sábado, 26 de novembro de 2011

Socorro! Estou com medo de ficar jovem.



Célia Corrêa*
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novembro de 2011
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Você não entendeu errado, estou com medo de ficar jovem. Tive um pesadelo daqueles de fazer suar forte. Sonhei, que todos os idosos estavam obrigados a tomar o elixir da juventude; um medicamento que recuperaria, em poucos instantes, a juventude perdida.
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Que horror! Tentei fugir das mãos do aplicador, mas não consegui.
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Não estou confusa, nem deveria dizer o contrário. É isto mesmo que quero falar!
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Chegar aos sessenta anos com vontade de continuar trabalhando, com ânimo, determinação, coragem e muita crença na vida parece-me ser algo distante da condição de uma grande parte dos jovens de hoje. Que lástima!
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Como leciono e pretendo continuar nesse mister por muito tempo, não é raro o dia em que me deparo com um grande número de jovens (16 a 25 anos) cansados, morrendo de sono, de fome, de frio, de desânimo, com dor aqui e dor ali.
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Muitos justificam as faltas às aulas ou o não cumprimento das atividades porque estavam doentes. Levam atestados e, tão logo entram em sala de aula, debruçam-se sobre a mochila na carteira e lamentam por tudo. Levam um bom tempo para uma mudança de lugar, para ligar o chip da atenção, para formar grupos de trabalho e para abrir o pesado arsenal que carregam. Os rostos expressam dor, frieza e preguiça. Quando questionados, apontam para as dores de cabeça, cólicas, tonturas e ou outros males.
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Quase sempre se assustam quando cobrados para a apresentação de um trabalho e se justificam com a famosa frase "Eu não sabia".
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Converso com eles, com freqüência, sobre essa condição e quase sempre ouço as suas explicações de que o cansaço é grande. Mesmo que sejam gentis e estejam informados da importância dos estudos para o desenvolvimento pessoal e profissional, não dão conta das obrigações. Subir escadas então, nem pensar!
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Há dias, vi uma estudante dando um "chilique", porque seria obrigada a subir três andares de escada, uma vez que o elevador estava quebrado. Alegou "n" motivos para ficar nervosa, inclusive o direito de uso do elevador porque paga a faculdade, isto é," está pagando!". Nervosismo, outro mal da juventude. Quando será que a serenidade fará parte da sua vida?
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Coitada! Mostrei-lhe a escada que subo e desço todos os dias sem reclamar. O que ouvi? Um claro "você é você e eu sou eu. Não dou conta, porque trabalho o dia todo" .
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Coitada! Eu também trabalho o dia todo. Passo, no mínimo, oito horas por dia em pé nas salas de aula. Saio de uma escola onde leciono durante toda a tarde para, logo em seguida, seguir para mais uma jornada na faculdade .
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Faltar, atrasar ou se esquecer não podem fazer parte do vocabulário de uma professora. Ah, ainda tenho que ouvir aquela jocosa fala: "- mas, você também trabalha ou só dá aula?"
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Meu Deus! Ainda bem que acordei e constatei que estou firme e pronta para mais um dia de estudo, pesquisa, preparo de aulas, correção de provas e trabalhos, lançamentos de registros burocráticos, consultoria, palestra, compras, arrumação da casa, abastecimento do carro, leitura e respostas de e-mails (grande parte originada deles, os alunos) telefonemas, família, participar de algum evento social e, com o sorriso no rosto, partir para mais uma carga de aula com o coração pleno de esperança e felicidade.
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Acordei e corri para o espelho. Constatei, que o branco dos cabelos e as rugas no rosto estão mais evidentes. Graças a Deus estou viva, mais velha e não preciso fugir do elixir!
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Enquanto isto, não desisto de continuar incentivando os jovens para que acreditem na possibilidade de uma velhice mais dinâmica e frutífera. Vou continuar esperando por eles, até que me digam "_ pode descansar, professora, porque agora estamos prontos para fazer um mundo melhor, porque nós podemos!".
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Falei de uma boa parte dos jovens, porque a outra pequena parte está voando para o futuro e desvendando novas tecnologias e mais possibilidades. Um paradoxo?!!!!!!
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Tenho que parar por aqui para conversar com um amigo septuagenário que tem duas aposentadorias, mas continua trabalhando para manter seus jovens filhos, genros, noras e netos. Ele ainda não teve tempo para ficar cansado ou desanimado. Pensa e acredita no futuro dele e de todos. Hoje, vamos discutir os livros de filosofia que estamos lendo e nos deliciando com os temas. Vamos viajar no tempo para renovar as energias.
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*Célia Maria Corrêa Pereira. Professora. Administradora. Mestre em Engenharia de Produção.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Educação e política

Funcionária de cantina é afastada de escola em Mathias Lobato após agredir alunos com vassoura

A funcionária da cantina de uma escola em Mathias Lobato, na Região Leste de Minas, foi afastada da instituição de ensino, por suspeita de agressão a alunos. Segundo testemunhas, a mulher teria usado uma vassoura para tentar separar uma briga de estudantes e acabou ferindo alguns deles.

De acordo com a direção da escola, o afastamento previsto para a funcionária era de três dias, mas a Secretaria Municipal de Educação determinou a prorrogação do prazo por tempo indeterminado. Um processo administrativo pode ser aberto.

O caso foi encaminhado para a Promotoria da Infância e da Juventude de Governador Valadares, na Região do Vale do Rio Doce, onde o processo tramita em segredo de Justiça.

Fonte: O Tempo (MG)

Professor agride alunos dentro do Instituto de Educação

Pollyanna Dias - Do Portal Hoje em Dia (MG -  25/11/2011

O Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG) foi palco, na quinta-feira (24), da segunda cena de violência em uma semana. No turno da tarde, um professor, identificado apenas como Gilson, teria agredido quatro alunos fisicamente e uma professora verbalmente.

Em entrevista, a educadora, que preferiu não se identificar, afirma que viu alguns de seus alunos chorando e foi verificar o que tinha acontecido. "Ele (o professsor) começou a discutir comigo. Achei melhor me afastar", disse. A professora ainda contou que não é a primeira vez que Gilson agride alunos no IEMG. "Desta vez os pais vão registrar queixa na delegacia e exigem uma providência da escola. Na última vez, a denúncia foi feita na instituição, mas providências não foram tomadas", completou a professora.

Segundo a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, o caso está sendo apurado desde quinta-feira. Nesta sexta, uma inspetora da Superintendência Regional de Ensino foi designada para acompanhar e apurar os fatos na escola.

Ainda de acordo com a Secretaria, na segunda-feira (28), haverá uma reunião entre a direção do IEMG, professores e pais dos alunos para escutar as versões de cada um. A partir do que for concluído, a escola vai definir qual medida administrativa vai tomar. Na última quinta-feira (18), um aluno de 14 anos foi agredido por um colega, dentro do IEMG, e sofreu fratura exposta em um dos braços. O garoto já havia sido agredido outras duas vezes.

Segundo a Secretaria de Educação, após reunião realizada com os envolvidos no caso e seus responsáveis, a escola chegou à conclusão de que os estudantes eram, na verdade, amigos e que estariam brincando. Como medida disciplinar, o Instituto definiu que o grupo deverá produzir um trabalho sobre as consequências de brincadeiras violentas. O material será apresentado por eles, em todas as salas, durante o horário escolar. O Portal HD tentou contato com a direção da instituição de ensino para esclarecer o caso registrado na quinta-feira (24), mas não obteve resposta.

MPF recebe novos relatos de bullying


Novos relatos de bullying indicam que as denúncias de agressões sofridas por alunos do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na quarta-feira, não foram as primeiras. No dia 11, pais de outras crianças e adolescentes protocolaram representação pedindo providências ao Ministério Público Federal (MPF) em relação a abusos promovidos por estudantes.

A última denúncia de agressão foi registrada por pais em boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial do Bairro Ouro Preto, na Pampulha, relatando que 10 meninas do 5º ano foram agredidas por um grupo de meninos do 6º ano, na quarta-feira. Segundo a Polícia Civil, o caso será comunicado ao Conselho Tutelar e a investigação será transferida para a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). Pais de estudantes sustentam que a direção do Centro Pedagógico evita informar os problemas à Reitoria da UFMG. “Eles têm esses situações como uma coisa normal entre os alunos. Só que meu filho, que tem 12 anos, é agredido verbal e fisicamente”, disse um pai, que pediu para não ser identificado, com medo de que o adolescente sofra represálias.

“Eu deveria ter feito boletim de ocorrência antes, quando ele chegou em casa com hematoma no rosto. Em várias outras vezes, ele chegou com hematomas nas pernas”, acrescenta. Em 5 de setembro, o pai conta que protocolou documento pedindo providências à Reitoria da UFMG, com cópias para dirigentes do Centro Pedagógico e da própria universidade.“Até hoje, não tive resposta.”, disse, ressaltando que também pediu ajuda ao Ministério da Educação e ao Conselho Tutelar.

