sexta-feira, 29 de abril de 2011

NOTÍCIAS...

Estudante de 14 anos entra com faca em escola e ameaça diretora em Minas Gerais

BELO HORIZONTE - Um estudante de 14 anos entrou com uma faca na escola e ameaçou a diretora em Uberaba, no Triângulo Mineiro, nesta quinta-feira. No momento da ameaça, a diretora estava reunida com a mãe dele, justamente para conversar sobre as constantes brigas do aluno. O garoto entrou pelo portão principal e foi direto para a secretaria. O adolescente não teria gostado da proposta da diretora de transferi-lo para outra instituição de ensino. O pai de outro aluno colocou o menino para fora e chamou a polícia. O estudante foi apreendido e levado para a delegacia, onde foi ouvido junto com a mãe. As aulas seguem normalmente na escola.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Adolescente esfaqueada por colega de escola continua internada em Juiz de Fora

Mais um episódio envolvendo violência entre estudantes assusta Minas Gerais

Luana Cruz - 28/04/2011

Mais um episódio de violência envolvendo estudantes choca moradores de Juiz de Fora na Zona da Mata de Minas. Uma adolescente de 16 que foi agredida a facadas quando ia para a escola na quarta-feira, no Bairro Benfica. A jovem, A.C.F. S está internada na enfermaria feminina do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Juiz de Fora. Segundo a Polícia Militar (PM), o crime aconteceu por volta de 7h30 a poucos metros da instituição onde a vítima estuda.

Ainda de acordo com a PM, A.C.F. S se envolveu numa briga com C.C. A, de 17 anos, e R. A. S., de 16. Elas tinham desavenças e uma discussão acabou em luta corporal. A jovem de 17 anos golpeou a colega com uma facada nas costas. A.C.F. S teve o pulmão perfurado. As outras duas adolescentes foram apreendidas e encaminhadas para a delegacia da cidade. A faca usada na tentativa de homicídio foi recolhida. Segundo a PM, a arma tem um cabo de plástico e uma lâmina de 15 centímetros.

Saiba mais...



Adolescente morre depois de ser esfaqueado por colega dentro da escola Em março deste ano, um estudante de 16 anos que morreu depois de ser esfaqueado dentro de uma escola nessa mesma cidade. O adolescente foi agredido dentro da Escola Estadual Estêvão de Oliveira por um colega. Segundo a PM, a vítima teria se envolvido em uma briga com outro aluno, da mesma série do ensino médio. No horário da saída, o agressor, também menor de idade, se aproximou do colega e o atingiu com três facadas no tórax. O caso é apurado pela Secretaria de Estado de Educação de Minas.

Relembre casos de 2011:

No dia 17 de março um garoto de 14 anos levou um revólver do pai, que é militar, para a sala de aula. Depois de desentender com um colega ele sacou a arma e, num momento de descuido, aconteceu o disparo. O tiro não acertou ninguém, mas o pânico foi geral. A ocorrência foi na Escola Estadual Professora Amélia Guimarães, no Bairro Pirajá, Região Nordeste de Belo Horizonte. No dia 21 de março mais um adolescente disparou uma arma de fogo em sala de aula na capital. Desta vez a ocorrência foi no Bairro Jardim Felicidade, na Região Norte. Um garoto de 16 anos foi armado para a Escola Estadual Carlos Drumond de Andrade. Um funcionário da escola ouviu um barulho parecido com tiro e foi verificar. Ao chegar na sala de aula, viu o estudante guardando um objeto na mochila. O adolescente foi levado imediatamente à sala da diretoria para aguardar a chegada da PM. Ao revistar o adolescente, militares encontraram um revólver com cinco cartuchos intactos. O menor alegou que a arma era de um desconhecido e que o suposto dono iria pegá-la no fim da aula.


Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/04/28/interna_gerais,224184/adolescente-esfaqueada-por-colegas-de-escola-continua-internada-em-juiz-de-fora.shtml

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Notícias

Polícia procura dois adolescentes suspeitos de balear rapaz em escola de Agudos, SP

Globo Notícia, Bom Dia São Paulo - em 26 abr. 2011


SÃO PAULO - A polícia de Agudos, a 309 km de São Paulo, procura dois adolescentes de 17 anos suspeitos de atirar em um rapaz, de 18, durante uma discussão sobre uma partida de futebol, na noite desta segunda-feira, na saída de uma escola. A vítima, Paulo Henrique Parra, baleada na cabeça, está internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O crime foi presenciado por outros estudantes do colégio; muitos estavam abalados. Um dos agressores era aluno na mesma escola. Segundo a polícia, a briga teria começado na semana passada em um jogo de futebol. As discussões continuaram e os pais chegaram a ser chamados na escola.

- Ouvi o barulho do tiro. Estava dentro da escola e falaram que era meu amigo que foi atingido - afirmou um aluno que não quis que seu nome fosse divulgado.

O autor do disparo e o colega que o ajudou a segurar a vítima durante a briga já foram identificados. Já a vítima continua internada e, apesar do quadro de saúde estável, ainda corre risco de morrer. Em nota, a Secretaria de Estado da Educação lamentou o ocorrido na Escola Nilza Santarém Paschoal e solicitou a presença de uma equipe de supervisores na unidade escolar nesta terça de manhã para repassar as medidas socioeducativas que devem ser tomadas em relação aos alunos e à comunidade escolar. Informou também que, embora a ocorrência não retrate o cotidiano da escola, já foi solicitado reforço na segurança externa à Polícia Militar.

Fonte: globo.com

terça-feira, 26 de abril de 2011

NOTÍCIAS...

Estudante é baleado na saída do colégio em Agudos, SP

SÃO PAULO - Um estudante de Agudos, na região de Bauru, foi baleado na noite desta segunda-feira na frente da escola onde ele estudava. Paulo Henrique Parra, 18 anos, foi baleado, na frente de outros estudantes. Muitos estavam abalados. Parra discutiu com duas pessoas e acabou baleado. Ele foi levado levado para o Hospital de Bauru e permanece internado. Um dos agressores era aluno na mesma escola. A briga teria começado na semana passada em um jogo de futebol. As discussões continuaram e os pais chegaram a ser chamados na escola.

Fonte: http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2011/04/26/estudante-baleado-na-saida-do-colegio-em-agudos.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Bullying leva jovens a fazer cirurgia de redução de estômago

Do R7


O bullying tem influenciado a escolha de jovens obesos pela cirurgia bariátrica – uma das variações da operação de redução de estômago – como forma de escapar das gozações e da exclusão social, segundo especialistas das áreas de endocrinologia e psicanálise. E essa tendência deve aumentar, segundo eles, já que a obesidade cresce nessa faixa da população do país. Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 21,7% dos jovens entre 10 e 19 anos estão acima do peso e mais de 30% das crianças entre cinco e nove anos apresentam excesso de peso, em dados de 2008 e 2009.

Outra pesquisa do mesmo instituto mostra, ainda, que ao menos 30% dos estudantes brasileiros já foram vítimas de bullying. E um último levantamento da SBCM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica) mostra que, em 2009, foram realizadas no país 1,5 mil cirurgias em pacientes com menos de 20 anos, representando 5% do total de cirurgias realizadas no mesmo ano. No consultório do cirurgião Roberto Rizzi, membro da SBCM, por exemplo, enquanto os adultos procuram a cirurgia por motivos de doença (diabetes, derrame, pressão e colesterol altos), os jovens se queixam do bullying para recorrer à sala de cirurgia. "A gente percebe que os jovens vêm nos procurar por causa do bullying mesmo, porque sofrem muito. Eles são psicologicamente vulneráveis", conta.

Esses jovens que estão longe do peso considerado normal - IMC (índice de massa corpórea) até 25 -, sofrem pressões de diferentes maneiras para serem magros. Além das retaliações no ambiente escolar, a pressão familiar também tem forte influência na escolha. Segundo Rizzi, é comum pais estarem mais preocupados com o peso dos filhos do que eles mesmos. Assim, procuram a cirurgia como solução. "O jovem obeso, com 13, 14 anos, pode até não estar sofrendo bullying, mas o pai que é atleta tem um pouco de vergonha e força uma situação, querendo que haja uma solução cirúrgica", explica.

Autoestima

Infeliz com o peso desde os 13 anos, a bancária Thais Moreira Cruz, de 26 anos, fez a cirurgia bariátrica há 36 dias, em São Paulo. Antes ela tinha 88 kg e 1,54 m, mas hoje ela está feliz por já estar pesando 75 kg. Segundo ela, isso “não é nem um terço” do que ela pretende emagrecer.

A decisão foi feita depois de anos de dietas e remédios que lhe renderam depressão e síndrome do pânico. Amanda se lembra de se sentir diferente na escola, por ser "baixinha, gordinha e com cabelo enrolado". "Uma vez voltei da escolha chorando tanto que tomei cinco cápsulas de Coscarque [tipo de laxante]. É uma questão de desespero mesmo. Para o adolescente é muito intenso", diz. Dos 19 aos 24 anos, ela usou diferentes tipos de anfetaminas para emagrecer. Em uma das tentativas emagreceu rapidamente, mas depois triplicou o peso inicial. Hoje, mesmo ainda precisando manter uma dieta líquida, considera a cirurgia como um "ganho de saúde". "Tinha gastrite e esofagite por causa de tanto remédio. Agora minha autoestima está lá em cima. Todo mundo falou que eu mudei de fisionomia, que estou outra mulher, por mais que eu não tenha emagrecido muito", afirma.

