quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A EDUCAÇÃO DO ABSURDO

Não é possível que ainda temos que lidar com atitudes da Idade Média. Mas o que esperar da política do Estado de São Paulo? Não sei, mas esta de impedir que "deprimidos" exerçam a profissão é o cúmulo para não dizer do ABSURDO sem tamanho. Professores, como médicos, políticos, policiais, advogados, bombeiros, caminhoneiros, prostitutas, deputados e governadores, ficam deprimidos. Basta ver o salário e o montante de alunos em salas de aula. Se o Estado de São Paulo - sempre com um governo potente e onisciente - tem o desejo de encontrar super professores, aí a história é outra e vamos para o campo da ficção. Homens e mulheres ficam deprimidos, eles não são deprimidos. A serotonina, presente na alimentação, fala por si mesma e a reportagem abaixo, resultado de políticas atabalhoadas na educação, mostra que as autoridades não possuem a mínima noção do que se fala e se leva a efeito. Num país como o nosso, com 14 milhões de anlafabetos e analfabetos funcionais aos montes, quem não ficar deprimido fica histriônico, hiperativo ou com a grande possibilidade de produção de um câncer. É o fim da picada esta nova empreitada na educação. Penso mesmo que a própria Presidenta Dilma e o ex candidato Serra andam deprimidos. A primeira devido o sensível aumento da inflação e o constante atendimento dos desejos do PMDB, o segundo, por ter deixado como está o estado de São Paulo e a perda das eleições. Logo, estar deprimido é uma condição, passível de cura e equilíbrio e quem não esteve por lá, por alguma condição, conjuntura e "momentos da própria vida" que discuta com Hipócrates, o pai da medicina e primiero a enunciar o temperamento melancólico, e depois atire a primeira pedra.

* por Lúcio Alves de Barros (professor da FAE/CBH/UEMG)

Educação na mídia - 23 de fevereiro de 2011

SP reprova professores que tiveram depressão

Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo

Professores aprovados no último concurso para a rede estadual de São Paulo estão impedidos de assumir seus cargos por terem tirado, em algum momento de suas carreiras, licenças médicas por motivo de depressão. Por essa razão, devem continuar com contratos temporários. Especialistas afirmam que a decisão é preconceituosa. O Estado conversou com dois professores que passaram por todo o processo do concurso que selecionou docentes para atuar no ciclo 2 do ensino fundamental. O concurso tem diversas etapas: prova inicial, curso de preparação (que dura cerca de quatro meses), prova pós-curso e diversos exames de perícia médica - fase na qual foram "reprovados". Docentes míopes e obesos também foram impedidos de assumir seus cargos nessa mesma seleção.

Jair Berce, de 36 anos, que leciona na rede pública desde 1994 com contrato temporário, é um dos barrados. Ele conta que, na primeira perícia, foi considerado apto. Seu nome foi publicado no Diário Oficial em 8 de janeiro, na lista dos professores nomeados. No entanto, no dia 26, Berce foi convocado para uma nova perícia. O psiquiatra questionou as licenças médicas que ele havia tirado em 2003 (cinco dias afastado) e em 2004 (duas vezes: dez dias e depois duas semanas).

"Eu nem lembrava mais disso, foi há tanto tempo. Tomei fluoxetina (um tipo de antidepressivo) por seis meses. Hoje não tomo mais, estou muito bem. Foi um período difícil na minha vida: minha mãe tinha morrido, minha irmã tinha sofrido um acidente e eu estava terminando minha tese", lembra. Berce é formado em Ciências Sociais pela USP e tem mestrado em Antropologia pela PUC-SP. Ele também leciona na rede municipal de Barueri. Nessa mesma perícia, Berce passou pelo teste de Rorschach - que consiste em interpretar dez pranchas com imagens formadas por manchas simétricas de tinta. "Depois que soube da reprovação, pedi para ver o prontuário. Nele, havia a seguinte anotação: "visto avaliação psicológica F-32 - sugiro temerário o ingresso" e "não apto"", conta. F-32 é o código da Classificação Internacional das Doenças (CID) para depressão.

O professor C.Z., de 34 anos, que, assim como Berce, leciona Sociologia, atua na rede estadual há dez anos e foi vetado no concurso pelo mesmo motivo. No ano passado, ele terminou um casamento de cinco anos e precisou se afastar do trabalho. "Foi um período difícil, que me consumiu muito e fui orientado a procurar um psiquiatra para tirar uma licença", lembra ele. Z. ficou um mês fora da sala de aula. "Eu nunca havia tirado licença do trabalho. E nunca tomei remédio", afirma. Segundo ele, na perícia do concurso, o médico marcou "não apto". "Eu vi quando ele escreveu e perguntei o porquê. Ele disse que era por causa da licença. Tentei argumentar e explicar os motivos, mas ele não quis me ouvir."

Os dois professores continuam dando aulas como temporários. "É contraditório: como posso continuar trabalhando se eles me vetaram?", questiona o professor Berce. Ambos recorreram da decisão e foram convocados para novas perícias, que devem ocorrer nesta semana.

Discriminação. A psiquiatra da Unifesp Mara Fernandes Maranhão afirma que vetar um docente pelo fato de ele ter tido depressão é preconceito. "Toda pessoa está sujeita a passar por situações difíceis", explica. "Aquelas que têm propensão ou componente genético desenvolvem processos depressivos."

Segundo Mara, são poucos os quadros realmente curáveis, já que há grande chance de recorrência. "Mas a doença é tratável e, com acompanhamento, o paciente pode voltar a trabalhar normalmente. Não existe razão para rejeitá-lo."

Eli Alves da Silva, presidente da Comissão de Direito Trabalhista da OAB-SP, concorda. "Essa pessoas estão sendo discriminadas pelo próprio Estado, que é quem deveria combater esse tipo de coisa."

Para o Sindicato dos professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o governo deve "propor acompanhamento a todos os casos de professores com problemas de saúde e não alijá-los do trabalho". A entidade ressalta que seu departamento jurídico tem ingressado com ações na Justiça para garantir aos professores nessa situação o direito de lecionar.

Fonte: O Estado de São Paulo (SP)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

INDICAÇÃO DE LEITURA...

"VIOLÊNCIAS NAS ESCOLAS: Desafio para a prática docente?"


Neste livro, Stelamaris Rosa Cabral (professora e pós-graduada em Supervisão e Orientação Educacional) e Sônia Lucas (mestranda em Educação, professora de Filosofia e arte-educadora) apresentam questões e reflexões que, no percurso de suas trajetórias, solicitaram seu olhar mais apurado para as “violências nas escolas”. Contando com grande experiência na vida cotidiana escolar, elas percebem as deficiências que degradam a escola e as transformações sofridas na interação dos atores escolares que circulam em seus espaços.

O ambiente retratado na obra é a escola, cujas relações são analisadas e precisam ser repensadas. O foco está nos jovens brasileiros que precisam da companhia e da orientação docente no caminhar de suas vidas em sociedade. O objetivo é refletir de que maneira as violências nas escolas podem alterar a prática docente. Nesse sentido, as autoras não se limitam à escola “de concreto”, mas pensam na instituição vista como mediadora dos processos de ensino e aprendizagem, que faz parte de nossas vidas ao longo dos anos, que está em nossa memória e na de todos que foram tocados por ela. E que, na atualidade, vê-se inundada por uma avalanche de violências. Foi sobre isso que conversamos com Stelamaris e Sônia.

Revista Educação Pública - Vocês são como a imensa maioria dos professores, que só fala de educação, escola, aluno?

Stelamaris - Somos duas educadoras que pensam educação todo o tempo. Sempre que estamos juntas não conseguimos deixar esse tema de lado. Estamos sempre antenadas com o que acontece no Brasil e no mundo. Lemos os grandes autores, procuramos conhecer os novos e nos aventuramos em escrever sobre esse assunto que nos diz respeito e nos apaixona.

Revista Educação Pública – O que levou vocês a escrever esse livro?

Sônia - A ideia de escrever sobre o que sentimos, sobre o que pensamos, sobre o que nos inquieta veio quase de maneira espontânea, como uma consequência das nossas discussões, das nossas conversas, que são sempre inflamadas pela nossa perplexidade diante do fenômeno da violência em nosso mundo. Além das violências que já fazem parte do cotidiano das escolas na atualidade.

Stelamaris - Começamos a perceber que esse assunto nos incomodava profundamente, que nos fazia questionar o que poderia estar acontecendo e querer descobrir o porquê de tantos casos de violências nas escolas. As notícias se espalham na mídia, nos relatos nas escolas, nas salas dos professores, em todo canto... Ouvíamos histórias de violências que aconteceram em escolas do país...

Sônia - Daí começamos a perceber o pior: que estávamos presenciando, cada vez mais, violências que se apresentavam à nossa frente, em meio à nossa prática, dentro das escolas, nos corredores, nas salas de aula, nos portões dos colégios, nas ruas. Enfim, a violência se alastrando por todos os lugares.

Stelamaris - E aí, quando nós duas nos encontrávamos, conversávamos sobre os últimos acontecimentos e acabávamos estarrecidas com tantas “novidades”, com as últimas notícias dos jornais e com o que aparecia na internet. As notícias sobre atos de vandalismo, depredações, agressões de todo tipo, porte de drogas, armas e mortes iam aparecendo, descortinando uma nova realidade social que estamos vivenciando nesses novos tempos. Uma época em que a violência urbana degrada nossa sociedade, pela cultura da violência.

Revista Educação Pública - Como era a escola no tempo em que vocês eram alunas?

Sônia – Essa situação de violência nos fazia lembrar de quando frequentávamos a escola como alunas. Era uma escola que não existe mais, e isso traz uma tristeza profunda. Aí nossas discussões tomavam um novo rumo, um rumo de volta ao passado, quando éramos felizes e não sabíamos.

Stelamaris - Começávamos a lembrar como era o clima da escola pública, como era a nossa relação com os professores e com os colegas de turma, como nos comportávamos dentro da escola, nas filas, ao cantar o Hino Nacional, como era boa a hora do recreio, a comida gostosa que era servida... Ah! A escola era muito boa!

Revista Educação Pública - E dá pra comparar com a escola de agora?

Stelamaris - Fazendo uma comparação com os dias de hoje, podemos perceber a total desvalorização da escola – ao contrário daquela época –, a desvalorização do trabalho docente, do aprendizado, do convívio harmonioso, é a desvalorização generalizada da educação como um todo.

