sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

OPINIÃO

Caro professor e amigo Lúcio.

Veja abaixo a manifestação de uma amiga professora, pedagoga que, mesmo aposentada, não deixa de refletir sobre a educação. Abraços para ambos.

Enviada por Célia Correa

É isso,amiga. Professores sendo assassinados, outros apanhando na frente de todos,etc....o que fazer???? Qual a atitude a ser tomada? Será que só prender o assassino é o caminho? A Educação está dando seus últimos suspiros!!!!!!!!! Com muita tristeza e dor na alma assisto o agonizar da Educação, quiçá da sociedade... o barco está à deriva, seu casco furado, a água o invadindo ... e o que fazer? Os idealistas tentam retirar a água com latinhas,acreditando que será possível salva-lo... acredito no salvamento, claro, tbém sou idealista, mas o socorro precisa vir rápido, rapidíssimo, posto que, a coisa tem só piorado,piorado e piorado... um movimento se faz urgente,não só indignação, mas atitudes, partindo de todos, senão as mortes continuaram acontecendo, as surras, o caos.

UM ESCRITO INDIGNADO

ROSILENE MARTINS DE LIMA*

Realmente o que aconteceu com o Professor Kássio é fruto disto tudo que você coloca. Kássio era esposo de uma colega que trabalhou na Escola que atuo.

Considero que estas tantas ofensas, humilhações, descasos e tudo mais que vimos sofrendo e que infelizmente para este jovem pai foi ainda mais cruel, é fruto do total descaso com a Educação e completo desrespeito com seus profissionais. Só se fala em ampliação, qualidade nem se pensa, dedicando-se ou não todos têm que ser APROVADOS, assim o querem, tudo para cima do professor. Não acho que temos que nos fazermos de vítimas, nem mesmo generalizar a baixa qualidade dos alunos e a violência, acredito, aliás tenho certeza, que a a a maior parte dos alunos são bem intencionados e muitos até dedicados, mas até estes têm também pagado o preço deste descaso e sofrem as consequências. Penso eu que nós professores, alunos e pais temos que ser parceiros. Assisti também na terça-feira, noite do assassinato do Kássio, o programa profissão repórter, que mostra o vandalismo que se tornou a educação e a angústia e descrença dos docentes. Temo que ao persistirem tais condições não teremos mais em breve professores. Mas também não acho que ´podemos nos calar, amanhã pode ser um de nós. O CAOS NÃO É SÓ NAS FAULDADES E NÃO SÃO OCASIONAIS, É GERAL. Sou professora que atuo no ensino fundamental e me disponho a engrossar esta fileira , peço sugestões do que podemos fazer juntos, NA MINHA ESCOLA, NOS SINDICATOS, NAS ASSOCIAÇÕES e me poponho a estar junto a você, bravo e corajoso lutador por esta causa. Quero começar logo, antes que os ecos das compras e farras natalinas, apaguem o que aconteceu e Kássio não seja só mais um na lista das vitímas da VIOLÊNCIA.

*- ROSILENE MARTINS DE LIMA - PEDAGOGA E PROFESSORA DO ENSINO FUNDAMENTAL DA ESCOLA MUNICIPAL SALGADO FILHO.

OPINIÃO

Cristina Silva*

Olá pessoal! Apesar de não conhecer o professor já recebi na educação básica estagiários da faculdade Isabela Hendrix. Plagiando Anísio Teixeira temos que reconhecer que se educação nunca foi privilegio ser professor tem sido um risco eminente. Trabalhar na rede privada tem sido insuportável. Alunos acham que podem nos comprar como se fossemos uma mercadoria em uma banca de feira. Este tipo de pensamento é resultado de uma política irresponsável do MEC ao autorizar instituições a qualquer custo a ampliar seus cursos e estas por sua vez vendem um ensino de péssima qualidade, com condições de trabalho degradante. Pressões de toda natureza sobre os professores onde alunos são clientes onde devemos sempre agrada-los sobre pena de sermos advertidos. Uma infinidade de faculdade se enquadra neste perfil sem critério, sem regra e professores se sujeitando a condições de trabalho que não são dignas e salários irrisórios.

* Cristina Silva - Professora na FAE (Faculdade de Educação) da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais).

