quinta-feira, 31 de maio de 2012

Bullying: um problema que extrapola a lei

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E ducadores, pesquisadores e advogados estão divididos sobre o alcance e a eficácia da criminalização do bullying, proposta pela comissão de juristas que discute o novo Código Penal. Há quem veja um efeito mais psicológico na medida, quem prefira tratar o bullying no âmbito pedagógico e quem acredite que a lei é benéfica, mas insuficiente. O texto, aprovado na terça-feira (29) na penúltima reunião do grupo, tipifica o crime de bullying e prevê pena de um a 4 anos para adultos que o cometerem contra menores. Agora, depende de votação no Congresso.
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Integrante da comissão de juristas, a procuradora de Justiça de São Paulo Luiza Eluf explica que a tipificação do crime de bullying parte do reconhecimento de que essa prática, classificada como intimidação vexatória, é uma conduta que vem ocorrendo com muita frequência em escolas e locais públicos e que uma medida jurídica para proteger desse tipo de agressão se faz necessária:
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— A repercussão prática esperada é que se possam evitar essas situações e que haja uma medida prevista em lei de punição para esse tipo de violência. Se não há previsão na lei, a conduta é impunível. Além disso, existe um papel da lei penal que é mais educativo, de mostrar o que é crime, e uma papel mais preventivo, de inibir essa prática. Eu vejo essa tipificação como um avanço.
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A professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Mirian Paura discorda. Ela acredita que a medida terá efeito limitado, já que a grande maioria dos casos ocorre entre crianças e adolescentes. Para ela, a questão deve ser resolvida sob o ponto de vista educacional, não criminal.
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— O bullying deve ser tratado como uma questão psicológica e pedagógica. Quem o pratica necessita de atenção, assim como as vítimas. Não vejo razões para criminalizar. O caminho para resolver esse problema passa pela conscientização dentro da escola, para que a equipe tenha ferramentas para identificar os casos e agir. As escolas precisam saber o que é o bullying e as formas que ele pode assumir. É importante também discutir os casos que acontecem no colégio com os pais, para que eles tomem conhecimento. Uma medida penal não vai resolver um problema educacional.
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A socióloga Miriam Abramovay, coordenadora de políticas públicas para juventude da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso), concorda e diz que há o risco de “judicializar” problemas que devem ser resolvidos no âmbito da escola. A pesquisadora explica que ainda há um problema semântico na proposta, pois o conceito histórico de bullying trata de violência entre crianças ou jovens da mesma idade.
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— A questão do bullying é complexa. Historicamente, o conceito trata da violência entre pares, então, se há uma diferença de idade significativa, já deixa de ser bullying. Há, portanto, uma questão semântica. É muito perigoso judicializar a educação, porque assim você tira a autoridade das figuras pedagógicas da escola, como os professores e a direção. É como se a escola fosse impotente para lidar com essa questão. É preciso haver uma política para atacar o problema da violência nos colégios como um todo, não só o bullying — afirma Miriam.
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O advogado Danilo Sahione, especialista em direito educacional e com experiência em casos do tipo, é outro que não vê muita utilidade prática para a tipificação do crime de bullying. Para ele, a questão é muito mais complexa para ser definida de uma forma que ele considera simplista.
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— Ao meu ver, essa medida não tem efeito prático nenhum, porque várias situações abrangidas em sua caracterização de bullying já estão previstas no Código Penal. Pior, ao caracterizar a questão do bullying de uma forma simplista, pode-se fazer com que o trabalho preventivo sobre a questão feito nas escolas, pelo Ministério Público e pelo Conselho Tutelar, para identificar aqueles casos que realmente são bullying, seja prejudicado.
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Já o advogado André Pedrosa, especialista em direito processual civil e com experiência em casos de bullying que foram levados à Justiça, acredita que a tipificação do crime de bullying é benéfica pelo efeito psicológico e moral que pode vir a ter, ao mostrar que essa é uma questão que pretende ser levada a sério pela legislação brasileira.
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— Essa questão a gente tem que analisar sob vários aspectos e uma delas é a própria evolução da sociedade. O que há 20 anos era considerado brincadeira, hoje é considerado bullying. Esse é um conceito que muda com o tempo e a legislação tem que acompanhar essas mudanças, ainda que acabe sendo lenta nisso. Parece-me que a intenção de uma medida dessas é mais ter um efeito psicológico e moral que, ao meu ver, acaba sendo benéfico.
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A educadora Tânia Zagury também vê com bons olhos a criminalização da prática para maiores de 18 anos, mas aponta que apenas a via judicial não é suficiente para resolver o problema. Na sua opinião, medidas de prevenção são mais eficientes.
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— Apenas criminalizar o bullying não é adequado. Como só atinge maiores de 18 anos, considero válido porque protege os menores. Mas é necessário um trabalho junto às escolas e às famílias, até porque muitas vezes a prática ultrapassa os muros do colégio e ocorre inclusive na internet. Nem tudo é possível resolver através de leis. É melhor investir na formação do cidadão. O caminho é educar, não punir criminalmente. O bullying, normalmente, é praticado em situações de superioridade física ou numérica e pode destruir a autoestima das crianças e adolescentes — explica Tânia.
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Fonte: O Globo (RJ)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Educação e política

Educação e emprego numa sociedade em turbulência

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Célia Corrêa *
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As noticias que comparam a aceleração da economia brasileira e a crise dos países europeus deve ser considerada com cautela por aqueles que pensam que estamos numa situação privilegiada. Na verdade, numa economia globalizada não há o que comemorar. A ordem econômica é sistêmica e contingencial. Temos que agir com respeito e cuidado para não sofremos, muito em breve, os efeitos diretos daquilo que afeta os vizinhos. Nosso telhado é de vidro.
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O perigo começa quando consideramos a baixa qualificação profissional da grande maioria da mão de obra brasileira, ao contrário de muitos estrangeiros que pensam em novas oportunidades de trabalho no Brasil. Quem não se lembra das ondas de gringos que vieram ocupar fazendas de café e de cana de açúcar, por exemplo? Vieram e se afirmaram nos dando lições de dedicação, determinação e trabalho. Hoje, a mão de obra europeia desempregada é de jovens qualificados que podem ocupar postos de trabalho nas áreas de tecnologia da informação, comércio e gestão de negócios, dentre outros campos.
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Na encruzilhada dos caminhos que temos para seguir, infelizmente, deparamo-nos com o obstáculo na educação. Ao longo dos anos, tratada como produto de menor importância, deixa-nos fragilizados no momento em que poderíamos mostrar forças e competências para maior e melhor competitividade. Mas, ao contrário, ainda estamos engatinhando na construção de uma educação que possa despertar cérebros e habilitá-los para posições estratégicas para a indústria fina e de ponta. Nada disso! Os modelos educacionais vigentes, na grande maioria, ainda estão na fase do preparo de mão de obra para atividades operacionais, isto é, facilmente substituíveis. Lamentável!
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Comemoramos o incentivo do governo para que nossos jovens possam estudar em universidades estrangeiras. Há muito tempo exportamos estudiosos, cientistas, professores, pesquisadores, artistas e outros que não voltaram. Quando, então, poderemos representar a referência na educação como atrativo para a formação de mentes nacionais e estrangeiras? Estamos longe dessa possibilidade. Temos alguns programas de intercâmbio, mas ainda não somos cobiçados no campo da excelência. Somos poucas as instituições de renome internacional, a USP é uma delas.
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Algumas instituições se destacam em número de alunos matriculados, mas não, ainda, em qualidade. Essa diferença pode significar muito numa disputa de competitividade e de oportunidades de trabalho. Nossa vacina de prevenção contra problemas futuros se concentra em investimento sério, profundo e contínuo em educação. O discurso e os esforços devem, necessariamente, ser compatibilizados e firmados por princípios e propósitos que integrem as aspirações dos alunos, dos professores, da administração escolar e da sociedade com vistas no melhor para o país. Por enquanto, a dicotomia é profunda.
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Célia Maria Corrêa Pereira – Professora – Administradora  – Mestre em Eng de produção

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Professor: ainda o pior salário

