quinta-feira, 30 de junho de 2011

Opinião: Educar é melhor do que remediar

Por: Meraldo Ziisman*

Nossos espaços midiáticos estão totalmente ocupados com a endêmica corrupção nacional e outros assuntos politicamente correlatos enquanto os fazedores de opinião esquecem-se das causas, por exemplo, da tragédia do Realengo, que decorrem do nosso mais crasso erro: o Desinvestimento Histórico em Educação.

Como médico há quase meio século, creio ter o direito de chamar a atenção dos senhores fazedores de opinião para o fato de que o desenvolvimento sustentável brasileiro passa, necessariamente, pela Educação. Mas o discurso (da maioria desses senhores), não corresponde à práxis. Falou-se muito (na telinha, nos jornais. Facebook, YouTube, etc.) sobre um livro publicado pelo Ministério da Educação e Cultura.

O ministro Fernando Haddad veio a público em defesa desse livro didático da Coleção “Viver, Aprender”, que diz que é correto falar com erros de concordância, dependendo do contexto. Tudo bem, a democracia é regime político em processo de amadurecimento. Cada um pode ter a sua opinião... muito embora julgue ser a defesa da norma culta do idioma uma empreitada meritória. O meu “argumentum ad nauseam”: lutem pela defesa da nossa língua. Mas não se esqueçam da violência nos intramuros escolares.

No caso do bullying, deu-se algumas vezes maior destaque à discussão para escolher uma tradução apropriada para o termo do que ao grave significado do fato real. Anglicismofobia? Toda fobia representa um medo mórbido, como todos sabem, não sendo necessário ser profissional da área psicológica para entender isso. Um autor norte-americano declara que a violência escolar ou bullyng - ou qualquer outra palavra ao gosto de nossas autoridades linguísticas - virou um espetáculo quase circense (conferir na revista Cult - Editora Bragantini, nº 157, de maio de 2011).

O psicologista Fanz C. Sacco, autor do livro Preventing Bullying and School Violence (Prevenindo o Bullying e a Violência nas Escolas), declarou à jornalista Fernanda Paula: “bullying é um show e um ato psicológico, repetido na frente de uma plateia. O agressor e a vitima fazem parte do espetáculo midiático (online ou na escola) e os espectadores estão em toda parte". O casal presidencial norte-americano, Michelle e Barak Obama, discursaram sobre o tema em 10 de março de 2011 () enquanto que aqui no Recife o nosso Diario de Pernambuco, em manchete que teve repercussão nacionalpós-tragédia do Realengo reportou: 12 mortos, 190 mihões de feridos (abril de 2001).

Como médico e colaborador do Diario, deixo este lembrete para o Caderno Opinião que, de quando em vez, me permite espaço como leitor e cidadão: a profilaxia permanece sendo (apesar de todos os avanços científicos), a melhor arma contra doenças e epidemias... de todas as sortes e de todos os tipos, inclusive contra a doença social chamada bullying. E essa profilaxia chama-se Educação.

* Meraldo Ziisman é medico-psicoterapeuta - meraldozisma@uol.com.br


Fonte: : Diário de Pernambuco (PE)

Professora usa xadrez para dar lições de matemática e combater bullying

Por Fernanda Nogueira (Do G1, em São Paulo )

Uma vez por semana a professora de matemática Janice Corrêa Prestes, da escola estadual Professora Antonia Baptista Calazans Luz, em Apiaí, na região do Alto do Ribeira, no interior de São Paulo, dispensa o giz e a lousa para jogar xadrez com seus alunos. A prática, segundo a professora, ajuda os estudantes a ter mais concentração, a desenvolver suas habilidades cognitivas, a ser mais observadores, mais reflexivos e mais analíticos. Além disso, o jogo dá lições de respeito, ética, incentiva a amizade e a participação em competições. O xadrez também é usado em propostas de aumentar a autoestima do aluno e de combate ao bullying.

“Noventa por cento dos alunos gostam das aulas. Isso numa época de internet, computadores. Eles percebem que o jogo faz diferença na vida deles. A máquina não tem vida. Quando vão jogar, prestam atenção no outro, no olhar, na respiração”, disse Janice. “Quando analisam a jogada, eles têm que fazer uma síntese como nos exercícios." Segundo ela, cada peça do xadrez tem um significado que pode ser usado para desenvolver a autoestima do estudante.

Desde o início do projeto, em 2002, Janice percebeu melhora no rendimento e nas notas dos estudantes. "A escola teve nota acima da média nos testes do governo", disse. Outros professores aderiram à ideia. Os estudantes têm aula sobre a origem do xadrez na aula de história e sobre a trajetória do jogo em geografia. Praticam ainda na aula de educação física. Milena Gabriely dos Santos, de 17 anos, faz o terceiro ano do ensino médio. Tem aulas com a professora Janice desde a 5ª série. “O tabuleiro é matemática. O número de casas pode ser representado por uma fração, dar noção de simetria, equivalência, de horizontal, vertical, diagonal. Usei em um trabalho sobre cônicas e polígonos”, disse. A adolescente já decidiu que vai prestar vestibular para medicina. “O xadrez ajuda a lidar com o futuro, a tomar decisões sob pressão, a pensar nas consequências do que fazemos.”

Hoje, cerca de 20 alunos de Janice são voluntários em outras escolas no contraturno das aulas. Ensinam xadrez a outros estudantes. Jogam em casa também, com irmãs, primos, amigos e fazem de tudo para ensinar aos pais. Emanuele Aparecida Corrêa Camargo e Deiciane Jhenielly de Almeida Cunha, ambas de 15 anos e alunas do segundo ano do ensino médio, fazem parte do grupo de voluntários. “Queria passar algo para alguém. Está sendo bom de ver meus alunos aprendendo”, disse Emanuele. “Fiquei mais próxima da minha família, mais paciente, o jogo me trouxe mais calma”, disse Deiciane.

Combate ao bullying - Com um prêmio em dinheiro que o projeto ganhou, a escola construiu um tabuleiro e peças gigantes para os alunos jogarem no pátio. Os alunos criaram uma gincana com perguntas de matemática e conhecimentos gerais. Quem acerta caminha no tabuleiro gigante.

Há dois meses, os alunos criaram um projeto de combate ao bullying e ao preconceito em que usam o xadrez. Os estudantes usaram as peças do jogo para falar sobre o bullying às pessoas que passavam pela praça da cidade. Alguns consideram que o peão é nada, mas dependendo da jogada, pode ser a peça mais importante. O cavalo tem força, mas não pisa nos adversários", destaca a professora. O projeto do uso do xadrez nas escolas, da professora Janice, levou o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) a escrever um projeto de lei que obriga todas as escolas a ensinar xadrez aos estudantes. O texto já passou por comissões da Assembleia Legislativa e está na fila para votação no plenário.


Fonte: G1

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Papel principal: Conheça 12 filmes em que a Educação é protagonista


De ficção a documentários, as obras retratam diferentes realidades escolares

Carolina Vilaverde - Da Redação do Todos Pela Educação


O professor não é um grande ator apenas na sala de aula: em filmes e documentários, a profissão assume papel de destaque. O Todos Pela Educação selecionou 12 obras que contam histórias de docentes dedicados, discutem a importância do magistério e falam do complexo processo do ensino-aprendizagem. Confira os filmes abaixo e, se você conhecer outros bons exemplos da Educação no cinema, deixe seu comentário aqui.


Filmes:


As Melhores Coisas do Mundo

Um adolescente de 15 anos, cujo apelido é "Mano", precisa aprender a lidar com o bullying e com as reações de colegas, no momento em que seus pais estão se separando. O local principal da trama é a escola, palco para debates sobre a iniciação sexual, o amor entre aluna e professor, a democracia no ambiente do ensino, entre outros. A obra pretende retratar os dilemas dos jovens na perspectiva deles.
Ficha técnica
Direção: Laís Bodanzky
Duração: 107 min
Ano: 2010
País: Brasil


Entre os Muros da Escola

Baseado em livro homônimo, o filme mostra as experiências do professor de literatura François Marin em uma escola de Ensino Médio, localizada na periferia de Paris. O docente tenta estimular os estudantes, mesmo tendo que lidar com o descaso dos alunos. A obra foi indicada ao Oscar 2009 de Melhor Filme Estrangeiro e ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008.

Ficha técnica
Direção: Laurent Cantet
Duração: 128 min
Ano: 2007
País: França


Escritores da Liberdade

Uma professora tenta combater um sistema deficiente e fazer com que a sala de aula faça a diferença na vida de seus alunos, criados em meio à violência e à agressividade. Por meio de diários, os adolescentes escrevem suas histórias e têm a chance de ter uma voz própria. O longa foi inspirado em eventos reais, relatados pela professora Erin Gruwell e seus alunos no livro "O Diário dos Escritores da Liberdade".

Ficha técnica

Direção: Richard LaGravenese
Duração: 123 min
Ano: 2007
País: Estados Unidos


Pro Dia Nascer Feliz

O documentário mostra as situações que o adolescente brasileiro enfrenta nas escolas, envolvendo casos de preconceito, violência e também de esperança. São apresentados jovens de três estados do País, de classes sociais diferentes, que falam de suas vidas na escola e contam seus projetos, sonhos e inquietações.

Ficha técnica
Direção: João Jardim
Duração: 88 min
Ano: 2006
País: Brasil

O Sorriso de Mona Lisa

O filme conta a história de uma recém-graduada professora, interpretada por Julia Roberts, que consegue emprego em um tradicional colégio feminino para lecionar história da arte. Incomodada com o conservadorismo do colégio, que educa as melhores e mais brilhantes jovens mulheres do Estados Unidos para serem esposas cultas e respeitáveis mães, ela decide lutar contra as normas e inspirar suas alunas a enfrentarem os desafios da vida.

Ficha técnica
Direção: Mike Newell
Duração: 117 min
Ano: 2003
País: Estados Unidos


O Clube do Imperador

William Hundert é professor de uma escola preparatória para rapazes que recebe como alunos a nata da sociedade americana. Lá, Hundert dá lições de moral, por meio do estudo de filósofos gregos e romanos. Com a chegada do rebelde filho de um senador, que questiona a importância das aulas de Hundert, o professor vê sua rotina perturbada. Apesar da rebeldia, o docente tenta aprender a lidar com o estudante.

