segunda-feira, 1 de abril de 2013

Vale-tudo na Educação

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De um lado, a evocação da autoridade; do outro, a afirmação pessoal, típica de quem está caminhando para a idade adulta e vive numa favela dominada pelo tráfico. O ringue: a Escola Municipal João Kopke, de Educação fundamental, em Piedade, a cerca de 300 metros do Morro do Urubu. No colégio, frequentado metade por Alunos do asfalto e metade pelos da favela, nunca havia ocorrido um caso de agressão grave. Até o último dia 21, quando a diretora do colégio, Leila Soares, de 43 anos, foi atacada a socos por um Aluno de 15 anos. Ele contou e diz que foram oito golpes. Leila só sabe que foram vários. A Professora quer uma punição exemplar. O estudante acha que um pedido de desculpas já seria o suficiente. Cada um conta a sua versão.
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As marcas dos socos no rosto da pedagoga, há quatro anos à frente da João Kopke, já desapareceram, mas a imagem do agressor partindo em sua direção continua bem nítida em sua mente. Ela sente fortes dores de cabeça e não escuta com o ouvido direito. Em seu apartamento, numa rua de classe média do subúrbio, Leila tenta se recuperar do trauma e manter as aparências na hora da lição de casa dos dois filhos, de 6 e 12 anos. Ela vem de uma família cuja tradição é a vocação pelo magistério. Foi normalista do Carmela Dutra, colégio de Madureira voltado para a formação de Professores. Rígida, diz que tem como principal virtude ouvir e que costuma pedir para não ser interrompida quando conversa um assunto sério com um Aluno ou responsável.
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Perto da Escola, numa construção tosca de alvenaria, no alto do Morro do Urubu, já no bairro de Pilares, onde o esgoto desce pelas vielas, provocando um mau cheiro insuportável que entra pela única janela do imóvel, mora o adolescente de 15 anos que socou Leila. A casa fica ao lado de uma outra fincada na pedra que ameaça desabar a qualquer chuva mais forte. Dentro dela, nenhuma TV funciona com todas as funções: de uma, só se aproveita a imagem; de outra, o som. O jeito é ligar as duas ao mesmo tempo. O DVD player é emprestado, e o celular velho não tem chip. A geladeira, enferrujada, com a porta despencada, serve de armário: há alguns dias, um quilo da sardinha, xepa da feira local, estragou por falta de refrigeração. O cômodo da casa onde mora a família, que faz as vezes de quarto e sala, tem cerca de 12 metros quadrados. Há dias o prato principal tem salsicha e ovo, comprados com os R$ 134 do Bolsa Família.
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Nesse cenário, não há espaço para o diálogo, apenas para brigas e sessões de espancamento, reconhece a paraibana de Campina Grande, de 38 anos, mãe do jovem agressor. Ela se diz vítima do marido, mas não tem coragem de denunciá-lo à polícia, pois o morro é ocupado pelo tráfico. O socorro vem do próprio adolescente que bateu na Professora, o segundo dos três filhos da mulher, considerado o mais calmo da família. É ele quem suplica ao pai que pare de bater na mãe, pois "numa mulher nunca se bate".
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No dia 21, o adolescente, que faz o 7º ano do Ensino fundamental, no programa de aceleração Escolar, não seguiu à risca seu próprio pensamento.
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- O sangue subiu, e eu agredi a diretora. Ela está falando que escorreu sangue, mas eu não vi nada - diz ele, apoiado pela mãe, segundo a qual a Professora ficou com a "cara perfeita" (sem machucados).
"Me chamou de demônio. Eu explodi"
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 Foi quando subia a escada da Escola que leva ao pátio que a diretora se deparou com o estudante. Com uma chave de braço, ele estava atracado com um vizinho, seu melhor amigo. Não era briga, apenas um jeito meio bruto de demonstrar afeto. A partir daí, as versões divergem. O estudante alega que esbarrou na diretora; ela diz que foi empurrada.
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 - A gente tem a mania de andar agarrado. Aí ela disse: "Não quero agarramento". Desci um degrau e esbarrei nela. Estressada, ela me empurrou, foi comigo na secretaria, falando alto. Não gostei. Ela chegou perto de mim e me chamou de alguns nomes. Me mandou para o inferno e me chamou de demônio. Eu explodi.
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.Leila diz que os fatos foram outros:
- Não me lembro de tê-lo chamado de demônio. Acho que ele é mau. Enquanto não me bateu, não sossegou. A missão dele naquele dia era dar soco em alguém. Fui eu a vítima. Tanto é que ele foi tranquilamente para o pátio contar o feito para os amigos. Não acredito que ele estivesse surtado ou drogado. Chamei a ronda Escolar, e ele foi conduzido pela Guarda Municipal.
