino fundamental.
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Já as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação infantil, homologadas no final de 2009, também reafirmam o conceito de criança cidadã e definem um currículo voltado para as necessidades de cada faixa etária. Essa norma tem por objetivo estabelecer as Diretrizes a serem observadas na organização de propostas pedagógicas na Educação infantil, que vem a ser a primeira etapa da Educação básica, oferecida para crianças de até cinco anos de idade em Creches e Pré-Escolas. O currículo sugerido inclui um conjunto de práticas - interações e brincadeiras - que busquem articular as expe-riências e os saberes das crianças com conhecimentos variados para promover o desenvolvimento integral.
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Recentemente, o governo federal lançou o programa Brasil Carinhoso, que visa tirar da miséria crianças de até seis anos, cuja renda familiar per capita seja inferior a R$ 70. O programa terá três eixos: reforço da renda familiar - por meio do programa Bolsa Família -, acesso a Creches e ampliação da cobertura de saúde. De acordo com a presidenta Dilma Rousseff, o Brasil Carinhoso será a mais importante ação brasileira de combate à pobreza absoluta na primeira infância.
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Um programa como esse não pode ser encarado pelo governo como mais um custo, mas como um investimento. Isso porque já é sabido por pesquisas nacionais e internacionais que a Educação e o cuidado na primeira infância são o que realmente faz diferença do ponto de vista de qualificar a Educação no país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Censo Escolar mostram que o acesso das crianças brasileiras a Creches cresceu consideravelmente na última década. Em 2000, essas unidades atendiam 916.864 crianças com até três anos de idade. Em 2011, esse número chegou a 2.298.707.
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Apesar de esses números revelarem um aumento de mais de 150%, ainda há muito que melhorar. Penso que o Brasil demorou muito para investir na infância, haja vista que os Ensinos Superior, Médio e Fundamental apareceram primeiro nas metas das políticas públicas. Mas nunca é tarde; as crianças de hoje saberão usufruir dessa diferença. A proposta é, sem dúvida, muito interessante. Contudo, juntamente com tais ações, é preciso intensificar a busca pela qualidade nas Creches e Pré-Escolas, já que renomados pesquisadores da Psicologia da Aprendizagem afirmam que é nos primeiros três anos de vida que se tem os períodos sensitivos à aprendizagem, as chamadas "janelas da aprendizagem". Quando alimentada de informação e motivada por novas experiências nessa fase, a criança fixa o que foi absorvido como instrumentos do pensamento.
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Essas janelas fecham-se à medida que os anos vão passando, por isso a necessidade de se aprender nesse período. É o tempo do Kairós (antiga palavra grega que significa "o momento certo" ou "oportuno") da aprendizagem, época em que a criança está apta a aprender a aprender, o que favorece o desenvolvimento de habilidades e competências que lhe valerão por toda a vida.
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Francisca Romana Giacometti Paris é pedagoga, mestra em Educação, diretora de serviços educacionais do Ético Sistema de Ensino, da Editora Saraiva.
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Fonte: Diário do Amapá (AP)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Adolescente morre com disparo acidental e família tenta enganar a polícia

por VINÍCIUS D'OLIVEIRA
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A morte de um adolescente de 14 anos está sendo investigada pela Polícia Civil de Ubá, na Zona da Mata mineira. O menino estava em casa, brincando com uma arma de fogo, quando teria acontecido um disparo acidental. O tiro atingiu o pescoço do menor, que chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.
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O mais curioso é que, segundo a Polícia Militar, a família teria dado outra versão para os militares que atenderam a ocorrência. Parentes do menor contaram que ele estava na rua, quando duas pessoas passaram em uma motocicleta e atiraram várias vezes contra o jovem. As supostas testemunhas teriam informado até o trajeto utilizado pelos suspeitos na fuga. Os policiais começaram a desconfiar da história depois de observarem que a rua apontada como rota de fuga dos atiradores estava com o trânsito impedido, por causa de um enorme buraco. No hospital para onde o garoto foi levado, os PM's perceberam ainda que ele tinha vestígios de pólvora na mão esquerda e apresentava uma queimadura no pescoço, o que indica que o tiro foi dado a curta distância.