Ficha técnica
Direção: Michael Hoffman
Duração: 109 min
Ano: 2002
País: Estados Unidos


Nenhum a Menos

Quando o professor da escola primária de um pequeno vilarejo tem que se ausentar durante um mês, a única opção para substituí-lo é uma menina de 13 anos. Antes de partir, ele recomenda à garota que não deixe nenhum aluno abandonar a escola durante sua ausência. Pouco mais velha do que seus alunos, ela sente dificuldades para dar aula e manter os estudantes na escola. Um deles foge em busca de trabalho para ajudar no sustento da família, e a jovem professora decide ir atrás para trazê-lo de volta.

Ficha técnica
Direção: Yimou Zhang
Duração: 106 min
Ano: 1999
País: China


Mr. Holland: Adorável Professor

Para ter mais dinheiro e poder se dedicar a compor uma sinfonia, um músico decide começar a dar aulas. Ele é obrigado a encarar o desinteresse dos alunos pela música, e as coisas se complicam quando sua esposa dá à luz uma criança surda. Para conseguir pagar os estudos e o tratamento médico do filho, o professor se envolve cada vez mais com a escola e acaba deixando de lado seu sonho de se tornar um grande compositor.

Ficha técnica
Direção: Stephen Herek
Duração: 140 min
Ano: 1995
País: Estados Unidos


Madadayo

Trata-se da história de um professor universitário que se aposenta depois de 30 anos lecionando. Tendo conquistado o respeito e a admiração de seus alunos com seu humor e carisma, ele recebe uma homenagem todos os anos. Sempre na data de aniversário do professor, os ex-alunos se reúnem e perguntam ao mestre "Mada kai?" ("Pronto?"), ao que ele responde com "Madadayo!" ("Ainda não!"), demonstrando o desejo de que o mestre seja eterno.

Ficha técnica
Direção: Akira Kurosawa
Duração: 134 min
Ano: 1993
País: Japão


Meu Mestre, Minha Vida

O professor Joe Clark é convidado a assumir o cargo de diretor em uma escola de Nova Jersey, marcada por casos de disputas entre gangues e tráfico de drogas. Autoritário, o docente decide fazer uma verdadeira revolução no colégio, que é considerado um “caldeirão de violência”. Com seu método nada ortodoxo, ganha alguns admiradores, mas também muitos inimigos.

Ficha técnica
Direção: John G. Avildsen
Duração: 104 min
Ano: 1989
País: Estados Unidos


A Sociedade dos Poetas Mortos

Em 1959, o novo professor de literatura de uma escola preparatória tradicional (interpretado por Robin Williams) entra em choque com a rígida direção do colégio por causa de seus métodos pouco comuns, que estimulam os alunos a pensarem por si mesmos e a perseguirem suas paixões individuais. O filme foi vencedor do prêmio de Melhor Roteiro Original no Oscar 1990.

Ficha técnica
Direção: Peter Weir
Duração: 128 min
Ano: 1989
País: Estados Unidos


Ao Mestre com Carinho

Mark Thackeray é um engenheiro desempregado que decide dar aulas no bairro operário de East End, em Londres. O novo professor tem que enfrentar uma turma cheia de alunos desinteressados e indisciplinados, que fazem de tudo para que ele desista de sua missão de ensinar. Mesmo assim, o professor consegue resultados importantes. Ao receber um convite para voltar para a engenharia, Mark tem de decidir se continua ou não no magistério.

Ficha técnica
Direção: James Clavell
Duração: 105 min
Ano: 1967
País: Inglaterra


Fonte: Todos pela Educação

domingo, 26 de junho de 2011

Educação e salário



Consumo de drogas é maior em escolas particulares


Enviado por Demétrio Weber - 26.06.2011


Pesquisa realizada pela Secretaria Nacioanl Antidrogas, do Ministério da Justiça, no ano passado, mostrou que um em cada dez estudantes havia consumido qualquer tipo de droga nos 12 meses anteriores. Esse índice era maior entre alunos de escolas particulares (13,6%) do que de públicas (9,9%).

O levantamento foi feito nas 27 capitais. Foram entrevistados 50 mil alunos de ensino médio e das séries finais do ensino fundamental. A pesquisa constatou redução do consumo entre os alunos.

Em 2004, ano em que havia sido realizada a pesquisa anterior, 19,6% dos entrevistados disseram ter usado drogas pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.

Em 2010, esse índice caiu para 9,9%. Nesse período, o único percentual que subiu foi o do consumo de cocaína: de 1,7% para 1,9%. No caso da maconha, a queda foi de 4,6% para 3,7%.

No Rio, considerando jovens que disseram ter experimentado maconha pelo menos uma vez na vida, esse percentual diminuiu de 6,8%, em 2004, para 5%, em 2010.

Apesar da aparente redução no consumo, a professora da UnB Margô Karnikowski, que coordenou pesquisa da Universidade de Brasília sobre como educadores e escolas tratam do tema drogas, acredita que a rede pública de saúde não tem estrutura — número de leitos nem profissionais — para atender a juventude brasileira viciada em drogas.

Mais informações sobre os resultados da pesquisa estão disponíveis no seguinte link: www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/biblioteca/documentos/Apresentacoes/328357.pdf

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Indicação de leitura




Grundrisse

Manuscritos econômicos de 1857-1858 - Esboços da crítica da economia política

Karl Marx

Muito mais que “esboços” ou adiantamento da obra maior de Karl Marx, os três manuscritos econômicos de 1857-1858 que compõem os quase lendários Grundrisse constituem patrimônio das ciências humanas de inestimável valor.

Parte de uma luta ideológico-política pela exclusividade do “verdadeiro” Marx, a obra somente veio à luz já na primeira metade do século XX, em virtude dos conflitos centrados no controle que o Partido Comunista da ex-URSS exerceu sobre os escritos não divulgados do filósofo alemão. Considerados inicialmente espécie de amostra ou work in progress do que viria a ser a obra central de Marx, sabe-se hoje que examinar os Grundrisse é como ter acesso ao laboratório de estudos de Marx no curso de sua extensa atividade intelectual, o que permite acompanhar a evolução de seu pensamento, as áreas específicas de interesse que deles se desdobram, e, sobretudo, compreender no detalhe o seu método de trabalho.

Publicada integralmente e pela primeira vez em português, esta obra crucial de Marx para o desenvolvimento de sua crítica da economia política consiste em três textos bastante distintos entre si em natureza e dimensão. O primeiro, que só mais tarde o filósofo intitularia “Bastiat e Carey”, foi escrito em um caderno datado de julho de 1857. O segundo, contendo o que seria uma projetada Introdução à sua obra de crítica à economia política, é de um caderno de cerca de trinta páginas, marcado com a letra M e redigido, ao que tudo indica, nos últimos dez dias de agosto de 1857. O terceiro manuscrito, e o mais extenso, compreende a obra póstuma de Marx que ficou conhecida como Esboços da crítica da economia política, ou simplesmente Grundrisse, conforme o título da edição alemã. Tal texto consiste em dois capítulos (“Capítulo do dinheiro” e “Capítulo do capital”) distribuídos em sete cadernos numerados de I a VII. Segundo Francisco de Oliveira, professor de sociologia da Universidade de São Paulo (USP), na capa do livro, “o vigoroso teórico pode ser justamente tido como um escritor de primeira plana; ele tinha, sem muita modéstia, inteira consciência de seu valor literário e, talvez por exagero – e que temperamento! –, tenha deixado na obscuridade muitos textos dos Grundrisse e que estão agora com os leitores do Brasil e de outras paragens para nossa delícia teórica e nossas elaborações na tradição marxista”.

Trabalho de anos de tradução rigorosa diretamente dos originais em alemão, com coedição da Boitempo Editorial e Editoria UFRJ, os Grundrisse constituem a versão inicial da crítica da economia política, planejada por Marx desde a juventude e escrita entre outubro de 1857 e maio de 1858. Ela seria depois muitas vezes reelaborada, até dar origem aos três tomos de O capital. “O fato de ser uma primeira versão não faz destes escritos algo simples ou de mero interesse histórico. Além de entender o ponto de partida da grande obra de maturidade de Marx, eles permitem vê-la de uma perspectiva especial só possível com manuscritos desse tipo, pois, como não pretendia ainda publicá-los, o autor os considerava uma etapa de seu próprio esclarecimento, concedendo-se liberdades formais abolidas nas versões posteriores”, afirma na orelha o professor de história da USP, Jorge Grespan.

Segundo o tradutor e supervisor da edição, Mário Duayer, mesmo diante de mazelas da vida, o prognóstico de uma crise econômica iminente forneceu a Marx o estímulo para pôr no papel as descobertas de seus longos anos de estudos de economia política e dar uma primeira forma à sua crítica. “Vivendo em extrema pobreza, permanentemente sitiado por credores, cliente habitual de lojas de penhor, castigado por problemas de saúde e devastado pela morte prematura de quatro dos seus sete filhos – decerto em virtude das condições materiais em que vivia a família –, o que de fato surpreende é como ele foi capaz de produzir, nessas circunstâncias, não só um trabalho tão magnífico, uma das obras científicas mais importantes e influentes de todas as épocas, mas, acima de tudo, uma obra motivada por uma paixão genuína pelo ser humano”.

Trecho do livro

“Carey, cujo ponto de partida é a emancipação da sociedade burguesa do Estado na América do Norte, termina, entretanto, com o postulado da intervenção do Estado para que o desenvolvimento puro das relações burguesas, como de fato ocorreu na América do Norte, não seja perturbado por influências exteriores. Ele é protecionista, ao passo que Bastiat é livre-cambista. A harmonia das leis econômicas aparece em todo o mundo como desarmonia, e os primeiros indícios dessa desarmonia surpreendem Carey inclusive nos Estados Unidos. De onde vem esse estranho fenômeno? Carey o explica a partir da influência destrutiva da Inglaterra sobre o mercado mundial com sua ambição ao monopólio industrial. Originalmente, as relações inglesas foram distorcidas no interior do país pelas falsas teorias de seus economistas. Atualmente, como poder dominante do mercado mundial, a Inglaterra distorce a harmonia das relações econômicas em todos os países do mundo. Essa é uma desarmonia real, de maneira nenhuma baseada meramente na concepção subjetiva dos economistas. O que a Rússia é politicamente para Urquhart, a Inglaterra é economicamente para Carey. A harmonia das relações econômicas, para Carey, baseia-se na cooperação harmônica de cidade e campo, de indústria e agricultura. Essa harmonia fundamental, que a Inglaterra dissolveu em seu interior, ela destrói por meio de sua concorrência no mercado mundial e, assim, é o elemento destrutivo da harmonia universal.”

