sábado, 31 de março de 2012

Lei Seca e educação

Homenagem

Justiça julga legal greve dos professores da rede infantil e mantém movimento

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou liminar buscada pelo município de Belo Horizonte para declarar ilegal a greve dos professores das Unidades Municipais de Educação Infantil (Umeis), promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sindrede-BH). Com isso, a greve dos educadores pode ser mantida, na capital mineira, sem qualquer penalidade para a categoria.
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A decisão é do desembargador Maurício Barros, da 6ª Câmara Cível, que analisou o pedido nessa quinta-feira (29). Para ele, o sindicato tem observado os requisitos necessários para a deflagração do movimento grevista, entre eles, a comunicação com antecedência mínima de 72 horas ao Poder Público.
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O município alega que até o deflagramento da greve não foi promovida qualquer tentativa de conciliação. Afirma que, em razão de os servidores exercerem funções elementares de educação pública, a greve vem causando prejuízos irreparáveis às crianças e às famílias. Ainda, segundo o município, devido à essencialidade específica do serviço de educação infantil, por ser direcionado a crianças de zero a cinco anos e oito meses, o movimento grevista deve ser declarado ilegal. O município solicitou a fixação de uma multa diária de R$ 100 mil caso os servidores não voltassem ao trabalho.
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O desembargador Maurício Barros argumentou que, neste momento, somente poderia analisar se estão presentes os requisitos autorizadores da concessão da liminar, sem poder discutir questões que envolvam o mérito da ação. De acordo com o magistrado, o sindicato informou antecipadamente todas as suas ações: a marcação da assembleia para sinalização de greve e da que realmente decidiu pela deflagração do movimento de paralisação, não havendo, assim, a ilegalidade apontada pelo município.
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Fonte: O Tempo (MG)

sexta-feira, 23 de março de 2012

A felicidade humana não está em maximizar, mas em otimizar a vida

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Por Leonardo Boff (teólogo e escritor)
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No ponto de saturação, o efeito é o vazio existencial
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Há uma ética subjacente à cultura produtivista e consumista, hoje vastamente em crise por causa da pegada ecológica do planeta Terra, cujos limites foram ultrapassados em 30%. Nunca mais vamos ter a abundância de bens e serviços como até há pouco tempo dispúnhamos. A Terra precisa de um ano e meio para repor o que lhe extraímos durante um ano. E não parece que a fúria consumista esteja diminuindo. Pelo contrário, o sistema vigente, para salvar-se, incentiva mais e mais o consumo que, por sua vez, requer mais e mais produção, que acaba estressando ainda mais todos os ecossistemas e o planeta como um todo.
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A ética que preside esse modo de viver é a da maximização de tudo o que fazemos: maximizar a construção de fábricas, de estradas, de carros, de combustíveis, de computadores, de celulares; maximizar programas de entretenimento, novelas, cursos, reciclagens, produção intelectual e científica. A roda da produção não pode parar, caso contrário, ocorre um colapso no consumo e nos empregos. No fundo, é sempre mais do mesmo e sem o sentido dos limites suportáveis pela natureza.
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Imitando Nietzsche, perguntamos: quanto de maximização aguenta o estômago físico e espiritual humano? Chega-se a um ponto de saturação e o efeito direto é o vazio existencial. Descobre-se que a felicidade humana não está em maximizar, nem engordar a conta bancária, nem o número dos bens na cesta de produtos consumíveis. O fato é que o ser humano possui outras fomes: de comunicação, de solidariedade, de amor, de transcendência, entre outras.
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Essas, por sua natureza, são insaciáveis, pois podem crescer e se diversificar indefinidamente. Nelas se esconde o segredo da felicidade. Mas nas palavras do filósofo Ludwig Wittgenstein, citando santo Agostinho, "tivemos que construir caminhos tormentosos pelos quais fomos obrigados a caminhar com multiplicadas canseiras e sofrimentos, impostos aos filhos e filhas de Adão e Eva" para chegar a essa tão buscada felicidade.
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Logicamente, precisamos de certa quantidade de alimentos para sustentar a vida. Mas alimentos excessivos, maximizados, causam obesidade e doenças. Os países ricos maximizaram de tal maneira a oferta de meios de vida e a infraestrutura material que dizimaram suas florestas (a Europa só possui 0,1% de suas florestas originais), destruíram ecossistemas e grande parte da biodiversidade, além de gestar perversas desigualdades entre ricos e pobres.
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Devemos caminhar na direção de uma ética diferente, a da otimização. Ela se funda numa concepção sistêmica da natureza e da vida. Todos os sistemas vivos procuram otimizar as relações que sustentam a vida. O sistema busca um equilíbrio dinâmico, aproveitando todos os ingredientes da natureza, sem produzir lixo, otimizando a qualidade e inserindo a todos. Na esfera humana, essa otimização pressupõe o sentido de autolimitação e a busca da justa medida. A base material sóbria e decente possibilita o desenvolvimento de algo não material que são os bens do espírito, como a solidariedade para com os mais vulneráveis, a compaixão, o amor que desfaz os mecanismos de agressividade, supera os preconceitos e não permite que as diferenças sejam tratadas como desigualdades.
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Talvez a crise atual do capital material, sempre limitado, nos enseje viver a partir do capital humano e espiritual, sempre ilimitado e aberto a novas expressões. Ele nos possibilita ter experiências espirituais de celebração do mistério da existência e de gratidão pelo nosso lugar no conjunto dos seres. Com isso, maximizamos nossas potencialidades latentes, aquelas que guardam o segredo da plenitude tão ansiada.
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Fonte: O Tempo (MG)

Ciclo de palestras sobre jovens tem início em escola do Recife

Programa "Escola para Pais e Filhos" tem primeira edição na Iputinga. Serão discutidos temas como alcoolismo, drogas e bullying.
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Fonte: G1.
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A partir desta sexta-feira (23), a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer (Seel), inicia um ciclo de palestras com debates sobre prevenção do alcoolismo, outras drogas e assuntos relacionados aos jovens estudantes. A primeira discussão acontece para os pais de alunos da Escola Municipal da Iputinga, na Zona Oeste do Recife, a partir das 14h. O evento faz parte do programa “Escola para Pais e Filhos”.
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O debate vai acontecer no auditório da 3ª Vara da Infância e da Juventude, no bairro da Boa Vista, no centro da capital pernambucana, com cerca de cinquenta pessoas. Na próxima sexta-feira (30), haverá o debate com os estudantes da mesma escola, no Centro de Formação de Educadores Professor Paulo Freire, na Madalena. A Seel prevê que aconteçam pelo menos dezoito encontros como esses em 2012.
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Os temas discutidos levam em consideração o ambiente familiar e escolar e aborda questões como o alcoolismo, drogas, além de agressividade, bullying, prevenção do abuso e exploração sexual. Este será o primeiro ano em que os estudantes também irão participar das discussões. Até o ano passado, o projeto chamava-se “Escola para Pais”. Por solicitação das mães, que consideraram os temas abordados importantes também para os filhos, as palestras foram ampliadas para os jovens.
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Fonte: Todos pela Educação

Uniforme inteligente entrega aluno que cabula aula na Bahia

Pore Natália Cancian (22 de março de 2012)
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Desde o início da semana, alunos da rede municipal de Vitória da Conquista, na Bahia, não vão mais poder cabular aulas. Um "uniforme inteligente" vai contar aos pais se os alunos chegaram à escola --ou "dedurar" se eles não passaram do portão.
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O sistema, baseado em rádio-frequência, funciona por meio de um minichip instalado na camiseta do novo uniforme, que começou a ser distribuído para 20 mil estudantes na segunda-feira. Funciona assim: no momento em que os alunos entram na escola, um sensor instalado na portaria detecta o chip e envia um SMS aos pais avisando sobre a entrada na instituição.
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Se, em 20 minutos após o início da aula, o aluno não passar por lá, o aviso muda de tom e os pais recebem a frase: "Seu filho ainda não chegou na escola".

Divulgação/Prefeitura de Vitória da Conquista
Aluna com novo uniforme de escola municipal em Vitória da Conquista (BA), que avisa pais sobre frequência
Aluna com novo uniforme de escola municipal em Vitória da Conquista (BA),
que avisa pais sobre frequência
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Segundo o secretário municipal de Educação, Coriolano Moraes, a ideia é manter os pais informados sobre a frequência dos alunos.
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"Percebemos que muitos pais deixavam os alunos na escola, mas logo saíam correndo para o trabalho e não viam se eles entravam", afirma. "Depois, quando chamávamos para uma reunião, eles ficavam surpresos com o número de faltas dos filhos."
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Agora, a cada três faltas, os pais vão ser chamados à escola para justificar a ausência. Caso eles não compareçam, a instituição pode avisar o Conselho Tutelar e o Ministério Público. Em uma parte dos uniformes, o equipamento fica escondido no brasão da escola. Em outra, fica na manga, camuflado no meio da frase de Paulo Freire: "A educação não transforma o mundo. A educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo".
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A distribuição, segundo Moraes, tem o objetivo de evitar que os alunos descubram um jeito de burlar o sistema --o que, diz ele, é praticamente "impossível" devido a um sistema de segurança do chip.
Ele também diz que a tecnologia é resistente. "Pode lavar, passar e dobrar", diz.
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Ao todo, o valor investido foi de R$ 1,2 milhão. A estimativa é que o sistema funcione para os primeiros 20 mil alunos em até 15 dias. A metade restante deve ser contemplada até 2013.
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Fonte: Folha de Sâo Paulo