Autoestima elevada é a mesma sensação da universitária Amanda Testoni de Oliveira, de 23 anos, que fez a mesma cirurgia em novembro do ano passado. A necessidade de fazer a cirurgia ocorreu quando ela viu a balança apontar para os 100 quilos e "a ficha caiu". O peso elevado desde a adolescência a fazia cancelar programas com amigos e se sentir cansada em uma rápida caminhada. Quando percebia que sofreria bullying na escola, "revidava na mesma moeda". "Antes da cirurgia, minha autoestima era muito baixa. Não gostava de sair, tinha uma crise nervosa quando ia comprar roupa. Ficava nervosa na loja. Hoje já tenho uma disposição muito diferente. Adoro comprar roupa, me arrumar. Hoje as coisas servem".

Quem pode fazer a cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica é indicada apenas para pacientes com IMC acima de 35 (equivalente à obesidade mórbida), com diabetes tipo 2 resistente a outros tipos de tratamentos com remédios e dietas. Pode ser realizada a partir dos 18 anos e só é contraindicada para pessoas com problemas cardíacos e pulmonares, hérnia de hiato e refluxo gastroesofágico severos ou que não estejam em condições físicas e psicológicas de fazer uma cirurgia, segundo resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina). Para se ter certeza de que a pessoa está apta, ela deve passar antecipadamente por uma bateria de exames.

No entanto, menores de idade podem recorrer à cirurgia em condições especiais, ou seja, quando comprovadamente não conseguem perder peso mesmo com dietas e medicamentos, mas sempre com acompanhamento dos pais, diz Rizzi. Apesar disso, o mais indicado, de acordo com ele, é esperar pela maioridade. Até porque até os 19 anos esse jovem poderá crescer e adequar seu peso à altura, explica.

O cirurgião Arthur Garrido, do Hospital Beneficência Portuguesa, discorda desse ponto. Pioneiro da técnica no Brasil, o médico já operou mais de 30 adolescentes. Antes da resolução do CFM, editada em 2010, a indicação para cirurgia era de 16 anos. De acordo com Garrido, o que mais deve ser levado em conta para se fazer a operação é a condição de saúde do paciente. Portanto, se ele for muito jovem, mas já estiver sofrendo consequências da obesidade, a operação deve ser levada em conta. "Só há indicação em caso de obesidade grave que compromete a saúde, seja em que idade for. Em casos cuja obesidade se resolve com medicação e alimentação não tem cabimento operar, porque a operação pode ter complicações", explica.

Mas justamente pelo seu histórico com adolescentes, ele admite que o bullying é uma realidade entre os obesos e que isso leva muitos a procurar o consultório. O que, no entanto, não deve ser encarado como justificativa plausível. "Muitas vezes a pessoa chega ao cirurgião dizendo que não aguenta mais a pressão social, e pede para ser operado porque não consegue arrumar namorado. Mas se essa obesidade não preenche critérios, a equipe tem que se recusar a operar. Até porque com 1% dos operados ocorrem complicações graves".

Vale destacar, por outro lado, o tanto de benefícios que a cirurgia trás, inclusive para os mais jovens, diz Garrido. "As operações funcionam muito bem em qualquer método. Na grande maioria dos casos, reduz o peso e diminui o risco ou cura doenças que já existiam".

Fonte: R7 - Jornal Hoje em Dia (BH)

Professores sofrem ameaças de alunos

Por VANEZA TARGINO

A violência tem crescido nas escolas. Na capital, professores estão sendo ameaçados por alunos, quando eles são cobrados e até mesmo repreendidos pelos educadores. Quatro casos já foram registrados este ano pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Roraima (Sinter). O mais recente ocorreu na sexta-feira, dia 15, na escola estadual Antônio Carlos Natalino, no bairro Jóquei Clube.

As escolas estaduais que registraram ameaças de alunos aos professores são: Costa e Silva (São Francisco), Carlo Casadio (Cinturão Verde) e Jesus Nazareno (Caranã). O presidente do Sinter, Josinaldo Barbosa, explicou que o problema está se agravando e os casos já estão se tornando comuns. Ele comentou que a Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Desporto (SECD) não disponibiliza nenhuma ação para resolver o problema. “A Educação não oferece nenhum tipo de estratégia para ser aplicada nas escolas. A violência vem aumentando e os professores são reféns dos alunos”, disse ao comentar a necessidade de os professores terem algum tipo de acompanhamento psicológico. “Questões sociais e problemas familiares de alunos acabam gerando essa violência. Ações mais fortes devem ser feitas e os professores correm risco de pagar com a própria vida”, disse.

O caso na escola estadual Antônio Carlos Natalino ocorreu no período da tarde, com um aluno do ensino médio. O professor ameaçado disse que trabalha em condições “extremas de penúria”, em salas lotadas, algumas com mais de 40 alunos e ainda sofre ameaça de alunos.

“Além do calor infernal, tem o problema dos alunos violentos. Uma tarde dessas pedi para um aluno entrar em sala, pois o professor já havia iniciado a aula. Ele, então, me disse que tinha um punhal na bolsa”.

O presidente do Sinter comentou que esse problema de violência já está se tornando comum. Destacou que todo o professor que se sentir ameaçado deve registrar o problema no Sinter. “Vamos solicitar providências da Secd. O professor não pode ser coagido em seu local de trabalho”, afirmou.

Professor reclama de carga horária
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Por e-mail, o professor J. S. M. relata inúmeros problemas enfrentados na unidade escolar. Segundo ele, na semana passada, representantes da Secd estiveram na escola, reunidos com os gestores e professores, para exigir que o professor cumpra 25 horas semanais.

“Disseram que devemos cumprir o que está determinado em lei, ou seja, 25 horas semanais de trabalho, sendo 20 em sala de aula e cinco para planejamento, em horário oposto. Já que o Ministério Público está na ‘cola’ da Secd, houve muito questionamento por parte dos professores”, diz no e-mail.

O professor questiona se a determinação é somente aos professores ou também para os servidores comissionados, como gestores e coordenadores pedagógicos, que devem cumprir 40 horas. “Eles nunca são vistos fazendo isso na escola Antônio Carlos Natalino. Por lá, tem uma vice-diretora que só atende no turno da noite. Existem duas coordenadoras pedagógicas, uma atendendo pela manhã e outra de tarde”, disse.

Segundo ele, o profissional da Educação trabalha mais que o exigido em lei. “O professor trabalha muito mais do que 25 horas semanais, pois tem o planejamento, o reforço para aluno, correção das avaliações, elaboração de avaliações e outros”, relatou ao apontar que muitos professores se desdobram e trabalham em outras escolas para ter um salário digno.

“O professor, para poder ‘escapar’ [sobreviver], precisa estar em outro turno ou em outra escola para adicionar mais alguns trocados e tentar sobreviver”, comentou ao destacar outro fato de desconforto que os professores da rede estadual de ensino convivem quase diariamente. “Muitas vezes, precisam tirar dinheiro do bolso para executar projetos em sala de aula, para pagar cópias das avaliações feitas para os alunos e por aí vai”.

O presidente do Sinter, Josinaldo Barbosa, declarou que a carga horária dos professores da rede estadual está irregular e o sindicato vai pedir a adequação da lei federal. “A lei estadual não pode sobrepor à federal. O piso nacional determina que 1/3 da carga horária em sala de aula deve ser para o planejamento, para evitar trabalhar mais e levar o serviço para casa, pois não existe contrapartida. A lei também limita o máximo de 2/3 da carga horária contratual permitida em sala de aula”, frisou. O sindicalista explicou que o professor deve ficar no máximo 16 horas em sala e não 20 horas como a Secd obriga aos professores concursados. “O Sinter vai encaminhar à Secd ofício pedindo que haja uma adequação da lei 609 à lei federal, que assegura o piso nacional”, comentou ao reclamar que os professores são prejudicados pela má gestão da Secd.

“Para se ter uma ideia, nenhum diário de classe foi encaminhado aos professores. Isso vai gerar mais trabalho a eles, pois terão todo um transtorno para atualizar os diários de classe”, complementou.

GID – O mesmo professor da escola estadual Antonio Carlos Natalino, em sua denúncia, apresentou documento onde o gestor, vice-diretora e dois coordenadores pedagógicos estariam recebendo Gratificação de Incentivo à Docência (GID) sem estarem em sala de aula. Josinaldo Barbosa orientou os professores que tiveram denúncias desta natureza que registrem o caso junto ao Sinter. “Se o caso for confirmado, iremos enviar oficio à Secd para suspender o pagamento de imediato e também comunicaremos a denúncia junto ao Ministério Público”.

Secretaria afirma que professores devem comunicar ameaças de alunos
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Desportos (Secd) informou, por meio da assessoria de comunicação, que as condições de trabalho, dentre elas a presença de “alunos violentos”, é de responsabilidade do professor em comunicar à direção da escola para que sejam tomadas as devidas providências, entre as quais a possibilidade de acionar o setor de psicossocial da Secd, que é formado por psicopedagogas capacitadas para atender esse tipo de demanda.

Segundo a assessoria, é política da secretaria promover palestras sobre bullying e sensibilizar os alunos sobre a importância de um convívio social e em paz.