Sônia - E percebemos também as crianças e os jovens perdidos em meio à desvalorização dos valores mais elementares da vida em sociedade. Respeito, amizade, tolerância, ética, família, educação... não se veem por aí.

Stelamaris - Aí ficamos nos perguntando: o que fazer? O que podemos fazer para mudar esse cenário, que apresenta uma profunda transformação histórica, política e cultural da sociedade? Como lidar com essa nova escola, cheia de conflitos, fragmentada por acontecimentos que a transformaram, aos poucos, em espaço de violências, inseguranças, medos e silêncios impostos?

Revista Educação Pública - Vocês percebem alguma saída?

Sônia - Não temos uma fórmula ideal, mas sabemos que temos que contar com a participação dos professores, das famílias, das comunidades, do Estado, da sociedade organizada, enfim, com a cooperação de todos. Afinal de contas, a escola é de todos, é para todos, mas não pode ser para a violência.

Stelamaris - A escola deve ser lugar de paz, de harmonia, de alegria, de aprender, de ensinar, de viver. A escola precisa reforçar o seu lugar de excelência do humano, dos valores, da estética, da ética.

Sônia - Eu acho que cabe a nós, docentes, trabalhar para a mudança. É a nossa responsabilidade, é o nosso trabalho. Eu acredito, nós acreditamos que a escola está em nossas mãos. É a partir de nossas reflexões, das discussões, do nosso diálogo com a sociedade que vamos tentar dar conta de tamanho desafio.

Stelamaris - Somos nós, educadores, que vamos apontar para as violências nas escolas e dizer: “Aqui não! Aqui na escola não pode ter violência!”. Pode ser que assim a sociedade aprenda com a escola e passe a ter a mesma atitude. Quem sabe o mundo aprende a mudar com a escola? Acho que foi pensando nisso que resolvemos escrever o livro.


Ficha técnica:
Título: Violências nas Escolas: Desafio para a prática docente?
Autoras: Stelamaris Rosa Cabral e Sônia Lucas
Gênero: Educação
Produção: Gramma Editora (http://grammanet.com.br/loja/
)
Ano: 2010

Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materias/0441.html

Ao menos 160 mil alunos fazem curso tecnológico ruim


Entre 2003 e 2009, as matrículas em cursos tecnológicos no Brasil cresceram 324%

Agencia Estado - 22/02/2011 - 08:40

Entre 2003 e 2009, as matrículas em cursos tecnológicos no Brasil cresceram 324%. A qualidade desses cursos, no entanto, só começou a ser avaliada nos últimos três anos. O retrato levantado não é bom: cerca de 160 mil estudantes estão hoje em um curso superior de qualidade ruim. Mais que isso: até agora, apenas 38% deles passaram por algum tipo de avaliação do Ministério da Educação (MEC).

O avanço dos cursos tecnológicos no Brasil foi vertiginoso. Em 2000 havia apenas 364 cursos registrados. Em 2009, o Censo da Educação Superior registrava 4.449 cursos, um crescimento de 1.122%. De todos esses cursos, no entanto, apenas 1.723 já passaram por uma avaliação do MEC. Só 1.216 receberam conceitos. Os demais não tiveram graduandos suficientes para fazer o Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade).

Nos poucos cursos que já foram avaliados, a situação não é boa. Na média dos três anos de Enade, 33% tiveram conceitos de curso inferiores a 1,95 pontos e terão de passar por um processo de supervisão. Em 2008 e 2007, o resultado da avaliação foi ainda pior: mais de 40% dos cursos tiveram os piores conceitos. Em 2009, esse porcentual caiu para 27%. Mas 2009 também foi o ano em que mais cursos ficaram sem avaliação completa, porque eles não ainda possuíam turmas de formandos.

Nos mesmos três anos de avaliação, outros 40% ficaram com conceitos entre 1,95 e 2,95 pontos - o que significa que têm nota 3 para o MEC e são considerados "regulares", mas não que sejam realmente cursos de qualidade. Vinte e nove cursos ficaram com notas abaixo de 1. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: O Estado de São paulo.

Sem professores, notas são ruins

21 de fevereiro de 2011

Os dados históricos do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) são ao mesmo tempo escudo e arma da Secretaria Estadual da Educação para exigir o retorno dos professores às salas de aula. Reportagem publicada ontem no POPULAR mostrou que em cada grupo de 10 professores efetivos da rede estadual, 3,4 estão fora da sala de aula. Ao todo, são 11.750 professores em outras atividades. Enquanto isso, o ranking de desempenho da Educação Básica nacional revela que o Estado de Goiás, desde 2005, não conseguiu ganhar sequer uma posição em nenhuma das fases, seja nos anos iniciais (1º ao 5º) e finais (6º ao 9º) do Ensino Fundamental e mesmo no Ensino Médio (ver quadro). O secretário Thiago Peixoto carrega estes levantamentos debaixo do braço para mostrar a quem quer que seja os motivos para exigir que os professores voltem às salas de aula.

Em alguns casos, a nota média alcançada pelos alunos até teve uma variação positiva, mas isso não foi suficiente para que o Estado conseguisse melhorar sua posição no ranking. Há uma tendência de queda e, no máximo, de manutenção da posição. Pior ainda, conforme o aluno se aproxima dos anos finais da Educação Básica, a posição no ranking vai piorando (sai do 8º lugar nos anos iniciais do Ensino Fundamental, passando pelo 15º nos anos finais até chegar ao 16º no Ensino Médio). Para a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) não há dúvida de que alguma coisa vai errada. "Os resultados mostram que o sistema está fracassando. O aluno passa 12 anos na escola e sai dela com menos de 25% do conhecimento necessário em Língua Portuguesa e com apenas 8% em Matemática. E Goiás tem caído no ranking. Isso exige mudanças que não são fáceis. E tais mudanças não virão com 30% dos professores fora das salas de aula", argumenta Thiago Peixoto.

Criado em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC) como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação, o Ideb é calculado com base na taxa de rendimento escolar (aprovação e evasão) e no desempenho dos alunos no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e na Prova Brasil. Quanto maior for a nota no teste e quanto menos repetências e desistências forem registradas, melhor será a classificação, numa escala de zero a dez.

O secretário da Educação de Goiás não está preocupado em mexer na estrutura da escolas para tentar melhorar o índice de aprendizado dos alunos. Além da suspensão de projetos educacionais complementares (Praec´s), a Seduc exigiu que nas escolas em que há déficit de professores em determinadas disciplinas, que os educadores dessas áreas que estão integralmente ou em parte em outras atividades (como laboratórios e bibliotecas) dediquem o seu tempo às salas de aula. No Colégio Albert Sabin, no Jardim Petrópolis, em Goiânia, por exemplo, um professor de Língua Portuguesa e Inglês está trabalhando na biblioteca.

"É claro que eu sei que o laboratório é importante, que a biblioteca é importante. Mas, mais importante do que isso, é saber ler e escrever e saber Matemática. É uma simples questão de foco e de prioridade. Nosso foco tem de ser o aluno e nossa prioridade não vai ser a horta, nem o laboratório, nossa prioridade vai ser ensinar Língua Portuguesa, Matemática e Ciências", diz o secretário.

Mas não é todo mundo que pensa como o novo secretário. As críticas mais ferrenhas vêm dos professores. O POPULAR conversou com professores e diretores de escolas estaduais da capital e do interior e ouviu deles que Thiago Peixoto não se debruçou sobre a realidade de cada escola ao impor o retorno dos professores às salas de aula, sem dar oportunidade de contra-argumentação. "O laboratório de informática, por exemplo, é uma ferramenta pedagógica extraordinária. Nesse mundo tecnológico tão avançado é preciso preparar o nosso aluno para o futuro, deixá-lo mais próximo da realidade do mercado de trabalho. O mundo mudou e a escola precisa acompanhar isso", defende uma professora de Silvânia.

"Ao adotar essas medidas, o secretário não verificou o que ocorre em cada escola. Cada situação é diferente. Os alunos precisam do laboratório de informática para fazer pesquisas para trabalhos e outras atividades relacionadas com o projeto pedagógico. De que adianta ter investido antes na melhoria dos laboratórios se agora eles ficarão subutilizados? Para mim foi um retrocesso", ressalta uma professora de uma escola do interior.

Uma das justificativas dos defensores da presença de professores em laboratórios e bibliotecas é que eles estariam preparados para as funções. "Os professores foram preparados, fizeram curso para isso. Não é qualquer pessoa que pode assumir a função sem gerar impacto para a escola e para o aluno. Os professores que atuam como dinamizadores são essenciais nas atividades", diz uma diretora de uma escola do interior.

O POPULAR verificou que muitas escolas do Estado estão driblando a determinação da Seduc e fazendo os ajustes internos para que professores continuem fora das salas de aula. Ainda não se sabe como a Seduc irá tratar esses casos, mas há a possibilidade de controle das atividades através da folha de pagamento dos professores. "É possível saber cada atividade que está sendo desempenhada e se as determinações estão sendo cumpridas", avisa o secretário.

Sintego cobra valorização profissional

Se quer exigir a volta do professor à sala de aula e valorizar a presença dele no processo de desenvolvimento do aluno, a Seduc sabe que, por outro lado, chegará o momento em que o docente exigirá a contrapartida do poder público. Afinal, não é de hoje que o assunto valorização do educador é colocada em discussão. E ela sempre acaba passando pelo fator financeiro. "Como querem exigir tanto do professor se ele não é bem remunerado para isso", indaga uma professora.

O próprio Sindicato dos Trabalhadores na Educação em Goiás (Sintego) cobra uma política real de valorização. "O professor não tem medo de trabalhar. E não vai ser apenas colocá-lo na sala de aula que vai resolver os problemas. É preciso muito mais. É preciso estrutura. É preciso valorização dos profissionais da Educação. Ele precisa estar motivado", alerta a presidente do Sintego, Ieda Leal. Secretário licenciado da Educação, Thiago Peixoto dá indícios de que tem conhecimento dessa posição e, apesar de lembrar das dificuldades financeiras do Estado, diz que pretende implantar em Goiás o piso nacional dos professores (cerca de R$ 1 mil). "A médio prazo a gente quer até mesmo passar disso", promete.

De qualquer forma, com piso nacional ou não, Thiago Peixoto explica que criará um sistema de avaliação do desempenho dos professores, bem ao gosto da meritocracia que vem sendo tão propagandeada pelo chefe e governador Marconi Perillo. "Vamos criar uma avaliação aqui em Goiás nos moldes da Prova Brasil, na qual verificaremos o desempenho dos alunos. Com isso veremos como está sendo o processo de aprendizagem. A escola que registrar os melhores resultados irá receber bônus por desempenho para ser distribuído aos professores", destaca o secretário licenciado.