Na quarta-feira, uma das vítima de agressão foi a filha de 10 anos do bancário Paulo Sérgio de Souza, de 43. “Ela ficou com hematomas devido à violência”, denunciou o bancário. Segundo ele, as agressões foram no horário do recreio, no turno da manhã. “As meninas levaram tapas no rosto, chutes e arranhões. Os pais ficaram sabendo somente à tarde, pois as vítimas foram impedidas de avisá-los. Minha filha telefonou do celular, escondida”, disse o bancário.

A dona de casa Cláudia de Fátima Lima, de 40, conta que foi a primeira vez que a filha de 10 anos foi agredida. Ela também diz que a estudante foi impedida de ligar para casa. “Conseguiu falar comigo mais tarde, na hora do almoço. Estava nervosa e chorava muito. Contou que foi jogada no chão, que bateu com a cabeça e foi chutada. Está com o joelho todo roxo. Chamei a polícia na hora, quando fiquei sabendo”, disse.

A dona de casa conta que foi hostilizada pelos funcionários da escola. “Disseram que eu não estava deixando que eles tomassem as providências”, disse, reclamando que as vítimas não receberam atendimento psicológico. “Uma colega da minha filha não quer mais voltar ao Centro Pedagógico e será transferida. Minha filha também”, afirmou.

“Meninos maiores não deixam os pequenos usar o banheiro. Minha filha está traumatizada e se recusa a voltar. Ela sempre foi muito tranquila, nunca se envolveu em confusão, mas quem apanhou não tinha nada a ver com nada”, acrescentou.  No boletim de ocorrência relativo ao episódio, registrado por policiais do 34º Batalhão da PM, consta que a filha da denunciante permaneceu no interior da escola, sob a responsabilidade da vice-diretora, que não quis receber os policiais, alegando estar em reunião com outros professores.

Fonte: EStado de Minas (MG)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Governador comemora aprovação de subsídio e professores ameaçam nova greve em 2012


O governador Antonio Anastasia comemorou a aprovação do substitutivo ao projeto de lei que define a remuneração dos servidores da educação. Por 51 votos a 20, os deputados aprovaram a implantação do regime do subsídio, nessa quarta-feira (23). O governador ainda reafirmou que a proposta de reajuste é definitiva. A nova medida aprovada extingue o sistema antigo de pagamento, de piso mais benefícios, e estipula valores unificados, que variam de acordo com o tempo de serviço e a escolaridade. A coordenadora do Sindicato Únicos dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, afirmou que na próxima semana vai se reunir com a categoria para decidir de retomam ou não com a greve no ano que vem.

O projeto de autoria do Executivo tramitou em regime de urgência, desde setembro, em meio a uma acirrada disputa entre o governo e membros da categoria, estes representados pelo Sind-UTE. A aprovação representa um revés para o sindicato, que mobilizou, neste ano, a maior greve da história dos professores da rede estadual, com 112 dias de paralisação, contra o regime aprovado. O Sind-UTE queria que o governo cumprisse com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que, em agosto, determinou o pagamento do piso salarial nacional de R$ 1.187, para 40 horas semanais de trabalho - benefícios conquistados ao longo da carreira seriam pagos de forma separada.

O governo alega que o subsídio paga além do piso nacional - proporcionalmente às 24 horas semanais trabalhadas em Minas. Pela nova tabela de remuneração, o salário mínimo de um professor mineiro com ensino médio passa a ser R$ 1.122.

Fonte: O Tempo (MG) - por MÁBILA SOARES/JOANA SUAREZ

Pensamentos e sonhos sobre o Brasil


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Por: Leonardo Boff

1. O povo brasileiro se habituou a “enfrentar a vida” e a conseguir tudo “na luta”, quer dizer, superando dificuldades e com muito trabalho. Por que não iria “enfrentar” também o derradeiro desafio de fazer as mudanças necessárias, para criar relações mais igualitárias e acabar com a corrupção?

2. O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. O que herdamos foi a Empresa-Brasil com uma elite escravagista e uma massa de destituídos. Mas do seio desta massa nasceram lideranças e movimentos sociais com consciência e organização. Seu sonho? Reinventar o Brasil. O processo começou a partir de baixo e não há mais como detê-lo.

3. Apesar da pobreza e da marginalização, os pobres sabiamente inventaram caminhos de sobrevivência. Para superar esta antirrealidade, o Estado e os políticos precisam escutar e valorizar o que o povo já sabe e inventou. Só então teremos superado a divisão elites-povo e seremos uma nação una e complexa.

4. O brasileiro tem um compromisso com a esperança. É a última que morre. Por isso, tem a certeza de que Deus escreve direito por linhas tortas. A esperança é o segredo de seu otimismo, que lhe permite relativizar os dramas, dançar seu Carnaval, torcer por seu time de futebol e manter acesa a utopia de que a vida é bela e que amanhã pode ser melhor. 

5. O medo é inerente à vida porque “viver é perigoso” e sempre comporta riscos. Estes nos obrigam a mudar e reforçam a esperança. O que o povo mais quer, não as elites, é mudar para que a felicidade e o amor não sejam tão difíceis.

6. O oposto ao medo não é a coragem. É a fé de que as coisas podem ser diferentes e que, organizados, podemos avançar. O Brasil mostrou que não é apenas bom no Carnaval e no futebol. Mas também bom na agricultura, na arquitetura, na música e na sua inesgotável alegria de viver.

7. O povo brasileiro é religioso e místico. Mais que pensar em Deus, ele sente Deus em seu cotidiano que se revela nas expressões “graças a Deus”, “Deus lhe pague”, “fique com Deus”. Deus para ele não é um problema, mas a solução de seus problemas. Sente-se amparado por santos e santas e por bons espíritos e orixás que ancoram sua vida no meio do sofrimento.

8. Uma das características da cultura brasileira é a alegria e o sentido de humor, que ajudam a aliviar as contradições sociais. Essa alegria nasce da convicção de que a vida vale mais do que qualquer coisa. Por isso deve ser celebrada com festa e diante do fracasso, manter o humor. O efeito é a leveza e o entusiasmo que tantos admiram em nós.

9. Há um casamento que ainda não foi feito no Brasil: entre o saber acadêmico e o saber popular. O saber popular nasce da experiência sofrida, dos mil jeitos de sobreviver com poucos recursos. O saber acadêmico nasce do estudo, bebendo de muitas fontes. Quando esses dois saberes se unirem, seremos invencíveis.

10. O cuidado pertence à essência de toda a vida. Sem o cuidado ela adoece e morre. Com cuidado, é protegida e dura mais. O desafio hoje é entender a política como cuidado do Brasil, de sua gente, da natureza, da educação, da saúde, da justiça. Esse cuidado é a prova de que amamos o nosso país.

11.Uma das marcas do povo brasileiro é sua capacidade de se relacionar com todo mundo, de somar, juntar, sincretizar e sintetizar. Por isso, ele não é intolerante nem dogmático. Gosta e acolhe bem os estrangeiros. Ora, esses valores são fundamentais para uma globalização de rosto humano. Estamos mostrando que ela é possível e a estamos construindo.

12. O Brasil é a maior nação neolatina do mundo. Temos tudo para sermos também a maior civilização dos trópicos, não imperial, mas solidária com todas as nações, porque incorporou em si representantes de 60 povos que para aqui vieram. Nosso desafio é mostrar que o Brasil pode ser, de fato, um pedaço do paraíso que não se perdeu.