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O que teria enfurecido o adolescente, que estuda lá desde 2011, foi ser chamado de demônio. É assim que a mãe dele se refere ao pai, pedreiro desemprego, que tem problemas "nos nervos" e toma remédios com tarja preta diariamente. Depois que o filho foi levado para a 24ª DP (Piedade) para se explicar, a mãe teria pegado alguns comprimidos do marido para se acalmar. Com 23 anos de magistério no município, Leila, que já atuou como Professora, coordenadora pedagógica e gerente de uma Coordenadoria Regional de Educação, enfrentou situações delicadas em outras Escolas. Numa ocasião, precisou chamar a atenção de uma Aluno que ameaçara uma funcionária:
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- O Aluno disse à merendeira: "Cuidado que você pode acordar com a boca cheia de formiga". Aí eu o chamei e falei: "Você sabe rezar? Então reza para não cair sequer um cisco no olho dela, porque, se isso acontecer, vai cair na sua conta". Ele alegou que era brincadeira.
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Numa Escola do Complexo do Alemão, Leila teve que se deitar no chão por causa de um tiroteio na comunidade. Era comum, às segundas-feiras, antes das UPPs na região, as Professoras recolherem uma sacola com projéteis que caíam dentro do colégio. Na João Kopke desde 2009, Leila orgulha-se de ter mudado o ambiente da Escola, o que fez com que o colégio, de 300 Alunos, pulasse para 700.
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- Conheço cada Aluno pelo nome e, quando percebo tentativa de abuso, falo: "Eu jogo bola com você na Paquequer (rua da região)? Então não sou sua colega". Eles precisam saber seus limites.
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Dessa forma, a diretora não se conforma com o fato de o jovem não ter ido à Vara da Infância e Adolescência até o dia 22, como estava marcado:
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- Eu gostaria que ele cumprisse uma medida socioeducativa. A mãe acha que é simples ele ter socado alguém.
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Sem dinheiro para o ônibus, a mãe do adolescente conta que não pôde levar o filho, que não tem o nome do pai registrado na certidão de nascimento.
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- Vou segunda-feira (amanhã). Se não conseguir o dinheiro da passagem, vou ter que pedir ao tráfico - diz ela.
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O jovem nega ter rido da diretora, como ela alega. E completa:
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- Estou até arrependido porque agredi a diretora, uma mulher. Não gosto de fazer isso. Mas daí a falarem que eu vou entrar para a vida do crime... Isso nunca vai acontecer - garantiu ele, embora tenha ficado mais conhecido no Morro do Urubu, ganhando a simpatia dos traficantes por ter enfrentado a diretora.
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Rotina de violência que não vira estatística
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Os socos que um Aluno deu no rosto da diretora da Escola Municipal João Kopke, em Piedade, no último dia 21, são um exemplo extremo do que vem acontecendo em várias salas de aula da cidade: conflitos frequentes entre estudantes e Educadores. Apesar de a Secretaria municipal de Educação só ter registro de 53 casos de agressão a Professores nos últimos dez anos, Educadores de conselhos tutelares da cidade sabem que o magistério convive com uma violência diária e estimam em 80% a subnotificação de atos infracionais. São casos que não chegam às delegacias, por medo dos envolvidos ou para evitar a burocracia legal. Um dos últimos episódios aconteceu no Leblon, no Ciep Nação Rubro-Negra. E é de arrepiar, tanto pela idade dos envolvidos, todos com menos de 10 anos, quanto pela irresponsabilidade do ato.
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Há duas semanas, quatro estudantes do Ciep atearam fogo a uma sala de aula. Não satisfeitos, os meninos, moradores da Rocinha, escreveram no chão, com as cinzas, o nome da Professora. Sem saber que se tratava de uma ação de Alunos, ela temeu que fosse uma ameaça. O caso foi discutido em sigilo na 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). Uma das pessoas que participaram do encontro conta que, ao se procurar saber mais sobre os Alunos envolvidos nesse tipo de caso, descobrem-se histórias de vida marcadas pelo abandono e pela miséria.
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- Uma criança viveu com o pai no Nordeste até os 6 anos e estava há apenas três meses com a mãe no Rio, uma verdadeira desconhecida para ela. Outra era filha de um bandido, que já tinha matado pessoas. Uma outra era criada pela avó porque a mãe é totalmente negligente. Quando você pega um pouco da história de cada um dos Alunos, descobre que eles apenas reproduzem a violência do seu dia a dia - diz um Educador.
