sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Há mais de cem dias em greve, professores da rede estadual se acorrentam na Praça da Liberdade


Por Tábata Martins

Há exatos 101 dias em greve, cerca de 30 professores da rede estadual estão acorrentados na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, na manhã desta sexta-feira (16). De acordo com umas das diretoras da subsede de Venda Nova do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Graziela da Costa Moreira Souza, os manifestantes estão acorrentados no canteiro central da praça e a previsão é que mais professores participem do protesto ao longo do dia.

O ato, semelhante ao realizado na Praça Sete e na Praça da Assembleia, é feito pelos educadores para demonstrar a falta de alteração no salário da categoria nos últimos anos. A categoria afirma que não voltará às salas de aulas enquanto o Governo não apresentar uma proposta que atenda às reivindicações que já foram feitas. Os professores estaduais, que rejeitaram receber R$ 712,20 para uma jornada de 24 horas semanais, insistem num piso de R$ 1.187.

Nessa quinta-feira (6), o Ministério Público entrou com uma ação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais pedindo a ilegalidade da greve. O pedido contra o Sind-UTE foi recebido pela 2ª Instância e entregue ao desembargador Roney Oliveira. Como o pedido é em caráter liminar, o magistrado pode decidir a qualquer momento se vai mandar suspender o movimento. É válido lembrar que o trânsito no entorno da Praça da Liberdade está interditado nesta sexta devido à realização da cerimônia oficial da Fifa, que marca a contagem regressiva dos mil dias para o início da Copa do Mundo de 2014. A festa acontecerá na praça às 20h, quando será inaugurado um relógio que contará os dias até o pontapé inicial da competição. O ministro do Esporte, Orlando Silva, o governador Antonio Anastasia, o prefeito Marcio Lacerda e representantes da CBF e da Fifa participarão da solenidade.
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Fonte: Jornal O TEMPO (MG)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

GREVE DOS PROFESSORES

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Mais 12 mil professores : Estado anuncia novas contratações temporárias de imediato para garantir aulas e evitar comprometimento do calendário escolar até 2013; categoria faz nova assembleia hoje
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Mesmo sem o fim da greve dos professores, que completa hoje 100 dias em Minas, alunos da rede estadual poderão retornar às salas de aula. A Secretaria de Estado de Educação (SEE) anunciou ontem a contratação temporária de mais 12 mil profissionais para substituir os grevistas. A medida busca evitar prejuízos ao calendário escolar, que ficaria comprometido até 2013 com as reposições. Hoje, a categoria faz nova reunião, às 14h, no pátio da Assembleia Legislativa, para discutir os rumos do movimento.

No início de agosto, a SEE já havia anunciado a contratação de cerca de 3 mil professores para atender as turmas do último ano da Educação básica, prejudicados na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para 22 e 23 de outubro, e outros vestibulares. Segundo a secretária, Ana Lúcia Gazzola, as 47 superintendências regionais já foram orientadas a preencher imediatamente as vagas dos grevistas. O salário inicial é de R$ 1.320 por uma jornada de 24 horas semanais e os contratos serão válidos até o fim do ano letivo.

“Não podemos mais esperar, pois qualquer atraso agora traria impactos nos próximos dois anos letivos, o que é inaceitável. Estamos usando um procedimento habitual e embasado na legislação, em defesa do direito dos cidadãos. Nosso último levantamento aponta que há 13,6 mil professores parados. Como já contratamos número suficiente para atender as turmas de 3º ano do ensino médio, vamos fazer agora mais 12 mil designações”, afirma a secretária.

Segundo a SEE, caso termine o impasse e os grevistas retornem ao trabalho, a intenção é de que os substitutos ajudem na reposição de conteúdo e nas aulas de reforço aos estudantes. O anúncio da contratação dos substitutos foi alvo de críticas do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). “Há uma lei federal que protege o trabalhador durante a greve, mas as leis aqui não são seguidas”, diz a presidente da entidade, Beatriz Cerqueira.

“O governo não conseguiu contratar até agora nem os professores para o 3º ano, por isso não acreditamos que será capaz de fazer mais de 12 mil substituições”, acrescentou.

O impasse nas negociações salariais se arrasta desde 8 de junho. Segundo balanço divulgado ontem pela secretaria, das 3.779 escolas da rede estadual 1,16% estão totalmente paralisadas, o que corresponde a 44 instituições; e 20,5% (775 escolas) estão parcialmente comprometidas. Mas a estatística confronta com a do Sind-UTE/MG, que garante ter 50% da categoria em greve há exatos 100 dias, sendo mais de 60 dias letivos.

Votação:  Na próxima semana, os deputados estaduais devem votar o Projeto de Lei 2.355/11, de autoria do Executivo, com a nova política de remuneração dos profissionais da rede estadual de Educação.

