segunda-feira, 31 de maio de 2010

NOTÍCIAS...

Metade dos alunos de escolas rurais é das classes D e E

Brasília - Mais de 50% dos alunos da escola rural são das classes D e E. Quase um terço dos pais desses alunos nunca estudou ou não chegou a completar a 4ª série do ensino fundamental. Quarenta e nove por cento deles já reprovaram de ano. O índice é ainda mais alto (66%) entre os alunos da classe E.

Os dados são de uma pesquisa apresentada nesta quinta-feira pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que avaliou a situação das escolas rurais de dez estados brasileiros. Apesar das condições desfavoráveis, 56% das famílias acreditam que o aluno vai chegar ao ensino superior e 99% dos alunos disseram que seus pais “falavam para ir para a escola e não faltar às aulas”.

A maior dificuldade apontada pelos alunos para frequentar a escola é o problema com transporte. Do total dos entrevistados, 44% vai à escola de ônibus e 43% a pé. Quase um terço das crianças trabalham, a maior parte (92%) “ajudando os pais na roça” ou “com o gado”. Os alunos e professores entrevistados avaliam a escola como ótima ou boa (50%) e 24% acreditam que ela seja ruim ou péssima.

Fonte: O DIA, 31 maio 2010 - http://odia.terra.com.br/portal/educacao

EDUCAÇÃO E TORTURA...

Ficha técnica do livro:
Escola, instituição da tortura
Autor: Maria da Glória Costa Reis
Produção: Editora Scortecci - Publicado em 10/1/2005

O ensino da violência
Luiza Reis

“Jamais se põe em dúvida a competência e integridade dos mestres, dos diretores de escolas, dos supervisores, etc., apesar de o sistema escolar ser um campo propício à manifestação de tendências patológicas. O magistério está repleto de narcisistas e de indivíduos imaturos, para não dizer cheios de raiva, capazes de agredir, até fisicamente, as crianças”. (Lauro de Oliveira Lima)

A autora inicia o livro expondo seu objetivo: "fazer uma denúncia que não pode mais continuar ignorada em nosso país: a escola agride, machuca, violenta física e psicologicamente seus alunos. A escola é a tortura institucionalizada". Trata-se de um livro inédito na área da educação, tocando num tema tabu: a violência praticada dentro da escola contra os alunos.

Maria da Glória, professora, 28 anos de escola pública, relata as agressões aos alunos que presenciou durante sua carreira no magistério, afirmando que não há no livro "nem uma vírgula de ficção", o que torna a denúncia muito grave, fazendo com que se exija uma análise urgente, por especialistas e autoridades competentes, da realidade descrita no livro. Das duas, uma: se for verdade tudo que a professora relata, faz-se necessária uma verdadeira intervenção nas escolas, visando a uma profunda mudança e mesmo extirpação do nosso atual modelo escolar. Se não é verdade, a professora deveria ser processada por calúnia, uma vez que o livro traz relatos de aberrações inimagináveis a nós, leigos, fora da escola.

Ela não faz esses discursos vazios sobre educação, conforme se vê na mídia, repetindo a mesma lengalenga de sempre, principalmente em relação ao álibi do salário para todas as falhas dos professores. Não há conjeturas no livro, ele é todo composto de fatos gravíssimos que a autora testemunhou e de outros publicados na imprensa (sempre citando corretamente a fonte), como o episódio de uma escola em São Paulo em que a coordenadora escolar castigou os alunos obrigando-os a lavar a boca com água sanitária. A autora conta de uma diretora que não aceitava crianças negras nas festas da escola, de uma professora que rasgou com as unhas o rosto de uma criança e de uma outra que deixou, na frente da turma, o aluno em pé portando, na cabeça, uma coroa de papel na qual estava escrita a palavra "BURRO". São apenas alguns exemplos, sendo muitas as situações de tortura físicas e psicológicas citadas no livro. O livro chega a ser surreal, só lendo para acreditar.

Por uma estranha coincidência, logo após o lançamento do livro, foi divulgado nos jornais, no dia 17 de novembro de 2004, foi publicada nos jornais a notícia de um garoto de 7 anos esquecido de castigo dentro de uma escola em Nova Odessa, no estado de São Paulo, tal qual a imagem da capa do livro em questão. A autora faz também um contundente ataque às autoridades educacionais, denunciando que, em 28 anos de escola pública, nunca viu uma secretária de educação dentro de uma escola, ou seja, ficam só em seus gabinetes com ar-refrigerado, sem tomar ciência do que acontece atrás dos muros da "instituição sagrada", por todos protegida e camuflada. Glória conta que tentou fazer a denúncia por outros meios, que há tempos vem escrevendo para jornais, governantes, autoridades de ensino e até judiciárias. Nada adiantou: a escola é intocável, por todos protegida e camuflada, diz ela. Por isso, escreveu seu livro.

O maior valor do livro reside no ineditismo de ter sido escrito por uma professora, derrubando o clichê de que criança mente quando fatos de violência na escola vêm à tona na imprensa. Sem dúvida, é a primeira vez neste país que uma professora rompe com o corporativismo da classe e denuncia seus pares.

Conhecer o que se passa de real dentro das escolas nos parece fundamental neste momento em que o país discute ad infinitum o fracasso da nossa educação, discussão que não tem chegado a lugar nenhum. Discussão pomposa, vazia e repetitiva feito um disco com agulha emperrada. Totalmente diferente do livro que não faz nenhum discurso acadêmico, indo direto ao ponto: um grande desamor pela criança em nossa sociedade, que faz da escola uma instituição propícia ao exercício da violência e da tortura.

Outro componente interessante no livro são as muitas citações de vários autores famosos tecendo comentários negativos sobre a escola, entre estes, um texto instigante da Adélia Prado, no qual ela acusa os professores de "desgraçados, brigando horas e horas, pela aula a mais, o tostão a mais, o enquadramento, o quinquênio, o milênio de arrogância, frustração e azedume". O livro Escola instituição da tortura poderá ser um divisor de águas na história da nossa educação, conclamando todos a tirar a máscara da "escola sagrada, acima de qualquer suspeita" e partindo para uma nova posição compatível com uma escola realmente democrática, formadora de cidadãos e não de alunos-robôs, resultantes do medo imposto pela escola que tortura.

E acaba chegando ao que há de mais grave neste país: o enorme contingente de jovens que não concluem nem mesmo o ensino fundamental, expulsos sistematicamente por um sistema escolar "repleto de narcisistas e de indivíduos imaturos, para não dizer cheios de raiva, capazes de agredir, até fisicamente, as crianças", como bem definiu nosso grande estudioso da educação, e citado pela autora no livro, Lauro de Oliveira Lima.

Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/livros/0017.html

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A GREVE DOS PROFESSORES EM 2010

por Lúcio Alves de Barros*

Na terça-feira do dia 25 de maio deste ano, os professores em assembléia decidiram por colocar fim à greve que já ultrapassava 46 dias. O movimento, mais do que justo, previa um reajuste no piso salarial da categoria que é de R$ 850. Os professores estaduais reivindicavam R$ 1.312,85 para o período de 24 horas de trabalho. Parece até brincadeira, mas a greve terminou em torno de negociações enclausuradas diante da onda de judicialização e criminalização dos movimentos de trabalhadores.

O movimento reivindicatório, iniciado em 08 de abril, na realidade não parou todas as escolas do estado, tampouco os professores. Muitas instituições escolares continuaram funcionando e muitos docentes não optaram pelo movimento por medo ou por estarem enganados com as reais condições de trabalho. Difícil encontrar professores satisfeitos com um salário destes e, mais difícil ainda saber que no judiciário e no executivo (como é o caso da Polícia Militar) os aumentos salariais tem sido contínuos. De duas uma: (1) ou o Estado tem medo dos policiais e dos agentes do judiciário, os quais andam a apoiar o Governo do Estado ou, (2) a educação é coisa de segundo plano em tempos de choque de gestão no meio das montanhas que recebem estradas e avenidas gigantescas. A questão é problemática mesmo.

No final da década de 70 e no decênio de 80, professores apanharam da polícia e tomaram banho do então governador Newton Cardoso. De lá para cá, muitos de nossos colegas se transformaram em autoridades e políticos de prestígio. Porém, estes mesmos colegas não nutrem a mesma galhardia pela luta salarial e melhores condições de trabalho como é perceptível nas categorias mencionadas. A disparidade salarial é notória e tudo indica que os professores não conseguem ter a mesma força de outrora. Isso significa que fazer greve é estar próximo da ilegalidade. É pensar que junto aos interesses estão somente os do campo da política ou que as lideranças sofrem devido às “intrigas da oposição”. As condições de trabalho dos professores do estado (municipal e estadual) são vergonhosas chegando ao ridículo os acordos de produtividade e resultados. Se o básico ainda está a desejar o que esperar de metas mais complexas? Em tais casos lembro-me sempre das acertadas palavras de Paulo Freire no seu já conhecido, “Pedagogia da autonomia” (São Paulo: Ed. Paz e Terra, p. 96), “o respeito que devemos como professores aos educandos dificilmente se cumpre, se não somos tratados com dignidade e decência pela administração privada ou pública da Educação”. O movimento dos professores, no mínimo, aponta para uma indecência no trato com a categoria. Há tempos as escolas andam degradadas, professores adoecem aos montes e alunos e pais andam denunciando, processando e ameaçando os docentes. Tenho comentado sobre a silenciosa crise na educação, mas tais fatos parecem sintomas que não merecem atenção. Um perigo em longo prazo.