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Alunos provocaram incêndio -  A Secretaria municipal de Educação informou que, de acordo com a 2ª CRE, foi aberta uma sindicância para apurar um princípio de incêndio, provocado intencionalmente por Alunos, no dia 14 deste mês. Após reunião entre a coordenação, a direção da unidade e os responsáveis pelos estudantes, o caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar, que decidiu pela transferência dos Alunos, cada um para uma Escola diferente. A conselheira tutelar Andreza Alves, há mais de cinco anos atuando na região do Centro, percebe um aumento dos casos de agressão, que ela atribui à negligência familiar e à falta de profissionais nas unidades educacionais.
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- A impunidade é um fator importante. Se um Aluno agride um Professor ou furta um celular e nada acontece, há um estímulo para que a situação se repita. Além do medo, pois muitas vezes o Aluno é filho de um traficante local, a Escola não quer enfrentar a rotina de depoimentos, exames de corpo de delito, audiências judiciais - conta a conselheira, que teve uma de suas visitas a colégios recebida com uma explosão de bomba em uma lixeira que, por sorte, não feriu ninguém.
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Para Edmílson Ventura, conselheiro tutelar da Zona Sul, o comportamento inadequado de muitos estudantes não ocorre só em Escolas próximas a comunidades, embora nessas áreas o problema seja mais acentuado:
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- São Alunos vítimas de um quadro social muito grave. O comportamento deles nunca vai ser como a traquinagem de uma criança normal, vai ser sempre uma coisa que descamba para algo próximo de uma tragédia, se não for uma tragédia.
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De acordo com a delegada Bárbara Lomba, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), os casos dentro do ambiente Escolar são responsáveis por cerca de 10% do total de ocorrências da unidade, que fechou o ano passado com cerca de 1.300 atendimentos. Ela observa, porém, que há uma predominância de casos de lesões corporais por conflitos entre Alunos.
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- Conflitos menos graves podem ser resolvidos dentro da Escola e não precisam virar casos de polícia. Mas os atos infracionais têm previsão legal no Estatuto da Criança e do Adolescente. O que procuramos fazer aqui é encaminhar para a Justiça, mas também buscar parceria com os conselhos tutelares e o Ministério Público para uma ação junto às famílias - disse a delegada.
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O caso do Professor de matemática das redes municipal e estadual Rámon Ricardo Ribeiro virou estatística da polícia, após ele ser agredido, em outubro passado, dentro do Ciep Raul Seixas, em Costa Barros. A confusão começou a ser delineada quando, cansado da indisciplina de um Aluno de 17 anos, Rámon mandou que o estudante deixasse a sala. Ele continuou explicando a matéria à turma de Ensino médio do horário noturno, mas, pouco depois, foi surpreendido pelo retorno do jovem, que invadiu a sala com a mãe, um irmão e um amigo, todos do Morro do Chapadão, vizinho à Escola. A mulher foi a primeira a agir: aos berros, deu um tapa no rosto do Professor, que revidou.
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O que se seguiu foram cenas explícitas de pugilato: o Aluno e sua família, ajudados pelo amigo, jogaram Rámon no chão e o atacaram com socos e pontapés. A turma, que assistia a tudo atônita, teve que intervir e salvar o mestre . O Professor registrou queixa na polícia e processa o Estado por danos morais.
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- Se todos os Professores que são agredidos, física ou verbalmente, dessem queixa na delegacia, o comportamento dos Alunos mudaria. Mas, infelizmente, a cada dez agredidos, apenas um faz registro - diz Rámon, que conta já ter apartado muitas brigas. - Tem de Aluno com Aluno, aluna com aluna, agressão a Professor. Quando a gente chama a família, nem sempre resolve. Muitas mães dizem que a criança tem que ir para a Escola, causando ou não conflitos, para que elas não percam benefícios como o Bolsa Família.
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Professora foi ameaçada por Aluno
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Professora de inglês, R., que não quer se identificar temendo problemas, diz que pediu transferência de uma Escola, na área da Leopoldina, após sucessivos conflitos com um grupo de Alunos:
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- Ano passado, mandei que um Aluno, que sempre ficava com fone no ouvido escutando música na minha aula, saísse de sala. Ele me mandou tomar em tudo que é lugar. Pouco tempo depois, entrou com amigos na turma e colocou contra a parede vários Alunos. Eu vi que eles iam apanhar, fiquei desesperada. Liguei do meu celular para o porteiro da Escola, que subiu correndo para ajudar. Como ele é da mesma comunidade dos Alunos, é respeitado. Agora, esse mesmo Aluno me ameaçou de novo, disse que eu não sabia quem era o pai dele, que ia ver o que me aconteceria do lado de fora da Escola. Não tive mais condições de ficar - diz R. - Às vezes só há um inspetor para a Escola toda. Os Alunos saem de sala na hora em que bem entendem, matam aula no pátio sem ser incomodados, fazem baderna no corredor. Não há quem os repreenda.