NOTÍCIAS...

Professores fazem protesto contra assassinato de colega

Foto - jornal O Tempo

Renata Galdino, Editora-adjunta - 9 dez. 2010
LUIZ COSTA (Jornal Hoje em Dia)

Professores de escolas particulares e públicas de Belo Horizonte se reuniram, nesta quinta-feira (9), na Praça Sete, Centro, às 18 horas, em um ato de repúdio ao assassinato do professor de Educação Física Kássio Vinícius Castro Gomes, 39 anos, morto na terça-feira (7), no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, na Região Centro-Sul. O corpo do professor foi sepultado às 14 horas, no Cemitério Parque da Cachoeira, em Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Kássio foi esfaqueado no tórax por Amilton Loyola Caires, 23 anos, aluno do 5º período da faculdade. O universitário foi preso na madrugada de quarta-feira (8), quando chegava em um táxi no prédio onde mora com a família, no Bairro União, Região Nordeste da capital. Ele confessou o crime. Nesta quinta (9), a polícia deve analisar as imagens do circuito interno de TV da faculdade. Por meio da gravação, o delegado Breno Pardini, da Homicídios Sul, espera esclarecer a dinâmica do ataque ao professor, que era casado e tinha dois filhos, de 5 e 6 anos. Em depoimento que durou cerca de três horas, no Departamento de Investigações (DI), Amilton alegou que era perseguido pela vítima. “Disse que o ato de fúria foi em decorrência de atritos anteriores e se diz arrependido”, contou o delegado.

No interrogatório, o universitário afirmou que não tinha a intenção de matar Kássio e que só levou a faca para a faculdade para intimidar o professor, que lecionava Esporte de Aventura para a sua turma. “Mas não confirmou que tinha problemas com as notas que teriam sido dadas pela vítima”, disse Pardini. A defesa deve alegar que Amilton tem transtorno bipolar e é esquizofrênico. Segundo uma fonte policial, o estudante teria dito ainda que estaria sendo vigiado pelo professor por meio de câmeras de segurança. Amigo da família, o advogado Nelson Rogério Figueiredo Leão conversou com o jovem na delegacia. “Ele tem problemas psiquiátricos e será fácil conseguir um laudo apontando isso”, ressaltou. O defensor do estudante, no entanto, não tinha sido definido até o final da tarde de quarta-feira (8).

Universitário era acompanhado por psiquiatra

Ao sair da delegacia, o irmão mais velho de Amilton, que não se identificou, disse que o universitário fazia acompanhamento com um psiquiatra e tomava remédios controlados. Já a mãe dele não quis comentar sobre as supostas doenças do filho. Depois do depoimento, o assassino confesso de Kássio foi levado para o Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) do Bairro São Cristóvão, Região Noroeste de BH.

Enquanto isso, o clima era de revolta na casa dos familiares de Kássio Vinícius. Esta é a segunda tragédia na família em menos de um ano. No dia 11 de janeiro, o pai do professor, Maurílio Ferreira Gomes, 72 anos, foi morto também a facadas depois que um assaltante invadiu a casa onde ele passava férias, no Sul da Bahia. Na época, a mãe de Kássio, a dona de casa Maria dos Anjos Castro Gomes, também foi atingida pelo agressor. “Perdi meu marido e agora o meu filho do mesmo jeito. Meu filho reunia a família todos os finais de semana na minha casa ou no sítio dele. Agora, não sei se vou aguentar”, desabafou.

Irmã da vítima, a secretária-adjunta de Educação de Betim, Sandra Angélica Castro Gomes, afirmou não ser a morte do irmão um caso isolado, e a agressão de alunos contra professores não é novidade. “Essa violência contra os docentes é o reflexo de uma péssima educação familiar. As crianças não sabem receber um não”, frisou. Para o irmão mais velho de Kássio, Maurílio Sérgio Castro Gomes, o professor era uma pessoa tranquila e dedicada aos estudos, sendo também professor da UFMG. (Colaboraram Maira Monteiro e Rosildo Mendes)
Filhos levam flores para homenagear professor assassinado

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes, 39 anos, foi assassinado dentro do Instituto Izabela Hendrix na noite de terça-feira (7)