Atividades essenciais à educação

Para o educador Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos Pela Educação, as medidas que vêm sendo adotadas pela Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc), das quais ele tem conhecimento e vem acompanhando, têm um objetivo central importante, mas necessitam de muito cuidado.

Ele fala principalmente sobre a exigência do retorno dos professores às salas de aula. "Se o professor estava em desvio de função, fora da educação, tudo bem que seja exigido o retorno imediato. No entanto, é preciso analisar que existem outras atividades, que não a docência, que também são essenciais para o processo educacional. Afinal, a Educação também exige elaboração de projetos e outras atividades semelhantes", opina o professor, que já foi reitor da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) e titular da Secretaria da Educação pernambucana nos anos 2000. Ele alerta que a Seduc goiana precisa se debruçar sobre os casos e avaliar cada um para não ter uma onda contrária de reclamações. "Cada escola tem o seu próprio projeto pedagógico. É preciso pensar nisso. É preciso separar o joio do trigo. Eu tomei medidas semelhantes às que estão sendo adotadas em Goiás quando fui secretário no Pernambuco, onde existia déficit de professores, e tive a preocupação de observar as situações existentes. No final, o resultado foi positivo", argumenta.

Sobrecarga de trabalho e queda da qualidade
Os professores estão na outra ponta da corda que é puxada de um lado pela Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc). As exigências feitas até agora para o retorno às salas de aula estão exigindo jogo de cintura e adaptações daqueles que já retornaram. E, se depender do secretário licenciado Thiago Peixoto, muitos ainda passarão pelo processo, já que o grosso dos mais de 11 mil professores ainda estão por retornar. Um dos casos para ilustrar o processo de mudança em andamento vem de Silvânia. Uma professora com mais de 25 anos na Educação e que estava há algum tempo na atividade principal de dinamizadora de laboratório, teve de retornar à docência nesse início de 2011. O processo não está sendo nada fácil.

Antes, ela dedicava todo o tempo a uma única escola, ainda que dividisse o período trabalhado entre o laboratório de informática (onde ficava mais da metade do tempo) e o complemento na sala de aula. Bióloga e professora de Ciências, Física e Química, ela agora tem de se desdobrar entre três colégios para cumprir a carga de 42 horas/aula semanais. "Foi uma modificação radical. Meus horários ficaram muito apertados. Avalio que o trabalho perde muito a qualidade. Não tenho como me dedicar e vestir a camisa de uma escola só. Isso prejudica demais a relação entre professor e aluno. A tendência é cair o rendimento dos dois lados. Eu fico até tarde e acordo de madrugada para preparar as aulas e nem assim tenho tempo suficiente", justifica.

Além desse caso, há as situações em que professores estavam morando em outras cidades e que foram convocados a retomar às atividades de docência no local em que foi lotado. E, nem sempre, o professor consegue logo de início a sua integração à cidade em que estava residindo. "É um transtorno para a gente. Não é fácil mudar a vida assim", explica uma professora que precisou mudar de cidade.

Questão ampla

O Sindicato dos Trabalhadores na Educação em Goiás (Sintego) considera que o retorno dos professores às salas de aula é uma decisão administrativa da Secretaria da Educação, mas entende que os problemas da educação são bem mais amplos do que isso. "Faltam condições de trabalho para os professores. Há uma sobrecarga de trabalho", salienta a presidente do sindicato, Ieda Leal. Ela salienta que, na verdade é preciso contratar uma quantidade maior de professores e realizar novos concursos para suprir o déficit, que ela não sabe estimar de quantos professores seria. "O que posso dizer é que há uma demanda muito grande na rede pública estadual que precisa ser suprida", completa a líder sindical.

Fonte: O Popular (GO)

17% dos professores não têm formação ideal para dar aula

19 de fevereiro de 2011

MARÍLIA ROCHA E NATALIA CANCIAN, DE SÃO PAULO

No Brasil, 16,8% dos professores da rede pública não têm formação suficiente para exercer a profissão e estão em situação irregular. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) exige que os docentes do sexto ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio tenham formação superior, mas 208 mil professores dessas séries concluíram apenas o fundamental ou o médio. Por Estado, a pior situação é na Bahia, onde 50,8% dos 96,5 mil docentes dessas séries não completaram o ensino superior. Já São Paulo tem a melhor taxa nacional: 2,25% dos 238.667 professores dessa fase do ensino não terminaram a faculdade.

O levantamento, feito com base em dados do Inep (instituto ligado ao MEC) reunidos em 2009 e atualizados em janeiro deste ano, abarca o total de 1,2 milhão de professores que dão aulas nas séries em que há essa exigência. O índice é praticamente o mesmo de 2007 (16%), quando se fez o primeiro levantamento nacional do tipo. Erivan Santos, 20, ilustra essa situação. Ele começou a dar aulas na rede pública aos 19 anos e atualmente ensina geografia numa escola particular de Acajutiba, na Bahia, enquanto está no segundo ano de pedagogia.

"Para dar aula de geografia, basta ter um bom entendimento do assunto e saber passar isso para os alunos. Não precisa de conhecimento aprofundado, não", diz.

"Esses professores estão em situação irregular e terão de fazer uma licenciatura", afirma a pesquisadora Ângela Soligo, da Faculdade de Educação da Unicamp.

O fundador da ONG Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos, diz que o percentual de docentes sem faculdade também descumpre metas do Plano de Educação Básica. "Parte desses professores vem de cidades menores, onde, em geral, só se estuda até o ensino médio", afirma.

OUTRO LADO

A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Almeida e Silva, admite que a situação dos professores sem formação suficiente "fere a lei" e pode comprometer a aprendizagem.

Segundo ela, estão em curso políticas articuladas com governos locais para sanar a questão. "Nunca temos resultados rápidos em Educação, mas as políticas atuais estão bem estruturadas."

A diretora do Instituto Anísio Teixeira (que forma docentes na BA), Irene Cazorla, diz desconfiar que os dados estejam "superestimados".

Colaborou MATHEUS MAGENTA, de Salvador

Fonte: Folha de São Paulo (SP)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

450 estudantes estão sem aulas em escola estadual


Mariana Nicodemus - Repórter

Cerca de 450 alunos dos ensinos fundamental e médio da Escola Estadual Cândido Motta Filho, no Bairro São Benedito, estão sem aulas desde ontem, por tempo indeterminado. Duas semanas após o início do ano letivo, professores e funcionários da unidade decidiram que não é possível manter as atividades diante do quadro que, segundo eles, está instalado pela falta de direção e de materiais básicos, como papel, caneta para quadro e gás para o preparo da merenda. Com a diretora afastada por licença médica pelo menos até a segunda quinzena de março, a Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora alega que existem impedimentos ao gerenciamento da verba destinada à unidade, que não possui vice-diretor.

Na tarde de ontem, uma denúncia assinada por 180 integrantes da comunidade escolar, entre professores, funcionários e pais de alunos, foi entregue à diretora da SRE em exercício, Maura Couto Gaio. O documento, que será anexado a um relatório de organização e funcionamento da escola encaminhado à Secretaria de Estado de Educação, pede o afastamento da atual direção, a contratação imediata de servidores para recomposição de quadro, o detalhamento da situação financeira da unidade, a constituição de um colegiado escolar e a garantia de recursos mínimos para que a Cândido Motta Filho possa funcionar. Os professores garantem que não voltarão a lecionar até que os problemas sejam resolvidos. "Não há condições mínimas para que as aulas aconteçam, então só retornaremos quando nos for apresentada uma solução", enfatiza a professora Priscilla Menegati Vaccarini.

A supervisora pedagógica da escola, Ciléia Helena Campos, afirma que os funcionários estariam contribuindo com o próprio dinheiro para a compra de insumos básicos, em uma tentativa de manter as atividades da escola. "Mas a situação chegou ao limite." Segundo os servidores afirmam no documento, a escola não possui computadores e máquina de xerox ou mimeógrafo para a confecção de avaliações, as instalações elétricas das salas de aula são precárias, a biblioteca está fechada e a quadra esportiva e os banheiros não têm condições mínimas para o uso. Ontem a Tribuna esteve na escola e constatou que os sanitários não possuem portas nas cabines individuais, descargas e nem torneiras. Também a arquibancada do pátio de esportes está tomada pelo mato, e a quadra acumula enormes poças de água, propícias ao desenvolvimento do mosquito transmissor da dengue.

A educadora social Fátima Leandra da Silva, mãe de um menino de 11 anos que frequenta o sexto ano do ensino fundamental, afirma que o filho está há duas semanas sem aulas. "É um absurdo. A escola é suja e não tem estrutura. Meu medo é que, sem aulas, essas crianças fiquem na rua." Pai de quatro filhos, entre 8 e 16 anos, matriculados na Cândido Motta Filho, o vidraceiro Luís Carlos Gomes teme que os problemas levem ao fechamento do colégio. "A solução não pode ser tirarmos nossos filhos daqui, mas lutar para que a escola permaneça em condições de oferecer educação adequada."

SRE busca insumos em outras escolas

Depois de quase duas horas de reunião com uma comissão formada por representantes dos professores, funcionários e pais de alunos, a diretora da SRE em exercício, Maura Couto Gaio, informou que encaminhará a denúncia entregue pelo grupo à Secretaria de Estado de Educação e aguardará orientações da pasta sobre as providências a serem tomadas quanto à falta de direção temporária na escola. Até que seja nomeado um vice-diretor, quem responde pela unidade é a supervisora pedagógica, Ciléia Helena Campos.

Quanto à estrutura deficiente e à falta de recursos, a diretora afirma que os problemas são administrativos. "A escola recebeu o termo de compromisso para manutenção e custeio no início do ano letivo, mas a aquisição e gerência dos materiais depende da assinatura da diretora", explica. "Existe verba. Mas, nesse momento, não há quem a gerencie." A lista de insumos necessários foi entregue à SRE, que tentará redistribuir o material estocado por outras escolas em benefício da Cândido Motta Filho, na tentativa de antecipar o reinício das atividades no colégio. Maura garante, ainda, que as aulas perdidas terão que ser repostas, sem prejuízo aos estudantes.

A diretora da subsede de Juiz de Fora do Sindicato Únicos dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE JF), Victória de Fátima, afirma que a entidade, junto à comunidade escolar do São Benedito, exigirá que a SRE tome as devidas providências para que a escola tenha condições de funcionar o quanto antes. "Essa cobrança acontece desde o ano passado. Já oficiamos a superintendência, solicitando esclarecimentos sobre os problemas, mas não recebemos resposta."