A partir daí, os policiais levantaram a suspeita de que o disparo teria sido feito pelo próprio menor. De volta à casa da família, um vizinho que não quis se identificar confirmou aos militares que o adolescente manuseava uma arma no interior da casa quando aconteceu o tiro. Segundo a Polícia Militar, o bairro onde a família mora é considerado perigoso devido a atuação de grupos ligados ao tráfico de drogas. A Polícia Civil quer saber, agora, a quem pertence a arma e porque os parentes tentaram esconder a verdade. O revólver ainda não foi encontrado.
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PMs e guardas darão aulas em escolas públicas

Proposta é levar para as salas discussões como combate ao tráfico, cidadania e direitos humanos
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Fonte: O Globo (RJ)
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A Secretaria municipal de Segurança e Controle Urbano anunciou que vai implantar, no início do segundo semestre letivo, um projeto que prevê que policiais militares do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) e guardas municipais deem aulas em Escolas públicas. A proposta é que os homens atuem em pelo menos 17 unidades municipais localizadas em áreas de risco. "Pais, Professores, Alunos e diretores receberam muito bem a presença dos agentes do Proeis no entorno dessas unidades. Então, chegou a hora de levar discussões como combate às drogas, cidadania e direitos humanos, na maioria dos casos iniciadas pelos próprios Alunos, para as salas de aula", aposta o secretário municipal de Segurança e Controle Urbano, Ruy França.
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A onda de violência que se instalou na cidade no início do ano atingiu Escolas em bairros que passaram a fazer parte da chamada nova área de risco de Niterói. Com isso, a Polícia Militar e a Guarda Municipal formaram uma força-tarefa para tentar frustrar o assédio de traficantes, que deixou pais e Professores aterrorizados, além das recorrentes brigas entre gangues e de roubos.
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Lugar de PM na sala de aula
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Secretaria transformará agentes do Proeis em professores de escolas em áreas de risco
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Do combate ao assédio de traficantes a lições sobre o nocivo mundo das drogas. No início do segundo semestre letivo, em agosto, policiais militares e guardas municipais vão se juntar ao corpo de Professores de pelo 17 Escolas municipais localizadas em áreas de risco em Niterói. A proposta, elaborada pelo secretário municipal de Segurança e Controle Urbano de Niterói, Ruy França, deve ganhar o título de projeto e a formalização por parte da Polícia Militar e da Fundação Municipal de Educação até o próximo mês, para que seja incorporada ao projeto pedagógico.
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- Pais, Professores, Alunos e diretores receberam muito bem a presença dos agentes do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) no entorno dessas unidades. Então, chegou a hora de levar discussões como combate às drogas, cidadania e direitos humanos, na maioria dos casos iniciadas pelos próprios Alunos, para as salas de aula - aposta França, que também é coronel da PM.
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Assédio do tráfico aos estudantes
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A mesma onda de violência que se instalou em Niterói, no início do ano e que só agora, quase quatro meses depois, começa a dar sinais de que está perdendo força, atingiu Escolas em bairros que passaram a fazer parte da chamada nova área de risco de Niterói. Com isso, a Polícia Militar e a Guarda Municipal formaram uma força-tarefa para tentar frustrar o assédio de traficantes, que deixou pais e Professores aterrorizados, além das recorrentes brigas entre gangues e roubos. Para esse trabalho, foram designados policiais com perfil diferente dos que atuam na linha de frente do combate ao tráfico no estado.
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- Esses homens são mais pacientes, mais abertos ao diálogo e, por isso, acredito que podem desempenhar, sim, o papel de Educadores - avalia o secretário.
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Ruy França participou do projeto de criação da Escola da Polícia Militar, onde atuou como diretor e coordenador de projetos pedagógicos. À frente da Associação de Pais de Alunos do Colégio La Salle Abel, França sabe que sua proposta deve encontrar resistência entre alguns profissionais de Educação e mesmo entre pais de Alunos, mas garante que, até agora, nas unidades onde os agentes do Proeis atuam, as públicas, a aceitação é positiva:
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- Não vamos deixar de patrulhar as portas das Escolas, mas precisamos aproveitar esta abertura dada pelos Alunos para conscientizá-los diariamente. Tem tudo para dar certo.
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Mapeamento das secretarias municipal e estadual de Educação mostra que 17 unidades estão em áreas de risco. Em Niterói, são elas: Ayrton Senna e Antônio Vieira da Rocha (Morro do Estado); Demenciano A. de Moura (Morro Juca Branco); Nilo Neves (Boa Vista); Iguatemi Coquinot de A. Nunes (Marítmos); Margareth Flores (Grota do Surucucu); Infante Dom Henrique (Engenhoca) e Luiz Eduardo Travassos (Morro do Céu). Já as estaduais são: Maria Pereira das Neves (Charitas); Brigadeiro Castrioto (São Lourenço); José Bonifácio e Embaixador Raul Fernandes (Fonseca); Guilherme Briggs (Sta. Rosa); Dona Maria Portugal (Baldeador); Antineia Silveira Miranda (Caramujo); Mullulo da Veiga (Engenhoca) e Dr. Memória (Cubango).