Celso Martins e Thiago Ricci, repórteres - 8 dez. 2010
LUCAS PRATES

Os dois filhos, de 5 e 6 anos, do professor Kássio Vinícius Castro Gomes, 39, acompanharam com flores o velório do pai na noite desta quarta-feira (8) no Ginásio Divino Braga, o Complexo Poliesportivo de Betim, na Região Metropolitana. A homenagem é uma forma encontrada pela família para as crianças compreenderem a segunda perda deste ano. Os meninos também levaram flores ao velório do avô, Maurílio Ferreira Gomes, 73 anos, assassinado a facadas em 11 de janeiro. O idoso foi vítima de um latrocínio em Nova Viçosa, na Bahia. A mulher dele e avó das crianças, Maria dos Anjos Castro Gomes, 74, ficou ferida na ocasião e também seguiu o velório do filho.

Em clima de muita comoção, cerca de 50 pessoas acompanharam a homenagem no Ginásio Divino Braga. Emocionada, a irmã do professor, Sandra Angélica Gomes, conversou com a imprensa e afastou qualquer sentimento de vingança. Secretária-adjunta de Educação de Betim, ela afirmou que apenas deseja acompanhar o processo judicial do caso. Sandra disse também não entender o assassinato do irmão. Ela classifica a atual geração sem limites. A secretária-adjunta afirmou ainda que o Instituto Izabela Hendrix, onde Kássio Gomes trabalhou por três anos e foi morto, não prestou qualquer solidariedade à família. A assessoria da faculdade não foi encontrada para falar sobre o assunto. Um grupo de alunos levado pela ex-coordenadora do curso de Educação Física do Izabela Hendrix, Raquel Borges, emocionou ainda mais o velório do professor. Eles aplaudiram o docente por cerca de dois minutos e levaram uma faixa com uma citação de Guimarães Rosa: "as pessoas não morrem, ficam encantadas". Um buquê de flores também foi entregue, fazendo companhia às outras dezenas de ramalhetes.

O sepultamento de Kássio Vinícius está marcado para as 14 horas desta quinta-feira (9) no Parque da Cachoeira, também em Betim. O professor universitário foi morto com uma facada pelo estudante do 5º período de Educação Física Amilton Loyola Caires, 23 anos, dentro do Instituto Izabela Hendrix na noite de terça-feira. O jovem foi preso na madrugada desta quarta-feira dentro de casa, no Bairro União, Região Nordeste de Belo Horizonte, e está detido no Ceresp São Cristóvão.

Professor assassinado por aluno na capital é enterrado nesta tarde
09 dez.2010

Terminou por volta das 14h40 desta quinta-feira, 9, o enterro do professor universitário Kássio Vinicius de Castro Gomes, assassinado por um aluno na noite da última terça-feira (7) dentro da faculdade Izabela Hendrix, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Centenas de pessoas participaram do sepultamento que aconteceu no Pólo esportivo Divino Braga, em Betim. Familiares, alunos e amigos acompanharam indignados a cerimônia e entregaram um manifesto em favor da vida assinado por várias entidades. O documento pede punições mais severas para casos de violência ressaltando que “nossas leis são muito brandas na punição de atos violentos, principalmente se o assassino for de família abastada”, diz um trecho do manifesto. Quem falou pela família foi o irmão do professor, Luy Castro Gomes. Ele disse que a família está muito abalada e que não entende como a vida do irmão foi tirada em um ato de violëncia gratuita. “Nós estamos em pedaçõs e não entendemos até agora a violência gratuita que fizeram com meu irmão”, disse Luy. “O Kássio era uma pessoa de diálogo e de paz, nunca foi agressivo com ninguém” completou o irmão.

O irmão do professor lembrou, ainda, a morte do pai, assassinado a facadas em janeiro. “ Serão duas datas marcantes para a família o dia 11 de janeiro e o dia 7 de dezembro” disse Luy se referindo aos dias em que o pai e o irmão foram assassinados. “Meu pai e meu irmão foram mortos da mesma forma estúpida sem possibilidade de defesa”, lamentou Luy.

