sábado, 31 de julho de 2010

NOTÍCIAS...

A neurociência da pacificação

Por MARIA LUISA BARROS

Rio -
Luciana lembra quando a polícia invadiu seu lar a pontapés. Luiz viu a casa ser perfurada por balas. João sempre topava com corpos em frente à escola, e Pedro abandonou o colégio depois que a família foi expulsa da favela pelo tráfico. Os nomes são fictícios, mas os traumas da guerra travada nas favelas do Rio são bem reais. Crianças miúdas que mal fizeram 10 anos, mas que carregam a precoce vivência de dor e sofrimento, têm agora a chance de pôr o ponto final nesse boletim de ocorrências policiais tão presentes em suas rotinas.

Especialistas em saúde explicam as mudanças que ocorrem no cérebro quando crianças e jovens são expostos a uma nova realidade sem violência. “O cérebro é o resultado do que fazemos e de como somos tratados. Portanto, nunca é tarde para apagar os traumas da mente”, explica a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ. Segundo ela, o estresse crônico é inimigo do bem-estar.

Impotente frente à violência, o cérebro entra em ‘modo de sobrevivência’, onde até crescer passa para segundo plano. A prioridade é manter-se vivo. A autoestima e a motivação pelo estudo diminuem. Alguns se fecham e outros ficam agressivos, como uma estratégia de defesa do organismo. “No momento em que a criança passa a ser tratada com respeito e carinho, esse círculo vicioso se quebra. Ela, então, reproduz um círculo virtuoso de gentilezas e respeito pelo outro”, completa Suzana.

Desde domingo, O DIA mostra os benefícios no aprendizado de crianças de áreas antes reféns do crime na série ‘Educação em Tempos de Paz’. Para Joviana Quintes Avanci, psicóloga do Centro Latino-americano de Estudos da Violência e Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz, ambientes saudáveis e relações amorosas são escudo contra distúrbios mentais, como ansiedade e depressão. “Traumas podem ser revertidos com políticas públicas. Mas é preciso que haja continuidade para que o dano não seja permanente”, frisa.

O recomeço


Na Escola Municipal Pedro Aleixo, na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) substituiu as guerras de frutas no recreio e o vai e vem de traficantes na escola por ofi cinas de dança, judô, capoeira e xadrez. “A escola estava mergulhada nas trevas. Há nove meses, está imersa na luz. É como se estivéssemos começando do zero”, sintetiza o diretor José Edmilson. Para especialistas, essa mudança do comportamento agressivo para o lúdico é a forma mais eficaz de fazer o corpo trabalhar a favor da saúde mental. “Qualquer brincadeira ou esporte que dê prazer à criança é capaz de ativar o sistema de recompensa do cérebro, que é a base da motivação. Ele é o responsável pela autoestima, pelo pensar positivo e por ter esperanças”, explica a neurocientista Suzana Houzel.

Roberta Dutra, professora especializada em educação inclusiva pelo Instituto A Vez do Mestre, defende atividades lúdicas como coisa séria. “É na hora do brincar que a vida é experimentada pelo gosto, de fazer da brincadeira uma experiência rica de significados. Um contexto que proporciona à criança a superação dos seus medos e receios na vida”, prega a educadora.

Depoimento:

Antigamente, os alunos chegavam nervosos à escola. Não conseguiam assimilar o conteúdo das aulas. Durante o caminho, encontravam corpos. À noite, ouviam tiros o tempo todo. Com a pacificação da comunidade (Batan), ficaram mais alegres. No trajeto para a escola, não encontram nada que possa chocá-los. Eles passaram a participar mais das atividades e a aprender mais. No ano passado, 14% das crianças apresentaram conceito insuficiente. Neste ano, o índice caiu para 10%. Foi uma melhora considerável e acreditamos que vai evoluir muito mais. Vera Rangel, Diretora da E.M. Costa do Marfim.

No meio da violência:

» O cérebro de uma criança é afetado pela exposição contínua ao crime.

» O estresse crônico reduz a atividade cerebral responsável pela motivação.

» O cérebro entra num estado de alerta permanente e de ansiedade elevada.

» A criança torna-se agressiva ou apática. Desenvolve manifestações de ansiedade, depressão, déficit de atenção e insônia, o que compromete o aprendizado.

Com a pacificação:

» O cérebro reage positivamente a estímulos prazerosos.

» Rotina de paz, prática de esportes, o carinho da família, a brincadeira com os amigos e o estudo sem preocupações ativam o sistema de recompensas do cérebro, que funciona como uma espécie de premiação, gerando sensação de bem-estar.

» A criança fica mais calma, mais atenta em sala de aula e com a autoestima elevada.


Fonte: http://odia.terra.com.br/portal/educacao/

sexta-feira, 30 de julho de 2010

EDUCAÇÃO E DIGNIDADE


"Quanto mais penso sobre a prática educativa, reconhecendo a responsabilidade que ela exige de nós, tanto mais me convenço do dever nosso de lutar no sentido de que ela seja realmente respeitada. O respeito que devemos como professores aos educandos dificilmente se cumpre, se não somos tratados com dignidade e decência pela administração privada ou pública da educação". (p. 96)


Paulo Freire. In: Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Ed. Paz e Terra, 1996.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

NOTÍCIAS...

Toque de recolher em escolas?

Depois do toque de recolher para menores, Fernandópolis, em SP, terá 'toque escolar'

Publicada em 29 jul. 2010 - Bom Dia São Paulo, O Globo

SÃO PAULO - Depois de adotar o 'toque de recolher', que proíbe crianças e adolescentes de andar sozinhos pela cidade após as 23h, o juiz da vara da Infância e Juventude de Fernandópolis, Evandro Pelarin, 563 quilômetros da capital, vai implantar a partir de 10 de agosto o 'toque escolar'. A nova medida prevê que policiais civis e militares, munidos de mandados judiciais, abordem crianças uniformizadas pelas ruas e aquelas que estiverem em horário escolar sejam reconduzidas às escolas. Os policiais estão instruídos para não usar algemas ou qualquer tipo de violência com os estudantes que matam aulas.

- Os policiais foram treinados para fazer essa abordagem - diz o juiz Pelarin.

"O 'toque' carrega um conteúdo simbólico, que é a valorização da escola, mostrar que quem manda na sala de aula é o professor". Os casos reincidentes serão informados à Justiça que vai investigar o histórico familiar da criança para identificar se há negligência dos pais. Caso isso seja confirmado, os pais estarão sujeitos ao pagamento de uma multa que pode variar entre três a 20 salários mínimos, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A medida foi criada pelo juiz após visitar escolas de Fernandópolis onde o problema de 'matar' aulas é mais recorrente. Nestas escolas, segundo Pelarin, os estudantes desafiam a direção e saem da escola para ir em lan-houses. O levantamento dos alunos que matam aulas começou a ser feito em abril do ano passado, explicou o juiz.

- Não vivemos uma crise de alunos fujões, por isso esta será uma medida preventiva. O 'toque' carrega um conteúdo simbólico, que é a valorização da escola, mostrar que quem manda na sala de aula é o professor. O aluno não pode abandonar a escola na hora quer - afirmou o juiz.

A medida tem o apoio do sindicato dos professores.

- Nas ruas, não se sabe com quem esses alunos andam - diz Wilson Frazão, do sindicato dos professores.

Fernandópolis tem 65 mil habitantes e 24 escolas municipais, estaduais e particulares atendem a cerca de 10 mil alunos. A população apóia a decisão do juiz.

- Os pais gastam para manter as crianças na escola. A medida é correta para evitar que as crianças matem aulas - diz uma moradora.

A cidade foi a mesma que adotou o toque de recolher no ano passado. A população também apoiou a decisão do mesmo juiz. Com a proibição de menores circularem sozinhos pelas ruas após 23h, a criminalidade entre essa faixa etária diminuiu.

Fonte: http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2010/07/29/depois-do-toque-de-recolher-para-menores-fernandopolis-em-sp-tera-toque-escolar-917264920.asp

domingo, 25 de julho de 2010

S.O.S.


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Um salto de qualidade na educação

Por MARIA LUISA BARROS - 25 jul. 2010

Rio - Na cartilha da alfabetização em comunidades conflagradas pela violência, pequenas palavras, de efeito devastador, surgiam antes do ABC. Nos rabiscos, modelos de fuzis AR-15, FAL, AK-47 e as siglas de facções CV, ADA e TC se misturavam a desenhos de caveirões e bandidos. A chegada das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), a partir de dezembro de 2008, a 13 comunidades mostrou que educar em tempos de paz, mais do que um sonho, é uma realidade. Nessas favelas, agora, outras letras começam a mudar a rotina de pelo menos 41.806 estudantes cariocas. De 10 escolas públicas nas áreas com UPP, oito já atingiram ou ultrapassaram as metas do Ministério da Educação. Em algumas, a frequência quase dobrou. Tais resultados são o caminho para novo futuro em toda a cidade, que não está integralmente pacificada. Não são poucas as escolas que ainda convivem com a violência — e a trágica morte do garoto Wesley, 11, atingido em plena sala de aula, no dia 16, é a dura lembrança de que há muito a fazer.