Fonte: http://www.tribunademinas.com.br/geral/geral30.php

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Audiência pública aponta caminhos para a paz nas escolas

16/02/2011

O Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT) pretende convocar os representantes das escolas particulares e dos sindicatos de professores e auxiliares de administração escolar para intermediar a negociação de uma Convenção Coletiva de Trabalho que estabeleça parâmetros de segurança nas escolas. Essa foi uma das principais propostas levantadas na audiência pública promovida pelo MPT nessa quarta-feira (16/02) para discutir a violência nas escolas particulares.

Participaram da audiência cerca de 100 representantes de escolas privadas de Belo Horizonte, que foram intimados pelo procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Arlélio de Carvalho Lages. Segundo o procurador, ainda serão realizadas mais 10 audiências em todo o Estado. A proposta do MPT é, a partir dos debates, produzir uma cartilha com orientações sobre o tema. Para o procurador, todos são responsáveis pela violência e a solução deve ser conjunta. “Há uma banalização da violência nos jogos e na internet. Os pais terceirizaram a educação dos filhos”, enfatizou.

Como convidados, Gilson Reis, presidente do Sindicato dos Professores (Sinpro Minas), e Rogerlan de Morais, diretora do Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar (Saae-MG), relataram casos concretos de agressões e intimidações sofridas pelos profissionais dentro das instituições de ensino.

Dupla violência

Gilson Reis citou dados da pesquisa feita pelo Sinpro Minas em parceria com a PUC Minas, segundo a qual mais da metade dos entrevistados (62%) disseram ter presenciado agressão verbal dentro da escola, e 24%, agressão física. Também leu trechos de estudos sobre o tema que retratam bem a situação dos professores. “O aluno referiu-se a minha pessoa dessa forma: ‘não faço. Meu pai paga o seu salário. Nem em casa faço e ninguém vai me obrigar”, exemplificou. “A violência contra o professor é dupla, pois além de conviver com intimidações, sofre em função do problema não ser solucionado”, afirma Gilson Reis.

A proposta do Sinpro Minas para o combate a violência no ambiente escolar engloba a elaboração de uma campanha pela paz nas escolas, com a criação do disque-denúncia, de uma câmara setorial no Conselho Estadual de Educação, para que a sociedade civil possa debater o assunto de forma permanente, e um fórum multidisciplinar, dentro das instituições, com psicólogos e assistentes sociais. O sindicato também propõe a negociação com o patronal para que seja implantada uma comissão específica sobre a violência, a exemplo das Cipas (Comissões Internas de Prevenção de Acidentes).

Essa proposta foi considerada bem-vinda por Emiro Barbini, presidente do Sinep-MG (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particulares de Minas Gerais). Segundo Barbini, o Sinep-MG está discutindo o tema com as escolas, que deve envolver os alunos e familiares, para estabelecer regras claras nos regimentos escolares para que as infrações sejam punidas.

Segurança como parâmetro de avaliação

Segundo a procuradora do Trabalho Lutiana Nacur Lorentz, o Ministério Público pode tomar ações preventivas, convocando alunos e professores envolvidos em casos de ameaças, assim como encaminhar medidas punitivas. Ela também sugere que o quesito segurança docente e discente seja utilizado como parâmetro para as avaliações da Capes e do Ministério da Educação. Também participaram da mesa de debates os representantes do Conselho Estadual de Educação, José Januzzi de Souza Reis, e da Superintendência Regional do Trabalho, Alessandra Parreiras.

Fonte: http://www.sinprominas.org.br/conteudos/detalhes.aspx?IdCanal=123&IdMateria=1860

Alunos punidos ilegalmente

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Apesar da Lei 9.870, de 1999, determinar que "são proibidas a suspensão de provas escolares, a retenção de documentos escolares ou a aplicação de quaisquer outras penalidades pedagógicas por motivo de inadimplemento", o Procon-JF continua registrando reclamações contra instituições de ensino. "O mais grave é o problema continuar acontecendo, mesmo depois de mais de uma década de criação da lei", ressalta o superintendente do órgão, Eduardo Schröder. Apesar de não ter fornecido números, ele revela que o maior número de ocorrências se refere à retenção de documentos do aluno.

Este foi o caso da promotora de eventos Simone Araújo Baldutti, que não conseguiu obter o histórico escolar do filho, requerido pela escola pública para onde foi transferido no ano passado. "Quis negociar a dívida, tentando parcelá-la, mas eles disseram que só entregariam o pagamento se eu pagasse tudo que devia." Simone conta que teve muitos problemas para matricular o filho em outra instituição, e que até hoje não obteve o histórico escolar. "Meu filho perdeu quase um mês de aulas. Além disso, passei por muito constrangimento, pois a escola se recusava a me atender e mandava algum funcionário dizer na frente de outras pessoas que era porque eu estava em débito."

Uma pedagoga que preferiu não se identificar passou por problema semelhante. A faculdade onde estudou se recusou a emitir uma certidão de conclusão de curso porque ela devia algumas mensalidades. "Já sabia desta lei e fui direto ao Procon. Depois de um ano e dois meses, consegui o documento através de uma liminar." Ela conta que vários colegas de turma enfrentaram o mesmo transtorno. "De uma turma de 40 alunos, pelo menos uns 13 passaram por isso". A instituição se recusou a negociar o débito, dizendo que só liberaria o certificado mediante pagamento à vista. "Com isso, perdi umas três propostas de emprego. E o que eles não viam é que quanto mais eu demorasse a conseguir um emprego, mais tempo a dívida ficaria em aberto." A pedagoga relata ainda, que soube de transtornos parecidos com alunos que foram proibidos de fazer provas, participar de cerimônias de colação de grau ou receber seus diplomas.

Para Schröder, a infração ainda acontece porque muitos consumidores não têm conhecimento da lei. "Além disso, é um caso em que muitos preferem se calar. Não ter acesso a documentos ou procedimentos por falta de pagamento é uma situação constrangedora." Ele alerta que qualquer pessoa que se sentir lesada por uma instituição de ensino por estar inadimplente deve procurar o Procon. "Não estamos defendendo a inadimplência de forma alguma. A lei preza por um bem maior, a educação de um cidadão, que em momento nenhum pode ser prejudicada ou interrompida. A escola deve procurar os meios legais para receber o pagamento, jamais tentar obtê-lo por coerção." O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe/Sudeste) foi procurado pela Tribuna, mas até o fechamento desta edição, não se posicionou sobre o assunto.

Fonte: Tribuna de Minas - JF - http://www.tribunademinas.com.br/economia/eco10.php

Deputados vão pedir detalhes ao MEC sobre kit contra homofobia

O Ministério da Educação vai receber dois pedidos de informação encaminhados pela Câmara dos Deputados sobre o polêmico material didático, ainda em elaboração pela pasta, que aborda a discriminação contra homossexuais, conhecido por "kit contra homofobia". O referido material é um conjunto de vídeos que seriam distribuídos a 6.000 escolas do ensino médio e abordam questões como o o preconceito contra travestis e o relacionamento afetivo entre garotas.

Os pedidos de informação partiram de dois deputados evangélicos e foram ratificados na manhã de ontem, pela Mesa da Câmara. Um deles questiona o governo sobre os critérios de elaboração e distribuição do material; o outro quer detalhes do convênio firmado entre o ministério e a ONG responsável pela produção do kit e ainda quer cópia do material.

Na justificativa de um dos requerimentos, o deputado João Campos (PSDB-GO) diz ter recebido informações de que o vídeo "Encontrando Bianca" estimula que as crianças assumam sua "identidade homossexual", o que seria apontado aos professores como uma 'atitude correta a ser tomada dentro da sala de aula'. O Ministério da Educação afirma não ter recebido os requerimentos e diz que o material didático ainda está em fase de análise.

(*) Acompanhe diariamente os principais conteúdos jurídicos em http://www.twitter.com/editoramagister

Fonte: Folha OnLine e http://www.editoramagister.com/noticia_ler.php?id=49762&utm_source=PmwebCRM-AGECOMUNICACAO&utm_medium=Edi%c3%a7%c3%a3o%20n.%201327%20-%2017.fev.2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A VIOLÊNCIA NA ESCOLA



Por Eduardo Beltrão de Lucena Córdula (Biólogo e pesquisador do Gepec-CE/UFPB)

A problemática

A educação passa por grandes transformações; a todo momento novas concepções de ensino e aprendizagem surgem, voltadas para a melhoria da qualidade do ensino na Educação Básica (Gonçalves; Macêdo; Machado, 1996). No entanto, nessa busca de qualidade e maximização da aprendizagem estão as crianças e adolescentes que chegam à escola com uma bagagem própria de informações e comportamentos, incluindo ai aspectos culturais, educação doméstica (bons modos, moralidade, religiosidade), éticos, sua personalidade, seu caráter em formação e seus problemas (medos, preconceitos, carências, afetivos, emocionais etc.) (Nolte; Harris, 2009).

Esses reflexos surgem como fruto das relações familiares, já que esses atores estão a todo momento aprendendo de forma positiva ou negativa, pois crianças e adolescentes estão o tempo todo prestando atenção nos educadores familiares, que desejam que aprendam a estar integrados na sociedade e preparados para serem adultos competentes – aprender o que eles querem que seja aprendido – mas eles também aprendem observando cuidadosamente como lidam com as situações cotidianas (Nolte; Harris, 2009).

Numa relação salutar, as crianças externam amabilidade, autoestima, confiança, honestidade, benevolência, caridade, simplicidade, paciência, generosidade, respeito etc., que são ensinamentos de todas as pessoas de seu convívio, seja familiar, na comunidade ou na escola (Nolte; Harris, 2009). Porém, muitas vezes são educadas de forma negativa, situação essa que se manifesta na atitude dos adultos para com elas, de forma que a todo momento, tratam-nas de forma que as ridicularizam, hostilizam-nas, criticam-nas, aterrorizam-nas; como consequência, elas se tornam crianças que possuem baixa autoestima, medos, sem confiança em si mesmas, agressivas, injustas, invejosas e assim por diante (Nolte; Harris, 2009). E todo esse modelo de “educar”, que os adultos ou mesmo outras crianças, adolescentes e jovens com os quais se relacionam de forma interpessoal, torna-se gerador dessa problemática, que vem à tona no ambiente escolar, constatada no convívio da relação docente-discente (López, 2004).

