quinta-feira, 2 de maio de 2013

Produção de Sentido

  
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Por Frei Betto*
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     Muitos pais se queixam do desinteresse dos filhos por causas altruístas, solidárias, sustentáveis. Guardam a impressão de que parcela considerável da juventude busca apenas riqueza, beleza e poder. Já não se espelha em líderes voltados às causas sociais, ao ideal de um mundo melhor, como Gandhi, Luther King, Che Guevara e Mandela.
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     O que falta à nova geração? Faltam instituições produtoras de sentido. Há que imprimir sentido à vida. Minha geração, a que fez 20 anos de idade na década de 1960, tinha como produtores de sentido Igrejas, movimentos sociais e organizações políticas.
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    A Igreja Católica, renovada pelo Concílio Vaticano II, suscitava militantes, imbuídos de fé e idealismo, por meio da Ação Católica e da Pastoral de Juventude. Queríamos ser homens e mulheres novos. E criar uma nova sociedade, fundada na ética pessoal e na justiça social.
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     Os movimentos sociais, como a alfabetização pelo método Paulo Freire, nos desacomodavam, impeliam-nos ao encontro das camadas mais pobres da população, educavam a nossa sensibilidade para a dor alheia causada por estruturas injustas.
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     As organizações políticas, quase todas clandestinas sob a ditadura, incutiam-nos consciência crítica, e certo espírito heroico que nos destemia frente aos riscos de combater o regime militar e a ingerência do imperialismo usamericano na América Latina.
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     Quais são, hoje, as instituições produtoras de sentido? Onde adquirir uma visão de mundo que destoe dessa mundividência neoliberal centrada no monoteísmo do mercado? Por que a arte é encarada como mera mercadoria, seja na produção ou no consumo, e não como criação capaz de suscitar em nossa subjetividade valores éticos, perspectiva crítica e apetite estético?
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     As novas tecnologias de comunicação provocam a explosão de redes sociais que, de fato, são virtuais. E esgarçam as redes verdadeiramente sociais, como sindicatos, grêmios, associações, grupos políticos, que aproximavam as pessoas fisicamente, incutiam cumplicidade e as congregavam em diferentes modalidades de militância.
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     Agora, a troca de informações e opiniões supera o intercâmbio de formação e as propostas de mobilização. Os megarrelatos estão em crise, e há pouco interesse pelas fontes de pensamento crítico, como o marxismo e a teologia da libertação.
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     No entanto, como se dizia outrora, nunca as condições objetivas foram tão favoráveis para operar mudanças estruturais. O capitalismo está em crise, a desigualdade social no mundo é alarmante, os povos árabes se rebelam, a Europa se defronta com 25 milhões de desempregados, enquanto na América Latina cresce o número de governos progressistas, emancipados das garras do Tio Sam e suficientemente independentes, a ponto de eleger Cuba para presidir a Celac (Comunidade do Estados Latino-Americanos e Caribenhos).
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     Vigora atualmente um descompasso entre o que se vê e o que se quer. Há uma multidão de jovens que deseja apenas um lugar ao sol sem, contudo, se dar conta das espessas sombras que lhes fecham o horizonte.
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     Quando não se quer mudar o mundo, privatiza-se o sonho modificando o cabelo, a roupa, a aparência. Quando não se ousa pichar muros, faz-se tatuagem para marcar no corpo sua escala de valores. Quando não se injeta utopia na veia, corre-se o risco de injetar drogas.
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     Não fomos criados para ser carneiros em um imenso rebanho retido no curral do mercado. Fomos criados para ser protagonistas, inventores, criadores e revolucionários.
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     Quando Hércules haverá de arrebentar as correntes de Prometeu e evitar que o consumismo prossiga lhe comendo o fígado? “Prometeu fez com que esperanças cegas vivam nos corações dos homens”, escreveu Ésquilo. De onde beber esperanças lúcidas se as fontes de sentido parecem ressecadas?
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     Parecem, mas não desaparecem. As fontes estão aí, a olhos vistos: a espiritualidade, os movimentos sociais, a luta pela preservação ambiental, a defesa dos direitos humanos, a busca de outros mundos possíveis.
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* - Frei Betto é escritor e teólogo.
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Dilma exalta emprego, reafirma combate à inflação diz que Educação será o foco