Quanto à carga de trabalho, a Secd comunicou que a lei estadual 609, de agosto de 2007, que dispõe da carreira de magistério público do Estado de Roraima, no artigo 13º, determina que a jornada de trabalho dos professores é de 25 horas semanais, sendo 22 horas-aula, das quais duas são destinadas ao reforço de aprendizagem e três horas de atividades pedagógicas, que devem ser cumpridas conforme proposta pedagógica da escola. Já os servidores da carreira do magistério público no exercício de funções de suporte pedagógico devem cumprir jornada de trabalho de 40 horas semanais.

Sobre os servidores que exercem as funções de gestor (diretor), administrador educacional (vice-diretor) e coordenador pedagógico, a secretaria nega o pagamento de GID, uma vez que se trata de um recurso compensatório para o professor que está em sala de aula.

“Esclarecemos que a ficha funcional de tais servidores aponta para a contratação efetiva (concursados) do quadro estadual, da União e mais a gratificação pelo exercício da função de suporte pedagógico”, diz a nota.

“Vale considerar que o Estado de Roraima figura entre os estados que melhor pagam os professores. Um professor que possui nível magistério em início de carreira recebe o salário inicial de R$ 1.339,37, podendo chegar até R$ 1.607,23. O professor que possui nível superior em início de carreira recebe salário inicial de R$ 1.860, podendo chegar até R$ 2.231,00. Os professores, além do salário, recebem a GID no valor de 50% do salário”, prossegue o documento.

A Secd acrescentou que as reclamações podem ser oficializadas junto ao Departamento de Recursos Humanos (DRH), que funciona das 7h30 às 13h30. Com relação à estrutura da escola, a secretaria informou que tomará as devidas providências e acionará o setor responsável pela manutenção.

Fonte: Folha de Boa Vista (RR)

Promotores querem tornar bullying crime

Promotores da Infância e Juventude de São Paulo querem que o bullying seja considerado crime. Um anteprojeto de lei elaborado pelo grupo prevê pena mínima de 1 a 4 anos de reclusão, além do pagamento de multa. Se a prática for violenta, reiterada e cometida por adolescente, em caso de condenação, o autor poderá ser acolhido pela Fundação Casa.

Pela proposta, pode ser penalizado quem expuser alguém de forma voluntária e mais de uma vez a constrangimento público, escárnio ou degradação física ou moral, sem motivação evidente e estabelecendo com isso uma relação desigual de poder. Se o crime for cometido por mais de uma pessoa, por meio eletrônico ou por qualquer mídia (cyberbullying), a pena será aumentada de um terço até a metade. E, se cometido contra menor de 14 anos ou pessoa com deficiência mental, a pena aumenta ainda mais um terço.

Quando resultar em lesão grave, a pena será de reclusão de 5 a 10 anos. Se ocasionar a morte da vítima, a reclusão será de 12 a 30 anos, além de multa - a mesma prevista para homicídios.

O anteprojeto prevê ainda que, se a prática resultar em sequela psicológica à vítima (provada por meio de laudos médicos e psiquiátricos), a pena de reclusão será de 2 a 6 anos e multa. No entanto, como o bullying na maioria dos casos é praticado por crianças e adolescentes, os promotores vão precisar adaptar a tipificação penal dessas práticas à aplicação de medidas socioeducativas.

O anteprojeto será submetido no próximo dia 6 de maio a aprovação na Promotoria da Infância e Juventude do Ministério Público e, depois, encaminhado ao procurador-geral, Fernando Grella, que deve enviar o texto a um deputado federal.

Fonte: Agência Estado

Desigualdade racial se agrava no Brasil, diz relatório da UFRJ

Por Wilson Tosta / RIO - O Estado de S.Paulo

O Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009-2010, lançado ontem na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta a persistência e o agravamento da desigualdade entre pretos e pardos, de um lado, e brancos.

O trabalho, produzido pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser) da UFRJ, mostra, por exemplo, que em 2008 quase metade das crianças afrodescendentes de 6 a 10 anos estava fora da série adequada, contra 40,4% das brancas. Na faixa de 11 a 14 anos, o porcentual de pretos e pardos atrasados subia para 62,3%.

Os resultados contrastam com avanços nos últimos 20 anos. A média de anos de estudo de afrodescendentes foi de 3,6 anos para 6,5 entre 1988 e 2008, e a taxa de crianças pretas e pardas na escola chegou a 97,7%. Mesmo assim, o avanço entre pretos e pardos foi menor.

Na saúde, subiu a proporção de afrodescendentes mortas por causa da gravidez ou consequências. "Não quer dizer que as coisas estejam às mil maravilhas para os brancos, mas os pretos e pardos são os mais atingidos", diz um dos coordenadores, o economista Marcelo Paixão. Com 292 páginas, o trabalho é focado nas consequências da Constituição de 1988 e seus desdobramentos para os afrodescendentes.

Para produzir o texto, os pesquisadores do Laeser recorreram a bases de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos Ministérios da Saúde e da EDUCAÇÃO e do Sistema Único de Saúde (SUS), entre outros. Foram abordados temas como Previdência, acesso ao sistema de saúde, assistência social e ensino. O estudo constata que o estabelecimento do SUS beneficiou mais pretos e pardos (66,9% da sua população atendida em 2008) do que brancos (47,7%), mas a taxa de não cobertura (proporção dos que não conseguem atendimento) dos afrodescendentes foi de 27%, para 14% dos brancos.

"A Constituição de 1988 não foi negativa para os afrodescendentes, mas, do ponto de vista de seu ideário, ainda é algo a ser realizado", diz Paixão, reconhecendo que há brancos prejudicados, em menor proporção.

Em 2008
- 40,9% das mulheres pretas e pardas nunca haviam feito mamografia, contra 22,9% das brancas

- 18,1% das mulheres pretas e pardas nunca haviam feito papanicolau (13,2% entre as brancas)

Fonte: O Estado de São Paulo (SP

Escolas terão um inspetor por andar e porteiro

Por: Vinícius Lisboa

Cada escola municipal do Rio de Janeiro terá, até o fim de 2011, um inspetor por andar e pelo menos um porteiro. As contratações foram prometidas ontem pela secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, em visita à Escola Municipal Tasso da Silveira, onde 12 alunos foram mortos pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira no último dia 7.

Serão 1.844 novos agentes educadores (inspetores) e cerca de 1.500 novos porteiros para as 1.064 escolas da rede, que já têm 500 inspetores.

A secretária anunciou ainda que câmeras de segurança serão instaladas em todas as escolas municipais, se as direções desejarem. Aproximadamente 399 colégios já dispõem do equipamento.

Para controlar o acesso às escolas, Cláudia Costin informou que visitantes terão que deixar a carteira de identidade na secretaria dos colégios ao entrar e receberão crachás de identificação.

- Com essa medida, não vamos impedir a entrada das pessoas na escola, mas permitiremos que sejam mais facilmente identificadas pelos agentes educadores e acompanhadas por eles - explicou.

No dia 13 de abril, o corpo docente de cada escola municipal se reuniu para discutir iniciativas para melhorar as unidades de ensino. Segundo a secretária, as medidas anunciadas ontem refletem as prioridades apontadas pelos professores, que também se mostraram preocupados com a possibilidade de as escolas se fecharem à comunidade depois da tragédia na Tasso da Silveira.

- Basicamente, os professores pediram para não transformar as escolas em bunkers. Para eles, não podemos retroceder em anos de abertura da escola à comunidade - disse Cláudia Costin.

Pássaros de papel com mensagens de apoio



Cláudia Costin esteve ontem na escola por cerca de uma hora para acompanhar o retorno dos alunos e levar um presente: mil pássaros de origami feitos por estudantes de uma escola de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Dentro de cada pássaro está escrita uma mensagem de apoio. A secretária informou ainda que subiu o número de pedidos de transferência da escola, que chegou a 25. Em contrapartida, três famílias procuraram a Tasso da Silveira para matricular seus filhos. Entre elas, uma recém-chegada do Espírito Santo.

No último dia 7, o ex-aluno da Tasso da Silveira Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou na escola e fez 66 disparos em direção às crianças. Doze foram mortas e 12 ficaram feridas. Mesmo baleado, um dos alunos deixou a escola e pediu ajuda a um grupo de PMs que participavam de uma blitz contra o transporte ilegal na região. O sargento Alves foi o primeiro a entrar no colégio. Ele atirou em Wellington no abdômen, enquanto o assassino seguia para o terceiro andar. Ao ser atingido, o assassino deu um tiro na própria cabeça, morrendo na hora. As investigações mostraram que Wellington filmou e fotografou todo o planejamento do ataque. Numa carta, ele disse ter sido vítima de bullying na escola. Reportagem do GLOBO mostrou no último domingo que, apesar de existir uma lei, as escolas não comunicam os casos de bullying aos conselhos tutelares nem à polícia.