SEC define medidas após suposta homofobia

22 de março de 2012
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A suspeita de que um adolescente homossexual teria sido agredido por colegas de Escola em Santo Ângelo levou ao município o coordenador estadual do Comitê de Prevenção à Violência nas Escolas, ligado à Secretaria Estadual da Educação. Alejandro Jelvez se reuniu com representantes de Polícia Civil, Ministério Público e Conselho Tutelar para definir como cada órgão encaminhará o esclarecimento do fato.
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Outra reunião foi realizada com direção, coordenadores pedagógicos e integrantes do conselho Escolar, formado por pais de alunos, do Colégio Estadual Onofre Pires, onde o garoto estudava.
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– Tanto a Escola quanto a Secretaria Estadual da Educação reafirmam o respeito à diversidade e orientação sexual. Isso continuará sendo abordado em sala de aula – afirma Jelvez.
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Outra preocupação, segundo o coordenador, é respeitar os direitos dos adolescentes envolvidos, tanto a vítima quanto o suposto agressor e preservá-los, depois da repercussão que o episódio ganhou. Os pais dos dois também foram ouvidos. Está previsto ainda ouvir os professores que testemunharam situações de discriminação e preconceito contra o garoto.
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Cursos sobre mediação de conflitos no ambiente Escolar serão oferecidos a partir de abril. Além disso, seminários com o tema Rio Grande sem Homofobia serão promovidos. Aos adolescentes e suas famílias, será garantido atendimento psicológico, segundo Jelvez. De acordo com a delegada Elaine da Silva, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, as investigações devem ser concluídas em 30 dias e remetidas ao Ministério Público.
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Fonte: Zero Hora (RS), Todos pela Eduicação

quinta-feira, 22 de março de 2012

Escolas do Medo

Ministro francês confirma morte de suspeito em Toulouse

O ministro francês do Interior, Claude Guéant, confirmou nesta quinta-feira a morte de Mohammed Merah, 23, suspeito por sete mortes na região de Toulouse, quatro delas em uma escola judaica, onde morreram três crianças. Ele morreu após resistir durante a invasão das forças especiais da polícia francesa, pondo fim a um cerco que durou mais de 30 horas.
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"No momento em que enviamos uma câmera de vídeo ao banheiro [onde Merah estava escondido], o assassinou saiu e começou a disparar com extrema violência", explicou Gueánt aos jornalistas, conforme relato da Reuters. "No final, Mohamed Merah se atirou pela janela com uma pistola enquanto continuava disparando. Depois, encontramos o corpo morto no chão". Merah, um francês de origem argelina que alega ter ligações com Al Qaeda, estava sitiado em seu apartamento há mais de 30 horas. Nesta manhã, uma força de elite da polícia francesa entrou na residência, quando foram ouvidos disparos.
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Gueánt também confirmou que três policiais foram feridos na operação, sendo um gravemente. Merah, segundo o ministro francês, teria declarado preferir morrer "de armas na mão".
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Associated Press
Vídeo em local não-divulgado mostra suposto atirador de Toulouse, Mohamed Merah
Vídeo em local não-divulgado mostra suposto atirador de Toulouse, Mohamed Merah
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O assalto começou às 11h 30 (7h30 em Brasília), após várias horas de negociação com o assassino confesso de três militares, três crianças de origem judaica e o pai de uma deles em Toulose e na cidade vizinha de Montauban.
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CERCO
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Por volta das 21h (18h em Brasília) de ontem, a luz do bairro foi cortada. O ministro Géant havia declarado que o suspeito tinha afirmado aos negociadores que pensava em se "entregar em breve". O acusado afirma que se recusou a fazer um ataque suicida, de acordo com Géant. Segundo ele, Merah diz ter recebido instruções da Al Qaeda durante estadia no Paquistão, e foi levantada a possibilidade de uma ação suicida, proposta que teria sido rejeitada.
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Editoria de Arte/Folhapress
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Merah é suspeito de matar três crianças e um professor em uma escola judaica na última segunda-feira. Em outros dois ataques na semana passada, ele teria atirado contra três soldados em Montauban, próximo a Toulouse, que também morreram. Nascido em 10 de outubro de 1988 em Toulouse, ele é francês de origem argelina e possui antecedentes criminais. O suposto atirador esteve no Paquistão e no Afeganistão e se declara jihadista da Al Qaeda.
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A FRANÇA 'DE JOELHOS'
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Merah prometeu se render por várias vezes ontem, enquanto a Raid (unidade de elite da polícia) realizou "várias tentativas de entrar" no apartamento de Toulouse, mas a cada tentativa era atacada a tiros, conforme relatou o procurador de Paris, François Molins. Ainda segundo Molins, nas conversas com os policiais, o suspeito "não manifesta arrependimento algum", a não ser por "não ter feito mais vítimas", e se vangloria de ter "colocado a França de joelhos". Merah pretendia assassinar "dois membros da polícia, particularmente conhecidos na comunidade" de Toulouse, assim como um militar nesta quarta-feira, disse ainda o procurador.
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MAIS ATAQUES - Ontem mais cedo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou a representantes da comunidade judaica que o suspeito pretendia executar um novo ataque. Nicole Yardeni, delegada local do Crif (Conselho Representativo de Instituições Judaicas), afirmou que Sarkozy fez a revelação durante uma reunião com representantes das comunidades religiosas em Pérignon, perto do local onde o suspeito está cercado pela polícia. "Ele tinha um plano para matar na manhã desta quarta-feira", disse Yardeni. Fontes policiais informaram, um pouco antes, que haviam encontrado explosivos no carro de um dos irmãos de Mohamed Merah, 23, o suspeito dos assassinatos em Toulouse.

Fonte: Folha de São Paulo

quarta-feira, 21 de março de 2012

Comissão do Senado aprova projeto contra bullying nas escolas


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BRASÍLIA - A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou nesta terça-feira (14) um projeto de lei para que os estabelecimentos de ensino, públicos ou privados, adotem estratégias de prevenção e combate a práticas de intimidação e agressão recorrentes entre os integrantes da comunidade escolar, conhecidas como bullying. O texto segue agora para análise da Câmara e poderá fazer parte da Lei de Diretrizes de Bases da Educação (LDB).
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Para o autor do projeto de lei (PLS 228/10), senador Gim Argello (PTB-DF), os efeitos do bullying são deletérios, "causando enorme sofrimento às vítimas". Para ele, essa situação é ainda mais grave quando acontece nas escolas, "por afetar indivíduos de tenra idade, cuja personalidade e sociabilidade estão em desenvolvimento". Em sua justificativa, o senador pelo Distrito Federal lembra que o tema, por ser recente, ainda não está previsto na LDB. Para ele, a abordagem nas escolas é necessária, pois o bullying se manifesta de formas diversas, que incluem insultos, intimidações, apelidos pejorativos, humilhações, amedrontamentos, isolamento, assédio moral e também violência física.
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- Julgamos que essa abordagem seja mais adequada, pois evita a padronização das medidas a serem adotadas - as quais devem ser definidas de acordo com a realidade vivida em cada escola -, além de contornar o risco de tipificar condutas já tratadas no arcabouço jurídico competente, de forma mais genérica - explicou Gim Argello.
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Para o relator, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o projeto vem "em boa hora". Em seu relatório, ele sugere algumas providências a serem adotadas pelas escolas, mas pondera que, por se tratar de uma lei geral, válida para todos os sistemas de ensino, não seria adequado descer a detalhes.
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Entre as sugestões apresentadas pelo relator, estão a capacitação técnica e pedagógica de todos os profissionais da educação que trabalham nas escolas, incluindo os não docentes; interação entre educadores e pais de alunos; articulação entre gestores educacionais e os encarregados da segurança da cidade e do bairro e ainda conscientização das crianças, adolescentes e jovens sobre as consequências "nefastas desse tipo de comportamento covarde e antissocial".Segundo Ana Amélia Lemos (PP-RS), o projeto é meritório e urgente, pois o bullying é uma "prática lesiva que afeta o desenvolvimento de crianças e adolescentes na fase escolar". Marta Suplicy (PT-SP) lembrou que o bullying é um problema sério e que tem gerado crimes em vários países. Walter Pinheiro (PT-BA) ressaltou a importância de as escolas combaterem esse mal, que traz "vexame e constrangimento" às vítimas.
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Gastos com Educação: Na reunião desta terça, a CE também aprovou a realização de uma audiência pública para apresentar e debater os gastos relativos aos anos de 2009 e 2010 - da União, dos Estados e dos Municípios - com educação nas suas diversas modalidades, com ênfase na educação básica. O autor do requerimento, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), também quer discutir, no debate, a planilha de custos associado ao Plano Nacional de Educação, e a evolução do número total de alunos no sistema de ensino.
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- Queremos entender os números para sabermos se os recursos estão indo para o lugar certo - explicou Cristovam, ao defender a realização da audiência Pública.
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Estudante de 15 anos de colégio gaúcho é agredido por ser gay

A fachada da escola onde estudam o agressor e o aluno agredido (Reprodução da internet)

