sábado, 19 de maio de 2012

A raiz dos nossos problemas de segurança

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Por LUIZ EDUARDO SOARES e RICARDO BALESTRERI
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“Algo está errado: temos a 3ª população carcerária, e só 8% dos homicídios esclarecidos. Um dos erros foi reproduzir o modelo do Exército na polícia.”
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A situação da segurança pública no país permanece grave, a despeito de respeitáveis esforços pontuais. Aconteceram avanços regionais, mas o resultado nacional segue inalterado, pois os problemas se disseminaram para o interior e a insegurança cresceu em algumas regiões.
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Os cerca de 50 mil homicídios dolosos por ano tornam o Brasil o segundo país mais violento do mundo em números absolutos. Apenas 8% desses casos são esclarecidos -ou seja, 92% ficam impunes. A brutalidade de segmentos da polícia bate recordes. Por outro lado, temos a terceira população carcerária do mundo e a que cresce mais rápido, pois prendemos muito e mal.
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Na outra ponta, policiais não são valorizados. Em geral, os salários são insuficientes. As condições de trabalho, inadequadas. A consequência é a adesão ilegal ao segundo emprego na segurança privada informal.
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Para evitar o colapso do orçamento público, as autoridades se calam. Preferem conviver com a ilegalidade na base do sistema. Resultado: os turnos de trabalho irracionais não podem ser ajustados; a dupla lealdade obsta a execução das rotinas; a disciplina interna é contaminada pela vinculação com o ilícito; e a impunidade estimula a formação de grupos de interesse cuja expressão extrema são as milícias.
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Na raiz dos problemas, está a arquitetura institucional da segurança pública legada pela ditadura, que encontrou abrigo na Constituição.
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O artigo 144 atribui grande responsabilidade aos Estados e às suas polícias, cujo ciclo de trabalho é, irracionalmente, dividido entre militares e civis. Ele confere papel apenas coadjuvante à União e esquece os municípios, na contramão do que ocorre com as demais políticas públicas -enquanto isso, as guardas municipais estão em um limbo legal.
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As PMs são definidas como força reserva do Exército e forçadas a adotar um modelo organizacional concebido à sua imagem e semelhança.
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Ora, sabemos que a boa forma de uma organização é aquela que melhor serve ao cumprimento de suas funções. Pois a missão das polícias no Estado de Direito é muito diferente daquela conferida ao Exército.
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O dever das polícias é prover segurança aos cidadãos, garantindo o cumprimento da lei -ou seja, protegendo seus direitos e liberdades contra eventuais transgressões.
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O funcionamento usual das instituições policiais, com presença fardada e ostensiva nas ruas, cujos propósitos são sobretudo preventivos, requer, dados a variedade e o dinamismo dos problemas, alguns atributos que hoje estão excluídos pela rigidez da organização.
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Exemplos: descentralização, flexibilidade no processo decisório (nos limites da legalidade), respeito aos direitos humanos e aos princípios internacionais que regem o uso comedido da força, adaptação às especificidades locais, capacidade de interlocução, mediação e diagnóstico, liberdade para adoção de iniciativas que mobilizem outros segmentos da corporação e até mesmo outros setores governamentais.
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Idealmente, o policial na esquina é um microgestor da segurança em escala territorial limitada, com ampla comunicação com outras unidades e outras instituições públicas.
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Assim, consideramos inadiável a inclusão da reforma institucional da segurança pública na agenda política, em nome, sobretudo, da vida, mais do que partidos e eleições.
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LUIZ EDUARDO SOARES, 58, é antropólogo.
RICARDO BALESTRERI, 53, é educador especializado em direitos humanos. Ambos foram secretários nacionais de Segurança Pública no governo Lula (2005 e 2008-2010, respectivamente).

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Resposta de uma professora à Revista Veja. - Enorme, mas vale a pena!.