Ele contempla as propostas de subsídio de R$ 1.122 (o valor incorpora, numa única parcela, todas as vantagens e, por isso, o servidor não terá mais as gratificações) e de R$ 1.320 para aqueles com licenciatura plena, além de do piso de R$ 712,20, para uma jornada de 24 horas semanais, a ser pago a partir de janeiro do ano que vem. O PL já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e agora está sendo discutido pelas comissões de Administração Pública e de Fiscalização Financeira e Orçamentária.

O governo estadual reitera que já cumpre a Lei Federal 11.738, que estabelece o piso nacional de R$ 1.187, para 40 horas semanais para os professores. Em Minas, pareceres do Ministério Público estadual e da Advocacia Geral da União declararam a legalidade do valor do vencimento básico de R$ 712,20, pois ele obedece o critério da proporcionalidade. Os servidores poderão escolher por qual modelo querem receber o salário. No caso de quem está no modelo antigo e fizer opção pelo subsídio, o prazo vai até 31 de outubro. Para os que estão no subsídio e preferirem voltar ao modelo antigo, o prazo será de 30 dias, depois de aprovação e publicação do PL. O sindicato reivindica um vencimento básico de R$ 1.597 e considerou que o projeto de lei do Executivo significa um “achatamento dos salários, pois vale para quem tem um ano de trabalho e também para quem tem 20 anos”.

Na última sexta-feira, a greve sofreu a primeira derrota em Brasília. A Advocacia Geral da União (AGU) deu parecer contrário à ação direta de inconstitucionalidade (Adin) impetrada em julho pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a remuneração por subsídio adotado pelo estado.

Intermediação

O ministro da Educação, Fernando Haddad, se comprometeu, ontem, a intermediar as negociações entre professores e o governo de Minas. O anúncio foi feito em audiência em Brasília, que reuniu representantes do Sind-UTE/MG, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Haddad voltou a comentar a Lei 11.738/ 2008, que instituiu o piso salarial da categoria e, depois de sancionada, foi questionada junto ao Supremo Tribunal Federal. Recentemente, o STF declarou a constitucionalidade da lei.
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Fonte: http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/18827/mais-12-mil-professores/

Adolescente infrator vive em condição precária em cadeias

FOTO: LUIZ SILVEIRA/AGÊNCIA CNJ
Absurdo. Visitas da equipe do CNJ mostraram adolescentes detidos em celas de penitenciárias; há também denúncias de maus-tratos
LUIZ SILVEIRA/AGÊNCIA CNJ
Absurdo. Visitas da equipe do CNJ mostraram adolescentes detidos em celas de penitenciárias; há também denúncias de maus-tratos
Por Gláucia Giúza
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Um estudo divulgado nesta semana pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre as instituições socioeducativas de Minas traz uma triste realidade. Além de denúncias de maus-tratos e detenção precária, o documento revela que um grande número de jovens cumpre medidas de internação em cadeias e estabelecimentos penitenciários. O relatório traz também situações degradantes impostas aos adolescentes que deveriam ser preparados para o retorno à sociedade.