Sobre a coleção Marx-Engels

A publicação dos Grundrisse coroa o ambicioso projeto da Boitempo Editorial de traduzir o legado de Karl Marx e Friedrich Engels, contando com o auxílio de especialistas renomados e sempre com base nas obras originais. Com 12 volumes publicados, a coleção teve início com a edição comemorativa dos 150 anos do Manifesto Comunista, em 1998. Em seguida foi publicada A sagrada família (2003), obra polêmica que assinala o rompimento definitivo de Marx e Engels com a esquerda hegeliana. Os Manuscritos econômico-filosóficos (2004) vieram na sequência, ao qual se seguiram os lançamentos de Crítica da filosofia do direito de Hegel (2005); Sobre o suicídio (2006); A ideologia alemã (2007); A situação da classe trabalhadora na Inglaterra (2008); Sobre a questão judaica (2010); Lutas de classes na Alemanha (2010); O 18 de brumário de Luís Bonaparte (2011); A guerra civil na França (2011), em comemoração aos 140 anos da Comuna de Paris; e agora os Grundrisse (2011).

Ficha técnica

Título: Grundrisse
Subtítulo: Manuscritos econômicos de 1857-1858: Esboços da crítica da economia política
Título original: Karl Marx Ökonomische Manuskripte 1857/58
Autor: Karl Marx
Tradução: Mario Duayer, Nélio Schneider, Alice Helga Werner e Rudiger Hoffman
Supervisão editorial e apresentação: Mario Duayer
Orelha: Jorge Grespan
Quarta capa: Francisco de Oliveira
Páginas: 792
Preço: R$ 79,00
ISBN: 978-85-7559-172-7
Editoras: Boitempo e UFRJ


Fonte: Boitempo Editorial
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Enviado pela Editora Boitempo

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Detectores miram alvo errado


22 de junho de 2011


Considerada pelo próprio prefeito de BH ineficaz, lei que obriga instalação de sensores de metais em escolas ignora realidade das instituições e prioridades de seus diretores

Uma lei que nasce polêmica, expõe a falta de conhecimento do poder público sobre a realidade de parte das escolas de Belo Horizonte e fura a fila de projetos considerados prioritários pela Secretaria Municipal de Educação (Smed).

A instalação de detectores de metais em unidades de ensino municipais com mais de 500 alunos por turno transformou-se em obrigação legal ao ser sancionada pelo prefeito da capital, Marcio Lacerda (PSB), no fim da última semana, apesar de ele mesmo reconhecer a fragilidade da norma e de o equipamento aparecer em quinto e último lugar em uma escala de prioridades para a segurança escolar, segundo pesquisa com diretores das instituições. Ontem, o Estado de Minas percorreu algumas das 41 unidades de ensino que vão receber detectores de metais (veja lista completa ao lado) e ouviu diretores, professores e alunos, além de especialistas em segurança pública e representantes de entidades de classe sobre o assunto.

De autoria do vereador Cabo Júlio (PMDB), o projeto foi aprovado pela Câmara Municipal no mês passado, ainda sob influência da tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, em 7 de abril, quando 12 alunos foram mortos por um ex-estudante que entrou armado na instituição. Na mesma onda de comoção, o texto foi sancionado por Marcio Lacerda e os equipamentos devem ser instalados nas escolas até o fim deste ano. A decisão do prefeito vai na contramão de declaração dada por ele próprio no mês passado, quando reconheceu a vulnerabilidade das escolas e os possíveis transtornos decorrentes da instalação dos detectores.

“A escola não é como um prédio, com uma única porta. Ela é cercada de muro ou de tela. Introduzir uma arma ali é muito fácil. Os detectores vão criar fila na porta e um estresse a mais para um risco que é baixíssimo”, disse Lacerda, em entrevista ao EM em 30 de maio.

A Secretaria Municipal de Educação também avalia que os detectores “não são eficientes por si só para garantir a segurança nas escolas” e vão apenas integrar uma série de ações preventivas. “Fizemos uma pesquisa em que apontamos cinco ações para os diretores enumerarem em ordem de importância. Em primeiro, aparece a necessidade de ter vigilantes e porteiros qualificados. Em seguida, vêm a presença da Guarda Municipal na escola, a instalação de câmeras de monitoramento e os programas de aproximação entre instituições de ensino e comunidades.

Em quinto lugar aparece a instalação de detectores. Nesse contexto, entendemos que os equipamentos são bem-vindos, desde que associados às demais ações que já estamos implantando”, explicou o gerente de Projetos Especiais da secretaria, Ismair Sérgio Cláudio. Mesmo com tantas ponderações, a prefeitura deu aval ao projeto. No entanto, ainda não sabe informar os detalhes da instalação dos equipamentos nas escolas.

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial se limita a esclarecer que “estão sendo avaliados modelos, custos, portabilidade e como se dará o emprego operacional” dos aparelhos, que custam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil cada, segundo empresas de segurança consultadas pelo EM. Com base nesse orçamento, a implantação dos detectores nas 41 escolas pode custar até R$ 120 mil aos cofres públicos.

INFRAESTRUTURA


Com muros de um metro e meio de altura e sem guardas municipais para fazer a ronda no turno da noite, a Escola Municipal Senador Levindo Coelho, no Bairro Serra, na Região Centro-Sul, é uma das instituições que vão receber os detectores de metais. Para o diretor Eduardo César Baccarine, os problemas operacionais e de infraestrutura física podem tornar ineficaz o esforço para instalação dos equipamentos.

“Os muros são muito baixos e qualquer um entra na escola quando quer. Por isso, um detector de metal na portaria seria pouco eficiente. Talvez câmeras de filmagem, mais porteiros e guardas municipais seriam soluções mais simples e com resultados melhores”, afirmou Eduardo, responsável por 1,7 mil alunos matriculados do 1º ao 9º anos do ensino fundamental.

Na Escola Municipal Pedro Aleixo, no Bairro Flávio Marques Lisboa, no Barreiro, a notícia da instalação é bem-vinda, mas não deixa de despertar desconfiança na direção. “Toda medida para ajudar a conter a violência é boa, mas resta saber como será a implantação desses aparelhos. A escola é muito vulnerável, com apenas um vigilante para controlar dois portões, e tem muros baixos. A segurança é uma das nossas prioridades, mas temos outras também urgentes, como mais áreas de lazer e a reforma do parque infantil, que poderiam ser beneficiadas com essa verba”, disse a diretora Ana Lúcia de Oliveira.

Escola transformada em fortaleza


Muros de mais de três metros de altura cercam a Escola Municipal Santos Dumont, no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste de Belo Horizonte. Nos pátios e quadras da instituição, toda a movimentação é registrada por duas câmeras e por funcionários equipados com radiocomunicadores. E, na portaria, um agente registra a entrada de todos os visitantes. Até o fim do ano, a unidade de ensino ainda vai receber detectores de metais, graças à lei sancionada na última semana pelo prefeito Marcio Lacerda. Apesar de todo o aparato, o clima não é de segurança no local.

“Sentimos falta de um profissional treinado e especializado para abordar os alunos. Não dá para pensar na escola como um aeroporto ou um banco, onde as pessoas são revistadas. É preciso um tratamento mais educativo, com foco pedagógico”, diz o diretor Carlos Lúcio Generoso.

Os episódios de violência são narrados por alunos e professores da escola que, amedrontados, apoiam a instalação de detectores. “Já vi colegas com estilete na mochila e até boatos de que havia armas. Sempre presencio brigas na saída da aula e acho que tudo o que vier para dar mais segurança será muito bom”, conta a aluna do 9º ano do ensino fundamental Camila Teixeira Lopes, de 15 anos.

A professora de inglês Carla Brandão, que já foi agredida na porta da escola, também recebe bem a medida e ainda cobra mais ações do poder público. “Na nossa escola não há arma, há indisciplina. E falta uma providência efetiva do governo para solucionar os casos e evitar que eles se agravem. Os pais não assumem a responsabilidade deles, os órgãos da Justiça não se posicionam e o poder público faz o quê? Manda um detector de metal? Confesso que acho pouco.” Preocupado com as estatísticas de violência nos ambientes de ensino – a Polícia Militar atuou em 4,3 mil ocorrências em escolas mineiras entre 2008 a 2010 –, a Federação das Associações de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg) é favorável aos detectores.

“Lamentamos a necessidade desses equipamentos, mas apoiamos a instalação. Sabemos que eles não vão resolver 100% o problema, mas já é um início. Precisamos deixar de lado a hipocrisia e reconhecer que a situação é grave e que não há escola imune à violência”, diz o presidente da entidade, Mário de Assis.

Com opiniões contrárias, especialistas em segurança pública e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH) criticam a lei. “A medida é absurda, inoportuna e inadequada. Trata-se de uma típica legislação de pânico, que pretende isolar a escola da comunidade. O problema da violência na escola não envolve armas, e sim agressão físicas, verbais e depredação do patrimônio”, defende Luiz Flávio Sapori, professor do curso de ciências sociais da PUC Minas.

Para o Sind-Rede/BH, a medida é “marqueteira” e vai trazer transtornos. “A entrada nas portarias será feita de maneira individual, o que vai gerar filas imensas. Quem vai garantir a segurança dos jovens do lado de fora das escolas? E quem vai manusear esses equipamentos e revistar os alunos em caso de problema? Não temos servidores para essas tarefas. Essa lei é apenas uma resposta ao massacre de Realengo”, declara critica a diretora-administrativa do sindicato, Andréa Carla Ferreira.

Fonte: Estado de Minas

Manifesto pela paz nas escolas


Comunidade debate a violência e faz homenagem a diretor morto há três anos

Chega de violência! Paz nas Escolas. Com essa frase alunos, professores e funcionários do Centro de ensino fundamental do Lago Oeste homenagearam o professor Carlos Mota, que dá nome à instituição. Ele foi assassinado há três anos, enquanto lutava contra o tráfico de drogas dentro da Escola. Música e dança foram usadas para lembrar a história doprofessor, além de serem discutidas formas de criar a cultura da paz na Escola e nas redondezas. Para Wilame Barreira, professor de Matemática da Escola desde 1989, a morte de Carlos é um triste exemplo que mostra como a droga pode destruir a vida de qualquer um.