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Em um tom mais ameno do que o adotado em seus últimos pronunciamentos à nação, a presidente Dilma Rousseff tentou transmitir serenidade em um momento em que cresce a preocupação com os índices de inflação.
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Na sua fala em comemoração ao Dia Internacional do Trabalho, Dilma trouxe a importância da luta conta a inflação para o lado pessoal, dizendo que um governo e uma presidente que lutam firme pela redução de impostos e pela diminuição de custos, "não vão descuidar nunca do controle da inflação".
De acordo com a presidente, a luta contra a inflação é "uma luta constante, imutável, permanente". A presidente também reafirmou a compromisso com os pilares da política econômica.
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"Não abandonaremos jamais os pilares da nossa política econômica que tem por base o crescimento sustentado e a estabilidade. E não abriremos mão, jamais, dos pilares fundamentais do nosso governo, a distribuição de renda e a diminuição da desigualdade no Brasil", disse.
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A presidente, no entanto, não anunciou medidas ou bondades como nas suas últimas aparições em rede nacional e como era aguardado. Apesar de não fazer anúncios, Dilma destacou medidas tomadas em benefício dos trabalhadores, com a isenção do Imposto de Renda sobre o pagamento de participação nos lucros e resultado das empresas e a extensão dos direitos trabalhistas previstos na CLT para os empregados domésticos. O governo deve anunciar, em breve, a regulamentação dos novos direitos. Esse era, inclusive, uma das novidades aguardadas para o primeiro de maio.
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O foco do discurso foi a Educação e o ganho dos trabalhadores nos últimos anos. Também não foram dados recados de viés político. A cobrança da presidente foi ao Congresso, sobre a aprovação da medida que destina os recursos do petróleo à Educação. Dilma disse que o Brasil avançou muito por causa de políticas econômicas corretas e de políticas sociais profundas, mas ponderou que um fato "tem passado desapercebido", o fato de o emprego e o salário terem se tornado "os dois maiores fatores de diminuição da desigualdade".
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Para justificar sua afirmação, a presidente aponta que os programas de transferência de renda tiraram 36 milhões de brasileiros da miséria, mas que o emprego e a renda é que impedem que essas pessoas voltem à pobreza e foram esses dois vetores que levaram 40 milhões de pessoas à classe média.
Depois de elencar dados sobre a geração de empregos com carteira assinada e o ganho real de salário, Dilma enfatizou que só uma Educação de qualidade pode garantir mais avanço para o emprego e para o salário. E que para que o Brasil faça uma "grande revolução no Ensino" é necessário, além da vontade política, recursos suficientes.
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"Por isso, é importante que o Congresso Nacional aprove nossa proposta de destinar os recursos do petróleo para a Educação. Peço a vocês que incentivem o seu deputado e o seu senador para que eles apoiem essa iniciativa", disse a presidente, que logo no começo de seu pronunciamento anunciou o envio de uma nova proposta sobre o tema ao Congresso. Tal postura já era esperada e foi até sinalizadas pela própria presidente no começo da semana, conforme a medida provisória 595, enviada em dezembro do ano passado tratando dessa proposta, teve sua tramitação suspensa no Congresso, pois ela perderia validade em 12 de maio. A presidente, no entanto, não deu detalhes sobre a nova proposta.
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Ao encerrar, Dilma faz um chamamento a toda à sociedade, apontando que a Educação "não é apenas um dever do estado e um direto do cidadão. É também tarefa da família e responsabilidade de todos, sem exceção".
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A ideia da presidente é alcançar uma nova "marca" para o país. "Somente assim [investindo em Educação] podermos gritar em uma só voz uma nova marca de fé e amor para o nosso país. Poderemos gritar, do fundo do nosso coração, Brasil pátria Educadora."
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Fonte: Valor Econômico.

