sábado, 27 de agosto de 2011

Vestibular UEMG inicia inscrições em setembro



VESTIBULAR

A Universidade do Estado de Minas Gerais promove, de 19 de setembro a 7 de outubro, as inscrições on-line para seu vestibular. São sete municípios com 30 cursos em oferta.Já o resultado dos candidatos que se inscreveram ao Programa Socioeconômico de Reserva de Vagas, o PROCAN, deverá ser anunciado até o próximo dia 31.

A seleção para o vestibular constará de provas gerais - composta de questões de disciplinas do Ensino Médio e uma questão de redação - no dia 27 de novembro. Para os cursos da área de Música e Artes Plásticas existe também uma etapa preliminar com provas de habilidade específica, cujas especificações poderão ser verificadas no Manual do Candidato, que será lançado em breve em nosso site.

Os candidatos habilitados pelo Procan devem se inscrever normalmente, informando sua condição de habilitado no ato da inscrição.

A Comissão Permanente de Processo Seletivo (Copeps) liberou antecipadamente para consulta o
programa de provas específicas para os cursos da área de Música. O Manual do Candidato será divulgado, na íntegra, até o início de setembro.

Cronograma

- Inscrições - 19 de setembro a 7 de outubro
- Provas de Habilidades Específicas (Somente para os cursos oferecidos pela Escola de Música e Escola Guignard)

29 e 30 de outubro - 1ª fase de provas específicas Escola de Música
5 e 6 de novembro - 2ª fase de provas específicas Escola de Música e provas específicas da Escola Guignard
11 de novembro - Divulgação dos resultados das provas de habilidade específica na internet

- Provas Gerais (Todos os cursos) - 27 de novembro

Resultado Final - 20 de dezembro

Fonte: Enviado por Prof Santuza Abras

Aluno bate em diretora de escola


GABRIELA SALES (foto de Cristiniano Trad)

A Secretaria Municipal de Educação de Contagem anunciou ontem que irá reunir todos os 120 professores e a direção da Escola Municipal Maria Silva Lucas, no bairro Novo Progresso, na próxima segunda-feira para tratar de medidas para melhorar a segurança dos profissionais e dos alunos. Um caso de violência na escola, ocorrido na noite de anteontem, ganhou repercussão nacional ao ser registrado em vídeo por supervisores pedagógicos. Um adolescente de 15 anos, aluno do 6º ano do ensino médio, foi flagrado agredindo com chutes e ameaças de morte a diretora Maria Aparecida de Fátima após ser repreendido por indisciplina.

Ontem, as aulas aconteceram sob a vigilância de três guardas municipais e quatro policiais militares. Em solidariedade à diretora, os alunos organizaram uma manifestação contra a violência. Com cartazes, alguns em formato de coração, 800 alunos e 120 professores gritaram o nome da diretora. Bastante emocionados, os estudantes leram mensagens de apoio à profissional agredida. Eles ainda pediram reforço na segurança do colégio. A diretora Maria Aparecida de Fátima chorou muito ao ver a manifestação dos alunos. Ela anunciou que não pretende deixar a escola.

A direção do colégio informou que aguarda uma decisão da secretaria de educação sobre o pedido de suspensão e transferência do aluno acusado pela agressão. Um boletim de ocorrência foi registrado. O menor fugiu e, agora, será convocado pelo Conselho Tutelar a dar explicações sobre a agressão. Apesar de flagrado nas imagens, ele nega ter iniciado a agressão. "Tinha vários alunos fora de sala e só eu fui punido. Ela (diretora) chegou a apertar meu braço, aí eu revidei", afirmou.

Quem assistiu às cenas protagonizadas pelo estudante conta outra história. "Fiquei impressionada com a fúria do aluno", disse uma das supervisoras. Ela pediu para não ter o nome revelado. A diretora deu sua versão para a história. Segundo Maria Aparecida de Fátima, o estudante a agrediu com chutes após ter sido punido. "Ele tinha passado todo o início da tarde fora da sala de aula brincando com outros alunos. Quando o encaminhei para supervisão, ele ficou agressivo e me empurrou", contou a diretora.

Sem atender ao pedido de voltar para a sala de aula, o estudante ameaçou sair da escola. "Depois do empurrão, eu disse a ele que chamaria a polícia e fui agredida. Quando estava entrando na minha sala, senti o chute nas minhas pernas", disse Fátima. No vídeo feito de um celular, o aluno aparece ameaçando a diretora. "Vou matar você", disse ele antes de partir para a agressão física.

Procurada, a mãe do garoto, Cristina Conceição Nunes da Silva, defendeu o adolescente. Ela disse que o filho, na verdade, é alvo de perseguição por parte da diretora e, por isso, nas palavras dela "teria perdido a cabeça". "Meu filho não é violento. Ele apenas não suportou a pressão da diretora".

Histórico de aluno é marca o por violência contra os colegas
Não é a primeira vez que o adolescente de 15 anos se envolve em brigas na Escola Municipal Maria Silva Lucas. Em seu histórico, aparecem outras duas agressões envolvendo estudantes da instituição, além de três advertências por indisciplina. De acordo com a direção da escola, a última agressão ocorreu no início do primeiro semestre deste ano e envolveu outros quatro alunos. "Ele chegou a machucar colegas sem motivação. Na época, todos foram encaminhados para o Conselho Tutelar", relembrou a diretora Maria Aparecida.

Ainda, segundo a educadora, a falta de limite familiar e a sensação de impunidade são motivadores para a violência do jovem. "Ele age como se a violência e a agressividade fossem atos normais. (GS).
Entrevista
"Não vou abandonar os meus alunos"
Maria Aparecida de Fátima - Diretora da escola
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O que teria motivado a fúria do adolescente?
Ele não é acostumado com limites e sempre que determinávamos o cumprimento de normas por parte dele, surgia a revolta.
Ele já agrediu outros educadores?
Não fisicamente, mas eram constantes as agressões verbais.
Essa foi a primeira vez que o adolescente se envolve em brigas na escolas?
Não. Ele sempre demonstrou problemas de indisciplina. O jovem já foi protagonista de duas agressões a colegas na de escola.
Esse problema de indisciplina já foi comunicado à mãe do adolescente?
Sim. Porém a mãe sempre justifica que o filho está sendo vítima de perseguição.
A senhora pretende sair da direção da escola?
Não, apesar de estar abalada. Jamais pude imaginar que isso pudesse acontecer, mas não vou abandonar os meu alunos. (GS)
Minientrevista - "Ele apenas revidou uma agressão anterior"
Cristina Conceição Nunes da Silva - Mãe do adolescente
O filho da senhora contou o que aconteceu na escola?
Ele disse que estava fora de sala junto com outros alunos e foi repreendido pela diretora, que dispensou os demais alunos e iria punir somente ele. Foi isso que deixou o meu filho nervoso.
O adolescente falou o motivo da agressão à diretora?
Ele apenas revidou uma agressão anterior. Ela havia apertado o braço do meu filho e disse que iria chamar a polícia. Ele não agiu certo, mas foi uma reação à primeira agressão.
O jovem é um menino agressivo?
Não. Meu filho é um adolescente e possui conflitos normais para a idade dele. Ficou agressivo porque a diretora o persegue.
A senhora já conversou com a direção sobre essa reclamação do garoto?
Várias vezes fui à escola, mas eles negam. Para eles, o meu filho é sem limites e sempre o errado da história. (GS)
 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O respeito e a preservação da vida nos tempos modernos



Por Leonardo Boff*
A cultura moderna, desde o século XVI, está assentada sobre uma brutal falta de respeito. Primeiro, para com a natureza, tratada como um torturador trata a sua vítima, com o propósito de arrancar-lhe todos os segredos (Bacon). Depois, para com as populações originárias da América Latina. Em sua "Brevíssima Relação da Destruição das Índias", (1562), conta Bartolomé de las Casas que os espanhóis "em apenas 48 anos ocuparam uma extensão maior que o comprimento e a largura de toda a Europa, e uma parte da Ásia, roubando e usurpando tudo com crueldade, injustiça e tirania, tendo sido mortas e destruídas vinte milhões de almas de um país que tínhamos visto cheio de gente e de gente tão humana"("Décima Réplica"). Em seguida, escravizou milhões de africanos trazidos para as Américas, negociados no mercado e consumidos como carvão na produção.

Seria longa a ladainha dos desrespeitos de nossa cultura, culminando nos campos de extermínio nazista de milhões de judeus, ciganos e outros considerados inferiores.

Sabemos que uma sociedade só se constrói e dá um salto para relações minimamente humanas quando instaura o respeito de uns para com os outros. O respeito, como bem mostrou Winnicott, nasce no seio da família, especialmente da figura do pai, responsável pela passagem do mundo do eu para o mundo dos outros, que emerge como o primeiro limite a ser respeitado.

Um dos critérios de uma cultura é o grau de respeito e autolimitação que seus membros se impõem e observam. Surge, então, a justa medida, sinônimo de justiça. Rompidos os limites, vigora o desrespeito e a imposição sobre os demais. Respeito supõe reconhecer o outro com seu valor intrínseco, sejam pessoas ou quaisquer outros seres.