Fonte: O Globo (RJ)

Educação e memória



Aluno de 7 anos leva nove balas de revólver para a escola em SP

SÃO PAULO - Um aluno de 7 anos foi flagrado dentro da sala de aula com nove balas de revólver, duas calibre 22, e as demais, de uma arma calibre 32. O fato aconteceu nesta terça-feira numa escola municipal em Neves Paulista, cidade localizada na região de São José do Rio Preto, em São Paulo. Dois cartuchos estavam deflagrados.
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A Polícia Militar e o Conselho Tutelar foram chamados. O material foi apreendido. Os pais do estudante foram ouvidos na Delegacia de Polícia e liberados em seguida. Segundo o Conselho Tutelar, o menino pegou as munições dentro de um móvel da casa. Depois guardou num brinquedo para mostrar aos colegas na sala de aula. O pai era o dono do material, mas informou que não possui mais nenhuma arma em casa.
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Fonte: www.oglobo.com.br

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Escola Tasso da Silveira recebeu 20 pedidos de transferência

Vinícius Lisboa e Paulo Junior


RIO - A Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste, recebeu 20 pedidos de transferência em apenas quatro dias, segundo o diretor Luís Marduk. O diretor disse, contudo, que alguns pais já desistiram da intenção de tirar os filhos da escola, que nesta segunda-feira reabriu para os alunos. Na unidade, 12 crianças foram mortas por Wellington Menezes de Oliveira , ex-estudante do colégio.


PESQUISA: Bullying já afeta 84,5% dos estudantes no Rio


Renata dos Reis Rocha, de 35 anos, esteve no colégio na manhã desta segunda-feira para pedir o histórico e a transferência da filha Brenda Rocha Tavares, de 13 anos, que está internada no Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), devido aos ferimentos causados pelos tiros. Ela é irmã gêmea de Bianca Tavares, que morreu na tragédia. - Minha filha viu a irmã morrer e está muito nervosa, não quer voltar para a escola de jeito ennhum. Mas não vou deixar ela perder o ano - disse Renata. Neste primeiro dia, apenas atividades culturais. A expectativa é de que os estudantes voltem à rotina gradativamente.


Segundo a Secretaria municipal de Educação, não há prazo para as aulas retornarem à rotina habitual. Os professores e a direção do colégio recepcionarão os alunos do 9º ano, que realizarão apenas atividades culturais e lúdicas, como a criação de mosaicos e a pinturas de paredes. As tarefas poderão ser acompanhadas pelos pais. Uma equipe de psicólogos estará a postos no local para dar apoio à comunidade escolar.


- Eu não vou parar de estudar por conta do que houve - diz M.V.S, aluno do 5º ano, que, no dia da invasão, refugiou-se com os colegas e a professora em uma sala do 3 andar. Andrea Tavares, mãe de T.T.M., de 13 anos, que continua internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, diz que a filha terá a chance de escolher se quer permanecer ou não no colégio.


- Não quero decidir isso por ela.


Tenho uma outra filha que, por sorte, perdeu o horário da aula no dia da tragédia. Essa já decidiu que vai continuar lá - afirma Andrea. Segundo a mãe, T.T.M., baleada no braço e na cintura, foi operada às pressas no Hospital Estadual Albert Schweitzer no dia 7 e, em seguida, transportada de helicóptero para o Hospital Adão Pereira Nunes. Andrea conta que sua filha teve uma infecção nos pontos internos do abdômen, obrigando-a a enfrentar uma nova cirurgia no sábado. Ela diz que a menina está lúcida e que se recupera bem, mas que não há previsão de alta.


- Voltar para o colégio vai depender da vontade dele. É a melhor escola da região. Gostaria que ele voltasse. Por aqui, não temos opções de bons colégios - conta a cabeleireira Carla Daniele Vilhena de Souza, diante do enteado, Carlos Matheus Vilhena de Souza, que levou um tiro de raspão.


Fonte: O Globo.com

Culpa e Responsabilidade

Autor: Eduardo Machado


Sexta-feira, 8 de abril de 2011. Chego ao colégio para mais um dia de trabalho, como em todas as sextas-feiras. À porta, o burburinho de todo dia. As vans e carros deixando os alunos, os pais se despedindo, o beijo apressado, um “tchau”, um último lembrete ou recomendação; ”pegou o dinheiro do lanche? E o trabalho de Matemática? Fez o dever de História?”.


Deve ter sido mais ou menos assim, no dia anterior, na escola Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio. Sendo uma escola pública e de bairro, com certeza havia menos movimento de carros à porta. As crianças e adolescentes, mais independentes, morando ali pelos arredores, chegam à escola pelos próprios pés. Mas imagino a mesma alegria, as conversas em voz alta, as risadas, o mesmo burburinho, próprio da idade, esse brilho adolescente que dá vida à escola, que dá vida à vida. Naquela quinta feira, os sons da vida dariam lugar ao silêncio da morte.


Os risos seriam substituídos por gritos de desespero e pelo eco dos tiros que, um a um, buscavam vítimas indefesas. Em poucos minutos uma violência absurda e brutal entraria em sala de aula para uma lição que os alunos jamais esqueceriam. Nenhum de nós esquecerá. Será? Há tantas outras tragédias que ocuparam por dias, semanas, os espaços das manchetes e hoje são vagas e tristes lembranças. João Hélio, Eloá Cristina, Isabela Nardoni. Esquecidos, raramente voltam à mídia.


Em Realengo, dos que chegaram para as aulas, no burburinho de um dia que deveria ser como todos os dias, doze nunca mais voltariam para suas casas. Não vou falar dos detalhes da tragédia. Isso a mídia já fez com minuciosa competência. Os passos do criminoso já foram reconstituídos com precisão milimétrica. Sua vida foi devassada, sua loucura estampada nas páginas, telas e sons de todos os veículos de comunicação. As imagens do massacre, captadas sob diversos ângulos por câmeras onipresentes, nesse imenso big brother em que transformamos o cotidiano, mostraram em slow motion, com direito a replay, a fria, mecânica e violenta ação do assassino enlouquecido. Um espetáculo da mídia. Um espetáculo do medo. E quando o medo vira espetáculo, a segurança vira mercadoria. Mal silenciado o eco dos disparos, políticos já disputavam os palanques eletrônicos em entrevistas onde questionavam a segurança nas nossas escolas.


Aqui em BH um vereador rapidamente desenterrou um projeto que propõe a instalação de detectores de metal em cada unidade de ensino. Especialistas discutiram exaustivamente as razões de tanta violência. Um deles, o ex capitão do BOPE, Rodrigo Pimentel, que inspirou a criação do personagem Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite, foi curto e grosso; “o primeiro passo para diminuir a violência é desarmar a população”, no que foi rapidamente contestado por outros especialistas.


Na verdade, o massacre de Realengo expõe muitas das nossas realidades e fragilidades. Dentre elas, uma que destaco: o medo tornou-se um bom negócio. Aliás, um ótimo negócio. E muitos de nós, adestrados e obedientes às leis do Mercado, tornamo-nos clientes do medo. Vivemos, literalmente, “alarmados”. Alarmes em casa, no trabalho, no carro, no coração, na alma.


Erguemos à nossa volta arame farpado e cercas eletrificadas. O que era coisa de campo de concentração nazista hoje é equipamento básico, “ornamentando” nossas casas, prédios e condomínios. Quando não razões concretas para o medo, temos medo do medo de ter medo. Para o atirador de Realengo, imitador de outros tantos atiradores em outros tantos países, imitado, no dia seguinte, por um atirador num shopping, na Holanda, alarmes, cercas, câmeras de vigilância, detectores e sensores pouco podem fazer. Em sua loucura, estão dispostos a morrer, o que os torna incontroláveis.


Em geral não tem antecedentes criminais o que os torna também imprevisíveis, apesar de os que com eles convivem perceberem que há algo de estranho em seu comportamento. Mas, para a imensa maioria da população brasileira, que recursos há para atendimento psicológico ou psiquiátrico? Diante desse quadro há uma solução, uma saída? O nosso futuro é construir muros cada vez mais altos, cercas cada vez mais extensas, alarmes cada vez mais sofisticados e potentes? Casas e escolas tipo fortalezas? O medo será a herança dos nossos filhos? “Mesmo contra toda a esperança, esperei...”, diz o apóstolo Paulo. E se ter esperança é sentir saudades do que ainda há de vir... deve haver um outro mundo possível... Mas onde buscar essa esperança?


Um fato quase anônimo, que pouco destaque teve na mídia escandalosa, acende, para mim, uma fresta de luz em meio a tanta treva. Dois dias depois do massacre, a casa onde morou o atirador foi pichada e depredada por pessoas revoltadas com o episódio. No dia seguinte, alguns moradores anônimos, entre eles, alunos da escola Tasso da Silveira, apagaram as pichações, consertaram os portões destruídos da casa, colocaram papelão no lugar dos vidros quebrados nas janelas.


Um deles, entrevistado, disse apenas uma frase: “o ódio não é uma boa alternativa para o medo...”. Por aí pode haver uma saída, um caminho. Em lugar da espetacularização momentânea da tragédia, como já aconteceu em tantos outros casos de violência, uma postura mais sóbria, equilibrada, responsável da mídia. Em lugar de gestos de vingança, apoio real, efetivo, contínuo e solidário às vítimas. Em lugar de mãos crispadas, prontas a revidar, toques de acolhida e ternura. Em lugar da caça irracional aos culpados, uma reflexão séria sobre responsabilidades. Culpa é uma seta que aponta para trás e para baixo.


Responsabilidade aponta para frente. Culpa gera vergonha, mentiras, manipulação. Responsabilidade gera atitudes de prevenção e mudança. Dias depois da tragédia em Realengo, dois acidentes automobilísticos custaram a vida de 19 pessoas, a maioria jovens, nas estradas da minha Minas Gerais. Os dois, claro, foram notícia. Mas nem de longe alcançaram a repercussão do massacre na escola do Rio. É que o massacre era novidade. A carnificina nas nossas estradas já é rotina... Parte da mídia vive em busca de culpados. Toda a sociedade precisa de identificar os responsáveis. E os responsáveis precisam assumir suas responsabilidades. É... entre a culpa e a responsabilidade, há muito que pensar, muito que fazer...