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por: Débora Oliveira, quarta, 21 de Setembro de 2011
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Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador.
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Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.
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Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.
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Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
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Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”.
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Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida.
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Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
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Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria.
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Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?
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E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria... Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.
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Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.
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E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;
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Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h. semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.
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Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”. Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”, “puta”, “gordos”, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave.
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Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares. Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite.
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E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber por que devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.
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Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se. Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade.
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Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
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Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.
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Fonte: Http://www.facebook.com/lucio.alves.71?sk=approve&highlight=312891598785095#!/notes/d%C3%A9bora-oliveira/resposta-de-uma-professora-%C3%A0-revista-veja-enorme-mas-vale-a-pena/234078726641093

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Declaração de amor a uma mãe caçula


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Maria Clara Bingemer*
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Quem é sabe. Quem não é deseja e imagina. Ser caçula é uma situação de vida, uma experiência existencial, um estado de espírito. Ser a menor dos irmãos, ser sempre a pequenina do pai e da mãe, ser mimada etc. E se além de ser caçula se tem jeito de caçula, cara de caçula e charme de caçula, ainda mais. Fica difícil um dia deixar de sê-lo e resolver acessar a idade adulta. 
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Assim foi com ela. Caçula e ainda por cima temporã. E linda, engraçada e adoravelmente simpática. Mimada desde que abriu os olhos por avós, pais e irmãos, adentrou a vida construindo e reforçando o império que sua caçulice lhe deu, distribuindo charme, beleza e encanto em volta de si. Mas também, muitas vezes, manha, capricho e infantilidade, consequências da maneira como era tratada por todos e todas.
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No colégio, reproduzia o comportamento vivido em casa. Esquecida e distraída, quantas vezes a pobre avó não teve que sair correndo de ônibus para levar um trabalho que havia ajudado a fazer até as duas da manhã e a pequerrucha esquecera sobre a mesa da sala? Mas ouvi-la chorar ao telefone era uma provação pior do que enfrentar o ônibus, o trânsito. Lá ia a vovó cobrir a lacuna deixada pela distração da neta. 
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À sua caçulice se somava um coração altamente generoso e compassivo. Não havia desgraça – verdadeira ou falsa, pois muitas vezes foi enganada em sua boa-fé – que não a tocasse intimamente e não a fizesse mover céus e terras para ajudar. Isso teve impacto em sua vida amorosa. Às vezes, entre os rapazes que a cortejavam, escolhia o mais carente e não o que mais lhe agradava. Assim viveu amores decepcionantes e frustrantes. E as lágrimas que desciam sobre seu rostinho apertavam o coração dos pais e irmãos, que tentavam trazê-la de volta à serenidade perdida.
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Foi no impulso de um desses amores que saiu do Rio de Janeiro e foi morar no exterior. Primeiro recusou-se a ir e manteve-se firme. Mas as lágrimas do rapaz do outro lado do oceano, suas juras de eterno amor acabaram por vencê-la. Vendeu o carro e, diante dos pais indignados, embarcou e lá se foi.  Quando não deu certo, como já era de se prever, os pais suspiraram aliviados. Mas qual não foi a surpresa quando, em vez de voltar correndo pedindo colo, ela lhes comunicou ter encontrado outra pessoa que parecia ser o amor definitivo em sua vida. Ninguém acreditou nem deu muita importância. Mais uma de suas coisas de caçula. Mas a relação foi se firmando, solidificando, superando obstáculos inevitáveis, até que um dia ela comunicou que iria largar o trabalho, fechar o apartamento onde morava e casar-se com ele.
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Os pais quase morreram de preocupação. Como, em uma época onde todo mundo anda louco atrás de trabalho, ela largava o excelente trabalho que conseguira? Como sua caçulinha ousava tomar estas decisões e fazer estas escolhas tão sérias longe deles e de sua sombra protetora? Ela respondeu candidamente que eles mesmos lhe haviam ensinado que o amor é a coisa mais importante do mundo e que deve passar na frente de tudo.
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Três anos depois, a decisão tem pagado seu preço, mas continua firme e inabalável. E, recentemente, deu seu primeiro fruto: Lucas, um adorável menino moreninho e esperto, nascido há dois meses. Ela mergulhou em fraldas, mamadeiras, pomadas, com coragem e valentia. Enfrenta cansaços, noites em claro e muito trabalho, sem ajuda de nenhuma espécie, pois o marido trabalha muito e chega tarde. Os caprichos da caçulinha ficaram para trás. Agora o que conta é o bem-estar e o sorriso de Lucas. 
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Esta mulher é minha filha mais nova. Seu nome é Maria Cândida. E neste Dia das Mães quero declarar-lhe meu respeito, minha admiração e meu amor. Confesso, querida, que não pensei que você chegasse aí como chegou. Mas hoje me declaro admirada e agradecida. Lucas tem muita sorte de ter uma mãe como você. E nós todos, muito orgulho de tê-la como filha e irmã. Não tememos mais por você. Você demonstrou bem do que é capaz! Muita alegria e felicidade é o que desejamos em seu primeiro Dia das Mães!
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* Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio, é autora de 'A argila e o espírito - Ensaios sobre ética, mística e poética' (Ed. Garamond), entre outros livros.
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Fonte: Jornal do Brasil  