Dentre as muitas crises atuais, a falta generalizada de respeito é seguramente uma das mais graves. O desrespeito campeia em todas as instâncias da vida individual, familiar, social e internacional. Por essa razão, o pensador búlgaro-francês Tzvetan Todorov, em seu recente livro "O medo dos bárbaros", (Vozes, 2010), adverte que, se não superarmos o medo e o ressentimento e não assumirmos a responsabilidade coletiva e o respeito universal, não teremos como proteger nosso frágil planeta e a vida na Terra já ameaçada.

O respeito nos remete a Albert Schweitzer (1875-1965), prêmio Nobel da Paz de 1952 e um dos mais eminentes teólogos de seu tempo. Seu livro "A história da pesquisa sobre a vida de Jesus" é um clássico por mostrar que não se pode escrever cientificamente uma biografia de Jesus. Os evangelhos contêm história, mas não são livros históricos. São teologias, que usam fatos históricos e narrativas com o objetivo de mostrar a significação de Jesus para a salvação do mundo. Por isso, sabemos pouco do real Jesus de Nazaré. Schweitzer compreendeu: histórico mesmo é o Sermão da Montanha e importa vivê-lo.

No meio de seus afazeres de médico, encontrou tempo para escrever. Seu principal livro é "Respeito diante da vida" que ele colocou como o eixo articulador de toda ética. "O bem", diz ele, "consiste em respeitar, conservar e elevar a vida até o seu máximo valor; o mal, em desrespeitar, destruir e impedir a vida de se desenvolver". E conclui: "quando o ser humano aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante; a grande tragédia da vida é o que morre dentro do homem, enquanto ele vive".

Como é urgente ouvir e viver essa mensagem nos dias sombrios que a humanidade está atravessando.
* Escritor e teólogo
Fonte: O tempo (MG)

Aluno não gosta de ser corrigido e agride diretora em escola municipal de Contagem

 
Por: Tabata Martins
Uma advertência sobre mau comportamento terminou em agressão em uma escola municipal de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. O caso ocorreu no começo da noite dessa quinta-feira (25) na Escola Municipal Maria Silva Lucas (CAIC-Laguna), que fica no bairro Novo Progresso. Além da agressão física, o adolescente ainda ameaçou a diretora de morte. Após os atos de violência, o aluno pulou o muro da escola e fugiu. Até a tarde desta sexta, o agressor ainda não havia sido localizado.

Assustada, a vítima acionou a polícia, que registrou boletim de ocorrência e comunicou o fato aos pais do adolescente. Conforme a diretora da escola, de 56 anos, a transferência do aluno será pedida. O caso está sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar de Contagem. Atualmente, cerca de 2.200 alunos estão matriculados na escola, que já presenciou outros atos de violência contra professores e funcionários. A agressão foi filmada por uma coordenadora pedagógica da instituição de ensino. Assista ao vídeo em http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=127842

Fonte: O Tempo (MG)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Estados terão que pagar piso


Governo admite cumprir lei apenas para quem não optou pelo subsídio
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Por: RAFAEL ROCHA
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Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) publicada ontem tornou obrigatório e definitivo o pagamento do piso nacional de R$1.187,97 aos profissionais do magistério da educação básica. O acórdão, assinado pelo relator, o ministro Joaquim Barbosa, e já publicado no Diário Oficial, determina que os Estados cumpram imediatamente a Lei 11.738, de julho de 2008, que normatizou o valor mínimo dos vencimentos para profissionais com carga horária de até 40 horas semanais.
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A decisão é uma resposta a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta no mesmo ano de sanção da lei pelos governos dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso Sul e Ceará. Apesar de Minas Gerais não estar incluída na ação, também deverá cumprir a norma, que vale para todo o país, conforme determinação do Ministério da Educação (MEC). Atualmente, o Estado oferece R$ 1.122 para professores de nível médio e R$ 1.320 para os profissionais com formação superior. Em ambos os casos, a jornada é de 24 horas semanais. Os valores estão previstos no novo regime de subsídio, que incorporou benefícios como quinquênios e auxílios transporte e alimentação aos vencimentos básicos da categoria. Criado pelo governo mineiro em janeiro deste ano, o subsídio, porém, não é reconhecido pelo STF. No acórdão, o ministro Joaquim Barbosa esclareceu que o piso salarial deve ser fixado com base no vencimento do profissional e, não, na remuneração global.

Aos Estados cabe recurso, mas apenas para esclarecimentos sobre a forma de cumprimento da lei. O teor da decisão não poderá ser alterado, conforme explicações dadas ontem pela assessoria de imprensa do STF. Ouvida ontem à noite pela reportagem, a secretária de Estado de Planejamento, Renata Vilhena, contestou a decisão. Apesar de dizer que irá aguardar a publicação final do STF, ela garantiu que o subsídio é constitucional. A secretária admitiu a possibilidade de cumprir a lei apenas para os profissionais que permaneceram no sistema antigo de remuneração com benefícios. "A decisão ainda cabe recurso. Mas se o Supremo determinar o pagamento do piso, nós vamos aplicar aos profissionais que permanecerem no regime antigo".

A alegação dos Estados na Adin de que estariam impedidos de pagar o piso sob risco de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal não convenceu os ministros do STF. A votação aconteceu por oito votos a um. "Não me sensibiliza nem um pouco os argumentos de ordens orçamentárias", disse o ministro Barbosa. (Com Joana Suarez)
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Especialista - "Governo comete equívoco com o piso"
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Para Daniela Muradas Reis, doutora em direito e professora de direito do trabalho da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o governo de Minas está equivocado ao associar aos salários, na forma de subsídio, vantagens concedidas ao longo dos anos aos servidores da educação. "O piso é o valor do salário e não a junção do salário e benefícios", explicou. O entendimento, segundo a especialista, é que o Estado cumpra imediatamente o piso nacional de R$ 1.187,97 referente a 40 horas semanais de trabalho. Na avaliação da doutora em direito, o Estado ainda deve aos professores a diferença salarial retroativa a janeiro de 2010, data-limite determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o cumprimento da lei sancionada em 2008. (CG)
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TIRA-DÚVIDAS
Mobilização - Professores votam pela greve
Categoria ganha adesão de outros movimentos e sai em passeata por BH
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Joana Suarez.
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O acórdão publicado ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprimento da Lei 11.738, que determina aos Estados o pagamento do piso nacional de R$ 1.187, 97 para jornada de trabalho de até 40 horas semanais, foi motivo de comemoração entre os professores. Eles lotaram o pátio da Assembleia Legislativa e, numa votação calorosa, aprovaram a continuidade da greve. A paralisação, a maior da década, foi iniciada no último dia 8 de junho. Uma nova assembleia está marcada para a próxima quarta-feira.
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"Foi uma feliz coincidência que o STF publicasse essa decisão no mesmo dia da nossa assembleia e um dia depois de o governo apresentar novas propostas para o subsídio, que não é piso salarial", afirmou a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira. O sindicato anunciou que vai aguardar agora uma atitude do Ministério Público Estadual (MPE) para cobrar o cumprimento da lei. O Sind-UTE não aceita o subsídio criado pelo governo do Estado e só negocia um valor proporcional para os contratos de 24 horas semanais desde que o governo tome como referência o piso nacional e não incorpore os benefícios (quinquênios, auxílios alimentação e transporte) ao vencimento básico. "O Estado pode até pagar o valor proporcional que seria R$ 712 para 24 horas semanais".
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Com faixas, bandas de música e bandeiras, os professores fizeram muito barulho na assembleia. "É greve, é greve, é greve até o Anastasia pagar o piso que nos deve!", gritavam. Visivelmente empolgados, alguns choraram. "Nunca vi um movimento tão intenso como o de hoje. As pessoas finalmente reconheceram nossa luta pela valorização do professor", disse Mônica Maria de Souza, professora há 30 anos, ao se referir à adesão, ontem, de outros movimentos sindicais.
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Representantes de sindicatos de várias categorias, além de estudantes e professores de universidades, entre elas a Federal de Minas e a Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas), e integrantes do Movimento Sem Terra foram à assembleia. Segundo o Sind-UTE, 9.000 pessoas participaram do encontro. A Polícia Militar fala em 3.000 manifestantes. Após a votação que definiu pela continuidade da greve, os manifestantes saíram em passeata em direção ao centro da capital.
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Novo regime. A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) anunciou, anteontem, que vai reabrir – de 1º de setembro a 31 de outubro – o prazo para os professores migrarem para o novo regime de subsídio. Uma das principais mudanças é o reposicionamento dos professores na tabela de salários. O cálculo será feito da seguinte forma: para cada três anos trabalhado, o servidor avançará um grau na tabela de vencimentos (o que dá 2,5% de reajuste). A partir de janeiro, com o reposicionamento já em vigor, a progressão na tabela será feita de dois em dois anos.