Mas a realidade das comunidades que abraçaram as UPPs mostra que mirar na segurança acerta em cheio na educação, dando a partida para uma revolução no ensino de escolas aterrorizadas por mais de três décadas de conflitos. Por três meses, O DIA viveu a rotina desses 10 colégios municipais do Rio, nas zonas Sul (Dona Marta, Chapéu Mangueira/Babilônia, Pavão-Pavãozinho/ Cantagalo, Tabajaras/Cabritos), Oeste (Cidade de Deus e Jardim Batan) e Norte (Borel) e Centro (Providência). No Ciep Dr. Antoine Magarinos Torres Filho, no Morro do Borel, na Tijuca, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal avaliação na qualidade do ensino no Brasil, superou a meta de 2017. Na Escola Municipal Pedro Aleixo, na Cidade de Deus, o ‘problema’ agora é criar novas turmas para reduzir o número de crianças em sala, tamanha a frequência em tempos de paz. No Ciep João Goulart, no Cantagalo, as reuniões de pais são tão concorridas que faltam cadeiras para todos.

Cada unidade tem sua história vitoriosa para contar. Neste caderno e nos próximos dias, será possível conhecê-las e entender como a retomada pelo Estado de áreas antes dominadas por traficantes e milicianos está criando novos horizontes para jovens.

Sai o tráfico, entra a escola

Nas favelas pacificadas, as leis do tráfico não fazem mais parte do currículo de jovens e crianças. Os professores tampouco precisam disputar a atenção dos estudantes com explosões de granadas, rajadas de fuzis e corpos a caminho da escola. “Antes, os alunos só vinham quando não havia conflito. Isso acabou. Eles agora estão tendo ensino regular. Os professores podem planejar as aulas, e os pais saem para trabalhar tranquilos”, percebe Marilina Amaral, diretora da Escola Municipal José Pereira Clemente, na Cidade de Deus.

No Ciep João Goulart, no Cantagalo, Copacabana, a diretora Mônica Zucarino viu, ao longo dos anos, muitos alunos obterem a certidão de óbito antes do diploma. Jovens que empunhavam fuzis hoje seguram caneta e lápis. “Tenho alunos que estavam no tráfi co e, quando a UPP entrou, voltaram a estudar. Eles ganhavam mais do que um professor, mas largaram tudo e hoje, às 7h, já estão na porta da escola. No fundo, sabem que a escola ainda é a única esperança de um futuro melhor”, destaca Mônica.

Corrida por matrículas

Diretora da Escola Municipal Alphonsus de Guimaraens, Andrea Rangel se lembra como se fosse hoje dos dias em que se deparava com alunos drogados no pátio da escola. “Aqui era terra de ninguém. Eles faziam a quadra de motel. Quando a gente chegava de manhã, havia preservativos, saquinhos de drogas e até fezes pelo chão. Nem animal faz isso”, relembra ela, que hoje tem apoio da ronda escolar da UPP da Cidade de Deus. Por causa da vigilância policial, houve uma corrida por matrículas. “Quem estava à toa na rua começou a levar dura e a ser parado pelos policiais. As mães se desesperavam para matricular os filhos que já tinham abandonado os estudos”, completa a diretora, que comemora a melhora no desempenho dos estudantes de 1º ao 5º ano. A escola é outra que já ultrapassou a meta do MEC para 2009. “Tomara que a UPP não saia nunca daqui”, torce Andrea.

Fonte: Jornal "O Dia" - http://odia.terra.com.br/portal/educacao/

PESQUISA [Notícias]

62% das crianças correm risco online

ANDRÉA CASTELLO BRANCO, Jornal OTEMPO em 25 jul. 2010

Laura Gontijo, 12, estava no MSN quando um desconhecido a chamou no bate-papo. Perguntou como ela era, onde morava e outras informações bastante pessoais. Já prevenida pela mãe, a garota chamou um tio e contou o que estava acontecendo. Bastou o adulto intervir e ameaçar chamar a polícia para que o intruso desaparecesse imediatamente. O que Laura viveu é semelhante ao que acontece com 62% das crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos, como aponta o Norton Online Family Report 2010.

O estudo foi realizado com 2.800 crianças em 14 países, incluindo o Brasil, e abordou os hábitos e riscos que crianças e adolescentes têm na vida online. Também foram ouvidos 7.066 adultos para uma avaliação sobre o comportamento dos pais, levando em conta o controle, os temores e o nível de acompanhamento dos filhos. Sobre esse aspecto, a pesquisa trouxe uma boa notícia: os pais estão mais bem informados sobre o tempo que os filhos passam diante do computador. No levantamento feito em 2008, as crianças reportaram ficar dez vezes mais tempo online do que os pais supunham. Neste ano, pais e filhos estimaram o mesmo tempo de permanência na internet - no Brasil, uma média de 18 horas por semana. Em outros países, de 11,4 horas semanais.

Apesar de ter uma melhor noção do tempo, ainda é difícil para pais e mães controlarem o conteúdo a que os filhos têm acesso e perceberem quando algo ruim está acontecendo. Cinquenta e cinco por cento dos entrevistados afirmaram não saber se as experiências que os filhos têm na web são positivas ou negativas. Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependentes da Internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP), explica que, à medida que os casos de pedofilia e bullying eletrônico são divulgados, é natural os pais ficarem mais atentos ao computador. Contudo, o limite ainda está longe do ideal. "É grande o número de pais que trabalham fora, e o computador acaba virando uma grande babá. Quando pedimos aos pais para reduzirem o tempo do filho no computador, eles respondem da mesma forma: `se eu retirar a internet, o que ele vai fazer?´. Isso ainda não conseguimos resolver".

Controlar o tempo também não basta para proteger crianças e adolescentes, diz Nabuco. Para ele, o principal problema é a desinformação sobre os riscos a que crianças e adolescentes estão expostos. "Os pais até têm consciência, mas não sabem como lidar". E aconselha: "Eles deveriam ser mais presentes e, da mesma forma que perguntam com quem o filho vai sair, quem são seus amigos na escola, se interessarem, genuinamente, em saber com quem a filha está teclando. Não com o espírito de vigiar, mas porque a maior parte das relações se estabelece primeiro no ambiente virtual. Isso diminuiria a vulnerabilidade".

Preocupação: Cristina Muradas é mãe de Daniela, 16, e Felipe, 12, e tenta acompanhar a vida online dos filhos. Para conseguir isso, definiu a sala como local para instalar o computador. "Ele fica com a tela virada para quem entra, então, todo mundo vê o que está sendo acessado", conta.

Cristina também aproveita os momentos que está por perto para conhecer os amigos virtuais e conversar sobre segurança. "Às vezes, quando entro na sala, eles mudam de página. Mas aí eu peço para eles voltarem. Quero ver. Quero saber de onde eles conhecem aquela pessoa com quem estão conversando", diz. Fabiana Gontijo é mãe de Laura, a garota do início da matéria, e diz que, mesmo antes de a filha ter tido o MSN invadido por uma pessoa que ela não adicionou como amigo, ela se preocupa com riscos inerentes ao ambiente virtual. Ela tem filtros instalados no seu computador, mas acredita mesmo é no diálogo como a melhor forma de proteger a filha de abusos virtuais. "O que vem em primeiro lugar é conversar muito. Toda vez que ela está no MSN, chego e pergunto quem é. E não é para controlar, mas porque realmente quero saber com quem ela se relaciona", diz. Sobre a reação de Laura quando um estranho tentou se aproximar, ela diz que a filha sempre foi bem orientada. "Curiosidade toda criança, todo adolescente tem, mas a Laura é uma menina comedida. Sempre orientei muito sobre os riscos e os cuidados que ela deve ter. Por isso, ela percebeu a ameaça e chamou meu irmão", diz Fabiana.

No topo - Brasileiros são os que ficam mais tempo conectados

O tempo que crianças e adolescentes passam conectados aumentou no mundo todo, 10% em comparação com os dados da mesma pesquisa realizada em 2009, chegando a um total de 11.4 horas por semana. Mas são as crianças brasileiras as que mais ficam online, passando em média 18,3 horas por semana na internet. Para se ter ideia, no Japão, os jovens gastam 5,6 horas por semana na rede. Para o psicanalista Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de viciados em internet do HC/USP, é difícil discernir quando o uso é recreativo e quando está beirando o abusivo. "Esse é o ponto complicado porque essa geração que nasceu entre 1990 e 2000 é a geração digital, são jovens que nasceram sob a realidade de estarem conectados o tempo todo. A perspectiva tecnológica dá a eles características muito distintas", diz.

Mas o especialista afirma que é preciso reduzir o número de horas porque, do ponto de vista neurológico, é importante ter experiências na vida real. "No virtual, os jovens criam uma personalidade que não coaduna com o que eles são na vida real. E nosso cérebro tem dificuldade de discernir a experiência vivida e aquela imaginada. Quando o adolescente passa cronicamente a viver a vida imaginada, temos um problema, o elemento perigoso, o grande ópio". Segundo o especialista, a criança ou adolescente nessa situação deixa de desenvolver a tolerância à frustração, a capacidade de mudar o que não está bem no entorno. "O exercício do ser social fica muito capenga porque as bases de relacionamento são inexistentes", diz Cristiano Nabuco. (ACB)

Entre os entrevistados, 68% disseram que não são adeptos do assédio e do bullying na rede.

Assédio e bullying não são comuns entre jovens usuários

Um dos dados mais positivos do Norton Online Family Report 2010 revela que a maioria das crianças tem se comportado bem no mundo online. Seis em dez entrevistados (68%) afirmam que não assediam ou perseguem outras pessoas online e evitam transmitir fotos ou posts embaraçosos de outras pessoas. Mais da metade não faria ou diria algo online que não faria ou diria off-line, isto é, na vida real. E 67% contariam aos pais se estivessem sendo intimidados. Para o psicanalista Cristiano Nabuco, o dado reflete bem o que acontece no mundo real. "As pessoas que cometem bullying na vida real serão as mesmas que vão constranger as pessoas na internet. Não acredito que a internet aumente o potencial de agressão. Claro que a rede é um espaço que permite uma liberdade muito maior, mas ela não é culpada pelos crimes virtuais cometidos ali", opina. (ACB)

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=146793,OTE

terça-feira, 20 de julho de 2010

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Polícia apreende último adolescente envolvido em agressão a aluno do Caseb

Publicação: 20 jul. 2010

Agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) apreenderam, no início da tarde desta terça-feira (20/7), o último dos seis adolescentes envolvidos no caso de agressão ao aluno do Centro de Ensino Fundamental Caseb, na Asa Sul. Os policiais chegaram até o garoto após um denúncia anônima feita nesta manhã. O adolescente de 13 anos era o único que ainda estava foragido. Segundo o delegado-chefe adjunto da DCA, Yuri Fernandes, o jovem estava na casa de uma amiga de familiares, no Cruzeiro.