Esforço nas aulas faz professora ser afastada por problemas na voz

Por Vanessa Fajardo - Do G1, em São Paulo
 
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A professora Solange Aparecida de Oliveira, de 49 anos, está há três anos afastada da sala de aula e trabalha no setor administrativo da Escola Municipal de Educação Infantil Cecília Meireles, em São Matheus, na Zona Leste de São Paulo. Há pelo menos oito anos sentiu os primeiros problemas na voz, resultado de mais de duas décadas dando aulas na educação infantil. Ficava rouca, com a voz áspera, muitas vezes, totalmente afônica. Chegou a dar aulas fazendo mímica.
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“É mais difícil lidar com criança pequena, elas exigem, há uma rotina a ser cumprida: roda de leitura, de conversa, aula de música, parque, jogos, atividades externas. Perdia a voz com muita frequência, sentia dores na garganta, minha diretora falava: você não pode ficar assim. Perder a voz mexe com o emocional da gente”, afirma.
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Solange simboliza uma pequena amostra de um cenário bem mais complexo que atinge a categoria dos docentes. Estudo feito pelo Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro SP), mostra que 63% dos professores entrevistados (1651 docentes da rede básica de ensino) já tiveram problema na voz, sendo que 11% apresentava alguma alteração no momento da pesquisa. Entre 14 sintomas listados que denotam problemas como rouquidão, pigarro, garganta seca, entre outros, cada pessoa respondeu que tinha, em média, 3,7 sintomas.
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DICAS PARA O PROFESSOR NÃO PERDER A VOZ
- Beba água regularmente
- Fique atento ao volume de voz. Perceba em quais momentos você pode falar mais baixo
- Articule bem as palavras
- Evite pigarrear em excesso
-Mantenha uma alimentação regular e saudável
- Após um período de uso excessivo da voz, tente descansá-la
- Ao dar uma informação longa aos alunos, fique de frente para a classe olhando para os alunos
- Evite falar muito tempo virado para a lousa
- Com orientação fonoaudiológica, faça exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal
- Ao perceber sintomas como rouquidão, dor na garganta, cansaço vocal, falhas na voz, excesso de pigarro, desconforto ao falar, procure um médico otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo
Fonte: Fabiana Zambon – Sinpro SP
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A fonoaudióloga especialista em voz do Sinpro SP, Fabiana Zambon, diz que o grande problema é que o professor não tem na formação conhecimento para cuidar e prevenir a voz. "Quando percebe que está com problema é porque já precisa de tratamento. O professor usa a voz de forma diferente das outras pessoas, concorre com ruído de fora, da classe, tem de falar mais forte porque tem um número de alunos para atingir. Mesmo os que não apresentam problema, teriam de passar por uma avaliação."
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Foi assim com Solange. Quando ela buscou ajuda médica há oito anos, recebeu o diagnóstico de nódulo e fendas nas cordas vocais, e a indicação para se afastar da sala de aula. Demorou mais cinco anos para que seguisse a recomendação médica e fosse readaptada para outras funções. "Tinha um receio grande, porque a readaptação é mal vista. Morria de medo desse tabu, mas aos poucos, fui vendo que não tinha mais condições."
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Para Solange, a lotação das salas, e ter de lecionar, muitas vezes, paralelamente às reformas que ocorrem nas escolas, sem a acústica adequada, são fatores que contribuem para o desgaste da voz. “A reforma é uma questão que precisa ser pensada. Poeira, ruído e tinta causam alergia. Os professores estão adoecendo.”
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Alunos em sala de aula (Foto: TV Globo/Reprodução)
Professor deve evitar falar virado para a lousa
(Foto: TV Globo/Reprodução)
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Projetar a voz ou gritar?