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Centro: Protestos paralisam o trânsito
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Uma passeata dos professores estaduais parou as principais ruas e avenidas do centro de Belo Horizonte no início da noite de ontem. Motoristas que passavam pela região tiveram que parar os veículos e aguardar o fim do protesto. A administradora de empresas Cristiane Alves, que trabalha no centro da cidade, diz que já perdeu as contas de quantas vezes ficou parada em congestionamentos neste mês devido a manifestações dos professores. "Sou a favor da greve deles, mas a cidade tem virado um caos", reclama Cristiane.
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De acordo com a BHTrans, a situação ficou ainda mais complicada por que os manifestantes se dividiram em grupos e bloquearam, ao mesmo tempo, vários pontos da cidade. Na praça Sete, o tráfego foi fechado pelos servidores. Segundo o Batalhão de Trânsito, por volta das 17h40, cerca de 2.500 manifestantes participaram dos protestos. Pelos cálculos do Sind-UTE, foram 9.000.
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A situação também ficou complicada no entorno da rodoviária, para onde parte do grupo de servidores seguiu em protesto. Os demais caminharam em direção à praça da Estação. Devido ao deslocamento dos professores, o trânsito ficou praticamente parado nas avenidas do Contorno, Amazonas, Nossa Senhora do Carmo, Cristiano Machado e Antônio Carlos.
(Cláudia Giúza/Especial para O Tempo) - http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=180440,OTE

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Trabalho docente como interação com o outro


Por Lúcio Alves de Barros*

A greve dos professores estaduais que se arrasta por meses não deixa de nos apontar algumas características próprias da profissão docente. Em tela destaco três questões que me parecem importantes, afinal estamos lidando com uma profissão de difícil manejo e conceituação. Em primeiro, destaco a questão da ação interativa do professor, em segundo a relação com o outro e, por último as relações entre os próprios professores.

Poucas profissões são tão interativas quanto a dos professores. Por natureza os docentes lidam com alunos, homens, mulheres, crianças, adolescente, jovens ou adultos. A relação é dialética, pois a existência do estudante está condicionada à existência de quem ensina. Logo, temos uma relação interativa na qual o outro faz parte do enredo da relação social que se desenvolve geralmente numa complexa “célula”, a sala de aula. A interação é, por vezes, tranquila, cheia de graça ou sofrida e tomada por conflitos. De todo modo ela é baseada na interação porque professores lidam com seres humanos, uma "matéria prima" especial, repleta de idiossincrasias, afetos, emoções, um cosmos não passível de mensuração. Como se vê, o “objeto” de trabalho do professor está longe de qualquer objeto de trabalho oriundo do processo fabril. Não é por acaso, que os docentes merecem e devem receber melhores salários.

O segundo ponto, associado ao primeiro, é a relação com o outro. Digo de um outro que, na maioria das vezes, é estranho, complexo, diferente e condicionado por princípios morais e religiosos capazes de causar mal-estar em uma simples aula. Basta para isso que a aula seja um pouco mais arrojada, cheia de interrogações, provocações e sofrimento que fazem girar a cabeça da gente. De qualquer modo este outro, em sala de aula, toma diferentes perfis, por vezes é totalitário, arrogante e impetuoso, outras vezes é curioso, inquieto e sedento de saber. A questão do outro é um problema antropológico que, na “célula” na qual o docente não deve ter o seu poder discricionário retirado, pode parecer ainda modificado em número e conteúdo. Estou falando, por exemplo, do número de alunos em sala de aula. O docente pode se deparar com 20 alunos em sala. Um número que considero ideal, mas a sensação de “quantidade/qualidade” deste outro pode ser de 80 ou mesmo 100. O contrário, mas bem mais difícil, pode acontecer. O fato é que este outro na presença de um igual tende a potencializar forças que antes não sabia que existia e em meio a tempos difíceis a lotação das aulas por pouco não termina em violência, indisciplina e desrespeito ao docente.

Por último, é forçoso pensar na categoria destes professores que hoje sofrem o fenômeno da proletarização e por consequência, da marginalização, do desrespeito, dos baixos salários e das más condições de trabalho. O leitor pode argumentar que o debate é sempre o mesmo e posso até concordar. Até porque a educação jamais foi uma política séria e assertiva neste país. Contudo, o que cumpre frisar é a pouca ou nenhuma ação coletiva e solidariedade entre docentes. A profissão foi tomada nos últimos anos por uma espécie de “vale tudo”, a ponto de um docente regozijar com a desgraça alheia. Se um professor anda recebendo ameaças, críticas ou mesmo está em conflitos com alguns alunos, pode esperar que o outro professor aproveite dessa situação. Pode até ser inconsciente, mas o mundo da vida tem mostrado professores doentes, cansados, amargurados, deprimidos e desistindo da profissão. E não creio que a traição e jogos de interesses nas instituições de ensino não têm contribuído para isso. É um desastre. É lamentável homens e mulheres nas mesmas condições de trabalho caírem na “autofagia docente” dando vida e alimentando o mal-estar, o caos e a crise, que há tempos já vem tomando proporções inaceitáveis nesse país de miseráveis e carente de mais e mais educação.

*Professor da FAE (Faculdade de Educação- BH) da UEMG

Da Justiça

Agressores e vítimas formam esquadrão anti-bullying em escola na periferia de São Paulo


Fonte: UOL Educação - 22/08/2011

Por Thiago Minami (SP)

É hora do intervalo na escola estadual Jornalista David Nasser, no Capão Redondo, em São Paulo. Ao perceber que um amigo estava sendo ofendido - de novo - por termos como "bicha" e "viadinho", Amanda Soares do Nascimento, 13, resolveu partir para a briga. O grupo agressor revidou e, para não apanhar, Amanda e o amigo sairam correndo. Depois, eles tiveram de ser "escoltados" por um professor para evitar qualquer tipo de vingança. A cena, que era comum há um ano, virou caso raro. Atualmente, vítimas e agressores fazem parte do mesmo grupo e divulgam pela escola a importância da tolerância e do respeito pela diferença. Dois estudantes de cada classe são escolhidos para integrar esse tipo de esquadrão contra o bullying e outras violências na escola. A ideia é resultado da combinação de dois programas -- o JCC (Jovens Construindo a Cidadania), promovido pela PM (Polícia Militar) e outro, da secretaria estadual de Educação, que institui a figura do professor-mediador [de conflitos] -- por meio de dois profissionais: a professora-mediadora Fabiana Laurentino da Silva e o policial militar Fausto Alves Ramalho.
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Pode crer
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Os alunos desenvolvem discussões, produção de propagandas e apresentações culturais. Para pôr fim aos maus-tratos, o teatro e a música mostraram-se bastante eficientes. O funk, ritmo apreciado por muitos, ganhou uma letra específica para o tema, redigida pelos próprios alunos. Diz um trecho: “a amizade é muito boa, estamos na escola para aprender. O bullying é muito errado e nisso você pode crer”. Além de acalmar os ânimos, o contato com a arte e o fato de encontrar meios de se expressar revelou alguns talentos. Gustavo Soares da Rocha, 15, por exemplo, é o centro das atenções com as músicas que toca para difundir ideias de tolerância.

Antes do programa, o garoto era o terror da escola -- com histórico de depredação do prédio e brigas com os colegas. "[Fazia aquilo] para fazer graça e ganhar respeito dos outros", conta. "Mas tem outras maneiras de fazer isso", explica. Até agosto deste ano, o grupo se reunia em horário de aula, mas passou a fazer parte do conjunto de atividades extracurriculares. Os professores e a direção avaliaram que os estudantes não podiam abrir mão desse tempo em classe, apredendo as matérias do currículo.
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De agressor a exemplo
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Combinando as iniciativas, Ramalho e Fabiana têm trabalhado para tornar os causadores dos maus-tratos em combatentes da violência. Eles aproveitam o potencial de liderança e mobilização dos antigos agressores, usando essas características para evitar o bullying. Maria Luiza Goes, 13, já experimentou os dois lados. Pernambucana, a menina debochava dos colegas estudiosos, perseguindo-os e chamando-os de "nerds" quando morava no Nordeste. Quando chegou à capital paulista, ela passou à posição oposta: “Fui chamada de nerd várias vezes”, conta. Depois de ter entrado no grupo, ela, que já havia se arrependido do que fazia na antiga escola, tenta passar sua experiência aos outros para que a história não se repita.
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A história de Laiane Lopes Neres, 12, é parecida: ela já foi vítima e agressora. Ao representar uma personagem que se enforca por causa das seguidas agressões, a aluna se emociona e chora ao lembrar dos sentimentos que vieram à tona. “Nunca imaginei como seria estar numa situação assim”, afirma.
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Diálogo
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O grupo sabe de cor o que é bullying: “agressões físicas ou verbais repetidas que podem levar à depressão e até ao suicídio”. A definição, burocrática, fica outras cores com casos como o de Mateus da Conceição, 13, que fala pelos cotovelos e não tem problemas para se expressar em público. Quem o vê hoje em dia não imagina que já sofreu depressão, parou até de comer e cogitou o suicídio.

“Era tão humilhado que perdi a vontade de tudo”, conta. Para descontar a tristeza que sentia, resolveu atazanar um colega. “Puxava o cabelo dele, batia até deixar a cara roxa. Hoje vejo que coisa horrível eu fiz”, conta. Para esses alunos, o grupo anti-bullying representou o fim de uma longa e triste história. “Agora sei que nunca deveria ter partido para a agressão”, diz Amanda. A intenção é justamente essa: substituir a violência pelo diálogo na resolução dos conflitos entre as crianças e os jovens -- conflitos esses que sempre vão existir.