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A falta de inspetores em número adequado é um dos problemas apontados por Wiria Alcântara, diretora do Sindicato Estadual de Profissionais do Ensino. Para ela, a falta do profissional favorece a ocorrência de conflitos como o da Escola João Kopke, onde a diretora Leila Soares foi agredida:
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- Sem inspetor, cabe ao diretor impor limites. Ele tem que, além das questões administrativas, cuidar de conflitos que caberiam a um psicólogo.
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A Secretaria municipal de Educação informou que, das 1.005 Escolas da rede, 942 já contam com agentes Educadores, como são chamados os inspetores. Cada um deles, nas unidades de 6º ao 9º ano, é responsável por 12 turmas. Na João Kopke, onde estudam 613 Alunos, há apenas dois funcionários nessa função.
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Para mediar tantos confrontos, a secretaria criou há três anos o Núcleo Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares, que costuma atuar em Escolas onde os ânimos estão acirrados.
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- Procuramos incentivar a convivência, as noções de respeito, mostrar a importância do diálogo - diz Mércia de Oliveira, coordenadora do núcleo.
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Já na Secretaria estadual de Educação, que não tem números de casos de agressão, um núcleo parecido foi formado após a tragédia na Escola Tasso da Silveira, em Realengo, onde um ex-Aluno matou 12 crianças em 2011.
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- Fizemos cartilhas para que os Professores saibam o que é crime, o que deve ser encaminhado ao Conselho Tutelar. Também mediamos conflitos dentro das Escolas - informa Heloísa Werneck, assessora técnica de Saúde e Bem-Estar da secretaria estadual.  
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Fonte: O Globo (RJ)

Julia Gabrielle

Por Paula Pimenta*
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Adoro olhar os trending topics do Twitter. Gosto de saber quais são os assuntos mais comentados do momento e ouso dizer que é lá que a fofoca chega primeiro. Foi através dos trending topics que fiquei sabendo da morte da Hebe, do incêndio da boate em Santa Maria, da renúncia do Papa, dos vencedores das provas de resistência no BBB… Sérios ou irônicos, graves ou engraçados, os trending topics sempre nos mostram o que está na boca do povo.
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Julia Gabrielle
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Por isso mesmo, costumo sempre dar uma pesquisada quando vejo que estão falando sobre algo que eu não tenha conhecimento. E foi assim que, na semana passada, me deparei com Julia Gabrielle e, pensando se tratar de alguma artista recém-lançada ao estrelato que eu ainda não conhecia, cliquei para saber de quem se tratava. Qual foi minha surpresa ao ver que de estrela a garota não tinha nada? Ela era uma menina comum, como tantas outras de 11 anos. Que vai à escola, que tem pais que trabalham, que costuma interagir com as amigas nesse mundo virtual onde atualmente passamos boa parte das nossas vidas… E que também compartilhava suas fotos porque “gostava” do que via no espelho. Só que de repente, alguém que não tinha a mesma opinião que ela, achou que era engraçado roubar uma dessas fotos e mostrar para todo mundo o defeito que ele via. E a partir daí a menina ficou famosa, infelizmente por algo que eu imagino que renderá um trauma: sua sobrancelha.
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Lembro que quando eu tinha 11 anos, eu não estava nem aí para a minha aparência… Eu era baixinha e gordinha… mas muito feliz! Tinha uma família amorosa, muitas amigas, e era isso que importava. Só uns três anos depois é que a vaidade bateu à minha porta e eu comecei a prestar atenção no cabelo, no peso, na pele, nas unhas, nas roupas… e nunca mais parei. A preocupação com o visual é tão inerente à vida feminina que fazemos isso sem sentir. Faz parte de ser mulher. Mas a Julia Gabrielle ainda era uma menininha. Mas teve que crescer à força da noite para o dia, para enfrentar o cyberbullyng violento que a acometeu.
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Malu Mader
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Muito já foi dito desse caso e não é isso que quero enfatizar. Não me interessa se os pais dela estão errados por que deixaram que ela colocasse fotos na internet e não a incentivaram a pinçar a sobrancelha ou se os culpados são as pessoas que não respeitam a opinião/aparência/privacidade das outras. Mas ao ver a foto da Julia, não tive como não pensar que se ela tivesse crescido nos anos 80, tudo seria diferente. Quando eu era adolescente, a moda era exatamente ter sobrancelhas bem grossas! Eu queria a todo custo imitar a Ana Paula Arósio, a Brooke Shields e a Malu Mader, e por isso penteava minhas sobrancelhas para cima. Além disso, cabelos encaracolados é que eram bonitos, e todo mundo amassava o cabelo para que ele parecesse um pouco menos escorrido. Quem tinha sobrancelha fina e cabelos lisos é que era considerado sem graça, fora de moda, sem atitude… Só vários anos depois é que a ditadura da chapinha começou.