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O salário dos Professores da Educação básica no Brasil registrou, na década passada, ganhos acima da média dos demais profissionais com nível superior, fazendo encurtar a distância entre esses dois grupos. Esse avanço, no entanto, foi insuficiente para mudar um quadro que tem trágicas consequências para a qualidade do Ensino: o magistério segue sendo a carreira universitária de pior remuneração no país.
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Tabulações feitas pelo GLOBO nos microdados do Censo do IBGE mostram que a renda média de um Professor do Ensino fundamental equivalia, em 2000, a 49% do que ganhavam os demais trabalhadores também com nível superior. Dez anos depois, esta relação aumentou para 59%. Entre Professores do Ensino médio, a variação foi de 60% para 72%.
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Apesar do avanço, o censo revela que as carreiras que levam ao magistério seguem sendo as de pior desempenho. Entre as áreas do Ensino superior com ao menos 50 mil formados na população, os menores rendimentos foram verificados entre brasileiros que vieram de cursos relacionados a ciências da Educação - principalmente Pedagogia e formação de Professor para os anos iniciais da Educação básica. Em seguida, entre as piores remunerações, aparecem cursos da área de religião e, novamente, uma carreira de magistério: formação de Professores com especialização em matérias específicas, onde estão agrupadas licenciaturas em áreas de disciplinas do Ensino médio, como Língua Portuguesa, Matemática, História e Biologia.
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Achatamento provoca prejuízos
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Pagar melhor aos Professores da Educação básica, no entanto, é uma política que, além de cara, tende a trazer retorno apenas a longo prazo em termos de qualidade de Ensino. A literatura acadêmica sobre o tema no Brasil e em outros países mostra que a remuneração Docente não tem, ao contrário do que se pensou durante muitos anos, relação imediata com a melhoria do aprendizado dos Alunos.
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No entanto, o achatamento salarial do magistério traz sérios prejuízos a longo prazo. Esta tese é comprovada por um relatório feito pela consultoria McKinsey, em 2007, que teve grande repercussão internacional ao destacar que uma característica dos países de melhor desempenho educacional do mundo - Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Japão e Singapura - era o alto poder de atração dos melhores Alunos para o magistério.
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- Não dá para imaginar que, dobrando o salário do Professor, ele vai dobrar o aprendizado dos Alunos. O problema é que os bons Alunos não querem ser Professores no Brasil. Para atrair os melhores, é preciso ter salários mais atrativos - afirma Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação.
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O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, concorda com o diagnóstico da baixa atratividade da profissão. Ele afirma que a carreira de Professor, salvo exceções, acaba atraindo quem não tem nota para ingressar em outra faculdade. Para Roberto Leão, salário é fundamental, mas não o suficiente para melhorar a qualidade do Ensino.
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- Sem salário, não há a menor possibilidade de qualidade. Agora, claro que é preciso mais do que isso: carreira, formação e gestão.
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Priscila Cruz também diz que o salário é só parte da solução:
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- É preciso melhorar salários para que os Alunos aprendam mais. Mas o profissional também tem que ser mais cobrado e responsabilizado por resultados. Não pode, por exemplo, faltar e ficar tantos dias de licença, como é frequente.
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Distrito Federal lidera ranking do magistério
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Professores de Brasília são os que recebem melhores salários. Rio é o 4 no ensino médio e 9 no fundamental
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Os Professores do Distrito Federal recebem os maiores salários da categoria no Brasil, conforme o censo do IBGE. Nem por isso deixaram de fazer greve este ano. Durante 52 dias, cruzaram os braços para reivindicar isonomia com as demais carreiras de nível superior. O sindicato diz que um profissional ganha, em média, R$ 5 mil por mês - o que deixaria o magistério em 23º lugar, dentre 26 áreas do governo local. No balanço feito pelo GLOBO a partir do censo do IBGE, o DF ficou na primeira posição do ranking salarial de Professores por estado, tanto no Ensino médio (R$ 4.367) quanto no Ensino fundamental (R$ 3.412). O Rio de Janeiro foi o 4º no Ensino médio, com renda mensal de R$ 2.778; e o 9º no Ensino fundamental, com R$ 1.882. Os dados são de 2010 e consideram profissionais da rede pública e privada. O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) diz que o resto do país não serve de parâmetro. É que, no DF, o governo federal banca despesas de Segurança Pública e parte dos gastos com Educação e Saúde.
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- Não podemos comparar o salário do Distrito Federal com o de outros estados e sim com os dos demais trabalhadores do DF. A grosso modo, todas as carreiras do DF têm salários maiores: o médico ganha mais, o policial ganha mais - diz a diretora de Imprensa do Sinpro, Rosilene Corrêa.
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A greve terminou no último dia 2. Para recuperar aulas, as Escolas funcionarão aos sábados até o fim do ano. O Professor de Português Carlos Eugênio Rêgo, de 47 anos, recebe salário bruto de R$ 7.464,42 por mês. Ele leciona há 21 anos e está perto do topo da carreira, cuja remuneração vai de R$ 2.426,69 a R$ 8.794,44, conforme tabela do Sinpro. Trabalha no Centro de Ensino Médio Setor Oeste, Escola da rede pública de Brasília com melhores resultados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) à exceção de colégios militares. Ele diz que, ocasionalmente, dá aulas em cursinhos para complementar a renda.
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- O ponto fundamental é a isonomia. Incomoda muito a enxurrada de reportagens dizendo que temos o maior salário do Brasil. Tem que levar em conta o custo de vida - diz Carlos Eugênio.
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Já o Professor de Física Lucélio Oliveira Fernandes, 42 anos, conta que o Setor Oeste não tem laboratório de Ciências e dispõe de apenas dois Docentes de Física para 1.140 Alunos de Ensino médio. Segundo ele, seria necessário pelo menos mais um profissional.
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- E olha que dizem que essa é a melhor Escola do DF. Fico imaginando como é a pior - afirma Lucélio.
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Às vésperas da aposentadoria, o Professor de Geografia e Artes Francisco Chagas Rocha, o Paco, de 64 anos, vê descaso na forma como os governos, depois de eleitos, tratam o magistério:
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- Se você ganha seis ou sete mil reais por mês, acaba ganhando (líquido) 3.500 reais. E o GDF (governo do Distrito Federal), escreva aí, por favor, o GDF, cretinamente, diz que o Professor ganha bem - diz Paco.
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Formados em Medicina têm maior renda média
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Engenharias também dão alto retorno financeiro
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No outro extremo das carreiras universitárias, o Censo 2010 do IBGE mostra que nenhuma outra área é tão vantajosa, em termos financeiros, quanto Medicina. Os médicos têm os maiores salários e a menor taxa de desemprego entre profissionais com nível superior: apenas 0,7%. Engenharia Civil e Construção é a segunda de melhor remuneração no país e a terceira com menor taxa de desemprego (1,7%). Ao menos no que diz respeito ao desemprego, as carreiras Docentes não são tão ruins, com taxas médias próximas a 3% (a média nacional para todas era de 8% em 2010).
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- O caso da Medicina chama atenção. Taxa de desocupação baixa, renda média elevada e 42% dos profissionais possuem dois empregos (ou mais), fixando-se em grandes centros urbanos. Há déficit de profissionais para suprir a demanda nacional e elevada concentração nos grandes e médios centros urbanos - diz Henrique Heidtmann, coordenador de graduação da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV.
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Para ele, este quadro levanta um desafio importante de fixação de profissionais em regiões afastadas dos centros urbanos, que precisam oferecer salários bem maiores que os dos grandes centros e, mesmo assim, encontram dificuldades para contratar médicos. Presidente da Federação Nacional dos Médicos, Cid Carvalhaes ressalta que médicos trabalham, em média, 62 horas semanais, o que ajudaria a explicar a renda elevada, e reclama de vínculos empregatícios precários e de falta de segurança e equipamentos:
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- Não tem desemprego para médico hoje. Tem subemprego. Para conseguir esse salário médio mensal, ele cumpre jornada 50% maior que a de qualquer outro profissional e trabalha à noite, aos sábados, domingos e feriados.
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Na avaliação de Edson Nunes, pró-reitor da Universidade Candido Mendes e ex-presidente do Conselho Nacional de Educação, apesar de algumas carreiras terem renda e desemprego maiores que outras, as taxas são sempre melhores que as da população sem diploma universitário. Mas pondera que nem sempre o profissional de nível superior consegue emprego em sua área. de formação.
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Professor da FGV, Kaizô Beltrão observa outro ponto importante: - Existem atividades em que há pessoas com diplomas de nível superior atuando em profissões que requerem só nível médio ou outros níveis. São profissionais com diploma de nível superior atuando em posições que não exigem graduação.
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Fonte: O GLOBO (RJ)

sábado, 19 de maio de 2012

Sobre a crise dos professores no Estado Catarinense.