“Queremos também mostrar à vítima que ela tem com quem contar dentro da escola”, diz Fabiana que sempre tenta colocar agressores e vítimas frente a frente para ajudá-los a resolver os conflitos. Muitas dessas duplas acabam se tornando amigos, como é o caso de Juliana Neres, 15, e Gustavo Soares da Rocha, 15.

O garoto costumava xingá-la "por causa dos cadarços coloridos que [ela] usava". Atualmente, eles não se desgrudam e têm o hábito de realizar longos duelos ao estilo Harry Potter. A turma está pensando agora em promover uma passeata pelo bairro para promover a luta contra o bullying. Eles querem até chamar uma fanfarra para animar a caminhada. Também negociam uma participação no programa “Altas Horas”, da Rede Globo, para mostrar o trabalho desenvolvido.

“Vamos levar a discussão a outras escolas e até a países estrangeiros, pois o bullying não é um problema só do Brasil”, diz um dos alunos, apoiado em seguida pelos outros.

sábado, 20 de agosto de 2011

O arrastão, a procissão, o grito e a caravana pelo pagamento do piso e pelo enterro do governo de Minas


 

Do Blog do Euler - http://blogdoeulerconrado.blogspot.com/

A Imagem também é do seu Blog
O arrastão, a procissão, o grito e a caravana pelo pagamento do piso e pelo enterro do governo de Minas
Pessoal da luta, membros do núcleo duro da greve, educadores mineiros em greve:

O texto de hoje, mais do que uma análise da nossa dramática realidade, é uma proposta de ação. Após 74 dias de greve, nessa resistência heroica dos educadores mineiros, não temos o direito de recuar, e nem tampouco de sermos derrotados, já que lutamos por um direito constitucional. Por isso, antes que o governo manobre e parta para a ofensiva, temos que agir. Nossos pequenos grandes combates nas escolas têm sido muito importantes. Através deles temos tido a oportunidade de dialogar com os colegas e com outras forças e pessoas da comunidade, como é o caso dos bravos guerreiros - alunos e educadores - da cidade de DIVINO. Mas, é preciso mais do que isso.

Inspirado pela ideia dos combativos educadores de BOCAIUVA, que neste sábado às 20h, vão acender uma vela contra a tirania existente em Minas e pelo pagamento do piso, pensei em algo semelhante, como parte de uma estratégia geral para vencer essa batalha e conquistar nossos direitos.

O primeiro passo a ser dado é fortalecer os comandos locais de greve. Nada de burocrático, nem ideológico. Coisa prática e bem planejada. Além dos ativistas de linha de frente, do NÚCLEO DURO da greve, devemos convidar para participar de uma próxima reunião outros companheiros que estão em greve, mas não estão participando ativamente da nossas atividades. Devemos convidar também as lideranças estudantis e os pais de alunos que nos apoiam e participam das lutas sociais, entre outros apoiadores, incluindo entidades sindicais locais.

Esta reunião extraordinária dos comandos em cada cidade de Minas definiria algumas estratégias muito específicas para fortalecer a nossa greve. Para isso, é necessário combinar ações locais, voltadas para o mapeamento e fortalecimento da greve em algumas escolas que tenham grande peso na região. Uma outra atividade, como continuidade desta, seria organizar um segundo passo, ainda no âmbito de cada município, para mobilizar a comunidade.

Em relação à primeira preocupação (primeiro passo), voltada para as escolas locais mapeadas, podemos organizar uma caravana composta pelo grupo citado (educadores / alunos / pais de alunos / apoiadores da comunidade) e visitar essas escolas que consideramos escolas-chave para alcançar grande repercussão em toda região. Seria importante que essa ação acontecesse simultaneamente em várias cidades de Minas. Pensei em algo próximo de 200 cidades ou mais.

Este grupo, nos três turnos - manhã, tarde e noite - faria uma espécie de arrastão pela educação pública de qualidade e pelo piso salarial. Com panfletos, bandeiras, faixas, cartazes, visitaríamos essas escolas para conversar diretamente com os alunos que estão frequentando essas escolas, com os professores e até mesmo com os substitutos - ainda que saibamos que estes, obviamente, terão menos interesse em dialogar. Mas, conseguindo o apoio dos alunos e de alguns educadores é muito provável que consigamos parar toda a escola. Devemos estabelecer uma meta: já que o governo diz que são apenas 60 escolas totalmente paradas, queremos parar 300 escolas em toda Minas Gerais - por exemplo (além, obviamente, das escolas parcialmente paradas). Mas, ao mesmo tempo que organizamos este arrastão pela educação e pelo piso, já convocamos os alunos, os colegas e toda a comunidade para uma outra atividade maior em cada uma dessas cidades, o segundo passo. Seria uma procissão pela Educação de qualidade, pelo piso e pelo enterro do governo de Minas Gerais.

Esta procissão, que aconteceria simultaneamente em 200 (ou 300) cidades de Minas, às 20 horas, com todos trajando roupa preta, com velas acesas, cartazes, faixas, tambores (que nunca se calaram), atravessaria as principais ruas e praças de todas essas cidades, concentrando-se num ponto determinado de cada município, para que a comunidade possa falar. Simbolicamente, devemos fazer o enterro do governo de Minas, com o governador, suas secretárias e o faraó como expressão da destruição da educação pública em Minas Gerais. Devemos filmar todos estes momentos - tanto do arrastão quanto da procissão -, e publicar na Internet, mandar para a mídia e para as listas de e-mails, formando uma grande corrente de divulgação da nossa luta.
 
Um terceiro momento - o terceiro passo - seria uma grande concentração em Belo Horizonte, com caravanas de todas as cidades, expressando a organização dos eventos citados. Nesta grande concentração, convidaríamos os movimentos sociais de Minas Gerais - sem-terra, sem-teto, entidades sindicais, estudantis e muitos outros grupos e movimentos e personalidades. Seria o grito de Minas contra a censura da imprensa e contra a ditadura disfarçada existente em Minas Gerais, envolvendo todos os poderes constituídos.

Para este grande ato, seria muito importante organizar panfletagens e passar com carros de som convidando toda a comunidade mineira, inclusive com informes pagos em rádios e jornais, tanto os da capital quanto os do interior.

Em todas essas oportunidades, devemos denunciar:

- o não pagamento do piso salarial dos educadores pelo governo de Minas, que descumpre uma lei federal;
- a tentativa de impor um calote nos educadores com a lei do subsídio, com o objetivo de destruir a nossa carreira e não pagar o piso;
- a contratação de professores não habilitados para substituir de forma ilegal os professores em greve;
- a transformação da secretaria da Educação de Minas em uma máquina de terror e de assédio moral, onde os diretores das escolas são tratados como capachos e são estimulados a ligarem para os professores e alunos para que estes acabem com a nossa legítima e legal greve;
- o corte e a redução dos salários dos educadores de Minas, como atos ilegais e coercitivos típicos da ditadura;
- o não investimento dos 25% da receita do estado na Educação, causando grande prejuízo para todos os mineiros;
- a censura comprada da imprensa mineira, que se tornou a expressão da negação da liberdade de expressão em Minas Gerais;
- a omissão dos poderes legislativo e judiciário, que têm agido como autarquias do poder executivo, rasgando a autonomia relativa inscrita na Carta Magna;
- a priorização, pelo governo, de obras faraônicas, pagamento de juros aos banqueiros, salários de marajás para a alta hierarquia do estado, em detrimento dos investimentos sociais, como Educação, saúde pública, saneamento, etc;
- a criminalização dos movimentos sindicais e sociais em Minas Gerais.

Como passo seguinte, o quarto passo, devemos organizar uma grande caravana para ir a Brasília para pressionar o STF, para que publique o acórdão do piso; o Congresso Nacional, através da Comissão de Educação das duas casas, denunciando o descumprimento, pelo governo de Minas, da lei do piso aprovada naquela Casa; e o Palácio do Planalto, para entregar à presidenta Dilma uma carta que contenha a denúncia do que se passa em Minas e uma cobrança da presidenta em relação à sua promessa de campanha de valorizar os educadores, o que não aconteceu até este momento. Ir ao MEC, é perda de tempo. Devemos ir direto para o contato com a presidenta. Que ela receba uma comissão de educadores (não necessariamente de diretores sindicais). Caso isso não aconteça, devemos protocolar o nosso documento e exigir que nos seja passado um documento assinado pela presidenta, dando conta de que recebeu tal carta.

São estes os passos que eu coloco para a apreciação dos colegas, tendo em vista a necessidade de manter e fortalecer a nossa greve até a nossa vitória. A ideia do acampamento, sugerida por alguns colegas, é boa, mas requer a presença permanente de combatentes que fariam falta nesses quatro passos mencionados. Quem sabe num quinto passo não organizaríamos um grande acampamento em frente a algum órgão do estado? Gostaria muito de ouvir as críticas e sugestões dos colegas.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória!