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Além da moda variar de acordo com a época, beleza é algo relativo. O que é bonito para mim pode não ser para você. E que bom que é assim, senão o mundo seria um lugar extremamente sem graça. No livro Feios, de Scott Westerfeld, por exemplo, ao fazer 16 anos todas as pessoas são submetidas a uma cirurgia para ficarem “perfeitas”. E com isso, ficam todas iguais. Nenhuma imperfeição, nenhuma característica única, nenhuma peculiaridade. Mas não é exatamente nos defeitos que está a graça? Quando eu tinha 16 anos, era apaixonada por um menino que tinha um nariz um pouco grande. Mas ele era tão fofo que eu nem ligava. Era o charme dele. Eu não queria o garoto mais lindo da escola, que parecia um modelo. Eu queria aquele que aos meus olhos era o mais interessante. Aquele que era o mais lindo para mim.
Lily Collins
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Em minha opinião, as pessoas que mais se destacam são exatamente essas, que têm algo incomum, que não se rendem aos modismos, que gostam do que têm. Inclusive temos ainda hoje atrizes lindas que se orgulham de suas sobrancelhas grossas. Alguém tem coragem de dizer que a Lily Collins é feia? E a Demi Lovato? Inclusive, essa última, adora variar, cada dia aparece com a sobrancelha de um jeito. Mais uma vantagem para quem tem uns pelinhos a mais, pode variar de acordo com a estação.
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Demi Lovato
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Acho que quem fica julgando e divulgando defeitos deve ter uma vida tão chata, mas tão chata, que tem tempo de sobra para ficar observando e invejando a dos outros. Se essas pessoas fossem tão perfeitas e especiais, garanto que não estariam escondidas atrás de um computador, se preocupando com as “supostas” imperfeições dos outros. E agora um recado para Julia Gabrielle: Julia, você é linda! Daqui a uns anos, sei que vai dar boas risadas desse caso, mas agora, desencane e divirta-se! Aproveite que você está famosa e mande um beijo para esses bobos que te colocaram em evidência! Será que algum deles já esteve nos trending topics? É claro que não. Isso não é para qualquer um. Continue sendo você mesma, garota! E não se esqueça de sempre sorrir!
Até a próxima!
Paula
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* escritora de livros juvenis.
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quinta-feira, 28 de março de 2013

Tecnologia em sala de aula não é suficiente no Brasil

 
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“A mera presença dos objetos técnicos em sala de aula não significa necessariamente inovação. Pode até ser um grande retrocesso. O computador sozinho não faz nada”, afirma Edvaldo Couto, professor da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Educação pela Unicamp e palestrante das duas edições do InovaEduca 3.0, SP e Recife, ele trabalha em suas pesquisas temas como cibercultura, tecnologias educacionais e criação de narrativas em ambientes digitais. Defensor assíduo do “uso de toda e qualquer tecnologia em sala de aula”, Edvaldo acredita que a Educação 3.0 será aplicada com sucesso quando alguns problemas estiveram solucionados, como a falta de infraestrutura nas escolas e a má formação tecnológica dos professores.
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Em entrevista ao Porvir, o professor abordou as questões que permeiam o uso da tecnologia na sala de aula, como isso tem sido feito no Brasil e, ainda, falou sobre as perspectivas educacionais para um futuro próximo. Confira:
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Como usar a tecnologia de forma inovadora?
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 Edvaldo Couto - A mera presença dos objetos técnicos em sala de aula não significa necessariamente inovação. Pode até ser um grande retrocesso. O computador sozinho não faz nada. A Educação 3.0 é a tecnologia de pessoas, que integra pessoas. Para usar as tecnologias digitais de forma inovadora nas práticas docentes precisamos solucionar simultaneamente três problemas:
 
1 – Melhorar a infraestrutura tecnológica. Existem escolas que receberam computadores e não têm luz elétrica ou acesso à internet. Muitas escolas não têm água potável, não têm biblioteca, não tem sequer professores. Para complicar, os computadores são em número limitado, não tem para todos. É preciso ampliar e criar novas políticas públicas capazes de construir uma boa infraestrutura tecnológica nas escolas.