RIO - Um estudante homossexual de 15 anos do Colégio Estadual Onofre Pires, em Santo Ângelo (RS), está há uma semana sem ir às aulas após ser agredido por um colega de turma. O caso foi registrado como lesão corporal na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) da cidade gaúcha, na última terça-feira (13). De acordo com a Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (SERS), o aluno agressor está suspenso pela direção da escola. O adolescente agredido será transferido para a rede particular de ensino. Ambos são alunos do 1º ano do ensino médio. Na tarde desta terça-feira (20), haverá uma reunião com representantes do colégio, do Ministério Público, da Polícia Civil e do governo estadual.
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Ainda muito abalado, o adolescente agredido disse que passou a sofrer bullying depois que assumiu sua orientação sexual abertamente na Onofre Pires, onde começou a estudar este ano. As provocações verbais culminaram com as agressões físicas na última semana, que o levaram a pensar em suicídio.
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- Ele me deu uma rasteira e me derrubou no chão, começou a me chutar e a me dar socos. Peguei um lápis para me defender, pois ele ameaçou me dar uma facada. Se a diretora da escola não tivesse chegado para me socorrer, talvez isso tivesse acontecido. Tive ferimentos na perna esquerda e nos lábios. A orelha esquerda ficou um pouco deslocada e roxa. Naquela noite, fiquei muito mal e queria me matar. Tentei até cortar meus pulsos. Um dia depois, fui ameaçado de morte por outro colega na rua. Estou com muito medo - relata o estudante.
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Segundo Alejandro Jelvez, coordenador estadual dos comitês de prevenção de violência nas escolas da SERS, a reunião de hoje tem como objetivo examinar o boletim de ocorrência e definir os procedimentos a serem tomados.
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- A escola já chamou o agressor e sua família informando que ele estava suspenso até a próxima quarta-feira (21). Ele está sendo encaminhado a atividades didáticas e pedagógicas para que faça uma reflexão sobre a agressão que cometeu. Também procuramos preservar a exposição desse adolescente agressor para ações que pudessem acontecer por conta do impacto que isso provocou na cidade. Poderia haver algum tipo de tumulto na escola em repúdio à ação dele - diz Jelvez.

terça-feira, 20 de março de 2012

França: atirador que matou 4 em escola pode ter filmado ataque

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TOULOUSE, França — Um dia depois de um homem em uma scooter matar quatro pessoas em uma escola judaica de Toulouse, na França, testemunhas revelaram que o atirador levava uma pequena câmera em seu capacete. Policiais investigam se o vídeo foi disseminado na internet. Enquanto isso, a França prepara uma das maiores caçadas humanas de sua História. Cerca de 200 homens vieram de Paris para Toulouse ajudar nas investigações, e todas as escolas e prédios religiosos — islâmicos ou judeus — na região dos Pirineus estão sendo vigiados por policiais.

Segundo a imprensa francesa, a câmera usada pelo atirador de Toulouse seria de um modelo popular no país, custaria cerca de 200 euros e seria comum entre paraquedistas. A polícia francesa trabalha com duas hipóteses principais: um crime ligado ou ao Islamismo ou à extrema-direita. — As câmeras de segurança mostram que o assassino gravava enquanto atuava. Isto soma mais um elemento ao perfil do assassino. Alguém cruel o bastante para gravar tudo, alguém muito frio, determinado, com gestos precisos e muito cruel — disse o ministro do Interior, Claude Guéant, nesta terça-feira.

Guéant disse que os investigadores acreditam que os responsáveis pelos três últimos atentados na região dos Pirineus — o ataque à escola judaica na segunda-feira e a morte de três policiais de origens árabe e caribenha — seriam ex-militares expulsos das Forças Armadas por comportamentos neonazistas. Uma fonte próxima ao caso, no entanto, teria dito à Reuters nesta manhã que os homens já não seriam mais suspeitos. Dois dos três soldados reformados teriam sido interrogados na noite de ontem e o terceiro já teria sido ouvido pela polícia na semana passada. Nesta manhã, todas as escolas francesas fizeram um minuto de silêncio em homenagens às vítimas da tragédia. Em um ato de solidariedade, o prefeito de Toulouse, Pierre Cohen, condenou os incidentes recentes que classificou de “atos racistas”. Cohen pediu para a população ser prudente e “se manter vigilante” e não descartou a hipótese de um quarto ataque. Em Paris, o presidente Nicolas Sarkozy participou de uma solenidade no colégio François Couperin. — Infelizmente, não temos nada — disse Sarkozy sobre o avanço das investigações.

Paris aumenta cerco em Toulouse

Logo após o atentado que deixou três crianças e um homem morto, na segunda-feira, autoridades francesas acionaram o alerta máximo para terrorismo na região de Toulouse. O “sinal vermelho” permite que autoridades implementem medidas de segurança mais duras, incluindo patrulhas de policiais e militares, suspendam o transporte público e fechem escolas. Uma equipe de 200 investigadores foi de Paris a Toulouse para ajudar no caso, e guardas estão sendo posicionados em frente a todas escolas e prédios islâmicos e judeus da região. A scooter usada pelo atiradora — um modelo preto da marca Yamaha — foi roubada cinco dias antes do atentado na cidade. Segundo fontes policiais, o número da placa do veículo foi encontrado nas imagens do circuito de segurança da escola.Na segunda-feira, Sarkozy, confirmou que a mesma arma foi usada na escola e em outros dois atentados envolvendo policiais de origem estrangeiras também nos Pirineus. O governante chamou o episódio de “abominável”.

Na manhã de ontem, um homem abriu fogo em frente ao colégio judaico Ozar Hatora, matando o professor de religião Jonathan Sandler, de 29 anos, um rabino israelense que havia se mudado recentemente para a França e que dava aulas no colégio, segundo o jornal israelense “Yediot Ahronot”. Ele foi assassinado junto com os filhos Gabriel, de 3 anos, e Arie, de 6 anos. A quarta vítima foi a filha do diretor da escola, Miriam Monsonego, de 7 anos. O atirador teria entrado na escola e continuado a disparar. Um adolescente de 17 anos também estaria gravemente ferido. — O atirador disparou contra tudo que estava à sua frente, crianças e adultos — disse o procurador francês Michel Valet. — Ele perseguiu as crianças até a escola.

Tiroteio em escola judaica na França deixa quatro mortos

Três crianças e um adulto morreram assassinados a tiros na manhã desta segunda-feira (19) em uma escola judaica na cidade de Toulouse, sul da França. As crianças tinham três, seis e dez anos. De acordo com a agência Associated Press (AP), as vítimas eram todas da mesma família. As informações são do procurador francês Michel Valet.

De acordo com as agências de notícias, os disparos partiram de um homem que passavam de moto. O assassino teria utilizado duas armas - uma delas era do mesmo calibre da arma que foi utilizada no assassinato de dois soldados de um regimento de paraquedistas em Toulouse e Montauban, no último dia 16. Segundo o procurador, "existem elementos que justificam que se imagine seriamente a questão de um vínculo entre esta matança e os recentes assassinatos de militares".

O criminoso abriu fogo contra todas as pessoas que estavam diante do colégio Ozar Hatorah de Toulouse, segundo Valet. "Ele atirou contra tudo o que tinha pela frente, crianças e adultos. As crianças foram perseguidas até dentro da escola", declarou o procurador à imprensa. O ministério do Interior anunciou um reforço da vigilância das escolas judaicas, que já contam com medidas de proteção na França. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, viajará nesta segunda-feira a Toulouse com o presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (CRIF), Richard Prasquier.

A rua Dalou, onde fica o centro de ensino, foi isolada e centenas de policiais foram mobilizados ao redor do colégio.

Fonte: Jornal do Brasil

segunda-feira, 19 de março de 2012

Livros - catálogo


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Adolescente é internado com fratura após ser agredido em escola de SP

Secretaria da Educação apura o caso e informa que identificará agressor. Pai diz que irá processar o governo e pedir transferência do garoto

Fonte: G1
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Um aluno de 13 anos foi internado com uma fratura no rosto após ser espancado por um outro garoto na Escola Maria Augusta de Moraes Neves, em Americanópolis, Zona Sul da capital. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo investiga o caso.
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As agressões ocorreram na sexta-feira (16). O pai, Marivaldo Ferreira, registrou um boletim de ocorrência neste sábado (17) no 97º Distrito Policial, em Americanópolis. O caso foi registrado como lesão corporal. A polícia solicitou exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML).
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O menino foi internado no Hospital da Luz, na Vila Mariana, e deve ser submetido a uma cirurgia no nariz. O pai diz que o filho foi agredido com chutes no rosto por outro aluno que cursa o 8º ano na mesma instituição. Ele afirma que quando chegou à escola o menino apresentava sangramento no rosto e ainda não havia sido socorrido. O pai levou o adolescente ao Hospital da Luz, onde ele foi medicado.
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O pai conta ainda que o menino já foi agredido outras vezes. Ele diz que pretende processar o governo estadual por negligência e que irá pedir a transferência do filho para outra escola. Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo lamenta a agressão e diz ter determinado "que as circunstâncias associadas ao fato sejam apuradas para que tomar as medidas cabíveis".
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"A Diretoria Regional de Ensino está à disposição da família para prestar outros esclarecimentos.
Na segunda (19), a direção da unidade tentará identificar o agressor e, caso seja confirmado que ele é aluno da unidade, o caso será encaminhado ao Conselho de Escola. O Conselho Tutelar também será acionado na segunda", informa a secretaria.
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"A escola, em parceria com o posto de saúde do bairro, oferecerá apoio psicológico ao estudante agredido. Vale ressaltar que a escola faz parte do Sistema de Proteção Escolar, implantado pela Secretaria da Educação em 2009, que tem obtido resultados significativos no combate à violência. O programa articula um conjunto de ações, métodos e ferramentas que visam disseminar e articular práticas voltadas à prevenção de conflitos no ambiente escolar, à integração entre a escola e a rede social de garantia dos direitos da criança e do adolescente e à proteção da comunidade escolar e do patrimônio público", afirma a nota.