A solução

As políticas públicas, por sua vez, devem investir não só na escola, mas também na comunidade e na família, para que se tenha uma interrupção desses reflexos na escola, já que as crianças aprendem o que a família e a comunidade – integrantes da sociedade – lhes ensinam direta ou indiretamente (Nolte; Harris, 2009), reagem aos problemas sociais pelos quais está passando, absorvem informações a todo momento, pelo seu continuo aprendizado cognitivo natural, para seu desenvolvimento intelectual (Piaget, 1979; Rodrigo; Correa, 2004).

Por outro lado, a escola não pode ficar à mercê dessa problemática, nem omissa na busca de uma solução, que deve partir da união de esforços entre setores e esferas públicas, bem como trazer a comunidade para ela e, principalmente, a família (Lacasa, 2004). Com esse árduo trabalho, os reflexos poderão ser imediatos no convívio social da criança, com mudanças tão almejadas por muitos educadores em seu ato de ensinar (Córdula, 2009).

Um dos modelos mais aceitos na atualidade é a solução de problemas como meio para propiciar o processo de ensino-aprendizagem na escola, atrelando os conteúdos curriculares às questões paradigmáticas da sociedade (Pozzo, 1998), podendo partir das concepções trazidas nos temas transversais, para, de maneira inter e transdisciplinar, unir conteúdos curriculares a essas questões de violência na escola (Brasil, 1998).

A atividade docente exige conhecer e estar sensível à realidade vivenciada, não ficar apático a ela, e sim envolvido no processo de mudança, através de uma práxis transformadora dos eventos sociais refletidos pelas crianças (Vasconcelos, 2007), pois “todo fazer é um conhecer, e todo conhecer é um fazer” (Maturana, 2001, p. 32), os quais podem se expandir em um sistema de rede social à máxima proteção das crianças e dos adolescentes (Brasil, 2008), que, apesar de externar tais problemas, são, na realidade, vítimas deles e precisam ser sensibilizadas e direcionadas para o pleno e salutar convívio social.

Referências

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: temas transversais. Brasília: MEC, 1998.

BRASIL. Escola que Protege: Enfrentando a violência contra crianças e adolescentes. 2ª. ed. Brasília: MEC/SECAD, 2008.

GONÇALVES, E. P.; MACÊDO, L. S.; MACHADO, M. S. B. O desafio da qualidade em Educação: historicidade, ideologia e perspectivas práticas. João Pessoa: Ed. UFPB, 1996.

LACASA, P. Ambiente familiar e educação escolar: a interseção de dois cenários educacionais. In: COLL, C; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. [Org.] Desenvolvimento psicológico e educação. Vol. 2. 2ª ed. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 403-419.

LÓPEZ, F. Problemas afetivos e de conduta na sala de aula. In: COLL, C; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. [Org.] Desenvolvimento psicológico e educação. Vol. 3. 2ª ed. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 113-128.

MATURANA, H. A Árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Atenas, 2001.

NOLT, D. L.; HARRIS, R. As crianças aprendem o que vivenciam. Tradução de Maria Luiza Newlands da Silveira. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

PIAGET, Jean. Aprendizagem e conhecimento. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1979.

POZZO, I. J. Aprender a resolver problemas e resolver problemas para aprender. In: POZZO, I. J. [Org.]. A solução de problemas: aprender a resolver, resolver para aprender. Tris Affnso Neves. Porto Alegre: Artmed, 1998, p. 13-42.

RODRIGO, M. J.; CORREA, N. Representações e processos cognitivos: esquemas e modelos mentais. In: COLL, C; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. [Org.] Desenvolvimento psicológico e educação. Vol. 2. 2ª ed. Tradução de Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 81-93.

VASCONCELOS, C. S. Para onde vai o professor? Resgate do professor como sujeito da transformação. 12ª ed. São Paulo: Libertad, 2007.

Fonte: Publicado em Revista Educação Pública. In: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0282.html - 15/02/2011.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Para educadores, mudar sistema não garante qualidade

14 de fevereiro de 2011

A maneira como a recomendação do CNE será implementada em todo o Brasil preocupa educadores. Coordenadora do mestrado em Educação da UniRio, Claudia Fernandes acredita que o sistema de ciclo é um avanço do ponto de vista pedagógico, mas que só mudar o sistema não garante qualidade na Educação:

- A Escola seriada ainda é a dos séculos XVIII e XIX, quando se acreditava que todos aprendiam no mesmo tempo; então, mudar é importante. No entanto, o sistema de ciclos tem sido usado para melhorar o fluxo, para que as crianças deixem de ocupar vagas nas séries, quando deveria garantir ensino de qualidade.

De acordo com Claudia, não basta que o CNE recomende a não reprovação:

- Tem que dar contrapartida. Os professores, por exemplo, deviam ter a chance de ser mais bem formados e as Escolas teriam que se reorganizar para trabalhar com o novo modelo. Do jeito que é feito, o aluno vai contar com a sorte, quando a qualidade devia ser para todos. Se nada mudar, ficará como está. As crianças que não aprendem com o sistema seriado, também não aprenderão no sistema de ciclo. É uma perversidade deixar ir para a Escola e não ensinar.

Sistema de ciclos não pode encobrir problemas

Para Andrea Fetzner, também professora de pós-graduação em Educação na UniRio, o sistema de ciclos pode ser considerado ruim quando usado como solução para o que o governo não consegue resolver:

- O gestor público não oferece recursos, não reformula o currículo, mesmo com a velocidade com que as coisas mudam no mundo contemporâneo, não dá espaço para o professorplanejar aulas coletivamente e aí o problema vira a não reprovação. O sistema de ciclos é problemático quando encobre falta de gestão, quando é usado para não melhorar aEducação. Falta de qualidade é responsabilidade dos gestores. No entanto, não podemos esquecer que reprovar os alunos nas condições oferecidas não é justo.

Presidente do Sindicato dos professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeosp), Maria Izabel Azevedo Noronha teme que a "exclusão seja apenas postergada" com a implantação do ciclo de alfabetização:

- A sociedade avalia as pessoas. Se o ciclo for aplicado em todo o país e não houver avaliação continuada para rever o projeto pedagógico, se as Escolas não oferecerem aulas extras para quem tem mais dificuldade, a chance de o estudante ser reprovado no quarto ano é grande. É uma exclusão postergada, uma passagem vã pela sala de aula.
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Fonte: O Globo (RJ)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Estudo associa bullying na adolescência a status social

O Estado de São Paulo - 13 fevereiro 2011
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A descoberta, relatada na edição mais recente da revista American Sociological Review, sugere que os esforços para combater o bullying em escolas devem se concentrar mais nas hierarquias sociais. "Em geral, o status faz aumentar a agressão", disse o sociólogo Robert Faris, da Universidade da Califórnia em Davis, que chefiou o estudo. Faris e um colega estudaram os relacionamentos entre 3.722 alunos do ensino médio e superior ao longo de um ano letivo e descobriram que a propensão de adolescentes à agressão aumentou junto com seu status social.

O auge do comportamento agressivo foi atingido quando alunos chegaram ao 98.º percentil de popularidade, sugerindo que eles estavam se esforçando ao máximo para chegar ao topo. Os pesquisadores quantificaram isso realizando pesquisas com alunos de 8.ª, 9.ª e 10.ª séries em 19 escolas da Carolina do Norte, no outono de 2004 e de novo na primavera de 2005. Pediu-se para os alunos nomearem até cinco melhores amigos. Pediu-se também que eles nomeassem até cinco alunos que haviam molestado nos três meses anteriores e até cinco alunos que os haviam molestado.

Nos casos em que houvera agressão, os alunos classificaram os fatos como ataques físicos, bullying verbal direto ou ofensas indiretas - como espalhar rumores ou colocar colegas no ostracismo. As pesquisas também perguntaram sobre as notas dos alunos, participação em equipes esportivas, histórico de encontros amorosos, raça e renda familiar.

Os resultados permitiram a Faris criar "mapas sociais" de cada escola, traçando todas as relações positivas e negativas entre alunos. Embora o estudo reforce estereótipos populares sobre "panelinhas" sociais em escolas, ele contradiz noções acadêmicas sobre agressão, disse Faris.

"Durante muito tempo houve uma ênfase em ver a agressão como produto do ambiente doméstico", disse ele. "Aqui estamos obtendo um quadro diferente." As descobertas sugerem que os programas contra o bullying precisam focar no papel da maioria não violenta de alunos, disse a psicóloga da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Jaana Juvonen, que estuda o bullying em escolas.

"É realmente decisivo que os espectadores falem", disse Juvonen, que não esteve envolvida no estudo. "Se há um jovem agressivo a quem todos se dobram, isso envia um sinal ao molestador de que o que ele está fazendo está funcionando."

Rosalind Wiseman, que tem 17 anos de experiência em educação, disse que o estudo refletia a experiência de muitos educadores. Foi precisamente esse comportamento que a levou a escrever Queen Bees and Wannabes (o livro que inspirou o filme Meninas Malvadas), em que a garota bonita e meio nerd interpretada por Lindsay Lohan vai ficando maldosa à medida que sua popularidade cresce. "É sempre bom ter um reforço", disse Rosalind. (LOS ANGELES TIMES) TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK .

Fonte: O Estado de SP

O PERFIL DO TRÁFICO "MENOR"

OBS.: Clique na figura para vê-la maior

Fonte: O Estado de Minas

Envolvimento de menores no tráfico explode nos últimos cinco anos, diz estudo

Por Ernesto Braga - Publicação: 13/02/2011
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Menor é apreendido por envolvimento com traficantes
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Aos 17 anos, H., desde pequeno criado pela avó numa casa humilde do Bairro Serra Verde, na Região de Venda Nova, acumula duas passagens pelo Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional de Belo Horizonte (CIA-BH). Em 2009, foi surpreendido pela Polícia Militar fumando maconha. Na semana passada, foi apreendido novamente, desta vez vendendo crack, com um traficante de 22 anos. “Entrei na pilha dos amigos, achando que ia conseguir ganhar dinheiro fácil para comprar roupa, chinelo, essas coisas. Tentei dispensar as pedras quando a polícia chegou, mas não teve jeito. Acabei caindo”, diz o menor, que nunca trabalhou e não conseguiu passar da 8ª série do ensino fundamental. Ele tem o perfil da maioria dos atendidos no CIA-BH, que há seis anos acompanha a tendência de migração dos menores dos crimes violentos, como homicídios e estupros, para o tráfico e uso de drogas. Estatísticas do Setor de Pesquisa Infracional (Sepi) da Vara de Atos Infracionais da Infância e da Juventude de BH mostram que, em 2005, 485 adolescentes foram apreendidos na capital por tráfico e 347 por uso de entorpecentes, totalizando 832 casos. Em 2009, as apreensões por uso saltaram para 1.908 e por tráfico, para 1.868, somando 3.776 ocorrências – aumento de 350%.