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Estão certos. A educação aqui do Estado de São Paulo, também esta defasada, ninguém quer saber mais de estudar; muitos alunos estão alienados com o avanço da tecnologia, esqueceram o prazer de carregar os livros nas mãos e no psíquico. Essa era tecnológica esta gerando seres humanos cada vez mais com problemas psicossomáticos: Depressão, dores de cabeça, síndromes do pânico e suicídios . O governo brasileiro é muito manipulador, em tempos de eleição saem as ruas com seus candidatos a política, abraçam os moradores de áreas debilitadas do estado paulista ,garante educação de qualidade, saúde e acesso ao transporte. Quando passadas as eleições esquecem a existência das pessoas. As propagandas sempre mostram versões utópicas da vida cotidiana, alienando o telespectador; quando chega o dia das mães , apresentam filhos abraçando suas mães , numa mesa farta de alimentos e bebidas, sabendo que a realidade brasileira na verdade não é essa, muitos não tem o que comer. Quando chega o inverno, lojas como Riachuelo e C&A, ganham destaque em canais abertos com seus luxuosos merchandising , oferecendo métodos fáceis e práticos de acesso financeiro as mercadorias; sabemos que pessoas carentes não podem comprar , então criaram o Campanha do agasalho , para incentivarem a ‘’caridade humana e o desapego’’, que não tem nada de ‘’quente’’ , essas pessoas doam coisas velhas e que já não tem utensílios algum para ninguém , aparentemente representando ‘’ uma boa intenção’’.
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Os professores deveriam ser contemplados com exatidão. São as pessoas mais importantes no decorrer da vida de uma individuo, compartilham informações, dificuldades de suas formações, sabedoria, caminhos que levam a compreensão e percepção de espaço social, biológico, químico e linguístico Será que existe coisa mais linda que transmitir o conhecimento e o aprendizado?. O salário que eles exigem, representa a necessidade, de trazer um melhor conforto a suas famílias. Todos buscamos qualidade de vida, ou será que eles não?. Exigir o que é de nosso total direito, não significa prejudicar uma nação.
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Eduardo Henrique 19 de Maio de 2012
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Exploração sexual de crianças cresce em Minas

O Estado, que era o quarto no ranking brasileiro desse tipo de crime nas BRs, passa a ocupar agora a primeira posição
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por Alessandra Mendes - Do Hoje em Dia - 19/05/2012 - 09:48
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Minas Gerais tem um ponto de exploração sexual de crianças e adolescentes a cada 30 quilômetros de rodovias federais. O Estado, que era o quarto no ranking brasileiro desse tipo de crime nas BRs, passa a ocupar agora a primeira posição. O dado, divulgado ontem pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), revela que o número de locais onde ocorrem abusos contra menores de idade em Minas cresceu 89,47%, passando de 133 em 2009 e 2010 para 252 em 2011 e 2012, em uma malha de 7.689 quilômetros de rodovias federais.
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Ao contrário do que ocorreu em território mineiro, a quantidade de pontos, no Brasil, sofreu uma pequena queda, passando de 1.820 para 1.776. A diferença é de menos 2,42%. Pará, Goiás, Santa Catarina e Mato Grosso formam, com Minas, o bloco dos cinco estados com mais locais de exploração sexual de crianças e adolescentes. Para a subsecretária de Direitos Humanos da Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas, Carmen Rocha, o maior registro de locais nas BRs mineiras não quer dizer, necessariamente, que houve aumento da violência.
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“Esse tipo de dado ainda é subnotificado e não temos como saber se o ponto que passou a fazer parte do levantamento já existia ou não em 2009 e 2010”, diz. Para Carmen Rocha, o que houve foi um aumento das denúncias. “A maior visibilidade do tema, o esclarecimento das pessoas e a conscientização de que é preciso denunciar podem ter relação com esse crescimento”, avalia.
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O Estado, porém, pode ter mais pontos de exploração do que os mapeados pela PRF, já que muita gente ainda prefere o caminho da omissão. Especialistas apontam que apenas 10% dos crimes sexuais contra menores são denunciados. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, criada na Câmara Federal, estima que haja uma subnotificação de 90% dos casos.
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A subsecretária Carmen Rocha prefere não fazer essa relação direta, mas confirma que a omissão acaba impedindo a descoberta do crime. “Não temos estatísticas para saber exatamente de que forma a exploração acontece. O que podemos afirmar é que a visibilidade das campanhas de combate ao abuso tem ajudado a trazer à tona esse tipo de caso”.
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As ações do governo para a prevenção e o combate à prática vêm sendo feitas em conjunto com a PRF. Os parceiros principais nessa luta são os caminhoneiros, que muitas vezes têm acesso aos locais e podem propagar a campanha. Por isso, eles foram alvo de uma panfletagem, ontem, na BR-040, em frente à Ceasa, para marcar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Apesar dos esforços, não são apenas os pontos nas BRs mineiras que estão aumentando. O recolhimento de menores de idade nas estradas também cresceu. De acordo com a PRF, em 2010, 48 foram retirados das rodovias federais mineiras e, em 2011, o número passou para 58, 18,3% a mais. Apenas nos três primeiros meses deste ano, 11 foram recolhidos das estradas em Minas.
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Dentre as rodovias federais de todo o país com o maior número de pontos onde ocorre violência sexual contra crianças e adolescentes, a BR-116 (Rio-Bahia), que passa pelo Norte de Minas, ocupa a segunda posição. De acordo com a PRF, 166 desses locais estão na rodovia, apenas um ponto atrás da BR-230, que corta as regiões Norte e Nordeste do país. A maioria desses “endereços”, 186, fica na área rural dos estados do Sudeste, contra 172 na área urbana.
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Programa aos 12 anos de idade
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GOVERNADOR VALADARES – É às margens da BR-381 que meninas com idade entre 12 e 17 anos trocam o corpo por dinheiro, no Vale do Rio Doce. Moradoras de Periquito e Naque –municípios que, juntos, não têm mais de 14 mil habitantes–, elas se prostituem para “sobreviver”. Algumas chegam a vender drogas para motoristas, enquanto esperam por clientes para programas na boleia de caminhões ou junto ao asfalto. As prefeituras alegam não ter estrutura nem políticas públicas específicas para enfrentar o problema. A presidente do Conselho Tutelar de Periquito, Neide Luíza de Jesus Rodrigues, diz que o órgão realiza blitze na rodovia na tentativa de coibir a exploração sexual das adolescentes, mas afirma que as próprias jovens se articulam para “despistar” as autoridades.
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“As garotas que são de Periquito vão para Naque, a 12 quilômetros de distância, e as de lá vêm para cá. Fazem isso para confundir a gente, mas a nossa atuação vale para todas”, afirma Neide. Quando flagradas em busca de fregueses, as menores são levadas para casa, e os conselheiros dão orientações aos pais.
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O procedimento, porém, não impede a reincidência. “O problema é social. Muitas famílias perderam o referencial de tudo, os valores, e estão completamente desestruturadas”, diz a conselheira Maria do Rosário Borges Santana Alves.
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Aos 16 anos, A.S., é uma “velha” conhecida de caminhoneiros e viajantes que passam pelo perímetro urbano da BR-381, em Naque. Desde os 13, ela usa um decote ousado e um short curto para atrair clientes. Eles pagam, em média, R$ 20 por “encontros” de 30 minutos. O dinheiro conseguido com até quatro programas por noite é usado para comprar maconha e roupas. “Não tenho vergonha do que faço. Recebo para isso”, diz a jovem.
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“Só a conscientização dos motoristas e caminhoneiros vai ajudar a reduzir esse problema. A prostituição de menores, por aqui, é encarada como uma forma de trabalho infantil”, lamenta a presidente do Conselho Tutelar de Periquito. (Por Ana Lúcia Gonçalves e Daniel Antunes, da sucursal de Governador Valadares)
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Fonte: Hoje em Dia (MG)

É hora dos levantes docentes, discentes, técnicos e populares....