Professora demitida é reintegrada, e escola, condenada por danos morais

Sinpro em Movimento
 
O Colégio Marista Dom Silvério foi obrigado pela Justiça do Trabalho a reintegrar a professora Jacqueline Cavaca Soares Pontes, demitida em 1o. de abril deste ano, após participar da greve da categoria.

A juíza Maria Irene Silva de Castro Coelho, da 2ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, julgou procedente a ação movida pelo Sinpro Minas a favor da professora. A sentença, publicada em 12 de agosto, determinou a reintegração em 48 horas, o que foi cumprida pela instituição de ensino na manhã desta terça-feira (16/8), quando a docente retornou à sala de aula.

A escola também foi condenada a pagar à docente uma indenização de R$ 50 mil por danos morais pela dispensa em decorrência da greve da categoria, além de valores relativos às diferenças salariais e demais direitos trabalhistas. A instituição de ensino ainda pode recorrer da decisão.
Na época da demissão, o Sinpro Minas, juntamente com pais e alunos do Colégio Marista, participou de protesto na porta da escola e divulgou uma nota de repúdio às demissões, que tiveram o objetivo de intimidar futuras adesões ao movimento grevista, afrontando o direito de livre organização dos trabalhadores.

Para o sindicato, a decisão é mais uma vitória dos professores na campanha reivindicatória deste ano. “Isso demonstra que as escolas têm de respeitar o direito legítimo de organização e greve dos trabalhadores, e continuaremos atentos e não mediremos esforços para preservar os direitos e conquistas da categoria”, destaca Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas.   O sindicato também encaminhou denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que convocou a direção do Marista para prestar esclarecimentos. O processo da professora Márcia Cristina Braga, também demitida pela instituição de ensino após a greve e assediada moralmente pela direção do Colégio, tramita em segredo de Justiça.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Aluna agride colega na Zona Sul de SP e posta comentário na web

Agressora postou frases que demonstravam orgulho pela ação; vítima disse que agressão aconteceu porque ela se recusou a fazer lição
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Fonte: G1 - 18 de agosto de 2011
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Uma aluna foi espancada por outra na Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva, no Jardim São Luís, Zona Sul de São Paulo. O caso de bullying foi postado na internet. (Correção: ao ser publicada, esta reportagem informou que uma das alunas postou um vídeo sobre o caso na internet. Na verdade, ela publicou comentários em um site. O erro estava apenas no texto, e não no vídeo, e foi corrigido às 20h15.)
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O rosto da adolescente agredida, de 17 anos, ficou muito machucado, com várias marcas de socos e arranhões. A agressora tem a mesma idade. A briga aconteceu no corredor do colégio, no intervalo entre as aulas. As duas alunas estão na oitava série. Segundo a vítima, ela apanhou porque não quis fazer a lição da colega. “Eu falei: ‘Não vou fazer essa lição’. Ela pegou e falou: ‘Tá bom. você não vai fazer?’ Aí, na hora de trocar de aula, ela foi e começou a me bater”, contou.

Após a briga, a agressora postou mensagens em uma rede social na internet que denotavam orgulho em relação à atitude. “Tadinha mesmo. Tô até com dó. A cara dela tá horrível, horrível. Briguei com uma mina lá [...] teve até polícia na escola kkkkkkkkkkk”, escreveu a adolescente. A mãe da garota agredida prestou queixa na delegacia. Ela disse que as duas filhas são vítimas constantes de provocações dos colegas. “A diretora disse que ia tomar providência. Nunca tomou. Algumas vezes ela chegou a me dizer: ‘Não posso fazer nada’”, disse a mãe.

Segundo ela, a diretora propôs transferir as duas filhas de escola, mas a mãe se recusou por conta da proximidade do colégio em relação à sua casa. “Tem toda uma comodidade e as minhas filhas têm esse direito”, afirmou. Segundo a psicanalista Vera Zimmermann, esse é um caso típico de bullying. De acordo com ela, as duas adolescentes envolvidas precisam passar por tratamento.

“O agressor que se apresentou depois, não podendo refletir, sentir culpa, expressou uma patologia importante que tem que ser tratada e merece preocupação, talvez até mais que a outra que se mostrou frágil”, afirmou Vera. A Secretaria Estadual da Educação informou que vai oferecer atendimento psicológico às duas estudantes pelo período que for necessário. A aluna agressora foi suspensa das aulas por três dias.

Fonte: Todos pela Educação

Adolescente é flagrado com arma em escola de Birigui, SP

Garoto de 14 anos estava com revólver calibre 38 carregado; um amigo dele diz ter encontrado a arma; ambos foram para delegacia
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Fonte: G1 - 18 de agosto de 2011
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Um adolescente de 14 anos foi flagrado com um revólver dentro de uma escola estadual de Birigui, no interior de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (18). O revólver calibre 38 estava carregado e escondido na mochila do estudante. Uma pessoa que trabalha no colégio viu o aluno com a arma e ligou para a polícia. Ele e um amigo, que disse ter encontrado o revólver, foram encaminhados à delegacia. Segundo a polícia, o colega contou que achou a arma na rua há dois dias. Os dois adolescentes não foram apreendidos. “Quando não há violência ou grave ameaça à pessoa, não é possível a apreensão. Vamos avisar os pais e encaminhar o caso à Vara da Infância e da Juventude para tomar as atitudes cabíveis”, afirma Heweraldo Weber Gonçalves, delegado que acompanha o caso.

Em depoimento, os adolescentes disseram que não tinham intenção de atirar em ninguém. O adolescente que encontrou a arma tem passagem pela polícia. O revólver foi apreendido e será periciado. A Secretaria Estadual de Educação informou que o conselho da escola vai se reunir para definir as medidas que serão tomadas em relação aos alunos envolvidos no caso.

Mais dois casos de agressão em escola

Vídeos postados no site YouTube revelaram a violência em colégios em Olinda e em Abreu e Lima
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A violência não para de crescer nas Escolas públicas do estado. Ontem, dois novos casos de bullying dentro de unidades da rede estadual vieram à tona por meio de vídeos postados no YouTube. As duas situações aconteceram no início de agosto.

Um adolescente de 15 anos foi agredido por 10 alunos dentro da Escola Estadual Luís Rodolfo de Araújo Júnior, em Abreu e Lima. Em Olinda, naEscola Estadual Sagrado Coração de Jesus, uma menina de 12 anos apanhou de uma colega de turma dentro da sala de aula.

As imagens mostram que a professora assistiu a tudo mas só se aproximou das alunas depois que a agressora saiu. As vítimas, que tiveram ferimentos leves, devem prestar depoimentos hoje de manhã na Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), em Paulista.

Na próxima segunda-feira, serão ouvidos alunos,professores e diretores das duas Escolas. O número de agressões envolvendo estudantes de Escolas públicas aumentou este ano.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Defesa Social (SDS), só no primeiro semestre foram registrados 60 casos de lesão corporal dentro de Escolas estaduais da Região Metropolitana do Recife (RMR). Seis a mais que no mesmo período do ano passado.

“Os jovens não recebem mais Educação básica em casa e na Escola. Hoje as crianças e adolescentes podem tudo. Estamos criando pequenos monstrinhos que não temem a nada”, afirmou o delegado responsável pelas investigações dos casos, Jorge Ferreira.

O que mais chama a atenção nos episódios é a banalização da violência, que começa com provocações repetitivas, principal característica da prática de bullying. Tanto o aluno de Abreu e Lima quanto a estudante de Olinda foram agredidos sem motivo aparente.

Em nota oficial, a Secretaria de Educação do Estado (SEE) informou que está articulando a instalação de comitês de mediação de conflitos nas Escolas Sagrado Coração de Jesus, em Olinda, e Luiz Rodolfo de Araújo Júnior, em Abreu e Lima.

O curioso é que, nesta última instituição, foi desenvolvido o projeto Observatórios da Educação, da comissão de direitos humanos da SEE. O trabalho foi desenvolvido no ano passado mas, por falta de verbas, acabou suspenso. O comitê de mediação de conflitos terá a função de tomar conhecimento das desavenças e dar encaminhamentos para evitar agressões.
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Fonte: Diário de Pernambuco - Todos pela Educação - http://todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/18239/mais-dois-casos-de-agressao-em-escola/

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Estado admite aula em janeiro - Greve dos professores


Por Joana  Suarez

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) admitiu ontem que a greve dos professores, iniciada no último dia 8 de junho, irá estender o ano letivo pelo menos até o dia 13 de janeiro de 2012. Em encontro com deputados estaduais, a secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, afirmou que, devido à perda de 40 dias letivos (até ontem), será inevitável utilizar o mês de janeiro para fazer a reposição das aulas.

Em entrevista a O TEMPO, Ana Lúcia disse que a medida é uma alternativa para que os 336 mil alunos afetados pelo movimento não tenham o ano comprometido. "Não vamos deixar que os estudantes percam o ano letivo", garantiu a secretária.

Balanço divulgado ontem à noite pela SEE indicava que a adesão à paralisação aumentou com mais 12 instituições afetadas pela greve. Dos 3.777 colégios do Estado, 78 estão totalmente parados e 690, parcialmente prejudicados pelo movimento, segundo o órgão. O governo autorizou que as escolas façam a designação de 2.502 profissionais. Com isso, o Estado espera agilizar o preenchimento das vagas dos grevistas. A assessoria da SEE informou que só terá um balanço das contratações na próxima semana. Levantamento divulgado na última sexta-feira pelo órgão indicava que apenas 356 professores haviam ocupado as vagas disponíveis. A medida visa atender aos alunos do 3º ano do ensino médio, que se preparam para o vestibular e irão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em outubro.