O CIA-BH não concluiu a tabulação dos dados de 2010, mas números parciais, de janeiro a setembro, mostram que 1.741 adolescentes foram apreendidos por tráfico e 1.107 por uso de drogas, total de 2.848 registros. A média do ano passado é de 10,4 apreensões por dia, superando a de 2009, de 10,3. Já o envolvimento dos menores na criminalidade violenta vem diminuindo. Em 2005, eles foram apontados como autores de 145 assassinatos na capital. Em 2009 responderam por 43 homicídios, queda de 70,3%. Embora bem menos expressiva, também houve redução nos roubos, de 984 para 846 (14%).

Saiba mais...
Jovens entram na venda de drogas para susentar vício À frente da Vara de Atos Infracionais de BH desde 2005, a juíza Valéria da Silva Rodrigues afirma que a migração dos menores dos crimes violentos para o tráfico de drogas se deve a vários fatores. O principal, ressalta, foi a integração entre as forças policiais, o Judiciário e o Ministério Público, que nos últimos anos resultou na prisão de muitos traficantes. Com isso, segundo a magistrada, os menores tiveram que substituí-los no comando dos pontos de venda de drogas da capital, embora continuem recebendo ordens dos chefes. “A mentalidade do adolescente é completamente diferente. Tanto que eles começaram a brigar e a subdividir as gangues por ruas. Os traficantes, mesmo presos, estão determinando que haja trégua, para evitar que os homicídios e disputas prejudiquem o comércio das drogas”, afirma
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Fonte: ht
tp://www.em.com.br

PESQUISA [Notícias]

Jovens têm rotina de agressões nos namoros


Marcelo Remígio, 12 fev. 2011

RIO - Agressão virou sinônimo de domínio nas relações amorosas de jovens do Recife. Para marcar território, casais com idades entre 15 e 19 anos recorrem à violência como forma de controle de parceiros e parceiras. Em muitos relacionamentos, a violência sexual faz parte do namoro e, na maioria dos casos, a vítima também passa a exercer o papel de agressora. Levantamento realizado pela Fiocruz Pernambuco e pela escola Nacional de Saúde Pública, com 290 estudantes de 11 escolas da rede pública da capital mostra que 67,3% dos casais admitiram já ter ocorrido violência sexual por parte de ambos os parceiros.

O estudo mostra ainda que em 23,7% dos namoros a violência sexual é praticada somente pelos rapazes e em 9% pelas moças. Considerada como um ato de grau grave, a relação sexual forçada sob ameaça - de agressão física, de chantagem e até da colocação de fotos íntimas em sites de relacionamento na internet - é mais comum quando o agressor é um adolescentes do sexo masculino: 73,7%, contra 15,98% do feminino.

Para pesquisador, há uma crise de valores

De acordo com o pesquisador da Fiocruz e biomédico Eduardo Bezerra, o comportamento identificado nos jovens levará à formação de adultos cada vez mais agressivos, ao aumento da criminalidade e à concretização da banalização da violência. Bezerra ressalta que jovens que sofreram alguma ação de violência no local onde vivem, como assaltos ou brigas, têm o dobro de chances de as agressões influenciarem em suas relações.

- São adolescentes que enfrentam cada vez mais cedo a violência em diversos graus. Os jovens começam a achar isso tudo muito normal. Acreditam que, para ter domínio da relação e do companheiro, é preciso usar de violência. Esse comportamento também oferece respaldo para a permanência em seus grupos sociais. Controlar a namorada ou o namorado pode ainda representar independência para quem tem 12 ou 13 anos. Enfrentamos uma crise de valores - explica Bezerra, que promoveu a pesquisa.

A análise do comportamento dos jovens também possibilitou identificar o risco de as agressões se repetirem, criando uma rotina de violência. Quem perdeu o controle e bateu no companheiro tem 2,5 vezes mais chances de partir para a briga novamente. Quem mantém relações sexuais com seus parceiros aumenta em três vezes o risco de ser vítima de violência ou se transformar em agressor. A probabilidade de problemas no relacionamento também é alta quando o casal não tem religião.

- Até então, os controles religioso e moral nas relações afetivas eram maiores. Agredir era um ato fora do normal. Atualmente, o controle é menos intenso. O curioso é que existia a figura do agressor e da vítima. Hoje, elas se misturam, com os namorados desempenhando os dois papéis. Alguns jovens acreditam que quando uma menina é paquerada por um outro rapaz e seu namorado não reage de forma violenta batendo nela, por exemplo, ele estaria concordando com a situação. Acontece até quando, usando a linguagem deles, ela não "dá mole" - diz Bezerra.

Violência começa com beijo forçado e vai aumentando

Para o pesquisador, hoje a violência demonstrada pelos jovens começa com um ato de grau leve, como um beijo forçado, e vai aumentando gradativamente podendo chegar a estupros e brigas com agressões físicas e verbais. Segundo Bezerra, os jovens vão "testando os limites da violência" em suas relações.

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/02/12/jovens-tem-rotina-de-agressoes-nos-namoros-923790956.asp

sábado, 12 de fevereiro de 2011

NOTÍCIAS...

Adolescente de 14 anos morre enforcado dentro da Dopcad

Da Redação - 11 fev. 2011

Um adolescente de 14 anos morreu na madrugada desta sexta-feira (11) dentro da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescentes (Dopcad) de Contagem, na Grande BH. Israel Pedro Tibúrcio, conforme a família, teria sido enforcado dentro de um alojamento do Dopcad. Conforme os familiares, o adolescente teria sido apreendido no Bairro Eldorado após roubar um celular de outro adolescente. Para surpresa da família, na madrugada desta sexta, receberam a informação de que o jovem estava morto.

A irmã do adolescente, Tâmara Cristina Tibúrcio de Carvalho, de 20 anos, disse que a família recebeu a notícia por volta da uma hora da manhã desta sexta. A moça e a mãe do adolescente, Elaine Cristina Tibúrcio, foram para a Dopcad, onde um funcionário teria dito que não poderia fazer nada e nem dar nenhuma informação sobre o caso.

Tâmara disse ainda que que este mesmo funcionário, que não chegou a abrir o portão para as duas, disse primeiramente que elas deveriam ir até o Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte. “Não disseram nada direito. Falaram apenas para gente ir no IML e que meu irmão teria arrumado uma confusão com outros adolescentes na delegacia e que outros detentos teriam enforcado ele”, contou a irmã.

No laudo emitido pelo IML consta que o motivo da morte do adolescente está como indeterminado, segundo disse a irmão de Israel. A moça disse que não acredita na versão de que seu irmão foi enforcado, uma vez que sempre foi um menino muito tranquilo. Entretanto, a Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase), informou que o corpo apresentava sinais de estrangulamento e outros dois adolescentes, de 16 e 14 anos, assumiram a autoria do crime.

Conforme a subsecretaria, os autores já foram ouvidos pelo delegado e encaminhados ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional (CIA-BH). A Suase abriu procedimento para apurar o caso.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/adolescente-de-14-anos-morre-enforcado-dentro-da-dopcad-1.239397

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Dilma vai à TV e promete ''ProUni da escola técnica''

11 de fevereiro de 2011

Em seu 1º pronunciamento, presidente fala em inclusão digital e melhora no Enem e Sisu.

Em seu primeiro pronunciamento em cadeia de rádio e TV, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o governo lançará ainda neste trimestre o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec), que levará ao ensino técnico a "bem sucedida experiência do ProUni".

Ela também afirmou que o governo está acelerando a implantação do Plano Nacional de Banda Larga para que todas as escolas públicas tenham acesso à internet e a população pobre possa ter internet com um preço compatível com sua renda. Dilma também disse que o governo federal está tomando medidas para corrigir e evitar falhas que têm ocorrido no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza as notas do Enem para preencher vagas em universidades federais.

A presidente aproveitou o retorno às aulas em todo o País para reafirmar o compromisso com a melhoria da educação. "Um desafio que só será vencido se governo e sociedade se unirem de fato nessa luta, com toda força, coragem e convicção", disse.

"Nenhuma ferramenta é mais decisiva que ela (educação) para superarmos a pobreza e a miséria", continuou, defendendo mais investimentos na formação e remuneração dos professores, ampliação do número de creches e pré-escolas e combate à evasão escolar. Dilma também disse que é hora de fazer mais escolas técnicas, ampliar os cursos de ensino profissionalizante, melhorar o ensino médio e as universidades.

Miséria

Ela concluiu reafirmando que a "luta mais obstinada" do seu governo será o combate à miséria. "Isso significa fortalecer a economia, ampliar o emprego e aperfeiçoar as políticas sociais. Isso significa em especial melhorar a qualidade do ensino, pois ninguém sai da pobreza se não tiver acesso à educação gratuita, contínua e de qualidade. Nenhum país igualmente poderá se desenvolver sem educar bem o seu jovem e capacitá-lo plenamente para o emprego e para as novas necessidades criadas pela sociedade do conhecimento." Ao final, citou o novo slogan: "País rico é país sem pobreza". "Esse será o lema de arrancada do meu governo. Ele está aí para alertar permanentemente a nós do governo e a todos os setores da sociedade que só realizaremos o destino de grandeza do Brasil quando acabarmos com a miséria."

A presidente admitiu que essa é uma tarefa para toda uma geração e destacou que é preciso realizar a parte importante que falta. "Para que a única fome desse país seja a fome de saber, de grandeza, de solidariedade e igualdade. E para que todos os brasileiros possam fazer da educação a grande ferramenta de construção do seu sonho."

Fonte: O Estado de São Paulo (SP)

Enem


Opinião: Múltiplos equívocos


JOÃO PESSOA DE ALBUQUERQUE* / 11 de fevereiro de 2011

Exame Nacional de Equívocos Múltiplos. Eis aí o que deveria ser a correta denominação do famoso Exame Nacional de ensino médio, mais conhecido pela "alcunha" de Enem. Não há dúvidas de que ele precisa ser riscado do mapa educacional do país, não tanto pelos erros e vazamentos que muito o desgastaram, mas por uma razão política maior: o Brasil é, constitucionalmente, uma Federação e não mais, como no tempo do Império, um estado unitário.

A diferença é enorme: o que havia, na divisão política do país, eram províncias subordinadas ao poder central, representado na intocável figura do imperador que, como chefe de Estado sem mandato, era eterno no exercício do seu mando.