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Outro fator que pode comprometer a voz do professor é se ele grita muito durante a aula. Segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, existe uma grande diferença entre "projetar a voz" e "falar alto" em classe. "Projetar é falar alto com controle de qualidade da voz, sem sobrecarregar as cordas vocais; já falar alto pode ser sinônimo de gritar, com esforço excessivo, que pode ser prejudicial", define a entidade em um manual sobre problemas de voz. "O grito faz com que ocorra um forte atrito entre as pregas vocais e, se usado constantemente, pode prejudicar a saúde vocal e contribuir para o aparecimento de lesões na laringe como os calos nas cordas vocais."
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Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o departamento de saúde oferece um programa voltado à saúde vocal, com caráter preventivo, aos professores da rede de ensino, além de oficinas nas escolas resultado de uma parceria feita com a PUC-SP. Sobre o número de alunos em sala de aula, a Prefeitura diz que respeita o que prevê a legislação municipal e atende, no máximo, 30 crianças por sala na educação infantil.
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Solange deve encerrar a carreira no setor administrativo. No ano que vem ela completa 50 anos de vida, 30 deles como funcionária da Prefeitura de São Paulo e vai se aposentar. Apesar do problema adquirido, vai guardar boas lembranças da docência.  "A sala de aula é o lugar onde eu me encontrei profissionalmente, foi uma escolha ser professora, ninguém me mandou ser, sempre gostei muito do que eu fiz. Valeu a pena a carreira longa, fui feliz enquanto estive lá."
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Cisto na prega vocal e cirurgia
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O problema vocal da professora Eulina Fernandes Pereira Caldin, de 49 anos, terminou em cirurgia. Ela dá aulas há 23 para o ensino fundamental em uma escola da rede particular de São Paulo. Logo no início da carreira perdia a voz, foi buscar orientação médica, “mas achou uma bobagem, não levou a sério e abandonou o tratamento.” A atitude não passou ilesa: Eulina adquiriu um cisto do lado esquerdo da prega vocal, e teve de operar. Nos últimos cinco anos, não tinha nenhum período com a voz boa, nem mesmo nas férias.
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“Ficava rouca, não sentia nenhuma dor, mas a voz sumia, faltava volume. Quando procurei ajuda médica, já era um caso cirúrgico. Minha vontade era parar de trabalhar dando aula, não tinha mais qualidade dos anos anteriores e comecei a me cobrar.”
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A professora afirma que o cisto adquirido na corda vocal era como uma 'bexiguinha que poderia se romper.' "Após a cirurgia, o som da voz era péssimo, parecia uma senhora de 80 anos, vinha em duplicidade. Passei três dias incomunicável, só escrevia, mas a recuperação foi simples, não tive dor, com um mês de fono minha voz já estava boa."
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Eulina se arrepende de não ter dado atenção ao problema vocal antes de ele se agravar. Hoje a professora aprendeu a respirar corretamente, usar o diafragma e fazer exercícios para aquecer e desaquecer a voz. Ela diz que o microfone na sala poderia ser um grande aliado, mas admite que nunca precisou se afastar porque conta com ajuda de professor auxiliar na sala de aula, e nos momentos de crise, tinha o apoio desse profissional. 
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"Hoje me sinto ótima, minhas aulas são de maior qualidade. Alunos aprendem, são motivados. A voz é fundamental para a emoção da aula. Eu já tive outras profissões, mas escolhi porque educação está no sangue, parece que você nasce com isso. Adoro o que eu faço, faço com amor."
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Fonte: G1 (on line)

Educação e política


‘Para a classe média, o que prevalece é o capital cultural’