* Leonardo Boff é teólogo e escrito. - lboff@leonadoboff.com
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Fonte: Jornal do Brasil

Deputados ignoram apelo de professores e aprovam projeto que muda remuneração da categoria

ANA CLARA OTONI/CLÁUDIA GIÚZA
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A contragosto dos professores, os deputados estaduais aprovaram, por 51 votos a 20, o substitutivo apresentado pelo governo de Minas Gerais à Assembleia Legislativa que estabelece o subsídio como única forma de remuneração, extinguindo o sistema de vencimento básico (piso salarial com benefícios). Desde a manhã desta quarta-feira (23), os professores estavam na ALMG, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, aguardando a votação do projeto - que só começou às 20h.
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Segundo a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, o Estado ignorou o acordo firmado com a categoria que colocou fim à greve de 112 dias - durante a negociação com a categoria, o Estado aceitou que o servidor optasse pelo piso salarial ou pelo subsídio como forma de pagamento. Durante negociação com a categoria, o Estado aceitou que o servidor optasse pelo subsídio ou pelo piso salarial como forma de pagamento. A votação estava marcada para a terça-feira (21), porém, cerca de 2.000 professores fizeram uma manifestação na Casa e impediram que a sessão ocorresse. O Sind-UTE havia ameaçado voltar com a greve, caso o projeto fosse aprovado. A categoria ainda não se manifestou sobre a hipótese de realmente paralisar as atividades, com a confirmação da aprovação do substitutivo.
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O deputado Rogério Correia (PT) classificou o substitutivo apresentado pelo governo como "um novo projeto de lei", devido à quantidade de artigos no texto. Correia acusa o governo de ter agido de má-fé ao cancelar, na semana passada, a reunião com a comissão formada para debater o assunto, composta por deputados, governo e sindicato, e não abrir nova data para o diálogo. “A oposição e os professores foram traídos. O governo ganhou tempo para conseguir que o projeto ficasse em caráter de urgência e nos obrigar a votá-lo nesta semana”, disse o deputado, antes da aprovação do substitutivo.
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Força-tarefa. O governo anunciou nessa terça-feira (22) que vai montar uma força-tarefa para regularizar, até janeiro do ano que vem, a situação de todos os servidores da educação que tenham processos acumulados de aposentadoria e gratificações como quinquênios e biênios de forma que a aplicação da nova política salarial, que unifica os benefícios ao vencimento básico tenham a situação regularizada e não fiquem prejudicados com a mudança. De acordo com a secretária de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Renata Vilhena, até janeiro de 2012, todos os servidores poderão saber qual será o salário final a receber pelo subsídio e aplicação dos reajustes, que serão pagos de forma escalonada até janeiro de 2015. Para o ano que vem, está garantido 5% de aumento nos salários.
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O governo alega que optou por esse regime para unificar as remunerações e ter uma maior transparência. “Hoje, temos servidores com pagamentos individualizados com 22 gratificações diferentes. O modelo unificado é mais simplificado e transparente”, explicou a secretária. Segundo o Estado, cerca de 30% dos professores terão aumento real de até 60% no salário.
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Proposta. De acordo com a nova proposta apresentada nesta terça-feira (22) aos deputados mineiros, o crescimento da remuneração dos profissionais da educação será escalonado em quatro anos. Até janeiro de 2015, considerando os reajustes anuais - no próximo ano será de 5% - o professor estará recebendo salário dentro do novo regime, com progressão e reajuste de 2,5% para cada dois anos de trabalho e de 10% para cada nível de escolaridade avançado.
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Fonte: O tempo (MG)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Governo propõe remuneração unificada e piso de R$ 1.122


JOANA SUAREZ

Uma nova proposta de remuneração para os professores da rede estadual foi apresentada ontem pelo governador Antonio Anastasia (PSDB). Todos os professores serão transferidos, obrigatoriamente, para o sistema de subsídio, que incorpora os benefícios da categoria a um salário único. O regime antigo de vencimento básico mais benefícios será extinto. O substitutivo ao projeto de lei 2.355/11, com todas as alterações à nova política de remuneração dos servidores da educação, será enviado hoje à Assembleia.

O governo garante que ao considerar o tempo de serviço e a escolaridade do profissional e calcular todas as gratificações da categoria em cima do piso salarial nacional de R$ 712,20 (proporcional à jornada mineira de 24 horas semanais), os profissionais antigos serão beneficiados com salários superiores aos dos mais recentes. Com a proposta, a remuneração mínima passa a ser de R$ 1.122. O sindicato da categoria reprovou a política e manteve a paralisação marcada para hoje.

De acordo com a nova proposta, o crescimento da remuneração dos profissionais da educação será escalonado em quatro anos. Até janeiro de 2015, considerando os reajustes anuais - no próximo ano será de 5% - o professor estará recebendo salário dentro do novo regime, com progressão e reajuste de 2,5% para cada dois anos de trabalho e de 10% para cada nível de escolaridade avançado.

O novo salário será calculado da seguinte forma: soma-se ao piso de R$ 712,20 todos os benefícios adquiridos como quinquênio, biênio e vale-transporte. Esse valor será reajustado de acordo com o tempo de serviço do trabalhador e a escolaridade.

Exemplo. Se o profissional tem licenciatura plena e dez anos de trabalho, avança duas letras na tabela, no sentido horizontal, e dois níveis, na vertical. De acordo com o exemplo divulgado pelo Estado, um professor com 27 anos de exercício e que ganhe hoje R$ 1.486,91 no sistema antigo vai receber R$ 2.101,68 em 2015. Em janeiro de 2012, com a primeira parcela do reajuste, esse servidor irá receber R$ 1.673,14.

Antes de migrar para o regime unificado definitivo, o professor será transferido para uma tabela de transição, que vai considerar apenas o piso nacional mais os benefícios para posteriormente aplicar o subsídio (ver tabela abaixo) já na letra e número correspondente à situação de cada docente. De acordo com o governo, a nova proposta representa um impacto de R$ 2,1 bilhões na folha de pagamento.

Reação
Greve pode voltar, diz Sind-UTE
A coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, classificou a proposta do Estado como "inacreditável". Ao ser informada pela imprensa dos planos do Estado, a sindicalista chegou a rir. "O governo voltou a falar em subsídio? É inacreditável. Entramos em greve pedindo a aplicação do piso federal na carreira da educação. O sistema unificado não é vencimento básico é congelamento do salário e o fim dos nossos direitos".

A assembleia de hoje às 14h no pátio da Assembleia, segundo Beatriz, está mantida. De acordo com a representante dos professores, a proposta do Estado não avança em nada na reivindicação que a categoria vem fazendo desde o início da greve que durou 112, entre junho e setembro. Segundo ela, o estado de greve está mantido e os professores podem deixar as salas de aula, mais uma vez, ainda neste ano. "Na semana passada, fizemos redução de carga horária e reuniões nas escolas. Amanhã (hoje) vamos traçar novas ações".

Quebra de acordo. Para o Sind-UTE, o governo de Minas não cumpriu o acordo feito no fim da greve, quando prometeu negociar a nova política de remuneração com a categoria. A comissão de negociação criada em 28 de setembro se reuniu seis vezes, mas sem acordo. A última reunião foi cancelada na semana passada e ontem o governo anunciou a proposta em coletiva à imprensa.

O governador Antonio Anastasia deu a negociação como encerrada. "Conseguimos chegar a uma política justa e ousada, que será definitiva. A proposta é extraordinária". (JS)
Fonte: O Tempo (MG)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Cuidado no momento da escolha de sua faculdade

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Por Célia Correia*
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A participação num processo seletivo para o sonhado ingresso no ensino superior é complexo e cheio de dúvidas para os jovens estudantes que sofrem, inicialmente, com a indecisão sobre a escolha de uma área que poderá conduzi-los para a concretude de planos, para uma carreira profissional promissora e uma vida melhor.
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Entretanto, essa indagação inicial, mesmo quando bem orientada e já definida, não é um fator isolado. Ao seu lado, outros significativos elementos podem afetar, direta ou indiretamente, o alcance dos objetivos e, até mesmo, resultar em grande frustração que poderá implicar na evasão escolar, na formação de baixa qualidade e no adeus aos sonhos.
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Que fatores são esses? Muitos, a partir do preparo e condições próprias do estudante, entram em cena outros elementos que escapam à sua capacidade de administração, dentre eles podem ser apontados: a qualidade e legalidade da escola e do curso no que tange à estrutura para o seu regular funcionamento; a capacidade do quadro de professores e do quadro administrativo; perfil dos egressos e dos atuais alunos, a localização (importante fator que traduz facilidade de acesso, barulho, segurança e outros elementos que interferem no equilíbrio emocional, no cansaço físico e na facilidade de movimentação do estudante e dos professores); nome (reconhecimento) da instituição na sociedade; projeto pedagógico e tantos outros que somados a esses são objeto de propagandas (algumas enganosas) no período de captação de candidatos.
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Entretanto, há um fator importante e muito pouco apontado no cenário da educação particular como capaz de afetar a qualidade dos cursos: o cumprimento das obrigações trabalhistas da instituição. Fato, quase sempre restrito ao ambiente interno, mormente, nas salas dos professores e nas negociações com os sindicatos. Não estou apontando a ocorrência de greves. Aponto para a ocorrência de atrasos de pagamentos, descumprimento de exigências legais, exploração do trabalho de professores e colaboradores administrativos fora dos valores morais e éticos descritos na legislação em vigor, nas cartas de princípios, nos regimentos, manuais e outros documentos que servem para responder às avaliações institucionais.
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Pode ser que, a relação desses últimos fatores com o comprometimento da qualidade dos cursos passe despercebida por muitos, mas os bons observadores conseguirão enxergar os seus efeitos no clima interno e nos aspectos motivacionais que acometem os quadros docente e administrativo.
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Embora professores tentem não deixar transparecer e, muito menos transferir, suas angústias e decepções para os seus alunos, impossível negar que, como vítimas de um sistema castrador e desrespeitoso, torna-se inevitável a convivência com alta rotatividade de pessoal, absenteísmo, produção de baixa qualidade, doenças do trabalho e conflitos internos. Por conseguinte, salas de aula que formarão futuros profissionais com baixa qualificação para o mercado e, frustração profissional e pessoal.
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Portanto, não basta ao estudante se deixar influenciar pelas campanhas publicitárias construídas com peças de Marketing (já tão desgastadas), mas visíveis em todos os cantos da cidade nos momentos de divulgação dos processos seletivos com indicações de "boa infraestrutura, bons preços e quadros de professores com mestrado e doutorado". É preciso que o estudante investigue, mais a fundo, a ética da instituição.