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É hora de voltar a fazer coletivamente o que individualmente não é possível. É hora dos levantes docentes, discentes, técnicos e populares - 17/05/2012 - Roberta Traspadini - Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/9584#.T7XChFyBs3w.facebook
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A educação pública brasileira, em seus três graus sofreu, nos últimos anos, transformações catastróficas na sua estrutura de funcionamento.
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No caso do ensino superior, a aprovação do Reuni, com a aparente justificativa de democratização do ensino público superior, revelava as mudanças que viriam para ficar e abalar ainda mais o funcionamento precário do mundo do trabalho-educativo do sistema público universitário.
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O fato de um número maior de indivíduos das classes populares ter acesso às instituições públicas, não pode ser confundido com a permanência e a vivência concreta nestes espaços ao longo do tempo que passarão pelo curso.
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Entre estas mudanças estão:
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- A diminuição substantiva do orçamento da união para a educação pública;
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- A era do produtivismo capes, que reitera a função docente centrada na titulação e publicações (lattes);
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- As contratações temporárias que sequer estão conformadas legalmente no plano da categoria docente com uma entidade que a represente;
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- A falta de condições estruturais como moradia estudantil, transporte livre e restaurante universitário garantido em todos os campi;
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- A educação à distância que vem ganhando força,implementada como um estado natural,fruto de um processo anti-dialógico e anti-reflexivo sobre os prós e os contras de dita reestruturação em um País como o Brasil;
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- A burocratização formal da utilização dos recursos e a implementação das fundações como o polo aglutinador e distribuidor das verbas liberadas para os projetos federais a serem executados pelos docentes destas instituições;
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- A desigualdade formal e real explicitada nos contrastes salariais entre professores dos IFES, CEFETES e das universidades federais e no interior destes a partir da diferenciação de planos de cargos e salários que hierarquizam o conhecimento a partir do plano desigual de suas remunerações.
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O servidor público federal se transformou, nos últimos anos, em uma presa vital para o capital. Este esquarteja sua vítima, o funcionalismo público, a partir das transformações acima citadas, antes de servi-lo no banquete dos poucos grupos que comandam o desenvolvimento econômico do País.
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O avanço técnico-científico reforça na sociedade do século XXI, a era dos sem tempo. Vale ressaltar que o tempo é a medida do valor utilizada pelo capital contra o trabalho no modo de produção capitalista.
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Destempo: lutar por direitos na era individualista dos sem tempo.
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A dialética do concreto é implacável na era dos sem tempo,que lutam a destempo do tempo hegemônico do capital.
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Se os servidores fazem uma assembleia e instituem a greve como mecanismo reivindicativo legítimo e legal, uma parte expressiva dos estudantes e professores continua.
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Se os professores, à luz do mesmo direito, param, uma parte expressiva deste próprio grupo, os estudantes e os técnicos administrativos continuam.
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Essas paradas, em movimento, que são legítimas, legais e necessárias, nos mostram a sociedade dos sem tempo em destempo(luta) no atual tempo de reestruturação da crise do capital. O destempo das lutas nos remete à aparente vitória do plano individual pelo coletivo. As greves são o nado contra a corrente do tempo do capital, de se lutar por um plano mais democrático, mais equitativo para toda a rede pública federal, em uma era de degradação do público pela nova proposta privada de políticas públicas, de conformação programada, executa a educação como mercadoria.
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A greve nos remete a uma posição necessária da aparente desordem que exige, dentro da ordem, uma essência menos perversa, menos pedante, menos mercadológica para todas as esferas reivindicadoras.
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Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. É hora dos estudantes, dos assistentes, e de uma parte dos professores que está ausente se levantar e parar junto. É hora de voltar a fazer coletivamente o que individualmente não é possível. É hora dos levantes docentes, discentes, técnicos e populares.
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Se isto ocorrer, mesmo em meio da era dos sem tempo, colocaremos em movimento o destempo do capital, isto é, a luta do trabalhador em unidade. Estaremos em tempos de reconfiguração de nossos seres coletivos em movimento. Em tempos de movimento aberto para a possibilidade de reestruturação de um projeto para além do capital. Em tempos de voltar a tecer a teia do projeto popular para o Brasil.
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Que venham, se multipliquem e se unifiquem as greves!!!
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Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ES.

Política Pública

A raiz dos nossos problemas de segurança

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Por LUIZ EDUARDO SOARES e RICARDO BALESTRERI
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“Algo está errado: temos a 3ª população carcerária, e só 8% dos homicídios esclarecidos. Um dos erros foi reproduzir o modelo do Exército na polícia.”
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A situação da segurança pública no país permanece grave, a despeito de respeitáveis esforços pontuais. Aconteceram avanços regionais, mas o resultado nacional segue inalterado, pois os problemas se disseminaram para o interior e a insegurança cresceu em algumas regiões.
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Os cerca de 50 mil homicídios dolosos por ano tornam o Brasil o segundo país mais violento do mundo em números absolutos. Apenas 8% desses casos são esclarecidos -ou seja, 92% ficam impunes. A brutalidade de segmentos da polícia bate recordes. Por outro lado, temos a terceira população carcerária do mundo e a que cresce mais rápido, pois prendemos muito e mal.
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Na outra ponta, policiais não são valorizados. Em geral, os salários são insuficientes. As condições de trabalho, inadequadas. A consequência é a adesão ilegal ao segundo emprego na segurança privada informal.
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Para evitar o colapso do orçamento público, as autoridades se calam. Preferem conviver com a ilegalidade na base do sistema. Resultado: os turnos de trabalho irracionais não podem ser ajustados; a dupla lealdade obsta a execução das rotinas; a disciplina interna é contaminada pela vinculação com o ilícito; e a impunidade estimula a formação de grupos de interesse cuja expressão extrema são as milícias.
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Na raiz dos problemas, está a arquitetura institucional da segurança pública legada pela ditadura, que encontrou abrigo na Constituição.
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O artigo 144 atribui grande responsabilidade aos Estados e às suas polícias, cujo ciclo de trabalho é, irracionalmente, dividido entre militares e civis. Ele confere papel apenas coadjuvante à União e esquece os municípios, na contramão do que ocorre com as demais políticas públicas -enquanto isso, as guardas municipais estão em um limbo legal.
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As PMs são definidas como força reserva do Exército e forçadas a adotar um modelo organizacional concebido à sua imagem e semelhança.
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Ora, sabemos que a boa forma de uma organização é aquela que melhor serve ao cumprimento de suas funções. Pois a missão das polícias no Estado de Direito é muito diferente daquela conferida ao Exército.
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O dever das polícias é prover segurança aos cidadãos, garantindo o cumprimento da lei -ou seja, protegendo seus direitos e liberdades contra eventuais transgressões.
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O funcionamento usual das instituições policiais, com presença fardada e ostensiva nas ruas, cujos propósitos são sobretudo preventivos, requer, dados a variedade e o dinamismo dos problemas, alguns atributos que hoje estão excluídos pela rigidez da organização.
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Exemplos: descentralização, flexibilidade no processo decisório (nos limites da legalidade), respeito aos direitos humanos e aos princípios internacionais que regem o uso comedido da força, adaptação às especificidades locais, capacidade de interlocução, mediação e diagnóstico, liberdade para adoção de iniciativas que mobilizem outros segmentos da corporação e até mesmo outros setores governamentais.
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Idealmente, o policial na esquina é um microgestor da segurança em escala territorial limitada, com ampla comunicação com outras unidades e outras instituições públicas.
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Assim, consideramos inadiável a inclusão da reforma institucional da segurança pública na agenda política, em nome, sobretudo, da vida, mais do que partidos e eleições.
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LUIZ EDUARDO SOARES, 58, é antropólogo.
RICARDO BALESTRERI, 53, é educador especializado em direitos humanos. Ambos foram secretários nacionais de Segurança Pública no governo Lula (2005 e 2008-2010, respectivamente).

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Resposta de uma professora à Revista Veja. - Enorme, mas vale a pena!.