Ontem, algumas escolas retomaram às aulas com a chegada de profissionais substitutos. Na Maurício Murgel, no bairro Nova Suíça, região Oeste de Belo Horizonte, 11 professores foram designados para atuar nas sete turmas do 3º ano. "Vamos repor as aulas em todos os dias possíveis para amenizar a perda de conteúdo", afirmou a diretora Sônia Marinho.

Uma das contratadas foi a professora de português Clariza Eduardo de Souza, 34. Formada em letras, a experiência dela, até então, era com o ensino fundamental. "Já cheguei passando várias atividades. Não podemos perder tempo", disse. Para a vaga de professor de sociologia, a escola não tinha candidatos até ontem. As demais disciplinas foram preenchidas. Segundo a diretora, como 70% dos 150 profissionais da unidade aderiram à greve, os alunos do 1º e 2º ano permaneciam sem aulas.

Saiba mais
MPE. O Sind-UTE vai enviar ao Ministério Público a lista de escolas que contrataram professores sem habilitação para lecionar.
Resposta. A SEE informa que os professores substitutos podem ser habilitados em área de ensino afim, como, por exemplo, um engenheiro que pode dar aula de matemática.

Reunião. No dia 24 está prevista uma nova reunião entre sindicato, governo e MPE.
A contratação de professores substitutos levou alguns educadores em greve a retomar seus postos em escolas de Belo Horizonte e região metropolitana.Na Professor Guilherme de Azevedo Lage, no São Gabriel, região Nordeste da capital, 40% dos docentes envolvidos no movimento anunciaram ontem que vão voltar a dar aulas. Segundo a diretoria da unidade, antes de optar pela contratação de substitutos, os profissionais efetivos foram contactados por telefone e convidados a desistir da paralisação. Na escola São João da Escócia, em Santa Luzia, oito substitutos foram contratados. Faltou apenas o de física. Explicada a situação pela diretora, o titular se comoveu e retornou ao colégio.
Se o professor em greve voltar à escola e encontrar um profissional em seu lugar, o substituto permanecerá na escola por seis meses, mas em outras atividades pedagógicas, recebendo R$ 1.320 mensais. (JS)

Fonte: O Tempo (MG)

Piso de docente motiva greve em 19 Estados

Professores de escolas públicas de pelo menos 19 Estados, além do Distrito Federal, pararam ontem as atividades para pedir o cumprimento da lei que estabelece piso salarial

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Professores de Escolas públicas de pelo menos 19 Estados, além do Distrito Federal, pararam ontem as atividades para pedir o cumprimento da lei que estabelece piso salarial.

Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que organizou o protesto, houve paralisações envolvendo 17 redes estaduais e 25 municipais em Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Tocantins, Rondônia e Sergipe.

Em Alagoas, cerca de 240 mil alunos ficaram sem aula. Na Bahia, foram 3 milhões - segundo informações do sindicato, 120 mil docentes das redes estadual e municipais pararam. No Rio Grande do Sul, apenas os municípios de Pelotas e Rio Grande paralisaram as aulas.

A Lei do Piso foi sancionada em 2008 e determinou que nenhum professor da rede pública com formação de nível médio e carga horária de 40 horas semanais pode ganhar menos que R$ 950. O valor do piso corrigido para 2011 é R$ 1.187.

Fonte: O Estado de São Paulo

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A distância entre o mundo oficial e a realidade de fato na educação


A distância entre o mundo oficial e a realidade de fato na educação, inclusive
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Do Bloger do Euler Quem se der ao trabalho de visitar o site da SEE-MG ou do MEC terá a impressão de que estamos vivendo em outro estado e em outro país. No site da SEE-MG as notícias dão enfoque a um universo que procura esconder a realidade da paralisação, estampada nas ruas, nas escolas, na mídia (mesmo quando nos criticam), no dia-a-dia de milhares de mineiros. A única referência de destaque que faz à paralisação em curso é através de uma notícia vergonhosa, com este título: "Mestres a caminho das salas de aula do 3º ano do ensino médio".

É como se estivessem apresentando para a sociedade verdadeiros mestres que estariam ingressando no ensino público. A realidade, contudo, é outra: são pessoas, até mesmo sem habilitação, convocadas para substituir os verdadeiros mestres que estão em greve. Ou seja, professores-tampão, o oposto do mestre, na sua verdadeira essência.

Aliás, o governo de Minas prima por essas práticas abomináveis. Entre elas, a de explorar a situação de desemprego no país para recrutar, entre jovens sem perspectiva imediata de emprego, aqueles que contribuirão, conscientemente ou não, com a destruição da carreira dos educadores, a qual talvez eles nem pretendam pertencer. Afinal, é apenas um bico - e a atitude do governo reforça esta concepção da profissão do professor enquanto bico, algo passageiro, e que por isso mesmo pode ser mal remunerado, já que não se pretende permanecer naquela atividade por muito tempo.

A atitude do governo mineiro guarda semelhanças também com as piores práticas da época da ditadura militar (1964-1985). Era muito comum ao então regime ditatorial estimular o egoísmo, o levar vantagem em tudo, mesmo que em prejuízo de outrem, a delação (dedo-duro) como forma de se dar bem na vida, e outras práticas voltadas para a destruição de um ambiente social solidário e participativo.

Estamos assistindo a tudo isso aqui em Minas Gerais. Diretoras das SREs convocando os diretores de escola e os tratando como se fossem pau-mandados, capitães do mato, que devessem caçar os escravos fugidos - no caso, os professores e professoras em greve. O calote realizado através do subsídio, obrigando os servidores a permanecerem nesse sistema, sob a pena de terem como castigo seus salários reduzidos, como aconteceu de fato com todos nós que tivemos coragem e sabedoria de optar pelo antigo regime remuneratório, é outro exemplo de ato despótico.

Mas, nada disso aparece no site da SEE-MG, pois ele reflete um recorte da realidade que procura esconder as outras realidades, sobretudo aquilo que de fato é decisivo para a vida dos profissionais da Educação: a carreira ameaçada e o piso salarial nacional. Também nisso o governo mineiro reproduz o período ditatorial, que reproduzia, com a ajuda de uma mídia censurada e dócil (hoje comprada), notícias de sucesso na economia, no esporte, enquanto mantinha escondidos os porões, onde centenas de valentes lutadores sociais eram presos, barbaramente torturados e executados.

Nós, educadores em greve, somos um pouco a encarnação viva desses lutadores. Já sofremos cortes e redução dos nossos salários, de forma vergonhosa; já tivemos que enfrentar a polícia de choque do governo, com gás de pimenta e cassetete; estamos sendo substituídos ilegalmente por contratados que pensam estar levando vantagem nesse novo bico oferecido pelo governo; e somos apresentados para a sociedade como culpados pela ausência das aulas que prejudica aos alunos. Não é o governo, que não cumpre uma lei federal e que e se recusa a pagar o piso salarial nacional a que temos direito, que é o culpado, não. Somos nós, educadores, que somos apresentados como os vilões da história, tal como acontecia com os lutadores sociais no tempo da ditadura militar.

Outro dia mesmo esteve em Minas uma diretora norte-americana, visitando algumas escolas e reunindo-se com os agentes da secretaria da Educação. Será que ela soube que os educadores de Minas estão em greve? E que esta paralisação se deve ao não pagamento de um piso salarial miserável? Muito provavelmente ela não tomou conhecimento desses dados. Mas, algum dia certamente ficará sabendo dos fatos, ainda mais considerando a realidade da Internet e da internacionalização instantânea das notícias. Não sei que juízo de valor ela fará das pessoas que a receberam aqui, caso não tenham tido (o que é mais provável) a coragem de expor o cenário real da Educação mineira.

Tal como os dias sombrios da ditadura militar, em Minas procura-se a todo custo apagar a memória das lutas, das conquistas, dos direitos. Um novo sistema remuneratório - o subsídio - é imposto como se a carreira dos educadores mineiros tivesse começado hoje.

Mas, essa distância entre o mundo oficial e a realidade fática verificada aqui em Minas, acontece também na esfera federal. Se visitarem o site do MEC não encontrarão uma única referência com destaque, na página inicial, à obrigatoriedade do pagamento do piso salarial nacional. Enquanto milhares de educadores cruzaram os braços por toda parte do Brasil no primeiro semestre deste ano, o Ministério que deveria ser da Educação manteve-se calado, omisso, como se nada daquilo tivesse algo a ver com ele.

Nos discursos oficiais, o ministro-falastrão diz que o governo tem como meta prioritária a valorização dos educadores. Imaginem então se não fosse prioridade? Contudo, esse discurso morre logo após a sua pronúncia; dissipa-se no ar feito areia no deserto. A nova moda do governo federal agora é dizer que a meta é fazer com que a média salarial dos professores não fique abaixo da média salarial de outras carreiras... até 2020. Bilhões serão gastos com a Copa de 2014. Mas, nós, educadores, podemos esperar até 2020... ou quem sabe até 2030, 2040?