sábado, 17 de março de 2012

VIVERE PARVO



Por Sílvio Carneiro - é jornalista
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Diógenes, o Cínico, era um filósofo da Grécia Antiga que tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas, fazendo da pobreza extrema uma virtude. Ele vivia num grande barril, no lugar de uma casa, e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por “um homem honesto”. Reza a lenda que seus únicos bens eram um alforje, um bastão e uma tigela (que simbolizavam o desapego e autossuficiência perante o mundo), sendo ele conhecido também, talvez pejorativamente como kinos, o cão, pela forma como vivia.
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A felicidade – entendida como autodomínio e liberdade – era a verdadeira realização de uma vida. Sua filosofia combatia o prazer, o desejo e a luxúria pois isto impedia a autossuficiência. A virtude – como em Aristóteles – deveria ser praticada e isto era mais importante que teorias sobre a virtude.
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Diógenes é tido como um dos primeiros homens (antecedido por Sócrates com a sua célebre frase “Não sou nem ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo.”) a afirmar, “Sou uma criatura do mundo (cosmos), e não de um estado ou uma cidade (polis) particular”, manifestando assim um cosmopolitismo relativamente raro em seu tempo.
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É famosa, por exemplo, a sua história com Alexandre, o Grande, que, ao encontrá-lo, ter-lhe-ia perguntado o que poderia fazer por ele. Acontece que devido à posição em que se encontrava, Alexandre fazia-lhe sombra. Diógenes, então, olhando para a Alexandre, disse: “Não me tires o que não me podes dar!”. Essa resposta impressionou vivamente Alexandre, que, na volta, ouvindo seus oficiais zombarem de Diógenes, disse: “Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes”.
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Conheci algumas histórias de Diógenes através dos velhos livros do meu pai que, apesar de matemático, sempre foi um grande humanista. E desde sempre me identifiquei com aquele filósofo que tinha como lema “vivere parvo” (em latim, “viver do pouco”). Nunca tive muitas necessidades materiais – “Eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus!”, como diz a letra daquela música antiga – e sempre desejei, no máximo, viver em paz.
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Ultimamente – e eu quero deixar aqui bem claro, sem um motivo específico – venho ficando cada vez mais abusado de certas coisas desse mundo contemporâneo em que vivemos. Simplesmente por ser um mundo em que tudo parece ser tão superficial quanto a página deste blog. Lembro do início da internet, quando surgiram os primeiros IRCs, chats e cidades virtuais, antecessores já remotos das atuais redes sociais. Tudo era moda e quem não estivesse conectado não era cool – assim permanece até hoje. Tem gente que é tão viciada que, quando a conexão do seu modem está lenta, seu coração começa a bater em disritmia também. Alguns profissionais (e aqui eu só posso falar dos meus colegas jornalistas) não sabem mais fazer nada se não tiver uma internet pra produzir seus textos repletos de CTRL+C / CTRL+V. Ah, fala sério!
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Já falei antes aqui sobre o Twitter, uma ferramenta que nunca me apeteceu, depois veio a enxurrada de orkuteiros sem noção que dominaram o mundo virtual com suas bobagens. Agora o Facebook é a bola da vez, onde muitos já reclamam da “orkutização” de uma ferramenta de comunicação revolucionária, mas que muita gente ainda não sabe realmente para que serve e usa todos os recursos disponíveis apenas para tentar viver aquele sonho dos 15 minutos de fama que Andy Worhol previu nos anos 60.
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Certo dia reencontrei um velho amigo que há anos eu não via. Jornalista, produtor de audiovisual, um cara altamente descolado e inteirado com o mundo, ele não possui contas de Twitter, Orkut, Facebook, MSN ou qualquer outra coisa parecida, a não ser uma conta de e-mail pra manter alguns contatos. Ele também não possui telefone celular. O mais incrível disso tudo é que ele vive muito bem sem todas essas bugingangas virtuais.
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Como um Diógenes moderno, o meu velho amigo faz questão de mostrar que é ainda é possível viver no mundo real e que o mundo virtual, muitas vezes, não passa de uma vitrine de fantasmas decadentes que passam a eternidade tentando aparecer para os “vivos”.
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Como Diógenes e meu velho amigo Bruno Sena, cada vez mais me convenço da verdade do lema “vivere parvo” e penso que todos nós precisamos , de acordo com a realidade de cada um, voltar a praticar coisas simples do mundo como sair de casa, ver as outras pessoas na rua, conversar pessoalmente, olhar nos olhos do outro, dizer o que se pensa sem a necessidade de se esconder por trás de escudos…
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Que as conexões transformem-se em abraços e apertos de mão verdadeiramente amistosos. Que os bate-papos saiam das telas dos computadores e encham as praças, ruas e, sobretudo, as mesas dos bares. Que as pessoas abandonem o chilrear (twitter, em inglês) dos computadores e ouçam o canto dos pássaros que rasgam os céus e enfeitam as árvores e alamedas. E que os “livros de rostos” tornem-se rostos vivos e sorridentes no mundo real.
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Com esse texto, aos poucos me despeço das redes sociais (por enquanto e até quando me der na telha manterei esse blog). Quero amigos de verdade que estejam sempre por perto e com quem eu possa contar. Quero abandonar de vez a frieza dos bits e bytes e sentir o calor humano e o sangue correndo nas veias, no caminhar do meu dia a dia.

Tela de Léia, in: http://artescomaleia.arteblog.com.br/104804/Pintura-em-Tela/

sexta-feira, 16 de março de 2012

Mobilização dos professores alcança todo o país

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Desde esta quarta-feira, todos os estados do Brasil, mais o Distrito Federal (DF), assistiram a protestos dos professores, que devem continuar até esta sexta-feira (16). No centro da pauta, o respeito ao piso nacional do magistério. DF, Goiás, Piauí e Rondônia já se encontram em greve. Movimento também pede, entre outras coisas, 10% do PIB para educação.

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Brasília - Os professores da rede pública dos 26 estados da federação e do DF já realizaram ações para reivindicar, sobretudo, o pagamento do novo piso do magistério. As mobilizações tem distintos graus de adesão da categoria em cada localidade e fazem parte da greve nacional convocada pela Confederação Nacional Trabalhadores em Educação (CNTE) para os dias 14, 15 e 16 deste mês.

“Nenhum estado do Brasil passou em branco, mesmo no Espírito Santo, onde a rede estadual não se mobilizou, mas algumas municipais sim, e no Rio Grande do Norte, onde a governadora garantiu os 22% para pagar o piso, houve luta”, garantiu a secretária geral da CNTE, Marta Vanelli.

De acordo com a entidade, a adesão mais forte ao movimento foi registrada no Rio Grande do Sul, onde o governador Tarso Genro (PT) tem apresentado grande resistência ao novo piso. A paralisação atingiu 90% das escolas em Porto Alegre e 100% em municípios menores, como Alegria, Horizontina, Dr. Maurício Cardoso, São Martinho, Nova Candelária e Três de Maio. Em Pernambuco houve 85% de adesão na rede municipal e no Paraná mais de 70% da rede estadual, aponta a CNTE.

No Distrito Federal (DF), em Goiás, no Piauí e em Rondônia, os professores já se encontravam em greve. A situação mais dramática é dos goianos, onde os professores da rede estadual caminham para o 40° dia de greve. Nesta quarta-feira (14), eles trancaram a BR 153 por quase uma hora.

No mesmo dia, os professores da rede municipal de Curitiba também declaram greve por tempo indeterminado, mas, nesta quinta (15), suspenderam o movimento, aceitando a proposta da prefeitura de 10% de reajuste e a criação de uma comissão que definirá a incorporação do Programa de Produtividade e Qualidade no salário.

Em Santa Catarina, os professores aprovaram um indicativo de greve para abril.

Pauta

A greve nacional dos professores tem como principal reivindicação o respeito por parte de estados e municípios ao piso nacional do magistério, estipulado pelo Ministério da Educação (MEC) em R$ 1.451 para 2012.  De acordo com a CNTE, 17 não cumprem este compromisso: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Paraná, Rondônia, Rio Grande do Norte, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. Ainda não há um levantamento das prefeituras. A CNTE pretende denunciar governadores e prefeitos que não cumprem a Lei do Piso à Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a órgãos do Poder Judiciário nacional.