Uso de drogas contra déficit de atenção explode e ameaça a saúde de milhões de crianças

Explode no Brasil o consumo de medicamento para tratar o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Em nove anos, a venda subiu de 71 mil caixas para 2 milhões
Publicação: 02/07/2012 

Psicólogos estão preocupados com o grande número de alunos que usam remédios em Belo Horizonte (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Psicólogos estão preocupados com o grande número de alunos que usam remédios em Belo Horizonte
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Estão prestes a estourar no Brasil as sequelas de um surto mundial silencioso que, aqui, tem tido como principais alvos crianças e adolescentes de classe média. Adultos também integram o grupo. Apontadas por muitos como o veneno da atualidade, mas aceitas por outros como solução mais acertada para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), as ‘drogas da obediência’ – assim conhecidos os medicamentos que têm como princípio ativo o cloridrato de metilfenidato – têm sido consumidas em larga escala no país e também em Belo Horizonte. Em 2006, a capital mineira registrava consumo quatro vezes maior que a média do Brasil, nação que tem o título de segundo maior consumidor mundial do psicotrópico e onde, só em 2009, cerca de 2 milhões de caixas das pílulas foram vendidos. A projeção feita por especialistas é de que, em 2012, esses números sejam muito mais altos.

Para piorar o cenário, não há consenso sobre o uso do medicamento entre a classe médica. Há os que o defendem, garantindo que os remédios cumprem sua função para quem sofre do transtorno; do outro lado, gente que teme o pior ao comparar os efeitos das doses aos da cocaína, alertando que meninos e meninas que usam a droga correm risco de vida. Diante do quadro, em que muitos médicos preocupados com o futuro da nova geração chegam a duvidar até mesmo da existência do TDHA – distúrbio neurológico identificado, na maioria das vezes, na idade escolar, em crianças e adolescentes desatentos, agitados e com dificuldades de aprendizagem –, o Estado de Minas publica a partir de hoje uma série de reportagens sobre o uso desenfreado das medicações, conhecidas comercialmente como Concerta e Ritalina.

Na capital mineira, elas têm se tornado “moda” em escolas tradicionais da cidade, preocupando psicólogos que dizem estar diante de um crescimento assombroso no número de alunos medicados. Polêmico, o assunto envolve a indústria farmacêutica, põe em xeque pesquisas científicas e divide a medicina. Não sem razão. Diante da bomba relógio prestes a explodir, laboratórios não divulgam dados de produção nem de vendas. Órgãos públicos, idem; restando ao Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos extrair da publicação de um instituto suíço, que mantém atualizados os dados do mercado farmacêutico brasileiro, assombrosos números que dão o sinal da fumaça.

De acordo com o instituto, em 2000 foram vendidas 71 mil caixas dos psicotrópicos no Brasil, passando para a marca de quase 2 milhões de caixas em 2009. Em São Paulo, onde as drogas são distribuídas via Sistema Único de Saúde (SUS), uma pesquisa de 2011 do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, composto por cerca de 40 entidades, mostrou que 154 municípios paulistanos compraram em 2005 cerca de 55 mil comprimidos da ‘droga da obediência’. Cinco anos depois, o consumo saltou para 946 mil, 17,2 vezes maior. A projeção para 2011 era de que a compra chegasse a 1.493.024 de doses.

Em Minas Gerais, contrariando a vontade de muitos psiquiatras, a medicação ainda não chegou ao SUS, o que configura, para muitos especialistas, a droga da vez da classe média, já que uma caixa, de acordo com a dosagem e variação no número de pílulas, custa entre R$ 20 e R$ 220. Um levantamento do Centro de Estudos de Medicamentos da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) feito com crianças diagnosticadas com TDAH em BH tem números considerados perigosos. “O estudo, ainda em andamento, teve início em 2006 e naquele ano constatamos que a média de consumo da Ritalina em Belo Horizonte era quatro vezes maior que a média nacional e três vezes maior que a projeção calculada para o estado. É preocupante”, alerta o coordenador do centro, Edson Perini.