Por volta das 13h30, os agentes localizaram o garoto. A mulher que estava na casa tentou enganar os agentes da operação e informou que o adolescente que estava em sua casa tinha outro nome. Mas, como havia um mandado de apreensão a polícia entrou na residência e confirmou que se tratava do adolescente procurado. A dona da casa foi encaminhada para a Delegacia de Repressão a Pequenas Infrações (DRPI) e autuada por favorecimento pessoal. Ela pode pegar até seis meses de detenção ou pagar multa. "O garoto já foi encaminhado para a Vara da Infância e da Juventude. Assim que o juiz der a decisão ele será levado para o entro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) e ficará com os outros cinco envolvidos", explicou o delegado.

Relembre o caso...

No dia 1º de julho, um adolescente de 15 anos e seu primo foram agredidos por outros jovens estudantes do Caseb. A agressão aconteceu na parada de ônibus da 910 Sul, a 300 metros do colégio. A briga foi motivada por um apelido dado a prima dos dois agredidos. As vítimas foram tirar satisfação e acabaram sendo espancadas violentamente. O caso foi investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), que encaminhou, após vários depoimentos, o pedido de internação provisória dos jovens. O adolescente agredido passou por cirurgia para retirar um coágulo em seu cérebro, resultante das pauladas. O garoto teve alta na última semana.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br

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Escola particular do Rio reforça blindagem de suas janelas

Por Karina Di Nubila, DO RIO - 20 jul. 2010

Com uma unidade na Gávea, zona sul do Rio, localizada próxima à favela da Rocinha, a Escola Americana, que atrai alunos de classes média e alta, fechou contrato com uma empresa de blindagem para reforçar a segurança de suas instalações. De acordo com Roberto Calzolari, representante da empresa EMS no Rio, a escola bilíngue possui oito blocos equipados com um sistema à prova de tiros. "A modernização se deve ao avanço tecnológico dos armamentos disponíveis hoje no mercado", afirma Calzolari.

Segundo a empresa, até a primeira quinzena de agosto as obras já estarão concluídas, coincidindo com o reinício das aulas no colégio. "Vamos trocar todas as janelas da escola", disse o representante. A administração do colégio possui uma área especializada em segurança, mas não divulga informações para proteger seus alunos.

Depois da morte de Wesley Guilber Rodrigues, de 11 anos, na última sexta-feira (16), pais, alunos e professores voltaram a discutir medidas para aumentar a segurança nas escolas que ficam perto de áreas de risco. Wesley foi atingido por um tiro no Ciep Rubens Gomes, em Costa Barros, na zona norte. Na segunda-feira (19), a Prefeitura do Rio descartou a possibilidade de blindar escolas municipais. Segundo a EMS, o preço para reforçar a segurança de alunos e professores é alto. No Rio, uma blindagem de nível 3, que segura balas de fuzil e é a mais solicitada, custa cerca de R$ 3 mil o metro quadrado.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/769798-escola-particular-do-rio-reforca-blindagem-de-suas-janelas.shtml

segunda-feira, 19 de julho de 2010

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Escola onde aluno foi morto no Rio tem férias antecipadas; festa julina é cancelada

Por Diana Brito

As férias no Ciep (Centro Integrado de Educação Pública) Rubens Gomes, na zona norte do Rio, foram antecipadas e devem ser retomadas no início de agosto. A decisão foi tomada após o aluno Wesley Guilber Rodrigues de Andrade, 11, ser morto por uma bala perdida na última sexta-feira (16). A antecipação das férias foi confirmada nesta segunda-feira, assim como o cancelamento da festa julina, marcada para o próximo dia 22. As férias estavam programadas para começar apenas após evento. Na manhã desta segunda, mães que levaram seus filhos para a escola foram informadas da mudança.

Também na manhã de hoje, a direção do Ciep se reuniu com professores e pais para discutir quais providências serão tomadas após a morte de Wesley. A direção pretende enviar um ofício para o governo pedindo maior segurança no local. No dia em que o menino morreu, dois tiros chegaram a atingir a janela da sala de aula onde estava a criança. "Estou horrorizada com tudo que aconteceu. Nossas crianças não podem ficar na mira dos tiros em qualquer tipo de operação policial. A qualquer horas eles chegam atirando e nem avisam que vão fazer operação na comunidade", afirmou Rosemar Martins, 35, moradora há 25 anos da região e mãe de aluno.

A direção da escola afirmou que 12 psicólogos e assistentes sociais estão na unidade para atender alunos e professores e devem permanecer no local até o dia 23 --data inicialmente programada para o início das férias--, segundo a coordenadora do 6º CRE (Coordenação Regional de Educação), a professora Deolinda Montenegro. Ao todo 1.200 crianças estudam na unidade, que possui 40 professores.

Enterro

Wesley foi enterrado no final da manhã deste sábado, no cemitério de Irajá, zona norte do Rio. Colegas e professores do Ciep Rubens Gomes, onde o menino estava quando foi atingido no peito por uma bala perdida disseram estar traumatizados. Nenhuma autoridade municipal ou estadual compareceu ao enterro. A escola é municipal, e a Polícia Militar, estadual, poderá ser responsabilizada pela morte de Wesley. A polícia fazia uma operação em favelas de Costa Barros (zona norte) contra traficantes, e os tiroteios culminaram na morte do menino. Em função do episódio, o comando da Polícia Militar exonerou ontem o coronel Fernando Prínicipe do comando do 9º Batalhão de Polícia Militar.

Em voz alta, a diretora do Ciep, Rejane Pereira, lamentou na capela do velório o que aconteceu. "Foi tudo embora com o Wesley. Todo o nosso trabalho foi embora. Wesley, perdoa a gente, filho. Perdoa a professora, perdoa", disse.

Fonte: Folha de São Paulo [on Line] - 19/07/2010

domingo, 18 de julho de 2010

EDUCAÇÃO, ESCOLA, POLÍCIA E VIOLÊNCIA

por Lúcio Alves de Barros*

São inadmissíveis “operações especiais” próximas às instituições escolares. Não é possível que ainda existam pessoas que pensam que escolas não são lugares onde se encontram pessoas (crianças, jovens e adultos) para estudar e, se possível, agregar conhecimento. É bem verdade que ela anda falhando nesta maravilhosa e doce função. Também já não agrega a boniteza da vida como dizia Paulo Freire, tampouco está cumprindo a função de controle social. Contudo, quando as escolas começam a receber tiros e seus membros começam a cair é sinal que a coisa está mais feia do que se pensa.

O último episódio que recebeu um grande amparo da mídia foi o do belo garoto Wesley Guilber de Andrade, de apenas 11 anos de idade. Ele morreu atingido por um tiro dentro da sala de aula no Ciep Rubens Gomes na manhã de sexta-feira. O tiro saiu de um fuzil 762 utilizado pelo exército e hodiernamente pela polícia militar, notadamente aquela que hoje diz estar assentada na filosofia das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), mas que – na verdade – há muito se encontra em tempos de guerra. Para evitar muitas linhas vou direto ao assunto.

Em primeiro, é forçoso salientar o absurdo do “acontecimento” que deve receber mais tintas da mídia conivente e sensacionalista. Talvez, neste caso, vale até à pena acompanhar os desdobramentos. O discurso que não cansamos de ouvir é que o lugar de criança é na escola. Qual escola? Esta na qual as crianças podem ser baleadas em plena manhã? Convenhamos, a situação é crítica e preocupante. Em entrevista ao Jornal O DIA, o ex-comandante do 9º BPM (Rocha Miranda), coronel Fernando Príncipe, afirmou que “O Ciep é irrelevante. Se não houver Ciep, haverá uma casa, uma fábrica. Mas o pior é não realizar operações”. Talvez ele tenha lá suas razões em comparar instituições tão diferentes em conteúdo, cor e função, afinal o coronel é treinado para isso e seguia ordens do governo. Todavia, suas palavras são fortes porque uma escola não é uma casa qualquer, tampouco uma fábrica que, por sinal, deveria estar lotada de trabalhadores. O espaço escolar - por pior que ele seja - ainda é divino, belo, local, libertador e, teimo a afirmar que é um “lugar” mais importante do que as igrejas, batalhões, hospitais, manicômios e bordeis. A despeito do discurso enviesado do estruturalismo francês, as escolas estão muito distantes das fábricas e iguala-las a outros lugares já é equivocado por princípio e definição. Até porque a bala “perdida”, por estar nesta condição pode atingir qualquer coisa e o problema parece mais do que óbvio: (a) não deveria estar perdida e (b) por precaução não deveria ser encontrada ou muito menos chamada.