A pauta das mobilizações deste mês também pede 10% do Produto Interno Bruto (PIB), ao longo da próxima década, para a educação; a aprovação do novo Plano Nacional de Educação; implementação de gestão democrática em todas as escolas e sistemas de ensino; o fim da terceirização das funções escolares, além de assegurar pautas de cada localidade.

terça-feira, 13 de março de 2012

Polícia, democracia e informações



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Lúcio Alves de Barros*
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Um novo espectro ronda a região metropolitana de Belo Horizonte. O espectro da mentira. Um fenômeno perigoso, contraditório, complexo e leviano. A coisa já não é nova e finalmente parece ter chegado às páginas de determinados jornais e nesse mundo da internet de ninguém. O fantasma que ora aparece aqui e ali diz respeito à manipulação de informações referentes à segurança pública e, por ressonância, à segurança privada, ou, como quer a polícia, “a sensação de segurança objetiva e subjetiva”. A população manipulada e alienada como é, obviamente não tem a mínima noção da seriedade do fenômeno - provavelmente político - que ainda está em pleno desenvolvimento. Neste caso, dentre tantas coisas, destaco três.
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Em primeiro, é intolerável, inadmissível e vergonhoso o caminho que vem percorrendo o governo na indefinição, incongruência e falsificação das informações acerca da segurança que, em pouco tempo levou Minas Gerais a ser “a menina dos olhos do governo” com secretaria e tudo mais. É claro que lidar com a segurança pública não é o mesmo que trabalhar com sabonetes, carros, roupas e outras mercadorias tangíveis. Pelo contrário, no campo da segurança pública estamos lidando com vidas e com patrimônios construídos por tempos. Mais que isso, desde o suspiro liberal tentamos a manutenção da paz , da ordem, da liberdade e quem sabe um dia, da igualdade. Tudo, nos dias atuais, amparados no que entendemos por democracia e estado de direito. Democracia esta sem lugar e bêbada, pois apesar de mantida por nossos impostos as instituições coercitivas do estado que tem por função a manutenção desta democracia anda pensando em aumento salarial – o que é legítimo – e em maquiagem de dados - o que é ilegítimo e criminoso. Dito de outra forma, a política de segurança pública em Minas Gerais, colocada como “modelo” no país, caiu de quatro, virou piada e mostrou uma face feia e medonha, pois finge e se mantém no que pregou nos últimos mais ou menos sete anos. A denúncia de maquiagem dos dados levada ao público corajosamente pelo Jornal “O Tempo” revela que o Estado e os agentes dele não sabem sequer de quem é a responsabilidade e quais são as consequências do que foi feito em relação à maquiagem das informações a respeito da segurança pública em Minas.
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O desconhecimento do público e a irresponsabilidade governamental nos leva para o segundo ponto. É imperdoável o acontecimento. As informações sobre segurança por definição devem ser públicas e transparentes, haja vista que mais do que nunca se acredita que a população deve e pode ajudar no desenvolvimento andamento de políticas de segurança pública, a não ser que a polícia comunitária seja outra maquiagem. Com efeito, torna-se imperioso nesse sentido uma auditoria séria nos dados divulgados pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). As manipulações de estatísticas e de informações produzidas em tempo real, ou depois nas salas com ar condicionado, indicam que interesses pessoais e corporativos dos integrantes tanto da Polícia Militar como da Polícia Civil falaram mais alto. As polícias, certamente atreladas, apertadas, cobradas e submissas ao famoso “acordo de resultados” mostram o que os administradores da secretaria querem ver. Em outras palavras, as instituições coercitivas do estado nada mais fizeram do que levar a efeito um verdadeiro teatro no intuito de no final atender - e é claro - receber palmas do governo que não deixou de premiar, investir, promover todos aqueles que alcançaram as famigeradas metas. Como toda recompensa anda de mãos dadas com a punição, aos que não alcançavam as metas sobraram as transferências, o assédio moral e as aposentarias que provavelmente jogaram para as piranhas a turma do contra ou aqueles que se esforçaram por nadar contra a maré. A questão tornou-se agora um verdadeiro “caso de polícia” e cumpre ao Ministério Público ou mesmo à população que anda em Conselhos Comunitários de Segurança Pública a cobrança da verdade e com ela as informações verdadeiras sobre a segurança, porque 30 homicídios por cada 1000 mil habitantes é inaceitável em qualquer sociedade que se diz civilizada.
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No que toca a questão criminal talvez se faça necessário não somente a auditoria, mas toda revisão do que se entende por resultados. Até porque nada mais fizemos do que incorporar do exterior as experiências que, no Brasil, mereciam novas roupagens, seja por nossa peculiar cultura, seja por nossa estrutura política e social ser sempre conturbada e em descontrole. Não é possível bolinhas de crack transformar usuário em traficante. O mesmo acontece com os corpos com tiros na nuca ou com mais de cinco tiros que se transformam em “tentativa de homicídio” ou “suicídio”. Tais fatos, associados à questão gerencial, provavelmente forjaram mais que um “acordo de resultados explícito”, mas configurou “acordos tácitos” que andaram de mãos dadas com a política que se fossem reveladas em tempos de eleição tenho sérias dúvidas se o governo pararia em pé. De todo modo, pelo menos já sabemos que é possível no mundo das estatísticas criminais, mostrar que lambari é piranha e que golfinho é tubarão.
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O terceiro e último ponto é que, apesar de todo arcabouço jurídico ainda precisamos da mídia para denunciar tais fatos que não podem “ficar no por isso mesmo”. A mídia revelou que nossa política de segurança pública é uma falácia e o mesmo vem dizendo alguns deputados em audiências públicas na assembleia. A questão é clara: “quem vai ser responsabilizado por tais erros?” A mídia já denunciou. Ninguém apareceu. Tentaram esconder os dados e depoimentos de administradores de polícia levantaram a triste hipótese de erros, maquiagens e manipulações por mais de 06 anos. Se o fato não é sério não sei mais o que é sério nesse país. O certo é que a população foi e está sendo vergonhosamente enganada, descaradamente desprotegida e a manipulação das estatísticas , como mentirosas, não deixa de trazer mais e mais desconfiança nas polícias militar e civil. Esta é a face hipócrita do Estado Penal: mostra o que quer, revela o que pode, esconde o que deseja e pouco se importa com o outro. A contradição é clara, a população paga por um serviço enganoso e uma boa ideia seria reclamar no PROCON, pois desde a implantação da "Polícia de Resultados" a polícia lida é com clientes e não com o hoje - e inseguro - cidadão. Se a polícia e as instituições atreladas a ela maquiaram as informações cabe ao governo explicar a situação, buscar os responsáveis, solucionar os problemas e revelar caos que Minas Gerais está passando simplesmente porque decidiram nebulosamente enfeitar o boi que a sociedade anda pagando.
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Para finalizar, em estados democráticos de direito é crucial uma segurança pública com transparência. Quando as coisas estão escondidas é sinal de que algo não vai bem e é questão de tempo para que dúvida seja plantada e depois dela a ansiedade e o medo. Talvez uma auditoria seja o início, mas de nada ela vale se a segurança pública ainda ficar refém dos acordos de resultados que tem por base a recompensa e a punição, como se quarteis e delegacias funcionassem como fábricas, lojas de conveniência, postos de gasolina ou qualquer birosca de camelô. E detalhe, para que fique bem claro, sonegar informações nesse campo nos dias de hoje é no mínimo uma questão de polícia (de qual, já não sei mais). O que se pode afirmar com certeza é que tais dados não podem é cair nas mãos dos ladrões.
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*é doutor em ciências humanas: sociologia e política pela UFMG. Professor da Faculdade ASA de Brumadinho e organizador do livro “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da mulher

Parabéns para todas as mulheres, principalmente as guerreiras, companheiras, estudiosas, competentes, donas de casa, trabalhadoras, Mães, irmãs, filhas, tias, esposa. Mulheres que enfrentam tudo e a todos.

Parabéns por suportarem os homens, especialmente os tapas, os empurrões, os chutes, os gritos e as violencias de cada dia. E mais, por suportar esse estado de direito leviano, sacana, corrupto, sem eira e sem beira, e que faz de bobo quando tem ciência da verdadeira tortura e matança pelas quais passam as mulheres desse Braisil e de todo o mundo.

Parabéns por nossa incompetência.

OBS: Em três anos, 454 mil mulheres são agredidas em Minas (SEDESE)