Fonte: http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=17640&cod_canal=87

Brasileirinhos

Autora: Maria Clara Bingemer


Infelizmente não se trata do belo chorinho de Waldir Azevedo. Nem de nada que a isso se assemelhe. A não ser o vocábulo “choro”, que na obra de Waldir significa graça, molejo e dança ritmada . Mas no triste assunto que aqui nos ocupa “choro” quer dizer pranto desesperado, dor inconsolável de famílias inteiras e legiões de amigos. Na verdade, de toda uma cidade, um país.


“Choro” era o que embargava a voz da presidente Dilma Roussef ao se referir às jovens vítimas do ataque de Realengo: brasileirinhos. Pequenos, jovens, indefesos cidadãos retirados da vida tão cedo. A morte dos doze adolescentes – crianças ensaiando o rito de passagem para a idade adulta - feridos de morte pela fúria desenfreada de um psicopata na escola Tasso da Silveira em Realengo, Rio de Janeiro, passará à história como um dos episódios mais dilacerantes que o Rio já viveu.


Começou cedo naquela manhã. Ouvia-se falar de Realengo, ligava-se a televisão e lá estava. O espetáculo era desolador e macabro. Policiais tentando conter pais, parentes e amigos dos alunos da escola com um inútil cordão de isolamento. E a tragédia acontecida minutos, horas antes ainda sem explicação nem esclarecimento. E as mães, com olhar esgazeado, queriam informação sobre onde estavam seus filhos. De suas gargantas saía aquela voz deformada pela dor que quer saber e ao mesmo tempo não quer. Dos doze mortos, dez eram meninas. Bonitas, cabelos longos, graciosas e charmosas. Estreando a feminilidade, vivendo os primeiros amores.


O assassino mirou em sua face, em seu pescoço, no centro de sua beleza. Queria desfigurá-las, destruí-las. O reconhecimento dos corpos pelos pais era difícil. Dor sobre dor aconteceu no IML. A carta deixada pelo assassino permite entrever traumas profundíssimos, um psiquismo absolutamente tenebroso onde o único lampejo de afeto se dirige à mãe adotiva junto à qual pede para ser enterrado. Estaria na morte da mãe a raiz do seu aparente ódio pelo outro sexo? Ou nos retorcidos e obscuros elementos religiosos relativos a purezas e toques deixados no seu testamento? Não importa agora. Ao menos não importa tanto quanto o fato de que um desequilibrado neste nível conseguiu levar armas e munição abundante para perpetrar seu bárbaro crime. Mais: aparelhos sofisticados para acelerar a recarga das armas que pretendia descarregar integralmente sobre suas vítimas.


No passado recente de Wellington Menezes, uma solidão sempre mais profunda, um isolamento em uma casa distante do bairro onde cresceu e da escolao nde estudou. Barba longa cortada poucos dias antes do crime. Horas e horas na internet e na TV. Horas e horas onde sua doença ia crescendo, tornando-se mais e mais grave, até explodir na matança caótica do último dia 7 de abril. A tentativa de rastrear o porte de armas com as quais matou as doze crianças e feriu outras tantas identificou uma pessoa de quem a arma fora roubada. Como Wellington a terá obtido? E a farta munição que carregava em sua mochila e que usou para atirar a torto e a direito, matando e ferindo? Isso é o que importa saber.


Não tanto para expo-lo mais e mais à execração pública. Não tanto para morbidamente fazer as famílias já tão golpeadas viver e reviver uma e outra vez a tragédia que para sempre marcará suas vidas. Mas sim para retomar uma discussão que o Brasil espera e necessita e que foi interrompida em 2005. O plebiscito do desarmamento, acontecido há seis anos, levava consigo uma consistente esperança de que o porte de armas livre fosse abolido no país. Muitas pessoas, grupos e instituiçõesque lutam pela paz fizeram campanha, se empenharam e lutaram. Mas o resultado foi uma derrota fragorosa nas urnas. Ganhou o lobby da indústria armamentista, o medo de pessoas que ainda crêem que estão mais seguras contra a violência possuindo as armasque multiplicam e perpetram a mesma violência que temem, apesar de todas as explicações e provas em contrário.


No entanto, a tragédia de Realengo tem que trazer de volta a discussão e gerar um novo referendo. Não é possível que armas trafeguem livremente pelas mãos de assassinos, doentes, perversos, ceifando vidas e destruindo o futuro da cidade e da nação. Retomar a luta pelo desarmamento é, a partir da última quinta feira, obrigação de todo brasileiro. A memória dos doze brasileirinhos vitimados em Realengo é um instigante convite a fazer isso rápida e decididamente.


Fonte: http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=17631&cod_canal=47

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A IDOLATRIA DA VIOLÊNCIA

Por Flávio Paiva, publicado em 14 abr. 2011

Nada reabilitará o massacre das crianças na escola de Realengo, quinta-feira passada, no Rio de Janeiro. Não há o que reabilitar. As famílias perderam suas crianças, o bairro perdeu suas crianças e as crianças perderam a vida da forma mais brutal e infundada. A melhor maneira de dignificar suas memórias é tentar fazer da tragédia um observatório e uma plataforma de atitudes voltadas para a infância no Brasil.

A presidenta Dilma Rousseff encerrou a cerimônia oficial da qual participava naquele dia para prestar condolências ao deplorável fato até então inédito na história do País que governa há apenas cem dias: "Esses brasileirinhos que foram retirados tão cedo da vida". A fala em choque e o semblante contristado de Dilma revelaram sua compreensão do tamanho do desafio que temos pela frente para nos tornarmos realmente "um país sem miséria".

A miséria brasileira é maior do que se imagina, porque não se restringe a indicadores como carência material, insuficiência de recursos ou taxa de analfabetismo funcional. O pior da miséria brasileira está nos distúrbios resultantes do abandono da vida simbólica a que relegamos nossa cultura. O assassino teve acesso a emprego, a escola, mas tinha carência de sentido porque, como a maioria das crianças do nosso País, era vitima do não-ser e da massificação do isolamento, como padronização comportamental.

A falta de exercício da dimensão subjetiva, que se nutre nas vivências e convivências culturais, anula a noção de singularidade e de originalidade, fazendo com que o indivíduo perca a autonomia das suas preferências para se condicionar às interinfluências do meio. Destituído da sensibilidade de apreciação e não apenas de repetição, o matador assina na execução de inocentes a sua lealdade à relação fetichista com a violência.

A chacina, em casos como esse, é uma emancipação reversa, um ato de afirmação da falência existencial. O assassino se inclui pelo potencial de atenção que pode causar. A carta que ele deixou é clara em seu delírio valorativo diante da demonização extrema do nada com nada. Ao abater energicamente aquelas crianças ele quis eliminar de vez a inocência, como quem considera imoral a força criativa da infância e sua desconformidade ante um punhado de regras sociais que estabelecem o limite do humano em si mesmo e não no semelhante.

Matar a "ingenuidade" é acabar com a possibilidade de manutenção da esperança. A criança é uma ameaça ao cultor do não-real porque ela olha à vida com credulidade. Então, não adianta repudiar a crueldade do assassino e continuar permitindo a morte lenta da infância no cotidiano do modelo social insustentável que praticamos. Se a violência ocorrida na escola de Realengo mostrou-se primitiva é porque o princípio da idolatria da violência é primitivo. Diluído no dia-a-dia e nas mais diversas formas de avatar, o sacrifício da imaginação e do lúdico vai dilacerando a infância, deixando-a sem sangue para que apodreça higienicamente diante das telas.

Para quem por atos ou omissões contribui com a matança lenta da infância, a deformação coletiva derivada da formatação de homogêneos e obedientes consumidores não passa de ficção. O que a distingue da dolorosa tragédia de Realengo é o choque da perversidade assumida pelo matador. Muitos choraram apenas pelo efeito de condolência desse impacto. Porém, juntamente com a expressão de tristeza estampada no rosto da Presidenta da República, ao lamentar o fato, certamente muitos outros brasileiros sentiram o peso da gravidade da situação.

O que está em questão é a desvalorização da vida real, como abertura de cena para a atuação das drogas, do capitalismo corrosivo e das mensagens de uma vida melhor depois da morte. Na visão do indivíduo que, sem o aconchego de uma cultura que dê beleza ao seu olhar, perde a condição de se reconhecer no mundo físico, o vazio, o nulo ganha importância transcendental. Por isso, em seu esforço adaptativo do prazer, ele mata o corpo, mata a inocência, mata o amor, mata tudo o que para ser pleno necessita de mais alguém.

O matador representa os que não suportam mais os limites da realidade e por isso querem deletá-la. Ele entrou na escola em forma de avatar e não como pessoa. Com sua identidade secreta de indivíduo digital, modelado em madrugadas e mais madrugadas de solidão à frente do computador, quis, com seu distúrbio de julgamento, provar que não existe mais outra coisa que não seja "reality show", messianismo virtual e a verdade psíquica da idolatria da violência. O suicídio no clímax do massacre é uma demonstração do pleno gozo de um corpo que não existe de fato, apenas em imagem de jogo.