2 – Melhorar o acesso à rede. A banda larga no Brasil é uma piada. É preciso investir e melhorar a banda larga, entender que conexão é uma necessidade básica da população. Os custos no Brasil, por um serviço sempre ruim, são altíssimos. Precisa reduzir drasticamente o custo e ampliar a velocidade da rede. A internet veloz precisa estar disponível nas escolas. Não pode ser um projeto de algumas escolas particulares e muito caras. Deve ser presença em todas as escolas. Em cada escola pública.
3 – Formar adequadamente os professores para a cultura digital. Muitos professores não sabem o quê nem como fazer uso das tecnologias digitais em suas práticas docentes. Não pode ser apenas um cursinho de poucos horas para ensinar a ligar e desligar aparelhos. Os professores devem ser letrados digitalmente, ter autonomia e liberdade, precisam ser sujeitos integrados na cultura digital.
Esses três pontos na verdade ressaltam que, quando se fala em tecnologias digitais não mais falamos em máquinas, mas em pessoas conectadas, fazendo coisas incríveis porque estão juntas, trabalham em parcerias, de modo coletivo. Se as pessoas não estiverem conectadas e não tiverem liberdade para discutir e criar, nada mudará na educação.
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Uma de suas pesquisas é voltada para a Narrativas de Professores nas Redes Sociais Digitais. Como elas podem auxiliar no processo de aprendizado?
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 Couto - É possível que o mais extraordinário da nossa época seja o fato de qualquer pessoa conectada a internet poder narrar a sua história, contar sobre o seu modo de ver os acontecimentos, opinar sobre um produto, discutir e difundir ideias. A Web 3.0 potencializou essa condição e permitiu a cada um narrar e publicar suas experiências. Então, as narrativas, sobretudo as pessoais, se multiplicam a cada dia nessa esfera pública que é a rede. Muitos professores vivem conetados, são incríveis narradores de si, mas sobretudo de suas práticas docentes. Essas narrativas de professores, especialmente nas redes sociais digitais, orientam, estimulam e se misturam a milhares de outras narrativas de alunos. Qualquer processo de ensino e aprendizagem se mostra mais rico e interessante em meio a essas trocas contínuas.
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Como deve ser o processo de integração desse professor na cultura das redes sociais?
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Couto - Essa é uma boa questão, porque de fato vivemos uma estimulante e sedutora cultura das redes sociais digitais. Muitos são os professores integrados a algumas dessas redes, mas poucos usam as potencialidades desses ambientes nas suas práticas pedagógicas. Esse parece ser o nosso maior desafio: incentivar professores a inovarem práticas docentes usando as redes sociais digitais. E aqui o importante não é apenas distribuir tarefas, mas, principalmente, criar e manter espaços contínuos e ativos de discussões, produções e difusões de conhecimentos.
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E como definir a Educação 3.0?
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Couto - A educação 3.0 traz as tecnologias digitais para a sala de aula para estimular a produção e a troca de conhecimentos. A ênfase não deve estar nos objetos técnicos, seus ambientes e aplicativos, mas nas interações, nas trocas, no fazer coletivo. Então a sala de aula passa a ser qualquer ambiente onde as pessoas se conectam umas as outras e criam, encontram soluções para seus problemas, enfrentam coletivamente seus dilemas. Onde tem pessoas conectadas, tem ensino e aprendizagem mediados por tecnologias digitais. O professor não é mais aquele que transmite um determinado saber pronto. Ser professor na cultura digital implica coordenar, orientar, incentivar a aprendizagem colaborativa e cada vez mais personalizada. Não se trata mais de uma mesma tarefa para todos num determinado espaço e tempo. O professor agora é aquele que coordena as atividades em torno de algum problema, ou de determinados problemas. Assim, muitos grupos, em diferentes espaços e tempos, podem trabalhar em conjunto. Cada professor, cada aluno, pode abrir uma frente de investigação e todos podem compartilhar dúvidas e descobertas. A troca contínua de experiências passa a ser um valor fundamental da Educação 3.0. Ela depende menos dos objetos técnicos utilizados e mais das articulações que são feitas. Estar conectado passa a ser a condição desse “estar junto e produzir coletivamente”.
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Como ela tem sido usada no Brasil?
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 Couto - Essas experiências estão presentes em muitas escolas no Brasil. Mas ainda não é o suficiente porque em muitos ambientes escolares o modelo transmissivo impera. Os usos frequentes das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem vão mudar radicalmente o modo como concebemos a educação. Essas mudanças já podem ser percebida onde encontramos professores e alunos engajados, motivados e prontos para enfrentar os desafios de hoje e do futuro. O importante aqui é perceber que o aprendizado se dá por meio de ações continuadas, que não se restringem às oportunidades apresentadas pelo professor, dentro de uma sala de aula tradicional. As pessoas estão cada vez mais conectadas e isso permite explorar muitas possibilidades, criar de muitas maneiras, cada um pode desenvolver o seu ritmo de aprendizagem, abrir-se para experiências sempre renovadas.