terça-feira, 6 de março de 2012

Violência pula o muro da escola


05 de março de 2012
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Antes de abrir o portão de casa para quem bate, a aposentada Magali da Conceição Câmara Soares, de 65 anos, espia pela fresta da janela. Seus olhos são o reflexo do medo, que é vizinho, tem nome e sobrenome: Escola Estadual professor Pedro Américo, do outro lado da esquina, no Bairro de Santa Tereza, Região Leste de Belo Horizonte. Sob ameaça iminente de fechamento, em parte motivado pelas próprias condições de segurança, esse endereço, que como muitos outros na capital e no estado deveria ser referência em Educação, tornou-se um marco de violência e preocupação. O temor, que antes rondava professores, diretores e funcionários de instituições de ensino, pulou o muro e se espalhou pela vizinhança, traduzindo-se em arrombamentos, assaltos e agressões, além de tráfico e uso de drogas diante das moradias.
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O problema está longe de se restringir a Santa Tereza. Em várias regiões de BH, morar perto de Escola virou sinônimo de insegurança e até mesmo pânico, diante da ameaça em que se transformaram alunos, principalmente os envolvidos com uso e tráfico de drogas, que cometem delitos na vizinhança para sustentar o vício. A infiltração dos tóxicos na comunidade Escolar já chegou ao ponto de jovens se matricularem a mando de criminosos apenas para traficar, segundo relatos de funcionários.
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No ano passado, de acordo com a Secretaria de Estado da Defesa Social (Seds), foram 174 registros de crimes contra a pessoa (como agressões e ameaças) e 201 ocorrências de crimes contra o patrimônio (como furtos e roubos) em Escolas de BH. E essa violência continua, ou começa, do lado de fora. Até mesmo quem passou a vida profissional lidando com infrações à lei se surpreende com o comportamento dos estudantes. O militar reformado Walter Costa, de 72 anos, mora em frente à Escola Pedro Américo, em Santa Tereza, e também vive com medo. “Quebraram meu carro na porta de casa. Jogaram pedras de dentro da Escola. Fui lá, mas fui ameaçado. Eles me xingaram de tudo quanto é nome. São perigosos”, diz Walter, se unindo ao coro de queixas contra as drogas. “Têm 16, 17 anos, mas até os seguranças e a diretora têm medo deles. No dia em que eles quebraram meu carro, fui lá e o vigia não quis falar quem foi.”
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O medo da aposentada Magali também se relaciona a um carro destruído. Ela conta que tudo ocorreu quando uma vizinha, com quem conversava na rua, indicou um aluno da Pedro Américo que vendia drogas. “Ela falou tão sem maldade que apontou. No dia seguinte, meu carro estava todo quebrado: para-brisa, espelhos, porta, tudo. Ele viu que ela apontou e deve ter entendido que eu iria fazer alguma coisa contra ele”, disse a aposentada. “Moro aqui há 12 anos, perdi meu marido há quatro meses e faz uma semana que arrombaram a minha casa. Estou com medo de continuar aqui”, lamenta a aposentada, decidida a instalar cerca elétrica para tentar se proteger.
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ZONA SUL
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A região da cidade é outra, o nome da Escola é parecido, a situação é idêntica. Na Escola Estadual Pedro Aleixo, apenas as questões do dever de casa permanecem intactas na sala de aula, apesar de escritas a giz. Em volta está tudo destruído: paredes pichadas, vidros quebrados e cadeiras depredadas, com o estofado azul arrancado até o esqueleto de madeira. Na instituição, a violência também transborda, atingindo moradores do Bairro Mangabeiras, Centro-Sul de BH. “A maioria dos meus alunos são bons, mas existem aqueles que roubam. No fim do ano passado, meninos arrombaram uma casa e vieram se esconder aqui dentro”, conta uma professora, que já teve o rádio do carro furtado diante da Escola. Dias atrás, conta ela, uma colega ficou sem um notebook que deixara escondido debaixo do banco do veículo.
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Em fevereiro de 2011, a Escola enfrentou uma onda interna de violência, desencadeada pelo assassinato de um dos estudantes, Jefferson Coelho da Silva, de 17 anos, morto por policiais quando estava na companhia do tio Renilson Veriano da Silva, dentro do Aglomerado da Serra. “Os alunos passaram a depredar a Escola. Pulavam o muro, quebravam os vidros e faziam gestos obscenos para as professoras, dependurados nas grades”, afirma uma fonte. Segundo ela, todos os vidros foram trocados e novamente quebrados. O clima piorou em setembro, quando o auxiliar de serviços gerais Marco Túlio Miranda Dias, de 38, escapou ileso de três tiros disparados por um aluno, de 17 anos. O funcionário desistiu do posto e mudou de endereço. “Tentei consertar as coisas, mas perdi a esperança. Está tudo errado”, desabafou. Desde então, a Escola permanece sem o funcionário, que atuava informalmente como disciplinário. Também não conta com vigilantes. Na semana passada, até a roçadeira (máquina usada para aparar a grama do jardim) e o retroprojetor foram roubados.
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A diretora, Raquel Coutinho, mandou aumentar o muro de 1,5 metro com uma grade de mais 2 metros e aguarda investimento de R$ 2,5 milhões na reforma das instalações, aprovado pela Secretaria de Estado da Educação. Conseguiu também portão eletrônico e sistema de vigilância por vídeo. Em Belo Horizonte, apenas 15 Escolas estaduais, de um total de 237, receberam câmeras em 2011. Pouco para conter a ousadia de estudantes que transformam a vida de colegas, vizinhos e funcionários das unidades em um tormento diário.
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Enquanto isso...
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...Pedro Américo está definhando
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A violência motivada pelo tráfico é um dos motivos para o iminente fechamento da Escola Estadual Pedro Américo, no Bairro Santa Tereza, que está acabando aos poucos com as turmas. Das 13 salas de aula, apenas cinco são ocupadas por cerca de 150 alunos do ensino médio. A instituição cancelou as matrículas para o primeiro ano, que foi extinto, e, assim que a última turma do terceiro ano concluir os estudos, a Escola deixa de existir de vez. A Secretaria de Estado de Educação, por nota, informou que a instituição vem recebendo cada vez menos matrículas, mas não esclarece os motivos. “Outras Escolas na região já atendem à demanda e não faltará vaga para nenhum aluno que necessite estudar na região”, informa o texto.
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Fonte: Estado de Minas (MG)

Adeus ao piso?

Mãe denuncia discriminação em escola

05 de março de 2012

As aulas na rede estadual de ensino começaram no dia 23 deste mês, porém a mãe Cintia da Silva Costa entrou em contato com a Folha para relatar que os três filhos, matriculados na Escola estadual Carlo Casadio, no bairro Cinturão Verde, estão até o momento sem assistir às aulas, pois, conforme informações repassadas aos alunos, as vagas foram cedidas a outros estudantes.
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A mãe contou que ano passado, devido à mudança de bairro, teve que procurar vagas na Escola mais próxima de sua residência, localizada no bairro São Bento. Foi quando se deslocou até a Escola Carlo Casadio, pois não havia vaga na unidade de ensino do bairro. O pai dos meninos foi informado pela direção que havia vagas disponíveis, mas não poderia fazer a matrícula dos estudantes, já que as crianças do bairro São Bento, durante o ano letivo, apresentavam muitos problemas, como, por exemplo, brigas. Inconformado, ele protocolou a denúncia no Ministério Público de Roraima (MPRR) ano passado. Com um ofício do órgão, o pai conseguiu matricular os filhos. “Isso é preconceito com crianças de bairros humildes. O diretor não poderia dizer isso, pois ele não conhece meus filhos. Não poderia generalizar o que vinha acontecendo”, reclamou Cintia.
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No dia 23 de fevereiro, início das aulas, conforme a mãe, as crianças foram impedidas de entrar em sala de aula. A justificativa foi dada pela gestora. “Disseram que a secretaria da Escola iria entrar em contato para dar um posicionamento sobre o assunto, mas até o momento nada foi dito. Não sei o que fazer. Meus filhos estão sem frequentar a Escola”, lamentou a dona de casa. “Já entrei com contato com a Secretaria de Educação, Cultura e Desporto (Secd), a qual disse que esse assunto tem que ser resolvido com a gestão. Fiz a rematrícula dentro do prazo previsto, por isso fui surpreendida e estou inconformada. Caso o problema não seja resolvido com urgência, vamos recorrer ao MPRR novamente”, frisou.
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OUTRO LADO
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A assessoria de comunicação da Secd informou que os pais dos alunos ou responsáveis por esses estudantes deixaram de comparecer à Escola Carlo Casadio no período de 26 a 30 de dezembro de 2011, prazo amplamente divulgado para matrícula e renovação. Por essa razão as três vagas foram ocupadas por outros alunos, conforme determina o regimento interno da unidade Escolar. A assessoria não informou se a secretaria vai providenciar vaga em outras unidades de ensino.
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Fonte: Folha de Boa Vista (RR)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dúvidas de um professor


*MARTIM SARAIVA BARBOSA
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A luta por recursos vinculados para a educação nas constituições Federal dos estados e nas leis orgânicas dos municípios partiu dos professores públicos em seu movimento sindical, ganhou apoio social e virou lei. E os professores acharam que tinham resolvido a questão dos recursos para financiar a educação brasileira.
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Logo descobriram que não era bem assim. Governos não cumprem com o mínimo constitucional e fica por isso mesmo. Não há nenhum processo de impeachment de governante ou de pedido de intervenção federal por descumprimento da Constituição nesse aspecto. Por quê?
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Os professores acreditam que o Brasil não chegará a ser uma nação desenvolvida sem Educação Básica de qualidade e olham perplexos para seus governantes se perguntando se é verdade que a Educação é prioridade para o desenvolvimento do país e que este não depende mais de mão de obra barata e matéria-prima abundante e que os novos processos produtivos requerem pessoas com conhecimentos, habilidades e atitudes que os tornem competentes para atuarem na chamada "sociedade do conhecimento"? Ou isso não passa de discurso?
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Desconfiados, os professores passaram a lutar por um Piso salarial determinado em lei. Veio a conquista. (Convenhamos que R$ 1.450,00 para a função social de professor é um mínimo para começar a valorizar a profissão. Muitos técnicos de nível médio ganham mais que isso.)
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E, até agora, o Piso mais pisou que elevou a autoestima dos professores. E a perplexidade aumenta quando eles veem um governante aliado do governo federal, que prometeu buscar ajuda e pagar o Piso, enviar ao parlamento um projeto de lei que descumpre a lei federal. O que fará o parlamento? Aprovará a ilegalidade? Ou, cumprindo sua função de fiscalizar o poder Executivo, devolverá o projeto para não cometer junto a ilegalidade? Quem sabe o parlamento, mesmo considerando que o governante ajudou a elaborar a lei, aprova o projeto e explica para a sociedade as suas razões. Será que terá uma boa explicação?
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Estou cheio de dúvidas. O que dizer aos alunos sobre isso? Afinal, a Educação moderna deve ser contextualizada e todos os professores na sala de aula devem abordar os assuntos da atualidade. Professor de Matemática pode desenvolver cálculos usando os números do Piso salarial e o custo da cesta básica. De Português, trabalhar com o texto da lei. De Geografia e História, comparar estados que cumprem a lei e que não cumprem e ainda o papel do parlamento. Os de Ciências Físicas e Biológicas... por favor, sejam criativos e me deixem cá com minhas dúvidas. Elas são muitas...
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*Ex-superintendente de Educação Profissional do Estado
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Fonte: Correio do Povo (RS)