O presidente do Sindicado das escolas particulares, Gilson Reis, acompanhou o enterro e prometeu anunciar nos próximos dias, um pacote de propostas do sindicato para inibir casos de violência contra professores. “Parte da educação foi assassinada com o Kássio, esperamos que uma atitude seja tomada para que novos óbitos não ocorram e esse caso não seja mais um na estatística de crimes impunes”, disse ele.

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=104037

Estudantes e professores fazem manifestação no centro da capital contra morte de professor do Izabela Hendrix

DANIEL SILVEIRA / RAPHAEL RAMOS - OTEMPO online, 09 dez. 2010

Mesmo debaixo de chuva, professores e estudantes se reuniram na tarde desta quinta-feira (9) na Praça 7, no centro de Belo Horizonte, para manifestar contra o assassinato do professor Kássio Vinicius de Castro Gomes, morto a facadas no prédio do Izabela Hendrix. Com faixas, cartazes e panfletos, eles cobram justiça providências contra a falta de segurança nas instituições de ensino.

Os manifestantes se concentraram no quarteirão fechado da Praça 7. De acordo com o Batalhão de Policiamento de Trânsito da Capital (CPTrans), cerca de 200 pessoas participaram do protesto, que ocorreu de forma pacífica. Em nenhum momento o trânsito no cruzamento das avenidas Amazonas e Afonso Pena foi interrompido pela manifestação, segundo o CPTrans.
Faixas e cartazes homenageavam Kássio e cobravam Justiça. Os manifestantes distribuíram aos transeuntes fitinhas, como aquelas do Senhor do Bonfim, com mensagens de paz. O Sindicato dos Professores de Minas Gerais também distribuiu panfletos denunciando os casos de violência praticados por alunos contra professores em escolas e faculdades. Da Praça 7 os manifestantes seguiram a pé em direção ao prédio do Izabela Hendrix, na rua da Bahia, no Lourdes, onde o professor foi assassinado. Durante o trajeto, feito em parte pela avenida João Pinheiro, pelo menos uma faixa de cada uma das vias ficou interditada, tumultuando o trânsito na região.

A manifestação também foi uma forma de demonstrar luto pela morte do professor, que tinha 39 anos, era formado em educação física e mestre em lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais. Ele foi atacado por um aluno de 23 anos no corredor da faculdade. Preso em casa horas depois, Amilton Loyola Caires Gomes confessou o crime e disse que era perseguido pelo docente. Segundo testemunhas, o motivo do crime seria o descontentamento do aluno pela nota baixa dada por Kássio a um trabalho acadêmico. Ao chegarem na porta da faculdade, os manifestantes esticaram uma lona preta em sinal de luto e cantaram em coro a música "Imagine", de John Lennon. O corpo do professor foi enterrado por volta das 14h40 no Cemitério Parque da Cachoeira em Betim, na Grande Belo Horizonte. O velório foi realizado desde o começo da noite dessa quarta-feira no Ginásio Esportivo Divino Braga, no mesmo município, e foi acompanhado por centenas de pessoas.

NOTÍCIAS...

Parentes e alunos choram a morte do professor Kássio Gomes

Jornal Alterosa - 09 dez. 2010

Familiares, amigos e alunos de Kássio Vinícius Castro Gomes velaram o corpo do professor universitário na noite desta quarta-feira, 8 de dezembro, no ginásio Divino Braga, o Complexo Poliesportivo de Betim, na Região Metropolitana de BH.

Kássio foi assassinado a facadas na noite desta terça-feira, dentro da Faculdade Isabela Hendrix, onde lecionava, por um aluno que reclamava de uma nota baixa dada pelo professor. O jovem Amilton Loyola Caíres foi ouvido pela polícia e está preso no Ceresp de Contagem. Ainda em estado de choque, a mãe e a esposa do professor ficaram ao lado do caixão durante todo o tempo. Os dois filhos de Kássio, de 5 e 6 anos, levaram flores ao velório do pai. A emoção dos alunos também era visível, e muitos aproveitaram o momento para homenagear o professor.

Fonte:
http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=9&id_noticia=45191/noticia_interna.shtml

E mais ...