Ele diz que usar o caso é uma forma de, através do diálogo e de oficinas, ensinar que aEscola é um local de paz. O professor afirma que era exatamente por isso que Carlos Mota sempre lutou.
De acordo com o coordenador pedagógico Antônio Ricardo Guillen, o professor Carlos Mota incentivava melhorar sempre a Escola. Mas sua ação frente à instituição durou apenas seis meses, até que o diretor sofresse o atentado. Ele sempre falava abertamente com as crianças e queria que essa Escola fosse a melhor da América Latina.

As conversas com Mota incentivaram o estudante Wanderson Mendes Cardoso, 15 anos, a dançar hip-hop naEscola. O aluno conta que durante uma brincadeira com os amigos, o diretor o viu e pediu que ele continuasse dançando na Escola. Wanderson diz que três dias depois da morte de Carlos Mota estava marcada a primeira apresentação de dança para o professor e os colegas. Na apresentação que foi feita durante a homenagem de ontem. Wanderson e um grupo de alunos dançaram em homenagem ao diretor e pedindo paz nas Escolas. Além dos debates nas aulas, na semana anterior, os alunos também cantaram a música predileta do diretor, Tocando em frente, de Almir Sater.

A viúva de Carlos Mota, a servidora pública Rita de Cássia Pereira, também acompanhou as homenagens ao professor. De acordo com ela, esse ato é de vital importância, pois serve para a conscientização de todos. Para a servidora pública, 90% da violência da sociedade se reflete na Escola, daí a importância de levar essas discussões, também, no ambiente Escolar. Durante o ato, alunos e professores pediram a construção de uma nova Escola no bairro. Conforme o coordenador pedagógico Antônio Ricardo Guillen, a Escola, que deveria atender somente de 6ª a 9ª série, tem aula até do Educação de Jovens e Adultos (EJA). São 1.300 alunos de todas as faixas etárias, o que acentua ainda mais o problema de violência na Escola.

A diretora Regional de Ensino de Sobradinho, Simone Benck, que também participou do debate, diz que existem propostas para ampliação do CEF e criação de mais uma Escola na região. Ela afirmou que o orçamento do governo é um fator limitante, mas que não pode servir como justificativa. Segundo ela, o ato em homenagem aoprofessor é positivo para os alunos, pais e comunidade. Ela diz que isso faz parte de uma cultura pedagógica.

SAIBA +


A viúva de Carlos Mota está lançando hoje um blog, em homenagem ao marido e para discutir ainda mais a Educação. Quem quiser comentar o assunto e participar das discussões pode entrar no endereço eletrônico
www.educarlosmota.com.br.

Fonte: Jornal de Brasília (DF)

Escolas municipais de BH terão de instalar detectores de metal



Por Eduardo Kattah (20/06/2011)

As escolas públicas da rede municipal de Belo Horizonte com mais de 500 alunos passarão a contar com detectores de metais. Uma lei sancionada pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB) e publicada sábado no Diário Oficial do Município obriga toda pessoa a passar pelo detector quando ingressar em um estabelecimento municipal de ensino. A norma também prevê inspeção visual dos pertences quando houver alguma irregularidade.

O projeto de lei - de autoria do vereador Cabo Júlio (PMDB), um ex-policial militar - é de 2009, mas foi aprovado sob o calor da comoção causada pelo massacre na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo (RJ), no dia 7 de abril. Na maior tragédia ocorrida em uma instituição de ensino brasileira, 12 estudantes foram mortos pelo ex-aluno Wellington Oliveira de Menezes, de 23 anos, que entrou na escola com duas armas. A medida, porém, foi recebida com críticas por especialistas e educadores. Para o doutor em Ciências Sociais e especialista em Educação, Rudá Ricci, trata-se de uma "ação midiática", vinculada a uma tendência de se criar "mecanismos de controle fechado" nas instituições de ensino.

"É uma ação emergencial completamente catastrófica a longo prazo", disse Ricci. Para ele, medidas de cerceamento contribuem para a formação de gangues juvenis. "Quando você cerca, você cria reação."

A presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais e Alunos (Confenapa), Iedyr Gelape Bambirra, considera a lei uma "cortina de fumaça". "É um gasto que não sei se surtirá qualquer efeito. Quando querem entrar com arma ou bebidas, basta jogar pelo muro. Não vai ser o detector que vai resolver." Iedyr mora em Belo Horizonte e participou das audiências públicas que discutiram o projeto. Para ela, mais do que se preocupar com a violência nas escolas, é preciso resolver o problema da deficiência no ensino. "Estamos precisando mesmo é de uma segurança pedagógica e valorização do magistério."

Ao Estado, o prefeito disse ontem que, pessoalmente, sempre foi contra o projeto de lei. Entretanto, antes de sancionar a nova regulamentação, a prefeitura realizou uma enquete com diretores das escolas municipais para avaliar o que os dirigentes pensavam. Segundo Lacerda, a instalação de detectores de metais foi aprovada por uma pequena margem.

"Se fosse o contrário eu não teria sancionado. Vamos experimentar e ver como a gente convive com isso", observou o prefeito. Ele admitiu que poderá haver dificuldade operacional na implementação da medida, já que os alunos costumam carregar nas mochilas muitos objetos de metal. De acordo com o texto, as escolas terão um prazo de 180 dias ou até o início do próximo ano letivo para se adaptar à exigência. A medida deve atingir pelo menos 72 dos 186 colégios municipais da capital.

De acordo com Lacerda, outras medidas estão sendo tomadas e são consideradas prioritárias pelos dirigentes de escolas, como a instalação de câmeras dentro das instituições situadas nas regiões mais vulneráveis e a ampliação da presença da Guarda Municipal. Neste ano, a Polícia Militar registrou pelo menos seis ocorrências envolvendo armas brancas ou de fogo em escolas municipais e estaduais em Belo Horizonte e região metropolitana. A maioria dos registros, contudo, é referente à rede estadual, que não será impactada pela nova lei. O vereador Cabo Júlio, autor da lei, não foi encontrado

Fonte: O Estado de São Paulo (SP)

domingo, 19 de junho de 2011

Alunos fazem mutirão e pintam muro de escola


Foto de Roger Victor/Guarda Municipal de BH - Jornal OHoje em Dia

No local, dezenas de pequenos “pintores” pintaram o muro frontal da escola

Ao som dos acordes das músicas executadas pela banda da Guarda Municipal de Belo Horizonte, alunos, professores, pais, vizinhos e o Grupo de Escoteiros de Venda Nova pintaram o muro da EscolaMunicipal Elisa Buzelin, no Bairro Piratininga, Norte da Capital. A ação, que teve início por volta das 9 horas, faz parte do Movimento Respeito por BH, que luta por uma cidade mais limpa, livre de pichações e maior conscientização ambiental das pessoas. No local, dezenas de pequenos “pintores” pintaram o muro frontal da escola, na Rua Jair Afonso Inácio, 277, repleto de pichações, que ficou “novinho em folha”.

Orgulhosa, a diretora Adeilde Aparecida Pereira, 48 anos, 29 deles dedicados à escola, e os últimos seis exercendo a direção da instituição, avaliou que o projeto é importante por despertar a consciência ambiental das crianças. Segundo ela, atualmente, a escola atende 703 alunos na faixa etária dos 5 aos 11 em dois turnos. Também participa do programa Escola Aberta, com atividades esportivas, recreativas, artísticas e culturais. No local há a Unidade Municipal de Educação Infantil (Umei) Vila Apolônia, que atende 148 crianças de 2 a 5 anos e 8 meses. A assessora Rosane Corgozinho revelou que o projeto terá continuidade na Escola Professora Alice Nacif e centro Cultural da Pampulha.


Fonte: Hoje em Dia (BH)

Marchas e polêmica desfilam pela capital neste sábado

Valquiria Lopes *

Dois movimentos de protesto prometem tomar ruas do Centro de Belo Horizonte neste sábado. Pela manhã, ativistas ligadas a diferentes causas, como a luta contra o racismo, a homofobia e a violência, vão se reunir para o Mutirão Marcha da Liberdade. A concentração será às 9h, debaixo do Viaduto Santa Tereza. Às 13h, a Praça da Rodoviária recebe manifestantes para a Slut Walk ou “Marcha das Vagabundas”, como foi batizada no Brasil. O movimento, que seguirá para a Praça da Estação e depois para a Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul, já tinha mais de 3 mil presenças confirmadas, no fim da tarde dessa sexta-feira, na rede social Facebook.

Inspirada no ato realizado em abril deste ano em Toronto, no Canadá, a Marcha das Vagabundas é uma resposta ao depoimento de um policial em uma universidade de direito da cidade canadense. Ele teria afirmado que as estudantes deveriam evitar se vestir como “vadias” para não serem vítimas de assédio sexual. As alunas então resolveram protestar contra a declaração e se reuniram na primeira marcha, com participação de cerca de 3 mil pessoas, em Toronto. A partir daí o movimento se espalhou. Em 4 de junho, ocorreu nas cidades de Boston (EUA), Los Angeles (EUA), Chicago (EUA), Edmonton (Canadá), Edinburgo (Escócia), Estocolmo (Suécia), Amsterdã (Holanda), Copenhagen (Dinamarca) e Camberra (Austrália). No mesmo dia, cerca de 300 pessoas tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, com cartazes com frases como “Meu corpo, minhas regras”, “Ensine os homens a respeitar, não as mulheres a temer”.

Em Belo Horizonte, o evento partiu de estudantes e foi apoiado por organizações de proteção às mulheres e movimentos feministas. De acordo com uma das organizadoras da marcha na capital, a advogada e integrante do movimento feminista Marcha Mundial das Mulheres Thaís Ferreira de Souza, de 23 anos, o ato será realizado em solidariedade a todas as mulheres que já foram vítimas de violência. “O movimento pretende tirar a responsabilidade da pessoa que foi vítima de abuso. Não é a roupa que ela usa que gera a violência”, disse.