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por: Débora Oliveira, quarta, 21 de Setembro de 2011
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Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador.
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Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.
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Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.
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Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
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Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”.
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Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida.
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Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
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Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria.
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Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?
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E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria... Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.
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Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.
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E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;
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Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h. semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.
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Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”. Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”, “puta”, “gordos”, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave.
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Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares. Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite.
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E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber por que devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.
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Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se. Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade.
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Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
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Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.
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Fonte: Http://www.facebook.com/lucio.alves.71?sk=approve&highlight=312891598785095#!/notes/d%C3%A9bora-oliveira/resposta-de-uma-professora-%C3%A0-revista-veja-enorme-mas-vale-a-pena/234078726641093

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Declaração de amor a uma mãe caçula


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Maria Clara Bingemer*
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Quem é sabe. Quem não é deseja e imagina. Ser caçula é uma situação de vida, uma experiência existencial, um estado de espírito. Ser a menor dos irmãos, ser sempre a pequenina do pai e da mãe, ser mimada etc. E se além de ser caçula se tem jeito de caçula, cara de caçula e charme de caçula, ainda mais. Fica difícil um dia deixar de sê-lo e resolver acessar a idade adulta. 
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Assim foi com ela. Caçula e ainda por cima temporã. E linda, engraçada e adoravelmente simpática. Mimada desde que abriu os olhos por avós, pais e irmãos, adentrou a vida construindo e reforçando o império que sua caçulice lhe deu, distribuindo charme, beleza e encanto em volta de si. Mas também, muitas vezes, manha, capricho e infantilidade, consequências da maneira como era tratada por todos e todas.
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No colégio, reproduzia o comportamento vivido em casa. Esquecida e distraída, quantas vezes a pobre avó não teve que sair correndo de ônibus para levar um trabalho que havia ajudado a fazer até as duas da manhã e a pequerrucha esquecera sobre a mesa da sala? Mas ouvi-la chorar ao telefone era uma provação pior do que enfrentar o ônibus, o trânsito. Lá ia a vovó cobrir a lacuna deixada pela distração da neta. 
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À sua caçulice se somava um coração altamente generoso e compassivo. Não havia desgraça – verdadeira ou falsa, pois muitas vezes foi enganada em sua boa-fé – que não a tocasse intimamente e não a fizesse mover céus e terras para ajudar. Isso teve impacto em sua vida amorosa. Às vezes, entre os rapazes que a cortejavam, escolhia o mais carente e não o que mais lhe agradava. Assim viveu amores decepcionantes e frustrantes. E as lágrimas que desciam sobre seu rostinho apertavam o coração dos pais e irmãos, que tentavam trazê-la de volta à serenidade perdida.
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Foi no impulso de um desses amores que saiu do Rio de Janeiro e foi morar no exterior. Primeiro recusou-se a ir e manteve-se firme. Mas as lágrimas do rapaz do outro lado do oceano, suas juras de eterno amor acabaram por vencê-la. Vendeu o carro e, diante dos pais indignados, embarcou e lá se foi.  Quando não deu certo, como já era de se prever, os pais suspiraram aliviados. Mas qual não foi a surpresa quando, em vez de voltar correndo pedindo colo, ela lhes comunicou ter encontrado outra pessoa que parecia ser o amor definitivo em sua vida. Ninguém acreditou nem deu muita importância. Mais uma de suas coisas de caçula. Mas a relação foi se firmando, solidificando, superando obstáculos inevitáveis, até que um dia ela comunicou que iria largar o trabalho, fechar o apartamento onde morava e casar-se com ele.
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Os pais quase morreram de preocupação. Como, em uma época onde todo mundo anda louco atrás de trabalho, ela largava o excelente trabalho que conseguira? Como sua caçulinha ousava tomar estas decisões e fazer estas escolhas tão sérias longe deles e de sua sombra protetora? Ela respondeu candidamente que eles mesmos lhe haviam ensinado que o amor é a coisa mais importante do mundo e que deve passar na frente de tudo.
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Três anos depois, a decisão tem pagado seu preço, mas continua firme e inabalável. E, recentemente, deu seu primeiro fruto: Lucas, um adorável menino moreninho e esperto, nascido há dois meses. Ela mergulhou em fraldas, mamadeiras, pomadas, com coragem e valentia. Enfrenta cansaços, noites em claro e muito trabalho, sem ajuda de nenhuma espécie, pois o marido trabalha muito e chega tarde. Os caprichos da caçulinha ficaram para trás. Agora o que conta é o bem-estar e o sorriso de Lucas. 
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Esta mulher é minha filha mais nova. Seu nome é Maria Cândida. E neste Dia das Mães quero declarar-lhe meu respeito, minha admiração e meu amor. Confesso, querida, que não pensei que você chegasse aí como chegou. Mas hoje me declaro admirada e agradecida. Lucas tem muita sorte de ter uma mãe como você. E nós todos, muito orgulho de tê-la como filha e irmã. Não tememos mais por você. Você demonstrou bem do que é capaz! Muita alegria e felicidade é o que desejamos em seu primeiro Dia das Mães!
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* Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio, é autora de 'A argila e o espírito - Ensaios sobre ética, mística e poética' (Ed. Garamond), entre outros livros.
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Fonte: Jornal do Brasil  

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Lei autoriza instalação de câmeras de segurança em escolas em MS

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Lei publicada nessa quarta-feira (9), no Diário Oficial, autoriza a instalação de câmeras de segurança nas escolas da Rede Municipal de Ensino (Reme). O projeto foi uma proposta do Parlamento Jovem, formado por 22 adolescentes escolhidos em várias instituições de ensino da cidade. Pela lei publicada hoje o Poder Executivo irá estabelecer normas para instalação das câmeras nas escolas, “que garantirão a integridade e incolumidade física dos alunos, professores e servidores”.
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A lei entra em vigor na data de publicação, mas os procedimentos para determinar a implantação do serviço ainda dependem de regulamentação. O projeto foi aprovado na sessão da câmara no dia 10 de abril. A proposta foi feita pelos integrantes do parlamento e apresentado por todos os vereadores para votação. Segundo texto da justificativa apresentada, as câmeras de segurança vão poder auxiliar na elucidação de “delitos praticados no interior de instituições de ensino”. O mandato dos vereadores mirins deve se estender até 2012. O Parlamento Jovem foi instituído por meio da Resolução nº 1.119/10.
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Fonte G1

Educação

Professores do RJ querem que policiais militares armados deixem de fazer segurança em escolas