Em segundo, apesar de todo discurso da polícia comunitária, paz nos morros, cultura da paz, programas sociais, é notório que o governo assumiu de vez a perigosa metáfora da guerra. Explico melhor: a pedagogia policial é matar o “inimigo”, ir atrás dos alienígenas e dos suspeitos que devem estar cheios de drogas e armas. As informações veiculadas pela mídia não deixam dúvida: “A Delegacia de Homicídios recolheu 35 fuzis de PMs dos batalhões de Rocha Miranda, Barra da Tijuca, Bangu e Santa Cruz, que participaram da ação. As armas serão confrontadas com o projétil calibre 762 encontrado no corpo do menino, compatível com o tipo de fuzil usado por PMs. Policiais civis fizeram perícia ontem no Ciep para calcular de que ponto partiu o tiro”. Armados e treinados para o combate, os policiais soltos nos morros e vielas – na esteira da cultura da guerra – são incontroláveis e, por tarefa e treinamento, avançam no território em busca do alvo. Nas palavras do ex-comandante que não me deixa mentir: “Tínhamos como alvos a comunidade de Final Feliz e os morros da Pedreira, Lagartixa e Quitanda. O bandido é inconsequente, faz disparos em qualquer direção. Tivemos que trocar tiros. Não há outro jeito de se fazer operação. Ou é assim ou, então, não faz. A Inteligência diz que o bandido ele está lá dentro (da favela). Temos que ir lá. O que a polícia deve fazer? Não fazer nada é prevaricação”. Em outra passagem: “Um batalhão de guerra não pode ter dois blindados baixados (fora de condições de uso), 40 fuzis inservíveis. Começamos a entrar em território em que a PM não ia. Claro que, nesses locais iríamos encontrar delinquentes bem armados. Mas era preciso fazer. Na semana passada, delinquentes da região atacaram uma cabine da PM e mataram um taxista.”

Como se vê, não é difícil verificar nas palavras da autoridade policial o discurso próprio da guerra: o “alvo”, a “troca de tiros”, os “blindados”, os “territórios” e os inimigos “bem armados”. Um leitor desatento pensaria que perto dessa escola poderia estar o Agefanistão ou mesmo o estado hobbesiano do Iraque. Como “guerra é guerra” (na guerra procura-se a aniquilação do inimigo), o uso da prevaricação como justificativa não é uma boa, até porque se o tiro não tivesse encontrado Wesley, certamente, o policial não estaria se referindo a tal procedimento. O fato é que a metáfora da guerra entrou no linguajar e no fazer policiamento. Nesta direção, perde a polícia, a escola e os alicerces da possibilidade de paz em regiões nas quais a droga anda solta e o Estado se faz presente ou na precária educação ou na polícia pronta para atirar.

Um terceiro ponto não deixa de ser curioso e merecedor de maiores atenções. Uma das justificativas do ex-comandante ao anunciar a ação é que "a operação foi necessária. Empresários da Fazenda Botafogo já haviam falado comigo que não aguentavam mais. A ação começou às 8h20, havia 100 homens comandados por um major.” Não é preciso ser criança para não entender que a polícia estava, de uma forma ou de outra, atendendo também aos pedidos dos “Empresários da Fazenda Botafogo”. Apelos matutinos que resultaram na morte de Wesley Guilber de Andrade. Valeu à pena? O próprio ex-comandante afirma que não foi a primeira vez que os tiros acertaram o CIEP e que havia solicitado ao governo a blindagem da escola. De duas uma: (1) ou a polícia é ingênua e desconhece as condições das escolas e os reais interesses governamentais ou (2) não faz a mínima diferença se as operações são feitas próximas às escolas, fábricas ou casas.

Por último, parecem louváveis as desculpas do governador Sérgio Cabral (PMDB) que teceu fortes críticas a ação policial. No entanto não é primeira vez que o governador pediu desculpas pela ação desastrosa da polícia. Pedir desculpas alivia, mas não resolve o problema. Se existe um responsável maior pela morte do belo garoto, este é o Estado feioso e leviano que trata melhor o fuzil do que as crianças. O governo atira com a polícia repressiva e, ao mesmo tempo, posa de instituição educativa com a polícia comunitária e de proximidade. Um paradoxo em tempos de democracia. Com a palavra, o próprio ex-comandante: "Nunca houve orientação do comandante-geral para que eu não fizesse este tipo de operação. Ao me exonerar, me disse que sua política privilegiava as UPPs. Eu então afirmei que ele havia me induzido ao erro, não havia sido firme em sua orientação. Ao contrário: ao me empossar no 9º BPM, ele fez um discurso na linha do combate. Afinal, trata-se de uma área onde há 100 favelas. O comandante-geral não foi injusto comigo pessoa física, foi com os comandantes de batalhão.” Como se vê, o tiro “perdido” atingiu outros alvos (humanos e simbólicos). Cabeças começaram a rolar e outras, certamente, vão se fortalecer. O discurso, longe da prática, deve continuar a fazer parte das letras das elites, dos empresários, das autoridades e daqueles que acham bom o combate em tiros próximos das escolas. Afinal, naquelas escolas não estão os filhos deles. Infelizmente, estamos longe, longe mesmo de uma polícia pedagógica e de uma escola respeitada em toda sua boniteza (para lembrar novamente o ensinamento de Paulo Freire), como instituição não somente de controle social, mas - por definição - mais importante e potente que um batalhão, uma fábrica ou uma casa.

* é professor da Faculdade de Educação da UEMG. Autor do livro, Fordismo: origens e metamorfoses. Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP, 2005 e organizador das obras, Polícia em Movimento. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006 e Mulher, política e sociedade. Belo Horizonte / Brumadinho: Ed. ASA, 2009.

NOTÍCIAS...

Moradores fizeram manifestação a poucos metros do Ciep Rubens Gomes e da passarela de onde teria sido feito o disparo que matou Wesley

Foto: Severino Silva / Agência O Dia

Por Diego Barreto, Fernando Molica e Thiago Feres

Coronel Príncipe afirma que não errou ao realizar a ação em Costa Barros
Operação, que resultou na morte de aluno dentro da sala, gera polêmica dentro da corporação

Rio - Responsável pela operação policial nas favelas da Quitanda e Pedreira, em Costa Barros — onde o menino Wesley Guilber de Andrade, 11 anos, morreu atingido por tiro dentro da sala de aula do Ciep Rubens Gomes, na manhã de sexta-feira — o ex-comandante do 9º BPM (Rocha Miranda), coronel Fernando Príncipe, lamenta a morte dele, mas defende que as operações sejam mantidas: “O Ciep é irrelevante. Se não houver Ciep, haverá uma casa, uma fábrica. Mas o pior é não realizar operações”.

A Delegacia de Homicídios recolheu 35 fuzis de PMs dos batalhões de Rocha Miranda, Barra da Tijuca, Bangu e Santa Cruz, que participaram da ação. As armas serão confrontadas com o projétil calibre 762 encontrado no corpo do menino, compatível com o tipo de fuzil usado por PMs. Policiais civis fizeram perícia ontem no Ciep para calcular de que ponto partiu o tiro.

Wesley foi enterrado na manhã de ontem, no Cemitério de Irajá. No sepultamento, acompanhado por 70 pessoas, amigos da vítima e professores lembraram os momentos de horror. A professora do menino, Mariza Helena, foi a primeira a prestar socorro: “Quando ouvimos os primeiros tiros saímos da sala e nos posicionamos no corredor. Ali era um lugar que considerávamos mais seguro. Mas o tiroteio parou e voltamos para a sala de aula. De repente, ouvimos novos disparos. As crianças começaram a correr para fora, mas uma bala entrou na sala”.

Mariza contou que depois de ser atingido, Wesley ainda correu até o corredor. “Ele caiu no chão do corredor e começou a sangrar. Os coleguinhas gritavam pedindo que não deixasse ele morrer. Tenho 40 anos de magistério, 17 só nesta escola. Mas, depois disso, não sei se conseguirei voltar para a sala de aula”, desabafou. Diretora da unidade, Rejane Faria passou mal no velório. “Tudo foi embora, todo o nosso trabalho. Me perdoa pai, me perdoa mãe”, lamentou ela no velório, aos prantos. Amanhã, as aulas no Ciep Rubens Gomes estão suspensas. Psicólogos e assistentes sociais da Secretaria Municipal de Educação se reunirão com professores e alunos, que vão vestidos de branco em pedido por paz. Pai de Wesley, o comerciante Ricardo Freire cobrou a presença de autoridades do estado no último adeus ao filho. “Eles não se preocuparam porque os filhos deles andam de carros blindados e passam longe das áreas de risco”, disparou. O governo estadual arcou com o custo do enterro. “O tudo deles não é nada pra gente”, criticou.

Governador condena ação e pede desculpas à família

O governador Sérgio Cabral criticou a ação policial e pediu desculpas à família de Wesley: “Só se faz uma operação como aquela, com um Ciep funcionando, se for absolutamente impossível evitar. Não era o caso. É preciso pedir desculpas à esta família. Sou pai de cinco filhos e posso imaginar o que essa mãe, esse pai estão sentindo. A melhor maneira de homenagear o Wesley é continuar a luta pela pacificação.Muito emocionados, os cerca de 20 funcionários do Ciep Rubens Gomes presentes ao enterro deram as mãos e formaram uma roda após o sepultamento para rezar. “Estamos muito tristes, mas temos que ser fortes. Que Deus conforte o coraçãozinho dos pais deles”, pediu uma professora. “Nós fizemos tudo, tudo que era possível naquela hora”, disse o professor Felipe Ribeiro, que questionou a demora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para o socorro.

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, o SAMU registrou uma ligação de socorro para Wesley, às 8h59. De acordo com a secretaria, ela cruzou com o carro que levava o menino para o hospital às 9h10, quando então conduziu a vítima até o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes.