Na Federação Republicana, ocorre o contrário: as unidades geográficas são autônomas com seus poderes constituídos sem vínculo da subordinação à União. Temos, aqui, com esse "status" jurídico-constitucional, 26 estados e o Distrito Federal.

É preciso que tais unidades federadas, com tamanho respaldo, imponham-se proclamando, corajosamente, que, não precisando de uma "babá educacional", são suficientemente competentes para instituírem, em seus territórios, os respectivos concursos locais de ingresso ao ensino superior. E, além dessa legítima tomada de posição, nada mais fértil do que a diversidade de práticas para inspirar uma útil troca de experiências em área tão vital como a Educação (assim mesmo, com letra maiúscula!)

Por que é Brasília que tem de dizer ao jovem do Acre que seus saberes têm de ser exatamente iguais aos dos seus conterrâneos da Paraíba ou do Rio de Grande do Sul? Por quê? Ou que suas formas de avaliação têm de ser "irmãs gêmeas"? Por quê?

E como pelo seu notório "defeito de fabricação", creio que nem mais cabe qualquer "recall"...

É chegada, pois, a hora e a vez de darmos adeus ao Enem, evocando, oportunamente, aquele belo canto de reação quando, ufanos e uníssonos, entoávamos, há décadas, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer"...
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* é integrante do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro e diretor da Associação Brasileira de Educação.
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Aluno de 14 anos tem queimaduras em trote violento em escola técnica de SP

O Globo - 10/02/2011
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SÃO PAULO - Um aluno de 14 anos que ingressou na Escola Técnica Estadual Conselheiro Antônio Prado (Etecap), localizada em Campinas, a 94 quilômetros de São Paulo, sofreu queimaduras de terceiro grau durante um trote aplicado por estudantes veteranos nesta semana. Os ferimentos teriam sido causados por um produto químico que pode ter sido misturado a uma tinta antialérgica.

Segundo o jovem, que pediu para não ser identificado, ele foi levado pelos veteranos para uma quadra da instituição no primeiro dia de aulas. Lá, foram jogados nele e em outros estudantes farinha e uma tinta.

- Senti uma queimadura muito grande nas costas e na orelha. Quando fui lavar as costas, vi que havia um machucado. Fui ao médico e foi constatada a queimadura - disse o estudante.

Questionado sobre o trote, o jovem revelou que não esperava por isso em uma escola de boa qualidade e pela qual se esforçou para entrar.

- Dói muito. Senti-me humilhado. É constrangedor - afirmou o jovem.

A diretora da Etecap, Rosangela Pellegrino, disse que o trote violento foi um caso isolado. Segundo ela, a recepção aos novatos foi organizada entre o grêmio estudantil e a escola. Assim que a diretoria ficou sabendo do caso, através de uma ligação da mãe do aluno, ela suspendeu imediatamente o evento que era para durar a semana inteira com palestras e gincanas.

A unidade escolar vai apurar o caso e os alunos envolvidos serão punidos. A punição não foi divulgada. Segundo a Etecap, a escola forneceu uma tinta antialérgica para a brincadeira com os calouros, mas a suspeita é que um aluno tenha misturado algum produto químico nela.

Fonte: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/02/10/aluno-de-14-anos-tem-queimaduras-em-trote-violento-em-escola-tecnica-de-sp-923769076.asp

Professor da UnB processa alunos que criticaram ensino

ANDREZA MATAIS - 10/02/2011 - 20h49

DE BRASÍLIA

Um professor de arquitetura da UnB (Universidade de Brasília) entrou na Justiça contra três alunos que criticaram seu método de ensino. Ele pede indenização por danos morais de R$ 20 mil, valor que compensaria sua "dor íntima", conforme registrou na ação.

No início da semana, uma outra professora, Mônica Valero, do Departamento de Ciências Farmacêuticas, ganhou indenização de R$ 8.500 numa ação que moveu contra 17 ex-alunos que, em 2005, divulgaram um documento em que a acusavam de não dominar a disciplina que lecionava.

As críticas ao professor de arquitetura foram registradas em duas cartas sem ofensas pessoais assinadas pelo centro acadêmico e encaminhadas à diretoria da faculdade de arquitetura em julho do ano passado. O professor Neander Furtado, que ministra a disciplina de Projetos, só ingressou com a ação em janeiro deste ano, seis meses depois do ocorrido.

"Eu estava usando métodos modernos, mas muitos preferiam continuar fazendo projetos com lápis e papel", disse ao portal da UnB na internet. Ele não foi localizado pela Folha. Um dos problemas apontados pelos alunos é que o professor do segundo semestre não utilizava o ateliê, para que pudessem aprender na prática, por exemplo, como fazer uma maquete.

O professor também não gostou do protesto dos alunos que amontoaram carteiras e colaram cartazes nas paredes com letras de músicas de Chico Buarque e Tom Zé após o conselho da faculdade avalizar o método do professor. A UnB informou ontem que diante do impasse foi criada uma comissão para avaliar todo plano de ensino da faculdade. Apesar de ter sido assinada pelo centro acadêmico, a ação foi movida contra três alunos que integravam o colegiado. Mariana Roberti Bomtempo, Luiz Eduardo Araujo e Lívia Silva Brandão serão defendidos por Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado de políticos e empresários.

Kakay disse que vai entrar com ação contra o professor por ele estar usando o Judiciário para intimidar os alunos. O filho dele é estudante de arquitetura. "Ninguém ofendeu o professor. Esperamos justiça", disse Bomtempo.
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Alunos conseguem na justiça garantir curso em horário matutino

Doze alunos de Direito da Universidade Metodista de São Paulo conseguiram, na 3ª Vara Federal em São Bernardo do Campo/SP, manter suas aulas no período da manhã (das 7h30 às 11h) do curso ao qual estão cumprindo o penúltimo semestre.

A decisão, do juiz federal Antônio André Muniz Mascarenhas de Souza, confirmou, em sentença, a liminar obtida pelos alunos que garantiu a continuidade das aulas no período da manhã, mesmo após a Universidade ter anunciado, em outubro de 2010, que cancelaria as aulas matinais de Direito por falta de quorum, obrigando todos os alunos da manhã a dar continuidade ao curso no período noturno. Para o juiz, o procedimento de extinção da turma se deu “em desatenção a preceitos legais e a princípios constitucionais [...]. Embora a Universidade tenha plena autonomia para extinguir cursos, também tem a obrigação de fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio”.

Os impetrantes trouxeram prova de que a turma do período matutino, desde o 5º semestre, não contava com mais de 25 alunos. “A falta de planejamento não deve ancorar-se na autonomia administrativa para justificar a extinção de um curso a qualquer momento em prejuízo dos alunos. Tal atividade deve respeitar os princípios constitucionais do Direito Administrativo, dentre eles o princípio da razoabilidade”, afirma Antônio Mascarenhas de Souza. Na opinião do juiz, a mudança imposta pela Universidade dessa forma violaria as condições de horário estabelecidas quando do início do ano letivo. “Os impetrantes demonstraram, como era de se esperar de alunos do último ano da Faculdade de Direito, que têm atividades extra-escolares importantes para o desenvolvimento acadêmico e profissional, como estágio e trabalho, em horários incompatíveis com o curso noturno, tornando extremamente prejudicial a mudança de turno no último semestre”.

Mascarenhas de Souza determinou ao reitor da Universidade Metodista de São Paulo que mantenha as aulas em favor dos impetrantes no período matutino, referente ao 10º período do curso da Faculdade de Direito. (RAN)

Mandado de Segurança nº 0007941-21.2010.403.6114

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Fonte: JFSP -
http://www.editoramagister.com/noticia_ler.php?id=49584&utm_source=PmwebCRM-AGECOMUNICACAO&utm_medium=Edi%c3%a7%c3%a3o%20n.%201322%20-%2010.fev.2011

Mais de 4 milhões de alunos voltam às escolas

publicado em 10/02/2011

Governo do Estado prevê contratar 9.304 novos professores efetivos neste ano
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Cerca de 4,5 milhões de estudantes voltam às aulas nesta quinta-feira (10), em mais de 5.200 colégios da rede pública estadual de São Paulo. O ano letivo começa três dias depois da volta à rotina escolar nas escolas municipais da capital paulista, ocorrida na segunda-feira (7), quando quase 1 milhão de alunos voltaram a estudar.

Para melhorar o atendimento nas escolas paulistas, o governo do Estado prevê contratar 9.304 novos professores efetivos neste ano. O poder público, no entanto, foi acusado de discriminação por docentes obesos, após a eliminação de vários deles sob o argumento de que "obesidade é uma doença".

Foram distribuídos kits escolares para todos os estudantes da rede estadual, segundo a assessoria de imprensa do governo. O investimento no material - mochila, caderno, caneta, lápis, apontador, borracha, régua e estojo de lápis de cor - foi de R$ 117 milhões.

Rio de Janeiro

As escolas estaduais fluminenses já voltaram às aulas nesta segunda-feira (7). Mais de 1,2 milhão de estudantes retornaram para as classes de 1.466 colégios, segundo a Secretaria Estadual da Educação do Rio. A data também marca o início do Programa de Educação do Estado, um pacote de melhorias e metas para cada unidade de ensino definidas segundo a realidade de cada turma de alunos e professores.

O Rio de Janeiro vai, pela primeira vez, adicionar um indicador de qualidade próprio, o Iderj, similar ao Ideb (Índice de Educação Básica) - que é calculado pelo MEC (Ministério da Educação) e mede o nível de ensino em todo o país. O Estado prevê investimento anual de R$ 240 milhões em educação, apenas para valorizar os funcionários (diretores, professores, educadores e outros) que trabalham no setor. Está sendo criada, ainda, uma Escola Corporativa dentro da secretaria, com o objetivo de dar cursos específicos para até 10 mil professores.

NOTÍCIAS

Preso homem que vendia diplomas

Polícia Civil apresentou estelionatário que foi detido com 11 diplomas, após reportagem do SUPER NOTÍCIA
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Publicado no Super Notícia em 10/02/2011
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A reportagem de Rafael Rocha publicada no Super Notícia do dia 27 de janeiro, denunciando a venda de diplomas de ensino médio falsos no centro de Belo Horizonte, foi o pontapé inicial para que a Delegacia de Combate a Crimes Contra o Patrimônio (DCCP) iniciasse uma grande investigação para desbaratar esse esquema criminoso. Ontem, o chefe da DCCP, delegado Islande Batista, apresentou à imprensa Alberto José Macedo, de 60 anos. Ele foi preso, em flagrante, por estelionato, pela equipe da delegada Paloma Boson Kairalá. A prisão aconteceu na última sexta-feira, uma semana após a publicação da matéria.