O especialista diz que o consumo está concentrado nas regiões Centro-Sul e Leste da cidade. “Percebemos o predomínio do uso pelo sexo masculino. Em geral, as prescrições estão dentro dos padrões de dosagem, mas encontramos algumas superdosagens, que não deveriam existir”, alerta.

Pode ser o caso do pequeno M.A.G, de 9 anos. Aos 7, ao sofrer bullying na escola, desenvolveu um quadro de depressão e síndrome do pânico. Os médicos aconselharam os pais a dar Concerta ao garoto, que durante três meses sob o efeito da droga não dormia, ficou ansioso e perdeu o apetite. Aí receitaram, além da “droga da obediência”, antidepressivo e um remédio para abrir o apetite. Os pais recusaram. “O que estão fazendo com as nossas crianças? Como estão sendo diagnosticados esses pacientes? E os remédios, como estão sendo prescritos? É algo que está sendo dado para a ansiedade dos pais, dos educadores e dos psiquiatras para responder às inquietações dos meninos. Alguém está preocupado com isso?”, questiona Perini.

CORRENTE CONTRA
Causa insônia, cefaleia, alucinações, psicose e até casos de suicídio. Faz com que a criança fique quimicamente contida em si mesma, todos considerados sinais de toxicidade, indicando a retirada da droga. No sistema cardiovascular o remédio causa arritmia, taquicardia, hipertensão e parada cardíaca. O risco de morte súbita inexplicada em adolescentes é maior entre aqueles que tomam o remédio. Além disso, interfere no sistema endócrino, na secreção dos hormônios de crescimento e dos sexuais. É uma substância com o mesmo mecanismo de ação e as mesmas reações adversas da cocaína e das anfetaminas, segundo médicos que não adotam o medicamento.

CORRENTE A FAVOR
A maioria dos pacientes tolera bem a medicação, que altera o organismo para que o cérebro funcione melhor. É como um par de óculos: corrige a maneira como a criança enxerga o mundo. Pacientes agitados, impulsivos, com dificuldades de aprendizagem, ao usarem o remédio, conseguem prestar mais atenção nas suas tarefas e aprendem com mais facilidade. O remédio é seguro e apresenta até 80% de eficácia. Mas deve ser sempre usado com acompanhamento médico e adequadamente prescrito, segundo seus adeptos.


CONCENTRAÇÃO POTENTE
A Ritalina e o Concerta (nomes comerciais dos remédios produzidos pela Janssen Cilag e Novartis, respectivamente) têm como princípio ativo o cloridrato de metilfenidato e são indicados para tratar o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Ambos, prescritos para crianças acima de 6 anos, estimulam o sistema nervoso, deixando os pacientes mais concentrados para a aprendizagem, e facilitam a circulação da dopamina, neurotransmissor responsável por excitar o sistema nervoso central. A Ritalina surgiu em meados dos anos 1950 e está disponível em duas formas: a Ritalina de longa duração, que age no cérebro por oito horas; e a que age por quatro horas. O Concerta está no Brasil desde 2004 e tem atuação de 12 horas.


Ponto crítico

Esses medicamentos são tão vilões quanto parecem?


Maria Aparecida Affonso Moysés
doutora em medicina, professora titular de pediatria da Unicamp e membro fundadora do fórum de medicalização

SIM


O consumo exacerbado das “drogas da obediência” é o genocídio do futuro. Vivemos, sim, uma epidemia. A Ritalina e o Concerta são drogas derivadas da anfetamina e da cocaína. A medicação age aumentando a concentração de dopamina (neurotransmissor associado ao prazer). Como o remédio age por algumas horas, quando o efeito passa, tudo que o usuário quer é ter aquele prazer de volta. Quem usa esse estimulante fica com a atenção focada. A criança só consegue fazer uma coisa de cada vez, por isso, fica quimicamente contida, não questiona nem desobedece. Cada vez mais os pais estão sendo desapropriados pelos profissionais da saúde e da educação de ver seus filhos e de ouvir o que eles querem dizer. Então, se ele está agitado, desatento, impulsivo, vamos dar um remédio para que fique calado e dopado? É mais fácil lidar com um problema ‘médico’ a mudar o método de educação da criança. O TDAH pode ser o grito de socorro de uma criança que está vivendo um conflito em ambientes em torno dela. A pessoa que faz uso desse tipo de remédio tem de sete a 10 vezes mais chances de ter uma morte súbita inexplicada.