Pai impedido de levar corpo para o Recife

Nascido em Olinda (PE), Wesley era filho único de pais separados. “Ele veio de tão longe para virar estatística no Rio”, lamentou o pai, que desejava sepultá-lo em sua cidade natal. Familiares do menino acusaram funcionários do Instituto Médico-Legal (IML) de não deixarem o corpo permanecer lá enquanto agilizavam a transferência do cadáver para Recife. “Nem no momento de dor somos respeitados. Cheguei do Recife às 21h de ontem, mas o governo já havia preparado tudo e os responsáveis pelo IML negaram a permanência do corpo sob ameaça de despejo”, revoltou-se Luiz Carlos Freire, 36, tio da vítima. A Polícia Civil negou que tenha apressado a liberação corpo.

Ainda sobre esta notícia:

“OU É ASSIM, OU NÃO FAZ”, DEFENDE CORONEL SOBRE OPERAÇÃO POLICIAL EM FAVELAS

Afastado do comando do 9º BPM, o coronel Fernando Príncipe Martins abre fogo contra o comandante-geral da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte, em entrevista ao DIA. “Com a minha exoneração, o comandante-geral diz para os outros comandantes que eles devem privilegiar a omissão e a covardia, devem privilegiar o não fazer”. Príncipe diz que não errou e que a perda de vidas inocentes, “eventualmente, vai acontecer”.

OPERAÇÕES EM FAVELAS - "A operação foi necessária. Empresários da Fazenda Botafogo já haviam falado comigo que não aguentavam mais. A ação começou às 8h20, havia 100 homens comandados por um major. Tínhamos como alvos a comunidade de Final Feliz e os morros da Pedreira, Lagartixa e Quitanda. O bandido é inconsequente, faz disparos em qualquer direção. Tivemos que trocar tiros. Não há outro jeito de se fazer operação. Ou é assim ou, então, não faz. A Inteligência diz que o bandido ele está lá dentro (da favela). Temos que ir lá. O que a polícia deve fazer? Não fazer nada é prevaricação. O delegado Alzir (Roberto Alzir Dias Chaves, Superintendente de Planejamento Operacional da Secretaria de Segurança) me ligou e cumprimentou pela operação. Você não tem como alvo o Ciep."

MORTE DE WESLEY - "Eu lamento muito, claro. Mas não fui responsável por ela, meus policiais também não. Com a minha exoneração, o comando mostra que não assume a responsabilidade de seus comandados. Não foi a primeira vez que um estudante foi atingido naquele Ciep e o poder público nunca providenciou a blindagem do prédio. Estive no local, vi o que poderia ser feito. Abomino a morte de inocentes, mas isso, eventualmente, vai acontecer.”

TRABALHO NO 9º BPM - "O 9º Batalhão, quando eu o assumi, era inoperante. Um batalhão de guerra não pode ter dois blindados baixados (fora de condições de uso), 40 fuzis inservíveis. Começamos a entrar em território em que a PM não ia. Claro que, nesses locais iríamos encontrar delinquentes bem armados. Mas era preciso fazer. Na semana passada, delinquentes da região atacaram uma cabine da PM e mataram um taxista."

EXONERAÇÃO - "Lamento que o comandante-geral tenha me exonerado antes de me ouvir. Ele tem a função de apoiar seus comandados e de ser justo. Foi como se ele dissesse que não importa se houve erro ou acerto, não importa quem tem razão, o que não pode é colocar em risco sua função. Depois da minha exoneração, como oficiais e praças vão agir? Terão segurança para pegar suas asmas sabendo que poderão ser exonerados? Pior é a desmoralização de um servidor público. Há 2 meses, ele (o comandante-geral) me apresentou um quadro crítico no 9º BPM; agora, ao me exonerar, ele diz para a sociedade que o oficial não é competente".

INDUZIDO AO ERRO - "Nunca houve orientação do comandante-geral para que eu não fizesse este tipo de operação. Ao me exonerar, me disse que sua política privilegiava as UPPs. Eu então afirmei que ele havia me induzido ao erro, não havia sido firme em sua orientação. Ao contrário: ao me empossar no 9º BPM, ele fez um discurso na linha do combate. Afinal, trata-se de uma área onde há 100 favelas. O comandante-geral não foi injusto comigo pessoa física, foi com os os comandantes de batalhão.”

FUTURO NA PM - “Sob este comando, meu futuro na PM não deverá existir. Fui desmoralizado por um erro que não houve. Não acho que tenha condições de assumir novas funções”.

Fonte: http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2010

sábado, 17 de julho de 2010

NOTÍCIAS...

Pai de menino baleado dentro de escola no Rio critica governador

De SÃO PAULO - 17 jul. 2010

O corpo de Wesley Gilbert Rodrigues de Andrade, 11, foi sepultado no final da manhã deste sábado, no cemitério de Irajá, zona norte do Rio. Colegas e professores do Ciep Rubens Gomes, onde o menino estava quando foi atingido no peito por uma bala perdida, na manhã de ontem, disseram estar traumatizados e sem saber como voltarão à escola.

No vídeo da TV UOL, o pai, o caixa de restaurante Ricardo Freire de Andrade, 31, criticou o governo do Estado e disse que o governador só tomará providências "quando acontecer com o filho dele". Ele ainda decidirá se vai entrar com ação contra o Estado. Nenhuma autoridade municipal ou estadual compareceu ao enterro. A escola é municipal, e a Polícia Militar, estadual, poderá ser responsabilizada pela morte de Wesley. A polícia fazia uma operação em favelas de Costa Barros (zona norte) contra traficantes, e os tiroteios culminaram na morte do menino. Em função do episódio, o comando da Polícia Militar exonerou ontem o coronel Fernando Príncipe do comando do 9º Batalhão de Polícia Militar.

Wesley morou com pai em São Paulo até os 8 anos. Depois veio para o Rio morar com a mãe, já que o casal era separado. Havia a possibilidade de ele voltar a morar com o pai, que desejava ir para Recife, sua cidade natal, para tentar escapar da violência da área em que o menino morava.

Ainda sobre esta notícia:

Professor de aluno baleado diz que Samu demorou mais de meia hora; Estado nega

Denise Menchen, DO RIO

O professor de educação física Felipe Ribeiro afirmou na manhã de hoje, no enterro de Wesley Gilbert Rodrigues de Andrade, 11, que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado "três ou quatro vezes" após o menino ser baleado dentro da escola municipal onde estudava em Costa Barros, na zona norte do Rio, mas, meia hora após o ocorrido, ainda não tinha chegado ao local. O menino foi atingido durante troca de tiros entre policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) e criminosos de favelas vizinhas à escola. A polícia investiga o caso.

O estudante acabou removido do local no carro de uma professora e só foi transferido para a ambulância quando os veículos se cruzaram. Ele morreu antes de chegar ao hospital. "Primeiro liguei para os Bombeiros e disseram que era para ligar para o Samu. Liguei três ou quatro vezes em meia hora e eles não chegavam. Aí duas professoras, com ajuda do pessoal da limpeza, enrolaram o Wesley e o botaram no carro", afirmou Ribeiro.

A informação é contestada pela Secretaria Estadual de Saúde. A assessoria de imprensa do órgão diz que todas as ligações recebidas pelo Samu são gravadas e que houve apenas uma chamada, às 8h59. "Às 9h02, a ambulância saiu do quartel mais próximo, e, às 9h10, cruzou com o carro que estava levando o menino", afirmou a assessoria. Wesley foi enterrado hoje no cemitério de Irajá, sem a presença de autoridades. O governo do Estado pagou o sepultamento.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/

sexta-feira, 16 de julho de 2010

NOTÍCIAS...

Pais do menino morto dentro de escola no Rio chegam ao IML para reconhecer o corpo


Por Diana Brito, DO RIO – Folha de São Paulo [on line]

Os pais do menino morto após ser baleado dentro da sala de aula do Ciep (Centro Integrado de Educação Pública) Rubens Gomes, em Costa Barros (zona norte do Rio), na manhã desta sexta-feira, chegaram ao IML (Instituto Médico Legal) de São Cristóvão, também na zona norte, para fazer o reconhecimento do corpo. Eles não falaram com a imprensa.

Representantes da Secretaria Municipal de Educação do Rio acompanham os pais da criança no IML.

Wesley Gilber Rodrigues, 11, aluno do ensino fundamental do Ciep, foi atingido por uma bala perdida durante uma troca de tiros entre criminosos e policiais militares na manhã de hoje nas favelas de Costa Barros, na zona norte. Além da criança, cinco homens morreram.

Segundo moradores da região, policiais estavam na passarela perto da escola trocando tiros com criminosos da favela Terra Nostra, que fica ao lado do Ciep. As vítimas baleadas foram levadas para o hospital estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, também no subúrbio, mas não resistiram aos ferimentos e morreram antes de dar entrada na unidade. Rodrigues levou um tiro no peito e foi levado para o hospital pelos professores. Segundo os educadores, o socorro demorou mais de meia hora e, por isso, eles resolveram levar o menino para a unidade. O corpo de Rodrigues foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal) de São Cristóvão, na zona norte.

A Secretaria de Saúde informou que os cinco homens, sem identificação, com idades aparentemente entre 25 e 30 anos, também já chegaram mortos ao hospital, vindos da área. Segundo a pasta, eles foram levados pela polícia para a unidade. A PM disse que policiais do 9º Batalhão (Rocha Miranda) realizam, desde o início da manhã, uma operação para reprimir o tráfico de drogas e armas nas favelas Quitanda, Pedreira, Lagartixa e Terra Nostra, de Costa Barros. O policiamento na região foi reforçado. Foram apreendidos uma carabina calibre ponto 30, uma submetralhadora, três pistolas, um revólver, oito motos supostamente roubadas e drogas (maconha, cocaína e crack). Dois suspeitos, que não tiveram os nomes divulgados, também foram presos e levados para 39ª DP (Pavuna).