Mãe do professor assassinado desabafa

Jornal da Alterosa 1ª Edição, 08 dez. 2010

A TV Alterosa mostra o depoimento emocionado da mãe do professor Kássio Vinícius Castro Gomes, 39 anos, assassinado a facadas nessa terça. Em janeiro deste ano, o pai da vítima foi assassinado depois de um assalto. A mãe do educador físico diz que o filho seria homenageado pelos alunos. Para ela, a homenagem mostra que Kássio era uma pessoa boa com todos.

Chorando, ela diz: "Está fazendo um ano que perdi meu marido na mesma situação e agora meu filho, que estava trabalhando, é assassinado. Eu não tenho palavras para falar dele. Tudo eu falar vai parecer que é por que ele morreu, mas não é".

Também...

Estudante que matou professor afirma que queria apenas "intimidar"; causas serão investigadas

FELIPE REZENDE/GABRIELA SALES - OTEMPO online, 08 dez. 2010

O estudante Amilton Loyola Caires, de 23 anos, confessou na manhã desta quarta-feira (8) ter assassinado o professor Kássio Vinícius Castro Gomes, 39, dentro da Faculdade Izabela Hendrix, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O crime ocorreu na noite dessa terça (7) e o universitário foi preso em casa por volta das 2h30. O jovem foi ouvido no Departamento de Investigações da Polícia Civil. De acordo com o delegado Breno Pardini, as causas do homicídio ainda serão investigadas. Segundo testemunhas, o aluno e o professor discutiram porque o suspeito não teria aceitado o fato de ter sido reprovado na primeira etapa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), mas a polícia também recebeu a informação de que o universitário estaria sendo perseguido pelo docente há algum tempo.

Ainda segundo Pardini, o estudante afirmou que levou a faca para a instituição apenas para "intimidar e assustar" o professor. O advogado e amigo da família do suspeito, Nelson Rogério Figueiredo Leão, disse que Amilton sofria de transtorno bipolar e fazia tratamento psiquiátrico. O irmão de Amilton, que se apresentou como Frederico Ayala, também contou que o jovem sofria de transtornos e usava medicamento controlado.

Amilton foi submetido a um exame de corpo delito e será encaminhado ao Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) São Cristóvão.

Fonte:
http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=103869

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

NOTA DE FALECIMENTO

Direção Nacional do CBCE

A Direção Nacional do CBCE, vem comunicar e lamentar o falecimento do Profesor Kassio Vinicius Castro Gomes, esfaqueado covardemente por um aluno no corredor do Instituto Izabela Hendrix no início da noite dessa terça feira, dia 07/12.

O Professor Kassio, graduou-se pela Universidade Federal de Viçosa e cursou seu curso de especialização e mestrado na área do Lazer na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG. Foi secretário de MG do CBCE e participava com entusiasmo das ações desenvolvidas pelo CBCE em MG. Atualmente era professor do curso de Educação Física do Instituto Izabela Hendrix e professor substituto dos cursos de licenciatura e bacharelado em Educação Física da UFMG. O professor Kassio era reconhecido pelo carinho com que se envolvia na formação de futuros professores, principalmente para atuação em atividades de lazer na natureza.

O CBCE, vem através dessa nota se solidarizar com seus familiares, amigos e alunos.

Direção Nacional do CBCE
Gestão 2009 / 2011

Fonte: http://www.cbce.org.br/br/acontece/materia.asp?id=803

PEDAGOGIA DA VIOLÊNCIA: entre a vergonha e o luto

Vincent van Gogh, 1890

por Lúcio Alves de Barros*


É lamentável, triste, vergonhoso e extremamente sério o episódio que culminou no assassinato do professor Kássio Vinícius Castro Gomes, de 39 anos, formado em Educação Física e mestre em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Instituto Isabela Hendrix, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte (MG), na noite de terça-feira (07/1202010). O docente do curso de Educação Física foi morto a facadas no ambiente de trabalho por um aluno inconformado com sua reprovação.

O estudante de Educação Física Amilton Loyola Caires, de 23 anos, foi preso em sua casa, no Bairro União, Região Nordeste de Belo Horizonte. O estudante ainda é considerado "suspeito", apesar das câmeras de segurança interna do prédio terem flagrado o acontecido. É curioso como a mídia ainda tem se calado sobre o episódio. Ao contrário da aluna da Uniban, o professor não terá a oportunidade de fazer parte da "Fazenda" (Graças a Deus!) e também (talvez com muita luta dos entes que ficaram) não terá o direito à indenização. De qualquer forma, este é um acontecimento que merece uma maior veiculação por três motivos.