Somos sempre lançados para o futuro, porque o presente é para poucos: banqueiros, empreiteiros, agentes políticos do alto escalão, agronegócio, grande mídia, etc. Eles abocanham tudo, deixando para nós, educadores e trabalhadores de baixa renda em geral, a disputa das migalhas e o sonho de um futuro melhor. Se pelo menos pudéssemos pagar as nossas contas com os prometidos salários do futuro, tudo bem. Vou comprar essa casa hoje e assinar um cheque com o salário que o ministro diz que eu vou receber daqui a 10 anos, tudo bem? Quem se dispõe a vender tal imóvel para mim?

Pois é assim que as coisas funcionam para os de cima. Eles se apropriam do nosso presente e vendem promessas para o futuro. Da mesma forma que fazem nos sites que administram: vendem recortes de uma realidade que não existe, enquanto roubam da população as muitas realidades dramáticas vividas na educação.

Neste contraste entre a realidade espetaculosa - inventada, recortada, manipulada -, e a realidade de fato, a nossa greve se impõe como aquela pedra do poeta mineiro que se encontra no caminho. Tão importante quanto a luta por um direito constitucional - o piso salarial nacional - tem sido a possibilidade do diálogo público, da formação crítica, da construção de muitas redes e elos de intercâmbio entre educadores e a comunidade. Muito daquilo que não se consegue realizar em tempos "calmos", marcados pela rotina de trabalho duro, exaustivo, que consome boa parte do nosso tempo, na greve tem acontecido, qual escola aberta em praça pública.

Diferentemente do mundo deslumbrado no qual vivem os agentes da alta esfera do poder, nós, educadores do chão da fábrica vamos abrindo pacientemente os caminhos que podem conduzir à verdadeira valorização dos trabalhadores da Educação e de uma escola pública de qualidade para todos. E como consequência disso, de um mundo melhor para se viver, mais solidário, mais democrático, mais livre.

A nossa luta representa tudo isso: em oposição aberta ao deslumbramento dos de cima, e em contribuição à verdadeira libertação dos de baixo.

Um forte abraço a todos e força na luta! Até a nossa vitória, com o piso implantado no nosso vencimento básico!

O governos e a greve: promessas são promessas...

Fonte: O Tempo (MG)
Educação e desenvolvimento regional ainda engatinham
Anderson Alves
A campanha à reeleição do governador Antonio Anastasia (PSDB), no ano passado, foi focada na proposta da continuidade, mas o tucano, na época, enumerou uma série de projetos tratados por ele como prioritários para o Estado. Levantamento feito por O TEMPO, com base nas promessas de campanha do tucano, mostra que projetos em áreas como saúde e segurança já foram concretizados ou estão em andamento, enquanto as metas estabelecidas por ele nos palanques para os setores da educação e do desenvolvimento regional ainda engatinham.

Nos primeiros oito meses de seu segundo mandato, o governador já assinou, conforme prometera na campanha, convênios com prefeituras para a construção de quatro novos hospitais regionais - em Juiz de Fora, Uberaba, Sete Lagoas e Divinópolis -, para reduzir a demanda de atendimento especializado na capital. O aumento da rede hospitalar foi um dos principais pontos enfatizados pelo tucano durante a campanha. Além disso, foram lançados projetos específicos para o setor, como o Mães de Minas, que visa a redução dos índices de mortalidade infantil no Estado de 13% para 9% até dezembro deste ano. Outra área que recebeu atenção do Executivo nestes oito meses foi a segurança. O governo enfrentou, no primeiro semestre, uma greve de policiais militares e bombeiros, mas chegou a um consenso para a aplicação de uma tabela de reajustes para os agentes de segurança, entre 10% e 15%, até 2015. Assim, os salários terão um aumento de 100% no período. As polícias Civil e Militar ainda deverão receber, até o final do ano, um reforço no efetivo.

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Demora. O avanço prometido por Anastasia, enquanto candidato, contudo, ainda não foi observado em outras áreas. É o caso da educação. Os professores estaduais estão em greve pelo pagamento do piso nacional da categoria. O certo é que o impasse impede que haja avanço na política salarial para os trabalhadores do setor, que foi uma das promessas de campanha do tucano. A assessoria do governo reafirma que o Estado já cumpre proporcionalmente o pagamento do piso nacional.

Outra área que preocupa os mineiros é o desenvolvimento econômico de cidades do interior. Muitas empresas deixaram Minas para se instalar em outros Estados com carga tributária menor. A assessoria do governo argumenta que Anastasia enviou à Assembleia Legislativa um projeto que concede isenções de tributos às empresas que se instalarem nos 166 municípios mineiros da área da Sudene, que envolve o Norte e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri. A iniciativa ocorreu após uma fracassada tentativa da bancada mineira no Congresso de incluir o Estado na lei federal que dá incentivos fiscais ao Nordeste do país.
Defesa
"Os primeiros meses são de planejamento"
A aparente demora nos investimentos prometidos pelo governador Antonio Anastasia em determinadas áreas faz parte do estilo implantado pelo próprio tucano. Segundo o deputado estadual João Leite (PSDB), um dos líderes da bancada governista na Assembleia, os primeiros meses de gestão são de "muito estudo e definição de metas". "Esse é um ano de planejamento. A Assembleia terá que votar o Plano Mineiro de desenvolvimento Integrado (PMDI), que coloca metas para daqui a 20 anos, e o Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG), que impõe metas para 2015. O governador tem enfatizado isso: que é preciso planejar primeiro para colher os frutos", afirmou.
Mesmo assim, para João Leite, o governo mineiro tem "demonstrado força para superar as dificuldades" do início da gestão. "Enfrentamos uma greve na polícia e estamos enfrentando outra na educação, mas o governo não parou. Os investimentos em diversas áreas continuaram, ao contrário do governo federal, que praticamente paralisou as obras no Estado", alfinetou. (AA)

Fonte: O Tempo (MG)

domingo, 14 de agosto de 2011

GREVE DOS PROFESSORES

 
Secretaria da Educação já autorizou 356 contratações para lugar dos grevistas, a maioria a partir de terça (Foto de Luiz Costa)

Por: Danilo Emerich 
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Professores temporários, contratados para substituir os grevistas, já estão assumindo salas de aula do 3º ano do Ensino Médio nas escolas de Minas. A Secretaria de Estado da Educação (SEE) autorizou, até o meio-dia de sexcta-feira (12), 356 designações, das aproximadamente 3.200 previstas. A expectativa é de que a partir de terça-feira (16) as aulas sejam retomadas na maioria das 378 escolas afetadas pela paralisação que já completou 39 dias efetivos.

No Colégio Estadual Central, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, as aulas não voltaram ontem, como havia previsto a inspetora da unidade, Melanie Maria Baeta Pereira. Segundo a vice-diretora, Roseane Lopes, foi feito o pedido para substituição de cinco professores para o turno da manhã e de todos os educadores para as seis turmas do 3º ano noturno. A previsão é de que as aulas comecem a partir de quarta (17) ou quinta-feira (18).

Na unidade, os alunos vivem a expectativa de retomar as aulas perdidas. A estudante Rafaela Stefani, de 17 anos, está sem as disciplinas de Matemática, Geografia, Filosofia e Sociologia há dois meses. Para ela, mesmo com os professores substitutos, o prejuízo é grande demais e dificilmente será reparado. “Não há como repor mais de 30 dias sem aula”, diz. O aluno Fábio Totti, de 18 anos, também lamenta a paralisação e diz que os estudantes já estão cansados da greve. “Como vou fazer uma prova no Enem se não tive aula da disciplina?”, questiona.

Uma das escolas que já designaram professores substitutos é a Estadual Leonina Mourthe de Araújo, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Lá, 11 dos 14 educadores provisórios aprovados pela SEE já assinaram os contratos. Na segunda-feira eles irão conhecer o cronograma da unidade e na terça já assumem as turmas. Também para a terça-feira é previsto o retorno das aulas na Escola Estadual Catarina Jorge Gonçalves, no Conjunto Água Branca, em Contagem. Segundo a direção da unidade, dez substitutos foram selecionados ontem e devem começar a atuar nas seis turmas dos turnos matutino e noturno.

O processo de contratação de novos professores também está adiantado na Escola Estadual Augusto de Lima, em Nova Lima, cujas aulas foram completamente suspensas desde o início da greve, no dia 8 de junho. O pedido para a contratação de 20 professores foi feito na última quinta-feira. A previsão é que os alunos voltem às aulas na quarta-feira.

Panfletagem e carroçada por melhores salários : Os professores grevistas realizaram na sexta-feira (12), dois atos na luta pela aplicação do piso salarial nacional em seus vencimentos básicos. Pela manhã, 33 educadores entregaram panfletos na ponte metálica sobre o Rio das Velhas, na BR-381, na divisa entre Sabará e Belo Horizonte. O impacto sobre o trânsito foi inevitável. À tarde, o protesto foi realizado na Avenida Vilarinho, em Venda Nova. No lugar de passeata e carreata, foi feita uma “carroçada”, como um contraponto ao slogan “Minas Avança”.