A recente campanha de lançamento do "game" intitulado "Dead Space 2", cujo protagonista tem transtornos psíquicos mortíferos, trouxe consigo a mensagem "sua mãe odeia isso", como convencimento aos aficionados em jogos eletrônicos de extermínio. O caderno "Folhateen", de um jornal paulistano que assumiu editorialmente a mudança do conceito de juventude para "teenager", apresentou na segunda-feira, 11, a seguinte dica para o estrelato virtual: "Crie um personagem. Vale ser rebelde, ultracolorido ou tosco: o importante é se destacar entre a multidão".

Tomei esses dois exemplos apenas para mostrar como as bases para a idolatria da violência vêm sendo construídas tanto no desvalor do "marketing" da desconstrução parental quanto na mais "ingênua" das indicações de conquista de visibilidade a qualquer custo. Some-se a isso, a publicidade dirigida à criança, em induções do consumo exagerado, a baixa qualidade conceitual dos produtos e serviços destinados à infância, a banalização da arte, a ausência de espaços públicos agradáveis e apropriados para o brincar e a falta de papéis-modelo, em quem se inspirar, e teremos potenciais matadores da realidade.

Na última "Super Amostra Nacional de Animês" (Sana Fest), realizada em Fortaleza (29 e 30/jan), deu para perceber claramente a concentração de todo tipo de ícone de violência. O que antes parecia simplesmente uma feira de divulgação e venda de produtos da indústria de cultura de massa japonesa para exportação, agora tem garota com suástica tatuada no braço, patrocínio de empresa de segurança (em um evento para a juventude é no mínimo estranho) e camisetas com mensagens do tipo: "Seja um matador, seja uma celebridade" e "Gostei de você, vou matá-lo por último".

Houve um tempo em que os psicopatas tinham o fetiche de matar figuras públicas. Foi assim que Martin Luther King e John Lennon foram assassinados. Nos últimos tempos, esse tipo de fantasia mórbida está se voltando para filhos que matam os pais que não querem emprestar o carro ou para antecipar a herança, e para casos de massacres em "shoppings", estações, cinemas e escolas. São crimes típicos da privação de intimidade com os símbolos sociais edificantes que só a cultura, como ambiente de livre exercício desejante, pode proporcionar.

Por ser capaz de inspirar propósito ao que aparentemente pode até não ter causa final, a criança torna-se alvo vulgar desse tipo de imolação. Como não há como pensar em adulto sadio com o desaparecimento da infância, resta-nos deixar a complacência de lado e dar um sentido ao luto pelas crianças de Realengo. O atirador não está sozinho. No dia do massacre alguém criou um falso perfil do assassino no Orkut e rapidamente a página teve mais de mil e quinhentos seguidores, até que também muito rapidamente foi excluída. Pelo jeito, não estamos muito bem de ídolos.


Fonte: @criancaeconsumo

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Educação e armas


Chacina em Realengo: antiética, estética e autofagia

Valter Machado da Fonseca*

O país literalmente parou, horrorizado e boquiaberto com o “espetáculo” de horrores apresentado na Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. À primeira vista, a notícia teve uma repercussão estrondosa, como se fatos como este não fossem corriqueiros no Brasil. Como se, quase que cotidianamente, crianças não fossem assassinadas brutalmente em diversas cidades brasileiras, como se quase todos os dias, pessoas não fossem espancadas, freiras não fossem assassinadas por jagunços, indígenas não fossem incendiados vivos, se homossexuais não fossem espancados e/ou assassinados, como se prostitutas não fossem apedrejadas, como se mulheres não fossem estupradas ou violentadas todos os dias nas grandes cidades do país. Não! Caro (a) leitor (a)! A repercussão foi tão assustadora porque o sujeito [assassino] em questão resolveu agir “por atacado”, utilizando-se de crianças inocentes e em um local supostamente seguro [a escola]. Ele resolveu colocar a olho nu, de forma despida, todas as contradições de um sistema cambaleante e decadente.

Assim, a repercussão midiática foi relâmpago, surpreendentemente eficiente. Em poucos minutos a notícia já era manchete nos principais meios de comunicação mundiais. Aliás, a mídia tem uma parcela considerável de culpa em tragédias dessa envergadura. Quase sempre [para não dizer sempre] a mídia destaca casos de terrorismo por semanas e até meses a fio. Mostram todos os ângulos de um “homem-bomba” em ação, voltam para esses indivíduos seus holofotes mais potentes. Acabam por fazer com que esses sujeitos passem de reles assassinos a representantes de “grandes causas”. Na verdade, dão a eles aquilo que mais querem: seus minutos de poder e fama. A mídia, no fim das contas, faz a verdadeira apologia ao terror, em nome da informação isenta de intenções. Este amplo respaldo midiático acaba por encorajar outras pessoas que veem nesses assassinos seus representantes legítimos.

Nos dias subsequentes à matança de Realengo, temos assistido na esmagadora maioria dos canais de TV, diversas sessões de psicologia, psiquiatria e parapsicologia. Enfim, são sessões de psicoterapia coletivas presididas por psicólogos de plantão de todas as cores e matizes. Eles querem saber o que se passou na mente, na cabeça daquele assassino. É uma atitude absolutamente normal em um indivíduo desajustado mergulhado num contexto social marcado pela corrupção, pelas maracutaias, pelos esquemas de propina, pelos assassinos de colarinho branco, por esquemas de fraude. Afinal, o que diferem esses criminosos do maníaco de Realengo? O que esperar de um sujeito desajustado e mergulhado no meio da impunidade, da injustiça, do latrocínio. Querem achar culpados: já acusaram a escola, a população, a segurança pública, o Islã, dentre outros. Mas, em nenhum momento, apontaram o dedo na direção correta: o sistema que privilegia o consumo acima de qualquer outra coisa, que desumaniza o ser humano, que banaliza as relações humanas, que mede a educação por números e cifras e nunca pela qualidade, que premia os criminosos do colarinho branco e que, desgraçadamente, vive à custa da miséria, da doença e da decadência dos valores humanos.

É na ação social que o sujeito forma sua consciência. No caso do maníaco em questão sua consciência [se é que ele tem uma] é fruto de um contexto social marcado pela ética e pela estética da burguesia necrosada, deteriorada pelo câncer social. Alguns tentaram justificar o massacre de Realengo pelo bullying do qual foi vitima o maníaco. Mas, afinal o que é o bullying senão uma manifestação da ética burguesa em função de sua própria estética? Uma estética que nasce de padrões pré-estabelecidos pela burguesia, que convencionou para si mesma que o ser humano aceitável é branco, machista, louro, magro [de preferência malhado], que tem uma linguagem própria, que se dá bem com as garotas ou com os rapazes. Os que não se enquadram nestes padrões, ou seja, os feios, gordinhos, tímidos, que usam grossos óculos de lentes, negros, homossexuais, são o rejeito social. Este é o resultado da podridão da estética de uma sociedade burguesa carcomida pelo câncer social.

Caros leitores! Não adianta buscar respostas para a ação demoníaca do assassino de Realengo. Ele é fruto das contradições de um sistema cuja derme sangra em lepra. De um sistema necrosado, carcomido pelo câncer que gera tumores dos quais se expele a gosma do preconceito, da discriminação e da injustiça social. Ele é fruto de um sistema que come a si mesmo, um sistema autofágico por excelência.

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* Escritor, Geógrafo pela Universidade Federal de Uberlândia, Mestre e doutorando em Educação também pela UFU (machado04fonseca@gmail.com) - Enviado pelo PROFUEMG/UEMG

Menino de 12 anos ameaça duas adolescentes dentro de escola em Ribeirão Preto, SP

Publicada em 13/04/2011


SÃO PAULO - Duas adolescentes foram ameaçadas por um garoto de 12 anos, na tarde desta quarta-feira, dentro do banheiro da escola municipal Anísio Teixeira, no Jardim Iguatemi, em Ribeirão Preto, a 319 km de São Paulo.


De acordo com as vítimas, elas foram surpreendidas pelo menor, que estava armado com um canivete, dentro do banheiro da escola. As meninas, de 14 e 16 anos, foram trancadas no local pela irmã do menino. Ao perceberem a movimentação, dois inspetores de alunos conseguiram impedir a agressão. Ninguém ficou ferido.


Foi registrado boletim de ocorrência na Delegacia da Infância e Juventude (Diju) e o canivete foi apreendido pela polícia. Todos os envolvidos, que estudam no colégio, foram liberados. Segundo uma das vítimas, ela vinha sofrendo ameaças de um grupo de meninas da escola e avisou a direção do colégio, que preferiu não comentar o assunto.


Fonte: Jornal O Globo

terça-feira, 12 de abril de 2011

Entre as 2.558 armas apreendidas em 2010 no DF, 11 foram encontradas dentro de estabelecimentos escolares

Dentro das escolas

Entre as 2.558 armas apreendidas no ano passado, 11 foram encontradas dentro de estabelecimentos escolares. Este ano já foram apreendias outras três. A falta de segurança em boa parte das 650 Escolas da rede pública do Distrito Federal levanta a questão sobre os riscos de uma tragédia como a que ocorreu no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, na última semana. As operações de segurança, realizadas em conjunto pelas polícias Civil e Militar, continuam a ocorrer nas cidades que registram altos índices de criminalidade, de acordo com informações da Secretaria de Segurança. No entanto, a segurança das escolas fica a cargo do Batalhão Escolar.