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Como seria a educação ideal para os próximos 5 (talvez 10) anos?
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Couto - Não me agrada muito pensar em certas visões tão difundidas de alunos enfileirados na frente do computador. Com as tecnologias móveis e cada vez menores as pessoas estão conectadas umas às outras por meio de muitos aparelhos. A tendência é que esses aparelhos se tornem progressivamente quase imperceptíveis. Hoje já falamos numa internet corporal. Cada corpo se conectará a outros corpos. As máquinas, como intermediárias da conexão, poderão desaparecer. Restarão as pessoas conectadas e inventivas. Essa seria a realização mais plena do ciborgue. As escolas tradicionais funcionarão ainda por muito tempo e provavelmente algumas gerações ainda lutarão por inovações pedagógicas sempre aprisionadas por burocracias na gestão escolar. Os avanços serão tímidos, mas já importantes, como alguns já citados. Viveremos ainda um bom tempo entre paredes e redes. Mas também é possível desejar e imaginar que brevemente as paredes poderão ser derrubadas e que a escola será não um lugar, mas a extraordinária rede de conexões das pessoas cada vez mais empenhadas em processos de ensino e aprendizagem colaborativos. Aí a sociedade do conhecimento será de fato construída e vivenciada democraticamente.
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Fonte: Portal Porvir e Todos pela Educação

PF apura denúncia de discriminação racial contra índios em escola do Mato Grosso do Sul

O Ministério Público Federal (MPF) de Mato Grosso do Sul solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar crimes de racismo e injúria racial praticados contra Alunos indígenas de uma Escola estadual em Antonio João, na fronteira com o Paraguai. A PF vai começar a ouvir Alunos, funcionários e o diretor da Escola na próxima semana. De acordo com a denúncia, índios guaranis-caiovás da Escola Pantaleão Coelho Xavier teriam sido retirados da sala de aula sob a alegação de que seriam "fedidos, sujos e pouco higiênicos".
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 Segundo Marciano Duarte, capitão da aldeia Campestre, os cerca de seis Alunos, sendo quatro meninas, teriam sido xingados por colegas brancos de sala de aula e por isso teriam sido retirados da sala pelo diretor.
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 - Eles falaram que os Alunos brancos os chamaram de fedidos, sujos e que tinham chulé, e por isso foram retirados da sala pelo diretor para estudar lá fora da sala de aula. O Professor dava aula para os índios lá fora e ao mesmo tempo para os brancos, que ficaram na sala -afirmou Duarte.
O diretor da Escola, Elimar Brum, nega que tenha ocorrido discriminação étnica contra os Alunos índios.
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- Ninguém foi expulso da sala de aula dia 27, nem outro dia, por ninguém e muito menos por mim, pois me encontrava em Campo Grande - afirmou o diretor.
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O caso também foi denunciado ontem na Câmara dos Deputados pelo deputado Amauri Teixeira (PT-BA). De acordo com ele, os estudantes foram expulsos da sala de aula pelo diretor, atendendo a pedidos de Professores e Alunos.
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O diretor da Escola, no entanto, nega a discriminação. Brum disse que naquele dia todos os Alunos estudaram na área externa da Escola, onde existe estrutura para atividades como xadrez. Ele também nega que tenha conversado com uma das lideranças da Aldeia Campestre, de onde são os Alunos que teriam sido discriminados, e que teria confirmado que expulsou os jovens da sala.
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-Jamais falei com o Joel Aquino em lugar algum - disse Brum, referindo-se a informações divulgadas pelas entidades ligadas à questão indígena de que um dos líderes da tribo, Joel Aquino, teria afirmado ter ouvido do próprio diretor que ele retirou os guaranis-caiovás da sala. Brum diz que nunca teve problemas com os índios.
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Os índios guaranis-caiovás têm suas terras constantemente ameaçadas por fazendeiros e posseiros da região. Em novembro de 2011, posseiros mataram o indígena Nisio Gomes, líder da tribo, mas até hoje o corpo não foi encontrado. Para protestar contra a violência, índios dessa tribo chegaram a dizer em documento que corriam risco de morte, com entidades de defesa de direitos humanos interpretando que eles poderiam cometer suicídio coletivo, desmentido depois pelos indígenas. Os guaranis-caiovás têm histórico de suicídios cometidos por índios acuados por ameaças às suas terras.