Um dos grevistas presentes no ato era a professora de Geografia Graziella da Costa Moreira Souza, de 34 anos. Ela é educadora há 16 e conta que seu salário bruto é de R$ 1.900, mas o vencimento base é apenas de R$ 567. O restante que compõe o contracheque são bonificações e extras, como biênio e quinquênio. “Trabalho 37 horas semanais em duas escolas. Dentro das salas, somos ameaçados por alunos e, se chamamos a atenção deles, chegam a arranhar o nosso carro. Se ganhássemos mais, acredito que o ensino seria melhor”, afirma.

Fonte: Hoje em Dia (MG)

sábado, 13 de agosto de 2011

E a GREVE continua

Escolas não estão conseguindo repor professores em greve
Por Gabriela Sales
Três dias após o aval dado pelo governo de Minas para a convocação de 3.000 substitutos aos professores em greve, apenas 356 educadores foram contratados para as vagas no 3° ano do ensino médio da rede estadual. O total representa 11% do anunciado pela Secretaria de Estado de Educação (SEE), na última terça-feira.

A convocação de professores substitutos é uma medida emergencial do governo do Estado em resposta ao pedido de pais e alunos que temem ser prejudicados no Enem, marcado para os dias 22 e 23 de outubro. Fora das salas de aula há 65 dias, os professores pedem a adoção de um piso de R$ 1.597 para uma jornada de 40 horas semanais. No entanto, o governo, que adota a política de subsídio desde janeiro, afirma que o menor salário pago em Minas é de R$ 1.122 para uma jornada de 24 horas semanais.

Com a baixa adesão dos substitutos, a SEE já admite que as atividades para o 3º ano do ensino médio não podem não ser reiniciadas nesta segunda-feira, dia 15, conforme o anunciado. A volta às aulas pode ocorrer nos demais dias da semana. Para a diretora da Escola Estadual Governador Milton Campos, Maria José Duarte, a dificuldade em localizar educadores está na qualificação. "Além da burocracia que deve ser seguida, ainda temos dificuldades para encontrar professores qualificados".

Ontem, cerca de cem professores realizaram manifestações em Venda Nova e na BR-381, em Sabará, na região metropolitana. Utilizando carroças, os professores ironizavam o governo do Estado, sugerindo um avanço educacional a passos lentos.

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Paralisação: Segundo a SEE, até ontem, 80 escolas permaneciam sem aulas e 671 estavam parcialmente paradas. O Sind-UTE informa que 50% das escolas estão sem atividades.
Sem feriados e recessos: A incerteza do início das aulas para os alunos do 3º do ensino médio pode comprometer ainda mais o fim do ano letivo. Com uma carga de 200 dias letivos a ser cumprida, as atividades deverão acontecer até em feriados e recessos, além dos 18 sábados já divulgados. Mesmo se as aulas forem retomadas nesta segunda-feira, as reposições terminarão no fim de dezembro. (GS)
Fopnte: Super Notícia (MG)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Conceito de Educação deve mudar

''Não é possível pensar em sociedade sustentável com uma Educação para os nossos filhos e outra para os filhos dos outros'', diz o filósofo e educador colombiano Bernado Toro
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Fonte: Valor Econômico (SP)
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Educação, para Bernado Toro, filósofo e educador colombiano conhecido pela defesa da escola igual para todos, deve ser fator de aglutinação. "Não é possível pensar em sociedade sustentável com uma educação para os nossos filhos e outra para os filhos dos outros", diz. "Não é possível propor uma sociedade inclusiva com dois tipos de educação."

Em debate sobre a "Educação para a Sustentabilidade", durante a conferência do Ethos realizada esta semana, Toro alertou que a economia sustentável não combina com o critério de ganhar e perder.

"O ganha-ganha é hoje o maior desafio pedagógico de ensinar como lidar com o emocional, político, econômico, social, cultural e até espiritual."

Toro enfatizou também a importância da aprendizagem do cuidado em todo processo educativo - saber cuidar de si, do outro, do intelecto, do planeta e da espiritualidade. E falou ainda da cultura da hospitalidade - "sem ela os grandes países vão fazer matanças contra imigrantes". Para chegar pelo menos perto da educação sustentável a que Toro se refere são necessárias profundas transformações nos currículos escolares. Com isso concordou Antonio Carlos Ronca, representante do Ministério da Educação e Cultura (MEC) no Conselho Nacional de Educação (CNE). Por lei, segundo Ronca, os currículos deveriam ter educação ambiental de forma transversal em todas as disciplinas.

"Os conceitos de educação sustentável passam distante do aluno, que aprende regra de três, raiz quadrada, num currículo amarrado, com conhecimentos ministrados há séculos", disse Ronca. "Incluir novos conceitos é uma questão de sobrevivência", afirmou. Ronca advertiu ainda que a única forma de vencer o analfabetismo é a opção das escolas pela sustentabilidade.

O presidente do Grupo de Empresas e Fundações (Gife), Fernando Rossetti, foi a voz do investimento social privado em educação. Entre as 130 organizações que compõem o Gife, 20% a 25% dos investimentos são aplicados na educação - 60% das ações são concentradas nas áreas de atuação das empresas.

"O setor privado aplica no setor público para elevar os níveis de educação no país", disse Rossetti. "O Todos Pela Educação[articulado por empresas] é um movimento que nasceu no setor privado para que todos tenham acesso a educação de qualidade", citou como exemplo.

A articulação dos jovens em torno dos temas ambientais foi destacada por Rangel Mohedano, consultor em políticas públicas de juventude e meio ambiente. "O papel da educação para a sustentabilidade é trazer as questões para enfrentar as crises; é olhar para os próprios erros", disse.

Para Rangel, a geração atual é estratégica para a mudança de modelo. "É a mais vulnerável, sem acesso às ferramentas e sem conhecimento necessário para o desafio." Para que a sustentabilidade faça parte da educação é necessário pensar a escola como espaço de construção da cidadania, de construção de um país novo, na opinião de Roberto Leão, da Confederação Nacional dos Professores. "O Brasil precisa de um projeto de política de financiamento que vá além dos 5% que o governo aplica em educação", disse.

O papel da escola é fundamental para a sustentabilidade, na opinião de Leão. "Quando há respeito à diversidade, o resultado é sustentabilidade", disse. Leão advertiu ainda que um novo paradigma para a educação não pode conviver com a tolerância ao analfabetismo, nem com trabalho escravo. "Não se pode admitir que a sétima economia do mundo conviva com trabalho escravo".

Roberto Leão considera fundamental que a Rio + 20, conferência das Nações Unidas sobre economia verde que será realizada ano que vem, inclua a educação entre os temas.  Vera Masagão, diretora da Associação Brasileira das Organizações Não Governamentais (Abong), lembrou que na Rio 92 um novo ator político surgiu em cena - justamente as ONGs.

"Surgiu uma nova forma de organizar a sociedade civil para suprir a ausência do Estado", disse ela. "Desse projeto social nasceu uma nova forma de fazer política; e um dos espaços mais apropriados para a juventude é a prática política."  Rangel, que representa a juventude e o meio ambiente, disse que a nova geração está longe de ser passiva. "Estamos fazendo uma revolução silenciosa; é só olhar para a transformação dos jovens e constatar".

Roberto Leão, do Centro do Professorado, ressaltou que a valorização dos professores está na remuneração, mas principalmente numa formação consistente e sólida. "Escola pública tem de valorizar além do português e matemática", disse. "Escola precisa mais dinheiro e gestão de qualidade", disse.

Para ele, o professor precisa conhecer a escola e a história da escola para entender o atual modelo, "até para ter condições de mudar tudo". Leão advertiu que a escola não é nem pode ser espaço para competição. "Competição não faz avançar; o que faz avançar de verdade é a solidariedade, a construção coletiva." Para Vera Masagão, além da solidariedade, a discussão deveria ficar centrada na nova economia, na nova política. "A educação deve ser focada em direitos iguais", afirmou.

Em uma das consultas realizadas junto aos participantes da conferência do Ethos, 96% consideraram que os educadores não têm o papel que deveriam na formulação de propostas para a Rio + 20. Em outra questão, se a sociedade está preparada para pagar aos professores salários condizentes ao que a sociedade exige deles, a plateia ficou dividida: 54% (sim) contra 46% (não).

Em sua fala final, Antonio Carlos Ronca, adiantou que o Conselho Nacional de Educação acaba de lançar as diretrizes para a nova educação infantil e para os ensinos fundamental e médio. "Estamos finalizando as diretrizes para o ensino profissionalizante. "Nosso desafio é lançar as diretrizes para a educação ambiental."

Rossetti, do Gife, criticou as escolas por seguirem os conceitos da revolução industrial. "A linha de montagem que surgiu nas escolas com professores específicos para cada fase emergiu de uma revolução industrial que não está preparada para uma sociedade mais justa e responsável", avaliou.

Toro resumiu o que acredita ser a transformação que todos buscam: "Ter um projeto de vida pessoal, abrir espaço para a possibilidade de dar e receber ajuda e multiplicar a informação acumulada", disse. "O resto está no Google."
Fonte: Valor Econômico - Todos pela Educação