A marcha, segundo a advogada, abre ainda a discussão para o fato de as mulheres serem frequentemente mostradas em campanhas publicitárias com roupas insinuantes. “É uma oportunidade para denunciar a lógica de mercado, que transforma o corpo da mulher em um produto”, afirma Thaís. Performances estão programadas para o trajeto. De acordo com advogada, as pessoas podem ir vestidas como quiserem. “Não é necessário que usem roupas provocantes”, disse. Na avaliação da professora do curso de comunicação social da UFMG Mirian Chrystus, militante da causa feminista há quase 40 anos, “o movimento vem a calhar nos dias de hoje, em que ainda são registrados muitos casos de violência contra a mulher. “É uma espécie de ato suplementar, que causa impacto, incompreensão, mas que, ao longo do tempo, tende a provocar um rearranjo para mudança de postura e de maior respeito à condição feminina”, analisa. Segundo ela, é preciso dissociar da violência contra a mulher o frequente questionamento sobre o lugar onde a vítima estava, a roupa que usava, se ela provocou o homem. “Isso gera uma mudança de foco. De vítima, ela vira culpada”, afirma.

Marcha da liberdade


Depois de sair da Praça da Rodoviária, a Marcha das Vagabundas vai se unir à Marcha da Liberdade. Para esse evento, foram convidadas pessoas de vários setores da sociedade que lutam em defesa de alguma causa. No Facebook, o movimento convoca artistas, atores, circenses, músicos, artesãos, grafiteiros, produtores, advogados, arquitetos, médicos, astrólogos, professores, estudantes, garçons, moradores de rua e desocupados, entre outros grupos.

* Publicado no EM.com em 18/06/2011

PARAÍSO: UM TÉDIO UTOPICAMENTE DESEJADO


"Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade

seria uma forma de ação" (Jean-Paul Sartre)



Salomão Ferreira de Souza*



Tomando a felicidade como sensação de desejo saciado; considerando esse desejo uma busca constante, não um objeto em si; convencionando a falta do desejo saciado uma espécie de motor que nos impulsiona à busca da felicidade; considerando, também, que o ideal que almejamos é o paraíso, ou seja, um lugar de desejos saciados; inferimos que esse lugar, se existe, é um lugar de morte do humano, de repouso absoluto, o que prova a completa impossibilidade de sua realização. Considerando que somos parte do universo e nesse não há possibilidade de repouso absoluto, a ausência de conflitos geraria um descanso eterno impossível e mortal.


Sartre (2009) considera que o “ser” (ente), se faz na ação e que sua negação, ou seja, o “não-ser” se dá pela e na falta da ação, ou seja, aquele é a possibilidade de existência e esse a ausência do ente. Se pensarmos na ação desse sujeito como força vital que Freud convencionou chamar de pulsão de morte e pulsão de vida, pulsões essas tão bem ilustradas por Nelson (2011) como a dinâmica de uma usina, cujo funcionamento é a ação que sacia, mas que, ao mesmo tempo, provoca o esvaziamento da força vital e, por conseguinte, a necessidade de re-equilíbrio que se dá na dor, ou melhor, na falta do prazer saciado. Se, em nossas conjecturas, pudéssemos conceber uma usina perfeita, cuja fonte fosse eternamente abastecida por um “milagre divino”, um lugar de prazeres sem fim, um ponto final nos conflitos – como propõe a gênese cristã ao dizer do jardim do éden sem serpentes ou tentações -, podemos concluir que esse seria um lugar de tédio, lugar de morte do humano, do “não-ser” sartreano, dedução essa justificada pela falta de pulsão de morte, fenômeno que produz o vazio e impulsiona o sujeito à busca da felicidade e de desejos saciados.



Convém reforçar que esses desejos, quando encontrados, provocam o imediato esvaziamento da força vital retomando o ciclo. A ação de busca é o que, em Sartre, nos faz “ser” pela não nulidade e também na eterna incompletude e trânsito entre a vida e a morte, entre o prazer e a dor, entre a ação e o repouso, entre o trabalho e o ócio que afirmam nossa existência no mundo.


Pensamos, a partir das análises da ação e da falta de ação, do prazer e da dor, do desejo saciado e sua busca, que o paraíso tão propagado pelas religiões, se por um lado é um lugar de tédio, de morte, de completa nulidade, por outro é essa utopia necessária enquanto promotora das ações da eterna busca. Mesmo sabedor da impossibilidade do completo saciar de desejos e do tédio desse lugar de infinito gozo, precisamos criar utopias do paraíso para suportar a dor da busca, cientes de que a felicidade é apenas uma possibilidade instantânea que precede o vazio e esse, por sua vez, nos aponta o fenômeno imediatamente anterior ao qual convencionamos denominar felicidade.


O paraíso só existe no mundo das utopias, onde a felicidade é busca e não realização plena de desejos. Em suma, ela é construção subjetiva de ferramentas que nos impulsiona à busca do prazer, tão caro e tão necessária ao ser (ente) e sem o qual não há existência possível.

BIBLIOGRAFIA
SILVA, Nelson Luiz Ribeiro da. Aula inaugural do primeiro semestre de 2011. Professor da FAE (Faculdade de Educação/BH - UEMG. 09 de fevereeiro de 2011.
SARTRE, Jean-Paul. O Ser e o Nada. Petrópolis, Ed. Vozes, 2009.

*Salomão Ferreira de Souza - é escritor em BH, e estudante do curso de Pedagogia da FAE (faculdade de Educação) em Belo Horizonte da UEMG.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Professores de seis estados estão em greve no país

Docentes cruzaram os braços no AP, MT, MG, RN, RJ e SC


Por: Maria Angélica Oliveira, Rosanne D'Agostino e Vanessa Fajardo

Professores de seis estados entraram em greve nos últimos dias pedindo melhorias nos salários. Os estados afetados pelas paralisações das redes estaduais são Amapá, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. Docentes deSergipe, que estavam em greve, encerraram o movimento nesta quinta-feira (16). Segundo a lei do piso do magistério eentendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), um professor com nível médio deve ter remuneração de R$ 1.187 para uma jornada semanal de até 40 horas. Os valores pagos aos demais níveis - professores com licenciatura plena, pós-graduação, mestrado e doutorado - dependem dos planos de carreira de cada governo.

No Maranhão e no Espírito Santo, os sindicatos declararam "estado de greve". Os professores do Amazonas e de Goiás não descartam fazer paralisação.

Mato Grosso


Em Mato Grosso, os professores da rede estadual estão em greve desde o último dia 6. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), a principal reivindicação da categoria é a aplicação imediata do piso, que eles entendem ser no valor de R$ 1.312,00. O salário-base atualmente é de R$ 1.248,68 para professores de nível médio com jornada de 30 horas semanais.

De acordo com o Sintep, a rede estadual tem cerca de 200 mil profissionais em 715 escolas. O sindicato afirma ainda que a rede possui atualmente 176 professores com formação de nível médio. Os professores também querem a contratação de concursados e alegam que mais de 50% dos docentes da rede têm contrato temporário. Em nota, o governo afirmou que apresentou três propostas aos professores. “A última é pagar o percentual de 5,07% que está faltando para atingir o piso da categoria (professores, apoio e técnico) no mês de setembro e não mais em dezembro.” De acordo com o governo do Estado, um último balanço mostrou que 40% das escolas estão paralisadas.

Minas Gerais


Em Minas Gerais, a greve abrange os trabalhadores da educação e começou no dia 8 de junho. Eles pedem o fim do sistema de subsídios implantado pelo governo em janeiro deste ano e a adoção de um piso salarial (salário-base) de R$ 1.597,87 para a categoria. Esse valor é calculado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE). O sindicato calcula que 50% da categoria tenha aderido à greve e afirma que, até o momento, não houve acordo com o governo. Já a assessoria de imprensa do governo afirmou que os canais de negociação sempre estiveram abertos, mas que não houve procura do sindicato. O governo estima que cerca de 3% das escolas estejam totalmente paradas e que outras 16,33% tenham aderido parcialmente ao movimento grevista.

O subsídio é uma forma de pagamento que incorpora todas as gratificações, vantagens, abonos e adicionais recebidos pelos servidores numa parcela única. Em janeiro, todos os profissionais foram levados para o subsídio. Quem quiser voltar ao sistema anterior tem até agosto para solicitar a transferência. O governo não soube informar quantos servidores já pediram para deixar o sistema de subsídio. No sistema anterior, a remuneração é composta de: salário-base (ou piso) e gratificações, abonos, adicionais etc. O salário-base de um professor com formação de nível médio em início de carreira é salário-base R$ 369,89 para uma jornada de 24 horas semanais. Com adicionais, o valor chega a R$ 935, segundo o sindicato. Se esse professor quiser permanecer no subsídio, ganhará R$ 1.122, sem outros adicionais. O sindicato quer que o aumento do piso para R$ 1.597,87 seja concedido em cima do salário-base atual, de R$ 369,89. O argumento é que, fora desse sistema, ou seja, com o subsídio, não há mais reajustes progressivos como biênios e qüinqüênios e “perspectiva de futuro”. Assim, na visão do sindicato, profissionais qualificados e com diferentes tempos de carreira ganhariam o mesmo valor. O governo, no entanto, diz que há sistemas de progressão e promoção na carreira por tempo de serviço e escolaridade.

Já um professor em início de carreira com nível de licenciatura plena tem salário-base de R$ 550,54 para uma jornada de 24 horas, segundo o sindicato. Com adicionais e gratificações, o valor vai para R$ 935. No sistema de subsídio, esse mesmo professor recebia R$ 1.320, segundo o sindicato. O governo acrescenta ainda que, desde 2007, quando foi realizado o último concurso público para as carreiras da educação, o nível mínimo exigido para ingresso no magistério em Minas Gerais é a licenciatura plena. Ou seja, não há mais ingresso na carreira de professores com formação equivalente ao ensino médio.

Rio Grande do Norte


A greve no Rio Grande do Norte começou no dia 2 de maio e tem adesão de 90%, segundo o sindicato. O governo calcula que a adesão das escolas esteja em torno de 47%. Os profissionais querem o cumprimento do piso nacional e a revisão do plano de carreira. No estado, os professores com nível médio recebem R$ 664,33 por uma jornada de 30 horas semanais, segundo dados do governo. Diante da greve da categoria , o governo propôs equiparar o salário do professor com nível médio ao piso nacional a partir de junho e dar aumento para os outros níveis a partir de setembro, mas de forma dividida até dezembro. A cada mês haveria aumento de 7,6% até chegar a 34%, segundo a secretária adjunta do estado, Adriana Diniz. De acordo com José Teixeira da Silva, um dos coordenadores gerais do sindicato, os professores não aceitam essa proposta e defendem que a secretaria conceda aumento a todos os profissionais pelo menos a partir de julho.