É preciso que se verifique junto aos professores e funcionários administrativos, sindicatos, justiça e órgãos de defesa do consumidor, a ficha de reclamações e de causas trabalhistas das instituições que criam armadilhas de puro comércio da educação.
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É recomendável, ao estudante, investigar motivos de desligamentos e esvaziamento do quadro de professores da escola para a qual ele pretende ir, principalmente, a perda de renomados profissionais nos últimos anos. É bom ficar atento e confirmar a idoneidade da instituição antes de colocar em risco o sonho de fazer uma faculdade.
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Ignorar fatores motivacionais no exercício do magistério e, de um modo geral na sala de aula, é o mesmo que negá-los no desempenho, na produtividade e na qualidade em qualquer campo de produção de bens ou serviços. É o mesmo que desconhecer princípios, teorias e boas práticas de gestão.
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Não honrar contratos de trabalho e/ou não cumprir com as obrigações legais para a garantia de harmonia, sinergia e segurança junto ao quadro de pessoal de qualquer organização (inclusive escolar) é uma forma de violação que pode resultar em consequencias desastrosas para as partes. No caso em questão o maior perdedor, sem dúvida, será o aluno.
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* Célia Maria Corrêa Pereira. Professora. Administradora. Mestre em Engenharia de Produção

domingo, 20 de novembro de 2011

Educação e política

Democracia e o Não Estado de direito

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Lúcio Alves de Barros*
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Falar em democracia no Brasil parece piada. É claro que muitos foram os avanços desde a famigerada redemocratização que desembocou na tal da Constituição cidadã que está por aí cheia de emendas. Mas é preciso sempre lembrar que neste país a ideia de democracia, tal como asseverou o historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), foi um lamentável mal-entendido. Três episódios recentes me parecem suficientes para deixar claro o paradoxo que nos metemos mesmo antes de 1988.
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O primeiro diz respeito ao assassinato da juíza Patrícia Acioli, a qual se encontrava em uma lista de doze pessoas marcadas para morrer. Ela foi responsável nos últimos anos pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a milícias no Rio de Janeiro. Na tentativa de levar a efeito o seu ofício colocando atrás das grades a “banda podre” da Polícia Militar e da Polícia Civil daquele estado a juíza foi vítima de uma verdadeira conspiração que terminou com sua morte. Uma morte esperada porque já se sabia das ameaças que ela vinha sofrendo e pelo cúmulo do absurdo que foi a de suspender a proteção que a ela o estado - que se diz de direito - fornecia como único ente monopolizador da violência. Falhou feio o Estado e suas instituições. Perdemos a juíza, mãe de família e com ela todo o processo de investigação, apesar da descoberta de alguns policiais metidos nesta seara há tempos.
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O segundo episódio, associado ao primeiro, refere-se ao fenômeno das milícias que erro por pouco ao afirmar que estão presentes não somente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Trata-se de um fenômeno sofisticado em um país no qual a organização criminosa já está dentro do Estado como se dele fizesse parte. Tempos atrás tais milícias eram chamadas de grupos de extermínio. Em geral, eram compostos por policiais ativos ou inativos, por vezes associados ao banditismo e ao empreendimento informal de vender segurança e exterminar os grupos considerados desviantes. No passado não distante a morte dos meninos da Candelária escandalizou o país e os grupos sob os holofotes da mídia, especialmente da TV e do cinema, receberam nova roupagem por sua organização e poder de fogo. Atualmente eles estão entrincheirados nas instituições e nos denominados aglomerados urbanos vendendo “(in)segurança” e outros serviços que o incompetente e leviano Estado não tem a capacidade de fornecer. A questão é tão séria que coube à polícia federal calar um monte de agentes estatais que estavam vendendo a fuga do famoso Antônio Francisco Bonfim Lopes, o “Nem”, acusado de chefiar o tráfico de drogas na favela da “Rocinha”, zona sul do Rio de Janeiro. Na brincadeira de verdade entre polícia e ladrão não é possível encontrar a ideia de Estado de direito onde o que se instalou foi justamente o contrário.
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Por último, é bom lembrar o caso do deputado estadual do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL). Ele também ousou denunciar o poder criminoso no estado e presidiu a chamada “CPI das milícias” na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) quando mais de 200 milicianos foram indiciados. Com receio ele teve que sair do Brasil porque definitivamente percebeu que tanto ele como sua família corriam o risco de terem o mesmo fim que o da juíza Patrícia Acioli. O deputado foi para a Europa e voltou depois de alguns dias com a garantia de sua segurança ainda em frangalhos. Se um deputado e uma juíza que além de fazerem parte estão dentro do Estado não tem o mínimo de “sensação de segurança” imaginem o pobre coitado do “homem comum” que além dos impostos indiretos e diretos ainda é obrigado a pagar pelo gás, pela banda larga ou fina, pela segurança "pública" ou "privada" e pelo transporte? Poupe-nos de discursos falaciosos: Estado de Direito no Brasil é para quem pode. Neste país ele inexiste para quem não pode. O mar de hoje não está bom para peixe pequeno. Em longo prazo é impossível pensar um Rio onde quem vive é traíra e quem morre é lambari. No mar da corrupção ou no rio do jeitinho brasileiro o Estado é uma enganação. A lei é para os inimigos e quando a máquina opera é magicamente em seu favor. A verdade é que temos um Estado como uma “lamentável” ideia. Um Estado que deixa o outro impor medo a ponto de culpabilizar o cidadão abandonado na insegurança, na doença, na má educação e porque não dizer no próprio dia a dia dessa vida sem direitos e garantias de ser humano.
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* Professor na FAE (Faculdade de Educação) - Campus BH/UEMG

sábado, 19 de novembro de 2011

20 de novembro: dia da consciência negra e de luta contra nossa própria tirania

Valter Machado da Fonseca*
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Caros (as) leitores (as)!
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É chegado mais um dia 20 de novembro. Data nacional dedicada à consciência negra. Mas, além de refletirmos simplesmente sobre a consciência negra, talvez se faça urgente refletirmos sobre nossa própria consciência. É bom, vez em quando, fazermos, pelo menos uma breve visita à nossa própria consciência! É bom, vez em quando, procurarmos dialogar com nós mesmos, com nosso próprio pensamento! Existe uma grande distância entre o que se diz e o que, de fato, se faz. Como diria o saudoso professor Paulo Freire “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que num dado momento a tua fala seja a tua prática”. É sob esta orientação do nosso grande educador que, ora, construo esta singela homenagem, não somente à consciência negra, mas também ao conjunto de todas as consciências do mundo.
Alguma vez na vida você parou para consultar, para visitar sua consciência? Você realmente sabe quem mora, quem habita dentro de sua consciência? É deveras fácil dizer-se contra o preconceito, contra a discriminação, contra a tirania. Até os piores ditadores, vez em quando, consultam sua vil consciência. Mas, isto não é suficiente. É deveras fácil dizer-se contra a opressão e em favor dos oprimidos. Mas, repetindo a indagação: você sabe quem mora em sua consciência? Será o oprimido ou será o opressor? Muitas vezes criticamos atitudes alheias em nome da luta contra a tirania e a opressão, mas, de fato, nossa prática não passa da encarnação da própria tirania, da própria opressão. Por isso, meus (minhas) caros (as) leitores (as) muitas vezes precisamos revisitar nossa consciência branca, machista, preconceituosa e hipócrita para tentarmos compreender, pelo menos, o significado de ter uma consciência. Alias, para que serve uma consciência, afinal? Será que serve para comentarmos o mundo, as atitudes alheias, as práticas alheias? Ou será que possuímos uma consciência apenas para ser apaziguada nas datas de natal, de ano novo, nos dias de velório? Não! Meus caros, minhas caras! Essa tal de consciência tem que servir para alguma coisa, tem que servir para intervirmos concretamente neste mundo desigual, no sentido de modificá-lo de transformá-lo.
A história da cultura africana no Brasil foi contada, até bem pouco tempo, pelas elites intelectualizadas que tinham o papel [delegado por eles próprios] de contar a história do Brasil, da ocupação e delimitação das fronteiras de seu território, isto é, a história oficial do país era reinventada pelas elites intelectuais representantes das ideias de civilização da sociedade ocidental. Mesmo após a dita “abolição” da escravatura, a história continuou a ser inventada pela elite política e econômica do país. Aos setores populares do país era negado o direito de opinar sobre sua própria história e sua própria cultura. Neste sentido, é preciso voltar os olhos para nossa própria consciência e indagarmos: de onde vieram as origens de nosso povo? Elas brotaram do mesmo solo avermelhado, regado com o mesmo sangue dos antepassados africanos que edificaram esta nação e consolidaram sua riqueza.
Vamos transformar o dia “20 de novembro” em data realmente histórica, de nossa libertação diante do mundo e das coisas do mundo. Assim, neste dia da consciência negra [e do conjunto de todas as consciências do mundo] vamos abrir nossas algemas e soltar as amarras e os grilhões que nos fazem prisioneiros de nós mesmos. Que nos mantém aprisionados ao preconceito, à discriminação, à tirania. Vamos tomar posse, de uma vez por todas, de nossas próprias consciências, libertando os milhares de Zumbis (e Dandaras!), para que eles ganhem o mundo e nele edifiquem quantidades incontáveis, intermináveis e eternas de Palmares."
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* Escritor. Geógrafo pela UFU. Mestre e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia (PPGED/FACED/UFU/CAPES). Pesquisador das temáticas “Alterações climáticas” e “Impactos das monoculturas sobre os sistemas terrestres e aquáticos”. machado04fonseca@gmail.com