Uol - 08/05/2012
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Uma comissão do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro) esteve nesta terça-feira (8) no MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) entregando uma petição contra a medida do governo do Estado que coloca policiais militares fardados e armados nas escolas. Vigente desde a semana passada, nesta primeira etapa do Proeis (Programa Estadual de Integração da Segurança) 423 PMs fazem a segurança em 90 escolas de todo o Estado.
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O Proeis, segundo o governo, tem o objetivo de impedir a entrada de violência na escola, que pode se dar através de assaltos, furtos e tráfico e consumo de drogas. A Secretaria de Educação entende ainda que a presença de um policial pode inibir a prática de bullying nas unidades de ensino. Para o sindicato, entretanto, a presença policial gera “constrangimento, intimidação e humilhação para toda a comunidade escolar”.
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O Ministério Público já havia instaurado inquérito na última quinta-feira (3) para verificar se o convênio entre as secretarias de Educação e Segurança é compatível com o ambiente escolar. O MPRJ quer saber se profissionais de educação, pais e alunos foram ouvidos e se os policiais receberam treinamento adequado para o exercício da nova função. Para a coordenadora do Sepe, Edna Félix, a segurança do ambiente escolar deve ser garantida por profissionais preparados a lidar pedagogicamente com crianças e adolescentes. Segundo ela, a presença de policiais dentro de escolas “é uma tragédia anunciada”.
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“Professores levam anos de faculdade para o aprendizado do trato com alunos. Não é um curso de 15 dias que vai preparar os policiais. Nós reivindicamos o aumento de profissionais preparados. Hoje não existe mais na rede o supervisor educacional, não existe mais o coordenador de turno. O pátio está abandonado. Hoje só existem os professores, a direção e alguns profissionais terceirizados que não criam vínculo com a escola”, declarou.
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Alunos
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 O UOL Educação ouviu alunos do Colégio Estadual Olavo Bilac, em São Cristóvão, bairro da zona norte do Rio. A unidade de ensino é uma das 90 que conta com a presença de um policial. Segundo os estudantes, o policial ronda pelo pátio e na entrada escola, local onde estava durante a presença da reportagem. A grande maioria entende ser positiva a medida adotada pelo Governo do Estado. “Eu acho bom. Na favela, as pessoas não veem gente armada o tempo todo? Não é surpresa nenhuma. Ficamos mais seguros com a presença de um policial”, disse a estudante Suzi Melo, 17 anos.
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Para a estudante do segundo ano do ensino médio, Ana Cristina de Oliveira, 41 anos, a medida serve para o retorno da autoridade no ambiente escolar, “Do jeito que os alunos estão, sem um pingo de respeito por ninguém, serve justamente para impor esse respeito”, declarou. “Desde que respeitem a gente, não vejo nenhum problema”, disse Carlos Henrique Silva, 19 anos. Estudante do primeiro ano do ensino médio, Larissa Ribeiro, 14 anos, foi a exceção dentre os adolescentes ouvidos. “Eu acho constrangedor. É perigoso ter arma dentro da escola. Mas de repente pode ser bom, pela segurança. Mas é muito mais constrangedor”, disse.
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Mãe de aluna do ensino fundamental, a comerciante Adriana Rocha Santos, 41 anos, acredita que a presença de policiais nas escola é necessária em consequência “da violência dos jovens”.
“Na escola onde minha filha estuda houve uma guerra de estudantes com outros de escola rival. Outra vez, um estudante entrou armado para matar a ex-namorada. Eu sou a favor da presença policial. O professor não quer se envolver nesses problemas de violência e está mais do que certo em fazer isso”, disse.
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Policial tem remuneração extra
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Convênio entre as Secretarias de Segurança e de Educação, o Proeis garante remuneração extra ao policial que abre mão da folga para atividade extra –neste caso, a segurança das escolas. A cada oito horas trabalhadas, o policial ganha R$150 se for praça e R$200 se for oficial. “É a institucionalização do bico. Colocar um policial que sai de um turno inteiramente estressado trocando tiros com bandidos para horas depois tomar conta de crianças e adolescentes em escolas. É uma tragédia anunciada”, acredita.
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O professor do Colégio Estadual Herbert de Souza, Luís Fernando Carvalho, é contra a medida. Na escola onde leciona, professores e alunos, segundo ele, estão divididos com a presença dos policiais. “Há uma grande divisão de opiniões, mas rola um constrangimento na maioria dos alunos. Os adolescentes já veem na realidade onde moram a presença constante da arma. A escola deveria ser justamente o local de maior liberdade, maior tranquilidade e agora apresenta esse cenário”, disse.
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"Segurança do patrimônio público"
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 Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que os policiais são treinados para a função. Informou ainda que a medida serve para garantir a segurança do patrimônio público, citando o caso do Colégio Estadual Tim Lopes, no Complexo do Alemão, em que “há a invasão da piscina pela comunidade para uso”. Contudo, a secretaria admite a revista de alunos “mas apenas em casos extremos e limites, com acompanhamento da direção do colégio”.
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Sobre casos de bullying, a secretaria entende que a equipe pedagógica está preparada para cuidar do assunto,” mas, se um grupo de alunos pensa em praticar o bullying na escola, talvez tendo um PM por perto, se sinta inibido. Essa é a lógica, diz a nota.
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Fonte: UOL Educação

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Educação e Polícia na escola

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Lúcio Alves de Barros*
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Se a moda pega, e tudo indica que vai pegar, pode-se esperar um novo e velho ator que há tempos ronda as escolas tanto em meio às montanhas de Minas como em vários estados do País. A questão torna-se interessante porque a coisa agora é para valer. E basta que aconteça no Rio de Janeiro - uma caixa de ressonância do que acontece no país - para a coisa se propagar como fogo pelo Brasil afora.
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Estou me referindo à parceria entre a esfera da educação e da segurança pública no Rio de Janeiro. O convênio assinado pelo Governador Sérgio Cabral selou o casamento entre as secretarias de Educação e Segurança. A ideia é simples: o policial militar, que tem constitucionalmente garantido o poder ostensivo do policiamento, agora poderá atuar no interior dos estabelecimentos escolares. O projeto foi assinado no dia 2 de maio deste ano e teve solenidade e tudo no Palácio Guanabara, contando com a presença do governador e dos secretários José Mariano Beltrame (de Segurança) e Wilson Risolia (de Educação).
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O acordo prevê policiais fardados e armados no interior escolar de 90 unidades em 21 municípios. A maioria na capital. O projeto, é claro, já assinala o que existe na prática, não em relação aos policiais armados e fazendo atividade que poderia ser designada à Guarda Municipal desarmada, mas aos constantes casos de violência, tráfico de drogas e criminalidade que desde os anos 80 tem feito parte da realidade das escolas.
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A priori, e diante da crise nas escolas, a ideia aparentemente é atraente. Todavia é uma mentira dizer que a Polícia Militar não anda frequentando as escolas. Por vezes ela é acionada para solução de problemas oriundos do cotidiano escolar ou mesmo de acontecimentos que começaram fora da sala e chegaram a explodir nela. A PM há tempos também vem utilizando as patrulhas escolares e o PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) no intuito de fazer valer o “ganha pão” e ajudar no combate e na conscientização dos males oriundos das drogas ilícitas. Também é preciso lembrar que policiais, tanto militares como civis, estão nas carteiras das faculdades e das universidades, muitos armados e fardados. Logo, o governador do Rio somente legitimou e deu ares de política pública o que já existia na prática. De todo modo a questão ainda produz algumas reflexões.
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Em primeiro, o policiamento ostensivo nas escolas não deixa de mostrar o braço forte e armado do Estado. A arma e o fardamento, artefatos simbólicos de poder no meio policial militar e de medo e pânico no civil são compreendidos de diversas maneiras. Uma arma pode ser um transtorno e, ao invés de produzir segurança, pode forjar mais medo e pânico. A proposta do governador faz parte do Programa Estadual de Integração da Segurança (Proeis) e prevê para os oficiais PMs R$ 200 por cada turno de oito e R$ 150 para praças. O pagamento oficializa o auxílio salarial e, ao mesmo tempo, traz legitimidade ao “bico” e um dinheirinho extra para os policiais militares. O curioso é que os PMs neste espaço poderão revistar, buscar suspeitos e certamente pedir auxílio em casos da necessidade do uso da violência travestida de força física. É óbvio que podem evitar roubos, ataque ao patrimônio público e impedir invasões. Mas nada que um telefonema para o 190 não resolveria.
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Um segundo ponto, associado ao primeiro, é que policiais, como autoridades, são recalcitrantes em receber ordens de “paisanos”. O mundo civil e policial militar não andam de mãos dadas e, neste caso, vai ser difícil a manutenção da autoridade da direção da escola ou mesmo do professor. Minar a autoridade da direção e dos docentes em tempos de crise é complicado, pois - por consequência - a polícia minimiza o poder dos projetos pedagógicos e das normas e regulamentos tácitos e escritos no interior das instituições escolares. Mais que isso: já nem vejo o porquê da existência deles, se professores, alunos, diretoria, funcionários podem chamar a polícia ou mesmo denunciar algo a ela para que normas, autoridades simbólicas e projetos pedagógicos?
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A ideia de chamar a polícia é um problema até na rua. A polícia por vezes não é enganada pelo 190 (ela é constantemente vítima de trotes) e já se sabe que ela em campo tem a consciência de onde está e onde encontrar o recalcitrante. Na escola as relações serão mais intensas e erra-se por pouco em pensar alunos chamando policiais para professores e professores berrando por policiais para alunos. Sem falar a ideia de suspeição e do perigo sempre presente no imaginário policial tanto na escola como fora dela. Para uma ação policial basta um motivo, por menor que seja, pois pode ele ser transformado em caso extraordinário ou espetacular, sem falar da possibilidade de criminalização de pequenas ações que ocorrem em sala e que passam despercebidas porque sequer arranham a moral social.
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Por último, a escola já é entendida como uma instituição coercitiva, com a polícia ela fica mais coercitiva ainda. O dinheirinho pode ser bom, mas engana-se o policial que achar que vai tirar de letra o trabalho. As escolas são instituições complexas e quem anda se inteirando do assunto sabe que alunos, professores, funcionários e até a comunidade andam batendo cabeça. A polícia será somente mais uma a esquentar o cenário. É claro que é melhor chamar a polícia que o ladrão, mas é claro que a polícia abre a possibilidade de confronto caso ele exista nas proximidades. O fato é que escola não é quartel e mais uma atribuição foi dada tanto para a polícia como para as instituições de ensino. Dentre tantas é oportuno lembrar as novas atribuições: a repressão e a prevenção com a possibilidade do uso da violência, a judicialização do fato, caso o policial militar leve adiante a ocorrência até um canto da delegacia, a busca de metas, dos possíveis suspeitos e a produção de ocorrências que em outro cenário sequer existiria. Nesta nova empreitada, nada como esperar o (im)possível: “sem alteração” e “bom trabalho".
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*Professor na FAE (Faculdade de Educação) de Belo Horizonte. Doutor em Ciências Humanas pela UFMG. Organizador do Livro “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: ASPRA, 2006.