Por Nice de Paula - Publicado:
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Para Jessé Souza, a ideia de classe média ‘condensa os sonhos de ascensão social’
Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo
.Para Jessé Souza, a ideia de classe média ‘condensa os
sonhos de ascensão social’ Marcelo Carnaval / Agência O Globo
RIO – Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Jessé Souza estuda classes sociais há 20 anos e defende o uso de critérios além da renda. Na sua opinião, fenômeno recente foi a ascensão de uma ‘nova classe trabalhadora precarizada’
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A sociedade brasileira é perversa?
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Sim, porque o nível de desigualdade é enorme. O banqueiro na Avenida Paulista ganhar 500 vezes mais do que a pessoa que limpa a sua sala não é normal. E nós convivemos com essa perversão de forma muito natural e ainda temos esse mito brasileiro de que somos muito gentis.
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O senhor discorda que exista uma nova classe média brasileira?
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Este conceito está inserido na cegueira de pensar que as classes sociais se reproduzem apenas no capital econômico, quando a parte mais importante não tem a ver com isso, mas com o capital cultural, com tudo aquilo que a gente incorpora desde a mais tenra idade.
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Quais são as classes sociais do Brasil?
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Basicamente, quatro. A alta, que tem capital econômico. Tem a classe média, que não é tão privilegiada quanto a alta, mas se apropria de um capital cultural valorizado, saber científico, pós-graduação, línguas estrangeiras, um conhecimento que tem valor econômico. Essas duas são as classes do privilégio. Para a classe alta, o mais importante é o capital econômico, embora o capital cultural tenha uma função. E, para a classe média, o que prevalece é o capital cultural, embora algum capital econômico também seja necessário.
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Quais são as classes “sem privilégios”?
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As classes populares não têm acesso privilegiado a capital econômico, nem cultural nem social, não vão ter acesso a pessoas importantes. Têm que trabalhar desde cedo, são batalhadores. É essa a nova classe trabalhadora precarizada (chamada pelos economistas de “nova classe média”). Ela foi incluída porque tem um lugar no mercado, tem renda, planos e consumo de longo prazo, mas isso não a torna classe média. A outra classe “sem privilégios” são os muito pobres, que não têm nem precondição para aprender, a quem chamamos de maneira provocativa de ralé. Para as classes média e alta, é bom que exista a ralé, porque assim podem desfrutar de serviços que a classe média europeia e americana já não têm, como alguém para fazer a comida, cuidar dos filhos. É a luta de classes invisível, tipicamente brasileira.
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Luta de classes?
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As classes do privilégio economizam um tempo importante para estudo ou para um trabalho mais rentável, enquanto a ralé limpa sua casa, faz sua comida. Luta de classe é uma classe roubar tempo de outra. Quando a empregada deixa o almoço do filho da patroa pronto para ele estudar inglês em vez de preparar sua própria comida, esse jovem ou criança está usando seu tempo para reproduzir seu capital cultural. E a empregada, usando seu tempo para repetir sua condição social.
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E por que haveria essa necessidade de inflar a classe média?
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Porque é bom ser classe média. Ela inclui a noção indivíduos que são livres, são consumidores, cidadãos. Condensa os sonhos de ascensão social. Pertencer à classe média tem um efeito de distinção, como comprar um carro bacana, uma casa bonita.
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O critério de renda não é importante?
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É preciso estar atento às outras condições que formam um ser humano. Por exemplo, toda pessoa precisa ter confiança em si mesma. O filho da classe média pode se dedicar só ao estudo, é preparado desde cedo para ser vencedor. O filho da ralé já chega na escola como perdedor e a escola não é solução para tudo. Na nossa pesquisa, o que vimos não é que não tinha escola, mas as pessoas diziam: “nós ficamos fitando o quadro negro horas e horas sem poder aprender”. Se as pessoas não receberem os estímulos anteriores, a escola sozinha não vai resolver.
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Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/para-classe-media-que-prevalece-o-capital-cultural-7914177#ixzz2S8wI4s9e
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