Durante o movimento dos trabalhadores da educação as lideranças enfrentaram o executivo e o judiciário. No término da greve ficou condicionado o “pedido” de suspensão da liminar judicial que determinou multa de R$ 30 mil por dia de greve. Para os professores, sem o poder da lei e da arma, talvez poucos reais fossem o suficiente para acabar com o movimento. Os docentes (por paradoxal que possa parecer), nos dias de hoje se movimentam com medo. Um medo difuso, envergonhado e doentio que lhes impedem de exercer, falar ou se vangloriar da profissão.

De todo modo, a greve terminou com a possibilidade do Governo do Estado em negociar ante a formação de uma comissão que fará um estudo para viabilizar mudanças nos vencimentos básicos do professorado. Além disso, ficou acordado - após as ameaças de demissão e contratação de substitutos - a reposição dos dias parados, a não punição (o famoso corte de salários) e a demissão dos grevistas.


* Professor da UEMG, licenciado e bacharel em Ciências Sociais pela UFJF, mestre em Sociologia, doutor em Ciências Humanas: sociologia e política pela UFMG. Autor do livro, “Fordismo: origens e metamorfoses”. Piracicaba: Ed. UNIMEP, 2004; organizador da obra “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006, co-autor do livro de poesias, “Das emoções frágeis e efêmeras”. Belo Horizonte: Ed. ASA, 2006 e organizador de “Mulher, política e sociedade”. Brumadinho, MG: Ed. ASA, 2009.

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Professores denunciam violência

Juiz de Fora (MG), 27 de maio de 2010, quinta-feira - TRIBUNA DE MINAS

MANIFESTAÇÃO NA AVENIDA JK
Protesto contra a violência na escola

Em média, sete casos de violência no ambiente escolar são notificados a cada mês pela Polícia Militar (PM) em Juiz de Fora. Estatística da PM, realizada a pedido da Tribuna, aponta que, nos quatro primeiros meses de 2010, foram realizados 29 registros de agressões e atritos verbais no interior de estabelecimentos de ensino, envolvendo alunos e professores. Mas, levando em conta que muitos casos são resolvidos no interior das salas de diretoria e nos gabinetes das secretarias de ensino, o número pode ser ainda maior. Temendo que a violência nas escolas aumente, professores e funcionários da Escola Municipal Álvaro Lins, no Bairro São Judas Tadeu, Zona Norte, realizaram uma manifestação pela paz nas escolas ontem. No último dia 22, a vice-diretora da instituição, Cecília Aparecida da Silva Calixto, 46 anos, foi espancada com um pedaço de pau por uma mulher, 22, mãe de uma estudante de 9 anos. A agressão, que teve participação de um pedreiro, também 22, aconteceu dentro do colégio, exatamente quando se comemorava o Dia da família na escola, ação que tentava aproximar instituição e comunidade.

Com um carro de som, cerca de 40 pessoas, entre docentes da escola e integrantes do Sindicato dos Professores (Sinpro), saíram em passeata pela Avenida Doutor Simeão de Faria, no Bairro Santa Cruz, na mesma região, até a Avenida Juscelino Kubitschek, onde realizaram uma panfletagem, pedindo o fim da violência e maior abertura para o diálogo nas escolas. Hoje e amanhã, os alunos deverão ser envolvidos em atividades pedagógicas que procuram trabalhar a necessidade do respeito mútuo no ambiente de ensino. Serão realizadas palestras, atividades educativas e de reflexão a respeito do tema, além de cultos ecumênicos, nos turnos da manhã e da tarde. Durante o protesto, eles voltaram a lamentar as agressões sofridas pela vice-diretora. Segundo informação da Secretaria de Educação, o colegiado da escola onde aconteceu a agressão pediu a transferência da estudante. A mãe da menina, que é ex-aluna do mesmo colégio, foi chamada à Secretaria de Educação para ser comunicada da decisão. “Os dois agressores são nossos ex-alunos. Isso significa que eles passaram pelas nossas mãos, e nós não conseguimos atingi-los. Dá até uma certa sensação de fracasso”, lamenta a diretora do colégio, Sônia Maria Pereira Barbosa.

Abalada emocionalmente, a vice-diretora agredida segue afastada, em princípio, por 15 dias, mas ainda aguardando avaliação sobre o caso. Conforme a titular da Secretaria de Educação, Eleuza Barboza, informou à Tribuna, na segunda-feira, a agressão aconteceu devido a um mal entendido. A estudante estava com a blusa do uniforme, e a educadora teria informado que não havia necessidade de usar a peça, já que o dia era festivo. A mãe teria sido informada que a filha havia sido chamada de “mendiga”, o que é negado pela secretaria. Outro caso grave de violência no ambiente escolar foi registrado no dia 29 de abril, quando Francisca Duque Alves, 51, diretora da Escola Municipal Cosette de Alencar, no Santa Catarina, teve o nariz fraturado e sofreu diversas escoriações, após ser agredida a socos e pontapés pela mãe e irmã de uma estudante da oitava série. Neste caso, o colegiado optou pela transferência para a rede estadual da aluna cuja família agrediu a diretora.

Fonte: http://www.tribunademinas.com.br/

quarta-feira, 26 de maio de 2010

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Professores votam pelo fim da greve

Foto de Pedro Silveira

Larissa Nunes/Tereza Rodrigues - 25/05/2010 às 17h55


Depois de 47 dias, professores da rede estadual de ensino de Minas Gerais aprovaram o fim da greve na tarde desta terça-feira (25). A decisão, segundo primeiras informações, foi apertada. Pelo menos oito mil professores, reunidos no pátio da Assembleia Legislativa, participaram da reunião. Não há informações definidas sobre o reinício das atividades. Com esse posicionamento, os grevistas aceitam, pelo menos por enquanto, a proposta do Governo de Minas. Nenhum reajuste salarial será imediatamente implantado. A proposta do Governo é formar, em até 20 dias, uma comissão para estudar o plano de carreira da categoria. Com isso, é provável que haja alteração do piso salarial. A greve dos professores começou no dia 8 de abril e foi considerada ilegal pela Justiça de Minas Gerais. O Estado, desde a semana passada, estava autorizado a convocar profissionais para assumir, temporariamente, as vagas dos grevistas. No documento a se assinado ainda hoje por representantes das duas partes, o Governo se compromete a não fazer qualquer tipo de represália contra os grevistas, como corte nas férias ou pagamentos. Também não haverá demissão de professores. Outro ponto de destaque é o pedido, por parte do Estado, de anulação da decisão judicial que considerou a paralisação ilegal. Caso o Tribunal de Justiça reverta a ordem, a categoria fica desobrigada de pagar multa pelos dias parados.


Fonte:http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=82240&busca=Professores%20votam%20pelo%20fim%20da%20greve&pagina=1


terça-feira, 25 de maio de 2010

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Diretora apanha em escola pública

Tribuna de Minas - Juiz de Fora, 25 de maio de 2010, terça-feira

Atos contra violência

Professores da rede municipal de ensino devem promover amanhã dois atos públicos de repúdio à agressão sofrida pela vice-diretora da Escola Municipal Álvaro Lins, no São Judas Tadeu, Zona Norte, no último sábado. Cecília Aparecida da Silva Calixto, 46 anos, foi espancada com um pedaço de pau por uma mulher, 22, mãe de uma estudante de 9 anos. A agressão, que teve participação do companheiro da mãe, também 22, aconteceu dentro do colégio, exatamente quando se comemorava o Dia da família na escola, uma ação que tenta aproximar a instituição da comunidade. Na delegacia, com escoriações pelo corpo, a vítima informou que a mãe ainda teria tentado golpeá-la com uma tesoura. Essa foi a segunda agressão a profissionais dentro de escolas municipais em menos de um mês. No dia 29 de abril, Francisca Duque Alves, 51, diretora da Escola Municipal Cosette de Alencar, no Santa Catarina, teve o nariz fraturado e sofreu diversas escoriações, após ser agredida a socos e pontapés pela mãe e irmã de uma estudante da oitava série.

“Não vamos deixar esses casos impunes. O departamento jurídico do Sindicato dos Professores vai levá-los até o fim. Queremos a punição dos autores, inclusive para que a sociedade entenda que não pode agredir um professor e ficar por isso mesmo”, afirma o vereador e membro do sindicato Roberto Cupolillo, o Betão, PT. Ele conta que os atos públicos serão realizados às 8h e às 13h, no Santa Cruz, região próxima à Escola Álvaro Lins. “Vamos fazer panfletagem e usar um carro de som para conscientizar a população sobre a questão da violência no ambiente escolar.”

Abalada, a vice-diretora agredida está afastada. Ontem representantes da escola reuniram-se com membros da Secretaria de Educação. Conforme a titular da pasta, Eleuza Barboza, a agressão aconteceu devido a um mal entendido. A estudante estava com a blusa do uniforme e a educadora teria informado que não havia necessidade de usar a peça, já que o dia era festivo. “Parece que a mãe foi informada de que a menina foi chamada de mendiga, o que não aconteceu.” Eleuza afirma que o colegiado, formado por funcionários, professores e pais de alunos, tem autonomia para definir o procedimento a ser adotado neste caso. “Eles estão fazendo reuniões e devem apresentar sua decisão hoje. Vamos acatar a indicação.” No caso da Escola Cosette de Alencar, o colegiado optou pela transferência da aluna cuja família agrediu a diretora.“A agressão física dentro da escola é uma coisa que assusta, por ser absolutamente desnecessária. Se um pai, mãe ou responsável achar que seu filho foi de alguma forma agredido ou desrespeitado, deve levar o caso à direção da escola, à Secretaria de Educação ou mesmo aos conselhos tutelares ou aos Direitos da Criança e do Adolescente. São canais que oferecem retorno efetivo. Não há razão para violência,” defende Eleuza. A família envolvida na agressão não havia sido localizada pelas equipes da Secretaria de Educação até o início da noite de ontem, mas a informação é de que a mãe será chamada ainda hoje.

Fonte: http://www.tribunademinas.com.br/

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Greve dos professores pode chegar ao fim nesta terça-feira


FERNANDA PENNA (portal@otempo.com.br) - 25/05/2010 09h27

Esta terça-feira (25) será decisiva para os pais, alunos e professores. A partir das 14h, na Praça Carlos Chagas (da Assembleia), sai a decisão se a greve continua ou não. Pela manhã, o comando de greve analisa um termo de acordo criado para por fim a paralisação, que completa hoje 47 dias. Em 2002, na greve mais longa da década, os professores ficaram de braços cruzados por 50 dias.

O documento garante que se a greve for interrompida, não haverá cortes de salário nem demissões, no entanto, não propõe aumento salarial, principal reivindicação dos professores. Em relação às propostas feitas na semana passada, o que mudou foi somente o prazo para a entrega dos trabalhos da comissão que deverá ser criada para estudar o plano de carreira da categoria. O governo propôs 60 dias de prazo, mas recuou e aceitou os 20 dias pedidos pelo sindicato.

Substitutos

Mesmo que a categoria não aceite as propostas do Estado, as aulas serão retomadas ainda nesta semana, segundo a secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena. Uma decisão judicial garantiu ao Estado o direito de convocar profissionais para assumir, temporariamente, as vagas dos grevistas. O governo não fala em demissões de professores.

Fonte: http://www.otempo.com.br/

domingo, 23 de maio de 2010

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Crack é a droga mais usada em Belo Horizonte, revela ONG Defesa Social

23 maio 2010
JORNAL HOJE EM DIA

Levantamento mostra que consumo é maior nas regiões Norte e Venda Nova, onde se aproxima de 100%, e ainda no Noroeste e Nordeste da capital. (Confira a infografia).

Gabi Santos (Repórter). 21/05/2010 - 19:58

CARLOS ROBERTO

O crack está se transformando em uma epidemia em todas as regiões de Belo Horizonte, especialmente Norte, Venda Nova, Noroeste e Nordeste. É o que mostram estatísticas da ONG Defesa Social e do Centro de Referência Estadual de Álcool e Drogas. A ONG entrevistou 1.098 pessoas que usam algum tipo de droga, 122 em cada uma das nove regionais. Na Região Norte, o crack é usado por 98% dos entrevistados, enquanto o índice em Venda Nova ficou em 96%. Na Regional Centro-Sul, 45% usam ao crack. No mesmo levantamento foi constatado que a Zona Oeste está em terceiro lugar, onde 92% dos consumidores de droga usam o crack, seguida pela Região Nordeste, com 85%. A ONG Defesa Social havia divulgado, no começo deste ano, que são consumidas por dia, em Belo Horizonte, nada menos que 720 mil pedras de crack, totalizando 180 quilos da droga, vendida em pequenas pedras, de poucos gramas, por R$ 5 ou R$ 10. Os números apresentados pela ONG são próximos aos dos divulgados pelo Cread, órgão do Governo do Estado. Segundo pesquisas feitas pelos funcionários desse setor, de cada cem pessoas que procuraram o centro para recuperação, 10,7 (681 interessados) são da Região Leste; 9,05 (605) da Noroeste; 7,03 (466) da Região de Venda Nova; 7,02 (458) da Zona Nordeste, e 5,07 (366) da Zona Oeste.

Robert William, presidente da ONG Defesa Social, e Amaury Costa Inácio da Silva, diretor do Cread, concordam que a cada ano crescem assustadoramente os índices de pesquisas referentes ao uso e dependência de drogas, com destaque para a epidemia de crack que assola as grandes cidades, entre elas Belo Horizonte. “A pesquisa da nossa entidade foi realizada de novembro a dezembro do ano passado e ela retrata o alto número de usuários de crack, principalmente nas regiões apontadas”, disse Robert William. “Mas recolhemos também indicações do aumento considerável do uso dessa droga na região central da capital, no entorno da Rua Guaicurus, e nas áreas do Aglomerado do Cafezal e na Região da Savassi. Mas a grande expansão acontece mesmo é nas zonas Norte, Nordeste, Noroeste e Venda Nova”. William informou que não existem estatísticas dos anos anteriores para comparações.


A psicóloga Heliana Fonseca Alves, da Coordenação de Prevenção da Associação Brasileira para a Prevenção do Abuso das Drogas, afirma que o avanço das drogas, notadamente do crack, não é uma exclusividade de Belo Horizonte. Ela lembra que o fenômeno avança rapidamente também em todos os grandes centros urbanos do país, notadamente em São Paulo, Vitória, Porto Alegre e vários outros porque o crack, principalmente, tem um potencial muito grande de criar a dependência e é uma droga muito barata, que facilita o acesso. “Em Belo Horizonte várias áreas ligadas ao Governo do Estado estão preparando um novo plano de prevenção e combate às drogas porque a situação é preocupante. Tenho certeza de que com um plano de ação vigoroso e a ajuda da comunidade, vamos conseguir reverter esse quadro de aumento das estatísticas. Acho que essa situação só vai melhorar a partir do momento em que contarmos com o apoio da população e a união dos esforços do município, Estado e da União, muitos objetivos serão alcançados”. O prazer simultâneo proporcionado pelo crack, aliado ao seu efeito efêmero, justifica o alto potencial de dependência. “A sensação de prazer é imediata, mas passa muito rápido, levando o sujeito a sempre querer repor esse efeito”, explica o psicólogo Guilherme Gomes Brazil, que já atuou em uma clínica para viciados.

Governo pede ação coordenada

Clóvis Benevides, da Subsecretaria de Estado Antidrogas, concorda que sem uma ação coordenada, de todos os setores envolvidos, o governo não vai conseguir nada. Ele acrescentou que o aumento da incidência de uso de crack em Belo Horizonte é uma triste realidade que precisa mesmo contar com uma intervenção eficaz das corporações policiais, da Prefeitura, o próprio Governo e da União, com um novo plano que contemple a prevenção e o tratamento e, do outro lado, a aplicação da lei para criminosos.

O presidente da ONG Defesa Social, analisando os números de Belo Horizonte, destacou um detalhe. Segundo ele, a Região Centro-Sul de Belo Horizonte, que tem números mais baixos nos levantamentos feitos pela entidade, comparativamente possui um percentual preocupante. “Veja bem o que acontece. As regiões Noroeste e Norte têm, cada uma, populações respectivas de 337.351 e 194.198 habitantes e apresentaram, na nossa pesquisa, 104 e 120 pessoas, entre 122 pesquisas, que confessaram o uso da droga. Mas a gente não pode esquecer que a Região Centro-Sul, com população de 258.746 habitantes, possui uma extensão geográfica muito menor, o que pode comprovar uma incidência e expansão muito mais rápidas do comércio e do uso do crack”.

continue lendo em: http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/crack-e-a-droga-mais-usada-em-belo-horizonte-revela-ong-defesa-social-1.120749


veja também: "Criança é suspeita de chefiar tráfico em São Paulo"

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MG: polícia investiga grupo 'tenebroso' de meninas em escola

23 de maio de 2010
Foto e Texto: Ney Rubens/Direto de Belo Horizonte/Especial para Terra

Adolescente diz que foi ameaçada de morte e teve o cabelo puxado

A Polícia Civil em Contagem (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, investiga a atuação de adolescentes que teriam formado um grupo chamado Comando Feminino Tenebroso para amedrontar e agredir outras estudantes da Escola Municipal José Ovídio Guerra, que fica no bairro Eldorado. De acordo com o delegado Marcos Antônio de Paula Assis, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescentes (Dopcad), as meninas teriam entre 11 e 15 anos e utilizariam sites de relacionamento para ameaçar outras alunas: "Há um mês uma estudante sofreu uma agressão física e procurou a delegacia. Nesta semana houve uma nova situação de ameaça contra outras alunas e por isso intimamos 11 garotas, com os pais, para vir até a delegacia", disse.

A adolescente agredida há cerca de um mês foi localizada pela reportagem. Ela tem 14 anos e contou que teria sido ameaçada de morte e agredida pelas supostas integrantes do Comando Feminino Tenebroso: "As meninas andavam pela escola intimidando as outras alunas. Na hora do intervalo elas gritavam pelo pátio as iniciais da sigla do comando: C.F.T, C.F.T. Teve uma vez que uma delas puxou o meu cabelo e falou que eu era a cadela dela", disse.

A adolescente contou ainda que teve muito medo, principalmente quando teria sofrido a ameaça de morte. "Elas me chamaram para resolver o problema mano a mano (sic) e que iriam me matar. Nunca conversei e nunca fui da mesma sala delas. Também acho que não seja por causa de garotos. Pode ser inveja, mas eu acho que o problema é que elas gostam de caçar briga sem motivo mesmo, parece que sentem prazer nisso", disse.

A mãe da estudante disse estar desesperada com as ameaças. Foi ela quem procurou a polícia para denunciar o caso: "Agora estou procurando uma outra escola para a minha filha", afirmou. O delegado Marcos Antônio de Paula Assis informou que as jovens suspeitas de integrar o grupo foram identificadas por meio de fotos postadas em um site de relacionamentos. Depois de prestarem depoimento, as estudantes assinaram um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) e foram entregues aos pais. "Vou encaminhar o caso para o Ministério Público, que deverá dar prosseguimento às investigações," afirmou.

Fernando Pena, diretor da Escola Municipal José Ovídio Guerra, informou que logo após a primeira agressão, a mãe da estudante tirou a garota e uma outra filha da escola e procurou vaga para elas em outras instituições. Como não teria conseguido, a prefeitura de Contagem a teria orientado a voltar com as meninas para a instituição.

Como teriam acontecido outras agressões e ameaças, Pena disse que orientou aos pais das vítimas para que eles procurassem a polícia. Ele afirmou que a agressão física sofrida pela estudante há um mês teria sido fora das dependências da escola, mas que, mesmo assim, já convocou os pais das adolescentes que seriam integrantes do grupo para que eles tomem alguma providência.



sexta-feira, 21 de maio de 2010

CHAMADA EM GREVE

Charge de Ivan Kabral
e-mail: ivankabral@gmail.com

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Tiroteio deixa quase 600 estudantes sem aula no Rio

DIANA BRITO - da Sucursal do Rio - 21 de maio de 2010 - 17h26

A Secretaria Municipal de Educação informou que duas escolas e duas creches tiveram as aulas suspensas nesta sexta-feira por causa do tiroteio entre policiais civis e criminosos durante operação para cumprir mandados de prisão e reprimir o tráfico de drogas nos morros de São Carlos e da Mineira, no Estácio e Catumbi, zona norte do Rio. Segundo o órgão, pelo menos 593 estudantes foram prejudicados com a ação policial.

Na tarde desta sexta, apenas a escola municipal Canadá voltou a funcionar, mas recebeu apenas 51 alunos. A creche Espaço Livre da Criança também recebeu 22 crianças no turno da tarde. De acordo com a secretaria, permanecem fechadas a escola Fundação Leão 13 e a creche Sempre Vida Santo Antônio de Pádua.

A Polícia Civil informou que a operação nas favelas terminou sem prisões ou apreensões. Por volta das 7h desta sexta-feira um intenso tiroteio assustou moradores e motoristas dos bairros do Estácio e do Catumbi, na zona norte. Segundo a polícia, ninguém ficou ferido.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u738813.shtml

A(DEUS) PROFESSOR


A(Deus) professor
por Lúcio Alves de Barros

Ele já andava assim, meio de lado, parecia cansado.
Só na aparência, mas diariamente lá ia ele com os livros na mão.
Por vezes lia andando e esbarrava nos outros
Começaram a chamá-lo de louco
Mas ele sabia o que fazia e dizia que era para acordar as pessoas para a leitura
Havia se fechado em meio aos livros
Lecionava na escola suja e também em casa limpa numa sala improvisada
Poucos iam, mas é isso mesmo.
Muitos são chamados, poucos escolhidos e persistentes.
Soube do seu falecimento faz tempo
Estava em sala de aula com o giz branco
Escrevia sobre literatura, Lima Barreto...
Ao escrever Lim..., um risco foi cravado duramente no quadro:
____________________,
Primeiro em linha reta,
Depois uma curva até o local no qual se encontrava o apagador de pau
Repousando o corpo no quadro o impotente docente calou
O silêncio verde do quadro negro tomou a sala antes agitada
Ele se foi abraçado às linhas brancas sobre Lima Barreto
Não deixou o giz cair, sempre defendeu a economia escolar.
Faleceu em pleno amor com o trabalho
e em meio aos alunos
em meio aos livros
e ao que mais gostava de fazer.


Nota: Foto de João Luís de Almeida Machado,

PUBLICIDADE QUE CHOCA: pela Verdade

DA PEDAGOGIA DA DIVERSIDADE

por Lúcio Alves de Barros*

Em uma dessas reuniões de professores lembro-me de um grande pedagogo inteligente e sincero defendendo a diversidade, a diferença e o entendimento do outro na sala de aula. Discutíamos essa coisa de encontrar o aluno e o professor ideal e, com galhardia, a fala mansa do professor ecoou no ar: “a sala de aula é, por natureza, uma micro-cena do mundo da vida, é bom a existência da diferença na sala de aula”. Ao dizer isso, apareciam em minha mente os belos escritos do filósofo John Dewey (1859-1952), do pouco conhecido médico e intelectual, Ivan Illich (1926-2002), e do grande educador Paulo Freire (1921-1997). Quanta sabedoria nas palavras do meu amigo. E pensemos um pouco sobre essa diversidade no campo da educação, notadamente, no que se refere aos principais personagens, coadjuvantes e protagonistas da sala de aula.

Em primeiro falemos dos alunos: diletantes e ansiosos é comum “meninos” e “meninas” nas faculdades, universidades e escolas chegarem confusos, medrosos, cheios de vida (ou de morte), arrogantes e, nos tempos de hoje, deseducados, desatentos, “analfabetos” na educação informal e até perigosos. Em geral, a primeira ação dos docentes é a de tentar salvá-los. De que? Dificilmente saberemos. Os calouros são o exemplo da diversidade existente no mundo, da diferença que nos escapa da percepção e do mundo hostil e pouco camarada que está se formando. Falta pouco para o sociólogo Bauman escrever um livro acerca da “educação líquida”. "Como tudo que é sólido se desmancha no ar" (Marx e Engels, in "O Manifesto do Partido Comunista"), o calouro aos poucos vai se “despersonalizando”, se formatando, tornando-se um de nós, muitas vezes, um bom aluno, um bom garoto, um excelente estudante. É claro que se pode esperar o contrário. Mas não temos controle, até lá muitos alunos já discutiram, desistiram, cansaram, guardaram mágoas, lágrimas, repetiram inúmeras provas, foram colocados para fora de sala de aula, foram “desleais” com o professor (sem nenhuma legitimidade) na avaliação, fizeram carta anônima, furaram pneus, mandaram e-mails desaforados e namoraram o mesmo montante que mataram aula. Essa é a diversidade. Esses são os “problemas” que pais, diretores e professores querem resolvidos. Impossível, haja vista que diante da “pedagogia da homogeneidade” é melhor mandar os discentes para um quartel, fábricas, manicômios ou conventos, mas certamente o inferno seria melhor.

E não paramos por aí. É curioso como boa parte dos pedagogos insiste na existência de uma sociedade perfeita, logo, com alunos e professores perfeitos. É neste campo que surgem os maiores e menores problemas. Fatos simples se transformam em fontes de sofrimento, perversidade, sadismo e muita crueldade. O desejo da homogeneidade em sala de aula é uma utopia. Somos diferentes e ponto final. E ainda bem.

Quanto aos professores o raciocínio é o mesmo. Por paradoxal que possa parecer, tanto alunos como a direção de várias instituições de ensino desejam docentes iguais e perfeitos, que pensem homogeneamente, que sigam a mesma cartilha, o mesmo caminho ou - utilizando-se de eufemismo - a mesma “pedagogia”. Mais um engano: por natureza, e desculpe a repetição, homens e mulheres são diferentes. Todavia, na tentativa de manutenção da atenção discente, não são poucos os professores que já se transformaram em verdadeiros atores, palhaços, bobos da corte. Uma aluna chegou a me pedir para dançar em frente ao quadro: “Faça algo diferente aí, dance...”. Nas salas de aula, principalmente nas de cursinho, estão faltando somente bateria, pandeiro, guitarra e outras coisas mais, haja vista que o violão (nada contra o casamento entre a arte da música e a escola) e o celular que toca musiquinha já é coisa de "velhos tempos".

Tal como na vida, cumpre aos alunos aprenderem a lidar com a autoridade e a legitimidade conquistada pelos professores. Na sala de aula o mundo da vida se revela em toda sua potência, obviamente com algumas diferenças como, por exemplo, a carteira, o necessário e, por vezes obrigatório silêncio, e a espera das matérias e das sofridas avaliações. É bom deixar para outro momento as relações que se forjam entre alunos e professores, mas cumpre frisar que as instituições de ensino entendam que os docentes são iguais na diferença e é nesta idéia que se encontra a maravilha da pedagogia. Neste caso, é óbvio e bom que tenhamos docentes chatos, severos, mansos, amigos, inimigos, desorganizados, organizados, gordos, negros, brancos, pardos, magros, os “boa pinta”, “os feios”, os velhos, os jovens, os que gostam da diversão e os que odeiam ela. Também professores que não gostam de alunos outros que amam. Alguns viram amigos outros inimigos. No mundo dos homens e mulheres, as relações sociais gritam alto e mostram a face da necessária tolerância e entendimento dos comportamentos. Não se deve esperar um corpo docente tal como no exército. Como disse, o inferno seria melhor. Também não é possível uma política educacional como a do MEC, a qual deseja que os docentes de faculdades e universidades sejam avaliados pelos mesmos parâmetros e critérios. Critérios passíveis de críticas e feitos ao longo do campo da experiência. Em geral, tais empreendimentos são elaborados por técnicos, ávidos de dinheiro e prestígio, verdadeiros gurus que, na maioria das vezes, sequer enfrentaram salas de aula com 80, 90 ou 120 alunos. Essa é a dura e crua realidade. O problema político e, por ressonância, pedagógico, é que se continuarmos no caminho proposto por tais sábios, os quais apostam na quantidade a despeito da qualidade, vamos produzir a curto ou médio prazo muitos problemas.

Já são sabidas as investidas enfurecidas de alunos contra professores, verdadeiras ameaças, gritos, dedos em riste e tudo mais. O mesmo de docentes que perseguem estudantes. De duas uma: ou todos estão cegos ou não desejam enxergar. Aos poucos estamos ficando doentes, violentos, agressivos e perigosos. Uma bomba está se forjando e poucos querem desmontá-la. O porque dificilmente vamos ficar sabendo. Enquanto isso, lida-se com as conseqüências e dá-lhe (tanto para alunos como para professores) remédios, comportamentos desviantes, bares e bebidas, religiosidade cega, antidepressivos e outras drogas no intuito de acalmar o dragão da intolerância e do medo, revestidos em doenças cardiovasculares, depressão, tédio, dívidas, problemas no trabalho, na família, perda de valores, culto à violência, crimes e a banalização do que há muito se chamou de educação. Diante do quadro exposto, sugiro a simplicidade, o respeito e a autenticidade dos indivíduos. E que no começar da aula, diante do quadro, protagonistas e coadjuvantes se coloquem no seu devido lugar.


* é professor da Faculdade de Educação da UEMG. Autor do livro, Fordismo: origens e metamorfoses. Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP, 2005 e organizador das obras, Polícia em Movimento. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006 e Mulher, política e sociedade. Belo Horizonte / Brumadinho: Ed. ASA, 2009.

Nota: A tela acima é de Van Gogh.

O QUE FAZER ...


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Professores da rede estadual de ensino fazem manifestação na Praça Sete

Jornal O TEMPO - 21/05/2010 - CLARISSA DAMAS

Centenas de professores da rede estadual de ensino de Minas Gerais fizeram nesta quinta-feira (20) uma manifestação na Praça Sete. Eles panfletaram e conversaram com pedestres que passavam pelo local buscando simpatizantes da causa. Há mais de 40 dias, os professores estão em greve em busca de melhores salários e protestam contra demissões.

De acordo com a BHTrans, o protesto que ocorreu na Praça Sete não influenciou o trânsito local.

Mais cedo, eles manifestaram em frente às Superintendências Regionais Metropolitanas de Ensino, segundo informou o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG).

Os protestos ocorreram na superintendência que fica no bairro Santo Antônio, região Centro-Sul da capital, na superintendência da avenida Dom Pedro II, bairro Carlos Prates, região Noroeste, e na superintendência situada na avenida Portugal, na Pampulha.

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=81724&busca=Professores%20da%20rede%20estadual%20de%20ensino%20fazem%20manifesta%E7%E3o%20na%20Pra%E7a%20Sete&pagina=1

quinta-feira, 20 de maio de 2010

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Demissão de professores grevistas é descartada em Minas

20/05/2010 - Da Redação, Jornal O Tempo

A demissão dos professores grevistas em Minas parece descartada neste momento, segundo esclareceu nesta quinta-feira (20) o governador Antônio Augusto Anastasia, que ressaltou o caráter ilegal do movimento. Ele reiterou que o Estado não pode atender ao pedido da categoria alegando que os valores pedidos são “completamente distantes da realidade do tesouro do Estado”, a falta de limite no orçamento e o veto da Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Eu acredito que com essa demonstração (de que o estado não pode atender as reivindicações) e com, cada vez mais a Justiça reiterando essa ordem da ilegalidade, o sindicato vinculado à CUT vai perceber que não tem cabimento”, avaliou Anastasia. O governador salientou ainda que o governo permanece aberto ao diálogo.

O governador falou sobre a greve em entrevista concedida após a assinatura de convênio com as prefeituras de Belo Horizonte, Vespasiano e Santa Luzia, para investimentos na recuperação e pavimentação de ruas de bairros no entorno da Cidade Administrativa utilizadas para itinerário de ônibus.


Fonte:http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=81798&busca=Demiss%E3o%20de%20professores%20grevistas%20%E9%20descartada%20em%20Minas&pagina=1

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Mãe aciona polícia para denunciar suposto abuso sexual em escola da capital

ANNA FLÁVIA NUNES; Jornal O Tempo, 20/05/2010

A mãe de um aluno da Escola Estadual Afonso Pena, localizada na avenida João Pinheiro, no centro da capital, acionou a Polícia Militar nesta quinta-feira (20) para denunciar um suposto abuso sexual sofrido pelo filho dentro da instituição. Conforme informações da PM, a mulher disse que o menino, de 6 anos, foi abusado por um colega, de 9, dentro do banheiro. O crime teria ocorrido nessa quarta-feira (19).

O garoto mais velho teria pedido para a vítima fazer sexo oral nele. Segundo a PM, as crianças foram levadas para o Conselho Tutelar acompanhadas dos pais. A reportagem não encontrou a diretora da escola para falar sobre o assunto. Entretanto, uma auxiliar da secretaria, que se identificou apenas como Ana, desmentiu a versão da mãe da suposta vítima. Segundo ela, os meninos se abraçaram dentro do banheiro e a mãe do aluno resolveu chamar a polícia porque não gostou do que tinha acontecido.

A Secretaria de Estado de Educação confirmou que o caso foi encaminhado para o Conselho Tutelar e informou que aguarda o término da investigação para se manifestar sobre o assunto. O órgão não informou quais medidas podem ser adotadas caso o abuso seja confirmado. O Conselho Tutelar não quis dar detalhes sobre o caso e informou apenas que está adotando as medidas cabíveis.

O QUE QUEREMOS SER ???


Uns são homens;
Alguns são professores;
Poucos são mestres.
Aos primeiros, escuta-se;
Aos segundos, respeita-se;
Aos últimos, segue-se.
Se hoje enxergo longe,
é porque fui colocado em ombros de gigantes!

(Autor desconhecido)

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Estudante é condenado por bullying

Publicado no Jornal OTEMPO em 20/05/2010

Preocupação. Pesquisas mostram que 15,5% dos alunos da região Sudeste já sofreram bullying; Daniel Iglesias - 13.4.2010

O que é bullying?

O termo designa todo o tipo de atitude agressiva, verbal ou física, praticadas repetidamente por um ou mais estudantes contra outro aluno, mais de três vezes no mesmo ano.

Perseguição, xingamentos e humilhações constantes. As repetidas agressões verbais cometidas por um adolescente de 15 anos - aluno de uma escola particular da região Centro-Sul de Belo Horizonte - contra uma colega de sala de aula da mesma idade resultaram em uma punição inédita em Minas. O garoto foi condenado pela Justiça a indenizar a menina em R$ 8.000, pela prática conhecida como bullying.

A decisão é do juiz Luiz Artur Rocha Hilário, da 27ª Vara Cível da capital. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), o magistrado julgou razoável o valor arbitrado e considerou ter sido cauteloso na sua fixação, "para não estimular ações por discussões ou brigas de escola". Por ser de 1ª instância, cabe recurso da decisão. O caso ocorreu em 2008. Na época, a vítima e o agressor estavam na 7ª série, ambos com 13 anos. Em seus relatos, a estudante diz que ganhou apelidos e começou a ouvir insinuações do colega logo no início do convívio escolar. Ela afirmou ainda que as "incursões inconvenientes" passaram a ser mais frequentes com o passar do tempo.

O advogado da vítima, Marconi Bastos Saldanha, disse ontem que, na ocasião, os pais da menina chegaram a procurar a direção da escola, porém, não obtiveram resultado satisfatório. "A menina sofreu muito com toda a situação. Ela não queria mais ir para a escola e passou a fazer acompanhamento psicológico", contou Saldanha. Segundo o advogado, os pais o procuraram para mover uma ação de indenização por danos emocionais. "Não houve pedido para reembolso das despesas médicas. A punição de ressarcimento é pelos danos morais sofridos", afirmou.

O advogado de defesa do acusado, Rogério Santiago, disse que a decisão do juiz pegou a todos de surpresa. "A sentença é contrária às provas dos autos porque, tecnicamente, não configura bullying", explicou. Santiago afirmou que irá recorrer da decisão apoiado nas provas. Ele entende que os autos foram "mal-interpretados".

Despreparo
Pais não sabem onde buscar ajuda para filhos

O promotor de Justiça Lélio Braga Calhau, em dezembro de 2009, lançou o livro “Bullying: o que Você precisa saber”. Na ocasião, o promotor concedeu entrevista para O TEMPO para falar sobre o tema. De acordo com Lélio Calhau, a prática do bullying é bastante comum entre crianças e jovens na idade escolar. Ele também afirmou que um dos principais problemas desse tipo de crime é que a vítima desconhece seus direitos e, consequentemente, não busca uma solução.

O promotor disse ter se confrontado com situações em que os pais das vítimas chegavam à polícia, Ministério Público e ao Poder Judiciário para buscar ajuda, mas os servidores não estavam preparados para atendê-los. “O desespero das vítimas era tão grande que elas não se preocupavam em preservar as provas do bullying, e isso dificulta muito uma ação posterior na Justiça”. No livro, Calhau prepara os pais caso seus filhos venham a ser vítimas de bullying. (AS)


Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=141506,OTE

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Pais de estudante terão que indenizar vítima de bullying

Jornal Hoje em Dia, 20 de maio de 2010 - Eduardo Kattah - 19/05/2010 - 20:05

Aluno da 7ª série de colégio particular de BH vai pagar R$ 8 mil pela prática de atos de violência contra colega

Um estudante da 7ª série de um colégio particular de Belo Horizonte foi condenado a pagar uma indenização de R$ 8 mil pela prática de bullying - atos de violência psicológica e física, intencionais e repetidos - contra uma colega de sala. Em decisão publicada nesta quarta-feira (19), o juiz Luiz Artur Rocha Hilário, da 27ª Vara Cível da capital mineira, julgou razoável o valor da indenização por danos morais e considerou comprovada a existência de bullying contra uma adolescente, parte requerente no processo. A defesa dos pais do estudante informou que irá recorrer. Na ação, a aluna do colégio Congregação de Santa Doroteia do Brasil relatou que, em pouco tempo de convivência escolar, o colega de sala passou a lhe colocar apelidos e fazer insinuações.

As "incursões inconvenientes", afirmou, passaram a ser mais frequentes com o passar do tempo. Os pais da menina alegaram que procuraram a escola, mas não obtiveram "resultados satisfatórios". Além de indenização por danos morais, a estudante requereu a prestação, pela escola, de uma orientação pedagógica ao adolescente, o que foi negado pelo magistrado.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas, Marco Aurélio Garzon Moreira Cesar e Jacqueline Alves Moreira Cesar, pais do adolescente, afirmaram no processo que há uma "conotação exagerada e fantasiosa" sobre a relação existente entre os menores. O casal classificou os episódios como brincadeiras entre adolescentes, que não poderiam ser confundidas com a prática do bullying. E afirmaram que o menor, após o ajuizamento da ação, também sofreu danos morais, passando a ser chamado de "réu" e "processado".

Atitudes inconvenientes

O juiz, porém, considerou comprovada a existência do bullying, ressaltando que a discussão envolvendo a prática é nova no âmbito judicial. "O dano moral decorreu diretamente das atitudes inconvenientes do menor estudante, no intento de desprestigiar a estudante no ambiente colegial, com potencialidade de alcançar até mesmo o ambiente fora do colegial", afirmou na sentença.

"As brincadeiras de mau gosto do estudante, se assim podemos chamar, geraram problemas à colega e, consequentemente, seus pais devem ser responsabilizados, nos termos da lei civil.". O advogado Rogério Vieira Santiago, que representa os pais do adolescente, classificou a decisão como "absurda" e "fora da prova dos autos." Ele disse que a decisão não poderia ser divulgada pelo TJ mineiro e acredita que a responsabilidade por qualquer comportamento deveria ser atribuída ao colégio. "Se por acaso algum comportamento ruim houve do menino, pior ainda é da escola privada, de classe alta. Se alguém fez, alguém permitiu".

Segundo Santiago é "muito simples eximir a escola". "Os pais não ficam agarrados com os filhos o dia inteiro. Você entrega à escola. Ela é que tem o dever de zelar pela integridade física e moral dos meninos intramuros". No processo, o representante do colégio declarou que todas as medidas consideradas pedagogicamente essenciais foram providenciadas.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/

quarta-feira, 19 de maio de 2010

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Professores decidem manter a greve na rede estadual de ensino e fazem passeata no centro

ANNA FLÁVIA NUNES [anna@otempo.com.br]; Jornal O Tempo, 18/05/2010

Foto de Charles Silva Duarte / O Tempo.
Sem aulas há mais de um mês, os alunos da rede estadual vão continuar em casa. A decisão de manter a greve foi tomada na tarde desta terça-feira (18) pelos professores, que se reuniram às 14h na Praça da Assembleia, na região Centro-Sul da capital. Depois de decidirem os rumos do movimento, eles seguem em passeata pelo centro da cidade, o que complica o trânsito em toda a região. Os professores se concentrarão nas escadarias da Igreja São José.

Uma nova assembleia será realizada na próxima terça-feira (25). A categoria está em greve desde o dia 8 de abril. Uma decisão da Justiça, no último dia 4, considerou a greve ilegal. Durante a assembleia desta terça, a categoria avaliou as propostas feitas pelo governo em reunião realizada no dia 12 de maio. Na ocasião, os representantes dos professores deixaram o encontro com a promessa da secretária de Planejamento de que será feito um estudo sobre as formas de incorporação das gratificações ao vencimento básico da categoria.

Os professores querem elevação do piso salarial - de R$ 850 para R$ 1.312. O governo alega que por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRP) e a lei eleitoral, está impedido de aumentar os salários e oferece piso de R$ 935. A secretária garantiu ainda que o ponto dos dias parados não será cortado e que nenhum profissional da educação será demitido por causa da greve.


Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=81518

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Quatro estudantes ficam feridos após confusão com a PM

Celso Martins e Augusto Franco - Repórteres - 17/05/2010 - 23:04

O estudante Marco Aurélio Souza Ribeiro foi atingido por bala de borracha no confronto com a PM.

Quatro estudantes da Faculdade Pitágoras ficaram feridos na noite desta segunda-feira (17) após confronto com a Polícia Militar na Avenida Raja Gabaglia, no Bairro Gutierrez, Oeste de Belo Horizonte. Com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, os militares dispersaram os manifestantes para desinterditar as pistas da avenida. Os alunos dos cursos de engenharia são contra a redução de 40 minutos diários da carga horária. Os estudantes jogaram do prédio da instituição lixeiras e rolos de papel higiênico e estouraram os lacres dos extintores de incêndio. Dois militares tiveram ferimentos leves.

A manifestação começou por volta das 18h40, antes da entrada dos alunos para a sala de aula, e só terminou por volta das 20h30. Com o fechamento das pistas, a Polícia Militar enviou reforço para liberar a passagem de carros pela avenida. “Os policiais jogaram uma viatura em cima dos manifestantes e começaram a atirar com balas de borracha no grupo de estudantes que correram para a faculdade”, denunciou o professor de sociologia da faculdade, Geraldo Márcio Inácio. Segundo ele, os objetos só foram jogados depois que os militares começaram a bater em uma estudante.

O estudante do 7º período do curso de Engenharia de Produção, Renato Barbosa Pereira, 28 anos, disse que levou um tiro de borracha na perna direita quando entrava na faculdade, correndo da confusão. “No início da manifestação, um policial pediu para que uma das pistas fosse liberada, pedido prontamente atendido, mas em seguida chegou um grupo de policiais que começou a bater nas pessoas”, recordou. O estudante Marco Aurélio Souza Ribeiro alega que levou um soco no olho esquerdo de um policial militar. Ele registrou ocorrência na Seccional Sul.

As faculdades Pitágoras devem reduzir no segundo semestre deste ano a quantidade de cursos e de turmas presenciais, passando parte dos atuais alunos para a modalidade à distância. A decisão, tomada sem consulta prévia aos professores e alunos vem causando uma série de protestos.

Representantes do Sindicato dos Professores se reúnem nesta terça-feira (18), às 14 horas na sede da instituição, na Rua Jaime Gomes, 198, na Floresta, para discutir as mudanças. A categoria pode votar, inclusive, pela greve. “Tentamos dialogar com o grupo e construir em conjunto este novo modelo pedagógico. Os representantes informaram que as mudanças só serão comunicadas no dia 28, no final do semestre, quando os professores perdem seu poder de mobilização. Não aceitaremos cortes nem demissões injustificados”, disse o professor José Carlos Arêas, diretor do sindicato.

Em nota, a Kroton Educacional afirmou que o grupo vai implementar um novo modelo acadêmico a partir do segundo semestre de 2010. Afirma ainda que a carga horária dos cursos, obedecendo aos parâmetros das Diretrizes estabelecidas pelo MEC, será “fortalecida por atividades que reforcem a autonomia da aprendizagem, otimizando a formação do profissional adequadamente preparado para a agilidade e flexibilidade do mundo do trabalho”.

O texto afirma ainda que a maioria dos cursos oferecidos “prevê um tempo destinado a práticas complementares de ensino com foco no uso de novas tecnologias”. Além disso, o modelo de divisão do semestre em dois termos letivos – atualmente em vigor nas unidades com a marca Pitágoras- será substituído, também a partir de agosto, pelo semestral.

O comandante dos batalhões especializados da Polícia Militar, coronel Sandro Teatini, explicou que será aberta uma investigação para apurar se houve exagero por parte dos militares. Ele disse que os policiais foram atacados com objetos, motivo do envio de reforço para o local.


Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/quatro-estudantes-ficam-feridos-apos-confus-o-com-a-pm-1.119012

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Rede de faculdades reduz custos para comprar grupo Iuni

Após herdar dívida de R$ 150 milhões de empresa matogrossense, grupo que controla Pitágoras adota ensino híbrido

Raquel Massote - Repórter - 18/05/2010 - 20:39

Estudantes da Unidade da Rio de Janeiro fizeram manifestação em frente à faculdade

Depois de adquirir o grupo matogrossense Iuni, em março deste ano, a Kroton Educacional desenvolveu para 2010 uma agenda focada no lema “low cost, high performance”. Entre os principais pontos desta agenda estão a redução da carga horária ao mínimo estipulado por lei.

Além disso, a empresa pretende obter ganhos de produtividade com maior número de alunos em sala de aula e empreender um rigoroso controle de despesas e investimentos. A Kroton atua no ensino superior com 24 faculdades próprias, com a marca Pitágoras e incorporou mais 16 faculdades, com a marca Iuni.

A partir da consolidação do investimento, a redução dos custos administrativos deverá atingir um patamar de R$ 20 milhões por ano. Ao ser procurada nesta terça-feira (18), a empresa não quis detalhar o planejamento. No entanto, uma das estratégias que deverão ser adotadas é intercalar aulas presenciais e virtuais, que geram menos gastos. Este novo modelo acadêmico foi denominado ensino híbrido.

A aquisição do Iuni levou aproximadamente seis meses para ser concluída e envolveu um total R$ 422 milhões, sendo que R$ 192 milhões pagos em dinheiro, além de uma participação de 6,31% do capital da Kroton transferidas ao fundador do Iuni, Altamiro Galindo. Além disso, a instituição de ensino mineira assumiu uma dívida de R$ 150 milhões contraída pelo empresa.

Durante a apresentação dos resultados referentes ao primeiro trimestre deste ano, realizada na semana passada, o grupo informou que grande parte das sinergias a serem capturadas pelo grupo, a partir da aquisição, deverá ocorrer a partir de 2011.

Entre estes pontos estão a unificação de uma série de estruturas. Entre os objetivos estão a adoção de um modelo pedagógico único no segundo semestre de 2010.

Para o analista em educação da Planner Corretora, Rafael Burquim, a operação trouxe um impacto sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre, principalmente no que diz respeito às margens. “O valor pago foi considerado alto pelo mercado e trouxe um choque sobre as margens da companhia”, disse o analista. De acordo com ele, os desafios das empresas educacionais que são listadas em bolsa é diminuir custos, sem que isto implique em perda de qualidade no ensino. “Este é um ponto delicado, principalmente no setor de educação”.

O lucro líquido do grupo caiu 20,4% no primeiro trimestre de 2010, sobre o mesmo intervalo do ano passado, para R$ 19,8 milhões. O resultado foi, em grande parte, afetado pelo aumento das despesas operacionais, que subiram 80,7%, na comparação entre os dois intervalos e atingiram R$ 35,6 milhões. No que se refere à Receita Líquida houve um incremento de 37,3%, para R$ 144,4 milhões. A margem Lajida ajustada, ou a relação entre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) ajustado e a receita líquida caiu de 31,8% para 21,1%. “Este ano o grande desafio do grupo é elevar estas margens”.

A Kroton é atualmente controlada pelo fundo americano Advent, que em junho do ano passado adquiriu 50% do capital da Pitágoras Administração e Participação (PAP), holding que detém 55% da empresa. A outra metade da PAP continua nas mãos dos fundadores da empresa, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e os empresários Evandro Neiva e Julio Cabizuca.

Após a aquisição do Iuni, o Kroton praticamente dobrou de tamanho e passou a contar com 86 mil alunos matriculados no ensino superior. O grupo atende ainda 265 mil estudantes do ensino básico que adotam o sistema de ensino (apostilas) Pitágoras, por meio de 720 escolas associadas.

Atualmente o grupo está presente em 28 cidades e 10 estados brasileiros. A incorporação não envolveu a sobreposição de faculdades. A Kroton tem 24 unidades nas regiões Sul e Sudeste e o Iuni conta com 16 faculdades no Centro-Oeste, Norte e Nordeste.


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Manifestação de estudantes termina em violência em BH

FERNANDA PENNA [portal@otempo.com.br]; 18/05/2010 - 08h30

O protesto de estudantes da faculdade Pitágoras, em Belo Horizonte, na noite dessa segunda-feira (17) terminou em violência. A manifestação começou por volta das 18h40, antes da entrada dos alunos para a sala de aula, e só terminou por volta das 20h30. Os manifestantes fecharam uma das pistas da avenida Raja Gabaglia, em frente à Faculdade Pitágoras, na região Centro-Sul da capital e entraram em confronto com a Polícia Militar, que fez disparos com balas de borracha e usou gás lacrimogêneo para dispersar os cerca de 500 alunos. Alguns estudantes reclamaram que foram agredidos por policiais e a denúncia vai ser apurada pela corregedoria da PM. Outros dois estudantes foram detidos, já que segundo a PM, danificaram uma viatura.

O motivo do movimento foi as mudanças curriculares promovidas pela faculdade em seus cursos de graduação. Os estudantes reclamam que vai haver prejuízo, sobretudo na carga horária. Por meio de nota, a Kroton Educacional, que administra a rede Pitágoras, esclareceu que as alterações na carga horária obedecem aos parâmetros estabelecidos pelo MEC. Segundo o comunicado, as mudanças têm o objetivo de reforçar as atividades ministradas em sala de aula.

Na tarde desta terça-feira (18), representantes do Sindicato dos Professores se reúnem às 14h na sede da instituição, no bairro Floresta, região Leste da capital para discutir as mudanças. Na reunião, será discutida também a possibilidade de paralisação das atividades. Segundo o sindicato, a reforma é uma tentativa da Kroton de reduzir custos e aumentar os lucros, com prejuízos para a qualidade do ensino e as condições de trabalho da categoria e representa, na prática, uma medida voltada para atender os interesses do mercado financeiro.


Fonte: http://www.otempo.com.br/

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Greve dos professores estaduais pode chegar ao fim nesta terça-feira

FERNANDA PENNA [portal@otempo.com.br]; 18/05/2010 - 07h59

Os professores da rede estadual se reúnem na tarde desta terça-feira (18) para tentar por fim a greve que já dura 40 dias. A categoria se reúne às 14h, na Praça da Assembleia, na região Centro-Sul da capital, para avaliar as propostas feitas pelo governo em reunião realizada no dia 12 de maio.