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

TRF mantém questões anuladas só a 639 alunos do Ceará

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Recurso do Ministério Público Federal foi julgado na tarde desta quarta-feira (16), no Recife
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Agência Brasil - 16/11/2011 - (Fonte: Hoje em Dia (MG))
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Brasília – O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) manteve a decisão que anulou 14 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) apenas para os alunos do Colégio Christus, de Fortaleza (CE). Por 11 votos a favor e 1 contra, o plenário negou recurso apresentado pela Procuradoria Regional da República da 5ª Região que pedia que as questões fossem anuladas para todos os candidatos que fizeram a prova.
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Os alunos do colégio cearense tiveram acesso antecipado a 14 questões do Enem por meio de uma apostila distribuída pela escola semanas antes da aplicação do exame. Os itens vazaram na fase de pré-testes da prova, da qual estudantes do Christus participaram em outubro do ano passado. A Polícia Federal investiga o caso. O presidente do TRF-5, desembargador Paulo Roberto Lima, havia decidido em 4 de novembro que a anulação dos itens apenas para os alunos do colégio era a melhor solução “mais razoável” para o problema. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), os alunos não serão prejudicados e o total da pontuação será dividido entre os itens considerados válidos.

Minas é o estado que paga salário mais baixo para professor


A lei nacional do piso para o magistério já foi aprovada há três anos, mas não saiu do papel na maior parte do país. Das 27 unidades da Federação, pelo menos 17 descumprem o pagamento do valor previsto. Pela legislação, o salário mínimo é de R$1.187 para os professores da educação básica pública, em jornada semanal de 40 horas. Esse valor exclui gratificações e também deveria ser garantido um tempo de pelo menos 33% fora das salas para preparar os encontros.

Minas, Pará, Rio Grande do Sul e Bahia também não pagam o mínimo salarial. Para elevar o tempo dos educadores fora da sala de aula só há duas saídas: contratar mais gente ou aumentar a carga horárias dos que já estão contratados. No entanto, essas soluções exigem muito investimento. Em Minas, os professores só têm 25% da carga horária para as tarefas extra-classe. Entre 25 unidades da federação pesquisadas, Minas Gerais é o lugar onde o professor recebe o pior salário (R$616 para 40 horas semanais). Rondônia (R$950) e Rio Grande do Sul (R$791) são os outros dois estados que ocupam a parte de baixo da tabela.

Em vários estados, esse embate entre professores e governo foi parar na Justiça. A alegação em alguns tribunais é que esse assunto compete aos estados e aos municípios e a União deve ficar de fora disso. O Ministério da Educação diz que a regra precisa ser aplicada, mas não pode obrigar as administrações estaduais a aplicá-la.
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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação afirmou que a recomendação para os sindicatos em todo o país é recorrer na Justiça. Com isso, governadores e secretários podem receber ações por improbidade administrativa. Neste ano, houve uma greve na educação pública em Minas que durou 112 dias. Houve acordo com o governo estadual, mas as negociações desandaram nesta semana. Os professores vão pedir nesta quarta (16) que a tramitação do projeto de lei que discute a política salarial da categoria saia do caráter de urgência. Para os professores, não pode ocorrer votação enquanto não houver acordo entre as partes.
As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

A difícil equação para achar um professor

A falta de professores qualificados ainda preocupa no Brasil, e a desvalorização da carreira faz com que muitos jovens prefiram outras profissões.

Cerca de 600 mil professores que atuam na Educação básica - que inclui a Educação infantil e os ensinos fundamental e médio - não têm o preparo necessário à função, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). E apenas 2% dos jovens querem cursar Pedagogia ou alguma licenciatura, segundo pesquisa da Fundação Carlos Chagas.

Pela legislação atual, os professores da Educação básica têm que ter nível superior. Porém, cerca de 600 mil dos quase dois milhões de docentes do país não possuem curso universitário, segundo o MEC. De acordo com o secretário de Ensino Superior do ministério, Luiz Cláudio Costa, cerca de 300 mil estão fazendo licenciaturas ou mestrado para se adequar à exigência. Na avaliação de especialistas, há carência de professores qualificados em diversas áreas, como nos primeiros anos da Educação infantil e nas disciplinas de Física e Química.

- Nas Ciências Biológicas, faltam professores praticamente em todos os setores. As redes procuram cobrir isso usando profissionais que, na sua formação, tangenciam as disciplinas (em que há falta de professores) - diz a pesquisadora Bernadete Gatti, colaboradora da Fundação Carlos Chagas.

Como outros especialistas, Bernadete se preocupa com a queda no número de alunos de licenciatura ou Pedagogia. Segundo o MEC, esse número vem diminuindo na modalidade presencial, por causa da falta de interesse dos jovens. Em 2005, 1,2 milhão de alunos estudava alguma licenciatura, número que, em 2009, passou para 978 mil. No mesmo período, o número de alunos de Pedagogia caiu de 288 mil para 247 mil.

No entanto, houve expansão das graduações à distância, para atender à necessidade de professores que já estão no mercado de trabalho. De 2005 para 2009, o número de estudantes das licenciaturas subiu de 101 mil para 427 mil. Nos cursos de Pedagogia, o número pulou de 27 mil para 265 mil, no mesmo período.

- Nem todos os cursos à distância são ruins. Mas eles não são supervisionados direito, não têm uma proposta clara. Muitos alunos desistem porque não têm com quem discutir - diz a superintendente de pesquisa em Educação da Fundação Carlos Chagas, Elba Siqueira Barretto.

O MEC rebate e diz que tem fechado cursos de má qualidade. A evasão dos cursos de Pedagogia e licenciatura também preocupa educadores.

- Nas universidades privadas, os cursos de licenciatura e a Pedagogia são os que têm as taxas mais elevadas de evasão, de 50 a 55% - afirma Maria Helena Guimarães Castro, ex-presidente do Inep, órgão responsável pelas estatísticas do MEC.
Mas, segundo o MEC, dados preliminares já mostram que a taxa de evasão está diminuindo em algumas universidades.

"Quero lutar pela Educação", diz estudante

 Pesquisa realizada em 2010 pelas fundações Carlos Chagas e Victor Civita mostrou que, dos 1.500 alunos ouvidos, apenas 2% dos jovens do terceiro ano do ensino médio pretendiam cursar Pedagogia ou alguma Licenciatura.

- A carreira é um horror. Apesar de os planos de carreira terem melhorado, e de existir um piso salarial nacional (R$1.187 para jornada de 40 horas semanais), eles deixam a desejar. A média salarial está baixa em relação às exigências. Outra coisa que afeta a escolha é a condição das escolas públicas, que são precárias, sem infraestrutura e gestão - diz Bernadete.

Mesmo sabendo desses problemas, o estudante de Pedagogia Cesar Scarpelli, de 24 anos, quer dar aulas para crianças:

 - Quero lutar pela Educação. Meus pais sempre falam: "não vá trabalhar na rede pública", por causa da ideia de que é uma profissão sofrível. Mas acho que temos que ir para a periferia.

Rivaldo Vieira Xavier Júnior, de 21 anos, estuda licenciatura em Física e sabe bem o que é sofrer com a falta de professores:

- Estudei em escola pública e fiquei sem aulas de Química por quase todo o segundo ano do ensino médio. Tenho interesse em Educação devido à realidade da escola onde estudei. Ser professor no Brasil é ato de coragem.