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 Fonte: O Globo (RJ)

A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico

 
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Por Eliane Brum*
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O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.
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 - Você é evangélico? – ela perguntou.
 - Sou! – ele respondeu, animado.
 - De que igreja?
 - Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
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- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...
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O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)
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Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:
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- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
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- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
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Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa. 
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A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.
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Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.
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Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.
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É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.
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Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.
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Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.
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Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.
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Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum. Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.
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Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele.
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* jornalista e autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê. Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada.
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Fonte: Revista Época

terça-feira, 26 de março de 2013

Diretora agredida por aluno desabafa em rede social

RIO — O encontro entre um adolescente rebelde, aluno de um projeto para alunos com defasagem idade-série, e uma profissional tida como durona terminou em agressão, na última quinta-feira, na Escola Municipal João Kopke, em Piedade, na Zona Norte. A diretora Leila Soares foi empurrada e recebeu um soco no rosto após repreender um estudante de 15 anos que brincava de brigar no pátio. Leila publicou um desabafo sobre a agressão sofrida em sua página no Facebook.
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“O agressor sai de cabeça erguida, olhando para trás e rindo. Não só do agredido, mas de cada um de nós”, diz trecho do depoimento da diretora.
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— Aqui do lado de fora sempre tem briga, mas agressão ao diretor foi a primeira vez — disse Miguel Maciel, de 12 anos, aluno do 7º ano, mesma série do agressor.
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Segundo os alunos, Leila flagrou o aluno brigando de lutar com um amigo. Ela mandou que eles parassem e teria sido empurrada pelo aluno. Leila avisou que iria ligar para a mãe do jovem e para a Ronda Escolar, da Guarda Municipal. Diante da ameaça, o rapaz teria dado um soco no rosto da diretora. A diretora e o aluno foram para a 24ª DP (Piedade), onde Leila contou que o estudante, após tê-la socado, saiu rindo pelo corredor. Como estava com muita dor no ouvido, ela foi encaminhada ao Hospital Salgado Filho. Depois ela foi ao Instituto Médico-Legal fazer exame de corpo delito, que não apontou lesão externa. Mas, como ela continuou sentido dores, será feito um exame complementar.
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Segundo a delegada Cristiane Carvalho, Leila não apresentava hematomas, mas estava muito abalada. O estudante, morador do Morro do Adeus, foi autuado por fato análogo a lesão corporal. A mãe do adolescente se comprometeu por escrito a levá-lo à Vara da Infância e da Juventude, onde ele deverá ser punido com uma medida socioeducativa, que pode ir da advertência verbal à internação compulsória.
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— A mãe estava irritada e disse que não iria mais procurar colégio para ele, dando a entender que ele já tinha tido problemas antes. Ele admitiu na delegacia ter dado um soco na diretora e não demonstrou arrependimento — disse a delegada.
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Desde 2003, 53 agressões
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Em nota, a Secretaria municipal de Educação disse que o aluno foi transferido para outra escola e que aplicou o Regimento Escolar Básico do Ensino Fundamental. E disse ainda que a diretora, que está na escola desde 2009, ficará em licença por dez dias. A secretária de Educação, Claudia Costin, classificou o fato de “triste e lamentável”. Segundo dados da secretaria, desde 2003, foram registradas 53 agressões — verbais e físicas — de alunos a professores que resultaram em sindicâncias.
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Wiria Alcântara, diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino, observa que agressões dentro de escola têm sido cada vez mais rotineiras:
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— As crianças estão muito violentas, refletindo o que acontece na sociedade. E as escolas não estão preparadas.
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Depoimento da diretora
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“Quantas vezes nos indignamos quando sabemos de casos de agressões a colegas, profissionais como nós. Mas não nos indignamos o suficiente por acharmos que ainda está muito distante...
De repente, chega a nós.
O corpo dói. Mas a dor vai passando com gelo, analgésico, remédios...
O coração, este fica tão apertado que parece que sobra espaço em torno dele de tão pequeno. Este espaço é preenchido com dor. Que não tem remédio.
(...) Sofremos nós, nossos parentes, nossos amigos, nossos companheiros.
Sofre uma sociedade inteira que vive temerosa porque não temos quem nos proteja.
O agressor sai de cabeça erguida, olhando para trás e rindo. Não só do agredido, mas de cada um de nós. Ri do erro...
Ri da sociedade que fica refém enquanto ele continuará empurrando, xingando, ameaçando, chutando, socando...
(...) Quem somos nós, Educadores? Somos aqueles de quem ri o que sai impune, olhando para trás e rindo.
Serei só mais uma? Ou a última?”
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Educação e política