AULAS SUSPENSAS

A Secretaria municipal de Educação informou que suspendeu as aulas no Ciep Rubens Gomes na manhã desta sexta-feira, depois que Wesley Rodrigues foi atingido por uma bala perdida dentro da sala de aula.

Ainda sobre esta notícia:

Comandante de Batalhão é exonerado após morte de criança por bala perdida

Fábio Grellet, DO RIO – Folha de São Paulo [on line]

O comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar do Rio, Fernando Príncipe Martins, foi exonerado nesta sexta-feira, depois que um menino de 11 anos morreu atingido por uma bala perdida dentro de uma sala de aula em Costa Barros, na zona norte do Rio.

Na mesma região, policiais do 9º BPM, sediado em Rocha Miranda, também na zona norte, faziam uma operação nas favelas Quitanda, Lagartixa, Pedreira e Terra Nostra, todas perto do Ciep (Centro Integrado de Educação Pública) Rubens Gomes, onde o menino estava quando foi baleado. O objetivo da PM era prender traficantes que estavam nas imediações, segundo informação recebida pelo Disque-Denúncia. Segundo nota divulgada pela PM, "um dos objetivos da mudança de comando é garantir total isenção e rigor na apuração dos motivos da operação, bem como do procedimento adotado, que resultou em uma perda irreparável para uma família".

O novo comandante do 9º Batalhão é o tenente-coronel Luiz Carlos Leal.

NOTÍCIAS...

Criança morre em tiroteio dentro da sala de aula no Rio


Por Solange Spigliatti, 16 jul. 2010


O menino Wesley Gilber Rodrigues, de 11 anos, morreu na manhã de desta sexta-feira (16) atingido por uma bala perdida durante tiroteio ocorrido dentro de uma sala de aula, informou a Secretaria Estadual de Saúde. O aluno estava dentro do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Rubens Gomes, em Barros Filho, no subúrbio do Rio de Janeiro, quando foi atingido no peito por um tiro. Wesley foi encaminhado pelos professores ao Hospital Estadual Carlos Chagas, onde chegou morto.

Segundo a Polícia Militar (PM), a troca de tiros ocorreu durante operação no Complexo da Pedreira, deixando seis suspeitos mortos, com idades entre de 20 a 30 anos. Dois homens foram presos e nove caça-níqueis foram apreendidos. Por conta do incidente, a Secretaria Municipal de Educação suspendeu as aulas da escola nesta sexta. Na segunda-feira (19), uma equipe do Programa Interdisciplinar de Apoio às Escolas Municipais (Proinape) irá à unidade para conversar com as crianças e os professores.

Fonte: Agência Estado

quinta-feira, 15 de julho de 2010

NOTÍCIAS...

Três detidos por roubar escola

Publicado em: 15 jul. 2010

Três adolescentes, dois de 17 e um de 16 anos, foram apreendidos pela Polícia Militar na manhã de ontem, em Contagem, suspeitos de roubar o motor do portão da escola onde estudam, no bairro Oitis. O roubo teria ocorrido na noite do último domingo. Com as imagens do circuito interno do local, os policiais identificaram os suspeitos, que foram apreendidos em casa. A PM informou ainda que os jovens entraram na escola para fumar maconha.

Fonte: http://www.otempo.com.br/supernoticia/noticias/?IdNoticia=45576

quarta-feira, 14 de julho de 2010

VIOLÊNCIA E EDUCAÇÃO:



Fonte: Jornal Zero Hora

NOTÍCIAS...

Funcionário de escola é preso depois de ser flagrado enquanto abusava de aluna no bairro Piratininga

Fernando Costa, 14 jul. 2010

Um auxiliar de serviços gerais de uma escola estadual localizada no bairro Piratininga, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, foi preso no fim da tarde dessa terça-feira (13) depois de ter sido flagrado no momento em que abusava sexualmente de uma aluna de 9 anos dentro da instituição. De acordo com a Polícia Militar, o suspeito, de 56 anos, foi flagrado por pais de alunos no momento em que obrigava a menina a praticar sexo oral. Os dois estavam escondidos em um dos muros da escola e por uma fresta foram observados pelos pais que buscavam os filhos no horário de saída da escola.

Segundo a PM, o homem foi abordado pelas testemunhas e impedido de fugir até a chegada da polícia. Com a chegada dos militares, o suspeito assumiu o crime e foi encaminhado à 3ª Delegacia de Plantão da Regional de Venda Nova. Os responsáveis da menina, que teria problema de aprendizado, acompanharam a ocorrência.

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=87417

terça-feira, 13 de julho de 2010

NOTÍCIAS...

Escola amanhece arrombada e pichada em Contagem

Fernanda Penna, 13 jul. 2010

A Escola Municipal José Lucas Filho, localizada no bairro Fonte Grande, em Contagem, na Grande Belo Horizonte, foi alvo de vandalismo pela quinta vez. A instituição de ensino amanheceu com a porta da diretoria arrombada e com os corredores pichados. Os funcionários notaram a ação criminosa por volta das 6h, quando chegaram para trabalhar.

Segundo a vice-diretora, Rosangela Fernandes, três CPUs, uma máquina de xerox, uma câmera e duas mesas de som foram levadas. A vice-diretora também afirmou que a escola possui dois sistemas de segurança, mas o alarme não disparou e, além disso, as câmeras do circuito interno foram viradas pelos suspeitos, o que dificulta a identificação. A diretora afirmou também que vai estudar outras formas para reforçar a segurança da escola. A Polícia Militar (PM) informou que um dos suspeitos já foi identificado, mas ainda não foi localizado. Ele seria ex-aluno da escola. As aulas não foram suspensas.

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=87271

segunda-feira, 12 de julho de 2010

NOTÍCIAS...

Transtorno mental afasta 10% dos docentes, diz estudo

As demais causas de afastamento são doenças osteomusculares, como lesão por esforço repetitivo, e do aparelho respiratório

Agencia Estado - 12 jul. 2010 – Jornal da tarde

Transtornos mentais e comportamentais foram as principais causas de afastamento por doença dos professores da rede municipal de São Paulo no ano passado. Foram 4,9 mil afastamentos para uma categoria com 55 mil profissionais, o que equivale a quase 10% dos trabalhadores. Os dados são de um levantamento que está sendo feito pelo Departamento de Saúde do Servidor (DSS) da Secretaria Municipal de Gestão e Desburocratização.

O estudo aponta o crescimento de problemas psiquiátricos entre os professores. Em 1999, esses transtornos eram responsáveis por cerca de 16% dos afastamentos. Dez anos depois, a porcentagem subiu para 30% - de um universo aproximado de 16 mil afastados. Outra estimativa, a do Fórum dos Profissionais de Educação Municipal em Readaptação Funcional, aponta que os transtornos psiquiátricos ficam também em torno de 30% do motivo das readaptações. Os professores readaptados são aqueles que não conseguem voltar para as salas de aula e se dedicam a outras atividades na escola. Eles são em torno de 7 mil. As demais causas de afastamento são doenças osteomusculares, como lesão por esforço repetitivo, e do aparelho respiratório.

As secretarias municipais de Educação e Gestão informaram, em nota conjunta, que "é fato que transtornos de origem mental e comportamental vêm aumentando entre os trabalhadores. A tendência na rede municipal de ensino, de acordo com o DSS, acompanha as características gerais de afastamento de todos os servidores municipais, sendo um fenômeno mundial que também ocorre entre os trabalhadores do setor privado".

Sobre as ações que a secretaria de Educação faz para melhorar as condições de trabalho, a nota afirma que os salários foram reajustados em 40,9% e haverá mais 33,79% nos próximos três anos. "As condições físicas das escolas melhoraram nos últimos anos. Além disso, vem crescendo o suporte pedagógico dado ao professor". As informações são do Jornal da Tarde.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/

domingo, 11 de julho de 2010

FALA EDUCADOR (A) !

Violência cotidiana e família

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer, professora e psicóloga


Eu sou mineira, nascida e criada em Manhuaçu, um a cidade do interior de Minas Gerais que muito me ensinou sobre solidariedade, amizade, respeito e convivência. Também por ser mineira, cresci em uma dessas famílias que estão em extinção. Aprendi a respeitar o ser humano, a tratar as pessoas com igualdade, a usar os pronomes de tratamento Senhor e Senhora quando me refiro as pessoas mais velhas, a respeitar meus pais e a amá-los. Penso que muitas pessoas que lerem esse texto pensarão: isso está fora de moda. Pois estou sim fora de moda e educo meus filhos para também para não seguirem nenhuma moda.

Nunca acreditei que dinheiro em excesso trouxesse felicidade. Aprendi que mais vale o calor de um abraço do que um caro brinquedo depositado na mão de uma criança (que certamente o deixará depois que a novidade deixar de ser importante), do colo oferecido sem pressa, do afago das mãos e das palavras sinceras de afetividade que pais e mães esquecem-se de proferir e sentir, trocando bens materiais, pela imprescindível presença do amor.

Sou mineira, uma caipira nascida em uma cidadezinha que muito me ensinou e me orgulho disso! Um orgulho que nunca me colocou acima de ninguém e que me ofereceu amigos vida a fora, de todas as classes sociais (não gosto muito dessa classificação, temos que ter classe educacional), cultura e diversidades que sempre contribuíram e muito para minha formação.