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Lei autoriza instalação de câmeras de segurança em escolas em MS

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Lei publicada nessa quarta-feira (9), no Diário Oficial, autoriza a instalação de câmeras de segurança nas escolas da Rede Municipal de Ensino (Reme). O projeto foi uma proposta do Parlamento Jovem, formado por 22 adolescentes escolhidos em várias instituições de ensino da cidade. Pela lei publicada hoje o Poder Executivo irá estabelecer normas para instalação das câmeras nas escolas, “que garantirão a integridade e incolumidade física dos alunos, professores e servidores”.
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A lei entra em vigor na data de publicação, mas os procedimentos para determinar a implantação do serviço ainda dependem de regulamentação. O projeto foi aprovado na sessão da câmara no dia 10 de abril. A proposta foi feita pelos integrantes do parlamento e apresentado por todos os vereadores para votação. Segundo texto da justificativa apresentada, as câmeras de segurança vão poder auxiliar na elucidação de “delitos praticados no interior de instituições de ensino”. O mandato dos vereadores mirins deve se estender até 2012. O Parlamento Jovem foi instituído por meio da Resolução nº 1.119/10.
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Fonte G1

Educação

Professores do RJ querem que policiais militares armados deixem de fazer segurança em escolas

Uol - 08/05/2012
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Uma comissão do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro) esteve nesta terça-feira (8) no MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) entregando uma petição contra a medida do governo do Estado que coloca policiais militares fardados e armados nas escolas. Vigente desde a semana passada, nesta primeira etapa do Proeis (Programa Estadual de Integração da Segurança) 423 PMs fazem a segurança em 90 escolas de todo o Estado.
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O Proeis, segundo o governo, tem o objetivo de impedir a entrada de violência na escola, que pode se dar através de assaltos, furtos e tráfico e consumo de drogas. A Secretaria de Educação entende ainda que a presença de um policial pode inibir a prática de bullying nas unidades de ensino. Para o sindicato, entretanto, a presença policial gera “constrangimento, intimidação e humilhação para toda a comunidade escolar”.
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O Ministério Público já havia instaurado inquérito na última quinta-feira (3) para verificar se o convênio entre as secretarias de Educação e Segurança é compatível com o ambiente escolar. O MPRJ quer saber se profissionais de educação, pais e alunos foram ouvidos e se os policiais receberam treinamento adequado para o exercício da nova função. Para a coordenadora do Sepe, Edna Félix, a segurança do ambiente escolar deve ser garantida por profissionais preparados a lidar pedagogicamente com crianças e adolescentes. Segundo ela, a presença de policiais dentro de escolas “é uma tragédia anunciada”.
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“Professores levam anos de faculdade para o aprendizado do trato com alunos. Não é um curso de 15 dias que vai preparar os policiais. Nós reivindicamos o aumento de profissionais preparados. Hoje não existe mais na rede o supervisor educacional, não existe mais o coordenador de turno. O pátio está abandonado. Hoje só existem os professores, a direção e alguns profissionais terceirizados que não criam vínculo com a escola”, declarou.
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Alunos