O documento descreve casos em que adolescentes infratores ficam em penitenciárias e cadeias por um prazo maior que os cinco dias permitidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Alguns internos afirmam ter recebido tratamento ofensivo e degradante.
Outros alegam que foram mantidos presos com uma prática conhecida como "escorpião", quando têm pés e mãos amarrados a correntes presas a algemas. Outra técnica usada para prender os jovens seria, segundo os entrevistados, a "Jesus Cristo", em que as mãos são algemadas e presas para cima, em posição semelhante à de uma cruz. Os agentes educativos estariam usando roupas como as de policias, o que é proibido por lei.
Apuração. A assessoria da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) disse que eles foram informados do resultado logo após a conclusão do relatório, em junho. Desde então, todos os adolescentes que estavam nas unidades prisionais foram liberados - eles estão cumprindo outras medidas socioeducativas ou foram encaminhados a centros apropriados. Sobre as denúncias de agressividade, a Seds afirma que os monitores devem seguir o protocolo do Procedimento Operacional Padrão, documento que traz orientações sobre uso de força e ‘algemação’ dos adolescentes. A secretaria disse que está fazendo seu próprio relatório para acompanhar o caso de perto e que as denúncias de maus-tratos serão apuradas - caso confirmadas, os funcionários serão punidos. O Estado destaca que o relatório traz também o reconhecimento de que o sistema estadual está em ‘linha de melhorias’.
As visitas foram realizadas em março, em 19 unidades de internação e 12 varas da infância e da juventude em várias regiões do Estado.
Crítica
Para deputado, situação é pior e relatório, omisso
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Durval Ângelo, confirmou as denúncias do relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas fez várias críticas. Segundo ele, as irregularidades são ainda mais graves e o relatório é "omisso, superficial e corporativista". Segundo o deputado, a comissão apura a morte de pelo menos 30 adolescentes infratores, nos últimos três anos, que estavam sob a custódia do Estado. Durval afirma ainda que dois agentes educacionais pediram proteção policial após receberem ameaças de colegas de trabalho por denunciar em casos de tortura em unidades.
"O relatório não cita essas situações. Os próprios juízes não cumprem a lei. É lamentável que o CNJ tenha gastado tanto recurso para fazer um levantamento que é conivente com a ilegalidade", denuncia. O deputado afirma ainda que a comissão não foi consultada pelo CNJ sobre a realidade nas unidades de Minas.
O outro lado. O desembargador Wagner Wilson Ferreira, superintendente da Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), reconhece as deficiências apontadas no relatório e afirma que a Justiça trabalha para impedir que os adolescentes fiquem em unidades prisionais destinadas a adultos. Ele também reconhece os abusos citados no documento e diz que as denúncias estão sendo apuradas.
Sobre a declaração do deputado de omissão dos juízes, ele afirmou que o CNJ já denunciou essa realidade. "Respeito o deputado, mas não concordo com ele. O Judiciário está empenhado em resolver essa situação", disse. (CG)
Mini entrevista com Maria Frota
"Os jovens podem ficar piores"
É ruim para os adolescentes ficarem em penitenciária em meio aos adultos?
Sim. O maior problema é que esses adolescentes precisam de medidas socioeducativas específicas para eles. Essa reabilitação não é feita no sistema carcerário que atende os adultos.
De que forma deve ser cumprida essa medida socioeducativa? Há uma série de medidas a serem aplicadas. As principais são manter um convívio com a família, que é importante em seu processo de formação, e continuar os estudos para que eles desenvolvam o lado intelectual, o que facilita a reabilitação.
Como esses adolescentes saem dessas penitenciárias? Eles não são reabilitados e não vão conseguir se reinserir na sociedade. A maioria vai provavelmente continuar cometendo crimes. Eles estão em processo de formação de caráter e só a punição da privação de liberdade sem as medidas socioeducativas pode torná-los ainda piores. (Natália Oliveira)
Relatório
O relatório do CNJ é a conclusão de um trabalho de radiografia das medidas socioeducativas de internação no Estado como parte do Programa Justiça ao Jovem. Três grupos formados por um juiz e quatro técnicos e servidores de cartório visitaram 19 unidades de internação e 12 varas da infância e da juventude – Uberaba, Uberlândia, Patrocínio, Pirapora, Montes Claros, SeteLagoas, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Divinópolis, Juiz de Fora, Ribeirão das Neves e Belo Horizonte

Minas Gerais tem hoje 20 unidades para cumprimento de medida socioeducativa de internação e internação provisória; são mil vagas. Ainda em 2011, será inaugurado um centro socioeducativo em Belo Horizonte com capacidade para 56 adolescentes. Também está sendo construída uma unidade em Unaí, com 90 vagas.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Brasil, educação e corrupção

Melhores escolas de Minas de Gerais são dirigidas à elite

Por Daneiela Garcia

Escolas mineiras dentre as dez melhores no país no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010 são dirigidas à elite. Na avaliação da professora do programa em pós-graduação em Educação da PUC Minas, Sandra Tosta, esse é o motivo para o sucesso das instituições na média total do exame.

Dados do Ministério da Educação (MEC) divulgados nesta segunda-feira (12) confirmaram a presença de três escolas particulares e uma pública no topo da lista. São elas: Colégio Bernoulli (4º lugar), Santo Antônio (5º), Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) (8º) e Coleguium (10º). Apesar do Colégio de Aplicação da UFV ser público, a educadora Sandra Tosta atesta que na instituição se encontram alunos com melhor preparação. “Os alunos só ingressam a partir de concurso”.

Para ela, as escolas alcançaram melhores posições, porque atendem a um público de perfil elitizado. “São estudantes vindos de famílias com alto capital cultural e econômico”, afirma. A mensalidade das escolas privadas citadas varia entre R$700 e R$1 mil. Outro ponto em comum entre as instituições é o claro objetivo de alcançar as melhores médias no sistemas de avaliação, como o Enem. “Ser ranqueado como melhor no Enem é a melhor estratégia de marketing para atrair alunos mais dedicados”, analisa.

Sandra afirma que não há diferenças significativas entre os projetos pedagógicos das instituições. Tanto o Colégio Bernoulli, como Santo Antônio e o Coleguium possuem carga horária extensa dos estudantes do 3º ano do Ensino Médio. O aluno do Bernoulli - melhor qualificado no Enem - passa 40 horas semanais dentro da sala de aula. E não oferece disciplinas com características lúdicas como Educação Física e Artes, segundo o diretor de ensino Rommel Fernandes. “Nós preparamos nossos alunos com completa objetividade”.

Todas as instituições citadas tiveram participação absoluta dos alunos no Enem. O Colégio Santo Antônio teve o maior número de alunos (302), enquanto o Coleguium investiu em uma classe enxuta (44). Este último que avançou da 102ª colocação no Enem 2009 para 10ª em 2010, propõe um método diferenciado de ensino. “Os nosso alunos aprendem o conteúdo da 3ª série nos anos anteriores”, explica o diretor do pré-vestibular Lucas Madsen. Resultando na dedicação exclusiva para os sistemas de avaliação e Enem.

Fonte: Jornal Hoje em Dia

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