Ouvia minha avó dizendo que não importava se um “chefe de família” (hoje, homens e mulheres), estivesse à beira da morte, cabia aos filhos o respeito e a consideração pelo papel que o mesmo representava. Sinto-me mesmo fora de moda... Ensino meus filhos a respeitarem o outro, a serem verdadeiros e gentis, a amarem, a expressarem o amor com palavras e atitudes, a olharem nos olhos quando falam e a dizerem o que pensam com respeito e carinho.

Muitas vezes me perguntei se os estou educando adequadamente, em um mundo que insiste em negar a importância da família, em que o ter sobressai o ser, em que a correria do dia a dia nos transforma em robôs sem sentimentos, onde agredir ou usurpar um colega de escola ou de trabalho tornou-se algo a ser admirado. Na verdade, me pergunto tudo isso, não porque tenha alguma dúvida sobre o que o ensino, mas, e já me alertaram isso inúmeras vezes, “quem se importa com todos esses valores nos dias de hoje?”... Eu me importo e sei também que eles se importam. Apesar de crianças, sentem a indignação de verem que alguns dos amiguinhos não aprenderam aquilo que já interiozaram, nada substitui o amor e dizem, apesar da pouca idade, “eu amo minha família!” Quanta coisa e quantas situações podemos evitar quando o verdadeiro amor existe? Quanta dor e quantos crimes podem ser impedidos quando sabemos que em casa, alguém nos espera e nos ama? Quanto sofrimento poderia ser minimizado se ao invés de comprarmos produtos caros e desnecessários, organizássemos nosso tempo para ir a uma festinha na escola de nossos filhos, ajudá-los na arrumação das mochilas, olhar seus cadernos de deveres e depositar palavras de carinho e incentivo nas avaliações e testes que eles nos mostram com receio e orgulho? Quanta admiração e respeito poderíamos construir nessa relação de afeto que nós serve de base segura para todas as decisões e atitudes futuras?

Estou sim em desuso e fora de moda, mas, já vi no rosto a indignação dos meus filhos quando pais deixam de ir a uma festinha dos filhos e enviam outras pessoas que passam a integrar sim a família e chegam a ser mais importantes que os próprios pais, por que ali estão presentes, mas, que não substituirão a necessidade da presença dos que ali deveriam estar.

Já ouvi uma mãe dizer que era apenas provedora, penso que na hora que essa pessoa de escolaridade avançada e “esclarecida”, proferiu essas palavras, não sabia mesmo o que estava dizendo. Podem me considerar ultrapassada, mas, eu me senti ofendida pela criança e fiquei imaginando se não passou da hora de lembrar a essas pessoas que só o amor educa e que podemos ler e ouvir todos os dias casos em que a ausência do amor, do afeto e da família causou estragos irreversíveis para inúmeros seres humanos que poderiam escrever histórias diferentes.

Jovens que atam fogo em índios, batem em empregadas domésticas, matam seus pais, envolvem-se em situações de violência e morte e depois são tomados pelo arrependimento tardio, caminhos sem volta, violências desmedidas de quem não conhece o que o amor. A cada caso desses que a mídia explora até que o ódio que existe em nós, caminhe energeticamente a cada um dos envolvidos, fica dentro de mim a dor e a reflexão de que a história poderia ser diferente se o que chamam de ultrapassado, de utopia, de piegas, de ilusão passasse a fazer parte da formação dessas pessoas desde os primeiros instantes de vida! É com profunda tristeza que escrevo tudo isso, porque a certeza que tenho é a de que tudo é mais simples do que se imagina, “a lição sabemos de cor, só nos resta aprender”.

Não adianta julgar, condenar, pedir pena de morte, linchar ou proferir maldições depois que essas atrocidades acontecem. Só sabe amar que foi amado, só sabe respeitar quem cresce em ambiente de respeito e carinho. Só se aprende quando alguém nos ensina e não há forma mais lúcida e verdadeira de ensinar, do que o próprio exemplo.

Estou em desuso, fora de moda... Acredito no ser humano, nas pessoas e no amor!

Fonte: Publicado no Recanto das Letras em 11/07/2010
Código do texto: T2370820

sexta-feira, 9 de julho de 2010

NOTÍCIAS...

Professor agride aluno de escola estadual da capital após ameaça de morte

08 jul. 2010

Um professor da Escola Estadual Dr. Aurino de Morais, bairro Jatobá, no Barreiro, agrediu um aluno na quarta-feira (7), após ser ameaçado de morte. O professor teria tentado conter a turma, que fazia bagunça, quando foi ameaçado pelo estudante de 13 anos. Outros garotos que estavam na sala filmaram toda a confusão.

Depois de agredir o estudante com um soco, o professor foi até a polícia e registrou um boletim de ocorrência. Em seguida, ele foi até a escola e pediu demissão. A diretora do colégio explica que o professor só agrediu o aluno porque foi ameaçado de morte e que o jovem de 13 anos já tem histórico problemático. “Ele estuda aqui desde pequeno e já teve vários problemas aqui dentro. Ele quase não fica dentro de sala, pula o muro quase todos os dias”, afirma Cristina Andrade Pereira.

Ainda segundo a diretora, alguns alunos da sala ameaçaram ir atrás do professor e apedrejar a casa dele. “Por isso ele pediu para sair da escola”, conclui. O aluno, que cursa a quinta série do ensino fundamental, não foi expulso da escola.

Fonte: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=86845

OBS.: Um aluno gravou por celular o vídeo e o postou no site Youtube

INDICAÇÃO DE LEITURA

SINOPSE - O aclamado sociólogo Zygmunt Bauman lança nesse novo livro o seu olhar crítico sobre temas variados do mundo contemporâneo: cartões de crédito, anorexia, bulimia, a crise financeira de 2009 e suas possíveis soluções, a inutilidade da educação nos moldes atuais, a cultura como balcão de mercadorias...

Todos são fenômenos que colaboram para o mal-estar dominante em nossas sociedades, e estão brilhantemente relacionados ao conceito de liquidez desenvolvido pelo sociólogo.

Aspectos tão diferentes são articulados de maneira densa, produzindo uma compreensão singular das raízes desse mal-estar. Mais uma vez, as ideias de Bauman orientam e iluminam nossa compreensão da atualidade, tocando na raiz dos problemas da vida cotidiana.


Fonte: Editora Zahar

quinta-feira, 8 de julho de 2010

REPORTAGEM: Quem é esse usuário de drogas?

Por André Silva – Jornalista e Especialista em Criminalidade e Segurança Pública


Quem é esse usuário de drogas que consome às escuras substâncias químicas que destroem o organismo e causam dependência? Que alimenta o mercado local e global de drogas com as suas encomendas de cargas, papelotes e pílulas? Que é o sócio majoritário do crime organizado e contribui para a morte de centenas de jovens anualmente nos confrontos com a polícia nas favelas cariocas? Acredite, cada papelote comprado alimenta a guerra do tráfico no Rio de Janeiro.

O mercado de drogas segue a lógica capitalista de mercado e rende bilhões de dólares anualmente para os grandes cartéis mexicanos e colombianos gerando também assaltos, assassinatos e corrupções. Os lucros exorbitantes, livres de impostos e fiscalizações, são garantidos à custa de viciados nas mais variadas drogas em todo mundo. O tráfico de drogas é uma rede global de pequenas redes locais, assim como o crime organizado que tem nas drogas uma das suas diversas fontes de renda. E quem é o usuário que alimenta toda essa rede?

O consumo de drogas ilícitas é uma realidade independente de classe social, nível intelectual, nacionalidade ou idade. Para o usuário miserável que vive nas ruas, existe a pedra de crack, para o jovem de classe média existe a opção, além da terrível pedra de crack, dos papelotes de cocaína e das buchas de maconha, e para os mais abastados todas as opções anteriores somadas às drogas sintéticas (Extasy) tão curtidas nas badaladas boates e festas RAVE.

Mas, quem é esse usuário que além de causar tantos danos à sociedade destrói a sua própria família? Além de sustentar redes nacionais e internacionais de tráfico de drogas, financiar o tráfico de armas e o suborno de autoridades, garantir receitas milionárias aos grandes traficantes que matam, extorquem, apavoram comunidades inteiras e espalham o medo, esses usuários causam danos, as vezes irreversíveis no seio de suas famílias. Roubam os pais, vendem os eletrodomésticos, agridem os avós para se apoderarem mensalmente das pensões, provocam o assassinato de membros de sua família por traficantes cobrando dívidas e por fim, tais usuários, viram clientes das batidas policiais e do sistema prisional.

A tendência mundial no trato com as drogas é o tratamento do dependente químico e a não criminalização do usuário, permanecendo a criminalização do traficante. Ou seja, que o usuário seja tratado pela saúde pública e não pela segurança pública. O combate repressivo ao tráfico, tendência liderada pelos Estados Unidos, tem provado a cada relatório da ONU, que está sendo ineficiente na redução da oferta de drogas. Essa ineficiência na redução da oferta não está relacionada aos bilhões de dólares e movimentação de exércitos para confronto e destruição de plantações de coca, ópio e laboratórios, e sim ao aumento da demanda de usuários. Enfim, é o usuário que determina o custo da destruição e das perdas humanas e sociais.

Depois de financiar os prejuízos sociais, em níveis globais locais, e de sua própria família, esse usuário paga pela sua própria decadência moral, física, emocional e social quando se mantêm na condição de viciado, de dependente químico. Portanto, espera-se do Poder Público algo mais além dos simples planos emergenciais de combate às drogas. O uso das drogas, assim com a violência por ela causada, é um problema real e imenso o bastante para não ser enfrentado somente por políticas públicas de urgência que dispensa milhões de reais do dinheiro público sem que se alcance o retorno desejado que é ao menos o controle.