Em primeiro, porque não é possível que as autoridades fechem os olhos para o que anda acontecendo nos cursos de nível superior que há tempos foram invadidos pela violência, o desrespeito, o sadismo e a perversão. Professores são vítimas de brutalidade, crueldade e ameaças constantes. O caso do professor de Educação Física pode ser considerado pelo Instituto Isabela Hendrix como um fato "isolado", mas ele é ostensivo na sua invisibilidade, sutileza e formas "simbólicas" de brutalidade, crueldade e covardia. Para os menos avisados, o Sindicato dos Professores (Sinpro) tem uma boa pesquisa sobre a violência nas escolas privadas e um bom número de docentes entrevistados atua no "nível" superior.

Em segundo, a morte do docente, apesar de aparentar somente "um" motivo, permite muitas inferências que, pelo andar da carruagem vamos pagar e caro no futuro. Embora o país se gabe com o montante de alunos em curso superior, ao ponto das faculdades não terem alunos para lotarem as salas em determinados cursos, a morte de um professor e a violência ostensiva nas salas de aula revelam o estado da arte de massificação da educação superior. É bom dizer que, nos dias atuais, qualquer um pode entrar em uma faculdade para cursar qualquer curso, desde que ele tenha as mínimas e máximas condições de pagar pelo "balcão de negócios" que se tornou a educação em nível "superior". Massificação não quer dizer democratização. As massas não são identificáveis, carregam coisas sujas, tal como as enchentes das chuvas de verão que castigam nossas cidades. O acontecimento no Instituto é o início da boca de lobo, a qual só é lembrada em tempos de inundação e necessidade de rápida limpeza no intuito de impedir um outro transbordamento.

Em terceiro, é forçoso mencionar a falta de civilidade entre pares. Não é possível educação (elementar nas relações entre professor-aluno) em uma sociedade distante dos mínimos preceitos da civilização, construída a duras penas e com instituições que ainda deixam a desejar. Mais que isso, a morte do professor reforça o ambiente de barbárie e medo que se transformaram as faculdades e universidades, notadamente as particulares, nas quais a autoridade deixou o professor e caminhou rápido para o carnê da mensalidade. Alunos potentes, oniscientes, onipresentes fazem a festa na falta de um bom conjunto de normas e regras garantidoras de respeito, tolerância, disciplina e hierarquia em relação ao outro que é diferente e, por definição e mérito, agente de formação e educação.

Espera-se que o caso do assassinato do mestre não seja algo "generalizável", teríamos falta de professores em pouco tempo. Todavia, a violência nos ambientes considerados superiores se tornou algo corriqueiro, "normal" e ouso a dizer, um problema de segurança pública. As instituições de ensino não têm o direito de reduzir o problema na obrigatória e necessária relação professor-aluno. Elas têm a responsabilidade e fazem parte desse cenário sem grandes esperanças e, atualmente, repleto de insegurança e medo. Na verdade, penso que somos um pouco responsáveis pela morte do professor (desde o início do ano tenho postado várias notícias de violência ente alunos-alunos e alunos-professores neste blog), haja vista que poucos docentes não foram vítimas de indelicadezas, desrespeito, ameaças, agressões físicas, fofocas, humilhações e violências com "s" no final. O nosso calar é o início do falar do outro. Um falar corporal com duras consequências e ressonâncias sobre o corpo docente. É óbvio que nenhum educador espera alunos ideais e professores padronizados que operam tal como trabalhadores da famosa linha fordista de produção. Mas é desnecessário abrir mão da tolerância, da generosidade e da alteridade nos ambientes educacionais que há tempos vem se transformando em "clubes da luta", locais nos quais se operam no silêncio, nas fachadas e no cinismo. Infelizmente, tais relações não foram capazes de livrar Kássio Vinícius Castro Gomes, um professor casado e pai de dois filhos, um de quatro e outro de seis anos.

* - É mestre em sociologia e doutor em Ciências Humanas pela UFMG. Professor na FAE (Faculdade de Educação) da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais).