terça-feira, 31 de maio de 2011

Inclusão ou separação?

30 de maio de 2011

Independente de ouvir ou não, toda criança ganha com o convívio de um aluno surdo. A presença é vista como algo diferente, mas normal. Por isso, talvez, não se veja crianças com problema auditivo sendo vítimas de bulliyng entre a garotada.

A observação é do psicólogo Sérgio Otávio Bassetti, da Fundação Catarinense de Educação Especial. –Nós não aceitamos escolas exclusivas para surdos. O mundo é visual e sonoro, achar que estar só com seus iguais é um equívoco, já que é preciso educar a criança para uma sociedade diversificada – defende o psicólogo.

A posição do psicólogo é uma análise sobre o movimento da Federação Nacional de Integração dos Surdos (Feneis), que reuniu cerca de 500 pessoas em uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, pedindo a criação de escolas bilíngues específicas para surdos. Desde a Constituição de 1988, o Brasil adota a política de integração em escolas regulares.

Bassetti observa que as crianças sem surdez aprendem rapidamente a se comunicar com os que usam a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Isso permite que interajam não somente na escola, mas também em outros ambientes. Em pelo menos 11 unidades da rede municipal de ensino em Florianópolis existem alunos que aprendem com Libras. No ano passado, o uso da Língua com alunos, familiares e professores deu à Creche Municipal Bem-Te-Vi, no Centro da Capital, uma menção honrosa do Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas.

Para isso, explica Sônia Fernandes, diretora de Educação Infantil da Secretaria deEducação, uma comissão do Ministério da Educação esteve em Florianópolis verificando, na prática, o relato da experiência encaminhado pela Bem-Te-Vi, em parceria com as profissionais da Sala Multimeios da Creche Almirante Lucas, no Centro. Isso não apenas sobre o ensino de Libras para o aluno surdo, mas para o grupo de crianças de sua turma.

O projeto começou em junho de 2009, quando a creche recebeu uma criança com diagnóstico de surdez. Desde então a professora Maria Eloíza de Macedo trabalha com o aluno uma forma de comunicação e aprendizado. Também foi realizado um trabalho com a mãe e a avó da criança, que iniciaram o contato com a Língua Brasileira de Sinais, para dar continuidade à comunicação em casa. Em seguida, a creche começou um trabalho de apresentação da Libras com toda a turma de seis meses a um ano, da qual a criança fazia parte. Em outubro do ano passado, foi a vez da turma de dois a três anos.

A unidade percebeu, então, que havia o interesse em aprender Libras não só das crianças, mas igualmente das professoras e dos demais funcionários da creche. Um professor de Língua Brasileira de Sinais para trabalhar sinais do cotidiano em sala de aula e para ensinar os profissionais da unidade educativa foi contratado.

ÂNGELA BASTOS -
angela.bastos@diario.com.br

Política de inclusão



INSTRUTOR- preferencialmente surdo, auxilia na aquisição da Libras como primeira língua. O instrutor pode atuar nas turmas bilíngues e no atendimento educacional especializado – as salas multimeios –, no período inverso às aulas. O profissional ministra cursos de Libras para a comunidade ouvinte.

PROFESSOR BILÍNGUE- 1º ao 5°: juntamente com o professor regente, deve haver um professor bilíngue que explica aos surdos em Libras e utiliza outros recursos visuais e educacionais, já que a criança ainda está aprendendo a linguagem de sinais. Quando houver mais de quatro alunos surdos na mesma série, podem ser formadas as turmas bilíngues, em que o ensino é em linguagem de sinais. Mas essas turmas são poucas, pois os alunos, geralmente, estão em séries diferentes.

INTÉRPRETE EDUCACINAL- do 5° ano ao ensino médio e em turmas de jovens e adultos, como supletivo, telessalas e Educação profissional há um intérprete educacional que acompanha o aluno, que já deve ter domínio da Libras.

O aluno pode frequentar as salas de atendimento especializado na própria escola ou nas escolas conveniadas, que tenham o serviço, enquanto precisar para a aquisição da Libras e do português como segunda língua. Para contar com o apoio de qualquer um dos profissionais especializados, as escolas onde há surdos matriculados devem entrar em contato com a Federação Catarinense de Educação Especial.

Fonte: Federação Catarinense de Educação Especial

Fonte: Diário Catarinense (SC) - Todos pela Educação

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Frequência mínima escolar, questão de qualidade



Por Adriana de Bortoli Gentil*

O debate em torno da frequência mínima do aluno em sala de aula, em nosso país, tem sido polêmica. Nas últimas décadas, tem assumido um aspecto assistencialista em função de medidas governamentais, mas que não deixam de alimentar um debate constante sobre a qualidade da educação nacional. É extremamente importante esse diálogo, já que perseguimos a melhoria da qualidade dos serviços educacionais. A aprovação pela Comissão de Educação do Senado, no dia 4 de maio, da frequência mínima do aluno em sala de aula - que passará dos atuais 75% para 80% de exigência – vem, de certa forma, ao encontro das metas do novo Plano Nacional de Educação, que se encontra em tramitação no Congresso. Ele determina, em sua meta número 6: oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.

Observa-se que há uma tentativa gradual de aproximar-se da meta proposta, já que o debate sobre o aumento da frequência na sala de aula caminha paralelamente ao projeto de ampliação da carga horária mínima anual. Atualmente, a carga horária é de 800 horas por ano e, de acordo com o projeto aprovado, passará para 960 horas. Essa proposta de alteração significa, na prática, aumentar a permanência do aluno na escola, que poderá ser revertida em aumento diário do tempo na escola ou expansão dos dias letivos previstos anualmente. Mesmo sabendo que o Brasil, em comparação com outras nações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), possui uma carga horária reduzida, existem divergências entre os especialistas quanto ao tema. Provavelmente, isso é devido à questão estrutural e sistêmica da educação nacional, como infraestrutura, política de financiamento, gestão e valorização dos profissionais da educação, entre outros.

É importante destacar que qualquer proposta de alteração na forma de atendimento da escola deve passar por uma ampla análise da conjuntura escolar, desde a infraestrutura do colégio, o currículo, a gestão, a formação e a qualificação de todos os profissionais da educação que atuam no espaço escolar. Não podemos tratar da qualidade do ensino somente na perspectiva de aumento do tempo de permanência dos alunos na escola, mas enfrentar antigos dilemas da educação nacional. Muitos especialistas advertem que o tempo de permanência do aluno na escola não necessariamente contribui para o seu aprimoramento, que há necessidade de utilizar esse “novo tempo” de forma criteriosa, definindo diretrizes escolares por meio de um currículo que contemple essa nova realidade e o contexto social de cada comunidade escolar.

As propostas apresentadas pela Comissão de Educação do Senado não são uma novidade: há muitas décadas, especialistas, docentes, órgãos de representação de classe, conselhos municipais de educação e representantes do poder público debatem o assunto. Mas, quem sabe, chegou a hora de nos debruçar sobre essa questão, de relevância para as nossas crianças e jovens, inclusive considerando-se as metas do novo Plano Nacional de Educação a ser aprovado. Do outro lado da moeda, a ampliação do tempo de permanência do aluno na escola pode denunciar uma preocupação do governo com seu programa de transferência de renda, no que se refere ao excesso de absenteísmo nas escolas. Dados de 2009 demonstram que o estado de São Paulo concentra mais da metade dos municípios do país onde há maior descumprimento da exigência para recebimento do benefício. No Paraná, mais de 13 mil beneficiários podem ter o pagamento do Bolsa Família suspenso pela falta de frequência escolar ou desatualização dos dados cadastrais do programa. Pela exigência do programa, os estudantes com idade entre 6 e 15 anos precisam cumprir o mínimo de 85% da carga horária mensal.

De qualquer forma, os projetos apresentados pela Comissão de Educação do Senado são pertinentes porque abrem espaço para o debate e podem se revelar grandes aliados na tarefa de todos nós: garantir, de forma efetiva, um amplo debate nacional sobre a qualidade da educação nacional.

* Mestre em educação, pedagoga, historiadora e Suporte Pedagógico da Divisão de Sistemas de Ensino da Editora Saraiva

Fonte: http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2011/05/25/frequencia-minima-escolar-questao-de-qualidade/

Educação em perigo



terça-feira, 24 de maio de 2011

Antropólogo lança diagnóstico preocupante do comportamento nacional

José Antônio Orlando - Editor-adjunto - 23/05/2011 - 18:10

Roberto DaMatta: trânsito no Brasil é revelador de concepções profundas e enraizadas

O comportamento do brasileiro ao volante é tema de “Fé em Deus e Pé na Tábua, ou, Como e Por Que o Trânsito Enlouquece no Brasil” (Editora Rocco, 192 páginas, R$ 25), que o antropólogo Roberto DaMatta lança nesta terça-feira (24) em Belo Horizonte, no projeto Sempre Um Papo. O debate, seguido de sessão de autógrafos, terá início às 19h30 no Auditório da Cemig (Avenida Barbacena, 1200, Santo Agostinho).

Escrito em parceria com João Gualberto Vasconcellos e Ricardo Pandolfi, o novo livro do autor de clássicos do pensamento nacional como “Carnavais, Malandros e Heróis” (1973) e “Águias, Burros e Borboletas: Um Ensaio Antropológico sobre o Jogo do Bicho” (1999), entre outros estudos que marcaram época, nasceu de duas pesquisas – ambas encomendadas pelo Governo do Estado do Espírito Santo, com o objetivo de melhorar o trânsito na capital, Vitória, e no restante do Estado.

“Dentro de um veículo, viramos nazi-fascistas. O problema é que temos dificuldades de lidar com o outro como um igual”, resume Roberto DaMatta em entrevista ao Hoje em Dia. Para o antropólogo, o trânsito caótico de nossas cidades e as relações entre pedestres, motoristas, caminhoneiros, motoqueiros e ciclistas traduzem à perfeição concepções profundas e enraizadas em nosso imaginário.

Para Roberto DaMatta, o trânsito espelha um panorama preocupante do comportamento do brasileiro – não só ao volante, mas também além dele. “O automóvel no Brasil é visto e usado justamente como instrumento de poder, dominação e divisão social”, destaca o antropólogo, que traça os parâmetros para o que se pode chamar de “sociologia do trânsito”. Confira os principais trechos da entrevista.

Vou começar a entrevista com o subtítulo de seu livro: como e por que o trânsito enlouquece no Brasil?
Roberto DaMatta – A tese é que o trânsito é um espaço absolutamente igualitário e governado por regras válidas para todos. Isso para nós, brasileiros, criados por mães condescendentes, pais ausentes e em casas onde todos nos acham superiores, promove um enorme desconforto. É uma espécie de provação ou castigo, sobretudo quando até hoje, não problematizamos ou politizamos devidamente, com debates e discussões mais inteligentes, a necessidade da igualdade como valor. Ora, uma cabeça hierarquizada operando e dirigindo num espaço igualitário resulta sempre em nervosismo, chilique, agressão e crime.


Sua análise sobre a cultura do brasileiro no trânsito privilegia a linguagem, em expressões como “você sabe com quem está falando?”, “dar uma fechadinha”, “fé em deus e pé na tábua” ou “motorista barbeiro”. As palavras, neste caso, são mesmo reveladoras?
O ‘sabe com quem está falando’ indica esse choque entre quem se pensa como superior e um funcionário que está cumprindo o seu papel, em geral fiscalizando alguma coisa. A revelação deste drama é mais ou menos assim: a regra vale para todos, mas não para mim que sou isso ou aquilo! Ou seja, a situação é resolvida porque entre igualdade e desigualdade, tendemos ficar com a desigualdade. O dado crítico é a descoberta que, no Brasil, a igualdade inferioriza porque nossa história de reis, senhores e escravos indicavam claramente que quem obedecia as regras eram os inferiores. Os superiores que as fabricavam e estavam no governo não tinham que segui-las ou delas prestar contas. Como está ocorrendo hoje.

E a expressão “fé em Deus e pé na tábua”, que você tomou como título para o livro?
No trânsito, "fé em Deus e pé na tábua" é a tradução dessa concepção especial de quem se sente ofendido quando, dentro de um carro novo, acha que os outros são todos atrapalhadores de seu destino. É neste sentido que os termos são reveladores. Eles mostram concepções profundas e enraizadas de como nós nos pensamos socialmente e como os outros, para nós, só existem como inferiores ou superiores. Temos dificuldades de lidar com o outro como um igual.

Em entrevista à revista “Trip”, você defende que nosso comportamento terrível no trânsito é resultado da incapacidade de sermos uma sociedade igualitária, de instituirmos a igualdade como um guia para a nossa conduta. Esta questão é mais visível no trânsito que em outras instituições nacionais?
Sim porque no trânsito não tem jeitinho e, pior que isso, você paga na hora o preço pela imprudência ou pelo descaso aristocrático com o sinal ou o cruzamento. O trânsito é como o mercado: é um sistema auto-regulável com um alto grau de automatismo. E isso é um problema para quem, como nós, tende a operar num universo onde dependendo da pessoa, a regra muda ou simplesmente não se aplica. Basta ler os jornal hoje para ver como esse é um desafio dos mais profundos para a nossa vida democrática, para quem é de fato liberal e democrata.

E a “gramática da buzina”? Será algo específico do comportamento do brasileiro ou também está enraizada em outros povos, outros países?
Dirigi por 18 anos em South Bend, Indiana, Estados Unidos e me lembro que fui buzinado duas vezes! O uso da buzina é o grito de superioridade diante do inferior ou do barbeiro que não deixa você passar. É um gesto revelador de nossa impaciência com o igual, com o companheiro que compartilha do mesmo público conosco.

E as normas? Seu livro alerta que qualquer legislação está destinada ao fracasso caso a sociedade que a recebe dela não necessite ou não esteja preparada para suas inevitáveis implicações disciplinadoras...
Esse é um ponto crítico. O estado tem que estar em contato e sincronia com a sociedade. Algo que não está ocorrendo no Brasil. Sem esse dialogo não há lei que pegue porque, primeiro, as leis não são seguidas pelos donos do poder. Segundo: as leis são feitas não para facilitar a vida, mas para corrigir o comportamento. E muitas vezes elas vão contra o bom-senso e as tradições da sociedade.

O que esperar para um futuro próximo desta dinâmica de relações que envolvem pedestres, ciclistas e motoristas de todos os tipos?
Se a gente não morrer, espero que surjam aqui e ali programas de igualdade no trânsito que, como estamos planejando realizar no estado do Espírito Santo, possam alertar as pessoas para esse tipo de problema. A saber: a construção de um espaço público mais saudável, mais prazeroso e mais civilizado.

Fonte: Jornal Hoje em Dia (BH - MG)

sábado, 21 de maio de 2011

Traficantes ameaçam escola com bombas para suspender as aulas

Educação na mídia - "Todos pela educação" - 20 de maio de 2011

DO "AGORA" - Traficantes de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes (Grande SP), inconformados por não poder vender drogas perto da Escola Estadual Professor Cid Boucalt, montaram duas bombas caseiras de alto poder de destruição para explodir o colégio.

A ação só não se concretizou porque a PM foi avisada e encontrou os artefatos. Segundo o capitão Anderson Caldeira Lima, da 2ª Companhia do 17º Batalhão, a a direção da escola recebeu, havia três semanas, uma "carta da morte". A ameaça dizia que se as aulas não fossem suspensas por 30 dias, haveria uma tragédia pior do que a da escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro. Anteontem, um pessoa ligou para o 190 e revelou o local dos explosivos -a caixa d"água vazia de uma casa a 60 m da escola, onde ainda havia drogas. A PM detonou as bombas.

Fonte: Folha de São Paulo (SP)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Educação e política



''Todos sabem como é a rotina de um professor''

Sucesso no YouTube com vídeo em que fala sobre situação do ensino no país, professora critica política para o setor. Amanda Gurgel de Freitas, a professora de 26 anos que chamou a atenção do país para os problemas da Educação no Brasil, com um depoimento que ficou entre os mais vistos no Youtube, diz que hoje o professor no Brasil sofre de crise de identidade e também está doente.

Militante do PSTU, ela recebe salário básico de R$930 como professora da rede municipal e de R$1.217 no estado. Tem especialização em Educação para adultos, mas não está em sala de aula.

Amanda pediu troca de função depois de uma depressão e agora trabalha na biblioteca do Colégio Estadual Miriam Coeli e no setor de informática numa Escola municipal de Natal. No estado, os professores estão em greve por melhores salários.

* Pauío Francisco, de Natal

O GLOBO: A senhora esperava toda essa repercussão, no YouTube, com seu depoimento sobre a situação da Educação?

AMANDA GURGEL DE FRElTAS: Nunca. Eu jamais imaginei que uma situação, que para mim é tão corriqueira e tão óbvia para todo mundo, pudesse ter uma abrangência tão grande. Não tem quem não veja como é a rotina de um professor.

O que a senhora acha que está faltando para mudar a situação do professor?

AMANDA: Posso falar sinceramente: vergonha. Esse caos que existe na Educação não é um caos desorganizado, entre aspas, é um caos preparado, existe uma intenção para que a Educação funcione desse jeito, para que os filhos da classe trabalhadora jamais atinjam altos níveis de cultura, para que no máximo eles aprendam um oficio.

A senhora hoje tem dois em pregos, acorda às 5h da manhã e passa o dia todo trabalhando. Como é a vida de um professor sem condições até de se qualificar, de ler? Como faz para se atualizar?

AMANDA: Olha. é muito difícil. Para qualquer professor, isso é muito difícil. Então, na nossa categoria, até é importante tocar nesse ponto, nós vivemos uma certa crise de "Os professores são submetidos a uma jornada de trabalho que é extenuante, sem candições dignas" identidade, porque enquanto a nossa atividade sempre foi considerada intelectual, e ainda hoje leva esse nome de uma atividade intelectual, de formadores de opinião, a verdade é que nós estamos passando por um processo de proletarização, que está se acentuando a cada dia.

E a nossa atividade é principalmente manter o aluno em sala de aula, independente de qualquer coisa. Por isso que muitas vezes as pessoas coillulldeni os responsáveis pelo caos e acham que a greve atrapalha os alunos.

Na verdade, a greve não atrapalha, justamente por isso, se nós não estivessemos greve não teríamos a oportunidade de falar sobre a educação nesse momento, porque estariam todos os alunos dentro da sala de aula controlados pelos professores, que não estariam em condições de ter uma atividade digna, de exercer a atividade docente decentemente, porque as salas são superlotadas, porque as salas são quentes aqui na nossa cidade, porque os professores não têm condições de se atualizarem. Infelizmente, não é dada essa oportunidade para os professores.

A senhora disse que o professor sofre muito de doenças psicossomáticas. A senhora já teve depressão. Como é a saúde dos professores?

AMANDA: Os professores são submetidos a uma jornada de trabalho que é exteiluallte, sem ter condições de trabalho dignas. frequentemente desenvolvem doenças relacionadas a atividade profissional e, em troca, recebem por parte dos governos mais uma forma de opressão, que é impedi-los de darem entrada em licenças médicas ou em readaptação de função.

Recentemente, em um consultório. um médico disse que não poderia fornecer um laudo para encaminhar um paciente a uma junta médica porque hoje em dia professor e policial são todos assim, querem ganhar dinheiro sem trabalhar. Dentro do consultório médico ele defendeu a política do governo do estado, dizendo que o governo está muito certo mesmo. independente do seu estado de saúde, o professor tem mais é que estar em sala de aula. Isso só reforça essa ideia que para o governo Educação de qualidade é aluno controlado dentro de sala de aula, independente da condição dessa aula e das condições de saúde do trabalhador.

Depois do sucesso na internet, a senhora pretende se candidatar a algum cargo político?

AMANDA: Nunca pensei sobre isso, não pretendo no momento. Talvez as pessoas possam achar que eu fiz isso por interesse. Mas minha militância é pelas demandas da nossa categoria e não gostaria que fosse in confundidas com as do partido. Não te ilho pretensão política governamental, mas faço politica no meu dia a dia. As pessoas que me conhecem sabem de minha atuação. Talvez em outros momentos a conjuntura possa me levar para outros rumos.

(*Especial para O GLOBO)

Fonte: O Globo (RJ)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dois alunos são esfaqueados em porta de escola de Uberaba

Dois estudantes foram esfaqueados durante uma confusão na porta de uma escola, nessa quarta-feira, em Uberaba, no Triângulo Mineiro. De acordo com a Polícia Militar, a briga aconteceu na porta da Escola Professor Chaves, no Bairro São Benedito. Segundo os policiais, um dois alunos de 19 anos se desentenderam e partiram para a agressão física. Em dado momento, um dos envolvido pegou um canivete que estava escondido no tênis e atingiu a vítima no braço e no peito. Um outro estudante de 16 anos que tentou pegar a arma quando esta caiu ao chão, também foi ferido com golpes nas costas, na nádega e no peito.

Depois que as vítimas já estavam caídas ao chão, outros estudantes chegaram e seguraram o suspeito até a chegada da PM. Questionado o motivo da agressão, o autor disse que teria sido agredido com um soco. Sobre a arma, ele alegou que estava com o canivete por motivos de defesa, porque um homem teria prometido vingar o envolvimento do aluno com a namorada dele. O agressor foi preso em flagrante.

Os crescentes casos de violência em ambiente escolares vem preocupando as autoridades em todo o Estado. Uma audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nessa terça-feira, debateu o tema e revelou uma triste realidade sobre criminalidade em escolas mineiras. Segundo a assessoria da ALMG, de 2008 a 2010, a PM atuou em 4.335 ocorrências em escolas, a maioria delas ligadas a crimes contra patrimônio e contra a vida. No mês de março deste ano, foram registradas duas ocorrências de alunos com armas dentro de escolas públicas de Belo Horizonte. Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, também foi registrado um caso de agressão à aluno e esse é o segundo caso envolvendo estudantes de Uberaba em menos de um mês.

Com objetivo de evitar mais ocorrência de agressões com armas em escolas públicas, vereadores de Belo Horizonte aprovou um Projeto de Lei que prevê instalação de detectores de metais nas escolas Municipais.


Fonte: Estado de Minas (MG)

Aluno que matou professor é considerado esquizofrênico

Em dezembro do ano passado, Amilton Loyola esfaqueou o professor após discordar de uma nota

Por Eugenio Moraes


Laudo apontou que Amilton Loyola sofre de esquizofrenia

O estudante universitário Amilton Loyola Caires, 23 anos, réu confesso da morte a facadas do professor de Educação Física, Kássio Vinícius Castro Gomes, 39 anos, deverá ser internado em um manicômio judicial. Nesta semana, um laudo psiquiátrico atestou que o estudante sofre de esquizofrenia e, dessa forma, é inimputável e não pode ser levado a júri popular. O crime aconteceu no dia 7 de dezembro do ano passado, no Centro Universitário Izabela Hendrix, no Bairro Lourdes, na capital mineira. Desde então, Amilton está no Presídio Inspetor Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves.

O promotor do 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, Francisco de Assis Santiago, que denunciou o réu, confirmou nesta quarta-feira (18) que já avaliou o laudo e repassou suas considerações para o juiz sumariante do 2º Tribunal do Júri, Maurício Torres. Ainda conforme Santiago, ele recomendou que o réu seja internado em um manicômio judicial com privação de liberdade. O magistrado agora vai avaliar o laudo e recomendação do MP e deverá proferir sua decisão nos próximos dias.

O crime provocou uma onda de medo e revolta na rede de ensino da capital mineira, com reflexos em todo país. Inconformado com uma má avaliação por parte do professor, o estudante esfaqueou a vítima na região do tórax. Kássio Vinícius morreu no local. Câmeras de segurança da instituição gravaram toda a ação.

Fonte: Jornal Hoje em Dia (BH)

Faculdade de Economia da USP suspende aulas após morte de aluno

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) suspendeu as aulas nesta quinta-feira (19), após a morte de um aluno na noite dessa quarta-feira. O estudante de Ciências Atuariais Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, foi assassinado no estacionamento da faculdade por volta das 21h30.

Nesta manhã, os alunos da FEA entregaram à reitoria da universidade uma carta pedindo providências contra a violência no campus. A carta, do Centro Acadêmico Visconde de Cairu, diz que os casos de violência se tornaram uma constante na USP. Os estudantes pedem uma solução imediata para o problema. Querem melhorias na iluminação da universidade e a ampliação do serviço de vigilância no campus.

A reitoria da USP ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

Ao comentar o assassinato do estudante, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que a segurança é assunto que preocupa “cada vez mais” os reitores.

“O campus universitário é um espaço reservado em que o tratamento dado a essa questão é diferenciado em relação ao restante da cidade. Pela dimensão, os campi são verdadeiras cidades e o acesso às vezes é muito irrestrito até pelo desejo da população em aproveitar aquele espaço”, afirmou o ministro.

Segundo Haddad, no caso das universidades federais - a USP é administrada pelo estado de São Paulo – a segurança tem sido reforçada e os investimentos cresceram nos últimos anos.

AGÊNCIA BRASIL

NOTA PÚBLICA

Livro para adultos não ensina erros

Uma frase retirada da obra Por uma vida melhor, cuja responsabilidade pedagógica é da Ação Educativa, vem gerando enorme repercussão na mídia. A obra é destinada à Educação de Jovens e Adultos, modalidade que, pela primeira vez neste ano, teve a oportunidade de receber livros do Programa Nacional do Livro Didático. Por meio dele, o Ministério da Educação promove a avaliação de dezenas de obras apresentadas por editoras, submete-as à avaliação de especialistas e depois oferece as aprovadas para que secretarias de educação e professores façam suas escolhas.


O trecho que gerou tantas polêmicas faz parte do capítulo “Escrever é diferente de falar”. No tópico denominado “concordância entre palavras”, os autores discutem a existência de variedades do português falado que admitem que substantivo e adjetivo não sejam flexionados para concordar com um artigo no plural. Na mesma página, os autores completam a explanação: “na norma culta, o verbo concorda, ao mesmo tempo, em número (singular – plural) e em pessoa (1ª –2ª – 3ª) com o ser envolvido na ação que ele indica”. Afirmam também: “a norma culta existe tanto na linguagem escrita como na oral, ou seja, quando escrevemos um bilhete a um amigo, podemos ser informais, porém, quando escrevemos um requerimento, por exemplo, devemos ser formais, utilizando a norma culta”.


Pode-se constatar, portanto, que os autores não estão se furtando a ensinar a norma culta, apenas indicam que existem outras variedades diferentes dessa. A abordagem é adequada, pois diversos especialistas em ensino de língua, assim como as orientações oficiais para a área, afirmam que tomar consciência da variante linguística que se usa e entender como a sociedade valoriza desigualmente as diferentes variantes pode ajudar na apropriação da norma culta. Uma escola democrática deve ensinar as regras gramaticais a todos os alunos sem menosprezar a cultura em que estão inseridos e sem destituir a língua que falam de sua gramática, ainda que esta não esteja codificada por escrito nem seja socialmente prestigiada. Defendemos a abordagem da obra por considerar que cabe à escola ensinar regras, mas sua função mais nobre é disseminar conhecimentos científicos e senso crítico, para que as pessoas possam saber por que e quando usá-las.


O debate público é fundamental para promover a qualidade e equidade na educação. É preciso, entretanto, tomar cuidado com a divulgação de matérias com intuitos políticos pouco educativos e afirmações desrespeitosas em relação aos educadores. A Ação Educativa está disposta a promover um debate qualificado que possa efetivamente resultar em democratização da educação e da cultura. Vale lembrar que polêmicas como essa ocupam a imprensa desde que o Modernismo brasileiro em 1922 incorporou a linguagem popular à literatura. Felizmente, desde então, o país mudou bastante. Muitas pessoas tem consciência de que não se deve discriminar ninguém pela forma como fala ou pelo lugar de onde veio. Tais mudanças são possíveis, sem dúvida, porque cada vez mais brasileiros podem ir à escola tanto para aprender regras como parar desenvolver o senso crítico.

Antônio Augusto Gomes Batista


Fonte: Ação Educativa on line

terça-feira, 17 de maio de 2011

Opinião: Presídios ou escolas?

A Educação, principal remédio para curar a ignorância, a violência e a criminalidade, está ficando em segundo plano


Será que vale mais a pena investir em punição que em Educação? Quando falamos de políticas públicas não temos noção de que a base de um país é a Educação de que sem ela apenas correremos atrás dos prejuízos. Em outras palavras, as medidas punitivas, as prisões, sempre ganharão o espaço da cidadania e das Escolas, simplesmente porque não temos capacidade de enxergar que educar é mais que ensinar. Indo além: aprender não é apenas saber ler ou escrever.

Os casos de violência são noticiados diariamente nos telejornais: estudantes assassinados ou vítimas de bullying. E o pior é que tudo isso ocorre nas próprias instituições de ensino, públicas ou particulares, locais que deveriam oferecer segurança, Educação e civilidade. Não raras são as notícias sobre os descasos com as Escolas públicas: desvio de merenda, má conservação dos alimentos ou até mesmo falta deles.

E se formos considerar que muitas crianças frequentam esses estabelecimentos mais por causa da merenda que pela vontade de aprender, veremos que, muitas vezes, a população encara as instituições de ensino como meros lugares que garantem parte da alimentação diária necessária às crianças. Não é à toa que o poder público investe mais em cadeias que em Escolas.

Vejamos os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2009. Eles mostraram que 9,6% da população era analfabeta, totalizando 14,1 milhões de pessoas. Essa estatística é referente às pessoas que não sabem ler nem escrever. Já em relação aoanalfabetismo funcional, a situação é mais grave ainda.

As pessoas que escrevem o nome, mas que não entendem o que leem, representam 20,3% da população. Em outras palavras, um a cada cinco brasileiros de 15 anos ou mais é analfabeto funcional. Mas, apesar do sofrível desempenho na área de Educação, nos últimos 15 anos o Brasil investiu mais em presídios que em Escolas.

Esses números são comprovados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que realizou um estudo entre 1994 e 2009, revelando uma queda de 19,3% no número de Escolas no Brasil. Em 1994 havia 200.549 escolas públicas, e em 2009, 161.783. O estudo demonstra, também, que no mesmo período o número de presídios quase triplicou, aumentando 253%. Em 1994 havia 511 estabelecimentos prisionais, ao passo que em 2009 eles somavam 1.806. Mas por que há mais necessidade de presídios que de Escolas?

Infelizmente a construção de novos presídios reflete o aumento da criminalidade (criminalipunida com violência e não tratada com Educação). Parece mesmo que o conselho sábio dos nossos ancestrais, de que a prevenção é o melhor remédio, não vale nos dias de hoje. A Educação, principal remédio para curar a ignorância, a violência, a criminalidade, está sendo deixada em segundo plano. Não seria melhor utilizar a expressão “renegada”, ou então “deixada de escanteio”, ou até mesmo “abandonada”?

Iniciativas isoladas, leis e projetos de lei tentam inibir o bullying, incentivam o implemento de matérias como Educação moral e cívica e versam sobre a Educação em prol dos direitos dos negros, das mulheres, das crianças, adolescentes, idosos. Às vezes, órgãos públicos promovem atividades voltadas à integração de pessoas de faixas etárias e cores diversas. Mas será difícil enxergarmos que nada disso, absolutamente nada disso seria necessário, se soubéssemos atacar o mal pela raiz, ou seja, se lutássemos para que fosse instaurada a verdadeira Educação?

Poderíamos fazer isso de forma rápida e simples: cobrando qualidade e não quantidade de Escolas, cobrando o ensino que vai além do alfabeto e que forma os cidadãos do futuro, preparados para o mercado de trabalho e para a vida.

Fonte: Estado de Minas (MG)

Escola expulsa 11 alunos por bullying em Votorantim-SP



Os estudantes, com idades entre 14 e 16 anos, combinaram a agressão pela internet

José Maria Tomazela - 16/05/2011 - 21:00

A direção da Escola Estadual Prof. Daniel Verano, de Votorantim, a 102 quilômetros de São Paulo, decidiu punir com a expulsão 11 alunos acusados de prática de bullying. Os adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, são acusados de terem agredido e humilhado alunos da 6ª série do ensino fundamental, na faixa etária de 11 anos. As agressões teriam ocorrido no último dia 5, mas a punição foi confirmada nesta segunda-feira (16). Na sexta-feira (13), pais dos alunos agredidos foram à escola para pressionar a direção a tomar providências.

De acordo com informações dos pais, os acusados cercaram as crianças durante o recreio. Meninos e meninas foram agredidos a socos e pontapés. Um dos agressores chegou a empunhar uma faca. Uma professora que tentou intervir foi agredida com uma pedrada. A ação dos adolescentes contra os alunos da outra série teria sido combinada pela internet. Cinco estudantes identificados como agressores já foram transferidos. Os outros estão suspensos e aguardam a confirmação de vaga em outra escola. Os pais de um aluno que já tinha sido expulso de outro estabelecimento decidiram que ele não voltará a estudar. O caso será encaminhado para o Conselho Tutelar.

A Diretoria Regional de Ensino de Votorantim informou que a decisão de transferir os onze estudantes envolvidos no incidente partiu do Conselho Escolar, formado por professores, funcionários da unidade, pais e representantes do corpo estudantil, em reunião que contou com a presença dos responsáveis por todos os envolvidos. A resolução se baseou no histórico dos estudantes e na gravidade do caso.

Fonte: O Estadão

Um mês após tragédia, mais um homem armado invade escola no Realengo

A Escola Municipal Tasso da Silveira, no Realengo, Rio de Janeiro, quase se tornou palco de mais uma tragédia. Um homem de 35 anos entrou na escola na noite dessa segunda-feira (16) com uma pistola calibre 380 e ameaçou uma das alunas, que seria sua ex-namorada, e seu namorado, que não é aluno da instituição.

Ele foi preso em uma rua próxima da escola, durante uma tentativa de fuga. A motivação seria o término do relacionamento. Não há informações sobre a idade da menina, mas, de acordo com a polícia, trata-se de uma adolescente.

O caso - No último dia 7 de abril, Wellington Menezes de Oliveira invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira com dois revólveres matou 12 adolescentes e feriu outros 12. O atirador, que é ex-aluno da escola, se matou em seguida.

Fonte: Jornal O TEmpo (BH/MG)

Para especialistas, muro colorido não garante Educação

Por Ocimara Balmant


Os pais precisam tomar cuidado para não se iludirem com a fantasia de que toda escola particular é melhor que a pública, dizem os especialistas. "Muitas dessas novas escolas se travestem. Elas pintam a parede, colocam bichinhos, brinquedos coloridos e um funcionário com uniforme bonito na entrada", explica Silvia Colello, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "A mãe fica com a sensação de que está colocando o filho na escola dos deuses."

Além disso, alerta Silvia, é comum a família associar um bom cuidado a uma boa educação, o que não é correto. "O pai operário fica mais sossegado porque acha que a criança está bem atendida. Mas escola não existe só para trocar fralda e dar comidinha. Sala pequena não resolve, mandar bilhetinho personalizado também não." O importante, segundo a educadora, é que a família fique atenta ao projeto pedagógico e à formação do corpo docente. "Apesar de tudo, o professor da escola pública passou por um concurso público. E os dessas particulares, que pagam apenas o piso salarial?"

Para o professor Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), o ideal é que seja criado um sistema de avaliação para as escolas particulares de ensino fundamental. "O crescimento da procura revela claramente que as famílias estão insatisfeitas com a escola pública. Por isso, é importante ter um critério de avaliação. Só assim a família vai poder comparar e conhecer a qualidade dessa escola."

O temor da professora Neide Noffs, da Faculdade de Educação da PUC, é que ocorra com o ensino fundamental o mesmo que aconteceu com o ensino superior privado. "Começaram a surgir faculdades baratas, sem plano de carreira para os docentes e sem estimular a produção científica. Deu acesso, mas não qualificou o estudante. Ele se forma e não consegue emprego. Será que não vai ocorrer o mesmo? O aluno termina o fundamental e não sabe o que deveria saber?"

Para o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro da Silva, é preciso colocar o tema da qualidade em perspectiva. "Não dá para vender um VW e entregar uma Mercedes. Mas o prometido precisa ser cumprido. Bom currículo e bons professores é o mínimo."

Escola barata


NEIDE NOFFS, PROF. DA FAC. DE EDUCAÇÃO DA PUC: "É complexo fazer boa educação cobrando pouco. Os professores precisam ser bem formados."

PRESTE ATENÇÃO

1.Ensino: Peça para conhecer o projeto pedagógico do colégio. Esse é um direito dos pais, o de saber a qual conteúdo curricular o seu filho terá acesso durante todo o ano letivo.

2. Professores: Verifique se o corpo docente é qualificado e participa de cursos de atualização. Lembre-se de que o seu filho não está ali só para ser cuidado. Ele precisa aprender.

3. Legalização: Confira se a escola está regularizada com a diretoria de ensino. Escolas irregulares são impedidas de expedir Diploma.

4. Bolso: Cheque qual é o preço do material didático. Há casos em que as apostilas custam quase o preço da mensalidade. E ainda é preciso comprar uniforme. Não feche negócio sem saber o impacto dos gastos complementares.

5. Acompanhe: Não basta só pagar a escola, é preciso acompanhar se o colégio está oferecendo o pacote de produtos e serviços que ofereceu.

6. Denuncie: Se a escola não estiver cumprindo os deveres contratuais, não hesite em acionar a delegacia de ensino da região.

Fonte: O Estado de São Paulo (SP)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

BH ganha lei para barrar o bullying





Por Ernesto Braga - Publicação: 12/05/2011

Para se livrar do rótulo de segunda capital com maior índice de vítimas de bullying, atrás apenas de Brasília, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Belo Horizonte poderá ser amparada por lei específica para acabar com o problema dentro das escolas municipais. Foi aprovado nessa quarta-feira na Câmara Municipal, em segundo turno, o Projeto de Lei 596/2009, que cria o Programa BH Trote Solidário e Cidadão e de Prevenção e Combate ao Bullying. Equipes multidisciplinares deverão ser montadas para identificar os praticantes e vítimas de agressões psicológicas e físicas repetitivas no ambiente escolar. A Secretaria Municipal de Educação (Smed) terá de criar canal de denúncias por telefone. Para especialistas, as regras seriam mais eficazes se aprovadas na esfera federal, englobando todas as instituições de ensino públicas e particulares.

A expectativa do vereador Adriano Ventura (PT), autor do projeto, é de que a lei seja sancionada pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB) em 15 dias, quando entraria em vigor. O programa consiste na criação, por todas as escolas municipais, de uma equipe formada por educadores e representantes das comunidades onde elas funcionam, podendo contar com o apoio da Guarda Municipal. Além de atuar no ambiente escolar, com palestras e debates, o grupa orientará pais e professores sobre as causas e efeitos do bullying. “O problema passará a ser tratado no regimento escolar, com políticas educacionais que transformem o bullying em trote solidário, com atividades que estimulem a capacidade dos alunos. Eles vão aprender a lidar com as diferenças, conviver com as minorias”, defende o vereador.

Ele ressalta que quando ocorre um caso de bullying na escola, a direção apenas chama os pais dos alunos envolvidos para uma conversa. “A lei vai acabar com a vista grossa. Ela não estipula punições e as escolas terão autonomia para criá-las. Com o bullying proibido por lei, os educadores se sentirão mais à vontade para reprimir o problema”, avalia Ventura. Segundo ele, o município, por meio da Smed ou outro setor, deverá criar um mecanismo de denúncia via telefone. A Smed informou que vai se pronunciar hoje sobre o projeto de lei.

Autor de dois livros sobre bullying, o promotor de Justiça Lélio Braga Calhau é favorável à criação de leis municipais para combater o problema. “A maioria dos agressores vai retroceder se chamada à direção da escola para responder pela agressão ao colega. Mas os alunos devem ser instruídos a construir a resposta contra o bullying, e não recebê-la de forma pronta. Ou seja, não basta apenas fazer palestras e deixar o assunto solto”, disse. Para o especialista, a matéria deveria ser tratada no âmbito nacional. “A lei federal seria mais abrangente. Mas, na ausência dela, as municipais e estaduais são bem-vindas, desde que não invadam a esfera federal. Punição para bullying, por exemplo, é assunto federal”, afirmou. Adriano Ventura ressalta que, embora seja criada para atender as escolas municipais, as instituições estaduais, federais e particulares poderão aderir às normas da futura lei.

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/05/12/interna_gerais,226982/bh-ganha-lei-para-barrar-o-bullying.shtml

Projeto de lei que proíbe bullying e trotes violentos em BH é aprovado em segundo turno

KARINA ALVES



O projeto de lei que prevê a proibição de bullying e trotes violentos nas escolas da capital foi aprovado em segundo turno na Câmara Municipal de Belo Horizonte nesta quarta-feira (11). O PL 596/09, de autoria do vereador Adriano Ventura (PT), tem o intuito de coibir a violência nas escolas municipais, através de campanhas educativas. Belo Horizonte como segunda capital do país em intimidação nas escolas, atrás apenas de Brasília. Pesquisa do Ibope apontou que 35,3% dos estudantes das escolas mineiras sofreram bullying.

O projeto determina que docentes e a equipe pedagógica das escolas sejam capacitados para realização de palestras, debates e reflexões a respeito da violência escolar. A versão aprovado do PL é uma emenda ao projeto original. As instituições que constatarem casos de bullying deverão preencher uma ficha que será encaminhada à secretaria de educação. O regimento escolar vai definir as ações preventivas, medidas disciplinares e responsabilidades da escola em casos de bullying. A secretaria fica responsável por disponibilizar um serviço de atendimento telefônico para receber denúncias de intimidação e agressão.


Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=118666

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pistola israelense em escola de BH

Por RICARDO VASCONCELOS


Uma arma de fabricação israelense e de uso exclusivo das Forças Armadas Brasileiras foi encontrada na mochila de uma estudante, na manhã de ontem, na Escola Estadual Isabel da Silva Polck, no bairro Palmares, região Nordeste da capital. A pistola de calibre 9mn estava com dois carregadores, cada um, com onze munições. A adolescente de 13 anos foi apreendida em flagrante e encaminhada para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional de Belo Horizonte (Cia-BH).

A própria estudante teria falado da arma para as colegas de sala, que avisaram a professora. "Em princípio, ela não mostrou a pistola. No entanto, preocupadas, as alunas avisaram a professora. Em seguida, a menina foi chamada à direção, onde ficou até a chegada da polícia", explicou o capitão Marcelo Pinheiro, comandante da 3º Companhia da Polícia Militar, responsável pela ocorrência. De acordo com ele, duas motos da Rotam foram acionadas ao local, por volta de 10h30. Os oliciais que participaram da apreensão da pistola ficaram surpresos com o que viram. "É uma arma com alto poder de fogo e estava pronta para ser usada. Nem a gente que trabalha com armamento tem o hábito de encontrar um modelo de pistola como este".

Para os policiais, a estudante teria dito que foi obrigada a guardar a arma por um homem suspeito de assassinato, que mora próximo à casa dela, no aglomerado da Sopa, no bairro São Gabriel, na região Nordeste da capital. A adolescente não revelou o nome do suspeito e também não disse porque seguiu com a pistola para a escola. A reportagem entrou em contato com a escola, mas a diretora estava para a Superintendência de Educação de Minas Gerais e não retornou às ligações.

Outros casos



Mais dois casos de armas em escolas foram registrados recentemente em Belo Horizonte. No dia 22 de março, na Escola Estadual Carlos Drummond, no bairro Jardim Felicidade, um adolescente de 16 anos disparou um tiro dentro do colégio. No dia 17 de maio, na Escola Estadual Maria Amélia Guimarães, no bairro Pirajá, um menino de 15 anos pegou escondido o revólver do pai e levou para a instituição para assustar um colega. A arma disparou acidentalmente. Ninguém ficou ferido.

Poder de fogo é capaz de matar duas vítimas com um só tiro
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O calibre da pistola 9 mn foi criado na Alemanha para ser usado na pistola Parabellum (Luger) e foi adotado pela Marinha e Exército daquele país entre 1904 e 1908. É o calibre de uso da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e das forças armadas de praticamente todos os países do ocidente, inclusive o Brasil. Até poucos anos atrás, o calibre 9 mm era o mais cobiçado entre as armas curtas, e o mito de melhor calibre veio das propagandas de guerra e da tradição das polícias serem originalmente de governos militares que prevaleceram no Brasil. Além do Exército, a Polícia Federal também faz uso da arma. Seu alto poder de destruição permite que um único disparo atinja duas vítimas.

"É uma novidade para todos os policiais que estiveram no local da ocorrência. Apesar da experiência, muitos nunca tinham tido contato com esse modelo de arma", disse o capitão Marcelo Pinheiro, após a apreensão da pistola na mochila da estudante de 13 anos. (RV)

Fonte: Jornal Super Notícias (BH/MG)

Bullying não é nada disso




Por ROSELY SAYÃO*

Há muita gente que não aguenta mais ouvir falar de Bullying. O assunto é tema de reportagens nos jornais diários de todos os tipos, nas revistas semanais, nas prateleiras das livrarias, nas bancas de revistas, na internet etc. Já conseguimos esvaziar o sentido dessa palavra e seu conceito de tanto que a usamos e de tanto fazer associações indevidas com o termo.

Basta um pequeno drama ou uma grande tragédia acontecer, envolvendo jovens, que não demora a aparecer a palavra mágica. Agora, ela serve para quase tudo. Além de banalizar o conceito, o que mais conseguimos com o abuso que temos feito dele? Alarmar os pais com filhos de todas as idades.

Agora, a preocupação número um deles é evitar que o filho sofra o tal Bullying. O filho de quatro anos chega em casa com marca de mordida de um colega? Os pais já pensam em Bullying. A filha reclama de uma colega dizendo que sempre tem de ceder seu brinquedo, ou o filho diz que tem medo de apanhar de um colega de classe? Os pais pensam a mesma coisa.

Alguns deram, por exemplo, de reclamar que a escola que o filho frequenta tem, no mesmo espaço, estudantes de todas as idades e dos vários ciclos escolares. Então agora vamos passar a considerar perniciosa a convivência entre os mais jovens porque há diferença de idade entre eles? Decididamente, isso não é uma boa coisa. As crianças e os jovens aprendem muito, muito mesmo, com o convívio com seus pares mais novos e mais velhos. Ter acesso a alguns segredos da vida adulta pelas palavras de outra criança ou de um adolescente, por exemplo, é muito mais sadio e interessante do que por um adulto. Um exemplo? A sexualidade.

Outro dia ouvi um diálogo maravilhoso entre uma criança de uns dez anos e um adolescente de quase 16. O assunto era namoro. Em um grupo, os mais velhos comentavam suas façanhas beijoqueiras com garotas. A criança "pelo que entendi, ele era irmão de um dos mais velhos" passou a participar da conversa querendo saber detalhes do que ele chamou de beijo de língua e ameaçou começar a também contar suas vantagens.

Logo a turma adolescente reagiu, e um deles falou que ele era muito criança para entrar no assunto. E um outro disse, sem mais nem menos: "Agora você está na idade de ouvir essas coisas e não de fazer, está entendido?". O menor calou-se e ficou prestando a maior atenção à conversa dos maiores, sem intervir. Imaginei a cena se tivesse acontecido com o garoto de dez anos e adultos. Não seria nada difícil que eles dessem atenção ao menino, que quisessem saber e fornecer detalhes a respeito das intimidades que podem acontecer num encontro entre duas pessoas. Muito melhor assim do jeito que foi, não é verdade?

Com a maior simplicidade, o garoto foi colocado em seu lugar de criança e nem se importou com isso, mas, mesmo assim, pôde participar como observador da conversa dos mais velhos. Conflitos, pequenas brigas, disputas constantes acontecem entre crianças e jovens? Claro. Sempre aconteceram e sempre acontecerão.

Mas esses fatos, na proporção em que costumam acontecer, não podem ser nomeados como Bullying. Fazer isso é banalizar o tema, que é sério. Aliás, isso tudo acontece sem ultrapassar os limites das relações civilizadas se há adultos por perto. Essa é nossa questão de sempre, por falar nisso. O verdadeiro Bullying só acontece em situações em que os mais novos se encontram por conta própria, sem a companhia e a tutela de adultos, sem ainda ter condições para tal.

Caro leitor: se você tem filhos, não os prive da companhia de colegas diferentes no comportamento, na idade etc. Esses relacionamentos, mesmo conflituosos, são verdadeiras lições de vida para eles que, assim, aprendem a criar mecanismos de defesa, a avaliar riscos e, principalmente, a reconhecer as situações em que precisam pedir ajuda.

* ROSELY SAYÃO - é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)

Fonte: Folha de São Paulo (SP)

terça-feira, 10 de maio de 2011

NOTÍCIAS...

Rojão explode em pátio de escola e fere cinco alunos em Jundiaí, SP

TVTEM - 10 maio 2011

SÃO PAULO - Um rojão explodiu no pátio de uma escola em Jundiaí e deixou cinco estudantes feridos nesta segunda-feira. Os dois adolescentes que soltaram o rojão foram encaminhados à delegacia de polícia. Um deles alegou que a mãe teria comprado o rojão, cuja venda é proibida para menores de idade. Eles só foram liberados depois que os pais comparecerem à delegacia. Peritos estiveram na escola para averiguar o artefato. Os feridos já receberam alta.


domingo, 8 de maio de 2011

ALUNO ENTREVISTA*

Iniciando uma nova coluna ‒ Aluno entrevista ‒ o Pedagogia Informa abrirá espaço para que um estudante do curso de Pedagogia entreviste um professor.
Para inaugurar a coluna, a aluna Iara Ferreira, do NF IVA, escolheu o profo Lúcio Alves de Barros para ser o primeiro. Confira a entrevista a seguir.

Iara: De início, apresente-se à comunidade acadêmica da FaE, falando de sua formação profissional e de sua atuação acadêmica.
Prof Lúcio: Não tenho muito o que dizer: segui o que foi possível. Minha graduação foi em Ciências Sociais na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), na qual também andei fazendo muitas disciplinas de Filosofia. Lá pesquisei o movimento sindical, educação e trabalho com um grande Professor, Luiz Flávio Rainho. Por sorte, passei no mestrado em sociologia na UFMG e tive a orientação de outro grande professor, Vinicius Caldeira Brant. O doutorado foi em Ciências Humanas: sociologia e política na UFMG. Na graduação e no mestrado pesquisei as relações de trabalho enfocando as questões da educação com a qualificação e o que hoje os acadêmicos chamam de competência. Publiquei um livrinho e depois fui estudar a Polícia Militar e resolvi, com trabalhos etnográficos, ver o problema da violência e da educação. Recentemente eu e a Débora, aluna da FAE, terminamos um relatório e entregamos ao Centro de Pesquisa. Também andei publicando alguns livros de foram organizados por mim como "Mulher Política e sociedade", "Polícia em Movimento" e um de poesias. Dessas experiências, seguramente, o melhor foi conhecer e conviver com certas pessoas. O resto foram acontecimentos da vida.

Iara: O blog Educação Encarcerada (http://nepfhe-educacaoeviolencia.blogspot.com/), desenvolvido por integrantes do NEPFHE (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Filosofia e História da Educação) e vinculado à pesquisa "O MEDO NOSSO DE CADA DIA: da violência entre professores e alunos às escolas fortificadas e desiguais", realizou uma enquete intitulada: O sucesso na segurança pública depende da educação? O resultado foi o seguinte: 93 votos - sim, 16 - não e 6 - não sabe. Em sua opinião, o sucesso na segurança pública depende da educação, por quê?
Prof Lúcio: Eu ainda acredito que a educação, tanto a formal quanto a informal é a saída para todos os infortúnios. Também acho que é a única relação verdadeira que nos divide dos animais e dos "meios humanos" que estão por aí. Os estudiosos do campo da violência gostam de falar que existe uma supervalorização da educação, porque, mesmo com mais escolaridade, assistimos ao aumento da criminalidade. Uma besteira: o problema é que não entendo a educação como algo normativo entre alunos e professores. Educação é postura, é um processo, é condição de caráter. Não sei se me fiz entender, mas educação é mais do que pensam as autoridades e os técnicos do MEC. Quanto à enquete, ela não supreendeu. E devemos olhar com cuidado, porque a meu ver são poucas as respostas. De qualquer forma, entendo que estaríamos melhores se construíssemos mais escolas do que penitenciárias.

Iara: Embora com 93 votos positivos, houve um significativo número de respostas negativas (16). Qual é o seu comentário sobre este resultado?
Prof Lúcio: A questão é simples. Ainda temos pessoas que não acreditam na educação e também aqueles que não acreditam que as duas esferas podem estar relacionadas. O que acho importante nesta questão é ressaltar o papel do agente educador. No campo da segurança pública, ainda mais nos dias de hoje, não vejo como importante o delegado, o promotor, o juiz ou o policial. Ainda vamos sofrer e muito para ver que o ator mais importante dessa história toda é o professor. E aproveito a oportunidade para mencionar que não é possível um professor ter o salário menor do que o de um juiz, um promotor, um delegado ou oficial da polícia. Ou nos colocamos como atores importantes na sociedade ou vamos continuar minimizando o nosso papel e perdendo alunos e alunas para outras esferas de sociabilidade.

Iara: A mídia, em especial os impressos populares e os jornais televisivos, exibe a cada dia um número maior de reportagens tidas como "sangrentas". Em sua opinião, até que ponto essas reportangens podem influenciar a sociedade, sobretudo as crianças, causando o medo e até incitando à própria violência?
Prof Lúcio: Eu não tenho dúvida quanto à interferência da mídia nos mecanismos da criminalidade e da violência. De todo modo, é importante não esquecer que não existe a violência, mas violências, com "s" no final. A mídia trabalha com qualquer coisa. O que é hoje o jornalismo: um bando de gente escondendo a verdade, vendendo o sensacionalismo, o espetáculo e fazendo conchavos com os "donos do poder". Nada mais. A ideia de uma comunicação social, voltada para a democracia, o bem estar da população, como mecanismo de controle e informação, já virou sonho e um monte de dissertação de mestrado e doutorado.

Iara: Ainda sobre a violência, os casos são alarmantes e aumentam cada vez mais dentro do espaço escolar. Como ilustração, temos o filme A onda, uma das indicações do blog, que retrata um professor delegado a dar aulas de autocracia. Para prender a atenção dos alunos, ele propõe um experimento disciplinar prático que os levaria a se sentir dentro de um regime fascista. O experimento toma proporções exageradas a ponto de fugir ao controle do professor. Até onde deve ir a ousadia de um professor para não exagerar na relação com o aluno e acabar promovendo a violência?
Prof Lúcio: Eu entendo aquele filme como uma aula de didática. Infelizmente, é impossível para um professor saber o que passa na cabeça de muitos alunos. Não encontro culpados naquela narrativa. Encontro pessoas com personalidades autoritárias. O filme supervaloriza o papel do professor e não revela, ou pelo menos não deixa clara a relação, que os alunos ainda estão em outras esferas de relações sociais como a família, amigos ‒ por sinal envolvidos em drogas e gangues ‒, esportes e neste mundo virtual no qual as pessoas passam por seres potentes e oniscientes. Mas o importante é frisar que o professor não pode abrir mão do seu poder discricionário. Abrir mão de sua autoridade e dos méritos que conseguiu. Hoje assistimos tudo pelo avesso. Professores apanhando, com medo de sala de aula, sendo processados, frequentando as delegacias, doentes e cansados. Um bom experimento seria aumentar o salário e melhorar as condições de trabalho.

Iara: Mudando um pouco de assunto e, para finalizar a entrevista, na perspectiva dos alunos, a universidade é um espaço de alta rotatividade, ou seja, estudantes entram, estudantes saem. O que fica, ou o que eles deixam?
Prof Lúcio: Eu creio que nossas universidades, principalmente as federais, são da elite. O que fica é a percepção que no aluno privilegiado está materializado a eterna concentração de renda. Os mesmos dos mesmos. A continuidade e o uso de relações pessoais para a manutenção de uma espécie de "feudo do saber". Neste caso, os que ficam e os que partem fazem parte de um jogo sádico e silencioso, no qual todos já sabemos quem será o vencedor. Posso estar sendo pessimista, mas é o que sinto neste momento e, mesmo assim, acho que isso é próprio da cultura brasileira. Logo, estudantes e nós professores ‒ que também somos estudantes ‒ deixamos sempre um pouco de saudade. No entanto, uma saudade que vai perdendo o romantismo quando você se depara com amigos cansados, arrebentados pela vida, maltratados no trabalho e digo amigos porque já tenho muitos ex-alunos que hoje são companheiros de trabalho e os vejo passar pelos mesmos problemas. E quais são esses problemas? Os mesmos de sempre: péssimas condições de trabalho, salários não condizentes para a efetuação de um bom trabalho, salas abarrotadas, notadamente nas faculdades particulares e escolas do estado, pouco tempo para estudar (porque a maioria hoje se desdobra em mais de um local de trabalho), doenças a chegar, reconhecimento a desejar e o eterno sonho de que um dia vamos realmente ‒ com segurança e otimismo ‒ ensinar.



(*) Publicado em: "Pedagogia Informa" ‒ informativo interno da Faculdade de Educação do Campus de Belo Horizonte da UEMG, Belo Horizonte, ano XXVI, n. 215/216, p. 8, abr./maio 2011.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

NA SALA DE AULA...

MÃES DE ALUNOS COBRAM AULAS E PSICÓLOGOS EM REALENGO

por Pedro Dantas - 5 maio 2011

Às vésperas de o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, completar um mês, mães de alunos reclamam da falta de aulas e do precário atendimento psicológico oferecido pela prefeitura. "Os assistentes sociais e psicólogos sumiram. Os pais que não podem pedir transferência já aceitam que o ano letivo foi perdido. Até agora nada de aulas. Levaram as crianças para passear e até trouxeram equipe de funk, mas não falaram nada sobre a retomada do estudo", disse Eliane Ferreira, de 26 anos, mãe de dois adolescentes que presenciaram o ataque. Seus dois filhos foram atendidos por psicólogos apenas uma vez e já foram dispensados de sessões futuras.

A demanda é grande. Segundo psicólogos de uma das clínicas credenciadas para acompanhar os alunos, 200 pessoas, entre alunos e parentes, aguardam o agendamento para as consultas. A prioridade agora é o atendimento de 50 casos de transtorno do estresse pós-traumático, depressão e picos de pressão envolvendo os feridos e parentes das crianças mortas. Alguns destes atendimentos são feitos a domicílio.

Mesmo entre os feridos, o atendimento não foi tão rápido. Carlos Matheus, de 13 anos, ferido no braço e de raspão no peito, só teve sua primeira consulta com uma psicóloga hoje. A sessão durou uma hora e meia. "Acho vai funcionar", disse a mãe, Carla Vilhena. "Ele sempre foi alegre, agitado. Agora quer ficar deitado, não quer muita conversa." Mesmo traumatizado, Carlos pediu à mãe para continuar na escola. Durante toda esta semana, os alunos da Tasso da Silveira assistiram gratuitamente ao filme Rio, em uma promoção do shopping Sulacap, na zona oeste. A sessão de cinema foi tranquila, mas nem sempre os planos de diversão funcionam. Na terça-feira, o som da equipe de funk Furacão 2000 assustou uma aluna. "A menina chegava na escola com o pai e saiu correndo quando ouviu as batidas da música e a gritaria das crianças", contou Eliane.

As mães também reclamaram de outro passeio. Os 50 alunos das salas onde o atirador matou 12 estudantes visitaram o Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, na zona sul. Os alunos do 7º e 8º ano foram ao museu de armas utilizadas pelos soldados na 2ª Guerra Mundial. "Ela já passou por um trauma e ainda levam a menina para ver uma coisa desta?", questionou a empregada doméstica Maria Valéria Barbosa de Faria, de 38 anos. Outras mães são ponderadas nas críticas. "Tudo ainda é muito recente. Algumas mães não entendem que devem procurar os psicólogos na escola e, se for o caso, levar os filhos para as clínicas. Os psicólogos recomendaram os passeios para que as crianças esqueçam, mas algumas mães reclamam. Elas acham que estudar é o melhor para superar", afirmou a vendedora Elizabete Gomes do Nascimento, de 32 anos. Ela diz que o filho Matheus, de 10 anos, tornou-se mais agressivo depois do massacre, mas está sob atendimento psicológico e vem melhorando.

Secretaria

A secretária municipal de Educação, Claudia Costin, esteve hoje na escola para uma reunião com pais e psicólogos. Segundo ela, os passeios com os alunos foram recomendados pelos psicólogos para que as crianças superassem a tragédia e já acabaram. Hoje, algumas turmas, inclusive a 1803, onde três crianças foram mortas, saíram mais cedo. A justificativa foi de que a professora de português acompanhou os alunos na sessão do filme Rio.

Segundo a Secretaria, desde o dia da tragédia, 15 psicólogos já atenderam mais de 380 pessoas, entre elas alunos, professores e familiares envolvidos. Cento e dez atendimentos foram individuais de alunos. Ainda de acordo com a Secretaria, toda a comunidade escolar que solicitar atendimento psicológico será atendida.

Fonte: O Estadão.com

NOTÍCIAS...

Centro universitário expulsa alunas envolvidas em briga em SP

LEANDRO MARTINS DE RIBEIRÃO PRETO - 05 maio 2011


O Centro Universitário Barão de Mauá, de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), decidiu nesta quinta-feira expulsar as duas alunas de enfermagem envolvidas em agressão ocorrida no último dia 1º de abril. Pela decisão da instituição de ensino, tanto a suposta agressora quanto a vítima não poderão mais estudar na Barão de Mauá.

Segundo a assessoria de imprensa do centro universitário, a decisão atingiu as duas alunas porque houve quebra do regimento interno, que prevê desligamento por "casos disciplinares graves". O caso de agressão ocorreu no início do mês passado. À polícia e em entrevistas anteriores à Folha, a universitária Ana Cláudia Karen Lauer, 20, disse que foi agredida depois de ter denunciado à coordenação do curso que sofria bullying.

Nesta quinta-feira, o centro universitário não informou oficialmente os nomes das envolvidas. Diferentemente de Ana Cláudia, a suposta agressora não falou publicamente sobre o assunto. A Folha não conseguiu localizá-la hoje. A família de Ana Cláudia também não quis falar sobre a decisão e preferiu que a advogada que a representa se pronunciasse.

A defensora Ana Letícia Rodrigues da Cunha e Martins disse que a expulsão de sua cliente é injusta. "Há possibilidade de recurso administrativo e a gente vai exercer esse direito", disse. A assessoria da Barão de Mauá informou hoje que não poderia usar o termo "expulsão" sobre a decisão tomada pela reitoria. Afirmou que, como a instituição dá para as alunas a possibilidade de transferência, o caso é de "desligamento". No entanto, para a advogada de Ana Cláudia, trata-se, sim, de expulsão. "Na prática, é uma expulsão compulsória", disse. Segundo a advogada, a estudante vítima das agressões segue em tratamento psicológico e psiquiátrico por causa do fato. O caso também está sendo apurado pela Polícia Civil.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/911978-centro-universitario-expulsa-alunas-envolvidas-em-briga-em-sp.shtml

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A EDUCAÇÃO NO CAMPO DAS VIOLÊNCIA(S)


por Lúcio Alves de Barros*

O episódio acontecido na Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo no oeste do Rio de Janeiro, na qual 12 estudantes foram assassinados reacendeu a discussão acerca da violência nas escolas. Autoridades, diretores, professores e pais estão meio atordoados ou em luto pelo fato de um homem poder entrar e atirar a esmo dentro das salas de aula. O problema é sério e ninguém há de duvidar disso. Até porque, como a mídia anda atenta, aqui e acolá temos notícias de facas e outras armas rondando escolas. Todavia, é necessário pontuar algumas questões:

Em primeiro, é importante evitar o uso e abuso do conceito de violência. Há tempos os estudiosos do assunto tem chamado atenção para a utilização adequada do termo “violências”, em destaque o “s” no final. A ideia é ressaltar que não existe um só tipo, perfil ou face da relação que constrange e modifica toda química corporal do outro. Como fato social normal, em certos casos a violência é mesmo necessária, crucial e, por vezes obrigatória.

Em segundo, é bom deixar evidente que em relação à violência na educação, me parece óbvio apontar que no mínimo três relações de violências estão presentes no cotidiano escolar: (1) “a violência intramuros”, notadamente aquela que se desenrola no interior da escola entre professores, alunos e funcionários, (2) “a violência fora dos muros da instituição”, especialmente os casos de conflitos, crimes e tráficos que sabemos que hoje rondam os muros das escolas em busca da presa frágil e ingênua e (3) “a violência contra a escola”, um fenômeno antigo e fácil de verificar quando tornou-se normal aos olhos do senso comum ver escolas depredadas, castigadas pelo tempo, pichadas, arrebentadas, maltratas, sujas, esquecidas pela comunidade, pelas autoridades e, não poucas vezes, vítimas de roubos e acontecimentos inesperados.

Creio que para muitos desatentos essas questões podem passar despercebidas e, mesmo quando são lembradas, rapidamente, de acordo com a cultura que se forjou no local passam a ser banalizadas, esquecidas e aceitas naturalmente. Enquanto o problema bater somente na casa do vizinho, poucos vão se mobilizar no intuito de modificar esse quadro.

No caminho da problemática das violências, é bom apontar também para a diferença da violência que ocorre nas escolas públicas e nas escolas do setor privado. Nas primeiras, alunos e professores se acostumaram com a violência difusa, a ansiedade sempre presente e os problemas familiares que não demoram muito a explodir na cara do professor. Obviamente não é possível generalizar, ainda existem escolas públicas bem cuidadas e que estão longe das que andam acompanhadas do medo e da incerteza. Contudo, é preciso apontar para o grande número de alunos em sala, os baixos salários dos professores, as péssimas condições de trabalho que, na visão de boa parte dos docentes, não deixa de ser uma espécie de “violência simbólica”. No que se refere às instituições privadas, a coisa parece diferente. O aluno agressivo, ou “com problemas” tende a receber uma maior atenção. O cuidado dos diretores e supervisores é óbvio, nada como cuidar do capital, mas o efeito parece ser interessante e um ponto importante de prevenção. Em tais escolas ainda não vemos muitos muros pichados, mas são mais do que perceptíveis as várias câmeras e os seguranças de plantão. Devido a seletividade financeira, tudo indica que a elite sabe cuidar melhor das instituições que ela paga.

Curioso, pois os argumentos servem aqui e ali para as instituições de curso superior. Pequenas são as diferenças, como casos de alunos que chamam professores para a “porrada” (é essa mesma a palavra) ou que levam armas para a faculdade que está cheia de colegas que adoram utilizar o famoso chavão “estou pagando”. Estes episódios, na maioria silenciados na direção têm causado vítimas. Professores andam apanhando, adoecendo, morrendo e os sindicatos começam a se mobilizar - na base da denúncia anônima - para tentar barrar a onda de agressividade desmedida que raramente não resulta em criminalidade. É bom ressaltar que as universidade públicas parecem ainda ilhas de excelência neste campo, não que inexistam casos e mais casos, principalmente entre alunos. Também vemos a prática ostensiva das pichações, mas nada que manche por inteiro a imagem que vive com boa parte do erário público e respaldada por uma elite sedenta de um ensino com qualidade.

Finalmente, cumpre lembrar que o conceito de violência não é o mesmo que o de crime. Os meios de comunicação tendem a não diferenciar os conceitos chegando mesmo a criar uma confusão na cabeça das pessoas. De qualquer modo, todo cuidado é pouco. Diferenciar os acontecimentos é bom, pois evita equívocos, lideranças sem fundamento, bancadas e discursos políticos, paranoia, pânico, gastos desnecessários de recursos, reuniões sem qualidade, comissões sem funcionalidade e muitas palavras que, utilizadas e jogadas ao vento como se fossem verdades absolutas podem atingir subjetividades inocentes e, por ressonância, cansaço e desmotivação. Dois sentimentos que tiram da guarita pessoas que poderiam estar ajudando na prevenção e na ostensiva e necessária segurança nossa de cada dia.

*- Doutor em Ciências Humanas pela UFMG e professor da FAE (Faculdade de Educação) da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais) em Belo Horizonte (MG).

quarta-feira, 4 de maio de 2011

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Cabo da Polícia Militar teria agredido professora de Direito em sala de aula


por Antero Gomes

RIO - A advogada e professora de Direito Civil da Unisuam de Campo Grande Sylvia Fairbanks, de 29 anos, diz ter sido agredida por um aluno, em sala de aula, na última quinta-feira. O estudante universitário é um cabo da Polícia Militar, que está no segundo período de Direito. Segundo a professora, depois de flagrar o policial com cola, durante uma prova, seguiu-se uma discussão entre os dois. O aluno teria, então, agredido Sylvia com um soco na face esquerda.

- Alunos disseram que ele estava armado. Não vi arma, mas, em determinado momento, ele baixou um pouco a calça e fez um gesto de quem iria puxar a arma. Quero justiça. O aluno deveria ser expulso - diz Sylvia, que não obteve, até esta terça-feira, uma posição da instituição, onde dá aulas há dois anos.

Sylvia foi retirada de sala de aula por uma assistente, e levada para uma outra sala. Nesse meio-tempo, segundo ela, o estudante fugiu. A professora foi até a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam-Oeste) de Campo Grande registrar a agressão. De lá, foi encaminhada ao Hospital Rocha Faria, onde, segundo ela, os médicos comprovaram a lesão no rosto.

- Fui até o IML para concluir o processo - diz ela, que, nesta terça-feira, ainda estava com o rosto inchado.

Sylvia contou que, antes de começar a prova, pediu a todos os alunos que retirassem de dentro do livro de Código Civil - usado como consulta no teste - eventuais "colas". O PM não teria obedecido e Sylvia retirou o livro da mesa dele, proibindo a consulta.

- Ele disse: "Essa p... não funciona assim, não. Se você não me devolver o Código, você vai ver o que vai te acontecer". Eu pedi respeito, mas ele partiu para cima, para retirar o livro das minhas mãos. Como resisti, ele me deu um soco - conta.

Sylvia registrou a ocorrência na Corregedoria Geral Unificada (CGU) e na 2ª Delegacia de Polícia da Justiça Militar (DPJM). O EXTRA não conseguiu falar com a Unisuam. A Polícia Militar falou que não se pronunciaria na terça-feira.

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/05/04/cabo-da-policia-militar-teria-agredido-professora-de-direito-em-sala-de-aula-924381498

''BULLYING'': Saúde? Educação?

''Bullying'' confunde áreas de saúde e Educação



03 maio 2011

As consequências do assédio moral e físico sofrido por crianças e adolescentes dentro de escolas públicas e privadas - também conhecido pelo termo inglês bullying - já extrapolam os limites da Educação e avançam rapidamente sobre os setores de saúde, assistência social e segurança, mas o país ainda engatinha na formulação de políticas públicas de combate ao problema.

O bullying já envolve cerca de 30% dos estudantes brasileiros, de acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense/IBGE 2009), e a falta de sintonia entre as áreas de saúde e Educação para lidar com a questão é tida como preocupante. Em geral, governos têm pouca informação sobre o assunto, entre médicos e psicólogos há divergências se o bullying é um problema de saúde ou não, o padrão de diagnóstico e tratamento no sistema de saúde não é claro e especialistas avaliam que educadores e funcionários de escolas precisam de melhor formação para identificar e restringir a prática.

O coordenador de saúde mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori, admite que o país "está apagando fogo" no enfrentamento do bullying. "A verdade é que as políticas públicas não estão estruturadas." Segundo ele, o governo federal prepara para o fim do semestre uma ação nacional de treinamento de profissionais de saúde focada em abuso e violência entre crianças.

"É necessário aumentar a consciência para resolver ou minorar danos causados por fenômenos como o bullying. Começamos a nos reunir com especialistas da área infantil para propor uma inflexão na política de assistência de saúde mental a crianças e adolescentes", acrescenta Tykanori. Embora acreditem que os principais espaços para trabalhar a prevenção e a redução do bullying sejam a escola e a família, especialistas consideram grave o distanciamento da área de saúde do problema, uma vez que os males decorrentes dos assédios se manifestam em forma de patologias físicas e mentais.

É comum estudantes que sofrem abusos reclamarem de mal-estar ou febre, principalmente na hora de ir para a escola, e também há casos de depressão e surtos de agressividade. "Os pais não levam a criança no médico porque ela está sendo alvo de bullying, mas problemas decorrentes do ato acabam demandando serviços de saúde e cabe ao profissional do setor conhecê-lo para fazer o diagnóstico. O ideal seria orientar os pais e até entrar em contato com a escola", explica o médico-pediatra Aramis Lopes, especialista em bullying e dirigente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

"Infelizmente, esse profissional de saúde, na rede pública e privada, não tem consciência para o caso. O bullying não passa na cabeça, principalmente do pediatra", diz. Uma incompreensão generalizada sobre a responsabilidade pelo combate aos problemas derivados do bullying entre Educação e saúde e entre as três esferas de governo também prejudica a consolidação de políticas públicas.

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que tratar casos de bullying é atribuição do serviço municipal de saúde, onde estão estruturados os Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Em Brasília, cujo índice de assédio escolar é o mais alto do país (35,6%), segundo a pesquisa do IBGE, a área de saúde disse que o bullying está relacionado à Educação, pois são "atitudes que referem-se mais a situações comportamentais do que a distúrbios relacionados à saúde".

A psicoterapeuta Maria Tereza Maldonado, autora do livro "Bullying e cyberbullying: o que fazemos com o que fazem conosco", observa que muitas leis estaduais e municipais estão em processo de elaboração, mas se concentram apenas no âmbito da Educação. "Parceria Educação-saúde praticamente não há. Quanto à responsabilização, infelizmente a regra é geral, não só para o bullying. Até hoje não sei se o mosquito da dengue é federal, estadual ou municipal, falta integrar ações", ilustra.

A psiquiatra especializada em criança e adolescente Maria Motta Palma, da área de saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, diz que o serviço da prefeitura está preparado para atender a todos os quadros, embora não haja uma especialização em bullying. "Não dividimos nosso trabalho. O atendimento é individual. Se a criança tiver um problema relacionado à Educação, conversamos com a escola e a família, não atendemos por diagnóstico."

Maria Motta conta que recentemente foi iniciado um projeto-piloto entre saúde e Educaçãoenvolvendo um Caps e duas escolas públicas na periferia da capital paulista. "Nossos profissionais visitam as escolas, capacitam professores e fazem intervenções simples para identificar crianças em situação de vulnerabilidade. Política pública para o bullying passa pela escola, cuidamos da consequência. Se a escola identifica o problema e leva caso discutido fica mais fácil, senão fica tudo em cima da saúde."

De acordo com Roberto Tykanori, do Ministério da Saúde, a expansão da rede dos Caps, administrados pelos municípios dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), faz parte do esforço governamental que está em discussão para ampliar a assistência mental no país, incluindo casos de bullying. Entre 2002 e 2010, o número de Caps no país saltou de 32 para 1.624, mas apenas 128 são especializados em crianças e adolescentes.

"A expansão deve continuar, mas com pontos de foco. Se disser que temos tudo detalhado vou estar mentindo. Estamos discutindo um plano estruturante, o que implicará inflexões no modo como a criança é acolhida no sistema e como ela é olhada na escola", diz Tykanori. Em Curitiba, onde 34% dos estudantes que participaram da pesquisa do IBGE responderam ter sido vítimas de algum tipo de violência na escola, a Secretaria Municipal de Saúde criou um programa chamado "Adolescente Saudável". A princípio a abordagem da ação era o consumo de álcool e drogas e sexualidade, mas recentemente o tema bullying começou a ser discutido.

"Colocamos o jovem como protagonista no seu ambiente. Recentemente algumas escolas organizaram peças de teatro destacando o bullying como tema, uma ação que é multiplicada para várias outras escolas, como participação da área de saúde,Educação e assistência social da prefeitura", destaca Luciana Elisabete Savaris, da prefeitura de Curitiba. Em Belo Horizonte, o tema violência escolar está na agenda da área educacional desde 1999. Em 2004, a Secretaria de Educação organizou um seminário específico sobre bullying para os servidores municipais.

De lá para cá, Ismayr Sérgio, gerente de coordenação dos projetos especiais da secretaria, diz que as ações para identificar e reduzir o problema se concentram na qualificação profissional, do porteiro ao diretor da escola. "Treinamos 10 mil na Educação. Agora estamos na primeira etapa do treinamento de guardas municipais que fazem a ronda escolar. O grande desafio é multiplicar isso para as famílias e outras áreas, como saúde", conta Sérgio.

Fonte: Valor Econômico (SP)

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Jovem armado provoca pânico em escola no AM


por Paula Litaiff *

MANAUS. Quase um mês depois da tragédia de Realengo, um adolescente de 15 anos invadiu uma sala de aula armado com pistola de uso exclusivo das Forças Armadas e ameaçou matar um colega de 17 anos, na Escola Estadual Josué Cláudio Souza, em Manaus (AM). A ação causou pânico e correria entre mais de 500 alunos que estavam na escola. Policiais militares foram chamados por alunos e conseguiram deter o estudante. Segundo a PM, o adolescente portava uma pistola calibre 40 e 15 projéteis. Uma menina de 16 anos disse que o garoto aproveitou o momento do intervalo e apontou a arma para a cabeça do colega.

- Todos saíram desesperados da sala com medo de acontecer a mesma coisa que tinha acontecido na escola do Rio de Janeiro - relatou a estudante, referindo-se à tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, mês passado: 12 crianças foram assassinadas por um ex-aluno.

Ela disse que todos os estudantes que estavam na sala e presenciaram a ação correram para o boxe da PM que fica próximo ao local e pediram ajuda. A PM informou que a arma que o garoto carregava estava engatilhada (pronta para o disparo), e ele chegou a apontá-la para a cabeça do outro menino. Só não atirou porque o colega conseguiu dominá-lo, tirando-lhe a pistola. Em depoimento, o menino disse que ameaçou matar o colega porque o garoto estava assediando a namorada dele desde o mês passado. Questionado como conseguiu a pistola, o menino informou que a encontrou na casa de um vizinho.

* Especial para O Globo / Fonte: O Globo (RJ)

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Aluna leva faca para matar coordenadora

Segundo a polícia, a garota disse que tinha intenção de matar uma coordenadora de ensino que a havia impedido de entrar no colégio por estar com uniforme incompleto. Uma estudante de 14 anos foi apreendida após invadir o Colégio Batista, escola particular da Vila Mariana (zona sul de SP), ontem. Ela estava armada com duas facas. Segundo a polícia, a garota disse que tinha intenção de matar uma coordenadora de ensino que a havia impedido de entrar no colégio por estar com uniforme incompleto. A reportagem não conseguiu contatar um responsável pela escola.

Fonte: Folha de São Paulo (SP)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

CONSTRUÇÃO DA ESCOLA INFLUENCIA APRENDIZADO

Planejamento dos espaços deve levar em conta as características da comunidade

A correlação é imediata: quando se pensa em sala de aula, logo vem à mente um cômodo retangular, com carteiras dispostas em filas e a mesa do professor à frente. Exceto por uma ou outra experiência "alternativa", o modelo com séculos de uso é o que impera, tanto em escolas públicas como nas salas de aula da rede privada.

"Essa disposição facilita ao professor manter a ordem e o silêncio, mas não é o melhor para o aprendizado, não estimula a criatividade. Se você passa o tempo todo olhando para a nuca de seu colega, já não o valoriza", diz a arquiteta Doris Kowaltowski.

Professora da Universidade de Campinas (Unicamp), Doris acaba de lançar o livro Arquitetura escolar: o projeto do ambiente de ensino, com o objetivo de mostrar que a formação do aluno depende não apenas do professor e do material didático, mas também do espaço que frequenta. A lista de locais transcende os metros quadrados da sala de aula. Um projeto arquitetônico escolar deve levar em conta do projeto paisagístico à altura do mobiliário adequada para cada faixa etária.

Em uma pesquisa realizada com estudantes em fase de alfabetização de escolas públicas de Campinas, a autora pediu que as crianças desenhassem o que gostariam que houvesse no lugar em que estudam. O resultado mostrou que a maior parte das meninas gostaria que a escola tivesse parquinho e os meninos, campo de futebol. Foram raros os desenhos que mostraram um globo ou uma estante de livros.

"Os alunos não pedem uma biblioteca porque é algo que não lhes parece atraente. Pelo que eles conhecem de biblioteca, não conseguem imaginar que pode ser um espaço bonito e aconchegante, com poltronas confortáveis, por exemplo." Não há, porém, uma fórmula pronta. Pelo contrário. Uma das peculiaridades de um projeto arquitetônico escolar é que ele não deve obedecer a um formato padrão. A construção precisa levar em consideração as características físicas e sociais do entorno do ambiente.

"Cada comunidade tem os seus próprios valores. Uma escola vai ser mais bem aceita e bem cuidada à medida em que a população é inserida", explica Doris. "Uma boa estratégia para facilitar esse convívio é apresentar uma maquete do projeto e ouvir o que os futuros usuários têm a dizer." Foi o que ocorreu na favela Maracanã, que tem cerca de 6 mil habitantes e fica na zona sul de São Paulo. Por lá, a construção de uma creche foi resposta a um pedido antigo, feito há 20 anos pela população.

Mas os moradores só se sentiram envolvidos após serem convidados a participar da construção. O mestre de obras era da comunidade e, no início, voluntários da região ajudaram em tarefas como construir a laje. Inaugurada neste ano, atende a 64 crianças.

Na prática, no entanto, a construção de um ambiente ideal de aprendizado extrapola a planilha do arquiteto e esbarra em obstáculos antigos e complexos.

Na dissertação de mestrado que defendeu no ano passado na Unicamp, a arquiteta Marcella Deliberador entrevistou 44 escritórios de arquitetura que prestam serviço à Fundação de Desenvolvimento da Educação, órgão da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo que é responsável pela construção e reforma dos ambientes escolares. Entre os problemas apontados pelos arquitetos, a topografia foi o pior. "Muitas vezes, o terreno da escola é o pior do loteamento."

A creche da favela Maracanã, por exemplo, fica em uma área irregular e, por isso, a construção precisou desconsiderar algumas diretrizes. "A orientação é para que as escolas sejam térreas e tenham entrada de veículos em duas ruas", explica o arquiteto Adriano Bechara, que coordenou o projeto. "Mas o terreno era pequeno demais para não construir um nível superior e, no meio da favela, não passa nem carro. Para que faríamos duas entradas de veículo?", argumenta.

Se nas escolas públicas o terreno não favorece, no caso dos colégios privados a questão é convencer o dono sobre a importância das áreas livres, diz o arquiteto Vinicius Andrade, do escritório Andrade Morettin.

"Em muitas particulares, tudo segue a lógica do lucro. Se o terreno é na área nobre, o proprietário quer aproveitar todo cantinho. Daí, capricha na estética, que fica arrojada, mas por dentro continua apertada e, pior, inacessível, com muitas escadas.

Reformar as escolas antigas para atender aos deficientes físicos é outro desafio da arquitetura. "Adequar é mais difícil que construir uma nova. Não é só fazer uma rampa aqui, outra escada ali", diz Pedro Amando de Barros, do escritório Apiacás, responsável pela reforma da escola Caetano de Campos, no bairro da Consolação.

As obras começaram no ano passado e estão em curso, obedecendo a um cronograma que tem de respeitar a rotina dos alunos. "É preciso prever as etapas e deixar para o período de férias as intervenções mais substanciais".

AS MODIFICAÇÕES ARQUITETÔNICAS

- Império: Padrão pedagógico e arquitetônico voltado para a Educação religiosa. A escola funcionava na casa do professor ou em paróquias.

- Primeira República (1890-1920): A maioria dos edifícios ficava em áreas contíguas às praças. Os prédios eram imponentes, com pé-direito alto e imensas escadarias.

- De 1921 a 1959: A semana de arte moderna e a revolução de 1930 influenciaram a arquitetura. Os edifícios deixaram de ser compactos, e as construção passaram a ser de concreto armado, com grandes corredores.

- De 1960 a 1990: A demanda escolar aumentou, e o sistema de construção foi simplificado. As salas eram distribuídas num grande corredor com paredes de alvenaria e teto de laje pré-moldada.

- De 1990 a 2010: A arquitetura é bastante padronizada. Em São Paulo, predomina a edificação de três pavimentos. Os projetos incorporam a quadra de esportes coberta, que facilita o uso do espaço nos fins de semana pela comunidade.

Fonte: O Estado de São Paulo (SP)