Já a estudante de Pedagogia Maria Alice Bertodini diz que é preciso ser sonhador para abraçar a profissão:

 - A ideia de ser professor é idealista, é por amor, por gostar de crianças.

Para o estudante de Química Mauritz Gregori de Vries, de 20 anos, que dá aulas particulares, falta vocação a muitos dos que estão fazendo licenciatura.

- Às vezes, as pessoas fazem a licenciatura porque sabem que a demanda por professores é alta e que um emprego na indústria, por exemplo, é mais difícil.

O secretário de Ensino Superior do MEC reconhece que os salários não são adequados. Mas diz que a meta do governo é que, em 2020, o rendimento médio dos docentes com a qualificação necessária seja o mesmo que o de qualquer profissional com nível superior.

No Chile, estudantes são convencidos a dar aula

 Convencer os melhores estudantes que concluem o ensino médio a fazer Pedagogia é uma meta no Chile e, para alcançá-la, uma campanha ampla, com direito a comercial na televisão, foi lançada naquele país.

Preocupados com o fato de que a carreira de professor tem sido escolhida por muitos jovens com baixa qualificação e sem vocação, a instituição Elige Educar, uma iniciativa público-privada, resolveu fazer um trabalho de comunicação de massa para atrair bons alunos para a docência. Para chamar a atenção, em 2009, começaram a divulgar na TV uma campanha convocando os jovens a serem professores para melhorar a Educação no país, afirmando que a carreira é a mais importante de todas e tem o potencial de mudar as vidas de milhares de crianças. A campanha mostrava ainda depoimentos de professores felizes com a profissão.

Para atrair os jovens, além do apelo emocional da campanha, universidades do Chile começaram a oferecer este ano bolsas de estudos integrais para os estudantes do ensino médio que estão entre os 20% melhores na prova de ingresso e optarem pela faculdade de Pedagogia, que custa US$4 mil por ano. Depois, eles têm que trabalhar por cinco anos em escolas públicas.

Dentre os alunos beneficiados pelas bolsas, os melhores podem receber uma bolsa-auxílio de cerca de US$200 ao mês e ser beneficiados com um programa de intercâmbio no exterior.

- Os sistemas educacionais que tiveram êxito demonstraram que uma seleção de pessoas com competência, capacidade e conhecimento é a melhor forma de ter bons professores. E ter bons professores é a melhor forma de ter um sistema educacional bem-sucedido - explica Hérnan Hochschild, coordenador executivo do programa Elige Educar.

Segundo ele, a campanha já conseguiu aumentar a quantidade de jovens com bons resultados no exame de ingresso para os cursos de Pedagogia. A meta do projeto é que em 2014, um de cada cinco matriculados em Pedagogia provenha dos 20% melhores estudantes.

O programa também oferece bolsas de estudo para professores que já estão no mercado de trabalho, para que eles se qualifiquem e também para que se "reencantem" com a profissão e estimulem os jovens a segui-la.  No Chile, o piso salarial do professor é de cerca de US$1 mil por mês. Segundo Hochschild, o piso, apesar de não ser ruim, não é competitivo em relação a outras carreiras. De acordo com ele, os salários eram mais baixos no passado, mas têm melhorado.

Fonte: O Globo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quem AINDA quer ser PROFESSOR?

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Por João Valdir Alves de Souza*
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Há fortes evidências, nos dias atuais, de que a profissão docente vive uma crise sem precedentes na história do nosso ensino. A despeito da grande diversidade de condições da oferta e demanda por escolarização, tanto no que se refere à condição docente quanto à condição discente, produto da diferenciação sociocultural e das desigualdades socioeconômicas, essa crise atravessa a estrutura da escola de alto a baixo.
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Ela combina ingredientes de natureza muito diversa, mas o elemento-chave da sua explicação é o baixo valor do diploma de professor, sobretudo na educação básica, tanto no mercado de bens econômicos (salário) quanto no mercado de bens simbólicos (prestígio). Esse baixo valor do diploma expressa um terrível paradoxo: quanto mais expandimos a oferta do ensino, maior se revela nossa dificuldade de formar professores para atendê-la.
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Estamos pagando o preço caro de uma conquista. Desde o século 18, na Europa, e pelo menos desde o final do século 19, no Brasil, reivindica-se educação como direito do cidadão e dever do Estado. Pois bem, todos – ou quase todos – vieram para a escola. Vieram os camponeses, os das periferias urbanas, os indígenas, os deficientes físicos e, inclusive, os que não querem saber de escola. Vieram por direito, resultado de lutas históricas pela sua inclusão nos sistemas de ensino. Mas, como não há milagres em matéria de educação e ensino, isso também exigiria formar em quantidade e qualidade os professores que dariam conta dessa tarefa em condições que obedecessem a patamares mínimos de decência.
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O Brasil universalizou recentemente o ensino fundamental e trabalha arduamente para universalizar, até 2016, a educação infantil e o ensino médio, cujo atendimento está na casa de míseros 50%. Não bastasse a escassez de professores para a demanda atual, que o MEC já contabiliza na casa dos 250 mil, sobretudo para o ensino das ciências, universalizar a educação básica implica a necessidade de formar mais e bem os professores para realizar a tarefa. Essa legítima proposta do Plano Nacional de Educação esbarra, contudo, em problemas cuja gravidade nos deixa poucas expectativas para sua realização.
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Um desses problemas é a baixa atratividade da carreira docente, com recrutamento dos estudantes dos cursos de licenciatura justamente entre aqueles de escolarização básica mais precária. Indicador preocupante dessa baixa atratividade está expresso na relação candidato/vaga dos últimos 13 vestibulares da UFMG (2000-2012), o que parece estar longe de ser uma situação exclusiva desta Universidade. Em 2000, dos 17 cursos mais concorridos, seis formavam professores. Para o vestibular 2012, não há um único curso de licenciatura entre os 15 mais concorridos. Mantida a atual tendência, em três ou cinco anos não teremos candidatos aos cursos de licenciatura. Cursos como Ciências Biológicas, Educação Física, Geografia, História, Letras, Matemática e Pedagogia, que eram disputados numa correlação de 12 a 30 candidatos por vaga, há dez anos, para 2012 contarão, respectivamente, com 3,5; 2,1; 1,6; 4,8; 1,4; 2,9 e 3,0 candidatos para cada vaga. Mesmo considerando que houve aumento do número de vagas em alguns deles, redução da concorrência em outros cursos que não os de licenciatura e que caiu de 18 para 9 a média geral da relação candidato/vaga na universidade, a generalizada queda da concorrência nos cursos de licenciatura é forte evidência de que há pouco interesse pela docência atualmente.
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Mas isso é apenas parte do problema. Um segundo elemento a ser considerado é o elevado índice de desistência da profissão. Grande número dos que se formam professores não terão as salas de aula como destino ocupacional. A universidade fez elevado investimento, nas duas últimas décadas, criando cursos exclusivamente de licenciatura, em que a escolha precede o vestibular. Grande parte dos alunos desses cursos diz explicitamente que a sala de aula não é a sua opção. E um dos motivos mais apontados é a informação sobre o elevado índice de abandono da profissão, isto é, professores experientes que se afastam por adoecimento ou por não suportarem mais ser vítimas de violência física e/ou simbólica no cotidiano da sala de aula.
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Internamente, a Universidade tem enfrentado o problema com ações como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), que concede bolsas de estudos e um trabalho de formação diferenciada para alunos dos cursos de licenciatura. Contudo, se não forem modificadas as condições gerais da docência, para fazer dela uma carreira atraente, simplesmente não teremos professores para atuarem na universalização da educação básica.
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* Professor de Sociologia da Educação na FeE/UFMG, coordenador do Colegiado Especial de Licenciatura e do Grupo de Pesquisa sobre Formação de Professores e Condição Docente
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Recebido por email.

Escola tem segurança, garante polícia

10 de novembro de 2011
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Fonte: Gazeta do Povo (PR)
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A direção da Escola Municipal Cândido Portinari, o Núcleo Regional de Educação (NRE) da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e a Polícia Militar garantiram ontem segurança para os alunos voltarem às aulas, apesar das mortes na Vila Sabará na semana passada. Segundo o comandante do Policiamento da Capital, coronel Ademar Cunha, não há razão para os estudantes não retornarem à Escola.

Pais de estudantes sugeriram antecipar o fim do ano letivo após o assassinato de um aluno a uma quadra da Escola. Loredo Messias da Silva, 16 anos, aluno da 8.ª série, foi morto a tiros no dia 1.º.