Como uma enchente que devasta uma cidade trazendo milhões de prejuízos e mortes e tendo a razão desse desastre o uso indevido dos recursos naturais assim é a problemática das drogas. Sem uma base educacional madura aliada a políticas sociais de prevenção e recuperação do usuário e políticas criminais mais severas e eficientes ao traficante, todo e qualquer esforço está destinado ao fracasso com saldos fatais em especial para a juventude.

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Apesar das dificuldades, eles querem aprender

Por Clarissa Carvalhaes, 08 jun. 2010

Enquanto apenas 2% de cerca de 2 mil estudantes do 3º ano do Ensino Médio querem seguir a carreira do magistério, conforme pesquisa da Fundação Carlos Chagas em 18 escolas de oito cidades do país, nas pequenas Jaboticatubas e Santana do Riacho, a menos de 100 quilômetros de Belo Horizonte, crianças vivem um verdadeiro martírio diário em busca da realização do sonho de estudar. A pé, de balsa ou ônibus, meninos e meninas que vivem na zona rural atravessam quilômetros em estradas de terra e asfalto até a escola. Mas, para esses estudantes, ainda que a educação conte hoje com escassos recursos, não há outra opção para tentar mudar o destino. É preciso seguir adiante.

Ser professora, jogador de futebol, advogada ou comprar um carro para levar os avós ao médico. Ninguém passa pela escola sem pensar num futuro melhor ou pelo menos diferente. É por isso que todos os dias os irmãos Ramon e Victor, de 10 e 8 anos, acordam às 7 da manhã. Eles vivem em Cardeal Mota, distrito de Santana do Riacho. Não existem, no momento, planos para a construção de escolas na região. Em função disso, Ramon e Victor saem de casa às 9 horas porque precisam chegar à escola às 12h30. São 112 quilômetros percorridos diariamente pelos meninos. Dentro do veículo, eles dormem, acordam, enjoam e até brincam, mas, ao contrário do que muitos possam supor, os irmãos garantem: nunca pensaram em deixar de frequentar a escola, nem mesmo quando as atividades escolares precisavam ser feitas à luz de velas – uma mudança que só aconteceu a pouco mais de cinco meses.

Ali, a infância parece ficar de lado – eles não têm muito tempo para isso. Nos cadernos, as letras e os números dos filhos (que só chegam em casa às 19 horas) representam a esperança dos pais que conseguiram estudar até a 3ª série do Ensino Fundamental. “Eles passam a maior parte do dia dentro do ônibus porque moramos muito longe. Às vezes eles almoçam na escola, mas há dias em que a merenda é canjica ou mingau, então eles ficam sem comer de verdade”, conta a mãe dos meninos, a dona de casa Maria Arlete dos Santos, 38 anos.

Para Genilson dos Santos, 35, pai de Ramon e Victor, a escola é a saída, uma alternativa para quem não quer ver os filhos trabalhando na roça a vida inteira. Além dos pequenos, o casal também tem Romário, 14 anos, e Jéssica, 12. Para os adolescentes, a rotina começa mais cedo, precisamente às 4 horas. “Nossa aula é às 7, por isso levantamos tão cedo. Somos sempre os primeiros a entrar e os últimos a sair da van”, conta Romário, que depois de deixar a escola, às 11 horas, só chega em casa com a irmã às 14. Para ela, o estuda começa abrir as portas para a profissão que tanto deseja seguir: ser professora.

Sem ponte, muitos estudantes ficam ilhados

Se ir ao colégio em dias de sol é difícil, imagine quando o tempo não coopera. “Todos os anos é a mesma história: eles ficam completamente ilhados porque quando chove o Rio Paraúna sobe muito e é impossível chegar até a casa deles. Deixo meu celular sempre ligado; fico pensando: ‘E se alguém passar mal por lá? Quem vai socorrer essa gente?’. Já não sei quantas vezes fui para a margem do rio e fiquei arremessando remédio ou comida pra eles. Só Deus pra nos proteger”, diz o motorista da van escolar que faz o percurso até a casa de Maria e Genilson quatro vezes por dia (ou 224 quilômetros), João Fernando da Silva, 47 anos.

O motorista também fica impressionado com o persistência dos quatro irmãos em irem para a escola. “Outras pessoas nessa situação já teriam desistido e ainda com uma boa desculpa, mas, com exceção dos dias chuvosos, eles não faltam um dia sequer”, afirma. Os irmãos são alunos da Escola Estadual Dona Francisca Josina, em Cardeal Mota, distrito de Santana do Riacho. Assim como eles, muitos outros estudantes vivem situação semelhante.

Para os professores, os percalços chegam até a sala de aula como incentivo. “A dedicação deles é o que mais nos motiva. Mesmo com todos os problemas que a educação enfrenta é preciso acreditar que o futuro está nas mãos dessas crianças. Não podemos desestimulá-las jamais”, afirma o professor de Ciências e Química, Gílson de Souza Moreira. A longa jornada e a má alimentação não apenas abatem fisicamente, como prejudicam a aprendizagem dos estudantes, o que não impede, entretanto, que eles tenham um bom rendimento escolar ou, ao menos, se esforcem bastante para isso. “Eles vivem um sacrifício imenso para chegar até a sala de aula e talvez por isso valorizam mais o estudo do que aqueles que moram ao lado da escola.

Para se ter uma ideia, tento poupá-los dos trabalhos em grupo exatamente porque sei a dificuldade que eles terão em fazê-los, mas eles protestam, fazem questão de participar, interagir, estarem presentes e por perto. Alguns acreditam que eles estão ilhados em casa, mas mentalmente estão mais livres do que muita gente”, diz o professor. Quando lembra desses meninos e de tantos outros em situação semelhante, a diretora Josefina de Freitas conta que retoma as forças e joga o desânimo por terra. “Assumi o compromisso de educar essas crianças quando decidi ser professora, não posso fazer diferente”, diz. “Peço pra que eles deixem todas as dificuldades do portão da escola pra fora. É preciso esquecer os desafios e pensar nas expectativas de melhora. É isso que queremos para eles”, diz a supervisora Lana Carvalho de Andrade.

O árduo percurso da roça até a escola

Viviane Ferreira tem 18 anos e estuda das 16 às 21h30 na Escola Estadual Doutor Eduardo Góes Filho, em São José do Almeida (distrito de Jaboticatubas). Prestes a concluir o 3º ano do Ensino Médio, ela garante que está bem longe de pensar em parar de estudar. “Minha avó sempre diz que tenho que ir até o fim e sempre em frente. Nós não temos uma vida fácil, mas isso não me impede de sonhar, de querer comprar um carro para levá-la ao médico e ter uma vida diferente”, diz.

A estudante mora com a mãe, os avós, dois irmãos e uma prima de 3 anos. E é na família que ela encontra apoio para continuar os estudos. Junto com os irmãos Fabrício, 16 anos, e Rosiane, de 15, ela derrubou um pé de palmito e outros de bambu numa tentativa de improvisar uma passagem e conseguir atravessar o Rio Paraúna. Em dias de chuva, além dos cadernos, as mochilas também levam chinelos que asseguram não encharcar os tênis e atrapalhar o percurso de casa/escola, escola/casa. De um ponto ao outro, Viviane e os irmãos caminham no escuro por quatro km de uma estrada de terra até o ponto de ônibus. Já dentro do escolar, eles percorrem outros 25.

Como não há postes de energia elétrica, eles improvisam a iluminação dos trechos com uma lanterna e contam com a ajuda da luz da lua para diminuir os tropeços e enxergar os perigos da escuridão. “Quando chove depois que já estamos na escola, não conseguimos voltar para casa porque o rio está muito cheio, não dá pra atravessar nem sobre as árvores que colocamos. A sorte é que, quando isso acontece, um homem que mora próximo ao rio deixa a gente dormir na casa dele”. A diretora Márcia Duarte conta que os professores do turno da noite faltam com frequência sem aviso à direção da escola, por isso não há tempo de repor a aula no mesmo dia. “Vejo o tamanho do sacrifício dos meninos e o quanto eles querem aprender. Imagine a frustração, depois de tantos percalços, chegar aqui e não ter aula”, disse, sublinhando que a evasão escolar aumentou na medida que os professores começaram a faltar ou simplesmente demonstraram frustração com o trabalho.

A estudante Kariny Silva, 16 anos, resume a sensação de chegar na sala e encontrar os professores insatisfeitos. “Nos sentimos esquecidos e sem importância para eles. Muitos descontam toda raiva na gente. Nós não temos culpa se o salário deles é ruim. Só queremos estudar”, diz.

A Secretaria da Educação de Jaboticatubas não se pronunciou sobre a questão.

Travessia feita por balsa

A mãe de Janete, Julieta Teixeira dos Santos, acorda às 4 da manhã para fazer o café da filha de 12 anos. É hora de levar a menina para a escola. O percurso é feito em duas horas, mas para chegar até lá, além de caminhar por três quilômetros e andar por mais 16 no ônibus escolar, mãe e filha precisam atravessar o Rio Paraúna numa balsa. Ela foi construída pelos moradores locais com tambores de plástico sob pedaços de madeira. “Não tenho coragem de deixá-la atravessar o rio sozinha, mesmo porque ela não teria força para empurrar a balsa”. Mas, quando é tempo de chuva, a menina não vai para a escola porque a correnteza é forte e não há braço que consiga vencê-la.

Além de Janete, Julieta e o marido João Roberto têm outros quatro filhos – todos já formados. “Cada um foi para um canto porque por aqui não tem jeito de ficar e vencer na vida. Sei que daqui a alguns anos a Janete estará indo embora. Não posso prever o futuro, mas daqui ela não sai sem antes terminar os estudos. Quero vê-la feliz nessa vida e sem a escola, não tem jeito, não”.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/