Na ocasião, os representantes dos professores deixaram o encontro com a promessa da secretária de Planejamento de que será feito um estudo sobre as formas de incorporação das gratificações ao vencimento básico da categoria. Os professores querem elevação do piso salarial - de R$ 850 para R$ 1.312. O governo alega que por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRP) e a lei eleitoral, está impedido de aumentar os salários e oferece piso de R$ 935. A secretária garantiu ainda que o ponto dos dias parados não será cortado e que nenhum profissional da educação será demitido por causa da greve.

Os professores em Minas estão em greve desde o dia 8 de abril. Uma decisão da Justiça, no último dia 4, considerou a greve ilegal.


Fonte: http://www.otempo.com.br/

terça-feira, 18 de maio de 2010

A INFÂNCIA PERDIDA

por Lúcio Alves de Barros*

Se existe um grupo de agentes que definitivamente perderam com a modernidade foi o conjunto das pessoas que fazem parte da fase do ciclo da vida que denominamos de infância. É mais do que lamentável o fenômeno em apreço. Não faz muito tempo que a criança era entendida como o futuro de um país e/ou a possibilidade iminente de dias melhores. Ledo engano: hodiernamente a infância é tratada como algo qualquer, um adulto em miniatura, um proletariado em potencial, uma projeção ininterrupta dos pais e uma fonte de renda para agentes do mercado.

O fenômeno é vergonhoso quando se torna banal e ostensiva a percepção de crianças andando a esmo, pedindo dinheiro e comida nas esquinas e nas ruas das grandes e pequenas cidades. Adultos chegam a mencionar a necessidade de trabalho, à guisa de aprendizagem, e maior tempo nas organizações escolares. Boa forma de diminuir a responsabilidade em tempos de crise de autoridade e atenção. Lugar de criança é na escola e suas atividades principais são a de estudar, conhecer e brincar. Ponto final. Perdoem-me os pais que colocam os ainda infantes para laborar na lida diária: que não tivessem filhos ou que se preparassem melhor para tê-los. Pode-se argumentar que o trabalho é bom e crescer rápido é comum em determinadas subculturas. Como tudo na vida, as conseqüências são imprevistas e não é por acaso que perdemos um exército de crianças para o tráfico de drogas e para o hedonismo desenfreado da cultura de mercado.

Muitos culpam a família, a escola, o Estado e até Deus pelas condições que perpassam o mundo infantil. Todavia, a questão é simples e está patente para todo mundo ver e se preocupar. Claro, se existir pelo menos a boa vontade para isso. O curioso é que não faltam aqueles que asseveram ser o “dono da criança no banho”, mas que não se arriscam a pegar para criar. A começar pelos proprietários dos discursos. Como não é bom dar nomes aos bois, até porque seria difícil, nada como ver o famigerado campo normativo que tenta através do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) garantir alguns direitos. Ele pode até funcionar em certos casos, principalmente, quando em xeque está o direito das crianças mais abastadas. No entanto, partir do pressuposto de que o término da infância se dá aos 12 anos e, após essa idade tem início a adolescência é, além de um precário sinal, é um mal começo de conversa. De qualquer forma não deixa de ser um discurso legitimado pela sociedade e levado a cabo pelos donos da lei.

Na esfera do discurso é forçoso mencionar aqueles que se apegam ao campo da psicologia, da medicina (notadamente a pediatria) e da pedagogia para definir infância, um conceito por definição e natureza polissêmico e de difícil manejo. Não raro, muitos profissionais ainda misturam tais esferas ao campo normativo e, nas muitas entrevistas que entopem jornais e outros meios de comunicação, acabam caindo no discurso forense e, por ressonância, criminalizando, culpabilizando, adoecendo ou enlouquecendo as crianças. De duas uma: (1) ou desejam notoriedade, ou (2) optam por um discurso já legitimado (mas sem fundamentos poderosos) para não correr o risco do debate, da crítica e do contraditório.

Na realidade estamos perdidos: teorias com fortes modelos heurísticos como a de Jean Piaget (1896-7980), Georg Herbert Mead (1863-1931), ou mesmo de Sigmund Freud (1856-1939) não mais respondem nossas questões. A infância mudou de perfil e se é para “melhor” ou para “pior”, não se sabe. O fato é que muitas vezes facilmente somos surpreendidos com adultos exigindo das crianças atitudes que elas não têm competência para tomar. Mais que isso, muitos induzem a criança a virar rapidamente adultos e “produtivos”. Ate até os marketeiros já não as deixam em paz, vendo nelas um potente grupo de consumidores.

De consumidoras compulsivas a alienadas obsessivas não é preciso ir longe para a comprovação de certos “fenômenos infantis”. Lembro-me do fenômeno "Xuxa": uma adulta, uma personagem histérica, uma eterna criança que vê gnomos e faz filmes sem o mínimo de sentido. Na esteira da sua sempre jovem personagem não é de se esperar outra coisa senão crianças desejando cabelos loiros, silicones salientes, plásticas sem fim e uma possível produção independente no futuro. Nada contra a figura em si, mas tudo contra a disseminação de uma cultura perversa do consumo infantil. E é de causar perplexidade a conveniência dos pais que no desejo de se livrar da garotada consumidora e cheia de energia não poupa recursos para ir às compras de brinquedos, utensílios, sapatos e roupas que praticamente sexualizam a criança dando margem para desejos e perversões do mundo adulto.

Não estou exagerando e, para colocar mais fogo no debate, sugiro aos leitores que façam viagens ao litoral brasileiro no intuito de verificar adultos - muitos “gringos” - de olhos bem abertos sobre a carne nova que está à solta a pedir esmolas nas esquinas, praças e praias da cidade. Se não existe uma grave crise no campo do que se convencionou chamar “infância”, não sei do que podemos isso chamar. Em algum lugar na história perdemos a capacidade de entender o ser que ainda “não sabe perfeitamente o que faz”. É isso mesmo: em uma livre enquete em salas de aulas perguntei aos meus alunos de pedagogia sobre o que entendiam sobre a infância. As respostas foram as mesmas dos meus alunos de direito e administração: “é inocência”, “é brincadeira”, “é curiosidade”, “é ignorância”, “é beleza”, “é carinho”, “é busca de conhecimento”, “é medo”, é insegurança”, “é transparência”, e “é um ser que precisa de respeito”. Pois bem, temos as respostas e estão na ponta da língua. Contudo, da teoria à prática e da fala à ação a distância é enorme. Não creio que seja por pura ignorância, mas por covardia, cansaço e falta de entendimento do fenômeno é que estamos perdendo o que realmente está ocorrendo com nossos infantes.

E não venham com o livro do historiador Philippe Áries, “História Social da Criança e da Família”, o qual marcou uma série de estudos apontando para a acepção da existência de “infâncias” e idades socialmente construídas através do tempo. Infelizmente, a historia também é utilizada para legitimar discursos, mas nada como o aqui e o agora. Nesse momento, rascunho parte do presente texto sentado em um ponto de ônibus e vejo duas crianças a esmolar. Um pouco mais tarde três passaram a correr descalças atrás de um coletivo urbano. E não longe, no carnaval de três capitais brasileiras, eram observáveis crianças jogadas em carros alegóricos com poucas roupas a sambar como mulatas, sem falar das constantes investidas do Senhor Sílvio Santos contra uma menor na TV. Se a criança é respeito, sinceramente, não o vejo e nem percebo uma política pública nesse sentido. E não seria uma má ideia. Imaginem secretarias e ministérios responsáveis somente pelo “ser criança”. Já passou da hora do tema “infância” sair do quintal das organizações (públicas e privadas), bem como do consciente e do inconsciente das autoridades para se transformar em uma poderosa máquina de política pública.

Faz tempo que deixamos de ouvir a voz dos pequenos. Quando escutamos, por vezes atrapalhamos e caminhamos em sentidos duvidosos. A criança não escapou nem da politização e dos interesses escusos de muitos adultos. Crianças produzem cultura. Forjam aqui e ali subculturas e funcionam como elos fortes de cadeias sociais. Suas representações encantam o mundo adulto. E se estamos carentes de saída para o vazio existencial, erro pouco em afirmar que ela está em nossa frente, carregada de inocência, esperança, perseverança e ações que podem modificar a realidade.

Finalmente, vale uma sugestão: há tempos perguntamos e acreditamos no mundo adulto. Sugiro perguntar e observar o mundo da criança deixando espaços para que elas possam encantar o coração já falido, a ideia já morta, a escola sem autoridade, a política já corrupta e a família desestruturada. Talvez, diante dos acontecimentos modernos, seria melhor para elas. (Não) Tenho ciência absoluta da sugestão, mas diante do quebra cabeça familiar, da “salada mista” da televisão, dos bandidos e policiais da política e das bruxas e gnomos das escolas, seria bom nos divertir com brincadeiras de verdade, das quais sabemos as regras, principalmente quando do início, do meio e do fim.


* Doutor em sociologia e professor da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais). Texto publicado em Revista Educação Pública. Reflexão e interação de educadores. Disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/comportamento/0039.html