Brasil está em 7º lugar em homicídios de mulheres

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Agencia Estado - 7/05/2012 - 16:18
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Um estudo divulgado nesta segunda-feira (7) apontou que o Brasil tem o sétimo maior índice de homicídios de mulheres entre 84 países. De acordo com a pesquisa, a taxa de homicídio no Brasil ficou em torno de 4,4 vítimas para cada 100 mil mulheres. A pesquisa, coordenada pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, foi batizada de "Mapa da Violência de 2012: Homicídios de Mulheres no Brasil" e foi feita com apoio da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais - FLACSO - e do Instituto Sangari.
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O objetivo do estudo é traçar um panorama da evolução do homicídio de mulheres entre 1980 e 2010, quando foram assassinadas 91.932 mulheres, sendo quase a metade - 43.486 mortes - na última década desse período. Os Estados com maiores taxas, no ano de 2010, foram: Espírito Santo, Alagoas e Paraná, com taxas de 9,4, 8,3 e 6,3 homicídios para cada 100 mil mulheres, respectivamente.
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Um detalhe também significativo é o local onde aconteceu a agressão: 69% das vítimas femininas atendidas pelo SUS sofreu o ataque em sua própria casa. O relatório completo do estudo pode ser acessado pelo site: http://www.mapadaviolencia.net.br/
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

O homem precisa de cuidados, mas quem cuida do cuidador?

Arte de Jia Lu  (in Fada do Mar)
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Por Leonardo Boff (Teólogo e escritor).
As primeiras cuidadoras são nossas mães e avós que, desde o início da humanidade, cuidaram de sua prole.
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Verdadeiros arquétipos do cuidador foram o médico suíço Albert Schweitzer (1875-1965) e a enfermeira inglesa Florence Nightingale (1820-1910).
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Schweitzer foi um dos maiores concertistas de Bach de seu tempo. Aos 30 anos, já com fama em toda a Europa, largou tudo, estudou medicina para cuidar dos mais pobres dos pobres, os hansenianos, em Lambarene, no Gabão. Numa de suas cartas confessa: "o que precisamos não é de missionários que queiram converter os africanos, mas de pessoas dispostas a fazer aos pobres o que deve ser feito, se é que o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuem algum valor ".
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Foi dos primeiros a ganhar o prêmio Nobel da Paz. Formulou assim seu lema: "a ética é a responsabilidade ilimitada por tudo o que existe e vive".
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Humanista e profundamente religiosa, Nightingale decidiu melhorar os padrões da enfermagem em seu país. Em 1854, com outras 28 companheiras, se deslocou para o campo de guerra da Crimeia, na Turquia, onde se empregavam bombas de fragmentação que produziam muitos feridos. Em seis meses, reduziu de 42% para 2% o número de mortos. Esse sucesso granjeou-lhe notoriedade universal. De volta a seu país e, depois, nos Estados Unidos, criou uma rede hospitalar que aplicava o cuidado como eixo norteador da enfermagem e como sua ética natural. Florence Nightingale é uma referência inspiradora. O operador da saúde é, por essência, um curador. Cuida dos outros como missão e como opção de vida. Mas quem cuida do cuidador, título de um belo livro do médico Eugênio Paes Campos (Vozes, 2005)?
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O ser humano é, por sua natureza e essência, um ser de cuidado. Sente a predisposição de cuidar e a necessidade de ser ele também cuidado. Cuidar e ser cuidado são existenciais (estruturas permanentes) e indissociáveis.
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O cuidar é muito exigente e pode levar o cuidador ao estresse. Especialmente se o cuidado constitui, como deve ser, uma atitude permanente e consciente. Somos limitados, sujeitos ao cansaço e à vivência de pequenos fracassos e decepções. Sentimo-nos sós. Precisamos ser cuidados, caso contrário, nossa vontade de cuidar se enfraquece. Que fazer então?
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Logicamente, cada pessoa precisa enfrentar com sentido de resiliência (saber dar a volta por cima) essa situação dolorosa. Mas esse esforço não substitui o desejo de ser cuidado. É então que a comunidade do cuidado deve entrar em ação.
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O enfermeiro ou a enfermeira, o médico e a médica sentem necessidade de serem também cuidados. Precisam se sentir acolhidos e revitalizados, exatamente, como as mães fazem com seus filhos e filhas. Outras vezes sentem necessidade do cuidado como suporte, sustentação e proteção, coisa que o pai proporciona a seus filhos e filhas.
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Cria-se então o que o pediatra R. Winnicott chamava de "holding", quer dizer, aquele conjunto de cuidados e fatores de animação que reforçam o estímulo para continuarem no cuidado para com os pacientes.
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Quando esse espírito de cuidado reina, surgem relações horizontais de confiança e de mútua cooperação, e se superam os constrangimentos, nascidos da necessidade de ser cuidado.
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Feliz é o hospital e mais felizes são, ainda, aqueles pacientes que podem contar com um grupo de cuidadores. A boa energia que se irradia do cuidado corrobora na cura.
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Fonte: O Tempo (MG)               


Indicação de leitura

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"Aquele por Quem o Escândalo Vem"
Autor: René Girard
Editora: Editora É Realizações
Páginas: 228
Quanto: R$ 37,40 (preço promocional*)
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No presente livro o filósofo René Girard analisa a origem e a profusão da violência na sociedade moderna no livro "Aquele por Quem o Escândalo Vem" (É Realizações, 2012). O título faz menção ao versículo bíblico que diz "Ai do mundo por causa dos escândalos! É necessário que haja escândalos, mas ai do homem pelo qual o escândalo vem!" Mateus (18,7). Ao comentar as manifestações de violência da atualidade, o autor compara este processo a um fogo que se espalha. "A violência parece estar presa num processo de escalada que lembra a propagação do fogo, ou a de uma epidemia.". Para ele, o comportamento violento no humano nasce e se sustenta a partir de uma questão de imitação ou mimese. De acordo com Girard, seria o desejo de nos adequarmos a um modelo admirado, seja uma pessoa ou uma sociedade, que nos levaria aos atos de violência. No livro, o filosofo sustenta esta ideia e faz uma contraposição à teoria de que o homem seria bom por natureza e a opressão das classes populares pelas classes dirigentes é que daria origem aos comportamentos violentos e ao conceito oposto de que o homem já é biologicamente violento e teria até genes de "agressividade".
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O lançamento faz parte da iniciativa da editora É Realizações de popularizar o trabalho de René Girard no país. Do mesmo pensador, ela já lançou "Deus: Uma Invenção?", "Anorexia e Desejo Mimético" e "Violência e o Sagrado".
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

UFMG vai apurar pichação contra cotas em campus

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O Conselho Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) irá investigar um protesto em repúdio às cotas raciais em faculdades públicas. Com a frase "A UFMG vai ficar preta", a pichação foi feita nas portas de ferro de uma revendedora de motocicletas em frente ao campus da Pampulha, em Belo Horizonte.
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O ato de vandalismo foi feito na última sexta-feira e teria sido cometido como protesto à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada na última quinta-feira, que julgou ser constitucional o sistema de cotas para afrodescendentes.
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A assessoria de imprensa da UFMG informou que "repudia qualquer tipo de manifestação racista". Ontem, a instituição fez um registro fotográfico da pichação e encaminhou para a avaliação e apuração do conselho, que deverá oficializar hoje a abertura da investigação para tentar identificar os suspeitos de terem pichado o comércio. A porta de ferro foi pintada ontem. Apesar do protesto, a UFMG disse que, desde o vestibular de 2009, já adota o sistema de bônus para estudantes provenientes de escolas públicas - para conseguir o benefício, eles precisam ter estudado pelo menos sete anos em instituições públicas. Esses estudantes contam com um adicional automático de 10% sobre a nota dos concorrentes nos exames de seleção. Segundo a universidade, caso esses alunos se declarem negros ou pardos, eles ganham um acréscimo de 5% na pontuação.
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Ainda de acordo com a assessoria da UFMG, o que vale na instituição é o preparo do candidato, independentemente da raça. (GS)
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Fonte: O Tempo (MG)