Rio de Janeiro


No Rio de Janeiro, os professores e funcionários administrativos da rede estadual entraram em greve no dia 7 de junho com três reivindicações principais. A primeira é de aumento de 26%. Segundo Sérgio Paulo Aurnheimer Filho, um dos coordenadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), o percentual corresponde ao crescimento de arrecadação do estado nos últimos três anos.

“A gente acha que é muito possível, do ponto de vista legal, esse aumento. O estado do Rio de Janeiro é o que menos gasta com funcionário. Não tem outro estado que a gente tenha conhecimento, pelos dados do Dieese, que tenha percentual menor de gasto com funcionalismo”, afirma.

As outras reivindicações são a incorporação de gratificações ainda este ano e a regulamentação do plano de carreira dos funcionários administrativos. O sindicato estima que 60% dos profissionais tenham aderido à greve. Segundo Aurnheimer, já houve uma audiência com a secretaria de Educação, mas não houve acordo. O próximo passo, afirma, será buscar o apoio dos deputados estaduais nas negociações.

Santa Catarina


Os professores da rede estadual entraram em greve no dia 18 de maio em Santa Catarina. Eles pedem a aplicação do piso, a realização de concurso público e a regularização da situação dos ACTs, que são professores admitidos em caráter temporário. Também pedem investimentos em infraestrutura nas escolas. No estado, o salário-base é de R$ 609,46 para um professor de nível médio e de R$ 993,12 para professores de nível superior, segundo dados informados pela Secretaria de Educação. Nos dois casos, a jornada é de 40 horas semanais. O governo calcula que 65% das escolas tenham aderido à greve e que 70% dos alunos tenham sido atingidos. Ainda segundo o governo, as aulas serão repostas. Já o sindicato que representa os professores afirma que 92% das escolas estão paralisadas.

O secretário-adjunto da Secretaria de Educação de Santa Catarina, Eduardo Deschamps, disse que a defasagem foi corrigida com uma medida provisória enviada à Assembleia Legislativa no dia 23 de maio. Segundo ele, os professores com formação de nível médio vão passar a receber salário-base de R$ 1.187 e que os de nível superior receberão entre R$ 1.380 até R$ 2.317, dependendo da titulação, sem contar abonos e adicionais de regência.

O secretário diz que haverá uma folha de pagamento suplementar para cobrir as diferenças do reajuste e que o próximo salário referente ao mês de junho já terá o novo valor. A expectativa da secretaria é que os professores retomem as atividades ainda nesta semana. O sindicato, no entanto, afirma que ainda pretende discutir a tabela de salários.

Amapá


No Amapá, os profissionais estão em greve há 28 dias pela aplicação do piso nacional. Representantes do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Amapá (Sinsepeap) foram recebidos pelo governador Camilo Capiberibe nesta quinta-feira. Os rumos do movimento devem ser decididos em assembleia na manhã desta sexta-feira (17). O professor de nível médio tem salário-base de R$ 1.053,83 por uma jornada de 40 horas semanais, segundo dados fornecidos pelo governo. Por e-mail, o governo afirmou que "tem interesse de acabar com a greve, afinal os alunos não podem ser prejudicados, porém assumimos o estado cheio de dívidas, e o Governo do Estado não pode se comprometer com algo que no momento não pode cumprir. Um dos pontos fortes dessa gestão é a valorização do servidor e isso passa pelo pagamento do piso também.”



'Estado de greve' e paralisações em outros estados



No Espírito Santo, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública afirma que a rede estadual está em “estado de greve” pela aplicação do piso nacional e de um plano de carreira. Para o sindicato, o estado não deveria ter incorporado gratificações para compor o salário-base e a remuneração por vencimento teria de sofrer uma complementação de 44,76% para alcançar o piso nacional.

No estado, a Secretaria de Educação criou um sistema de subsídio em dezembro de 2007. Segundo o governo, o sistema é uma modalidade de remuneração em parcela única, sobre a qual não incidem gratificações. A adesão é voluntária.

No Maranhão, os professores estão em "estado de greve", segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública. Houve uma paralisação de 78 dias que terminou no último dia 4, sem acordo. Os professores querem a adequação ao piso nacional, plano de carreira e repasses do Fundo Nacional da Educação Básica (Fundeb). Além disso, a categoria critica o governo por incorporar as gratificações ao salário-base.

No Amazonas, a possibilidade de greve não está descartada, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública. A entidade informou que o piso estadual foi atualizado em 2011, mas disse que os valores novos incorporaram gratificações irregularmente.

Em Goiás, o Sindicato dos Trabalhadores de Educação informou que há indicativo para que uma paralisação aconteça no segundo semestre, reivindicando o piso nacional.

No Piauí, o Sindicato dos Trabalhadores na Educação fez greve por 18 dias entre março e abril. Com a paralisação, houve a implantação do piso salarial nacional, segundo o sindicato. Os professores agora negociam o reajuste das gratificações. “O governo deu para todos os servidores, menos para os professores”, disse o diretor de assuntos educacionais do sindicato, João Correa da Silva.

(*colaboraram Alex Araújo, Fernanda Nogueira, Marcy Monteiro e Tatiane Queiroz )

Funcionárias de creche são condenadas

Três atendentes e a diretora de uma creche foram condenadas por improbidade administrativa em Panambi, no Noroeste. Entre março e julho de 2005, as atendentes teriam assustado, maltratado e constrangido 11 crianças de dois a quatro anos na Escola Municipal de Educação Infantil Pequeno Lar. A diretora à época foi punida por omissão. Cabe recurso da decisão.

Segundo decisão da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, Adria Joceli de Paula, Cibele Buss Silva e Angela da Conceição Nascimento foram condenadas a perda da função pública e pagamento de multa equivalentes a 15 salários à época. Diretora na época dos fatos, Carla Salete Pavinato Lopes terá de pagar multa correspondente a 20 salários. Os valores podem variar de R$ 4 mil a R$ 15 mil, conforme as funções ocupadas e o regime de horas trabalhadas de cada uma delas. As quatro ainda estão proibidas de contratar com o poder público ou receber benefícios, direta ou indiretamente, pelo prazo de três anos. Também tiveram os direitos políticos suspensos por cinco anos.

Crianças eram submetidas a tortura psicológica


Conforme denúncia do Ministério Público, as funcionárias assustariam as crianças com a intenção de aquietá-las após o almoço. Ainda as humilhariam, chamando-as, por exemplo, de piolhentas e mal-educadas. Também agiriam com brutalidade e truculência, xingando, chacoalhando, desferindo palmadas e até puxões de cabelo. Algumas crianças teriam ficado com marcas de agressão no corpo. Além disso, atemorizavam as crianças com fantasias e máscaras. Conforme a decisão, as atendentes ainda interrompiam as refeições antes da hora determinada e retiravam a comida das crianças.

Para o desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, as provas são contundentes. Segundo ele, em vez de cuidarem das crianças, as atendentes as submeteram a tortura psicológica para satisfação de um “sadismo doentio” que as incompatibiliza de exercer as funções. À diretoria, caberia agir para evitar tais práticas. “Valendo-se de sua condição de superioridade, ao invés de dar carinho, cuidar, educar e bem formar as crianças que se encontravam sujeitas à sua atuação, fizeram o contrário: submeteram-nas a torturas psicológicas, humilhações e abusos, cuja repercussão no psiquismo das vítimas não é avaliável a curto prazo”, diz Santos na decisão.

Conforme o advogado Claudio Cicero de Oliveira Motta, Angela e Cibele pediram exoneração logo após o episódio. Adria continua trabalhando em uma creche e Carla, em uma Escola deensino fundamental da rede municipal.

– Apesar de permanecerem, não recebemos nenhuma denúncia de qualquer prática irregular feita por elas desde 2005 – diz o prefeito Miguel Schmitt Prym (PP).

Contraponto


O que diz Claudio Cicero de Oliveira Motta, advogado das quatro funcionáriasO episódio foi uma grande armação, pois a denúncia foi feita por uma colega funcionária e não pelas vítimas. O motivo seria uma disputa por cargo na Escola. Respeitamos a decisão do TJ, mas não concordamos e vamos recorrer. Entendemos que a pena foi muito severa e que deveria ter sido considerado na decisão o Estatuto da Criança e do Adolescente e não a Lei de Improbidade Administrativa.

LEANDRO BECKER - leandro.becker@zerohora.com.br
Fonte: Zero Hora (RS)

Garoto de 11 anos é agredido por 15 colegas em escola de Betim




Por TABATA MARTINS/KARINA ALVES - 16/06/2011



Um menino de 11 anos foi agredido dentro da escola que estuda em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. A agressão ocorreu nessa quarta-feira (15) no bairro Niterói. De acordo com Maria Félix de Araújo, diretora da Escola Municipal Edméia Braga, durante o recreio, cerca de 15 alunos e a vítima brincaram de “passou levou”, que é uma espécie de corredor em que o participante passa e recebe tapas e socos com o consentimento de todos os envolvidos. No entanto, em dado momento, os 15 alunos empurraram o menino para um canto do pátio, onde ele foi atingido por um chute.

Após a agressão, o garoto não conseguiu levantar e foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Alterosa. Depois de receber os primeiros socorros, o menino foi transferido para o Hospital Regional de Betim, onde foi constatado que ela havia sofrido uma lesão superficial. Segundo a diretora da instituição de ensino, os pais da vítima e dos envolvidos na agressão foram chamados para uma reunião nesta quinta-feira (16).

Os pais do garoto registraram um boletim de ocorrência sobre o caso, que foi encaminhado ao Conselho Tutelar. A agressão também será investigada pelo Ministério Público. Ainda de acordo com Maria Félix de Araújo, outras violências contra alunos já foram registradas na escola que, atualmente, tem trabalhos ligados ao combate dessas práticas que podem ser consideradas bullying.

Fonte: O Tempo (BH).