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 O UOL Educação ouviu alunos do Colégio Estadual Olavo Bilac, em São Cristóvão, bairro da zona norte do Rio. A unidade de ensino é uma das 90 que conta com a presença de um policial. Segundo os estudantes, o policial ronda pelo pátio e na entrada escola, local onde estava durante a presença da reportagem. A grande maioria entende ser positiva a medida adotada pelo Governo do Estado. “Eu acho bom. Na favela, as pessoas não veem gente armada o tempo todo? Não é surpresa nenhuma. Ficamos mais seguros com a presença de um policial”, disse a estudante Suzi Melo, 17 anos.
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Para a estudante do segundo ano do ensino médio, Ana Cristina de Oliveira, 41 anos, a medida serve para o retorno da autoridade no ambiente escolar, “Do jeito que os alunos estão, sem um pingo de respeito por ninguém, serve justamente para impor esse respeito”, declarou. “Desde que respeitem a gente, não vejo nenhum problema”, disse Carlos Henrique Silva, 19 anos. Estudante do primeiro ano do ensino médio, Larissa Ribeiro, 14 anos, foi a exceção dentre os adolescentes ouvidos. “Eu acho constrangedor. É perigoso ter arma dentro da escola. Mas de repente pode ser bom, pela segurança. Mas é muito mais constrangedor”, disse.
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Mãe de aluna do ensino fundamental, a comerciante Adriana Rocha Santos, 41 anos, acredita que a presença de policiais nas escola é necessária em consequência “da violência dos jovens”.
“Na escola onde minha filha estuda houve uma guerra de estudantes com outros de escola rival. Outra vez, um estudante entrou armado para matar a ex-namorada. Eu sou a favor da presença policial. O professor não quer se envolver nesses problemas de violência e está mais do que certo em fazer isso”, disse.
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Policial tem remuneração extra
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Convênio entre as Secretarias de Segurança e de Educação, o Proeis garante remuneração extra ao policial que abre mão da folga para atividade extra –neste caso, a segurança das escolas. A cada oito horas trabalhadas, o policial ganha R$150 se for praça e R$200 se for oficial. “É a institucionalização do bico. Colocar um policial que sai de um turno inteiramente estressado trocando tiros com bandidos para horas depois tomar conta de crianças e adolescentes em escolas. É uma tragédia anunciada”, acredita.
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O professor do Colégio Estadual Herbert de Souza, Luís Fernando Carvalho, é contra a medida. Na escola onde leciona, professores e alunos, segundo ele, estão divididos com a presença dos policiais. “Há uma grande divisão de opiniões, mas rola um constrangimento na maioria dos alunos. Os adolescentes já veem na realidade onde moram a presença constante da arma. A escola deveria ser justamente o local de maior liberdade, maior tranquilidade e agora apresenta esse cenário”, disse.
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"Segurança do patrimônio público"
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 Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que os policiais são treinados para a função. Informou ainda que a medida serve para garantir a segurança do patrimônio público, citando o caso do Colégio Estadual Tim Lopes, no Complexo do Alemão, em que “há a invasão da piscina pela comunidade para uso”. Contudo, a secretaria admite a revista de alunos “mas apenas em casos extremos e limites, com acompanhamento da direção do colégio”.
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Sobre casos de bullying, a secretaria entende que a equipe pedagógica está preparada para cuidar do assunto,” mas, se um grupo de alunos pensa em praticar o bullying na escola, talvez tendo um PM por perto, se sinta inibido. Essa é a lógica, diz a nota.
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Fonte: UOL Educação

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Educação e Polícia na escola