Fardas lado a alado com uniformes

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Em casos extremos, PMs que trabalharão armados em escolas nos dias de folga poderão revistar alunos

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Fonte: O Globo (RJ)
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Policiais militares fardados e armados começaram ontem a fazer a segurança, nos seus horários de folga, de 90 Escolas da rede estadual. Além da arma dentro dos colégios, a novidade, formalizada ontem pelo governador Sérgio Cabral, envolve outra polêmica: a revista de estudantes, recurso que poderá ser aplicado pelos agentes quando necessário, de acordo com as secretarias estaduais de Segurança e de Educação. Coordenador do Programa Estadual de Integração da Segurança (Proeis), no qual os policiais estão inseridos, o coronel Odair de Almeida Lopes afirma que alunos só poderão ser revistados em casos extremos e a pedido da direção do colégio. Fazem parte desta primeira etapa 423 militares, identificados pela braçadeira do Proeis.
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- Se nós precisarmos agir numa situação extrema com uma revista, nos só a faremos mediante solicitação do diretor da Escola e com acompanhamento também - diz o coordenador.
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O convênio entre as secretarias de Educação e Segurança foi assinado ontem, em solenidade no Palácio Guanabara, pelo governador e pelos secretários José Mariano Beltrame, de Segurança, e Wilson Risolia, de Educação. As 90 unidades estão localizadas em 21 municípios. A maioria, 37, fica na capital. Um dos critérios para a escolha foi a ocorrência de casos de violência recente, como o Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes, no Complexo do Alemão, invadido mais de uma vez no ano passado. Risolia adiantou que pretende estender a inciativa para toda a rede num prazo de um ano.
A notícia de que a segurança de algumas Escolas será reforçada pela PM foi bem recebida por professores e alunos, que, por outro lado, manifestaram preocupação com a presença de armas.
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- A gente espera segurança com os policiais. Só da arma que tenho medo - confessou Gabrielle Barbosa, de 18 anos, aluna do 4 ano do ensino médio do Colégio Estadual Júlia Kubitschek, no Centro.
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- Arma sempre preocupa - disse Eliza Sousa, de 18 anos, colega de turma de Gabrielle.
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A Escola recebeu na manhã de ontem, pela primeira vez, um policial do programa, que chegou ao serviço às 6h30m. Para a diretora do colégio, Sheila Guimarães, a presença constante da PM levará mais tranquilidade para funcionários, alunos e pais. Ela diz que no entorno da Escola ocorrem muitos assaltos. A diretora, que diz não gostar de arma, não considera problema a realização de revistas e ressalta que os limites da atuação policial serão estabelecidos.
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Segundo Beltrame, os policiais receberão um treinamento especial na semana que vem. Os PMs integrantes do Proeis, que oferece policiais para a segurança de instituições e empresas, por meio de convênio com a Secretaria de Segurança, recebem R$ 200 por cada turno de oito horas, no caso dos oficiais, e R$ 150 se forem praças. O segundo-sargento João Carlos Oliveira vai receber R$ 150 pelo turno de trabalho no Júlia Kubitschek, onde começou ontem. Ele diz que a oportunidade "caiu do céu":
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- É como se eu estivesse fazendo meu trabalho normal de policial - afirmou o PM, que passou o dia mais dentro da Escola do que fora: - Fico mais lá dentro. Aqui fora fico mais no horário de entrada e saída. A orientação é vigiar internamente e vou atuar de acordo com a necessidade.
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Fonte (O Globo)



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400 policiais farão "bico oficial" em 90 escolas do Estado do Rio.
Eles receberão até R$ 200 por turno de 8 horas; armados, soldados só revistarão alunos a pedido dos diretores
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Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)
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Noventa escolas públicas do Estado do Rio, 37 delas na capital, terão segurança feita por policiais militares armados que trabalharão no horário de folga. Os 400 PMs atuarão na porta e no entorno, mas poderão também entrar nas escolas, em caso de ocorrências graves, desde que haja um pedido da direção.
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Coordenador do Programa Estadual de Integração da Segurança (Proeis), o coronel Odair de Almeida Lopes Júnior disse ontem, na assinatura do convênio entre as Secretarias da Segurança e da Educação do Estado, que revistas de alunos só acontecerão "mediante solicitação bem fundamentada do diretor".  Segundo o PM, os policiais tentarão coibir o aliciamento de alunos e a venda de drogas e poderão agir também em casos de Bullying, além de organizar o trânsito. Durante a noite, trabalharão na vigilância para evitar invasão e roubo. Eles vão receber R$ 200 por turno de oito horas trabalhado nas escolas, durante a folga, com limite de 12 turnos por mês. No caso dos praças, o pagamento será de R$ 150 por turno.
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As escolas começaram ontem a receber os PMs, em caráter experimental. Nas 90 escolas, estudam 115.490 alunos e trabalham 6.279 professores. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou que, na semana que vem, os PMs terão três dias de treinamento, focado no trato com crianças e adolescentes.
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O governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que "as 90 escolas vão ganhar outro nível de valor, os pais, os alunos e os professores terão outro nível de tranquilidade".
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terça-feira, 1 de maio de 2012

Três a cada 10 brasileiros vivem de esmola ou benefício federal

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Publicidade O mais novo retrato dos empregados brasileiros, divulgado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - às vésperas do Dia do Trabalho -, mostra uma realidade assustadora: 32,7% das pessoas sobrevivem de benefícios federais ou simplesmente de esmolas. No Nordeste, a situação piora. São 37,5% dos habitantes dependendo de caridade ou de programas como o Bolsa Família.
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Em Alagoas, o terceiro Estado mais pobre do Brasil, atrás de Maranhão e Piauí, são muitos os que tentam a sorte no lixo, catando latas ou garrafas de plástico. Segundo o IBGE, a cada dois alagoanos, um sobrevive dos programas do governo ou à espera de ajuda dos outros.
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Com 63 anos, Eliseu dos Santos caminha até 15 quilômetros por dia atrás de sacos de lixo pelas ruas de Maceió. A rotina é a mesma há 30 anos. Juntando latinhas de alumínio, ele tenta ganhar R$ 5 por dia. Diz que não aguenta mais a vida de pedinte. "Isso é uma vida desgraçada, ninguém merece isso. Quando junto muito é R$ 2. Faço isso porque não quero roubar nem matar ninguém. Posso dizer que isso é o suor do meu rosto", afirma.
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Perto dali, no bairro de Ponta Verde, o metro quadrado mais caro de Alagoas, a 200 m da cobertura do senador Fernando Collor (PTB), Ana Lins dos Santos, 28 anos, descansa antes de retomar a rotina: catar latinhas de refrigerante. Ela deixou a cidade de Paripueira, a 20 km de Maceió, e foi morar com o marido nas ruas da capital. Debaixo de um coqueiro, estende um colchão e coloca roupas para secar no sol de 30°C. Mora ao lado de um posto policial e sobrevive de esmolas ou dos pratos de sopa distribuídos nas madrugadas por grupos religiosos. "A gente vive como pode. Cata latinha, compra uma cachaça, dorme e acorda", declara.
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"Eles sobrevivem como animais"
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Para a cientista política Ana Cláudia Laurindo, as estatísticas não mostram o que existe de real: a destruição simbólica e psicológica do ser humano. "Décadas atrás, a pobreza tinha uma característica diferente de hoje. A história parece ter regredido, o indivíduo nas ruas vive em bandos por coação, quando esse estágio já deveria ter sido abolido desde as eras mais primitivas da humanidade. São gerações que não conhecem vizinhos, a conversa na porta. Só a desposse para além do material, além do simbólico, do cultural, do religioso", avalia.
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"Seria um problema resolvido se houvesse uma pequena desconcentração de renda na elite, e falo deste caso em Alagoas. Não é uma revolução. Mas a inclusão para se eliminar esse fenômeno da nova barbárie, pessoas que apenas comem para manter o corpo de carne vivo, não tão diferente dos animais que perambulam nas ruas", analisa a cientista social.
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No outro extremo deste quadro social, 0,74% dos brasileiros recebem mais de 20 salários mínimos por mês. No Nordeste, essa proporção cai para 0,38%. Em Alagoas, é ainda menor: apenas 0,3% da população pertence à classe dos ricos.
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Fonte - Jornal do Brasil