Arthur Kummer
doutor em neurociência e professor de psiquiatria infantil da Universidade Federal de Minas Gerais

NÃO


Os medicamentos não são tão feios quanto dizem. São medicações com maior índice de eficácia na medicina. Quem sofre do transtorno e faz uso deles tem de 70% a 80% de melhora no aprendizado. Nenhum outro medicamento traz essa porcentagem como resultado. Para as crianças em idade escolar, que sofrem do distúrbio, o tratamento medicamentoso é de segunda linha: a primeira seria a terapia comportamental, que conta com a participação dos pais. Mas o grande problema é que há poucos profissionais dessa área, assim, o remédio passa a ser a primeira opção. Os efeitos colaterais são bem tolerados pela maioria dos pacientes. Nunca houve uma morte em virtude das doses. É tão seguro que a Academia Americana de Pediatria dispensa o pedido de eletrocardiograma antes da prescrição. No início, o remédio pode alterar um pouco o sono e o apetite, mas os benefícios superam isso. Meninos da 3ª e 4ª séries, que não conseguiam ser alfabetizados, depois de medicados, em duas semanas, conseguiram aprender. Quem não se trata, no futuro terá nível educacional mais baixo, empregos piores e pode até se envolver com drogas.
 
Fonte: Portal Uai

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Violência assusta escolas

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28/06/2012.

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Agressões e ameaças entre alunos preocupam pais, professores e estudantes

Fonte: Jornal de Brasília (DF)
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A violência nas Escolas tem mais um triste episódio no Paranoá. Um estudante entrou na Escola no turno contrário e agrediu um colega, motivado, supostamente, por ciúme de uma garota. Os dois têm apenas 12 anos, e no fim da briga, o agressor chegou a ameaçar a vítima de morte. A Polícia Militar foi acionada no momento da saída das aulas, e o episódio não teve desdobramentos. O fato representa uma realidade que envolve as Escolas públicas e particulares. Os dois estudantes se envolveram na briga na Escola Classe 4 do Paranoá, por volta das 12h de ontem.
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O Batalhão Escolar da Polícia Militar foi chamado pela diretoria da Escola, como protocolo orientado pela Diretoria Regional de Ensino. Segundo o diretor do colégio, Cleomar Nunes, a briga entre os dois estudantes, que cursam as 4ª e 5ª séries, foi pontual, mas tem raiz em um quadro mais ampliado de violência em toda a sociedade. “Esse ano essa foi a segunda briga mais séria registrada aqui. Para a confusão não continuar lá fora, chamamos a polícia, uma vez que no calor da briga, um deles disse que pegaria o outro lá fora. É complicado, mas convivemos com uma cultura de violência que não começa aqui. É reflexo de toda uma cultura que vem alimentando isso”, afirmou o diretor da Escola.
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Insegurança
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Para os estudantes que convivem com essa realidade no Paranoá, o clima de medo é uma constante. De acordo com a estudante L., de 15 anos, episódios como este fazem parte da realidade dos Alunos. “A gente vê acontecer estas brigas sempre aqui. E ainda é pior. Tem uns que montam gangues para fazer a ‘volta’ na sequência”, diz a garota. Para o Aluno de outra Escola da cidade, F., de 11 anos, o medo é uma constante. “Dá medo demais. Ontem mesmo teve briga de duas meninas na entrada e na saída aqui da Escola. Outro dia, teve um menino que veio armado, com medo do que os Alunos de outra sala poderiam fazer com ele. Sem falar dos grandes que tentam bater na gente, que é menor, e ameaçam sempre. Se tivesse mais policiamento aqui, seria melhor. Quando tem polícia, as confusões diminuem”, disse o estudante. Hoje, apenas 40 Escolas contam com policiais do Batalhão Escolar efetivamente nas entradas e saídas da Escola. Muitos pais se preocupam com a situação, mas as dificuldades vão além de um simples desentendimento como apontam especialistas.

Aulão na Bahia tem até show de reggae

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Com show de reggae nos intervalos e 400 Alunos em sala, o governo da Bahia promoveu ontem o primeiro "Aulão Enem", uma tentativa de amenizar os efeitos da greve de Professores da rede estadual, que já dura 79 dias.
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A primeira edição da aula-show reuniu Professores que, sobre um palco, falaram sobre crise no Oriente Médio e impactos do narcotráfico no Brasil, entre outros assuntos.  Os "aulões" fazem parte do pacote de medidas do governo voltado a Alunos do terceiro ano do Ensino médio.

Fonte:  Folha de São Paulo