Faltam medidas de controle

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Apesar de ser uma prática constante na sociedade, somente nos últimos anos o bullying começou a ser discutido nas comunidades Escolares. Geralmente, os atos não são considerados criminosos, e sim problemas disciplinares a serem resolvidos no âmbito Escolar. Porém, como o tema tomou repercussão nacional depois da tragédia em Realengo, vários estados brasileiros já aprovaram novas determinações no combate ao bullying.
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Contudo, o Distrito Federal ainda não apresenta uma lei voltada especificamente sobre o tema. Costuma ficar a critério das instituições de ensino do DF determinarem as providências para coibir a prática. Normalmente, medidas paliativas são tomadas pelas Escolas para sanar a situação, o que ainda não inibe a repetição do problema. No final, a sensação de impunidade contra os praticantes é o sentimento principal das vítimas de bullying e de suas famílias.
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Especialistas no tema e autoridades policiais confirmam que o registro de ocorrências que começaram apenas como bullying nas Escolas tem aumentado durante os anos. Enquete realizada pelo portal ClicaBrasília, do Jornal de Brasília, revelou a opinião dos brasilienses sobre o assunto: 85,71% dos participantes acreditam que a pessoa que pratica bullying deve ser punida, enquanto apenas 14,29% são contra. O levantamento revelou também que a situação costuma ser mais comum nas Escolas (54,17%), seguido do trabalho (20,83%), família (17,71%) e na quadra onde mora (7,29%).
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AUTONOMIA
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Segundo a coordenadora de Educação em Direitos Humanos da Subsecretaria de Educação Básica, Verinez Carlota, a preocupação maior é dar autonomia às Escolas para resolver o problema e desenvolver projetos específicos contra o bullying. Não é apenas punir os praticantes, mas trabalhar um plano de convivência Escolar, para que cada unidade de ensino desenvolva normas de acordo com a sua realidade. Por isso, a participação dos orientadores e professores é fundamental no sentido de prevenir esses casos , explicou Carlota. Para o diretor do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB), Afonso Galvão, faltam no Distrito Federal medidas direcionadas ao atendimento do bullying nas Escolas. As instituições não aplicam o necessário para coibir o problema nas Escolas, sejam as ações tão duras como for. O bullying costuma ser uma forma de aprendizagem para violências piores ainda, e a pessoa que a pratica ainda é protegida pela Escola. Esse é um mal que precisa ser cortado pela raiz tão logo se manifeste , apontou Galvão.
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De acordo com a chefe da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), Mônica Ferreira, o bullying também costuma ser uma ameaça quando sai do âmbito Escolar. Mui - tos dos casos que começam apenas com esse problema progridem para ameaças e até para as vias de fato. Os pais até ameaçam registrar na DCA quando ainda é qualificado só como injúria, mas a direção das Escolas normalmente não quer levar a conhecimento geral. Muitas vezes, acham que vai passar e acaba ficando por isso mesmo. Agora com o retorno das atividades Escolares, só tendem a aumentar mais as ocorrências nesse sentido , disse Ferreira.
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VÍTIMAS SENTEM VERGONHA
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O estudante D.P.S., 16 anos, assim como milhares de adolescentes, já foi vítima de bullying. Vergonha, humilhação, constrangimento. A gente sente tudo isso , desabafou. Mas, diferentemente da maioria dos alunos, D.P.S. decidiu não aceitar mais aquela condição, chamando a direção da Escola para resolver seu problema. No meu caso não fui mais incomodado, mas sei que sou exceção. Muitos continuam sofrendo calados , observou. Para a aluna J.A.C., 17 anos, que já presenciou casos de bullying na sua sala, o principal motivo dos estudantes se tratarem assim são as diferenças entre eles. Cada um tem seu jeito de viver, e os que não aceitam isso acabam agindo dessa forma , disse.
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A estudante A.F., 16 anos, conta que seis alunos da sua classe pediram transferência por causa de bullying. Apesar de a Escola em que estuda apresentar palestras sobre o tema, a aluna afirma que não atingem o seu público alvo. Na minha opinião, falta punição para quem faz essas coisas. Tem gente que não sabe até que ponto uma brincadeira pode magoar, e ainda assim, não acontece nada com eles , apontou a estudante. É preciso agir de forma preventiva, incentivando a Educação moral e os valores, para aceitarem as diferenças. Mas também se faz necessária uma medida repressiva contra o bullying. Punir, suspendê-lo na forma da lei ou do Estatuto da Criança e do Adolescente são ações válidas, mas que não são sempre tomadas, comentou Afonso Galvão, da Universidade de Brasília.
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Uma reunião entre os coordenadores das regionais de ensino do DF foi organizada ontem pela Coordenação de Educação em Direitos Humanos para discutir um plano distrital que possa atender toda a rede de ensino. O objetivo é organizar projetos, ações e medidas socioeducativas a serem adotadas na Semana de Educação para a Vida, comemorada em maio. Um grupo de trabalho será formado por representantes Escolares para organizar as próximas atividades em cada uma das unidades de ensino. Desde palestras, a cursos práticos e ações extra-curriculares serão estudados e apresentados em maio. A reunião vai ser o primeiro passo para fomentar a discussão. A intenção é fazermos uma ação conjunta, para atender a rede como um todo em maio. Queremos construir um conceito do que é a convivência Escolar. Acreditamos que isso poderá minimizar a manifestação de casos como o bullying , informou Verinez Carlota.
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Projeto de lei em análise Apesar de o Distrito Federal não apresentar nenhuma lei que aponte ações mais pontuais contra o bullying nas Escolas, essa realidade pode mudar. Foi aprovado no ano passado, na Comissão de Educação e Saúde da Câmara Legislativa do DF, o Projeto de Lei 156/2011, de autoria do então deputado Cristiano Araújo, hoje secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação. A expectativa de Cristiano é de o projeto ser aprovado em todas as comissões ainda nesse semestre. O bullying é um problema mundial, e Brasília mostrou, por meio de pesquisas, ser uma das capitais que mais apresenta a situação. Por isso, criar uma política pública realmente efetiva, trabalhada pela Secretaria de Educação, é necessário , declarou Araújo.
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O secretário explica que o projeto pretende atuar em três frentes: qualificando os professores e funcionários das Escolas a trabalhar contra o bullying; informar às famílias dos estudantes envolvidos no problema; e conscientizar as crianças sobre o assunto, com ações socioeducativas. Mas para a promotora de Justiça de Defesa da Educação do Ministério Público, Márcia Pereira, o emaranhado de normas e leis que já existem são suficientes para garantir a proteção das crianças e adolescentes vítimas de bullying. Antes de lutar por uma legislação melhor, é preciso lutar por uma política institucional mais abrangente. Precisamos de um olhar melhor sobre as leis que já existem. Se as cumprirmos da forma que foram programadas, seria excelente , afirmou Pereira. Fazer a prevenção está muito mais ligado à melhoria do âmbito interdisciplinar do que com a lei , acrescentou.
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Fonte: Jornal de Brasília (DF)

Bandidos invadem escola e agridem e roubam

A Escola Estadual de ensino médio e Fundamental “Eduardo Lauande”, localizada no residencial “Almir Gabriel” (Che Guevara), foi assaltada por um bando de desocupados, moradores da vizinhança do estabelecimento de ensino, que, além de depredarem o prédio, saquearam os pertences do estudantes, aplicaram uma paulada no diretor da Escola e ameaçaram professores e alunos de morte.
Os fatos se passaram anteontem, mas somente na manhã de ontem teve repercussão, devido à suspensão das aulas até que a Secretaria de Educação reúna com a comunidade Escolar, para apreciar as reivindicações que serão apresentadas.
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Segundo o vice-diretor do Fundamental, professor Luiz Bernardes, outra vítima dos desocupados, os ataques ao estabelecimento ocorrem devido ao muro em torno do prédio, que é muito baixo e os invasores pulam por ele para atingir a quadra da Educação física. Na quadra, as aulas são suspensas, com os professores sendo agredidos e os alunos ameaçados. Bernardes disse que todo tipo de diálogo já foi tentado, mas a administração não é atendida. No assalto de anteontem, Bernardes disse que os agressores invadiram as salas de aula do andar superior da Escola, aonde nunca tinham ido, e, assim, dominando todo o prédio.
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Fonte: Diário do Pará (PA)