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Lúcio Alves de Barros*
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Se a moda pega, e tudo indica que vai pegar, pode-se esperar um novo e velho ator que há tempos ronda as escolas tanto em meio às montanhas de Minas como em vários estados do País. A questão torna-se interessante porque a coisa agora é para valer. E basta que aconteça no Rio de Janeiro - uma caixa de ressonância do que acontece no país - para a coisa se propagar como fogo pelo Brasil afora.
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Estou me referindo à parceria entre a esfera da educação e da segurança pública no Rio de Janeiro. O convênio assinado pelo Governador Sérgio Cabral selou o casamento entre as secretarias de Educação e Segurança. A ideia é simples: o policial militar, que tem constitucionalmente garantido o poder ostensivo do policiamento, agora poderá atuar no interior dos estabelecimentos escolares. O projeto foi assinado no dia 2 de maio deste ano e teve solenidade e tudo no Palácio Guanabara, contando com a presença do governador e dos secretários José Mariano Beltrame (de Segurança) e Wilson Risolia (de Educação).
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O acordo prevê policiais fardados e armados no interior escolar de 90 unidades em 21 municípios. A maioria na capital. O projeto, é claro, já assinala o que existe na prática, não em relação aos policiais armados e fazendo atividade que poderia ser designada à Guarda Municipal desarmada, mas aos constantes casos de violência, tráfico de drogas e criminalidade que desde os anos 80 tem feito parte da realidade das escolas.
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A priori, e diante da crise nas escolas, a ideia aparentemente é atraente. Todavia é uma mentira dizer que a Polícia Militar não anda frequentando as escolas. Por vezes ela é acionada para solução de problemas oriundos do cotidiano escolar ou mesmo de acontecimentos que começaram fora da sala e chegaram a explodir nela. A PM há tempos também vem utilizando as patrulhas escolares e o PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) no intuito de fazer valer o “ganha pão” e ajudar no combate e na conscientização dos males oriundos das drogas ilícitas. Também é preciso lembrar que policiais, tanto militares como civis, estão nas carteiras das faculdades e das universidades, muitos armados e fardados. Logo, o governador do Rio somente legitimou e deu ares de política pública o que já existia na prática. De todo modo a questão ainda produz algumas reflexões.
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Em primeiro, o policiamento ostensivo nas escolas não deixa de mostrar o braço forte e armado do Estado. A arma e o fardamento, artefatos simbólicos de poder no meio policial militar e de medo e pânico no civil são compreendidos de diversas maneiras. Uma arma pode ser um transtorno e, ao invés de produzir segurança, pode forjar mais medo e pânico. A proposta do governador faz parte do Programa Estadual de Integração da Segurança (Proeis) e prevê para os oficiais PMs R$ 200 por cada turno de oito e R$ 150 para praças. O pagamento oficializa o auxílio salarial e, ao mesmo tempo, traz legitimidade ao “bico” e um dinheirinho extra para os policiais militares. O curioso é que os PMs neste espaço poderão revistar, buscar suspeitos e certamente pedir auxílio em casos da necessidade do uso da violência travestida de força física. É óbvio que podem evitar roubos, ataque ao patrimônio público e impedir invasões. Mas nada que um telefonema para o 190 não resolveria.
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Um segundo ponto, associado ao primeiro, é que policiais, como autoridades, são recalcitrantes em receber ordens de “paisanos”. O mundo civil e policial militar não andam de mãos dadas e, neste caso, vai ser difícil a manutenção da autoridade da direção da escola ou mesmo do professor. Minar a autoridade da direção e dos docentes em tempos de crise é complicado, pois - por consequência - a polícia minimiza o poder dos projetos pedagógicos e das normas e regulamentos tácitos e escritos no interior das instituições escolares. Mais que isso: já nem vejo o porquê da existência deles, se professores, alunos, diretoria, funcionários podem chamar a polícia ou mesmo denunciar algo a ela para que normas, autoridades simbólicas e projetos pedagógicos?
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A ideia de chamar a polícia é um problema até na rua. A polícia por vezes não é enganada pelo 190 (ela é constantemente vítima de trotes) e já se sabe que ela em campo tem a consciência de onde está e onde encontrar o recalcitrante. Na escola as relações serão mais intensas e erra-se por pouco em pensar alunos chamando policiais para professores e professores berrando por policiais para alunos. Sem falar a ideia de suspeição e do perigo sempre presente no imaginário policial tanto na escola como fora dela. Para uma ação policial basta um motivo, por menor que seja, pois pode ele ser transformado em caso extraordinário ou espetacular, sem falar da possibilidade de criminalização de pequenas ações que ocorrem em sala e que passam despercebidas porque sequer arranham a moral social.
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Por último, a escola já é entendida como uma instituição coercitiva, com a polícia ela fica mais coercitiva ainda. O dinheirinho pode ser bom, mas engana-se o policial que achar que vai tirar de letra o trabalho. As escolas são instituições complexas e quem anda se inteirando do assunto sabe que alunos, professores, funcionários e até a comunidade andam batendo cabeça. A polícia será somente mais uma a esquentar o cenário. É claro que é melhor chamar a polícia que o ladrão, mas é claro que a polícia abre a possibilidade de confronto caso ele exista nas proximidades. O fato é que escola não é quartel e mais uma atribuição foi dada tanto para a polícia como para as instituições de ensino. Dentre tantas é oportuno lembrar as novas atribuições: a repressão e a prevenção com a possibilidade do uso da violência, a judicialização do fato, caso o policial militar leve adiante a ocorrência até um canto da delegacia, a busca de metas, dos possíveis suspeitos e a produção de ocorrências que em outro cenário sequer existiria. Nesta nova empreitada, nada como esperar o (im)possível: “sem alteração” e “bom trabalho".
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*Professor na FAE (Faculdade de Educação) de Belo Horizonte. Doutor em Ciências Humanas pela UFMG. Organizador do Livro “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: ASPRA, 2006.