No dia seguinte, Maicon Wilian de Lima Patrício, 18, também foi assassinado. Os pais ainda pensam em encaminhar à direção um pedido para terminar o ano letivo. A PM rebate. “Não há necessidade”, afirma Cunha. Ontem, guardas municipais e viaturas da PM circulavam na rua do colégio. Para o diretor do NRE da CIC, Antonio Ulisses Carvalho, já há ações na região e os assassinatos não têm relação com falta de segurança na Escola.

Dois guardas municipais acompanham a entrada e saída dos alunos. A PM também tem deslocado a patrulha em diferentes horários. O coronel prometeu ainda enviar um policiamento de cavalaria para a região.

Apesar do temor dos pais, a frequência dos alunos já está normalizada na Cândido Portinari. Na semana passada, o colégio, que tem 2,2 mil alunos, chegou a ter apenas 700 presentes.

Clima tenso esvazia escolas da comunidade

Segundo estudantes, há muitos bandidos circulando armados

Fonte: O Globo (RJ) - 10 de novembro de 2011

A tensão em torno da ocupação policial na Rocinha provocou reflexos nas salas de aula ontem. Apesar de, à tarde, escolas municipais que atendem alunos da favela terem realizado apenas atividades internas para os professores - já previstas no calendário regular -, de manhã o número de estudantes presentes caiu. A professora de uma das unidades, que pediu para não ser identificada, disse que as crianças estavam tensas:

- Houve uma queda considerável de alunos hoje (ontem). Soubemos que muitos pais que têm parentes fora da favela estão deixando suas casas. Os estudantes esperam confronto.

Segundo a professora, alunos comentaram que os chefes do tráfico teriam ordenado que as pessoas parem de circular na favela a partir das 22h de hoje:

- Para amanhã (hoje), esperamos que poucos alunos compareçam. O medo é natural.

Também segundo a docente, as crianças relataram ter visto muitos bandidos armados circulando pela comunidade:

- Quando um professor de música montou um tripé de bateria hoje (ontem), uma criança disse: "Perto lá de casa, tem um bandido com uma coisa parecida, só que é uma bazuca".

Duas escolas que atendem crianças da comunidade tiveram as aulas suspensas ontem, mas, nesse caso, segundo a Secretaria municipal de Educação, a parada foi planejada, em função de um treinamento dos professores no Centro de Cidadania Rinaldo de Lamare. As duas creches municipais da Rocinha funcionaram normalmente.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Nos campos da violência

Educação e política

Após saída de estudantes, reitoria da USP tem bagunça e pichação

CRISTINA MORENO DE CASTRO
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Os estudantes que haviam invadido o prédio da reitoria da USP (Universidade de São Paulo) foram pegos de surpresa pelos policiais que cumpriram a reintegração de posse do local, na madrugada desta terça-feira. Ao todo, 70 estudantes foram detidos e levados de ônibus para o 91º DP (Ceasa). Após a saída dos alunos, restou uma grande bagunça no prédio da reitoria.
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Paredes e vidros foram pichados, há papéis e móveis revirados e lixo pelo local. Os estudantes deixaram colchões e cobertores para trás e até as estátuas foram movimentadas. Policiais que fizeram uma vistoria no imóvel encontraram sete garrafas de coquetéis molotov, três galões com gasolina e seis caixas de rojões. A Polícia Civil ainda vai realizar uma perícia no prédio para verificar se houve danos ao patrimônio da universidade.
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ASSEMBLEIA
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Os estudantes haviam decidido, em assembleia realizada na noite de ontem (7), manter a ocupação, apesar do fim do prazo dado pela Justiça para deixarem o local. Após a votação, alguns estudantes agrediram jornalistas. Um cinegrafista caiu após ser empurrado e um fotógrafo teve a câmera arrancada e machucou as mãos --ele foi levado ao hospital. O clima ficou tenso e, após os grupos ficarem separados, os alunos arremessaram pedras na direção dos jornalistas. Um cinegrafista foi atingido e ficou levemente ferido. No momento do tumulto, não havia guardas universitários nem PMs no local. Após a confusão, um representante dos invasores disse que havia ocorrido uma "situação isolada".

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RESISTÊNCIA
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Na assembleia, vários estudantes disseram estar dispostos a resistir caso a PM fizesse a reintegração de posse. Mais cedo, às 18h, uma reunião de negociação entre representantes da reitoria e alunos terminou em impasse. O superintendente de relações institucionais da USP, Wanderley Messias da Costa, chegou a deixar a sala onde ocorria o encontro.

A proposta apresentada à tarde pela universidade previa que os alunos e funcionários não fossem punidos por participar da invasão. A reitoria também manteve a oferta de criar grupos para discutir o convênio com a PM --principal motivo da invasão-- e revisar processos administrativos contra estudantes. Os alunos, no entanto, consideraram a proposta insuficiente, já que havia chance de novos processos caso ficasse provado que houve vandalismo no prédio invadido.

Os acontecimentos que levaram à ocupação da reitoria tiveram início no dia 27 de outubro, quando três alunos da USP foram detidos por posse de maconha. Houve reação de colegas, que investiram contra a PM. Policiais usaram bombas de efeito moral e cassetetes para levar os rapazes à delegacia --depois eles foram liberados. Na mesma noite, um grupo de cem estudantes invadiu um prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Na terça passada, mais de mil alunos realizaram uma assembleia que decidiu, por 559 votos a 458, pela desocupação do edifício. A minoria derrotada, porém, decidiu invadir a reitoria, onde hoje há cerca de 50 manifestantes -- a USP toda tem cerca de 82 mil alunos (50 mil só na Cidade Universitária).

Fonte: Folha de São Paulo

Os 70 estudantes detidos durante ocupação na USP são levados do campus à delegacia

Reprodução TV Globo / O tempo
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Ao todo, 24 mulheres e 46 homens foram detidos na Universidade de São Paulo (USP) pela Polícia Militar durante a reintegração de posse do edifício da reitoria da instituição, na zona oeste da capital paulista. Os alunos haviam decidido deixar o prédio por volta das 7h30 desta terça (8). Eles foram encaminhados em três ônibus para a delegacia, onde será registrado boletim por dano ao patrimônio público.

Os oficiais de Justiça realizavam a certidão de entrega do imóvel no início desta manhã para que o prédio possa ser devolvido oficial à USP. O Batalhão de Choque deve permanecer no local até que a desocupação seja finalizada.

Por volta de 400 policiais e 50 carros da corporação estavam no campus pouco antes das 7h com escudos e cassetetes. A coronel empregada na operação afirmou que o efetivo era necessário, "para que a operação acontecesse na maior tranquilidade possível, não houvesse nenhum perigo, nenhum dano, nenhum risco". Segundo ela, dois carros da Polícia Militar sofreram danos. A PM também usou dois helicópteros Águia para a reintegração de posse. Quando chegaram ao campus, um grupo de manifestantes tinha paus e pedras nas mãos. Eles gritavam palavras de ordem contra a presença da força armada.

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=134510

sábado, 5 de novembro de 2011

Agressão contra aluna expõe insegurança em faculdades

                                                                   Fonte: O Tempo (MG)
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Por Karina Alves

A falta de sintonia entre Polícia Militar e faculdades particulares abre espaço para crimes no ambiente acadêmico. Anteontem, uma ocorrência envolvendo a estudante de marketing Camila Rodrigues Araújo, 28, mostrou que algo precisa ser feito. A jovem foi atacada por um colega de instituição no banheiro feminino de um dos prédios da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec), no Cruzeiro, região Centro-Sul da capital.


O agressor, Leonardo de Castro Alvares Nogueira, 20, estudante do curso de administração, foi solto depois de se defender da acusação de tentativa de estupro. A soltura foi amparada na falta de provas da acusação. Camila exige providências da instituição e promete acionar a faculdade na Justiça caso o agressor não seja expulso.


Ontem, por meio de nota, a assessoria de imprensa da Fumec informou que não cogita anular a matrícula do aluno até que seja concluída a investigação. A faculdade forneceu à Polícia Civil imagens do circuito de segurança do corredor onde fica o local da agressão e colocou um advogado à disposição da estudante.


Para o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Emiro Barbini, falta aproximação entre as faculdades e a Polícia Militar para garantir que a segurança no ambiente acadêmico melhore. "Nos últimos anos estamos lidando com situações inéditas. Existe um esforço de prevenção com câmeras, detectores de metais e equipes de segurança para evitar, ao máximo, esse tipo de situação, mas pode haver uma aproximação maior entre reitores e a Polícia Militar para coibir a violência".


O tenente-coronel Alberto Luiz Alves, chefe da assessoria de imprensa da PM, explicou, no entanto, que a corporação só pode intervir no espaço privado se for acionada ou caso seja estabelecido algum tipo de convênio. Sem iniciativa da instituição privada, disse ele, a corporação não tem como agir de forma preventiva. "Atualmente, temos convênio com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nossas viaturas fazem patrulhamento na faculdade e podem registrar ocorrências para depois encaminhar à Polícia Federal. Em instituições privadas, há alguns anos tínhamos uma relação mais estreita num trabalho preventivo. Isso é possível, mas depende de ambas as partes".