Professores de MG decidem permanecer em greve por tempo indeterminado

Por .MÁBILA SOARES - 16/06/2011


Os cerca de dois mil professores, que ocupavam a Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, desde o fim da tarde desta quinta-feira (16), já deixaram o local. Após uma assembleia, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) decidiu permanecer em greve por tempo indeterminado. Segundo a BHTrans, mesmo após liberação por parte dos educadores, o trânsito ainda é bastante complicado nas imediações, principalmente nas avenidas de acessos ao centro, como Afonso Pena, Amazonas, Olegário Maciel, Bias Fortes, e os viadutos Leste e B, para quem sai da Avenida Antônio Carlos (sentido centro).

Reivindicações


A principal reivindicação da categoria é a implementação do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) de R$ 1.312,85 por uma jornada de trabalho de 24 horas semanais. De acordo com o sindicato, a greve é uma resposta à falta de negociação do governo de Minas com os educadores. "Desde fevereiro deste ano, estamos negociando, mas, até agora, o governo não sinaliza a adoção do piso salarial nacional", disse o diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Welshman Pinheiro.

Fonte: Jornal O Tempo (BH)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Política e educação



Educação e política



Opinião: O fim do CQC? O que virá no lugar?

Por Paulo Ghiraldeli Jr. *

Quando do início do CQC, fiz uma crítica ao programa, dizendo que apesar do humor, ele tinha um cheiro de fascismo. A palavra “fascismo” não deve ser usada à toa. Por isso, falei de cheiro, e não de fascismo propriamente dito. De onde vinha o cheiro? Da maneira como o carequinha Marcelo Tas, acostumado a fazer programas infantis, estava conseguindo a adesão de uma juventude colegial e pré-colegial de classe média, que não admitia qualquer tipo de crítica ao programa. Não eram fãs, eram fanáticos. E isso foi bem administrado pelos idealizadores do enlatado argentino, então no Brasil. Nada era certo para os fãs caso não fosse autorizado por Marcelo Tas e seus garotos catapultados à condição de humoristas da noite para o dia. Achei isso perigoso, denunciei. A reação no Twitter, contra mim, foi imediata. Ficou claro, então, que realmente havia algo esquisito ali.

Diferente do pastelão do Pânico na TV, assumidamente um estilo de humor, o CQC queria parecer algo além do entretenimento, um “programa inteligente” que estaria “conscientizando” a população. As denúncias contra políticos pulavam aqui e ali. Boas reportagens se fizeram, todavia, ao final de cada uma, cada vez mais ficava a denúncia pela denúncia. Nenhum prosseguimento mais consequente a não ser a ideia de que a política é suja. A denúncia perigosa prevaleceu, ou seja, aquela que não é seguida de qualquer análise que permitiria um mínimo de reflexão sobre o funcionamento da política. O programa ficou na denúncia que alimenta os conservadores de sempre a dizerem: “tá vendo, esse país não vai adiante mesmo, tudo culpa dos políticos”. Gente da minha idade, que sabe bem o que aconteceu com Jango, nunca se esqueceu do destino dessas denúncias.

Mas aí veio a queda de audiência e juntamente com isso, paradoxalmente, a euforia dos meninos do programa que, fazendo a tal comédia agora batizada de “stand up”, começaram a realmente se acharem humoristas, como se Ronald de Golias, Jô Soares, Agildo Ribeiro e Ivon Cury nunca tivessem existido. O cheiro de fascismo virou fedor. Não tardou nada e os garotos mostraram a verdadeira face antes de corsário que de pirata. Das piadas contra o “politicamente correto” - um clima que já havia agarrado até professores de filosofia (!) - eles se lançaram para as piadas de franco mau gosto, mexendo com judeus, mulheres e órfãos. Nada censurável, eu acredito, mas francamente alguma coisa bem dispensável em um Brasil que precisa, por causa da presença de Bolsonaros, Netinhos e Massacradores de Bombeiros, a aprender um pouco mais de civilidade.

O CQC praticamente não existe mais. O programa está ruim. A audiência foi embora. Afinal de contas, jovens pré-adolescentes deixam a juventude muito rapidamente. Foi amor de verão, sabemos. Mas o que ainda está no ar, no clima cultural e de entretenimento brasileiro, é a ideia do “vale tudo”. Ou quase. Ou seja, vale a regra de que o Brasil não tem ethos algum e, então, não pode mesmo ter ética. Aliás, ética deixou de ser uma palavra do âmbito da filosofia para ser um termo que, na boca de muitos, perdeu o conteúdo, virou casca. Pequenos modos de falar baixo e polido indicam “não perdeu a razão” e, então, são validados como “éticos” pelo senso comum amortecido. Ou seja, se você não grita então você tem legitimidade para bater palmas para quem espanca mulher, faz mal para animais, vocifera contra gays, ataca o Congresso Nacional e imagina que a solução de tudo está na ampliação do BOPE e no assassinato de FHC porque ele estaria fazendo apologia às drogas. Não gritou, posou de “bom moço”, pode aderir à barbárie e ainda assim continuar ético. A etiqueta dá um trança pés na ética. Assim, uma frente de malucos conservadores vindos de todos os lados, às vezes capitaneados por gente que diz francamente que está “contra um mundo melhor”, toma conta da passarela. Todos fantasiados de boa gente, contanto que os pastores usurpadores de dinheiro possam continuar fazendo o que quiserem nos templos. Eis a TV! A TV que começa a querer substituir a sociedade.

Esse clima conservador, que às vezes explode na mídia, eu vi o estopim dele no início do CQC. Trata-se da nossa crescente incapacidade de se debruçar nos problemas. Queremos, antidemocraticamente, ajustes rápidos. O fato da justiça no Brasil ser dita lenta leva muitos a achar que ou a justiça é rápida ou não é justiça. Esquece-se que a justiça rápida pode, muitas vezes, significar o mesmo que “justiça pelas próprias mãos”. O CQC não tem culpa disso tudo. Ele me pareceu apenas um sintoma. Tratava-se de um sintoma de que estávamos caminhando rapidamente para a época do “flash” - tudo tem de ser mostrado na forma de recorte descontextualizado e, seja o que for, o importante é chocar, chamar a atenção e, então, faturar audiência. Muitos estão nessa! No Brasil atual, mesmo em lugares onde a audiência não importa ou não deveria ter força, a ideia de conquistar a audiência a qualquer custo ganhou até os que não deveriam se deixar levar por isso. Ninguém mais atua sem estar em uma tela, e as telas parecem ter sido padronizadas pelo CQC. Ele acaba, mas o seu cheiro ainda está no ar. Meu medo é que paire por mais tempo. Meu apavoramento é que se eternize.

*- Paulo Ghiraldelli Jr. é filósofo, escritor e professor da UFRRJ

Fonte: http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2011/06/15/o-fim-do-cqc-o-que-vira-no-lugar/

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Senado aprova inclusão de combate ao 'bullying' na LDB

Os estabelecimentos de ensino, públicos ou privados, passarão a ter a incumbência de promover ambiente escolar seguro, adotando estratégias de prevenção e combate a práticas de intimidação e agressão recorrentes entre os integrantes da comunidade escolar, conhecidas como bullying. A determinação, que poderá fazer parte da Lei de Diretrizes de Bases da Educação (LDB), foi aprovada nesta terça-feira (14) pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), em decisão terminativa, e deverá seguir agora para análise da Câmara.

Para o autor do projeto de lei (PLS 228/10), senador Gim Argello (PTB-DF), os efeitos do bullying são deletérios, "causando enorme sofrimento às vítimas". Para ele, essa situação é ainda mais grave quando acontece nas escolas, "por afetar indivíduos de tenra idade, cuja personalidade e sociabilidade estão em desenvolvimento". Em sua justificativa, o senador pelo Distrito Federal lembra que o tema, por ser recente, ainda não está previsto na LDB. Para ele, a abordagem nas escolas é necessária, pois obullying se manifesta de formas diversas, que incluem insultos, intimidações, apelidos pejorativos, humilhações, amedrontamentos, isolamento, assédio moral e também violência física.

"Julgamos que essa abordagem seja mais adequada, pois evita a padronização das medidas a serem adotadas - as quais devem ser definidas de acordo com a realidade vivida em cada escola -, além de contornar o risco de tipificar condutas já tratadas no arcabouço jurídico competente, de forma mais genérica", explicou Gim Argello.

Para o relator, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o projeto vem "em boa hora". Em seu relatório, ele sugere algumas providências a serem adotadas pelas escolas, mas pondera que, por se tratar de uma lei geral, válida para todos os sistemas de ensino, não seria adequado descer a detalhes. Entre as sugestões apresentadas pelo relator, estão a capacitação técnica e pedagógica de todos os profissionais da educação que trabalham nas escolas, incluindo os não docentes; interação entre educadores e pais de alunos; articulação entre gestores educacionais e os encarregados da segurança da cidade e do bairro e ainda conscientização das crianças, adolescentes e jovens sobre as consequências "nefastas desse tipo de comportamento covarde e antissocial".

Segundo Ana Amélia Lemos (PP-RS), o projeto é meritório e urgente, pois o bullying é uma "prática lesiva que afeta o desenvolvimento de crianças e adolescentes na fase escolar". Marta Suplicy (PT-SP) lembrou que o bullying é um problema sério e que tem gerado crimes em vários países. Walter Pinheiro (PT-BA) ressaltou a importância de as escolas combaterem esse mal, que traz "vexame e constrangimento" às vítimas.

Gastos com Educação


Na reunião desta terça, a CE também aprovou a realização de uma audiência pública para apresentar e debater os gastos relativos aos anos de 2009 e 2010 - da União, dos estados e dos Municípios - com educação nas suas diversas modalidades, com ênfase na educação básica. O autor do requerimento, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), também quer discutir, no debate, a planilha de custos associado ao Plano Nacional de Educação, e a evolução do número total de alunos no sistema de ensino.

- Queremos entender os números para sabermos se os recursos estão indo para o lugar certo - explicou Cristovam, ao defender a realização da audiência Pública.

Valéria Castanho / Agência Senado

Realengo: a última vítima recebe alta

Tiago Rogero e Alfredo Junqueira

Recebeu alta no início da tarde de ontem a última vítima do massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio, que ainda permanecia internada. Depois de passar 68 dias em dois hospitais da rede estadual, Thayane Tavares Monteiro, de 13 anos, vai continuar o tratamento e a reabilitação de movimentos em casa. Alvo de quatro tiros disparados pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira, a menina sofreu lesão medular e não consegue andar.