Macedo é o homem que aparece nas imagens flagradas pelo jornal negociando a venda de um documento do ensino médio, na avenida Santos Dumont, no centro da capital, no mesmo quarteirão de uma delegacia da Polícia Civil. Segundo o delegado, o acusado estava em um bar no bairro Carlos Prates, região Noroeste de Belo Horizonte, portando 11 diplomas falsos quando foi preso. Macedo confessou que venderia os certificados de conclusão do ensino médio para 11 pessoas, que já estão sendo convocadas prestar esclarecimentos. "Com certeza as pessoas cujos nomes estão nesses diplomas pretendiam adquirir os certificados de forma fraudulenta. Se for constatado o delito, podem pegar pena de dois a seis anos de detenção", afirmou Batista.

Ainda segundo o chefe do DCCP, Macedo negou, no entanto, ser o responsável pelas falsificações. Mas a polícia apura essa informação com cuidado. "Pode ser que o próprio Macedo tenha falsificado os diplomas. Ele já responde a inquérito por ter fraudado documento particular (laudos ou declarações de próprio punho) em 2004. Já pedimos à Justiça que informe qual tipo de documento foi fraudado por Macedo", informou. Se ficar provado que Macedo também seria responsável pelas falsificações, ele será indiciado por dois crimes. "Por estelionato, cuja pena é de um a cinco anos, e por falsificar documento público, cuja pena é de dois a seis anos. Neste caso, ele pode ter a pena aumentada", explicou.

Ramificações

A Polícia Civil não descarta a possibilidade de Macedo fazer parte de uma quadrilha de estelionatários. Segundo o delegado Islande Batista, os investigadores apuram o nome de um homem apontado por Alberto José Macedo como o responsável pelas falsificações.

"Macedo disse que o falsificador ficava com R$ 150. Ele só receberia os R$5 0 restantes", informou Batista. Mas o nome desse suspeito está sendo mantido em sigilo para não prejudicar as investigações.

"Investigamos ainda uma loja que pode estar participando do esquema. A princípio, não há indícios de participação das escolas cujos diplomas foram falsificados. Mas ainda é cedo para descartarmos qualquer possibilidade", informou.

O documento adquirido pela reportagem do Super foi entregue à Polícia Civil e uma cópia foi enviada à Secretaria de Estado de Educação (SEE). Segundo a polícia, os investigadores da DCCP estão apurando pelo menos 50 casos envolvendo fraudes de diplomas.

"Quem vai me empregar?"
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De costas, com o rosto tampado pelas mãos, Alberto José Macedo mal escondia as lágrimas, ontem à tarde, ao ser apresentado à imprensa. Questionado pelos jornalistas, ele negou ter falsificado o diploma que vendeu à reportagem. Alberto falou pouco, mas contou ter ficado sabendo da reportagem que denunciou o esquema ilegal do qual ele participava. "Não quis ler". Perguntado sobre o motivo pelo qual praticava a fraude, Macedo limitou-se a dizer: "Sou um homem de 60 anos. Quem vai me empregar?"

A Delegacia de Combate a Crimes Contra o Patrimônio investiga também denúncias de falsificação de diplomas de ensino médio de candidatos a concursos das polícias Militar e Civil. De acordo com o delegado Islande Batista, os responsáveis pelos processos seletivos das corporações conferem se os candidatos realmente estudaram nas instituições que assinam os certificados. "Quando há alguma incorreção, abre-se o inquérito", afirmou. Batista aconselha desconfiar de certificados feitos em folhas sem marca d´água ou sem os fios que aparecem quando o diploma é colocado sob a luz. "Há casos de diplomas que até apresentam erros de português", disse. (MSi)
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NOTÍCIAS...

Dono de escola onde menina de 4 anos morreu atingida por viga de madeira é indiciado em Pernambuco

Publicada em 10 fev. 2011

RECIFE - Foi indiciado por homicídio culposo, causado por negligência, o dono da Escola Internacional de Aldeia, John Willis Fryer, 73 anos. A responsabilidade dele pela morte da aluna Maria Vitória Andrade Inácio, 4 anos, foi apontada na conclusão do inquérito, apresentado nesta quarta-feira pelo delegado Roberto Geraldo, titular de Camaragibe, no Grande Recife.

O caso aconteceu em novembro do ano passado. A menina participava de uma atividade extraclasse, dentro da área da escola mas fora da sala de aula, quando foi atingida por uma viga de madeira, que desabou. Para o delegado, houve negligência na manutenção dessa estrutura.

- A olho nu, na época do ocorrido, já tinhamos dito que isso poderia ser melhor cuidado, havia situações de deterioração dos troncos. Os peritos comprovaram que a manutenção era insuficiente - disse Roberto Geraldo.

Além disso, a amarração das vigas de madeira também não estava adequada, de acordo com o delegado. Ele afirma que, das oito colunas existentes no local, a que caiu não apresentava amarração horizontal na parte superior, o que teria facilitado o tombamento. A manutenção contra cupins estava sendo feita com regularidade, mas também era insuficiente, porque os peritos constataram que os insetos estavam presentes, internamente.

- O tronco que caiu provou que, na base, estava deteriorado - afirma o delegado.

O dono da escola vai responder ao processo em liberdade, porque o crime é culposo e ele não atrapalhou a apuração da polícia. O inquérito vai ser encaminhado ao Ministério Público na tarde desta quarta.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Escolas já incendiadas


Violência (s)


Opinião: Valorização do magistério público

09 de fevereiro de 2011

Paulo Sertek*

Plutarco, filósofo grego, deixou escrito que: “Um exército de cervos comandado por um leão é muito mais temível que um exército de leões comandado por um cervo!” Um exército com uma boa liderança e soldados de talento mediano é mais eficaz do que outro, possuindo soldados excepcionais, porém mal liderados.

A Educação em nível nacional necessita da visão dos bons líderes, porquanto exige a resposta, de médio e longo prazos, ao Censo da Educação Superior publicado no mês passado pelo MEC. Os bons líderes atuam no “ponto de desequilíbrio” concentrando o foco da sua atenção na identificação e na exploração dos fatores de influência desproporcional para obter resultados organizativos. Um exemplo disso ocorreu na Coreia do Sul, que, com liderança efetiva, passou à condição de país desenvolvido em duas décadas. Enfrentou a batalha da Educação de forma inteligente tomando decisões e contando com pessoas que fizessem a diferença.

Verifica-se que, das 3.164.679 vagas oferecidas aos cursos de ensino superior em todo o país em 2009, somente 1.511.388 foram preenchidas. Entre as vagas das universidades públicas, 354.331 (de um total de 393.882) foram ocupadas. Entre os institutos de ensino particulares, o número de vagas ociosas foi maior. Das 2.770.797 vagas oferecidas, somente 1.157.057 foram preenchidas.

Nas universidades públicas – federais, estaduais e municipais –, em 2009 ficaram ociosas 39,5 mil vagas, correspondendo 27,6 mil delas aos municípios, 10 mil aos estados e 1,9 mil às universidades federais. Esse indicador é chave para medir a eficácia do sistema deEducação superior público, pois continuamos a gastar mal. Há uma perda de 10% de recursos. Cada vaga nas universidades federais custa aos cofres públicos em torno de R$ 12 mil por ano. Podemos em uma primeira estimativa avaliar em R$ 474 milhões por ano, que vão para o ralo.

As pesquisas efetuadas pelo Instituto Lobo indicam que, atualmente, metade dos universitários não se forma. Constatam que: “No caso do Brasil, ela (a evasão) foi de 51% em 2005, já que 718 mil estudantes se formaram naquele ano, número bastante inferior ao 1,4 milhão que, em 2002, entrou no sistema. Os 49% restantes representariam, portanto o contingente estimado que evadiu do sistema”. Essa taxa, segundo esse estudo, continua hoje no mesmo patamar.

Comparativamente, no Japão, a evasão; medida como a taxa de estudantes que não concluem o curso superior após quatro anos, situa-se em torno de 7%, no México é de 31%, enquanto a nossa evasão, contando todas as instituições de ensino superior, é a mesma que a da Colômbia, com 51%.

O Instituto Lobo avalia, em base anual, que no ensino superior nacional, “a taxa em todo o sistema foi de 22%. Isso significa que 750 mil alunos deixaram de estudar em 2005. Essa taxa, no entanto, é maior na rede privada (25%) do que na pública (12%). Ao longo dos últimos cinco anos, tanto a taxa de evasão anual, quanto a evasão em quatro anos, ficaram estáveis”.

Pensava-se que a questão financeira fosse a causa principal da evasão, mas não é verdade. As últimas pesquisas revelam que as variáveis mais influentes são o desestímulo pela falta de qualidade dos cursos escolhidos, a falta de conhecimento prévio dos candidatos sobre a carreira que se pretendia seguir e a péssima qualidade do ensino básico cursado pelos candidatos. Oscar Hipólito, outro pesquisador, verificou que: “de 2004 para 2005, o número dematrículas no ensino superior aumentou em 290 mil. O número de alunos que evadiram do sistema, no entanto, foi muito maior (750 mil). A perda desses alunos causa prejuízos tanto para a rede pública quanto para a privada, já que você mantém toda uma estrutura para receber aquele aluno, mas ele não está mais estudando”.

A desorientação no comando da Educação nos sugere aplicar o pensamento de Plutarco e dedicar os esforços nos pontos de desequilíbrio, que afetam substancialmente o resultado final. As pesquisas de Maria Cristina Gramani revelam que a melhoria de qualidade do ensino infantil, fundamental e médio melhoram a taxa de progressão dos estudantes para os sucessivos níveis.

Para conseguir a expansão consistente dos cursos superiores requer-se a atuação estratégica na Educação básica. Hoje o ponto de desequilíbrio necessita da valorização sem precedentes do magistério público, e se concentrem esforços para tornar atrativa a profissão de professor. O desafio está em empregar os recursos públicos, para a Educaçãobásica, com mais eficácia, eliminando as perdas e a corrupção.
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* Paulo Sertek, professor da FAE, é doutor em Educação pela UFPR e autor dos livros: Responsabilidade Social e Competência Interpessoal; Empreendedorismo; e Administração e Planejamento Estratégico.
E-mail: paulo-sertek@uol.com.br
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Fonte: Gazeta do Povo (PR)