MG: escola municipal suspende aulas em protesto contra violência

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Por NEY RUBENS
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Direto de Belo Horizonte
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As aulas na Escola Municipal Maria Silva Lucas, o Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic) Laguna, em Contagem (MG), foram suspensas por tempo indeterminado pelos funcionários, insatisfeitos com a escalada da violência no local. O colégio é o mesmo em que a diretora foi agredida a chutes por um aluno de 15 anos no dia 26 de agosto do ano passado, quando ele ameaçou a docente aos gritos de "vou te matar". Uma das professoras gravou a agressão com a câmera de um celular e o vídeo foi divulgado na internet. Nesta quarta-feira, dia 29, os funcionários e professores resolveram fazer a manifestação porque, segundo eles, a escola está nas mãos dos bandidos. "Várias coisas foram prometidas pela prefeitura de Contagem e até agora nada foi cumprido. O ano terminou e os problemas já até são outros. A escola é alvo de bandidos, que vêm fazer pichações, roubar, depredar e nada é feito. Nem porteiro tem a escola. O ano letivo começou sem ninguém na portaria", denuncia a pedagoga da instituição, que pediu para não ter o nome divulgado.
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Nas recentes invasões, salas de aula e outras dependências, além de computadores e materiais didáticos, foram danificados. Os funcionários reclamam que a instituição não tem guardas municipais para evitar as invasões. "É comum a gente ter que chamar a polícia para tirar de dentro da escola adolescentes que invadem para cometer delitos", declara outra funcionária. Além da paralisação, uma comissão de 15 pais de alunos foi até a porta da prefeitura de Contagem na manhã desta quarta-feira para pedir providências. O grupo foi recebido pelo secretário de Educação do município, Lindomar Diamantino Segundo, que prometeu atender algumas reivindicações.
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"Desde o ano passado que acompanho o andamento desta escola e já atendemos a vários pedidos, como a construção de um muro, a pintura de paredes pichadas. Agora, o problema é a falta de envolvimento da comunidade com a escola. A escola é invadida por pessoas da comunidade. Tem 10 câmeras quebradas, botaram fogo na escola. Não tem polícia que dê conta", diz.
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O secretário prometeu que um guarda municipal trabalhará na instituição a partir do dia 1º de março. Além disso, a secretaria conversará com a Polícia Militar para melhorar o patrulhamento no entorno. Sobre a paralisação, Diamantino disse que cortará o ponto de professores e funcionários que estiverem parados. "Porque somente esta escola fica na mídia?", questionou. "Estão querendo colocar no poder público o que é responsabilidade da comunidade. Podem parar o tempo que for. Agora, parou, vamos cortar o ponto. Não abro mão dos 200 dias letivos. Não abro mão de um dia. É um direito deles parar, mas pararam à revelia do sistema. Isso mostra a balbúrdia que está lá. Eu sou autoridade máxima na educação do município e não fui comunicado. A prefeita (Marília Campos-PT) não foi comunicada. Pararam as aulas, então que respondam por isso", declarou.
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Diretora: A diretora agredida pelo estudante no ano passado ainda está na escola. Na época, ele disse ao Terra que não abandonaria a instituição por causa da violência. O estudante agressor foi apreendido por ordem judicial e transferido para outra instituição.
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Fonte: Terra (portal)

Reações são cada vez mais agressivas

Após menina esfaquear colega na escola, especialistas recomendam maior seriedade com o tema

Fonte: Jornal de Brasília (DF)
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Mudanças no comportamento de crianças e adolescentes, tornando-as mais ansiosas, depressivas e isoladas, são alguns dos principais sintomas causados pelo bullying forma de agressão física, moral ou psicológica. Mas, às vezes, esse conjunto de fatores também pode desencadear reações mais agressivas, e inesperadas, por parte das vítimas.
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Foi o caso da menina de 13 anos que esfaqueou um colega da mesma idade no Centro de ensino fundamental 3 de Planaltina. As marcas deixadas pela violência retratam os perigos da falta de comprometimento com um tema tão complexo como o bullying. O garoto sobreviveu à tentativa de esfaqueamento, com ferimentos leves no peito e nos braços. A menina foi levada em flagrante delito, respondendo por ato infracional de tentativa de homicídio.
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Segundo as autoridades policiais, ela afirmou ter sido alvo de brincadeiras de mau gosto desde o ano passado, pedindo inclusive para ser trocada de sala. A situação reflete uma face do problema que já teve repercussão nacional. A tragédia de Realengo, em abril do ano passado, onde 12 crianças e adolescentes foram mortos por um ex-aluno que se dizia vítima de bullying, ainda está marcada na memória do País. Para o professor do Departamento de Psicologia Escolar da Universidade de Brasília (UnB), Aderson Luiz Costa, os motivos que levam uma vítima de bullying a atacar seus intimidadores não são tão fáceis de serem mensurados. "Não há uma resposta simples. É preciso analisar a história de vida da pessoa, suas patologias e transtornos. Mas qualquer pessoa submetida a uma condição de alto nível de ansiedade, obrigada a viver em sofrimento diário, vive em um potencial produtor de reações mais agressivas e intensas", explicou Costa. As pessoas vítimas de maus-tratos podem apresentar desde baixa autoestima, insegurança, ansiedade, até casos mais críticos, incluindo depressão e demais problemas psicológicos. Normalmente, as vítimas tendem a sofrer caladas. Todo aquele sentimento ruim vai se acumulando até chegar a um ponto em que explode de uma só vez , afirmou Afonso Galvão, diretor do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB).
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Qualquer Escola tem casos de bullying, em maior ou menor escala, principalmente porque ainda não se trata o tema com a devida seriedade. É preciso que as instituições trabalhem mais a Educação moral e os valores, separem os praticantes de bullying em potencial das vítimas e puni-los exemplarmente, quando necessário , ressaltou.
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REGISTROS MAIS COMUNS
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De acordo com chefe da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), Mônica Ferreira, os registros de casos envolvendo bullying têm se tornado mais comuns. Os pais que não estiverem satisfeitos com a diretoria das Escolas nesses casos podem registrar uma ação de injúria. Temos muitas ocorrências de brigas de estudantes que começaram devido a essas provocações , contou a delegada. A família tem que dar limites e a Escola orientar, mas quando a situação continua sem resolução, é muito importante que levem o problema até a delegacia , completou a delegada-chefe. Segundo Mônica, a escolha das Escolas e dos pais de não se identificarem nesses casos é um dos motivos que dificulta a apuração do número de ocorrências registradas.
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Segundo pesquisa de 2009 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada dez alunos brasileiros, três já sofreram perseguições, agressões verbais ou físicas nas Escolas. A ocorrência foi maior nas unidades de ensino particulares (35,9% contra 29,5% de Escolas públicas), e mostraram que são mais comuns em alunos da 5ª e 6ª séries. Na época, o Distrito Federal foi considerado a unidade da Federação com o maior registro de casos de bullying no País, com 35,6% dos entrevistados admitindo ter sofrido ridicularizações no ambiente Escolar.
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ESCOLA SE DIZ SURPREENDIDA
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A diretora do Centro de ensino fundamental 3 de Planaltina, Rita Cirlene, contou ter sido surpreendida pela ação da menina. Sabíamos que os dois tinham atrito, mas chamamos os pais deles para mediar a situação. Conversamos com eles e pensávamos que tivessem dado o suporte para resolver a questão, comentou a diretora. O coordenador da Regional de Ensino de Planaltina, Misael Barreto, confirmou que nada tinha chamado a atenção da instituição para que algo dessa natureza ocorresse. Registramos apenas a situação dos dois alunos, mas foi algo corriqueiro. Como havia reciprocidade nas agressões verbais, não vimos o problema como bullying, disse Barreto.
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Apesar de o local da unidade de ensino ser classificado como perigoso, Misael apontou que não havia registros de violência dentro da Escola até então. Segundo R.N.G., pai da menina de 13 anos, a situação se prolongou desde o ano passado. Ela pediu para ser transferida e não fizeram nada. Quando registrou o problema, a direção fez o que pôde, mas com o pouco efetivo de professores, ficava sempre essa lacuna que criou a possibilidade para brigas. Lamentamos pelo garoto, mas também sofremos pelo que pode acontecer com a nossa filha agora , desabafou o pai.
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PAI TEME INTERNAÇÃO
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A Vara da Infância e da Juventude (VIJ) se pronunciou ontem sobre o caso da estudante de 13 anos que esfaqueou o colega de classe, na tarde de terça-feira, em uma Escola de Planaltina. A garota será encaminhada para a Unidade de Internação do Plano Piloto (UIPP), o antigo Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje). No próximo dia 7 será realizada uma nova audiência e o juiz então determinará a natureza da medida socioeducativa a ser aplicada. Nas saída da VIJ, os pais da adolescente questionaram a decisão do juiz e reclamaram que a filha já vinha sofrendo bullying há pelo menos um ano e meio. Um dia antes de a estudante esfaquear o colega, ela já havia trocados empurrões com o colega que foi vítima das facadas. Eu já tinha estado diversas vezes na Escola, para conversar com professores e orientadores sobre esse problema que envolve as humilhações diárias sofridas pela minha filha , disse o pai da menina, o vigilante R.N.G.
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Sobre o episódio e a faca usada pela adolescente, o pai explicou que o utensílio foi retirado da cozinha da casa dele, que vive separado da mãe da menina. Como moramos em uma cidade muito violenta, minha filha passa a semana comigo, pois minha casa fica mais perto da Escola. No dica do fato, nós almoçamos juntos e ela foi tranquila para a Escola. Nem eu nem ninguém viu que ela tinha colocado uma faca na mochila , afirmou o pai. Depois da decisão da VIJ, o pai da estudante se preocupou com a segurança da menina, em razão das constantes rixas entre gangues rivais que ocorre em Planaltina. Muitos adolescentes já morreram dentro do Caje pela guerra entre as gangues. Minha filha não pertence a nenhuma delas, mas só pelo fato de morar no Pombal já é motivo para outro jovem matá-la , disse o vigilante.