De acordo com o professor Felipe Dantas, a questão da violência e a presença de armas não é diferente nas escolas. É lá que passam boa parte do tempo aqueles que compõem atualmente o maior grupo de risco para o crime e violência indivíduos jovens e do sexo masculino alguns deles, inclusive, já cooptados pela chamada subcultura da violência, jeito de viver em que estão ausentes os pré-requisitos para a resolução pacífica de conflitos, mas muito presentes a posse e uso de armas de fogo, analisou.


O educador lembrou do caso em que a falta de segurança e a presença constante de armas de fogo no cotidiano dos jovens provocaram a morte do professor Carlos Ramos, ex-diretor do Centro de ensino fundamental nº 4, do Lago Oeste, morto em 20 de junho de 2008, por um ex-aluno envolvido com o tráfico de drogas na região onde ficava a Escola. Dantas ainda comentou que o Brasil encabeça o terceiro grupo de países que mais exportam armas de fogo. A maior parte dos homicídios no País é por armas de fogo. Essas mortes são motivadas por causas banais: brigas de bares e de trânsito ou desavenças entre casais. São desentendimentos fúteis que, por se ter uma arma na mão, se tornam fatais, afirmou o professor. Fonte:


Jornal de Brasília (DF)

Escola reabre para aulas no dia 18; até lá, professores terão ajuda psicológica

RIO - O Estado de S.Paulo A Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, será reaberta aos alunos no dia 18, com atividades idealizadas para estimular a volta dos estudantes e dar "cara nova" ao colégio que foi cenário do assassinato de 12 crianças. O grande número de estudantes que, traumatizados pelo massacre, se recusam a voltar à escola é motivo de preocupação de psicólogos e assistentes sociais da prefeitura encarregados de prestar atendimento aos estudantes e suas famílias.


Depois de deixar flores na porta do colégio, na tarde de ontem, a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, disse que uma "cerimônia de reinvenção da escola", com alunos, parentes, professores e funcionários, marcará a volta às aulas. As crianças serão estimuladas a montar um mosaico no muro da escola, a escolher as novas cores das paredes e a acompanhar a instalação de um grande aquário. Cláudia Costin disse que todos os esforços serão feitos para manter as crianças no local. A quem não quiser, porém, a secretaria vai providenciar a transferência para outra unidade da rede municipal. "Não vamos incentivar que as crianças saiam da escola. É importante que retornem e vejam que aquele é o lugar onde foram felizes."


Segundo a secretária, ainda não foi decidido como será aproveitado o espaço ocupado pelas salas de aula onde o atirador Wellington Menezes de Oliveira fez os disparos. Hoje, a Tasso da Silveira será liberada pela polícia e passará por uma limpeza e pintura superficial dos locais mais manchados de sangue. Na semana que vem, começará a pintura geral. De amanhã até sexta-feira, professores e funcionários receberão, na própria escola, atendimento psicológico, a fim de aprender a lidar com o trauma e também se preparar para a volta dos alunos, no dia 18.


Na sexta-feira, representantes da Secretaria de Educação farão uma reunião de avaliação das condições dos professores. Durante o fim de semana, funcionários de várias secretarias municipais visitaram casas das vítimas e de alunos. "A maioria dos alunos diz que não quer voltar, mas não são todos. As reações são muito diferentes. Houve um pai que sugeriu até demolir a escola e, no lugar, fazer um parque", contou a assistente social Simone de Souza Pires, coordenadora do atendimento às vítimas e seus parentes. Segundo Simone, há crianças e adultos que apresentam sintomas de estresse pós-traumático, como tremedeiras, dores de barriga, insônia, medo de sair de casa e resistência a qualquer tipo de notícia sobre a tragédia. Discussão Na próxima quarta-feira, todas as escolas municipais do Rio vão parar por duas horas para discutir o futuro da rede pública e reunir sugestões que serão encaminhadas à secretaria. "Há uma sensação de que toda a rede foi atingida, todos querem ajudar e não sabem como", disse Cláudia Costin. "Não há nada mais sagrado do que ter a escola."


Fonte: O Estado de São Paulo (SP)

sábado, 9 de abril de 2011

Educação, insegurança e PAZ

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Educação e PAZ


Dois alunos continuam em estado grave após massacre no Rio

Dois dos dez alunos feridos que continuam internados após o massacre em uma escola em Realengo, zona oeste do Rio, continuam em estado grave, segundo boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio neste sábado. No ataque, ocorrido na quinta-feira (7), 12 estudantes morreram (dez meninas e dois meninos), e o atirador, Wellington Menezes de Oliveira, 23, ex-aluno da escola, se matou. Das dez vítimas ainda internadas oito são meninos e duas, meninas. Outros dois alunos que também foram feridos - um de 14 anos que teve uma lesão na perna e uma menina de 13 anos que foi baleada no abdome - já tiveram alta. No Hospital Estadual Adão Pereira Nunes está internado um menino de 13 anos que foi baleado no olho direito e foi operado. Ele está sedado em estado grave e respira com ajuda de aparelhos, embora seu quadro seja estável.


No mesmo hospital está internada uma menina de 13 anos que foi atingida no abdome e na coluna. Ela foi operada na quinta-feira e já está lúcida, acordada e respirando espontaneamente. Até ontem seu estado era grave, mas seu quadro apresentou evolução. Três vítimas continuam internadas no Hospital Estadual Albert Schweitzer: um menino de 13 anos, que teve fratura de antebraço e segue em observação, e dois meninos de 14 e 12 anos, ambos baleados no abdome. O de 14 anos está sedado, respirando com auxílio de aparelhos e seu estado é grave, segundo os médicos. O outro encontra-se no pós-operatório, respira por macronebolização e o quadro dele é estável.


Um garoto de 14 anos que sofreu uma lesão vascular grave no ombro direito permanece internado no Hospital Estadual Alberto Torres. Ele foi operado, está consciente e passa bem, de acordo com os médicos. No Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia estão duas vítimas, um menino de 13 anos, baleado no braço, e uma menina também de 13, baleada nas mãos. O estado dos dois é estável. Outro aluno de 13 anos, atingido na perna e no braço, está no Hospital Universitário Pedro Ernesto. O estado dele é estável e ele está consciente, informou a secretaria. O último dos feridos, um menino de 14 anos, está no Hospital da Polícia Militar em estado estável. Ele foi baleado na cabeça, mão e clavícula, e passou por cirurgia na quinta-feira.


ENTERROS - Já foram enterrados os corpos de 11 das 12 vítimas do massacre. Os enterros reuniram centenas de pessoas em dois cemitérios e deixaram familiares e amigos emocionados -- algumas pessoas chegaram a passar mal, mas nenhuma com gravidade. A última das vítimas teve o corpo cremado.


Em luto - Rafael Pereira da Silva, 14, foi a quarta vítima sepultada no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap (zona oeste). Mais cedo foram realizados as cerimônias de Larissa dos Santos Atanázio, 13; Karine Lorraine Chagas de Oliveira, 14; e Luiza Paula da Silveira, 14. No mesmo cemitério, Igor Moraes, 13, foi enterrado às 16h. No cemitério do Murundu, em Padre Miguel, ocorreram os enterros de Mariana Rocha de Souza, 12; Laryssa Silva Martins, 13. Mais de 300 pessoas acompanham as homenagens às estudantes. Entre elas enfermeiros e psicólogos da Secretaria de Saúde, professores e policiais --um helicóptero da Polícia Civil jogou pétalas de rosas. Também foram enterradas no Murundu as meninas Milena Santos Nascimento, 14, e Bianca Rocha, 13. A adolescente Géssica Guedes Pereira, 15, foi velada no local, mas foi enterrada no cemitério Ricardo de Albuquerque. O enterro de Samira Pires, 13, também foi na sexta, no cemitério de Santa Cruz. Ana Carolina Pacheco da Silva, 13, foi enterrada no Memorial do Carmo, no cemitério do Caju (zona portuária do Rio).


TIROS - A tragédia ocorreu por volta das 8h30 de quinta-feira (7), após Oliveira entrar na escola onde cursou o ensino fundamental e dizer que buscaria seu histórico escolar. Depois, disse que daria uma palestra e, já em uma sala de aula, começou a atirar nos alunos. Durante o tiroteio, um garoto, ferido, conseguiu escapar e avisar a Polícia Militar. O policial Márcio Alexandre Alves relatou que Oliveira chegou a apontar a arma para ele quando estava na escada que dá acesso ao terceiro andar do prédio, onde alunos estavam escondidos. O policial disse ter atirado no criminoso e pedido que ele largasse a arma. Em seguida, Oliveira se matou com um tiro na cabeça. Ontem, a polícia informou que Oliveira fez mais de 60 disparos com a mesma arma --um revólver 38 que recarregou nove vezes durante a ação. Ele ainda trazia preso à cintura um revólver calibre 32, que usou poucas vezes. Dois homens foram presos sob acusação de terem vendido uma das armas para Oliveira.


* Fonte: Foto de Danilo Verpa/Folhapress

Polícia apresenta acusados de intermediar a venda de revólver ao atirador por R$ 260


RIO - Os dois homens que teriam intermediado a venda do revólver calibre 32 ao atirador Wellington Menezes de Oliveira, responsável pela chacina que deixou 12 mortos na Escola Municipal Tasso da Silveira, na quinta-feira, em Realengo, foram indiciados por comércio ilegal de arma de fogo. A pena pode chegar a 8 anos, informou o delegado da Divisão de Homicídios, Felipe Ettore, neste sábado.