De acordo com familiares, o prognóstico de Thayane é positivo. Ela já consegue mexer alguns músculos e tem sensibilidade nas pernas. Em entrevista ao site G1, a mãe da estudante, Andréa Tavares, disse que ainda não há um quadro definido e é cedo para dizer que a adolescente não poderá mais andar.

"O médico disse que tudo pode ser reversível, porque ela é muito nova. Ele disse que o melhor antibiótico é a fé", disse Andréa.

Thayane passou quase dois meses no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, e estava internada no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no centro do Rio, há 13 dias. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, a menina passou por cirurgia para retirada da bala na coluna. Ela foi avaliada pelo Centro da Coluna do Into e "a indicação médica determinada é o tratamento de reabilitação". Ainda segundo a secretaria, a menina será acompanhada por equipe da Unidade de Atendimento Domiciliar por tempo indeterminado. "Ela vai receber tratamento multidisciplinar de reabilitação para sua independência funcional e suporte psicoterapêutico com fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia e enfermagem."

Massacre


Thayane foi uma das estudantes surpreendidas pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira no início da manhã do dia 7 de abril. Doze alunos morreram e outros 12 ficaram feridos. Oliveira se matou logo depois de ser atingido por um disparo feito pelo policial militar Márcio Alves, que correu para a escola depois de ser alertado por estudantes. Ex-aluno da instituição, Oliveira entrou pelo portão principal, alegando que precisava buscar seu histórico escolar. Após falar com uma professora, seguiu para as salas e começou a atirar. Em vídeos encontrados após o crime, o atirador afirmava que havia sido vítima de Bullying quando estudou ali.


Fonte: O Estado de São Paulo (SP)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Professores recorrem ao MPF para regularização do piso salarial nacional

13/06/2011 - OTEMPOonline

Na tarde desta terça-feira (13), a direção do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) protocolou uma representação no Ministério Público Federal, que tem com objetivo cobrar a regulamentação imediata do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN). A categoria exige o pagamento do piso salarial de acordo com a lei 11.738/08, que prevê R$ 1.597,87, para 24 horas semanais, nível médio de escolaridade.

Na última sexta-feira (10.6), o Sind-UTE/MG protocolou representação junto à Procuradoria Geral do Estado. A decisão foi aprovada por cerca de cinco mil trabalhadores em assembleia no dia 8 de junho, primeiro dia de greve da categoria. Uma nova reunião será realizada pelo Sind-UTE nesta quinta-feira (16).

A categoria está em greve por tempo indeterminado.

Fonte: O Tempo (MG)

Opinião: Educação pública (12/06/2011)

A paralisação das aulas proposta pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) é assunto preocupante e diz respeito a toda a sociedade. Uma Educação pública sempre mais qualificada é parte constitutiva das metas nucleares do governo mineiro e, ao mesmo tempo, requisito inadiável do mundo mais inclusivo e desenvolvido.

Professores e alunos, bem como todo o conjunto de profissionais envolvidos com a Educação, compartilham certamente o mesmo ideal de uma Educação capaz de propiciar, simultaneamente, a formação humanista e a competência profissional necessárias a uma vida mais digna numa sociedade que apresenta, a cada dia, desafios que exigem respostas tão firmes quanto urgentes. Na Educação, mais do que em qualquer outro lugar, está ressaltado nosso cuidado com o passado, nossa sensibilidade para com o presente e nossa esperança diante do futuro.

É reconhecendo a gravidade do momento e a importância de tornar acessíveis, nas sociedades democráticas, as informações necessárias à compreensão dos problemas a serem enfrentados que consideramos fundamental esclarecer a política remuneratória concernente aos profissionais do magistério da rede estadual de Minas Gerais.

A Lei Estadual 18.975/2010 modernizou e tornou mais claro o sistema de remuneração dos servidores da Educação ao instituir o pagamento por subsídio, que passou a ser, a partir do início deste ano, a referência financeira e administrativa adotada pelo governo de Minas para os servidores da Educação, desde 1º de janeiro, e resultou de estudos para unificar a remuneração dos servidores, eliminar distorções e atender demanda da própria categoria. Desses estudos participaram órgãos governamentais e entidades representativas dos profissionais da Educação. Constituído por valor único, o subsídio incorpora todas as gratificações, vantagens, adicionais e abonos.

Além de valorizar os servidores que já se encontram em exercício e estimular novos profissionais a abraçar carreiras na Educação, o sistema remuneratório simplifica os processos administrativos para a geração da folha de pagamentos. Mas o mais importante é que o pagamento em parcela única reduz as distorções salariais entre os servidores posicionados em diferentes situações na carreira da Educação básica com o mesmo tempo de serviço, além de dar maior clareza aos valores remuneratórios praticados pelo governo para os profissionais da Educação do estado.

A Lei 11.738/2008 garante um valor mínimo de remuneração para os profissionais do magistério público da Educação básica, que foi definido pelo Ministério da Educação (MEC) em R$ 1.187, para uma jornada de 40 horas semanais. A lei estabelece, ainda, que esse piso será proporcional nas demais jornadas de trabalho.

Para a jornada de 24 horas semanais, vigente no estado de Minas Gerais, o valor da remuneração inicial, de R$ 1.122, é 57,55% superior ao piso nacional, que está estabelecido, na proporcionalidade da jornada, em R$ 712,20. Os novos que ingressam na carreira, profissionais com licenciatura plena, cujo edital para concurso será publicado em julho, terão a remuneração de R$ 1.320 na jornada de 24 horas semanais. Os valores pagos no sistema de remuneração por subsídio confirmam, assim, a importância crescente conferida pelo governo mineiro à Educação.

Ressaltamos, ainda, que recebemos representantes do Sind-Ute, várias vezes, em 2011, para estudar suas reivindicações, muitas delas já atendidas. Lamentavelmente, o sindicato interrompeu as negociações em andamento e deliberou pela paralisação das aulas a partir do dia 8 deste mês. São essas as informações e esclarecimentos que consideramos ser nosso dever tornar públicos e que certamente contribuirão para que possamos chegar a um acordo que possibilite a superação dos atuais impasses. E reiteramos nossa permanente disponibilidade para o diálogo, pois esse é, sempre, o mais adequado dos caminhos para um entendimento duradouro e consequente.

Fonte: Estado de Minas (MG)

A filosofia dos professores multiuso no país

Por: Demétrio Weber e Letícia Lins

BRASÍLIA e RECIFE. Professora há 22 anos e licenciada em história, a pernambucana Letícia Oliveira de Assunção Nascimento é hoje um dos muitos professores multiuso existentes no país: dá aulas não só de história, mas também de filosofia e sociologia no escola estadual Leonor Porto, em São Lourenço da Mata, a 22 quilômetros de Recife:

- Ensino também em outros colégios, e perco tempo pesquisando e estudando filosofia e sociologia, quando poderia estar planejando melhor minhas aulas de história. A qualidade do ensino cai muito.

Leis aprovadas pelo Congresso acrescentaram quatro disciplinas aos currículos do ensino médio nos últimos anos: filosofia, sociologia, música e espanhol. Mas, se já faltam professores para disciplinas tradicionais como física e química, para as novas o problema é pior ainda. Sem professores de sociologia e filosofia, secretarias de Educação ouvidas pelo GLOBO informaram que recorrem a docentes de outras áreas, como história e pedagogia. É o que ocorre em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Há ainda contratações em regime temporário, em estados que não fizeram concursos públicos específicos.

Diretora do MEC admite déficit


A diretora de Currículos e Educação Integral do Ministério da Educação (MEC), Jaqueline Moll, admite que faltam professores para as novas matérias, incluindo música e espanhol. Mas defende a atuação do Congresso, afirmando que há esforço conjunto de União, estados e municípios para reverter o quadro:

- Nada em Educação ocorre de um dia para o outro. As leis nascem de uma vontade, uma necessidade e vão fazendo com que a realidade seja construída.

Filosofia e sociologia são obrigatórias e devem ser oferecidas separadamente. Música, também obrigatória, foi incluída como novo componente de artes, dividindo a carga horária com artes plásticas e cênicas. Espanhol só é obrigatório em escolas, que têm de oferecê-lo. A matrícula é opcional.

A lei que torna o ensino de filosofia e sociologia obrigatório foi aprovada em 2008. O Conselho Nacional de Educação orientou que a oferta se iniciasse no 1º ano, em 2009; no 2º, em 2010; e no 3º, em 2011.

Dados do INEP, órgão do MEC, mostram que, com base no censo escolar de 2010, 84% dos alunos frequentavam escolas com filosofia na grade; em 2008, eram 49%. No caso de sociologia, o percentual estava em 80%; e, em 2008, era de 29%. Na rede estadual, o percentual em 2010 era 85% em filosofia e 82,5% em sociologia. Curiosamente, os índices de oferta das duas disciplinas eram menores na rede privada: 78% (filosofia) e 69% (sociologia).

A lei que tornou o ensino de música obrigatório foi aprovada em 2008, com prazo de três anos para implementação, e vale para toda a Educação básica. Segundo o INEP, só 59% dos alunos de ensino médio tinham artes no currículo ano passado. Em tese, o percentual de turmas com ensino de música seria menor. O INEP diz também que só 41% das escolas ofereciam espanhol, obrigatório desde 2005. Em nota, a Secretaria de Mato Grosso do Sul diz que a falta de professores atinge todo o país. A titular da pasta, Maria Nilene Badeca da Costa, é presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).

Educadores divergem sobre a conveniência de novas disciplinas. Do Conselho Nacional de Educação, onde foi relator das recém-aprovadas Diretrizes Nacionais do Ensino Médio, José Fernandes de Lima critica:

- Uma coisa é o Congresso definir que determinado assunto tem de ser tratado nas escolas. Outra é dizer que temos de criar uma disciplina, o que requer profissional com licenciatura na área. Vai contra a ideia da LDB (Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional), de que as escolas precisam organizar seu projeto.

O presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul, Jaime Teixeira, considerou positiva a inclusão de filosofia e sociologia no currículo. Mas afirma que a falta de professores levou a rede sul-matogrossense a chamar até universitários para lecionar:

- Escola não é só para aprender a ler e escrever. É para aprender a pensar.

Fonte: O Globo