Em dezembro do ano passado, um aluno do Instituto Metodista Izabela Hendrix, também na capital, matou um professor a facadas dentro da instituição. Dois anos antes, um homem invadiu o campus do Uni BH Estoril, na região Oeste, e atirou contra a ex-namorada.


Na agressão de anteontem à noite na Fumec, segundo a delegada de Mulheres, Elizabeth Freitas, a acusação de estupro não se confirmou. "Ela (Camila) alegou que ele (Leonardo) não chegou a tirar as roupas dela e nenhuma pessoa testemunhou formalmente. Ficou a palavra dela contra a dele".
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Minientrevista
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"Quero que ele seja expulso e a segurança reforçada"
Camila Rodrigues Araújo / 28, estudante de Marketing

O que aconteceu com você?
Fui ao banheiro e percebi que alguém, que já estava lá, entrou correndo em uma das cabines e trancou a porta. Pensei que fosse uma mulher e usei o banheiro normalmente. Quando fui lavar as mãos, ele (Leonardo) saiu da cabine e me agarrou pelos cabelos e me jogou no chão. Com uma mão ele prendeu meu cabelo e com a outra tampou minha boca. Consegui me soltar e gritei. Ele não chegou a tirar a minha roupa. Umas dez pessoas vieram me socorrer e ele ficou sem reação.



Você conhece esse rapaz? Não, nunca o vi antes. O pessoal da minha sala também não o conhece. Soube que ele cursa administração em outro prédio.


Como é o local onde aconteceu a agressão?A minha sala e esse banheiro ficam no subsolo. O corredor é vazio e sem seguranças. Já reclamamos várias vezes desde que mudamos para lá, neste semestre.


O que você vai fazer?Vou manter a queixa de tentativa de estupro e espero uma providência da faculdade. Caso contrário, vou processar a instituição. Afinal, pago mensalidade e a faculdade é responsável pela minha segurança.


O que você espera da universidade?Que o Leonardo seja expulso e a segurança reforçada. (Karina Alves)
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Outro lado - Universitário viaja e não fala sobre acusação
O estudante de administração Leonardo de Castro Alvares Nogueira, 20, mora em um prédio de luxo no mesmo bairro da faculdade. Ontem, ele foi procurado pela reportagem para falar sobre as acusações, mas a pessoa que atendeu o interfone do apartamento informou que o rapaz tinha ido viajar com a família. Nenhum advogado foi indicado para falar sobre o ocorrido em nome dele.


O estudante deve responder pelo crime de lesão corporal. A Delegacia de Mulheres irá investigar se existem elementos para que ele responda por tentativa de estupro, conforme a acusação da colega de instituição Camila Araújo. Em depoimento, ele afirmou que entrou no banheiro feminino por engano. "Vamos verificar o local onde tudo aconteceu e levantar testemunhas sobre o caso", disse a delegada Elizabeth Freitas.


Com a agressão, a universitária ficou machucada no olho e na cabeça. Ela passou por exames. (KA)

A novela do Enem

Na USP ....

Agressões de alunos geram medo e revolta em professores de MG


Por NEY RUBENS
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Direto de Belo Horizonte - 04 de novembro de 2011
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"Só não larguei a sala de aula porque é o que eu sei fazer. Eu preciso do dinheiro". Essa foi a reação descrita por um professor da rede particular de Educação em Belo Horizonte (MG) ao comentar sobre o seu estado psicológico após receber uma ameça de morte feita por um aluno da escola em que trabalha.

Ameaças, intimidações e agressões viraram rotina em algumas escolas mineiras, impulsionando a sensação de medo entre os educadores. O professor, que não quis ser identificado, contou que a agressão que sofreu aconteceu em um colégio particular da região centro-sul da capital mineira, no final do ano passado.

Segundo ele, um estudante do segundo ano do ensino médio não atingiu a média para ser aprovado e precisou fazer uma prova de recuperação. Indignado, o aluno, que já teria histórico de indisciplina na escola, "falou alto para os colegas que iria dar facadas no professor da matéria que pegou recuperação", recordou.

"Ele falou alto porque havia outros professores perto. Foi quando eu fiquei sabendo", disse. O caso aconteceu pouco tempo após um professor universitário ser morto a facadas em uma faculdade particular de Belo Horizonte.

O responsável foi um aluno que havia ficado descontente com uma nota aplicada pela vítima. "Os dois casos foram muito próximos, por isso fiquei com medo. Nesse dia eu dei aula sem virar as costas para a turma enquanto escrevia no quadro", contou o professor. O homem disse que a situação na escola ficou muito ruim depois das ameaças. "Os professores ficaram sabendo do caso e foram até a sala de aula repreender o aluno", relatou. O caso foi levado para a direção do colégio e eles começaram a discutir várias medidas punitivas que poderiam ser tomadas.

Suspender o aluno e impedir que ele realizasse a matrícula no ano seguinte foram só algumas das medidas pensadas. "Mas no final o colégio não fez nada. Eu encontrei com o aluno esse ano e ele me olhou com um sorriso sarcástico. Não lembro nem se eu o cumprimentei", afirmou. O professor lamentou a falta de punição, já que segundo ele, uma das piores consequências disso "é que os alunos agora sabem que podem fazer qualquer coisa que não serão punidos. Se ele ameaçou um professor e não foi punido, uma punição por algo menor pode gerar indignação neles", disse.

Esse caso não é único dentro das escolas de Minas Gerais. Em agosto deste ano, um aluno do sexto ano chutou e ameaçou de morte a diretora de uma escola pública em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a diretora, ela havia repreendido o aluno por mau comportamento no corredor e ele não gostou da atitude e foi tirar satisfações. A ação foi gravada por outro aluno e postada na internet.

Outro caso aconteceu no começo de outubro, quando outra diretora foi ameaçada e teve a cabeça arremessada contra a parede por também chamar à atenção de um estudante. Uma professora da escola, que fica no bairro São Lucas, na região leste de Belo Horizonte, informou que a diretora reclamou do adolescente de 15 anos que estaria tentando tomar à força o algodão doce de alunos mais novos. O menino não gostou e agrediu a diretora.

Rotina
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Entre fevereiro e setembro de 2011, o disque-denúncia do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (SinproMinas) registrou 83 ligações de educadores denunciando algum tipo de agressão, o que corresponde a uma média de uma denúncia a cada três dias. São casos de ameaças, intimidações, agressões verbais e físicas, assédio moral e até mesmo tráfico de drogas. Das 83 ligações, 43 são provenientes de escolas públicas, a maioria localizada na periferia da capital mineira e cidades da região metropolitana, nas quais a realidade é muitas vezes pior do que a apresentada pelo levantamento do Sinpro. Em alguns casos, até as famílias dos estudantes se envolvem nas agressões. Foi o que aconteceu com uma professora de uma escola estadual da região oeste de Belo Horizonte. Ela contou que foi agredida pela mãe de uma aluna que apresentava mau comportamento em sala de aula.
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A menina tinha 10 anos e "a situação ficou problemática quando ela passou a gritar com os professores, agredir verbalmente os colegas e a fazer caretas em sala de aula", contou a educadora. Segundo a professora, a mãe da criança precisou ser chamada à escola porque chegou ao ponto da menina agredir fisicamente outra professora. "A mãe chegou alterada, gritando comigo. Ela dizia o tempo todo que a filha não tinha feito nada errado e apontava o dedo na minha cara", contou a professora. Ela convidou a mãe a entrar na diretoria para as duas conversarem. Foi quando começaram as agressões físicas. A professora contou que foi prensada na grade e recebeu puxões de cabelo e tapas na cara. "E eu nem podia reagir, porque era o meu emprego que estava em jogo". Depois da agressão, ela pensou seriamente em abandonar a escola. "Fiz dois dias de curso para tentar voltar, mas eu não via sentido no que eles falavam. Voltei porque acredito que não é um caso de uma aluna que vai me tirar de sala de aula. Quando você é professor você quer resolver a situação dos alunos, fazer a diferença para eles", disse.
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A escola em que ela leciona funciona no período integral e os alunos passam oito horas no dia em sala. "A família deixa a parte da educação toda para a escola e não faz a sua parte. Por mais que você faça e trabalhe pelo aluno, a família não entende aquilo. Uma hora as crianças vão para casa e lá também é preciso de disciplina", afirmou.
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"Os alunos repetem os padrões dos pais. Eles gritam em sala de aula, falam muitos palavrões e mandam bilhetes ameaçando os professores. A gente não pode punir os alunos em sala e a família não ajuda. Eles sabem que não vai acontecer nada com eles", lamentou.
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Fonte: Terra