O chaveiro Charleston de Souza de Lucena, de 38 anos e o vigia Izaías de Souza, de 48 anos, foram presos na madrugada deste sábado. Segundo a polícia, eles disseram em depoimento que a arma foi vendida por R$ 260 e cada um teria ficado com R$ 30. A polícia procura agora um homem conhecido como Robson que teria ficado com os R$ 200. - Se eu soubesse que era para fazer isso, jamais teria feito o que eu fiz. Agora, infelizmente vou ter que pagar - disse Izaías ao site G1. - Eu acho que tenho parte da culpa, mas culpa diretamente pelo assassinato eu não tenho - disse ele, que quando viu a notícia do ataque chorou e pensou na filha e na enteada que estudam em uma escola em Sepetiba.


O chaveiro Charleston de Souza de Lucena, também arrependido, desabafou: - Fizemos sem maldade. Os peritos disseram que vão traçar o perfil psicológico de Wellington. Dispensado do serviço militar, atirador pode ter tido lições em sites TROCA DE E-MAILS: Wellington tinha interlocutor, com quem falava sobre religião e jogos eletrônicos de guerra A PM chegou aos suspeitos a partir do relato de um informante, que teria presenciado uma conversa entre o chaveiro, vizinho de Wellington em Sepetiba, e o vigia. O informante desconfiou e acionou o 21º BPM (São João de Meriti), que enviou um policial à paisana a Sepetiba, onde o atirador morava. Policiais identificaram os dois suspeitos, que a princípio negaram ter participado da venda do revólver. Em seguida, porém, eles trocaram acusações e, mais tarde, acabaram confessando o crime na DH. Segundo o G1, o chaveiro revelou à PM que Wellington era conhecido na região onde morava em Sepetiba pelo apelido de "Sheik", devido à barba longa que cultivou até dias antes do crime. "Nós descobrimos esses dois homens porque um PM à paisana ouviu o vendedor comentar ao chaveiro, tá vendo aquela arma que te vendi, tá vendo como ela tava afiadinha?, olha o estrago que ela fez", reproduziu o comandante.


De acordo com o sargento Paulo Augusto, responsável pela equipe que prendeu os dois homens, o chaveiro contou que conheceu Wellington após realizar um serviço na casa do rapaz. Segundo a declaração do chaveiro, o homem que promoveu o ataque à escola em Realengo alegou que queria uma arma para sua proteção. No início da madrugada deste sábado, o delegado titular da Divisão de Homícidos (DH), Felipe Ettore, foi até o plantão judiciário pedir a prisão preventiva de Charleston e Isaías por porte ilegal de armas. Os revólveres usados por Wellington e as 66 cápsulas disparadas, além de um cinturão e um carregador de munição, foram apresentados ontem. De acordo com o delegado Felipe Ettore, Wellington usou as duas armas - um revólver calibre 38 e outro 32 - ao mesmo tempo. O revólver 32 foi roubado em 1994 de um sítio.


Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/04/09/policia-apresenta-acusados-de-intermediar-venda-de-revolver-ao-atirador-por-260-924198489.asp

sexta-feira, 8 de abril de 2011

NOTÍCIAS...

Com comoção e dor, centenas de pessoas acompanham enterro de vítimas de atirador no Rio

FOTO: ASSOCIATED PRESS

Rio de Janeiro - Comoção e dor marcaram o enterro de vítimas da tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. No cemitério do Murundu, em Padre Miguel, também na zona oeste, centenas de pessoas chegaram cedo para acompanhar o velório e enterro de Larissa Silva Martins, de 13 anos; Mariana Rocha de Souza, de 12 anos; e de Géssica Guedes Pereira. O corpo desta última foi enterrado no Cemitério de Ricardo de Albuquerque. Os corpos de Bianca Rocha Tavares, de 13 anos; e de Milena dos Santos Nascimento, de 14 anos, foram liberados do Instituto Médico Legal no final da manhã, e também foram levados para o velório e enterro no Cemitério do Murundu.

Em meio ao choro e desmaios de parentes, um helicóptero da Polícia Civil jogou pétalas de rosa no momento dos enterros, que foram acompanhados também pelo secretário de Segurança Pública do estado, José Mariano Beltrame, e pela chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha. Beltrame lamentou a morte das crianças, mas afirmou que essas questões de segurança nas escolas são pequenas diante da monstruosidade do episódio. “Mesmo com a segurança interna, dificilmente iria se prevenir isso. A gente sabe que foi um ato insano de uma pessoa totalmente fora de suas faculdades mentais pra cometer uma barbaridade dessa natureza”, lamentou. O secretário defendeu as campanhas de desarmamento que tenham o objetivo de instruir as pessoas a respeito do uso de armas letais, mas admitiu que “é leviano afirmar que atos como este não vão mais acontecer”.

Chorando muito, a estudante Isabela da Silva Cavalheiro, relatou o episódio que testemunhou e disse que nunca mais volta para escola Tasso da Silveira. “Quero voltar a estudar sim, quero ser aeromoça, mas para essa escola não volto nunca mais.” Lucas Matheus de Carvalho, de 13 anos, também estava na sala no momento em que o atirador entrou. Ele disse que o homem só mataria meninas e que pouparia os rapazes. “Senti a dor do pai e de uma mãe, que levam os filhos para a escola felizes e duas horas depois descobrem que não têm mais seus filhos.” Uma equipe de assistentes sociais da prefeitura do Rio acompanhou os enterros e na tenda montada no cemitério do Murundu prestaram atendimento a pelo menos 60 pessoas que tiveram crise nervosa. Oito delas precisaram ser removidas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Padre Miguel. No Cemitério Jardim da Saudade, na Sulacap, também na zona oeste, o clima de comoção era o mesmo no velório e enterro de Rafael Pereira da Silva, de 14 anos; Karine Lorraine Chagas de Oliveira, de 14 anos; Larissa dos Santos Atanázio, de 13 anos; e Luiza Paula da Silveira Machado, de 14 anos. Os corpos de mais três vítimas da tragédia aguardam liberação do Instituto Médico Legal.

Assaltantes invadem escola e assustam alunos e professores no RJ

Do G1 RJ


Dois assaltantes invadiram uma Escola Municipal Astrogildo Pereira, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, após praticar assaltos na rua do colégio. Segundo a polícia, eles estavam fugindo e entraram na unidade para se esconder dos agentes.


Os dois, apesar de desarmados chegaram a fazer uma criança de escudo, de acordo com a polícia. Após negociação com os agentes, eles se entregaram e foram levados para a 34ª DP (Bangu). Segundo Arnaldo Lobo, pai de uma professora, os criminosos tentaram se esconder da polícia dentro da sala onde sua filha estava com alunos.“Ela me ligou e contou, desesperada, que tinha bandidos na escola. Eu saí, passei na delegacia e avisei à polícia. Quando cheguei lá encontrei uma viatura e a polícia já havia controlado a situação", disse ele.


Para Lobo, o ataque à escola em Realengo, na quinta-feira (7), influenciou no desespero, um dia após o episódio. "A situação de ontem influenciou. O bicho está pegando no Rio de Janeiro. Ela está em estado de choque ", contou. Segundo Arnaldo, sua filha foi levada para o Hospital Albert Schweitzer em estado de choque. A unidade é a mesma para que foram levadas as vítimas do ataque em Realengo.


Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/04/assaltantes-invadem-escola-e-assustam-alunos-e-professores-no-rj.html

Educação e Violência




Educação e violência

CBN/BH – Marcelo Guedes Merendeiras de Aço - sex, 08/04/11

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A educação brasileira deixou ontem de vez a sua pré-história para trás. Cidadãos brasileiros que estavam sob cuidado do Estado foram barbaramente assassinados no último reduto de segurança da nossa imaginação. A tragédia na zona Oeste do Rio de Janeiro é nacional. Atingiu nosso fígado quando estávamos distraídos cuidando do almoço e de nossas tarefas cotidianas. Passou pela porta da frente e matou suas vítimas com facilidade. Não custa lembrar que aprovamos, e na forma de plebiscito, um estatuto que pretendia desarmar a população. Houve reclamações, o lobby do cano quente entrou em ação e a coisa ficou pela metade. Não tem jeito: é tolerância zero com essa coisa de cidadão civil armado. A desgraça de ontem provou que os desequilibrados estão entre as fibras sociais como a gordura da picanha. Não dá pra saber quem é capaz de colocar a loucura em ato. Temos que contar com ela de hoje em diante e olhar para a sua cara feia se quisermos mudar isso. Não temos certeza (e isso nos percorre a espinha como um pavor paralisante) que esse terá sido um gesto pontual. Hoje somos todos moradores de Realengo. De suas ruas simples e cotidianas o grito das vítimas foi ouvido no país todo. Tomara que ele tenha eco. O episódio deixa claro que educação é algo muito, muito maior do que a transferência de conteúdos programáticos de álgebras e análises sintáticas, de tabelas periódicas e tabuadas. Se as comunidades como um todo não tomarem a formação de nossos meninos nas mãos, se deixarmos por conta só da grande rede veremos atônitos os Wellington Oliveira multiplicarem-se. Acabou! A era da inocência acabou também para a escola. Somos todos agora adultos. Terrivelmente confrontados pelos nossos medos teremos agora que fazer uma opção responsávele e deixar de vez esses 500 anos de adolescência pra trás.


* Fonte: http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/platb/marceloguedes/

Educação em revolta


Educação e morte